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CURSO DE VENTOSATERAPIA Princípios e Aplicação Clínica na Fisioterapia 30 de outubro de 2018 Sabrina Morelli Camilo Fisioterapeuta / Acupunturista O que é Ventosaterapia? A ventosaterapia atua através da sucção da pele e músculos para dentro do copo de ventosa, essa sucção promove o aumento do fluxo sanguíneo e também a eliminação de toxinas estagnadas nas regiões do corpo que são colocadas as ventosas. HISTÓRICO A história da ventosaterapia data muitos anos atrás, e por vezes se perde no passado dos povos egípcios, chineses e tantos outros. Segundo registros que datam até 2.000 anos, inicialmente usava-se chifres de gado e por esse motivo essa técnica ficou conhecida como a “terapia do chifre”. Para criar uma pressão negativa dentro do chifre, acendia-se fogo e assim se retirava o ar. O método foi utilizado principalmente para remoção de pus e sangue dos furúnculos. Outra maneira de criar pressão negativa era abrir um orifício na extremidade do chifre e o praticante sugar o ar por esse orifício, ato que tornava a técnica perigosa já que sua única proteção era o comprimento do chifre. Mais tarde, a aplicação de ventosas foi utilizada como método auxiliar na cirurgia tradicional chinesa e, posteriormente, contatou-se que era eficaz para outras enfermidades, evoluindo para um método terapêutico próprio. Os mais antigos registros do uso de ventosas foram encontrados em 1973 no Bo Shu (um livro antigo escrito em seda), descoberto em um antigo túmulo da Dinastia Han (206 a.C. até 220 d.C). No ocidente, os antigos egípcios foram os primeiros a fazer o uso sistemático das ventosas. Ebers Papyrus, considerado o texto médico mais antigo que se tem registro, escrito aproximadamente em 1550 a.C., no Egito, descreve sangrias feitas por meio de ventosas para “remover a matéria estranha do corpo”. Galeno e Hipócrates eram também grandes defensores da técnica de ventosas. Antigamente a técnica era usada apenas com o propósito de provocar sangrias. Alpinos cita a autoridade de Heródoto da Grécia (413 a.C) para reafirmar seu uso: “A escarificação, com ventosas possui o poder de evacuar a matéria ofensiva da cabeça, reduzir a inflamação, restaurar o apetite, fortalecer o estômago fraco, eliminar a vertigem, secar supurações, conter hemorragias, promover evacuações menstruais e outros.” Há cerca de 500 anos, um cirurgião famoso chamado Wei Ke Zen Zong apresentou um registro detalhado dos métodos de aplicação de ventosas usados na prática cirúrgica. Através de vários milhares de anos de experiência acumulada, as aplicações clínicas da técnica de ventosa se tornaram progressivamente vastas. Nos anos 50, a eficácia das ventosas foi confirmada por “Co-Research of China” e por acupunturistas da antiga União Soviética e o método de ventosa foi estabelecido como prática terapêutica oficial nos hospitais de toda a China, até hoje. Essa decisão estimulou substancialmente o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a técnica. Benefícios da Ventosaterapia O efeito dessa terapia pode ser classificado em duas grandes categorias: efeito geral (purificação do sangue, melhora das funções circulatórias, aperfeiçoamento e regularização do sistema nervoso autônomo, etc.). Efeito local (remoção da dor, relaxamento de músculos retesados, etc.). Essa técnica provoca um calor local e superficial. “Os efeitos fisiológicos do aquecimento do tecido local do corpo levam a um conjunto complicado de alterações que produzem outras respostas complexas” (Low & Reed, 1994). As vias pelas quais o calor da ventosa pode aliviar as dores abrangem o que se segue: 1. Aumento do metabolismo (aumento da atividade celular e dilatação dos pequenos vasos sanguíneos com aceleração da circulação) 2. Diminuição da viscosidade do sangue que tem como consequência: - Aumento do fluxo de sangue - Aumento da extensibilidade do colágeno (que favorece o alongamento do tecido fibroso e como consequência o alívio de dor) 3. Efeitos Neurais. Há 3 mecanismos: - Reflexo axônico, resultando na vasodilatação e aumento do fluxo de sangue - Proprioceptores, diminuição do espasmo muscular e, consequente alívio de dor - Receptores cutâneos de calor, que são mediados pelo hipotálamo e que têm efeito analgésico e sedativo Além disso, temos a limpeza (depuração) do sangue pela ventosa, e esse processo se dá pelas trocas gasosas através da pele. Em média as pessoas têm 1,6 metros quadrados de superfície de pele, sendo o maior aparelho (sistema) do corpo humano. O professor Kentaro Takagi, da Universidade de Nagoya, diz que as terapias que estimulam a pele são significativas por despertarem as maiores respostas no sistema circulatório. A pele é considerada um aparelho de respiração, como o pulmão, porém não absorve grande quantidade de oxigênio; destina-se mais à eliminação de células envelhecidas, suor e gases, funções essas exercidas pelas glândulas sudoríparas e sebáceas. Dissipam o gás como se