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DJi - SURSIS - Suspensão Condicional da Pena - Suspensão de Execução de Penas

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pode modificar condições impostas pelo juiz da
condenação (cf. art. 158, § 2º, da LEP) e se o tribunal, ao conceder o
sursis, pode delegar ao juízo das execuções a fixação dessas condições
(art. 159, § 2º, da LEP), nada impede que esse juízo também fixe
condições não determinadas pela sentença. É também a posição do
Superior Tribunal de Justiça, que já se pronunciou no sentido de que, "se
o Juiz se omite em especificar as condições na sentença, cabe ao réu ou
ao Ministério Público opor embargos de declaração, mas se a decisão
transitou em julgado, nada impede que, provocado ou de ofício, o Juízo
da Execução especifique as condições. Aí não se pode falar em ofensa à
coisa julgada, pois esta diz respeito à concessão do sursis e não às
condições, as quais podem ser alteradas no curso da execução da pena"
(RT, 7091389.).
2ª posição - não pode: entende que o juízo das execuções não pode
rescindir ares judicata, impondo novas condições (TJSP, RT, 671/307.).
Nossa posição: entendemos correta esta última posição. É certo que,
diante da nova lei penal, o sursis incondicionado tornou-se uma
aberração jurídica, porém o juiz da execução não tem competência para
rescindir a coisa julgada, alterando o mérito da decisão definitiva,
principalmente se considerarmos que inexiste em nosso sistema a revisão
pro societate. O argumento de que a coisa julgada não alcança as
condições não convence, pois modificar condições no curso da
execução, ante a superveniência de fato novo, não se confunde com a
transformação do sursis incondicionado em condicionado (Nesse sentido:
TJSP, RT, 659/256, 660/278 e 672/296.).
Revogação do "sursis": pode ser obrigatória ou facultativa. Revogação
obrigatória: o juiz está obrigado a proceder à revogação nas seguintes
hipóteses:
a) superveniência de condenação irrecorrível pela prática de crime
doloso: pouco importa se a infração penal foi praticada antes ou depois
do início do período de prova, pois o que provoca a revogação do
benefício é a sobrevinda da condenação definitiva, de modo que o sursis
será revogado contanto que: (a) seja juntada certidão do trânsito em
julgado da condenação; (b) o crime cometido tenha sido doloso,
qualquer que tenha sido o momento de sua prática. Exige-se, também,
que a condenação seja irrecorrível, portanto a revogação não ocorrerá
enquanto o processo estiver em andamento ou na hipótese em que a
decisão não transitou em julgado. Discute-se na jurisprudência se há ou
não necessidade de decisão do juiz acerca da revogação obrigatória. O
Supremo Tribunal Federal já decidiu que "tanto a prorrogação obrigatória
(art. 81, § 2º) como a revogação obrigatória (art. 81, I, do CP) são
automáticas, não exigindo a lei decisão do juiz. Precedentes do STF"
(RT, 630/397-398.). Em sentido contrário decidiu o Superior Tribunal de
Justiça: "na vigência de uma ordem constitucional que conferiu maior
relevo aos postulados da defesa e do contraditório, e diante dos novos
contornos da execução penal, inteiramente judicializada, em decorrência
da reforma penal de 1984, não se há de conceber a revogação de plano
do sursis. Necessidade de observância do procedimento judicial
estabelecido pela Lei de Execução Penal, no art. 194 e seguintes" (STJ,
DJU, 25-6-1990, p. 6044.).
b) frustração da execução da pena de multa, sendo o condenado
solvente. Obs.: entendemos que, com a nova redação do art. 51 do CP,
determinada pela Lei n. 9.268/96, não existe mais essa hipótese de
revogação. Se o ato de frustrar o pagamento da multa não mais acarreta
a sua conversão em detenção, também não poderá, por nenhum outro
modo, provocar a privação da liberdade;
c) não-reparação do dano, sem motivo justificado (daí ser desnecessária
a sua inclusão como requisito do sursis especial. Se não repara o dano,
não pode obter o sursis especial nem, a nosso ver, o simples, pois de
nada adiantaria conceder o benefício para, logo em seguida, revogá-lo);
d) descumprimento de qualquer das condições legais do sursis simples
(art. 78, § 1º).
