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UROANÁLISE 
É o exame mais antigo, pois os primeiros exames eram feitos pela análise de fluídos corporais, era usado pelos homens das cavernas e praticada pelos egípcios e mesopotâmicos através de registro de desenhos. Em 1837 foi inserida na prática clínica, e hoje é um exame dos exames mais requisitados, por ser fácil para obter essa amostra, não é invasivo, o próprio paciente pode coletar e é um exame de baixo custo.
Os clínicos antigamente analisavam cor, turbidez, volume, odor, viscosidade e até o sabor, mas hoje em dia não é mais necessário provar. 
Na época, doenças eram muito associadas a religião, então os “profetas da urina” achavam que era um castigo dos deuses, então eles começavam a vender “previsões” do diagnóstico do exame e as pessoas preferiam acreditar na previsão a no diagnóstico, sendo comprometida a credibilidade da urina. 
A descoberta de aparelhos, como o microscópio (inventado no século XVII), e técnicas práticas mais eficientes possibilitaram incluir, além das características físicas, a análise química e a sedimentoscopia.
O teste permite:
· Processos patológicos intrínsecos funcionais (fisiológicos) e estruturais (anatômicos) do sistema urinário;
· O monitoramento do avanço ou retrocesso de lesões durante terapias.
· Doenças patológicas sistêmicas (diabetes) - confirmação de quantidades anormais de metabólitos específicos excretados na urina.
EAS – Elementos anormais do sedimento, ou urina tipo 1.
	
· Exame físico: exame macroscópico
· Cor: 
A coloração amarela da urina é resultado do pigmento urocromo, a análise da cor é percebida através da inspeção. A cor padrão normal da urina é amarela, podendo atingir variações de tonalidades de acordo com as anormalidades do organismo, podem estar relacionadas a diversos fatores, como ingestão de alimentos e a hidratação (sabemos que uma pessoa que bebe pouca água vai ter a urina mais concentrada, ou se beber muita água a urina vai estar muito diluída), atividade física, estados metabólicos, consumo de drogas / medicamentos e compostos produzidos por diferentes patologias.
· Turbidez ou aspecto;
Turbidez da urina pode ser influenciada pela concentração urinária. Uma amostra concentrada está mais propensa à turbidez do que uma amostra diluída. Amostras turvas podem ter a presença de leucócitos, eritrócitos, cristais, bactérias, muco, lipídeos e materiais contaminantes. Ao olhar na lâmina e não estiver nenhum achado de bactéria significa que a pessoa não higienizou o local. Se for encontrado bactérias no microscópio podemos sugerir a urocultura. 
Na prática clínica pode ser usado um papel, colocamos o papel por trás da urina e tentamos ler o que estar no papel isso significa que se conseguirmos ler o que está escrito no papel a urina vai estar límpida, mas se ela estiver turva não conseguiremos ler. 
Termos utilizados:
• Transparente/Límpido (é o normal primeiro)
• Semi-turvo/Ligeiramente turvo;
• Turvo/Opaco;
• Muito turvo/Leitoso.
· Odor:
Geralmente alguns laboratórios não fazem esse tipo de análise, mas uma mostra fétida é um grande indicativo de crescimento bacteriano, é então seria mais fácil visualizar a bactéria na lâmina ao invés de cheirá-la. E no teste da fita a bactéria identificada como nitrito positivo.
· Densidade:
A densidade específica é quantificada mediante o uso do densímetro, refratômetro ou fita reativa e possui o objetivo de analisar a atividade dos rins em manter, de acordo com o critério adequado, o equilíbrio hídrico do organismo. Desse modo, a densidade específica contempla a relação entre a quantidade de volume de água eliminado e solutos. É medida pelo refratômetro, desenvolvido especificamente para mensurar os sólidos.Refratômetro: 
· Análise química: exame da fita
Consiste em um teste feito por fitas chamadas de urofitas com reagentes cada quadrado tem um reagente diferente. É importante que quando a mostra chega no laboratório a urina seja transferida para o tubo de forma que a fita fique submerso por inteira para facilitar, e após as fitas entrarem em contato com essa urina já pode retirá-la, não precisa deixar por muito tempo. Após isso é necessário que espere cerca de 1 a 2 minutos para a reação da urina com a fita a acontecer, não se deve fazer análise da fita assim que retirá-la, depois retira o excesso de urina da fita para fazer análise. O resultado será qualitativo, ou seja, vai dar presença ou ausência do que se está analisando e semiquantitativo, isso significa que quanto mais concentrada a cor que ficar na fita, mas concentrado aquela substância está, porém não é tão preciso, isso vai ser analisado através das cruzes. 
