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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL DO JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA - DF Processo nº XXXX CEBOLINHA¸ já qualificado nos autos, vem, por seu advogado, interpor RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com fundamento no art. 581, IV do Código de Processo Penal. O recorrente pede, primordialmente, que Vossa Excelência se retrate da sua decisão, nos termos das razões anexadas, com fundamento no art. 589, paragrafo único do CPP. Subsidiariamente, caso Vossa Excelência não se retrate, requer o recebimento, o processamento e o encaminhamento do recurso, com as razões inclusas, ao Egrégio Tribunal de Justiça de Brasília – DF. Nesses termos, pede deferimento. Brasília – DF, 09 de junho de 2021. Advogado OAB RAZÕES DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO RECORRENTE: CEBOLINHA RECORRIDO: JUSTIÇA PÚBLICA Colenda Câmara, Douto Procurador de Justiça. O recorrente, não conformado com a decisão do Excelentíssimo Sr. Juiz de Direito do Tribunal do Júri da Circunscrição Judiciária de Brasília – DF, que o pronunciou, requer a sua reforma pelas razões a seguir: I. DOS FATOS Cebolinha foi denunciado pelo MP como incurso na pena prevista no art. 121, § 2º, I e IV do Código Penal. Segundo foi pronunciado, Cebolinha desferiu um golpe de faca no abdômen de Cascão e o motivo teria sido apenas pela vítima ter se intrometido na discussão de casal entre o recorrente e sua mulher, Mônica. A motivação foi classificada como torpe na denúncia, porque segundo o pronunciamento “agiu para se vingar da vítima que interveio na briga, a vingança caracteriza, em tese, o motivo torpe”. O ocorrido foi na casa do recorrente, onde todos dizem que não viram se o réu estava machucado, o mesmo confirma que estava machucado e apenas deu o golpe porque a vítima o agrediu e também disse que havia outras pessoas amigos da vítima que o agrediram antes e depois do golpe, tentando expulsa-lo de sua residência. II. DO DIREITO Com os fatos narrados, verifica-se que o fato ocorrido não foi com a intenção de levar a vítima a homicídio. Levando em consideração que as narrativas pelo denunciado, dizendo que teria sigo agredido pela vítima e também por amigos da mesma, apenas quis se defender. E ressaltando que, os amigos da vítima se querem admitiram o acontecido e dizem não ter visto o golpe. O acusado não agiu com dolo, pois não havia a vontade dirigida à obtenção de um resultado criminoso ou risco de produzi-lo, o acusado somente queria se defender das agressões que estava sofrendo dentro de sua própria residência. Entendimento de Guilherme de Sousa Nucci “Na ótica finalista, o dolo é a vontade consciente de praticar a conduta típica (denomina-se dolo natural). Na doutrina clássica, de visão casualista, o dolo é a vontade consciente de praticar a conduta típica, acompanhada da consciência de que se realiza um ato (NUCCI, 2018, p. 401)”. No caso em tela, o recorrente estava sendo agredido e as tais testemunhas no local, se quer viram o que realmente aconteceu, logo não há como provar que foi realmente o acusado que cometeu o crime, poderia ter acontecido no ato das agressões outra pessoa que estava agredindo o recorrente, atingir a vítima. Então se faz necessário, pedir a impronúncia do crime, com fundamento no art. 414, caput, do Código de Processo Penal: Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, o juiz, fundamentadamente, impronunciará o acusado. A situação fática, narrada na denúncia, mostra que o Recorrente tinha reais motivos para acreditar que havia iminência de agressão injusta. Por isso, de todo pertinente presumir legítima sua ação defensiva. Não é justo ser agredido em sua própria residência, sendo ameaçado por terceiros e não ter o direito de reagir. Destarte, na espécie a reação é abarcada pela legítima defesa putativa (CP, art. 20, § 1º). Assim, exclui-se a tipicidade do crime de homicídio qualificado, devendo-se absolver o acusado ou desclassificar o crime de homicídio qualificado para legítima defesa nos termos do art. 419 do Código de Processo Penal. III. DOS PEDIDOS Diante todo o exposto, requer: a) O conhecimento e provimento do recurso, para impronuncia do acusado nos termos do art. 414 do CPP; b) Desclassificação do crime imputado, nos termos do art. 419 do CPP, de homicídio qualificado para legitima defesa. Nestes termos, pede deferimento. Brasília – DF, 09 de junho de 2021. Advogado OAB