Prévia do material em texto
Fisiologia da Deglutição: Deglutição: alimento é empurrado da cavidade oral até o esôfago e depois em direção ao estômago. Fases-> 1) Fase orofaríngea: *Algumas literaturas dividem esta fase em duas: oral e faríngea. - Fase oral e voluntária - Relaxamento do Esfíncter superior do esôfago (ESSE) 2) Fase esofágica: - Presença de movimentos peristálticos (primário: resposta a deglutição; secundário: resposta a distensão mecânica do esôfago) - Relaxamento do esfíncter esofagiano inferior Função do esôfago: • Conduzir o alimento da faringe ao estômago • Evitar aerofagia (engolir ar) durante a respiração • Evitar que o alimento retorne do estômago Trato gastrointestinal: Funções-> • Digestão: - Conversão dos alimentos em produtos que podem ser absorvidos. - Inclui processo físico (mastigação e contrações gastrointestinais) e químicos (enzimas digestórias) que degradam os componentes. • Secreção: - Grandes volumes de líquidos são secretados no lúmen do TGI por Náuseas, Vômitos e Síndromes Dispépticas FISIOPATOLOGIA – AULA 1 M2 glândulas exócrinas (glândulas salivares, pâncreas, vesícula) e glândulas epiteliais do lúmen. * Uma média de 2 litros de líquidos é decorrente da ingesta oral e 7 litros produzido por secreção do intestino. * Somente 100 ml é eliminado nas fezes o resto é reciclado. • Motilidade: - Secreção e conteúdo do lúmen intestinal é misturado através da motilidade, que ocorre através da contração das células musculares no TGI • Absorção: - Produtos fundamentais ao organismo entram através da absorção, através de dois mecanismos: 1) Passivo: Sem necessidade de energia, passa pela membras através de difusão simples. 2) Ativo: Requer energia metabólica, ou seja, precisa da molécula de ATP para absorção. • Defesa: - Trato gastrointestinal é uma das principais portas de entrada de microrganismos, graças a diversas moléculas e enzimas presentes no trato este tipo de contaminação é, muitas vezes, inibida Fisiopatologia das náuseas e vômitos: Náuseas: sensação de mal-estar no estômago que vem acompanhada de ânsia de vômito. Ela pode ser provocada por algum alimento que “não caiu bem”, mas também pode indicar que há algo de errado. Vômitos/êmese: expulsão do conteúdo gástrico pela boca. Na maioria das vezes não significa sinal de doença. Causas: • Alimentar • Infecciosa • Medicamentosa • Decorrente de gestação • Pós-cirúrgicas • Doenças do SNC (labirintite, doenças psiquiátricas, enxaqueca) • Metabólicas (diabetes mellitus, uremia) Centro do vômito no SNC: O centro do vômito no sistema nervoso central recebe aferências de quatro diferentes fontes, são elas: ✓ Fibras aferentes vagais e esplâncnicas: Originadas das vísceras gastrintestinais ricas em receptores 5HT3. Estas fibras podem ser estimuladas por fatores irritantes gástricos como salicilato e enterotoxina estafilocócica, por distensão de mucosa de vias biliares e gastrintestinais e fatores irritantes peritoneais. ✓ Sistema vestibular com fibras com alta concentração de receptores histamínicos H1 e receptores muscarínicos colinérgicos: Acredita-se que as fibras H1 e as muscarínicas M1 são estimuladas por movimento, como o que ocorre em viagens de automóveis e infecções. ✓ Zona quimiorreceptora localizada na região postrema da medula: Esta área tem receptores que são atingidos por substâncias originárias do sangue e do líquido cefalorraquidiano. Fatores estimulantes desta via incluem agentes quimioterápicos, drogas, toxinas, uremia, acidose, hipóxia e radioterapia. ✓ Outros receptores de SNC estão associados ao aparecimento de vômitos relacionados com certos odores e experiências emocionais, como os vômitos que ocorrem como antecipação de quimioterapia Fases do vômito: 1) Pré-ejeção ou prodrômica: Caracterizada por sensação de náusea, juntamente com sinais autonômicos, como salivação, deglutição, taquicardia e palidez. 