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mito de narciso Mod 8 pdf

Texto sobre o mito de Narciso, conceitos freudianos de narcisismo (primário e secundário), características da posição narcisista segundo Zimerman e início de análise psicanalítica do filme Beleza Oculta.

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Cris M.

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CETEP 
 CENTRO DE ESTUDOS DE TERAPIAS E PSICANÁLISE 
 PSICANÁLISE EAD 
 
 
 
 
 
 CRISTIANE MARGARETE AMORIM DOS SANTOS 
 
 
 MÓDULO 8: MITO DE NARCISO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 HORTOLÂNDIA 2021 
 
 
 
 
 
 O MITO DE NARCISO 
 
 
 
 
 Narciso, um jovem de extrema beleza, era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope. No 
entanto, apesar de atrair e despertar cobiça nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, 
pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecer seu amor. E foi o seu desprezo pelos 
outros que o derrotou. 
 
 Quando Narciso nasceu, sua mãe consultou o adivinho Tirésias que lhe predisse que Narciso 
viveria muitos anos desde que nunca conhecesse a si mesmo. Narciso cresceu tornando-se 
cada vez mais belo e todas as moças e ninfas queriam seu amor, mas ele desprezava a todas. 
Certo dia, enquanto Narciso descansava sob as sombras do bosque, a ninfa Eco se apaixonou 
por ele. Porém tendo-a rejeitado, as ninfas jogaram-lhe uma maldição: – Que Narciso ame com 
a mesma intensidade, sem poder possuir a pessoa amada. Nêmesis, a divindade punidora, 
escutou e atendeu ao pedido. 
 
 Naquela região havia uma fonte límpida de águas cristalinas da qual ninguém havia se 
aproximado. Ao se inclinar para beber água da fonte, Narciso viu sua própria imagem refletida 
e encantou-se com sua visão. Fascinado, Narciso ficou a contemplar o lindo rosto, com aqueles 
belos olhos e a beleza dos lábios, apaixonou-se pela imagem sem saber que era a sua própria 
imagem refletida no espelho das águas. 
 
 Por várias vezes Narciso tentou alcançar aquela imagem dentro da água, mas inutilmente; 
não conseguia reter com um abraço aquele ser encantador. Esgotado, Narciso deitou na relva 
e aos poucos seu corpo foi desaparecendo. No seu lugar, surgiu uma flor amarela com pétalas 
brancas no centro que passou a se chamar, Narciso. 
(Parte do texto retirado do site: eventosmitologiagrega.blogspot.com 
 
 
 
 
 Narcisismo é o nome de um conceito proposto por Sigmund Freud, que determina o amor 
de uma pessoa por si mesma, especialmente por sua imagem. O nome do transtorno está 
relacionado ao mito de narciso, porque restaura a natureza egoísta de ostentar um valor muito 
alto. 
 Em outras palavras, os narcisistas estão excessivamente preocupados com eles próprios e 
com sua imagem. Essa vaidade desenfreada, essa admiração excessiva por si mesmo pode 
causar problemas ao indivíduo, geralmente sentindo necessidade de admiração, não permite 
que sua aparência seja ignorada em determinado grupo. 
 Freud separou o fenômeno em duas instâncias: o narcisismo primário e o narcisismo 
secundário. 
 -Narcisismo primário: 
crianças e jovens acreditam ser superiores e investem toda sua libido em si mesmas. 
Entretanto, com o passar do tempo, essa libido é dirigida para fora, para outros objetos que 
não o próprio indivíduo. 
 
 -Narcisismo secundário: 
após a libido ser projetada para fora, os indivíduos a direcionam de volta para si, o que resulta 
em adultos deslocados da sociedade, que não possuem capacidade de amar e de ser 
amados. 
 