fosse a eliminação de gás carbônico do pulmão. Aplicando o vácuo da ventosa sobre a pele, faz-se uma pressão negativa que favorece a saída dos gases e toxinas das células. Esse mecanismo tem os mesmos princípios das trocas gasosas que ocorrem nos alvéolos pulmonares por diferenças de pressões. Este é o mecanismo pelo qual a ventosa tem a capacidade de limpar o sangue e alterar seu ph. O Dr.Katase, da Universidade de Osaka, sugere que essa terapia pode influenciar a composição do sangue: promove o aumento das células brancas e vermelhas e transforma o sangue ácido em alcalino ou neutro. Isso leva à purificação do sangue. Outro ponto importante é que fortalece o poder renovador da pele e sua resistência contra vários agentes nocivos, já que a pele é nossa primeira barreira contra fatores patogênicos; ou seja, é uma técnica que pode melhorar a imunidade. - Efeitos sobre os músculos: O princípio da ventosa provoca uma força de tração que estimula os capilares subcutâneos dos músculos. Dessa forma, a dilatação dos vasos sanguíneos facilita o fluxo de sangue nos músculos. O efeito provoca um enorme benefício sobre músculos retesados por remover o sangue congestionado. Além de disso, facilita o fluxo de linfa. - Efeito sobre as articulações: O reumatismo articular crônico é uma das patologias para as quais a Ventosaterapia se mostra eficaz. Nesse caso, o tratamento é concentrado na área das articulações acometidas. Quando o caso for brando, a cura quase completa é possível, porque as ventosas promovem melhor fluxo de sangue no interior da articulação e melhor desempenho e secreção dos fluidos sinoviais. Se houver espasmos musculares na área próxima às articulações, eles podem também ser aliviados. - Efeitos sobre os órgãos digestivos: A maioria dos pacientes que se submetem à Ventosaterapia na região do estômago sente fome depois da aplicação. Os órgãos digestivos, especialmente o Baço e Estômago, são considerados as “locomotivas” do corpo humano e o tratamento desses órgãos é considerado um dos mais importantes. Em outras palavras, já que o poder natural de cura do corpo deriva de sua energia principalmente dos órgãos digestivos, dá-se grande ênfase ao tratamento de estômago, baço e intestinos. A pequena força de tração sobre o ventre estimula o interior dos órgãos, seus movimentos peristálticos e a secreção de fluidos digestivos e, desse modo, fortalece o poder de digestão, de absorção de nutrientes e de secreção. É por isso que essa terapia tem efeitos notáveis sobre transtornos gastroentéricos crônicos e sobre a constipação. Esses órgãos são afetados favoravelmente mesmo durante o tratamento das costas pelo estímulo dos nervos espinhais e do sistema nervoso autônomo. Tipos de Ventosas Existem vários tipos de ventosas na atualidade, ventosas de vidro, acrílico, silicone, borracha, elétrica e madeira. Noentanto seus princípios e suas funcionalidades são as mesmas, tratar através da força de sucção. Nas ventosas de vidro ou de madeira a força de sucção é criada através do fogo, são as mais primitivas, utilizadas a milênios. O terapeuta deve ter uma boa noção de controle do vácuo gerado pelo calor, vácuo demais pode causar lesões na pele, além do calor excessivo que pode provocar queimaduras por vezes graves. A ventosa de acrílico é uma versão moderna da antiga terapia, cada copo possui uma válvula que acoplada a uma pistola de vácuo, promove uma força de sucção de forma perfeitamente controlada, diminuindo o risco de lesões. Já as ventosas de silicone não possuem válvula nem pistola de vácuo, a força de sução é promovida por pressão manual e é muito indicada para tratamentos faciais. Áreas de Atuação da Ventosaterapia: ● Acupuntura - Como método de diagnóstico: A situação do paciente e a existência da doença podem ser estabelecidas com base na reação da pele perante o vácuo das ventosas. Após a aplicação das ventosas nas costas, no meridiano da Bexiga, observam-se manchas roxas em algumas zonas, enquanto em outras a coloração da pele continua normal, apesar de ambas as regiões terem sido submetidas às mesmas pressões negativas. A coloração varia de laranja fraco ao azul escuro. Quanto mais saudável for a pessoa, mais fraca a coloração. Quanto mais intoxicado e doente, mais forte a tonalidade, levando mais tempo para desaparecer. Verificando a localização das manchas roxas, é possível diagnosticar os órgãos com estagnação de sangue. Assim chega-se às causas verdadeiras das doenças. Geralmente, após um mês de aplicação contínua no mesmo local, o fenômeno da coloração desaparece. Quando isto ocorre, é bom sinal. Indica que a cura está se processando. As manchas são provas de que as toxinas já estão sendo eliminadas, e o corpo em breve estará saudável. No caso de desequilíbrio energético grave, além do aparecimento das manchas roxas, aparecem também bolhas. Tal fato só ocorre porque a pessoa está realmente muito doente. Mas, quando o estado de saúde começa a melhorar, as bolhas tb