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TEORIA DA IMAGEM Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Identificar relações entre o verbal e o visual. · Apresentar aproximações entre palavra e imagem. · Exemplificar relações estabelecidas entre palavra e imagem. 1-IMAGENS E PALAVRAS: EXCLUSÃO, INTERAÇÃO , COMPLEMENTARIDADE As imagens e as palavras fazem parte do cotidiano. Em constante interação, palavra e imagem podem constituir uma relação de redundância, de informatividade, de complementaridade, dentre outras formas. É preciso, desse modo, olhar com atenção para como se manifestam essas relações, pois as palavras presentes na imagem dizem muito a respeito de como os sujeitos se posiciona(ra)m a respeito de tal imagem e, assim, dizem como "interpretá-la". Além disso, reforçamos que imagem e palavra constituem duas linguagens que apresentam particularidades, mas também semelhanças: ambas são amplamente polissêmicas e dependem fundamentalmente das condições contextuais. você vai identificar as relações entre o verbal e o visual, aprender sobre as aproximações que existem entre a palavra e a imagem e conhecer algumas relações estabelecidas entre palavra e imagem. O uso intensivo da imagem tem trazido à tona uma antiga discussão em torno do que nos resta em um mundo dominado pelo visual: haverá a superação do escrito? Esse assunto coloca o visual e o verbal em um debate polarizador, muitas vezes de cunho tautológico, que acaba relegando a importância de compreender o funcionamento semiótico de ambas as linguagens e as suas diversas formas possíveis de manifestação. é preciso compreender que palavra e imagem ou imagem e palavra estão mais em um processo de interação contínuo do que de exclusão. Acompanhe a discussão sobre a imagem e a palavra, a sua caracterização a partir da semiótica peirciana ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A respeito do funcionamento semiótico geral do verbal e do visual, marque a alternativa que apresenta corretamente tal caracterização. e) O texto verbal e o texto visual são amplamente polissêmicos, ambos dependendo fundamentalmente do contexto. RESPOSTA CORRETA Além da polissemia, o texto verbal e o visual dependem fundamentalmente do contexto, assim como qualquer forma comunicativa. A respeito das relações entre o verbal e o visual, marque a alternativa correta. e) A discrepância se manifesta quando a imagem se apresenta em relação de contradição com o texto escrito. RESPOSTA CORRETA Essa é a definição adequada do que se pode chamar de relação de discrepância ou contradição entre palavra e imagem. "É pela força de uma ideia que o _________ se relaciona ao seu objeto. Assim, a sua relação com o objeto se dá por meio de uma mediação, geralmente uma associação de ideias". A qual tipo de signo essa afirmação faz referência? Marque a alternativa correta. É pela força de uma ideia que o _________ se relaciona ao seu objeto. Assim, a sua relação com o objeto se dá por meio de uma mediação, geralmente uma associação de ideias". A qual tipo de signo essa afirmação faz referência? Marque a alternativa correta. b) símbolo RESPOSTA CORRETA O símbolo se relaciona com o seu objeto por meio de uma ideia, a qual, por sua vez, se relaciona com a palavra. A respeito das relações de referência indexicais entre a palavra e a imagem, marque a alternativa correta. A respeito das relações de referência indexicais entre a palavra e a imagem, marque a alternativa correta. c) Na ancoragem, a interpretação da imagem está fundamentada pelo texto verbal. RESPOSTA CORRETA Essa caracterização faz parte da relação de ancoragem. No relais, o texto e a imagem estão em uma relação que se pode dizer complementar, ou seja, as palavras e as imagens constituem um enunciado mais amplo que faz parte conjuntamente da própria situação comunicativa da mensagem. A respeito das relações da palavra com a imagem, marque a alternativa correta. b) A relação de verdade/falsidade trata do que é considerado conforme ou não na interação entre texto verbal e texto visual. RESPOSTA CORRETA Na relação da palavra com a imagem, é a palavra que dá a impressão de verdade ou de falsidade na mensagem visual. DESAFIO: Existem numerosas formas de a palavra se relacionar com a imagem. Seja em uma fotografia, em um desenho ou em um diagrama, as palavras presentes na imagem são muito importantes para a sua interpretação. Tais palavras, porém, nem sempre estão embaixo do campo visual: podem se configurar acima, ao lado ou aparecer no conjunto de uma composição textual. Essa relação entre o escrito e o imagístico não é “literal” e, desse modo, os sujeitos leitores e espectadores cumprem um papel ativo crucial no processo interpretativo. A partir do exposto, observe as duas charges acompanhadas por suas respectivas legendas abaixo e responda a questão a seguir. Por meio do que expõem Santaella & Nöth (1997a, p. 54-55), a partir da escala de relações entre imagem e palavra, de Kalverkramper (1993), explique qual a relação entre texto (verbal) e imagem presente nas charges 1 e 2 (redundância, informatividade, complementaridade ou discrepância). PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO As charges 1 e 2, embora tratem de temas diferentes, apresentam uma semelhança: a relação entre o texto verbal e o visual é de complementaridade. Não pode ser de discrepância porque os conteúdos verbal e visual não estão postos em contradição. Ainda não pode ser apenas de redundância, uma vez que a imagem não se encontra na posição de “inferioridade” ao enunciado escrito (à legenda) em ambas as charges, isto é, o visual não funciona como um mero complemento do texto escrito, como se não apresentasse tanta importância. A imagem é muito importante para a construção dos efeitos de humor provocados pela charge. Também não é de informatividade apenas, pois a imagem não está em uma posição de superioridade ao enunciado escrito (à legenda), dominando-o. O escrito é importante para a compreensão dos sentidos evocados pela charge. É, desse modo, no jogo da legenda com a imagem que a charge constrói o seu tom de humor. Portanto, a relação da legenda com a imagem é de complementaridade (redundância-informatividade) em ambas as charges citadas anteriormente, uma vez que o texto se encontra no mesmo patamar de importância da imagem. Na charge 1 A ilustração de um homem segurando o pé de uma das duas mulheres andando pela rua poderia ser interpretada de várias formas (como um homem apaixonado por ela, uma relação amorosa de posse, uma tentativa de desculpa por um ato cometido, etc.) se não fosse pela presença da legenda: Um bom líder de equipe inspira lealdade tremenda (tradução livre da legenda). É por meio da legenda que se enfatiza a imagem do líder de forma cômica, como aquele que inspira outras pessoas a seguirem-no. O texto escrito complementa o que a imagem apresenta: um seguidor que é tão leal ao seu líder que “se cola” nele, segue-o seja para onde ele for. O sentimento de lealdade é tão forte (lealdade tremenda) que os olhos da “líder” estão com aparência cansada, enquanto os do seguidor, “esbugalhados”, “abertos”, como se numa relação de atenção exagerada e contínua quanto ao seu líder. Na charge 2 Observa-se a ilustração de um homem de pijamas segurando o seu ursinho, sentado na frente da mesa de outro homem que está vestido de forma casual. Interessante notar que não apenas as vestimentas dos personagens evocam sentidos que são complementados pela legenda: a posição de cada um na ilustração (o homem de pijamas sentado em uma cadeira em frente ao birô de um escritório representa aquele que “veio de fora”, enquanto o homem de terno e gravata está sentado na cadeira da mesa de escritório, ocupando uma posição daquele que já faz parte do contexto do ambiente) representa o cenário de diálogo. A situação é complementada pelo que está escrito na legenda: A entrevista foi muito cedo para você? (tradução livre da legenda), a qual indicia uma possível entrevista. A legenda é, assim, crucial,pois, junto com a imagem, provoca comicidade, o riso no espectador. Ambos – palavra e imagem – estão assim no mesmo pé de igualdade e importância. Se as imagens não fossem seguidas pelas legendas, outros sentidos seriam construídos e o efeito de comicidade que surge do encontro da palavra com a imagem se esvaziaria. Pelo menos é isso que acontece nessas duas charges especificamente. Por fim, é importante destacar que entender como essas relações se manifestam ajuda a compreender os sentidos evocados pelo conjunto de enunciados escritos e visuais, os quais são construídos na interação social. MINHA RESPOSTA A charge 1- é caracterizado pela informalidade: precisa do texto para complementar a imagem (poderia ser o marido, ou o filho, segurando a perna da personagem). A charge 2- é caracterizada pela complementaridade, o texto complementa a imagem (consigo achar certa graça ao perceber o sujeito no escritório de pijamas) 2- O PAPEL DO ESPECTADOR Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Definir o espectador da imagem como um sujeito ativo. · Discutir sobre a relação do espectador com a imagem. · Debater sobre o empobrecimento da experiência perceptiva. O uso intensivo da imagem pelo sujeito diz respeito às numerosas formas de se relacionar com o mundo. Da relação simbólica com o divino à sensação estética, a imagem, agora preponderantemente midiática, tem se constituído como o discurso fortalecedor da nossa relação com o sistema visual. É interessante apontar que, nesse universo, o espectador não é uma simples testemunha. Como sujeito ativo, ao ver uma imagem, este faz uso das informações que tem sobre o sistema visual e as confronta com o conhecimento que adquiriu ao longo de sua vida, o qual está armazenado na sua memória. Ademais, na retomada que faz do seu conhecimento prévio, o sujeito supre o que não está sendo representado na imagem, ou, ainda, age preenchendo as lacunas da representação visual. É por isso que o espectador age na imagem, a construindo. O processo contemplativo é, desse modo, construtivo e pleno de sentido. As imagens não estão apenas no mundo, mas em cada indivíduo. Ora, é o espectador que faz com que ela exista. A imagem é elaborada num movimento dinâmico que se estabelece na relação com o espectador, ou seja, este sujeito, ao ver e contemplar uma imagem, participa de sua construção, atribuindo sentidos e a interpretando a partir de um conjunto de expectativas. Desse modo, não há um olhar fortuito, e sim um sujeito que elabora hipóteses sobre aquilo que observa. Além disso, o espectador identifica algo na imagem a partir do que a sua forma lhe parece representar. Isso significa que as imagens são reconhecidas pelo espectador por meio de uma tendência projetiva. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai identificar o espectador da imagem o seu papel nessa relação. Ainda, você fará uma análise sobre o empobrecimento da experiência perceptiva do sujeito diante do intenso uso midiático da imagem. Com relação ao espectador da imagem, assinale a alternativa correta. d) O espectador é um sujeito ativo da imagem porque a constrói quando a observa e a contempla. RESPOSTA CORRETA O espectador é um sujeito ativo da imagem, o qual age construindo a imagem no momento em que entra em relação com ela. Como é caracterizado o processo de percepção da imagem pelo espectador? Como é caracterizado o processo de percepção da imagem pelo espectador? a) O processo de percepção se caracteriza por um conjunto de expectativas tecido sobre a imagem. RESPOSTA CORRETA Conforme Gombrich e Aumont, perceber uma imagem é um processo que envolve expectativas. Durante o processo interpretativo da imagem, é possível observar que ______________ é o distanciamento necessário para que haja um ponto de apoio fora do espectador, o qual permita que este não projete-se de forma exagerada na imagem. Tal ação é conhecida como _______________. Complete as lacunas com as alternativas corretas: Exotopia e tendência projetiva. RESPOSTA CORRETA O enunciado faz referência às noções de exotopia e de tendência projetiva. A primeira, retomada em Bakhtin, diz respeito ao olhar do um em relação a um outro, enquanto a segunda, retomada em Gombrich, diz respeito ao processo de identificação de uma imagem. Com relação ao processo de investimento que o espectador elabora no seu encontro com a imagem, assinale a alternativa correta. d) O reconhecimento é um trabalho complexo que vai além de reconhecer algo em uma imagem. RESPOSTA CORRETA O reconhecimento vai muito além do próprio ato de reconhecer, envolvendo, também a atividade de identificar. Com relação à experiência perceptiva do espectador da imagem, assinale a alternativa correta. b) O caráter instantâneo do tempo-espaço passou a constituir a relação com a imagem mediada. RESPOSTA CORRETA A instantaneidade do tempo-espaço, da qual o sujeito é dependente, faz parte das muitas experiências que balizam a relação com a imagem mediada. O reconhecimento e a rememoração são duas formas de investimento que caracterizam o conjunto de atos perceptivos do espectador diante da imagem. Quando uma imagem é observada e nela você identifica algum elemento, você a reconhece a partir de algum conhecimento prévio que adquiriu, o qual se encontra presente na sua memória. Mesmo que você esteja diante de uma imagem nunca antes vista, você lê e a compreende a partir de determinadas expectativas, as quais lhe ajudarão a elaborar hipóteses sobre ela. Assim, o reconhecimento e a rememoração são atividades próximas e articuladas. O processo de rememorar uma imagem se dá porque ela constrói algum saber sobre a realidade, e esse mesmo saber pode ser retomado por meio de uma base possível de ser atualizada de diversas formas. Após ler esse parágrafo sobre o processo de percepção da imagem do espectador, o qual envolve o reconhecimento e a rememoração, observe as quatro imagens a seguir do pintor Giuseppe Arcimboldo. Após a leitura do texto e das imagens, responda: qual o papel do reconhecimento e da rememoração na interpretação das imagens? PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO O espectador, como um sujeito ativo, percebe essas imagens com base no reconhecimento de alguns traços básicos: cada uma delas, a partir do jogo de elementos que fazem parte de cada uma das estações, cria a silhueta de um rosto de uma pessoa. É interessante notar que, em cada uma delas, o espectador pode observar, mesmo parcialmente, a composição básica de um rosto humano: há, em todas as pinturas, princípios que são conhecidos como constituintes da normalidade de uma face humana – espécies de invariantes que constituem a imagem (olhos, nariz, boca, queixo, orelha. Há ainda, em alguns desses rostos, um prolongamento da figura humana por meio de um pescoço e de um busto (como é visto no Verão e na Primavera), além da presença de uma cabeleira. Cabe apontar, ainda, que a silhueta observada nos quadros intitulados Verão e Primavera dizem respeito a um corpo feminino, enquanto Outono e Inverno fazem mensão a um corpo masculino. Essas imagens são vistas, assim, a partir de uma constância perceptiva, a qual é a base da atividade do reconhecimento do espectador, ou seja, é por meio dessa constância que comparamos o que já foi visto no passado, no dia a dia e na realidade, com o que está sendo visto no presente. Desse modo, graças a isso, é possível reconhcer, em cada pintura, a representação de rostos de pessoas distintas, mesmo que não seja possível saber a quem cada imagem faça referência. Além disso, há todo um prazer e uma satisfação que envolve a experiência de visualizar essas imagens. Esse prazer está relacionado à atividade de rememoração, pois, em cada uma das imagens, você se depara com o que já se conhece e com estruturas simples e de âmbito comum que fazem parte da memória, como a estrutura de um rosto e a sua composição, mas, também se reconhece de forma condensada outros elementos, como, por exemplo, aqueles que fazem parte e caracterizam predominantemente as estações: no verão,o pintor faz uso de frutas e vegetais frescos, além de folhas na composição da imagem; na primavera, principalmente de folhas verdes e flores coloridas no seu auge de crescimento; no outono, de frutas em época de colheita marcado pela coloração alaranjada; e, no inverno, há rochas, raízes secas e galhos torcidos. Ademais, o conhecimento que cada imagem promove quando entra em relação com o espectador pode levá-lo a observar as estações e a natureza de forma distinta, por meio de outras expectativas e percepções que não faziam parte da sua experiência e memória. Por exemplo, um espectador apaixonado pelo que o inverno lhe proporciona pode ser capturado pela beleza da primavera. Por fim, pode-se dizer que, durante a leitura das imagens, seja elas individualmente ou a partir da série que as une, o reconhecimento e a rememoração funcionam como processos que levam o espectador a construir os sentidos evocados pelas imagens e a atualizá-los no contato que estabelecem com a realidade. MINHA RESPOSTA O RECONHECIMENTO: ACONTECE AO OBSERVA-SE ALGO QUE POSSA SER VISTO NO REAL (COMPARANDO COM O QUE JÁ VIU ANTES) O QUE NOS LEVA A IDENTIFICAR, E ASSOCIAR A UMA MEMÓRIA ANTIGA, PODE VIR ACOMPANHADA DE SENTIMENTOS. AO OBSERVAR A OBRA DE ARTE DE AMCIMBOLDO ENTITULADA AS QUATRO ESTAÇÕES, ELA NOS REMETE AOS ELEMENTOS CARACTERISTICOS DE CADA ESTAÇÃO DO ANO. A REMEMORAÇÃO: É O PROCESSO QUE SE DÁ ENQUANTO ESTAMOS FAZENDO O RECONHECIMENTO, ELA AVANÇA CONSTRUINDO E ATUALIZANDO O NOSSO SEU SABER REAL. ENQUANTO OBSERVAMOS A OBRA A REMEMORAÇÃO VAI TRAZENDO À TONA AS SENSAÇÕES TÉRMICA DAS ESTAÇÕES, OS SABORES, CORES E CHEIROS A NOSSA MEMÓRIA. 