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Classificação ABC em saúde

Capítulo sobre classificação ABC em saúde que define a metodologia, apresenta critérios dos grupos (infográfico), explica sua estrutura e descreve a aplicação em materiais e medicamentos para apoiar a tomada de decisão e otimizar a gestão de estoques na cadeia de suprimentos.

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Classificação ABC em saúde
APRESENTAÇÃO
Os altos custos envolvidos nos processos assistenciais e administrativos das organizações de 
saúde necessitam de ferramentas de gestão apuradas e consistentes, visando à entrega de 
resultados, tanto qualitativos – insumos adequados e seguros — como quantitativos – 
autossustentáveis e competitivos.
O cenário altamente acirrado nesse segmento intensifica o aprimoramento dos conhecimentos 
voltados ao dimensionamento, ao controle e à tomada de decisão para otimizar o uso dos 
recursos da melhor forma possível, evitando custo indiretos associados ao seu estoque parado ou 
não consumido no momento correto, com consequências graves no capital de giro da 
organização. A classificação ABC é uma ferramenta que irá auxiliar no dimensionamento dos 
insumos de acordo com o grau de prioridade, por meio da visão sistêmica de todos os itens 
estocados.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar a definição da classificação ABC, seus 
critérios, sua utilização para otimizar os recursos tangíveis, como materiais e medicamentos, e 
sua estrutura visual como ferramenta para o auxílio na tomada de decisão.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir a classificação ABC.•
Identificar a utilização da classificação ABC para materiais e medicamentos na área da 
saúde como ferramenta para a tomada de decisões.
•
Explicar como a classificação ABC é estruturada.•
INFOGRÁFICO
Você conhece os critérios que são utilizados para compor cada um dos grupos da metodologia 
de classificação ABC?
O mercado da área da saúde apresenta um contexto complexo. Seus processos assistenciais são 
geridos mediante mão de obra altamente especializada, tecnologia avançada e insumos com alto 
custo agregado, oriundos de maciços investimentos em P&D. Não se pode negar que um dos 
principais desafios dos gestores que atuam nesse mercado é garantir o equilíbrio entre a 
qualidade, a segurança e a sustentabilidade econômica e financeira, fruto do cuidado prestado ao 
paciente.
Insumos como materiais e medicamentos são responsáveis por grande parte desses custos; 
portanto, garantir a eficiência e a eficácia na gestão do estoque desses insumos é fundamental 
para sustentar o processo administrativo e assistencial de uma organização.
No Infográfico a seguir, você vai conhecer os critérios adotados para cada um dos grupos que 
contemplam a classificação ABC.
CONTEÚDO DO LIVRO
A classificação ABC é uma metodologia considerada estratégica para gerir o estoque de 
insumos de uma organização. Sua utilização auxilia na eficiência e na eficácia da tomada de 
decisão por parte dos seus gestores que acompanham e monitoram a cadeia de suprimentos. 
Todo recurso parado ou com tempo demasiado sem uso gera custos diretos e indiretos: o próprio 
valor destinado ao produto, que no momento não está sendo utilizado, como os demais 
investimentos em local de armazenamento, espaço, tecnologia e pessoas para controle.
Você sabia que muitas organizações de saúde acabam inviabilizando suas atividades, declarando 
falência ou falta de capacidade de manter os seus processos, com estoques cheios de insumos, 
como materiais e medicamentos? Isso ocorre porque os investimentos estão sendo realizados de 
forma errônea, destinados a uma relação desequilibrada entre necessidade e disponibilidade.
No capítulo Classificação ABC em saúde, da obra Gestão da cadeia de suprimentos em saúde, 
você vai aprender como a classificação ABC maximiza a gestão dos insumos que compõem 
parte da cadeia de suprimentos, além de entender como os recursos devem ser administrados 
para fortalecer as relações sistêmicas existentes em um segmento complexo como o da prestação 
de serviços em saúde.
Boa leitura.
GESTÃO DA CADEIA 
DE SUPRIMENTOS 
EM SAÚDE
Fabiano Jardim Araújo
Classificação ABC em saúde
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir a classificação ABC.
 � Identificar a utilização da classificação ABC para materiais e medica-
mentos na área da saúde como ferramenta para a tomada de decisões.
 � Explicar como a classificação ABC é estruturada.
