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Autora: Profa. Bettina Gerken Brasil
Colaboradores: Prof. Renato Bulcão
 Profa. Tânia Sandroni
Dualismo Religioso
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Professora conteudista: Bettina Gerken Brasil
Possui graduação em Nutrição (1997) e em Filosofia (2008), mestrado em Saúde Pública (2001) e doutorado em 
Saúde Pública (2006), todos os títulos obtidos pela Universidade de São Paulo.
Atualmente é professora da Universidade Paulista e conselheira municipal de Segurança Alimentar e Nutrição da 
Prefeitura Municipal de São Paulo. Tem experiência na área de Nutrição, atuando principalmente nos seguintes temas: 
aleitamento materno, desmame e representação social.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
B933d Bulcão, Renato.
Dualismo Religioso. / Renato Bulcão. – São Paulo: Editora 
Sol, 2017.
104 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIII n. 2-059/17, ISSN 1517-9230.
1. Dualismo religioso. 2. Filosofia. 3. Reforma religiosa. I. Título.
CDU 1
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Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Lucas Ricardi
 Vitor Andrade
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Sumário
Dualismo Religioso
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7
Unidade I
1 O OBJETO DE ESTUDO DA FILOSOFIA ....................................................................................................... 15
2 METAFÍSICA ........................................................................................................................................................ 16
3 SISTEMAS FILOSÓFICOS ................................................................................................................................ 18
4 DUALISMO .......................................................................................................................................................... 19
4.1 O dualismo religioso na Filosofia cristã ....................................................................................... 21
Unidade II
5 A GRÉCIA COMO PANO DE FUNDO PARA O SURGIMENTO DA FILOSOFIA .............................. 26
5.1 Platão, discípulo de Sócrates ........................................................................................................... 27
5.2 Platão e a Teoria das Ideias .............................................................................................................. 29
5.3 Platão e a Teoria do Conhecimento .............................................................................................. 32
5.4 A República de Platão ........................................................................................................................ 34
5.4.1 A Alegoria da Caverna em A República ......................................................................................... 36
5.5 Fédon e a imortalidade da alma ..................................................................................................... 41
5.6 A transição do helenismo para o cristianismo ......................................................................... 49
5.7 O platonismo cristão ........................................................................................................................... 53
6 SANTO AGOSTINHO E A FILOSOFIA CRISTÃ .......................................................................................... 53
6.1 O problema do Mal em Agostinho ................................................................................................ 59
6.2 A relação entre alma e corpo .......................................................................................................... 60
6.3 A Teoria do Conhecimento ............................................................................................................... 61
6.4 A supremacia da alma ........................................................................................................................ 62
Unidade III
7 DEZ SÉCULOS ENTRE AGOSTINHO E MARTINHO LUTERO .............................................................. 66
7.1 A Idade Média e suas épocas ........................................................................................................... 66
7.2 A Filosofia na história ......................................................................................................................... 69
7.3 A Filosofia medieval............................................................................................................................. 70
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8 A REFORMA ....................................................................................................................................................... 72
8.1 Martinho Lutero .................................................................................................................................... 74
8.2 Jean Calvin .............................................................................................................................................. 78
8.3 As influências presentes no pensamento de João Calvino ................................................. 81
8.4 O contexto histórico e religioso ..................................................................................................... 87
8.5 O Calvinismo .......................................................................................................................................... 89
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APRESENTAÇÃO
A disciplina Dualismo Religioso tem como principal objetivo mostrar como a filosofia ocidental de 
Platão estabeleceu o caráter de grande parte do dualismo até ele ser modificado por santo Agostinho. 
Posteriormente, o Renascimento, a Reforma Protestante e a revolta científica do início da Europa 
moderna tiveram a tendência de recuperar a influência do dualismo.
Neste livro trabalharemos textos e conceitos de quatro pensadores no que se refere ao tema do 
dualismo: Platão, Agostinho, MartinhoLutero e João Calvino.
Manteremos neste livro a ordem cronológica dos pensadores, para podermos perceber a influência 
dos conceitos anteriores nos sistemas filosóficos de cada um dos filósofos (Platão e Agostinho) e dos 
teólogos (Martinho Lutero e João Calvino). Para isso, apresentaremos brevemente o contexto histórico 
de cada um e o principal legado no que se refere ao tema do dualismo.
Inicialmente, explanaremos sobre a Filosofia e como o dualismo se insere nos sistemas filosóficos. 
Na sequência, falaremos dos dois filósofos aqui mencionados. Por fim, trataremos dos teólogos e da sua 
influência no dualismo religioso.
INTRODUÇÃO
Iniciaremos nosso percurso por esta disciplina contando como a Filosofia ocidental surge na Grécia 
Antiga e como os questionamentos sobre a vida e o mundo se colocam naquele contexto de forma a 
dar base para todo um pensamento ocidental. Nesse processo, é importante entendermos brevemente 
os contextos históricos que dão lugar ao surgimento de tais pensamentos, buscando compreender as 
condições do surgimento dos questionamentos filosóficos.