2) Ejeção: Vômito propriamente dito 3) Pós-ejeção: Respostas autonômicas e viscerais que promovem o retorno do organismo a uma fase de repouso com ou sem náuseas residuais. Sintomas acompanhados: • Diarreia • Taquicardia • Cefaleia • Febre e calafrios • Alteração gustativa Nervo vago: principal aferente dos estímulos eméticos. Tratamento: • Avaliar a necessidade ou não de reposição volêmica intravenosa • Avaliar sinais de desidratação • Avaliar as seguintes questões: quando, como, o que comeu? quantas horas ? associado a outro sintoma? Mulher gestante? Existem duas categorias principais de medicações para o manejo destes pacientes: pró-cinéticos e antieméticos. • Nausedron (ondansetrona) • Bromoprida • Domperidona (criança) • Meclozina-meclin (gestante) • Prometazina • Deminitrado-dramin (cuidado com hipotensão e sonolência) • Metoclopramida (síndrome extrapiramidal) Doenças do esôfago: Caso 01: A.C.R.S, feminino, natural, católica. QP: dificuldade de engolir alimentos há 8 meses. HMA: Paciente compareceu ao atendimento com queixa de disfagia a alimentos, associada à perda ponderal, há cerca de 8 meses. Refere dor retroesternal em aperto há 2 anos e meio, exacerbada após alimentação, com duração menor que 5 minutos. Associada à dor, relata entalos e regurgitações noturnas esporádicas. A paciente relata que a dificuldade de deglutir inicialmente era apenas para alimentos sólidos, com necessidade de grande ingestão de água para ajudar na deglutição, porém, há cerca de um mês, vem piorando. Foi diagnosticada há 2 anos com DRGE, mas diz que o tratamento não melhora seus sintomas. Acalasia: Acalasia da cárdia ou acalasia esofágica, é uma alteração neuromuscular hipertônica do mecanismo receptivo do esfíncter do esôfago inferior (cárdia). A incapacidade da musculatura esofágica de relaxar para permitir a passagem de alimento do esôfago para o estômago causa dificuldade de engolir (disfagia), dor no peito (retroesternal) e refluxo gastroesofágico. O mecanismo da doença consiste na destruição dos plexos mioentéricos da parede esofágica, com perda progressiva dos movimentos peristálticos e da capacidade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior, a cárdia. • Muito comum em pacientes com Chagas; Destruição do plexo de Auerbach • Distúrbio com redução do peristaltismo devido destruição do plexo de Auerbach • Fazer diagnóstico diferencial com câncer de esôfago • Quadro clínico: - Entalo - Regurgitação de alimentos não digeridos - Perda de peso lenta • Diagnóstico: - Endoscopia digestiva alta: primeiro exame (usado para descartar câncer de esôfago) - Esofagografia baritada: “paciente engole iodo para que a imagem seja feita” - Esofagomanometria: padrão ouro; Feito para observar a força de contração do esôfago. Aparece não relaxamento do Esfíncter esofagiano inferior e peristalse anormal • Tratamento: Classificação de Mascarenhas-Rezende I (esôfago normal 10cm): esofagectomia Caso 02: Mulher de 30 anos procura a consulta por apresentar dor torácica e disfagia intermitentes e de forte intensidade, com incapacitação durante a dor, que acontece independentemente da alimentação. Sinais vitais dentro da normalidade. Realiza-se a esafagografia baritada com imagem em saca- rolhas. Espasmo esofagiano difuso: O espasmo esofagiano difuso ou “esôfago em saca rolhas” caracteriza-se por contrações simultâneas, repetitivas, não peristálticas, localizadas normalmente no terço inferior do órgão, podendo ou não acompanhar hipertrofia da camada muscular dessa região e degeneração de fibras vagais aferentes. Difere da acalasia por ocorrer essencialmente no corpo do esôfago, produzindoum menor grau de disfagia, causando maior dor torácica e exercendo menos efeitos no quadro clínico do paciente. • É um diagnóstico de exclusão • Endoscopia costuma ter resultado normal • Esofagografia baritada: esôfago em saca-rolhas • Esofagomanometria: contrações simultâneas, vigorosas e longas • Em geral, acomete mulheres em meia idade • Tratamento: - Conservador - Nitratos, antagonistas de Ca, psicoterapia Caso 03: G.A.C, 40 anos, sexo feminino, parda. enfermeira, natural e procedente de Salvador Bahia. Paciente chega no ambulatório referindo pirose retroesternal há 8 meses, às vezes acompanhada de regurgitação, mais frequente durante a noite, melhora momentaneamente quando faz uso de antiácido (Estomazil em pastilha), piora quando se deita logo após se alimentar