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Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade 
no Sistema Prisional (PNAISP) é uma iniciativa conjunta dos ministérios da Justiça e 
da Saúde para organizar o acesso da população carcerária às ações e serviços do 
Sistema Único de Saúde (SUS). 
O assistente social, profissional de caráter transformador, lida constantemente, no 
sistema penitenciário, com violações dos direitos humanos. É nesta perspectiva, que 
ele necessita estar compromissado com o projeto ético-político da profissão para que 
sua atuação não seja focalista e repressora. 
As condições físicas e de higiene em muitos presídios brasileiros é degradante. Há 
então, uma discrepância na finalidade deste sistema. Como transformar um indivíduo, 
respeitando sua dignidade, em ambiente insalubre? É neste contexto que a prática do 
assistente social, de acordo com Ferreira (2006), é imprescindível nesta área, pois, se 
em muitas ocasiões as pessoas em liberdade têm dificuldade em ter acesso à 
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determinadas políticas públicas e direitos sociais básicos, as pessoas presas se 
tornam totalmente dependentes do governo. 
Na Atenção Básica à Saúde no Sistema Penitenciário, o trabalho do assistente social, 
como profissional da área da saúde, vai desde atender situações individuais que 
necessitem de uma escuta qualificada à ações articuladas as redes intersetoriais de 
proteção social que buscam a produção da saúde do indivíduo. Desde modo, o 
presente trabalho busca apresentar a importância do profissional de Serviço Social na 
defesa do direito à saúde para as mulheres que se encontram em último estágio de 
cárcere. 
 
2.2. A Lei de nº 7.210 de 11 de julho de 1984 
A Lei de nº 7.210 de 11 de julho de 1984, dispõem em seu art.1º a respeito da 
finalidade da prisão, relatando que o mesmo efetiva uma decisão, para que os presos 
possam ser assegurados em sua inserção no meio social. (BRASIL,1994). 
Dessa forma, faz-se necessário o acompanhamento do início até o final da pena do 
acusado, prestando assistência e atenção para que o mesmo possa ser restabelecido 
no meio social. Nesse cenário, o assistente social atua prestando assistência a estas 
pessoas juntamente com o profissional de psicologia e direito. 
A mesma lei em seu artigo 10º aborda que é dever do estado prestar assistência de 
forma material, jurídica, educacional, social, religiosa e saúde ao preso, tendo como 
intuito a prevenção e orientação no que concerne a reintegração do mesmo à 
sociedade. 
Percebendo a importância do profissional de assistente social no sistema prisional, e 
como forma de esclarecer a população acerca das múltiplas vertentes do trabalho do 
profissional de serviço social na sociedade, este artigo tem como objetivo relatar sobre 
o papel do assistente social no sistema penitenciário. 
Conforme ABESS (1996) O profissional de serviço social atua no enfrentamento das 
expressões das questões sociais, sendo que esta é considerado um desvio de 
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reprodução e produção das relações sociais, articuladas a momentos históricos, 
produção das condições de vida, cultura e riqueza. 
Com o crescimento dos problemas sociais a um aumento da demanda carcerária, que 
começam a avolumar-se, gerando batalhões de excluídos, onde o Estado busca de 
formas alternativas a inclusão dos mesmos. 
Segundo Iamamoto (1988) a questão social representada pela desigualdade é 
sinônimo de resistência, pelo fato desses sujeitos conhecerem essa realidade estes 
não aceitam, gerando assim confrontos. 
Dessa forma, atuando de maneira humanizada o assistente social na sua prática 
profissional nas instituições penitenciárias, busca maneiras para que aja a 
ressocialização e integração dos mesmos no convívio social, minimizando os conflitos 
e reações diversas. 
Nesse contexto, a finalidade social da punição dos presos seria de regenerar, reabilitar 
os mesmos, no sentido de promover a inserção dos indivíduos, porém a maneira como 
conduzem e controlam o poder público geram contrastes com a realidade dos 
presídios, pois estes são marcados por superlotações, ficando o apenado a mercê de 
seus direitos sem nenhuma alternativa de reintegração na sociedade, sociedade esta 
que os exclui completamente ,fazendo com que os seus direitos não sejam aplicados 
na prática. (ALVES et al,2017). 
 
2.3. O Sistema Prisional Brasileiro 
A década de 80 trouxe com ela mudanças importantes na luta pela democratização 
do Estado, havendo a participação da população nas resoluções e prioridades das 
políticas públicas, a constituição de 1988 causou transformações e redefiniu-se no 
perfil histórico da proteção social, passando a agrupar critérios e valores inovadores 
para a população brasileira. 
Incorporando novos parâmetros como direitos sociais, universalização, seguridade 
social, descentralização política administrativa, controles democráticos, equidade, e 
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mínimos sociais que norteiam na constituição federal novos padrões políticos sociais. 
(COUTO,1999). 
De acordo com Iamamoto(2008) o assistente social iniciou sua atuação no Brasil na 
década de 80,em resposta aos trabalhos prestados pelas mulheres religiosas que 
realizavam atividades assistencialistas a pessoas menos favorecidas, esta época 
corresponde um marco no trabalho do profissional de serviço social, pois assim elevou 
este profissional em nível intelectual ,profissional, acadêmico e político. 
O cenário político da década de 80 causou um avanço democrático como importante 
espaço de participação junta a tomada de decisões onde o cenário que permanecia 
presente era de agravamento sociopolítico e cultural. Nesse sentido, o Estado sai do 
modelo populista, onde prevalecia as políticas compensatórias, organizando-se de 
forma controladora punitiva sobre os marginalizados, ao invés de um estado de direito. 
Foucault (1989) comenta que a maneira que é utilizada a atividade prisional desde o 
início da pena não é de uma competência utilitária, mas a concretização de um poder, 
a submissão de uma autoridade e adequação a um sistema de produção. O estado 
passa a responder a esse modelo como controle social, prevalecendo o interesse 
econômico e satisfazendo sua necessidade de domínio e disciplina na população. 
Neste sentido, o estado passa a exercer uma política de interesses próprios em 
relação ao poder e controle, de maneira oposta a combater os problemas que geram 
as desigualdades sociais, passa a punir os pobres, gerando assim um poder coativo, 
analisando a dialética tornando-se bem mais fácil controlar os atos criminais do que 
interferir nas questões sociais (WACQUANT,1999). 
Salientamos que o aumento significativo da população carcerária acarreta em uma 
gama de problemas sociais, dificultando o atendimento individualizado ao aprisionado 
e a sua família, tornando as prisões conhecidas como depósitos de internos excluídos 
e marginalizados da sociedade, sociedade esta que reforçam seu caráter punitivo e 
repressor. 
Nesse contexto, a prática do assistente social fica voltada a ressocialização na defesa 
intransigente dos direitos humanos, começando a conflitar com os objetivos das 
penitenciárias. Ao avaliarmos o sistema penitenciário brasileiro, percebemos que cada 
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vez mais o Brasil vem destacando-se pelo elevado crescimento de população 
carcerária. 
Segundo estatísticas, o Brasil ocupa a quarta posição quanto a maior população 
prisional, ficando em terceira posição quanto a maior população em prisão domiciliar. 
(BRASIL,2014), estes índices revelam a relação existente entre o social no que 
concerne a produção da desigualdade, o crescimento da violência e as condições da 
precarização na contemporaneidade, vivenciadas pelas classes pobres e vulneráveis. 
Entretanto, em um cenário onde uma pandemia assola o globo e nosso país dá 
exemplo de como não administrar um evento tão catastrófico, atuar juntamente com 
encarcerados é um risco

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