Prévia do material em texto
Ementa e Acórdão 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) EMENTA Embargos de declaração nos embargos de declaração na ação direta de inconstitucionalidade. Petição de recurso não subscrita pelo Governador do Estado. Ilegitimidade recursal. Vício não convalidável. Precedentes. Omissão, contradição e erro material não configurados. Mero inconformismo. Rediscussão não admitida em sede de embargos. Embargos declaratórios rejeitados. 1. Segundo a jurisprudência pacífica do STF, a legitimidade recursal e a capacidade postulatória são do próprio governador, e não do estado- membro ou de seu procurador-geral, muito menos de procuradores de estado. 2. Os precedentes invocados pelo embargante não se prestam para demonstrar alteração da jurisprudência supramencionada, tendo em vista que neles a matéria nem sequer foi objeto de deliberação pelo Tribunal. 3. Mesmo ciente do entendimento reiterado da Corte a respeito dessa questão, a parte insistiu no protocolo de recurso assinado apenas por Procuradores do Estado e, como se não bastasse, providenciou tardiamente a ratificação da peça recursal. De todo modo, trata-se de vício não passível de convalidação ulterior. 4. Embargos declaratórios rejeitados. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código DCC5-5CD9-58F6-23A9 e senha 79C9-6E23-6A6C-E869 Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 36 Ementa e Acórdão ADI 5267 ED-ED / MG ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual do Plenário de 25/6 a 2/8/21, na conformidade da ata do julgamento e nos termos do voto do Relator, Ministro Dias Toffoli, por maioria de votos, vencidos os Ministros Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, em rejeitar os embargos de declaração. Brasília, 3 de agosto de 2021. Ministro Dias Toffoli Relator 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código DCC5-5CD9-58F6-23A9 e senha 79C9-6E23-6A6C-E869 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual do Plenário de 25/6 a 2/8/21, na conformidade da ata do julgamento e nos termos do voto do Relator, Ministro Dias Toffoli, por maioria de votos, vencidos os Ministros Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, em rejeitar os embargos de declaração. Brasília, 3 de agosto de 2021. Ministro Dias Toffoli Relator 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código DCC5-5CD9-58F6-23A9 e senha 79C9-6E23-6A6C-E869 Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 36 Relatório 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Governador do Estado de Minas Gerais contra acórdão mediante o qual o Plenário da Corte não conheceu dos embargos anteriormente opostos, por ilegitimidade ativa (e-Doc. 80). Nas razões recursais, o embargante alega contradição e erro material no julgado, ao argumento de que não seria pacífica a jurisprudência da Corte sobre a matéria. Observa que, em seis outros casos (ADI nº 954, ADI nº 2.605, ADI nº 3.106 - em duas oportunidades, ADI nº 5.774 e ADI nº 5.781), o Tribunal conheceu dos embargos de declaração opostos pelo Estado de Minas Gerais, mesmo estando assinados apenas por Procuradores do Estado. Afirma que, em outras situações, o Ministro Relator determinou a intimação do Governador do Estado para suprir a irregularidade, como ocorrera na ADPF nº 492, considerando tratar-se de questão processual passível de ser sanada. Aduz o embargante, ainda, que houve omissão ou erro material no julgado, alegando que não foram examinadas as duas petições protocoladas pelo Governador de Minas Gerais antes do término do Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 3003-6B7D-12F8-F3F4 e senha 1F34-D804-10C2-EDB0 Supremo Tribunal Federal 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Governador do Estado de Minas Gerais contra acórdão mediante o qual o Plenário da Corte não conheceu dos embargos anteriormente opostos, por ilegitimidade ativa (e-Doc. 80). Nas razões recursais, o embargante alega contradição e erro material no julgado, ao argumento de que não seria pacífica a jurisprudência da Corte sobre a matéria. Observa que, em seis outros casos (ADI nº 954, ADI nº 2.605, ADI nº 3.106 - em duas oportunidades, ADI nº 5.774 e ADI nº 5.781), o Tribunal conheceu dos embargos de declaração opostos pelo Estado de Minas Gerais, mesmo estando assinados apenas por Procuradores do Estado. Afirma que, em outras situações, o Ministro Relator determinou a intimação do Governador do Estado para suprir a irregularidade, como ocorrera na ADPF nº 492, considerando tratar-se de questão processual passível de ser sanada. Aduz o embargante, ainda, que houve omissão ou erro material no julgado, alegando que não foram examinadas as duas petições protocoladas pelo Governador de Minas Gerais antes do término do Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 3003-6B7D-12F8-F3F4 e senha 1F34-D804-10C2-EDB0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 36 Relatório ADI 5267 ED-ED / MG julgamento, por meio das quais ele ratificara o recurso do qual não se conheceu em todos os seus termos. Pondera que essa omissão não se justifica, diante do interesse público evidenciado nos autos. Sustenta que, ao apreciar o RE nº 1.068.600-AgR-ED-EDv, os Ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia enfatizaram que “a legitimidade prevista na Constituição Federal é para ajuizar ação e não para recorrer” e que “os advogados públicos têm o dever de atuar até o exaurimento do processo”. Assevera o embargante que questões meramente formais devem ser colocadas em segundo plano em relação à matéria de mérito, especialmentequando essa afeta diretamente a continuidade da prestação de serviço relativo a um direito fundamental de crianças e adolescentes, como é a educação. Assevera que o acórdão recorrido viola, a um só tempo, os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, bem como os princípios da não surpresa e da segurança jurídica. Ao final, requer que se conheça dos presentes embargos e que sejam eles acolhidos para se “conhecer dos primeiros embargos declaratórios, sendo eles, afinal, devidamente apreciados e acolhidos (…)[,] modulando- se os efeitos da decisão”. No e-Doc. 83, o embargante apresentou petição, reiterando o pedido de atribuição de efeito suspensivo aos embargos, com amparo no art. 1.026, § 1º, do CPC. É o relatório. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 3003-6B7D-12F8-F3F4 e senha 1F34-D804-10C2-EDB0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG julgamento, por meio das quais ele ratificara o recurso do qual não se conheceu em todos os seus termos. Pondera que essa omissão não se justifica, diante do interesse público evidenciado nos autos. Sustenta que, ao apreciar o RE nº 1.068.600-AgR-ED-EDv, os Ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia enfatizaram que “a legitimidade prevista na Constituição Federal é para ajuizar ação e não para recorrer” e que “os advogados públicos têm o dever de atuar até o exaurimento do processo”. Assevera o embargante que questões meramente formais devem ser colocadas em segundo plano em relação à matéria de mérito, especialmente quando essa afeta diretamente a continuidade da prestação de serviço relativo a um direito fundamental de crianças e adolescentes, como é a educação. Assevera que o acórdão recorrido viola, a um só tempo, os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, bem como os princípios da não surpresa e da segurança jurídica. Ao final, requer que se conheça dos presentes embargos e que sejam eles acolhidos para se “conhecer dos primeiros embargos declaratórios, sendo eles, afinal, devidamente apreciados e acolhidos (…)[,] modulando- se os efeitos da decisão”. No e-Doc. 83, o embargante apresentou petição, reiterando o pedido de atribuição de efeito suspensivo aos embargos, com amparo no art. 1.026, § 1º, do CPC. É o relatório. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 3003-6B7D-12F8-F3F4 e senha 1F34-D804-10C2-EDB0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): Conforme relatado, cuida-se de embargos de declaração opostos pelo Governador do Estado de Minas Gerais contra acórdão por meio do qual o Plenário da Corte não conheceu dos embargos anteriormente opostos, por ilegitimidade ativa recursal. O julgado foi assim ementado: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 10 DA LEI ESTADUAL 10.254/1990; ARTIGO 7º, § 1º, DA LEI ESTADUAL 9.726/1988; E ARTIGO 289 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, TODAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. ALEGAÇÕES DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. PETIÇÃO SUBSCRITA PELO PROCURADOR-GERAL E POR PROCURADORES DO ESTADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO GOVERNADOR DO ESTADO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade ativa ad causam, de forma que os Estados-membros e as respectivas Procuradorias-Gerais não possuem a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de controle abstrato de constitucionalidade. Precedentes: ADI 4.420-ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Plenário, DJe de 28/5/2018; ADPF 205-AgR-segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 1º/8/2017; ADPF 317-AgR-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe de 8/6/2016; ADI 1.663- AgR-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 5/8/2013; ADI 3.702-ED, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 26/9/2011. 2. A petição recursal foi subscrita tão somente pelo Procurador-Geral e por Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): Conforme relatado, cuida-se de embargos de declaração opostos pelo Governador do Estado de Minas Gerais contra acórdão por meio do qual o Plenário da Corte não conheceu dos embargos anteriormente opostos, por ilegitimidade ativa recursal. O julgado foi assim ementado: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 10 DA LEI ESTADUAL 10.254/1990; ARTIGO 7º, § 1º, DA LEI ESTADUAL 9.726/1988; E ARTIGO 289 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, TODAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. ALEGAÇÕES DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. PETIÇÃO SUBSCRITA PELO PROCURADOR-GERAL E POR PROCURADORES DO ESTADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO GOVERNADOR DO ESTADO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade ativa ad causam, de forma que os Estados-membros e as respectivas Procuradorias-Gerais não possuem a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de controle abstrato de constitucionalidade. Precedentes: ADI 4.420-ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Plenário, DJe de 28/5/2018; ADPF 205-AgR-segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 1º/8/2017; ADPF 317-AgR-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe de 8/6/2016; ADI 1.663- AgR-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 5/8/2013; ADI 3.702-ED, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 26/9/2011. 2. A petição recursal foi subscrita tão somente pelo Procurador-Geral e por Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG procuradores do Estado, não havendo assinatura do Governador do Estado, único legitimado, in casu, a instaurar processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. 3. Embargos de declaração não conhecidos”(e-Doc. 77). Alega o embargante a existência de omissão, contradição e erro material no julgado. Pondera, basicamente, que houve ratificação dos primeiros embargos pelo Governador do Estado de Minas Gerais, sendo a Corte omissa quanto à apreciação das respectivas petições. Argumenta, outrossim, que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não seria pacífica em relação a essa matéria, como foi afirmado na decisão embargada, eis que houve conhecimento dos recursos interpostos pelo Estado de Minas Gerais em outras oportunidades, mesmo estando eles assinados apenas por procuradores de estado. Disso decorreria a contradição apontada. Os embargos de declaração constituem recurso de fundamentação vinculada e restrita às hipóteses legais expressas, sendo cabíveis apenas quando se verificar omissão, contradição, obscuridade ou erro material no julgado recorrido.Por conseguinte, não se prestam para veicular razões de mero inconformismo, rediscutir a matéria, deduzir pretensão de reforma ou revisão do acórdão recorrido. Na espécie, observa-se que a petição dos primeiros embargos foi assinada apenas pelos Procuradores do Estado, e não pelo Chefe do Poder Executivo estadual, único legitimado a instaurar os processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. Como destaquei em meu voto na ADPF nº 205 AgR-Segundo/PI, a legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa, não se conferindo aos estados-membros ou à Procuradoria-Geral a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de ação direta, seja de modo singular (art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 9.868/99), seja colegiadamente (art. 26 da mesma legislação). Confira-se, no mesmo sentido, o voto do Ministro Celso de Mello na 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG procuradores do Estado, não havendo assinatura do Governador do Estado, único legitimado, in casu, a instaurar processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. 