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Fichamento O Capital (Cap 23) - Karl Marx

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volume do capital total, mas por seu componente variável, ela decresce progressivamente com 
o crescimento do capital total, em vez de, como pressupomos anteriormente, crescer na mesma 
proporção dele. [...]. A acumulação capitalista produz constantemente, e na proporção de sua 
energia e seu volume, uma população trabalhadora adicional relativamente excedente, isto é, 
excessiva para as necessidades médias de valorização do capital e, portanto, supérflua.” (pág. 
461-462) 
“...em todas as esferas, o crescimento da parte variável do capital e, portanto, do número de 
trabalhadores ocupados, vincula-se sempre a violentas flutuações e à produção transitória de 
uma superpopulação, quer esta adote agora a forma mais notória da repulsão de trabalhadores 
já ocupados anteriormente, quer a forma menos evidente, mas não menos eficaz, de uma 
absorção mais dificultosa da população trabalhadora suplementar mediante os canais habituais. 
[...]. Assim, com a acumulação do capital produzida por ela mesma, a população trabalhadora 
produz, em volume crescente, os meios que a tornam relativamente supranumerária. Essa lei de 
população é peculiar ao modo de produção capitalista...” (pág. 462) 
“Mas se uma população trabalhadora excedente é um produto necessário da acumulação ou do 
desenvolvimento da riqueza com base capitalista, essa superpopulação se converte, em 
contrapartida, em alavanca da acumulação capitalista, e até mesmo numa condição de existência 
do modo de produção capitalista. Ela constitui um exército industrial de reserva disponível, que 
pertence ao capital de maneira tão absoluta como se ele o tivesse criado por sua própria conta. 
Ela fornece a suas necessidades variáveis de valorização o material humano sempre pronto para 
ser explorado, independentemente dos limites do verdadeiro aumento populacional. [...]. A 
massa da riqueza social, superabundante e transformável em capital adicional graças ao 
progresso da acumulação, precipita-se freneticamente sobre os velhos ramos da produção, cujo 
mercado se amplia repentinamente, ou em ramos recém-abertos, como o das ferrovias etc., cuja 
necessidade decorre do desenvolvimento dos ramos passados. Em todos esses casos, é preciso 
que grandes massas humanas estejam disponíveis para serem subitamente alocadas nos pontos 
decisivos, sem que, com isso, ocorra uma quebra na escala de produção alcançada em outras 
esferas. A superpopulação provê essas massas. [...]. Por sua vez, as oscilações do ciclo industrial 
conduzem ao recrutamento da superpopulação e, com isso, convertem-se num dos mais 
enérgicos agentes de sua reprodução.” (pág. 462-463) 
“À produção capitalista não basta de modo algum a quantidade de força de trabalho disponível 
fornecida pelo crescimento natural da população. Ela necessita, para assegurar sua liberdade de 
ação, de um exército industrial de reserva independente dessa barreira natural.” (pág. 464) 
“O crescimento do capital variável torna-se, então, o índice de mais trabalho, mas não de mais 
trabalhadores ocupados. Todo capitalista tem interesse absoluto em extrair uma determinada 
quantidade de trabalho de um número menor de trabalhadores, em vez de extraí-lo por um preço 
igual ou até mesmo mais barato de um número maior de trabalhadores. No último caso, o 
dispêndio de capital constante aumenta na proporção da massa de trabalho posta em 
movimento; no primeiro caso, ele aumenta muito mais lentamente.” (pág. 465) 
“Vimos que o desenvolvimento do modo de produção capitalista e da força produtiva do 
trabalho – simultaneamente causa e efeito da acumulação – capacita o capitalista a movimentar, 
com o mesmo dispêndio de capital variável, mais trabalho mediante uma maior exploração 
extensiva ou intensiva das forças de trabalho individuais. Vimos, além disso, que ele, com 
capital do mesmo valor, compra mais forças de trabalho ao substituir progressivamente 