A análise pode ser feita tanto por método automatizado onde a máquina já faz toda análise da fita ou pelo método manual onde vou comparar a fita com o rótulo dá embalagem.
MANUAL:
	
AUTOMATIZADO: geralmente não compensa para um laboratório que tenha uma rotina muito extensa ter um equipamento de leitura, pois os equipamentos leem poucas fitas por vez e manualmente dá para fazer mais rápido.
pH Urinário: 
O PH urinário pode variar de 4,6 até 8,0 porém o ideal é 6,0, ou seja, um PH ácido.
Sangue: resultado qualitativo
Não é normal que haja sangue na urina, porém para fechar o diagnóstico é preciso que encontremos hemácias no microscópio, mas se der positivo para sangue na fita se der negativo na microscopia não é relatado, pois pode ter alguma interferência acontecendo. 
Essa hematúria pode ser causa de diversas doenças, como por exemplo, doenças de origem glomerular, como as nefropatias quando os néfrons estão lesionados ou inflamados e não conseguem filtrar as hemácias. Também pode ser que haja problemas no trato urinário superior como por exemplo cálculo renal, anemia falciforme (hemácia em foice que pode não ser filtrado pelo peso molecular baixo e passe pelo filtro).
Pode ser de origem do trato urinário inferior como assisti que a inflamação na bexiga, ou por último pode ser de origem desconhecida como uma prática extensa de exercício físico e hiperanticoagulação.
 
Despreza o sobrenadante e analisa somente as hemácias, é importante saber que na uroanálise não tem coloração hematológica, portanto as hemácias ficaram escuras. 
Bilirrubina: 
A bilirrubina é o produto da degradação da hemoglobina pode ser considerada alta quando há uma destruição de hemácias. Por volta de 120 dias as hemácias são eliminadas, e no sistema reticuloendotelial (são vasos tortuosos aonde os macrófagos vão fagocitas) a partir disso, a hemácia vai ser quebrada e algumas substâncias são reabsorvidas e outras são excretadas. Uma substância que é excretada é a protoporfirina, ela vai convertida em biliverdina e ela vai ser convertida em bilirrubina livre/ não conjugada/indireta. Essa bilirrubina livre tem a característica hidrofóbica (não se mistura com a água) e o nosso corpo tem uma facilidade maior em eliminar substâncias hidrofílicas, porque a água acaba sendo um meio de transporte para essa eliminação. Então o organismo facilita essa eliminação pegando essa bilirrubina livre, levando-a ao fígado (como a bilirrubina não se mistura com a água, ela é transportada pela albumina) e tornando-a bilirrubina conjugada/direta. Nos hepatócitos através da enzima glicuroniltransferase é adicionado o ácido glicurônico que por sinal vai ser uma bilirrubina hidrofílica e facilmente excretada na urina. No fígado ela vai ser armazenada na bile que vai ser excretada no intestino para seu efeito emulsificante. 
Sabemos que a microbiota do intestino é rica em bactérias que converte a bilirrubina conjugada com o ácido glicurônico em urobilinogênio. Parte desse urobilinogênio continua no intestino para ser convertido em estercobilinogênio e dar a cor as fezes, já a outra parte é reabsorvida pela corrente sanguínea e excretada nos rins, nos rins ele vai ser convertido em urobilina que é o que dá a cor amarela da urina. Portanto a bilirrubina em excesso pode levar a uma icterícia e o que pode causar isso é algum problema no metabolismo do sangue, no fígado ou na vesícula biliar.Quando há excesso de bilirrubina na corrente sanguínea, ela é excretada pelos rins e detectada na urina, que apresenta cor amarelo-acastanhada, marrom-esverdeada ou ictérica.
