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DIARREIA CRÔNICA (30-09-2021)

Resumo sobre diarreia: definições, classificação (aguda, persistente, crônica) e investigação. Inclui causas (SII, DII, infecções), sinais de alarme, achados clínicos orientadores, critérios de Roma IV para SII, avaliação fecal (GAP, calprotectina) e indicação de colonoscopia.

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Definições de diarreia 
Diarreia pode ser definida por: 
o Aumento na frequência, peso e/ou volume das fezes 
(frequência de 4 semanas) 
o Redução na consistência (níveis 5 a 7 da escala de 
fezes de Bristol) 
 
Classificação 
- 7 a 14 dias - aguda 
- 15 a 30 dias – persistente 
- > 30 dias – crônica 
 
 
 
Países desenvolvidos – Síndrome do intestino irritável(SII), 
doença inflamatória intestinal (DII), síndromes de má 
absorção e infecções crônicas 
Países em desenvolvimento – infecções bacterianas e 
parasitárias crônicas, além das já citadas 
 
 
 
DIARREIA CRÔNICA SANGUINOLENTA 
Retocolite ulcerativa 
Doença de Crohn 
Colite alérgica 
Infecções parasitárias 
 
 
 
 
 
 
 
Hiperplasia nodular linfóide 
Pólipo intestinal 
Tuberculose intestinal 
Neoplasias 
 
Características da diarreia: início (gradual ou súbito), 
padrão (intermitente ou contínuo), duração, volume da 
diarreia e características das fezes (aquosas, com sangue 
ou com gordura). 
Relação da diarreia: com o estresse, à alimentação (as 
diarreias osmótica e funcional melhoram com o jejum, 
enquanto a diarreia secretora mantém-se) e o período 
do dia (a diarreia noturna sugere uma doença orgânica). 
Outros sintomas associados: dor abdominal, perda de 
peso, distensão abdominal, flatulência. 
Presença de incontinência fecal: importante diagnóstico 
diferencial que pode ser confundido com diarreia. 
Interrogatório de Diversos Aparelhos: procurar doenças 
sistêmicas como hipertireoidismo, diabetes, tumores 
neuroendócrinos, vasculites e imunodeficiências 
adquiridas. 
História de infecções bacterianas recorrentes (pode 
indicar uma deficiência de imunoglobulinas). 
Causas iatrogênicas: medicamentos, radioterapia e 
cirurgias anteriores. 
Epidemiológicos: viagens recentes; consumo de água e 
alimentos contaminados; contatos pessoais. 
 
ALGUNS ACHADOS SUGEREM DETERMINADOS 
DIAGNÓSTICOS 
o Hiperpigmentação cutânea (doença de Addison); 
o Flushing, sibilos, sopros cardíacos e hepatomegalia 
(tumores carcinóides); 
o Dermatite herpetiforme (doença celíaca); 
o Úlceras orais, episclerite, rash cutâneo, fissuras ou 
fístulas anais (DII); 
o Linfadenopatia (poderá sugerir infecção HIV); 
o Massa tireoidea e exoftalmia (hipertireoidismo); 
o Diminuição do tónus e contratilidade do esfíncter anal 
(incontinência fecal); 
o Sinais de doença vascular periférica (isquemia 
mesentérica). 
 
Isabelle Maia 
(cronica) 
 
 
Ânion GAP fecal: avaliação laboratorial e comparação 
entre sódio e potássio das fezes e ajuda a determinar se 
é diarreia secretória ou osmótica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Investigação diagnóstica 
 
 
SINAIS DE ALARME 
As características de alarme em pacientes com diarreia 
crônica podem ser sugestivo de uma etiologia orgânica 
subjacente. Esses recursos incluem o seguinte: 
 
o Idade de início após os 50 anos 
o Sangramento retal ou melena 
o Dor noturna ou diarreia 
o Dor abdominal progressiva 
o Perda de peso inexplicável, febre ou outros sintomas 
sistêmicos 
o Anormalidades laboratoriais (anemia por deficiência 
de ferro, proteína C reativa elevada ou calprotectina 
fecal) 
o História familiar de doença inflamatória intestinal (DII) 
ou câncer colorretal 
 
SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL 
o 50% dos pacientes encaminhados ao 
gastroenterologista 
o Estima-se que 40% dos que preenchem critérios 
não são diagnosticados 
o É composta por cólicas em quadrantes inferiores 
associa das a alterações do hábito intestinal cursando 
com diarreia aquosa e/ou episódios de constipação 
o Diarreia geralmente nas horas em que o paciente 
está acordado e pós-prandial 
o Cólicas → sensação de urgência → sensação de 
evacuação incompleta 
o 1⁄2dos pacientes queixam presença de muco nas 
fezes 
o 2x mais comum em mulheres que em homens 
o Sintomas frequentemente se associam a estresse 
psicológico 
o Menos frequentemente, podem ser em efeito pós-
infeccioso (diarreia do viajante) 
 
Critérios de Roma IV 
Dor abdominal recorrente pelo menos 1 dia/semana 
associada a 2 ou mais dos seguintes sintomas: 
 
o Relacionada à defecação 
o Início associado à mudança na frequência das 
evacuações 
o Início associado à mudança na forma (aparência) das 
fezes 
o Maior que 25% das evacuações foram duras e 
menor de 25% das fezes moles 
 
Tratamento: 
o Modificações alimentares (exclusão mono, oligo e 
dissacarídeos fermentáveis, polióis, em alguns casos 
lactose e glúten) 
o Fibra (nos pacientes com constipação) 
o Exercício físico 
o Suporte psicológico/psiquiátrico 
o Sintomáticos 
 
DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL 
o Se manifesta como Doença de Crohn ou Colite 
Ulcerativa 
o Sangue, muco e pus nas fezes 
o Inicia entre 15 e 40 anos 
o Em jovens, geralmente confunde-se com SII, porém 
sempre progride com piora 
o Laboratório: hemograma, leucócitos fecais, VHS e 
calprotectina fecal 
o Diagnóstico por colonoscopia 
o Tratamento depende do grau: Imunossupressores, 
glicocorticoide, imunomoduladores, terapias biológicas 
 
 
 
 
DOENÇA CELÍACA 
o Enteropatia sensível ao glúten, em indivíduos 
geneticamente predispostos 
o Haplótipos:HLA-DQ2 e HLA-DQ8 
o EUA > 2 milhões pessoas, 1 a cada 133 
o Assintomática → Várias manifestações 
o Sintomatologia mais típica: diarreia crônica, fadiga, 
anemia ferropriva e perda de peso 
o Triagem por anticorpos IgA:Anti-endomísio,Anti- 
transglutaminase e Anti-gliadina 
o Diagnóstico confirmado com biópsia da 2a porção do 
duodeno 
o Associado a casos de DM1 e tireoidite de Hashimoto 
o Sem exclusão do glúten > risco para lesão maligna 
 
INTOLERÂNCIA À LACTOSE 
o Síndrome clínica na qual a ingestão de alimentos 
contendo lactose causa sintomas (dor abdominal, 
borborigmo, flatulência, náuseas e diarreia) 
o Indivíduos com deficiência absorvem menos de 75% 
da lactose ingerida → Cólon → digerida por 
bactérias em ácidos graxos de cadeia curta e gás 
hidrogênio 
o Forma adquirida + comum que a congênita 
o Pode ser secundária à destruição de microvilosidases 
o Características clínicas +Teste do hidrogênio 
respiratório 
o Exclusão/ redução de leite e derivados + Ingestão 
de lactase 
 
INFECÇÕES CRÔNICAS 
o Infecções são geralmente agudas 
o > risco de cronificar com agentes bacterianos 
invasivos ou parasitários gerando inflamação ou mal 
absorção (Giardia) 
o Bactérias: Aeromonas, Campylobacter, C. dificile, 
Plesiomonas e Yersinia 
o Parasitas: Cryptosporidium, Cyclospora, Entamoeba, 
Giardia, Microsporida e Strongyloides 
o C. difficile causa a colite pseudomembranosa 
o Bacilo gram-positivo anaeróbio → infecção 
nosocomial 
o História de uso de antibióticos nos últimos 3 meses 
o 3% adultos saudáveis podem ser assintomáticos 
- Aumenta para 40% em indivíduos hospitalizados 
o Pacientes idosos e doentes costumam ser 
sintomáticos 
o Diagnóstico diferencial com Doenças Inflamatórias 
Intestinais

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