Introdução
A classificação ABC caracteriza-se como uma metodologia de geren-
ciamento de ativos que utiliza critérios de priorização para uma gestão 
mais eficiente e eficaz, viabilizando a manutenção de estoques mais 
equilibrados entre disponibilidade e necessidades. Essa capacidade de 
identificar os grupos de insumos que possuem grande impacto financeiro 
e que, consequentemente, são demandados para a operacionalização 
das organizações gera uma assertividade na tomada de decisão pelos 
líderes em suas instituições.
Hoje as organizações de saúde enfrentam o grande desafio de gerirem 
seus processos com sustentabilidade econômica, segurança e qualidade 
assistencial. Em virtude dos recursos financeiros limitados e de uma 
demanda epidemiológica que pode variar de paciente para paciente, 
com previsibilidade intermediária, manter os estoques com insumos 
extremamente necessários, sem gerar a ociosidade e a esterilização de 
capital parada, se torna parte estratégica da agenda de tais gestores que 
conduzem esse perfil de organização voltada para o cuidado da saúde 
da população. 
Neste capítulo, você será apresentado aos conceitos da classificação 
ABC e poderá compreender a sua utilização no gerenciamento dos ma-
teriais e medicamentos de uma instituição de saúde, bem como ver sua 
ferramenta sustentada na curva de criticidade de consumo e impacto 
econômico-financeiro. 
1 Classificação ABC
Características marcantes do mercado da área da saúde, o enorme número 
de materiais e medicamentos disponíveis (que, muitas vezes, apresentam 
desfechos distintos ao serem recrutados para o tratamento de pacientes com 
patologias idênticas), a alta competitividade entre as instituições e o desafio 
de se utilizarem, da melhor forma possível, os recursos são fatores que geram 
um modelo com grandes variabilidades para a tomada de decisão pelos seus 
gestores. Um exemplo clássico disso é a multidisciplinaridade envolvida nos 
processos, desde demandas administrativas com característica financeiras, até 
fluxos operacionais extremante técnicos, com diretrizes de cuidados médicos, 
que são puramente assistenciais. 
Em função da grande variabilidade de insumos que alimentam esses processos 
assistenciais — desde recursos produzidos no Brasil, até produtos com patentes e 
comercialização exclusivamente internacionais —, o gerenciamento de estoques 
é um dos principais desafios para os gestores das organizações de saúde.
Conforme Bowersox et al. (2014), as organizações normalmente possuem 
estocado um alto volume de itens, com uma variação substancial entre recur-
sos efetivamente utilizados e outros com ociosidade de consumo. Identificar 
esses insumos e poder tratá-los de forma diferenciada é um grande desafio 
para os gestores da área de suprimentos. É esse um modo de viabilizar uma 
disponibilidade coerente com a demanda existente, atendendo plenamente ao 
processo de cuidado assistencial e à sua sustentabilidade.
Em virtude da variabilidade de insumos estocados no ambiente hospita-
lar, associada às necessidades muitas vezes peculiares, em se tratando dos 
recursos que melhor atendem às demandas da característica da doença e, 
consequentemente, do perfil do paciente, gerenciar esses ativos a partir do uso 
de uma ferramenta que possa gerar critérios de similaridade é fundamental 
para maximizar a tomada de decisão.
A classificação ABC é uma ferramenta utilizada para gerenciar os esto-
ques que permite classificá-los em grupos, estratificando a sua importância 
de acordo com valores e consumo. É de suma importância sinalizar os itens 
que merecem atenção especial no seu acompanhamento, que exigem maior 
controle ou realização de inventário. No processo de disponibilidade versus 
consumo, sempre haverá um pequeno conjuntode itens que correspondem 
a um valor econômico agregado maior, como um conjunto mais expressivo, 
volumoso, com menor valor imobilizado.
Classificação ABC em saúde2
Imaginemos dois produtos distintos: a seringa tradicionalmente utilizada 
nos processos de cuidados assistenciais e um stent cardíaco de 9 mm para 
cirurgias de alta complexidade. No caso de uma instituição de saúde de pequena 
e média complexidade, o segundo item poderia não ser considerado essencial, 
porém o primeiro, sim. O primeiro possui baixo valor agregado, mas com 
alta rotatividade; o segundo, por outro lado, tem característica inversamente 
proporcional à do produto anterior: baixa demanda, mas alto valor imobilizado.
Diante da situação apresentada, a classificação ABC servirá para que 
se implementem critérios de estratificação dessas relações, proporcionando 
um modelo de gestão sólido que direcionará as atenções necessárias a cada 
conjunto de recursos estocados na instituição. Conforme Jacobs e Chase (2012, 
p. 454), “[...] As previsões também são necessárias para o modo pelo qual a 
empresa opera seus processos diariamente. Por exemplo, quando o estoque 
de um item deve ser reabastecido ou quanto de um item devemos programar 
para produção durante a próxima semana”.
