Prévia do material em texto
1 No decorrer das teorias apresentadas, oferecemos uma cuidadosa seleção de conteúdos multimídia para complementar o repertório do aluno, apresentada em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas, livros, etc. Tudo isso é en- contrado em subcategorias que facilitam o aprofundamento nos temas estudados – há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões de aplicativos que facilitam os estudos, com conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica, em uma seleção realizada com finos critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso aluno. multimídia Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana, o que dificulta a compreensão de determinados conceitos e impede o aprofundamento nos temas para além da superficial memorização de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios na aprendizagem dos conteúdos, foi desenvolvida a seção “Vivenciando“. Como o próprio nome já aponta, há uma preocupação em levar aos nossos alunos a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo com que eles têm contato em seu dia a dia. vivenciando Sabendo que o Enem tem o objetivo de avaliar o desempenho ao fim da escolaridade básica, organizamos essa seção para que o aluno conheça as diversas habilidades e competências abordadas na prova. Os livros da “Coleção Vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas dessas habilidades. No compilado “Áreas de Conhecimento do Enem” há modelos de exercícios que não são apenas resolvidos, mas também analisados de maneira expositiva e descritos passo a passo à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a apurar as questões na prática, a identificá-las na prova e a resolvê- -las com tranquilidade. áreas de conhecimento do Enem Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Por isso, cria- mos para os nossos alunos o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um deles é o ”Diagrama de Ideias”, para aque- les que aprendem visualmente os conteúdos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas mentais e fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita a organiza- ção dos estudos e até a resolução dos exercícios. diagrama de ideias Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é ela- borada, a cada aula e sempre que possível, uma seção que trata de interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares atuais não exigem mais dos candidatos apenas o puro conhecimento dos conteúdos de cada área, de cada disciplina. Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abrangem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como Bio- logia e Química, História e Geografia, Biologia e Matemática, entre outras. Nesse espaço, o aluno inicia o contato com essa realidade por meio de explicações que relacionam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizan- do temas da atualidade. Assim, o aluno consegue entender que cada disciplina não existe de forma isolada, mas faz parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive. conexão entre disciplinas Herlan Fellini De forma simples, resumida e dinâmica, essa seção foi desenvol- vida para sinalizar os assuntos mais abordados no Enem e nos principais vestibulares voltados para o curso de Medicina em todo o território nacional. incidência do tema nas principais provas Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos de cada coleção tem como principal objetivo apoiar o aluno na resolução das ques- tões propostas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, com- pletos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam as explicações dadas em sala de aula. Qua- dros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados e compõem um conjunto abrangente de informações para o aluno que vai se dedicar à rotina intensa de estudos. teoria Essa seção foi desenvolvida com