trabalhadores mais qualificados por menos qualificados, maduros por imaturos, masculinos por 
femininos ou adultos por adolescentes ou infantis.” (pág. 465) 
“A condenação de uma parte da classe trabalhadora à ociosidade forçada em razão do 
sobretrabalho da outra parte, e vice versa, torna-se um meio de enriquecimento do capitalista 
individual, ao mesmo tempo que acelera a produção do exército industrial de reserva num grau 
correspondente ao progresso da acumulação social.” (pág. 465) 
“De acordo com ele, o salário aumenta em consequência da acumulação do capital. O 
incremento do salário estimula um aumento mais rápido da população trabalhadora, aumento 
que prossegue até que o mercado de trabalho esteja supersaturado, ou seja, até que o capital se 
torne insuficiente em relação à oferta de trabalho. O salário diminui, e então temos o reverso da 
medalha. A baixa salarial dizima pouco a pouco a população trabalhadora, de modo que, em 
relação a ela, o capital se torna novamente superabundante, ou, como outros o explicam, a baixa 
salarial e a correspondente exploração redobrada do trabalhador aceleram, por sua vez, a 
acumulação, ao mesmo tempo que o salário baixo põe em xeque o crescimento da classe 
trabalhadora. Reconstitui-se, assim, a relação em que a oferta de trabalho é mais baixa do que 
a demanda de trabalho, o que provoca o aumento do salário, e assim por diante.” (pág. 466 
“Se, por exemplo, em decorrência de uma conjuntura favorável, a acumulação é especialmente 
intensa numa determinada esfera da produção, fazendo com que os lucros sejam aí maiores do 
que os lucros médios e atraindo para ela o capital adicional, então ocorre, naturalmente, um 
aumento da demanda de trabalho e do salário. O salário mais alto atrai uma parte maior da 
população trabalhadora para a esfera favorecida, até que ela esteja saturada de força de trabalho 
e o salário caia novamente para o nível médio anterior ou, caso o afluxo tenha sido grande 
demais, para um nível abaixo dele. N esse caso, a imigração de trabalhadores para o ramo de 
atividades em questão não apenas é interrompida, como dá até mesmo lugar à sua emigração.” 
(pág. 467) 
“Nos períodos de estagnação e prosperidade média, o exército industrial de reserva pressiona o 
exército ativo de trabalhadores; nos períodos de superprodução e paroxismo, ele barra suas 
pretensões. A superpopulação relativa é, assim, o pano de fundo sobre o qual se move a lei da 
oferta e da demanda de trabalho. [...]. . Isso significa, portanto, que o mecanismo da produção 
capitalista vela para que o aumento absoluto de capital não seja acompanhado de um aumento 
correspondente da demanda geral de trabalho. [...]. A demanda de trabalho não é idêntica ao 
crescimento do capital, e a oferta de trabalho não é idêntica ao crescimento da classe 
trabalhadora, como se fossem duas potências independentes a se influenciar mutuamente. O 
capital age sobre os dois lados ao mesmo tempo. Se, por um lado, sua acumulação aumenta a 
demanda de trabalho, por outro, sua “liberação” aumenta a oferta de trabalhadores, ao mesmo 
tempo que a pressão dos desocupados obriga os ocupados a pôr mais trabalho em movimento, 
fazendo com que, até certo ponto, a oferta de trabalho seja independente da oferta de 
trabalhadores. O movimento da lei da demanda e oferta de trabalho completa, sobre essa base, 
o despotismo do capital. Tão logo os trabalhadores desvendam, portanto, o mistério de como é 
possível que, na mesma medida em que trabalham mais, produzem mais riqueza alheia, de como 
a força produtiva de seu trabalho pode aumentar ao mesmo tempo que sua função como meio 
de valorização do capital se torna cada vez mais precária para eles; tão logo descobrem que o 
grau de intensidade da concorrência entre eles mesmos depende inteiramente da pressão 
exercida pela superpopulação relativa; tão logo, portanto, procuram organizar, mediante trade’s 
unions etc., uma cooperação planificada entre empregados e os desempregados com o objetivo 
de eliminar ou amenizar as consequências