A classificação ABC precisa contribuir com as informações de prioridade 
da disponibilidade versus necessidade, equilibrando o investimento financeiro 
e garantindo os recursos para atenção do cuidado ao paciente com qualidade 
e segurança. Essa integração é fundamental para o gerenciamento da área de 
suprimentos e farmácia, mas estratégica para os gestores das organizações.
São essas diretrizes que vão fundamentar a tomada de decisão nesses crité-
rios assumidos para descrever uma fotografia do consumo dos seus recursos, 
canalizando os devidos investimentos a tais insumos, uma vez que grande 
parte da receita gerada pelas instituições é oriunda desses itens estocados 
e utilizados no processo assistencial. Na Figura 1, é possível identificar as 
múltiplas variáveis envolvidas no processo de gestão da cadeia de suprimentos, 
em que são demandados esses insumos.
3Classificação ABC em saúde
Figura 1. Variáveis da cadeia de suprimentos.
Fonte: Ballou (2006).
As origens da classificação ABC datam do século XIX, quando o econo-
mista italiano Vilfredo Pareto aferiu que 80% das terras da Itália estavam nas 
mãos de 20% da população, havendo, portanto, uma relação desproporcional 
entre elas. Ainda nos primórdios, essa relação foi chamada de regra 80-20, ou 
princípio de Pareto. De acordo com Jacobs e Chase (2012, p. 7), “[...] A análise 
de Pareto é aplicada à gestão do estoque sob o título ‘análise ABC’, que ainda 
é o ponto de partida convencional dos consultores para controle da produção 
quando examinam os problemas de gestão do estoque”. Essa contribuição de 
Pareto foi fundamental para as futuras ferramentas de gestão da qualidade 
que iriam surgir ao longo dos anos.
A classificação ABC compreende que uma pequena quantidade estocada 
representa um valor considerável imobilizado, na proporção de 20% para 
80%, que denominaríamos grupo A. Outra parte dos itens, em uma proporção 
de 30% para 15%, ficaria em um escopo intermediário, chamado grupo B. 
Já o restante da proporção, 50% para 5%, corresponderia ao grupo C. Essas 
dimensões possibilitam ao gestor tomar suas decisões por meio de grupos, 
conjuntos similares com maior impacto financeiro e operacional.
Classificação ABC em saúde4
Vale ressaltar que muitas organizações vão adaptar à sua realidade as 
proporções sinalizadas anteriormente, podendo haver alguma adequação ao 
modelo. Isso é muito comum na área da saúde, pois hospitais e serviços de 
saúde caracterizados como instituições genéricas, tradicionalmente conhecidas 
como hospitais gerais, terão um escopo de atuação muito amplo, com diferentes 
serviços e especialidades médicas atuando, além de uma gigantesca variabili-
dade de protocolos assistenciais e, consequentemente, de insumos estocados.
Implementar uma metodologia que seja capaz de reduzir esse escopo amplo 
é o grande acréscimo que a classificação ABC pode deixar como legado aos 
gestores dessas organizações. Conforme Ballou (2006, p. 77),
Outra utilização frequente do conceito 80-20 e da classificação ABC é que ela 
serve para agrupar os produtos num armazém, ou outro ponto de estocagem, 
de acordo com um número limitado de categorias e sendo gerenciados com 
diferentes níveis de disponibilidade de estoque. As classificações dos produtos 
são arbitrárias. O ponto principal é que nem todos os itens de produtos deveriam 
merecer tratamento logístico igual. O conceito 80-20, com sua classificação 
de produtos, proporciona um esquema, baseado na atividade de vendas, para 
determinar quais produtos receberão os variados níveis e tratamento logístico.
Muitas organizações trabalham com um dilema. A meta dos seus gestores 
da área de suprimentos é investir em estoque aquilo que é considerado estrita-
mente necessário, uma vez que, segundo essa visão, qualquer excedente deve 
ser considerado recurso que poderia estar sendo destinado a outro bem de 
capital. No entanto, nas instituições de saúde, a maior parte da receita gerada 
é oriunda de materiais e medicamentos, de itens estocados, e não dos seus 
processos médico-assistenciais. Portanto, gerenciar essa estrutura a partir de 
uma ferramenta de gestão sólida, eficiente e eficaz, é a principal atribuição 
dos líderes dessas organizações. 
