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PARA CONCLUIR Abordamos neste módulo um assunto de grande relevância para a construção de textos: a sub- jetividade e a objetividade. Você percebeu que os autores, quando escrevem seus textos, podem apresentar tanto uma visão pessoal como imparcial sobre o que está sendo abordado. Ainda que inseridos no meio jornalístico, o propósito dos textos pode variar de acordo com aquilo que se pretende alcançar. A partir de agora, em suas leituras cotidianas, procure notar essas diferenças. APLICANDO O CONHECIMENTO Leia o editorial a seguir para responder às próximas questões. Opinião: Aceitar o “diferente” é prova do amadurecimento da sociedade STF aprovou a união estável para casais do mesmo sexo. Medida representa um passo adiante na questão dos direitos civis Uma das coisas mais difíceis para o ser humano é lidar com aquilo que é diferente dele próprio. Ao nascer, ele se confunde com o mundo. Em sua ideia, são uma coisa só. Aos poucos, ele vai se diferenciando e percebendo que é apenas um pedaço do universo. A princípio, pensa que sua forma de ser e existir é única. Para então se dar conta de que existem outras. O que não quer dizer que as aceite. Pelo contrário. Isso exige amadurecimento – sair de seus referenciais, perceber que existe um mundo inteiro de possibilidades e que seu modo de ser é apenas uma delas. Aí, sim, poderá aceitá-las. O Brasil viveu algo assim semana passada. O Supremo Tribunal Federal aprovou o reconhecimento da união está- vel para casais do mesmo sexo, com os mesmos deveres e direitos de um casal heterossexual, considerando-os uma entidade familiar. Foi um passo adiante, sem dúvida. Ainda é necessária uma lei que garanta isso como condi- ção natural, sem discussão. Alguns entraves podem ocorrer, mas hoje a possibilidade desses casais serem considerados como tais ampliou. O que torna o caminho deles mais sim- ples. Não tão simples, ainda, como o dos casais héteros. Mudar não é fácil. Muitos são contra essa ideia. Consi- deram o indivíduo homossexual como alguém doente ou depravado. Como se o seu modo de vivenciar a sexualidade fosse perverso ou promíscuo. [...] É hora de abrirmos os olhos, como o Brasil tem feito. Há muitos casais homossexuais que querem e devem ter o que qualquer um almeja. Inclusive filhos. Outra questão que parece despertar a ira de muitos. Não aceitam a possibilidade deles criarem uma criança. Confun- dem esses casais com pervertidos sexuais. Temem o que po- derão fazer com os pequenos e no mau exemplo que darão. Eles podem e devem adotar crianças. Alguns têm mais condições de serem pais e outros menos. Assim como os casais convencionais. Tem muitas crianças precisando de um lar e não de um abrigo. No que resultará todas essas mudanças? Não sabemos. Devemos nos preparar para incluí-las em nosso dia a dia. Afinal, as pessoas só querem ser felizes. Feliz é o país que pode ir para a frente, acompanhar as mudanças e acolher seu povo. MATURANO, Ana Cássia. Opinião: Aceitar o ‘diferente’ é prova do amadurecimento da sociedade. G1, 15 maio 2011. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/noticia/ 2011/05/opiniao-aceitar-o-diferente-e-prova-do-amadurecimento-da-sociedade.html>. Acesso em: 30 out. 2019. 1 O editorial é um gênero textual em que o redator deixa claro o posicionamento do jornal sobre determinado assunto de relevância coletiva. Identifique o ponto de vista do redator no texto que você acabou de ler. O redator acredita que aceitar o diferente é uma das formas de perceber que a sociedade está amadurecendo e avançando. 2 Os dois primeiros parágrafos do artigo têm um objetivo específico. Identifique esse objetivo e sua importância para esse tipo de texto. Os dois primeiros parágrafos apresentam propósito contextualizador. Essa intenção inicial do redator é indispensável para situar o leitor, oferecendo-lhe referências espaciais e temporais para direcionar a discussão. Veja, no Manual do Professor, o gabarito comentado das questões sinalizadas com asterisco. 154 PR O D UÇ Ã O D E T EX TO M Ó D UL O 1 1 PH_EF2_8ANO_PT_150a156_CAD2_MOD11_CA.indd 154 12/10/19 15:13 3 No trecho “É hora de abrirmos os olhos, como o Brasil tem feito”, o emissor utiliza a primeira pessoa do plural. Explique a intenção desse mecanismo linguístico para a relação do redator com o leitor. Ao utilizar a primeira pessoa do plural, o redator se coloca no mesmo plano dos leitores, responsabilizando -se também pela problemática evidenciada. 4 No último parágrafo do texto, o fragmento “Feliz é o país que pode ir para a frente” revela um uso incomum da linguagem. Comente a importância desse recurso no gênero editorial. A utilização do adjetivo “feliz” para caracterizar o país e a ideia de “ir para a frente” como sinônima de “avançar” revelam o uso da linguagem figurada. Esse recurso é significativo para o editorial por conseguir transmitir ideias de forma mais lúdica, leve e, consequentemente, mais argumentativa. DESENVOLVENDO HABILIDADES Leia o texto a seguir e faça as atividades propostas. Marcos Mion tem toda razão: que não seja por falta de amor e zelo! Que seja por excesso! Mimo não mata e nem faz mal a ninguém. Essa con- versa de que para criar filhos saudáveis emocionalmente é preciso deixá-los à própria sorte, seja num medinho