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CLINICA E CONSERVACAO DE ANIMAIS SILVESTRES

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Clínica de Silvestres											18/02/2019
Contenção das espécies								
Princípios da contenção:
- cada espécie tem uma forma de contenção diferente
- seguir intuição, não deve machucar o animal e nem se machucar; para isso, precisa entender qual a forma de defesa daquele animal, pois é dessa forma que ele tentará atacar (ex.: arara se defende bicando, portanto, a primeira parte a imobilizar é a cabeça, e a segunda parte são as patas; águia se defende com as garras, essa deve ser a primeira parte a ser contida, geralmente não ataca com o bico, portanto, a contenção na cabeça pode ser mais “leve”; jaguatirica se defende mordendo, portanto, primeiramente imobiliza a cabeça e depois imobiliza as patas/garras; tamanduá não se defende com a boca, mas sim com as garras, portanto, nesse caso é essa parte que precisa estar contida)
- é necessário ter uma equipe bem treinada (se não tem equipe bem treinada, deve se adaptar, pode ser necessário fazer sedação do animal nesse caso)
- não fazer contenção prolongada, além do tempo realmente necessário para o procedimento (ex.: fez uma projeção do raio x, enquanto vai avaliar se é necessária outra, não ficar com o animal contido, pode ser muito tempo para ele e acabar machucando; na segunda vez que for pegar vai ser mais difícil, na terceira mais ainda, etc); só retira o animal da gaiola/da caixa depois de anamnese, depois de formar as possibilidades diagnósticas, para saber quais exames serão realizados; deve também deixar tudo preparado para realização dos exames antes de conter o animal, deixar todo o material necessário separado
- cuidado com animais dispneicos, pode ser necessário fornecer oxigênio antes e/ou durante a contenção e procedimentos (reduz chance de vir a óbito durante a contenção em mais de 50%)
- cuidado com animais debilitados; se o animal estiver em um estado muito ruim, não estiver conseguindo respirar bem, não fazer a contenção/procedimentos, pode ser necessário estabilizar o animal antes
- não ter medo; saber qual dor o animal pode causar para que não tenha reflexo de soltar/apertar/machucar o animal caso ele morda/bique (se o animal morder/bicar, não soltá-lo!! Ainda que o ambiente pareça ser controlado, eventos inesperados podem acontecer e o animal pode fugir)
- precisa ter firmeza e delicadeza durante a contenção, mas nunca deve usar força, geralmente os animais silvestres são muito pequenos, delicados, tem que dosar bem a força para não machucar o animal
Tutores de pets convencionais são mais “chatos”; geralmente são inseguros, já que nem todo profissional é realmente competente para tratar de animais silvestres, ele pode ter se deparado com muitos profissionais ruins antes de chegar até você; além disso, normalmente os animais silvestres se estressam mais durante a consulta veterinária, portanto o tutor fica mais apreensivo naquele momento; tem empatia com o tutor para que seja feito atendimento adequado; deixar o tutor apresentar qual a queixa principal ao início da consulta
Para retirar um papagaio da gaiola: utilizar luvas raspa de couro, segurar com uma mão no pescoço para conter a cabeça e com a outra mão segura as patas e asas e retira da gaiola; depois retira as luvas e segura com uma mão na lateral da cabeça/nas buchechas e um dedo sobre a cabeça (cuidado com os olhos do animal); se não tiver luvas, usar uma toalha grande dobrada no meio, cobre a mão e enrola o papagaio na toalha para tirar da gaiola, e depois arruma na mão para conter sem as luvas conforme descrito acima.