Para despertar nosso aprendizado e o estudo desse tema, é interessante perguntar: Para que Filosofia? 
A professora Marilena Chaui fez essa pergunta no seu livro Convite à Filosofia, e vamos aqui percorrer 
um pouco dos seus ensinamentos. Chaui nos mostra que
As ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros, obtidos graças a 
procedimentos rigorosos de pensamento; pretendem agir sobre a realidade, 
por meio de instrumentos e objetos técnicos; pretendem fazer progressos 
nos conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os (CHAUI, 2003, p. 19).
Com isso, as ciências pretendem e assumem a existência da verdade, e para a ciência é necessário 
o uso de procedimentos corretos e metodológicos para alcançar os resultados esperados e encontrar e 
alcançar os objetivos propostos, já que se baseia na racionalidade. Por isso, completa Chaui:
Verdade, pensamento racional, procedimentos especiais para conhecer 
fatos, aplicação prática de conhecimentos teóricos, correção e acúmulo de 
saberes: esses objetivos e propósitos das ciências não são científicos, são 
filosóficos e dependem de questões filosóficas. O cientista parte delas como 
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questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas 
para elas (CHAUI, 2003, p. 19).
Chaui ainda nos mostra que é essa postura relativa aos tipos de questionamentos que fazemos 
sobre o mundo que nos faz chegar na racionalidade da Filosofia. Ela exemplifica: “Em vez de gritar 
‘Mentiroso!’, questionar: ‘O que é a verdade?’, ‘O que é falso?’, ‘O que é erro?’, ‘O que é mentira?’, ‘Quando 
existe verdade e por quê?’, ‘Quando existe ilusão e por quê?’” (CHAUI, 2003, p. 17).
E assim, nessa forma de questionar, nós estaríamos nos distanciando da vida cotidiana e de nós mesmos 
e passaríamos a nos perguntar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam nossa existência.
Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando 
conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimentos o que 
sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém 
estaria começando a cumprir o que dizia o oráculo de Delfos: “Conhece-te 
a ti mesmo”. E estaria começando a adotar o que chamamos de atitude 
filosófica (CHAUI, 2003, p. 17).
Veremos mais adiante como essa explanação de Chaui é o que acontece na Grécia, no século VII a.C., 
e que transforma o pensamento e o entendimento da vida.
 Saiba mais
Sugestão de leitura para aprimorar os conceitos de Filosofia:
CHAUI, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2003.
É importante também esclarecer o sentido de alguns conceitos que serão trabalhados ao longo de 
todos os pensadores deste livro. Para se entender a problemática do dualismo ao longo da história da 
Filosofia, iniciaremos com os conceitos de Filosofia, seu desenvolvimento na história e onde se encaixa 
a problemática do dualismo no pensamento filosófico.
 Observação
É ponto central deste texto entender o que é a Filosofia e o que é sistema 
filosófico, conceito que será verificado em relação às suas modificações ao 
longo da história e dos pensadores que os estabelecem.
Em um breve resumo, o sentido etimológico de Filosofia é “amor à sabedoria” (MORA, 2010). Mas 
esse significado não explica por si mesmo do que se trata a Filosofia aqui estudada.
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A Filosofia como tal surge no mundo ocidental, na Grécia, entre os séculos VII e VI a.C., com os 
pré-socráticos, mais especificamente com Tales de Mileto (CHAUI, 2003). O principal aspecto da questão 
da origem histórica da Filosofia reside na compreensão de como se processa a passagem entre a 
mentalidade mito-poética da época para a mentalidade teorizante (SOUZA, 1996). Os historiadores 
afirmam que a Filosofia nasce na Grécia pela sua peculiar situação de ser uma nação ampla e com contatos 
comerciais com o Oriente. Pelo contato com outros povos, aprenderam agrimensura, Astrologia, rituais 
religiosos orientais, etc. A Filosofia então teria nascido pelas transformações que os gregos impuseram 
a esses conhecimentos adquiridos pelo contato com outros povos, desde o período que chamamos hoje 
de pré-socrático (CHAUI, 2003).
Embora a questão do início histórico da filosofia e da ciência teórica ainda 
contenha pontos controversos e continue um “problema aberto” – na 
dependência inclusive de novas descobertas arqueológicas –, a grande 
maioria dos historiadores tende hoje a admitir que somente com os gregos 
começa a audácia e a aventura expressas numa teoria. Às conquistas esparsas 
e assistemáticas da ciência empírica e pragmática dos orientais, os gregos do 
século VI a.C. contrapõem a busca de uma unidade de compreensão racional, 
que organiza, integra e dinamiza os conhecimentos. Essa mentalidade, porém, 
resulta de longo processo de racionalização da cultura, acelerado a partir da 
demolição da antiga civilização micênica. A partir daí, a convergência de vários 
fatores – econômicos, sociais, políticos, geográficos – permite a eclosão do 
“milagre grego”, que teve na ciência teórica e na filosofia sua mais grandiosa 
e impressionante manifestação (SOUZA, 1996, p. 6).
