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A EDUCAÇÃO ESPECIAL A LUZ DA LEI DE DIRETRIZES E BASE DA EDUCAÇÃO NACIONAL 9.394/96 Tendo em vista que a Constituição Federal de 1988 rege em seu art. 208, inciso III o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”, observa-se que a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96) que foi publicada em 20 de dezembro de 1996, no art. 58 traz um capítulo exclusivo sobre a Educação Especial a qual chama de modalidade de ensino: “Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais” (LDB 9394/96). Essa nova lei da educação substituiu a expressão “atendimento educacional especializado” tratado na Constituição Federal de 1988 por “educação especial”. A substituição do termo, não é visto como sinônimo, pois a educação especial, sempre foi considerada como mais uma modalidade de ensino, bem como, a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio como se pode observar no art. 21, inciso I e II da LDB Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. II – educação superior. No entanto esta deveria se fazer na verdade inclusa nas três, ou seja, como um atendimento especializado dentro de cada uma delas ao invés de separadamente. O que leva a uma contradição dentro da própria lei quando o art. 4°, inciso III, diz: Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: [...] III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino (grifo nosso) Podemos observar, no entanto, que o termo “atendimento especializado” está sendo utilizado como mais uma garantia de recurso e instrumento realizados fora da sala de ensino regular com o objetivo de suprimir as dificuldades que os portadores de deficiência encontram. A palavra está sendo interpretada de forma inequívoca pela escola que vem a pensar que pode optar em receber ou não o aluno portador de deficiência, quando se trata de uma lei obrigatória. Diante disso é necessário dissolver toda e qualquer imagem de que a Educação Especial é um substituto do direito à educação inclusiva na rede de ensino regular, pois o portador de deficiência ou portador de necessidades especiais possuem necessidades incomuns, diferente de outros alunos no atinente às aprendizagens curriculares que precisam ser solucionadas por direito desde o início da sua vida escolar (RIBEIRO, 2000). Carvalho (1998, p.18-19) comenta em seu livro que a nova LDB, teve “sensível evolução embora o alunado continue sendo clientela e a educação especial esteja conceituada como modalidade de educação escolar oferecida a educandos portadores de necessidades especiais”. Aceitar que a educação especial possa ser uma modalidade de educação apenas porque abrange todos os níveis de ensino traria muitas vantagens, no entanto em nossa cultura é considerado como uma outra modalidade distinta o que leva, de maneira imprecisa “a pensar que convivemos com uma duplicidade de educação, cuja finalidade e objetivo não são os mesmos para todos, variando em função das características da clientela” (CARVALHO, 1998, p.18-19), Por causa dessa situação equivocada a educação especial tem se constituído como um subsistema à parte, tão imatura como os próprios alunos, seja na escola ou na ordem social, quando na verdade, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a Educação especial era para ser considerada como: [...] elemento integrante e indistinto do sistema educacional que se realiza transversalmente, em todos os níveis de ensino, nas instituições escolares, cujo projeto, organização e pratica pedagógica devem respeitar a diversidade dos alunos, a exigir diferenciações nos atos pedagógicos que contemplem as necessidades educacionais da todos. Os alunos portadores de necessidades especiais são classificados por: Barcellos (2003) e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1998), da seguinte forma: Portador de deficiência auditiva: perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala por intermédio do ouvido. Manifesta-se como: surdez leve / moderada ou surdez severa / profunda. Portador de deficiência física: Variedade de condições não sensoriais que afetam o indivíduo em termos de mobilidade, de coordenação motora geral ou da fala, como decorrência de lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, ou, ainda, de malformações congênitas ou adquiridas. Portador de deficiência mental: caracteriza-se por registrar um funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação; cuidados pessoais; habilidades sociais; desempenho na família e comunidade; independência na locomoção; saúde e segurança; desempenho escolar; lazer e trabalho. Portador de deficiência visual: redução ou perda total da capacidade de ver com o melhor olho e após a melhor correção ótica. Manifesta-se como: cegueira ou visão reduzida. Portador de deficiência múltipla: é a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (mental/ visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa. Portador de Síndrome de Down / Deficiência Física Motora – embora esteja