Normalmente as gaiolas são pequenas, pode ser necessário retirar o fundo da gaiola para facilitar a retirada do animal; se o fundo da gaiola não sair, pode ser necessário que o tutor retire da gaiola e coloque no canto da sala, no chão, para fazer a contenção a partir dali
Para retirar um gavião/águia da gaiola: utilizar luvas e pegar primeiro as patas, protegendo das garras; normalmente não ataca com o bico, pode segurar mais leve
Anseriformes (aves aquáticas) – patos, gansos, etc; a bicada não dói muito, mas são aves mais agressivas, vão para cima, não pode ter medo; conter primeiramente as asas e patas e depois a cabeça, mas a contenção na cabeça não precisa ser muito firme; se for na propriedade do tutor, pode necessitar de uma rede para auxiliar a pegar o animal; nível de estresse do animal é médio (ele se estressa, mas a probabilidade de morrer/ter uma parada durante a contenção é baixa)
Psitacídeos (arara, papagaio, cacatua) – geralmente muito agressivos na defesa, mas cada espécie tem características diferentes (cacatua, ararajuba, normalmente muito mansos, bem acostumados ao contato com o humano, nesses a contenção é bem mais simples/fácil); nível de estresse de médio a elevado, depende da espécie e do indivíduo/de como é criado;
Obs.: dois erros na conteção ao lado - dedo nos olhos do animal (perda de sensibilidade com as luvas) e as asas não estão contidas
Rapinantes – a agressividade depende se é ave de vida livre ou de cativeiro; nível de estresse médio, e depende se é animal de vida livre (estresse será maior) ou animal de cativeiro (geralmente colocando o capuz na cabeça ele fica calma)
Passerifirmes (aves que cantam – canário, bicudo, trinca ferro) – aves pequenas que se defendem com o bico, geralmente são pouco agressivos e a bicada geralmente não dói; estresse elevado, esses animais correm risco de morrer na contenção/procedimento; normalmente não há grande interação entre o animal e o tutor, ele estranha mais a consulta; são muito pequenos, quando contidos podem não conseguir fazer troca de calor e superaquecem; quando causa estresse em uma ave que canta, ela pode parar de cantar (por esse motivo tem que avisar o tutor que será necessário realizar o procedimento, para que ele decida se quer correr o risco; se o tutor falar que não permite a contenção/a realização dos procedimentos, não será possível realizar diagnóstico, ele deve ficar ciente dos riscos, assinar um termo atestando que está ciente dos riscos, e nesse caso o tratamento será geral, poderá não ser efetivo)
Obs.: caso de emergência, necessário fazer procedimento no animal e ele morre: manter ficha clínica com todos os dados/exames para comprovação dos fatos
Struthioniformes (ema, avestruz) – se defende com coices, tem agressividade média a elevada e nível de estresse médio a elevado; pode ser necessária contenção química para procedimentos mais complexos (ex.: coleta de sangue, sutura, etc); se o animal for manso, pode fazer procedimentos mais simples com o uso do capuz (auscultação por exemplo); se o proprietário não concordar com a sedação par procedimentos mais complexos, não deve fazê-los para não se colocar em risco, nesse caso paga apenas a consulta
Galliformes (galinha, faisão, etc) – a defesa é a fuga, tem pouca agressividade e nível de estresse baixo; normalmente quando vem na clínica, é um animal pet que já está acostumado com o contato, e a contenção é leve (pode não ser necessária); se for em uma propriedade o animal pode não estar tão acostumado e a contenção pode ser necessária, contenção pelas asas
Ferret/furão – não é agressivo normalmente, mas é agitado; pegar pela pele (que nem gato) sem apoiar, pode apoiar as patas em animais mais pesados; se for muito agitado/animal cardíaco, pode ser necessária contenção química
Porquinho da índia – normalmente não é agressivo; pegar embaixo das patas (animal pequeno, patas curtas, boca pequena, não é difícil); é um animal estressado, normalmente reclama bastante/grita durante o exame, deve sempre ir falando passo a passo para o tutor o que está fazendo; se o tutor ficar impressionado com os gritos do animal, pode dar a opção para ele aguardar fora da sala; baixo risco do animal morrer durante a contenção/procedimento, mas por ser estressado pode acontecer
 Râmster – normalmente é um animal mais agressivo, deve conter puxando a pele do pescoço até a boca fazer um “sorriso”, o que significa que a pele está bem esticada (não puxar tanto a ponto que o olho saia para fora), portanto, o animal está bem contido

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