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Guia de Preparação para a Alfabetização EDUCAÇÃO INFANTIL PRÉ-ESCOLA Construindo as bases da ALFABETIZAÇÃO EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS APLICADAS AO DIA A DIA ESCOLAR VOLUME ÚNICO DANIELA BERAGUAS TARJINO TALITA DE CASSIA BATISTA PAZETO ISBN 978-85-10-XXXXX-XISBN 978-65-5817-212-3 a MA TE RIA L D E D IVU LG AÇ ÃO • VE RS ÃO SU BM ET ID A À AV AL IAÇ ÃO PN LD 20 22 • O BJ ET O 3 CÓ DI GO D A CO LE ÇÃ O 00 47 P2 20 06 GAL_pg_capa_MPG_PNLD_22_divulgação.indd 1 03/05/2021 10:53 MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL P1 - DIAGRAMADORPNLD 2022 CONSTRUINDO AS BASES DA ALFABETIZAÇÃO Daniela Beraguas Tarjino Especialista em Neurociências e Psicologia Aplicada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Licenciada em Pedagogia pelo Centro Universitário UNISEB Professora titular de Educação Infantil Assessora pedagógica Talita de Cassia Batista Pazeto Doutora e mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Especialista em Psicopedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Licenciada em Pedagogia pela Universidade Bandeirante de São Paulo (UNIBAN) Psicopedagoga nas áreas de Avaliação e Intervenção em Dificuldades, Transtornos Específicos de Aprendizagem e Alterações do Desenvolvimento Professora de cursos de pós-graduação em Psicopedagogia Professora de cursos de graduação em Pedagogia, Psicologia, Letras e História Palestrante das mais diversas temáticas relacionadas à vivência escolar e aprendizagem Pesquisadora com foco no desenvolvimento infantil e habilidades pré-escolares, como leitura, escrita, linguagem e funções executivas Pesquisadora integrante da equipe de Neuropsicologia Infantil e psicopedagoga do Instituto de Neuropsicologia e Desenvolvimento Humano (INDH) 1a EDIÇÃO SÃO PAULO, 2020 Guia de preparação para a alfabetização EDUCAÇÃO INFANTIL PRÉ-ESCOLA Volume único EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS APLICADAS AO DIA A DIA ESCOLAR GAL_rosto_MPG_PNLD_22.indd 1 10/09/20 09:09 MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Tarjino, Daniela Beraguas Construindo as bases da alfabetização : evidências científicas aplicadas ao dia a dia escolar : guia de preparação para a alfabetização : educação infantil : pré-escola : volume único / Daniela Beraguas Tarjino, Talita de Cassia Batista Pazeto. -- 1. ed. -- São Paulo : Editora do Brasil, 2020. ISBN 978-65-5817-212-3 1. Alfabetização 2. Alfabetização (Educação infantil) 3. Alfabetização (Pré-escola) 4. Educação infantil 5. Método de aprendizagem - Manuais, guias, etc. I. Pazeto, Talita de Cassia Batista. II. Título. 20-44004 CDD-372.21 Índices para catálogo sistemático: 1. Alfabetização : Educação infantil : Educação 372.21 Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129 © Editora do Brasil S.A., 2020 Todos os direitos reservados Direção-geral: Vicente Tortamano Avanso Direção editorial: Felipe Ramos Poletti Gerência editorial: Erika Caldin Supervisão de artes: Andrea Melo Supervisão de editoração: Abdonildo José de Lima Santos Supervisão de revisão: Dora Helena Feres Supervisão de iconografia: Léo Burgos Supervisão de digital: Ethel Shuña Queiroz Supervisão de controle de processos editoriais: Roseli Said Supervisão de direitos autorais: Marilisa Bertolone Mendes Supervisão editorial: Carla Felix Lopes Auxílio editorial: Marcos Vasconcelos Pesquisa iconográfica: Priscila Ferraz Design gráfico: Paula Coelho Capa: Paula Coelho Imagem de capa: Menna/Shutterstock.com Edição de arte: Paula Coelho Assistência de arte: Letícia Santos Ilustrações: Marcos Machado Licenciamentos de textos: Cinthya Utiyama, Jennifer Xavier, Paula Harue Tozaki e Renata Garbellini Controle de processos editoriais: Bruna Alves, Carlos Nunes, Rita Poliane, Terezinha Oliveira e Valeria Alves Edição e produção editorial: Obá Editorial Direção executiva: Diego Salerno Rodrigues e Naiara Raggiotti Equipe editorial: Alessandra Borges, Gabriele Santos e Thaís Albiero Edição: Maria Fernanda Regis Preparação: Débora Tamayose Revisão: Juliana Camachi, Kelly Rodrigues e Laila Guilherme Iconografia: Júlia Medina Editoração eletrônica: Lye Nakagawa 1a edição, 2020 Rua Conselheiro Nébias, 887 São Paulo/SP – CEP 01203-001 Fone: +55 11 3226-0211 www.editoradobrasil.com.br MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL Como ensinar Se fosse ensinar a uma criança a arte da jardina- gem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria, para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela be- leza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Se fosse ensinar a uma criança a beleza da mú- sica, não começaria com partituras, notas e pau- tas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o misté- rio daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da bele- za musical. A experiência da beleza tem de vir antes. Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitu- ra, não começaria com as letras e as sílabas. Sim- plesmente leria as histórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela quereria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em histórias. É assim. É muito simples. ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL Introdução.............................................................................................................. 5 • Capítulo 1 – Primeira Infância ............................................................ 7 1.1 Importância da primeira infância para a alfabetização ........................................................................................... 7 1.2 O papel do professor de Educação Infantil ..................... 8 1.3 Habilidades preditoras de literacia e numeracia .... 10 • Capítulo 2 – Literacia ........................................................................... 12 2.1 O que é literacia? ............................................................................. 12 2.2 Leitura, escrita e consciência fonológica ....................... 15 2.3 Sugestões de atividades para estimular e avaliar a literacia em sala de aula ............................................................. 18 • Capítulo 3 – Numeracia ...................................................................... 33 3.1 O que é numeracia? ....................................................................... 33 3.2 O número e os componentes matemáticos .............. 34 3.3 Sugestões de atividades para estimular e avaliar a numeracia em sala de aula ...................................................... 41 • Capítulo 4 – Avaliação escolar ...................................................... 53 4.1 Importância da avaliação ........................................................... 53 4.2 Tipos de avaliação ........................................................................... 54 4.3 Avaliação formativa ......................................................................... 55 Indicação de leituras complementares comentadas ...................................................................................................... 57 Referências comentadas .................................................................... 59 MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 5 Introdução A Educação, no Brasil, tem sido alvode diversas discussões e pesquisas que buscam identificar como a aprendizagem na primeira infância pode contribuir para o desempenho posterior de habilida- des requeridas no ambiente escolar, entre elas, a leitura, a escrita e a matemática. Além dessa questão escolar, de acordo com estudos realizados pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI, 2014), os primeiros anos de vida da criança, em especial de 0 a 6 anos, são fundamentais para o desenvolvimento e o amadurecimento do cérebro, assim como para a aquisição de habilidades básicas que influenciarão e servirão de base para o desenvolvimento de habilidades mais complexas (NCPI, 2014). Na chamada primeira infância, a criança desenvolve as principais bases que poderão impactar o restante de sua vida, e são elas que poderão influenciar sua personalidade, suas tendências a comportamentos, assim como seu sucesso profissional e social. Já nesse momento inicial da edu- cação, é possível identificar conteúdos e áreas a serem priorizados como foco de trabalho com as crianças, visando a uma atuação que ajuda a prevenir dificuldades e alterações futuras (NCPI, 2014). Mas o que isso significa? Diversos estudos apontam a importância de investigar as habilida- des cognitivas na Educação Infantil para direcionar conteúdos e estratégias didáticas que devem ser priorizados pela escola. Considerando a importância desse cenário de desenvolvimento, é necessário que educadores e agentes que participam do processo educacional reflitam sobre algumas questões: O que está envolvido no processo de aprendizagem da primeira infância? Como os professores da pré-escola podem, no dia a dia de sala de aula, desenvolver a leitura, a escrita e a matemática com seus alunos? Nessas áreas temáticas, quais habilidades precisam ser trabalhadas? Quais estratégias podem ser utilizadas e como fazer avaliações? Esses questionamentos podem estimular educadores e professores a repensar sua atuação e suas estratégias didáticas. Eles devem sempre refletir se estão presos em sua “zona de conforto”, na qual continuamente replicam conhecimentos que aprenderam, sem buscar formas atuais e diferentes de agir e, principalmente, embasadas em evidências científicas. T ira ch ar d K u m ta n o m / S h u tt e rs to ck .c o m A Educação Infantil tem importante papel na primeira infância. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 6 Além dessas questões, este guia tem como objetivo apresentar a importância da Educação Infantil e da atuação do professor na pré-escola, bem como as possibilidades de desenvolver, nesse contexto, a literacia e a numeracia, fundamentadas cientificamente e em conformidade com a Política Nacional de Alfabetização (PNA) (BRASIL, 2019). Essas evidências foram transformadas em estratégias e práti- cas que podem ser implementadas no dia a dia escolar. De forma resumida, a literacia é o conjunto de conhecimentos e habilidades relacionados à leitura e à escrita, utilizados de maneira produtiva e ligados à prática das crianças. Para que esse processo seja bem-sucedido, destacaremos a importância da consciência fonológica, que, segundo Seabra e Capovilla (2010), consiste na habilidade de discriminar e manipular os sons da fala. Diversas outras pesquisas também descrevem a consciência fonológica como a habilidade preditora mais importante para a leitura e a escrita no Ensino Fundamental, relacionando-a, ainda, ao desempenho matemático (ZHANG et al., 2014; CAPOVILLA; GUTSCHOW; CAPOVILLA, 2004). Já a numeracia envolve o desenvolvimento das habilidades matemáticas e do raciocínio lógico- -matemático por meio de atividades que promovam as noções numéricas, espaciais, geométricas e de medidas. Dentro dos aspectos matemáticos, apresentaremos as funções executivas, responsáveis por controlar e organizar nossos comportamentos direcionados a uma meta. Essas funções analisam e mobilizam recursos do ambiente para que o objetivo inicialmente estabelecido seja alcançado, por isso são fundamentais para a resolução de problemas. Elas também estão fortemente relacionadas ao desempenho acadêmico e, em diversos aspectos, ao sucesso da vida escolar (NOVICK; ARNOLD, 1988; DIAMOND, 2013). Nosso percurso culmina em reflexões sobre a atuação do professor, em relação tanto a seu papel de mediador do processo educacional quanto às formas por meio das quais eles pode rea- lizar o processo avaliativo. Segundo Rinaldi (2018), a avaliação é um caminho que permite diversas possibilidades e tem o propósito de tornar o processo de conhecimento evidente, possível e dis- cutível entre a criança e o professor, por isso se torna um elemento tão importante e norteador da prática escolar infantil. O foco desse diálogo não é somente orientar você, professor, no campo teórico, mas ajudá-lo a compreender as bases conceituais necessárias para aplicar, de forma reflexiva e ativa, as diversas estratégias e atividades que serão propostas. A partir desse olhar atento e informado para sua reali- dade e a de seus alunos, ficará mais fácil aproveitar situações do cotidiano escolar para desenvolver habilidades cognitivas, agregando significado às práticas desenvolvidas em sala de aula. Tudo isso com o suporte de evidências científicas, a fim de fundamentar sua intencionalidade pedagógica e a assertividade no processo de ensino-aprendizagem. Vamos lá? MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 7 Primeira Infância Garantir uma infância adequada a todas as crianças não é somente uma tarefa do Estado, do governo, dos cuidadores ou do educador, mas um trabalho conjunto e integrado de vários ato- res. Esse esforço colaborativo deve se completar ao longo das jornadas do desenvolvimento infan- til e da formação da criança até que ela se torne cidadã consciente de seu papel e sua função na sociedade. Isso significa que investir no desen- volvimento da criança é fundamental para ela mesma e para a sociedade como um todo. No relatório da Comissão de Determinantes Sociais da Saúde, destacou-se que muitas dificul- dades enfrentadas por adultos têm suas causas em situações que ocorreram nos primeiros anos de vida e na forma como se deu o desenvolvimento nesse período. A questão do desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças torna-se, dessa forma, um grande desafio para a saúde pública, pois ela está relacionada a problemas como obesidade, doen- ças cardíacas e dificuldades de desenvolvimento cognitivo, que provocam impacto significativo no futuro dessas crianças (CNDSS, 2008). A primeira infância é o período em que nos- so cérebro apresenta maior plasticidade, e isso é fundamental para o intenso desenvolvimento 1.1 IMPORTÂNCIA DA PRIMEIRA INFÂNCIA PARA A ALFABETIZAÇÃO Devido a avanços científicos e tecnológicos, importantes áreas do desenvolvimento cogni- tivo, motor, social e emocional na primeira in- fância têm sido investigadas sob novos olhares. Além das contribuições dessas áreas específi- cas, tem-se tornado cada vez mais consensual a afirmação de que necessidades básicas de cuidado, saúde, alimentação, afeto, segurança e educação de qualidade são essenciais para o desenvolvimento saudável de uma criança, pois possibilitam que ela se desenvolva em sua integralidade, de forma ativa, respeitosa e efe- tiva (NCPI, 2014). Garantir uma infância adequada a todas as crianças é tarefa de todos! Primeira infância: período crucial para o desenvolvimento humano. E rik a C ris tin a/ P ex e ls .c o m MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 8 cognitivo desse momento da vida. Constantemen- te, o cérebro se altera de acordo com as situações do meio e em resposta aos estímulos que rece- be (SINGER, 1995). O conhecimento da criança vai se construindo por meio de sua interação com o meio ambiente, físico e social e pelas interações que trava consigo mesma. Em razão dessa alta plasticidade, os primeiros anos de vida de uma pessoa são um período com grande potencialde afetar sua saúde e seu bem-estar por toda a vi- da, influenciando até mesmo o envolvimento com criminalidade, a evasão escolar e o desemprego. A educação de qualidade proporciona às crianças habilidades que as acompanharão ao longo de sua vida, pessoal, escolar e profissional; logo, ga- rantir acesso a essa educação de qualidade ganha grande relevância social (NCPI, 2014). Após o período de desenvolvimento inicial, o cérebro ainda pode se modificar e, de fato, o faz constantemente, em resposta às expe- riências e aos estímulos a que está exposto. Chamamos essa característica de plasticidade cerebral, que é a capacidade de constante re- modelação não apenas da função, mas tam- bém da estrutura cerebral, influenciada pela experiência e que se estende ao longo da vida (NCPI, 2014, p. 4). É fundamental que o professor estude sobre desen- volvimento infantil. fiz ke s/ S h u tt e rs to ck .c o m Em complemento às questões sociais, as ex- periências na primeira infância também estão re- lacionadas ao desempenho escolar, como fatores de risco para dificuldades de alfabetização (leitura e escrita) e numeracia. No processo de desenvol- vimento inicial, temos o período sensível para as habilidades preditoras de alfabetização, um in- tervalo de tempo no qual o cérebro está em seu melhor e maior potencial para desenvolver deter- minadas habilidades: essas são as chamadas jane- las de desenvolvimento. Isso não significa, porém, que uma pessoa que não foi estimulada no perío- do sensível não conseguirá se alfabetizar depois; nesse caso, o desenvolvimento de uma área fora de sua “janela” pode ser mais difícil e trabalhoso ou não ocorrer de maneira efetiva (NCPI, 2014). Os períodos sensíveis refletem o melhor momento cerebral para desenvolver certas habilidades. A primeira infância, entre 0 e 6 anos, é, en- tão, fundamental para a alfabetização posterior, principalmente por ser o período com maior de- senvolvimento da linguagem e de diversas ou- tras habilidades que influenciarão a vida escolar, além de ser a maior “janela” preditora de literacia e numeracia (NCPI, 2014). 1.2 O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL De acordo com a NCPI (2014, p. 6), desde o início da vida a criança deve ser considerada em sua individualidade, como sujeito ativo do seu desenvolvimento, capaz de se expressar, interagir e brincar tanto por iniciativa própria como em resposta aos estímulos externos. Essa afirmação deixa clara a importância do papel do professor, principalmente ao perceber seus alunos de pré-escola como sujeitos capazes de aprender. Ela indica também a necessidade de reflexão sobre quais estratégias didáticas são mais adequadas para auxiliar nesse aprendizado e qual é a maneira mais eficaz de estimular os alunos. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 9 É função do professor conhecer seu objeto de estudo. Assim, é necessário que ele se apro- funde no estudo do desenvolvimento infantil e dos processos de aprendizagem, tanto de crian- ças típicas quanto de crianças com alterações do neurodesenvolvimento (BRASIL, 2002). Para fundamentar essa discussão, é importante reto- mar o significado da palavra docência, “a ação de ensinar”, que deve ter como ponto de partida a maneira como o professor ressignifica a leitura da docência na qual acredita, nas verdades que construiu ao longo de sua profissão. Nessa autor- reflexão, alguns questionamentos podem orien- tar o professor: “Como educador, onde estou no processo da educação? Minhas práticas são ade- quadas ou estão estagnadas? Quais habilidades quero que meus alunos desenvolvam e como vou estimulá-las?”. O professor deve refletir constantemente so- bre suas práticas docentes, analisando se estão sendo eficazes e condizentes com as direções apontadas por pesquisas atuais. Engel de Abreu et al. (2015, p. 15) defende que “professores com conhecimentos funda- mentais sobre as funções executivas e o de- senvolvimento da linguagem serão mais bem preparados para auxiliar seus alunos a alcançar o seu maior potencial”. Não basta ter o conhecimento teórico se não conseguir integrá-lo com sua prática e contex- tualizá-lo em sua realidade. Figura 1: Direitos de aprendizagem do aluno da Educação Infantil. Fonte: Desenvolvido pelas autoras com base na BNCC (BRASIL, 2017, p. 38). Conviver Explorar Brincar Expressar Participar Conhecer-se Responder a essas perguntas pode não ser tarefa fácil, porém sair da fixidez do fazer pe- dagógico pode levar o professor a compreen- der, de forma mais embasada, a realidade de suas estratégias didáticas. Essa reflexão ativa e consciente possibilita que a aprendizagem seja considerada um processo de construção e de saberes e que cada criança seja percebi- da como ser integral e integrante, dentro e fora do espaço escolar. Nessa relação, o professor não pode ser um mero transmissor de conheci- mento: tem de ser um mediador entre o saber e os alunos. O conhecimento deve ser construído de for- ma conjunta pelo professor e pelos alunos. Para tornar consciente a importância de pro- porcionar uma educação de qualidade, é ne- cessário que o educador integre, em suas aulas, práticas baseadas em evidências científicas para a aprendizagem, que reflitam a compreensão do processo cognitivo da criança no fazer pedagógi- co em sala de aula (MORAIS, 2015). Para cada tarefa e atividade proposta, o pro- fessor precisa ter muita clareza dos objetivos edu- cacionais a serem alcançados, qual sua intenção pedagógica com o que está solicitando às crianças, o que pretende que elas desenvolvam (habilidades cognitivas) e o que devem aprender (conteúdos acadêmicos). Também é fundamental que suas ações estejam em consonância com o documen- to da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cujo foco é garantir a todos os alunos os direitos ao acesso às aprendizagens essenciais que precisam desenvolver ao longo das etapas e das modalida- des da educação básica (BRASIL, 2017). Como indicado na Figura 1, para que essas ações sejam bem-sucedidas, o professor preci- sa proporcionar um ambiente de aprendizagem em que a criança tenha seus direitos respei- tados e que permita seu desenvolvimento de modo que ela seja capaz de conviver, brincar, participar, explorar e se conhecer. Saiba mais em: BRASIL. Base Nacional Co- mum Curricular. 3a versão. Brasília: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: http://basena cionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_ EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 5 ago. 2020. D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf 10 Os professores de Educação Infantil devem fundamentar suas ações pedagógicas no papel de mediadores, além de conhecer e se manter atualizados sobre diversas temáticas, como: } desenvolvimento infantil; } estratégias didáticas e formas de estimular o conhecimento; } evidências científicas sobre a primeira infância; } a prática intencional de ensino, que embasa cada atividade e tarefa que propõem; } objetivos educacionais que pretendem alcançar com as tarefas realizadas; } materiais e estímulos que podem ser utilizados como recursos para ajudar os alunos a alcançar os objetivos propostos; } habilidades preditoras que influenciarão o desempenho da criança no Ensino Fundamental e pre- cisam ser estimuladas desde a pré-escola. 1.3 HABILIDADES PREDITORAS DE LITERACIA E NUMERACIA Habilidades preditoras são as habilidades iniciais ou anteriores que influenciam o desenvolvimento de uma habilidade futura de maior demanda cognitiva ou mais complexa. Por exemplo, o desenvolvimento da linguagem oral é uma habilidade preditora de leitura e escrita.Isso significa que crianças da pré-escola, que apresentem dificuldades e alterações na linguagem oral, podem ter maior dificuldade ao passar pelo processo de alfabetização (CAPOVILLA; GUTSCHOW; CAPOVILLA, 2004; CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2007). O desenvolvimento da linguagem oral é uma habilidade preditora de leitura e escrita. C le yd e r D u q u e / P ex e ls .c o m MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 11 Funções executivas Habilidades visuoespaciais Habilidades fonológicas (vocabulário, memória fonológica e nomeação) Habilidades metafonológicas (consciência fonológica) Habilidades preliminares de linguagem escrita: conhecimento do nome das letras e dos seus sons Por serem essenciais ao longo de todo o processo educacional, essas habilidades indicam áreas a serem priorizadas na educação de base, a fim de garantir ações preventivas e, assim, minimizar dificuldades futuras. A Figura 2 apresenta, de forma concisa, as principais habilidades preditoras de linguagem escrita e de matemática, que serão abordadas nos tópicos seguintes (CAPOVILLA; GUTSCHOW; CAPOVILLA, 2008; MELTZER, 2010; DIAMOND, 2013; ZHANG et al., 2014; CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2007; SEABRA; CAPOVILLA, 2010; DIAS; SEABRA, 2013). É possível perceber que a mesma habilidade pode predizer o desempenho nessas três grandes áreas. Figura 2: Principais habilidades preditoras de leitura, escrita e matemática. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. Como mencionado anteriormente, por sua importância e seus impactos de longo prazo, essas ha- bilidades devem ser parte integrante do trabalho do professor, que, ao buscar formas de integrar essas áreas a sua prática escolar diária, estimulará os alunos e os preparará para conhecimentos mais comple- xos que serão trabalhados no futuro. Saiba mais em: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Alfabetização. Política Nacional de Alfabetização. Brasília: MEC, SEALF, 2019. Conhecer quais são as habilidades preditoras que influenciam leitura, escrita e matemática, auxilia os professores a buscarem formas de desenvolvê-las nos conteúdos. Além de conseguirem verificar se estão deixando de trabalhar algo cientificamente comprovado e eficaz para a pré-escola. D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 12 Literacia 2.1 O QUE É LITERACIA? Literacia é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionados à leitura e à escrita, bem como sua prática produtiva. (BRASIL, 2019, p. 21). Figura 3: Níveis da literacia. Fonte: BRASIL, 2019, p. 21. Literacia disciplinar (do 6o ano ao Ensino Médio): habilidades de literacia específicas para diferentes disciplinas, como história, ciências, matemática, literatura e artes. Literacia intermediária (do 2o ao 5o ano): habilidades de literacia comuns a muitas tarefas, incluindo estratégias genéricas de compreensão de textos, significados de palavras comuns, conhecimentos, ortográficos e fluência em leitura oral. Literacia básica (da Pré-Escola ao 1o ano do Ensino Fundamental): habilidades fundamentais para a alfabetização, como a decodificação e o conhe- cimento de palavras de alta frequência, que fundamentam virtualmente todas as tarefas de leitura. Inclui a literacia familiar, a literacia emergente e a alfabetização. O foco desse guia é o trabalho na pré-escola, o estímulo das habilidades de pré-alfabetização, ou seja, da literacia emergente, que envolve áreas importantes para o aprendizado da leitura e da escrita no Ensino Fundamental. São todos os conhecimentos e as habilidades que as crianças precisam de- senvolver antes de aprenderem a ler e a escrever, os quais não são adquiridos somente na escola, mas em diversos contextos de vida, de maneira formal ou não, como na vivência familiar (BRASIL, 2019). A palavra inglesa literacy tem uma definição simples, que é a capacidade de ler e escrever; já a palavra mais antiga, no latim litteratu, significa culto, sábio. Na acepção usada na língua portuguesa, a literacia é composta de diversos níveis, que podem envolver desde as habilidades e os conheci- mentos mais básicos, a chamada literacia emergente, até níveis mais complexos, nos quais o sujeito já faz uso desse conhecimento em sua vida social. Compreender os diferentes níveis da literacia é fundamental para que o professor tenha clareza do que trabalhar em cada etapa escolar, a fim de não estimular a alfabetização precoce. A Figura 3 apresenta os diferentes níveis de literacia e o que deve ser estimulado em cada um deles. DAE MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 13 No contexto familiar, desenvolve-se a chama- da literacia familiar, que traz diversos benefícios para a vida da criança. Essa experiência destaca momentos de ligação entre a criança e o cuida- dor, criando-se vínculos; por exemplo, por meio da leitura partilhada, a criança percebe as diferen- tes tonalidades de voz de acordo com o contexto; desenvolve a compreensão auditiva e estimula a oralidade ao ouvir e tentar recontar a história; iden- tifica as expressões faciais que o adulto faz, o que, além de envolver aspectos da linguagem, como o vocabulário, pode auxiliar no ensino das emoções (BRASIL, 2019). Além da contação de histórias, conversas e brincadeiras são grandes aliadas que auxiliam na inserção da família na promoção da leitura e da escrita, sendo função do educador in- centivar e, se possível, promover essa integração. Nesse processo do brincar, o brinquedo é pe- ça fundamental da infância, e sua presença é muito importante na literatura. Por isso, o jogo, a imagina- ção e a possibilidade de elaboração de pensamen- tos a partir de brincadeiras são, de fato, elementos primordiais da literatura infantil. Durante o brincar, ocorrem diversos tipos de interação verbal entre a criança e seus familiares, os quais refletem e im- pactam o desenvolvimento da linguagem, por meio da troca de turnos e dos retornos verbais, e sua reprodução vocal (KISHIMOTO, 1996). Literacia emergente envolve os conheci- mentos e as habilidades que a criança precisa desenvolver antes da alfabetização. Ler para uma criança é essencial, por- que promove o desenvolvimento da lingua- gem. Desde antes do nascimento, o bebê tem a capacidade de escuta, e quanto mais ele for exposto à leitura em voz alta, à contação de his- tórias, com e sem livros, e a músicas e canções de ninar, mais perceberá e desenvolverá essa habilidade, agregando, a cada dia, maior signi- ficado e intenção às atividades. Esse estímulo é tão importante para a criança que se tornou uma recomendação médica para as famílias em nível mundial. Além dos benefícios já indicados, a Sociedade Brasileira de Pediatria (2015, p. 13) aponta que a leitura na primeira infância: } fortalece o vínculo com quem lê para ela, os pais e outros familiares; } desenvolve a atenção, a concentração, o vo- cabulário, a memória e o raciocínio; } estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade; } ajuda a criança a perceber e lidar com os sentimentos e as emoções; } possibilita à criança conhecer mais sobre o mun- do e as pessoas; } favorece a aquisição do hábito de ouvir e ler histórias; } auxilia no desenvolvimento da empatia, isto é, a capacidade de colocar-se no lugar do outro; } desenvolve a extroversão, a amabilidade e a conscienciosidade (autoeficácia); } ajuda a minimizar problemas comportamentais, como agressividade, hiperatividade e compor- tamento arredio; } auxilia na boa qualidade do sono; } desenvolve a linguagem oral. A leitura em família tornou-se recomendação médica em nível mundial. Interação entre pais e filha durante brincadeira. Como isso se relaciona à alfabetização? En- quanto lemos para a criança, ela percebe que a língua tem uma estrutura e, com o passar do tempo, observa que são as imagens e as letras registradas nos livros que permitem que familia- res ou educadores leiam as histórias. Aos poucos, a criança descobre que asletras são símbolos e que os textos têm significado (SOCIEDADE A g u n g P an d it W ig u n a/ P ex e ls .c o m MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 14 BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2015). Na prática em sala de aula, o professor deve estabelecer o vín- culo com objetivos específicos na leitura de tex- tos, histórias, poemas e parlendas, estimulando a curiosidade, a imaginação, a criatividade e, o mais importante, a ampliação de repertório. Em sala de aula, são várias as estratégias que podem ser implementadas para promover a es- cuta e a oralidade das crianças, por meio da lite- racia. Conheça algumas possibilidades: Saiba mais em: Receite um livro. Fortalecendo o desenvolvimento e o vínculo: a importância de recomendar a leitura para crianças de 0 a 6 anos. São Paulo: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2015. } conversar sobre por que os livros têm de ser manuseados de forma correta e discutir por que grande parte das histórias se estrutura com começo, meio e fim; } refletir sobre maneiras de elaborar uma his- tória, propondo a construção de histórias e textos coletivos. Nesses casos, o professor pode ser o escriba e auxiliar na organização do pensamento das crianças; } contar e/ou ler histórias. O professor pode contá-las utilizando recursos diferentes, en- cená-las ou usar objetos para interpretar as situações. Também pode ler a história segu- rando o livro, folheando-o página a página e modificando a entonação de voz, de acordo com a situação ou personagens; } proporcionar momentos de escuta para que as crianças falem sobre suas impressões da história, o que compreenderam; } estabelecer comparações entre os persona- gens da história e o cotidiano das crianças; } abordar e nomear os sentimentos que a his- tória trouxe; } propor um novo final ou início para uma mes- ma história; } deixar que as crianças encenem e organizem os personagens da história; } incentivar recontos orais com ordem cronoló- gica dos fatos; } propor às crianças que desenhem o que mais gostaram da história. Com foco na oralidade, a roda de conversa é uma ferramenta prática e eficaz que permi- te envolver os alunos e desenvolver diversos aspectos da linguagem oral, como o vocabu- lário receptivo, ao ouvir o que os colegas estão contando; o vocabulário expressivo, ao contar sobre as situações que viveu; o reconto de his- tórias, com uso de tempos verbais, sequen- ciamento, entre outras possibilidades. Todos esses exemplos estimulam o vocabulário e de- senvolvem importantes habilidades preditoras de leitura e escrita. A roda de conversa parte da premissa de uma aprendizagem significativa, que, para acontecer, depende de ancoragens existentes para a promo- ção do novo conhecimento. Considerar o que a criança já sabe a faz ter amparo para ressignificar e avançar no processo de ensino-aprendizagem Roda de conversa é uma ferramenta que auxilia a oralidade. Fa tC am e ra / G e tt y Im ag e s } ler o livro em sua integralidade, ou seja, da maneira que o autor o escreveu, sem alterar o vocabulário para que fique mais fácil. Para au- xiliar as crianças na ampliação do repertório, é importante lhes propiciar contato com pa- lavras novas, por isso atue como um media- dor, incentivando-as a descobrir o significado dessas palavras pelo contexto ou buscar seu significado; } mostrar a estrutura do livro, destacando suas características: uma capa, que traz um título; um autor, que é quem escreve o texto; pode ter um ilustrador, que faz os desenhos e as ilustrações, entre outras. É importante permi- tir que as crianças manuseiem os livros; MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 15 (ALBUQUERQUE; FELIPE; CORSO, 2019). Ativida- des realizadas em rodas de conversa possibilitam a ampliação do vocabulário por meio da escuta ativa que ocorre nas interações. adquiridos pelas crianças e estimular o traba- lho com a ordem temporal dos acontecimen- tos e a estrutura da composição da fala. } Ciranda da rima: o professor canta a música Ciranda cirandinha com uma pequena alteração na instrução. Em vez de recitar o verso, as crian- ças deverão falar uma rima: “Por isso, senhor João, faça o favor de entrar na roda, diga uma rima bem bonita, diga adeus e vá embora”. A atividade deve seguir até que todos participem. A roda de conversa na Educação Infantil é o ponto de partida e o caminho para a elaboração de perguntas. É também a oportunidade para despertar a curiosidade movendo o sujeito à pesquisa e à reflexão. O desafio de tornar a escola um ambiente transformador não se resume a preparar a aula mais estruturada, com suporte tecnológico de última geração. É necessário pensar os alunos como parte central do processo. Todo o esforço perde seu objetivo quando a aula é encaminhada de forma automática e pouco reflexiva, pois não estimula o engajamento deles na experiência que ressignifica o aprendizado. A roda de con- versa é, portanto, uma excelente oportunidade para promover situações fora do pensamento automático e que demandem participações re- flexivas. Vamos debater um pouco mais sobre a roda de conversa e seu uso na Educação Infan- til, conhecendo algumas possibilidades de apli- cação no dia a dia da sala de aula. } Roda da novidade às segundas-feiras: o professor pergunta como foi o fim de sema- na de cada aluno e solicita a ele que conte algo marcante que queira dividir com a tur- ma. Com isso, o professor promove a formu- lação de hipóteses e auxilia na organização do pensamento das crianças, com perguntas como: Quando? Onde? Com quê? Por quê? Para quê? Como se sentiu? O que fez para melhorar ou resolver essa situação? Além de promover a escuta ativa das crianças, visto que elas precisam ouvir os colegas para que também sejam ouvidas, fomenta situações de vivência social em que elas aprendem a esperar a vez para falar e percebem que pre- cisam se expressar de forma clara e audível para que todos a compreendam. Ainda em roda de conversa, o professor po- de aproveitar e continuar o estímulo à oralidade usando outras estratégias. } História coletiva: o professor começa uma história, e as crianças precisam continuá-la. Esta atividade desenvolve a organização de pensamento e a flexibilidade cognitiva, além de mobilizar a utilização de novos vocabulários A roda de conversa é uma excelente estratégia para desenvolver as habilidades orais. Com os exemplos apresentados, fica claro que a literacia emergente e a literacia familiar são fundamentais para o desenvolvimento das habi- lidades de pré-alfabetização, bases para a aqui- sição da leitura e da escrita. 2.2 LEITURA, ESCRITA E CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA A alfabetização é o aprendizado da leitura e da escrita, baseada no desenvolvimento do princípio alfabético: quando o sujeito compreende que os si- nais gráficos – as letras – representam os sons da fala. Conforme se percebe que o que está escrito pode ser falado (quando as letras são transforma- das em sons e os grafemas, em fonemas) e que o que é falado pode ser escrito (quando os sons são transformados em letras e os fonemas, em grafe- mas), começa-se a decodificar (ler) e codificar (es- crever) as palavras de sua língua (BRASIL, 2019). Porém, o aprendizado da leitura e da escrita não pode ser entendido apenas como habilida- des de codificação e decodificação. Trata-se de um processo que se inicia na Educação Infantil e passa pela aprendizagem de codificar e decodifi- car, visando formar pessoas capazes de produzir e interpretar textos com compreensão e eficiên- cia. Além disso, elas devem ser competentes pa- ra utilizar adequadamente a leitura e a escrita nos contextos de sua vida social. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 16 Figura 4: Fases de desenvolvimento da leitura e da escrita. Fonte: Desenvolvido pelas autoras com base na PNA (BRASIL, 2019, p. 28). Fase pré-alfabética Predomina a estratégiade predição, na qual se usam, inicialmente, pistas visuais, sem recorrer ainda às relações entre letras e sons. A pessoa lê palavras familiares por reconhecimento de cores e formas que estejam evidentes, como textos em rótulos conhecidos, mas é incapaz de identificar diferenças entre as letras. Pode conseguir escrever algumas palavras de memória. Fase alfabética completa Depois de conhecer todas as relações entre grafemas e fonemas e adquirir as habilidades de decodificação e de codificação, a pessoa passa a ler e a escrever palavras com autonomia. Fase alfabética parcial A pessoa faz analogias, utilizando pistas fonológicas; depois de aprender os sons das letras, ela começa a utilizá-los para ler e escrever palavras. Fase alfabética consolidada Nesta fase de consolidação contínua, ocorre o processamento de unidades cada vez maiores, como sílabas e morfemas, o que permite que a pessoa leia com mais velocidade, precisão e fluência, e escreva com correção ortográfica. Segundo Zorzi (2017, p. 10), é necessário con- siderar seis aspectos relacionados à linguagem escrita quando se reflete sobre o processo de al- fabetização, que são: 1. O desenvolvimento de uma capacidade pa- ra segmentar palavras, partindo destas como um todo, passando pelas sílabas até chegar ao nível dos fonemas, identificando-os e ge- rando um conjunto; 2. A capacidade para compreender, ou consta- tar, que as diferentes palavras se constituem a partir da combinação dos fonemas que compõem tal conjunto; 3. Compreender que, para cada fonema, existe ao menos, uma letra para representá-lo. Isso significa aprender o valor sonoro das letras e estabilizar as correspondências fonemas- -grafemas. Desta forma, a um conjunto limi- tado de fonemas também corresponde um conjunto limitado de símbolos gráficos; 4. Compreender que, para escrever uma pa- lavra, o ponto de partida é analisar sua estrutura sonora, identificar cada um dos fo- nemas componentes e atribuir a eles as letras correspondentes; 5. Como princípio geral, compreender que, para ler, deve-se atribuir às letras os sons que elas representam, unir os fonemas em sílabas e as sílabas em palavras; 6. Complementarmente, faz-se necessário co- nhecer as letras, aprender a nomeá-las, a traçá-las, a diferenciar nome da letra versus o som que ela representa e consolidar um pro- cesso sistemático de correspondências entre fonemas e grafemas. Ler e escrever não é apenas decodificar e codificar, mas um processo cujo objetivo é le- var os alunos a produzir e compreender textos. “Como as crianças aprendem a ler e escrever?” Essa é uma questão cuja resposta deve ser cla- ra para todos os professores. A primeira resposta a essa pergunta é: o aprendizado da linguagem escrita não ocorre de forma natural, o que torna necessário que o ensino das habilidades envolvi- das nesse processo seja sistemático e explícito. A Figura 4 apresenta as fases do desenvolvimento da leitura e da escrita. D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 17 Os alunos podem apresentar sinais de dificul- dades que afetam o processo de alfabetização. Segundo Zorzi (2017, p. 16), eles contemplam: Aluna apresentando comportamento que reflete dificuldade. } níveis elementares de escrita, predominando a fase pré-silábica; } dificuldades para compreender a composição sonora das palavras, ao nível das sílabas e, principalmente, dos fonemas; } dificuldades para compreender que os mes- mos sons podem estar presentes em diferen- tes palavras; } dificuldades para realizar atividades que rela- cionem palavras de acordo com sua composi- ção sonora; } desconhecimento dos nomes de todas as letras; } limitação na escrita de letras: são capazes de evocar somente algumas delas; } ausência ou precariedade de correspondência fonema/grafema; } não diferenciação entre nome da letra e som que a letra pode fazer; } não diferenciação entre letra, sílaba, palavra, frase e linha; } vocabulário reduzido, em geral; } ausência de influência da linguagem escri- ta sobre a linguagem oral, que se encon- tra fortemente determinada por padrões de oralidade marcados por variações linguísti- cas típicas de meios não letrados (“Nóis foi passiá”), principalmente em crianças prove- nientes das camadas menos favorecidas da população; } desinteresse por situações envolvendo ati- vidades de leitura e escrita; } autoestima prejudicada, marcada pela cren- ça de que aprender a ler e escrever são coi- sas difíceis e que tal objetivo não poderá ser alcançado; } dificuldades na construção de narrativas orais; } nível precário de letramento, ou seja, de apropriação dos gêneros textuais e de suas funções sociais em razão das limitações na alfabetização. As dificuldades devem ser analisadas pre- ventivamente assim que identificadas. De maneira geral, para que esteja preparada para iniciar o processo de alfabetização formal, a criança precisa ter desenvolvido o conheci- mento alfabético, que envolve o nome, a forma e os sons das letras; a consciência fonológica; a nomeação automática rápida, capacidade de no- mear sequências aleatórias de letras, números, objetos, entre outros, de maneira veloz; e a me- mória fonológica, capacidade de repetir os sons, lembrar-se de uma informação sonora e a escrita do nome próprio (BRASIL, 2019). A principal habilidade preditora de leitura e de escrita é a consciência fonológica. Entre essas, a principal habilidade preditora de leitura e escrita é a consciência fonológica, que pode ser definida como a habilidade de ma- nipular os sons da fala, ou seja, de perceber que nossa fala pode ser dividida em partes menores. A frase pode ser reduzida em suas palavras, as palavras, em sílabas, e as sílabas, em sons. Ao identificar e compreender esses “pedaços meno- res”, pode-se criar novas palavras, por exemplo: se acrescentar o som /f/ à palavra “alta”, forma- -se “falta”; se omitir o som /m/ da palavra “mar”, forma-se “ar”; se retirarmos a sílaba “ne” da pala- vra “boneca”, forma-se “boca”; se invertermos as sílabas da palavra “lobo”, pode-se formar “bolo”. Os componentes da consciência fonológica po- dem ser visualizados na Figura 5. B ill io n P h o to s/ sh u tt e rs to ck .c o m MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 18 Segundo Capovilla e Capovilla (2007, p. XVI), “[...] a Consciência Fonológica e o conhe- cimento das correspondências entre grafema e fonema estão para a alfabetização assim como as vitaminas e sais minerais estão para a saú- de”. Adams et al. (2006) reforça essa ideia, ao afirmar que a principal dificuldade das crian- ças ao aprender a ler e escrever é o déficit em consciência fonológica, reforçando a importân- cia fundamental dessa habilidade para a leitura e a escrita. Quer que seus alunos da pré-escola estejam preparados para aprender a ler e escrever? Trabalhe a consciência fonológica. Atividades manuais estimulam o aprendizado. P ik is t.c o m D A E 2.3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ESTIMULAR E AVALIAR A LITERACIA EM SALA DE AULA O percurso até aqui propõe referências con- ceituais e metodológicas essenciais para a com- preensão das atividades que serão apresentadas na sequência. Conhecer os pressupostos teóricos das habilidades de leitura e escrita é condição essencial para que os professores não se limitem apenas aos objetivos já elencados, mas utilizem essas sugestões como disparadores para perce- ber e aproveitar as situações que surgem no coti- diano escolar. As propostas foram ordenadas em dificuldade crescente das habilidades preditoras para a alfabetização: jogos de escuta; vocabulá- rio (palavras); aliteração; rima; consciência silábica; consciência fonêmica e conhecimento do alfabeto (nome e sons das letras) (ADAMS et al., 2006). Figura 5: Componentes da consciência fonológica. Fonte: Desenvolvido pelas autoras com base em Capovilla e Capovilla(2007). Aliteração Rima Consciência silábica Consciência fonêmica Percepção da sílaba inicial das palavras Percepção da sílaba final das palavras Percepção da quantidade de sílabas das palavras Percepção dos sons isolados que formam uma palavra As sugestões que demandam ações como pintar também podem ser realizadas com outras propostas: a criança pode circular, assinalar, recor- tar, colar, entre outros. Isso também ocorre com as sugestões que solicitam que a criança fale as palavras ou bata palmas quando ouvir uma pala- vra que termina ou começa com o mesmo som de outra, que podem ser adaptadas para consignas como levantar-se, sentar-se, pular, falar em voz al- ta, falar em voz baixa. A ideia é que os professores busquem e percebam outras possibilidades. Inicialmente, as atividades têm como obje- tivo estimular e desenvolver a linguagem oral, sobretudo as propostas de consciência fonoló- gica, então o trabalho deve ser conduzido sem a utilização e o estímulo das letras e dos seus nomes, ou mesmo sem encaminhamentos de leitura. Segundo Adams et al. (2006, p. 19), “[...] antes que possam ter qualquer compreensão do princípio alfabético, as crianças devem entender que aqueles sons associados às letras são preci- samente os mesmos sons da fala”. A alfabetização deve ser entendida como um processo que tem como base o estímulo das habilidades de linguagem oral. Então, para alfa- betizar não é preciso começar com o ensino das letras, mas sim com a percepção da oralidade. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 19 A avaliação também acontece durante a observação. Não é necessário ter um cronograma fixo de aplicação, mas é importante que ela seja fre- quente; além disso, deve-se compreender que as propostas progridem em grau de dificulda- de, e, para avançar, o aluno precisa estar com o conceito anterior bem assimilado. Outra forma de guiar essas estratégias é compreender que os re- cursos facilitam a percepção do que precisa ser realizado. As propostas podem iniciar com obje- tos concretos, figuras e desenhos, e, aos poucos, o professor vai retirando esse apoio visual e verifi- cando se o aluno já consegue, de forma autôno- ma, atender aos objetivos de aprendizagem. M o n ke y B u si n e ss Im ag e s/ S h u tt e rs to ck .c o m A avaliação dessas recomendações deve ser realizada constantemente no decorrer de todas as atividades, especialmente por meio da observação dos alunos e de seus progressos para alcançar os objetivos propostos. Essa análise é um caminho essencial para o professor organizar o plano de en- sino de forma a não avançar para etapas mais com- plexas antes que a aprendizagem das etapas mais básicas esteja consolidada. Grande parte das ati- vidades foi desenvolvida com base nas pesquisas de Adams et al. (2006) e de Capovilla e Capovilla (2008) e na experiência das próprias autoras. ATIVIDADES DE ESCUTA Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a perceber que os elementos a sua volta podem ter sons específicos, desenvolvendo sua escuta para os sons não verbais e verbais presentes no ambien- te, de forma atenta e analítica, promovendo, ainda, a capacidade de escuta ativa, intencional e seletiva. ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Jogo de escuta: imitar sons não verbais (sons isolados) O professor deve selecionar alguns ruídos (sons não verbais) para imitar ou reproduzir por meio de áudio gravado. Colocar as crianças em roda, solicitar que fechem os olhos e descrevam os sons que estão ouvindo: pássaros, batimentos cardíacos, relógio, pingos de chuva, vento, carros, barulhos de diferentes animais, respiração, ato de tossir, engolir e espirrar. Verificar se os alunos conseguem perceber e nomear os sons que ouviram. Jogo de escuta: reproduzir sons imitados ou áudios gravados (sequência de sons) Colocar as crianças em roda ou pedir que se deitem no chão ou, ainda, virem de costas para que o professor apresente uma sequência de sons (imitados ou gravados): apontar o lápis, assoar o nariz, fechar o livro, bater o pé, mastigar fazendo barulho, tocar a campanhia, rasgar papel, assoprar, entre outros. Depois, solicitar às crianças que descrevam a ordem em que os sons foram reproduzidos. A atividade deve aumentar o grau de dificuldade, ou seja, acrescentar mais sons à medida que as crianças respondam adequadamente. Verificar se os alunos conseguem discriminar, nomear e ordenar a sequência de sons apresentada. O professor pode aplicar essas atividades ao longo de todo o ano escolar, aproveitando as si- tuações do dia a dia ou propondo momentos di- recionados para o trabalho com elas. Quando se pensa na aquisição de habilidades cognitivas, é muito importante promover o treino constante, pois é assim que as crianças vão aprender e com- preender esses conceitos para avançar. Então, quanto mais os professores criarem oportunida- des para o treino dessas tarefas, melhor o aluno se tornará nelas (DIAMOND, 2013). Idealmente, deveria ser trabalhada uma dessas atividades por dia; se isso não for possível, sugerimos trabalhar pelo menos duas atividades por semana. Quanto mais o professor estimular o treino de uma habilidade com o aluno, melhor ele se tornará nela! MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 20 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Brincadeira: “telefone sem fio” Colocar os alunos em roda ou fila e falar no ouvido da primeira criança uma frase ou uma palavra. Ela deve repetir o que ouviu na orelha do colega ao lado. Este, por sua vez, repete a frase que ouviu na orelha do próximo amigo, e assim sucessivamente, até chegar ao último participante da roda. Este deve, então, dizer em voz alta a frase ou a palavra que ouviu e verificar se ela está de acordo ou não com o que foi dito no início da brincadeira. Verificar se a frase pronunciada pelo primeiro aluno é a mesma que a última criança da roda fala em voz alta. Brincadeira: “sem sentido” Cantar, recitar parlendas ou mostrar imagens Colocar as crianças em roda e começar a cantar cantigas ou recitar parlendas que elas conheçam, fazendo, porém, pequenas alterações para que um trecho bastante conhecido fique sem sentido. O professor avisa que vai cantar uma música, e os alunos precisam identificar o que foi cantado ou falado de forma errada, “sem sentido”. Por exemplo: “Um, dois, filão com amois [...]”; “A casinha da miló, caradinha de cipó [...]”. Com crianças menores, mostrar imagens destoantes dos sons, por exemplo, apresentar a imagem de um cachorro e reproduzir o som “miau”. Verificar se os alunos conseguem perceber a diferença entre o que esperam ouvir – porque já conhecem a parlenda, a música ou o som que o animal da imagem produz – e o que realmente estão ouvindo. Verificar se conseguem repetir ou cantar, com as palavras corretas, a cantiga ou a parlenda. No caso das imagens, se elas podem reproduzir o som relacionado à imagem apresentada. Brincadeira: “som escondido” Esconder um objeto que emita som em algum local da sala de aula e solicitar às crianças que, com os olhos fechados, identifiquem de onde vem o som e do que se trata. Por exemplo, um relógio com o som “tic-tac, tic-tac”. Verificar se identificam, de maneira assertiva, o local de origem do som e se conseguem nomeá-lo. ATIVIDADES DE VOCABULÁRIO Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a perceber que as frases podem ser segmentadas em partes menores (as palavras) e que essas partes podem ser identificadas de forma isolada. Perceber, ainda, que, combinando palavras diferentes, é possível formar novas frases. O foco dessas propostas não é ainda que a criança leia ou escreva as palavras, mas compreenda auditiva e oralmente que as palavras podem ser recombinadas e isoladas. ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Criação de frases simples com base em imagens Colocar as crianças em roda, apresentar uma imagem e criar uma frase para ela. Por exemplo:“As crianças brincam no parque”. Apresentar diversas imagens para que as crianças percebam quantas frases diferentes podem ser criadas. Verificar se são capazes de produzir uma frase a partir de uma imagem. Caixa de imagens para criar frases Elaborar uma caixa com diversas imagens avulsas. Entregá-la a cada criança e solicitar que retire duas imagens. Ela deve nomeá-las e criar uma frase que contenha as duas palavras. À medida que a criança vai respondendo, pode-se aumentar a quantidade de imagens/palavras que devem ser contempladas em cada frase. Por exemplo: figura de um cachorro e de uma lata, para que as duas palavras apareçam na frase. Frase criada: “O cachorro brincou com a lata”. Verificar se são capazes de produzir uma frase a partir de uma sequência de imagens. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 21 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Quantidade de palavras da frase com massinha e blocos coloridos Mostrar às crianças que as frases são compostas de palavras, as quais podem ser contadas, e representar essa quantidade por meio de bolinhas de massinha ou blocos coloridos. Por exemplo: falar a frase “Bruna chorou”, e mostrar que duas bolinhas representam a quantidade de palavras dessa frase. Conforme as crianças forem respondendo adequadamente, aumentar a quantidade de palavras da frase. Verificar se percebem que a fala pode ser segmentada em pedaços menores, contando as palavras que formam uma frase. Fichas com frases escritas e ilustradas Organizar as crianças em roda e apresentar uma imagem, por exemplo, uma criança apagando a vela sobre um bolo. Em seguida, falar pausadamente a frase “João apaga a vela do seu bolo,” e pedir a elas que repitam. Depois, solicitar que peguem palitos, botões ou qualquer outro material concreto para simbolizar as palavras da frase. Finalizar repetindo a frase coletivamente e pedir que, a cada vez que falarem uma palavra da frase, pulem, andem para a frente ou para trás, batam palmas ou outra ação que envolva um movimento corporal. Verificar se conseguem identificar a quantidade de palavras de uma frase utilizando materiais concretos e movimentos do corpo como suporte. Imagens e fichas com frases divididas em palavras Organizar as crianças em roda e apresentar imagens que compõem a parlenda “Rei, capitão, soldado, ladrão, menino, menina, macaco, Simão”. Pedir aos alunos que recitem a parlenda, de acordo com as figuras apresentadas pelo professor. Em seguida, repetir a parlenda com as imagens e verificar se as crianças conseguem colocá-las na ordem correta até completar a parlenda. Verificar se conseguem organizar as imagens em sequência, formando a parlenda. Cantigas, músicas e parlendas de conhecimento prévio das crianças Organizar as crianças em roda e brincar com cantigas e parlendas que elas conheçam previamente. Recitar a parlenda pausadamente, por exemplo: “Corre cotia na casa da tia [...]”. Pedir que ouçam com atenção. Repetir pausadamente a frase, mas não falar a última palavra. Os alunos devem completar a frase falando em voz alta a palavra que falta. Por exemplo: “Corre cotia, na casa da [...]” (tia); “Corre cipó, na casa da [...]” (vó). Verificar se identificam a palavra que falta para completar a frase nas cantigas ou nas parlendas trabalhadas. ATIVIDADES DE ALITERAÇÃO E DE RIMA Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a perceber que palavras diferentes podem começar com o mesmo som (aliterações) e/ou terminar com o mesmo som (rimas). As rimas e as aliterações são apresentadas de forma conjunta, porque grande parte das atividades pode ser aplicada para de- senvolver essas duas habilidades. A princípio, para as crianças é mais fácil perceber os sons iniciais do que os finais, por isso a sugestão é que o trabalho se inicie pelas aliterações e depois progrida para as rimas. Uma forma contextualizada de os alunos perceberem os sons é solicitar a cada um que crie um cra- chá com o próprio nome (o professor pode oferecer um modelo para que copiem ou pode ele mesmo escrever o nome de cada um) e o desenho de um animal cujo nome comece com o mesmo som da letra inicial do nome próprio, por exemplo, Patrícia pode ser representada por um pato e Diego por um dinossauro. Assim, antes de iniciar as propostas, as crianças já têm contato com atividades que trabalham aspectos iniciais dessa habilidade. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 22 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Folha impressa com imagens Dizer em voz alta com as crianças o nome das figuras e solicitar que pintem/circulem as imagens que terminam/ começam com o mesmo som. Verificar se nomearam as imagens e circularam os desenhos corretos. Caixa da rima/ aliteração (com objetos reais ou imagens impressas) Organizar as crianças em roda e apresentar a caixa da rima/aliteração. Solicitar que retirem um objeto/imagem, digam o seu nome e depois falem uma palavra que rima com o nome desse objeto. Pode-se solicitar também que digam uma palavra que começa com o mesmo som. Verificar se conseguem dizer a palavra que rima/alitera de forma autônoma; se isso não ocorrer, oferecer modelos para verificar se compreenderam a tarefa. Caixa da rima/ aliteração (com objetos reais ou imagens impressas) Uma das crianças deve retirar o objeto/imagem da caixa e escolher um amigo para desenhar na lousa um objeto ou um elemento cujo nome começa igual ou rime com o nome do objeto sorteado. Uma variação possível é solicitar às crianças que façam mímica para representar o elemento cujo nome rima com a imagem ou o objeto sorteado. Verificar se conseguem dizer a palavra que rima/alitera de forma autônoma; se isso não ocorrer, oferecer modelos para verificar se compreenderam a tarefa. Dominó das rimas/ aliterações Levar pronto um dominó que tenha desenhos de palavras que rimam/aliteram no lugar dos números ou construir o dominó em conjunto com as crianças, delegando a elas a tarefa de produzir os desenhos das peças. Explicar as regras do jogo ou solicitar àquelas que já saibam jogar que auxiliem os colegas que ainda não conhecem as regras. Verificar se conseguem compreender as regras do jogo e se identificam e associam as rimas e aliterações corretamente. Atuar como um mediador, ajudando as crianças a refletir sobre a peça que têm em mãos e o som da imagem representada, para que busquem a peça com a rima relacionada. Jogo da memória das rimas/ aliterações Com o apoio das crianças, elaborar um jogo da memória com palavras que aliterem/rimem. As peças podem ser confeccionadas utilizando colagens de figuras ou desenhos. Explicar as regras do jogo ou solicitar àquelas que já saibam jogar que auxiliem os colegas que ainda não conhecem as regras. Verificar se conseguem compreender as regras do jogo e se identificam e associam as aliterações/rimas de forma correta. Atuar como um mediador, ajudando as crianças a refletir sobre a peça que têm em mãos e o som da imagem representada, para que busquem a peça com a aliteração/rima relacionada. Parlendas Recitar parlendas e pedir às crianças que repitam com o professor (selecionar parlendas que contenham diversas palavras que rimem ou comecem com o mesmo som). Utilizar a nomenclatura “rima” ao explicar as palavras que terminam com o mesmo som, para introduzir esse vocábulo. Retomar o conceito de rima com exemplos. Peça às crianças que falem em voz alta as palavras da parlenda que começam com o mesmo som ou que rimem. Sugestão de parlendas: Casinha de melão, O rato roeu a roupa do rei. Verificar se conseguem identificar as palavras que começam ou terminam com o mesmo som. Atuar como um mediador, apresentando exemplos e auxiliando as crianças a compreender e perceber esses sons. Parlendas Selecionar palavras da parlenda e pedir às crianças que falem outras palavras que começam ou terminam com o mesmo som (podem tanto ser palavras da própria parlenda quanto do repertório linguísticodas crianças). Verificar se conseguem falar as palavras que começam ou terminam com o mesmo som. Atuar como um mediador, apresentando exemplos e ajudando as crianças a compreender e perceber esses sons. Músicas, brincadeiras cantadas, trava-línguas, poemas e canções Levar músicas, brincadeiras cantadas, poemas ou canções e pedir às crianças que cantem/recitem. Peça que falem em voz alta as palavras que começam com o mesmo som ou que rimem. Sugestões: Corre, cutia; Borboletinha está na cozinha. Verificar se conseguem falar as palavras que começam ou terminam com o mesmo som. Atuar como um mediador, apresentando exemplos e ajudando as crianças a compreender e perceber esses sons. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 23 Figura 6: Atividade de aliteração. Circule as imagens cujos nomes começam com o mesmo som: CACHORRO Fonte: Desenvolvido pelas autoras. GIRAFA CABEÇA SAPO M ar co s M ac h ad o Figura 7: Atividade de rima. Pinte da mesma cor as imagens cujos nomes rimam (terminam com o mesmo som): Fonte: Desenvolvido pelas autoras. JANELACAFÉ CORAÇÃO PÉ M ar co s M ac h ad o As figuras 6 e 7 apresentam propostas de atividades que estimulam aliterações e rimas. ATIVIDADES DE CONSCIÊNCIA SILÁBICA Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a perceber que as palavras são formadas por sílabas e ele pode contar a quantidade de sílabas de uma palavra, bem como manipulá-las para formar novas palavras. ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Caixas/potes para contagem silábica e caixa com figuras Levar uma caixa contendo diversos cartões com imagens impressas ou uma caixa com objetos concretos e separar mais três caixas ou potes em outro local. Cada criança deve retirar da caixa um cartão com imagem, dizer o nome do elemento representado e colocar o cartão na caixa correspondente à quantidade de sílabas. Então, na mesa terá um pote identificado com o número 1, outro com o número 2 e o último com o número 3. Por exemplo: a criança retira o cartão com a imagem de um cavalo; nomeia a imagem dizendo “cavalo” em voz alta e depois diz que essa imagem vai para a caixa de número 3, pois essa palavra tem três partes. Verificar se nomeiam corretamente as imagens e se segmentam as palavras de forma adequada para escolher o pote de acordo com a quantidade de sílabas. Brincadeira: “dividir a palavra em pedaços” Organizar as crianças, de pé, em uma roda e começar sugerindo temas para que falem, em voz alta, palavras que conheçam. Por exemplo: No tema “animais”, cada criança fala o nome de um animal que conhece, e o restante da turma deve dividi-la conforme a falam; para isso, devem usar movimentos corporais: pulando, batendo palmas, avançando um passo para a frente, entre outras possibilidades. Dessa forma, a palavra “macaco” será dividida em três partes: “ma-ca-co”. Verificar se dividem a palavra em sílabas, marcando as “partes” com movimentos, à medida que a falam em voz alta. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 24 Figura 8: Atividade de consciência silábica – exemplo 1. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. BOCA PÉ CABEÇA CARRO Pinte os quadrinhos de acordo com a quantidade de sílabas das imagens: Figura 9: Atividade de consciência silábica – exemplo 2. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. BO LA LI MÃO BO NE CA SA PA TO Circule da mesma cor as figuras cujos nomes possuem o mesmo número de pedacinhos (sílabas): M ar co s M ac h ad o M ar co s M ac h ad o ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Material concreto: palito, botão, peças de blocos ou lápis de cor Pedir às crianças que se sentem em roda e dispor diversos tipos de material concreto no meio. Falar uma palavra, por exemplo, “cereja”, e pedir que peguem, do material disponibilizado, a quantidade de itens que corresponde ao número de sílabas da palavra. Depois, elas repetem a palavra e indicam a quantidade de sílabas representada pelos itens que pegou na roda. Por exemplo: para a palavra “cereja”, “ce-re-ja” e a criança deve pegar três itens. Verificar se separam a palavra em sílabas conforme a falam e se representam corretamente a quantidade de sílabas pronunciadas com objetos concretos. Folha impressa com figuras de animais e objetos e seus respectivos nomes embaixo da imagem Pedir às crianças que observem cada imagem da folha impressa e repitam oralmente o nome dos animais ou de outros elementos representados. Por exemplo: imagens e nomes de “casa”, “mala”, “coruja”, “tucano”, entre outros. Depois, devem ligar as palavras que têm a mesma quantidade de sílabas/pedaços. Verificar se identificam e percebem a quantidade igual de pedaços nas palavras, separando-as oralmente em sílabas e relacionando as palavras com o mesmo número de sílabas. Fichas com imagens impressas para a brincadeira: “esconde- -esconde das palavras” Organizar as crianças em roda e brincar como se elas fossem detetives. O professor fala uma palavra, repetindo-a pausadamente algumas vezes. Por exemplo: “jabuticaba”, “girassol”, “jacaré”. Na sequência, pergunta se elas podem descobrir uma palavra “escondida” dentro da palavra que acabou de ser pronunciada. Exemplificar: se nós tirarmos o som /caba/ da palavra “jabuticaba”, fica /jabuti/. Depois de trabalhar essa manipulação na palavra, peça às crianças que tentem sozinhas. Por exemplo, mostrar a imagem de um jacaré e pedir que desenhem a palavra escondida dentro dela (jaca). Verificar se escutam e identificam palavras dentro de outras. As figuras 8 e 9 apresentam exemplos de atividades que estimulam a consciência silábica. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 25 ATIVIDADES DE CONSCIÊNCIA FONÊMICA Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a identificar e manipular as menores unidades que formam as palavras (fonemas). Esta é a última etapa da consciência fonológica, pois a criança já passou pelo processo de aliterações e rimas, Figura 10: Atividade de consciência fonêmica – exemplo 1. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. Faça um X nas figuras cujos nomes começam com o mesmo som da palavra faca: M ar co s M ac h ad o ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Folha impressa com imagens diversas Entregar uma folha com diversas imagens e solicitar às crianças que pintem da mesma cor as que começam com o mesmo som. Por exemplo: fada-foca, mala-mochila, bolo-bala. Comece com poucos estímulos e acrescente mais itens à medida que forem respondendo corretamente. Verificar se identificam as figuras que começam com o mesmo som. Figuras impressas para a brincadeira: “mude o primeiro som” Organizar as crianças em roda e apresentar uma figura, por exemplo, de gato. Pedir que repitam com o professor os sons da palavra e, depois, propor perguntas: “Se tirarmos o primeiro som /g/ e colocarmos o som /m/ no início, como ficaria a palavra?”. Repetir a brincadeira trocando por outros sons, como /r/ e /p/. É importante reproduzir cada som e pedir que o repitam. Verificar se repetem os sons que formam os nomes dos elementos representados nas figuras. Identificar se manipulam os sons, trocando o som inicial dos nomes dos elementos e formam novas palavras. Brincadeira: “mude o som” Organizar as crianças em roda e pedir que cantem a música “O sapo não lava o pé” (de domínio público). Depois, avisá-las de que vão brincar de mudar o som ao cantar. Por exemplo, devem substituir a letra original por variantes: “A sapa não lava a pá [...]”; “O sopo não lovo o po [...]”.. Verificar se conseguem manipular os sons da fala trocando-os para cantar a cantiga de roda. Desafios orais Perguntar às crianças quais elementos começam com determinado som para que o identifiquem. Por exemplo: uma fruta que começa com /m/, melancia; algo que tem na sala que começa com /j/, janela. Ficar atento para que pronunciem o som, e não o nome da letra. Verificar se conseguem descobrir a palavra-alvo apenas pela identificação do som inicial. Trava-línguaLer o trava-língua “A aranha arranha a jarra” e desafiar as crianças a repeti-lo. Depois, pedir que falem mais rapidamente e ouçam o professor pronunciar o trava-língua bem devagar. Na sequência, devem responder: “Qual foi o som que vocês mais ouviram? Quais palavras nesse trava-língua começam com esse som /a/? Você ouviu alguma palavra que rima com aranha?" Verificar se os alunos conseguem identificar o som predominante e as palavras que iniciam com esse som. As figuras 10 e 11 apresentam exemplos de atividades que estimulam a consciência fonêmica. pelo reconhecimento de palavras e pela cons- ciência das sílabas. Agora é o momento em que ela começa a perceber e reconhecer a unidade mínima da palavra. Nessa etapa educacional, o objetivo inicial é apenas realizar o trabalho so- noro, para que, quando desenvolver o princípio alfabético e fizer associações, a criança já reco- nheça os sons isolados. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 26 ATIVIDADES DE CONHECIMENTO DO ALFABETO (NOME E SONS DAS LETRAS) Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a apropriar-se do princípio alfabético e relacionar os grafemas a seus respectivos fonemas. Esse tópico é uma das áreas mais trabalhadas pelos professores quando pensam em alfabetização, porém é apenas um dos pontos que predizem essa habilidade e deve ser desenvolvido em con- junto com todas as outras áreas exemplificadas. Para que esse processo inicie, é necessário que a criança se aproprie do código alfabético. É importante que conheça as letras do alfabeto e sua sequência e saiba que cada letra tem um no- me e uma representação sonora. De acordo com a pesquisa de Adams et al. (2006), as crianças entre 5 e 6 anos já são capazes de ter essas per- cepções. Como isso pode ser desenvolvido na prática de sala de aula? Indicamos alguns exem- plos de ações que podem colaborar com o tra- balho do professor no dia a dia em sala de aula. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. Figura 11: Atividade de consciência fonêmica – exemplo 2. Circule da mesma cor as figuras cujos nomes começam pelo mesmo som: M ar co s M ac h ad o M ah e sh P at e l/ P ix ab ay .c o m A criança vai se tornando capaz de reconhecer o alfabeto. } Falar para as crianças que toda palavra inicia e termina com um som e que esse som é re- presentado por uma letra. } Reforçar com as crianças que todas as letras têm um nome e uma representação sonora. } Destacar que alguns “sons” são pronunciados e reproduzidos da mesma maneira, porém são representados por letras diferentes. } No momento da chamada, propor às crianças que respondam reproduzindo o “som” da pri- meira letra do nome delas. } Encaminhar atividades em que as crianças comparem a letra inicial do nome de cada amigo. } Propor a brincadeira: “Essa palavra começa com o som?”. O professor pode solicitar às crianças que representem as letras iniciais das palavras indicadas. } Sortear ou estipular letras e solicitar às crianças que falem palavras que iniciam com a letra. } Criar oportunidades para exposição visual do alfabeto com tipografias variadas. } Pedir às crianças que encontrem determina- das letras em revistas ou jornais. } Propor a brincadeira: “hoje eu sou a letra...”. Colocar uma letra do alfabeto de qualquer material (por exemplo, EVA) grudada em ca- da criança e propor a elas que se espalhem. Quando ouvirem o sinal do professor, devem se organizar em ordem alfabética. Durante o dia, em momentos diferentes, o professor pode falar a palavra “estátua”, e todos devem parar de se mexer. Escolher, então, uma letra, e a criança que tem essa letra colada em sua roupa terá de falar palavras que começam com o som da sua letra. } Organizar a rotina com plaquinhas dos nomes das aulas ou dos momentos que terão no dia. O professor falará o nome da plaquinha. Por exemplo: “Por favor, Júlia pegue a plaquinha na qual está escrito ‘lanche’”. Pode-se seguir MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 27 com perguntas para auxiliar a criança: “Lan- che começa com qual som? Esse som é re- presentado por qual letra?”. } Posicionar no chão um tapete confeccionado pelo grupo e que tenha a representação de todas as letras do alfabeto. Pedir a uma crian- ça que escolha uma letra e diga seu nome e seu som e, em seguida, solicitar que fale uma palavra que começa com essa letra. } Propor um jogo para descobrir uma palavra es- condida. Desenhar quadrados vazios ou com- por a quantidade de traços correspondente à de letras da palavra a ser descoberta. Combinar com as crianças um eixo temático, por exem- plo, cores, animais, frutas. Depois, pedir que nomeiem e representem o som de cada letra que falarem até que descubram qual é a pala- vra (para facilitar, pode-se deixar um banco de letras para as crianças terem apoio visual). } Propor a brincadeira: “troque a letra e encontre uma nova palavra”. Com o auxílio das crianças, escrever com letras móveis a palavra “cola” e chamar a atenção para a primeira e a última letras. Nomear e representar o som da letra inicial; em seguida, retirar a primeira letra e co- locar a letra “b”. Perguntar, então: “O que vocês acham que mudou? Vamos representar esse som?”. Ler a palavra formada, “bola”, e deixar que percebam quais letras mudaram de uma palavra para a outra. Brincar com outras possi- bilidades, como “mola” e “sola”. } Trazer parlendas que as crianças conheçam e pedir que pintem as letras solicitadas e/ou as palavras que se repetem ou que digam o no- me da letra inicial e o som que ela representa. As crianças podem, ainda, pintar as rimas ou dizê-las em voz alta. } Iniciar a escrita de bilhetes. É importan- te que o conteúdo do bilhete seja conciso e claro, pois o objetivo é fazer as crianças perceberem a função social da escrita e en- corajá-las a se comunicar por meio do de- senho ou da escrita. O professor pode pedir para que elas desenhem ou copiem um re- cado na agenda. As crianças podem elabo- rá-lo inicialmente com desenhos e, depois, com desenhos e poucas palavras. É impor- tante incentivar inicialmente apenas a cópia dos traçados, e não a leitura ou a escrita da palavra em si. } Nos momentos de desenho livre, incentivar que escrevam e desenhem para um ami- go, não se esquecendo de escrever o nome do amigo e colocar sua assinatura para que quem receber saiba quem foi o autor (utilizar como apoio os crachás com os nomes dos amigos ou chamar a atenção para a lista de chamada com os amigos presentes). Há, ainda, diversas outras formas de traba- lhar com as letras e os sons, como apresenta- mos a seguir. ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO “Alfabeto ilustrado” Elaborar, em conjunto com as crianças, um alfabeto ilustrado com as letras escritas em suas quatro variações (maiúscula, minúscula, bastão e cursiva), acompanhadas de imagens cujos nomes comecem com aquele som. Verificar se conseguem identificar a letra em suas variações e se encontram imagens cujos nomes comecem com aquele som. Caixas das letras do alfabeto Trazer uma caixa para cada letra do alfabeto e figuras que comecem com esse som. Por exemplo, para a caixa da letra “A”: anel-abelha. Para facilitar a compreensão dos fonemas, o professor pode começar com as vogais. Organizar as crianças em roda e falar o som que cada letra exposta do lado de fora da caixa representa. Por exemplo: “A representação sonora dessa letra é /a/. Quais palavras iniciam com esse som?”. Brincar oralmente. Depois, pedir que coloquem as imagens na caixa de acordo com o som da letra inicial da palavra. Verificar se identificam o som da menor unidade da palavra (o fonema) e percebem esse mesmo fonema no início de outras palavras. Plaquinhas ou crachás com os nomes dos alunos impressos Colocar os crachás com os nomes de todos os alunos da turma no meio da roda. Pedir às crianças que encontrem o nome delas e peguema plaquinha. Depois, o professor deve escrever uma letra, mostrar aos alunos e perguntar: “O nome de quem inicia com essa letra?”. É importante que o professor alterne o encaminhamento da atividade, ora falando o nome da letra, ora sua representação sonora. Verificar se relacionam o nome ou o som da letra-alvo com a primeira letra do próprio nome. Observar se reproduzem o som da letra que inicia seu nome. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 28 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO “Jogo da memória: figura e letra; figura e som” Elaborar um jogo da memória temático – uma sugestão é o tema das partes do corpo humano – para que as crianças tenham de relacionar a figura com a letra inicial da palavra que nomeia a figura. Por exemplo, uma carta do jogo traz a figura do nariz, e a outra apresenta a letra N. Organizá-las em roda e pedir que uma delas vire para cima uma das cartas do jogo. Em seguida, perguntar o nome da figura: “Qual é o nome da parte do corpo que está na figura? Com que som esse nome começa? Então, qual letra você terá de achar para fazer par com a figura do nariz?”. Verificar se relacionam a imagem a seu respectivo fonema e depois ao grafema. Observar se nomeiam as letras do alfabeto corretamente e se sabem produzir o seu som. Brincadeira: pingue-pongue Organizar as crianças em roda e levar uma bolinha. Jogá-la para um dos alunos seguindo a ordem alfabética. O professor joga a bolinha e fala “Letra A”, a criança que a recebe precisa representar o som da letra A e falar uma palavra que começa com esse som. Depois, deve jogar a bolinha para um colega falando “Letra B”, e assim sucessivamente. Caso alguma criança tenha dificuldade, repetir o nome da letra e ajudá-lo com a reprodução do som da letra. Também é possível pedir a outras crianças que saibam o nome da letra que falem palavras que iniciem com esse som ou letra. Verificar se conhecem o alfabeto e sua sequência. Observar se representam o som das letras escolhidas e lembram palavras que iniciam com o mesmo som. Caixa com as letras do alfabeto para a brincadeira: “Vamos procurar objetos que começam ou terminam com a letra/som?” Levar uma caixa que contenha cartões com as letras do alfabeto ou as letras feitas de material resistente, como papel encorpado ou EVA. Organizar as crianças em roda e tirar uma letra da caixa, pedindo que falem coletivamente em voz alta o nome da letra e o som que ela representa. Depois, pedir que procurem, na sala de aula ou no espaço onde estiverem, objetos que começam ou terminam com essa letra e os tragam para o meio da roda. À medida que forem trazendo os objetos, o professor deve pedir que falem o nome dele em voz alta e peguem a letra (ou o cartão com a letra) para formar um cantinho dos objetos que comecem ou terminem com a letra A, por exemplo; depois outro cantinho com os objetos que comecem com a letra B. Assim, poderão brincar com todas as letras do alfabeto. Verificar se identificam o nome da primeira e da última letra nas palavras e representam seus respectivos sons. Observar se falam e encontram objetos que comecem ou terminem com as letras do alfabeto apresentadas. Figura 12: Atividade de conhecimento do alfabeto – exemplo 1. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. Circule na palavra escrita as letras iguais à letra-alvo: A A B E L H A U U R U B U E E L E F A N T E I I L H A O O V O As figuras 12 a 15 apresentam estratégias para trabalhar com o conhecimento das letras e dos sons. D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 29 Figura 13: Atividade de conhecimento do alfabeto. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. Pinte da mesma cor as imagens que possuem a mesma quantidade de letras: GELO BONECA SAPATOFADA Figura 15: Atividade de conhecimento do alfabeto. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. As letras do alfabeto resolveram fazer uma festa e algumas saíram do lugar. Complete a sequência com as letras faltantes: A B D F G H J K N P Q S T V W Y Z Banco de letras: X, E, M, U, C, R, O, I, L. Figura 14: Atividade de conhecimento do alfabeto – exemplo 2. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. A b f f l a Z p k j z B i b e o F m r j f o r b fR Circule a letra correspondente minúscula de acordo com a letra-alvo: M ar co s M ac h ad o D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 30 São diversas as tarefas que podem estimular as habilidades preditoras de linguagem escrita de forma simples, contextualizada e sem exigir material ou recurso tecnológico específico. Todas as propostas apresentadas podem ser adaptadas pelo professor com recursos facilmente encon- trados. As reflexões teóricas e metodológicas e as atividades apresentadas ampliam o repertório do docente para que ele promova, em sua atuação, o desenvolvimento das habilidades preditoras da literacia. Essas atividades permitem o desenvol- vimento de vários passos de aprendizagem: } identificar os sons do ambiente; } repetir uma sequência de sons; } associar sons a objetos e a imagens; } brincar com elementos sonoros, como tele- fone sem fio; } encontrar o local de um som escondido no ambiente; } criar frases a partir de uma imagem; } criar frases a partir de uma sequência de imagens; } identificar a quantidade de palavras de uma frase por meio de objetos concretos, como massinhas e blocos; } “consertar” frases que são faladas com pala- vras erradas ou desconexas; } conhecer novos vocabulários por meio de histórias, textos, parlendas, músicas, poesias, reportagens, entre outros; } organizar a frase falada por meio de imagens; } completar parlendas e músicas com a pala- vra que falta; } elaborar um crachá com uma imagem que comece com o mesmo som do seu nome; } pintar algo que alitere ou rime com imagens representadas ou objeto concreto; } falar palavras que aliterem ou rimem com ob- jetos do ambiente ou com figuras; } jogar com materiais que trabalham com ri- mas e aliterações, como o jogo da memória e o dominó; } fazer movimentos, como bater palmas, levan- tar ou sentar, cada vez que ouvir uma palavra que comece ou termine com o mesmo som ou para marcar e contar a quantidade de síla- bas de uma palavra; } brincar de palavras que comecem ou termi- nem com um som-alvo; } cantar diversas músicas que contenham a se- quência alfabética; } encontrar um colega que tenha a mesma quantidade de sílabas no nome; } utilizar material concreto para representar a contagem de sílabas; } brincar de encontrar palavras que estão den- tro de outras; } identificar figuras que começam com o mes- mo som; } identificar o som mais recorrente em trava-línguas; } identificar palavras que começam com o som indicado em adivinhas; } elaborar coletivamente um alfabeto ilustrado; } representar a letra em suas quatro variações de escrita; } associar o nome ao som de cada letra; } encontrar objetos da sala de aula com a letra do alfabeto sorteada; } elaborar diversas listas, por exemplo, de ali- mentos que trouxeram para o lanche, e de- pois comparar as palavras que começam com a mesma letra; } recortar de materiais impressos exemplos das quatro variações de cada letra. As crianças devem ser ativas durante o processo de aprendizagem. Fa tC am e ra / G e tt y Im ag e s. co mMATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 31 Os professores têm à disposição um con- junto de práticas que podem apoiá-los no desenvolvimento de atividades voltadas ao trabalho com habilidades de leitura e escrita, sempre com intencionalidade pedagógica. Al- gumas propostas apresentadas neste guia e novas sugestões são: } “dança das cadeiras”: coloque o nome de cada criança sobre uma cadeira e, quando a música parar, só poderá sentar a criança cujo nome começar com a mesma letra do nome posicionado na cadeira ou a que estiver na cadeira que traz o próprio nome; } selecionar letras e questionar o que conhe- cem que começa com aquele som; } proporque escrevam o formato das letras em caixas de areia, no ar, em potes de água; } propor atividades com pontilhados que refor- cem o desenho das letras antes de solicitar que escrevam as letras em si; } aproveitar momentos como a hora da refei- ção ou da saída para fazer a fila chamando as crianças pela sílaba inicial ou final; } utilizar músicas conhecidas do universo in- fantil para estimular atividades com letras, sílabas, rimas e aliterações; } utilizar caixas e potes para classificar figuras/ objetos em diversas situações: de acordo com a letra inicial/final, com a quantidade de sílabas etc. Espera-se que as crianças desenvolvam as habilidades previstas nos objetivos de aprendiza- gem apresentados, como: } conhecer diversos gêneros textuais; } participar de momentos de leituras; } observar imagens; } descrever uma imagem a partir de sua observação; } cantar cantigas e músicas; } recitar parlendas, trava-línguas, aliterações, adivinhas, poesia, entre outros; } reconhecer os diferentes tipos de texto: poe- mas, quadrinhas, letras de músicas, parlen- das, entre outros; } identificar palavras nos textos (parlendas, poemas, entre outros); } dividir as palavras em pedaços/partes menores; } diferenciar sons verbais e não verbais; } manipular os sons da fala; } escutar e argumentar com coerência e clare- za acerca dos assuntos abordados; } relatar fatos e acontecimentos do cotidiano com fluência e coerência; } narrar fatos causais e temporais; } narrar histórias na ordem cronológica dos fatos; } descrever características dos personagens e dos lugares da história; } interpretar histórias; } conhecer e empregar novos vocabulários aprendidos; } expressar ideias e sentimentos; } emitir a opinião sobre um assunto proposto; } transmitir recados com fluência e coerência; } participar da elaboração de textos coletivos com a ajuda do professor escriba; } elaborar ou recontar histórias, modificando suas partes; } formular perguntas; } ouvir e refletir sobre situações propos- tas, elaborando respostas e soluções para problemas; } identificar e manipular os sons individuais das palavras; } relacionar os “sons” das letras trabalhadas com sua respectiva grafia; } identificar as letras do alfabeto; } diferenciar letras de outros símbolos; MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 32 } grafar as letras; } reconhecer as letras do próprio nome e sa- ber identificá-las nas diversas situações do cotidiano; } reconhecer o nome da primeira letra (e seu respectivo som) do nome dos amigos; } relacionar a linguagem oral à linguagem escrita; } utilizar a escrita com compreensão inicial de sua função social; } arriscar-se a escrever letras ou palavras (seu nome e o nome dos amigos); } arriscar-se a escrever bilhetes (desenhos, de- senhos mais seu nome e dos amigos, poucas palavras copiadas do modelo do professor). O professor não deve se limitar às atividades aqui apresentadas, mas tê-las como base para a criação de outras propostas. As atividades apresentadas são apenas mo- delos que podem ser utilizados em sala de aula e devem servir de guia para o estímulo dessas habilidades e áreas, mas não ser um fim em si. Então, espera-se que se amplie o que foi apre- sentado, com uma reflexão sobre como utilizar as tarefas propostas de forma a seguir uma se- quência de dificuldades e de conteúdos com as crianças, compreendendo que não é objetivo da Educação Infantil que elas terminem essa etapa alfabetizadas, mas sim que tenham esse período como uma oportunidade de desenvolver e traba- lhar as habilidades preditoras. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL Realizar cálculos Resolver problemas apresentados verbalmente Compreender e contar números D A E 33 Numeracia 3.1 O QUE É NUMERACIA? Em conjunto com o desenvolvimento da leitu- ra e da escrita, as habilidades matemáticas fazem parte das habilidades mais exigidas na vivência escolar. De acordo com a PNA (BRASIL, 2019), a numeracia caminha bastante alinhada à literacia por se tratar da linguagem que introduz o cami- nho a ser percorrido e desenvolvido pela criança a respeito de tudo o que envolve números e suas relações. A numeracia abrange também as estra- tégias para resoluções de problemas e as análi- ses de demandas vivenciadas no cotidiano. A numeracia não deve se limitar apenas ao aprendizado dos números! ou seja, não são somente manifestações espon- tâneas do desenvolvimento infantil. Essa rela- ção entre conhecer e participar do processo de reflexão sobre o que aprende tem relação com o uso social e cultural da matemática: a criança consegue realmente fazer a transposição inter- disciplinar do conhecimento com sua realidade, transitando entre as áreas, manipulando, regis- trando, pesquisando, interpretando, abstraindo, relatando e ressignificando experiências. Segundo Seabra et al. (2009), uma das áreas mais significativas do amplo campo da Matemá- tica é a competência aritmética, bastante requi- sitada e trabalhada em todo o percurso escolar dos alunos. A aritmética envolve três habilidades básicas, conforme apresentado na Figura 16. Os professores da Educação Infantil con- tribuem sobremaneira para o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático ao promover atividades e jogos que trabalham noções nu- méricas, espaciais, geométricas, de medidas e de estatística (BRASIL, 2019, p. 22). Figura 16: Habilidades envolvidas na aritmética. Assim como ocorre no processo de ensino- -aprendizagem da literacia, recomenda-se que o ensino das habilidades matemáticas ocorra de forma alinhada às evidências científicas. Em espe- cial, os estudos no campo das ciências cognitivas têm apresentado fundamentos para essa área, com a chamada cognição numérica ou matemá- tica. Esses estudos dedicam-se a compreender como o desenvolvimento e as capacidades ce- rebrais se relacionam com o conhecimento ma- temático e têm identificado que bebês já nascem com uma concepção básica de senso numérico, o que envolve cálculos simples, contagem, nu- merosidade e ordinalidade (DEHAENE, 2011). A capacidade do cérebro é ampliada con- forme se formam as conexões desenvolvidas por meio de representações de espaço, tempo e números – que são a base para a abstração e a intuição matemática. Da mesma maneira que ocorre com a linguagem, essas representações matemáticas se manifestam durante os anos es- colares também por meio da instrução escolar, Fonte: Desenvolvida pelas autoras com base em Seabra et al. (2009). MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 34 Algumas possibilidades de como trazer a linguagem matemática para as crianças podem ser encontradas em práticas da oralidade, como o relato das experiências de um jogo proposto em sala de aula ou a resolução de problemas em grupo, e em práticas do cotidiano, como as situações que permitem relacionar a rotina delas com números ou o conceito do número – tema que será abordado no tópico seguinte. A Figura 17 representa como ocorre o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático pela criança. Figura 18: Principais componentes matemáticos para a Educação Infantil. Fonte: Desenvolvido pelas autoras com base na PNA (BRASIL, 2019). 3.2 O NÚMERO E OS COMPONENTES MATEMÁTICOS Quando se ouve a palavra “matemática”, a primeira ideia que vem à mente são números, cálcu- los, gráficos e tabelas. Mas o campo da Matemática vai muito além dessas áreas. Muitas áreas ce- rebrais são requeridas quando a pessoa está diante de situações e problemas que envolvam ação e pensamento matemático, habilidades regidas pela integração das chamadas funções executivas (DEHAENE, 2011; DIAMOND, 2013). No processo da Educação Infantil, as principais habilidades a serem desenvolvidas podem ser visualizadas na Figura 18. Noções numéricas Noções espaciais Noções geométricas Noções de medidas Noções de Estatística Consciênciacorporal Resolução de problemas Funções Executivas Raciocínio lógico-matemático Fonte: Desenvolvido pelas autoras com base na PNA (BRASIL, 2019). Figura 17: Desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático. Senso numérico Sistema primário Sistema secundário Matemática Formal D A E D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 35 Figura 19: A percepção do número na vida da criança. Fonte: Elaborada pelas autoras com base em Kamii (1990). Vamos contar quantos degraus tem esta escada? Vamos lá, 1, 2, 3... Você já comeu 2 pedaços, quer comer mais quantos? Quantos anos você tem? Quem é mais velho? Você ou seu irmão? Será que você consegue passar neste espaço? Onde você mora? Músicas: 1, 2, 3 indiozinhos Como podemos organizar estes brinquedos? Do maior para o menor, em cores? Você quer o pedaço maior ou menor? O NÚMERO O número é o elemento básico na concepção matemática, porém a ciência Matemática é muito mais que número e numeral. De acordo com Kamii (1986), a ideia de número é construída pelas crian- ças por meio de todos os tipos de relação que elas estabelecem entre os objetos de seu meio social. É importante considerar que, antes mesmo de conhecer e nomear os números, as crianças percebem os estímulos visuais que as cercam e buscam sentido e formas de significá-los. A Figura 19 apresenta exemplos da frequência dos números na vida delas. Esses exemplos indicam formas de as crianças iniciarem a percepção do número e dos conceitos envolvidos na matemática sem direcionamento, intencionalidade pedagógica ou formalidade escolar. É a partir dessas primeiras experiências com temas do cotidiano que elas começam a construir as ha- bilidades necessárias para a aritmética, a resolução de problemas, bem como as noções numéricas, espaciais, de medidas, geométricas e estatísticas (BRASIL, 2019). Os números devem ser inicialmente trabalhados por meio de situações do próprio cotidiano escolar. E como o caminho da aprendizagem pode ser trilhado em sala de aula para ir além e, ao mesmo tempo, dialogar com as experiências de vida? Que práticas e estratégias podem ser utilizadas? A se- guir, indicamos alguns encaminhamentos que podem ajudar o professor nesse trabalho. } Aproveitar o momento em que se trabalha com calendário para explorar a sequência numérica de 1 a 30 ou 31, de acordo com o mês. O professor pode perguntar: “O que são esses números no calendário? Existem números que se repetem?”