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os meses e
anos pelo calendário comum (cf. comentários ao art. 10).
O prazo é fatal e improrrogável, pouco importando que termine em
sábado, domingo, feriado ou período de férias.
Cálculo do prazo prescricional: o prazo prescricional é calculado em
função da pena privativa de liberdade.
No momento em que a prescrição começa a correr, não se sabe qual a
pena que será fixada pelo juiz na sentença. Dessa forma, o único jeito de
calcular o prazo prescricional é pela maior pena possível que o juiz
poderia fixar (também chamada de máximo cominado abstratamente).
O cálculo se faz, portanto, pela pior das hipóteses (na pior das hipóteses,
isto é, ainda que o juiz fixasse a maior pena possível, ocorreria a
prescrição).
Então, para saber qual o prazo prescricional, deve-se observar qual a
pena cominada no tipo. Exemplo: crime de furto simples; a pena varia de
um a 4 anos de reclusão; a maior pena possível é a de 4 anos; logo, a
prescrição será calculada em função desses 4 anos.
No art. 109 do CP existe uma tabela na qual cada pena tem seu prazo
prescricional correspondente.
Tabela do Prazo Prescricional
Pena Prazo prescricional
menor que 1 ano 2 anos
de 1 até 2 anos 4 anos
mais de 2 até 4 8 anos
mais de 4 até 8 12 anos
mais de 8 até 12 16 anos
mais de 12 20 anos
Circunstâncias judiciais: não influem no cálculo da PPP pela pena
abstrata: são os critérios gerais de fixação de pena previstos no art. 59 do
CP e levados em conta na primeira fase de fixação de pena. Não podem
fazer com que a pena saia de seus limites legais. Por mais favoráveis que
sejam, não podem levar a pena abaixo do mínimo, e, por piores, não
poderão exceder o máximo (CP, art. 59, II). Se a pena não pode, nessa
fase, restar superior ao máximo cominado no tipo, tais circunstâncias não
serão levadas em consideração para o cálculo da prescrição pela pena
abstrata, pois, ainda que todas incidissem para agravá-la, esta não
poderia ficar além do máximo cominado. Assim, independentemente de
as circunstâncias judiciais serem ou não favoráveis, a prescrição será
calculada pelo máximo previsto no tipo incriminador.
Circunstâncias agravantes e atenuantes: também não influem: as
agravantes estão elencadas nos arts. 61 e 62, e as atenuantes nos arts. 65
e 66 (circunstância atenuante inominada) do Código Penal. São levadas
em consideração na segunda fase de fixação de pena, e também não
podem fazer com que a pena saia de seus limites legais. Por mais
atenuantes que haja, a pena não pode restar inferior ao mínimo legal; por
mais agravantes que existam, não excederá ao máximo (Nesse sentido:
STJ, 5ª T., REsp 55.130-7/RJ, Rel. Min. Assis Toledo, unânime, DJU,
6-2-1995.). Assim, da mesma forma que as circunstâncias judiciais, não
são levadas em conta para o cálculo da prescrição pela pena abstrata.
Sempre será calculada em função do máximo previsto,
independentemente das agravantes e atenuantes.
Exceções (O novo Código Civil em nada alterou a redução do prazo
prescricional pela metade, prevista pelo art. 115 do CP, no que toca ao
menor de 21 anos. Isto porque o benefício de ter uma prescrição mais
curta foi estabelecido não em função de sua incapacidade relativa para a
prática de atos jurídicos, mas de sua imaturidade e pouca experiência de
vida. Mesmo adquirindo agora a plena capacidade aos 18 anos, isto não
significa que deva tomarse, com essa idade, imerecedor de qualquer
benesse, não podendo ser esquecido o fato de sua pouca idade, como
fator de desestímulo ao seu encarceramento. Quanto ao maior de 70 na
data da sentença, tal idade em nada foi alterada pelo Estatuto do Idoso, o
qual considerou como velho os maiores de 60 anos. Tal se deve ao fato
de a nova legislação não ter incluído o art. 115 no rol dos dispositivos
que revogou ou alterou a redação, deixando-o a salvo de suas inovações.
Continuam assim válidas ambas as hipóteses de redução do prazo de
prescrição pela metade.)