O aparecimento da bilirrubina na urina indica precocemente doença hepática, sendo detectada muito antes da icterícia.
Não existe um valor mínimo considerado normal para a presença de bilirrubina na urina só a presença dela significa uma doença renal e sua concentração vai ser analisada através das cruzes.
Urobilinogênio: 
A bilirrubina conjugada vai para o intestino e converte em uribilinogênio, parte desse urobilinogênio permanece no intestino para ser convertido em estercobilina e dar a cor marrom as fezes. Já a outra parte é reabsorvida pela corrente sanguínea e excretada nos rins, nos rins ele vai ser convertido em urobilina que é o que dá o amarelo da urina. O aumento de urobilinogenio na urina vai ser um indicativo de aumento de bilirrubina e isso é um indicativo de uma doença hepática ou um processo hemolítico das hemácias. 
Seu valor normal na urina é 1mg/dl 
Glicose: glicosúria
Não é normal que tenha glicose na urina em estado normal, se for detectado é porque está havendo uma disfunção e precisa ser investigado o motivo. Se ela foi excretada na urina é porque ela não foi reabsorvida nos rins, pode haver diversas condições como diabetes melitus, distúrbios endócrinos, etc. 
Assim como a bilirrubina, ela é medida em cruzes.
Nitrito: 
Nitrito positivo na urina significa infecção bacteriana, porém só o exame de urina não fecha diagnóstico, é necessário urocultura e o antibiograma. 
Na urina está presente o nitrato, a partir do momento que há uma ITU acontecendo as bactérias transformam nitrato em nitrito. E ele vai ser detectado pela fita química em uma análise qualitativa, ou seja, vai ser positivo ou negativo. É importante ressaltar que sério não é normal ter presença de nitrito na urina pois não é para ver bactérias.
Proteínas: proteinúria 
Não pode ser excretada pela urina por ser uma macromolécula e ela não consegue passar pelo filtrado. Se encontrada na urina vai ser sugestivo de lesão renal principalmente na filtração glomerular (ex: glomerulonefrite). 
A proteinúria pode estar relacionada com diversas patologias, como: diabetes mellitus, lúpus eritematosos, nefropatias etc. 
A proteinúria vai ser medida por cruzes, ou seja, é uma análise semiquantitativa. 
Corpos cetônicos/ Cetonúria:
os corpos cetônicos são produtos da degradação de lipídios, quando ocorre um erro no processo de absorção nos rins ou até mesmo um consumo exagerado de lipídios na dieta, os corpos cetônicos acabam não sendo reabsorvidos e são jogados na urina. Esta condição é comumente encontrada em situações como diabetes mellitus, jejum prolongado, má nutrição e mal absorção. 
· Sedimentoscopia:
A sedimentoscopia trata-se da análise, em microscópio óptico comum, da concentração de uma amostra de urina após centrifugação, para detecção de elementos celulares e não celulares.
Amostra de urina é transferida para um tubo cônico, 10 ml, a centrifugação acontece de 1500 há 2000 RPM por 5 minutos.
É interessante que o laboratório forneça o tubo cônico que cabe na centrífuga.
Após a centrifugação despreza o sobrenadante e pega o sedimento com uma pipeta de Pasteur e coloca um pingo na lâmina para análise na câmara de Neubauer ou na lâmina normal e sempre lembrar de colocar a lamínula por questões de higiene.
Leucócitos/ Piúria: os leucócitos podem ser detectados tanto na fita de forma quantitativa quanto na sedimentoscopia por meio da visualização de lâmina. O leucócito mais predominante na urina é o neutrófilo (é importante ressaltar que análise da urina não recebe coloração portanto as células ficam em preto e branco).
Cilindros
Células epiteliais:
Podemos encontrar 3 tipos de células na urina: escamosas, uroteliais (célula de transição) e tubulares do epitélio renal. Na análise da urina nós não diferenciamos esses tipos de células, apenas dizemos que ela está presente ou não.
Quando encontradas em concentrações mínimas é considerado normal principalmente em mulheres e gestantes, pois o epitélio está sofrendo descamação nessa época.