3. Embargos de declaração não conhecidos”(e-Doc. 77). Alega o embargante a existência de omissão, contradição e erro material no julgado. Pondera, basicamente, que houve ratificação dos primeiros embargos pelo Governador do Estado de Minas Gerais, sendo a Corte omissa quanto à apreciação das respectivas petições. Argumenta, outrossim, que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não seria pacífica em relação a essa matéria, como foi afirmado na decisão embargada, eis que houve conhecimento dos recursos interpostos pelo Estado de Minas Gerais em outras oportunidades, mesmo estando eles assinados apenas por procuradores de estado. Disso decorreria a contradição apontada. Os embargos de declaração constituem recurso de fundamentação vinculada e restrita às hipóteses legais expressas, sendo cabíveis apenas quando se verificar omissão, contradição, obscuridade ou erro material no julgado recorrido. Por conseguinte, não se prestam para veicular razões de mero inconformismo, rediscutir a matéria, deduzir pretensão de reforma ou revisão do acórdão recorrido. Na espécie, observa-se que a petição dos primeiros embargos foi assinada apenas pelos Procuradores do Estado, e não pelo Chefe do Poder Executivo estadual, único legitimado a instaurar os processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. Como destaquei em meu voto na ADPF nº 205 AgR-Segundo/PI, a legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa, não se conferindo aos estados-membros ou à Procuradoria-Geral a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de ação direta, seja de modo singular (art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 9.868/99), seja colegiadamente (art. 26 da mesma legislação). Confira-se, no mesmo sentido, o voto do Ministro Celso de Mello na 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG ADI nº 2.674/PI-MC-AgR-ED (Tribunal Pleno, publicado no DJe de 13/6/16): “Cabe registrar, desde logo, que se legitimam como sujeitos processuais, em sede de fiscalização concentrada de constitucionalidade, apenas (a) aqueles previstos no rol taxativo constante do art. 103 da Constituição, (b) os órgãos estatais de que emanou a lei ou ato normativo impugnado (o Governador e a Assembleia legislativa do Estado, no caso),(c) o Advogado- Geral da União e (d) o Procurador-Geral da República, vedada a intervenção de terceiros (Lei nº 9.868/99, art. 7º, caput), embora autorizada, excepcionalmente, a participação do amicus curiae (Lei nº 9.868/99, art. 7º, § 2º). Vê-se dessa relação de sujeitos processuais legitimados a intervirem no processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade que não se acham incluídas as entidades estatais, como os Estados-membros da Federação, pois assiste ao Governador do Estado a prerrogativa de agir, amplamente, nessa sede processual, podendo, inclusive, quando for o caso, interpor os recursos cabíveis, ainda mais quando improvido recurso de agravo interposto pela própria Chefia do Poder Executivo estadual, tal como sucedeu na espécie. Como se sabe, as pessoas jurídicas de direito público (qualquer Estado-membro, p. ex.) revelam-se destituídas de legitimidade ativa (e também recursal) para atuar no processo de controle normativo abstrato, como assinala o magistério da doutrina (LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA, A Fazenda Pública em Juízo, p. 49, item n. 3.3.6, 8ª ed., 2010, Dialética, v.g.) e adverte a jurisprudência desta Suprema Corte: (…) É importante ressaltar, neste ponto, que, tratando-se de fiscalização abstrata de constitucionalidade, é do Governador do Estado (ADI 127-MC- QO/AL, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno), e não da Procuradoria-Geral, a legitimidade para fazer instaurar o respectivo processo objetivo, bem assim para, neste, interpor os concernentes recursos, inclusive opor os 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG ADI nº 2.674/PI-MC-AgR-ED (Tribunal Pleno, publicado no DJe de 13/6/16): “Cabe registrar, desde logo, que se legitimam como sujeitos processuais, em sede de fiscalização concentrada de constitucionalidade, apenas (a) aqueles previstos no rol taxativo constante do art. 103 da Constituição, (b) os órgãos estatais de que emanou a lei ou ato normativo impugnado (o Governador e a Assembleia legislativa do Estado, no caso),(c) o Advogado- Geral da União e (d) o Procurador-Geral da República, vedada a intervenção de terceiros (Lei nº 9.868/99, art. 7º, caput), embora autorizada, excepcionalmente, a participação do amicus curiae (Lei nº 9.868/99, art. 7º, § 2º). Vê-se dessa relação de sujeitos processuais legitimados a intervirem no processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade que não se acham incluídas as entidades estatais, como os Estados-membros da Federação, pois assiste ao Governador do Estado a prerrogativa de agir, amplamente, nessa sede processual, podendo, inclusive, quando for o caso, interpor os recursos cabíveis, ainda mais quando improvido recurso de agravo interposto pela própria Chefia do Poder Executivo estadual, tal como sucedeu na espécie. Como se sabe, as pessoas jurídicas de direito público (qualquer Estado-membro, p. ex.) revelam-se destituídas de legitimidade ativa (e também recursal) para atuar no processo de controle normativo abstrato, como assinala o magistério da doutrina (LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA, A Fazenda Pública em Juízo, p. 49, item n. 3.3.6, 8ª ed., 2010, Dialética, v.g.) e adverte a jurisprudência desta Suprema Corte: (…) É importante ressaltar, neste ponto, que, tratando-se de fiscalização abstrata de constitucionalidade, é do Governador do Estado (ADI 127-MC- QO/AL, Rel. Min. CELSO DE MELLO,Pleno), e não da Procuradoria-Geral, a legitimidade para fazer instaurar o respectivo processo objetivo, bem assim para, neste, interpor os concernentes recursos, inclusive opor os 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG pertinentes embargos de declaração.” Há, ainda, os seguintes precedentes: “Agravo regimental. Ação direta de inconstitucionalidade. ilegitimidade recursal do Estado-membro nas ações de controle concentrado de constitucionalidade. Agravo não provido. 1. A teor da jurisprudência da Corte, a legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa, não se conferindo ao ente político a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de ação direta, seja de modo singular (art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 9.868/99) seja colegiadamente (art. 26 da mesma legislação). A jurisprudência da Corte não merece qualquer tipo de revisão, uma vez que espelha a decorrência lógica da previsão, em rol taxativo, dos legitimados a provocar o processo objetivo de controle de constitucionalidade e a nele atuar como partes (CF, art. 103). 2. Agravo ao qual se nega provimento“ (ADI nº 1.663-AgR-AgR, Tribunal Pleno, de minha relatoria, DJe de 5/8/13). “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA POR GOVERNADOR DE ESTADO - DECISÃO QUE NÃO A ADMITE, POR INCABÍVEL - RECURSO DE AGRAVO INTERPOSTO PELO PRÓPRIO ESTADO-MEMBRO - ILEGITIMIDADE RECURSAL DESSA PESSOA POLÍTICA - INAPLICABILIDADE, AO PROCESSO DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO, DO ART. 188 DO CPC - RECURSO DE AGRAVO NÃO CONHECIDO. O ESTADO-MEMBRO NÃO POSSUI LEGITIMIDADE PARA RECORRER EM SEDE DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO. - O Estado- membro não dispõe de legitimidade para interpor recurso em sede de controle normativo abstrato, ainda que a ação direta de inconstitucionalidade tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador, a quem assiste a prerrogativa legal de recorrer contra as decisões proferidas pelo Relator da causa (Lei nº 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG pertinentes embargos de declaração.” Há, ainda, os seguintes precedentes: “Agravo regimental. Ação direta de inconstitucionalidade. ilegitimidade recursal do Estado-membro nas ações de controle concentrado de constitucionalidade. Agravo não provido. 1. A teor da jurisprudência da Corte, a legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa, não se conferindo ao ente político a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de ação direta, seja de modo singular (art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 9.868/99) seja colegiadamente (art. 26 da mesma legislação). A jurisprudência da Corte não merece qualquer tipo de revisão, uma vez que espelha a decorrência lógica da previsão, em rol taxativo, dos legitimados a provocar o processo objetivo de controle de constitucionalidade e a nele atuar como partes (CF, art. 103). 2. Agravo ao qual se nega provimento“ (ADI nº 1.663-AgR-AgR, Tribunal Pleno, de minha relatoria, DJe de 5/8/13). “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA POR GOVERNADOR DE ESTADO - DECISÃO QUE NÃO A ADMITE, POR INCABÍVEL - RECURSO DE AGRAVO INTERPOSTO PELO PRÓPRIO ESTADO-MEMBRO - ILEGITIMIDADE RECURSAL DESSA PESSOA POLÍTICA - INAPLICABILIDADE, AO PROCESSO DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO, DO ART. 188 DO CPC - RECURSO DE AGRAVO NÃO CONHECIDO. O ESTADO-MEMBRO NÃO POSSUI LEGITIMIDADE PARA RECORRER EM SEDE DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO. - O Estado- membro não dispõe de legitimidade para interpor recurso em sede de controle normativo abstrato, ainda que a ação direta de inconstitucionalidade tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador, a quem assiste a prerrogativa legal de recorrer contra as decisões proferidas pelo Relator da causa (Lei nº 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG 9.868/99, art. 4º, parágrafo único) ou, excepcionalmente, contra aquelas emanadas do próprio Plenário do Supremo Tribunal Federal (Lei nº 9.868/99, art. 26). NÃO HÁ PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO PROCESSO DE CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE. - Não se aplica, ao processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade, a norma inscrita no art. 188 do CPC, cuja incidência restringe-se, unicamente, ao domínio dos processos subjetivos, que se caracterizam pelo fato de admitirem, em seu âmbito, a discussão de situações concretas e individuais. Precedente. Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo abstrato, a possibilidade de o prazo recursal ser computado em dobro, ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa especial nos processos de índole subjetiva” (ADI nº 2.130-AgR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 14/12/01). Os julgados acima colacionados não deixam dúvidas de que, segundo a jurisprudência pacífica desta Corte, a legitimidade recursal e a capacidade postulatória são do próprio governador, e não do estado- membro ou de seu procurador-geral, muito menos de procuradores de estado. A par dessa orientação adotada pelo Plenário do Supremo Tribunal, as Turmas também vêm corroborando o referido entendimento. Confira- se: “DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AÇÃO DIREITA DE INCONSTITUCIONALIDADE ESTADUAL. LEGITIMIDADE RECURSAL. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO PELA PROCURADORIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA. ILEGITIMIDADE ATIVA. VÍCIO QUE NÃO SE CONVALIDA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. 1. Esta Corte fixou entendimento de que a legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa. 2. É 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG 9.868/99, art. 4º, parágrafo único) ou, excepcionalmente, contra aquelas emanadas do próprio Plenário do Supremo Tribunal Federal (Lei nº 9.868/99, art. 26). NÃO HÁ PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO PROCESSO DE CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE. - Não se aplica, ao processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade, a norma inscrita no art. 188 do CPC, cuja incidência restringe-se, unicamente, ao domínio dos processos subjetivos, que se caracterizam pelo fato de admitirem, em seu âmbito, a discussão de situações concretas e individuais. Precedente. Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo abstrato, a possibilidade de o prazo recursal ser computado em dobro, ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa especial nos processos de índole subjetiva” (ADI nº 2.130-AgR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 14/12/01). Os julgados acima colacionados nãodeixam dúvidas de que, segundo a jurisprudência pacífica desta Corte, a legitimidade recursal e a capacidade postulatória são do próprio governador, e não do estado- membro ou de seu procurador-geral, muito menos de procuradores de estado. A par dessa orientação adotada pelo Plenário do Supremo Tribunal, as Turmas também vêm corroborando o referido entendimento. Confira- se: “DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AÇÃO DIREITA DE INCONSTITUCIONALIDADE ESTADUAL. LEGITIMIDADE RECURSAL. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO PELA PROCURADORIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA. ILEGITIMIDADE ATIVA. VÍCIO QUE NÃO SE CONVALIDA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. 1. Esta Corte fixou entendimento de que a legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa. 2. É 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG manifesta a ilegitimidade da Procuradoria Legislativa para a interposição do presente recurso, vício que não é passível de convalidação. Nesses casos, a extinção do processo sem resolução do mérito é medida que se impõe. 3. Inaplicável o art. 85, §11, do CPC/2015, uma vez que não houve fixação de honorários advocatícios. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (ARE nº 819.771/RJ-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe de 20/11/17). “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MUNICÍPIO DE RIO VERDE. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI MUNICIPAL. LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA RECORRER. INADMISSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. LIMITAÇÃO AO PLANTIO DE CANA-DE-AÇÚCAR. INVASÃO DA COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Esta Corte já fixou entendimento no sentido de que, só estão legitimados a recorrer no âmbito dos processos abstratos de constitucionalidade aqueles que tenham, de igual forma, legitimidade ativa para a propositura da ação de inconstitucionalidade. 2. O Município é competente para legislar sobre o meio ambiente com a União e Estado no limite do seu interesse local e desde que tal regramento seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados, o que não ocorreu no caso dos autos. 3. Agravos regimentais a que se negam provimento” (RE nº 633.548/GO- AgR, Rel. Min. Edson Fachin, Segunda Turma, DJe de 11/4/17). “DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PERANTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA ESTADUAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO PELO 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG manifesta a ilegitimidade da Procuradoria Legislativa para a interposição do presente recurso, vício que não é passível de convalidação. Nesses casos, a extinção do processo sem resolução do mérito é medida que se impõe. 3. Inaplicável o art. 85, §11, do CPC/2015, uma vez que não houve fixação de honorários advocatícios. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (ARE nº 819.771/RJ-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe de 20/11/17). “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MUNICÍPIO DE RIO VERDE. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI MUNICIPAL. LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA RECORRER. INADMISSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. LIMITAÇÃO AO PLANTIO DE CANA-DE-AÇÚCAR. INVASÃO DA COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Esta Corte já fixou entendimento no sentido de que, só estão legitimados a recorrer no âmbito dos processos abstratos de constitucionalidade aqueles que tenham, de igual forma, legitimidade ativa para a propositura da ação de inconstitucionalidade. 2. O Município é competente para legislar sobre o meio ambiente com a União e Estado no limite do seu interesse local e desde que tal regramento seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados, o que não ocorreu no caso dos autos. 