Diante disso e tendo em vista a classificação ABC, podemos afirmar que a 
grande entrega metodológica proporcionada por ela é uma gestão de estoque 
perene, que vise à excelência no seu processo de monitoramento dos insumos 
mediante critérios sólidos que possam garantir a disponibilidade de recursos 
na quantidade exata, com margem de segurança adequada, evitando parte 
do capital financeiro parado, o que acarretaria a impossibilidade de outros 
investimentos. 
5Classificação ABC em saúde
É fundamental que o modelo de gestão da cadeia de suprimentos seja composto 
por diferentes metodologias que possam auxiliar na tomada de decisão dos gestores. 
A classificação ABC é uma das formas de estratificar subgrupos de itens com criticidades 
pré-definidas. Entender a relação existente entre os diferentes fluxos da cadeia é 
essencial para que o desfecho da informação seja fiel à demanda prática da operação. 
Para ampliar o seu conhecimento a respeito dessa diretriz de fluxos e processos entre 
as áreas, consulte o livro Administração de Materiais, de J. R. Tony Arnold, considerado 
um clássico sobre o assunto (ARNOLD, 1999).
2 Utilização da classificação ABC para 
materiais e medicamentos na área da saúde 
Implementar a classificação ABC como um dos pilares de gestão da cadeia 
de suprimentos é imprescindível para o monitoramento dos estoques e da 
capacidade de gerar informações para tomada de decisão dos gestores na 
área da saúde. Essas decisões estarão centradas na capacidade estratégica de 
gerar eficiência e eficácia em seus múltiplos processos com o melhor custo 
benefício, garantindo o investimento adequado e o volume de itens estocados.
As organizações de saúde possuem inúmeros nichos de atuação: podem 
ser instituições especializadas em um único ciclo de cuidado, como especia-
lidade médica, ou podem ser estruturas com atuação mais ampla, chamadas 
gerais, nas quais a complexidade pode variar desde ambulatórios com baixo 
risco até unidades de internações complexas, como unidades de tratamento 
intensivo (UTIs) e unidades de cuidados especiais (UCEs), com desfechos 
amplos e risco acentuado.
Todas essas estruturas serão alimentadas por insumos, que vão desde itens 
com baixo valor agregado até recursos com alto valor, cujo mau gerenciamento 
poderia impactar na própria sobrevivência econômica da instituição. E soma-se 
a isso o fato de que a eventual ausência desses insumos, para além de quaisquer 
outros impactos negativos, poderá implicar, em se tratando da área da saúde,a perda de uma vida humana. 
Para a tomada de decisão dos gestores da área da saúde, um dos pontos que 
demanda atenção é a possível indisponibilidade da informação. Isso coloca 
tais gestores em um voo às cegas, com margem de erro próxima ao zero, em 
virtude do amplo escopo de recursos armazenados em uma instituição e da 
Classificação ABC em saúde6
necessidade iminente desse insumo no ciclo de cuidado do paciente. Portanto, 
as áreas operacionais que realizam a gestão desses estoques, sejam elas centrais 
ou periféricas (como suprimentos e farmácias), devem manter seus painéis de 
indicadores atualizados, constantemente monitorados de acordo com os grupos 
e critérios estabelecidos pela classificação ABC. Segundo Simchi-Levi, D., 
Kaminsky e Simchi-Levi, E. (2010, p. 33),
Em uma cadeia de suprimentos típica, matérias-primas são compradas, produ-
tos são manufaturados em uma ou mais fábricas, transportados para depósitos 
para fins de armazenamento temporário e então transportados para varejistas 
e clientes. Desta forma, para reduzir custos e melhorar os níveis de serviço, as 
estratégias eficazes de gestão da cadeia de suprimentos precisam contemplar 
as interações entre seus diferentes níveis.
O mercado da área da saúde possui uma dinâmica complexa, com inúmeros processos 
que podem variar de paciente para paciente. Essa particularidade gera um escopo de 
insumos: materiais e medicamentos com estoques amplos nas instituições. Conseguir 
estabelecer uma relação de equilíbrio entre as necessidades e a sua disponibilidade 
de recursos na proporção adequada é um desafio. No atual cenário, as organizações 
precisam prover o equilíbrio entre a sua sustentabilidade e a qualidade assistencial, 
garantindo um processo seguro e com custos gerenciáveis. A respeito do assunto, vale 
a leitura da matéria “O papel da logística intra-hospitalar na garantia de segurança e 
redução de custos”, disponível na internet, no portal Hospitais Brasil. 