ou quando faz a ingesta de alguma comida mais gordurosa, como Fast-Food e pizza. A paciente relata que sentiu piora do quadro nos últimos 2 meses e aumento da frequência desses episódios, chegando a mais de 4 dias na semana, associando a problemas emocionais e ansiedade. Relata náuseas na maioria das vezes que tem esses episódios, fazendo uso de antiemético (Dramim). Relata uma tosse seca há muito tempo, nega vômitos, nega disfagia, odinofagia, perda ponderal. Doença do refluxo gastroesofágico: • Causado por uma hipotonia ou relaxamento espontâneo do EEI • Sintomas típicos: pirose, regurgitação e sialorreia • Sintomas atípicos: Tosse, rouquidão, broncoespasmo, pneumonia de repetição • Diagnóstico: - Prova terapêutica: uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) por 4 semanas para verificar se o paciente tem alguma resposta. Se não houver resposta-> Endoscopia digestiva alta. - Se presença de sinais de alarme (Anemia, odinofagia, disfagia, perda de peso, icterícia, idade >45anos): realizar endoscopia associado ao inibidor de bomba de prótons (não sendo necessário esperar as 4 semanas). - Se prova negativa, idosos (>45 anos), sintomas atípicos: Phmetria de 24h: padrão ouro • Tratamento: - Medidas antirrefluxo: dieta, elevar cabeceira, perda de peso, não comer 2 a 3h antes de deitar-se - IBP 1x ao dia por 8 semanas - Fundoplicatura total de Nissen, em casos de sintomas refratários ou recorrentes Doença ulcerosa péptica: Caso 05: P.S.A., 62 anos, sexo feminino, negra (autodeclarada), empregada doméstica, casada, natural e procedente de Salvador, católica e heterossexual. Comparece à UPA com queixa de sensação de estômago cheio após pequenas refeições há 10meses. Paciente refere saciedade precoce há 10 meses, não conseguindo terminar algumas refeições, relatando que muitas vezes só consegue ingerir metade da porção que costumava comer habitualmente. Diz que no início dos sintomas esses incidentes ocorriam em média 2 vezes na semana, no entanto há 6 meses houve uma intensificação do quadro com o aumento dos episódios de saciedade precoce para em média 4 vezes na semana. Associado a isso, paciente também refere sensação de plenitude pós-prandial, náuseas e eventualmente dor em queimação no epigástrio, de intensidade 4 em 10 e sem irradiação. Refere melhora dos sintomas ao ficar em jejum e piora ao se alimentar. Informa ter perdido bastante peso nesses últimos meses por conta da dificuldade de realizar as refeições, mas não sabe mensurar quanto. Nega ter feito uso de medicamentos para alívio de sintomas e ter procurado outros serviços de saúde. • Fisiopatologia: - Agressão maior que a proteção; - Ex: paciente com H.pylori Primeiro momento: infecção do antro → aumento de gastrina e redução de somatostatina → úlcera Segundo momento: infecção disseminada (cel. parietais) → hipercloridria → úlcera - Uso exacerbado de AINE’s podem aumentar a chance de formação de úlcera, isso porque, eles inibem Cox 1 e 2 e, por conseguinte diminuem prostaglandinas • Quadro clínico: - Dispepsia: queimação, plenitude, saciedade precoce, dor - Úlcera gástrica-> paciente sente dor e piora com a alimentação, isso porque, primeiro alimento chega no estômago e só depois segue para o duodeno. - Úlcera duodenal-> dor após 2 a 3h da alimentação • Diagnóstico: - >45 anos ou sinais de alarme: EDA - Qualquer paciente com úlcera gástrica: realizar biópsia (Bx) para eliminar possível neoplasia - Paciente jovem sem sinal de alarme pode ser tratado como uma úlcera por presunção - H.pilory deve sempre ser investigada *Por EDA: Teste da urease na Bx ou histologia ou cultura *Sem EDA: Teste da urease respiratória ou antígeno fecal ou sorologia • Tratamento: Clínico-> - Terapia antissecretória por 4 a 8 semanas: IBP; Bloqueador histamínico Cirúrgico-> SE: paciente com refratariedade, recidiva ou complicações agudas (perfuração, obstrução, hemorragia refrataria) Hemorragia digestiva alta: • Uma das principais consequências das úlceras. • Causas: úlceras pépticas, varizes esofágicas, síndrome de Mallory-Weiss (laceração) • Quadro clínico: hematêmese e melena • Tratamento cirúrgico deve ser feito