Revogação facultativa: o juiz não está obrigado a revogar o benefício,
podendo optar por advertir novamente o sentenciado, prorrogar o
período de prova até o máximo ou exacerbar as condições impostas (art.
707, parágrafo único, do CPP, c/c o art. 81, §§ 1º e 3º, do CP). Ocorre
nas seguintes hipóteses:
a) superveniência de condenação irrecorrível pela prática de
contravenção penal ou crime culposo, exceto se imposta pena de multa;
b) descumprimento das condições legais do sursis especial (art. 78, § 2º);
c) descumprimento de qualquer outra condição não elencada em lei,
imposta pelo juiz (art. 79, condições judiciais).
Exigência de oitiva do condenado para a revogação do benefício: há duas
posições na jurisprudência:
1) posição do STJ: é necessária a oitiva. "A revogação do sursis é ato
jurisdicional que deve ser procedido com a garantia de defesa do
beneficiado, assegurando-lhe o direito de demonstrar as causas que o
levaram a descumprir as condições que lhe foram impostas pelo juiz"
(RSTJ, 52/242.);
2) posição do STF: é desnecessária a oitiva. "A invocação do princípio
do contraditório não obsta à revogação, de pronto, do benefício.
Confronto dos arts. 707, parágrafo único, e 730 do CPP. Precedente"
(RT, 611/435-436.).
Prorrogação e extinção automáticas: o art. 81, § 2º, do CP dispõe que:
"Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou
contravenção, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o
julgamento definitivo" .
Veja bem: a lei fala em "processado"; logo, a mera instauração de
inquérito policial não dá causa à prorrogação do sursis. No momento em
que o agente passa a ser processado (denúncia recebida) pela prática de
qualquer infração penal, a pena, que estava suspensa condicionalmente,
não pode mais ser extinta sem que se aguarde o desfecho do processo. A
prorrogação, portanto, é automática. Não importa se o juiz determinou
ou não a prorrogação antes do término do período de prova. No exato
momento em que a denúncia pela prática de crime ou contravenção foi
recebida, ocorre a automática prorrogação. Motivo: não é a prática de
crime ou de contravenção penal que acarreta a revogação do benefício,
mas a condenação definitiva pela sua prática. É preciso, portanto,
aguardar o resultado final do processo para saber se haverá ou não a
revogação.
O art. 82 do CP, entretanto, dá margem a outra interpretação, ao dispor
que: "Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se
extinta a pena privativa de liberdade". Se, até o término do período de
prova, a suspensão não tiver sido revogada, a pena, cuja execução
estava suspensa, está automaticamente extinta.
Conflito: entre o art. 81, § 2º, e o art. 82 há uma contradição.
Suponhamos que o agente tenha sido condenado a uma pena de 2 anos
de reclusão, beneficiando-se do sursis. O prazo de suspensão será de 2
anos, começando em 20 de março de 1997 e terminando em 19 de
março de 1999. No dia 15 de março de 1999, o agente começa a ser
processado pela prática de um crime.
No dia 19, 4 dias depois, terminou seu período de prova, obviamente
sem que houvesse tempo para decisão definitiva no processo.
Dúvida
1ª opção: nos termos do art. 81, § 2º, aguarda a decisão definitiva no
processo, uma vez que o prazo de suspensão ficou automaticamente
prorrogado a partir do dia 15.
2ª opção: nos termos do art. 82, no dia 19 de março de 1999, o juiz
deverá extinguir a pena, pois essa extinção é automática. Se, até o
término do período de prova, não houve revogação (e, no caso, era
impossível essa revogação, pois o processo se iniciara 4 dias antes do
término do período de prova), a pena está automaticamente extinta.
Afinal de contas, o que é automático: a extinção ou a prorrogação?
O Supremo Tribunal Federal adotou a primeira opção, entendendo
prevalecer o art. 81, § 2º (RTJ, 92/129,121/384 e 123/286; e RT,
6251397, 618/408, 619/401, 625/397, 6301397 e 637/362.).
O Superior Tribunal de Justiça tambémjá se pronunciou no sentido da
primeira opção