3- FUNÇÃO DA IMAGEM – DESCOBERTA DO VISUAL Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Identificar funções da imagem. · Reconhecer a imagem como linguagem e discurso. · Elencar os elementos básicos que compõem a imagem. Uma das características comunicacionais marcantes da sociedade atual é o uso abundante de imagens. Vivemos em uma sociedade mediada pelo imperativo da imagem, na qual todos nós, de alguma forma, acabamos nos mostrando por numerosos discursos visuais. É preciso, assim, diante da nossa profunda imersão no universo visual, compreender a imagem como linguagem e discurso dotado de heterogeneidade e com valor próprio. E, embora a leitura de uma imagem pareça ser, à primeira vista, fácil, é importante saber que ela não somente informa e comunica, mas representa o mundo e a nossa relação com a realidade de inúmeras formas. Desse modo, compreender alguns de seus elementos básicos e suas funções é fundamental para uma leitura crítica do visual. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai reconhecer a imagem como linguagem e discurso, estudar os elementos básicos que compõem a imagem e identificar algumas das funções que a ela estão relacionadas. As imagens construídas ao longo da história têm representado diferentes modos do sujeito se relacionar com a realidade. A esse respeito, Aumont (2002 [1993]) cita, pelo menos, três modos principais de se trabalhar essa relação: o modo simbólico, o modo epistêmico e o modo estético. O uso intensivo da imagem como discurso preponderante pelo sujeito atual trouxe à tona a necessidade de entender o visual, sua estrutura e seu uso, pois a comunicação visual, assim como a comunicação verbal, constitui linguagens e discursos com propriedades específicas. Ora, a imagem não expressa nem informa por si só. Não é porque está no espaço da visualidade que o sentido se encontra já posto. Como um processo representacional, o qual caracteriza e manifesta uma das muitas formas de nos relacionar com o mundo – modo simbólico, modo epistêmico e modo estético –, é preciso conhecer os elementos básicos (mórficos, dinâmicos e escalares) que compõem a imagem. Esse é um dos pontos de partida para desenvolver a habilidade crítica de ler e interpretá-la. No capítulo Funções da imagem, descoberta do visual, da obra Teoria da Imagem, você irá acompanhar a discussão sobre a imagem como linguagem e discurso, sua caracterização a partir de seus elementos básicos e a enumeração de algumas de suas funções. Qual das alternativas a seguir caracteriza corretamente a imagem? e) A imagem é uma linguagem que apresenta especificidade e valor próprio. RESPOSTA CORRETA A imagem é uma linguagem que apresenta especificidades e, por isso, tem valor próprio. Assinale a alternativa correta quanto aos elementos básicos que constituem a imagem. d) Os elementos morfológicos, os quais constituem o ponto, a linha, o plano, a textura, a cor, a forma e o tom, apresentam a característica da espacialidade. RESPOSTA CORRETA Os elementos morfológicos dizem respeito à estrutura espacial da imagem, isto é, fazem parte da espacialidade, sendo eles o ponto, a linha, o plano, a textura, a cor, a forma e o tom. Assinale a alternativa correta quanto aos elementos morfológicos que constituem a imagem. c) O plano, que é um elemento morfológico, corresponde à superfície em que se organiza a representação da imagem. RESPOSTA CORRETA O plano, que é um elemento morfológico, tem um aspecto especialmente espacial, como muitos de nós já imaginamos. Ele corresponde à superfície – com duas linhas horizontais e verticais – em que se organiza a representação da imagem. Assinale a alternativa correta quanto aos elementos dinâmicos que constituem a imagem. b) O movimento, que é um elemento dinâmico, se dá também em imagens fixas e estáticas. RESPOSTA CORRETA O movimento, que é um elemento dinâmico, se dá também em imagens fixas, pois constitui uma das formas de construir ilusão nesse tipo de imagem. Assinale a alternativa correta quanto aos modos ou funções das imagens. d) O modo simbólico se dá em imagens que representam uma relação ideológica com os objetos e o mundo. RESPOSTA CORRETA O modo simbólico se dá para além da esfera religiosa. Dá-se, também, por meio da representação de valores ideológicos. DESAFIO: As imagens construídas ao longo da história têm representado diferentes modos do sujeito se relacionar com a realidade. A esse respeito, Aumont (2002 [1993]) cita, pelo menos, três modos principais de se trabalhar essa relação: o modo simbólico, o modo epistêmico e o modo estético. A partir dessa reflexão, observe a imagem a seguir: Após a análise da imagem, responda a seguinte pergunta: Quais funções ou modos caracterizam a relação da imagem com a realidade? Justifique a sua resposta. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO A imagem apresenta um grupo de vários braços na vertical com os punhos cerrados. Ilustrada nas cores preta e branca, ela simboliza um conjunto de pessoas que estão em posição de combate, luta, manifestação por alguns direitos. Desse modo, nota-se já inicialmente que a peça visual contempla a função simbólica: a mão fechada representa alguma forma de protesto, o que significa a necessidade de manifestar e trazer à discussão determinados valores ideológicos, como os direitos humanos, por exemplo. Além dessa função, observa-se a epistêmica, pois a imagem tem um apelo visual muito forte, que nos leva a indagar o seguinte: Qual(is) o(s) motivo(s) que levouI(aram) determinado grupo de pessoas a ir à luta? Por quais valores e mudanças eles protestam? Como já se sabe, essa função se dá uma vez que as imagens veiculam e representam informações sobre os objetos, as pessoas, o mundo, as culturas, as relações sócio-históricas etc. E, ao fazerem isso, as imagens compreendem pontos de vista específicos sobre os acontecimentos sociais. A imagem desse exemplo é, portanto, epistêmica e fundamentalmente política. Por último, é possível se deparar com a função de caráter estético, isto é, a de oferecer sensações específicas ao público. Embora o sentimento estético que ela proporcione possa variar de espectador para espectador – alguns podem sentir raiva à oposição que ela representa, pois nela o grupo de mãos manifesta de alguma forma insatisfação com a ordem vigente, outros podem sentir respeito e se identificar com a causa levantada –, não é possível de olhar para essapeça sem contemplá-la. Até o sentimento de indiferença diante do que ela constrói é um ato responsivo (uma resposta) a essa comunicação visual, à mensagem construída. Portanto, uma mesma imagem pode se relacionar com o mundo e com o sujeito de modos distintos, e cada relação pode ser compreendida de forma diferente pelo espectador, uma vez que a leitura e a interpretação da imagem é um processo contextual, experiencial e único vivido por cada um. MINHA RESPOSTA NESTA IMAGEM O MODO SIMBÓLICO ESTÁ REPRESENTANDO VALORES IDEOLÓGICOS – OBSERVAMOS VÁRIAS MÃOS COM PUNHOS CERRADOS SINALIZANDO RESISTÊNCIA A ALGO. 4- RELAÇÃO COMPREENSIVA E A RELAÇÃO COMO REAL Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Apresentar os registros do imaginário, simbólico e real do campo da Psicanálise. · Relacionar os três paradigmas da imagem com os registros da Psicanálise. · Interpretar a imagem como representação ou aproximação do real. A imagem é uma forma de expressão humana cuja percepção e interpretação está para além dos sentidos. Ela constitui também uma forma de olhar sobre o sujeito, o mundo e o “real”, olhar este que é variável ao longo do tempo, espaço, sociedade, contexto etc., para citar alguns elementos. Além disso, a imagem é ainda marcada pelo olhar do sujeito que a observa e a contempla, pois esse mesmo olhar é produtor de sentidos sobre ela e sobre o “real” que ela representa. A esse respeito, a caracterização da imagem ao longo do tempo, por meio dos três paradigmas da fotografia – pré-fotográfico, fotográfico e pós-fotográfico – nos permite refletir sobre como as relações entre o sujeito e a imagem foram se estabelecendo. Para essa reflexão, é fundamental evocar o campo da Psicanálise e os três registros que elabora, os quais são apresentados no Capítulo. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer um pouco sobre o imaginário, o simbólico e o real, que são os três registros da Psicanálise, refletir sobre a relação entre os paradigmas da fotografia e os três registros, compreender a interpretação da imagem como um processo contextual, cuja relação com o “real” é variável conforme o social e o cultural, por exemplo. O DEBATE SOBRE A RELAÇÃO ENTRE IMAGEM E REALIDADE É ANTIGO. CONTUDO, O USO EXCESSIVO DAS IMAGENS PELAS REDES SOCIAIS TEM TRAZIDO NOVAMENTE À TONA DISCUSSÕES EM TORNO DESSA RELAÇÃO. ORA, O REAL NÃO ESTÁ NO JÁ-DADO. EMBORA ALGUNS CAMPOS O TOMEM COMO PARA ALÉM DO INDIVÍDUO, CONSTITUTIVO DA ORDEM MATERIAL DO MUNDO, O REAL É UMA CONSTRUÇÃO SOCIAL. ESSA É UMA FORMA DE PENSAR O REAL E A IMAGEM, ISTO É, A PARTIR DE UMA CONCEPÇÃO SOCIAL, CUJA REALIDADE É REPRESENTADA PELA IMAGEM. SE, NESSE PONTO DE VISTA, A IMAGEM É UMA DAS MUITAS FORMAS PARA EXPRESSAR OS PENSAMENTOS E, ASSIM, CONSTRUIR A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS, HÁ, PORTANTO, MUITAS FORMAS DE VER, CARACTERIZAR E REPRESENTAR ESSA RELAÇÃO. DESSE MODO, O ATO DE VER, DE MIRAR, E O JÁ VISTO, É PROCESSUAL E RELACIONAL E PODE SER COMPREENDIDO DE FORMA DISTINTA DE UM SUJEITO PARA O OUTRO. No Capítulo Relação Compreensiva e a Relação com o Real da obra Teoria da Imagem você acompanhará a discussão sobre a caracterização e o funcionamento da imagem, a partir da apresentação dos três paradigmas da fotografia e do seu diálogo com os registros da Psicanálise. A interpretação da imagem como mais ou menos “real”. A partir das reflexões apresentadas, é apontado que é preciso compreender a relação entre imagem e real como contextual, pois uma imagem pode ser tida como mais “real” para alguns e menos “real” para outros. Quais as relações estabelecidas entre os registros elaborados pela Psicanálise e os paradigmas da imagem? Marque a alternativa CORRETA. e) O paradigma pré-fotográfico está para o imaginário, o paradigma fotográfico está para o real e o paradigma pós-fotográfico está para o simbólico. RESPOSTA CORRETA O paradigma pré-fotográfico está para o imaginário, o paradigma fotográfico está para o real e o paradigma pós-fotográfico está para o simbólico. Os três registros estão relacionados aos paradigmas da fotografia adequadamente. Como se caracterizam as relações estabelecidas entre os registros elaborados pela Psicanálise e os paradigmas da imagem? Marque a alternativa CORRETA. c) A relação da imagem pré-fotográfica com o imaginário é idílica e conflituosa; a relação da imagem fotográfica com o real é de captura de um fragmento no tempo-espaço; e a relação da imagem pós-fotográfica com o simbólico é marcada pela dimensão do olhar da lei, da cultura, da estrutura, da linguagem. RESPOSTA CORRETA Os registros e os paradigmas da imagem estão relacionados adequadamente. A relação da imagem pré-fotográfica com o imaginário é idílica e conflituosa; a relação da imagem fotográfica com o real é de captura de um fragmento no tempo-espaço; e a relação da imagem pós-fotográfica com o simbólico é marcada pela dimensão do olhar da lei, da cultura, da estrutura, da linguagem. Em qual paradigma se encontra a imagem a seguir? Marque a alternativa com a justificativa CORRETA. b) A imagem se encontra no paradigma pré-fotográfico, uma vez que nela observamos a presença do corpo do sujeito - com a mão e o seu olhar - durante a representação visual da lâmpada. RESPOSTA CORRETA A imagem se encontra no paradigma pré-fotográfico, uma vez que nela observamos a presença do corpo do sujeito - com a mão e o seu olhar - durante a representação visual da lâmpada. Acerca da interpretação da imagem como mais ou menos real, qual das alternativas citadas abaixo apresenta a categoria conceitual fundamental para interpretar a imagem? d) Contexto. RESPOSTA CORRETA Os padrões que caracterizam uma imagem como mais ou menos “real” são contextuais, racionais e variam conforme o tempo, o espaço, o sujeito que a vê, a situação de interação entre os sujeitos. A respeito da relação entre imagem e "real", marque a alternativa CORRETA. e) A modalidade da imagem é um aspecto que se relaciona com a credibilidade da representação. RESPOSTA CORRETA Os marcadores visuais das imagens permitem que elas sejam interpretadas como mais ou menos reais, ou seja, como mais ou menos “credíveis”. DESAFIO: O uso excessivo das imagens ao longo das redes sociais tem levado boa parte das pessoas à antiga discussão sobre a relação entre imagem e real. Enquanto alguns trazem à tona questões como credibilidade para definir a modalidade da imagem, outros a recebem como o “próprio real”. A partir dessa linha reflexiva, leia a notícia abaixo que foi publicada no dia 6 de maio de 2014, no site G1, sobre uma mulher morta após um boato ter sido divulgado em rede social. Após refletir e ler a notícia, responda às seguintes questões: 1 - O que caracteriza uma imagem veiculada como “real” ou mais “real” que outras? 2 - Por que os leitores da rede social mencionada tomaram a imagem e notícia divulgada pela mesma rede como real? PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO Como visto, a imagem é experimentada por meio dos sentidos. Contudo, enquanto alguns a percebem como parte do mundo, isto é, como representações sociais, olhares distintos de construir o mundo e a “realidade” / o “real”, outros a apropriam e a tomam como o próprio mundo, como sua materialidade, como se o mundo existisse de antemão, sem a necessária intervenção e relação com o sujeito, como se o “real” já estivesse num já-dado, à espera a ser apropriado pelos sujeitos. A respeito dessa discussão, é importante considerar o seguinte: se a imagem é uma forma de expressão e existem distintos sujeitos – há diferenças uns dos outros –, há formas distintas de expressão e, portanto, de representação de cada uma das vidas. A maneira que cada um olha para o “real” é repleta de valores que foram herdados desde a infância, por meio das experiências com os pares (referenciais), dos contatos com as várias instituições com as quais são encaradas ao longo da vida – igreja, escola, universidade, etc. – e, também, pela forma com as quais são projetados os olhares de cada um. A visão é uma atividade singular, mas também fundamentalmente social. Dessemodo, uma imagem é uma possibilidade de significar o “real” e não o próprio “real”, já que este é um processo de construção dos sujeitos nas suas relações com os outros e o mundo. A visão é uma atividade singular, mas também fundamentalmente social. Desse modo, uma imagem é uma possibilidade de significar o “real” e não o próprio “real”, já que este é um processo de construção dos sujeitos nas suas relações com os outros e o mundo. Logo, o que caracteriza uma imagem como mais ou menos real varia entre sociedades, culturas, grupos sociais, etc. Nessa notícia, a imagem – o retrato falado – divulgado em uma rede social de uma suposta sequestradora de bebês, envolvida com magia negra, foi tida como real porque um grupo de usuários a tomaram como credível. A própria imagem foi construída como credível em virtude de um contexto social religioso que aparece como pano de fundo importante a ser considerado. Observe que já o primeiro sublide aparece “Mulher foi morta após página postar boato sobre sequestro e bruxaria” (RIBEIRO, G1, 2014). Não só comumente se condena práticas de bruxaria, mas também sequestros de bebês, os quais são coletivamente construídos de forma negativa e, no caso do segundo, tipificado como crime pela lei. Esses elementos foram importantes para não só uma prévia condenação, mas para que as pessoas a agredissem – e, mesmo se fosse o contrário, nada poderia justificar tamanha violência! –, tomando o retrato falado construído como “real”. MINHA RESPOSTA 1-O VALOR OU O PESO DADO AO TÍTULO DA NOTICIA, QUE SERÁ RECEBIDO OU INTERPRETADO DE DIVERSAS FORMAS (COM INDIGNAÇÃO, COM RAIVA, OUTRAS VEZES COM VONTADE DE FAZER JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS). 2- TIVERAM COMO REAL A FOTO QUE FOI DIVULGADA, AS PESSOAS POR VEZES SAEM FALANDO SOBRE UM ASSUNTO QUE, NA VERDADE, SÓ SE LEU O TÍTULO DA NOTÍCIA, QUE APARENTA SER VERDADEIRA E CONFIÁVEL, ACABAM PREJUDICANDO E ATÉ PROVOCANDO A MORTE COMO NO CASO CITADO. 5-IMAGINÁRIO.... Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Definir o que é imaginário. · Compreender os processos de percepção e interpretação de conteúdo. · Reconhecer as intenções presentes na imagem. Um aspecto importante sobre o processo de percepção dos signos é saber que existem três fases operativas desse processo, sendo elas: “primeiridade”, “secundidade” e “terceiridade”. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer algumas perspectivas sobre o que é "imaginário", bem como a aproximação desse conceito com outros, como o de representação, símbolo e ideologia. Por fim, verificará uma breve discussão sobre as intenções presentes na imagem. De acordo com Peirce, todo fenômeno pode ser classificado em três categorias, denominadas “primeiridade”, “secundidade” e “terceiridade”; elas fazem referência às três fases operativas do processo de percepção dos signos. Imaginário Pode-se dizer de forma genérica que o imaginário é a faculdade original de dar-se como a apresentação de algo ou provocar o aparecimento de uma imagem que não é dada na percepção de forma direta. A imagem é formada com um apoio real da percepção, mas no imaginário esse estímulo da percepção é deslocado, muda de configuração, e então criam-se novas relações não existentes no real (LAPLATINE; TRINDADE, 2003). Ideologia A ideologia, assim como o imaginário, faz parte do domínio das representações. No entanto, a ideologia tem a intenção de impor um sentido definido à representação; é uma espécie de justificação do vivido; é também uma elaboração secundária do imaginário, um pensamento selvagem, mas pervertido (LAPLATINE; TRINDADE, 2003). Existem muitos conceitos que abordam a percepção e a interpretação de uma imagem. Para isso, é importante estar familiarizado com esses conceitos, entendendo quem são os seus pensadores, o que eles expõem e quais impactos causam na análise da imagem. Analise as alternativas a seguir a respeito dos pontos de vista sobre o imaginário e assinale a correta. b) Para as teorias funcionalistas, estruturalistas, hermenêuticas, fenomenológicas e cognitivistas, imaginário e símbolo são diferentes de acordo com as relações que estabelecem entre os termos. RESPOSTA CORRETA Imagem, imaginário e símbolo são diferentes de acordo com as relações que estabelecem entre os termos. Os símbolos seriam então esquemas de ações intencionais criados nas interações entre as pessoas num dado contexto. As teorias funcionalistas, estruturalistas, hermenêuticas, fenomenológicas e cognitivistas dão maior ênfase ao nível consciente em relação ao inconsciente. A escola antropológica e filosófica substancialista são justamente a perspectiva neoplatônica. Para Sartre, existem três modalidades de consciência: a perceptiva, a reflexiva e a imaginante. Sobre esse assunto, é verdadeiro afirmar que: d) a imagem é um ato da consciência imaginante, produto de uma atividade consciente; é o modo como um objeto se oferece à consciência. RESPOSTA CORRETA De acordo com o filósofo, a imagem é um ato da consciência imaginante, produto de uma atividade consciente. A imagem é o modo como um objeto se oferece à consciência. Ela é também uma certeza na perspectiva de que a pessoa conhece a imagem que imagina. O objeto surge para a consciência como uma ausência absoluta, o que nasce imediatamente na consciência é a imagem do objeto. A imagem então está associada a conhecimentos adquiridos anteriormente em referência ao objeto que é representado por ela (DUDOGNON, 2014). Dessa forma, segundo o pensador, a imagem não apreende elementos além dos que podem ser extraídos do objeto a que se refere. Segundo o ponto de vista de Gilbert Durand (1989): e) o imaginário é “o conjunto das relações de imagens que constituem o capital pensado do homo-sapiens”. RESPOSTA CORRETA Segundo Gilbert Durand (1989), imaginário é “o conjunto das relações de imagens que constituem o capital pensado do homo-sapiens”. Trata-se da capacidade, tanto do indivíduo quanto da coletividade, de dar sentido ao mundo; corresponde às imagens inter-relacionadas que dão significado às coisas que existem. Sartre, apesar de ter censurado a coisificação da imagem por parte de psicólogos clássicos e de utilizar o método fenomenológico, falhou ao não consultar a poesia e a morfologia das religiões, que constituem o patrimônio imaginário da humanidade. Durand chama a atenção para o fato de que Sartre, ao final de sua obra, expressou a imagem como a sombra de um objeto e também como um objeto fantasma. Para Durand, ao concluir o seu trabalho, Sartre faz um retorno ao cartesianismo. De acordo com Peirce, todo fenômeno pode ser classificado em três categorias, denominadas “primeiridade”, “secundidade” e “terceiridade”; elas fazem referência às três fases operativas do processo de percepção dos signos. A respeito desse assunto, qual é a alternativa correta? b) A primeiridade é a percepção primária, está relacionada ao sentir. O signo é percebido pelos elementos vinculados à emoção, sensação e sentimento, tais como as cores, formas e texturas. RESPOSTA CORRETA A primeiridade é a percepção primária, está relacionada ao sentir. O signo é percebido pelos elementos vinculados à emoção, sensação e sentimento, tais como as cores, formas e texturas. Além disso, associada à ideia de ser a primeira percepção, está a ideia de liberdade, porque, se é a primeira, não há nada antes cerceando a liberdade. Quando um indivíduo contempla a natureza ou uma paisagem, por exemplo, percebe-se essa liberdade associada a essa primeira fase do processo de percepção dos signos, pois o estado de deslumbramento faz com que a mente fique centrada naquela paisagem, livre de pensamentos. O mesmo pode ocorrer quando um ser humano está diante de manifestações artísticas como a música, o teatro, a dança e, ainda, de descobertas científicas. De acordo com Joly (199, interpretar uma imagem significa: e) que não é compreender a mente do autor, mas sim entender quais são as possíveis significações dentro do contexto, separando o que é pessoal do que é coletivo. RESPOSTA CORRETA Interpretaruma mensagem não é compreender a mente do autor, mas sim entender quais são as possíveis significações dentro do contexto, separando o que é pessoal do que é coletivo. O interessante é observar e examinar a imagem de forma a compreender o que ela suscita e comparar as diversas interpretações. O resultado desse confronto poderia então ser considerado uma interpretação razoável naquele dado momento, dado local, diante daquele contexto (JOLY, 1994). DESAFIO:O signo é algo que se apresenta à mente e está sempre ligado a um segundo elemento, aquilo a que ele se refere. Ele também está ligado a um terceiro elemento – o efeito interpretativo provocado no intérprete –, chamado interpretante do signo. Percebe-se assim que existe um signo primeiro fundamental que não se remete diretamente ao objeto em questão, pois ele precisa do interpretante. A relação entre esses três polos é o que Peirce chama de "semiose". Baseado nessa explicação, analise o a obra Guernica, de Pablo Picasso (1937), que retrata o bombardeio vivido pela cidade espanhola homônima, bem como o poema Guernica, de Muriro Mendes (1959). Em cada um dos casos, qual é o fundamento, o objeto e o interpretante do signo? PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO No caso da obra original Guernica, a pintura em si é o signo em questão. O fundamento é composto pelos elementos que despertam algumas sensações e sentimentos,como a disposição das formas e texturas. O bombardeio da cidade espanhola chamada Guernica é o objeto, pois é aquilo a que o signo de refere. Já os efeitos interpretativos que a obra produz em quem a contempla, tais como desespero ou indignação, compõem o interpretante do signo. Em relação ao poema Guernica, o texto explicitado é o signo do que se deseja transmitir. A disposição das palavras constitui o fundamento desse signo. O objeto, ou seja, o que o signo quer transmitir, é tanto a história trágica da cidade espanhola quanto a obra de Picasso. As sensações e/ou sentimentos despertadas no espectador, como tristeza, são o interpretante, o terceiro elemento. MINHA RESPOSTA SEGUNDO PIERCE SEMIÓTICA SERIA O SIGNO: "UMA COISA QUE REPRESENTA UMA OUTRA COISA”. PRIMEIRO: ALGO QUE VEM À MENTE, DEPOIS, SEGUNDO: AO QUE AQUILO SE REFERE OU REPRESENTA; E TERCEIRO: O EFEITO INTERPRETANTE PROVOCADO. NO CASO DA OBRA GUERNICA, DE PABLO PICASSO. A OBRA É BASEADA NO BOMBARDEIO (SIGNO), ELA SE REFERE AO SOFRIMENTO DO CONTEXTO TRAZIDO PELA GUERRA, QUE PROVOCARÁ NO RECEPTOR UM CERTO EFEITO INTERPRETATIVO: SER SOLIDÁRIO AOS ATINGIDOS, SE ENGAJAR A MOVIMENTOS QUE LUTEM PELA PAZ. 6-ANALISE DE IMAGEM – O EVIDENTE E O OCULTO Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Analisar o evidente e o oculto na imagem. · Apresentar as noções de evidente e oculto na imagem. · Discutir as relações entre a mensagem evidente e a mensagem oculta no campo das representações visuais. A sociedade contemporânea é uma sociedade visual. Desde o momento em que o indivíduo acorda até o momento em que se deita, ele é bombardeado por imagens, inclusive nos seus sonhos. A familiaridade com as imagens é tanta que, em um primeiro momento, é possível entender uma imagem. No entanto, a verdade é que esse entendimento é superficial: a compreensão do significado de uma imagem é mais profunda e passa por uma análise crítica. Analisar uma imagem e compreender seus significados, para além do que está em evidência, passa por saber realmente ler uma imagem. Dessa forma, é preciso saber compreender seus significados ocultos e, para isso, é necessário desenvolver capacidades que estão relacionadas com a observação de traços e aspectos que constituem as imagens (GAYDECZKA, 2013). Neste infográfico, você verá de forma clara alguns passos que servem de guia na hora de analisar uma imagem. Você sabia que uma imagem pode ter várias interpretações cada vez que ela é observada? E que essas interpretações também dependem do contexto cultural e social? Analisar uma imagem passa por saber lê-la de uma forma mais crítica e não apenas através de uma leitura superficial, que acontece com o primeiro contato que o indivíduo tem com o objeto observado. É perceber seus significados ocultos e ir além do que é evidente na imagem. Muitas imagens "brincam" com essa percepção que se tem do seu significado e, cada vez que ela é observada, é possível descobrir mais algum elemento. Esse é o caso do trabalho desenvolvido pelo pintor renacentista Giuseppe Arcimboldo, que utilizava diversos elementos na composição do seus retratos: Cada vez que as pinturas de Arcimboldo são observadas, é possível entender um novo elemento e criar uma reinterpretação da imagem. Além disso, é preciso levar em consideração o contexto em que a imagem foi produzida, na época renascentista, de novos descobrimentos e culturas diferentes. É possível perceber que elas carregam um significado relacionado à dominação humana sobre a natureza e aos novos povos. Inseridos numa sociedade em que é predominante o uso de imagens, os indivíduos possuem alguma familiaridade e facilidade em entendê-las. Mas a verdade é que essa facilidade é superficial: a interpretação de uma imagem passa por saber lê-la de forma crítica e profunda, muito mais do que uma leitura superficial e intuitiva. Em outra palavras, a imagem pode ser analisada de forma mais crítica a fim de compreender realmente os seus significados, o qual, na maior parte das vezes, está oculto na imagem. Para isso, é preciso levar em consideração a produção, a circulação e também a construção dos sentidos que estão relacionados com a imagem, além do contexto no qual elas foram reproduzidas, os quais também contribuem na sua percepção. Assinale abaixo a resposta correta sobre a prática de leitura de imagens, levando em consideração as afirmações feitas por Santaella (201: c) A prática da leitura não é restrita a elementos verbais, mas aos signos de uma forma geral, inclusive às imagens. RESPOSTA CORRETA Santaella (2012), no livro Leitura de imagens, afirma que é importante perceber que a imagem também pode ser lida, que a prática da leitura não é restrita a elementos verbais, mas aos signos de uma forma geral, e aqui podemos incluir as imagens. onforme Santaella (2012), a imagem possui diversos territórios. Assinale abaixo a opção que possui todos os territórios da imagem: b) Imagens mentais, imagens diretamente perceptíveis, imagens como representações visuais, linguagens verbais e imagens ópticas. RESPOSTA CORRETA Os territórios da imagem abordados por Santaella são: domínio das imagens mentais, aparecem nas nossas mentes para configurar as imagens, sendo a mente livre para imaginar coisas que podem ou não existir no mundo real; imagens diretamente perceptíveis, imagens que vemos do mundo real, ou seja, que vem da nossa realidade; imagens como representações visuais, esse território está ligado às fotografias, aos vídeos, aos desenhos, às pinturas; entre outros. Além desses três territórios, também é possível falar no domínio das linguagens verbais, que são construídas através da língua, e no domínio das imagens ópticas, estas relacionadas aos espelhos e projeções, por exemplo (SANTAELLA, 2012). Dentro dos territórios da imagem, as representações visuais são consideradas interessantes para análise de um ponto de vista da semiótica da imagem. Marque a alternativa que define o que são representações visuais. e) Imagens que são criadas e reproduzidas pelo homem na sociedade em que está inserido. São imagens artificiais, mas que também são percebidas pelo homem, por exemplo, fotografia e vídeo. RESPOSTA CORRETA Entende-se por representações as imagens que são criadas e reproduzidas pelo homem na sociedade em que está inserido. São imagens artificiais, mas que também são percebidas pelo homem. Aqui vale compreender a distinção entre as representações visuais e as imagens perceptíveis: estas são relacionadas com a nossa percepção do mundo, já as representações são criadas artificialmente e necessitam de um suporte. Em outras palavras, as representações visuais podemser desenvolvidas através de instrumentos como o lápis, tinta e pincel; é o caso de desenhos e pinturas. Também podem ser capturadas através de recursos ópticos, como espelhos, lentes, câmeras, telescópios, entre outros. Segundo Umberto Eco, na Teoria da Semiótica, quando os fenômenos são utilizados para mentir, eles podem ser objeto de interesse da semiótica (SANTAELLA & NOTH, 1997): esse é o caso das imagens. Santaella e Noth (1997) também abordam a questão da verdade e da mentira nas imagens. Para os autores, a questão tem um aspecto: a) Semântico, sintático e pragmático. RESPOSTA CORRETA Santaella e Noth (1997) abordam a questão da verdade e da mentira nas imagens. Para os autores, a questão tem um aspecto semântico, sintático e pragmático. O aspecto semântico está relacionado com o fato de que a imagem, para ser verdadeira, tenha que retratar o que ela realmente representa. Já o aspecto sintático está relacionado com o fato que a imagem representa um objeto e transmite um predicado sobre ele. Em relação à dimensão pragmática, ela está relacionada com o fato de que o transmissor da imagem tenha intenção de iludir o receptor. Enviada em 06/05/2021 03:38 5) Conforme Martins (201, uma mensagem visual pode tanto ser verdadeira como falsa (MARTINS, 2013). Levando em consideração a questão do evidente e do oculto na fotografia, marque a afirmação correta. e) A fotografia pode tanto passar a ideia de verdade como de falsidade, isso vai depender do que é dito ou descrito acerca do que ela representa. RESPOSTA CORRETA Sabe-se perfeitamente que uma fotografia pode ser manipulada. Martine (1943) acredita que a fotografia pode tanto passar a ideia de verdade como de falsidade, isso vai depender do que é dito ou descrito acerca do que ela representa. Porém, isso também está relacionado com a expectativa do espectador e do contexto em que se insere a mensagem visual (MARTINE, 1943 apud MARTINS, 2013). DESAFIO:A imagem fotográfica, a priori, é considerada uma imagem verdadeira. Barthes (1980) acreditava que a fotografia é a realidade retratada (BARTHES, 1980 apud SANTAELLA & NOTH, 1997), como é o caso de fotos de família, que relembram situações do passado ou fotos científicas, as quais vão representar o objeto real (SANTAELLA & NOTH, 1997). No entanto, principalmente na atualidade, sabe-se que uma fotografia pode ser manipulada, passando tanto a ideia de verdade como a de falsidade. Isso está relacionado com o que é descrito sobre o que ela representa, além da percepção do expectador e do contexto da imagem (MARTINE, 1943 apud MARTINS, 2013). Ainda, é importante levar em consideração questões relacionadas com o objeto fotografado, o ângulo, seu enquadramento, a cor, a luz, a mensagem textual (caso exista) e outras técnicas que podem ser utilizadas na imagem e que vão afetar a compreensão do seu significado. Diante disso, observe a imagem a seguir, sobre o divórcio dos atores americanos Angelina Jolie e Brad Pitt: Faça uma reflexão sobre o significado das imagens. A imagem é a capa da revista In Touch. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO A capa da revista In touch traz a imagem da atriz Angelina Jolie como objeto central, tanto da imagem como da matéria. Ao observar a capa, é possíver ver uma Angelina forte e com uma expressão dura. Não é dito em que contexto a imagem foi tirada e se possui outros componentes além da atriz, mas a revista optou por dar destaque ao perfil dela, a qual parece estar falando com alguém de uma forma rígida. Em segundo plano, é visível a foto do ator Brad Pitt, descontraído e com o semblante calmo. Além da imagem, o texto que a acompanha contribui para criar essa concepção de dureza da atriz, colocando a culpa da separação nela e não no ator. A manchete utiliza palavras como "manipulativa" e "instável" para desenvolver uma imagem de que a atriz é a “vilã” e de que o ator é a vítima. Além dessa percepção, podemos notar outros significados ocultos, como o fim de uma família; nesse caso, da família ideal, na qual muitas pessoas se inspiravam e a qual idealizavam. A imagem traz a ideia de que Angelina foi a grande culpada, levando a uma mensagem machista, já que culpabiliza a mulher (figura muitas vezes unificadora da família) e inocenta o homem. MINHA RESPOSTA A CAPA COM A FOTOGRAFIA DA ANGELINA BRAVA, (QUE PODERIA SER UMA IMAGEM DE ALGUMA CENA DE FILME INTERPRETADA POR ELA ANTERIORMENTE) TENTA PASSAR A IDEIA DE QUE A ATRIZ É REALMENTE BRIGUENTA, DESCONTROLADA, JUNTO COM A MENSAGEM TEXTUAL PASSA A IDEIA DE QUE É UM INFERNO ESTAR CASADO COM ELA. A CAPA AGUÇA A CURIOSIDADE DA PESSOAS/FÃS DE SABER MAIS DA PERSONALIDADE DA ATRIZ, BEM COM OS FÃS DE BRAD PITT QUEREM SER SOLIDÁRIOS A ELE. AQUI A MANIPULAÇÃO ACONTECE COM O INTUITO DE VENDAR MAIS EXEMPLARES DA REVISTA. 7- IMAGEM E TECNOLOGIA Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Apresentar o desenvolvimento da imagem: da pré-história à era digital digital. · Descrever as mudanças na percepção de imagem acarretadas pela tecnologia. · Enumerar exemplos de estudos semióticos a partir da imagem e da tecnologia. O homem, por sua natureza, é um ser comunicativo, ele possui a necessidade de se expressar e de se comunicar com o outro. Antes mesmo de desenvolver a palavra, o homem conseguia comunicar-se através de alguns sons e de pinturas nas cavernas, ou seja, a imagem sempre foi utilizada como uma forma de comunicação. Desde então, a imagem passou por um processo de evolução e aperfeiçoamento. Os desenvolvimentos tecnológicos acarretaram mudanças em diversos ramos da vida humana. O campo social, econômico e cultural sofreram transformações ao longo dos anos, e estas estão relacionadas com o crescimento humano e com o advento de novas tecnologias. Neste contexto, com as imagens não foi diferente. É possível observar que a relação humana com a imagem também vai se transformando. Atualmente, a tecnologia faz parte do cotidiano e as imagens também, ambas ocupando um papel importante na vida das pessoas. A tecnologia causou diversos impactos na relação humana com as imagens, quebrando barreiras físicas e espaciais na produção e na recepção. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre o desenvolvimento da imagem, como ela era nos tempos pré-históricos até a era digital. Também, vai compreender como a tecnologia interferiu nas percepções da imagem, bem como entender as possibilidades de estudos da imagem a partir da tecnologia. O desenvolvimento tecnológico tem possibilitado várias formas de produção e recepção de imagem, além disso, ferramentas de edição surgiram, permitindo a edição dessas imagens, sem que seja necessário capturá-las novamente. Você sabia que recursos como Photoshop, Illustrator e Indesign permitem a edição e até mesmo a criação de novas imagens? Descubra, a segui, um pouco mais sobre uma das ferramentas mais populares de alteração de imagem: o Photoshop. A ferramenta permite fazer diversas modificações na imagem. Se por um lado facilita a vida de muitos profissionais da área, por outro, também é muito criticado pelo excesso de edição. Usando o exemplo de imagens de um corpo feminino, que, muitas vezes,editados de tal forma que passam a ideia de uma perfeição inexistente, deturpando a nossa percepção real da imagem e criando padrões de beleza inalcançáveis. A globalização e o advento das novas tecnologias de informação e comunicação acarretaram um impacto em várias esferas da vida humana. No campo social, econômico e cultural, muitas transformações ocorreram, sendo impossível imaginar nossa vida sem a interferência e o uso da tecnologia, que traz consequências tanto positivas como negativas. Nesse contexto, também é possível falar sobre as imagens. O digital chegou para transformar nossa relação com elas e o que se entendia por elas. As novas tecnologias terminaram por quebrar algumas barreiras físicas e temporais que marcavam o processo de criação e reprodução da imagem. Na atualidade, qualquer pessoa com um celular pode criar imagens. Também, é possível visitar museus a partirdo conforto de casa, através de um computador ou mesmo assistir aulas on-line, ou seja, a relação da tecnologia com as imagens é muito próxima. ------------------------------------------------------------------------------------------------------ Santaella e Noth abordam o desenvolvimento da imagem a partir de três momentos marcantes, que denominam de paradigmas da imagem. Quais são esses paradigmas? b) Pré-fotográfico, fotográfico e pós-fotográfico. RESPOSTA CORRETA Os três paradigmas da imagem são: pré-fotográfico, fotográfico e pós-fotográfico. O primeiro está relacionado com todas as imagens produzidas à mão, em outras palavras, imagens desenvolvidas de forma artesanal. Entram neste quesito as imagens na pedra, pintura, escultura, gravura e desenho. O período fotográfico é o que tem relação com imagens produzidas através de “conexão dinâmica e capitação física de fragmentos do mundo visível, isto é, imagens que dependem de uma máquina de registro.” (SANTAELLA e NOTH, 1997, p. 157). Aqui, entram desde a fotografia, a qual sua invenção revolucionou o mundo da imagem, até o vídeo, em contexto de cinema, TV e hofografia (SANTAELLA e NOTH, 1997). Conforme Alves (2007), a imagem é o mais antigo registro que temos da história humana. Com que funcionalidade a ela surgiu na Pré-história? a) A imagem surgiu como uma necessidade do homem de se comunicar e como uma descoberta da sua capacidade analítica, reflexiva, interpretativa e de interferência na própria realidade. RESPOSTA CORRETA Conforme Alves (2007), a imagem é o mais antigo registro que temos da história humana, ela surgiu como uma necessidade do homem de se comunicar e da sua descoberta em “ser capaz de analisar, refletir, interpretar e interferir na sua própria realidade.” (ALVES, COSTA e SILVA, 2007). Santaella e Noth (1997) dividem o mundo das imagens em dois domínios. Assinale. a seguir. quais são esses domínios. a) Visual e imaterial. RESPOSTA CORRETA Santaella e Noth (1997) dividem o mundo das imagens em dois domínios: o visual e o imaterial. O domínio das representações visuais está relacionado com os “objetos materiais, signos que representam o nosso meio ambiente visual.” (SANTAELLA e NOTH, 1997, p. 15), ou seja, representações como fotografias, vídeos, pinturas, gravuras, entre outros. Já o signo imaterial está relacionado com as imagens na nossa mente, com o campo da imaginação, esquemas, fantasiais, visões, em outras palavras, está no domínio das representações mentais. Ambos os domínios estão interligados, unidos pelos conceitos unificadores de signo e representação (SANTAELLA e NOTH, 1997). O advento das novas tecnologias modificou a nossa relação com as imagens, tanto no que se refere à produção quanto na recepção de imagens. Esse contexto permitiu a ampliação de novos estudos no campo da Semiótica da Imagem. Assinale, a seguir, alguns estudos que surgiram influenciados pela tecnologia. c) Webmuseus, selfies, Netflix e Youtube. RESPOSTA CORRETA As novas práticas acarretadas pelo desenvolvimento de novas tecnologias possibilitou o aparecimento de novas vertentes de estudos no campo da Semiótica da Imagem, como por exemplo, estudos sobre webmuseus, selfies, blogs de moda, Netflix e Youtube. Segundo Lima (2012) e Santaella (2013), a Semiótica é: d) É a ciência que estuda os signos e os seus significados, além do processo de articulação entre os diversos tipos de linguagens, inclusive, as imagens. Para estudar os signos, ela tem que desenvolver instrumentos de análise. RESPOSTA CORRETA Semiótica é a ciência que estuda “o processo de articulação entre os diversos tipos de linguagens e os modos pelo qual o homem significa aquilo que o rodeia.” (LIMA, 2012, p. 47). Conforme Santaella, a Semiótica é o ciência que estuda os signos e, para isso, tem que desenvolver instrumentos que possibilitem sua análise (SANTAELLA, 2013, apud LIMA, 2012). A globalização e os desenvolvimentos tecnológicos modificaram a relação com as imagens. A forma como as imagens são produzidas e recepcionadas acompanhou a própria evolução humana. Atualmente, a tecnologia é uma parte imprescindível da vida, e o mesmo acontece com as imagens, que ocupam um papel de destaque no cotidiano social. Se ambas facilitam muitas tarefas e relações diárias, por outro, elas modificaram os hábitos de uma maneira que pode ser considerada negativa, deixando a sociedade cada vez mais dependente de certas ferramentas. Além disso, as imagens, no contexto atual, em muitos casos, ultrapassam a palavra como forma de expressão e comunicação humana. Muitas vezes, são usadas apenas imagens para expressar ideias – a tecnologia contribui para isso na medida em que insere novos formatos e modifica os mais antigos, facilitando o uso da imagem em diversos meios. Neste contexto, observe a imagem a seguir e responda as seguintes perguntas: 1 - O que essa imagem reflete? 2 - Qual a principal mudança de comportamento que essa imagem reflete? PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO A imagem reflete a realidade social e cultural dos dias atuais, na qual a sociedade está cada vez mais dependente da tecnologia. Tarefas que antes realizadas sem o uso de ferramentas tecnológicas parecem ser muito complicadas para serem desenvolvidas sem elas. É o que acontece na imagem. Conforme Lemos, os atos de fotografar, filmar, desenhar e editar, por exemplo, sofreram diversas modificações, e estas estão relacionadas ao diálogo entre as tecnologias visuais digitais, ao desenvolvimento de plataformas de redes sociais, a vídeos e sites, a aplicativos e partilhas de imagens, entre outras ferramentas que aumentam o diálogo e a relação com as imagens. Essas mudanças têm possibilitado, também, novas práticas e formas de visualidade através de diversos campos, sejam eles on-line ou off-line (MARTINS e PINTO-COELHO, 2017). Dessa forma, a imagem é cada vez mais utilizada como forma de expressão e comunicação. Mesmo atos como a leitura parecem ter passado para o segundo plano, sendo utilizadas ferramentas tecnológicas para isso, como é o caso do celular e dos tablets. MINHA RESPOSTA 1-AS NOVAS TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO VIERAM PARA TRANSFORMAR/FACILITAR A VIDA DAS PESSOAS, MAS ESSE ADVENTO TEM SEU LADO NEGATIVO. NO CASO DA IMAGEM OBSERVAMOS QUE A CRIANÇA REPETE O COMPORTAMENTO DA MÃE UTILIZANDO UMA TELA/CELULAR ENQUANTO ESPERA. 2- AS NOVAS TECNOLOGIAS MODIFICARAM AS FORMAS DE LAZER E ENTRETENIMENTO, A CRIANÇA DEVERIA ESTAR SENDO CRIANÇA, BRINCANDO INTERAGINDO COM A MÃE OU COM OUTRA CRIANÇA. A MÃE DISSE QUE TENTA FAZER O FILHO LER, PORÉM ELA DEVE SER EXEMPLO PARA O FILHO, O ESTIMULANDO A LEITURA E PARTICIPANDO COM ELE. 8- FORMATO DE IMAGEM: JORNALISTÍCO,publicitário, televisivo, Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Descrever o desenvolvimento da imagem e as possibilidades de estudo no campo semiótico. · Enumerar alguns formatos de imagem e métodos de estudo por estudiosos da Semiótica. · Apresentar a análise da imagem publicitária a partir da semiótica clássica e da sócio-semiótica. A Teoria da Imagem é uma vertente do estudo da Semiótica Aplicada. Desde que a imagem passou a ser objeto de pesquisa, várias ramificações do estudo surgiram ao longo dos anos. Formatos de imagem, que vão desde à publicidade até o teatro podem ser objetos de interesse e pesquisa, abrindo um vasto campo de possibilidades para quem pretende aprimorar seus conhecimentos na área. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai descobrir sobre o desenvolvimento da imagem e seus principais formatos, além de compreender as possibilidades de estudo da imagem no campo da Semiótica. As pessoas vivem inseridas numa sociedade marcada pela imagem, e esta imagem passou do papel de simples coadjuvante para o de personagem principal, elevando-se a um patamar onde é capaz de transitar como um elemento estruturante em todas as áreas da comunicação (ALMEIDA, 2011). Entre os formatos de imagem, podemos destacar a Moda, uma área que, por si só, vive dela, seja a imagem pessoal ou mesmo a publicitária e jornalística.Aqui você vai acompanhar como a moda evoluiu para ser considerada um sistema de comunicação, e como a obra de Barthes foi fundamental para isso. Também, vai conhecer a obra de Castilho e Martins, que lança outra abordagem para a Semiótica da Moda. Apesar de as primeiras imagens existirem desde a pré-história, apenas a partir do século XX é possível notar um ápice nos estudos da área. É importante ressaltar que o desenvolvimento tecnológico contribuiu para isso, permitindo uma maior produção e recepção de imagens. Mas, se no campo da palavra as pesquisas da área cresceram paralelamente, na comunicação visual isso ocorre de forma desordenada e marcada pela interdisciplinaridade. Nesse contexto, podemos afirmar que o impacto causado pelas imagens na nossa vida faz com que cresça o interesse para entender este fenômeno, e que a comunicação visual é objeto de estudo para a Semiótica da Imagem nos seus mais diversos formatos. No capítulo Formatos de imagem: jornalístico, publicitário, cinema, TV, novela, teatro e ertístico, da obra Teoria da Imagem, você vai aprender sobre o desenvolvimento da imagem e as possibilidades de estudo no campo da Semiótica. Também conhecerá os seus diferentes formatos e como eles são interessantes de uma perspectiva da Semiótica da Imagem. Para além disso, é possível ter uma noção ainda mais aprofundada da análise da imagem publicitária, um dos principais objetos de pesquisa no campo da Semiótica da imagem contemporânea. Compreenderá, ainda, como pode ser feita a análise de uma imagem fotográfica através da perspectiva de Semiótica Clássica, proposta por Barthes, um dos percursores da área, além da Socio-Semiótica proposta por Kress e Van Leeuwen. Santaella e Noth (1997), em seu livro sobre imagem, cognição, Semiótica e mídia, abordam a questão do tempo. Quais são as categorias usadas pelos autores para falar sobre o tempo? c) Intrínseco, extrínseco e intersticial. RESPOSTA CORRETA Santaella e Noth (1997), em seu livro sobre imagem, cognição, Semiótica e mídia, abordam a questão do tempo intrínseco (dispositivo, estilo e fatura), extrínseco (desgaste e referente) e intersticial (percepção). O desenvolvimento da fotografia e do vídeo proporcionam uma abertura no campo de estudo da imagem nas mais diferentes disciplinas. Em que áreas a Semiótica da Imagem pode ser estudada? a) Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Cinema, Televisão, Teatro e Moda. RESPOSTA CORRETA O desenvolvimento da fotografia e do vídeo proporcionam uma abertura no campo de estudo da imagem nas mais diferentes disciplinas. Derivações deses estudos surgem nos trabalhos no campo da Semiótica da Imagem em áreas de Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Cinema, Televisão, Teatro e Moda. Na Publicidade, por exemplo, é possível analisar a imagem fotográfica de capas de revistas ou anúncios em vídeo. No Jornalismo, as fotografias escolhidas para capas de jornais ou revistas também vêm cheias de significados e podem ser estudadas no campo da Semiótica. Complete a seguinte frase: Os estudos na área da estética foram feitos de forma desordenada e marcada pela __________. a) Interdisciplinaridade, objeto de interesse em várias disciplinas, como História da Arte, estudo dass mídias, Cinema, etc. RESPOSTA CORRETA No âmbito da estética, os estudos na área da Teoria da Imagem sofreram um ápice a partir do século XX. As pesquisas na área da estética foram feitas de forma desordenada, o que permanece até os dias atuais, sendo esta caracterizada pela sua interdisciplinaridade, a qual é objeto de interesse em várias disciplinas, tanto em História da Arte, estudo das mídias, Cinema, etc. Baseada na Semiótica da Imagem proposta por Barthes, Joly analisa a imagem levando em consideração alguns elementos. Assinale quais são eles. a) Análise da mensagem plástica, relativos às cores, formas composição e textura; e mensagem icônica, que são os signos figurativos. RESPOSTA CORRETA Joly, para fazer a análise da imagem, baseia–se no estudo da Semiótica proposta por Barthes nos campos da mensagem plástica relativos às cores, formas composição e textura; e mensagem icônica, que são os signos figurativos. No campo da sócio-semiótica proposto por Kress e Van Leeuwen, a análise da imagem é feita de forma tridimensional. Quais são essas dimensões? c) Dimensões representacional, interacional e composicional. RESPOSTA CORRETA Kress e Van Leeuwen desenvolveram um modelo de análise da sócio-semiótica baseada na gramática e na sintaxe do visual. Para os autores, esse modelo de análise é tridimensional e avalia a imagem nas dimensões representacional, interacional e composicional. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO A imagem é composta, no centro superior, por um barco de plástico no meio da água e dois homens brancos segurando uma corda com uma boia salva-vidas. No centro, dentro do mar e agarrado à corda, é possível ver um homem de cor negra. O restante da capa é composto pelo título Esta vida vale o mesmo que a nossa, ao fundo, e, no canto dreito, o texto sobre o número de pessoas que morreram afogadas no mar Mediterrâneo. Em relação à mensagem plástica, é possível perceber que as cores da edição conseguem destacar o mar verde e frio do Mediterrâneo para além da cor do barco e da boia, contrastando com os personagens presentes. O fato de aparecer só uma ponta do barco e todo o resto da fotografia terminar com o mar nos dá uma ideia de continuidade e de dimensão, de grandiosidade, e em como os personagens da imagem são pequenos comparados ao oceano feroz e perigoso. O enquadramento da foto também tem sua importância na criação do significado. O ângulo escolhido foi o superior, o que contribui para a percepção de luta e sofrimento dentro da água. Se o ângulo fosse outro, a percepção da imagem provavelmente não seria a mesma. Em relação à mensagem icônica, a imagem por si só já é bastante impactante, nos remetendo ao povo branco europeu e ao negro pobre, que luta pela vida. Com o texto, ainda conseguimos perceber que a Europa continua sendo a terra dos sonhos de muita gente, mas que, apesar de ser considerada de primeiro-mundo, a crise dos refugiados contribui para demonstrar suas falhas. Apesar de todos os avanços, ainda existe muito preconceito para com os povos negros e mulçumanos. Aqui, o europeu continua sendo um povo superior. A imagem choca quem percepciona a mensagem, trazendo para perto uma realidade que, até então, passava ao lado. MINHA RESPOSTA Descrição da imagem- Observamos na capa a imagem de um típico salvamento no mar, um homem negro se agarrado a uma corda e sendo puxado para um bote salva vidas por homens brancos, texto com letras pequenas com informações sobre o acontecimento e o título em letras grandes; Mensagem Plástica- a revista traz a cor verde do mar, o laranja da boia, contrastando coma cor do bote salva vidas; laranja e vermelho; Moldura- moldura branca contrastando com o verde do mar; Enquadramento- imagem vista de cima consegue passar a dimensão da angústia de alguém que quase se afogou e está em meio as águas geladas do mediterrâneo; Mensagem icônica: algumas vidas (700-900) têm pouco valor e o título: “Esta vida vale o mesmo que a nossa” dá a impressão de superioridade dos europeus. 9 - APROPRIAÇÕES DE ELEMENTOS DE OUTRAS MANIFESTAÇÕES Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Relembrar formas de apropriação ao longo da história das mídias. · Averiguar a relação de apropriação entre as mídias e as manifestações culturais e artísticas dos séculos XX e XXI. · Identificar elementos do cinema, das artes plástica e de outras artes na criação de mensagens midiáticas. Imagens, sons, textos, vídeos: tudo é criado a partir de uma soma de elementos que você reaproveita – de lugares e pessoas que às vezes nem sabe como – e produz, a partir do seu filtro pessoal, outras manifestações culturais. Ao longo da história, as imagens midiáticas foram sendo produzidas a partir de reaproveitamentos, seja da própria cultura de massa quanto das manifestações culturais e artísticas, culminandona explosão de reapropriações na cultura contemporânea a partir da Internet e das tecnologias digitais. Das imagens artesanais às imagens digitais: momentos históricos da (re) apropriação de imagens na artes e na comunicação, a partir dos dispositivos e da cultura que ajudaram a criar. Neste Infográfico, você verá tópicos da transformação da apropriação de imagens ao longo da história nas artes e na comunicação, em uma perspectiva mais ampla e histórica da (re) apropriação. A infografia é um gênero jornalístico que utiliza elementos visuais e textuais para apresentação de informações. Para aproximar o leitor de assuntos complexos, são produzidas com referências não verbais simples, de fácil compreensão para o público médio – aqui, a reapropriação de elementos verbais e nãoverbais entra para trazer significantes já conhecidos do receptor, de modo a reiterar uma informação e, assim, possibilitar uma melhor compreensão da mensagem. A partir do trabalho conjunto de apuração da informação, repórter e infografista concebem um trabalho que traz referências compreendidas pela comunidade interpretante do jornal e sobre um assunto de interesse público. Imagens, sons, textos e vídeos são criados a partir de uma soma de elementos reaproveitados de outros, seja de modo explícito ou, às vezes, sem a percepção do autor. Ao longo da história, as imagens midiáticas foram sendo produzidas a partir de reaproveitamentos da cultura de massa do século XIX e XX e de diversas manifestações culturais e artísticas, principalmente as Artes Plásticas, o Cinema e a Música. Com a Internet e a popularização das mídias digitais, houve uma explosão de reapropriações na cultura contemporânea, de modo que seja possível, hoje, dizer que vivemos numa cultura onde a (re) criação e o remix são as linguagens correntes na nossa cultura. No capítulo As apropriações de elementos de outras manifestações culturais: Cinema, Artes Plásticas e outras influências, da obra Teoria da Imagem, você verá a relação mútua de apropriações entre a arte e as mídias ao longo da história, bem como entender algumas formas desse processo e conhecer elementos importantes para a apropriação de mensagens midiáticas. Por fim, você aprendenrá a reconhecer quando a reapropriação pode ser útil na comunicação e no jornalismo. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1) I – A mistura e a reapropriação de imagens culturais sempre ocorreu na história da humanidade, mas sua escala e frequência aumentaram consideravelmente no século XX, a partir das imagens eletrônicas e das tecnologias digitais. II – Antes da fotografia e do cinema, a apropriação de elementos culturais nas mensagens midiáticas era bastante velada, não sendo reconhecída pela maior parte da população da época. III – A apropriação das mídias pela arte ocorre com mais frequência do que o contrário, especialmente a partir das vanguardas artísticas da primeira metade do século XX, como a pop art. Quanto a essas afirmativas, assinale a alternativa correta. d) Somente as afirmativas I e II estão corretas. RESPOSTA CORRETA Não é possível afirmar com convicção que as artes ou as mídias apropriaram-se mais uma da outra ao longo da história; é uma troca mútua de referências e citações. ) I – Ainda no início do século XX, mais do que representar, os dadaístas reapresentavam os objetos do cotidiano enquanto obras de arte. II – Jornais, anúncios publicitários, fotografias, posters, escrita manual e impressão mecânica são elementos usados pelos dadaístas e surrealistas em suas fotomontagens. III – A pop art tinha como proposta estética o reaproveitamento de situações cotidianas da cultura de massa, como os quadrinhos, as fotografias de moda e os objetos de consumo. Quanto a essas afirmativas, assinale a alternativa correta. e) Todas as afirmativas estão corretas. RESPOSTA CORRETA Tudo cabia dentro das montagens dadaístas, que influenciaram a pop art dos anos 1960 e, depois, a cultura do remix, onde a apropriação dos elementos culturais para a construção de mensagens midiáticas tornou-se prática corriqueira de milhões de pessoas nas redes sociais. I – No remix, ocorre um processo intersemiótico, que envolve signos de códigos e áreas distintas para a produção de um novo significado, diferente dos anteriores. II – A música dub jamaicana e o rap estadunidense da década de 1970 são considerados fundadores da cultura remix, antes mesmo da palavra remix se popularizar. III – Embora tenham processos parecidos, a produção jornalística não tem por hábito usar o remix em suas mensagens, mesmo no século XXI. Quanto a essas afirmativas sobre o remix, assinale a alternativa correta. b) Somente as afirmativas I e II estão corretas. RESPOSTA CORRETA O remix é um processo intersemiótico adotado em larga escala na comunicação. É correto afirmar que: d) O prazer do reconhecimento depende de uma dada comunidade interpretativa entender as referências utilizadas nas mensagens e, com isso, ter maior facilidade de memorizar determinada informação, tanto em linguagem verbal como não verbal. RESPOSTA CORRETA O meme, originário da biologia, é usado com frequência nas redes sociais, inclusive no jornalismo, e é reconhecido pela reserva de formas e objetos de nossa mente, que busca, constantemente, a comparação do visto com o já visto, num processo de cognição incontrolável de nosso cérebro. O remix, embora presente desde a década de 1960, tem a expressão "cultura do remix popularizada a partir dos anos 2000, com a expansão das mídias digitais no mundo. I – Os modos de apropriação das imagens da arte na comunicação propostos por Santaella (200 passam a ocorrer, de fato, a partir da popularização das tecnologias digitais, na década de 2000. Até então, era muito difícil uma revista jornalística, por exemplo, usar uma imagem de capa que remetesse a um filme ou a uma obra de arte por medo de que os leitores não entendessem a referência reapropriada. II – As montagens realizadas na mídia a partir de imagens das Artes Plásticas precisam atentar para o repertório de seu público, caso contrário, não haverá, de fato, comunicação e entendimento. III – Incorporar referências de ícones da arte moderna e pós-moderna, do cinema e da música para a veiculação de mensagens midiáticas é uma prática que nunca foi comum no jornalismo de revista brasileiro, haja vista o pouco repertório artístico dos brasileiros que consomem as mídias de massa, e a descrença, por parte dos jornalistas, de que seus leitores entenderiam a proposta de seus trabalhos, mesmo que baseados em ícones populares. Quanto a essas afirmativas, assinale a alternativa correta. e) Somente a afirmativa II está correta. RESPOSTA CORRETA As apropriações de elementos do Cinema, das Artes Plásticas e outras artes passam a ocorrer com mais frequência na fotografia e no cinema; após, na televisão e nos computadores, seja no Brasil ou no resto do mundo. 10- Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Caracterizar as diferentes correntes da semiologia e sua aproximação à comunicação. · Analisar os elementos do signo aplicados às mensagens. · Identificar a leitura semiótica de um texto imagético comunicacional. Proposta no início do século XX como ciência, a semiologia é uma das correntes de estudo mais populares na comunicação no Brasil. Oriunda da linguística e da filosofia, propõe métodos de análises de textos, imagens, sons e vídeos, a partir do signo, seu conceito mais importante. É também uma ferramenta fundamental para a leitura das mensagens midiáticas verbais e não verbais. Entender os conceitos semiológicos também ajuda você a compreender o processo de comunicação e a produção de significados a partir da criação de qualquer conteúdo a ser veiculado em mídias. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá como a semiologia surgiu e as diferentes correntes que foram criadas ao longo do século XX. Entenderá os elementos utilizados para a análise semiológica e, por fim,verá a sua relação com a comunicação na leitura de imagens midiáticas. A charge é um tipo de texto que tem a função de provocar a reflexão sobre uma notícia. Para isso, o chargista precisa articular o texto escrito com imagens para provocar uma leitura conotativa nos leitores, sem esquecer os traços denotativos, que façam estes identificarem as linhas desenhadas como objetos pertencentes ao código não verbal de uma comunidade interpretativa: A Dica do Professor é sobre a semiótica, linha teórica que é o tema dessa disciplina. Se você tem dificuldade em entender alguns dos conceitos e termos usados nessa Unidade de Aprendizagem, não tenha medo em dizer, isso é comum. Proposta no início do século XX como ciência, a semiologia é uma das correntes de estudo mais populares na comunicação no Brasil. Oriunda da linguística e da filosofia, propõe métodos de análises de textos, imagens, sons e vídeos, a partir do signo, seu conceito mais importante. É também uma ferramenta fundamental para a leitura das mensagens midiáticas verbais e não verbais. Entender os conceitos semiológicos também ajuda você a compreender o processo de comunicação e a produção de significados a partir da criação de qualquer conteúdo a ser veiculado em mídias. No capítulo Elementos de semiologia aplicados às mensagens midiáticas, da obra Teoria da Imagem, você verá como a semiologia surgiu e as diferentes correntes que foram criadas ao longo do século XX. Entenderá os elementos utilizados para a análise semiológica e, por fim, verá a sua relação com a comunicação na leitura de imagens midiáticas. Considere as afirmações a seguir a partir da obra de Peirce na semiótica: I - O signo é perceptível na realidade concreta e é por meio dele que fazemos a análise semiótica. II – A semiótica, ciência lógica e filósofica, estuda os signos e seus interpretantes. III – Dos três elementos definidos pelo autor, o objeto é aquele que é representado pelo signo. Marque a alternativa correta: a) Somente a alternativa III está correta. RESPOSTA CORRETA Para Peirce, a importância da semiótica está em estudar o processo que ele chama de semiose, situação sígnica que ocorre na leitura dos signos, baseados sempre no texto. Leia as afirmações e indique a opção correta entre as alternativas: I – O signo, em Barthes/Saussure, é uma estrutura de dois lados que contém o significante e o significado. II – O significante é o traço que percebemos de um dado texto, como as linhas de uma fotografia ou as frases de uma notícia de jornal. III – O significado se dá no plano do conteúdo e é formado a partir do repertório de cada pessoa que lê os signos em questão. Assinale a alternativa correta: b) Todas as alternativas estão corretas. RESPOSTA CORRETA O significante é o que há de mais palpável nos signos, embora também seja uma ideia mental, não existente na realidade, assim como o significado, segundo Barthes. Leia as afirmações: I – O processo de leitura dos signos e de produção de significados, em Barthes e Saussure, se chama significação. II – A semiose, em Peirce, é o nome dado à situação sígnica do qual a semiótica estuda. III – Semiótica e semiologia são nomes dados a correntes distintas de pesquisa com os signos. Assinale a alternativa correta: b) As alternativas I e II estão corretas. RESPOSTA CORRETA Mesmo sendo de correntes distintas de pensamento, a partir de 1969 fez-se consenso em usar semiótica e semiologia como sinônimos. EXERCÍCIOS 4) Sobre as leituras denotativas e conotativas na semiótica, afirma-se: I – Leitura denotativa é aquela que capta os traços verbais das palavras, enquanto a leitura conotativa interpreta os não verbais, como as imagens e o sons. II – Ler os signos de maneira denotativa, ou seja, de maneira literal, é fundamental para garantir o encontro que é a comunicação. III – Levantar as cadeias significantes de representações subjetivas e significados segundos é o que define a leitura conotativa. Assinale a alternativa correta: d) As alternativas II e III estão corretas. RESPOSTA CORRETA A leitura denotativa capta os traços dos textos, não importando qual sejam eles. – Uma leitura denotativa começaria da esquerda para a direita e logo chegaria nas três pessoas no centro da imagem, duas delas com armas em punho apontadas para outra pessoa, de joelhos, mãos na cabeça. Um chão de um lugar vazio, com sujeira, colunas marrons à mostra nos cantos da imagem que seguram um teto na qual as pessoas se encontram são outros traços denotativos percebidos. II – Uma leitura conotativa poderia prever que as duas pessoas com armas apontadas são policiais que estariam prestes a matar a terceira, jornalista, que ao noticiar informações contrárias às polícias locais foi preso. III – Há conectores que indicam sujeira na imagem, como as colunas com pintura descascada, lascas e restos de objeto no chão onde a terceira pessoa está ajoelhada, e violência, como as armas apontadas, o olhar das pessoas que as seguram, as roupas preparadas para conflitos com coletes, bonés, óculos escuros e outras armas na cintura. Assinale a alternativa correta: b) As alternativas I e II estão corretas. RESPOSTA CORRETA Lembre-se dos limites da interpretação: mesmo que existam conotadores que nos façam criar significados dos mais distintos, certas informações deduzidas podem ser irreais, podendo necessitar de outras fontes para checagem. Neste Desafio, esqueça por algum tempo os textos das chamadas, atentando apenas ao nome da revista, seu número e a imagem que ilustra a capa. Fique atento aos sinais e traços que a imagem traz, e aos conotadores nela situados. Descreva, em texto, suas formulações de leitura. A partir da imagem, faça uma leitura denotativa e outra, conotativa. A partir do conhecimento dos noticiários políticos dos últimos anos, é possível desdobrar outra cadeia de significados, como indignação, raiva, roubo, entre outros. MINHA RESPOSTA NA PARTE SUPERIOR IDENTIFICAMOS O NOME DA REVISTA "PIAUÍ", O NÚMERO DO EXEMPLAR E SUA PERIODICIDADE MÊS DE JANEIRO. LOGO ABAIXO HÁ DOIS HOMENS SE BEIJANDO AMBOS GRISALHO USANDO TERNO E GRAVATA, O HOMEM A DIREITA USA ÓCULOS E PARECE COLAR UM ADESIVO NAS COSTA DO OUTRO. CONOTATIVO: NA PARTE SUPERIOR IDENTIFICAMOS O NOME DA REVISTA "PIAUÍ", O NÚMERO DO EXEMPLAR E SUA PERIODICIDADE MÊS DE JANEIRO. LOGO ABAIXO HÁ A IMAGEM DO POLÍTICO MICHEL TEMER BEIJANDO UM OUTRO POLITICO DANDO A IMPRESSÃO QUE O BEIJA É PARA ENGANÁ-LO ENQUANTO COLOCA UM ADESIVO EM SUA COSTAS. 11- ELEMENTOS DAS MENSAGENS MIDIÁTICAS. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Reconhecer os elementos componentes de diferentes tipos de mensagens midiáticas. · Analisar mensagens midiáticas baseadas em imagens, como as fotografias jornalísticas. · Averiguar a influência das tecnologias na composição das mensagens midiáticas. As mensagens veiculadas nas mídias estão por todos os lados: na televisão, no rádio, nos jornais e revistas e, ainda, na multiplicidade de fontes que a Internet nos apresenta. São tantas, e vindas de tantos lugares, que, às vezes, não é refletido como elas são compostas, quais os traços que as identificam, qual das tecnologias usadas para difundir as mensagens a influência ao longo da história e como elas podem ser lidas a partir da Semiótica e da Teoria da Imagem. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará os elementos das mensagens midiáticas. Ainda, irá aprender a reconhecer o que compõe uma mensagem fotográfica, analisar as influências da tecnologia na composição das mensagens, em especial, a criação de novas mídias, e como as circunstâncias de comunicação são indissociáveis das mensagens veiculadas. Todo ato de comunicação é um processo que, de modo geral, traz três elementos: emissor, mensagem e receptor. É parte do procedimento humano identificar e distinguir objetos, elementos, estruturas, para, então, aprofundar, descrever, detalhar. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1) Leia asseguintes afirmações: I – A mensagem pode ser caracterizada como o movimento do emissor em direção ao receptor através de um conjunto estruturado de signos. De forma resumida, também é possível dizer que ela é o conteúdo da comunicação. II – As mensagens são configuradas a partir de um ou mais códigos, de um ou mais canais, de uma ou mais linguagens, verbais ou não. III – A mensagem é o componente mais importante no processo de comunicação e, como tal, deve ser analisada de forma isolada, sem nenhuma relação com o emissor, com o receptor ou com o canal. Diante do exposto, aponte a alternativa correta. b) Apenas I e II estão corretas. RESPOSTA CORRETA Todo o processo de divisão de elementos só funciona para darmos conta de analisarmos a estrutura completa. Não podemos dividir a comunicação em partes isoladas na realidade. A mensagem é um dos elementos mais estudados no processo de comunicação. Sobre a mensagem midiática, podemos afirmar que: I - Ela é o elemento com traços perceptíveis no mundo externo. A ideia que temos desses traços é de qe estes deixam de ser a mensagem e se tornam o significado. II - As circunstâncias alteram apenas o significante de uma mensagem midiática, não o significado. III – Dizer Olha ali um porco! produz significados diferentes se falada em uma mesa com amigos ou em uma fazenda. São circunstâncias das mensagens: d) III. RESPOSTA CORRETA As circunstâncias, muitas vezes, provocam alteração nas mensagens, sobretudo nos significados. Sobre a mensagem fotográfica midiática, é correto afirmar que: I – Nela, coeexistem uma mensagem denotada e uma conotada, o que que permite leituras diversas a partir dos repertórios históricos e culturais de cada um. II- A fotografia funcionou, desde seu princípio, imitando o real e, até hoje, é considerada umas das linguagens mais objetivas para se representar a realidade. III – A fotografia traz, em sua concepção, elementos que podem questionar a sua objetividade. Diante do exposto, aponte a alternativa correta d) Todas as afirmações estão corretas. RESPOSTA CORRETA A objetividade é um ideal, nunca é plenamente atingida. Mesmo na fotografia, há construção. Sobre a contribuição de Marshall McLuhan para o entendimento da mensagem midiática, é possível afirmar que: e) Professor de Literatura, McLuhan ganhou repercussão a partir dos anos 1960, dizendo que o meio é que configura e controla a proporção e a forma das ações e associações humanas ao longo da história. RESPOSTA CORRETA Em Os meios de comunicação como extensões do homem, Marshall McLuhan tornou-se conhecido a partir de uma ideia que nas década seguintes tornaria-se bastante popular na comunicação, especialmente a partir da Internet, quando a tecnologia digital passou a ser ainda mais presente na vida das pessoas. Leia as seguintes afirmações: I – No jornalismo, a trucagem (ou montagem) é um elemento pouco usado nas mensagens midiáticas, pois traz descrença e perda de credibilidade. II – Os objetos são muito utilizados na concepção de uma mensagem jornalística fotográfica para dar (ou tirar) credibilidade da pessoa ou do fato retratado. III – Os softwares de edição de imagem atuam num segundo momento da conotação, ou seja, no processo de edição realizado para a publicação de mensagens midiáticas Diante do exposto, aponte a alternativa correta. e) Apenas II e III estão corretas. RESPOSTA CORRETA Você é escalado por um jornal para fazer a cobertura fotográfica do carnaval de rua da sua cidade. Além disso, você acabou de sair da aula de Semiótica e de Teoria da Imagem e está com alguns conceitos na mente. Por conta disso, quer fazer boas escolhas dos elementos que irá inserir em suas mensagens midiáticas em fotografia. Entretanto, quando conversa com seu editor, ele lhe pede para que você se atenha aos fatos, buscando por fotos “objetivas” do que aconteceu. Você lembra das aulas, em especial, do francês Roland Barthes, e de sua proposta de leitura da mensagem fotográfica, das diferenças entre mensagem conotada e denotada. Você deve apresentar uma foto do carnaval que atente ao objetivo principal: mostrar o que está acontecendo, ou seja, que haja significantes que limitem as interpretações conotativas. Lembre-se de que não existe denotação pura nas fotografias jornalísticas, mas algumas situações permitem leituras mais objetivas do que outras. Você poderá produzir, montar, desenhar ou, até mesmo, pesquisar uma imagem de carnaval que atenda a proposta. Caso você busque na Internet, não esqueça de dar os créditos. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO Você pode apresentar fotos que mostrem os acontecimentos do carnaval, como blocos desfilando, conflitos, bate-bocas, baterias em ação, etc, além de fotos com signos mais conotativos, como as feitas a partir do estetismo ou da fotogenia. Veja: A foto retrata, em primeiro plano, um carro de som com diversas pessoas em cima, com microfones e instrumentos. Em segundo, uma multidão de pessoas acompanhando o carro de som, além diversos vendedores ambulantes, em uma rua de uma cidade brasileira. Mais do que focar em signos conotativos, essa foto mostra um acontecimento (o desfile de um carro de som no carnaval) e dá elementos da imagem, como um panorama do que está acontecendo. MINHA RESPOSTA arquivo enviado. MEUS ARQUIVOS 16 bloquinhos infantis para pular o Carnaval 2020 com a família.docx 12- PROCESSO DE LEITURA DAS MENSAGENS MÍDIATICAS Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Compreender o processo de leitura de diferentes tipos de mensagens midiáticas. · Identificar as etapas da leitura das mensagens em textos midiáticos. · Apontar as transformações na leitura da mídia ao longo da história. Em um mundo cada vez mais permeado de imagens e textos em circulação nas diferentes mídias, entender como ocorre, de maneira detalhada, o processo de leitura de uma mensagem midiática, tem se tornado cada vez mais importante. Jornalistas, em especial, precisam compreender as etapas de decodificação de uma mensagem para conseguirem fazer uma leitura rápida e crítica das diversas informações que circulam pelas mídias, separarando o que é confiável e tem correspondência com a realidade, do que é pura ficção. Esse também é um objetivo – e uma necessidade profissional – fundamental para a produção de informação em texto, foto e vídeo, que tenha relevância para a sociedade e que atenda ao interesse público. Nessa Unidade de Aprendizagem, você verá como se dá o processo de leitura das mensagens produzidas pelas mídias, quais as mudanças ocorridas com os avanços das tecnologias digitais e, por fim, como é possível estabelecer relações coerentes entre o que aparece nas mídias e a realidade do mundo fora dela. Transformações na leitura de mídia e nas linguagens ao longo da história, com a evolução da tecnologia. A linha do tempo a seguir mostra as transformações e a proliferação das mídias do século XVIII até os dias atuais. As fake news (notícias falsas) têm se proliferado com a presença das redes sociais digitais em todos os lugares e dispositivos. Como detectar se uma informação é falsa ou verdadeira? Estudante de jornalismo, Maria Eugênia estava em seu computador olhando perfis em redes sociais e lendo notícias aleatórias, sem sono. já passava das 2 horas e ela precisava acordar às 7 horas. Num link postado por um amigo no Facebook, ela se deparou com a notícia da morte de uma grande atriz dos Estados Unidos em um blog. Ávida por espalhar a notícia e cansada para verificar outras fontes como seus professores da faculdade tinham lhe ensinado, Maria postou a informação em todas as suas redes sociais. Em questão de minutos, ganhou muitos likes, comentários e diversos compartilhamentos. Maria Eugênia provavelmente havia sido uma das primeiras brasileiras a postar a informação nas redes. Foi dormir às 4 horas, cansada, mas feliz com a repercussão de suas postagens. Algumas horas depois, às 8 horas, atrasada para sua aula, ela acordou e checou suas redes sociais. Percebeu que muitas pessoas passaram a duvidar da veracidadeda informação e a comentarem nas suas postagens. Então, ela lembrou das suas anotações, em que escreveu as dicas de seus professores da faculdade: Depois de seguir alguns dos passos anotados e não encontrar nenhuma fonte confiável que trouxesse informações verificáveis sobre a morte da atriz, se convenceu: era um boato. Sentiu-se péssima por espalhar uma mentira em suas redes, buscou o quadro que seus professores tinham lhe passado em aula e fez uma promessa: ia imprimir o quadro e deixar na mesa de seu quarto, para nunca mais esquecer de checar a fonte sobre alguma notícia nas redes. leitura semiótica proposta por Barthes (1992), Santaella (1983) e Peruzzolo (2004), entre outros, ajuda você a estabelecer relações coerentes entre o que aparece nas mídias e a realidade do mundo fora delas, buscando melhor correspondência entre os significantes – aquilo que está apresentado – e os significados, ou seja, a representação daquilo que está apresentado. Com base no conteúdo de Semiótica e leitura das mensagens midiáticas, faça uma descrição de sua leitura da imagem, realizando o processo de significação da fotografia em questão, apontando seus significantes e significados mais importantes. Num mundo cada vez mais permeado de imagens e textos em circulação deste século XXI, ler de maneira crítica o que é produzido nas mídias tem se tornado cada vez mais importante para nossas vidas, em especial, na de jornalistas, profissionais que precisam compreender as etapas de decodificação de uma mensagem para separar o que é confiável e tem correspondência com a realidade do que é pura ficção. Estabelecer relações coerentes entre o que aparece nas mídias e a realidade do mundo fora dela é um desafio para se trabalhar com comunicação no século XXI. Para isso, é necessário entender em detalhes como ler informação nos diferentes veículos de hoje. A leitura até o século XVII era ligada a um suporte, o livro, que tem uma forma específica: uma série de páginas impressas, com textos da esquerda para direita, agrupados em páginas que são numeradas e correspondem a uma sequência linear. Não existiam mídias massivas nem generalistas que traziam mensagens de diferentes lugares e que circulavam por diferentes países e línguas, que traziam informações de diversos lugares, como os jornais. Nesse cenário, como e onde se dava o processo de leitura verbal escrita? d) Nas bibliotecas e gabinetes de palácios, lugares onde haviam livros para serem lidos e onde reinava o silêncio para facilitar a concentração. RESPOSTA CORRETA No século XVII, os livros estavam disponíveis principalmente nas bibliotecas de grandes mosteiros, universidades, palácios de governos, gabinetes e em raros domicílios, portanto a leitura ocorria em lugares normalmente silenciosos, retirados, sem muitas distrações, o que contribuía para que a atenção das pessoas fosse direcionada somente aos livros. Porém, a partir do século XVIII, com o aumento da circulação de livros impressos e o começo da popularização dos jornais, foi que os leitores começaram a buscar formas mais livres de ler e lugares coletivos, onde o silêncio não era predominante. Considere as afirmações a seguir: I – É possível dizer que há dois elementos principais na linguagem: as relações de significações, que se organizam de acordo com um conjunto de representações e regras, e os sinais, que suportam um ordenamento específico para produzir significados. II – Para que o outro consiga ler a mensagem, é preciso ordená-la de acordo com convenções gerais da linguagem usada, sendo ela verbal ou não. III – Se não houver ordenamento da mensagem não verbal para que um outro consiga ler, a partir do seu código, não há processo de comunicação. Diante disso, assinale a alternativa correta. d) Todas as afirmações estão corretas. RESPOSTA CORRETA Sem um ordenamento mínimo na hora de compor as mensagens, seja verbal ou não, não há comunicação, apenas ruído. Considere as afirmações a seguir: I – Em uma fotografia jornalística, a linguagem não verbal (imagem) duplica a linguagem verbal (texto), mantendo ambas as relações separadas entre si. II – Mesmo quando sem nenhum texto verbal o acompanha, a fotografia produz significantes em quem a vê. III – A relação estrutural entre imagem e texto verbal, oral ou escrito, é tão presente que uma mensagem visual sem comentário verbal necessita, muitas vezes, de explicação, como, por exemplo, em foto sem título. Diante disso, assinale a alternativa correta. e) Apenas as afirmações II e III estão corretas. RESPOSTA CORRETA A fotografia produz significantes em quem a vê, ainda que em alguns casos uma imagem precise de suporte textual, como por exemplo, foto sem título. Porém, a relação de significação ocorre quando se faz a leitura do sigificante. O texto, em uma fotografia jornalística dentro de um jornal, por exemplo, é submetido à imagem para produzir significado, portanto a afirmação I é a única errada. Considere as afirmações a seguir: I – O conceito de signos afirma que eles são unidades a partir dos quais se entra no jogo de produção de significado, chamado significação. II – Quando lemos uma mensagem midiática, analisamos os signos. São eles que produzem significados, e não o texto. III – A palavra garfo é um signo para o talher com um cabo e três pontas que costumamos usar no dia a dia. Diante disso, assinale a alternativa correta. d) Apenas as afirmações I e III estão corretas. RESPOSTA CORRETA Os signos produzem significação. Um exemplo isso é a palavra garfo, que é um signo para o talher que possui suas características. Os signos não existem na realidade perceptível nos nossos sentidos, apenas a partir de textos, portanto a afirmação II é a única incorreta. Considere as afirmações a seguir: I – Quando se lê casa em uma frase como Minha casa está longe., a palavra casa é o significado, já lar e descanso são os significantes. II – O processo de significação é ativado pela leitura, verbal ou não, do significado do texto. III – Em uma fotografia publicada em jornal, é preciso ler o significante e decifrar o código da mensagem na leitura para produzir significados. Diante disso, assinale a alternativa correta. c) Apenas a afirmação III está correta. RESPOSTA CORRETA Quando o leitor visualiza uma imagem, automaticamente, ele lê o significante e passa a decodificar a mensagem, para que possa chegar ao significado. O significante é a imagem acústica percebida, enquanto que o significado é a ideia que ser forma quando o sujeito lê o significante, portanto, as afirmações I e II estão incorretas. O SIGNO, DEFINIDO POR BARTHES (1992), É UMA ESTRUTURA DE DOIS LADOS: O SIGNIFICANTE, PERCEPTÍVEL, AUDÍVEL NO MUNDO EXTERNO; E O SIGNIFICADO, IDEIA/ PENSAMENTO QUE SURGE QUANDO SE NOTA O SIGNIFICANTE. EXISTE UMA ENTIDADE CONCRETA NA REALIDADE QUE INDUZ A CRIAÇÃO DE UMA IMAGEM (SONORA, VISUAL) CONFORME A LINGUAGEM EM QUESTÃO; O SIGNIFICANTE NÃO SERIA ESSA ENTIDADE, MAS A IMAGEM ACÚSTICA, A IMPRESSÃO PSÍQUICA. “O SIGNIFICADO NÃO É A COISA EM SI, MAS A REPRESENTAÇÃO DA COISA.” (BARTHES, 1992, P. 46.); É COMO UM OUTRO MOMENTO DO PROCESSO DE DAR SENTIDO A UM TEXTO. A leitura semiótica proposta por Barthes (1992), Santaella (1983) e Peruzzolo (2004), entre outros, ajuda você a estabelecer relações coerentes entre o que aparece nas mídias e a realidade do mundo fora delas, buscando melhor correspondência entre os significantes – aquilo que está apresentado – e os significados, ou seja, a representação daquilo que está apresentado. Com base no conteúdo de Semiótica e leitura das mensagens midiáticas, faça uma descrição de sua leitura da imagem, realizando o processo de significação da fotografia em questão, apontando seus significantes e significados mais importantes. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO Significantes: Duas pessoas estão na imagem: em primeiro plano, uma pessoa vestida com um terno marrom e com uma guitarra em punho, um microfone ao lado da pessoa em primeiro plano, no canto esquerdo, aparecendo pela metade. Ao fundo,se vê dois pratos e um bumbo, conjunto de elementos que remetem a uma bateria, instrumento de percussão utilizado comumente em shows de música, e uma pessoa, escondida parcialmente em função da imagem do prato. “Bolhas” encontradas na imagem remetem ao efeito conhecido como “flare”, que ocorre quando o diafragma na câmera está bastante aberto e apontado para outros focos de luz (no caso, luzes que estão iluminando as duas pessoas no palco), o que resulta em um tipo de reflexo que aparece em forma das bolhas citadas. Significados: As duas pessoas na imagem estão no que parece ser um palco, dado a presença de luzes azuis que remetem à de casa de shows ou festivais, da posição de ambos, um guitarrista à frente e um baterista atrás, localização comum de shows de música pop/rock, e das “bolhas” citadas como significantes, efeito comumente produzido pela fotografia noturna de shows. É uma imagem que designa um momento de ação, em que as duas pessoas - provavelmente há mais integrantes da banda que não estão na imagem - estão tocando uma música, com a pessoa à frente como condutora do concerto para uma plateia que não é vista. MINHA RESPOSTA SIGNIFICANTE: PERCEPTÍVEL – IMAGEM DE UM HOMEM COM UMA GUITARRA EM PRIMEIRO PLANO E UM HOMEM EM UMA BATERIA EM SEGUNDO PLANO SIGNIFICADO:IDEIA/ PENSAMENTO QUE SURGE QUANDO SE NOTA O SIGNIFICANTE – MESMO SEM LEGENDA POSSO CONCLUIR QUE NA IMAGEM QUEREM DESTACAR A PESSOA DO GUITARRISTA, SENDO ELE O DESTAQUE DA INFORMAÇÃO. 13- IMAGEM COMUNICAÇÃO E CULTURA Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Introduzir a noção de cultura para os estudos da semiótica. · Apontar a natureza social do processo comunicativo. · Identificar o papel do contexto na interpretação da imagem. A noção de cultura é comumente empregada para designar toda forma de expressão humana. Para os estudos da Semiótica da Cultura (SC), também chamada de Escola de Tartu-Moscou (ETM), a cultura é caracterizada como um sistema de sistemas, isto é, como um sistema constituído por vários sistemas de signos. Sobre esse tema, é importante compreender que, na visão de Lotman, um dos representantes mais famosos desse campo de estudo, os sistemas de signos devem ser investigados no tempo e espaço em que surgiram e não de maneira abstrata. Desse modo, o conceito de contexto é relevante para perceber a dinâmica dos sistemas culturais, os quais elaboram mundos de cultura próprios. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre a noção de cultura, refletida pelos estudos da Semiótica da Cultura (SC), identificar a comunicação como um processo fundamentalmente social e compreender o papel do contexto na interpretação da imagem. A semiótica da cultura se volta para compreender os signos a partir da consideração da ampla área da cultura. Assim, conforme a reflexão proposta pelos estudos semióticos da cultura, os signos podem assumir diversos significados conforme os numerosos contextos culturais. Essa reflexão é fundamental para que se possa entender que os signos podem assumir significações diferentes nos mais diversos contextos culturais. Desse modo, os signos não devem ser avaliados de forma isolada, mas a partir de um contexto amplo, abrangente e que permita uma outra leitura interpretativa. O debate sobre a cultura como um espaço de produção da semiose, isto é, como o lugar que está organizado por meio de sistemas semióticos, foi proposto pelos estudiosos da Semiótica da Cultura. Também conhecida pela nomeação Escola de Tartu-Moscou (ETM), a tradição teórica dos pesquisadores da antiga União Soviética abrange uma variedade de discussões sobre os aspectos filosóficos, sociais e tecnológicos que incidem sobre a produção dos sentidos dos signos e marcam, por conseguinte, os processos comunicativos de uma cultura. Os semioticista russos propõem uma investigação sobre as representações culturais, as quais são observadas como construções que vão muito além das formas estruturais da língua. Na visão deles, o sistema da cultura se organiza e se desenvolve em diversos sistemas de signos, tais como: o gestual, o visual, o sonoro, o arquitetônico, o gráfico, o verbal, etc. No Capítulo Imagem, comunicação e cultura, da obra Teoria da Imagem você verá discussão sobre a cultura, proposta pela Escola de Tartu-Moscou (ETM), e sobre a natureza social da comunicação. Durante a leitura, é importante que você entenda o papel do contexto na interpretação da imagem. A partir das reflexões de Bakhtin e Bakhtin/Volochínov, é apontado o que é preciso fazer uma leitura crítica – uma interpretação – do signo visual que considere pelo menos elementos como a situação concreta, o auditório e a entonação. Qual a definição trazida abaixo que corretamente define a noção de cultura para a Semiótica da Cultura (SC)? e) A cultura é um sistema de sistemas semióticos. RESPOSTA CORRETA A cultura é tomada pelos estudiosos da SC como um sistema constituído por vários sistemas (subsistemas) de signos. O que foi a Semiótica da Cultura (SC)? Marque a alternativa CORRETA. e) Foi um campo formado por estudiosos russos que formou uma teoria não unificada sobre a cultura a partir da reflexão sobre os sistemas de signos. RESPOSTA CORRETA A Semiótica Cultural, também conhecida como Escola de Tartu-Moscou, faz parte do campo de estudo da cultura associado à semiótica. A respeito da noção de comunicação, marque a alternativa CORRETA. c) A comunicação é social e se relaciona às mudanças operadas pelo homem na história. RESPOSTA CORRETA A comunicação é, por natureza, social. Assim, seja esse processo uma fala interior e/ou direcionada a um outro fisicamente presente no espaço, ela sempre se dirige a um outro. Além disso, nas várias formas de comunicar e representar, considera-se os muitos outros sentidos que fazem parte da memória social coletiva partilhada entre os indivíduos. Qual noção elaborada pelas reflexões "bakhtinianas" que é retomada pela Escola de Tartu-Moscou, em virtude da importância que trouxe para a compreensão do processo comunicativo como fundamentalmente social? b) Dialogismo. RESPOSTA CORRETA A noção do dialogismo bakhtiniano é fundamental para os estudos promovidos por Lotman na Escola de Tartu-Moscou (ETM), uma vez que trata do processo comunicativo como eminentemente social e dialógico. Dito de outro modo, o dialogismo não se restringe a uma simples troca de réplicas, mas a ideia de que uma fala por nós pensada e proferida faz parte da corrente ininterrupta da comunicação. Durante o processo de interpretação da imagem, o contexto é o ponto de partida indispensável para uma leitura crítica dela. Qual das terminologias abaixo caracteriza mais adequadamente o contexto? e) Situação social. RESPOSTA CORRETA A situação social ou as condições reais que permitiram o surgimento do enunciado, é a que mais adequadamente define de maneira geral o contexto. COM O DESENVOLVIMENTO DA TECNOLOGIA E O AVANÇO DAS REDES SOCIAIS, PASSOU A SER DE USO COMUM A VEICULAÇÃO DE IMAGENS SEPARADAS POR UMA LINHA MEDIANA DE MARCAÇÃO TEMPORAL DO PASSADO E DO PRESENTE. O ANTES E O DEPOIS SE TORNARAM CIRCUNSTÂNCIAS FREQUENTEMENTE RETOMADAS PARA CARACTERIZAR UM ASPECTO FÍSICO E VISUAL, UMA SITUAÇÃO, UM ACONTECIMENTO, UM OBJETO, UM ESTILO DE VIDA, ENFIM, AS DIVERSAS MUDANÇAS QUE PODEM FAZER PARTE, OU JÁ FAZEM, DA VIDA DE CADA SUJEITO. NO CASO DE PROMOVER A ADESÃO A UM PRODUTO, FINALIDADE FREQUENTE DA PUBLICIDADE COMERCIAL, OBSERVAMOS QUE A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM NUMA LINHA TEMPORAL ESPECÍFICA TAMBÉM OCORRE. A RESPEITO DESTA DISCUSSÃO, OBSERVE AS IMAGENS ABAIXO: IMAGEM ANTES E DEPOIS A partir do que foi exposto, faça uma reflexão sobre qual a importância que a leitura da imagem a partir de outra imagem prévia, a qual àquela vem associada, tem na construção do sentido do signo visual. Aponte também sobre como esse movimento temporal sobre a produção da imagem influencia na constituição de uma memória cultural global sobre os valores da nossa época. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO Inicialmente, é importante apontar que as imagensprévias passam a funcionar como parte do contexto ou, conforme o caso, o único contexto que é possível de ser retomado pelo espectador/leitor, na mensagem elaborada pelo signo visual. O uso de uma imagem como contexto de outra e sua organização em uma determinada sequência, possibilita a produção de um sentido relacionado a uma relação de causalidade, implicação e/ou atribuição. Dito de outro modo, passa-se a ler a segunda ou última imagem a partir de uma primeira, uma anterior, do passado, porque é nesta última que a imagem do presente ou da posterioridade se tem origem. Embora seja consolidado que não há como falar em signo sem falar de contexto, uma vez que os sistemas de signos são culturais e devem ser compreendidos a partir de um tempo e espaço concreto, o acesso que o espectador/leitor tem sobre essas imagens se reduz frequentemente a um produto final que é veiculado na Internet, pelos internautas, por exemplo. Mesmo assim, a construção do signo visual a partir dessa linha temporal deixa muitas pistas sobre os sentidos potencialmente construídos: O que é possível depreender a partir da leitura dessas imagens é o seguinte: a relação temporal entre um antes e um depois criada na mensagem do signo visual contribui para a existência de um contexto imagístico que vai além do verbal, contexto esse que retoma a memória cultural que os indivíduos compartilham sobre as convenções adotadas, isto é, sobre quais ideias a respeito de estética, saúde, bem-estar, moradia, hábitos, etc. são favoráveis a serem adotadas. E, caso essas convenções ainda não façam parte de um conjunto de informações transmitidas e acumuladas por um dado grupo social, a veiculação constante desse tipo de construção imagética pela Internet - por meio de uma tentativa de instituição de uma temporalidade atrelada ao signo visual - acabará por influenciar os conjuntos de signos que fazem parte do tecido sígnico global da nossa época. MINHA RESPOSTA A INTERPRETAÇÃO QUE FAZEMOS DOS SIGNOS SEJAM VERBAIS, PLÁSTICOS, VISUAIS, É MARCADO PELO CONTEXTO CULTURAL E COLETIVO DE CADA SOCIEDADE. A CULTURA MIDIÁTICA E CONSUMISTA DE MASSA, INFLUENCIA O CIDADÃO NAS IMAGENS DO ANTES E DEPOIS, UMA VEZ QUE MEXE COM SENTIMENTOS DE ESTAR MELHOR, O TER ALGO MAIS BONITO, MESMO QUE NÃO SEJA NECESSÁRIO. 14- AS DIVERSAS NOÇOES DE REPRESENTAÇÕES Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Discutir o conceito de representação. · Analisar a crise da representação. · Identificar a noção de imagem como ideia e cópia da realidade. · A palavra representação é comumente empregada como sinônimo de signo. Tal definição é bastante comum nos estudos relativos à semiótica da imagem. Contudo, nem sempre essa definição foi atribuída à representação. Na verdade, tanto o uso dessa palavra como a discussão sobre ela tem sido alvo de estudos desde a Idade Média. Assim, enquanto para alguns a representação se caracteriza como uma relação sígnica com alguma coisa, para outros ela é o próprio signo (o seu veículo) ou um ato referencial que une um signo a uma coisa ou, ainda, um signo icônico. · Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as diversas noções de representação, compreender a crise da representação refletida por Michel Foucault e identificar as associações de imagem como ideia e cópia da realidade. Existem dois domínios: o das imagens como representações mentais e o das imagens como representações visuais. Ambos domínios estão inter-relacionados, pois a associação entre a dimensão visual e mental e/ou mental e visual da imagem se dá por meio da noção do signo e da representação. Nos estudos desenvolvidos por Peirce (s/d apud SANTAELLA; NÖTH, 1998 [1997], p. 17), a representação é definida tendo como referência o representamen (o significante). Dito de outro modo, a representação é vista como um “processo de apresentação de um objeto a um intérprete do signo”. Entre aquilo que representa e o ato/a relação de representar, o primeiro se chama representamen e o segundo a representação. 1. Representa = o que representa = representamen 2. O ato/a relação de representar = representação Em resumo: representar é definido como “estar para, quer dizer, algo está numa relação tal como outro que, para certos propósitos, ele é tratado por uma mente como se fosse aquele outro” (PEIRCE, v. 2, p. 273 apud SANTAELLA; NÖTH, 1998 [1997], p. 17). O debate sobre a representação da imagem tem sido alvo de destaque em diversas disciplinas, tais como a semiótica e ciência cognitiva. Embora investigando a representação da imagem por meio de enfoques diversos – a primeira trabalha com representações cognitivas, que são signos, e a segunda analisa os modelos de processos cognitivos – suas análises se cruzam no estudo do signo e da sua representação mental. É importante destacar que quando se fala em imagem se pensa inicialmente em dois domínios: o material, constituído pelas representações visuais, e o imaterial, representações mentais. Ambos, contudo, estão inter-relacionados e nos ajudam a entender a representação como um processo fundamental humano de elaborar significados. No Capítulo As diversas noções de representação, imagem e realidade da obra Teoria da Imagem você acompanhará a história sobre as diversas noções de representação e compreenda a sua definição como signo tomado pelos estudos da semiótica sobre a imagem. Durante a leitura, você lerá sobre a crise da representação para entender como a relação de cópia entre o signo e o objeto, herança do Classicismo, foi modificada até chegarmos à relação de arbitrariedade entre signo-objeto. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- Qual a alternativa abaixo define corretamente a representação tomada por Pierce? E o que é possível pensar a respeito de tudo isso? O ato de representar o homem coloca-o numa relação específica com o outro. Essa relação pode se dar a partir de múltiplas formas e de certos propósitos. No entanto, o que se observa é que a partir da produção e do uso constante de uma representação específica ao longo do tempo, isto é, de uma relação sígnica específica, certas representações passam a ser tornar mais comuns que outras. É por isso que quando se pensa no representamen homem, algumas representações veem à tona na nossa mente e não outras. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- Qual a alternativa abaixo define corretamente a representação tomada por Pierce? e) A representação se dá pela relação entre signo e objeto. RESPOSTA CORRETA A conceituação da representação por meio da relação entre o signo e o objeto como um processo de apresentação de um objeto a um intérprete de um signo é a tomada pelo filósofo norte-americano Charles S. Peirce. A respeito da crise da representação elaborada por Foucault, marque a alternativa que retoma corretamente o que o pensador francês debate. d) A partir do século XIX, a história passa a interferir no processo de representação. RESPOSTA CORRETA Nesse período a ordem das coisas deixa de ser elaborada pela razão da lógica e passa a ser fundamentada pela evolução e historicidade das coisas. Como se caracterizam os domínios imagísticos tratados nos estudos das imagens como inter-relacionados? Marque a alternativa CORRETA. d) O domínio das representações mentais e o das representações visuais. O primeiro é imaterial. Fazem parte dele as visões, fantasias e imaginações. O segundo é material. Pertencem a ele os desenhos, as pinturas, as gravuras, as fotografias, as imagens televisivas, etc. RESPOSTA CORRETA O domínio das representações mentais e o das representações visuais. O primeiro é material e fazem parte dele as visões, fantasias e imaginações. O segundo é imaterial, pertencem a ele os desenhos, as pinturas, as gravuras, as fotografias, as imagens televisivas, etc. Marque a alternativa CORRETA a respeito da imagem como ideia. c) Para Aristóteles, o nosso pensamento se operava por imagens. RESPOSTACORRETA Para Aristóteles, as imagens apareciam com um significado bem maior na construção do pensamento, pois não havia como pensar sem imagens. Complete corretamente o seguinte enunciado: "A associação da imagem como representação da mente é um tema que circula da semiótica à ciência cognitiva. Assim, cabem a semiótica e a ciência cognitiva estudar principalmente...". Complete corretamente o seguinte enunciado: "A associação da imagem como representação da mente é um tema que circula da semiótica à ciência cognitiva. Assim, cabem a semiótica e a ciência cognitiva estudar principalmente...". a) "...as representações cognitivas, vistas como signos, e os modelos de processos cognitivos, respectivamente." RESPOSTA CORRETA "...as representações cognitivas, vistas como signos, e os modelos de processos cognitivos, respectivamente." Durante a história da filosofia até a atualidade, o tema da representação foi frequentemente retomado, definido e discutido a partir de perspectivas diversas. Essa palavra comporta, assim como muitas outras, memórias dos teóricos que a estudaram, assim como significados numerosos. Apesar de carregar uma ampla carga de significação teórica, essa noção, seja entendida a partir da relação entre o pensamento e a linguagem, seja a partir da relação entre o signo e o objeto, nos permite ponderar sobre a preocupação do homem em refletir sobre a capacidade humana de significar o mundo. A esse respeito, observe as imagens a seguir: MOEDAS DESENHO(DINHEIRO) + MOEDAS REAIS (CARACTERIZOU) Dentre as noções que estudou a respeito de representação, você encontra a de referência, a de apresentação e a de signo icônico. Na representação como referência, toma-se em consideração a ideia de uma designação atribuída pelo representamen. Na representação como apresentação, algumas características do objeto referenciado são destacadas ou mitigadas. Na representação como signo icônico, existe uma relação de similitude com o seu objeto. O que representa a imagem 1? Considerando a imagem 2, que tipo de representação podemos afirmar que ela realiza da imagem 1? Apresente o seu ponto de vista no final da sua reflexão sobre a representação como ícone/referenciação/apresentação. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO É importante apontar, inicialmente, que a representação é uma atividade humana de significação de si, do outro e do mundo. Desse modo, ela se relaciona com o contexto e experiências de cada interpretante, por isso que há representações distintas de um mesmo objeto; e é por isso também que uma mesma imagem pode ser interpretada de forma diferente. Isso vale para a linguagem visual e para a verbal – no caso citado do enunciado, a expressão representação adquiriu diversas conotações ao longo da história conforme as perspectivas teóricas e questões colocadas pelos estudiosos. Primeiramente, é importante apontar que a imagem 1 é tomada aqui como um ícone do dinheiro. A imagem 1 é, portanto, uma representação icônica porque se assemelha ao objeto empírico, concreto, representado que é a moeda, comumente usada como pagamento em boa parte das sociedades em que vigora o sistema capitalista (ou alguns de seus princípios econômicos). Contudo, a imagem 2 representa a imagem 1 não como um signo icônico: aquela faz referência ao uso que os sujeitos fazem não só da moeda, mas do dinheiro em geral. A moeda acumulada representa na imagem 2 o dinheiro – qualquer que ela seja – de maneira mais ampla. Isso significa dizer que além do ato de designar (referenciar) o dinheiro, na imagem 2 este também é representado por meio da função de apresentação. A imagem 2 expressa algumas características de como o dinheiro é usado ou deveria ser usado na sociedade: é preciso que ele seja “salvo”, guardado, acumulado. Esse é o aspecto destacado na imagem; poderiam ser muitos outros, mas o autor optou por apresentar esse em primeiro plano. Dessa reflexão, você pode extrair o seguinte: há representações icônicas dos objetos representados, mas esse tipo de representação não é maioria. No uso que se faz da linguagem, uso que é social, contextual e individual, a representação vai ser uma leitura que faz referência/designa um objeto, mas que em geral apresenta e destaca alguns elementos e suprime outros. Pode-se pensar, assim, que a representação frequentemente abarca não só a atividade de referir, mas a de apresentar em conjunto. E tal relação se associa com a reflexão sobre o signo (objeto-representamen-interpretante) e a relação sígnica apontadas por Peirce. MINHA RESPOSTA O que representa a imagem 1? (DINHEIRO SEJA; CÉDULA, MOEDA) Considerando a imagem 2, que tipo de representação podemos afirmar que ela realiza da imagem 1? AGORA AS CARACTERÍSTICAS SÃO DESTACADAS REFERE-SE APENAS A MOEDAS. O USO DAS MOEDAS TORNOU-SE UMA RELAÇÃO SÍGNICA ESPECÍFICA PARA REPRESENTA DINHEIRO/VALORES/POUPANÇA. 15- QUE É IMAGEM? Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Identificar o panorama geral sobre os sentidos atribuídos à imagem. · Definir a imagem como signo estudado pela semiótica. · Explicar a imagem como signo icônico e signo plástico. A imagem está constantemente presente na nossa vida. Ela corresponde a uma das formas de nos expressarmos e nos comunicarmos, não é mesmo? No entanto, durante a história, vários sentidos têm sido atribuídos à palavra imagem, o que torna difícil atribuir uma simples definição a ela. De perfeição e semelhança, como era vista pela filosofia judaico-cristã, à sombra, por Platão, a imagem é um discurso visual. Para o campo da semiótica, a imagem se caracteriza como um signo que pode trazer diferentes sentidos e que se manifesta de formas muito variadas, tais como, um ícone, índice, símbolo, além de no entremeio e na mistura dessas mesmas classificações. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai refletir sobre o que é a imagem, conhecer algumas noções da semiótica que são importantes para o estudo da imagem como um signo e identificar algumas caracterizações da imagem como signo icônico e plástico. Neste Infográfico, você verá uma interessante tipologia de imagem feita por Mitchell (1986 apud SANTAELLA; NÖTH, 1998 [1997]). Nessa tipologia, o teórico distingue cinco tipos de imagens: imagens gráficas, imagens óticas, imagens perceptíveis, imagens mentais e imagens verbais. Este Na Prática exemplifica o modelo triádico de Peirce (1931-1935) sobre o signo, a partir da leitura de um signo visual muito comum na nossa sociedade que é a fotografia. Mesmo que os signos possam ser vários e numerosos, todos eles apresentam uma estrutura comum (tríplice) que implica numa dinâmica do processo de significação. Essa dinâmica é constituída, segundo Peirce (1931-1935), por um significante (representamen), significado (interpretante) e objeto (referente). Há diversos sentidos atribuídos à palavra imagem. Qual das alternativas abaixo aponta corretamente para a definição atribuída pela semiótica? e) A imagem é um signo visual. RESPOSTA CORRETA Para a semiótica, a imagem é um signo visual. Pierce ainda categoriza a imagem como um signo visual icônico. Como se caracteriza a reflexão sobre o signo proposta por Pierce? Marque a caracterização CORRETA. d) O signo é formado por um representamen, um interpretante e um objeto. RESPOSTA CORRETA Em Peirce, o signo é formado por três elementos: representamen ou significante, objeto ou referente, e interpretante ou significado. Acerca dos diferentes tipos de signos apontados por Pierce, marque a alternativa que corretamente caracteriza o ícone. b) A imagem é um signo icônico, assim como a metáfora e o diagrama. RESPOSTA CORRETA Pierce aponta três tipos de signos icônicos, que são: imagem, metáfora e diagrama. Observe a imagem a seguir. A partir da reflexão trazida por Peirce, que tipo de signo pode definir a relação estabelecida entre a imagem e a palavra "guarda-chuva"? e) Símbolo, porque estabelece uma relação de convencionalidade entre a palavra e a imagem. RESPOSTA CORRETA O símbolo estabelece uma relação de convencionalidade e por isso explicaa imagem ser nomeada pela palavra "guarda-chuva". Imagine que a imagem corresponde a um anúncio publicitário que visa vender produtos relacionados à campanha de inverno de uma marca internacional. A partir da reflexão trazida por Pierce sobre os elementos que constituem a dinâmica de significação do signo, o guarda-chuva identificado na imagem publicitária corresponde a qual dimensão do modelo triádico do signo? e) Representamen. RESPOSTA CORRETA O representamen ou o significante visual retoma o objeto e o representa para o sujeito. Charles Sanders Peirce foi um filósofo norte-americano conhecido por definir o signo a partir das seguintes características: todo o signo é triádico, isto é, para se constituir como signo é preciso de três instâncias que são o (1) significante ou representamen; (2)objeto ou referente; (3) significado ou interpretante. A cooperação entre esses três elementos se obtém a partir do jogo de determinações sucessivas do (1) representamen pelo (2) objeto e do (3) interpretante pelo representamen de forma que o (3) interpretante é determinado pelo (2) objeto por meio do (1) representamen. Essa relação pode ser observada por meio da imagem a seguir: Por meio do modelo triádico elaborado por Peirce, faça a leitura dos signos visuais abaixo e aponte qual elemento: (1) significante ou representamen; (2) objeto ou referente; (3) significado ou interpretante. Cada um pode corresponder, levando-se em consideração o cenário fictício de uma empresa alimentícia. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO Conforme a reflexão elaborada por Peirce sobre o signo, dentro de um cenário de uma rede fast food fantasia chamada Bagueteria, cada um dos signos trazidos na questão corresponde a um dos elementos que constitui a dinâmica de significação da empresa, a qual tem como objetivo vender o seu produto para o consumidor. Primeiramente, é importante apontar que o capitalismo produz sonhos e fantasias, isto é, produtos envoltos por um imaginário de desejo para que o objeto seja consumido sem hesitação. E ainda, para que o objeto seja desejado como o “melhor” ou o “mais gostoso” do que outros, driblando a concorrência das outras empresas. Em segundo lugar, é possível dizer que a empresa Bagueteria representa o objeto ou o referente baguete (signo visual A) por meio de um representamen (signo visual B). O signo visual A corresponde ao objeto ou referente, porque ele é a coisa retomada e representada pela rede fast food Bagueteria. O signo visual B corresponde ao representamen, isto é, a como a empresa representa a coisa ou o objeto que poderia ser um simples baguete.O seu representamen modifica e constrói um baguete que deve ser consumido e o diferencia de um “baguete qualquer”. O signo visual C corresponde ao interpretante, ou seja, traz a ideia de signo na mente de que o recebe. A ideia de interpretante envolve também o impacto ou o efeito emocional que o representamen causa no sujeito que vai recebê-lo. No caso de uma rede fast food, o representamen vai causar no interpretante não só um desejo de fome, mas também pode provocar um desejo que apela para o gosto específico criado e produzido pelo baguete da Bagueteria. MINHA RESPOSTA (1)SIGNIFICANTE OU REPRESENTAMEN = FOTO DO SANDUÍCHE (B) (2) OBJETO OU REFERENTE = SANDUÍCHE (A) (3) SIGNIFICADO OU INTERPRETANTE = SACIAR A FOME DE SANDUÍCHE (C) 16- CONCEITOS DA TEORIA DA IMAGEM Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: · Identificar o campo de estudo da Semiótica. · Explicar o panorama geral dos estudos da Teoria da Imagem (semiótica da imagem). · Descrever algumas concepções sobre o estudo da imagem de Aquino a Peirce. A Teoria da Imagem faz parte do campo da semiótica, o qual se preocupa em estudar os signos.Embora não exista uma tradição literária estável de estudo da imagem – assim como há em relação ao da palavra –, uma reflexão baseada em uma semiótica explícita da imagem traz subsídios para entendermos como o discurso visual é construído e interpretado. A imagem é, assim, um signo que pode remeter a significações diversas de um mesmo objeto. Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá refletir sobre o campo de estudo da semiótica, conhecer a Teoria da Imagem e identificar algumas noções que exerceram influência nos estudos semióticos elaborados por Peirce– em especial, a visão da metafísica da imagem proposta por Aquino. A Semiótica se caracteriza como uma ciência geral que estuda os signos. Influenciada pelos estudos da semiologia estrutural baseados em Saussure, a semiótica passou a ser aplicada na análise da comunicação humana padronizada apenas a partir da segunda metade do século XX. É interessante reconhecer, nesse contexto, que a imagem, embora tenha sido uma importante forma de expressão cultural empregada pelos nossos mais antigos antepassados, não apresenta um domínio literário relativamente estável de estudo. Por muito tempo, os estudiosos dedicaram sua atenção aos textos escritos, isto é, aos signos verbais. No entanto, é a partir da revolução óptica, com o surgimento da fotografia e do cinema, que os signos visuais passaram a ganhar mais atenção e a dominar o mundo antes comandado pela superioridade atribuída às palavras. Acompanhe a história do campo da semiótica e a sua influência nos estudos sobre a imagem. Neste capítulo Conceitos de Teoria da Imagem, da obra Teoria da Imagem, você irá aprender sobre a metafísica da imagem para entender a influência dos estudos de Tomás de Aquino nas reflexões sobre o signo elaboradas por Peirce. Além disso, você reconhecerá o campo de pesquisa da semiótica, da Teoria da Imagem e a imagem ao longo da história – de Aquino a Peirce, a metafísica da imagem e a semiótica da imagem. Qual é a unidade mínima de estudo da semiótica? e) Signos. RESPOSTA CORRETA Os signos constituem a unidade mínima de estudo da semiótica, uma vez que interpretar o mundo e o homem envolve a sua representação por meio da linguagem, e esta se dá pelos signos. Como se caracteriza o signo para Peirce? e) O signo é realizado por meio de três elementos: representante, objeto e interpretante. RESPOSTA CORRETA Para Peirce, o signo é formado por um representante, um objeto e um interpretante. Marque a alternativa correta a respeito da imagem. a) A imagem é uma forma de expressão do homem, tendo sua origem desde na Pré-história. Marque a alternativa correta a respeito da imagem e dos seus estudos. a) Inicialmente, a imagem foi estudada pelo campo da Comunicação e da Literatura. Marque a alternativa que aponta corretamente a caracterização dos signos feita por Peirce. c) Um índice se caracteriza por apresentar uma relação de causalidade com o objeto que representa. RESPOSTA CORRETA Um índice se caracteriza por apresentar uma relação de causalidade com o objeto que representa, como o chão molhado é um indício de que choveu. A Semiótica, inicialmente chamada de Semiologia, é a ciência que estuda os signos. Estudar os signos, sejam eles verbais, visuais, sonoros etc., é, também, compreender como se dão os processos de interpretação do homem, das experiências, dos objetos, das realidades. Ferdinand de Saussure foi um dos linguistas da tradição europeia que contribuiu para o desenvolvimento desse campo de estudo, a partir do seu modelo de signo formado por dois elementos – o significante e o significado. Além de Saussure, encontramos em Charles Peirce uma importante reflexão sobre o signo a partir de conhecimentos também trazidos pela física e pela matemática. Dentre suas contribuições, o filósofo propõe a definição do signo por meio de um modelo em tríade, formado por um representante, um objeto e um interpretante. Observe as duas imagens a seguir: Ambas as imagens fazem referência aos significantes formados pelo enunciado. Faça uma reflexão sobre o significado produzido na imagem 1 e na imagem 2. Durante a sua reflexão, aponte o que a ausência da legenda implica no processo de significação. PADRÃO DE RESPOSTA ESPERADO Cada uma das imagens constitui signos distintos, embora compartilhem de significantesem comum, caracterizados pelo enunciado trazido na questão, que é o de “uma mulher considerada gorda para o padrão normatizado da sociedade ocidental.”. Nas duas imagens, a personagem traz diferentes significados. Na primeira, o olhar fixo no espectador, o cigarro na boca, os colares de pérolas, o casaco de pelos de algum animal exótico, as luvas e o vestido preto de franjas produzem um significado de riqueza, poder, status e imponência. É uma reprodução que se apresenta como acima ou superior ao espectador. Na segunda, o significado produzido é completamente distinto: embora um pouco mais jovem, o vestido vermelho, a maquiagem suave, o olhar angelical e o posicionamento da mão no pescoço são elementos que nos permitem significar a personagem como uma outra possibilidade de corpo, que é atualmente apelada pela indústria da moda. Existem, ainda, outras possibilidades de leitura de cada imagem. Na primeira, observamos a presença do cigarro. Hoje, o cigarro não é mais considerado símbolo de status e poder. Logo, ele pode ser associado a um aspecto negativo à mulher considerada gorda na foto. E, assim, o significado produzido poderá ser de sedentarismo, hábitos não saudáveis, etc. Já a segunda imagem traz o olhar, a luz e o enquadramento no rosto da personagem, a qual é posicionada em de perfil, além do destaque dado para a cor vermelha do vestido. Tais elementos podem induzir o espectador a aderir algum produto que está à venda, caso ela se enquadre como uma peça publicitária. Dessa forma, o significado de cada imagem (signo) depende de elementos que envolvem o próprio sujeito espectador (o que aparece depois em Peirce na sua tríade objeto-representante-interpretante), como o contexto cultural, as regras compartilhadas pelos usos de cada língua, as experiências de vida individuais e sociais etc.; e, ainda, qual será o uso (informativo, publicitário, jornalístico, médico) e o suporte de cada imagem, ou seja, onde ela aparecerá. MINHA RESPOSTA 1- A PESSOA PARECE RICA POR TER JOIAS, CASACO DE PELE, MAS AO MESMO TEMPO PARECE "MAFIOSA", NÃO CONFIÁVEL, NÃO TEM HÁBITOS SAUDÁVEIS. 2- A PESSOA PASSA UMA IMAGEM DE DELICADA, SAUDÁVEL, "ESSE VESTIDO CAIRIA BEM EM QUALQUER PESSOA" SEM A LEGENDA CADA PESSOA PODE INTERPRETAR DE UMA MANEIRA, PODERIA SER UMA PROPAGANDA CONTRA O CIGARRO, OU HÁBITOS DE VIDA SAUDÁVEL. Ambas as imagens fazem referência aos significantes formados pelo enunciado. Faça uma reflexão sobre o significado produzido na imagem 1 e na imagem 2. Durante a sua reflexão, aponte o que a ausência da legenda implica no processo de significação. Ferdinand de Saussure = o significante e o significado Charles Peirce = representante, um objeto e um interpretante