nas seguintes condições: - Falha endoscópica: 2 tentativas - Choque refratário - Hemorragia recorrente - Sangramento contínuo e pequeno • Estabilização clínica e endoscópica: - Suspender AINE’s - EDA em até 24h (para que a classificação de Forrest possa ser feita) CLASSIFICAÇÃO DE FORREST-> EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: 01) Dentre as alternativas abaixo, assinale a que é um sinal de alarme e aponta para a indicação precoce de endoscopia em um paciente com esofagite de refluxo? a) Pirose b) Disfagia c) Gengivite d) Erosão do esmalte dos dentes 02) Dentre as alternativas abaixo, são sintomas típicos da DRGE, EXCETO: a) Pirose b) Sialorreia c) Tosse d) Regurgitação 03) Paciente, 47 anos, vem a UPA relatando dificuldade persistente para deglutir alimentos sólidos há um ano e para líquidos há dois meses, acompanhada de regurgitação, mas sem pirose. Refere, às vezes, desconforto retroesternal e tosse após a alimentação. Nega emagrecimento, etilismo ou tabagismo. O exame físico estava normal. Qual o provável diagnóstico e qual o primeiro exame para fins diagnósticos? a) Espasmo esofagiano difuso e manometria esofágica b) Esofagite eosinofilica e endoscopia digestiva alta c) Refluxo gastroesofágico e Phmetria em 24hrs. d) Acalasia e estudo contrastado com bário. 04) Qual o exame complementar padrão ouro do DRGE: a) Phmetria b) Endoscopia digestiva alta b) Raio x contrastato de esôfago d) Colonoscopia 05) A respeito da classificação de Forrest das úlceras pépticas, assinale a alternativa correta: a) Forrest IB-sangramento em jato b)Forrest III-sem estigmas de sangramento c) Forrest IIC-úlcera com sangramento em babação d) Forrest IIA-úlcera com hematina no fundo GABARITO: 1) B 2) C 3) D 4) A 5) B DESINTERIA: Presença de fezes escassas sanguinolentas e/ou purulentas (muco ou pus). DIARREIA: Três ou mais dias de fezes com diminuição da consistência, amolecidas ou líquidas em 24 horas ou mais de 200g de conteúdo líquido por dia. Classificação da diarreia: Quanto ao tempo-> • Aguda: - Não ultrapassa 14 dias *Algumas literaturas subdividem a aguda em prolongada (aguda • Alta: - Delgado - Alto volume, 3 a 5 evacuações em 24h, presença de restos alimentares - Diarreia de delgado leva a síndrome de disabsorção (crônica), paciente apresenta dificuldade de absorver vitaminas • Baixa: - Cólon - Baixo volume, 8 a 10 evacuações em 24h As características das fezesdefinem se o quadro do paciente é mais constipado ou diarreico. Tipo 01: constipação, fezes em bolinhas; Tipo 06 e tipo 07: investigar se há intolerância ou doença celíaca Quanto a sua fisiopatologia-> • Osmótica: - Presença de solutos osmoticamente ativos que não são absorvíveis pelo intestino, causando assim um acúmulo de líquidos e, por conseguinte diarreia. - A diarreia ocorre quando estas substâncias hidrossolúveis não Síndromes Diarreicas FISIOPATOLOGIA – AULA 3 M2 absorvíveis permanecem na luz intestinal e retêm água. - Exemplos: intolerância à lactose, causada por deficiência de lactase. • Secretória: - Ocasionada por algum distúrbio no transporte hidroeletrolítico na mucosa intestinal, geralmente causado por uma toxina, droga ou patologias intestinais e sistêmicas. - A diarreia ocorre quando o intestino secreta mais eletrólitos e água do que pode absorver. - As infecções são as causas mais comuns da diarreia secretora. • Inflamatória: - Alteração na absorção da mucosa por alguma alteração inflamatória, que lesiona e leva a morte dos enterócitos. Assim, a absorção e transporte de açúcares, aminoácidos ou eletrólitos fica impossibilitada, causando a diarreia. - Exemplos: colites, tuberculose, doença inflamatória intestinal • Esteatorreia: - Excesso de gordura nas fezes - Ocorre uma disabsorção de lipídios secundária a má absorção ou má digestão. - Exemplos: insuficiência exócrina do pâncreas, isquemia mesentérica. Fisiopatologia da diarreia: • Intestino delgado e cólon absorvem 99% do líquido ingerido por via oral e das secreções do TGI. Um desequilíbrio entre a absorção e secreção de fluidos pelo intestino devido a alguma enterotoxina ou lesão que acarrete no acúmulo de açúcar e gordura na luz