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Isabela V. Mion - UC2 FUNCIONAMENTO DOS HORMÔNIOS SEXUAIS MASCULINOS (EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-GÔNADAS) - androgênios são hormônios esteroides com efeitos masculinizantes - o androgênio mais abundante na circulação é a testosterona, e embora encontrada em menores concentrações na circulação, a dihidrotestosterona (DHT) é produzida a partir da própria testosterona nos tecidos que expressam a enzima 5alfa-redutase, como a próstata e o folículo pilossebáceo - sua ação é mais potente que a da testosterona, e seus efeitos são indispensáveis para a diferenciação sexual masculina - outros androgênios, com ação mais fraca, incluem a androstenediona, a desidroepiandrosterona (DHEA) e seu sulfato (DHEA-S) ➤ síntese e secreção - no homem, as principais fontes de androgênios são a suprarrenal e o testículo - em ambos os locais de síntese, a molécula precursora dos androgênios é o colesterol - a testosterona é produzida nas células de Leydig (interstício dos túbulos seminíferos), e é secretada no líquido dos túbulos seminíferos e nos capilares intersticiais, de onde atinge a circulação sistêmica para posteriormente exercer seus efeitos endócrinos - mesmo durante a vida fetal, os testículos são estimulados pela gonadotropina coriônica, proveniente da placenta, a produzir quantidades moderadas de testosterona por todo o período de desenvolvimento fetal (a partir da 7ª semana) e por 10 semanas ou mais após o nascimento. Praticamente não é produzida testosterona durante a infância, até cerca da idade de 10 a 13 anos, então a produção de testosterona aumenta rapidamente sob estímulo dos hormônios gonadotróficos da hipófise anterior, no início da puberdade, permanecendo assim pela maior parte do resto da vida, diminuindo rapidamente Isabela V. Mion - UC2 após os 50 anos e caindo para 20% a 50% dos valores máximos, aos 80 anos ➤ transporte e metabolismo - a testosterona circula em grande proporção acoplada à proteína ligadora de hormônios sexuais (SHBG) e à albumina - apenas cerca de 2% da testosterona circulante fica disponível na forma livre, que é captada pelas células-alvo e, à medida que isso ocorre, novas moléculas do hormônio se desprendem das proteínas ligadoras e recompõem o estoque de testosterona livre ➤ mecanismo de ação - os androgênios exercem seus efeitos por meio de receptores intracelulares que são fatores de transcrição e regulam a produção de mRNA de genes-alvo, por mecanismo dependente da ligação com o hormônio: testosterona e dihidrotestosterona ligam-se ao receptor androgênico (AR), no citoplasma ou no núcleo, e o complexo hormônio-receptor liga-se ao elemento responsivo de androgênios no DNA, iniciando a transcrição de genes-alvo - além desse mecanismo clássico, evidências recentes indicam que, à semelhança do observado com receptores estrogênicos, também haja o envolvimento de receptores androgênicos de membrana em ações rápidas, não genômicas, em diversos tecidos ➤ efeitos fisiológicos - os hormônios androgênios são fundamentais para a diferenciação sexual, o amadurecimento sexual e a fertilidade masculina - em geral, a testosterona é responsável pelas características que diferenciam o corpo masculino - a ativação do receptor androgênico promove a transcrição de determinados genes e inibe a expressão de outros - isso ocorre em grande variedade de tipos celulares e tecidos, o que resulta em ampla gama de efeitos fisiológicos - esses efeitos são evidentes durante a diferenciação sexual no feto masculino (sendo denominados caracteres sexuais primários) e a partir da puberdade (sendo, então, chamados de caracteres sexuais secundários) - algumas dessas transformações são definitivas, mesmo que cesse a produção de testosterona, enquanto outras podem ser revertidas por uma eventual castração ou insuficiência gonádica do homem adulto - efeitos testosterona: desenvolvimento das características do corpo masculino, incluindo a formação do pênis e do saco escrotal; induz a formação da próstata e das vesículas seminais e dos ductos genitais masculinos; inibe a formação dos órgãos genitais femininos; estímulo para descida dos testículos (últimos 2-3 meses de gestação); aumento do pênis, testículo e sacro escrotal após a puberdade; características sexuais secundárias, que começa na puberdade e termina na maturidade (pelos corporais, calvíce, voz, aumento na espessura da pele, desenvolvimento da musculatura, aumenta da matriz óssea e da retenção de cálcio, aumento no metabolismo basal e das hemácias, aumento na reabsorção de sódio) Isabela V. Mion - UC2 ➤ eixo hipotálamo-hipófise-glândula - a maior parte do controle das funçõe sexuais, tanto dos homens quanto das mulheres, começa com a secreção