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DJi - Penas Restritivas de Direitos - Penas Alternativas

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abstratamente pelo tipo, mas substituem as penas
privativas de liberdade, desde que preenchidos os requisitos legais. Desse
modo, a pena restritiva de direitos, embora seja autônoma, tem caráter
substitutivo, não podendo ser aplicada diretamente e sim em substituição
à pena corporal imposta. No novo Código de Trânsito Brasileiro (Lei n.
9.503/97), porém, há alguns casos de cominação abstrata e autônoma de
pena restritiva de direitos (cf. arts. 302, 303 e 306).
Duração: a atual redação do art. 55, determinada pela Lei n. 9.714, de
25 de novembro de 1998, passou a prever que "as penas restritivas de
direitos referidas nos incisos IV, V e VI do art. 43 terão a mesma
duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto
no § 4º do art. 46". Dessa forma, foi inserida uma ressalva até então não
existente.
Exceção à regra legal do art. 55: o art. 46, § 4º do CP, com a nova
redação determinada pela Lei n. 9.714, de 25 de novembro de 1998, ao
tratar da prestação de serviços à comunidade, passou a dispor que:
"Se a pena substituída for superior a I (um) ano, é facultado ao
condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca
inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada".
Assim, quando a pena privativa de liberdade a ser substituída por essa
restritiva de direitos for igualou inferior a um ano, o seu tempo de duração
será o mesmo. Por exemplo: 8 meses de detenção equivalem a 8 meses
de prestação de serviços à comunidade. No entanto, sendo a pena
privativa superior a um ano, o juiz poderá fixar uma duração menor do
que esse total, desde que não inferior à sua metade. Esse benefício foi
estendido também para a limitação de fim de semana e para as
interdições temporárias de direitos, por determinação expressa do art. 55
do CP. Dessa forma, a prestação de serviços à comunidade, a limitação
de fim de semana e as interdições temporárias de direitos, quando forem
aplicadas em substituição a penas privativas de liberdade superiores a um
ano, não terão necessariamente a mesma duração destas, podendo ser
fixadas em quantidade menor, desde que não inferior à metade.
Injustiças decorrentes dessa regra: sujeito condenado a um ano e 6 meses
de detenção tem sua pena substituída por 9 meses de prestação de
serviços à comunidade (metade da pena fixada, de acordo com o art. 46,
§ 4º, do CP). Se tivesse sido condenado a 11 meses de detenção, teria
de cumprir exatamente esse período de pena restritiva, já que o benefício
da substituição por tempo menor só se aplica quando a pena aplicada
exceder a um ano. À vista disto, entendemos que o benefício da
substituição por tempo menor, nunca inferior à metade da pena privativa
de liberdade imposta, deve ser estendido também às penas inferiores a
um ano, em atenção ao princípio da proporcionalidade. Há entendimento
de que não há nenhuma injustiça nessa regra, sendo desnecessário
estendê-Ia aos condenados a penas iguais ou inferiores a um ano. Isto
porque, embora a pena seja substituída por metade, compensa-se o
benefício dobrando-se a carga diária de horas de trabalho. Assim, o
condenado, em vez de cumprir dois anos de prestação de serviços à
comunidade, à razão de uma hora por dia, cumpre apenas um ano,
trabalhando duas horas por dia. Como se costuma dizer: acaba dando na
mesma. Tal posição, a nosso ver, não merece prosperar, em face do que
dispõe o art. 55 do CP, o qual estendeu para a limitação de fIm de
semana e para as interdições temporárias de direito a regra aqui
mencionada. Ora, é impossível compensar horas nas interdições, uma vez
que o condenado fIca 24 horas por dia impedido de exercitar o direito.
O argumento somente seria válido se a regra se limitasse às prestações de
serviço à comunidade, o que não acontece. Daí por que o dispositivo é
mesmo infeliz e inconstitucional, devendo ser ampliado às penas iguais ou
inferiores a um ano.