Cilindros:
Os cilindros são estruturas formadas exclusivamente nos rins que não são frequentemente identificadas na urina de pessoas saudáveis. Quando vistos em pequenas quantidades de formas iguais não significa nenhuma alteração, caso contrário deve ser investigado a causa, pois podem caracterizar um comprometimento renal inclusive nos néfrons. São caracterizados por um atumultuado de células e visualizado em luz baixa no microscópio.
Cilindros hialinos:
É o tipo de cilindro mais comum encontrado, ele é produzido por uma mucoproteína Tamm-Horsfall secretadas somente pelas células tubulares renais e quando são encontrados até 2 cilindros hialinos por campo é considerado normal.
 
Esses grânulos são derivados da proteína.
Cilindros cereos:
Esses cilindros têm uma aparência rígida e de aspecto liso com bordas mais afiadas. Comumente visto em doenças crônicas renais e a inflamação. 
Cilindros hemáticos:
É um amontoado de hemácias que revela um sangramento nos néfrons indicando uma normalidade renal.
Cilindros leucocitário:
É um amontoado de leucócitos, apresentam grânulos e núcleos multilobados que está relacionada diretamente com a morfologia das células imunológicas. Geralmente seu aparecimento está relacionado com uma pielonefrite. 
Cilindro de salas epiteliais: 
aparece em processo de descamação do tecido que reveste os túbulos renais ou em uma situação de lesão no túbulo renal.
Cilindro granulosos:
Pode ser um dos cilindros mais comum de ser encontrado e normalmente está relacionado com proteínas que não foram filtradas. 
 
	
Cristais
Os cristais na urina são formados quando algumas das várias substâncias presentes na urina se tornam sólidas. A presença de pequenos cristais na urina é considerada normal. Contudo, cristais maiores ou alguns tipos de cristais podem se transformar em cálculo renal. 
Cristais de uratos e fosfatos amorfos:
A principal diferença entre os dois é o Ph urinário, uso ratos são encontrados em urinas ácidas e os fosfatos em urinas alcalinas. 
Cristais de ácido úrico:
Os cristais de ácido úrica se formam quando o ph da urina está baixo (<5) e podem ser vistos de forma irregular, prismas, ovais e com pontas pontiagudas. Seu aumento está relacionado com nefropatias ou aumento de ácido úrico no sangue.
	
Cristais de oxalato de cálcio:
É o mais comumente encontrado, em urinas neutras ou ácidas. Em numerosa quantidade pode ligar uma doença renal crônica.
Cristais de fosfato:
Esses cristais são encontrados em urinas alcalinas, e são chamados de cristais triplos pois apresentam de 3 a 6 lados, mais conhecido como tampa de caixão. Podem sugerir uma disfunção no metabolismo ácido básico ou em uma infecção bacteriana. 
Cristais de cistina e tirosina:
São cristais raramente encontrados e vai significar uma patologia no fígado, pois ele é formado a partir o metabolismo no fígado. 
Cristais de colesterol:
Visto em presença de lipídeos, em síndrome nefrótica e visto de forma raras. 
Sistema urinário
Composto por 4 órgãos, sendo principal os rins, onde acontece a filtração do sangue e a formação da urina; 
Os ureteres, que conduzem a urina até a bexiga, a bexiga, que armazena a urina produzida; 
E a uretra, a qual transporta a urina para excreção.
Principal função: filtrar o sangue com o objetivo eliminar resíduos do metabolismo que não foram utilizados, principalmente ureia, creatinina e ácido úrico, recolhidos da corrente sanguínea e excretados em forma de urina. E tem a função de reabsorção ainda no rim.
Função dos rins:
O sangue vai entrar nos rins pelas artérias, para iniciar o processo de filtração no néfron.
· Os rins têm a função de deixar o sangue livre de impurezas pela filtração; 
· Manter a homeostase regulando os fluídos corporais, balanceando os eletrólitos, manter o equilíbrio ácido/básico e a excreção dos resíduos;
· Produz a urina que é o produto de todos esses resíduosinúteis para o corpo;
· Importante para a manutenção da pressão sanguínea e para a eritropoiese pela produção do hormônio eritropoetina. 