3. Agravos regimentais a que se negam provimento” (RE nº 633.548/GO- AgR, Rel. Min. Edson Fachin, Segunda Turma, DJe de 11/4/17). “DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PERANTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA ESTADUAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO PELO 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG PROCURADORGERAL DO ESTADO DO PARANÁ. O ESTADO MEMBRO NÃO POSSUI LETIMIDADE PARA RECORRER EM SEDE DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO CPC/1973. CONSONÂNCIA DA DECISÃO RECORRIDA COM A JURISPRUDÊNCIA CRISTALIZADA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE TRÂNSITO. AGRAVO MANEJADO SOB A VIGÊNCIA DO CPC/1973. 1. O entendimento da Corte de origem, nos moldes do assinalado na decisão agravada, não diverge da jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal, no sentido de que assiste ao Governador do Estado, e não ao Procurador-Geral do Estado, qualidade para agir em sede de controle normativo abstrato, inclusive para deduzir os respectivos recursos cabíveis. 2. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada. 3. Agravo regimental conhecido e não provido” (RE nº 761.313/PR-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, DJe de 19/12/16). Por último, vale mencionar que o decidido no RE nº 1.068.600-AgR- ED-EDv , julgado pelo Plenário em 4/6/20, longe de implicar revisão ou afastamento do entendimento jurisprudencial consolidado, consoante acima referido, apenas o reforça como regra adotada e preconizada pela Corte. Colhe-se do voto condutor daquele acórdão, de lavra do eminente Ministro Alexandre de Moraes, que havia naqueles autos “instrumento de mandato outorgado pelo Prefeito nomeando específicos procuradores da municipalidade – entre eles os que assinaram a petição inicial do apelo extremo -, para promover ação direta de inconstitucionalidade em face da Lei 425/2015, de iniciativa do Poder Legislativo local, perante Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte. Esse documento também lhes confere poderes para recorrer de qualquer decisão, para todas as instâncias, inclusive 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG PROCURADORGERAL DO ESTADO DO PARANÁ. O ESTADO MEMBRO NÃO POSSUI LETIMIDADE PARA RECORRER EM SEDE DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO CPC/1973. CONSONÂNCIA DA DECISÃO RECORRIDACOM A JURISPRUDÊNCIA CRISTALIZADA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE TRÂNSITO. AGRAVO MANEJADO SOB A VIGÊNCIA DO CPC/1973. 1. O entendimento da Corte de origem, nos moldes do assinalado na decisão agravada, não diverge da jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal, no sentido de que assiste ao Governador do Estado, e não ao Procurador-Geral do Estado, qualidade para agir em sede de controle normativo abstrato, inclusive para deduzir os respectivos recursos cabíveis. 2. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada. 3. Agravo regimental conhecido e não provido” (RE nº 761.313/PR-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, DJe de 19/12/16). Por último, vale mencionar que o decidido no RE nº 1.068.600-AgR- ED-EDv , julgado pelo Plenário em 4/6/20, longe de implicar revisão ou afastamento do entendimento jurisprudencial consolidado, consoante acima referido, apenas o reforça como regra adotada e preconizada pela Corte. Colhe-se do voto condutor daquele acórdão, de lavra do eminente Ministro Alexandre de Moraes, que havia naqueles autos “instrumento de mandato outorgado pelo Prefeito nomeando específicos procuradores da municipalidade – entre eles os que assinaram a petição inicial do apelo extremo -, para promover ação direta de inconstitucionalidade em face da Lei 425/2015, de iniciativa do Poder Legislativo local, perante Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte. Esse documento também lhes confere poderes para recorrer de qualquer decisão, para todas as instâncias, inclusive 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG extraordinária, podendo ainda substabelecer, com ou sem reservas de poderes, para os demais procuradores da localidade”. No decorrer dos debates, o Relator salientou que “já é pacificado que o governador e o prefeito precisam autorizar, porque eles são os legitimados, inclusive assinando a peça inicial, a ação direta de inconstitucionalidade. (…) Mas, aqui, o que me pareceu peculiar, foi que o prefeito assinou junto e, na procuração, ele já autoriza que ingresse com eventual recurso extraordinário, autoriza que se ingresse com todos os recursos. Pareceu-me excesso de formalismo – a sua legitimidade está comprovada, ele já autorizara expressamente, aqui não é implícito, na procuração, que entrasse com todos os recursos – exigir-se também para o recurso extraordinário que ele assine junto ou dê uma nova autorização”. Diante dessa peculiaridade fática, e apenas por causa dela, este Tribunal, por maioria, compreendeu que não se poderia recusar o recurso extraordinário, sob pena de se ceder a formalismo excessivo. Eis a respectiva ementa: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSOS EM REPRESENTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PROPOSTA PERANTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PARTE LEGITIMADA PARA PROPOR A AÇÃO E PARA SUBSCREVER AS PEÇAS PROCESSUAIS. NECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DO PODER NAS PEÇAS POSTULATÓRIAS, JUNTAMENTE COM O PROCURADOR. DOCUMENTO CONSTANTE DOS AUTOS, VEICULANDO AUTORIZAÇÃO INEQUÍVOCA DO LEGITIMADO PARA 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG extraordinária, podendo ainda substabelecer, com ou sem reservas de poderes, para os demais procuradores da localidade”. No decorrer dos debates, o Relator salientou que “já é pacificado que o governador e o prefeito precisam autorizar, porque eles são os legitimados, inclusive assinando a peça inicial, a ação direta de inconstitucionalidade. (…) Mas, aqui, o que me pareceu peculiar, foi que o prefeito assinou junto e, na procuração, ele já autoriza que ingresse com eventual recurso extraordinário, autoriza que se ingresse com todos os recursos. Pareceu-me excesso de formalismo – a sua legitimidade está comprovada, ele já autorizara expressamente, aqui não é implícito, na procuração, que entrasse com todos os recursos – exigir-se também para o recurso extraordinário que ele assine junto ou dê uma nova autorização”. Diante dessa peculiaridade fática, e apenas por causa dela, este Tribunal, por maioria, compreendeu que não se poderia recusar o recurso extraordinário, sob pena de se ceder a formalismo excessivo. Eis a respectiva ementa: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSOS EM REPRESENTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PROPOSTA PERANTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PARTE LEGITIMADA PARA PROPOR A AÇÃO E PARA SUBSCREVER AS PEÇAS PROCESSUAIS. NECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DO PODER NAS PEÇAS POSTULATÓRIAS, JUNTAMENTE COM O PROCURADOR. DOCUMENTO CONSTANTE DOS AUTOS, VEICULANDO AUTORIZAÇÃO INEQUÍVOCA DO LEGITIMADO PARA 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG OS ADVOGADOS PROPOREM E IMPULSIONAREM A AÇÃO. DESNECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DE PODER NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A Segunda Turma manteve a decisão do eminente Relator que não admitiu o Recurso Extraordinário, pois “[a] legitimidade ativa para a propositura da ação direta de inconstitucionalidade, bem como dos recursos dela decorrentes é do prefeito municipal, e não do procurador do município.” 2. A Constituição Federal, no art. 103, prevê a legitimidade ativa do Chefe do Poder Executivo para propositura de ação de controle concentrado de constitucionalidade. 3. Com base nessa norma, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL tem jurisprudência no sentido de que os procuradores públicos, ou os advogados contratados pelo ente público, não possuem capacidade para ajuizar ação direta de inconstitucionalidade, nem para interpor recursos, sem a subscrição da pessoa legitimada pela Constituição. 4. Nestes autos, consta documento com manifestação inequívoca do Chefe do Poder Executivo, conferindo poderes específicos ao procurador para instaurar o processo de controle normativo abstrato de constitucionalidade, bem como para recorrer das decisões proferidas nos autos. 5. Recusar o Recurso Extraordinário neste contexto seria ceder a excessivo formalismo, o que não se admite, ainda mais se forem levados em conta os relevantes interesses em jogo no processo de controle concentrado de constitucionalidade. 6. Mesmo que assim não se entendesse, o Código de Processo Civil de 2015 traz uma nova perspectiva, voltada à primazia da resolução do mérito. 7. Portanto, seriam de todo aplicáveis os arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC/2015, que preveem concessão de prazo para a regularização, respectivamente, da incapacidade processual, da representação da parte e do vício sanável, ou para a complementação da documentação exigível, notadamente antes de se considerar inadmissível o recurso. 8. Embargos de Divergência providos, para admitir o Recurso Extraordinário, o qual deverá ser decididopelo Eminente Relator, como de 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG OS ADVOGADOS PROPOREM E IMPULSIONAREM A AÇÃO. DESNECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DE PODER NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A Segunda Turma manteve a decisão do eminente Relator que não admitiu o Recurso Extraordinário, pois “[a] legitimidade ativa para a propositura da ação direta de inconstitucionalidade, bem como dos recursos dela decorrentes é do prefeito municipal, e não do procurador do município.” 2. A Constituição Federal, no art. 103, prevê a legitimidade ativa do Chefe do Poder Executivo para propositura de ação de controle concentrado de constitucionalidade. 3. Com base nessa norma, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL tem jurisprudência no sentido de que os procuradores públicos, ou os advogados contratados pelo ente público, não possuem capacidade para ajuizar ação direta de inconstitucionalidade, nem para interpor recursos, sem a subscrição da pessoa legitimada pela Constituição. 4. Nestes autos, consta documento com manifestação inequívoca do Chefe do Poder Executivo, conferindo poderes específicos ao procurador para instaurar o processo de controle normativo abstrato de constitucionalidade, bem como para recorrer das decisões proferidas nos autos. 5. Recusar o Recurso Extraordinário neste contexto seria ceder a excessivo formalismo, o que não se admite, ainda mais se forem levados em conta os relevantes interesses em jogo no processo de controle concentrado de constitucionalidade. 6. Mesmo que assim não se entendesse, o Código de Processo Civil de 2015 traz uma nova perspectiva, voltada à primazia da resolução do mérito. 7. Portanto, seriam de todo aplicáveis os arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC/2015, que preveem concessão de prazo para a regularização, respectivamente, da incapacidade processual, da representação da parte e do vício sanável, ou para a complementação da documentação exigível, notadamente antes de se considerar inadmissível o recurso. 8. Embargos de Divergência providos, para admitir o Recurso Extraordinário, o qual deverá ser decidido pelo Eminente Relator, como de 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG direito” (RE nº 1.068.600-AgR-ED-EDv, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, DJe de 12/11/20). No caso em apreço, inexiste nos autos documento semelhante que respalde os subscritores do recurso de que não se conheceu, motivo pelo qual não se pode aplicar o precedente citado acima, dada a ausência de total identidade entre os casos. Impende recordar que cuidam os presentes autos de ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Procurador-Geral da República e julgada, por unanimidade, parcialmente procedente, declarando-se a inconstitucionalidade do art. 10 da Lei nº 10.254/1990 e do § 1º do art. 7º da Lei nº 9.726/1988 do Estado de Minas Gerais. Contra essa decisão foram opostos embargos de declaração em nome do Governador do Estado de Minas Gerais, dos quais não se conheceu justamente porque a petição de recurso fora subscrita apenas pelo Procurador-Geral e por Procuradores do Estado, estando ausente, pois, a assinatura do efetivo legitimado e dotado de capacidade postulatória para tanto, que, no caso, seria o Governador do Estado. É contra tal decisão que se insurge agora. Como se observa, a decisão do Plenário ora recorrida não se baseou em número restrito de precedentes, como afirmado pelo embargante, mas em verdadeira cadeia de julgados cujas decisões se deram em um mesmo sentido. Ressalte-se, por outro lado, que os precedentes invocados pelo embargante, a exemplo da ADI nº 954, ADI nº 2.605 e ADI nº 3.106, dentre outros, não se prestam para demonstrar alteração ou flexibilização da jurisprudência supramencionada, tendo em vista que neles a matéria nem sequer foi objeto de deliberação pelo Tribunal. O que se verifica, na espécie, é que, mesmo ciente do entendimento reiterado e pacífico da Corte a respeito dessa questão, a parte insistiu no protocolo de recurso assinado apenas por Procuradores do Estado, provavelmente por já tê-lo feito, inclusive com êxito, outras vezes. Resta claro, outrossim, que não se tratou de equívoco eventual e isolado, mas de prática que se revela habitual entre os procuradores 10 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG direito” (RE nº 1.068.600-AgR-ED-EDv, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, DJe de 12/11/20). No caso em apreço, inexiste nos autos documento semelhante que respalde os subscritores do recurso de que não se conheceu, motivo pelo qual não se pode aplicar o precedente citado acima, dada a ausência de total identidade entre os casos. Impende recordar que cuidam os presentes autos de ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Procurador-Geral da República e julgada, por unanimidade, parcialmente procedente, declarando-se a inconstitucionalidade do art. 10 da Lei nº 10.254/1990 e do § 1º do art. 7º da Lei nº 9.726/1988 do Estado de Minas Gerais. Contra essa decisão foram opostos embargos de declaração em nome do Governador do Estado de Minas Gerais, dos quais não se conheceu justamente porque a petição de recurso fora subscrita apenas pelo Procurador-Geral e por Procuradores do Estado, estando ausente, pois, a assinatura do efetivo legitimado e dotado de capacidade postulatória para tanto, que, no caso, seria o Governador do Estado. É contra tal decisão que se insurge agora. Como se observa, a decisão do Plenário ora recorrida não se baseou em número restrito de precedentes, como afirmado pelo embargante, mas em verdadeira cadeia de julgados cujas decisões se deram em um mesmo sentido. Ressalte-se, por