do intestino é o mecanismo que explica a causa base da diarreia. • Vários mecanismos básicos explicam a causa da maioria das diarreias, sendo os mais importantes: aumento da carga osmótica, aumento da secreção e/ou diminuição da absorção e diminuição do tempo de contato ou da área de superfície. BACTÉRIA CARACTERÍSTICAS E.coli - Fontes de infecção incluem: carne bovina, suína, restaurantes fast food (hambúrgueres malcozidos), sidra, folhas de alface, leite, queijo, espinafre e brotos. - Causa comum de diarreia do viajante (enterotoxigênica) e de diarreia em crianças - E coli entero-hemorrágica (principalmente a E coli O157:H7) causa síndrome hemolítico-urêmica Campylobacther - Ingestão de aves contaminadas e mal cozidas - Pode se associar a síndrome de Guillain-Barré Salmonella - Ingestão de aves, ovos e laticínios. - Simula apendicite Shigella - Causa clássica de diarreia colônica ou disentérica. - Se apresenta com fezes sanguinolentas, febre, cólicas e tenesmo. - Pode ocorrer crise convulsiva tônico-colônica generalizada Clostridium difficile - Reação leucemoide e hipoalbuminemia, insuficiência renal e choque ocorrem em casos graves. - O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B ou apenas B, teste de citotoxicidade celular ou detecção de C difficile toxigênica nas fezes. Yersinia Geralmente se dá pela ingestão de carne ou intestino de porco. Ela causa colite aguda ou crônica e pode mimetizar doença de Crohn ou apendicite aguda. Staphylococcus aureus Causa vômitos e, em alguns casos, diarreia em 4 a 8 horas após a ingestão de alimento contaminado com a toxina pré-formada. Vibrio cholerae Diarreia intensa, volumosa, não sanguinolenta, secretora, desidratante e induzida por toxinas. VÍRUS CARACTERÍSTICAS Rotavírus - Principal causa de gastroenterite viral e de mortes por diarreia em todo o mundo; - Crianças - Pode ser prevenida com vacinas. - Causa diarreia que resulta em depleção de volume em crianças e adultos jovens. - Pico dessa ocorre nos meses de frio. Norovírus - Está se tornando a principal causa de atendimento médico devido a gastroenterites agudas em países com altos níveis de cobertura vacinal para rotavírus; - Adultos Adenovírus - Segunda maior causa viral de diarreia depois do rotavírus, especialmente em creches. PARASITA/PROTOZOÁRIO CARACTERÍSTICAS Entamoeba histolytica - É comumente assintomática. A amebíase clínica costuma ter início subagudo, geralmente de 1 a 3 semanas. Os sintomas variam de diarreia leve a disenteria intensa, produzindo dor abdominal, diarreia e fezes com sangue. A perda de peso é relatada em quase 50% dos pacientes. Também é possível haver febre. Giardia lamblia - Importante agente etiológico da diarreia causada por água ou alimentos contaminados, de surtos em creches e da diarreia em viajantes internacionais ou pessoas adotadas de outros países. É mais comum em pacientes com deficiência de imunoglobulina A. O diagnóstico é pelo exame de fezes para detecção do antígeno Giardia (mais sensível que o teste para detecção de ovos e parasitas). Investigação: • Quanto tempo do início do quadro; • Quantidade e volume das dejeções; • Sinais de gravidade ou comorbidades associadas; • Sintomas associados? Como febre, anorexia, dor abdominal, náuseas • Presença ou não de alimentos; • Muco ou sangue; • Paciente faz ou está em uso de medicamentos • Condições socioeconômicas e de saneamento básico • Características das fezes Quem merece investigação?! A presença de pelo menos um dos sinais de alarme expostos abaixo justifica a solicitação de exames laboratoriais • Desidratação grave e/ou repercussões sistêmicas como taquicardia, hipotensão ortostática, redução da diurese, letargia • Idade maior ou igual a 70 anos. • Diarreia por mais de três ou sete dias • Sangue/muco nas fezes • Imunossupressão • Dor abdominal em paciente com mais de 50 anos. • Temperatura axilar maior ou igual a 38,5°C. • Mais de seis a dez evacuações por dia. • Diarreia do viajante (se cursar com disenteria) • Diarreias nosocomiais e/ou institucionais. Rastreio: Diarreia com menos de 4 dias geralmente não se pede nada, isso porque, ela costuma ser autolimitada, a