. } Brincar de procurar números nos espaços da escola; por exemplo, número das salas, em banners ou cartazes com informações, telefone, entre outras possibilidades. } Propor a brincadeira “Hoje você é o número...”. Quando as crianças chegarem à sala de aula, o professor deve recebê-las com papéis numerados de acordo com a quantidade de alunos na turma. Colar, com fita adesiva, um número na frente da camiseta de cada criança e, depois, pedir a todas que se sentem em roda. À medida que o professor chamar um número, por exemplo, “2”, a criança correspondente precisa levantar e se apresentar, porque naquele dia seu nome será “número 2”, e assim deve ocorrer com todas as outras crianças. No decorrer do dia, explorar os espaços da escola, pedindo que formem fila em ordem crescente (do menor número para o maior) ou decrescente (do maior número para o me- nor). Envolver as crianças em momentos variados do dia, conforme as atividades forem acontecendo: “Por favor, venha a minha mesa o número que vem depois do 7”; “Por favor, o número que vem antes do 4 pode pegar o que está em cima da mesa?”, entre outras possibilidades. D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 36 Essas atividades permitem que as crianças não apenas recitem o número, mas também se arrisquem a escrevê-lo, bem como criam opor- tunidades para que reflitam e percebam a se- quência numérica em situações concretas. Com isso, começam a estabelecer relações com o co- tidiano, nas situações que vivenciam em casa, na escola e em todos os espaços que frequentam. Leia o relato de uma criança de 6 anos durante uma roda de conversa. Ela elabora o pensamento a respeito da construção do número em seu pro- cesso de ensino-aprendizagem: "Professora, eu estava assistindo à televisão com o meu pai e descobri que, quando o foguete sai aqui do chão, os amigos dele contam de 10 até o número 0, e o meu pai falou que eles fazem isso porque não sabem contar direito, é verdade?" (EI03TS01) Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. (EI03TS02) Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais. (EI03TS03) Reconhecer as qualidades do som (intensidade, duração, altura e timbre), utilizando-as em suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações (EI03ET01) Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades. (EI03ET02) Observar e descrever mudanças em diferentes materiais, resultantes de ações sobre eles, em experimentos envolvendo fenômenos naturais e artificiais. (EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação. (EI03ET04) Registrar observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes (BRASIL, 2017, p. 48-52). Da mesma maneira que as crianças buscam sentido para a aprendizagem, os professores e os educadores precisam buscar referências em evi- dências científicas para aprimorar sua prática em sala de aula. As vivências geram experiências e podem ser estimuladas pelas propostas a seguir. As vivências geram experiências. } Brincadeira: “E agora. E depois?”. Organizadas em roda, as crianças precisam criar um movi- mento e reproduzir um som utilizando alguma parte do corpo, sem falar palavras ou frases. A primeira criança, pode, por exemplo, bater palmas; o colega que está ao lado precisa co- piar o movimento e o som reproduzido e ela- borar mais um; o seguinte repete o movimento Os números fazem parte do universo social da criança. ESPAÇO, TEMPO E FORMAS De acordo com a BNCC, o aluno deve se tor- nar o sujeito da experiência. Para que isso acon- teça, a aprendizagem ocorre em diálogo com os campos de experiências para que as habilidades sejam desenvolvidas com base em vivências e situações concretas do cotidiano. Na Educação Infantil, as crianças devem ser capazes de: Te rr y V in e / G e tt y Im ag e s. co m MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 37 e o som das crianças anteriores e acrescenta mais um. Quando chegar à última criança que está na roda, todos precisam lembrar e repetir a sequência de sons e movimentos. Depois da brincadeira, o professor poderá pedir que con- tem quantos movimentos foram realizados e que tentem executá-los mais rápido ou mais devagar. Com turmas de crianças mais novas, crie grupos com menos integrantes, quatro ou cinco, e vá aumentando conforme vão enten- dendo e realizando adequadamente as tare- fas. Esse tipo de atividade trabalha sequência de movimentos e sons, além de flexibilidade cognitiva, atenção e memória de trabalho para executar as repetições. } Brincar com sons graves e agudos, alterando as entonações de voz para cantar cantigas de roda, recitar poesia, parlenda ou explicar as atividades. } Registrar jogos por meio de desenho ou material concreto. Por exemplo: em roda, o professor pode conversar com as crianças sobre o conhecimento prévio do jogo do dominó; para isso, o professor pode propor perguntas, como já mencionado, e depois deixar que explorem as peças livremente. Em outro momento, conversar sobre as bo- linhas que existem nas peças, deixando que criem hipóteses para as questões:“A que es- sas bolinhas se referem? Posso trocá-las por números?”. Propor que joguem em grupos menores e, na sequência, pedir que regis- trem o jogo por meio do desenho. Jogos, como o dominó, trabalham a numeracia de forma lúdica. As funções executivas são habilidades para a vida. FUNÇÕES EXECUTIVAS As funções executivas podem ser definidas como as funções que demandam e acionam o controle mental, ou seja, aquelas que entram em ação quando nosso comportamento auto- mático não é suficiente para as demandas do ambiente. São elas que guiam nossas ações pa- ra alcançar metas, ou seja, permitem-nos ana- lisar os elementos e os estímulos do ambiente, bem como traçar um plano de ação e monito- rar se ele está sendo realizado como planejado inicialmente (DIAMOND, 2013). São habilidades exigidas a todo momento, pois nos permitem agir para a tomada de decisão. Preparamos o jantar enquanto, ao mesmo tempo, ajudamos nossos filhos com a lição de casa e fazemos anotações sobre o que precisamos agendar para a semana. Concentramo-nos em nosso trabalho quando precisamos e em nossas famílias quando eles precisam de nós. Lembramo-nos do número de telefone que nosso vizinho acabou de nos dar para podermos anotá-lo assim que encontrarmos uma caneta. Respiramos profundamente, ao invés de buzinarmos, se o carro em nossa frente não consegue andar logo que o semáforo fica verde (CENTER ON THE DEVELOPING CHILD AT HARVARD UNIVERSITY, 2011, p. 1). As funções executivas são habilidades es- senciais tanto para a vida escolar quanto para a vida social. M ic ro g e n / S h u tt e rs to ck .c o m so m sa k n iti m o n g ko lc h ai / S h u tt e rs to ck .c o m MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 38 As funções executivas envolvem a capacidade de planejar, focar a informação que deve ter prio- ridade no processamento, flexibilizar o comportamento de acordo com novas situações do meio e controlar atitudes e ações que não seriam adequadas em determinado contexto. Para desenvolvê-las, é necessário um longo percurso, que se inicia logo no nascimento, com alto desenvolvimento até o final da infância, e alcança a maturidade na vida adulta (CENTER ON THE DEVELOPING CHILD AT HARVARD UNIVERSITY, 2011). As funções executivas podem ser divididas em dois tipos, básicas e complexas, con- forme exemplificado nas figuras 20 e 21. Figura 21: Relação entre as áreas das funções executivas. Fonte: Traduzido por Léon (2015) de Diamond (2013, p. 152). Funções executivas Ajuda a manter o foco no seu objetivo, o que você deve e não deve fazer. A MT é fundamental para saber o que deve ser inibido. Inibir distrações ambientais e internas é fundamental para ficar focado no conteúdo que está sendo mantido na MT. Memória de trabalho Inclui cálculo mental, reordenação de itens, ou relacionar uma ideia ou fato a outro MT Verbal MT Visuo- espacial Inibição Controle de interferência Autocontrole Inibição de pensamentos e memórias (inibição cognitiva) Inibição da atenção (atenção seletiva) Inibição do comportamento (autocontrole e disciplina) Flexibilidade cognitiva Inclui a capacidade de "pensar fora da caixa", ver algo de perspectivas diferentes, alternar rapidamente entre as tarefas, ou ter flexibilidade de mudar o curso quando necessário. Dá suporte para a criatividade e a teoria da mente. Funções executivas de ordem superior Raciocínio Resolução de problemas Planejamento Inteligência fluida é completamente sinônimo delas. Figura 20: Divisão das funções executivas. Fonte: Desenvolvido pelas autoras com base em Diamond (2013). Funções executivas principais (básicas) Memória de trabalho Flexibilidade cognitiva Controle inibitório Funções executivas complexas (superiores) Resolução de problemas Planejamento Raciocínio D A E D A E MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 39 } organizar a rotina diária: ações a serem reali- zadas no dia; memória de trabalho; } organizar o pensamento: organizar as ideias em ordem cronológica dos fatos; } comunicar ideias; } questionar; } levantar hipóteses: flexibilidade cognitiva; } executar tarefas: cumprir procedimentos e regras; } elaborar regras e hipóteses próprias; } ter controle inibitório nos momentos de conflito; } utilizar as próprias vivências para a resolução de problemas; } comparar e relacionar as próprias ações no cotidiano para resolver problemas. DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA CORPORAL A primeira infância é um momento crucial para o desenvolvimento integral das crianças. É, portanto, uma fase em que elas precisam ser es- timuladas de forma adequada e respeitosa, e na Educação Infantil esse estímulo deve abranger várias áreas importantes para a formação humana. Além do trabalho essencial voltado para a alfabe- tização e a numeracia, é necessário proporcionar situações que permitam o desenvolvimento da consciência corporal, que envolve a percepção e a apropriação do próprio corpo no espaço. Segundo Duarte (2015, p. 91), “[o] movimento da criança melhora através do pensamento enri- quecido pela representação interna da habilidade melhor desenvolvida, pois a inteligência-pensa- mento-ação constituem um círculo fechado”. A seguir, apresentamos algumas sugestões de co- mo esse processo pode ser praticado por meio de atividades em sala de aula. } Estimular a consciência de funcionamento do corpo em nível global, bem como perceber a importância e a funcionalidade de cada parte. } Ajudar as crianças a perceber que, para es- crever ou desenhar, é preciso manipular de maneira adequada o objeto que vai utilizar. } Proporcionar vivências que estimulem a per- cepção do espaço ao redor a partir do corpo (da criança) em relação ao outro. } Trazer vivências para que as crianças se per- cebam no espaço como sujeitos da experiên- cia e utilizem todo o corpo como recurso que permite múltiplas possibilidades. Trata-se de habilidades envolvidas em di- versos aspectos da vivência escolar, que atuam como preditoras da leitura, da escrita, da mate- mática e do sucesso escolar nessas áreas. São, assim, mais um importante campo de trabalho na Educação Infantil, que conta com diversos estu- dos indicativos de que o impacto de avaliações e intervenções em funções executivas realizadas na infância repercute até em áreas na vida adulta, como o sucesso profissional, a harmonia matri- monial e a segurança pública (no que diz respei- to a comportamento/explosividade) (SEABRA; DIAS, 2011; DIAMOND, 2013). RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS Na Educação Infantil, a habilidade de resolu- ção de problemas agrega fatores que perpassam a Matemática e mobilizam as funções execu- tivas. Para as crianças, resolver um problema é um desafio, provavelmente algo que, a princípio, não conseguem compreender. O professor deve partir dessa instigante busca por respostas e ofe- recer possibilidades de perguntas e investigação para resolução de um problema. Com essa abordagem, o professor aproxi- ma o conteúdo das crianças por meio de re- flexões, situações-problema, levantamento de hipóteses, seleção de informações, desafios, jogos e brincadeiras. É importante lembrar que a resolução de problemas não precisa neces- sariamente envolver números nem demandar conhecimentos sobre operações matemáticas. Na etapa da Educação Infantil, o trabalho com resolução de problemas desenvolve também habilidades cognitivas e a inteligência (SMOLE; DINIZ; CÂNDIDO, 2014). A resolução de problemas não precisa ne- cessariamente envolver números nem demandar conhecimentos sobre operações matemáticas. O desenvolvimento das habilidades de plane- jamento, execução, raciocínio e atenção – parte das funções executivas – está intimamente relacionado a nossas tarefas diárias de comportamento e pode ou não envolver conceitos numéricos (SMOLE, et al. 2014). A seguir, são apresentados alguns exemplos práticos de sala de aula, com situaçõesque esti- mulam o desenvolvimento do córtex pré-frontal, área mais refinada do cérebro (DIAMOND, 2013): MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 40 Exemplos de atividades } Brincadeira de expressões faciais com espe- lho: o professor fala o nome de um sentimento, e a criança faz a expressão correspondente. } Reconhecimento do esquema do rosto no espelho: o professor deve solicitar às crianças que passem as mãos em diferentes partes do rosto; depois, elas devem ser capazes de no- mear todas as partes que tocaram. } Atividade de respiração: sempre que o profes- sor perceber que as crianças estão agitadas, seja ao terminar uma atividade, seja quando o local da aula for modificado, poderá pedir que se acalmem utilizando a respiração. Com a orientação “Cheira a flor e sopra a vela”, o professor deve pedir que inspirem o ar pelo nariz e soltem pela boca. } Brincadeiras com comandos corporais, como a com a música “Cabeça, ombro, joelho e pé” ou a “Tudo o que o mestre mandar”. É impor- tante que o professor estimule o movimento em todos os contextos para ampliar e gene- ralizar a consciência corporal das crianças. } Brincadeira “Que animal é esse?”: o professor vai escolher uma criança da turma e mostrar ou falar em sua orelha o nome de um animal. A criança deve, então, emitir o som que esse animal produz para que o restante da turma adivinhe qual é o animal. } Brincadeira de mímica: o professor vai falar o nome de animais, ações (chutar a bola, tomar sorvete) ou outros elementos para que as crianças façam mímicas. Elas devem utilizar somente o próprio corpo para se expressar, e o restante da turma deve adivinhar. } Brincadeira dos sentidos: o professor deve or- ganizar na sala cantos ou espaços sensoriais. Em grupos, as crianças devem experimentar as sensações de cada espaço, explorando todos os sentidos. Por exemplo: canto da fa- rinha, terra e gelatina (as crianças só poderão sentir com as mãos e os pés); canto do perfu- me, com essências, flores, café e condimen- tos diferentes (só poderão usar o nariz para adivinhar a que os cheiros estão associados); canto dos sons, em que ouvirão sons verbais e não verbais e terão de adivinhar e nomear cada um; e o canto do alimento, em que, de olhos vendados, degustarão alimentos sele- cionados pelo professor, tentarão nomeá-los e depois podem descrever o gosto, o cheiro, a textura e se é doce, salgado, azedo, amar- go, cremoso, líquido. } Brincadeira de descrever e manipular obje- tos: o professor entrega ou pede a uma crian- ça da turma que pegue determinado objeto e solicita que o descreva com o maior nível de detalhes possível. Por exemplo: a criança pegou um lápis, e o professor estimula a ativi- dade de descrição com perguntas: “Como se chama esse objeto? Qual é a cor dele? É fino ou grosso? Áspero ou liso? Ele se parece com alguma forma geométrica que você conhe- ce? Quantos lados ele tem?”. É fundamental compreender a importância desse requisito não somente para a alfabetiza- ção e a numeracia, mas também para a vida so- cial de cada criança. Avanços no desenvolvimento da consciência corporal das crianças podem ser percebidos du- rante as atividades em sala de aula, por exemplo: } o desenho do esquema corporal amplia-se em riqueza de detalhes, com partes do corpo aparentes e massa corporal; } passam a utilizar melhor os espaços na folha, representando o desenho com distribuição adequada da disposição espacial; Ao interagir com o meio, a criança descobre que con- segue controlar seu corpo. M o n ke y B u si n e ss Im ag e s/ S h u tt e rs to ck .c o m MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 41 } as pessoas e os elementos que desenham no papel passam a ter base no chão, como grama, mar ou terra, por exemplo. As figuras humanas, os animais e os objetos represen- tados não estão mais soltos no espaço, como se estivessem “voando”; } diminui consideravelmente a inversão de le- tras ou espelhamentos quando se arriscam a escrever o próprio nome e letras individuais; } começam a ter uma percepção mais apurada em relação à lateralidade da escrita das pala- vras, escrevendo da esquerda para a direita, começando com o próprio nome e letras; } organizam-se melhor em seu espaço, por exemplo, na disposição do material escolar, no momento do lanche, para sentar-se em roda e na própria cadeira; } deslocam-se de maneira mais adequada en- tre os espaços da escola; } utilizam todo o corpo nos momentos de brincadeiras; } demonstram mais controle e equilíbrio ao andar e ao deslocar-se sem cair ou derrubar objetos com facilidade; } participam das brincadeiras com lateralida- de mais bem definida, movimentando-se com destreza e assertividade nos espaços propostos; } passam a relatar fatos e acontecimentos e a recontar histórias com melhor noção espacial e temporal (NISTA-PICCOLO; MOREIRA, 2012). De acordo com Derdk (2015), a criança é um ser em constante movimento. Essa meta- morfose física, perceptiva, psíquica, emocional e cognitiva aguça na criança a curiosidade, a observação e a experimentação. Sua percep- ção do mundo é desejada e ampliada, ela vi- ve em um estado de encantamento diante dos objetos, das pessoas e das situações que a ro- deiam. A linguagem corporal é o tema privile- giado do campo de experiência “Corpo, gestos e movimento” da BNCC: Com o corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o mundo, o espaço e os objetos do seu entorno, estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem conhecimentos sobre si, sobre o outro, sobre o universo social e cultural, tornando-se, progressivamente, conscientes dessa corporeidade. Por meio das diferentes linguagens, como a música, a dança, o teatro, as brincadeiras de faz de conta, elas se comunicam e se expressam no entrelaçamento entre corpo, emoção e linguagem. As crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo e, com seus gestos e movimentos, identificam suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo, ao mesmo tempo, a consciência sobre o que é seguro e o que pode ser um risco à sua integridade física. Na Educação Infantil, o corpo das crianças ganha centralidade, pois ele é o partícipe privilegiado das práticas pedagógicas de cuidado físico, orientadas para a emancipação e a liberdade, e não para a submissão. Assim, a instituição escolar precisa promover oportunidades ricas para que as crianças possam, sempre animadas pelo espírito lúdico e na interação com seus pares, explorar e vivenciar um amplo repertório de movimentos, gestos, olhares, sons e mímicas com o corpo, para descobrir variados modos de ocupação e uso do espaço com o corpo (tais como sentar com apoio, rastejar, engatinhar, escorregar, caminhar apoiando-se em berços, mesas e cordas, saltar, escalar, equilibrar-se, correr, dar cambalhotas, alongar-se etc.) (BRASIL, 2017, p. 41). 3.3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ESTIMULAR E AVALIAR A NUMERACIA EM SALA DE AULA As discussões apresentadas até o momen- to pretendem auxiliar os professores na amplia- ção de seu repertório e na compreensão das atividades que podem ser aplicadas em sala de MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 42 aula para desenvolver as habilidades de nume- racia. Para que o trabalho em sala de aula se- ja bem-sucedido, é fundamental conhecer os pressupostos teóricos para não se limitar aos objetivos mencionados. Com essa “coleção” de propostas, o professor sente-se mais seguro para criar, valendo-se dessas sugestões como disparadoras para perceber e aproveitar as si- tuações que surgem no cotidiano escolar. As propostas serão apresentadas na seguinte se- quência: noções numéricas, noções espaciais, noções geométricas, noções de medidas, no- ções de estatística, raciocínio lógico-matemá- tico e funções executivas. Paraaplicação das atividades de numera- cia, valem as mesmas orientações indicadas nas atividades para o trabalho com literacia: quando houver sugestões de ações como pintar, também se pode solicitar às crianças que circulem, assina- lem, recortem, colem, entre outras possibilidades. Da mesma forma, as sugestões que solicitam que falem em voz alta os números podem ser adapta- das para incluir movimentos corporais, como bater palmas, levantar-se, sentar-se, pular, falar em voz baixa etc. A ideia é que os professores busquem e criem variações adequadas a seu contexto. O professor pode aplicar essas atividades ao longo de todo o ano escolar, aproveitando si- tuações do dia a dia ou criando momentos es- pecíficos para direcionar o trabalho com elas. Para a aquisição de habilidades cognitivas, é muito importante o treino constante, pois assim as crianças vão aprender e perceber, de forma consciente, esses conceitos para avançar em sua aprendizagem. Assim, quanto mais essas tarefas forem trabalhadas, melhor as crianças se torna- rão nelas (DIAMOND, 2013). O ideal é realizar uma atividade específica para o treino dessas habili- dades todos os dias, mas, se isso não for possível, deve-se propor a realização das atividades pelo menos duas vezes por semana. Estimule! Quanto mais uma habilidade é praticada, maiores são as chances de a criança aprender e generalizar os conhecimentos para outras situações. Não é necessário ter um cronograma fixo de aplicação, mas é importante manter uma fre- quência. Também é essencial compreender que as propostas aumentam o grau de dificuldade e, para avançar com as crianças, os conceitos trabalhados anteriormente precisam estar bem consolidados. Outra forma de trabalhar estraté- gias no contexto escolar é compreender que os recursos facilitam a percepção do que precisa ser realizado. Então, as propostas podem iniciar com objetos concretos, figuras, desenhos, e, aos poucos, o professor deve retirar esse apoio visual e verificar se as crianças já conseguem, de forma autônoma, responder aos objetivos. Durante a realização das propostas, recomen- damos que busquem formas multissensoriais de estimular cada uma das habilidades, agregando às propostas estratégias que trabalhem os sentidos básicos, como tato, visão, audição, olfato e paladar, além da percepção do corpo no espaço. Diversas pesquisas indicam que as metodologias que es- timulam vários sentidos concomitantemente são mais eficazes do que atividades que se valem ape- nas de estratégias tradicionais (SEABRA; DIAS, 2011). A estimulação multissensorial exige que as estratégias sejam desenvolvidas por meio de di- versas entradas e percepções sensoriais. A avaliação dessas recomendações deve ser realizada constantemente no decorrer de todas as atividades, em especial por meio da observa- ção e da avaliação sobre o sucesso dos objeti- vos propostos. O resultado dessa reflexão é uma resposta fundamental para o professor validar o caminho adotado e organizar o plano de ensino de forma a não avançar para etapas mais com- plexas antes que as mais básicas estejam bem consolidadas. Grande parte das atividades foi desenvolvida com base nas pesquisas de Kamii (1990), Smole et al. (2014), Dias e Seabra (2013) e na experiência das próprias autoras. Aproveite as mais diversas situações para estimular o pensamento matemático. tr ilo ks / G e tt y Im ag e s MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 43 ATIVIDADES DE NOÇÕES NUMÉRICAS Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a experimentar situações de contagem que fazem parte do cotidiano, identificando e quantificando os números. Lembre-se de iniciar essas propostas de forma gradativa, primeiro garantindo que a criança saiba dizer a sequência numérica de 1 a 5, depois de 1 a 10, de 1 a 20, e assim por diante. Cuidado para não solicitar às crianças que realizem ou façam algo muito complexo para a idade e o nível de desenvolvimento em que se encontram. É importante prestar atenção ao nível de dificuldade de cada estratégia e se ela está de acordo com a realidade do grupo. Só se deve avançar se a habilidade an- terior já estiver desenvolvida e consolidada. ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Elementos e objetos concretos do próprio ambiente Levar as crianças a refletir sobre como os elementos do ambiente podem ser contados e quantificados. Por exemplo: “Quantas janelas temos aqui na sala? Quantas portas? E lousas? Quantos alunos?”. Verificar se conseguem identificar a quantidade de elementos do ambiente. Contagem concreta Em uma folha grande, escreva os números de 1 a 5. Na sequência, pegue um objeto do ambiente, por exemplo, um apagador, e posicione embaixo do número 1. Então, solicite às crianças que tragam dois objetos para representar o 2, e assim por diante. Verificar se conseguem encontrar no ambiente elementos para representar a quantidade numérica e se relacionam adequadamente a quantidade e o número. Brincadeira: “você sabe contar?” Organizar as crianças em roda e perguntar: “Quantos anos você tem? Quantas pessoas moram com você? Você tem irmãos? Você sabia que isso é contar?”. À medida que respondem, pedir que mostrem nos dedos, se souberem, a quantidade indicada. Verificar se relacionam os números ao cotidiano, à idade, à quantidade de irmãos e a pessoas que moram com ele. Tampinhas de garrafa PET Trazer uma caixa com tampinhas de garrafas e organizar as crianças em roda. O professor, então, tira 10 tampinhas da caixa, uma a uma, pedindo que recitem oralmente até o 10, depois até o 20. Conforme desenvolvem a récita numérica, continuar a contagem até 30. Utilizar o trabalho com o calendário na rotina diária de sala de aula para estimular a aprendizagem da sequência numérica. Verificar se recitam os números um a um obedecendo às sequências numéricas de 1 a 10, de 1 a 20 e de 1 a 30. Números móveis de 1 a 10, palitos ou outros tipos de material concreto Separar os números móveis de 1 a 10 e o material concreto. Organizar as crianças em roda com palitos ou outros tipos de material concreto (bolinhas de papel, haste flexível, peças de blocos, lápis de cor). Mostrar um número e solicitar que digam o nome do número. Depois, cada criança deve colocar no chão, a sua frente, a quantidade de palitos que corresponde ao número que o professor apresentou. Por exemplo: se for selecionado o número 3, as crianças devem posicionar 3 palitos/objetos no chão, e assim sucessivamente. Verificar se identificam o número e representam sua quantidade corretamente com os palitos ou outros elementos concretos. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 44 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Cartela de números para a brincadeira: “bingo dos números” Organizar as crianças em roda e entregar uma cartela com os números de 1 a 15 a cada uma, fora da ordem numérica (ajustar a sequência de acordo com o nível da criança, começando do 1 ao 5 e progredir). O professor apresentará um grupo de objetos formados com materiais móveis, por exemplo, 6 palitos de sorvete, e a criança que tiver em sua cartela o número que representa essa quantidade deve marcá-lo pintando ou circulando. Ganha quem completar a cartela primeiro. Verificar se identificam os números na cartela e os relacionam à quantidade apresentada. Papéis com números de 1 a 20 para a brincadeira: “sequência dos números” Elaborar cartelas com números de 1 a 20 e distribuí-las às crianças, de forma que cada uma receba um número. Depois, orientar que se misturem com as cartelas numeradas em mãos. Quando o professor pedir que parem, as crianças precisam se organizar em ordem crescente de 1 a 20. Caso a turma tenha mais de 20 crianças, propor várias rodadas e revezar os participantes que estão com os números. Para as crianças mais novas, diminuir a sequência e, ao longo do semestre, aumentar a dificuldade. Quando as crianças estiverem organizadas em ordem crescente,fazer perguntas para estimulá-las a refletir sobre a sequência numérica, por exemplo: “Quem tem a cartela com o número que vem depois do 2, por favor, dê um passo à frente”; “Quem tem a cartela com o número que vem antes do 8, por favor, dê um passo para trás”. Verificar se identificam os números e os organizam em sequência crescente e decrescente. Figura 22: Atividade de percepção número-quantidade. Fonte: Smole, Diniz e Cândido, 2014, p. 57. M ar co s M ac h ad o A Figura 22 apresenta uma sequência que pode ser estimulada, inicialmente, de forma oral, ao se solicitar aos alunos que contem o que aconteceu. Ainda que estejam trabalhando habilidades da prá- tica de alfabetização e literacia, o foco principal é o trabalho com a relação quantidade-número e, em níveis mais complexos, noções iniciais de soma e subtração. ATIVIDADES DE NOÇÕES ESPACIAIS E GEOMÉTRICAS Objetivos de aprendizagem das noções espaciais: levar o aluno a se deslocar no espaço, tendo como percepção e ponto de partida o próprio corpo. Objetivos de aprendizagem das noções geométricas: manipular as formas geométricas e estabe- lecer relações com objetos do cotidiano. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 45 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Brincadeira: “Vamos passear?” Depois de organizar as crianças em roda, o professor deverá propor a seguinte pergunta disparadora: “Quando você vem da sua casa para a escola, o que vê?”. Depois, o professor pode propor um passeio pela rua da escola – ou nos espaços internos da escola, se não for possível sair –, solicitando às crianças que observem o trajeto que vão percorrer da sala de aula até chegar à rua (ou a outro espaço da escola). Durante o passeio, destacar o percurso, nomeando os lugares por onde passam, os objetos e as imagens, e indicar as direções. Por exemplo: “Agora vamos virar à direita, depois à esquerda.”; “Chegamos à rua, que é o nosso destino! Vamos voltar para a sala de aula? Precisamos fazer o mesmo trajeto? Observem se vamos passar pelos mesmos espaços”. Por fim, pedir que registrem o passeio por meio de um desenho. Verificar se percebem os espaços que estão a sua volta a partir do próprio corpo, deslocando-se com sentido de direção. Observar a maneira por meio da qual registram o passeio, avaliando se o desenho traz detalhes do trajeto e como foi distribuído espacialmente na folha. Blocos geométricos Em roda, apresentar as formas geométricas, sempre levantando os conhecimentos prévios das crianças: “Vocês já viram uma figura como essa? Qual é o nome dela?”. À medida que falam, o professor deve nomear as formas e pedir que as descrevam, manipulando uma a uma. Por exemplo: “Vamos descrever o triângulo? Como ele é? Vamos passar o dedo? Tem ponta? É grande ou pequeno? Grosso ou fino? Liso ou áspero? Vocês conhecem algo com esse formato?”. Verificar se manipulam e nomeiam as características das formas geométricas: lados, cores, formatos etc. Observar se identificam objetos que se parecem com as formas geométricas apresentadas. Formas geométricas Com as formas geométricas posicionadas no centro de uma roda, pegar uma delas e pedir que as crianças encontrem objetos na sala que se pareçam com essa forma. Depois que as crianças trouxerem objetos da sala ou apontarem objetos parecidos com as formas solicitadas, o professor deve estabelecer comparações com as formas geométricas e os objetos encontrados. Por exemplo: “O relógio se parece com qual forma? Um círculo? Por quê? Ele é mais grosso ou mais fino?”. Perceber se os alunos comparam as características, relatando semelhanças e diferenças entre os objetos encontrados e as formas geométricas. Brincadeira: “desenho com cordas” Organizar as crianças em roda. Levar algumas cordas e perguntar quais brincadeiras podemos fazer com elas. Ouvir os relatos delas e depois perguntar: “Consigo fazer desenhos com essa corda no chão?”. Exemplifique: “Se eu colocar a corda dessa forma, consigo montar um triângulo. Se movê-la dessa forma, posso representar uma cobra. E vocês conseguem montar algo?”. Deixar que manipulem a corda individualmente e em grupo e, depois, solicitar que apresentem os desenhos criados. Verificar se relatam os desenhos feitos com a corda e os nomeiam utilizando linguagem geométrica. Observar como utilizaram o espaço para desenhar com a corda. Brincadeira: “eu vou andar de trem” Solicitar às crianças que fiquem de pé e cantem a música: “Eu vou passear de trem e você vai também”. Conforme canta, o professor passa pelas crianças e forma o trem. Toda vez que alguém entrar no trem, precisa obedecer a um comando espacial, por exemplo: passo para a frente, passo para o lado, passar embaixo ou em cima de um objeto, passo para “dentro” ou “fora” do trem, passo para perto da lousa, passo para longe da cadeira. (Música: Eu vou andar de trem, de Ministério de Música Afla). Verificar se obedecem aos comandos espaciais na brincadeira do trem. Observar se demonstram noções espaciais e de lateralidade. ATIVIDADES DE NOÇÕES DE MEDIDAS Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a conhecer, explorar e comparar diferentes unidades de medidas, identificando e aplicando essas noções no cotidiano. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 46 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Brincadeira: “O que eu posso medir com meu corpo?” Organizar as crianças em roda e perguntar: “Como faço para medir (saber o tamanho) dos objetos, por exemplo, a mesa do professor?”. Deixar que os alunos elaborem suas respostas. Apresentar a fita métrica e a régua. Depois, repetir oralmente o que as crianças falaram e perguntar: “Como podemos medir essa mesa com o corpo?”. Deixar que as crianças meçam com as mãos, com os braços e de outras formas que acharem apropriado. Depois, instigá-las a explorar outras partes do corpo como unidade de medida, medindo outros objetos da sala. Para finalizar, voltar à roda e problematizar: “Por que o professor consegue medir o caderno com apenas uma mão e vocês precisam usar as duas mãos para medir o mesmo caderno?”. Verificar se percebem o próprio corpo como unidade de medida. Observar se comparam tamanhos, utilizando a nomenclatura apropriada: maior, menor, grande, pequeno, palmo, punhado. Receita: massinha caseira Escolher uma receita de massinha caseira e levar todos os ingredientes e utensílios necessários para a sala de aula. Escrever/desenhar a receita na lousa e perguntar: “Do que precisamos para fazer a massinha?”. Apresentar os objetos que utilizarão como medida. Mostrar a xícara de chá e a xícara de café, comparar os tamanhos e sinalizar qual cabe mais ou menos; mostrar uma colher grande e uma pequena. Perguntar se conhecem outros objetos que utilizamos para medir ingredientes de uma receita. Deixar que as crianças manipulem as quantidades para colocar na vasilha e preparem a massinha. Aproveitar para questionar se os objetos utilizados se parecem com alguma forma geométrica. Verificar se percebem que utilizamos objetos para medir a quantidade de ingredientes de uma receita. Observar se fazem comparações entre os objetos utilizados. Verificar se identificam as quantidades utilizadas para cada medida. Caixa com objetos Levar uma caixa com diversos objetos, como lápis, apagador, palito de sorvete, algodão, colher, pote de massinha, entre outros. Organizar as crianças em roda e tirar um objeto da caixa. Mostrar a elas e propor perguntas: “Qual é o nome desse objeto? Como ele é? É grande ou pequeno? Macio ou áspero?”. Estimulá-las a comparar os objetos. Propor questões para ajudar esse encaminhamento: “O lápis e o palito de sorvete são finos?”. Verificar se identificam semelhanças e diferenças nos objetos, comparando-os e desenvolvendo noções de grandezas e medidas. Observar se elaboram hipóteses quanto à massa, às medidas e ao volume dos objetos apresentados. Fita métrica para a brincadeira: “Qual é a minha altura?”Levar uma fita métrica e organizar as crianças em roda. Mostrar a fita métrica, falar sobre os números que estão registrados nela. Pedir a duas crianças de tamanhos diferentes que fiquem no meio da roda para que o professor as meça com a fita métrica. Falar a altura em centímetros para as crianças e contextualizar essa quantidade com um papel no chão, que represente por uma risca colorida a altura da criança e seu nome do lado. Depois, propor que meçam a altura de toda a turma e façam riscos no papel para que seja possível comparar suas medidas. Verificar se identificam a fita métrica como instrumento de medição e se conseguem comparar a própria altura com a dos colegas. ATIVIDADES DE NOÇÕES DE ESTATÍSTICA Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a perceber que as informações podem ser tratadas por meio de planilhas ou quadros e que essas informações podem ser organizadas e apuradas mediante o uso de tabelas. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 47 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Lanche dos alunos No momento do lanche, fazer um piquenique com as crianças. O professor vai desenhar na lousa, em forma de tabela, a quantidade de alimentos trazidos pela turma. Por exemplo, pode organizar uma tabela com os itens “bolo”, “fruta”, “suco”, “bolacha”, “sanduíche”. Contar os itens escolhidos e preencher a tabela com as quantidades, registrando-as ao lado de cada desenho. Em seguida, ainda em roda, levantar hipóteses a respeito do que as crianças trazem com mais frequência para comer no momento do lanche. Comparar as quantidades na tabela desenhada. Verificar se percebem, por meio de tabela, qual é o item mais consumido pela turma no momento do lanche. Brincadeira: “votação para o ajudante do dia” Escrever o nome de todas as crianças em uma tabela na lousa. Ler com elas para que percebam que são os nomes dos colegas. Solicitar às crianças que votem em um amigo para ser o ajudante do dia – não podem votar em si mesmas. Depois, contabilizar os votos e, em conjunto com a turma, descobrir quem será o ajudante do dia (aquele com mais votos) e como chegaram a essa conclusão. Outras possibilidades são: realizar votações sobre: ir ao parque ou brincar com jogos; desenhar livremente ou ler livros. Iniciar com votações que envolvam menos opções e depois progredir. Verificar se conseguem eleger um colega de turma por meio de votação. Observar se conseguem identificar o ajudante do dia após a votação por meio da contagem dos votos registrados na tabela. Minha idade Escrever o nome das crianças da turma em uma coluna na lousa, com 8 quadrinhos em branco ao lado de cada nome. Chamar as crianças, uma de cada vez, para que pintem a quantidade de quadrinhos referente a sua idade (se a criança tem 4 anos, ela deve pintar 4 quadrinhos). Quando todas as crianças já tiverem pintado o número de quadrinhos referente à própria idade, sentar-se em roda, observar o gráfico na lousa com elas e fazer perguntas para ajudá-las a compreender as informações representadas: “Quantas crianças com 4 anos temos na sala? E com 5 anos? Aqui na sala temos mais alunos com 5 ou 6 anos?”. Verificar se preenchem a quantidade de quadrinhos referente a sua idade corretamente. Observar se percebem a idade predominante das crianças da turma. ATIVIDADES DE RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO Objetivos de aprendizagem: levar o aluno a desenvolver o raciocínio lógico-matemático por meio da resolução de diversos tipos de problema, bem como estimulá-lo a elaborar os próprios problemas a partir de jogos e brincadeiras. O aluno deve questionar, perguntar e argumentar sobre uma situação- -problema, além de organizar suas ideias por meio das regras e das sequências estipuladas para as brincadeiras. Deve, ainda, compartilhar ideias e soluções para um problema e registrar, por meio de desenho, jogos e brincadeiras com explicações orais. ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Brincadeira: “amarelinha tradicional” Sequência 1. Em roda, perguntar às crianças se conhecem a brincadeira da “amarelinha”. Ouvi-las e registrar as respostas em um texto coletivo, com o professor como escriba. Buscar responder às seguintes questões: se conhecem essa brincadeira, se já brincaram e do que precisamos para brincar (qual é o material necessário para organizar a atividade). Levar as crianças ao parque ou a um lugar espaçoso para que brinquem livremente de “amarelinha”, explorando os espaços e as maneiras de brincar que conhecem. Verificar os conhecimentos prévios sobre a brincadeira da “amarelinha tradicional”. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 48 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Brincadeira: “amarelinha tradicional” Sequência 2. Em roda, conversar sobre as regras da “amarelinha”. Fazer perguntas disparadoras como: “Toda brincadeira ou jogo tem regras? Por quê?”. Deixar que as crianças participem, respondam e, depois, propor nova pergunta: “Vocês sabem quais são as regras para a brincadeira da ‘amarelinha’?”. Estimulá-las a refletir sobre a quantidade de pessoas que brincam por vez, como os quadros ou os espaços para brincar são feitos, por onde começamos a jogar e por que precisamos usar números. Perguntar: “Quais números aparecem no jogo? Em que ordem eles aparecem?”. Fazer com a turma uma listagem de palavras com as regras do jogo, em forma de cartaz. Depois, brincar de “amarelinha” obedecendo às regras apresentadas. Verificar se conhecem as regras e a sequência do jogo “amarelinha tradicional”. Observar se brincam obedecendo às regras do jogo. Brincadeira: “amarelinha africana” Sequência 3. Em roda, o professor deverá perguntar: “Só existe um jeito de brincar de ‘amarelinha’? Vocês conhecem outros? Todas são desse mesmo jeito?”. Apresentar, então, a “amarelinha africana” e, se conseguir, exibir vídeos dessa forma diferente da brincadeira para as crianças (CUNHA, 2016). Montar a “amarelinha africana” na sala de aula ou em outro espaço escolar mais adequado com bambolês ou com giz/fita-crepe no chão. Deixar que as crianças brinquem, propondo novos desafios, como pular de 2 em 2 nos espaços ou com movimentos corporais diferentes: começar com um pé só, depois com dois e, por último, imitar o pulo de um sapo. Pedir às crianças que registrem a brincadeira por meio de desenhos. Verificar se conhecem outros jeitos de brincar de “amarelinha”. Observar se participam e aplicam as regras na brincadeira da “amarelinha africana”. Perceber se comparam a maneira de brincar de “amarelinha africana” com as regras que conhecem para brincar de “amarelinha tradicional”. Verificar se registram a brincadeira por meio de desenho. Brincadeira: “amarelinha caracol” u rk 77 11 / S h u tt e rs to ck .c o mSequência 4. Apresentar às crianças a “amarelinha caracol”, propondo comparações entre as formas de desenhar e as maneiras de brincar da “amarelinha tradicional” e da “amarelinha caracol”. Pedir que ordenem os números, recitando-os oralmente em ordem crescente, conforme pulam os espaços. Organizar a turma em grupos menores e pedir que criem uma amarelinha diferente das que conheceram e elaborem novas regras para essa brincadeira. Na sequência, os grupos devem explicar a “amarelinha” que criaram e as regras para brincar. Amarelinha caracol Verificar se elaboram novas maneiras de brincar de “amarelinha”. Verificar se conseguem criar uma “amarelinha” e se elaboram regras coerentes com a proposta da brincadeira. Massinha, papel colorido, botão Começar a aula com as crianças em roda, de mão dadas. Cantar a música “Ciranda, cirandinha” e pedir que se sentem. Dispor, no centro da roda, materiais concretos e propor um desafio: os alunos devem elaborar a brincadeira da ciranda com os materiais concretos (massinha, papeis e botões). O professor deve estimular que levantem hipóteses de como e quais materiais utilizar: “Como pretendem realizar? Em grupos? Se é uma ciranda e precisamos montar no chão, por ondecomeçar?”. Conversar sobre o tempo da atividade com as crianças: “Vocês acham que esta atividade precisa de muito ou pouco tempo?”. Depois que a ciranda estiver pronta, pedir que relatem como ela foi feita, o que foi mais fácil e o que foi mais difícil. Continuar a proposta: “Se essa ciranda representa as crianças da nossa sala, quantas delas deveria ter? Vamos contar?”. Verificar se participam da construção da ciranda, contribuindo com ideias e levantando hipóteses. Observar se organizam o pensamento para resolver um problema. Perceber se conseguem trabalhar em grupo. Verificar se relatam, com explicações orais, suas representações da ciranda. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 49 As figuras 23 e 24 apresentam exemplos de como o professor pode propor atividades que estimu- lem o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático. Figura 23: Atividades para estimular o raciocínio lógico-matemático. Fonte: Desenvolvido pelas autoras. Descobrir a próxima imagem da sequência. ATIVIDADES DE FUNÇÕES EXECUTIVAS Objetivos de aprendizagem: desenvolver a autonomia no aluno de forma a fornecer estratégias e elementos que permitam que ele aprenda a controlar e regular o próprio comportamento. Além de trabalhar as outras áreas das funções executivas, como atenção, flexibilidade cognitiva, categoriza- ção e planejamento. ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Controle do tempo As crianças pequenas têm dificuldade em perceber a noção do tempo. Quanto tempo é 20 minutos? Desenhar na lousa um círculo e fazer divisões de forma que ele fique com quatro partes. Combinar com as crianças que elas têm o tempo do círculo inteiro para realizar a atividade e que, conforme o tempo for passando, você vai pintar cada um dos pedaços, até esgotar o tempo. Verificar se conseguem realizar a tarefa no tempo proposto e se compreendem a função e o uso do tempo. D A E Figura 24: Jogo dos sete erros. M ar co s M ac h ad o MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 50 ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO AVALIAÇÃO Categorização Entregar às crianças uma caixa com diversos objetos: brinquedos, itens de material escolar e objetos diversos. Solicitar que observem esses itens e procurem semelhanças entre eles para organizá-los. Caso tenham dificuldades para iniciar, o professor deve apresentar modelos, por exemplo: “Esses dois itens são amarelos. O que mais tem nessa caixa que combine?”. Estimular que identifiquem várias categorias de organização: cores, formas, tamanhos, tipo de material, entre outros. Verificar se conseguem encontrar semelhanças entre os objetos para categorizá-los. Encontre o intruso Propor a atividade “encontre o intruso”. Elaborar uma atividade com duas categorias de elementos, por exemplo, uma folha repleta de frutas e um sapato. Solicitar às crianças que identifiquem o objeto ou o elemento que não pertence à categoria geral. Verificar se conseguem identificar a categoria geral dos elementos e se encontram o intruso. Aprendendo a fazer listas Organizar um piquenique no parque. Combinar com as crianças que o lanche será em um local diferente, talvez no parque. Solicitar que reflitam sobre quais são os objetos e os elementos que precisam ser levados para lá, como toalha, copos e lanches. Pedir que, em conjunto, desenhem a lista do que precisam levar, separem e montem o piquenique. Verificar com a turma se esqueceram algo, se a lista estava completa e se ela auxiliou na realização da tarefa para que nenhum item fosse esquecido. Verificar se conseguem elaborar uma lista para alcançar um objetivo e se separam todos os itens necessários. A Figura 25 traz uma atividade simples, com recursos comuns, em uma sala de aula de Educação Infantil, que envolve planejamento e atenção. Nesta proposta, os alunos precisam montar torres com a maior diversidade possível usando os mesmos blocos. Figura 25: Exemplo de atividade que desenvolve funções executivas. Oferecer aos alunos 3 unidades de cada variação de cor de blocos, por exemplo: vermelho, amarelo e cinza. Solici- tar que criem a maior quantidade de torres de 3 peças diferentes utilizando aqueles mesmos blocos. São muitas as atividades que podem estimular as habilidades preditoras de numeracia de forma sim- ples, contextualizada e sem exigir material ou recursos tecnológicos específicos. Todas as propostas po- dem ser adaptadas pelo professor de acordo com seu contexto e com o desenvolvimento das crianças da turma. As atividades apresentadas e mais algumas sugestões podem ser resumidas nos itens a seguir. Fonte: Smole, Diniz e Cândido, 2014, p. 64. D A EMATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 51 } Use o calendário diariamente como estraté- gia para o desenvolvimento do conceito do número. } Explore a contagem dos dias, recitando os números e propondo reflexões com base em situações do cotidiano, com perguntas co- mo: “Que dia é hoje?”. Caso as crianças não saibam, o professor deve ensiná-las a utilizar estratégias. Para identificar o número 20, por exemplo, orientá-la a recitar os números do dia 1 até o dia 20. } Ainda no uso do calendário, proponha per- guntas que estimulem o trabalho com nú- meros e com a noção de tempo: “Que dia foi ontem? Que dia será amanhã? O dia de on- tem já passou? Hoje é que dia da semana? Quantos domingos temos neste mês? Temos aula aos domingos?”. } Para trabalhar com os meses, é possível pro- por relação entre os nomes e a ordem: “Vo- cês sabiam que cada mês tem um número preferido? Por exemplo, o número preferido de janeiro é 1, o de fevereiro é 2, e assim por diante”. Com essa associação, as crianças co- meçam a estabelecer relação entre o nome do mês e o número como a sequência numé- rica dos meses do ano. } Organize caixas de contagem com itens de material concreto, como botões, números móveis, palitos, fita métrica, calculadora, cé- dulas de dinheiro de “brincadeira” e dados. Deixe que as crianças manipulem e brinquem livremente com esses elementos. } Organize a brincadeira de representação da quantidade de dedos com os números móveis. } Organize a brincadeira: “o tempo passou”. Leve roupas de bebês para a aula e, com as crian- ças dispostas em roda, pergunte por que não usam mais aquelas roupas. Fale sobre a pas- sagem do tempo, com fotos de uma mulher grávida, um bebê engatinhando, uma criança brincando, uma mulher e um idoso. Pergunte se já nasceram sabendo andar. Sobre as fa- ses do desenvolvimento, proponha perguntas que as ajudem a refletir sobre a sequência de descobertas: “O que acontece primeiro? E de- pois?”. Para concluir, podem montar juntos um cartaz sobre a passagem do tempo e nomear os ciclos da vida dos seres humanos. } Ainda no trabalho com a passagem do tem- po, é possível solicitar às crianças que recor- dem uma lembrança para relatar aos amigos ou aos familiares, usando elementos que permitam às pessoas que escutam o relato identificar quando o fato lembrado ocorreu. } Outra forma de ajudar as crianças a perce- ber a passagem do tempo é acompanhar o crescimento de uma planta. Plantem juntos feijões em recipientes apropriados e deixe-os expostos para que observem e acompanhem todos os dias seu crescimento. } Organize a brincadeira: “Que objeto é esse?”. Prepare uma caixa com objetos como lixa, bola, caderno, régua. Organize as crianças em roda e solicite a uma delas que retire um objeto da caixa e diga seu nome e como ele é. Incentive-a a manusear o objeto e a falar em voz alta o que vê e o que pode perceber com os outros sentidos, explorando cores, formas, lados, texturas e finalidade. } Em outro momento, proponha às crianças que comparem os objetos relatando as dife- renças e as semelhanças, o tamanho, a textu- ra e as formas. } Ainda com os objetos da caixa, proponha às crianças um jogo de comparações. So- bre os objetos, pode-se perguntar: “É maior ou menor? Leve ou pesado? Grandeou pe- queno? Muito ou pouco? Está em cima ou embaixo?”. } Organize as crianças em dois grupos para propor um jogo de localização de objetos. In- dique comandos como “Eu quero um objeto maior do que o giz da lousa”. Os grupos preci- sam trazer um objeto que atenda à descrição, por exemplo, um estojo ou uma lancheira. Ajude-os a comparar os objetos quanto à no- ção de ordem de grandeza, massa e volume. } Proponha a brincadeira “acho que enche”. Or- ganize as crianças em roda e apresente a elas uma jarra com volume de água e alguns co- pos descartáveis. Pergunte: “Se todos vocês quiserem beber água, de quantos copos va- mos precisar? Será que com a água que es- tá nesta jarra eu consigo servir todos vocês? Quantos copos eu consigo completar com essa quantidade de água?”. É possível propor variações, por exemplo, diminuir a quantida- de de água da jarra e tentar servir o mesmo número de copos. Certamente faltará água. Proponha que ajudem a resolver esse proble- ma. Depois, as crianças podem registrar por meio do desenho a resolução de problemas. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 52 } Garanta oportunidades para trabalhar o mo- vimento e a grafia dos números sempre que realizarem uma atividade em que identificam e relacionam os números. Peça às crianças que façam o movimento do traçado no ar, no chão com fita-crepe, na lousa, com massi- nha, na farinha, com palitos, com o corpo e, conforme consolidem o movimento, iniciem a grafar na folha. } Crie oportunidades para jogos, que permitem trabalhar sequência numérica, cores e identi- ficação dos números. } Em todos os jogos que propuser às crianças, faça o levantamento das regras, explore pos- sibilidades, quantifique, some as jogadas e registre em forma de placar para que orga- nizem o pensamento matemático. Por exem- plo, no “jogo do boliche” pode-se levantar as regras em uma roda de conversa, registrar as jogadas na lousa, somar as quantidades de pinos caídos e, quando perceber que as crianças sistematizaram o jogo, é possível ampliar a complexidade, propondo novos de- safios e pedindo que elaborem novas regras e materiais para o mesmo jogo. } Promova a resolução de problemas por meio de histórias. Em roda, conte a história do livro Um, Dois, Três, Ops!, de Michael Coleman e Gwyneth Williamson (Ciranda Cultural, 2012), e converse sobre como podem ajudar o papai coelho a contar seus filhotes, pois são muitos, e todas as vezes que ele tenta fazer a conta- gem, se perde nas contas. Ele usou a estraté- gia de contar um a um, de dar uma cenoura a cada filho, de pedir que se sentassem, de contá-los e direcioná-los para dentro da casa, de sujar de lama os que já havia contado pa- ra marcá-los, entre outras. Depois de refletir sobre essas estratégias, peça às crianças que levantem outras hipóteses de como agrupar e contar elementos. Ao longo do período da Educação Infantil, é esperado que os alunos sejam capazes de: É importante que as crianças criem as pró- prias hipóteses e elaborem suas perguntas para a resolução de problemas. (EI03ET07) Relacionar números às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em uma sequência. (EI03ET01) Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades. (EI03ET06) Relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade. (EI03ET05) Classificar objetos e figuras de acordo com suas semelhanças e diferenças. (EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação. (EI03ET04) Registrar observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes. (EI03ET08) Expressar medidas (peso, altura etc.), construindo gráficos básicos. (EI03CG05) Coordenar suas habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades em situações diversas. (EI03CG02) Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades. (EI03CG03) Criar movimentos, gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música (BRASIL, 2017 p. 48-52). As atividades apresentadas são apenas al- guns modelos que podem ser utilizados em sala de aula, e devem servir de guia para o desenvol- vimento de atividades que estimulem habilida- des dessas áreas, mas não podem ser um fim em si mesmas. Então, não se deve limitar a atuação em sala de aula apenas ao que foi apresentado. A intenção é oferecer propostas para reflexão de como essas atividades podem ser utilizadas de modo a construir uma sequência de dificuldade e de conteúdos com as crianças, a fim de garan- tir que esse período da escolarização ofereça de fato oportunidades para o desenvolvimento e o trabalho com habilidades preditoras que influen- ciarão a aprendizagem de Matemática na jornada escolar posterior. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 53 Avaliação escolar 4.1 IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO A avaliação é uma ferramenta que deve ter como propósito verificar se os objetivos educa- cionais foram alcançados em cada etapa esta- belecida. Ela deve, principalmente, identificar os alunos que apresentam defasagens em alguns conteúdos e habilidades. Quanto mais cedo for feita essa constatação, mais precoces podem ser as intervenções e mais direcionadas e asserti- vas serão as ações para diminuir possibilidades de dificuldades futuras que possam impactar a leitura, a escrita e a aprendizagem matemática (CAPOVILLA; GUTSCHOW, CAPOVILLA; 2004; ZHANG et al., 2014). Conforme Morais e Oliveira (2015, p. 58), “o ponto de partida para uma avaliação de um sis- tema escolar é um currículo muito preciso, que especifica detalhadamente o que o aluno precisa aprender e adquirir ao final de cada série”. O as- pecto institucional também precisa ser avaliado, para mensurar se as habilidades que precisam ser desenvolvidas a cada ano estão sendo ofere- cidas adequadamente no currículo. É essencial a observação ativa e direcio- nada do professor para uma mediação asser- tiva, cujo foco é verificar o desempenho de cada aluno no processo de aprendizagem. Porém, no âmbito da Educação Infantil, muito se discute sobre como avaliar e o que se deve mensurar. Essa discussão deve ser antecedida pela avaliação da intencionalidade das práticas pedagógicas, ou seja, uma verificação de que os objetivos das aulas estão claros e estabe- lecidos, para que o professor tenha uma visão adequada de quais áreas ou habilidades está buscando desenvolver nos alunos. O termo na língua inglesa para “avaliar” é asses, que significa aferir, detalhar, realizar um levantamento, sem dar sentido de juízo de valor, como geralmente associamos ao termo avalia- ção (MORAIS; OLIVEIRA, 2015). A percepção e o olhar atento do professor precedem a ava- liação, pois sua observação deve ser pauta- da na descrição de informações, situações e acontecimentos relacionados aos elementos das atividades escolares trabalhadas. Para que a avaliação seja considerada consistente, deve- -se levar em consideração sua formatação e sua constância ao longo do tempo, sua sensibilida- de na interpretação das informações observadas e coletadas em diversas situações e contextos (MORAIS; OLIVEIRA, 2015). O professor precisa ter clareza de quais conteúdos e habilidades está avaliando e se a forma como a verificação é realizada está ade- quada ou não. É importante ressaltar que a finalidade des- sa reflexão é uma referência de avaliação não classificatória. Segundo Hoffmann (2009), a avaliação deve ser concebida como uma in- tervenção que incentiva a reorganização do aprendizado. Esse tema torna-se ainda maissensível quando se pensa na Educação Infantil e na avaliação de crianças em pleno desenvol- vimento. Nessa etapa, professor e aluno devem construir pontes como vias de mão dupla, com possibilidades de reorganização de novos ca- minhos para o avanço no desenvolvimento dos saberes, sempre organizando e estruturando esse conhecimento juntos. Essa concepção diverge do modelo de afe- rição do conhecimento, que ocorre por meio MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 54 de mera repetição por parte do aluno dos con- teúdos que foram transmitidos pelo professor. Nesses casos, o aluno é avaliado por preenchi- mento de tabelas e rótulos, divididos em tópicos que não consideram as particularidades de cada sujeito, tampouco as reflexões, as vivências e as trocas que o processo de ensino-aprendizagem possibilita ao longo de toda a vivência escolar. Avaliar na Educação Infantil é, então, de su- ma importância para que sejam identificadas as crianças que apresentam alguma dificuldade ou entrave no processo de aprendizagem. Contu- do, por se tratar de alunos tão novos, é neces- sário compreender os tipos de avaliação mais comuns e identificar aqueles que mais estão adequados ao grupo. 4.2 TIPOS DE AVALIAÇÃO “As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil explicitam que as creches e pré-escolas devem planejar formas de avaliação que contemplem o acompanhamento do trabalho pedagógico e a avaliação do desenvolvimento da criança” (BRASIL, 2012, p. 14). Os diferentes tipos de avaliação precisam ser compreendidos de forma complementar e não excludente. São ferramentas que podem ser utilizadas em prol do mesmo objetivo: verificar a aprendizagem dos alunos. O cerne da questão não apenas está no tipo de avaliação realizada, mas também no uso das informações que são obtidas por meio desse processo. A partir dessas reflexões, surgem alguns questionamentos a que gestão escolar e professores devem responder: } Qual é a função da avaliação em minha práti- ca pedagógica? } O que pretendo realizar com os dados obti- dos por meio das avaliações? } Quais são os tipos de avaliação e qual deles melhor se encaixa na realidade dos meus alunos? } Todos os alunos serão avaliados exatamente da mesma forma? } A avaliação tem função diagnóstica, a fim de identificar áreas e dificuldades dos alunos para serem trabalhados com a turma? As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CNE/CEB n. 05/2009) explicitam que creches e pré-es- colas devem planejar formas de avaliação que contemplem o acompanhamento do trabalho pedagógico e a avaliação do desenvolvimento da criança. Entre as principais propostas avaliativas estão a diagnóstica, a somativa e a formativa, que, se- gundo Hoffmann (2009), podem ser definidas da seguinte forma: } avaliação diagnóstica – é aquela que favorece o incentivo da aprendizagem, por meio da ob- servação para adaptação entre a metodologia e os conhecimentos dos alunos. Com isso, ge- ralmente, essa avaliação é aplicada no início do ano letivo ou de um ciclo, para permitir que o professor verifique o conhecimento prévio dos alunos em relação à etapa de ensino anterior. O planejamento do professor deve ser flexível e passível de ajustes e mudanças, consideran- do as informações coletadas nessa avaliação. O objetivo é identificar as habilidades e os conteúdos que os alunos já desenvolveram e consolidaram e descobrir aqueles em que ainda têm dificuldades; } avaliação somativa – é a união de uma ou mais avaliações selecionadas pelo professor para agregar valor e certificar o aprendizado. Por exemplo: registros, avaliação em formato de provas e atividades com pesos específi- cos e cuja soma indica uma nota no final do processo; } avaliação formativa – é aquela que potencia- liza uma ação mediadora que caminha junto com o aluno, despertando potencialidades e possibilidades de saberes. Assim, a avaliação para a formação tem foco no aluno ativo, que será investigado, incentivado e provocado em seu processo de aprendizagem. O papel do professor é proporcionar situações que possibilitem o desenvolvimento das poten- cialidades da criança. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 55 Visando à composição de um sistema de avaliação que ofereça a compreensão da realidade edu- cacional e considere seus aspectos e suas particularidades, a Tabela 1 destaca algumas diferenças em relação aos objetivos que o professor deve considerar para cada tipo de avaliação. Tabela 1: Tipos de avaliação. TIPOS DE AVALIAÇÃO OBJETIVOS DO PROFESSOR/EDUCADOR PARA AVALIAR A APRENDIZAGEM DIAGNÓSTICA Observar de maneira geral o conhecimento prévio do aluno e seu aprendizado em relação aos conteúdos da aula ou da etapa de ensino anterior. SOMATIVA Avaliar para resumir a aprendizagem. Verificar a aprendizagem com base em um único critério. Conduzir, atestar, categorizar, apurar e selecionar o aprendizado. FORMATIVA Observar o processo de ensino- -aprendizagem. Documentar, investigar, adaptar, refletir, revisitar, observar, registrar, modificar e oportunizar o aprendizado. Produzir evidências fundamentadas no processo de aprendizagem como um todo e ter clareza dos objetivos e dos critérios avaliados em cada aula. Tendo em vista os aspectos apresentados, a avaliação formativa permite que o professor adote estratégias pedagógicas mais adequa- das às necessidades de cada aluno, sendo, junto com a diagnóstica, as opções adequadas para a Educação Infantil. O professor deve estar atento a todo o processo, como conjunto, e não se pautar apenas no conteúdo a ser trabalha- do e na metodologia que será aplicada. Essas estratégias não são um fim em si mesmas, mas um caminho para alcançar objetivos educacio- nais com os alunos. 4.3 AVALIAÇÃO FORMATIVA Ao abordarmos um pouco mais sobre a avaliação formativa, consideramos que, segun- do Rinaldi (2018), ela está diretamente ligada à documentação pedagógica, cuja finalidade é produzir informações capazes de evidenciar o processo de ensino e aprendizagem, ou seja, tornar visíveis as particularidades do desenvol- vimento individual e do grupo, indicando possi- bilidades de intervenção e observação enquanto a criança aprende. O instrumento utilizado para mensurar a aprendizagem deve enriquecer o trabalho (vídeos, fotos, anotações com base no olhar que valoriza e observa todo o processo em que a aprendizagem está envolvida). O professor deve possibilitar a troca e a es- cuta em diferentes linguagens (verbal, gráfica, plástica, musical, gestual) para que o aluno seja capaz de elaborar perguntas, levantar hipóteses e construir novas conexões com base em seus conhecimentos prévios. Ao possibilitar e valorizar as mais diversas linguagens, mais alunos são in- cluídos nesse processo do avaliar. Com isso, é importante ressaltar que a docu- mentação pedagógica não somente conduz o processo de acompanhamento, mas também o in- centiva. De que forma ela é legítima? Ela se torna legítima na medida em que é mensurável e inter- pretável, porque permite ao professor e ao aluno reler, revisitar, avaliar a vivência da qual são partes integrantes de um mesmo processo. Levando em consideração todos esses as- pectos, destacamos a importância de o professor buscar subsídios para tornar esse aprendizado visível, sobretudo por meio da documentação pedagógica, que deve ser pautada na reflexão do processo de aprendizagem e procurar novas linguagens, formas, possibilidades e interações entre o mediador e o aluno, com um olhar per- sonalizado. Essa relação cria atalhos e mudanças de rotas, para que a criança percorra o trajeto do conhecimento e enxergue o caminho para de- senvolver suas potencialidades. Fonte: Desenvolvido pelas autoras com base em Hoffmann (2009). MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 56 De acordo com Stainle e Souza (2007, p. 73-74), a avaliação formativa envolve:a) validar a aprendizagem como processo contínuo e permanente, por meio da re-significação do erro, considerando-a parte integrante deste processo; b) favorecer o processo de ensino/aprendizagem, promovendo a reflexão da prática pedagógica docente, bem como a retomada de conteúdos anteriores quando necessário; c) promover o desenvolvimento da criança, desmistificando os critérios de excelência criados pela sociedade e impostos pela escola ao aluno; e, d) desenvolver práticas avaliativas integradoras e não excludentes, que proporcionem ao aluno retomar aspectos da aprendizagem ainda não incorporados, os quais são revelados pelos instrumentos da avaliação. Uma avaliação adequada e relevante não é aquela superestimada, mas sim a que o professor compreende o desenvolvimento infantil e os pro- cessos de aprendizagem, e consegue ter clareza sobre os objetivos a serem avaliados. Essa avalia- ção eficaz não tem como meta apenas classificar e selecionar os seus alunos, dividindo a turma entre bons e maus, mas sim verificar o real aprendizado de cada criança (STAINLE; SOUZA, 2007). Essa reflexão sobre a avaliação fecha nosso guia sobre as habilidades importantes a serem es- timuladas e trabalhadas na Educação Infantil, que servirão de base para o desenvolvimento da leitura, da escrita e da matemática no Ensino Fundamental. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste momento de reflexão final, é esperado que o professor tenha percebido a importância do seu papel em conhecer as habilidades predi- toras e de trabalhá-las em sua prática docente, de forma a tornar o aluno um participante ativo do processo de aprendizagem. Além disso, ansiamos que o professor com- preenda que todas as propostas e atividades apresentadas devem ser aplicadas com respei- to ao conhecimento prévio que os alunos têm. É fundamental verificar frequentemente se já é possível avançar para uma habilidade mais com- plexa ou se ainda é preciso fundamentar os pro- cessos e os conhecimentos com os alunos antes de dificultar ou exigir mais de uma área. Fundamentar o trabalho e buscar conhecer o que as evidências científicas dessas áreas temáticas têm trazido e apresentado como ca- minhos mais efetivos para o trabalho docente é essencial. Não podemos nos esquecer de que o trabalho do professor da Educação Infantil envolve crianças em desenvolvimento, que estão des- cobrindo e experimentando o mundo, e trazem essa forma única de olhar o Universo e enxer- gá-lo com tantas possibilidades e curiosidade. Essas vivências são um elemento singular da in- fância e uma fonte oportuna de levantamento de conteúdos pelo professor. Por isso, esperamos que os professores te- nham este guia como um mapa do caminho a ser trilhado, sempre em parceria e com muito respei- to por seus alunos! MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 57 INDICAÇÃO DE LEITURAS COMPLEMENTARES COMENTADAS COSENZA, R. M.; GUERRA, L. B. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011. Nesta obra, os autores apresentam como o cérebro processa as informações e a sua relação com diversas habilidades cognitivas requeridas no ambiente escolar. Eles abordam as funções executivas, a leitura, a escrita, a numeracia e refletem sobre como a neurociência pode se relacionar com a educação. DEHAENE, S. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capa- cidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012. O autor descreve, de forma detalhada, como ocorre o aprendizado da leitura e quais estruturas neurais se relacionam com cada uma das habilidades envolvidas no processo de ler. Apresenta também a relação entre o biológico e o ambiental, desde como o nosso olhar se movimenta na leitura até todos os recursos cerebrais requeridos. EKUNI, R.; ZEGGIO, L.; BUENO, O. F. A. Caçadores de neuromitos: o que você sabe sobre seu cérebro é verdade? São Paulo: Memnon, 2015. Os autores apresentam um interessante debate sobre os mitos generalizados relacionados às estruturas e ao funcionamento do cérebro. Relacionam o cérebro com a educação por meio de uma reflexão sobre construtivismo, afetividade, bilin- guismo e matemática. MALUF, M. R.; CARDOSO-MARTINS, C. Alfabetização no século XXI: como se aprende a ler e a escrever. Porto Alegre: Penso, 2013. As autoras abordam a ciência da leitura e apresentam evidências científicas de diferentes áreas, entre elas a Psicologia e as Neurociências. Esse estudo apresenta a pesquisadores e professores reflexões sobre como ensinar leitura e escrita com eficácia, reforçando quanto elas são importantes para a vida escolar e a aprendiza- gem dos demais componentes escolares. E d ito ra A rt m e d E d ito ra P e n so E d ito ra M e m n o n E d ito ra P e n so MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 58 MOMO, A. R. B.; SILVESTRE, C.; ZODJA, G. Atividades sensoriais: na clínica, na escola, em casa. São Paulo: Memnon, 2012. Nesta obra, as autoras apresentam 116 atividades sensoriais que podem ser uti- lizadas como apoio e suporte à prática clínica, às atividades escolares e ao convívio familiar. O foco são crianças que apresentam alterações sensoriais, tendo como base a teoria da integração sensorial. As atividades apresentadas podem ser utilizadas pa- ra a elaboração de programas interventivos terapêuticos e educacionais. ORSATI, F. T.; MECCA, T. P.; DIAS, N. M.; ALMEIDA, R. O.; MACEDO, E. C. Práti- cas para a sala de aula baseada em evidências. São Paulo: Memnon, 2015. Esta obra demonstra a importância da educação com base nas evidências cien- tíficas. Por meio de um guia que direciona como essas práticas podem ser aplica- das e revisadas, convida os professores à reflexão das práticas fundamentadas em evidências, realizando um profícuo diálogo entre ciências e educação. Descreve também experiências de outros países, aprofunda-se nas funções executivas e nas possibilidades de intervenções escolares. PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2013. Este livro é um guia fundamental para os profissionais que lidam com o universo infantil, pois apresenta como diversas áreas do corpo humano se desenvolvem em cada idade. Inicia com uma reflexão sobre a Psicologia e a importância do pensa- mento crítico e aborda o desenvolvimento desde a gestação até a vida adulta e tardia. Trata-se de um material completo e essencial para os educadores. SNOWLING, M. J.; HULME, C. A Ciência da Leitura. Porto Alegre: Penso, 2013. As autoras apresentam uma revisão de estudos sobre a área da leitura, a partir de pesquisas de neuroimagem e sua relação com as áreas cerebrais que são re- queridas e ativadas nos processos de leitura. Descrevem, ainda, os processos de reconhecimento de palavras, as áreas envolvidas na compreensão da leitura, nas mais diferentes línguas, os transtornos específicos de leitura e de escrita e as bases biológicas relacionadas ao ensino da leitura. E d ito ra M e m n o n E d ito ra M e m n o n E d ito ra A rt m e d E d ito ra P e n so MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 59 REFERÊNCIAS COMENTADAS ABREU, P. E. de; TOURINHO, C.; PUGLISI, M.; NIKAEDO, C.; ABREU, N.; MIRANDA, M.; BEFILOPES, D.; BUENO, O.; MARTIN, R. A pobreza e a mente: perspectiva da ciência cognitiva. Relatório Técnico. The University of Luxembourg, 2015. Este relatório apresenta o resumo de um grande estudo científico realizado no Brasil que explorou os efeitos do nível socioeconômico na cognição das crianças. Os pesquisadores envolvidos no projeto encontraram uma compreensão mais clara da relação entre pobreza infantil e cognição. Outro foco do trabalho é analisar se todas as crianças realmente dispõem das mesmas oportunidades para desenvolver as habilidades cognitivas fundamen- tais de que necessitam para um futuro de sucesso acadêmico e no mercado de trabalho. ADAMS, M. J.; FOORMAN, B. R.; LUNDBERG, I.; BEELER, T. Consciênciafonológica em crianças peque- nas. Porto Alegre: Artmed, 2006. Nesta obra, os autores apresentam diversas propostas de atividades que envolvem jogos, rimas e canções adaptadas à população brasileira. Todas essas atividades têm o objetivo de desenvolver a consciência fonológica em crianças na Educação Infantil. O propósito é que diversos profissionais do universo infantil possam se apoiar nessas propostas para desenvolver seu trabalho com as crianças, principalmente os professores que atuam em sala de aula. ALBUQUERQUE, S. S.; FELIPE, J.; CORSO, L. V. Para pensar a docência na Educação Infantil. Porto Ale- gre: Evangraf, 2019. Nesta obra, as autoras apresentam estudos sobre a primeira infância, que abrange o período de desenvolvi- mento de 0 a 6 anos, visando corroborar a formação e a capacitação de professores, por meio das práticas coti- dianas e do estímulo à reflexão sobre a linha entre cuidado e educação. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. 3a versão. Brasília: Ministério da Educação, 2017. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento completo e contemporâneo que propõe uma organização de conteúdos e o trabalho com habilidades e competências para atender às demandas do estudante do presente. Esse documento foi construído com base em amplos debates com a sociedade e educadores de todo o Brasil. Com a BNCC, busca-se garantir aos estudantes brasileiros um conjunto de aprendizagens essenciais, voltadas para seu desenvolvimento integral. Nesse sentido, além de objetivos de aprendizagem específicos para cada área do saber, são propostas dez competências gerais a serem desenvolvidas de maneira integrada em to- das as etapas da educação básica e de forma a apoiar as escolhas necessárias para a concretização dos projetos de vida e a continuidade dos estudos. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Alfabetização. Política Nacional de Alfabetização. Brasí- lia: MEC, SEALF, 2019. A Política Nacional de Alfabetização (PNA) busca oferecer um marco teórico e prático para elevar a qualidade da alfabetização e combater o analfabetismo em todo o território brasileiro. As orientações desse documento têm o objetivo de inserir o Brasil no rol de países que escolheram a ciência como fundamento para a elaboração de suas políticas públicas de alfabetização e propõem levar para a sala de aula as descobertas das ciências cogniti- vas. O texto da PNA indica, ainda, a promoção, em consonância com o pacto federativo, de práticas de alfabetiza- ção mais eficazes, a fim de criar melhores condições para o ensino e a aprendizagem das habilidades de leitura e de escrita em todo o país. BRASIL. Resolução CNE/CP no 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de gra- duação plena. Brasília: MEC/CNE, 2002. Este documento do Conselho Nacional da Educação (CNE) foi elaborado para garantir princípios e fundamen- tos a serem observados no âmbito institucional e curricular nos estabelecimentos educacionais, com diretrizes pensadas para cada etapa da educação básica no que diz respeito à capacitação e a orientações para a formação docente. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 60 CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. Problemas de leitura e escrita: como identificar, prevenir e reme- diar numa abordagem fônica. 5. ed. São Paulo: Memnon, 2007. Os autores deste livro descrevem a abordagem fônica de alfabetização, partindo de uma extensa reflexão sobre o processo de aquisição de leitura e escrita em diversos países. Consideram, ainda, a situação educacional brasileira, explicando por que o Brasil precisa do método fônico. Explicam as características fundamentais desse método e descrevem a leitura e a escrita com base em pesquisas e evidências científicas. CAPOVILLA, A. G. S.; GUTSCHOW, C. R. D.; CAPOVILLA, F. C. Habilidades cognitivas que predizem com- petência de leitura e escrita. In: Psicologia: teoria e prática, v. 6, n. 2, p. 13-26, 2004. O artigo descreve uma pesquisa cujo objetivo foi identificar habilidades cognitivas capazes de predizer de- sempenhos ulteriores em leitura e escrita. Os autores indicam que as habilidades que melhor predizem leitura e escrita são: aritmética, memória fonológica, vocabulário, consciência fonológica e sequenciamento. É muito inte- ressante a reflexão acerca de crianças com dificuldades na leitura e na escrita, que apresentaram maiores déficits fonológicos. Essa constatação forneceu validação preliminar a instrumentos e diretrizes para detectar crianças em risco, o que possibilita uma intervenção precoce eficaz. CENTER ON THE DEVELOPING CHILD AT HARVARD UNIVERSITY. Construção do sistema de “Controle de Tráfego Aéreo” do cérebro: como as primeiras experiências moldam o desenvolvimento das funções executivas: Estudo n. 11, 2011. Disponível em: http://developingchild.harvard.edu. Acesso em: 7 ago. 2020. Neste documento, os pesquisadores do Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, abor- dam as funções executivas, bem como sua importância e seu impacto na vida social e escolar. São apresenta- dos os principais constructos envolvidos nas funções executivas – a memória de trabalho, o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva –, e é descrito o curso desenvolvimental dessas funções e suas implicações no dia a dia das crianças. CNDSS. As causas sociais das iniquidades em saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008. Este documento visa identificar, com precisão, as causas de natureza social, econômica e cultural relacionadas à saúde da população brasileira, com o objetivo de garantir maior igualdade, melhores condições de saúde e mais qualidade de vida para os brasileiros. CUNHA, D. Brincadeiras africanas para a educação cultural. Castanhal: Edição do autor, 2016. Disponível em: http://livroaberto.ufpa.br/jspui/handle/prefix/196. Acesso em: 7 ago. 2020. Esta obra dialoga com a necessidade de pensar a prática escolar de forma contextualizada, preenchida de sentidos e significados relacionados à vida de alunos e professores em suas relações com o mundo. Afinal, são todos sujeitos do processo educacional e repletos de experiência de vida. Nessa obra, as brincadeiras são dimensionadas como elemento motivador para a releitura da cultura e das origens interétnicas do Brasil a partir do encontro com brincadeiras de origem africana. DEHAENE, S. The Number Sense: how the mind creates mathematics. Oxford: Oxford University Press, 2011. O autor descreve como ocorre o desenvolvimento cerebral das áreas matemáticas, incluindo esse desenvol- vimento em bebês e em animais, com foco na percepção do senso numérico. Ele explora de forma detalhada a mente matemática e a relação entre os neurônios e os números. DERDIK, E. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil. 5. ed. Porto Alegre: Zouk, 2015. Nesta obra, a autora traz reflexões importantes sobre a linguagem gráfica na infância e o desenvolvimento da consciência corporal da criança, com base em vivências proporcionadas pelo ato de desenhar. DIAMOND, A. Executive functions. In: Annual Review of Psychology, v. 64, p. 135-68, 2013. Neste artigo de revisão, a autora descreve a concepção mais recente de funções executivas e as divide em principais e superiores. Ela aborda o curso desenvolvimental dessas habilidades e reflete principalmente sobre a importância da saúde social, emocional e física para a saúde cognitiva. Esclarece, ainda, que essas funções po- dem ser treinadas e aprimoradas com a prática e apresentam diversos métodos experimentados até o momento. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL http://developingchild.harvard.edu http://livroaberto.ufpa.br/jspui/handle/prefix/196 61 DIAS, N. M.; SEABRA, A. G. Programa de intervenção em autorregulação e funções executivas – PIAFEx. São Paulo: Memnon; 2013. As autoras apresentam um programa de intervenção em habilidadesde autorregulação e funções executivas que pode ser aplicado pelos próprios professores em sala de aula. São dez módulos que descrevem como, com quais recursos e por meio de qual estratégia o professor vai treinar diferentes áreas das funções executivas. DUARTE, A. F. Psicomotricidade e suas implicações na alfabetização. 2. ed. São Paulo: All Print, 2015. Esse livro destaca a importância da psicomotricidade no desenvolvimento das habilidades necessárias para a alfabetização. A obra oferece informações como ferramenta de trabalho com práticas e atividades para a estimulação da criança (nos campos motor, cognitivo e afetivo) para aprimorar o trabalho dos psicoterapeu- tas e educadores. HOFFMANN, J. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2009. Nesta obra, a autora reflete sobre uma avaliação mediadora cujo foco concentra-se no processo, organizando e incentivando o saber, e não em classificar e sentenciar em valores a aprendizagem. KAMII, C. A criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget para a atuação com es- colares de 4 a 6 anos. Campinas: Papirus, 1990. Neste livro, a autora contrapõe o paradigma da construção do conceito do número na infância em relação às noções numéricas. Ela destaca a importância de a criança relacionar os números ao ambiente em que vive, levan- tando os próprios problemas e elaborando respostas. KISHIMOTO, T. M. (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1996. Este livro apresenta uma coletânea de artigos e mostra como as brincadeiras são exploradas ao longo da história da criança e da educação. São apresentadas as diferenças conceituais dos termos jogo, brinquedo e brincadeira e são explicados os tipos diferentes de jogo e brincadeira e as habilidades cognitivas que eles esti- mulam e requerem. Além disso, os autores explicitam quanto esses recursos devem ser utilizados como recursos pedagógicos. LEÓN, C. B. R. Funções executivas em crianças de 3 a 6 anos: desenvolvimento e relações com lin- guagem e comportamento. Dissertação (Mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2015. Nessa dissertação, a autora realizou uma pesquisa com foco em crianças pré-escolares, que teve como obje- tivo identificar a relação das funções executivas com a linguagem e questões comportamentais. O foco geral é a identificação precoce de dificuldades nessa área, visando a uma atuação de forma preventiva. MELTZER, L. Promoting executive functions in the classroom. Nova York: The Guilford Press, 2010. De forma bastante prática e acessível, o autor descreve de forma teórica as funções executivas e sua importância para a escola e a vida, além de oferecer diversas estratégias e propostas práticas para que os professores possam incorporar os processos de funções executivas – como as habilidades de planejamento, organização, priorização e monitoramento – no dia a dia escolar, reformulando o currículo implementado em sala de aula. MORAIS, J. J.; OLIVEIRA, J. B. A. Alfabetização: em que consiste, como avaliar. São Paulo: Instituto Alfa e Beto, 2015. (Coleção IAB de Seminário Internacional). Esse livro foi pensado para responder às perguntas elaboradas no Seminário Internacional do Instituto Alfa e Beto. Entre elas: Quais habilidades predizem a alfabetização? Qual é a idade aproximada para aprender tais habili- dades? Quais habilidades a criança desenvolve ao final do primeiro ano da educação formal? E o que a pré-escola deve ensinar para garantir o desenvolvimento dessas habilidades? NCPI. O impacto do desenvolvimento na primeira infância sobre a aprendizagem, 2014. Disponível em: www.ncpi.org.br. Acesso em: 24 jul. 2020. Este documento foi preparado por pesquisadores brasileiros de diversas áreas do conhecimento que se uni- ram para apoiar, com informações importantes, gestores públicos e legisladores que queiram criar boas políticas e programas para gestantes e crianças pequenas. É o primeiro texto de uma coleção e trata da importância dos primeiros anos de vida sobre a capacidade de aprendizagem das crianças. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 62 NISTA-PICCOLO, V. L.; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na Educação Infantil. São Paulo: Cortez, 2012. (Coleção Educação física escolar). Esta obra traz atividades práticas para o dia a dia escolar, com base em estudos que relacionam educação e corporeidade, visando à percepção do desenvolvimento da consciência corporal da criança. NOVICK, B. Z.; ARNOLD, M. M. Fundamentals of clinical child neuropsychology. Philadelphia: Grune & Stratton, 1988. Os autores apresentam as alterações neuropsicológicas mais comuns em crianças e adolescentes a partir das diversas habilidades cognitivas que influenciam os processos de aprendizagem. RINALDI, C. Diálogos com Reggio Emilia: escutar, investigar e aprender. São Paulo: Paz e Terra, 2018. Esta obra traz uma reflexão e um convite a todos que trabalham em espaços educativos para uma mudança de paradigma, um novo olhar para a criança e suas necessidades. A autora destaca a importância da escuta ativa no processo de ensino e aprendizagem. SEABRA, A. G.; CAPOVILLA, F. C. Alfabetização: método fônico. São Paulo: Memnon, 2010. Este livro apresenta dados e evidências científicas, nacionais e internacionais, sobre o uso da metodologia fônica de alfabetização, descrevendo sua eficácia para o trabalho com crianças com dificuldades em leitura e escrita, assim como para as demais crianças do ensino regular. Apresenta um caminho detalhado para al- fabetizar as crianças, com diversas atividades e propostas para serem implementadas na sala de aula e na clínica. SEABRA, A. G.; DIAS, N. Métodos de alfabetização: delimitação de procedimentos e considerações para uma prática eficaz. Revista de Psicopedagogia, São Paulo, v. 28, n. 87, p. 306-320, 2011. O artigo apresenta os métodos de alfabetização mais difundidos no país, delimitando-os em função de seus três aspectos fundamentais: a) ponto de partida e encaminhamento da alfabetização, delimitando os métodos analíticos e sintéticos; b) unidade mínima de análise na relação entre fala e escrita, delimitando os métodos glo- bal, silábico e fônico; c) tipo de estimulação envolvida, distinguindo os métodos multissensorial e tradicional. É apresentado breve histórico sobre os métodos de alfabetização e, em mais detalhes, são descritos os métodos fônico e global. SEABRA, A. G.; MONTIEL, J. M.; CAPOVILLA, F. C. Avaliação de aritmética em crianças de 1a a 4a série: prova de aritmética. In: SEABRA, A. G.; CAPOVILLA, F. C. Teoria e pesquisa em avaliação neuropsicoló- gica. São Paulo: Memnon, 2009. Neste livro, os autores organizadores descrevem diversas áreas relacionadas às habilidades cognitivas re- queridas principalmente no ambiente escolar. Em relação à Matemática, apresentam um instrumento que pode ser aplicado nos anos iniciais do Ensino Fundamental, com objetivo de identificar estudantes com dificuldades nessas áreas, além de esclarecer que a Matemática na escola envolve principalmente a aritmética e a habilidade de realizar cálculos. SINGER, W. Development and Plasticity of Cortical Processing Architectures. Science (80-); 270(5237): p. 75-764, 1995. Neste artigo, o autor realiza uma ampla investigação do desenvolvimento com base na arquitetura cerebral e nas regiões neurais envolvidas no aprendizado. Ele descreve quanto o cérebro é plástico e tem a capacidade de se remodelar de acordo com as demandas e as situações ambientais, esclarecendo a importância da primeira infância como o principal período de plasticidade cerebral. SMOLE, K. S.; DINIZ, M. I.; CÂNDIDO, P. Resolução de problemas. Porto Alegre: Penso, 2014. (Coleção Matemática de 0 a 6). Este livro traz atividades práticas para o pensar pedagógico na Educação Infantil que estimulam a manipu- lação, a exploração e as vivênciasrelacionadas às noções matemáticas, espaciais, geométricas, de medidas e noções de estatísticas para uma melhor percepção da realidade na elaboração e resolução de problemas. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL 63 SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Receite um livro. Fortalecendo o desenvolvimento e o vínculo: a importância de recomendar a leitura para crianças de 0 a 6 anos. São Paulo: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2015. Este livro destaca a importância de estimular a leitura em crianças de 0 a 6 anos e o fortalecimento do vínculo com elas por meio da literatura. Estudos científicos apresentados apontam que a quantidade de palavras que a criança escuta e vivencia nas histórias contadas por seus familiares ou seus cuidadores prediz um melhor desem- penho na alfabetização. STAINLE, M. C. B.; SOUZA, N. A. Avaliação formativa e o processo de ensino/aprendizagem na Educa- ção Infantil. Estudos em Avaliação Educacional, v. 18, n. 36, jan./abr. 2007. Neste artigo, os autores refletem sobre a importância de olhar a Educação Infantil sem o caráter assistencialista, de forma a desenvolver os processos de aprendizagem da criança e de refletir sobre formas e possibilidades de avaliar constantemente os alunos. A avaliação mais adequada, segundo os autores, é a formativa, que envolve a aprendizagem da criança e os domínios que ela desenvolve na escola. ZHANG, X. et al. Linguistic and spatial skills predict early arithmetic development via counting sequence knowledge. In: Child Development, v. 85, p. 1091-1107, 2014. Este artigo apresenta os resultados de um estudo longitudinal realizado com mais de 2 mil crianças com o ob- jetivo de identificar as habilidades trabalhadas na Educação Infantil que atuam como preditoras de desempenho aritmético no Ensino Fundamental. Os autores identificaram que as habilidades linguísticas e espaciais podem afetar o desenvolvimento aritmético. ZORZI, J. L. As letras falam: metodologia para alfabetização. Manual de aplicação. São Paulo: Phonics Editora, 2017. Neste livro, o autor apresenta uma forma de alfabetizar as crianças segundo uma proposta progressiva, estru- turada e sequencial dos conteúdos e das áreas a serem estimuladas no processo de alfabetização. Apesar de ter como foco as crianças com dificuldades, essas referências podem ser implementadas com qualquer grupo. Zorzi propõe uma metodologia com diversas atividades prontas que podem ser aplicadas no ensino regular. MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL ISBN 978-85-10-XXXXX-XISBN 978-65-5817-212-3 MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA DO BRASIL Blank Page Blank Page