Acompanhando essa transformação do conhecimento que acontece na Grécia, a Filosofia grega 
pode ser dividida em quatro grandes períodos, nos quais seu conteúdo muda e se enriquece. São eles 
(CHAUI, 2003):
Período pré-socrático ou cosmológico, do final do século VII ao final do 
século V a.C., quando a filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem 
do mundo e as causas das transformações na natureza.
Período socrático ou antropológico, do final do século V e todo o século IV a.C., 
quando a filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as 
técnicas, e busca compreender qual é o lugar do homem no mundo.
Período sistemático, do final do século IV ao final do século III a.C., 
quando a filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado 
pela cosmologia e pelas investigações sobre a ação humana na ética, na 
política e nas técnicas. A filosofia se interessa em mostrar que tudo pode 
ser objeto do conhecimento filosófico, desde que as leis do pensamento e 
de suas demonstrações estejam firmemente estabelecidas para oferecer os 
critérios da verdade e da ciência. Nesse período desenvolvem-se a teoria 
do conhecimento, a psicologia e a lógica. Além disso, os filósofos procuram 
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encontrar o fundamento último de todas as coisas ou da realidade inteira, e 
essa investigação, séculosmais tarde, é designada de metafísica.
Período helenístico ou greco-romano, do final do século III a.C. até o século 
VI d.C. Nesse longo período, que abrange a época do domínio mundial de 
Roma e do surgimento do cristianismo, a filosofia se ocupa sobretudo com 
as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o 
homem e a natureza e de ambos com Deus (CHAUI, 2003, p. 38-39).
Esse processo de desenvolvimento da Filosofia é importante não só para entendermos o que é 
Filosofia, mas também para entendermos o dualismo que surge nesse período.
Figura 1 – Mapa das colônias gregas no mar Mediterrâneo no período arcaico
 Observação
A Grécia era composta de inúmeras cidades no continente e nas ilhas 
espalhadas pelo mar Egeu. Pela proximidade dor mar, a navegação, o 
comércio e o contato entre as cidades era intenso.
No período pré-socrático, a Filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem do mundo e as 
causas das transformações na natureza. Nessa época a Filosofia também era chamada de Cosmologia. 
Nesse momento, buscava-se:
• uma explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e 
transformação da natureza, da qual os seres humanos fazem parte, 
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de modo que, ao explicar a natureza, a Filosofia também explica a 
origem e as mudanças dos seres humanos;
• o princípio natural, eterno, imperecível e imortal, gerador de todos os 
seres. A Cosmologia não admite a criação do mundo a partir do nada, 
mas afirma a geração de todas as coisas por um princípio natural de 
onde tudo vem e para onde tudo retorna (physis).
Explica que a physis, embora seja imperecível, ela dá origem a todos os seres 
infinitamente variados e diferentes do mundo, seres que, ao contrário do 
princípio gerador, são perecíveis ou mortais (CHAUI, 2003, p. 39).
Figura 2 – Tales de Mileto
 Observação
De acordo com Chaui (2003), Tales de Mileto, o primeiro filósofo da era 
pré-socrática, entendia que a physis era a água ou o úmido, ou seja, que o 
princípio de todas as coisas era a água.
No período pré-socrático, outros filósofos também se destacaram por se ocuparem fundamentalmente 
com a origem do mundo e as causas das transformações da natureza, tentando explicar esses fenômenos 
pela razão e observação, e não pela explicação mitológica (CHAUI, 2003). São eles:
Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso; Pitágoras 
de Samos, Filolau de Crotona e Árquitas de Tarento; Parmênides de Eléia e 
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Zenão de Eléia; Epédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômena, Leucipo 
de Abdera e Demócrito de Abdera (CHAUI, 2003, p. 39).
Desses filósofos, temos alguns fragmentos e comentários em outros autores sobre seus pensamentos.
Sócrates foi um ponto importante do desenvolvimento da Filosofia e o ponto de separação entre os 
pré-socráticos e socráticos, como o próprio nome diz. Apesar de não ter deixado seu pensamento por 
escrito, foi comentado por muitos, e os diálogos de Platão mostraram para todos o conhecimento, o 
método sofista de pensamento e a história de Sócrates.
Havia, na Grécia Antiga, na cidade de Delfos, um santuário dedicado ao 
deus Apolo, deus da luz, da razão e do conhecimento verdadeiro, o patrono 
da sabedoria. Sobre o portal de entrada desse santuário estava escrita a 
grande mensagem do deus ou o principal oráculo de Apolo: “Conhece-te 
a ti mesmo”. Um ateniense, chamado Sócrates, foi ao santuário consultar o 
oráculo, pois em Atenas, onde morava, muitos diziam que ele era um sábio 
e ele desejava saber o que significava ser um sábio e se ele poderia ser 
chamado de sábio. O oráculo, que era uma mulher, perguntou-lhe: “O que 
você sabe?”. Ele respondeu: “Só sei que nada sei”. Ao que o oráculo disse: 
“Sócrates é o mais sábio de todos os homens, pois é o único que sabe que 
não sabe”. Sócrates é o patrono da Filosofia (CHAUI, 2003, p. 9).