foco nas disciplinas que fazem parte das Ciências da Natureza e da Matemática. Nos compilados, deparamos-nos com modelos de exercícios resolvidos e comenta- dos, fazendo com que aquilo que pareça abstrato e de difícil com- preensão torne-se mais acessível e de bom entendimento aos olhos do aluno. Por meio dessas resoluções, é possível rever, a qualquer momento, as explicações dadas em sala de aula. aplicação do conteúdo Caro aluno Ao elaborar o seu material inovador, completo e moderno, o Hexag considerou como principal diferencial sua exclusiva metodologia em pe- ríodo integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. O material didático é composto por 6 cadernos de aula e 107 livros, totalizando uma coleção com 113 exemplares. O conteúdo dos livros é organizado por aulas temáticas. Cada assunto contém uma rica teoria que contempla, de forma objetiva e transversal, as reais necessidades dos alunos, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Para melhorar a aprendizagem, as aulas possuem seções específicas com determinadas finalidades. A seguir, apresentamos cada seção: 2 © Hexag Sistema de Ensino, 2018 Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2020 Todos os direitos reservados. Autores Caco Basileus Herlan Fellini Felipe Filatte Kevork Soghomonian Diretor-geral Herlan Fellini Diretor-editorial Pedro Tadeu Vader Batista Coordenador-geral Raphael de Souza Motta Responsabilidade editorial, programação visual, revisão e pesquisa iconográfica Hexag Sistema de Ensino Editoração eletrônica Arthur Tahan Miguel Torres Matheus Franco da Silveira Raphael de Souza Motta Raphael Campos Silva Projeto gráfico e capa Raphael Campos Silva Imagens Freepik (https://www.freepik.com) Shutterstock (https://www.shutterstock.com) ISBN: 978-65-88825-06-8 Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à dis- posição para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições. O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não repre- sentando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora. 2020 Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino. Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP CEP: 04043-300 Telefone: (11) 3259-5005 www.hexag.com.br contato@hexag.com.br 3 SUMÁRIO FÍSICA CINEMÁTICA TERMODINÂMICA ELETROSTÁTICA Aulas 9 e 10: Movimento retilíneo uniformemente variado 6 Aulas 11 e 12: Gráficos do MRUV 17 Aulas 13 e 14: Queda livre e lançamento vertical 29 Aulas 15 e 16: Lançamento oblíquo 38 Aulas 9 e 10: Lei geral dos gases 50 Aulas 11 e 12: Primeira lei da termodinâmica 57 Aulas 13 e 14: Segunda lei da termodinâmica 67 Aulas 15 e 16: Introdução à óptica geométrica 77 Aulas 9 e 10: Potencial elétrico 88 Aulas 11 e 12: Trabalho no campo elétrico 96 Aulas 13 e 14: Potencial elétrico no CEU e equilíbrio eletrostático 102 Aulas 15 e 16: Corrente elétrica 110 4 Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade. H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos. H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondentedesenvolvimento científico e tecnológico. H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas. H4 Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável da biodiversidade. Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos. H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano. H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum. H7 Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do trabalhador ou a qualidade de vida. Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen- tos ou ações científico-tecnológicos. H8 Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos. H9 Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações nesses processos. H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais. H11 Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi- cos. H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios. Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais. H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos. H14 Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros. H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos. H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos. Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos. H17 Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica. H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam. H19 Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica ou ambiental. Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi- co-tecnológicas. H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes. H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo. H22 Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais. H23 Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou econômicas. Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi- co-tecnológicas. H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas H25 Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou produção. H26 Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações químicas ou de energia envolvidas nesses processos. H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios. Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico tecnológicas. H28 Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em ambientes brasileiros. H29 Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas ou produtos industriais. H30 Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente. 5 CINEMÁTICA: Incidência do tema nas principais provas UFMG Um dos temas deste livro muito cobrado na prova da Unesp é o de lançamento obliquo. O aluno deve saber interpretar imagens e coletar informações, dedicando atenção às equações dos dois movimentos, vertical e horizontal. Dentre os temas abordados neste caderno, o de maior incidência no vestibular da Unifesp é o estudo da cinemática escalar, com questões de MRUV, nas quais se exige do candidato a interpretação de gráficos. Dentre os temas abordados neste caderno, o de maior incidência no vestibular da Unicamp é o estudo do MRUV e a interpretação de gráficos (MRUV). Dentre os temas abordados neste caderno, o de maior incidência no vestibular Albert Einstein é o estudo da cinemática escalar, com questões de movimento uniformemente acelerado (MRUV), exigindo do aluno conhe- cimento das equações. A prova da FMABC tem uma grande variação de temas. No entanto, o tema cinemática es- calar (MRUV) aparece com alguma frequência. A prova da Puc de Campinas tem uma grande variação de temas. No entanto, o tema cine- mática escalar (MRUV) aparece com alguma frequência, exigindo cuidado nas equações horárias de movimento de lançamentos oblíquos. A prova da Santa Casa tem uma grande variação de temas. No entanto, o tema cine- mática escalar (MRUV) aparece com alguma frequência, exigindo cuidado nas equações horárias de movimento acelerado. A cinemática possui grande incidência nas provas do Enem, sempre relacionando o tema com o cotidiano. Muitas questões costumam exigir a habilidade de análise gráfica. Um dos temas recorrentes na prova da Fuvest é a relação entre lançamento oblíquo de uma partícula em um campo elétrico. O aluno deve saber os dois movimentos que compõe o movi- mento oblíquo. Há também uma importância na interpretação de gráficos, em especial velocidade x tempo. O tema cinemática sempre está presente na prova da UERJ. As questões abordadas exigem análise dos movimentos por meio de gráficos de velocidade por tempo e posição por tempo. A prova da UNIGRANRIO tem uma grande variação de temas. No entanto, o tema cine- mática escalar (MRUV) aparece com alguma frequência, exigindo cuidado nas equações horárias de movimento acelerado em um plano inclinado. O tema cinemática sempre está presente na