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Marchas

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Marchas 
A marcha é a primeira coisa que notamos quando paciente neurológico chega na UBS, 
PS, ambulatório ou consultório. 
• Características fisiológicas da marcha: 
o Possuem o período de apoio e o período de balanço. 
 
Quando vamos avaliar a marcha, é importante pedir para paciente andar normal em linha 
reta (usar a marca do piso como ponto referência). Depois pedimos para ele andar na 
ponta do pé e ainda pedimos para andar com os calcanhares apoiados > fazemos todas 
essas avaliações para definir bem qual é o distúrbio de marcha que o paciente apresenta. 
➢ Marchas patológicas: 
 
• Marcha ceifante/helicópode/hemiplégica: é mais comum aparecer no paciente 
sequelado de AVE da área motora (do lobo frontal). 
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o A área do corpo com déficit motor é contralateral à área lesada no cérebro. 
Portanto, se o paciente possui lesão do lobo frontal esquerdo, há afasia de 
Broca e hemiplegia do lado direito (lado oposto) e vice versa. 
o Na fase aguda da lesão do primeiro neurônio motor, o paciente tem 
hipotonia (flacidez) e hiporreflexia contralateral à lesão. 
o Então quando o paciente chega no PS, ele não possui tônus no lado do 
corpo contralateral à lesão cerebral: levantamos o braço dele e ele deixa 
cair; juntamos seus pés e joelhos e ele deixa cair para o lado doente. E ao 
testarmos os reflexos, ele terá hiporreflexia ou arreflexia. Portanto, nessa 
fase é um boneco de pano, com músculo sem tônus, com força e reflexos 
tendinosos. Passou da fase aguda (da subaguda em diante), as lesões do 
SNC do primeiro neurônio motor causam espasticidade/hipertonia 
(aumento involuntário da contração muscular, podendo surgir em qualquer 
músculo) e hiperrreflexia. É nessa fase que o paciente apresenta a marcha 
ceifante. A marcha ceifante é eletiva na sequela do AVE: 
▪ No braço só acomete os extensores > braço fica o tempo inteiro 
fletido 
▪ No membro inferior só afeta os flexores > perna só fica estendida. 
Ele não consegue levantar a perna para andar (ele dá passo com 
uma perna e a outra ele arrasta no chão, formando um semicírculo). 
o Essa espasticidade nos membros é do tipo elástica: quando estica o braço 
dele, ele volta bruscamente > Sinal do canivete. 
o Atitude de Wernicke Mann. 
▪ Nesse desenho, o AVE, tumor ou hematoma, foi no lobo frontal do 
lado esquerdo, tendo déficit à direita. É antigo porque ele já tem 
hipertonia e hiperreflexia. 
 
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• Marcha escarvante/Marcha do pé caído: lesão de nervo periférico (nervos 
raquidianos). 
 
o Paciente possui o pé caído > quando ele anda, ele levanta o joelho lá em 
cima e arrasta a ponta do pé no chão porque ele não consegue levantar o 
pé. 
▪ O sapato apresenta desgaste nessa região. 
• Marcha tabética/Marcha do soldado prussiano: lesão do corno posterior da medula 
(que pode ser causada pela neurosífilis, por exemplo). 
 
o O paciente tem perda da sensibilidade proprioceptiva. Ele levanta a perna 
muito alto e solta bruscamente no chão. Parece marcha de soldado. 
• Marcha espástica/Marcha espasmódica/Marcha em tesoura: Comum em pacientes 
com paralisia cerebral que conseguem andar (existem muitos pacientes com 
paralisia cerebral que não andam). 
 
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o Ocorre um encurtamento dos músculos adutores do quadril. 
o Provocando uma adução das coxas, de modo que os joelhos podem cruzar-
se um na frente do outro. 
o Bastante comum nos pacientes com espasticidade grave dos membros 
inferiores. 
o Quando ele anda, ele cruza as pontas do pé e aproxima o joelho um do 
outro. Quando esses pacientes com paralisia cerebral possuem déficit 
cognitivo, eles podem apresentar macroglossia, fácies de paciente com 
deficiência mental, babam. 
• Marcha cerebelar/Marcha ebriosa/Marcha do ébrio: Paciente tem abasia 
(incapacidade para a marcha). 
 
o Assemelha-se quando uma pessoa está alcoolizada em que ela não 
consegue ficar com as pernas próximas > afasta as pernas e fica tentando 
se manter de pé com a base de sustentação aumentada. 
o Quando ele anda, ele tende a oscilar para os dois lados, como se estivesse 
bêbado. Ocorre tanto com olho aberto quanto com olho fechado. 
o O Romberg é negativo, porque fechar o olho não melhora e nem piora o 
desequilíbrio (fica igual) > então não tem a ver com a propriocepção 
consciente, é por conta da lesão cerebelar. 
• Marcha anserina/Marcha do pato/Marcha do ganso/Marcha miopática/Marcha de 
Trendelenburg: é de doenças que enfraquecem a cintura pélvica. 
 
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o Logo, para andar, o paciente oscila o corpo para lá e para cá, fazendo uma 
báscula na bacia. No final da gravidez, quando o bebê encaixa, as gestantes 
tendem a ter essa marcha também. 
o Manobra de Gower: quando criança possui distrofia muscular, para ela 
conseguir levantar, primeiro ela fica de quatro, depois ela apoia a mão na 
coxa e por fim levanta. Quando ela anda, tende a ficar na ponta do pé e a 
fazer aquela báscula de bacia e oscilar o tronco pra lá e pra cá, parecendo 
um pato. 
• Marcha parkinsoniana: Paciente olha fixamente para frente, tem fácies 
inexpressiva, tremor de repouso (de enrolar cigarro ou contar dinheiro) e os passos 
são bem curtos (assim como a marcha do idoso). 
o Ele demora para iniciar a marcha e para interromper. 
 
o OBSERVAÇÃO: Idoso só tem a marcha de pequenos passos, sem os 
outros comemorativos do Parkinson. Marcha petit pass: é a marcha do 
idoso. Passos bem curtos. 
• Marcha vestibular/Marcha em estrela: Quando o paciente anda para frente, ele cai 
para lado doente. Quando ele anda pra trás, ele cai para o lado oposto. 
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o Comum na atrofia cortical da senilidade e na paralisia pseudobulbar. 
o Ocorre lateropulsão quando solicitado a andar em linha reta. 
o Se solicitado a deambular para frente e para trás, num ambiente amplo, 
com os olhos fechados, o trajeto percorrido será similar ao desenho de uma 
estrela. 
o Se pintarmos os pés deles e pedir para ele andar para frente e para trás, ele 
forma uma estrela > por isso o nome marcha em estrela. 
o Como existe uma correlação funcional entre o nervo vestibular e a região 
cerebelar, são marchas que testamos quando suspeitamos de doenças 
cerebelares ou vestibular, assim como a prova de Romberg.

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