incluída na classificação de deficiência mental, é importante conceitua-la. Trata de uma condição genética caracterizada pela presença de um cromossomo a mais nas células de seu portador. Esse acidente genético produz um variável grau de atraso no desenvolvimento mental e motor das pessoas portadoras da síndrome de Down. Superdotação-notável – desempenho e elevado potencial em qualquer dos seguintes aspectos isolados ou combinados: capacidade intelectual geral; aptidão acadêmica especifica; pensamento criativo ou produtivo; capacidade de liderança; talento para artes; capacidade psicomotora. Conduta típicas – manifestações de comportamento típicas de comportamento de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que ocasionam atrasos no desenvolvimento e prejuízo no relacionamento social, em grau que requeira atendimento especializado. Ex: Autista, Hiperativo, com Distúrbio de Conduta. Vindo o sistema educacional brasileiro a considerar a educação especial como uma modalidade de ensino, contribui negativamente para as Secretarias de Educação em sua filosofia de educação e em suas ações (BARCELLOS, 2003). Segundo Carvalho (2007, p. 11), estudos sobre a estrutura e funcionamento da educação especial demonstram, “não só a multiplicidade de concepções administrativas para educação especial (serviço, divisão, departamento...) como a baixa correspondência hierárquica entre órgão e aqueles responsáveis pelos demais graus de ensino”. A diferença entre a educação especial considerada como uma modalidade separada não é só terminológica, mas também no que diz respeito ao investimento financeiro que não usufrui de verbas necessárias fazendo com que a administração da educação especial fique em desvantagem quando comparada à educação regular. Almeida (2007) explica que a Educação Especial é [...] uma modalidade de ensino que visa promover o desenvolvimento das potencialidades de pessoas portadoras de necessidades especiais, condutas típicas ou altas habilidades, e que abrange os diferentes níveis e graus do sistema de ensino. Fundamenta-se em referenciaisteóricos e práticos compatíveis com as necessidades especificas de seu alunado. O termo Modalidades de Atendimento Educacional são “alternativas de procedimentos didáticos específicos e adequados às necessidades educacionais do alunado da educação especial e que implicam espaço físico, recursos humanos e materiais diferenciados” (BARCELLOS, 2003, p.8). Dentre as modalidades de atendimento para o portador de necessidades especiais no Brasil podemos encontrar: ● Atendimento domiciliar – atendimento educacional prestado ao portador de necessidades especiais, em sua casa, face à impossibilidade de sua freqüência à escola. ● Classe Especial – sala de aula em escolas de ensino regular, organizada de forma a se constituir em ambiente próprio e adequado ao processo ensino/aprendizagem do alunado que apresenta deficiência (mental, auditiva, visual, física e múltiplas deficiências), conduta típica e superdotada. ● Escola Especial – instituição especializada, destinada a prestar atendimento psicopedagógico a educandos portadores de deficiência e de condutas típicas, onde são desenvolvidos e utilizados, por profissionais qualificados, currículos adaptados, programas e procedimentos metodológicos diferenciados, apoiados em equipamentos e materiais didáticos específicos. ● Sala de recursos – sala com equipamentos, materiais e recursos pedagógicos específicos à natureza das necessidades especiais do alunado, onde se oferece, aos alunos portadores de necessidades especiais, a complementação do atendimento educacional realizado, em classes do ensino regular. ● Ensino com professor itinerante – trabalho educativo desenvolvido em varias escolas por docente especializado, que periodicamente trabalha com o aluno que apresenta necessidades especiais e com o professor de classe comum, proporcionando-lhe orientação, ensinamentos e supervisão adequados. ● Centro Integrado de Educação Especial – organização que dispõe de serviços de avaliação diagnostica, de estimulação essencial, de escolarização propriamente dita e de preparação para o trabalho, contando com o apoio de equipe interdisciplinar que utiliza equipamentos, materiais e recursos didáticos específicos para atender alunos portadores de necessidades especiais. ● Sala de estimulação essencial – esta modalidade visa o atendimento a crianças de criança de 0 a 3 anos de idade, portadora de necessidades especiais e de alto risco, utilizando atividades e recursos ambientais incentivadores destinados a proporcionar, à criança experiência significativas para ajudar-la alcançar um desenvolvimento pleno de seu potencial (BRASIL, MEC/BIRD, 2007, p.18). Outras modalidades podem ter referências nas organizações não governamentais (ONG), especializadas no atendimento a pessoa com necessidades especiais, como a Sociedade Pestelozzi e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Não é a modalidade de atendimento que diferencia a educação dada ao aluno