outro lado, que os precedentes invocados pelo embargante, a exemplo da ADI nº 954, ADI nº 2.605 e ADI nº 3.106, dentre outros, não se prestam para demonstrar alteração ou flexibilização da jurisprudência supramencionada, tendo em vista que neles a matéria nem sequer foi objeto de deliberação pelo Tribunal. O que se verifica, na espécie, é que, mesmo ciente do entendimento reiterado e pacífico da Corte a respeito dessa questão, a parte insistiu no protocolo de recurso assinado apenas por Procuradores do Estado, provavelmente por já tê-lo feito, inclusive com êxito, outras vezes. Resta claro, outrossim, que não se tratou de equívoco eventual e isolado, mas de prática que se revela habitual entre os procuradores 10 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 36 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 5267 ED-ED / MG daquele estado, como, aliás, foi expressamente declarado nas razões dos presentes embargos. Ora, as regras procedimentais não podem ser simplesmente ignoradas pela parte, mormente por suaprópria conveniência, ainda que sob o argumento de preponderância do interesse público. Como se não bastasse, vê-se que a parte providenciou tardiamente a ratificação da peça recursal. É dizer, as respectivas petições, devidamente subscritas pelo Governador do Estado de Minas Gerais, somente aportaram nos autos nos dias 22 e 26 de maio de 2020. Portanto, no decorrer da sessão de julgamento no Plenário Virtual. No tocante a esse ponto, mesmo que assim não fosse, tenho que o vício em questão, por decorrer de ilegitimidade ad causam – e não apenas de ausência de capacidade postulatória, ou de mera irregularidade na representação processual –, não é passível de convalidação ulterior. Nesse mesmo sentido vai o já citado ARE nº 819.771/RJ-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Roberto Barroso, publicado no DJe de 20/11/17. Desse modo, não vislumbro no acórdão embargado os vícios de omissão, contradição, ou erro material apontados pelo embargante, tendo a Corte decidido o feito fundamentadamente, nos limites necessários a seu deslinde. O embargante pretende, em verdade, promover novo julgamento, rediscutindo matéria já decidida pela Corte, fim para o qual não se prestam os embargos declaratórios. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto. 11 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG daquele estado, como, aliás, foi expressamente declarado nas razões dos presentes embargos. Ora, as regras procedimentais não podem ser simplesmente ignoradas pela parte, mormente por sua própria conveniência, ainda que sob o argumento de preponderância do interesse público. Como se não bastasse, vê-se que a parte providenciou tardiamente a ratificação da peça recursal. É dizer, as respectivas petições, devidamente subscritas pelo Governador do Estado de Minas Gerais, somente aportaram nos autos nos dias 22 e 26 de maio de 2020. Portanto, no decorrer da sessão de julgamento no Plenário Virtual. No tocante a esse ponto, mesmo que assim não fosse, tenho que o vício em questão, por decorrer de ilegitimidade ad causam – e não apenas de ausência de capacidade postulatória, ou de mera irregularidade na representação processual –, não é passível de convalidação ulterior. Nesse mesmo sentido vai o já citado ARE nº 819.771/RJ-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Roberto Barroso, publicado no DJe de 20/11/17. Desse modo, não vislumbro no acórdão embargado os vícios de omissão, contradição, ou erro material apontados pelo embargante, tendo a Corte decidido o feito fundamentadamente, nos limites necessários a seu deslinde. O embargante pretende, em verdade, promover novo julgamento, rediscutindo matéria já decidida pela Corte, fim para o qual não se prestam os embargos declaratórios. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto. 11 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 27EF-FFEF-D401-77B8 e senha 7430-27A1-02F5-52C0 Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 36 Voto Vogal EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) V O T O O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Tem-se embargos de declaração interpostos em face de acórdão mediante o qual assentada a impropriedade de petição de recurso assinada somente por Procuradores do Estado em vez do Governador. Eis a síntese do pronunciamento, publicado no Diário da Justiça eletrônico de 18 de junho de 2020: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 10 DA LEI ESTADUAL 10.254/1990; ARTIGO 7º, § 1º, DA LEI ESTADUAL 9.726/1988; E ARTIGO 289 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, TODAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. ALEGAÇÕES DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. PETIÇÃO SUBSCRITA PELO PROCURADORGERAL E POR PROCURADORES DO ESTADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO GOVERNADOR DO ESTADO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade ativa ad causam, de forma que os Estados-membros e as respectivas Procuradorias-Gerais não possuem a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de controle abstrato de constitucionalidade. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0C28-9A54-70DB-38DB e senha F4BD-3D0A-C557-F1B2 Supremo Tribunal Federal EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) V O T O O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Tem-se embargos de declaração interpostos em face de acórdão mediante o qual assentada a impropriedade de petição de recurso assinada somente por Procuradores do Estado em vez do Governador. Eis a síntese do pronunciamento, publicado no Diário da Justiça eletrônico de 18 de junho de 2020: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 10 DA LEI ESTADUAL 10.254/1990; ARTIGO 7º, § 1º, DA LEI ESTADUAL 9.726/1988; E ARTIGO 289 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, TODAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. ALEGAÇÕES DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. PETIÇÃO SUBSCRITA PELO PROCURADORGERAL E POR PROCURADORES DO ESTADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO GOVERNADOR DO ESTADO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade ativa ad causam, de forma que os Estados-membros e as respectivas Procuradorias-Gerais não possuem a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de controle abstrato de constitucionalidade. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0C28-9A54-70DB-38DB e senha F4BD-3D0A-C557-F1B2 Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG Precedentes: ADI 4.420-ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Plenário, DJe de 28/5/2018; ADPF 205-AgR-segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 1º/8/2017; ADPF 317-AgR-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe de 8/6/2016; ADI 1.663- AgR-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 5/8/2013; ADI 3.702-ED, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 26/9/2011. 2. A petição recursal foi subscrita tão somente pelo Procurador-Geral e por procuradores do Estado, não havendo assinatura do Governador do Estado, único legitimado, in casu, a instaurar processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. 3. Embargos de declaração NÃO CONHECIDOS. O Chefe do Executivo local aponta omissão e erro material. Evocajurisprudência do Supremo no sentido do saneamento processual. Diz não apreciadas peças, por si protocoladas, confirmando as razões dos embargos declaratórios antes de concluído o julgamento. Pretende o provimento do novo recurso, visando apreciação dos embargos de declaração, modulando-se os efeitos da decisão que implicou a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 10 da Lei nº 10.254/1990 e 7º, § 1º, da Lei nº 9.726/1988, ambas do Estado de Minas Gerais. Cumpre reiterar o entendimento, considerado o voto que proferi, vencido, no julgamento que desaguou no acórdão embargado: Descabe confundir a legitimidade de Governador para a propositura da ação direta, na forma do artigo 103, inciso V, da Constituição Federal, com a prática de atos no processo. O integrante da Procuradoria, quando vem a Juízo, representa o Estado. Não há como glosar essa atuação, exigindo-se que os declaratórios interpostos estejam subscritos também por aquele sem capacidade postulatória, o Governador. Divirjo do Relator para que os embargos de declaração sejam apreciados, afastado o óbice apontado. Se apenas o Governador do Estado subscrevesse a petição recursal, 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0C28-9A54-70DB-38DB e senha F4BD-3D0A-C557-F1B2 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG Precedentes: ADI 4.420-ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Plenário, DJe de 28/5/2018; ADPF 205-AgR-segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 1º/8/2017; ADPF 317-AgR-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe de 8/6/2016; ADI 1.663- AgR-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 5/8/2013; ADI 3.702-ED, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 26/9/2011. 2. A petição recursal foi subscrita tão somente pelo Procurador-Geral e por procuradores do Estado, não havendo assinatura do Governador do Estado, único legitimado, in casu, a instaurar processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. 3. Embargos de declaração NÃO CONHECIDOS. O Chefe do Executivo local aponta omissão e erro material. Evoca jurisprudência do Supremo no sentido do saneamento processual. Diz não apreciadas peças, por si protocoladas, confirmando as razões dos embargos declaratórios antes de concluído o julgamento. Pretende o provimento do novo recurso, visando apreciação dos embargos de declaração, modulando-se os efeitos da decisão que implicou a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 10 da Lei nº 10.254/1990 e 7º, § 1º, da Lei nº 9.726/1988, ambas do Estado de Minas Gerais. Cumpre reiterar o entendimento, considerado o voto que proferi, vencido, no julgamento que desaguou no acórdão embargado: Descabe confundir a legitimidade de Governador para a propositura da ação direta, na forma do artigo 103, inciso V, da Constituição Federal, com a prática de atos no processo. O integrante da Procuradoria, quando vem a Juízo, representa o Estado. Não há como glosar essa atuação, exigindo-se que os declaratórios interpostos estejam subscritos também por aquele sem capacidade postulatória, o Governador. Divirjo do Relator para que os embargos de declaração sejam apreciados, afastado o óbice apontado. Se apenas o Governador do Estado subscrevesse a petição recursal, 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0C28-9A54-70DB-38DB e senha F4BD-3D0A-C557-F1B2 Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG qual seria a conclusão? No sentido de não ter capacidade postulatória. Uma coisa é a Lei Maior indicar a legitimidade para propositura da ação direta de inconstitucionalidade, outra é a prática de atos no processo, que não compete ao Chefe do Executivo. Quem o faz, personificando o ente federado, é o integrante da Procuradoria. Provejo estes embargos de declaração, para que os anteriores sejam apreciados, afastado o óbice apontado. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0C28-9A54-70DB-38DB e senha F4BD-3D0A-C557-F1B2 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG qual seria a conclusão? No sentido de não ter capacidade postulatória. Uma coisa é a Lei Maior indicar a legitimidade para propositura da ação direta de inconstitucionalidade, outra é a prática de atos no processo, que não compete ao Chefe do Executivo. Quem o faz, personificando o ente federado, é o integrante da Procuradoria. Provejo estes embargos de declaração, para que os anteriores sejam apreciados, afastado o óbice apontado. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0C28-9A54-70DB-38DB e senha F4BD-3D0A-C557-F1B2 Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 36 Voto Vogal 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) EMENTA: CONSTITUCIONAL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. GOVERNADOR DE ESTADO- MEMBRO E REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL PELO ÓRGÃO DE PROCURADORIA DO ESTADO. LEGITIMIDADE. VÍCIO SANÁVEL. POSSIBILIDADE DE REGULARIZAÇÃO. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Os Estados-membros, por suas Procuradorias, têm legitimidade para a oposição de embargos declaratórios em face de acórdãos proferidos pela CORTE no julgamento de ações de controle concentrado nas quais o Governador do respectivo Estado figure como autoridade interessada na discussão da constitucionalidade da norma impugnada. 2. Presença de razões de segurança jurídica e interesse social (art. 27 da Lei 9.868/1999) a justificar a excepcional modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, para admitir a produção de efeitos pelas normas impugnadas até o fim do ano em curso. 3. Embargos de Declaração acolhidos parcialmente. V O T O O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES: Em complemento ao Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) EMENTA: CONSTITUCIONAL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. GOVERNADOR DE ESTADO- MEMBRO E REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL PELO ÓRGÃO DE PROCURADORIA DO ESTADO. LEGITIMIDADE. VÍCIO SANÁVEL. POSSIBILIDADE DE REGULARIZAÇÃO. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Os Estados-membros, por suas Procuradorias, têm legitimidade para a oposição de embargos declaratórios em face de acórdãos proferidos pela CORTE no julgamentode ações de controle concentrado nas quais o Governador do respectivo Estado figure como autoridade interessada na discussão da constitucionalidade da norma impugnada. 2. Presença de razões de segurança jurídica e interesse social (art. 27 da Lei 9.868/1999) a justificar a excepcional modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, para admitir a produção de efeitos pelas normas impugnadas até o fim do ano em curso. 