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Aula 1

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Aula 1: Psicologia da personalidade e as teorias da personalidade.
O que é personalidade?
Esta pergunta instiga os teóricos desde a Antiguidade. No senso comum, costuma-se responder a esta questão com proposições a respeito de habilidades sociais, avaliações do comportamento observado, impressão que se destaca ao observarmos uma pessoa etc.
É possível estabelecer uma teoria da personalidade? 
A PERSONALIDADE sempre fora tema presente em toda a história da Filosofia, Psicologia, Sociologia, Antropologia e Medicina Geral, suscitando várias teorias, discussões e controvérsias. Entre tantas tendências, destaca-se uma idéia central, segundo a qual os seres humanos foram criados iguais quanto a sua capacidade potencial. Neste caso, a ocorrência das diferenças individuais seria interpretada como uma decisiva influência ambiental sobre o desenvolvimento da Personalidade.
 
Não há como mensurar as questões do nosso cotidiano sem métricas, queiramos ou não, tenhamos consciência disso ou não. 
A idéia de buscar fora da pessoa os elementos que explicassem seu comportamento e sua desenvoltura vivencial teve ênfase com as teorias de Rousseau. Segundo ele, era a sociedade quem corrompia o homem. Subestimou-se a possibilidade de a sociedade refletir, exatamente, a totalidade das tendências humanas. Seres humanos que trazem em si um potencial corruptor, o qual, agindo sobre outros indivíduos sujeitos à corrupção, produz um efeito corruptível. Ou seja, trata-se de um demérito tipicamente humano.
Outra concepção acerca da Personalidade foi baseada na constituição biotipológica, segundo a qual a genética não estaria limitada exclusivamente à cor dos olhos, dos cabelos, da pele, à estatura, aos distúrbios metabólicos e, às vezes, às malformações físicas, mas também determinaria as peculiares maneiras de o indivíduo relacionar-se com o mundo: seu temperamento, seus traços afetivos etc. 
 
As considerações extremadas nesse sentido descartam qualquer possibilidade de influência do meio sobre o desenvolvimento e a performance da Personalidade e atribuem aos arranjos sinápticos e genéticos a explicação de todas as características da personalidade da pessoa. 
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um dos principais inspiradores da Revolução Francesa. Para ele, “O homem nasce bom, e a sociedade o corrompe”.
Mas qual caminho devemos seguir?
Buscando um meio-termo, como apelo ao bom senso, podemos considerar a totalidade do ser humano como sendo um balanço entre duas porções que se conjugam de forma a produzir a pessoa tal como é:
•Uma natureza biológica, tendo por base nossa natural submissão ao reino animal e nossa submissão também às leis da biologia, da genética e dos instintos. Assim sendo, os genes herdados se apresentam como possibilidades variáveis de desenvolvimento em contato com o meio (e não como certeza inexorável de desenvolvimento);
•Uma natureza existencial, suprabiológica, conferindo à Personalidade elementos que transcendem o animal que repousa em nós. A pessoa, ser único e individual, distinta de todos os outros indivíduos de sua espécie, traduz a essência de uma peculiar combinação biopsicossocial. 
Dessa forma, poderíamos pensar a Personalidade como sendo uma organização dinâmica dos traços no interior do eu, formados a partir dos genes particulares que herdamos, das existências singulares que suportamos e das percepções individuais que temos do mundo, capazes de tornar cada indivíduo único em sua maneira de ser e de desempenhar seu papel social; logo, numa interação entre natureza humana e ambiente humano. Tendo assim uma relação direta com o que conhecemos como subjetividade.
Portanto, o ser humano não pode ser considerado como um produto exclusivo de seu meio, tal como um aglomerado dos reflexos condicionados pela cultura que o rodeia e despido de qualquer elã (impulso, entusiasmo, inspiração criativa) mais nobre de sentimentos e vontade própria. Não pode, tampouco, ser considerado um punhado de genes, resultando numa máquina programada a agir desta ou daquela maneira, conforme teriam agido exatamente seus ascendentes biológicos.
	Se assim fosse, passaria pela vida incólume (ileso, inalterado) aos diversos efeitos de suas vivências pessoais. Sensatamente, o ser humano não deve ser considerado nem exclusivamente ambiente, nem exclusivamente herança, antes disso, uma combinação destes dois elementos em proporções completamente insuspeitadas.
	