Na prática, diariamente as organizações vivenciam situações similares a 
essa. Com volumosos estoques, as instituições da área da saúde podem possuir 
cadastrado um número de insumos superior a 2.500 itens, só no escopo de 
materiais. Somando-se a essa quantia os recursos classificados como medi-
camentos, o número pode ultrapassar os 4 mil. Isso mostra a dificuldade de 
gerenciá-los, na medida em que a sua ausência pode representar um efeito 
colateral no processo assistencial de cuidado ao paciente.
Para gerenciar esses insumos, materiais e medicamentos, precisamos separá-
-los em grupos distintos, obtendo o histórico de consumo, de preferência por 
uma janela de tempo expressiva, a qual, estatisticamente, possa representar 
um comportamento constante. De acordo com Barbieri e Machline (2017), 
7Classificação ABC em saúde
os processos de suprimentos estão tradicionalmente centrados na cadeia de 
gestão de materiais e medicamentos, visando a disponibilizar os insumos de 
forma adequada ao fluxo de consumo. No caso da área da saúde, o processo 
assistencial de atendimento ao paciente é altamente controlado e com a variável 
de tempo presente.
Isso mostra como é importante que as organizações possuam sistemas 
integrados de informações, que atuem com uma base de dados ampla, com 
capacidade de relacionar um conjunto complexo e amplo de dados, gerando re-
latórios com expressiva série temporal. É parte da sustentação da boa aplicação 
da classificação ABC a qualidade da informação disponível para tomada de 
decisão. Na medida em que um amplo conjunto de insumos, como materiais e 
medicamentos, passa a ser monitorado, identificar o seu histórico de consumo 
é o primeiro passo para classificá-los. A seguir, podemos ver um exemplo com 
10 itens do grupo dos medicamentos.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Cloreto de sódio
Solução �siológico 0,9% 100 ml
Paracetamol
Água destilada
Oxacilina
Dipirona
Acebutolol
Tramadol
Heparina
Alopurinol
R$ 0,95
R$ 2,36
R$ 0,64
R$ 0,68
R$ 2,28
R$ 0,95
R$ 2,36
R$ 1,21
R$ 4,83
R$ 3,01
5445
16600
11230
1800
2130
4350
365
986
12250
185
R$ 5.172,75
R$ 39.176,00
R$ 7.187,20
R$ 1.224,00
R$ 4.856,40
R$ 4.132,50
R$ 1.193,06
R$ 59.167,50
R$ 556,85
R$ 123.527,66
R$ 861,40
N° MEDICAMENTOS
(ITENS)
VALOR
UNITÁRIO
VOLUME
(UTILIZAÇÃO)
RELAÇÃO
VALOR × VOLUME
Vamos considerar que esse exemplo seja simplório, pois, como mencionado 
anteriormente, um estoque de uma organização em saúde costuma trabalhar na 
casa dos milhares de itens, com valores que, na sua soma, podem comprometer a 
saúde financeira de uma organização. Conforme Jacobs e Chase (2012, p. 454), 
[...] ao considerar qual abordagem de previsão utilizar, é importante levar em 
consideração o objetivo da previsão. Algumas previsões servem para análises 
genéricas de demandas. Por exemplo, qual deve ser a demanda para um grupo 
de produtos durante o próximo ano? Algumas previsões são utilizadas para 
ajudar a estabelecer a estratégia de como atenderemos à demanda, em um 
sentido global.
Classificação ABC em saúde8
Em função da gestão de suprimentos em saúde possuir inúmeras interfaces 
que são alimentadas pelo conhecimento de áreas distintas, como adminis-
trativas e médico-assistenciais, é importante a padronização e uso de uma 
metodologia que possa integrar esses conceitos. A classificação ABC possi-
bilita estabelecer esse padrão. Adaptando-se apenas o peso dado a cada um 
dos grupos ABC, conforme eventual peculiaridade institucional, a sequência 
a ser seguida prevê:
1. hierarquizar os recursos atendendo ao critério decrescente em relação 
ao valor utilizado;
2. identificar o valor total que constitui a soma de todo o inventário — 
conjunto de itens;
3. identificar as porcentagens que cada recurso representa de forma 
individual;
4. estabelecer uma relação sequencial das porcentagens acumuladas de 
todo o conjunto de itens;
5. de acordo com a particularidade da instituição, estabelecer os critérios 
de corte dos grupos e sua classificação dentro das dimensões A, B e C.