3. Embargos de Declaração acolhidos parcialmente. V O T O O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES: Em complemento ao Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG relatório do eminente Ministro DIAS TOFFOLI, anoto que o caso trata de Embargos de Declaração opostos pelo Governador do Estado de Minas Gerais contra acórdão proferido pelo Tribunal Pleno em julgamento no qual não foi conhecido recurso anteriormente oposto por ilegitimidade ativa do Estado de Minas Gerais, em razão da irregularidade na representação processual do Governador. O julgamento do mérito da presente Ação Direta, ainda sob a relatoria do Ministro LUIZ FUX, foi concluído no Plenário Virtual na sessão de 3 a 14/4/2020, quando declarada a inconstitucionalidade de norma que previa a designação, sem prévia aprovação em concurso público, para exercício de função pública em cargos diversos, como de professor e serventuário do Poder Judiciário. Os primeiros Embargos de Declaração opostos não foram conhecidos pelo Plenário Virtual, na sessão de 22 a 28/5/2020, com fundamento na circunstância de que o ato processual de oposição do recurso fora praticado sem a participação do Governador de Minas Gerais, tendo a petição recursal sido subscrita apenas pelo Procurador- Geral do Estado e outros membros da Procuradoria do Estado. Por meio desses primeiros Embargos Declaratórios, pretendeu-se a integração do primeiro julgamento com a manifestação da CORTE a respeito de aspectos diversos, em especial da necessidade de serem modulados os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Agora, já sob a relatoria do Ministro DIAS TOFFOLI, o Governador de MINAS GERAIS opõe novos Embargos, nos quais argumenta que a jurisprudência da CORTE admitiria a oposição de embargos declaratórios opostos pelo Estado, em ações de controle concentrado, quando subscritos apenas por Procuradores do Estado. Afirma também a possibilidade de intimação do Governador do Estado para suprir a irregularidade, pois se trataria de questão processual sanável. O Ministro Relator, para o presente julgamento virtual, apresenta voto em que rejeita os Embargos Declaratórios e assenta que a Jurisprudência da CORTE é contrária ao reconhecimento da legitimidade do Estado, conforme a proposta de ementa seguinte: 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG relatório do eminente Ministro DIAS TOFFOLI, anoto que o caso trata de Embargos de Declaração opostos pelo Governador do Estado de Minas Gerais contra acórdão proferido pelo Tribunal Pleno em julgamento no qual não foi conhecido recurso anteriormente oposto por ilegitimidade ativa do Estado de Minas Gerais, em razão da irregularidade na representação processual do Governador. O julgamento do mérito da presente Ação Direta, ainda sob a relatoria do Ministro LUIZ FUX, foi concluído no Plenário Virtual na sessão de 3 a 14/4/2020, quando declarada a inconstitucionalidade de norma que previa a designação, sem prévia aprovação em concurso público, para exercício de função pública em cargos diversos, como de professor e serventuário do Poder Judiciário. Os primeiros Embargos de Declaração opostos não foram conhecidos pelo Plenário Virtual, na sessão de 22 a 28/5/2020, com fundamento na circunstância de que o ato processual de oposição do recurso fora praticado sem a participação do Governador de Minas Gerais, tendo a petição recursal sido subscrita apenas pelo Procurador- Geral do Estado e outros membros da Procuradoria do Estado. Por meio desses primeiros Embargos Declaratórios, pretendeu-se a integração do primeiro julgamento com a manifestação da CORTE a respeito de aspectos diversos, em especial da necessidade de serem modulados os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Agora, já sob a relatoria do Ministro DIAS TOFFOLI, o Governador de MINAS GERAIS opõe novos Embargos, nos quais argumenta que a jurisprudência da CORTE admitiria a oposição de embargos declaratórios opostos pelo Estado, em ações de controle concentrado, quando subscritos apenas por Procuradores do Estado. Afirma também a possibilidade de intimação do Governador do Estado para suprir a irregularidade, pois se trataria de questão processual sanável. O Ministro Relator, para o presente julgamento virtual, apresenta voto em que rejeita os Embargos Declaratórios e assenta que a Jurisprudência da CORTE é contrária ao reconhecimento da legitimidade do Estado, conforme a proposta de ementa seguinte: 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 20 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG EMENTA: Embargos de declaração nos embargos de declaração na ação direta de inconstitucionalidade. Petição de recurso não subscrita pelo Governador do Estado. Ilegitimidade recursal. Vício não convalidável. Precedentes. Omissão, contradição e erro material não configurados. Mero inconformismo. Pretensão de rediscussão não admitida em sede de embargos. Embargos declaratórios rejeitados. 1. Segundo a jurisprudência pacífica desta Corte, a legitimidade recursal e a capacidade postulatória são do próprio Governador, e não do Estado-membro ou de seu Procurador-Geral, muito menos de Procuradores do Estado. 2. Os precedentes invocados pelo embargante não se prestam a demonstrar alteração da jurisprudência supramencionada, tendo em vista que neles a matéria sequer foi objeto de deliberação pelo Tribunal. 3. Mesmo ciente do entendimento reiterado da Corte a respeito, a parte insistiu no protocolo de recurso assinado apenas por Procuradores do Estado e, como se não bastasse, providenciou tardiamente a ratificação da peça recursal. De todo modo, trata-se de vício não passível de convalidação ulterior. 4. Embargos declaratórios rejeitados. Especificamente em relação ao tema da legitimidade do Estado- Membro para atuar em sede de controle concentrado, anota o eminente Relator que a Procuradoria do Estado de Minas Gerais não teria demonstrado atuar em nome do Governador no momento da oposição dos embargos, ocorrida a participação desta autoridade mediante ratificação posterior ao início da sessão de julgamento, contrariando a jurisprudência da CORTE que exige a formalização deste elemento. É o relato do essencial. Com a devida vênia ao Ministro Relator, divirjo quanto à rejeição dos embargos declaratórios. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documentopode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG EMENTA: Embargos de declaração nos embargos de declaração na ação direta de inconstitucionalidade. Petição de recurso não subscrita pelo Governador do Estado. Ilegitimidade recursal. Vício não convalidável. Precedentes. Omissão, contradição e erro material não configurados. Mero inconformismo. Pretensão de rediscussão não admitida em sede de embargos. Embargos declaratórios rejeitados. 1. Segundo a jurisprudência pacífica desta Corte, a legitimidade recursal e a capacidade postulatória são do próprio Governador, e não do Estado-membro ou de seu Procurador-Geral, muito menos de Procuradores do Estado. 2. Os precedentes invocados pelo embargante não se prestam a demonstrar alteração da jurisprudência supramencionada, tendo em vista que neles a matéria sequer foi objeto de deliberação pelo Tribunal. 3. Mesmo ciente do entendimento reiterado da Corte a respeito, a parte insistiu no protocolo de recurso assinado apenas por Procuradores do Estado e, como se não bastasse, providenciou tardiamente a ratificação da peça recursal. De todo modo, trata-se de vício não passível de convalidação ulterior. 4. Embargos declaratórios rejeitados. Especificamente em relação ao tema da legitimidade do Estado- Membro para atuar em sede de controle concentrado, anota o eminente Relator que a Procuradoria do Estado de Minas Gerais não teria demonstrado atuar em nome do Governador no momento da oposição dos embargos, ocorrida a participação desta autoridade mediante ratificação posterior ao início da sessão de julgamento, contrariando a jurisprudência da CORTE que exige a formalização deste elemento. É o relato do essencial. Com a devida vênia ao Ministro Relator, divirjo quanto à rejeição dos embargos declaratórios. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 21 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG A Jurisprudência da CORTE pontua que a legitimidade para a propositura de ações de controle concentrado (art. 103, V, da CF) é conferida ao Governador, não ao ente político respectivo. Daí afirmar-se a capacidade postulatória do Governador para subscrever sozinho a petição inicial da ação, bem como a inépcia da petição subscrita isoladamente pelo Procurador-Geral do Estado. No entanto, não me parece que a previsão no texto constitucional da legitimidade ao Governador se contraponha à possibilidade de atuação do respectivo ente federativo em sede de Jurisdição Constitucional. Não é estranho ou incomum à prática desta CORTE que a atuação dos Governadores em sede de controle concentrado ocorra mediante o patrocínio técnico e profissional dos órgãos de representação judicial dos Estados, o que, por óbvio, situa-se no âmbito de atribuições conferidas pela própria Constituição às Procuradorias dos Estados (art. 132, CF). E assim ocorre frequentemente: as petições iniciais de ações diretas são subscritas pela pessoa do Governador, que é o agente político legitimado constitucionalmente a tanto, com o assessoramento técnico do Quadro de Procuradores do Estado. A legitimidade conferida ao Governador subordina o eventual ingresso de ação direta ao juízo político desse agente. Mas é evidente que, por imposição do princípio republicano, o interesse tutelado não é titularizado pela pessoa do Governador, mas sim pelo ente político que ele representa em juízo. Até mesmo pela temporalidade dos mandatos, o debate sobre a questão constitucional proposta pelo Governador transcende ao seu mandato, como se verifica na hipótese dos autos. Mostra-se irrelevante, em relação aos Governadores e seus respectivos Estados, que elementos formais da petição recursal, como a qualificação da parte, restrinjam a atuação de um ente político perante a CORTE. Como dito, os poderes de representação da Procuradoria-Geral do Estado decorrem de delegação legal ao órgão e investidura no cargo público efetivo. O Procurador-Geral do Estado é agente público comissionado diretamente pelo Governador e exerce a direção de órgão com atribuições 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG A Jurisprudência da CORTE pontua que a legitimidade para a propositura de ações de controle concentrado (art. 103, V, da CF) é conferida ao Governador, não ao ente político respectivo. Daí afirmar-se a capacidade postulatória do Governador para subscrever sozinho a petição inicial da ação, bem como a inépcia da petição subscrita isoladamente pelo Procurador-Geral do Estado. No entanto, não me parece que a previsão no texto constitucional da legitimidade ao Governador se contraponha à possibilidade de atuação do respectivo ente federativo em sede de Jurisdição Constitucional. Não é estranho ou incomum à prática desta CORTE que a atuação dos Governadores em sede de controle concentrado ocorra mediante o patrocínio técnico e profissional dos órgãos de representação judicial dos Estados, o que, por óbvio, situa-se no âmbito de atribuições conferidas pela própria Constituição às Procuradorias dos Estados (art. 132, CF). E assim ocorre frequentemente: as petições iniciais de ações diretas são subscritas pela pessoa do Governador, que é o agente político legitimado constitucionalmente a tanto, com o assessoramento técnico do Quadro de Procuradores do Estado. A legitimidade conferida ao Governador subordina o eventual ingresso de ação direta ao juízo político desse agente. Mas é evidente que, por imposição do princípio republicano, o interesse tutelado não é titularizado pela pessoa do Governador, mas sim pelo ente político que ele representa em juízo. Até mesmo pela temporalidade dos mandatos, o debate sobre a questão constitucional proposta pelo Governador transcende ao seu mandato, como se verifica na hipótese dos autos. Mostra-se irrelevante, em relação aos Governadores e seus respectivos Estados, que elementos formais da petição recursal, como a qualificação da parte, restrinjam a atuação de um ente político perante a CORTE. Como dito, os poderes de representação da Procuradoria-Geral do Estado decorrem de delegação legal ao órgão e investidura no cargo público efetivo. O Procurador-Geral do Estado é agente público comissionado diretamente pelo Governador e exerce a direção de órgão com atribuições 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 22 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG conferidas pela própria Constituição para representação dos interesses do Estado, sob a chefia do Governador. Diante disso, não se mostra razoável (a) deixar de conhecer recurso subscrito apenas por Procuradores do Estado quando, na mesma relação processual, admitiu-se manifestação do Governador em defesa da norma atacada; (b) supor que a atuação da Procuradoria do Estado, pela ausência de aposição da assinatura do Governador, indicaria que aquela agiuà revelia deste. A melhor compreensão do tema, portanto, seria exigir a presença do Governador na prática do ato apenas para o ajuizamento da ação direta, com a subscrição da petição inicial. O que realmente importa, para efeito de demonstração da legitimidade, é a constatação de que a atuação da Procuradoria do Estado atende a um juízo político já expressado pelo Governador. O posterior trâmite processual poderia, sem menoscabo ao art. 103, V da CF, ser conduzido pela Procuradoria do Estado, a quem incumbiria o acompanhamento dos atos processuais próprios, como a interposição de recursos ou oposição de embargos declaratórios. No caso em julgamento, a Ação Direta foi proposta pelo Procurador- Geral da República, figurando como autoridades interessadas o Governador e a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, tendo ambos prestado informações nos autos e se manifestando em favor da validade da norma questionada. Posteriormente, em vista do pedido de aditamento formulado pelo Requerente, foram apresentadas novas informações (doc. 25) em nome do Governador, por meio de manifestação subscrita apenas pelos Procuradores. A petição de interposição dos primeiros embargos (doc. 47), do mesmo modo, qualificou o Governador como requerente, foi subscrita apenas por membros da Procuradoria do Estado. O conteúdo do recurso diz respeito a matéria de interesse da Administração Pública estadual, em especial o pedido de modulação de efeitos, para conferir “prazo razoável 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG conferidas pela própria Constituição para representação dos interesses do Estado, sob a chefia do Governador. Diante disso, não se mostra razoável (a) deixar de conhecer recurso subscrito apenas por Procuradores do Estado quando, na mesma relação processual, admitiu-se manifestação do Governador em defesa da norma atacada; (b) supor que a atuação da Procuradoria do Estado, pela ausência de aposição da assinatura do Governador, indicaria que aquela agiu à revelia deste. A melhor compreensão do tema, portanto, seria exigir a presença do Governador na prática do ato apenas para o ajuizamento da ação direta, com a subscrição da petição inicial. O que realmente importa, para efeito de demonstração da legitimidade, é a constatação de que a atuação da Procuradoria do Estado atende a um juízo político já expressado pelo Governador. O posterior trâmite processual poderia, sem menoscabo ao art. 103, V da CF, ser conduzido pela Procuradoria do Estado, a quem incumbiria o acompanhamento dos atos processuais próprios, como a