prova da FTESM com questões que exigem interpretações de gráficose análise de figuras (MRUV e lançamento oblíquo) com manipulações em equações horárias de movimento. A prova da CMMG tem uma grande variação de temas. No entanto, o tema cinemática es- calar (MRUV) aparece com alguma frequência, exigindo cuidado nas equações horárias de movimento de lançamentos oblíquos. O tema cinemática sempre está presente na prova da UFPR. As questões abordadas exigem análise dos movimentos por meio de gráficos de velocidade por tempo e posição por tempo. O tema cinemática sempre está presente na prova da UEL em questões que exigem um alto nível de manipulações em equações horárias de movimento. 6 MoviMento retilíneo uniforMeMente variado CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 19 e 20 AULAS 9 e 10 1. ConCeito de aCeleração Inicialmente, foi analisado que a velocidade é a rapidez com que um corpo muda sua posição ao longo do tem- po. Em seguida, foi estudado um caso especial em que a velocidade permanecia constante ao longo do tempo. Con- tudo, no dia a dia é possível perceber que as pessoas e os objetos não estão sempre com velocidade constante; pelo contrário, nota-se que os objetos possuem uma determina- da velocidade em um instante e, em um instante posterior, possuem outra velocidade. Esse é o caso, por exemplo, de um carro inicialmente em repouso que adquire velocidade, mas, ao se aproximar de um semáforo com o sinal vermel- ho, reduz sua velocidade até o repouso. Assim, é preciso definir uma nova grandeza que esteja rela- cionada com essa variação da velocidade. A rapidez com que um corpo varia sua velocidade é denominada aceleração. A ideia de aceleração está sempre ligada à variação da velocidade. Física - Aceleração (Khan Academy) Fonte: Youtube multimídia: vídeo 2. aCeleração esCalar média Considere que a velocidade escalar de uma partícula, em um instante t1 seja v1, e em um instante posterior, t2, a ve- locidade escalar seja v2. A aceleração escalar média (am) da partícula entre esses dois instantes de tempo é definida como sendo a variação da velocidade dividida pelo tempo transcorrido: am = Dv ___ Dt = v2 – v1 _____ t2 – t1 Nessa definição, a unidade de aceleração é igual à razão entre a unidade de velocidade e a unidade de tempo. No SI, tem-se: m/s ___ s = m __ s __ s __ 1 = m __ s ⋅ 1 __ s = m __ s2 = m ⋅ s–2 Como o intervalo de tempo Dt é sempre positivo, o sinal da aceleração escalar média é igual ao sinal da variação de velocidade Dv. § Se vf > vi, temos (vf – vi) > 0 e a > 0. § Se vf < vi, temos (vf – vi) < 0 e a < 0. Note que, no caso de movimento retilíneo uniforme, vf = vi, e, portanto, (vf – vi) = 0, ou seja, a = 0. Assim, a aceler- ação é nula no movimento retilíneo uniforme. 3. Unidades de aCeleração A razão entre uma unidade de velocidade e uma unidade de tempo é denominada unidade de aceleração. Por exemplo: 1 km/h ____ s Entretanto, essa unidade não pertence ao SI. O exemplo seguinte ilustra a unidade de aceleração no SI e seu sig- nificado: uma pedra cai de uma determinada altura e sua velocidade é de vi = 5 m/s logo depois de iniciar a queda. Após um intervalo de tempo Dt = 2 s, sua velocidade é de vf = 25 m/s. A aceleração da pedra é: a = vf – vi _____ Dt = 25 m/s – 5 m/s ____________ 2 s = 20 m/s ______ 2 s ou a = 10 m/s ______ s 7 4. movimentos aCelerado e retardado O movimento pode ser classificado como progressivo ou como retrógrado. Ainda assim, é possível caracterizar ainda mais o movimento. Afirma-se que o movimento é acelerado quando, em módulo, a velocidade aumenta com o tempo, e que um movimento é retardado (freado) quando o módulo da velocidade diminui com o tempo. Matematicamente, nota-se que o sinal da aceleração e o sinal da velocidade no movimento acelerado são idênticos, e no movimento retardado os sinais são opostos. § a > 0 e v > 0 ou a < 0 e v < 