não ser que tenha critério de gravidade • Parasitológico de fez (EPF) • Coprocultura (antimiograma) • Hemograma, sódio, Na, Ca, Mg, Ur e Creatina. • Lembrete: paciente tende a ter diminuição dos eletrólitos. • Ureia tende a estar aumentada em decorrência da desidratação • Observar eosinófilos no hemograma-> indica presença de vermes Tratamento: • Hidratação via oral, 200ml a cada evacuação • Imozec: não é muito recomendado • Probióticos são controversos • Antibioticoterapia deve ser feita em pacientes que apresentarem sinais de alarme (> 5 dias ou sanguinolenta ou pus, ou maior que 07 a 10 episódios dias, presença de polimoronucleares semgentados no EAF, instabilidade hemodinâmica, necessidade de internação hospitalar, imunocomprometidos). • O antidiarreico é recomendado apenas se a diarreia for pouco invasiva SÍNDROME DISABSORTIVA: Digestão ineficiente de nutrientes (má digestão), defeitos da absorção intestinal pela mucosa (má absorção propriamente dita) e do transporte dos nutrientes para a circulação sanguínea (no caso das gorduras). DOENÇA CELÍACA: ✓ Distúrbio imune precipitado por um agente ambiental em pessoas geneticamente predispostas. ✓ Acomete mais mulheres ✓ Quadro severo durante a gravidez, ou puerpério ✓ Primeiro pico: - Primeira infância: após as exposições iniciais ao glúten ✓ Segundo pico: - Quarta e quinta décadas Fisiopatologia: • O glúten, é um conjunto de proteínas presentes nos cereais (trigo, centeio e cevada) composto por gliadina + gluteina + água • O indivíduo ingere o glúten, ao chegar no intestino ele é quebrado e libera a gliadina. A gliadina se liga com a transglutaminase intestinal (enzima produzida pela mucosa intestinal). O complexo gliadina + transglutaminase é conhecida pelo organismo como um antígeno que ativa o sistema imunológica produzindo anticorpoe levando a resposta inflamatória no intestino. * Anticorpos: antigliadina, antitransglutaminase, antiendomisio. • A ativação imunológica no intestino delgado causa: atrofia vilosa, hipertrofia das criptas intestinais, aumento do número de linfócitos no epitélio e na lâmina própria, além de sintomas gastrointestinais e má absorção. Fatores que desempenham papel na fisiopatologia: • Tempo de exposição inicial ao glúten (7 m) • Infecção gastrointestinal causando mimetismo do antígeno de glúten • Dano direto à barreira epitelial intestinal causando exposição anormal da mucosa aos peptídeos do glúten. Fatores de risco: Fortes: • História familiar de doença celíaca • Deficiência de imunoglobulina A: - Falta de IgA secretora e o mau funcionamento da placa de Peyer permitem o aumento dos peptídeos de glúten livres na submucosa. • Diabetes do tipo 1: • Fatores genéticos que favorecem a autoimunidade • Doença tireoidiana autoimune - Hipertireoidismo Fracos: • Síndrome de Down • Síndrome de Sjögren • Doença de Crohn e, em menor escala, colite ulcerativa. • Cirrose biliar primária Clínica: • Doença celíaca clássica: - Diarreia - Perda de peso - Dor e desconforto abdominal - Fadiga. • Doença celíaca silenciosa: - Evidência sorológica e histológica de doença celíaca - Sem sintomas, sinais ou estados de deficiência evidentes. • Doença celíaca atípica: - Paciente sem sintomas gastrointestinais típicos com deficiência de ferro - Paciente com manifestações extraintestinais, como: fadiga, enzimas hepáticas elevadas, infertilidade. • Adultos com doença celíaca clássica: - Diarreia crônica - Esteatorreia - Perda de peso - Anemia - Distensão abdominal - Mal-estar - Edema • Crianças com doença celíaca clássica: - Retardo pondoestatural - Perda de peso - Baixa estatura - Vômitos - Diarreia - Dor abdominal recorrente - Atrofia muscular - Intestino irritável - Hipoproteinemia - Irritabilidade e desconforto Diagnóstico: • Pacientes que devem fazer exame: - Paciente com diarreia crônica, anemia ferropriva sem explicação, dermatite herpetiforme, retardo do crescimento pôndero-estatural, deficiência vitamínica (B12, D ou folato), estomatite aftosa grave recorrente. Com história de aborto espontâneo recorrente e infertilidade. • O diagnóstico é baseado em 3 pilares, sendo eles: 1) Exame clínico 2) Análise