Exemplo de aplicação
Ao não aceitar as coisas, os fatos e as ideias como naturais, óbvias e evidentes, estamos nos colocando 
em uma atitude filosófica.
Reflita como as perguntas filosóficas podem alterar seu olhar sobre os fatos.
No período socrático, Platão e Aristóteles entendem que a Filosofia “nasce da admiração e da 
estranheza”. Para Platão, especificamente, é o saber que, “ao estranhar as contradições das aparências, 
chega à visão do que são verdadeiramente as ideias”, enquanto para Aristóteles a “função da filosofia é 
a investigação das causas e princípios das coisas” (MORA, 2010).
A filosofia conhece por conhecer; é a mais elevada e, simultaneamente, a 
mais inútil de todas as ciências, porque se esforça por conhecer o cognoscível 
por excelência, quer dizer, os princípios e causas e, em última instância, o 
princípio dos princípios, a causa última ou Deus (MORA, 2010, p. 112).
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Figura 3 – Platão e Aristóteles
Platão ainda define Filosofia como o uso do saber em proveito do homem. Segundo Abbagnano (2007):
Platão observa que de nada serviria possuir a capacidade de transformar 
pedras em ouro a quem não soubesse utilizar o ouro, de nada serviria uma 
ciência que tornasse imortal a quem não soubesse utilizar a imortalidade, 
e assim por diante. É necessária, portanto, uma ciência em que coincidam 
fazer e saber utilizar o que é feito, e esta ciência é a Filosofia. Segundo esse 
conceito, a Filosofia implica:
• posse ou aquisição de um conhecimento que seja, ao mesmo tempo, 
o mais válido e o mais amplo possível;
• uso desse conhecimento em benefício do homem (ABBAGNANO, 
2007, p. 442).
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Figura 4 – A Escola de Atenas e os mais importantes filósofos
Apesar de o conceito de Filosofia ter passado por processos de amadurecimento durante a história 
ocidental, as ideias de Platão em relação a essa definição ainda podem ser encontradas em diversos 
filósofos medievais, modernos e contemporâneos.
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DUALISMO RELIGIOSO
Unidade I
1 O OBJETO DE ESTUDO DA FILOSOFIA
Entender a Filosofia como amor à sabedoria não nos explica o que de fato estuda a Filosofia. A partir 
do conceito de Filosofia dos gregos (socráticos), percebe-se que ela surge quando alguns pensadores 
gregos “se deram conta de que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso” 
(CHAUI, 2003, p. 24) e que precisava de divindades para serem entendidos ou revelados. Ao contrário 
disso, esses pensadores entendiam que a verdade do mundo podia ser conhecida por todos por meio das 
operações mentais de raciocínio, que são as mesmas de todos os seres humanos (CHAUI, 2003).
Figura 5 – O Pensador, de Rodin
Dessa forma, essas operações mentais permitem aos indivíduos conhecer as coisas. No surgimento da 
Filosofia na Grécia, o filósofo era aquele que buscava conhecer tanto a physis (mundo) como as causas 
das coisas. Entre os objetos de interesse discutidos desde a Grécia estão a verdade, o conhecimento, a 
razão, o intelecto, a intuição, o movimento, a moral, a sensação, a opinião, e é em torno do entendimento 
dessas questões que se desenvolvem as questões mais importantes da história da Filosofia (MARCONDES; 
FRANCO, 2011).
O objeto de estudo da Filosofia engloba desde o entendimento das coisas em si, assim como o 
comportamento humano, as faculdades mentais, as afecções da alma, até o estudo das causas primeiras, 
do por que as coisas sãocomo são.
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Unidade I
Na tradição clássica e escolástica, a metafísica é a parte mais central da 
Filosofia, a ontologia geral, o tratado do ser enquanto ser. A metafísica 
define-se assim como Filosofia primeira, como ponto de partida do sistema 
filosófico, tratando daquilo que é pressuposto por todas as outras partes do 
sistema, na medida em que examina os princípios e causas primeiras, e que 
se constitui como doutrina do ser em geral, e não de suas determinações 
particulares; inclui ainda a doutrina do Ser Divino ou do Ser Supremo 
(JAPIASSÚ; MARCONDES, 2001, p. 129).
É acerca dessas causas primeiras que as discussões que culminam nos dualismos se referem.
 Observação
O objeto se caracteriza por oposição ao sujeito. Ele designa tudo aquilo 
que constitui uma experiência efetiva, tudo aquilo que pode ser pensado 
ou representado distintamente do ato de pensar.
