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Trabalho Final

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ainda não há um acompanhamento tão longo e seguro de pacientes que utilizam este método, mas ao longo de dez anos estes pacientes estão avaliados com os mesmos resultados. Nessa técnica, a irradiação do iridium é liberada em doses muito altas, o tratamento é rápido e até agora tem mostrado boas chances de controle da doença a um custo muito menor, pois o equipamento de alta taxa de dose utiliza apenas uma semente em vários tumores (ginecológicos, mama, esôfago, pulmão) diferentemente do que ocorre com o iodo, que para cada paciente tem que haver um jogo de sementes de uso individual. 
O implante de iridium de alta taxa de dose é temporário, ou seja, na realidade, o doente recebe cateteres ocos que são colocados através de uma anestesia peridural, após o que se realiza uma tomografia computadorizada, cujas imagens vão para um sistema de planejamento tridimensional e a partir daí será feito o cálculo ideal de dose de acordo com uma imagem real, especificamente para aquele paciente e naquele momento. Após realizado o cálculo do sistema de planejamento tridimensional, de acordo com sua orientação, uma minúscula pastilha de iridium é colocada no paciente através dos cateteres.
P. H. - Qual tem sido o papel da braquiterapia?
Dra. Ludmila - A braquiterapia é uma técnica na qual o material radiativo é colocado junto ou dentro do tumor que se quer tratar. Ela pode ser feita com vários isótopos, tais como césio, iodo, paládio, ouro e iridium, mas a escolha do radioisótopo vai depender da intenção do tratamento. O objetivo é dar uma altíssima dose na área do tumor e restringir ao máximo a dose nos órgãos vizinhos. Esse é o sistema mais conformacional ou mais moldado de irradiação que existe: procura poupar os tecidos em volta e consegue dar uma dose mais alta no leito tumoral.
O papel da braquiterapia é justamente dar uma altíssima dose de irradiação no tumor, inclusive mais alta do que o usual. No uso da teleterapia, que é a irradiação produzida longe do aparelho, que são os aceleradores lineares e as bombas de cobalto, quando o feixe entra no paciente ele atravessa todos os tecidos normais até chegar no tumor e isso pode gerar reações ou mesmo complicações, tais como toxicidade de bexiga e reto nos tumores de próstata, por exemplo. A partir da braquiterapia, como um reforço de dose ou tratamento exclusivo, conseguimos moldar essa irradiação na menor área necessária, poupando os tecidos normais que estão próximos.
P. H. - E quais seriam as desvantagens desta modalidade de tratamento?
Dra. Ludmila - A única desvantagem desta técnica é que não pode ser utilizada quando o tumor não está restrito somente a uma área. Se o tumor extravasou um órgão alcançando outros órgãos ou linfonodos vizinhos, a braquiterapia não alcança à distância. Portanto, é um tratamento muito restrito, que só tem indicação para tumores muito pequenos.
P. H. - Em relação ao Brasil, qual a situação atual quanto ao uso da braquiterapia?
Dra. Ludmila - É extremamente restrito porque, por exemplo, um implante com uso do iodo com sementes importadas custa entre 20 e 60 mil reais, valor que restringe bastante o número de brasileiros que terão acesso a esse tipo de tratamento. Já a utilização do iridium é bem mais acessível, pois existem máquinas importadas em todo o país, visando principalmente o tratamento de tumores ginecológicos, mas que podem ser utilizadas também para tratar os tumores de próstata. No entanto, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que é o que realmente abrange o grande percentual da população, esse tratamento é utilizado somente em tumores ginecológicos, então não existe na tabela do SUS um código de pagamento para braquiterapia de alta taxa de dose nos tumores não-ginecológicos, como é o caso de próstata. Quanto aos convênios privados, a maior parte deles paga o tratamento de alta taxa de dose com iridium, mas gostaríamos que o uso desta modalidade terapêutica fosse possível para uma parcela cada vez maior da população.
P. H. - De acordo com a sua prática diária, que tipo de paciente tem-se beneficiado mais com a braquiterapia?
Dra. Ludmila - Pelo número de casos incidentes, certamente em pacientes acometidos por tumores ginecológicos são a maioria das indicações em nosso país e é imprescindível o uso de braquiterapia na abordagem destas neoplasias. Em tumores de próstata, como a incidência tem-se tornado muito crescente (um em cada sete ou oito homens tem desenvolvido a doença) e com início da dosagem do PSA, que permite que o diagnóstico seja feito em tumores muito pequenos, a indicação de braquiterapia tem sido cada vez maior. Trabalhos mais recentes têm mostrado que especialmente pacientes com fatores de risco aumentado têm obtido maior controle local da doença e melhor sobrevida com o uso da braquiterapia de alta taxa de dose. 
Nesses seis ou sete anos de experiência com a braquiterapia especificamente em próstata, o tratamento tem se mostrado factível, não existindo restrições clínicas que contra-indiquem o procedimento desses pacientes que tenham o mínimo de possibilidade de receber uma raquianestesia. O tratamento é possível para pacientes que, por exemplo, tenham contra-indicação para realizar uma cirurgia. É um tratamento com pouca toxicidade e bons resultados até o momento.
Considerações Finais
 Na braquiterapia, a radiação tem origem nos materiais radioativos colocados no interior do corpo, perto do tumor. Essa proximidade permite que altas doses de radiação sejam liberadas para atacar o tumor. A radiação fica restrita à região, não afetando órgãos mais distantes. Na radioterapia externa, a fonte de radiação é geralmente um acelerador linear, que emite feixes de raios que alcançam o tumor após atravessar diferentes tecidos. Dessa forma, órgãos e tecidos sadios, situados no trajeto dos raios estão sujeitos aos efeitos da radiação. Comparada à teleterapia, a braquiterapia permite aplicar doses maiores, em intervalos de tempo menores e a volumes mais restritos.
O crescimento da braquiterapia como forma de tratamento em medicina nuclear, deve-se ao fato da possibilidade de utilização de grandes doses de radiação concentradas em pequenas fontes, o que não é possível na Teleterapia, uma vez que a radiação é proveniente de uma fonte externa (unidade de cobalto ou um acelerador linear), e sua eficácia é limitada pela quantidade de radiação que o paciente pode receber, que é menor do que na braquiterapia, além de comprometer tecidos saudáveis e podendo causar efeitos colaterais indesejáveis como náuseas e diarréia.
Bibliografia:
http://www.iq.unesp.br/pet/SemiRadio.pps
http://radio_teleterapia.vilabol.uol.com.br/radioterapia.htm
Okuno, Emico, Radiação: Efeitos, Riscos e Benefícios. Ed. Harbra, 1ª edição, 1998. Cap. Aplicações das Radiações na Medicina, página 73.
http://www.artigonal.com/medicina-artigos/braquiterapia-uma-forma-de-radioterapia-929659.html
http://www.praticahospitalar.com.br/pratica%2032/paginas/materia%2006-32.html
http://www.einstein.br/hospital/oncologia/tratamentos/radioterapia/paginas/braquiterapia.aspx
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