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DJi - Penas Restritivas de Direitos - Penas Alternativas

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deveres a
estas relativos (CP, art. 56);
c) suspensão de autorização ou habilitação para dirigir veículo: da mesma
forma que as anteriores, cuida-se aqui de pena específica, só aplicável
aos delitos culposos de trânsito (não se enquadram nessa categoria os
veículos movidos a tração animal e a propulsão humana).
1 - mesmo no caso da imposição dessa pena, o juiz deve comunicar à
autoridade de trânsito a ocorrência do acidente, para apreensão da
carteira de habilitação e sujeição do motorista a novos exames, pois se
trata de medida meramente administrativa, cuja aplicação não configura
bis in idem.
2 - o CP não obriga a que, nos crimes culposos de trânsito, se aplique
sempre a interdição temporária de habilitação para dirigir veículos,
podendo ser aplicada outra pena restritiva de direitos. Entendase: o que a
lei diz é que o juiz só pode aplicar a pena de suspensão de habilitação
para os crimes culposos de trânsito, isto é, não pode impor essa restritiva
para nenhum outro crime. Os crimes culposos de trânsito não são,
contudo, punidos obrigatoriamente com essa pena, podendo o juiz
escolher outra restritiva. Assim, toda suspensão pune um crime culposo
de trânsito, mas nem todo crime culposo de trânsito é punido com a
suspensão.
3 - com o novo Código de Trânsito Brasileiro, a suspensão ou proibição
de obter habilitação para dirigir veículo automotor pode ser imposta
como pena principal, isolada ou cumulativamente com outras penalidades
(Lei n. 9.503/97, arts. 292 e 293);
d) proibição de freqüentar determinados lugares (Lei n. 9.714/98): além
de pena restritiva de direitos, funciona como condição do sursis especial,
conforme disposto no art. 78, § 2º, a, do Código Penal.
Alterações promovidas pelo Código de Trânsito: de acordo com o
disposto no art. 292 do novo Código de Trânsito, a suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou habilitação para dirigir pode ser
imposta como penalidade principal, isolada ou cumulativamente com
outra pena, devendo ter a duração de 2 meses a 5 anos.
A suspensão pressupõe permissão ou habilitação já concedida, enquanto
a proibição aplica-se àquele que ainda não obteve uma ou outra,
conforme o caso.
Diferenças entre a suspensão para dirigir do novo Código de Trânsito e a
pena restritiva de direitos prevista no art. 47, III, do Código Penal:
podemos enumerar as seguintes diferenças:
1) a interdição temporária de direitos do Código Penal não alcança a
proibição de obter permissão ou habilitação para dirigir veículo,
limitando-se à suspensão da licença já concedida. Desse modo, a pena
prevista na Parte Geral somente pode ser aplicada a quem já tiver
habilitação válida;
2) a pena restritiva de direitos trazida pelo novo Código de Trânsito,
contrariando o disposto no art. 44 do Código Penal, não tem caráter
substitutivo. No sistema tradicional, até então o único em vigor, o juiz
deve, em primeiro lugar, fixar a pena privativa de liberdade, de acordo
com o critério trifásico (art. 68, caput). Aplicada a pena in concreto, caso
seja inferior a 4 anos ou se trate de crime culposo (qualquer que seja a
pena), e desde que preenchidos os demais requisitos legais (CP, art. 44,
II e III, com a redação dada pela Lei n. 9.714/98), o juiz procede à
substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos;
3) devido ao seu caráter substitutivo, a pena restritiva de direitos tratada
pelo Código Penal não é cominada abstratamente no tipo, nem tem seus
limites mínimo e máximo previstos no preceito secundário da norma. Ao
contrário, tem exatamente a mesma duração da pena privativa de
liberdade substituída (CP, art. 55). Assim, o juiz, em primeiro lugar,
aplica a pena privativa de liberdade, e somente então, se esta for cabível,
a substitui por restritiva de direitos, pelo mesmo tempo de duração;
4) dado seu caráter substitutivo, a suspensão de habilitação prevista no
Código Penal não pode ser aplicada em conjunto com pena privativa de
liberdade: é uma ou outra. Excepcionalmente, permite-se a aplicação
cumulativa, mas, ainda assim, se a pena privativa de liberdade tiver sido
suspensa condicionalmente (CP, art. 69, § 1º); Concurso Material
5) no novo sistema do Código de Trânsito, a suspensão ou proibição de
permissão ou habilitação apresenta as seguintes características: a) não
tem caráter substitutivo, isto é, não substitui pena privativa de liberdade
fixada pelo mesmo tempo de duração; b) é cominada abstratamente no
tipo, tendo seus limites mínimo e máximo nele traçados, não havendo que
falar em substituição pelo mesmo período da pena privativa de liberdade
aplicada; c) sua dosagem obedece aos mesmos critérios previstos no art.