A metodologia ABC tem a capacidade de diagnosticar o grau de excelência da ad-
ministração de estoques, contribuindo para a definição das políticas de gestão e, 
desse modo, trazendo maior perenidade ao processo. Isso resulta na programação e 
na disponibilidade dos insumos de forma adequada, o que evita outros problemas 
usuais na empresa. Veja mais exemplos práticos no livro Administração de Materiais: 
Uma Abordagem Logística, de Marco Aurélio P. Dias (2010).
É fundamental que as instituições entendam que um modelo de gestão passa 
pela organização, pelo uso de metodologia e pela qualidade da informação, 
que são frutos de um planejamento sólido, controlado e constantemente mo-
nitorado que possa refletir as demandas multidisciplinares existentes desde 
a sua origem até o ponto de consumo.
9Classificação ABC em saúde
Os estoques das instituições de saúde são compostos por uma variabilidade 
gigantesca de materiais e medicamentos, todos eles dedicados ao cuidado 
do paciente. Portanto, seguir os passos da classificação ABC nos possibilita 
uma fotografia gerencial da relação de disponibilidade e demanda. A seguir, 
podemos ver a nova reestruturação a partir dos três primeiros passos citados.
Solução �siológico 0,9% 100ml
Cloreto de sódio
Água destilada
Nessa nova fotografia, já é possível identificar os principais itens que 
acumulam o maior volume de recursos financeiros imobilizados. O critério 
também poderia ser empregado para identificar a utilização, tendo como 
referência o consumo, e não o valor em espécie. Conforme Bowersox et al. 
(2014, p. 37), “Estratégias logísticas devem ser projetadas para manter o 
menorinvestimento financeiro possível em estoques. O objetivo principal é 
conseguir o máximo de giro do estoque ao mesmo tempo que as necessidades 
de serviço são satisfeitas”. Esse exemplo mostra o quanto a classificação ABC 
pode contribuir para a assertividade da tomada de decisão, exercendo uma 
função estratégica e única na geração de valor para a organização.
Para completar as etapas que constituem a classificação ABC, as porcen-
tagens individuais precisam ser somadas aos demais itens na ordem hierár-
quica estabelecida, subdividindo-se os itens nos grupos conforme os critérios 
adotados.
Solução �siológico 0,9% 100ml
Cloreto de sódio
Água destilada
Classificação ABC em saúde10
Após essas definições, é importante que se estabeleça um painel de gestão, 
com a atenção que deverá ser dedicada a cada um dos grupos de itens; nesse 
momento, o gestor terá uma diretriz bem definida para tomada de decisão. 
A seguir, é possível ver a contribuição gerencial a partir do uso da classificação 
ABC para o suporte da tomada de decisão.
Solução �siológico 0,9% 100ml
Cloreto de sódio
Água destilada
Fazer uso dessa metodologia possibilita que a gestão seja realizada de forma 
integrada, identificando-se os pontos de atenção aos quais precisam ser dedicados 
os devidos esforços. Na Figura 2, é possível ver a contribuição da metodologia de 
classificação ABC quando utilizada na área da saúde, uma vez que ela auxilia na 
conexão entre as diferentes áreas de conhecimento. Essa integração possibilita 
um equilíbrio nas decisões administrativas amparadas pelo processo assistencial, 
garantindo a sustentabilidade a partir de decisões multidisciplinares, o que gera 
processos seguros com qualidade técnica, eficiência e eficácia.
Figura 2. Fluxos e conexões setoriais para tomada de decisão.
Fonte: Oliveira e Musetti (2014).
11Classificação ABC em saúde
3 Estruturação da classificação ABC
A classificação ABC possui como principal característica a identificação dos 
grupos prioritários para gestão centrada na disponibilidade versus demanda; 
em outras palavras, é dispor de um estoque que de fato seja utilizado, apre-
sentando um giro de capital físico e financeiro equilibrado. Todo o recurso 
imobilizado sem uso ou com baixo giro deve ser considerado uma disponibi-
lidade ociosa. Cabe ressaltar que, no mercado da área da saúde, alguns itens, 
mesmo que não utilizados, devem estar sempre disponíveis, como os insumos 
de um carro de parada.