desaparecem. - Tratamento geral pelo vácuo: O tratamento geral consiste em aplicar as ventosas por todo o corpo, para expulsar as toxinas através da pressão negativa da ventosa, purificando o sangue e ativando a circulação. Aumenta a recuperação tecidual e acaba com as doenças. A força de sucção, o número de ventosas e a duração do vácuo devem ser adaptadas às condições de saúde e à resistência física do paciente. Recomenda-se moderação nos primeiros dias. A duração pode variar de 30s até 3 minutos. Em cada local, aplica-se a ventosa de 2 a 8 vezes. A sequência se inicia pela região posterior do tórax, depois na parte posterior dos membros inferiores, então na parte ântero-lateral dos membros inferiores, e finaliza na região abdominal. A cada vez, colocam-se ventosas em áreas distintas daquelas aplicadas na sessão anterior, para não sobrecarregar os mesmos locais e para limpar novos tecidos. ● Ortopedia (considera os princípios da Liberação Miofascial, que será abordada adiante) - Dores (articulares, musculares) - Alterações Posturais ● Estética - age no sistema linfático e nas células adiposas proporcionando: - Diminuição de medida - Diminuição de celulite - Melhora do tônus muscular e da Flacidez e do aspecto da pele Indicações da Ventosaterapia Dores em geral Recuperação de Lesões Musculares Tratamento de dores musculares Dores Abdominais Desintoxicar o organismo Aumentar imunidade Hipertensão arterial Tratamento de celulites e estrias Constipação Entre outros Contraindicações da Ventosaterapia Está contraindicado seu uso sobre feridas, micoses, psoríase e dermatites em geral. Mulheres Grávidas Pacientes Cardiopatas Trombose Vasculites Entre outros _______________________________________________________________________ Conforme já mencionado, a ventosa vem sendo bastante utilizada como recurso terapêutico na fisioterapia, e todo o enfoque deste trabalho é sobre as fáscias musculares. Fáscia Muscular: É o “esqueleto fibroso” do corpo humano; dá sustentação a todos os tecidos do corpo: fáscia muscular, nervosa (duramater, piamater, aracnóide), visceral (pleuras pulmonares – parietal e visceral, pericárdio, peritônio – parietal e visceral). Ela é formada por: • FIBRAS DE COLÁGENO São fibras de pequena duração, e se densificam com maior facilidade por estresse biomecânico, postural, metabólico (acúmulo de lactato), traumas... porém também respondem mais rapidamente ao estímulo terapêutico, no caso a liberação miofascial (ganho a curto prazo – imediato) • FIBRAS DE ELASTINA São fibras de longa duração, demoram mais para se densificarem e também demoram mais para serem liberadas. Necessitam de alongamento vigoroso e por tempo prolongado, como em atividades de alongamentos, pilates, RPG (ganho a médio e longo prazo) • SUBSTÂNCIA FUNDAMENTAL AMORFA É um “gel” que banha as fibras de elastina e colágeno; é formado por cadeias de glucosaminoglucanos e em torno de 60% de água • CÉLULAS DO SISTEMA AUTOIMUNE São elas macrófagos, eosinófilos, linfócitos, plasmócitos, neutrófilos. Por isso no tratamento miofascial é comum a melhora na imunidade, ou até a imunodepressão num primeiro momento nos casos de fáscias e organismo muito intoxicado. Histologia Facial: Matriz da Substância Fundamental Amorfa: VENTOSA X Liberação Miofascial: Todas as técnicas utilizadas em liberação miofascial têm um efeito mecânico nas fibras de colágeno, com o rompimento dos “nós” (entrecruzamentos das fibras de colágeno). Com o rompimento dos entrecruzamentos, as toxinas aprisionadas nas fáscias são liberadas e as fibras de colágeno se reorganizam de forma mais harmônica; a isso chamamos repolimerização. Partindo do princípio que a ventosa é uma forma de liberação miofascial, podemos dizer que um de seus efeitos é a repolimerização das fibras de colágeno, e com isso teremos os seguintes benefícios: - Vasculares:, melhorando a vascularização do tecido, favorecendo a chegada do sangue arterial com nutrientes e oxigênio, e a saída do sangue venoso com os dejetos metabólicos (lactato, gás carbônico). Favorece o ciclo vascular (arteríola – LEC – LIC – LEC – Vênula). - Postural: com a fáscia mais relaxada pode haver ganho postural e/ou biomecânico (com aumento da mobilidade). Como sabemos, as fáscias são todas interligadas (teoria das cadeias musculares), por isso um trabalho local pode desencadear liberações à distância. Cadeias Musculares: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - Trilhos Anatômicos. Myers Thomas W. Editora Manole. 2003 - Acupuntura e Técnicas relacionadas à Fisioterapia. Editora Manole. 2001 - Manual de Acupuntura Médica. Lee, Eu Won. - https://oacupunturista.com/2017/12/07/historia-das-ventosas/ - http://visaoholistica.com/ventosaterapia/ - http://acupunturabrasil.org/2011/arquivo/Biblioteca/Ventosa/Ventosa.pdf https://oacupunturista.com/2017/12/07/historia-das-ventosas/ http://visaoholistica.com/ventosaterapia/ http://acupunturabrasil.org/2011/arquivo/Biblioteca/Ventosa/Ventosa.pdf