 Zimerman, sugere a conceituação de posição narcisista como sendo "um vértice de 
visualização do mundo das relações humanas a partir da condição fundamental de que ainda 
não se tenha processado a diferença entre o "eu" e os outros. 
 Essa posição tem as seguintes características: 
 -Condição de indiferenciação. 
 -Um permanente estado de ilusão. 
 -Negação das diferenças. 
 -A presença da parte psicótica da personalidade 
 -Persistência de núcleos de simbiose e ambiguidade (ser o melhor ou o pior...) escala de 
valores baseada no ego ideal e no ideal do ego. 
 -A existência de identificações defeituosas. 
 - Uma busca por fetiches e objetos reasseguradores 
 -Um permanente jogo de comparações. 
 -A frequente presença de uma gangue narcisista 
 
 
 ANÁLISE PSICANALÍTICA: FILME “BELEZA OCULTA” 
 
 
 
 O filme “Beleza Oculta” é contextualizado a partir do sofrimento de um pai (Howard) 
ao perder sua filha de apenas 6 anos de idade. 
 A menina, vítima de um câncer cerebral raro, parte desta vida deixando seus pais na triste 
experiência de vivencia o luto. 
 Com o sofrimento advindo de tamanha tragédia, o relacionamento do casal fica abalado e 
eles se afastam, cada qual com suas próprias estratégias de sobrevivência às circunstâncias. 
 Ao passo que a mãe se agarra ao conselho que lhe fora dado, no leito de morte de sua 
pequenina, por uma senhora de mais experiência, para “não deixar de enxergar a beleza 
oculta” de cada momento, ela começa a ressignificar sua vida com o que lhe restou e media 
um grupo de apoio à pessoas enlutadas. 
 “Tal recurso denota a importância da fala para a elaboração das dores existenciais,” 
assim como ilustra as possibilidades terapêuticas de um ambiente de escuta acolhedor e 
responsável. 
 Howard personifica o sujeito que naturalmente tem dificuldades em continuar seu ritmo de 
maneira orgânica após uma experiência dolorosa se tornando uma pessoa narcisista, se 
afundando em seu sofrimento como sendo único, não se importando com mais nada a sua 
volta, sente prazer em sua dor, mesmo inconscientemente. 
 Três anos após perder sua filha, ainda não consegue pronunciar o nome dela, nem conversar 
sobre o ocorrido, a simples menção ao assunto lhe desestabiliza. 
 Temos ilustrada a primeira fase do luto: a negação. Nela, o indivíduo tem dificuldade em 
acessar a condição dolorosa de ausência do ser querido, então minimiza seu contato com a 
realidade, evitando o assunto como defesa psíquica. No entanto, essa tentativa de 
estabelecer relações mínimas com o real e de manter uma organização psíquica 
rígida que evite expor sentimentos e vulnerabilidades, acaba por acarretar mais 
consequências danosas ao sujeito que convoca tais medidas. 
 Howard, por exemplo deixa de cumprir com suas funções profissionais, adota 
comportamentos repetitivos e saudosistas como forma de passar o tempo sem mobilizar suas 
emoções. 
 O desenrolar da história, é acrescido de personagens metafóricas como o Amor, a 
Morte e o Tempo, lembrando aos personagens e aos espectadores a importância de se 
relacionar bem com essas figuras que atravessam todo ser vivo, limitando-o tanto quanto 
potencializando-o. 
 A trajetória de Howard até o seu reavivamento no final, ensina ao público a importância de 
acolher as dores próprias do viver, compreendê-las e oferecer-lhes oportunidade de cuidados, 
ressignificações, cicatrizações. 
 Howard só tem uma melhora quando passa a colocar para fora todo o sofrimento e 
entender que todos ao seu redor também sofrem..., cada qual a sua maneira. 
 Claire, que adiou a construção da família em prol da carreira. 
 Whit, que não conseguia demonstrar a filha o quanto ela importava e sofria com a 
separação de ambos. 
 Simon, estava doente e sofria sozinho por querer poupar a família de um sofrimento maior 
privando os de fazer dos últimos momentos, algo inesquecível. 
 Cada um vivenciando de formas diferente sua dor, mas no finalcada qual consegue acolher, 
compreender, cuidar e ressignificar seus traumas. 
 “O amor, a morte e o tempo fazem o papel do terapeuta, que trabalha a cada um oferecendo 
a escuta como forma de tratamento.” 
 
 
 
 
 
 
 
 REFÊRENCIAS 
 
 ZIMERMAN, D. E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, técnica e clínica. 
Porto Alegre: Artemed,2004. 
 Filme: Beleza Oculta,2016

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