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Avaliacao cotovelo

Guia prático de exame físico do cotovelo: descreve inspeção regional (lateral, anterior, posterior, medial), palpação de estruturas (epicôndilos, cabeça do rádio, nervo ulnar, bursa), avaliação de derrame, amplitude de movimento com goniômetro, força muscular, exame neurológico e testes de instabilidade.

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Exame físico do cotovelo
Inspeção
Região lateral,observar:
Aumento do volume da articulação e atrofia muscular (artrite séptica ou reumatóide)
Preenchimento do recesso infracondilar, abaixo do côndilo lateral do úmero (derrame
articular, proliferação sinovial ou doença da cabeça do rádio)
Região anterior, observar:
Ângulo de carregamento: com o antebraço em supinação e cotovelo
em extensão, avaliar o ângulo formado entre úmero e antebraço. Varia com a raça, o sexo e
a idade (homem 10o e mulher 13o). Altera-se por sequela de traumatismo, alteração da
placa de crescimento, esportes de arremesso. A diminuição do ângulo determina o cúbito
varo e o aumento cúbito valgo.
Região posterior:
Luxação do cotovelo: proeminência da ponta do olécrano, perda de massa óssea na
articulação úmero-ulnar ou articulação de Charcot.
Região medial, observar:
O epicôndilo medial é visível, a não ser em pacientes obesos.
O nervo ulnar pode ser visto se estiver muito espesso (hanseníase) ou se desloca para
frente (subluxação)
durante a flexão-extensão.
Observar na vista posterior os epicôndilos lateral e medial e a ponta do olécrano formando
um triângulo equilátero.
Região lateral, palpar:
Epicôndilo lateral (dor, epicondilite lateral ou síndrome do túnel radial)
Origem da musculatura extensora do punho
Complexo ligamentar lateral: colateral radial se origina no epicôndilo lateral e insere na
lateral da ulna e ligamento anular circunda a cabeça do rádio. Dor liga-
mentar significa lesão por traumatismo em varo.
Cabeça do rádio (logo abaixo da musculatura extensora do punho): durante a pro-
no-supinação em graus variáveis de flexo-extensão, avaliando integridade e contorno. Dor
pode indicar sinovite ou osteoartrite, proeminência indica origem traumática ou congênita.
Derrame articular Região anterior, palpar:
Fossa cubital (limitada pelos músculos braquial e pronador redondo): contém de lateral
para medial, nervo cutâneo lateral do antebraço, tendão do bíceps (palpável solicitando a
flexão do cotovelo contra resistência com o antebraço em supinação, se ruptura surge dor
na região cu- bital e torna-se não palpável), artéria braquial e nervo mediano (medialmente
à artéria braquial).
Região posterior, palpar:
Bursa olecraniana: sobre a aponeurose do tríceps, espessa e dolorosa.
Palpação
Fossa olecraniana: pode ser palpada em algumas pessoas com o cotovelo em semiflexão.
Articulação úmero-ulnar
Borda póstero-medial do olécrano
Região medial, palpar:
Nervo ulnar: flexível, cilíndrico, suave, localizado entre o epicôndilo medial e o processo
olecraniano.
Observar se é possível deslocar o nervo do seu sulco. Pode ocorrer compressão devido a
proliferação de tecido cicatricial decorrente de traumatismo, artrose ou proliferação sinovial
como na AR
. A expressão clínica inicial é a alteração da sensibilidade nos dedos mínimos e anular e
hipotrofia dos músculos intrínsecos da mão.
Músculos que se originam no epicôndilo medial: e lateral para medial, pronador redondo,
flexor radial do carpo, palmar longo, flexor ulnar do carpo. Se dor, indica processo
inflamatório que pode ocorrer nos jogadores de golfe, digitadores.
Ligamento colateral medial: estabilizador do cotovelo em valgo, se origina no epicôndilo
medial, avaliar dor.
Amplitude de movimentos
Apresenta 4 tipos de movimentos: flexão e extensão (articulações úmero-ulna e
úmero-radial), pronação e supinação (rádio-ulnar proximal e distal).
Avaliação do arco de movimento
Flexão: colocar um goniômetro no plano sagital com seu centro sobre a articulação do
cotovelo. Partindo-se da máxima extensão, solicitar que realize flexão máxima.
Extensão: colocar o goniômetro no plano sagital, ao nivel da articulação do cotovelo.
Partindo da flexão máxima possível, realizar extensão máxima possível.
Pronação: cotovelo em 90o de flexão, junto ao tórax, com o antebraço em rotação neutra e
polegar para cima. O goniômetro é colocado em plano coronal. Pct realiza rotação medial
do polegar e o braço do goniômetro deverá acompanhar o movimento.
Supinação: cotovelo em 90o de flexão junto ao tórax, com antebraço em rotação neutra e
polegar apontado para cima. O goniômetro é colocado no plano coronal. Pct realiza rotação
lateral do polegar e o braço do goniômetro deve acompanhar o movimento.
Avaliação da força muscular e exame neurológico
Avaliação da força: flexão, extensão, pronação e supinação contra a resistência estando o
cotovelo em 90o de flexão, junto ao tórax, e com antebraço em rotação neutra.
Testes especiais
Instabilidade: na presença de destruição articular devido AR ou após excisão da cabeça do
rádio, a instabilidade pode ser demonstrada por estresse em varo e valgo. Com o cotovelo
discretamente fletido fazer rotação interna completa do úmero e estresse em varo. Com o
úmero em rotação externa e cotovelo discretamente fletido realizar estresse em valgo. A
instabilidade ântero-posterior é demonstrada por realização de uma força nesses sentido
no antebraço (lesão cartilaginosa ou óssea, coronóide ou olécrano).
Epicondilite medial: o cotovelo é fletido, o antebraço mantido em supinação e o punho em
extensão. Estender o cotovelo vagarosamente e se o pct apresentar dor no epicôndilo
medial será sugestivo de epicondilite medial, ou por meio de flexão do punho contra
resistência.
Punção articular: distinção entre comprometimento extra e intra-articular. Facilmente
realizada com o cotovelo fletido em 90o e antebraço em repouso sobre o tórax ou apoiado
sobre a mesa. A agulha será introduzida no meio do triângulo formado pelo epicôndilo
lateral, cabeça do rádio e ponta do olécrano (recesso intercondilar). Após a aspiração, 2-3ml
de lidocaína podem ser injetadas na articulação o que oferece alívio da dor, confirmando
doença intra-articular.
Testes do pivô: colocando-se o antebraço em supinação total, segurar o punho e a partir
de uma semi- flexão realizar lentamente a extensão, mantendo a supinação, realizar ao
mesmo tempo estresse em valgo no cotovelo e manter força de compressão axial. Positivo:
produz subluxação das articulações úmero-ulna e úmero-radial. Quando extensão total do
cotovelo nota-se proeminência posterior (cabeça do rádio) e uma depressão na pele. Indica
insuficiência do ligamento colateral lateral.
Teste de Cozen (epicondilite lateral): cotovelo em 90o de flexão e o antebraço em pronação,
solicitar que o pct faça extensão ativa do punho contra resistência. Positivo: se o pct referir
dor no epicôndilo lateral, origem da musculatura extensora dos punhos e dedos.

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