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GASOMETRIA O que é gasometria arterial? É um exame de sangue, onde coleta-se sangue oriundo de uma Artéria. Para que serve esse exame? a) Analisar o equilíbrio ácido-básico b) Analisar a oxigenação c) Auxiliar em diagnósticos d) Guiar intervenções terapêuticas Os desequilíbrios ácido-base são alterações patológicas da pressão parcial de dióxido de carbono (Pco2) ou de bicarbonato sérico (HCO3−) que tipicamente produzem valores de pH arterial anormais. Valores de Referência pH - Potência de Hidrogênio 7,35 – 7,45 paCO2 - Pressão parcial de Dióxido de Carbono 35 – 45 mmHG HCO3 - Bicarbonato 22 – 26 mEq/L paO2 - Pressão parcial de Oxigênio 80 – 100 mmHG Be – Quantidade de base -2 - +2 · pH pode indicar acidose quando < 7,35 ou alcalose quando > 7,45. · paCO2 é um indicador ventilatório · paO2 pode indicar hipoxemia quando < 80 mmHg ou hiperoxemia quando > 100 mmHG · HCO3 é um indicador metabólico · Be: indica excreção (-2) ou retenção (+ 2) de base Os distúrbios ácido-base primários são definidos como metabólicos ou respiratórios, com base no contexto clínico e nas alterações primárias no HCO3− ou Pco2. Situação ácido-base pH HCO3 paCO2 Acidose metabólica - Alcalose metabólica - Acidose respiratória - Alcalose respiratória - · Na acidose e alcalose metabólica HCO3 é DIRETAMENTE proporcional ao pH. · Na acidose e alcalose respiratória o paCO2 é INVERSAMENTE proporcional ao pH. Distúrbio misto ou compensado Passo 1: Analise o pH Passo 2: Identifique o distúrbio primário · Após identificar se há acidemia ou alcalemia, devemos identificar se o distúrbio primário é metabólico ou respiratório! Para isso devemos analisar o HCO3 (componente metabólico) e a PaCO2 (componente respiratório). Passo 3: Determinar se o distúrbio está sendo compensado Para acidose respiratória: existe uma dificuldade de ventilação do paciente, isso leva a uma hipoventilação e, consequentemente, retenção do CO2. A resposta compensatória neste caso é renal (retém HCO3 ou excreta mais ácido), com posterior elevação do HCO3 na gasometria. Exemplos:pH: 7, 30 7,35 – 7,45 HCO3: 28,3 22 – 26 mEq/L paCO2: 69 35 – 45 mmHg paO2: 50 80 – 100mmHg Acidose respiratória · HCO3 elevado: indica que o sistema tampão está começando a recompensar o pH. Para alcalose respiratória: o paciente está hiperventilando e, consequentemente, expulsando o CO2. A resposta neste caso é renal com excreção de HCO3. Para acidose metabólica: A resposta compensatória deve ser uma hiperventilação a fim de reduzir o CO2. · Se a paCO2 estiver dentro da faixa esperada significa que está ocorrendo compensação, dessa forma, temos uma acidose metabólica COMPENSADA. · Se estiver abaixo do valor mínimo esperado significa que está ocorrendo uma hiperventilação maior do que deveria e, por isso, existe TAMBÉM uma alcalose respiratória associada. Por fim, se o valor esperado for acima da faixa esperada, o paciente não hiperventila como deveria e, por isso, existe ASSOCIAÇÃO de uma acidose respiratória. Para alcalose metabólica: A resposta compensatória deve ser uma hipoventilação a fim de reter o CO2. Algumas vezes observa-se a ocorrência simultânea de dois ou três distúrbios acidobásicos independentes. Este fenômeno é chamado de distúrbio misto, que não representa uma resposta compensatória. · Uma forma de distinguir se é resposta compensatória ou distúrbio misto é observar o valor do pH. Na resposta compensatória, o pH