O fato é que a competitividade cada vez mais acirrada, o uso de tecnologia 
de ponta, a constante integração entre os processos administrativos e assis-
tenciais e a necessidade urgente de redução de custos para sustentabilidade 
das organizações geraram uma evolução acelerada no modelo de controle e 
disponibilidade de insumos. Medicamentos, materiais e outros insumos fun-
damentais para a execução das atividades médicas e assistenciais acumulam 
parte decisiva para a autossustentabilidade e a perenidade das instituições de 
saúde. De acordo com Ballou (2006, p. 304):
A alta administração tem geralmente interesse maior pelo investimento total 
comprometido em estoques e com os níveis de serviços para grupos ampliados 
de itens do que pelo controle de itens separados. Embora a cuidadosa deter-
minação de uma política para cada item acabe proporcionando um controle 
seguro dos estoques de itens separados, e também dos estoques em seu con-
junto, a gestão deste nível de detalhamento para fins de planejamento geral 
acaba se tornando por demais incômoda. Por isso mesmo, métodos capazes 
de controlar coletivamente grupos de itens vêm ganhando espaço entre os 
procedimentos de controle de estoques. Giro de estoques, classificação ABC 
de produtos e agregação de riscos são alguns dos métodos usados para o 
controle agregado de estoques.
No mercado da área da saúde, a disputa por maiores margens nos serviços, 
consequentemente embarcados por uma cadeia de suprimentos com materiais 
e medicamentos, faz que os processos de gestão de suprimentos e estoque 
sejam tratados como estratégicos para a organização.
Classificação ABC em saúde12
A classificação ABC possui na sua materialização a chamada curva visual, 
muito utilizada para demonstrar graficamente o comportamento dos grupos 
estratificados entre A, B e C. A imensa variedade de insumos que diariamente 
são demandadas em uma instituição de saúde gera um alto valor imobilizado, 
além do espaço físico necessário. O risco do seu desabastecimento cria mar-
gens de segurança muito baixas, gerando uma complexa cadeia de controle. 
A adoção da metodologia por meio dos critérios anteriormente apresen-
tados possibilita que identifiquemos de forma visual os grupos prioritários 
a partir da curva ABC. A porcentagem numérica pode variar de autor para 
autor, assim como da característica da instituição em análise; o importante 
é que seja adotado o mesmo critério para todo o conjunto de itens, conforme 
as especificações apresentadas a seguir.
 � Grupo A — Conjunto de itens com maior relevância. Compõem este 
grupo insumos que demandam maior atenção da gestão e devem ser 
acompanhados rotineiramente. Sua margem de ressuprimento deve ser 
ágil e rápida, em função do alto valor imobilizado.
 � Grupo B — Conjunto de itens que demandam uma atenção intermediá-
ria, isto é, embora necessitem de atenção, tais itens podem ser tratados 
com menor cautela. Seu controle deve ser preciso.
 � Grupo C — Conjunto de itens com escopo de menor atenção. Sua 
periodicidade pode ser mais espaçada, conforme peculiaridade da 
instituição, e seu reflexo na operação se torna mais tangível na eventual 
necessidade de ação.
A classificação ABC pode ser representada mediante uma curva (Figura 3), 
que vai confrontar os dois eixos: demanda versus impacto econômico-finan-
ceiro, ou demanda versus disponibilidade, dependendo da análise em questão. 
De acordo com Bowersox et al. (2014, p. 79),
Essa regra declara que um percentual grande (talvez 80%) da receita e do 
lucro da empresa normalmente deriva de um pequeno percentual de seus 
clientes (apenas 20%). Esses percentuais não são absolutos, mas o conceito 
é muito claro. Esse princípio também pode ser aplicado aos produtos que 
uma empresa vende; poucos produtos representam um grande percentual da 
receita de vendas e dos lucros.
13Classificação ABC em saúde
Figura 3. Distribuição da classificação ABC.
Como se pôde observar na Figura 3, a visualização da relação entre o vo-
lume dos recursos e seu impacto econômico-financeiro por meio do desenho 
da curva de classificação ABC proporciona ao gestor uma tomada de decisão 
mais assertiva, sustentada na diretriz do perfil epidemiológico da organização, 
o que viabiliza sua operação da forma mais eficiente e eficaz.
Dessa forma, com base no que foi exposto neste capítulo, foi possível 
compreender que a classificação ABC permite que as organizações de saúde 
possam identificar as suas relações sistêmicas entre o consumo de recursos 
(materiais e medicamentos), seu impacto financeiro na imobilização de valores 
e sua capacidade de gerar receita — isso perante a execução de inúmeros fluxos 
de cuidados assistenciais. E, então, a partir da discussão aqui empreendida, 
podemos concluir que, num segmento em que a qualidade e a segurança são 
essenciais, o uso de uma metodologia robusta garante o sucesso e a perenidade 
das instituições.