2 METAFÍSICA
Reconhece-se que entre os primeiros filósofos gregos a busca do conhecimento era ampla e irrestrita, 
ou seja, não se restringia apenas a um objeto de estudo. Para eles, as questões sobre a natureza, o ser 
humano e sua existência e seu modo de vida na cidade eram indissociáveis (MARCONDES; FRANCO, 
2011).
Conforme já dissemos, para Japiassú e Marcondes (2001), na tradição clássica, a metafísica é a 
parte mais central da Filosofia. É o tratado do ser enquanto ser. Ela se define como a Filosofia primeira, 
como ponto de partida dos sistemas filosóficos, pois examina os princípios e as causas primeiras, e que 
constitui como doutrina do ser em geral, e não de suas determinações particulares.
Mais recentemente, no pensamento contemporâneo, a Filosofia pode ser dividida em grandes áreas 
de interesse: metafísica, epistemologia ou Teoria do Conhecimento, ética, política, estética e lógica 
(MARCONDES; FRANCO, 2011).
Marcondes e Franco (2011, p. 97) salientam que
Se tomarmos Platão como exemplo, veremos que, na República, discute-se o 
conhecimento e a verdade, a arte e o papel do artista na sociedade, o método 
de se investigar um problema filosófico e de se educar os cidadãos, e tudo 
isso faz parte de um único diálogo, cuja questão central é a Justiça, e cuja 
proposta é definir um modelo de cidade justa para a sociedade da época, em 
uma crítica aberta ao processo político em Atenas. A República pode assim 
ser vista como uma obra de metafísica, de teoria do conhecimento, mas 
também de filosofia política e de filosofia da educação.
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DUALISMO RELIGIOSO
Ao longo da história da Filosofia, o estudo das coisas foram se transformando nas diversas ciências e se 
distanciando da Filosofia enquanto tal, como a Biologia, a Astrologia, a Física, a Matemática, entre outras.
Segundo o filósofo da linguagem contemporâneo John L. Austin, “na 
história das investigações humanas a filosofia tem o lugar de um sol, um 
centro primordial, seminal e tumultuoso[,] que, de tempos em tempos, lança 
para fora uma parte de si mesmo que se tornará uma ciência, um planeta 
mais frio e bem regulado, progredindo constantemente para um lugar final 
distante. Isso aconteceu há muito tempo com o nascimento da matemática, 
e depois com o nascimento da física” (MARCONDES; FRANCO, 2011, p. 98).
Abbagnano (2007) afirma que a Metafísica, enquanto ciência primeira, tem como objeto o objeto de 
todas as outras ciências, e como princípio um princípio que condiciona a validade de todos os outros.
Por essa pretensão de prioridade que a define, a metafísica pressupõe uma 
situação cultural determinada, em que o saber já se organizou e dividiu 
em diversas ciências, relativamente independentes e capazes de exigir 
a determinação de suas inter-relações e sua integração com base num 
fundamento comum (ABBAGNANO, 2007, p. 661).
O próprio nome metafísica expressa a sua natureza, que vai além da Física, e assim é a primeira das 
ciências particulares, para chegar ao fundamento comum em que todas se baseiam e determinar o lugar 
que cabe a cada uma delas.
Figura 6 – Filósofo em Meditação, de Rembrandt
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Unidade I
 Lembrete
Na escola aristotélica, a Metafísica é a subdivisão fundamental da 
Filosofia, caracterizada pela investigação das realidades que transcendem 
a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as 
ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza primacial 
do ser, a Filosofia primeira (MORA, 2010).
 Observação
De acordo com Chaui (2003), a Metafísica clássica é um conhecimento 
sistemático, isto é, cada conceito depende de outros e se relaciona com 
outros, formando um sistema coerente de ideias ligadas entre si.
3 SISTEMAS FILOSÓFICOS
O termo sistema era desconhecido nesse sentido no período clássico. Foi empregado pela primeira 
vez por Sexto Empírico (filósofo grego que viveu entre os séculos II e III d.C.) para explicar o conjunto 
formado por premissas e conclusão ou conjunto de premissas. Sistema é uma totalidade dedutiva de 
discurso, ou seja, indica principalmente um discurso organizado dedutivamente, ou um todo cujas 
partes derivam umas das outras (ABBAGNANO, 2007, p. 908).
Segundo Abbagnano (2007, p. 908),
Kant subordinou o conceito de sistema como a unidade do princípio, que 
fundamenta o sistema, pois ele entendeu por sistema “a unidade de múltiplos 
conhecimentos, reunidos sob uma única ideia”; afirmou que o sistema é um 
todo organizado finalisticamente, sendo portanto uma articulação[,] e não 
um amontoado.
Em relação aos sistemas filosóficos, eles reúnem maneiras de pensar diversas dentro de um todo 
coerente. Segundo Martinez (1892), o conhecimento filosófico, como todo conhecimento científico, deve 
formar um sistema lógico para constituir as ciências filosóficas. Ele é racional e deverá ser desenvolvido 
de um conhecimento fundamental em outros nele compreendidos, ou seja, ir do conhecimento da 
unidade para a variedade. Um determinado sistema é a forma principal que deve ser adotada por toda 
a obra de um determinado pensador ou época.