0 o movimento é acelerado (a e v têm o mesmo sinal). § a > 0 e v < 0 ou a < 0 e v > 0 o movimento é retardado (a e v têm sinais diferentes). S v > 0 v > 0 v > 0 v > 0 a > 0 a > 0 a > 0 a > 0 S SS Por exemplo, se um carro tem velocidade v1 = 10 m/s em t1 e, num instante posterior, t2 sua velocidade é de v2 = 30 m/s, afirma-se que o movimento é acelerado. O mesmo ocorre se v1 = –10 m/s em t1 e, num instante posterior t2, sua velocid- ade é de v2 = –30 m/s. Contudo, se em t1 sua velocidade é de v1 = 30 m e, num instante seguinte t2, ela diminui para v2 = 20 m/s, seu movimento é denominado retardado. § O movimento é acelerado se o módulo da velocidade aumenta: movimento acelerado ⇒ |v| aumenta § O movimento é retardado se o módulo da velocidade diminui: movimento retardado ⇒ |v| diminui Agora, é possível classificar o movimento como sendo progressivo acelerado, progressivo retardado, retrógrado acelerado ou retrógrado retardado. Observe ainda que o fato de o movimento ser progressivo ou retrógrado se deve a uma escolha da orientação; entretanto, o movi- mento ser acelerado ou retardado não tem relação algu- ma com a escolha da orientação. Aplicação do conteúdo 1. Um automóvel se desloca por uma estrada, e sua ve- locidade aumenta ao longo do tempo. Em um determi- nado instante, o automóvel tem velocidade escalar de 54 km/h e, após 2,0 segundos, sua velocidade passa a ser 72 km/h. Determine a aceleração escalar média do automóvel nesse intervalo de tempo. Resolução: O intervalo de tempo é Dt = 2,0 s. VIVENCIANDO Mudanças na velocidade são comuns no nosso dia a dia: um carro que trafega numa avenida e desacelera, parando devido a um semáforo vermelho, ou o mesmo um carro que acelera, quando o semáforo está verde; também na queda dos corpos, que veremos nas próximas aulas. No geral, os móveis alteram entre diversos movimentos, o que tornaria o estudo completo algo mais difícil, por isso “quebramos” o movimento em partes, das quais conseguimos estudar com facilidade, MU e MUV, saber distinguir entre esses dois tipos de movimento, conhecer suas funções horárias, é fundamental para a resolução de problemas. Esse resultado demonstra que a velocidade de pedra au- menta em 10 m/s a cada 1 s. Assim, no SI, a unidade de aceleração é 1 (m/s)/s, que se convencionou escrever da seguinte maneira: 1 m/s ___ s = 1 m __ s ∙ 1 __ s = 1 m ___ s2 Em geral, o resultado anterior é apresentado da forma a = 10 m/s2. Dessa forma: No SI, a unidade de aceleração é 1 m/s2. A velocidade varia de 1 m/s a cada 1 s. 8 A variação de velocidade escalar nesse intervalo de tempo foi: Dv = (72 km/h) – (54 km/h) ⇒ Dv = 18 km/h Como o intervalo de tempo foi dado em segundos, faça a transformação da unidade de velocidade: Dv = 18 km/h = 18 ___ 3,6 m/s = 5 m/s Assim, calcule a aceleração: am = Dv ___ Dt = 5,0 m/s ______ 2,0 s = 2,5 m/s2 Esse resultado mostra que, em média, a velocidade aumentou 2,5 m/s a cada segundo. 2. Um carro de corrida é acelerado de forma que sua ve- locidade em função do tempo é dada conforme a tabela: t(s) 3 6 9 v(m/s) 20 30 60 Determine o valor da aceleração média desse carro entre t1 = 3 s e t2 = 9 s. Resolução: Fazendo um desenho ilustrativo do problema, tem-se: A variação de tempo e de velocidade entre os instantes t = 3 s e t = 9 s será: Δt = 9 – 3 = 6 s Δv = v3 – v1 = 60 – 20 = 40 m/s Dessa forma, a aceleração média será: am = Δv ___ Δt = 40 ___ 6 = 6,67 m/s2 Resposta: A aceleração será de 6,67 m/s2. Nota: Foi visto que a velocidade é a variação do espaço no tempo; também foi vito que a aceleração é a variação da velocidade no tempo. Não há nenhuma grandeza associa- da à variação da aceleração no tempo. Todos os exercícios de cinemática são resolvidos em função da posição, da ve- locidade, da aceleração e do tempo. 