do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH) pelo hipotálamo, que estimula a hipófise anterior a secretar 2 outros hormônios chamados de hormônios gonadotrópicos: hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH) - o LH é o estímulo primário para a secreção de testosterona pelos testículos e o FSH estimula principalmente a espermatogênese - o GnRH é secretado pelos neurônios e liberado no sistema vascular porta hipotalâmico-hipofisário, onde então é transportado para a hipófise anterior na circulação porta hipofisária, e estimula a liberação de duas gonadotropinas, o LH e o FSH - o GnRH é secretado durante poucos minutos, intermitentemente, a cada 1 a 3 horas, e a intensidade desse estímulo hormonal é determinada de 2 maneiras: pela frequência desses ciclos de secreção e pela quantidade de GnRH liberado em cada ciclo - a secreção de LH pela hipófise anterior é também cíclica, seguindo quase fielmente o padrão de liberação pulsátil do GnRH - ao contrário, a secreção de FSH aumenta e diminui apenas ligeiramente a cada flutuação da secreção do GnRH - durante a infância, o hipotálamo simplesmente não secreta quantidades significativas de GnRH e, nessa fase, pequenas secreções de qualquer hormônio esteroide exerce efeito inibitório intenso sobre a secreção hipotalâmica de GnRH - os dois hormônios gonadotrópicos, LH e FSH, são secretados pelas mesmas células da hipófise anterior, chamadas gonadotropos - o LH e o FSH são glicoproteínas e exercem seus efeitos sobre os tecidos-alvos nos testículos, principalmente por ativar o sistema de segundo mensageiro do monofosfato cíclico de adenosina que, por sua vez, ativa sistemas enzimáticos específicos nas respectivas células-alvo - a testosterona é secretada pelas células intersticiais de Leydig nos testículos, mas apenas quando essas são estimuladas pelo LH proveniente da hipófise anterior - o LH tem como segundo mensageiro o cAMP, que estimula a mobilização de colesterol a partir dos ésteres colesterol e sua conversão à pregnenolona - a quantidade de testosterona secretada aumenta, aproximadamente, em proporção direta à quantidade de LH disponível - a testosterona secretada pelos testículos em resposta ao LH tem efeito recíproco de inibir a secreção de LH pela hipófise anterior - a maior parte da inibição, provavelmente resulta do efeito direto da testosterona sobre o hipotálamo, reduzindo a secreção de GnRH, que produz redução correspondente na secreção de LH e de FSH pela hipófise anterior, e a redução no LH diminui a secreção de testosterona pelos testículos Isabela V. Mion - UC2 - o FSH estimula o crescimento testicular durante a puberdade e aumenta a produção de uma proteína ligadora de androgênios (ABP) pelas células de Sertoli, que assegura altas concentrações locais de testosterona; também estimula a atividade aromatase nas células de Sertoli, o que favorece a produção local de estradiol; indiretamente, a maturação das células de Leydig e sua produção de androgênios também podem ser influenciadas pelo FSH, que modula os efeitos do LH por intermédio de fatores autócrinos e parácrinos - o FSH liga-se a receptores específicos associados às células de Sertoli nos túbulos seminíferos, o que faz com essas células cresçam e secretem várias substâncias espermatogênicas - simultaneamente, a testosterona (e a dihidrotestosterona)que se difunde das células de Leydig nos espaços intersticiais para os túbulos seminíferos também tem efeito trófico intenso sobre a espermatogênese. Assim, para iniciar a espermatogênese, é necessário tanto o FSH quanto a testosterona - quando os túbulos seminíferos deixam de produzir espermatozoides, a secreção de FSH pela hipófise anterior aumenta acentuadamente - inversamente, quando a espermatogênese ocorre muito rapidamente, a secreção de FSH pela hipófise diminuiu. Acredita-se que a causa desse efeito de feedback negativo sobre a hipófise anterior seja a secreção de outro hormônio pelas células de Sertoli, chamado de inibina B, que tem efeito direto intenso sobre a hipófise anterior, inibindo a secreção de FSH e, possivelmente, efeito discreto sobre o hipotálamo, inibindo a secreção de GnRH - o potente efeito de feedback inibitório da inibina sobre a hipófise anterior fornece importante mecanismo de feedback negativo para o controle da espermatogênese, operando simultaneamente, e em paralelo, ao mecanismo de feedback negativo para o controle da secreção de testosterona - durante a gravidez, o hormônio gonadotropina coriônica humana (hCG) é secretado pela placenta e circula na mãe e no feto. Esse hormônio tem quase os mesmo efeitos que o LH sobre os órgãos sexuais - durante a gravidez, se o feto for do sexo masculino, a hCG da placenta faz com que os testículos do feto secretem testosterona