Em outras palavras, o sistema expressa a forma como se organiza o conhecimento ou o conjunto de 
conhecimentos sobre um ponto qualquer da ciência, ou sobre uma ciência inteira.
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DUALISMO RELIGIOSO
Os sistemas filosóficos também podem ser chamados de escolas, apesar de haver uma diferença 
entre esses dois conceitos. O sistema filosófico se refere especialmente à ordem determinada que se dá 
aos conhecimentos filosóficos, enquanto o nome de escola se aplica ao conjunto daqueles que seguem 
uma doutrina, mesmo variando algum ponto do sistema de organização do conhecimento. Os sistemas 
são sua unidade de pensamento mais geral ou indeterminado de uma escola. Por exemplo, dentro da 
escola experimental baconiana cabem os sistemas de Locke e Berkley (MARTINEZ, 1892).
Os sistemas filosóficos não se devem fundamentar apenas no elemento lógico. É necessário que 
estejam em conformidade com a realidade. Por isso, os sistemas devem ser avaliados pelos seus resultados. 
Quando os sistemas concebem a realidade como uma/unidade, serão chamados de monistas; por sua 
vez, podem receber distintas denominações, pois se essa realidade é a substância absoluta, são chamados 
de panteístas. Quando o desenvolvimento do sistema admite a existência da dualidade de substâncias, 
afirmando a prévia existência eterna de uma delas com o caráter de infinita causa criadora do que existe, 
existiu ou existirá,sendo ambas eternas, esse sistema será chamado de dualista, porque reconhecem a 
existência do espírito e da matéria. Existem também sistemas que admitem uma substância infinita e 
dentro dela o espírito e a matéria, e esses são conhecidos como sistemas harmônicos (MARTINEZ, 1892).
Iremos reconhecer sistemas filosóficos distintos entre os pensadores aqui estudados (ou quase 
ausência de um no caso de santo Agostinho), por conta das escolas que seguem, mas têm em comum 
o dualismo no pensamento.
 Observação
Hegel afirma que “um filosofar sem sistema não pode ser nada científico 
porque expressa um modo de sentir subjetivo” (ABBAGNANO, 2007, p. 909).
Exemplo de aplicação
Sendo um sistema filosófico um conjunto formado por premissas e conclusões, compondo um discurso 
organizado dedutivamente, reflita como é importante a organização do pensamento na atitude filosófica.
4 DUALISMO
O termo dualismo na Filosofia aparece a partir da obra de Descartes, no século XVII. Ele elaborou 
um sistema filosófico que contrapõe duas substâncias independentes e incompatíveis que compõem a 
realidade (JAPIASSU; MARCONDES, 2001).
René Descartes
René Descartes nasceu na França, em 1596, e estudou em colégio jesuíta, onde se 
revelou um aluno brilhante. Terminou seus estudos descontente consigo mesmo, pois não 
conseguiu encontrar a verdade que tanto procurou nos seus estudos. Para encontrá-la, 
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Unidade I
decide viajar pelo mundo. Alistou-se nas tropas holandesas de Maurício de Nassau. Em 
seguida, alistou-se nas tropas do imperador da Baviera. Mas para receber a herança da mãe, 
voltou para Paris e dedicou-se então ao estudo da Filosofia. Seguiu os conselhos do cardeal 
Bérulle e tentou conciliar a nova ciência com as verdades do cristianismo. Para isso, ele 
precisou fugir da Inquisição e foi morar na Holanda. Lá escreveu textos muito conhecidos, 
como O Discurso dos Métodos e As Meditações Metafísicas. Depois de grande produção 
intelectual na Holanda, foi convidado pela rainha Cristina a morar em Estocolmo, na Suécia, 
e morreu um ano depois de pneumonia nesse país. Na filosofia de Descartes, ele afirma que 
a mente existe como tal.
Fonte: Mora (2010).
Figura 7 – René Descartes
Foi após Descartes que houve a generalização do termo, ampliando o significado para “qualquer 
contraposição de duas tendências irredutíveis entre si”. Chama-se também de “dualista a qualquer 
doutrina metafísica que supõe a existência de dois princípios ou realidades irredutíveis entre si e não 
subordináveis, que servem para a explicação do universo” (MORA, 2010).
Segundo Christian Wolf (apud ABBAGNANO, 2007, p. 294), “dualistas são aqueles que admitem a 
existência de substâncias materiais e substâncias espirituais”.
Assim, a doutrina filosófica, na contemporaneidade, que admite dois princípios ou realidades 
irredutíveis como matéria e vida, razão e experiência, como explicação de um domínio qualquer, é 
considerada dualista e trabalha o dualismo, em contraposição ao monismo, que “afirma a unidade do 
ser na multiplicidade de seus atributos e de suas manifestações” (JAPIASSU; MARCONDES, 2001).