portador de deficiência, mas sim, o comprometimento do professor que precisa ter como meta principal o desenvolvimento das capacidades potenciais de cada aluno, oferecendo- lhe técnicas e recursos pedagógicos que atendam as sua necessidades educacionais. Lei Federal N° 7.853/89 Mesmo com todo o sofrimento e discriminação que o portador de deficiência vêm sofrendo ao longo dos séculos, somente em 24 de outubro de 1989 foi elaborada a Lei n. 7.853/89 que disciplinou sua proteção e integração social aos portadores de deficiência, estabelecendo normas gerais para a efetiva integração social, garantindo o pleno exercício tanto no seu aspecto individual como social, um ano após a Constituição Federal de 1988 que em primeiro plano trouxe direitos e garantias aos mesmos. A Lei n. 7.853/89 estabeleceu normas gerais que garantem o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiências e sua efetiva integração social, inclusive no que se refere a educação, onde podemos observar com a citação de Ramos (2002, p.101-109) aos arts. 2º e 29: Art. 2° Ao Poder Público e seus órgão cabe assegurar ás pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à previdência social, à cultura, ao amparo à infância e a maternidade, e de outros que decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem estar pessoal, social e econômico. I-Na área da educação: a) A inclusão, no Sistema Educacional, da Educação Especial como modalidade educativa que abranja a educação escolar, as de 1° e 2° graus, a supletiva, a habilitação e a reabilitação profissionais, com currículos, etapas e exigências próprias; b) A inserção, no referido Sistema Educacional, das escolas especiais, privadas e públicas; e) Acesso de alunos portadores de deficiência aos benefícios conferidos aos demais educandos, inclusive matéria escolar e bolsas de estudo; f) A matricula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras capazes de se integrarem no sistema regular de ensino. Art. 29 As escolas e instituições de educação profissionais oferecidas, se necessários, serviços de apoio especializado para atender as peculiaridades da pessoa portadora de deficiência tais como: I- Adequação dos recursos físicos: eliminação de barreiras arquitetônicas, ambiente e de comunicação (RAMOS, 2002, p.101-109) Diante do exposto podemos observar que as escolas não podem recusar um aluno portador de deficiência, mas sim oferecer serviços de apoio especializado para atender as peculiaridades desses alunos. Essa realidade, no entanto se torna duvidosa em sua execução. Estariam realmente todas as escolas abertas para o recebimento dos alunos portadores de deficiência? Araújo (2006, p.160) faz uma observação sobre esse problema quando diz que “apesar do direito inquestionável”, [...] é visível, frequentemente nas escolas, a recusa de matricula ao aluno portador de deficiência, alegando que a escola não está preparada para receber esse aluno, a partir da sua estrutura física, até a falta de recursos didáticos, destinado para essa pratica. Isso ocorre mesmo sabendo, que tal comportamento, é ilegal. Dessa forma podemos observar que os portadores de deficiência possuem direitos e garantias asseguradas por lei que possibilitam a sua inclusão na educação, mas que na prática cotidiana, não tem acontecido de forma tão eficaz, devido, principalmente à falta de estrutura física e pedagógica das escolas públicas. Como apoio aos portadores de deficiência a Lei 7.853/89 estabelece a execução do que lhes é de direito como obrigação nacional a cargo do poder público e da sociedade. Cabendo ao Ministério Público garantir a propositura de ação civil Pública, caso haja o descumprimento das normas, como rege seu art. 3º: Art.3. Ações civis públicas destinadas a proteção de interesse coletivo ou difuso das pessoas portadoras devem ser proposta pelo Ministério Público, pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal; por associação constituída nos termos da lei civil, autarquia, empresas públicas, fundação ou sociedade de economia mista que inclua, entre institucionais, a proteção das pessoas portadoras de deficiência. O Ministério Público é o órgão responsável pela proteção dos direitos desses indivíduos é uma “instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”, é uma “instituição que historicamente está ligada à proteção do fraco” e que mesmo moderna, não abandona sua tradicional atuação “promovendo a defesa dos interesses de grupos” (ARAÚJO, 2006, p.283). Decreto N° 3298/1999 O Decreto N° 3298/1999 veio para regulamentar a Lei n°7.853, de 24 de outubro de 1989, que dispõesobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência que em seu art. 3°, inciso I, II, III, considera: I - deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; II - deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e III - incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. Entre os tipos de deficiência, o art. 4, incisos I, II, III, IV, e V consideram o que vem a ser os tipos de deficiências