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João Ricardo F. Tognini (2020 - UERJ - Acesso direto) Homem de 30 anos dá entrada na emergência com trauma no tórax à esquerda. Encontra-se com PA = 60x30 mmHg e o hemitórax esquerdo apresenta hipertimpanismo e ausência de ruídos. Chegou-se ao diagnóstico de pneumotórax hipertensivo. A primeira providência, nesse caso, deve ser: a) realizar toracotomia b) entubar o paciente c) usar dreno de tórax d) puncionar o hemitórax com Jelco 2.1 INTRODUÇÃO A mortalidade geral por trauma de tórax está estimada em 15%. A sua importância está no fato de que grande parte dessas pessoas chega viva ao hospital e pode ter a morte evitada. Quadro 2.1 - Classificação do trauma torácico 2.2 AVALIAÇÃO INICIAL A abordagem sempre respeita a sequência proposta pelo Advanced Trauma Life Support (ATLS)®. Algumas lesões são potencialmente fatais e devem ser diagnosticadas clinicamente e tratadas durante a avaliação inicial (Quadro 2.2). 2 TRAUMA TORÁCICO Quadro 2.2 - Lesões com risco imediato de morte no trauma torácico #importante A radiografia de tórax faz parte do exame primário, porém, as lesões com risco imediato de morte habitualmente dispensam radiografia para tomar condutas de ressuscitação. 2.3 EXAME SECUNDÁRIO Durante o exame secundário, quando são possíveis um exame físico mais completo e a radiografia de tórax anteroposterior, algumas lesões podem ser diagnosticadas e tratadas (Quadro 2.3). Quadro 2.3 - Lesões potencialmente letais a serem avaliadas no exame A ruptura traumática da aorta é um quadro potencialmente grave, portanto se deve sempre suspeitar de sua presença entre pacientes com história de trauma de alto impacto. O primeiro exame desses indivíduos, quando estáveis hemodinamicamente, costuma ser a radiografia simples de tórax, que pode fornecer sinais indiretos de lesão. Achados radiológicos na ruptura traumática da aorta: ▶ Alargamento do mediastino; ▶ Obliteração do cajado aórtico; ▶ Desvio da traqueia para a direita; ▶ Obliteração do espaço entre a artéria pulmonar e a aorta; ▶ Rebaixamento do brônquio-fonte esquerdo; ▶ Desvio do esôfago (sonda nasogástrica) à direita; ▶ Alargamento da faixa paratraqueal; ▶ Alargamento das interfaces paraespinais; ▶ Derrame extrapleural, apical ou não; ▶ Hemitórax esquerdo; ▶ Fratura do primeiro e do segundo arcos costais e/ou escápula. Se houver alteração radiográfica sugestiva, deve-se repetir a radiografia na posição ortostática (se as condições do paciente permitirem). Se permanecer o alargamento, estará indicada a arteriografia, ainda o método diagnóstico padrão, que evidencia lesão em apenas 3% dos traumatizados com alargamento do mediastino. Outros exames que auxiliam no diagnóstico são a tomografia de tórax helicoidal multislice com contraste (que isoladamente pode fornecer o diagnóstico de certeza), a angiotomografia e o ecocardiograma transesofágico. Por serem menos invasivos e mais acessíveis, os exames tomográficos são bem mais solicitados do que a arteriografia. O tratamento pode ocorrer por cirurgia convencional ou, preferencialmente, por acesso endovascular. 2.4 TORACOTOMIA DE REANIMAÇÃO (NA SALA DE EMERGÊNCIA) ▶ Indicações: ▷▷ Vítimas de lesão penetrante (preferencialmente por arma branca); ▷▷ Parada cardíaca presenciada pela equipe de atendimento ou paciente em Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP). ▶ Contraindicações: ▷▷ Traumas contusos; ▷▷ Ausência de sinais de vida após cinco minutos da reanimação cardiopulmonar. ▶ Procedimentos passíveis de serem realizados: ▷▷ Toracotomia anterior esquerda após intubação traqueal; ▷▷ Evacuação de tamponamento cardíaco; ▷▷ Controle de hemorragias intratorácicas; ▷▷ Massagem cardíaca aberta; ▷▷ Clampeamento da aorta descendente. 2.5 CONCLUSÕES As lesões traumáticas do tórax que levam ao risco iminente de morte e devem ser abordadas no exame primário são: pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, rotura de árvore traqueobrônquica, hemotórax maciço e tamponamento cardíaco. Importante observar que na maioria das vezes as condutas são norteadas apenas pelo exame físico, dispensando exames complementares. #importante As lesões traumáticas do tórax que levam ao risco iminente de morte e devem ser abordadas no exame primário são: pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, rotura de árvore traqueobrônquica, hemotórax maciço e tamponamento cardíaco. O pneumotórax hipertensivo leva a insuficiência respiratória e choque obstrutivo devido a torção do mediastino e deve ser aliviado por toracocentese no quinto espaço intercostal e depois drenado “em selo d’água”. O pneumotórax aberto que mostra a chamada ferida soprante na parede torácica, merece já inicialmente o curativo de três pontas, para depois ser efetuado o reparo da parede torácica e drenagem. A rotura da árvore traqueobrônquica costuma levar a grande ‐ pneumotórax que não tem expansão total do pulmão após um primeiro dreno funcionante e habitualmente levam a necessidade de um segundo dreno e provavelmente uma broncoscopia e cirurgia. O hemotórax maciço é aquele onde o paciente com trauma torácico e choque hipovolêmico tem um efluente de 1.500 mL de sangue no momento inicial da drenagem ou 200 mL/h nas primeiras 2 ou 4 horas e merecem toracotomia. Por fim, o tamponamento cardíaco também leva a um tipo de choque obstrutivo onde é frequente a chamada tríade de Beck, que é caracterizada por hipotensão, estase jugular e abafamento de bulhas e merece a pericardiocentese de alívio, enquanto se prepara para intervenção cirúrgica. As lesões potencialmente letais que podem ser abordadas no exame secundário, são o hemopneumotórax, a contusão pulmonar (lesão mais frequente do politraumatizado), tórax instável (cuja gravidade depende do grau de contusão pulmonar), rotura traumática de aorta (tamponada no ligamento de Botallo), contusão cardíaca (relacionada a arritmias) a rotura traumática do diafragma e, também, os ferimentos transfixantes do mediastino. A radiografia de tórax é fundamental no atendimento inicial do politraumatizado, assim como a oferta de oxigênio suplementar. Os casos em que existe estabilidade hemodinâmica e ventilatória, no exame secundário, a tomografia de tórax também pode ser um grande auxiliar semiológico. Gabarito da questão Resposta: d 2 TRAUMA TORÁCICO João Ricardo F. Tognini (2020 - UERJ - Acesso direto) 2.1 INTRODUÇÃO Quadro 2.1 - Classificação do trauma torácico 2.2 AVALIAÇÃO INICIAL Quadro 2.2 - Lesões com risco imediato de morte no trauma torácico #importante 2.3 EXAME SECUNDÁRIO Quadro 2.3 - Lesões potencialmente letais a serem avaliadas no exame 2.4 TORACOTOMIA DE REANIMAÇÃO (NA SALA DE EMERGÊNCIA) 2.5 CONCLUSÕES #importante Gabarito da questão