5. movimento retilíneo Uniformemente variado (mrUv) Além da aceleração escalar média (am), define-se também a aceleração escalar instantânea (a), que é a aceleração esca- larem um instante de tempo muito curto. Considere o caso em que a aceleração escalar instantânea é constante. Assim, em qualquer intervalo de tempo, a aceleração escalar média possui o mesmo valor da aceleração escalar instantânea. aceleração constante ⇒ a = am = Dv ___ Dt Física Total - Aula 05 - Movimento Uniformemente Variado - MUV Fonte: Youtube multimídia: vídeo A tabela abaixo mostra as velocidades escalares de uma partícula em intervalos de 1 segundo. A velocidade varia de modo regular, ou seja, a cada 1 segundo, o aumento da velocidade é 2 m/s. Assim, a aceleração escalar é constante e dada por: a = 2 m/s por segundo = 2 m/s2 t (s) v (m/s) 0 5 1 7 2 9 3 11 4 13 No caso em que a aceleração é constante e não nula, tem- se um movimento uniforme. se a = 0 → v é constante → o movimento é uniforme multimídia: sites pt.khanacademy.org/science/physics/one- -dimensional-motion/acceleration-tutorial/a/ acceleration-article www.if.ufrgs.br/tex/fis01043/20042/Luciano/ cinematica.html 9 5.1. Funções horárias Considere uma partícula realizando um movimento uni- formemente variado em uma linha, como na figura se- guinte. No instante inicial (t = 0), a partícula passa pelo ponto de posição S0 com velocidade escalar v0. Depois de algum tempo, em um instante qualquer t, a partícula pas- sa pelo ponto de posição S com velocidade escalar v. A aceleração escalar é constante ao longo de toda trajetória v Pela definição da aceleração: a = Dv ___ Dt = v – v0 _____ t – t0 Rearranjando a equação: v – v0 = a ∙ t Assim: v = v0 + a ∙ t Função horária da velocidade escalar. É possível demonstrar que a velocidade média no movi- mento retilíneo uniformemente variado é dada por: vm = v + v0 _____ 2 A partir da definição de velocidade média: vm = DS ___ Dt = S – S0 _____ t – t0 É possível combinar ambas as equações de modo que, para t0 igual a zero, tem-se: DS = (v0 + v) (t – 0) ___________ 2 = (v0 + v)t ______ 2 Utilizando a função horária da velocidade escalar v = v0 + a ⋅ t e Ds = s – s0, obtém-se: S – S0 = (v0 + v0 + at)t ___________ 2 = 2v0t + at 2 ________ 2 = v0t + at2 ___ 2 Assim: S = S0 + v0 ∙ t + 1 __ 2 ∙ a ∙ t2 Função horária da posição. Nota: Para t0 diferente de zero, temos as equações: v = v0 + a ∙ (t – t0) S = S0 + v0 ∙ (t – t0) + 1 __ 2 · a · (t – t0) 2 CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS Uma função polinomial do segundo grau em uma variável é do tipo f de em , onde f(x) = a ∙ x² + b ∙ x + c, com a, b e c números reais e a ≠ 0. Para determinar a solução de equação do segundo grau 0 = a ∙ x² + b ∙ x + c, utilizamos um algoritmo desenvolvi- do por Bháskara, em que temos duas raízes dadas por: x = –b ± dXX D ___ 2a sendo: D = b2 – 4ac Onde se D > 0 haverá duas soluções distintas, se D = 0 haverá duas soluções idênticas e se D < 0 não haverá raiz real. Para um corpo em MRUV, a função horária da posição é uma função polinomial do 2º grau, em uma variável. 10 Aplicação do conteúdo 1. (Ufal) A velocidade de um móvel aumenta, de ma- neira uniforme, 2,4 m/s a cada 3,0 s. Em certo instante, a velocidade do móvel é de 12 m/s. A partir desse ins- tante, nos próximos 5,0 s a distância percorrida pelo móvel, em metros, é igual a: a) 10 b) 30 c) 60 d) 70 e) 90 Resolução: O enunciado afirma que a velocidade aumenta a uma taxa de 2,4 m/s em 3 s. Assim, a aceleração do móvel será: a = Δv ___ Δt = 2,4 ___ 3 = +0,8 m/s2 Admitindo o início da trajetória o móvel com velocidade de 12 m/s, após 5 s aplica-se a função horária da posição em MRUV para encontrar a distância percorrida. S = S0 + v0t + at2 ___ 2 S – S0 = 12 ∙ (5) + 0,8(5)2 ______ 2 = 60 + 0,4 ∙ (25) = = 60 + 10 = 70 m Altenativa D 2. (UFBA) Um corpo que parte do repouso deve percor- rer uma distância de 3.000 m. Os primeiros 220 m ele os percorre em 8 s, sendo que o movimento