diferenciadas em categorias como: l - deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; II - deficiência auditiva - perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; III - deficiência visual - cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; IV - deficiência mental – funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: a) comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização dos recursos da comunidade; e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer; e h) trabalho; V - deficiência múltipla – associação de duas ou mais deficiências. O Decreto referido vem firmar em seu art. 7º os princípios fundamentais dos direitos humanos, expondo, principalmente a execução da lei no que se refere a inclusão social em todos os seus aspectos sociais, citando: I - o acesso, o ingresso e a permanência da pessoa portadora de deficiência em todos os serviços oferecidos à comunidade; II - integração das ações dos órgãos e das entidades públicos e privados nas áreas de saúde, educação, trabalho, transporte, assistência social, edificação pública, previdência social, habitação, cultura, desporto e lazer, visando à prevenção das deficiências, à eliminação de suas múltiplas causas e à inclusão social; III - desenvolvimento de programas setoriais destinados ao atendimento das necessidades especiais da pessoa portadora de deficiência; IV - formação de recursos humanos para atendimento da pessoa portadora de deficiência; e V - garantia da efetividade dos programas de prevenção, de atendimento especializado e de inclusão social. O direito à educação em escola regular pode ser notado no art. 24, inciso I, II e IV, onde estabelece: Art. 24 [...] I - a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoa portadora de deficiência capazes de se integrar na rede regular de ensino; II - a inclusão, no sistema educacional, da educação especial como modalidade de educação escolar que permeia transversalmente todos os níveis e as modalidades de ensino; [...] IV - a oferta, obrigatória e gratuita, da educação especial em estabelecimentos públicos de ensino Traçando um paralelo da Constituição Federal com as normas que tratam da pessoa portadora de deficiência, pode-se dizer que há uma divergência entre elas. Nos arts. 205, 206 e 208 da CF, respectivamente, observam-se que “a educação é direito de todos e dever do Estado e da família com o objetivo de preparar a pessoa para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Nesse contexto, o ensino deverá ser ministrado, com “base no princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”, independente de que nível social, étnico ou financeiro esse indivíduo faz parte. Assim, levando-se em consideração o art. 208, inciso III da CF: “é dever do Estado garantir o atendimento educacional especializado ao portador de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” e o art. 59 da Lei de Diretrizes e Base da Educação, 9.394/96, que rege sobre a portadores de necessidades especiais o acesso a “currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades” além de direito a “professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns” No entanto, a Lei 7.853/89 e o Decreto n° 3298/1999 mencionam que a educação especial é uma modalidade de ensino, e que a inserção será feita no ensino regular escolas especiais públicas e privadas bem como a matricula obrigatória. Assim, no que tange a inserção; e a matricula nas escolas privadas, a Lei 7.853/89 e do Decreto n°3.298/1999, divergem da Lei 9.394/96. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Marina S. Rodrigues. Manual informativo aos pais sobre o paradigma da inclusão e dúvidas sobre Educação Especial. 2007. Disponível em: http://www.educacaoonline.pro.br/art_manual_informativo.asp?f_id_artigo=400 Acesso em: BARCELLOS, Leonardo. Educação Especial – Modulo III: O desafio da Educação Especial. Rio de Janeiro: AVM, 2003. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 31 de março de 1990. Organização do texto: Senado, 2007, 135p. Disponível em: <//http: www.stf.gov.br>Acesso em BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 24 de Outubro de 1989. Organização do texto: Senado, 2007, 6p. Disponível em: <//http: www.planalto.gov.br>Acesso em BRASIL. Decreto nº. 3.298, de 20 de Dezembro/99. Regulamenta a Lei nº. 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, ano 141, n. 35, 20 de Dezembro de 1999. Seção 1, p.1. Disponível em: <//http: www.mds.gov.br>Acesso em BRASIL. MEC/ BIRD. Projeto de educação básica para a região do nordeste. Coordenação: SOUSA, José Maria de Araújo. Brasília: BRASIL. MEC/ Secretaria de Educação Especial. Experiências Educacionais Inclusivas/ Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. Brasília-DF, 2006. BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. “Roteiro e Metas para Orientar o Debate sobre o Plano Nacional de Educação”. Brasil, INEP, 1997. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. 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