Todas as vezes que colocamos lado a lado duas pessoas estabelecendo comparações entre elas, qualquer que seja o aspecto a ser medido e comparado, verificamos sempre a existência de diferenças entre ambas. Constatamos, assim, as diferenças entre os indivíduos, as peculiaridades que os tornam únicos e inimitáveis.
Por outro lado, podemos verificar também (e paradoxalmente) outras características comuns a todos os seres humanos, tal como uma espécie de marca registrada de nossa espécie.
	
		Não há como mensurar as questões do nosso cotidiano sem estabelecer um raciocínio a partir de métricas, mesmo que você não queira recorrer a esse padrão de medida; quer queiramos ou não, as medidas fazem parte de nossa realidade. 
Desta forma, podemos afirmar que os seres humanos são essencialmente iguais e funcionalmente diferentes, ou seja, podemos nos considerar iguais uns aos outros quanto à nossa essência humana (ontologicamente); entretanto, funcionamos diferentemente uns dos outros. Todas as tendências ideológicas que enfatizam a igualdade dos seres humanos, num total descaso para com as diferenças funcionais, ecoam aos ouvidos despreparados com eloqüente beleza retórica, romântica, ética e moral. Transportam, assim, tais ideais do papel para a prática, mas sucumbem diante de incontáveis evidências em contrário: não resistem à constatação das flagrantes e involuntárias diferenças entre os indivíduos, bem como não explicam a indomável característica humana que é a perene vocação das pessoas em querer destacarem-se dos demais.
Primeira noção sobre teoria da personalidade
As teorias (hipótese ou especulação referente à realidade, não confirmada) da personalidade caracterizam-se por serem de proveniência clínica, tendo de elaborar, a partir das questões suscitadas por sua prática, formulações teóricas que dessem conta do funcionamento psíquico como um todo. Isso quer dizer que o analista, a partir da observação clínica do modo como o psiquismo funciona, é fundamental perceber sua estrutura para poder compreender seu funcionamento.
	
		O olhar do todo é bem diferente da Psicologia Experimental, que isola determinados aspectos e faz experimentos controlados, com maior rigor científico do ponto de vista de uma perspectiva cartesiana, mas que perde o sentido de análise se o olhar não for relacionado a um funcionamento psíquico que envolva outros aspectos da realidade relacionados ao contexto da vida cotidiana.
Fritz Perls, idealizador da gestalt-terapia, por exemplo, é um dos teóricos que enfatiza a importância de se entender que o todo é maior que a soma das partes, isto é, que o funcionamento psíquico ultrapassa a soma de seus aspectos, organizando-se em um todo dinâmico. É uma perspectiva holista (do grego holos, que significa todo).
	
		Há uma grande variedade de teorias da personalidade, que contam com postulados, conceitos e métodos que podem ser bem diferentes. Podemos considerar que a psicanálise é a primeira grande teoria da personalidade, e ela entende o psiquismo como uma estruturação complexa e dinâmica. 
	
Você deve atentar para o seguinte: a questão que está em jogo nas teorias da personalidade não é a do verdadeiro e do falso, do correto ou do incorreto, mas da sua eficácia explicativa e da sua utilidade, seja clínica ou de outra aplicação (como a psicologia social, por exemplo, ou a educacional). A sua comprovação em termos experimentais não é possível, embora a psicologia experimental tenha tentado comprovar alguns aspectos de algumas teorias da personalidade. 
 
 
Atividade da aula
Este exercício visa à reflexão