histopatológica do intestino delgado 3) Investigação dos marcadores séricos. • Sorologia: - É utilizado para rastreio, não confirma. - O paciente deve estar ingerindo glúten, isso porque, testes diagnósticos se normalizam em uma dieta sem glúten. - Anti-transglutaminase IgA - melhor (+ sensível e especifico) - Antiendomisio (EMA) – caro - Anti gliadina IgA e IgG • Biópsia no intestino delgado: - Exame confirmatório • Atrofia vilositária com hiperplasia críptica e superfície anormal do epitélio, quando há ingestão de quantidades normais de glúten • Recuperação clínica total após a retirada do glúten da dieta • Presença de anticorpos antigliadina, anti-reticulina e antiendomísio da classe IgA no momento do diagnóstico, e seu desaparecimento com dieta livre de glúten. • Teste de provocação com glúten: - Retorna a uma dieta que contém glúten - 3 a 10 gramas de glúten por dia (2-5 fatias de pão) - Exames sorológicos e a histologia do intestino delgado avaliados após 2 a 8 semanas do início da dieta com glúten. • Teste de HLA: - Utilizado para descartar doença celíaca em pacientes já em dieta sem glúten • Kits comerciais: - Testes genéticos que utilizam a saliva - Mostram presença dos genes HLA- DQ2 ou HLADQ8 (a presença destes genes não equivale a ter doença celíaca e ter apenas esses genes não têm nenhum valor prognóstico conhecido) - Teste negativo=risco de uma pessoa ter doença celíaca é extremamente baixo. • Densitometria óssea: - Indicada no momento do diagnóstico. - Se o primeiro exame for alterado, a cada 3 anos deve ser realizado, já se o primeiro exame estiver normal deve ser feito a cada 5 anos Histologia: • Mucosa intestinal plana ou quase plana • Criptas alongadas e aumento de mitoses • Epitélio superficial cuboide, com vacuolização • Borda estriada borrada • Lâmina própria com denso infiltrado de linfócitos e plasmáticos • Aumento do número de linfócitos intraepiteliais • Razão vilo-cripta, reduzida. * apenas uma dessas alterações histológicas levanta a possibilidade de um diagnóstico diferente DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL: Doença de Crohn & Reto colite ulcerativa ✓ Modificação das bactérias luminais ✓ Aumento da permeabilidade intestinal ✓ Resposta imunológica anormal à microbiota bacteriana da luz intestinal ✓ Diferença principal entre Crohn e Reto colite: a Crohn é transmural, presença de fístulas ✓ Pode-se citar alguns fatores de risco como: síndromes genéticas (Turner, imunodeficiências primárias), tabagismo piora o Crohn e melhora a RCU, anticoncepcionais aumentam risco de Crohn, mas não interfereM na RCU Crohn: • Inflamação crônica granulomatosa não caesificante • Provoca inflamação em todo trato gastrointestinal (da boca ao anus) • Possui 2 picos: - 15-25 anos - 55 – 60 anos • Pode evoluir para o padrão: 1- fibroestenótico – obstrutivo 2- penetrante- fistuloso • Lesões dispersas/descontínuas tipo pedra em calçamento • Dor abdominal • Diarreia crônica • Fadiga • Perda de peso • Sangramento intestinal • Febre baixa • Retardo de crescimento • Úlceras aftoides • Polpa reto • Ao exame físico paciente pode apresentar: emagrecimento, dor em fossa ilíaca direita, plastrão no quadrante inferior direito (alças intestinais inflamadas e aderidas- ileocolite), além de fissura, fistula e plicoma perianal • Manifestações extraintestinais: Dor articular, espondilite anquilosante e cálculo renal • Diagnóstico: - Ileonoscopia - Biopsia - ASCA (pesquisa de anticorpos específicos) Reto colite ulcerativa: • Hematoquezia, diarreia, tenesmo, muco nas fezes, urgência evacuatória, esvaziamento retal incompleto, dor abdominal, erosões sangrantes, pseudo pólipos, risco de câncer colorretal (colono deve ser realizada a cada 1-2 anos) • Ao exame físico: sangue ao toque retal e dor em fossa ilíaca esquerda e hipogástrio • Grande chance de evoluir para adenocarcinoma • Manifestações extraintestinais: Colangite esclerosante (estreitamento dos ductos biliares), eritema nodoso, pioderma gangrenoso, uveíte e episclerite SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL: • Distúrbio funcional; • Mulher de 30-50 anos; • Alteração psiquiátrica • Dor