CCJ0009-WL-RA-03-TP na Narrativa Jurídica-Características da Narrativa Jurídica _10-08-2012_
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Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Aula:
003

Assunto:
Características da Narrativa Jurídica

Folha:
1 de 13

Data:
10/08/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP

Plano de Aula: 3 - Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA

Título
3 - Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Número de Aulas por Semana
Número de Semana de Aula
3
Tema
Narrativa jurídica simples e narrativa jurídica valorada.
Objetivos
O aluno deverá ser capaz de:
- Distinguir a narrativa jurídica simples da narrativa jurídica valorada;
- Identificar as características que marcam esses dois tipos de narrativa;
- Compreender a relação entre o tipo de narrativa e a peça processual produzida;
- Conhecer as principais características da narrativa jurídica.
Estrutura do Conteúdo
1. Algumas características da narrativa jurídica

1.1. Impessoalidade

1.2. Verbos no passado

1.3. Paragrafação

1.4. Elementos constitutivos da demanda (Quem quer? O quê? De quem? Por quê?)

1.5. Correta identificação do fato gerador

2. Narrativa jurídica simples

3. Narrativa jurídica valorada

4. A construção de versões
Aplicação Prática Teórica

Como vimos anteriormente, as peças processuais têm um denominador comum: precisam, em primeiro
lugar, narrar os fatos importantes do caso concreto, tendo em vista que o reconhecimento de um direito passa pela
análise do fato gerador do conflito e das circunstâncias em que ocorreu. Ainda assim, vale dizer que essa
narrativa será imparcial ou parcial, podendo ser tratada como simples ou valorada, a depender da peça que se
pretende redigir.

Pode-se entender, portanto, que valorizar ou não palavras e expressões merece atenção acurada, pois
poderá influenciar na compreensão e persuasão do auditório.[1] Essa valoração das informações depende dos
mecanismos de controle social que influenciam a compreensão do fato jurídico.

É preciso lembrar que são diferentes os objetivos de cada operador do direito; sendo assim, o representante
de uma parte envolvida não poderá narrar os fatos de um caso concreto com a mesma versão da parte contrária.
Por conta disso, não se poderia dizer que todas as narrativas presentes no discurso jurídico são idênticas no
formato e no objetivo, visto que dependem da intencionalidade de cada um.

NARRATIVA SIMPLES DOS FATOS NARRATIVA VALORADA DOS FATOS

É uma narrativa sem compromisso de representar
qualquer das partes. Deve apresentar todo e
qualquer fato importante para a compreensão da
lide, de forma imparcial.

É uma narrativa marcada pelo compromisso de expor os
fatos de acordo com a versão da parte que se representa
em juízo. Por essa razão, apresenta o pedido (pretensão
da parte autora) e recorre a modalizadores.

Sugerimos iniciar por “trata-se de questão sobre...” Sugerimos iniciar por “Fulano ajuizou ação de ... em face
de Beltrano, na qual pleiteia ...”

Para o exercício desta semana, recorremos a um trecho de importante romance da literatura jurídica – Em

segredo de Justiça[2] – cujo enredo versa sobre o possível assédio sexual praticado por um conhecido advogado

Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Aula:
003

Assunto:
Características da Narrativa Jurídica

Folha:
2 de 13

Data:
10/08/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP

carioca contra sua jovem secretária. Sugerimos a leitura do livro.

Leiamos a narrativa extraída desse romance.

1- A autora, conforme se verifica de sua própria qualificação, detém o grau de bacharel em administração
de empresas.

2- Esse diploma foi conquistado não sem esforço, melhor se diria até, com grande sacrifício. Órfã de pai aos
nove anos de idade, mais velha de três irmãs, teve a autora muito cedo que começar a trabalhar, para ajudar sua
mãe no orçamento doméstico; ainda adolescente, menor de idade, aceitava pequenas tarefas remuneradas,
posando para comerciais de televisão, ocasionalmente desempenhando pequenos papéis dramáticos em
telenovelas.