1ª) Circunstâncias atenuantes que reduzem o prazo da PPP:
a) ser o agente menor de 21 anos na data do fato: é atenuante genérica,
mas a lei diz expressamente que, nesse caso, a prescrição é reduzida pela
metade (art. 115 do CP);
b) ser o agente maior de 70 anos na data da sentença: também é
atenuante genérica, mas a lei igualmente determina, nesse caso, a redução
do prazo prescricional pela metade (art. 115).
2ª) Circunstância agravante que influi no prazo da PPP:
A reincidência: o Código Penal diz que ela aumenta em 1/3 somente o
prazo da prescrição da pretensão executória (art. 110, caput); o Superior
Tribunal de Justiça chegou a entender, inicialmente, que ela aumenta
também em 1/3 a prescrição da pretensão punitiva (STJ, 5ª T, REsp 46,
DJU, 21-8-1989; STJ, 6ª T, REsp 6.814, DJU, 3-2-1992, p. 476; STJ,
RT, 652/341.).
Atualmente, a questão não apresenta mais divergência, pois tanto o
Supremo Tribunal Federal sustenta (STF, 2ª T, HC 69.044, DJU, 10-4-
1992.) quanto o próprio STJ passou a entender (Súmula 220): a
reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.
Correta esta posição, pois a lei, ao estatuir o aumento decorrente da
reincidência, expressamente diz que este se aplica à prescrição, após o
trânsito em julgado da sentença condenatória.
Causas de aumento e de diminuição: são aquelas que aumentam ou
diminuem a pena em proporções fixas, como 1/3, 1/6, 1/2,2/3 etc.
Exemplo: tentativa (CP, art. 14, parágrafo único), participação de menor
importância (CP, art. 29, § 1º), responsabilidade diminuída (CP, art. 26,
parágrafo único), crime continuado (CP, art. 71) e assim por diante. São
levadas em consideração na última fase de fixação da pena e podem fazer
com que esta saia de seus limites legais. Por permitirem que a pena fique
inferior ao mínimo ou superior ao máximo, devem ser levadas em conta
no cálculo da prescrição pela pena abstrata.
Cuidado: como se deve buscar sempre a pior das hipóteses, ou seja, a
maior pena possível, leva-se em conta a causa de aumento que mais
aumente e a causa de diminuição que menos diminua. Exemplo: homicídio
simples tentado; a pena varia entre 6 e 20 anos de reclusão; leva-se em
conta o máximo, independente das circunstâncias judiciais e das
agravantes e atenuantes; em seguida, reduz-se pelo mínimo; como na
tentativa a pena é reduzida de 1/3 a 2/3, a diminuição se fará por apenas
113 (busca-se a maior pena possível para o homicídio tentado); chega-se
então à pena de 20 anos diminuída de 1/3, ou seja, 13 anos e 4 meses; a
prescrição dar-se-á, segundo a pena abstrata, em 20 anos.
Causas interruptivas da prescrição: são aquelas que obstam o curso da
prescrição, fazendo com que este se reinicie do zero, desprezando o
tempo já decorrido. São, portanto, aquelas que "zeram" o prazo
prescricional. São as seguintes:
a) recebimento da Denúncia ou Queixa: a publicação do despacho que
recebe a denúncia ou queixa (data em que o juiz entrega em cartório a
decisão) interrompe a prescrição. O recebimento do aditamento à
denúncia ou à queixa não interrompe a prescrição, a não ser que seja
incluído novo crime, caso em que a interrupção só se dará com relação a
esse novo crime. A rejeição também não interrompe. Importante lembrar
que, por considerarmos o despacho de recebimento da denúncia de
cunho decisório, porquanto acolhe ou não a pretensão deduzida pela
acusação, quando proferido por juiz incompetente é ineficaz para
interromper a prescrição, nos termos do art. 567, primeira parte, do
Código de Processo Penal (Nesse sentido: STJ, 6ª T., HC 5.871-SP,
Rel. Min. Femando Gonçalves, DJU, 28-4-1997, p. 15919.).
b) Publicação da Sentença de Pronúncia: interrompe a prescrição não
apenas para os crimes dolosos contra a vida, mas também com relação
aos delitos conexos. Se o júri desclassifica o crime para não doloso
contra a vida, nem por isso a pronúncia anterior perdeu seu efeito
interruptivo (Súmula 191, de 15-6-1997, do STJ). Exemplo: se a
tentativa de homicídio for desclassificada, pelo júri, para delito de
periclitação da vida (CP, art. 132), o novo prazo prescricional,
acentuadamente