é uniforme- mente acelerado. O restante é percorrido a velocidade constante igual à atingida quando ele alcançou aqueles 220 m. O tempo total aproximado para realizar todo o percurso será de: a) 20 s b) 30 s c) 50 s d) 58 s Resolução: Nos primeiros 8 segundos, o corpo percorre 220 m partin- do do repouso. Aplicando a função horária do movimento retilíneo uniformemente acelerado, tem-se: S = S0 + v0t + at2 ___ 2 220 = 0 + 0 ∙ 8 + a ∙ (8)² ___ 2 220 = 64a ___ 2 a = 220 ___ 32 = 6,875 m/s2 Nos mesmos 8 segundos, aplica-se a função horária da ve- locidade escalar para se obter a velocidade final do corpo: v = v0 + at = 0 + 6,875 ∙ 8 = 55 m/s O enunciado afirma que essa velocidade permanece cons- tante e ainda faltam 2.780 metros para o corpo percorrer. Assim, o segundo intervalo de tempo será: v = DS __ Dt 55 = 2780 ____ Dt Dt = 556 ___ 11 s O tempo total será: ttotal = 8 + 556 ___ 11 = 58,54 ≈ 58 s. Altenativa D 3. A figura abaixo ilustra uma partícula com mo- vimento uniformemente variado, com aceleração a = 6 m/s2. A partícula passa pelo ponto de posição 10 m e velocidade escalar 4 m/s no instante t0 = 0. s a) No instante t = 5 s, qual é a posição e a velocidade escalar da partícula? b) Determine a velocidade escalar média da partícula entre os instantes t0 = 0 e t = 5 s. Resolução: a) Sabendo que a partícula está em MUV, e sendo a = 6 m/s2, v0 = 4 m/s e S0 = 10 m, tem-se: S = S0 + v0 ⋅ t + a ⋅ t2 ____ 2 E para t = 5 s: S = 10 + 4 ⋅ (5) + 6 ⋅ (5) 2 ______ 2 ⇒ S = 105 m v = v0 + a ⋅ t E para t = 5 s: v = 4 + 6 ⋅ (5) ⇒ v = 34 m/s b) Foi visto que a velocidade média no MUV pode ser calculada como: vm = Vf + V0 ______ 2 Assim, a velocidade média é: vm = 34 + 4 ______ 2 = 38 ___ 2 ⇒ vm = 19 m/s 11 4. Em uma autoestrada, um guarda (em uma motoci- cleta) persegue um automóvel cujo motorista cometeu uma infração e que se move com velocidade escalar constante de 20 m/s. A figura a seguir ilustra a situação em um determinado instante. 20 m/s8,0 m/s 64 m Nesse instante, o guarda tem velocidade escalar 8,0 m/s. Admitindo que ele se move com aceleração escalar constante de 2,0 m/s2 e desprezando os comprimentos dos veículos: a) A partir do instante representado na figura, quanto tempo o guarda le- vará para alcançar o automóvel? b) Qual a velocidade do guar- da ao alcançar o automóvel? c) Determine a distância percorrida pelo guarda desde o instante representado na figura até o instante de encontro. Resolução: a) Adotemos a posição inicial do guarda como a ori- gem do eixo de coordenadas dos espaços (S0G = 0), e 64 m como a posição inicial do automóvel (S0A = 64 m). 20 m/s8,0 m/s 64 AG s (m)0 O movimento do guarda é uniformemente variado com S0 = 0, v0 = 8,0 m/s e a 2,0 m/s 2, e o automóvel se movimen- ta uniformemente com S0 = 64 m e v = 20 m/s. Assim, as funções horárias das posições para o guarda e para o automóvel são: guarda (MUV) automóvel (MU) S = S0 + v0t + a __ 2 t2 S = S0 + vt SG = 0 + 8,0 t + 2,0 ___ 2 t2 SA = 64 + 20 t SG = 8,0 t + t 2 Para determinar o instante de encontro, devem ser igua- ladas as posições do guarda e do automóvel dadas pelas equações acima. Assim: SG = SA 8,0 t + t² = 64 + 20 t t² – 12t – 64 = 0 Resolvendo esta equação (de 2.º grau), obtém-se: t = 16 ou t = –4 Desprezando a resposta negativa, tem-se t = 16 s, ou seja, depois de 16 segundos do instante representado na figura, o guarda alcança o automóvel. b) Como o movimento do guarda é uniforme- mente variado, substituindo t = 16 s na função horária de sua velocidade escalar, obtém-se: v = v0 + at ⇒ v = 8,0 + 2,0 t t = 16 s ⇒ v = 8,0 + (2,0)(16) ⇒ v = 40 m/s A velocidade do guarda no instante do encontro é de 40 m/s. c) Substituindo t = 16 s na equação horária da posição do guarda, resulta: SG = 8,0 t + t² t = 16 s ⇒ SG = 8,0(16) + (16)² ⇒ SG = 384 m Isto é, o guarda se moveu da posição inicial S0G = 0 até aposição SG = 384 m, e, portanto, percorreu a distância de 384 metros. 