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DUALISMO RELIGIOSO
O dualismo, então, é um conceito que aparece presente tanto no pensamento religioso quanto no 
filosófico, sendo que esse último, de certa maneira, permite a existência de dois princípios necessários, 
de duas posições ou de duas realidades contrárias entre si, como o espírito e a matéria, o corpo e a alma, 
o bem e o mal, e possibilita que esses conceitos estejam um e outro em eterno conflito.
A partir da definição desse conceito, retomam-se os textos de autores anteriores a ele, mas com esse 
olhar. Assim, os pensadores que serão trabalhados neste livro-texto não tinham tal conceito estabelecido 
enquanto tal, porém discutiam a possibilidade de existência desses opostos como respostas primeiras. É 
a partir desse conceito que os textos são relidos e esses conflitos (do dualismo), expostos.
Metafísica
A palavra metafísica deve sua origem a uma denominação especial na classificação 
das obras de Aristóteles, quando organizadas na sua biblioteca. Alguns livros eram claros 
sobre o tema que versavam, a Física. Alguns textos fora desse tema foram colocados 
na estante depois dos livros sobre a Física – em grego, metafísica significa “os que 
estão detrás da Física”. O sentido primitivo era simplesmente classificador, mas tomou 
posteriormente significado profundo, como um conhecimento que pretende entender 
o que está situado para além do ser físico enquanto tal. A metafísica então investiga 
os primeiros princípios e as principais causas. É classificada como Filosofia primeira. 
“Aquilo que é enquanto é, tem certos princípios, que são os axiomas, e estes aplicam-se 
a qualquer substância como substância”.
Fonte: Mora (2010).
4.1 O dualismo religioso na Filosofia cristã
O conceito de dualismo fundado por Descartes foi posteriormente utilizado para indicar diversas 
oposições, e não somente a oposição de causas primeiras. Também foi utilizado para interpretar sistemas 
filosóficos anteriores ao próprio Descartes, por exemplo, a oposição aristotélica entre matéria e forma, 
a medieval entre existência e essência e uma oposição que ocorre em todos os tempos, entre aparência 
e realidade (ABBAGNANO, 2007).
Ao estudar as diversas escolas filosóficas, com seus diferentes sistemas, percebe-se que na Filosofia 
pode existir esse dualismo de princípios. A Filosofia cristã, ao procurar as causas primeiras, também 
mantém esse dualismo nos seus princípios. Durante a Idade Média, principalmente no começo do 
cristianismo, existe um conflito entre a Teologia/religião e a Filosofia cristã. Em contraposição à Filosofia 
cristã, para a Teologia, o dualismo precisa ser evitado ou mesmo não existe, porque deveria existir 
apenas um poder onipotente para explicar todas as coisas. E para a Teologia, todas as coisas derivam 
desse poder, até o mal. Para a religião, esse poder não teria criado o mal em si, mas ele deriva da ação dos 
homens. Os homens, que estão envoltos no pecado, foram criados para desenvolver a Criação (Gênesis 
1 e 2). Portanto, do ponto de vista religioso, o dualismo deve ser evitado.
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Unidade I
Figura 8 – O Batismo de Cristo, de Francesco Albani
Entretanto, na história da Filosofia e na Filosofia cristã em particular, esse dualismo aparece 
permitindo discussões desses opostos.
A Filosofia cristã é um conjunto de sistemas filosóficos cujas bases provêm da fé cristã. Apesar de 
se distinguirem dentro dela nitidamente grupos de sistemas filosóficos diferentes, ela não deixa de 
constituir um todo fundamentalmente unitário. Boehner e Gilson (2012) definem a Filosofia cristã como
toda filosofia que, criada por cristãos convictos, distingue entre os domínios 
da ciência e da fé, demonstra suas proposições com razões naturais, e não 
obstante vê na revelação cristã um auxílio valioso e até certo ponto mesmo 
moralmente necessário para a razão.
Esse conceito encerra um grupo de propriedades essenciais para o sistema filosófico:
• As proposições na Filosofia cristã são susceptíveis de demonstração natural. Ou seja, o assentimento 
a proposições por ela enunciadas deve se basear na experiência, ou em reflexões de ordem racional. 
Nesse sentido, o ponto de partida lógico não pode ser as verdades reveladas, inacessíveis à razão. 
Nesse momento se diferencia de forma clara a Filosofia cristã da Teologia cristã. A Teologia cristã 
se baseia em proposições direta ou indiretamente reveladaspor Deus e em proposições que delas 
se derivam com a ajuda de verdades naturalmente conhecidas.
Nota-se que em alguns momentos a Teologia cristã é necessária para demonstrar a discussão 
entre a Filosofia e Teologia cristã, mas deve ser explicitamente diferenciada da Filosofia.
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DUALISMO RELIGIOSO
• A Filosofia cristã se origina sob influência consciente da fé cristã. Mas não tem como fim as 
verdades de fé claramente formuladas pela Igreja e não tem como seu objeto de estudo a própria 
fé. A fé como a aceitação de uma verdade por causa da autoridade de outrem é menos perfeita 
que o conhecimento evidente e natural do objeto em si mesmo. Por outro lado, existem verdades 
anteriores à fé, como a proposição “Deus existe”. E mais, a cognoscibilidade natural de Deus é uma 
tarefa impreterível da Filosofia cristã.
