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Peça processual — Recurso em sentido estrito e razões do recorrente Cebolinha contra pronúncia no Tribunal do Júri. Sustenta ausência de dolo e legítima defesa putativa; pede impronúncia (art. 414 CPP) ou desclassificação para legítima defesa (art. 419 CPP).

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA - DF 
 
Processo nº XXXX 
 
CEBOLINHA¸ já qualificado nos autos, vem, por seu advogado, interpor 
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com fundamento no art. 581, IV do 
Código de Processo Penal. 
O recorrente pede, primordialmente, que Vossa Excelência se retrate da sua 
decisão, nos termos das razões anexadas, com fundamento no art. 589, 
paragrafo único do CPP. 
Subsidiariamente, caso Vossa Excelência não se retrate, requer o recebimento, 
o processamento e o encaminhamento do recurso, com as razões inclusas, ao 
Egrégio Tribunal de Justiça de Brasília – DF. 
 
Nesses termos, pede deferimento. 
 
Brasília – DF, 09 de junho de 2021. 
 
Advogado 
OAB 
 
RAZÕES DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
 
RECORRENTE: CEBOLINHA 
RECORRIDO: JUSTIÇA PÚBLICA 
 
Colenda Câmara, 
Douto Procurador de Justiça. 
 
O recorrente, não conformado com a decisão do Excelentíssimo Sr. Juiz de 
Direito do Tribunal do Júri da Circunscrição Judiciária de Brasília – DF, que o 
pronunciou, requer a sua reforma pelas razões a seguir: 
 
I. DOS FATOS 
 
Cebolinha foi denunciado pelo MP como incurso na pena prevista no art. 
121, § 2º, I e IV do Código Penal. Segundo foi pronunciado, Cebolinha desferiu 
um golpe de faca no abdômen de Cascão e o motivo teria sido apenas pela 
vítima ter se intrometido na discussão de casal entre o recorrente e sua mulher, 
Mônica. A motivação foi classificada como torpe na denúncia, porque segundo 
o pronunciamento “agiu para se vingar da vítima que interveio na briga, a 
vingança caracteriza, em tese, o motivo torpe”. 
O ocorrido foi na casa do recorrente, onde todos dizem que não viram se 
o réu estava machucado, o mesmo confirma que estava machucado e apenas 
deu o golpe porque a vítima o agrediu e também disse que havia outras 
pessoas amigos da vítima que o agrediram antes e depois do golpe, tentando 
expulsa-lo de sua residência. 
 
II. DO DIREITO 
Com os fatos narrados, verifica-se que o fato ocorrido não foi com a 
intenção de levar a vítima a homicídio. Levando em consideração que as 
narrativas pelo denunciado, dizendo que teria sigo agredido pela vítima e 
também por amigos da mesma, apenas quis se defender. E ressaltando que, 
os amigos da vítima se querem admitiram o acontecido e dizem não ter visto o 
golpe. 
O acusado não agiu com dolo, pois não havia a vontade dirigida à 
obtenção de um resultado criminoso ou risco de produzi-lo, o acusado 
somente queria se defender das agressões que estava sofrendo dentro de 
sua própria residência. 
Entendimento de Guilherme de Sousa Nucci 
“Na ótica finalista, o dolo é a vontade consciente de praticar a conduta típica 
(denomina-se dolo natural). Na doutrina clássica, de visão casualista, o dolo 
é a vontade consciente de praticar a conduta típica, acompanhada da 
consciência de que se realiza um ato (NUCCI, 2018, p. 401)”. 
No caso em tela, o recorrente estava sendo agredido e as tais 
testemunhas no local, se quer viram o que realmente aconteceu, logo não 
há como provar que foi realmente o acusado que cometeu o crime, poderia 
ter acontecido no ato das agressões outra pessoa que estava agredindo o 
recorrente, atingir a vítima. Então se faz necessário, pedir a impronúncia do 
crime, com fundamento no art. 414, caput, do Código de Processo Penal: 
Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de 
indícios suficientes de autoria ou de participação, o juiz, 
fundamentadamente, impronunciará o acusado. 
A situação fática, narrada na denúncia, mostra que o Recorrente tinha 
reais motivos para acreditar que havia iminência de agressão injusta. Por 
isso, de todo pertinente presumir legítima sua ação defensiva. 
Não é justo ser agredido em sua própria residência, sendo ameaçado 
por terceiros e não ter o direito de reagir. 
Destarte, na espécie a reação é abarcada pela legítima defesa putativa 
(CP, art. 20, § 1º). Assim, exclui-se a tipicidade do crime de homicídio 
qualificado, devendo-se absolver o acusado ou desclassificar o crime de 
homicídio qualificado para legítima defesa nos termos do art. 419 do 
Código de Processo Penal. 
 
III. DOS PEDIDOS 
Diante todo o exposto, requer: 
a) O conhecimento e provimento do recurso, para impronuncia do acusado 
nos termos do art. 414 do CPP; 
b) Desclassificação do crime imputado, nos termos do art. 419 do CPP, de 
homicídio qualificado para legitima defesa. 
 
Nestes termos, pede deferimento. 
 
Brasília – DF, 09 de junho de 2021. 
 
Advogado 
OAB

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