68, caput, do Código Penal; d) tratando-se de pena não substitutiva,
nada impede seja aplicada cumulativamente com pena privativa, pouco
importando tenha esta sido ou não suspensa condicionalmente.
Crimes punidos com a nova modalidade de pena restritiva: homicídio
culposo e lesão culposa, praticados na condução de veículo automotor,
direção em estado de embriaguez, violação de suspensão ou proibição
impostas e participação em disputa não autorizada ("racha").
Forma de aplicação da nova pena de suspensão ou proibição: nos crimes
acima mencionados, o juiz deverá dosar a suspensão ou proibição entre o
mínimo de 2 meses e o máximo de 5 anos, de acordo com as
circunstâncias judiciais (CP, art. 59, caput), as agravantes e atenuantes e
as causas de aumento e diminuição, seguindo-se idêntico critério ao das
penas privativas de liberdade.
Somente na hipótese do crime previsto no art. 307 do novo Código de
Trânsito, qual seja, o de violação da suspensão ou proibição, a pena
restritiva terá idêntico prazo ao da pena privativa aplicada. Frise-se,
contudo, que não há substituição, mas cumulação de penas.
Caráter não substitutivo - cumulação com pena privativa de liberdade:
conforme já dito, a Lei n. 9.503/97 também possibilita a aplicação de
pena privativa de liberdade, não suspensa condicionalmente,
cumulativamente com pena restritiva de direitos, contrariando o disposto
no art. 69, § 1º, da Parte Geral. Aplicada junto com pena privativa de
liberdade, a nova penalidade de interdição temporária de direitos não se
inicia enquanto o sentenciado, por efeito de condenação penal, estiver
recolhido a estabelecimento prisional (CTB, art. 293, § 2º).
Execução da interdição imposta: transitada em julgado a sentença
condenatória, o réu será intimado a entregar à autoridade judiciária, em
48 horas, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.
Impossibilidade de cumulação com a suspensão da habilitação prevista
no Código Penal: a pena de suspensão da habilitação para dirigir veículo,
prevista no art. 47, III, do Código Penal, e que pode ser aplicada em
substituição (CP, art. 44), pelo mesmo tempo de duração (art. 55), aos
delitos culposos de trânsito (art. 57), não tem mais cabimento nos crimes
previstos no Código de Trânsito, para os quais foi cominada,
abstratamente, a nova interdição temporária de direitos. Não teria
sentido, por exemplo, no crime de lesão corporal culposa na direção de
veículo automotor, substituir a pena privativa de liberdade pela suspensão
de habilitação prevista no Código Penal e cumulá-la com a suspensão ou
proibição da nova lei. É possível, no entanto, substituir a pena privativa
de liberdade concretamente fixada por outra restritiva de direitos, como a
prestação de serviços à comunidade ou a limitação de fim de semana, e
cumulá-la com a nova interdição de direitos, já que não são incompatíveis
ou redundantes.
Impossibilidade de aplicação da suspensão de habilitação prevista no
Código Penal também aos demais crimes do novo Código de Trânsito
Brasileiro: quanto aos crimes de omissão de socorro (CTB, art. 304),
fuga do local do acidente (art. 305), direção sem habilitação (art. 309),
entrega de veículo automotor a pessoa não habilitada ou sem condições
de dirigi-lo (art. 310), condução de veículo em velocidade incompatível
com o local (art. 311) e inovação artificiosa de inquérito policial