interposição de recursos ou oposição de embargos declaratórios. No caso em julgamento, a Ação Direta foi proposta pelo Procurador- Geral da República, figurando como autoridades interessadas o Governador e a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, tendo ambos prestado informações nos autos e se manifestando em favor da validade da norma questionada. Posteriormente, em vista do pedido de aditamento formulado pelo Requerente, foram apresentadas novas informações (doc. 25) em nome do Governador, por meio de manifestação subscrita apenas pelos Procuradores. A petição de interposição dos primeiros embargos (doc. 47), do mesmo modo, qualificou o Governador como requerente, foi subscrita apenas por membros da Procuradoria do Estado. O conteúdo do recurso diz respeito a matéria de interesse da Administração Pública estadual, em especial o pedido de modulação de efeitos, para conferir “prazo razoável 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 23 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG para as adequações que se fizerem necessárias, o qual não deverá ser inferior a 5 (cinco) anos, considerando a consolidada situação existente, a grandiosidade do desafio e a perspectiva de uma mudança governamental em 2022/2023, o que invariavelmente impacta mudanças de tamanha envergadura nas políticas públicas”. Posteriormente (doc. 72), veio documento firmado pelo Governador com o seguinte teor: Excelentíssimo Senhor Ministro, Pelo presente, venho, como questão de fato (questão de ordem), RATIFICAR integralmente e para todos os fins os termos dos embargos de declaração apresentados pelos Procuradores do Estado em face do v. acórdão que julgou procedente a ação, os quais têm sua representação prevista nos artigos 132 da Constituição da República e 128 da Constituição Mineira. Justifico o pedido considerando a importância do julgamento em tela para o sistema público de ensino mineiro e pelas dificuldades das adaptações administrativas decorrentes do isolamento em função da pandemia do Coronavírus COVID- 19, requerendo que as teses expostas no recurso sejam apreciadas e acolhidas por essa d. Corte Suprema. Atenciosamente, Romeu Zema Neto Governador do Estado de Minas Gerais Os atos posteriores foram firmados pelo próprio Governador, entre os quais a oposição dos Embargos Declaratórios agora em julgamento (doc. 80). Desse modo, não há incongruência entre a atuação da Procuradoria do Estado de Minas Gerais e o respectivo Governador, de modo a concluir pela presença de irregularidade na legitimidade ou representação processual da parte embargante. Superado o óbice formal, deve-se avançar sobre a matéria suscitada nos primeiros Embargos de Declaração, nos quais alegada a presença de 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG para as adequações que se fizerem necessárias, o qual não deverá ser inferior a 5 (cinco) anos, considerando a consolidada situação existente, a grandiosidade do desafio e a perspectiva de uma mudança governamental em 2022/2023, o que invariavelmente impacta mudanças de tamanha envergadura nas políticas públicas”. Posteriormente (doc. 72), veio documento firmado pelo Governador com o seguinte teor: Excelentíssimo Senhor Ministro, Pelo presente, venho, como questão de fato (questão de ordem), RATIFICAR integralmente e para todos os fins os termos dos embargos de declaração apresentados pelos Procuradores do Estado em face do v. acórdão que julgou procedente a ação, os quais têm sua representação prevista nos artigos 132 da Constituição da República e 128 da Constituição Mineira. Justifico o pedido considerando a importância do julgamento em tela para o sistema público de ensino mineiro e pelas dificuldades das adaptações administrativas decorrentes do isolamento em função da pandemia do Coronavírus COVID- 19, requerendo que as teses expostas no recurso sejam apreciadas e acolhidas por essa d. Corte Suprema. Atenciosamente, Romeu Zema Neto Governador do Estado de Minas Gerais Os atos posteriores foram firmados pelo próprio Governador, entre os quais a oposição dos Embargos Declaratórios agora em julgamento (doc. 80). Desse modo, não há incongruência entre a atuação da Procuradoria do Estado de Minas Gerais e o respectivo Governador, de modo a concluir pela presença de irregularidade na legitimidade ou representação processual da parte embargante. Superado o óbice formal, deve-se avançar sobre a matéria suscitada nos primeirosEmbargos de Declaração, nos quais alegada a presença de 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 24 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG omissões e contradições no acórdão embargado relacionadas ao próprio mérito da Ação Direta e aos pedidos de atribuição de interpretação conforme ao dispositivo impugnado, bem como de modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, mediante a concessão do prazo de 5 (cinco) anos para que a Administração Pública estadual realize as adequações necessárias à observância do julgamento da Ação Direta. Como se sabe, de acordo com o estatuído no art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração são cabíveis para fins de aperfeiçoamento da prestação jurisdicional. Trata-se de instrumento colocado à disposição das partes com o fito de eliminar do julgado omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais. Todavia, no caso, não se verifica a existência de quaisquer das deficiências em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia veiculada na inicial. A pretexto de evidenciar omissões e contradições no acórdão embargado, a maior parte das ponderações trazidas pelo Governador de Minas Gerais traduzem mero inconformismo com a decisão tomada, pretendendo rediscutir o que já foi decidido, objetivo que, como sabido, é alheio às hipóteses de cabimento típicas dos embargos declaratórios. No entanto, a respeito ao pedido de modulação dos efeitos da decisão, observo que a jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL reconhece a viabilidade de conhecimento de embargos declaratórios para essa finalidade, em sede de controle concentrado de constitucionalidade (ADI 3.601-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, DJe de 15/12/2010). Para essa avaliação, contudo, é necessário que a embargante comprove a presença de elementos excepcionais que justifiquem a retração, no tempo, dos efeitos da decisão de invalidade, que de regra operam ex tunc (ADI 3.794-ED, Rel. Min. ROBERTO BARROSO, DJe de 25/2/2015; e a ADI 4.876-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, DJe de 18/8/2015). No caso, são apresentadas razões relacionadas ao impacto da declaração de inconstitucionalidade do art. 10 da Lei Estadual 10.254/1990 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG omissões e contradições no acórdão embargado relacionadas ao próprio mérito da Ação Direta e aos pedidos de atribuição de interpretação conforme ao dispositivo impugnado, bem como de modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, mediante a concessão do prazo de 5 (cinco) anos para que a Administração Pública estadual realize as adequações necessárias à observância do julgamento da Ação Direta. Como se sabe, de acordo com o estatuído no art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração são cabíveis para fins de aperfeiçoamento da prestação jurisdicional. Trata-se de instrumento colocado à disposição das partes com o fito de eliminar do julgado omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais. Todavia, no caso, não se verifica a existência de quaisquer das deficiências em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia veiculada na inicial. A pretexto de evidenciar omissões e contradições no acórdão embargado, a maior parte das ponderações trazidas pelo Governador de Minas Gerais traduzem mero inconformismo com a decisão tomada, pretendendo rediscutir o que já foi decidido, objetivo que, como sabido, é alheio às hipóteses de cabimento típicas dos embargos declaratórios. No entanto, a respeito ao pedido de modulação dos efeitos da decisão, observo que a jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL reconhece a viabilidade de conhecimento de embargos declaratórios para essa finalidade, em sede de controle concentrado de constitucionalidade (ADI 3.601-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, DJe de 15/12/2010). Para essa avaliação, contudo, é necessário que a embargante comprove a presença de elementos excepcionais que justifiquem a retração, no tempo, dos efeitos da decisão de invalidade, que de regra operam ex tunc (ADI 3.794-ED, Rel. Min. ROBERTO BARROSO, DJe de 25/2/2015; e a ADI 4.876-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, DJe de 18/8/2015). No caso, são apresentadas razões relacionadas ao impacto da declaração de inconstitucionalidade do art. 10 da Lei Estadual 10.254/1990 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 25 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG e do art. 7º, § 1º, da Lei Estadual 9.726/1988, sobre o funcionamento dos serviços públicos de educação básica no âmbito estadual. Segundo o Governador e o Estado de Minas Gerais, o sistema de ensino público estadual está estruturado com fundamento em aspectos fáticos e operacionais que levam em consideração a vigência das normas declaradas inconstitucionais – há mais de três décadas em vigor. Afirmam que “esses aspectos decorrem da grandiosidade do sistema e sua capilaridade territorial onde, não raras vezes, se depara com situações locais de completa ou quase completa ausência de profissional até mesmo para substituições pontuais”. De fato, a Jurisprudência da CORTE reconhece a necessidade de que sejam modulados os efeitos de declaração de inconstitucionalidade de ato normativo quando a invalidação do ato com eficácia ex tunc produz impacto negativo sobre a continuidade da prestação de serviços públicos essenciais para a população. Nesse sentido: ADI 3649, Rel. Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 28/5/2014, DJe de 30/10/2014; ADI 3609, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 5/2/2014, DJe de 30/10/2014; e ADI 3415-ED-segundos, Rel. Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 1/8/2018, DJe DE 28/9/2018). A extensão do prazo pretendido pelo Governador de Minas Gerais, no entanto, mitigaria o próprio reconhecimento da inconstitucionalidade, tal como afirmada pelo Plenário da CORTE. As dificuldades operacionais eventualmente suscitadas pelo fim da designação para o exercício de função pública, no que diz respeito ao sistema de ensino público, considerando já transcorrido mais de um ano desde o julgamento de mérito, deverão ser enfrentadas e mitigadas pelo Poder Público estadual. Não se justifica a continuidade do expediente tido por inconstitucional por mais 5 anos. Assim, o pleito merece ser acolhido apenas parcialmente, para que preserve a possibilidade de designação de professores no ano letivo em curso, 2021, não admitida a persistência de efeitos além desse marco. Diante do exposto, DIVIRJO do Ministro Relator, CONHEÇO e ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração, para, modulando os efeitos da declaração de inconstitucionalidade 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.aspsob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG e do art. 7º, § 1º, da Lei Estadual 9.726/1988, sobre o funcionamento dos serviços públicos de educação básica no âmbito estadual. Segundo o Governador e o Estado de Minas Gerais, o sistema de ensino público estadual está estruturado com fundamento em aspectos fáticos e operacionais que levam em consideração a vigência das normas declaradas inconstitucionais – há mais de três décadas em vigor. Afirmam que “esses aspectos decorrem da grandiosidade do sistema e sua capilaridade territorial onde, não raras vezes, se depara com situações locais de completa ou quase completa ausência de profissional até mesmo para substituições pontuais”. De fato, a Jurisprudência da CORTE reconhece a necessidade de que sejam modulados os efeitos de declaração de inconstitucionalidade de ato normativo quando a invalidação do ato com eficácia ex tunc produz impacto negativo sobre a continuidade da prestação de serviços públicos essenciais para a população. Nesse sentido: ADI 3649, Rel. Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 28/5/2014, DJe de 30/10/2014; ADI 3609, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 5/2/2014, DJe de 30/10/2014; e ADI 3415-ED-segundos, Rel. Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 1/8/2018, DJe DE 28/9/2018). A extensão do prazo pretendido pelo Governador de Minas Gerais, no entanto, mitigaria o próprio reconhecimento da inconstitucionalidade, tal como afirmada pelo Plenário da CORTE. As dificuldades operacionais eventualmente suscitadas pelo fim da designação para o exercício de função pública, no que diz respeito ao sistema de ensino público, considerando já transcorrido mais de um ano desde o julgamento de mérito, deverão ser enfrentadas e mitigadas pelo Poder Público estadual. Não se justifica a continuidade do expediente tido por inconstitucional por mais 5 anos. Assim, o pleito merece ser acolhido apenas parcialmente, para que preserve a possibilidade de designação de professores no ano letivo em curso, 2021, não admitida a persistência de efeitos além desse marco. Diante do exposto, DIVIRJO do Ministro Relator, CONHEÇO e ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração, para, modulando os efeitos da declaração de inconstitucionalidade 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 26 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG pronunciada pelo Plenário, admitir a produção de efeitos pelas normas impugnadas até o fim do ano em curso. É como voto. 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG pronunciada pelo Plenário, admitir a produção de efeitos pelas normas impugnadas até o fim do ano em curso. É como voto. 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F79-4980-19E1-5D94 e senha 72E7-DBAF-751D-7FA4 Inteiro Teor do Acórdão - Página 27 de 36 Voto Vogal 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) V O T O A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (Vogal): 1. Peço vênia ao Ministro Relator para divergir. 2. Tem-se nos autos que, em 7.5.2020, foram opostos pelo Governador de Minas Gerais embargos de declaração contra acórdão deste Supremo Tribunal pelo qual julgado parcialmente procedente pedido em ação direta de inconstitucionalidade para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 10 da Lei estadual n. 10.254/1990 e do § 1º do art. 7º da Lei estadual n. 9.726/1988, ambas de Minas Gerais. Em 29.5.2020, o Plenário deste Supremo Tribunal, por maioria, não conheceu dos embargos de declaração, sob o fundamento de que a petição não havia sido subscrita pelo Governador de Minas Gerais, apenas pelo Advogado-Geral daquele Estado e por outros procuradores estaduais: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 10 DA LEI ESTADUAL Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal 03/08/2021 PLENÁRIO EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) :GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) :PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) :ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE E OUTRO(A/S) V O T O A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (Vogal): 1. Peço vênia ao Ministro Relator para divergir. 