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caso concreto 3 - prática trabalhista

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EXMO. SR. DR. JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE PARAUAPEBAS/PA
TITO (SOBRENOME), nacionalidade, estado civil, motoboy, com RG nº ..., inscrito no CPF/MF sob o nº ..., PIS nº ..., residente e domiciliado ..., CEP, endereço eletrônico, por seu advogado infra-assinado, procuração em anexo, e endereço profissional ..., cidade/UF, vem, perante Vossa Excelência, com fulcro no art. 840, § 1º, da CLT c/c art. 319, do CPC, propor a presente
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
TUTELA DE URGÊNCIA
Pelo rito Ordinário, em face da PIZZARIA GOURMET LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº ..., endereço ..., CEP, endereço eletrônico, pelos fatos e fundamentos que passa a expor.
I- DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
O benefício da gratuidade de justiça é um instituto do direito processual que consiste na isenção de despesas inerentes e à demanda, sendo regulado pelo art. 790, §3º, da CLT e orientado pela miserabilidade da parte. 
Nesse sentido, ressalta-se que o reclamante percebia remuneração mensal inferior a 40% (quarenta porcento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social e atualmente está desempregado, sem qualquer tipo de remuneração. De forma que, o pagamento das despesas (custas processuais e honorários advocatícios) prejudicaria diretamente o seu sustento e o de sua família, razão pelo que que é de direito a concessão da gratuidade de justiça. 
II- DA TUTELA DE URGÊNCIA PARA REITEGRAÇÃO AO EMPREGO
Na ocasião da dispensa do reclamante, logo após o seu retorno da licença previdenciária, houve uma direta violação a garantia de emprego contida na Lei 8.213/91. Onde não poderia ocorrer a dispensa imotivada pelo período de 12 meses, após a alta previdenciária. Sendo cabível a reintegração do Reclamante de forma imediata, para dirimir maiores danos a serem suportados pelo polo mais frágil da relação trabalhista. Conforme previsão legal do artigo 21, II, alínea "a" e artigo 118 da Lei 8.213/1991 e Súmula nº 378, I e II, TST e artigo 300, do CPC.
“Súmula nº 378 do TST
ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA LEI Nº 8.213/1991. (inserido item III) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 
I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. (ex-OJ nº 105 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997)
II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a conseqüente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. (primeira parte - ex-OJ nº 230 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001) “
III- DOS FATOS
O reclamante começou a trabalhar para a reclamada, como motoboy, em 15.12.2018, localizada no Município de Parauapebas/PA, onde realizava entregas em domicílio de pizzas e outros tipos de massas aos clientes do empregador. Sendo que a CTPS do reclamante foi devidamente assinada, com o valor de um salário mínimo mensal. 
O reclamante podia escolher diariamente um item do cardápio para se alimentar no próprio estabelecimento, sem precisar pagar pelo produto. Fazia ainda, em média, 10 (dez) entregas em seu turno de trabalho e normalmente recebia R$ 1,00 (um real) de bonificação espontânea de cada cliente, gerando um média de R$ 260,00 (duzentos e sessenta reais) mensais. Exercia suas funções durante seis dias na semana, com folga na 2ª feira, sendo que, uma vez por mês a folga era em no domingo. Cumpria a jornada de 18h às 3h30, com intervalo de 40 minutos para refeição. 
Ocorre que no mês de agosto de 2019, o reclamante fez uma entrega de uma pizza na casa de um cliente, que por confusão do cozinheiro a pizza foi no sabor errado ao que havia sido pedido, o que fez com que o cliente fosse tomado de fúria incontrolável começou a xingar e ameaçar o reclamante e terminou por soltar seus cães da guarda em cima do entregador. 
O reclamante foi mordido e arranhado pelos animais, sendo lesionado gravemente, razão pela qual precisou se afastar por 30 (trinta) dias para recuperação, recebendo benefício previdenciário pertinente do INSS. Tendo gastado ainda R$30,00 (trinta reais) na compra de vacina antirrábica. 
Se não bastasse todo o ocorrido com o reclamante, em 20.09.2019, após obter alta do INSS, retornou a empresa e foi dispensado, recebendo as verbas rescisórias. 
Nos contracheques do reclamante, constam, mensalmente, o pagamento do salário mínimo nacional na coluna de créditos e descontos de INSS na coluna de descontos, sendo que no mês de março de 2019 houve ainda dedução de R$ 31,80 (trinta e um reais e oitenta centavos) a título de contribuição sindical, sem que tivesse autorizado o desconto. O reclamante se dirigiu à CEF e solicitou seu extrato analítico, onde consta o depósito durante todo o contrato de trabalho. 
IV – DOS FUNDAMENTOS
· DA INTEGRAÇÃO DAS GORJETAS À REMUNERAÇÃO
O Reclamante recebia mensalmente o valor de R$ 260,00 a título de bonificações espontâneas recebidas por seus clientes, sendo que tal valor não era incluído em sua remuneração. Sendo cabível a integração das gorjetas recebidas na remuneração do reclamante, conforme previsão do art. 457, caput, da CLT, vejamos:
“Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.”
Esse também é o entendimento do TST, firmado na Súmula 354, que dispõe que as gorjetas oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado. 
· DA RETIFICAÇÃO DA CTPS
A devida retificação na CTPS, o qual faz direito o reclamante para constar as médias das gorjetas, está disposta no art. 29, § 1º, da CLT: 
“Art. 29. O empregador terá o prazo de 5 (cinco) dias úteis para anotar na CTPS, em relação aos trabalhadores que admitir, a data de admissão, a remuneração e as condições especiais, se houver, facultada a adoção de sistema manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério da Economia. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 1º As anotações concernentes à remuneração devem especificar o salário, qualquer que seja sua forma de pagamento, seja ele em dinheiro ou em utilidades, bem como a estimativa da gorjeta. (...)” (grifei)
· DO DESCONTO DE CONTRIBUIÇÃO SINDICAL 
O Reclamante teve descontado em seu salário o valor de R$31,80, a título de contribuição sindical, sendo que não autorizou o desconto. A reclamada deverá ressarcir o reclamante pelo desconto indevido no mês de março de 2019, sem qualquer autorização do reclamante, na forma dos artigos 545, 578, 579 e 582 da CLT.
· DAS HORAS EXTRAS 
O reclamante laborava seis dias na semana, de 18h à 3h30, de terça a domingo com uma folga em um domingo por mês, sendo sua jornada de 54h semanais. O reclamante requer, as horas extras devidas com adicional de 50% superior à hora normal, em razão do labor superior de 44 horas semanais em 10 horas, devendo receber as horas extras devidas, conforme dispõe o art. 58, C LT, art. 59, § 1º da CLT e art. 7º, XIII, CRFB/88. 
Bem como, faz jus as horas de intervalo intrajornada, uma vez que tinha um intervalo de apenas 40 minutos, e na forma do art. 71 da CLT, o trabalho cuja duração exceda 6 horas, é obrigatória a concessão de um intervalo mínimo de uma hora, sendo suprimidos 20 minutos de descanso do reclamante. Cabendo, na forma do §4º, do artigo anteriormente mencionado, o pagamento de natureza indenizatória do período reduzido com acréscimo de 50% sobre o valor da remuneração hora normal do trabalho. 
· DO ADICIONAL NOTURNO
O reclamante, durante todo o período trabalhado, nunca recebeu o adicional noturno correspondente ao período das 22h às 3h30, que corresponde a 20% sobre a hora do trabalho diurno na forma no artigo 73, §2º da CLT. 
“Art. 73. Salvo nos casos de revezamento semanal ou quinzenal,
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