Classificação ABC em saúde14
ARNOLD, J. R. T. Administração de materiais: uma introdução. São Paulo: Atlas, 1999.
BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/Logística empresarial. 5. ed. Porto 
Alegre: Bookman, 2006. 
BARBIERI, J. C.; MACHLINE, C. Logística hospitalar: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017.
BOWERSOX, D. J. et al. Gestão logística da cadeia de suprimentos. 4. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2014.
DIAS, P. M. Administração de materiais: uma abordagem logística. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2010. 
JACOBS, F. R.; CHASE, R. B. Administração de operações e da cadeia de suprimentos. 
13.ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. 
OLIVEIRA, T. S.; MUSETTI, M. A. Revisão compreensiva de logística hospitalar: conceitos 
e atividades. Revista de Gestão em Sistemas de Saúde, v. 3, n. 1, p. 1–13, 2014. Disponível 
em: http://www.revistargss.org.br/ojs/index.php/rgss/article/view/90/129. Acesso 
em: 15 jun. 2020. 
SIMCHI-LEVI, D.; KAMINSKY, P.; SIMCHI-LEVI, E. Cadeia de suprimentos projeto e gestão: 
conceitos, estratégias e estudos de caso. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
15Classificação ABC em saúde
DICA DO PROFESSOR
É importante que você saiba que a gestão de insumos como materiais e medicamentos 
pode garantir a sustentabilidade de uma organização de saúde tanto no que diz respeito à parte 
econômica como médico-assistencial.
Esses insumos são responsáveis por uma parcela significativa dos custos alocados em uma 
organização de saúde. A ausência de gestão nesse processo inviabiliza a qualidade e a segurança 
no ciclo de cuidado do paciente, uma vez que a falta de recursos específicos para o tratamento 
de determinada patologia gera consequências restritivas de atendimento, insustentabilidade 
econômica e falência da cadeia produtiva.
Nesta Dica do Professor, você verá um pouco mais sobre a gestão de medicamentos e materiais 
utilizando a classificação ABC para tomada de decisão em um ambiente hospitalar, cuja 
estrutura está moldada pela participação de profissionais multidisciplinares com atuação direta 
ou indireta no processo de cuidado aos pacientes.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
NA PRÁTICA
Você sabia que materiais e medicamentos são responsáveis pela maior parte dos insumos 
revertidos em receitas nas organizações de saúde e, consequentemente, seus maiores custos no 
ciclo de cuidado dos pacientes? Estabelecer um modelo de gestão sustentado em metodologias 
práticas que possam subsidiar as decisões dos gestores, por meio de diretrizes que garantam 
qualidade, segurança e sustentabilidade nas organizações, é fundamental para gerar eficiência e 
eficácia nos processos de gerenciamento de estoques e suprimentos.
Por meio da classificação ABC, é possível subdividir e fragmentar o inventário do estoque em 
grupos que irão demandar atenções distintas, desde o primordial até o mais “supérfluo”, o que 
garante a maximização no processo de gestão.
Veja, Na Prática, como implementar o uso da metodologia de classificação ABC.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Gestão de estoque de medicamentos utilizando classificação ABC em um hospital público
Leia este artigo, que apresenta a utilização da classificação ABC em um hospital, considerando 
as suas múltiplas variáveis e o impacto na operação da sua estrutura administrativa e 
assistencial. Inclui a elaboração da curva ABC, ferramenta que auxiliou o gestor da farmácia a 
identificar os itens com a necessidade de acompanhamento mais detalhado e minucioso, 
garantindo a eficiência e a eficácia para o sistema como um todo.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Como utilizar a curva ABC para gestão de estoque
Acesse este portal, dedicado a apoiar os empreendedores para acelerar o crescimento de suas 
empresas no Brasil. Uma matéria registra como utilizar a curva ABC para gestão de estoque em 
um segmento não hospitalar, estabelecendo inúmeras matrizes de risco. Cabe uma reflexão dos 
passos e das metodologias utilizados para o mercado da área da saúde e suas organizações 
complexas, com foco no equilíbrio econômico e assistencial.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Análise de sistema de estoques por meio de análise de curva ABC e giro de estoque: um 
estudo de caso numa organização hospitalar pública
Leia este artigo, que apresenta a utilização da metodologia da curva ABC em uma instituição 
hospitalar pública, que buscou avaliar o grau de distribuição dos produtos na forma de gestão 
dos seus níveis de estoque e reposição, visando a promover maior equilíbrio no processo 
assistencial e econômico-financeiro.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!

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