Formação da Urina
Um individuo adulto saudável produz cerca de 1,5L (composta principalmente por água e metabólitos) de urina por dia, mas esse valor pode variar de acordo com a idade e a ingestão. 
1
Os néfrons são as unidades funcionais dos rins, que contém aproximadamente um milhão e meio de néfrons, no qual não é possível visualizar a olho nu. São nessas unidades funcionais que vão ocorrer a formação da urina pelos processos de filtração, secreção e reabsorção. Pela atuação de alguns hormônios.
Primeiramente o sangue entra pela artéria aferente e vai para o glomérulo, que é revestido por uma cápsula renal ou cápsula de bowman, onde vai iniciar o processo de filtração. Consiste em reter as substâncias mais pesadas de maior complexidade e deixar passar os metabólitos mais simples e a água. As substâncias pesadas que não conseguem passar voltam pela artéria eferente e tudo o que não foi retido passa para o túbulo contorcido proximal. 
Tudo o que foi passada para essa estrutura é chamado de filtrado, lá vai acontecer o processo de reabsorção de algumas substâncias (incluindo água, mas em menor quantidade) que ainda são úteis como por exemplo o sódio, cerca de 80% desse filtrado é reabsorvido e o que não foi reabsorvido segue no processo de formação da urina.
Alça de Henle, na parte descendente vamos ter uma reabsorção de água numa quantidade grande, e na parte ascendente vai haver a reabsorção de substâncias que não foram absorvidas no túbulo contorcido proximal. 
No túbulo contorcido distal é o último processo da formação da urina que é a excreção, ocorre a eliminação dos resíduos então aquilo que não vai ser utilizado vai ser repassado para os capilares sanguíneos e acontece pouca reabsorção de água. 
Ducto coletor, vamos ter também um pouco de reabsorção de água e o que for repassado vai ser a URINA propriamente dita. 
Em todo esse processo nos néfrons vamos ter a atuação de dois hormônios importantes: Aldosterona e ADH.
Aldosterona: atua nos túbulos renais para a reabsorção de sódio 
ADH: atua nos ductos coletores abrindo os canais de água para facilitar sua reabsorção, devido a sua ação vasoconstritora. 
O sangue filtrado sai pela veia renal e retorna, livre de impurezas, para a circulação corporal.
Portanto a formação da urina se inicia nos néfrons, inicialmente pelo glomérulo na cápsula de bowman e esse filtrado possui a mesma composição que o plasma sanguíneo, porém é livre de proteínas, pois as proteínas são macromoléculas e elas acabam sendo retidas pelo filtro. As substâncias que conseguem passar pelo filtro são substâncias menos complexas, como: Água, metabólicos (eletrólitos), glicose, ureia, creatinina, ácido úrico, aminoácidos e amônia. 
A uroanálise avalia exatamente as concentrações desse filtrado, a taxa de filtração glomerular é um marcador de função renal, se algumas substâncias não forem retidas como por exemplo a proteína, ela vai estar presente na urina e esse vai ser um indicador de disfunção ou lesão renal (proteinúria).
Existe alguns testes para calcular a taxa de filtração glomerular, o mais comum é a depuração (eliminação) – Clearance, esse teste permite a dosagem da eliminação de determinada substância e avaliar se essa eliminação está sendo maior ou menos do que o esperado. Porém não são todas as substâncias excretadas que são de importância, a mais importante é a CREATININA, pois ela é excretada de forma regular pelo sistema urinário. É realizado na urina de 24horas. A taxa de filtração glomerular também pode ser avaliada pelo cálculo de taxa de filtração glomerular estimada (TFGe).
REABSORÇÃO – de substâncias, como água, bicarbonato, cloreto de sódio, cálcio, potássio, fosfato, aminoácidos, proteínas, glicose, entre outros. Cerca de 80% do filtrado é reabsorvido. Pode acontecer de uma proteína passar pelo filtro, mas ela vai ser reabsorvida pelas estruturas do néfron, mas se ela ainda permanecer na urina é porque há alguma disfunção renal ou no filtro lá no glomérulo. 
Composição da urina 
Em condições normais...