nunca se normaliza, mas de forma oposta, podemos encontrar pH normal em distúrbios mistos opostos (por exemplo: acidose metabólica e alcalose respiratória simultaneamente). A interpretação deve considerar as condições clínicas (p. ex., doença pulmonar crônica, insuficiência renal, overdose de drogas). Exemplo: pH: 7, 41 (normal) 7,35 – 7,45 HCO3: 39 22 – 26 mEq/L paCO2: 80 35 – 45 mmHg paO2: 69 80 – 100mmHg 1. Acidose metabólica é a redução primária no bicarbonato (HCO3). · Causas: incluem acúmulo de cetonas e ácido láctico, insuficiência renal e ingestão de fármacos ou toxinas (intervalo de ânions elevado) ou perdas renais ou gastrointestinais de HCO3− (intervalo de ânions normal). · Sinais e sintomas em casos graves: incluem náuseas e vômitos, letargia e hiperpneia. · O diagnóstico é clínico e medido com gasometria arterial e eletrólitos séricos. · Tratamento: pode-se indicar bicarbonato de sódio IV quando o pH está muito baixo. 2. Alcalose metabólica é o aumento primário de bicarbonato (HCO3). · Causas comuns incluem vômitos prolongados, hipovolemia, utilização de diurético e hipopotassemia. Deve haver alteração renal da excreção de HCO3− para manter a alcalose. · Sinais e sintomas em casos graves incluem cefaleia, letargia e contrações involuntárias dos músculos. · Diagnóstico é clínico e complementado pela gasometria arterial e dosagem de eletrólitos séricos. · Tratamento: Acetazolamida por via oral ou IV ou ácido hidroclórico é, às vezes, indicado. 3. A acidose respiratória caracteriza-se por elevação primária da pressão parcial do dióxido de carbono (PcO2), com ou sem aumento compensatório no HCO3; o pH geralmente é baixo, mas pode estar próximo do normal. · Acidose respiratória, compreende alterações da ventilação, como causas do distúrbio. · A causa é a diminuição da frequência respiratória e/ou no volume (hipoventilação), tipicamente em razão de condições iatrogênicas, pulmonares ou do sistema nervoso central. Na hipoventilação ocorre aumento do pCO2. · Classificação: pode ser aguda ou crônica; a forma crônica é assintomática, mas a forma aguda, ou mais grave, causa cefaleia, confusão e tonturas. · Os sinais incluem tremor, abalos mioclônicos e asterixe. · Diagnóstico: é clínico, com gasometria e eletrólitos séricos. · Tratamento: Em geral, são necessários oxigênio (O2) e ventilação mecânica. 4. Alcalose respiratória é a diminuição primária da pressão parcial de dióxido de carbono (PCO2) com ou sem redução compensatória do bicarbonato (HCO3−); o pH pode estar alto ou quase normal. · Alcalose respiratória, compreende alterações da ventilação, como causas do distúrbio. · A causa é o aumento da frequência respiratória e/ou do volume (hiperventilação). Na hiperventilação ocorre diminuição do paCO2. · Classificação: pode ser aguda ou crônica. A forma crônica é assintomática, mas a aguda causa tonturas, confusão, parestesias, cãibras e síncope. · Os sinais incluem taquipneia e espasmos. · Diagnóstico é clínico, com gasometria e eletrólitos séricos. · Tratamento é direcionado para a causa. Referências: Dzierba AL, Abraham P. A practical approach to understanding acid-base abnormalties in critical illness. Journal of Pharmacy Practice. (24)1. 2011. Rocha PN. Abordagem diagnóstica dos distúrbios do equilíbrio ácido-base. Emmet M, Palmer BF. Simple and mixed acid-base disorders. 2018. Viegas CAA. Gasometria arterial. J Pneumol 28(Supl 3) – outubro de 2002. Lewis JL, Distúrbios ácido-base. 2018.