• A Filosofia cristã se constrói no tempo com autores (filósofos) que acrescentam e contribuem para 
a solidificação dessa Filosofia. Não constam pensamentos que tentam destruir as proposições 
e propor novo sistema para a Filosofia cristã. Os pensadores cristãos levam em consideração 
seus predecessores imediatos, cujas obras procuram aprofundar e melhorar. Em parte alguma se 
observa ruptura com um passado ou com a tradição cristã.
A Filosofia cristã tem seu apogeu na pessoa de Agostinho, que foi o pioneiro do pensamento cristão. 
Como todos os pensadores, sofre grande influência pelos sistemas que o precede. Sua obra é reflexo da 
sua vida e de seus estudos sobre a religião cristã. A vida de Agostinho é conhecida e claramente sua 
experiência influencia no seu processo de entendimento do cristianismo (BOEHNER; GILSON, 2012).
 Resumo
Vimos nesta unidade que o dualismo ocorre quando um sistema 
filosófico aceita duas verdades explicando as primeiras perguntas, ou algum 
conceito ou teoria. O dualismo aparece como processo argumentativo em 
muitas escolas filosóficas, principalmente naquelas que mais se envolveram 
com a Filosofia grega antiga.
Um sistema filosófico é um conjunto de premissas e respostas que 
são deduzidas de um mesmo princípio. Vimos que na história da Filosofia 
existem diferentes sistemas filosóficos que exemplificam diferentes escolas 
filosóficas. Em resumo, vimos que a Filosofia é a capacidade de perguntar e 
racionalizar os objetos de mundo, sem a interferência do eu subjetivo.
A Filosofia como conhecemos hoje e que é base na cultura ocidental 
aparece na Grécia Antiga, por volta do século V a.C, fruto de uma sociedade 
grega plural, tolerante, cosmopolita, em contato com outras diversas 
civilizações. Temos o início marcado por filósofos da era pré-socrática, que 
começaram a explicar a vida e o mundo utilizando a razão, e não mais 
apenas a mitologia grega. É nesse ambiente que nasce Sócrates, importante 
pensador e sábio que transforma o pensamento da época e deixa um grande 
legado para o mundo ocidental.
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Unidade I
 Exercícios
Questão 1. Considere os quadrinhos em que o designer Carlos Ruas retrata o filósofo Sócrates 
interagindo com outro personagem:
Figura
Disponível em: <http://www.umsabadoqualquer.com/category/socrates/>. Acesso em: 2 jun. 2017.
Agora, analise as afirmativas a seguir:
I – O método de Sócrates consistia em alegar a própria ignorância para, na interlocução com os que 
julgam saber mais, descobrir a verdade.
II – Os quadrinhos têm por objetivo mostrar que as ideias de Sócrates e de demais pensadores de 
outras épocas passadas não têm mais valor frente à revolução provocada pelas redes sociais.
III – Os quadrinhos ironizam o fato de que, atualmente, muitos usuários de redes sociais expõem 
pensamentos como se fossem filósofos ou pensadores contemporâneos.
Está correto o que se afirma em:
a) I, II e III.
b) II e III, apenas.
c) I e III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, apenas.
Resposta correta: alternativa C.
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DUALISMO RELIGIOSO
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta. 
Justificativa: Sócrates propunha discussões e duvidava de certezas, como os quadrinhos indicam.
II – Afirmativa incorreta. 
Justificativa: os quadrinhos não objetivam mostrar que as ideias passadas não valem mais; pelo 
contrário, trata-se de uma crítica aos “filósofos” das redes sociais.
III – Afirmativa correta. 
Justificativa: os quadrinhos são irônicos ao afirmar que, para ser um filósofo, deve-se ter um Twitter.
Questão 2. (SAEB-BA 2011. Adaptada) O florescimento da filosofia ocorre a partir das realizações 
dos chamados filósofos pré-socráticos, como Tales de Mileto, Anaxágoras, Anaxímenes, entre outros. 
Essa nova maneira de pensar conflitava em muitos aspectos com a maneira de pensar expressa nos 
mitos ou nas narrativas mitológicas desenvolvidas na Grécia Arcaica por aedos como Hesíodo e Homero.
Uma diferença entre a forma de pensamento da filosofia pré-socrática e a fundamentada nos 
mitos é:
a) a preocupação com a explicação dos fenômenos naturais.
b) a visão animista com base na qual se explicam os fenômenos naturais.
c) a preocupação dos pré-socráticos com questões éticas ou morais.
d) a sistematização do conhecimento sobre o mundo mediante a busca de princípios sintéticos.
e) a falta de qualquer validade na compreensão baseada apenas em fantasias, como acontece no 
pensamento mítico.
Resolução desta questão na plataforma.

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