A urina é constituída por ureia e outros produtos químicos dissolvidos na água, que podem ser orgânicos e inorgânicos. Em um dia, o organismo saudável excreta cerca de 60 g de produtos dissolvidos, dos quais 50% correspondem à ureia.
Normalmente 95% de água e 5% de solutos. 
Esses solutos são: ureia, creatinina, ácido úrico, sódio, potássio, cloreto, cálcio, magnésio, fosfatos, sulfatos e amônia.
Fatores como atividade física, ingestão alimentar, metabolismo corporal e funções endócrinas = variações na concentração dos solutos. 
Em condições patológicas... 
Essa constituição da urina pode variar, além de haver a preseça de outras substâncias como os corpos cetônicos – são produtos da transformação de lipídeos em glicose, além de glicose, proteínas e bilirrubinas.
De forma estrutural pode haver cristais, cilindros, células sanguíneas e epiteliais, podendo ser um indicativo de distúrbio no metabolismo ou lesão renal.
Quando se trata de um distúrbio, essa análise auxilia no diagnóstico sendo indicativo de INFLAMAÇÃO; 
Cistite (inflamação na bexiga); 
Nefrite (inflamação do rim); 
Pielonefrite, localizada na pelve renal (inflamação do rim)
Glomerulonefrite (processo inflamatório a nível glomerular)
Pode também estar associadas à infecção bacteriana (ITU – Infecção do trato urinário)
Ou associada a Nefrose ou Síndrome nefrótica - degeneração do rim sem infecção. 
Volume urinário 
O volume de urina de um adulto saudável chega a 1.200 a 1.500 ml por dia, porém é normal os valores de 600 ml a 2.000L pois isso vai variar de acordo com a ingestão de água. 
Fatores que podem interferir: ingestão de água, perda de fluídos como o suor, interferência na secreção de ADH (hormônio antidiurético).
Para análise clínica daquela urina é necessário que tenha de 40-50ml, e o laboratório deve fornecer o frasco novo para a colete da urina dentro do prazo de validade
Ologúria: redução do volume urinário (<1L);
Anúria: interrupção do fluxo urinário ou <100ml, por 2 a 3 dias consecutivos. Causas: sem ingestão de água ou diminuição do fluxo sanguíneo, esse caso gera graves consequências ao organismo. 
Nictúria: aumento da excreção da urina noturna. A excreção da urina costuma ser maior diariamente, pois é o momento em que estamos ingerindo água.
Poliúria: aumento do volume urinário em qualquer horário. Adultos: (>2,5), Crianças (3ml/kg).
Controle de qualidade na urianálise 
Ações para gerar qualidade e aumentar a confiabilidade no diagnóstico. Para isso é necessário que o laboratório de uroanalise realize as 3 fases: 
· Pré-analítica: orientação por escrito ao paciente, essa orientação tem que ser antes do paciente chegar com a amostra ao laboratório, então pode partir do médico. Essas orientações devem ser passadas de forma clara ao paciente para que ele entenda, deve ser feita ao chegar no laboratório, a confirmação do modo que a urina foi coletada a respeito da higienização, hora que foi coletado, jato médio da urina, intervalo entre as coletas de urina, entre outros. A análise da urina deve ser feita em até duas horas após a coleta.
· Fase analítica: consiste na análise da urina, para isso é necessário usar alguns materiais como as fitas para os métodos manuais e a máquina para métodos automatizados, incluindo reagentes. É importante analisar o prazo validade das fitas e observar a calibração das máquinas.
 
Obs: há um período certo para fazer a leitura da fita, cerca de 1 minuto. 
· Fase pós-analítica: padronização dos resultados liberados, armazenamentos dos resultados, o armazenamento desses resultados, a verificação e o controle de pendências e descarte de materiais dentro dos padrões de segurança.
Coleta
É imprescindível fazer uma higienização da parte urogenital com clorexidina aquosa a 0,2% ou água e sabão neutro e fazer a remoção correta do sabão. Pois a má higienização ou não higienização pode levar sujidade para a urinagerando um falso positivo para infecção ou até a uma turbidez da amostra. 