2. Tem-se nos autos que, em 7.5.2020, foram opostos pelo Governador de Minas Gerais embargos de declaração contra acórdão deste Supremo Tribunal pelo qual julgado parcialmente procedente pedido em ação direta de inconstitucionalidade para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 10 da Lei estadual n. 10.254/1990 e do § 1º do art. 7º da Lei estadual n. 9.726/1988, ambas de Minas Gerais. Em 29.5.2020, o Plenário deste Supremo Tribunal, por maioria, não conheceu dos embargos de declaração, sob o fundamento de que a petição não havia sido subscrita pelo Governador de Minas Gerais, apenas pelo Advogado-Geral daquele Estado e por outros procuradores estaduais: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 10 DA LEI ESTADUAL Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 28 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG 10.254/1990; ARTIGO 7º, § 1º, DA LEI ESTADUAL 9.726/1988; E ARTIGO 289 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, TODAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. ALEGAÇÕES DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. PETIÇÃO SUBSCRITA PELO PROCURADOR-GERAL E POR PROCURADORES DO ESTADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO GOVERNADOR DO ESTADO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade ativa ad causam, de forma que os Estados-membros e as respectivas Procuradorias-Gerais não possuem a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de controle abstrato de constitucionalidade. Precedentes: ADI 4.420-ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Plenário, DJe de 28/5/2018; ADPF 205-AgR- segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 1º/8/2017; ADPF 317-AgR-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe de 8/6/2016; ADI 1.663-AgR-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 5/8/2013; ADI 3.702-ED,Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 26/9/2011. 2. A petição recursal foi subscrita tão somente pelo Procurador- Geral e por procuradores do Estado, não havendo assinatura do Governador do Estado, único legitimado, in casu, a instaurar processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. 3. Embargos de declaração não conhecidos” (ADI n. 5.267-ED, Relator o Ministro Luiz Fux, Plenário, DJe 18.6.2020). Contra esse acórdão, o Governador de Minas Gerais opôs estes embargos de declaração, subscritos por ele, pelo Advogado-Geral do Estado e por outros procuradores estaduais, requerendo “sejam os presentes embargos conhecidos e providos, para se conhecer dos primeiros embargos declaratórios, sendo eles, afinal, devidamente apreciados e acolhidos por essa excelsa Corte Suprema, modulando-se os efeitos da decisão”. 3. Ao apreciar recursos extraordinários interpostos em ações diretas de inconstitucionalidade estaduais, este Supremo Tribunal firmou 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG 10.254/1990; ARTIGO 7º, § 1º, DA LEI ESTADUAL 9.726/1988; E ARTIGO 289 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, TODAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. ALEGAÇÕES DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. PETIÇÃO SUBSCRITA PELO PROCURADOR-GERAL E POR PROCURADORES DO ESTADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO GOVERNADOR DO ESTADO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade ativa ad causam, de forma que os Estados-membros e as respectivas Procuradorias-Gerais não possuem a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pela Corte em sede de controle abstrato de constitucionalidade. Precedentes: ADI 4.420-ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Plenário, DJe de 28/5/2018; ADPF 205-AgR- segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 1º/8/2017; ADPF 317-AgR-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe de 8/6/2016; ADI 1.663-AgR-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 5/8/2013; ADI 3.702-ED, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 26/9/2011. 2. A petição recursal foi subscrita tão somente pelo Procurador- Geral e por procuradores do Estado, não havendo assinatura do Governador do Estado, único legitimado, in casu, a instaurar processos objetivos de constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos. 3. Embargos de declaração não conhecidos” (ADI n. 5.267-ED, Relator o Ministro Luiz Fux, Plenário, DJe 18.6.2020). Contra esse acórdão, o Governador de Minas Gerais opôs estes embargos de declaração, subscritos por ele, pelo Advogado-Geral do Estado e por outros procuradores estaduais, requerendo “sejam os presentes embargos conhecidos e providos, para se conhecer dos primeiros embargos declaratórios, sendo eles, afinal, devidamente apreciados e acolhidos por essa excelsa Corte Suprema, modulando-se os efeitos da decisão”. 3. Ao apreciar recursos extraordinários interpostos em ações diretas de inconstitucionalidade estaduais, este Supremo Tribunal firmou 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 29 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG jurisprudência no sentido da desnecessidade das peças de recursos interpostos em ações de controle abstrato de constitucionalidade serem subscritas pelos Governadores dos estados e do Distrito Federal. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 570.392, de minha relatoria, com repercussão geral, este Supremo Tribunal assentou que o Procurador-Geral do Estado tem legitimidade para interpor recurso em ação direta de inconstitucionalidade em defesa do ato normativo estadual, em simetria com a competência atribuída ao Advogado-Geral da União no § 3º do art. 103 da Constituição da República: “O Procurador-Geral do Estado dispõe de legitimidade para interpor recurso extraordinário contra acórdão do Tribunal de Justiça proferido em representação de inconstitucionalidade (art. 125, § 2º, da Constituição da República) em defesa de lei ou ato normativo estadual ou municipal, em simetria a mesma competência atribuída ao Advogado-Geral da União (art. 103, § 3º, da Constituição da República). Teoria dos poderes implícitos” (Plenário, DJe 19.2.2015). Confiram-se trechos dos debates havidos nesse julgamento: “O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: (...) Desejaria ver esclarecida a condição processual em que interveio, no caso, o Senhor Procurador-Geral do Estado, pois, como se sabe, é do Governador (e não de seu Procurador-Geral) a legitimidade para atuar no polo ativo da relação processual instaurada em sede de fiscalização concentrada de constitucionalidade (ADI 120/AM, Rel. Min. MOREIRA ALVES – ADI 1.814-MC/DF, Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA – ADI 1.977/PB, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – ADI 2.130-AgR/SC, Rel. Min. CELSO DE MELLO – ADI 4.680/DF, Rel. Min. CÁRMEN LÚCIA – ADI 5.084/RO, Rel. Min. ROSA WEBER – RE 658.375-AgR/AM, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.). A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - Se Vossa Excelência me permite? O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Pois não. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG jurisprudência no sentido da desnecessidade das peças de recursos interpostos em ações de controle abstrato de constitucionalidade serem subscritas pelos Governadores dos estados e do Distrito Federal. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 570.392, de minha relatoria, com repercussão geral, este Supremo Tribunal assentou que o Procurador-Geral do Estado tem legitimidade para interpor recurso em ação direta de inconstitucionalidade em defesa do ato normativo estadual, em simetria com a competência atribuída ao Advogado-Geral da União no § 3º do art. 103 da Constituição da República: “O Procurador-Geral do Estado dispõe de legitimidade para interpor recurso extraordinário contra acórdão do Tribunal de Justiça proferido em representação de inconstitucionalidade (art. 125, § 2º, da Constituição da República) em defesa de lei ou ato normativo estadual ou municipal, em simetria a mesma competência atribuída ao Advogado-Geral da União (art. 103, § 3º, da Constituição da República). Teoria dos poderes implícitos” (Plenário, DJe 19.2.2015). Confiram-se trechos dos debates havidos nesse julgamento: “O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: (...) Desejaria ver esclarecida a condição processual em que interveio, no caso, o Senhor Procurador-Geral do Estado, pois, como se sabe, é do Governador (e não de seu Procurador-Geral) a legitimidade para atuar no polo ativo da relação processual instaurada em sede de fiscalização concentrada de constitucionalidade (ADI 120/AM, Rel. Min. MOREIRA ALVES – ADI 1.814-MC/DF, Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA – ADI 1.977/PB, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – ADI 2.130-AgR/SC, Rel. Min. CELSO DE MELLO – ADI 4.680/DF, Rel. Min. CÁRMEN LÚCIA – ADI 5.084/RO, Rel. Min. ROSAWEBER – RE 658.375-AgR/AM, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.). A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - Se Vossa Excelência me permite? O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Pois não. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 30 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - Eu não fiz a leitura da íntegra, nem foi suscitada, por qualquer das partes, essa legitimidade recursal do Procurador- Geral - que é quem assina realmente. Eu, no entanto, tratei, para fazer esse exame, porque eu mesma concordo e sempre, ainda quando procuradora tinha o cuidado de o Governador é realmente quem entra com a ação direta e quem tem essa legitimidade. O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Sim... A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - No caso, a Secretaria deste Tribunal atua até como o Estado recorrendo, mas o Procurador-Geral é que assina, o recurso é do Estado. Qual é a análise que eu fiz, Ministro? E que, mais uma vez reitero, a meu ver tem uma distinção com a circunstância para ajuizar a ação, que aí me parece ser a do Governador, que, em geral, faz-se acompanhar pelo Procurador por causa das instâncias recursais. O § 4º do artigo 95 da Constituição do Rio Grande do Sul dispõe que: ‘Quando o Tribunal de Justiça apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou de ato normativo, citará previamente o Procurador-Geral do Estado, que defenderá o ato ou texto impugnado.’ Repetindo assim, por simetria o disposto no § 3º do artigo 103 da Constituição, que estatui a mesma competência de tutela da norma questionada, pela ação direta de inconstitucionalidade, ao Advogado- Geral da União, que entra com recursos aqui, entra com embargos, e que nós nunca questionamos. Questionamos sempre a ação direita ter que ser assinada pelo Procurador e pelo Advogado. Então, a análise que eu fiz foi que, pela teoria dos poderes implícitos, se a Constituição da República atribui competência reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aqui é uma instituição, como é a Advocacia-Geral da União, entrasse com recursos e entram nas ações diretas, com embargos, com outras medidas, por que, no plano estadual, o Procurador-Geral do Estado, que é o correspondente, dispondo a Constituição estadual expressamente a mesma norma 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - Eu não fiz a leitura da íntegra, nem foi suscitada, por qualquer das partes, essa legitimidade recursal do Procurador- Geral - que é quem assina realmente. Eu, no entanto, tratei, para fazer esse exame, porque eu mesma concordo e sempre, ainda quando procuradora tinha o cuidado de o Governador é realmente quem entra com a ação direta e quem tem essa legitimidade. O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Sim... A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - No caso, a Secretaria deste Tribunal atua até como o Estado recorrendo, mas o Procurador-Geral é que assina, o recurso é do Estado. Qual é a análise que eu fiz, Ministro? E que, mais uma vez reitero, a meu ver tem uma distinção com a circunstância para ajuizar a ação, que aí me parece ser a do Governador, que, em geral, faz-se acompanhar pelo Procurador por causa das instâncias recursais. O § 4º do artigo 95 da Constituição do Rio Grande do Sul dispõe que: ‘Quando o Tribunal de Justiça apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou de ato normativo, citará previamente o Procurador-Geral do Estado, que defenderá o ato ou texto impugnado.’ Repetindo assim, por simetria o disposto no § 3º do artigo 103 da Constituição, que estatui a mesma competência de tutela da norma questionada, pela ação direta de inconstitucionalidade, ao Advogado- Geral da União, que entra com recursos aqui, entra com embargos, e que nós nunca questionamos. Questionamos sempre a ação direita ter que ser assinada pelo Procurador e pelo Advogado. Então, a análise que eu fiz foi que, pela teoria dos poderes implícitos, se a Constituição da República atribui competência reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aqui é uma instituição, como é a Advocacia-Geral da União, entrasse com recursos e entram nas ações diretas, com embargos, com outras medidas, por que, no plano estadual, o Procurador-Geral do Estado, que é o correspondente, dispondo a Constituição estadual expressamente a mesma norma 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 31 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG quanto à competência para a tutela ser do Procurador-Geral do Estado, não teria essa competência? Sendo que, em todas as ações diretas aqui, nós, quando tem, por exemplo, embargos, nós aceitamos que o Advogado-Geral da União é quem embargue, e não vem a assinatura do Presidente da República. Então, eu fiz a simetria para interpretar. Digo, então, que, pela teoria dos poderes implícitos, se a Constituição atribui competência a determinada instituição jurídica, deve ser reconhecida a essa mesma instituição a possibilidade de se utilizar dos instrumentos jurídicos adequados e necessários para regular o exercício da competência que lhe foi atribuída. Qual? Tutelar pela validade da norma que ele está defendendo como sendo constitucional. Esse mesmo raciocínio, portanto, aplico em casos como o dos autos, nos quais a Constituição estadual atribui ao Procurador-Geral do Estado, em simetria ao Advogado-Geral do Estado, o papel de defesa da norma estadual ou municipal atacada via ação direta, tornando-se, portanto, na minha compreensão, legitimado para interposição de recurso - incluído aí o extraordinário - contra acórdão que tenha declarado inconstitucional a norma, porque o papel dele é de defender a legitimidade da norma. Não reconhecer legitimidade ao Procurador-Geral do Estado para interposição do recurso extraordinário contra acórdão que declara a inconstitucionalidade de norma estadual ou municipal questionada no Tribunal de Justiça, a meu ver, configuraria uma negativa de efetiva defesa da norma atacada, ou, pelo menos, conferir a defesa que é entregue na Constituição Federal ao Advogado-Geral da União e, na Constituição estadual, como eu disse, expressamente pela Constituição do Rio Grande do Sul, pelo § 4º do art. 95, a competência para defender. E eu acho que os recursos que dali advêm levam exatamente a isto. Essa a razão pela qual, quando se trata do ajuizamento da ação, eu aceito e já votei e, aliás, como Procuradora-Geral nunca assinei sozinha uma petição de ação direta de inconstitucionalidade. Mas, para os recursos, considerando que o Supremo Tribunal Federal aceita quanto ao Advogado-Geral do Estado, é que, então, eu mesma de ofício verifiquei isso e trouxe, que, como eu disse, nemfoi preliminar 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG quanto à competência para a tutela ser do Procurador-Geral do Estado, não teria essa competência? Sendo que, em todas as ações diretas aqui, nós, quando tem, por exemplo, embargos, nós aceitamos que o Advogado-Geral da União é quem embargue, e não vem a assinatura do Presidente da República. Então, eu fiz a simetria para interpretar. Digo, então, que, pela teoria dos poderes implícitos, se a Constituição atribui competência a determinada instituição jurídica, deve ser reconhecida a essa mesma instituição a possibilidade de se utilizar dos instrumentos jurídicos adequados e necessários para regular o exercício da competência que lhe foi atribuída. Qual? Tutelar pela validade da norma que ele está defendendo como sendo constitucional. Esse mesmo raciocínio, portanto, aplico em casos como o dos autos, nos quais a Constituição estadual atribui ao Procurador-Geral do Estado, em simetria ao Advogado-Geral do Estado, o papel de defesa da norma estadual ou municipal atacada via ação direta, tornando-se, portanto, na minha compreensão, legitimado para interposição de recurso - incluído aí o extraordinário - contra acórdão que tenha declarado inconstitucional a norma, porque o papel dele é de defender a legitimidade da norma. Não reconhecer legitimidade ao Procurador-Geral do Estado para interposição do recurso extraordinário contra acórdão que declara a inconstitucionalidade de norma estadual ou municipal questionada no Tribunal de Justiça, a meu ver, configuraria uma negativa de efetiva defesa da norma atacada, ou, pelo menos, conferir a defesa que é entregue na Constituição Federal ao Advogado-Geral da União e, na Constituição estadual, como eu disse, expressamente pela Constituição do Rio Grande do Sul, pelo § 4º do art. 95, a competência para defender. E eu acho que os recursos que dali advêm levam exatamente a isto. Essa a razão pela qual, quando se trata do ajuizamento da ação, eu aceito e já votei e, aliás, como Procuradora-Geral nunca assinei sozinha uma petição de ação direta de inconstitucionalidade. Mas, para os recursos, considerando que o Supremo Tribunal Federal aceita quanto ao Advogado-Geral do Estado, é que, então, eu mesma de ofício verifiquei isso e trouxe, que, como eu disse, nem foi preliminar 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 32 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG suscitada. Mas faço essa explicação apenas para chamar a atenção das razões. O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Muito oportuna a explicação que Vossa Excelência dá, ao esclarecer que o Procurador-Geral do Estado interveio, nesta causa, na condição de curador da presunção de constitucionalidade do diploma legislativo impugnado. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - Curador da validade. O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Sendo assim, acompanho Vossa Excelência, Senhora Presidente, quanto à rejeição de ambas as preliminares”. No julgamento dos Embargos de Divergência nos Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 1.068.600, Relator o Ministro Alexandre de Moraes, este Supremo Tribunal manteve sua jurisprudência predominante sobre a desnecessidade de constar do recurso interposto em ação de controle concentrado a assinatura do chefe de poder: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSOS EM REPRESENTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PROPOSTA PERANTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PARTE LEGITIMADA PARA PROPOR A AÇÃO E PARA SUBSCREVER AS PEÇAS PROCESSUAIS. NECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DO PODER NAS PEÇAS POSTULATÓRIAS, JUNTAMENTE COM O PROCURADOR. DOCUMENTO CONSTANTE DOS AUTOS, VEICULANDO AUTORIZAÇÃO INEQUÍVOCA DO LEGITIMADO PARA OS ADVOGADOS PROPOREM E IMPULSIONAREM A AÇÃO. DESNECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DE PODER NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A Segunda Turma manteve a decisão do eminente Relator que 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG suscitada. Mas faço essa explicação apenas para chamar a atenção das razões. O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Muito oportuna a explicação que Vossa Excelência dá, ao esclarecer que o Procurador-Geral do Estado interveio, nesta causa, na condição de curador da presunção de constitucionalidade do diploma legislativo impugnado. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE E RELATORA) - Curador da validade. O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Sendo assim, acompanho Vossa Excelência, Senhora Presidente, quanto à rejeição de ambas as preliminares”. No julgamento dos Embargos de Divergência nos Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 1.068.600, Relator o Ministro Alexandre de Moraes, este Supremo Tribunal manteve sua jurisprudência predominante sobre a desnecessidade de constar do recurso interposto em ação de controle concentrado a assinatura do chefe de poder: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSOS EM REPRESENTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PROPOSTA PERANTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PARTE LEGITIMADA PARA PROPOR A AÇÃO E PARA SUBSCREVER AS PEÇAS PROCESSUAIS. NECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DO PODER NAS PEÇAS POSTULATÓRIAS, JUNTAMENTE COM O PROCURADOR. DOCUMENTO CONSTANTE DOS AUTOS, VEICULANDO AUTORIZAÇÃO INEQUÍVOCA DO LEGITIMADO PARA OS ADVOGADOS PROPOREM E IMPULSIONAREM A AÇÃO. DESNECESSIDADE DA ASSINATURA DO CHEFE DE PODER NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A Segunda Turma manteve a decisão do eminente Relator que 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 33 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG não admitiu o Recurso Extraordinário, pois “[a] legitimidade ativa para a propositura da ação direta de inconstitucionalidade, bem como dos recursos dela decorrentes é do prefeito municipal, e não do procurador do município.” 2. A Constituição Federal, no art. 103, prevê a legitimidade ativa do Chefe do Poder Executivo para propositura de ação de controle concentrado de constitucionalidade. 3. Com base nessa norma, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL tem jurisprudência no sentido de que os procuradores públicos, ou os advogados contratados pelo ente público, não possuem capacidade para ajuizar ação direta de inconstitucionalidade, nem para interpor recursos, sem a subscrição da pessoa legitimada pela Constituição.4. Nestes autos, consta documento com manifestação inequívoca do Chefe do Poder Executivo, conferindo poderes específicos ao procurador para instaurar o processo de controle normativo abstrato de constitucionalidade, bem como para recorrer das decisões proferidas nos autos. 5. Recusar o Recurso Extraordinário neste contexto seria ceder a excessivo formalismo, o que não se admite, ainda mais se forem levados em conta os relevantes interesses em jogo no processo de controle concentrado de constitucionalidade. 6. Mesmo que assim não se entendesse, o Código de Processo Civil de 2015 traz uma nova perspectiva, voltada à primazia da resolução do mérito. 7. Portanto, seriam de todo aplicáveis os arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC/2015, que preveem concessão de prazo para a regularização, respectivamente, da incapacidade processual, da representação da parte e do vício sanável, ou para a complementação da documentação exigível, notadamente antes de se considerar inadmissível o recurso. 8. Embargos de Divergência providos, para admitir o Recurso Extraordinário, o qual deverá ser decidido pelo Eminente Relator, como de direito” (RE n. 1.068.600-AgR-ED-EDv, Relator o Ministro Alexandre de Moraes, Plenário, DJe 12.11.2020). 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG não admitiu o Recurso Extraordinário, pois “[a] legitimidade ativa para a propositura da ação direta de inconstitucionalidade, bem como dos recursos dela decorrentes é do prefeito municipal, e não do procurador do município.” 2. A Constituição Federal, no art. 103, prevê a legitimidade ativa do Chefe do Poder Executivo para propositura de ação de controle concentrado de constitucionalidade. 3. Com base nessa norma, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL tem jurisprudência no sentido de que os procuradores públicos, ou os advogados contratados pelo ente público, não possuem capacidade para ajuizar ação direta de inconstitucionalidade, nem para interpor recursos, sem a subscrição da pessoa legitimada pela Constituição. 4. Nestes autos, consta documento com manifestação inequívoca do Chefe do Poder Executivo, conferindo poderes específicos ao procurador para instaurar o processo de controle normativo abstrato de constitucionalidade, bem como para recorrer das decisões proferidas nos autos. 5. Recusar o Recurso Extraordinário neste contexto seria ceder a excessivo formalismo, o que não se admite, ainda mais se forem levados em conta os relevantes interesses em jogo no processo de controle concentrado de constitucionalidade. 6. Mesmo que assim não se entendesse, o Código de Processo Civil de 2015 traz uma nova perspectiva, voltada à primazia da resolução do mérito. 7. Portanto, seriam de todo aplicáveis os arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC/2015, que preveem concessão de prazo para a regularização, respectivamente, da incapacidade processual, da representação da parte e do vício sanável, ou para a complementação da documentação exigível, notadamente antes de se considerar inadmissível o recurso. 8. Embargos de Divergência providos, para admitir o Recurso Extraordinário, o qual deverá ser decidido pelo Eminente Relator, como de direito” (RE n. 1.068.600-AgR-ED-EDv, Relator o Ministro Alexandre de Moraes, Plenário, DJe 12.11.2020). 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 34 de 36 Voto Vogal ADI 5267 ED-ED / MG O voto proferido pelo Ministro Relator diverge dessa orientação jurisprudencial. • Pelo exposto, pedindo vênias ao Relator, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para conhecer dos primeiros embargos de declaração opostos, determinando sejam eles submetidos a julgamento de mérito. Publicado sem revisão Art.95 do RISTF 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Supremo Tribunal Federal ADI 5267 ED-ED / MG O voto proferido pelo Ministro Relator diverge dessa orientação jurisprudencial. • Pelo exposto, pedindo vênias ao Relator, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para conhecer dos primeiros embargos de declaração opostos, determinando sejam eles submetidos a julgamento de mérito. Publicado sem revisão Art.95 do RISTF 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado eletronicamente pelo(a) Min. Cármen Lúcia, conforme o Art. 205, § 2º, do CPC. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B98E-8E4C-659C-D537 e senha D94D-4DB2-CCCA-C4FD Inteiro Teor do Acórdão - Página 35 de 36 Extrato de Ata - 03/08/2021 PLENÁRIO EXTRATO DE ATA EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 PROCED. : MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) : GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) : ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) : ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE (80779/MG) E OUTRO(A/S) Decisão: O Tribunal, por maioria, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Plenário, Sessão Virtual de 25.6.2021 a 2.8.2021. Composição: Ministros Luiz Fux (Presidente), Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Nunes Marques. Carmen Lilian Oliveira de Souza Assessora-Chefe do Plenário Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8202-A6EB-BBB0-B80C e senha 7EF0-469F-D36B-3B83 Supremo Tribunal Federal PLENÁRIO EXTRATO DE ATA EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.267 PROCED. : MINAS GERAIS RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI EMBTE.(S) : GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) : ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMBDO.(A/S) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ADV.(A/S) : ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE (80779/MG) E OUTRO(A/S) Decisão: O Tribunal, por maioria, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Plenário, Sessão Virtual de 25.6.2021 a 2.8.2021. Composição: Ministros Luiz Fux (Presidente), Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Nunes Marques. Carmen Lilian Oliveira de Souza Assessora-Chefe do Plenário Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.aspsob o código 8202-A6EB-BBB0-B80C e senha 7EF0-469F-D36B-3B83 Inteiro Teor do Acórdão - Página 36 de 36 Supremo Tribunal Federal Certidão de Trânsito AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5267 : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICAREQTE.(S) : GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAISINTDO.(A/S) : ADVOGADO-GERAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S) (ES) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAISINTDO.(A/S) : ALESSANDRA STRAMBI DE ALMEIDA MITRE (80779/MG) E OUTRO (A/S) ADV.(A/S) Certifico que o(a) acórdão/decisão transitou em julgado em 28.10.2021. Brasília, 28 de outubro de 2021. IVAN MENDES COSTA Matrícula 2164 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código DFC8-D4BD-9E7B-FB94 e senha BC47-EBC4-6B13-41D6 Ementa e Acórdão Relatório Voto - MIN. DIAS TOFFOLI Voto Vogal Voto Vogal Voto Vogal Extrato de Ata - 03/08/2021