3- Terminado o curso colegial, procurou e encontrou emprego estável, indo trabalhar como secretária em
conhecida empresa industrial.

4- Foi progredindo em suas funções e logo, mercê de seu esforço e competência, já atendia a um dos mais
graduados diretores da empresa.

5- Trabalhava há algum tempo, quando, desejosa de ter formação superior, ingressou, após passar no
concurso vestibular, na faculdade de administração.

6- Foram mais quatro anos e meio de luta árdua e a autora, trabalhando durante o dia e estudando. à noite,
conseguiu finalmente o ambicionado diploma.

7- Faltava-lhe agora trabalhar na profissão que escolhera e para a qual se capacitara. Era, porém, uma
opção difícil. Como secretária, era uma profissional experiente, tendo atingido o topo da carreira; como
administradora, tinha um diploma de curso superior completo, mas nenhuma experiência. Onde quer que fosse
trabalhar, provavelmente deveria começar com uma remuneração inferior àquela que auferia na empresa
industrial.

8- Uma tarde, a autora foi procurada por seu então chefe, Sr. Horácio de Melo Alencar, que lhe perguntou
se ela gostaria de ir trabalhar como administradora em um escritório de advocacia, por um salário igual ao que
então percebia como secretária.

9- A autora, de início, manifestou surpresa, chegando a duvidar do que julgava ser tanta sorte. O Sr.
Alencar, porém, tranqüilizou-a: tinha um amigo - o Sr. Ranulfo Azevedo - homem sério, advogado conceituado,
que procurava justamente uma administradora profissional para seu escritório de advocacia.

10- Como se tratava de firma ainda pequena, não fazia questão o Sr. Ranulfo de um ou de uma profissional
experiente: queria alguém que tivesse um diploma, bom senso, disposição para trabalhar, e, sobretudo, vontade
de crescer junto com a organização.

11- Lembra-se a autora de que, já naquela ocasião, comentara com o Sr. Alencar que “pobre quando vê
muita esmola, desconfia" e que estava achando a oportunidade "boa demais para ser “verdade”.

12- O Sr. Alencar disse , contudo, que já tinha conversado a respeito com o Sr. Ranulfo e que tinha sido,
aliás, o próprio Sr. Ranulfo o primeiro a dizer que estava procurando alguém para administrar seu escritório e que
se manifestara entusiasmado, ao saber que ela, autora, a secretária de seu amigo Alencar, tinha recentemente se
formado em administração.

13- O ex-chefe da autora chegou' até a acrescentar que fora o próprio Sr. Ranulfo que, ao mesmo tempo
em que elogiava os atributos físicos da autora, perguntara quanto ela ganhava e pedira permissão ao Sr. Alencar
para convidá-la para trabalhar com ele, Ranulfo.

14- Por aí já se vê, desde o primeiro momento, quais fossem as intenções do réu, misturando
indevidamente, como qualificações para preencher o cargo vago em sua empresa, dotes de beleza física e
aptidões profissionais.

15- Permite-se a autora, nesse passo, a bem da precisão da narrativa dos fatos, transcrever a expressão
exata que teria sido usada pelo réu: de fato, segundo o Sr. Alencar, seu amigo Ranulfo teria dito:

“_ você quer me dizer que sua secretária é formada em administração? Mas ela é 'gostosa demais'! Você ia
ficar muito chateado se eu convidasse ela para trabalhar comigo?"

16- A frase desrespeitosa foi transmitida ipsis litteris à autora pelo Sr. Alencar. A autora, porém,
infelizmente, não a tomou devidamente em conta.

17- A oportunidade que se apresentava era excepcional: atendia rigorosamente àquilo com que a autora
vinha sonhando, desde que ingressara na faculdade. O réu, além disso, era amigo de longa data do Sr. Alencar,
um profissional conhecido, muito bem sucedido na profissão, tinha reputação de homem sério. Usara por certo
apenas por troça, "de brincadeira”, em conversa com