Em mulheres a higienização deve ser feita de trás para frente, não usar pomadas vaginal antes da coleta pois é um sistema interligado com o sistema urinário e pode gerar contaminação.
É necessário abstinência sexual tanto em mulher quanto em homem de pelo menos 24h, pois os espermatozoides dificultam a visualização de algumas estruturas no microscópio. Se for encontrado espermatozoides, não se deve colocar no laudo pois não é de interesse clínico para a uroanalise. 
Os recipientes devem ser descartáveis.
As amostras devem ser devidamente identificadas com o nome, número do protocolo, data e hora da coleta no recipiente e não na tampa, pois se for na tampa corre o risco de ser trocada. 
Após a coleta essa amostra deve ser analisada em até 2h, caso não seja possível dentro desse prazo, é necessário refrigerá-la em 2 a 8C* para diminuir o desenvolvimento bacteriano (apesar de sofrer algumas alterações)
Tipos de amostras
· Amostra aleatória: pode ser coletada em qualquer hora do dia, desde que seja para visualizar somente anormalidades simples. Por exemplo em pacientes de urgência.
· Amostra da primeira urina do dia: tem que ser a urina de jato médio, pois o primeiro jato vem com muita sujidade e bactérias flora normal. 
· Amostra de 24 horas: deve ser coletada toda a urina do paciente durante 24 horas em garrafas fornecidas pelo laboratório, serve para entender o volume da urina, excreção e reabsorção.
Doenças renais 
A doença renal pode ser classificada de acordo com o local acometido: glomerular, tubular, intersticial. Geralmente as doenças estão relacionadas com o fluxo sanguíneo renal, filtração glomerular, reabsorção e secreção tubular.
Para analisar melhor essa doença e poder dar um diagnóstico são feitos testes, principalmente a dosagem de ureia e creatinina no soro. Pois as duas dosagens são marcadores de lesão renal, o aumento dos níveis séricos dessas substâncias indica comprometimento renal, se não houver uma boa excreção dela na urina significa que há um aumento dela no soro e isso significa um comprometimento renal.
· Teste de filtração glomerular: avalia a capacidade de depuração dos rins (remoção de substâncias). O mais comum é o clearance de creatinina: eliminação da creatina durante 24h, porém ele não é tão solicitado mais porque sabemos que a creatinina é o produto da degradação de lipídios e ela pode ter influências em outras disfunções relacionadas a degradação de lipídios. 
Para fazer o clearence de creatinina é preciso duas dosagens: a dosagem sérica (no soro) e a da urina de 24h para saber a sua concentração. 
Para tal cálculo divide-se o volume total por 1440 (quantidade de minutos em 24horas). Com isso, conseguimos o valor da depuração da creatinina: • Depuração (ml/min.) = (Creatinina sérica/ creatinina urinária) * VM.
· Doença glomerular: processo inflamatório que acomete o glomérulo e está associado com a presença de sangue, cilindros e proteínas na urina. Existem vários tipos de glomerulonefrite e condições que podem evoluir de uma forma para outra, como glomerulonefrite crônica para síndrome nefrótica, e eventualmente, insuficiência renal.
· Síndrome nefrótica: presença intensa de proteinúria, baixa de albumina e aumento de lipídeos e edemas. Os exames indicam proteinúria intensa, lipídeos na urina, células epiteliais tubulares renais, cilindros epiteliais, graxos e cérios e hematúria microscópica.
· Doenças tubulointersticiais: doenças que afetam o interstício renal também afetam os túbulos, devido a sua proximidade, resultando no que chamamos de doença tubulointersticial. A maioria dessas patologias incluem condições inflamatórias e infecciosas. A mais comumente encontrada é a ITU, infecção que pode envolver tanto o trato urinário inferior, quanto o superior. Com bastante frequência se encontra a cistite (infecção da bexiga), que caso não tratada, poderá progredir para uma ITU superior, mais grave. Os achados laboratoriais mostram a presença de leucócitos e bactérias, quase sempre acompanhados de proteinúria e hematúria, podem apresentar elevação de pH quando associada à infecção por fungos (geralmente candidíase) ou diminuição do ph, quando a infecção for bacteriana.

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