de escuro ou numa manha mais severa, é, a meu ver, uma das grandes bobagens que foram sendo passadas de geração em geração. Se existe uma coisa que criança precisa é carinho, atenção e cuidado. Por isso, foi com muita feli- cidade que me deparei com o post publicado por Marcos Mion em seu Instagram, em que aparece abraçadinho com um dos filhos, tirando aquela soneca amorosa. Em sua mensagem, Mion questiona exatamente a má- xima de que “é preciso deixar a criança no berço, chorando até cansar, para que ela se acostume”. Se acostume com o quê? Com o medo, o abandono e o pavor de ficar sozi- nha? Mion está coberto de razão quando se levanta contra esse tipo de “instrução” para criar filho. É lógico que cada um faz o que bem entende dentro de casa, mas há alguns conceitos que precisam ser revistos. E quando vem alguém famoso e dá esse chacoalhão, não deixa de ser um alento. Os filhotes de humanos são, de longe, os mais incompeten- tes para sobreviver sozinhos. Precisam dos adultos para tudo. E, obviamente, nada pode ser mais salutar do que a acolhida em um momento de solidão, medo, sono, o que for. Respeitar as emoções dos pequenos “serumaninhos” é uma forma de tor- ná-los, de fato, fortes para o mundo. Nada é mais determinante para uma criança do que a certeza de que pode contar com os adultos que a rodeiam. Estou com Mion e não abro: melhor o excesso de amor e zelo, do que a falta. [...] BRESSER, Deborah. Marcos Mion tem toda razão: que não seja por falta de amor e zelo! Que seja por excesso! Disponível em: <http://entretenimento.r7.com/blogs/blog-da-db/marcos- mion-tem-toda-razao-que-nao-seja-por-falta-de-amor-e-zelo-que-seja-por-excesso-20161017/>. Acesso em: 20 jan. 2017. 5 Transcreva do terceiro parágrafo um termo que revele objetividade do redator e outro que revele subjetividade. Há muitas possibilidades. Uma das opções: “passada” e “sem dúvida”, respectivamente. 6 Analise o fragmento: Há muitos casais homossexuais que querem e devem ter o que qualquer um almeja. Inclusive filhos. Outra questão que parece despertar a ira de muitos. Explique como a subjetividade é construída no trecho em destaque. Ao destacar que o fato de casais homossexuais quererem ter filhos desperta a ira de muitos, o redator deixa claro, de forma implícita, que ele não tem o mesmo sentimento. 7 Ainda que não seja por um adjetivo subjetivo, é possível afirmar que o título do editorial revela subjetividade por meio de outra palavra. Identifique-a. Trata-se da palavra “amadurecimento”. M o n k e y B u s in e s s I m a g e s /S h u tt e rs to ck 155 PR O D UÇ Ã O D E T EXTO M Ó D UL O 1 1 PH_EF2_8ANO_PT_150a156_CAD2_MOD11_CA.indd 155 12/10/19 15:13 1 Algumas vezes, para expressar subjetividade, muitos autores fazem uso da primeira pessoa do discurso. A alternativa que exemplifica a ideia apresentada é: a) “[...] a meu ver, uma das grandes bobagens que foram sendo passadas de geração em geração.” b) “Se existe uma coisa que criança precisa é carinho, atenção e cuidado.” c) “[...] em que aparece abraçadinho com um dos filhos, tirando aquela soneca amorosa.” d) “E quando vem alguém famoso e dá esse chacoalhão, não deixa de ser um alento.” e) “Precisam dos adultos para tudo.” 2 Não são apenas os adjetivos que podem expressar subjetividade. No trecho “[...] uma das grandes bobagens que foram sendo passadas de geração em geração.”, o substantivo “bobagens” revela uma perspectiva pessoal do emissor. Assinale a opção que contenha outro substantivo capaz de revelar subjetividade. a) “Mimo não mata e nem faz mal a ninguém.” b) “Por isso, foi com muita felicidade que me deparei com o post publicado por Marcos Mion [...]” c) “Em sua mensagem, Mion questiona exatamente a máxima [...]” d) “É lógico que cada um faz o que bem entende dentro de casa [...]” e) “[...] são, de longe, os mais incompetentes para sobreviver sozinhos.” 3 Segundo a autora, na criação de seus filhos, os pais: a) devem saber equilibrar o excesso de zelo com a autonomia das crianças. b) precisam deixar os filhos livres. c) têm que entender que eles não são tão importantes como pensam para seus filhos. d) são fundamentais para o desenvolvimento emocional dos filhos. e) devem agir para que os filhos se acostumem com o medo e com o abandono. 4 Ao iniciar o texto, a autora revela o que a motivou à escrita: “[...] o post publicado por Marcos Mion em seu Instagram, em que aparece abraçadinho com um dos filhos, tirando aquela soneca amorosa”. No último parágrafo, a autora retoma essa ideia, reforçando seu posicionamento de forma mais explícita, em: a) “Os filhotes de humanos são, de longe, os mais incompetentes para sobreviver sozinhos.” b) “Precisam dos adultos para tudo.” c) “Respeitar as emoções dos pequenos ‘serumaninhos’ é uma forma de torná-los, de fato, fortes para o mundo.” d) “Nada é mais determinante para uma criança do que a certeza de que pode contar com os adultos que a rodeiam.” e) “Estou com Mion e não abro: melhor o excesso de amor e zelo, do que a falta.” ANTUNES, Arnaldo. As coisas. São Paulo: Iluminuras, 2011. Leia o livro em prosa poética escrito por Arnaldo Antunes e ilustrado por sua filha Rosa. ANOTAÇÕES R e p ro d u ç ã o /E d it o ra I lu m in u ra s 156 PR O D U« √ O D E T EX TO M ” D UL O 1 1 PH_EF2_8ANO_PT_150a156_CAD2_MOD11_CA.indd 156 12/10/19 15:13