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uma medida drástica, em alguns 
casos é a solução mais humana e eficaz para todos aqueles, não só os encarcerados, 
que convivem nesses lugares. 
É claro que, não se pode haver soltura sem monitoramento destes que serão libertos, 
e devem haver limites. Por exemplo, dando liberdade monitorada aqueles que se 
encaixam em grupos de risco, como os já listados acima (usuários de drogas, os já 
contaminados por outras doenças e os idosos). Há também a questão da prisão 
preventiva, onde surge o argumento de que muitos que estão presos preventivamente 
podem ser liberados para que não corram o risco de se contaminar dentro do presidio 
sem “necessidade” de estarem passando por essa situação. 
Além de tudo o que já foi dito, existe um outro grande problema digno de nota: a 
visitação. Presos que recebiam visitas comumente, agora se encontram em situação 
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de solidão pelas mudanças nas regras de visitação e até mesmo a proibição dessa 
em alguns presídios. Essa questão pode vir a causar depressão e entre outros 
problemas de saúde mental em parte dos encarcerados. 
Para finalizar, temos que comentar também sobre como essapandemia afetou a vida 
de quem trabalha nos presídios, não importando o cargo. Há dois enormes riscos 
para essas pessoas: o de se contaminar com a doença e até levá-la para suas casas, 
ou de levar a doença para os presídios. É difícil fazer um controle disso já que além 
da situação precária dos presídios é impossível dispensar todos os que trabalham lá. 
A melhor solução seria afastar aqueles que são parte dos grupos de risco e oferecer 
todos os cuidados possíveis para aqueles que continuariam fazendo seus trabalhos, 
além de, obviamente tentar melhorar o ambiente de trabalho (em questão de higiene, 
saúde e espaço), tanto para o bem dos trabalhadores como para o bem dos 
encarcerados. 
 
 
3. CONCLUSÃO 
Levando em consideração os pontos citados neste artigo, com todos esses problemas 
em que o sistema carcerário já vinha enfrentando há anos e agora enfrentando mais 
este momento crítico, muito dificilmente os problemas serão corrigidos tão cedo. 
As situações de prisão que auxiliariam neste momento de crise propostas pelo CNJ 
abordam grupos muitos restritos em situações especificas que apenas vão ter efeito 
em uma pequena parcela da enorme população carcerária, não sendo nenhum pouco 
suficiente para a resolução da crise, como grupos de vulnerabilidade, grupos de alto 
risco, detentos que se encontrarem em estabelecimentos precários, e os grupos que 
tiverem específica razão familiar. 
Desta forma, sem alterações drásticas no sistema prisional brasileiro, uma grande 
parte será alvo de contágio desta nova doença e não haverá muito a se fazer para 
impedir que isto ocorra, portanto entendemos que devidos há esses problemas de 
garantia de saúde que violam a Constituição Federal, deverá haver indenização aos 
afetados pois é dever do Estado manter nos presídios os padrões mínimos de 
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humanidade e ressarcir os danos causados pelas falta das condições mínimas do 
ambiente carcerário. 
O que se pode notar a partir da bibliografia estudada foi que a ação profissional é 
limitada, devido ao próprio sistema ao qual está inserido o que deixa refém da 
burocracia institucional na qual está imerso. Assim, Torres ( 2014, p.128) acrescenta 
que “ no sistema prisional o “ Serviço Social vem exercendo praticas que causem, 
muitas vezes conflitos éticos políticos”. Aliado a isso, estão a falta de recursos físico, 
materiais e humanos que deem suporte a integralidade de ações em prol dos direitos 
humanos. 
Neste contexto, observa-se que à prática profissional, apesar dos limites institucionais 
impostos e a burocracia ao qual estão submetidos, aos assistentes sociais buscam 
compreender esta demanda e a realidade ao qual estão inseridos, visando à garantia 
dos direitos dos apenados que se encontram em detenção, mesmo com essas 
limitações. 
Haja vista que os profissionais que atuam nesta área, a exemplo do profissional do 
Serviço Social, têm a Lei de Regulamentação Profissional que assegura sua prática 
profissional diante desta realidade, bem como o mesmo dentro do sistema prisional, 
possuem suas atribuições definidas na LEP. 
Assim, Torres (2001, p.89) acrescenta que “a defesa dos direitos humanos no campo 
profissional remete à questão ética, pois esta é parte integrante do sujeito social, 
sendo também componente de sua atividade profissional”. Vale sublinhar, tomando 
como parâmetro o Código de Ética Profissional que em seu artigo 13º (b) prevê como 
dever do assistente social. 
O Assistente Social no sistema prisional assegura os direitos ao apenado tendo como 
posicionamento a equidade e justiça social, construindo práticas humanas ao 
tratamento dos presos, viabilizando a concretização da defesa dos direitos humanos. 
A presença do profissional de serviço social na prisão, contribui no sentido de 
ressocializar o preso em seu convívio social, como também busca garantir e assegurar 
os direitos que ora são violados ou ocultos, dificultando assim a ressocialização dos 
indivíduos na sociedade. 
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Portanto, a atuação do assistente social nos presídios precisa de maior atenção por 
parte dos governantes e de maiores condições para que sua missão seja, de fato, 
alcançada. Mesmo em tempos de pandemia, os assistentes sociais continuam a atuar 
em defesa dos direitos dos mais fragiliados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. REFERÊNCIAS 
 
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