Cumulação: sendo substitutivas, não podem ser aplicadas
cumulativamente com as penas privativas de liberdade que substituem.
Ou o juiz aplica a privativa de liberdade ou a substitui pela restritiva de
direitos. No caso das penas restritivas do Código de Trânsito Brasileiro é
possível a aplicação cumulativa, uma vez que elas estão cominadas
abstratamente no tipo, cumulativamente com as penas privativas de
liberdade.
Classificação das penas restritivas de direitos: são de dois tipos:
a) genéricas: substituem as penas privativas de liberdade em qualquer
crime, satisfeitos os requisitos legais. São a prestação de serviços à
comunidade, a limitação de fIm de semana, a prestação pecuniária e a
perda de bens e valores;
b) específicas: só substituem as penas privativas de liberdade impostas
pela prática de determinados crimes. São as interdições temporárias de
direitos, salvo a pena de proibição de freqüentar determinados lugares
(acrescentada pela Lei n. 9.714/98), que é genérica.
Espécies
Prestação de serviços à comunidade ou à entidades públicas: possui as
seguintes características:
a) consiste na atribuição de tarefas ao condenado, junto a entidades
assistenciais, hospitais, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres,
em programas comunitários ou estatais, ou em benefício de entidades
públicas;
b) a prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é
aplicável às condenações superiores a 6 meses de privação da liberdade;
c) as tarefas não serão remuneradas, uma vez que se trata do
cumprimento da pena principal (LEP, art. 30), e não existe pena
remunerada;
d) as tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do condenado;
e) a carga horária de trabalho consiste em uma hora por dia de
condenação, fixada de modo a não prejudicar a jornada normal de
trabalho (CP, art. 46, § 3º);
f) cabe ao juiz da execução designar a entidade credenciada junto à qual
o condenado deverá trabalhar (LEP, art. 149, I);
g) a entidade comunicará mensalmente ao juiz da execução, mediante
relatório circunstanciado, sobre as atividades e o aproveitamento do
condenado (LEP, art. 150);
h) se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado
cumprir a pena substitutiva em tempo inferior ao da pena privativa
substituída (CP, arts. 55 e 46, § 4º), nunca inferior à metade da pena
privativa de liberdade fixada;
i) por entidades públicas devemos entender tanto as pertencentes à
Administração direta quanto à indireta passíveis de serem beneficiadas
pela prestação dos serviços. Assim, além da própria Administração
direta, podem receber a prestação de serviços: as empresas públicas, as
sociedades de economia mista, as autarquias, as entidades
subvencionadas pelo Poder Público.
Limitação de Fim de Semana: tem como características:
a) a limitação de fim de semana consiste na obrigação do condenado de
permanecer aos sábados e domingos, por 5 horas diárias, na Casa do
Albergado (LEP, art. 93) ou outro estabelecimento adequado;
b) o estabelecimento encaminhará mensalmente ao juiz da execução
relatório sobre o aproveitamento do condenado.
Interdição temporária de direitos: características:
a) proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem
como de mandato eletivo: trata-se de pena específica, uma vez que só
pode ser aplicada ao crime cometido no exercício do cargo ou função,
com violação de deveres a estes inerentes (CP, art. 56), e desde que
preenchidos os requisitos legais para a substituição. Quando a lei fala de
cargo, está-se referindo ao efetivo, e não ao eventual.
- no que toca à suspensão de mandato eletivo, a condenação criminal
transitada em julgado acarreta a suspensão dos direitos políticos,
enquanto durarem seus efeitos, nos termos do art. 15, III, da
Constituição (norma de eficácia plena, que não depende de lei
regulamentadora para gerar efeitos);
b) proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam
de habilitação especial, autorização ou licença do Poder Público: também
se trata de restritiva específica, pois só se aplica aos crimes cometidos no
exercício da profissão ou atividade e se houver violação de