abdominal + diarreia e ou constipação + muco nas fezes • O diagnóstico é clínico e baseado em critérios diagnósticos do Consenso de Roma. O Consenso de Roma IV é a última atualização e define a Síndrome do Intestino Irritável como: • Tratamento: feito em sintomáticos PARASITOSE INTESTINAL: 1) Trofozoitas: • Protozoários unicelulares • Maioria assintomática • Não causam eosinofilia • Transmissão fecal-oral • Presença de cistos nas fezes • Amebíase: - Invasiva - Cólon - Disenteria, ameboma, abscessos hepático (não tem icterícia) • Giardíase: - Não invasiva - Delgado • Tratamento: Metronidazol; nitazonamida; albendazol 2) Helmintos: • São visíveis a olho nu • Causam eosinofilia • A grande maioria é assintomática • Transmissão fecal-oral ou pele ou carne • Presença de ovo nas fezes • Ascaridíase: - Ficam no delgado - Causam ciclo pulmonar, eosinofilia, síndrome de Loeffler (“pneumonia eosinofílica”; tosse seca+ infiltrado pulmonar migratório+eosinofilia), pode ter cólica biliar, pancreatite e suboclusão intestinal - Tratamento: albendazol em dose única, anita/nitazonamida 500mg de 12-12h por 3 dias - Se Suboclusão: Suporte: SNG (descompressão do estômago) + hidratação; Óleo mineral para lavar o vermedo intestino; Após eliminação: albendazol • Toxocaríase: - Ascaris do cachorro - Cursa com síndrome de Loeffler, hepatomegalia, febre, quadro sistêmico e eosinofilia intensa - Diagnóstico: sorologia (ELISA) - Tratamento: albendazol • Ancilostomíase (ancylostoma duodenale e necator americanus): - Gera uma agressão na mucosa, o que acaba cursando com uma anemia - Seu habitat é o delgado - Síndrome de Loeffer, presença de ovos nas fezes, paciente com lesão cutânea, anemia ferropriva, diagnóstico com EPF - Tratamento: albendazol em dose única • Estrongiloidíase: - Paciente imunossuprimido ou paciente hospitalizado - Lesão cutânea, síndrome de Loeffer, autoinfestação, risco de septicemia - Tratamento: uso de albendazol ou ivermectina • Enterobíase/oxiuríase: - Prurido anal noturno, corrimento vaginal na infância - Diagnóstico: método da fita gomada 3) Platelmintos: • Esquistossomose: - Parasita dos vasos mesentéricos - Ciclo: ovo → miracídio → carcaria → pele → vasos mesentéricos → ovos para lúmen retal, parede do reto ou retorna ao sistema portal - Dermatite cercariana, febre de Katayama (febre, hepatoesplenomegalia, adenomegalia, eosinofilia) - Forma crônica: hipertensão portal pré sinusoidal e sem ascite, e hipertensão pulmonar - Diagnóstico: sorologia, EPF e biópsia retal - Tratamento: praziquantel • Teníase: - Taenia solium (porco) e Taenia saginata (boi) - Ingestão de carne mal cozida - Neurocisticercose: larva da taenia solium, ingestão de ovo - Diagnóstico: sorologia, TC, EPF - Tratamento: praziquantel, albendazol EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: 01) Homem, 35 anos, refere história de diarreia de início há 8 semanas, com 3 a 4 dejeções pastosas, pouco volumosas, sem sangue ou muco. Nega perda de peso no período. Refere quadro de distensão abdominal e borborigmos frequentes após algumas refeições. Relata também acidez perianal após a evacuação. Nega acordar para evacuar. Nega febre ou viagens para fora. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável: a) Diarreia osmótica possivelmente associada a intolerância à lactose. b) Diarreia secretória possivelmente associada a hipertireoidismo. c) Diarreia inflamatória possivelmente associada à Doença Inflamatória Intestinal. d) Diarreia inflamatória possivelmente associada à Doença Inflamatória Intestinal. 2) Fazem parte da síndrome de Loefller, EXCETO: a) Ancilostoma duodenale b) Schistosoma mansoni c) Ascaris lumbricoides d) Necator americanus 3) Em relação às doenças inflamatórias, assinale a alternativa correta: I) Doença de Crohn: acometimento transmural, padrão saltatório II) Retocolite ulcerativa: acometimento transmural, padrão ascendente III) Doença de Crohn: acometimento da boca ao anus IV) Retocolite ulcerativa: acometimento de reto e cólon a) I, II e IV estão corretas b) I, II e III estão corretas c) I, II e IV estão corretas d) I, III e IV estão corretas GABARITO: 1) A 2) B 3) D