5.2. Equação de Torricelli Os problemas de MRUV podem ser resolvidos com as fun- ções horárias da velocidade e da posição. Entretanto, será mostrada a seguir uma equação que relaciona a velocida- de e a posição sem envolver o tempo. Essa equação será útil na solução de problemas que não envolvam a variável tempo no enunciado. Para obter essa equação, o tempo é isolado na função ho- rária da velocidade: v = v0 + at ⇒ at = v – v0 ⇒ t = v – v0 _____ a Esse valor de t é substituído na equação horária da posição. Assim: S = S0 + v0t + at2 ___ 2 ⇒ S = S0 + v0 ( v – v0 _____ a ) + a __ 2 ⋅ ( v – v0 _____ a ) 2 Efetuando os cálculos, obtém-se uma equação denomina- da equação de Torricelli: v² = v0² + 2a(S – S0) Evangelista Torricelli (1608-1647) serviu como copista de Galileu durante os últimos três meses de vida do mestre renomado. A partir das equações de Galileu para o MUV, Torricelli deduziu a equação que carrega seu nome. Além disso, Torricelli Inventou o barômetro, instrumento que ser- ve para medir a pressão atmosférica local. 12 Aplicação do conteúdo 1. Em uma rodovia, um automóvel viaja com velocidade escalar constante de 30 m/s. Em determinado instante, o motorista pisa no freio provocando uma desacelera- ção constante de 3,0 m/s2 até o automóvel parar. Cal- cule a distância percorrida durante a frenagem. Resolução: A figura a seguir ilustra a situação: Considerando a velocidade escalar positiva (mesmo sen- tido que a orientação da trajetória) e sendo o movimento retardado, a aceleração escalar é negativa: a = –3,0 m/s2. A velocidade inicial é v0 = 30 m/s, e a velocidade final é nula (v = 0). Pelas informações fornecidas e devido à falta de informação sobre o intervalo de tempo, é possível sus- peitar que, provavelmente, a melhor equação a ser usada é a equação de Torricelli. Assim: v² = v0² + 2a (S – S0) 0 = (30)² + 2(–3) ⋅ DS Dessa forma: DS = 150 m 2. (PUC) Ao iniciar a travessia de um túnel retilíneo de 200 metros de comprimento, um automóvel de dimen- sões desprezíveis movimenta-se com velocidade de 25 m/s. Durante a travessia, desacelera uniformemente, saindo do túnel com velocidade de 5 m/s. O módulo de sua aceleração escalar, nesse percurso, foi de: a) 0,5 m/s². b) 1,0 m/s². c) 1,5 m/s². d) 2,0 m/s². e) 2,5 m/s². Resolução: A velocidade inicial é 25 m/s e a final é 5 m/s. A variação de espaço é de 200 m. Aplica-se a equação de Torricelli para encontrar a desaceleração do corpo. v² = v0² + 2aDS (5)² = (25)² + 2 ∙ a ∙ 200 a = –1,5 m/s². Assim, o módulo da aceleração é 1,5 m/s2. Alternativa C 3. (Unicamp) Um automóvel trafega com velocidade constante de 12 m/s por uma avenida e se aproxima de um cruzamento onde há um semáforo com fiscalização eletrônica. Quando o automóvel se encontra a uma dis- tância de 30 m do cruzamento, o sinal muda de verde para amarelo. O motorista deve decidir entre parar o carro antes de chegar ao cruzamento ou acelerar o car- ro e passar pelo cruzamento antes do sinal mudar para vermelho. Esse sinal permanece amarelo por 2,2 s. O tempo de reação do motorista (tempo decorrido entre o momento em que o motorista vê a mudança de sinal e o momento em que realiza alguma ação) é 0,5 s. a) Determine a mínima aceleração constante que o carro deve ter para parar antes de atingir o cruzamen- to e não ser multado. b) Calcule a menor aceleração constante que o carro deve ter para passar pelo cruzamento sem ser multa- do. Aproxime (1,7)² ≈ 3,0. Resolução: a) O tempo de reação do motorista é 0,5 s e sua veloci- dade constante é de 12 m/s. Assim, o deslocamento do motorista em MRUV será: v = DS ___ Dt 12 = DS ___ 0,5 DS = 6 m. A distância quando o semáforo muda de verde para amarelo é 30 m, e a distância na reação é 6 m. Assim, a distância em MRUV é 24 m. Aplicando a equação de Torricelli, tem-se: v2 = v0 2 + 2 ∙ a ∙ DS (0)2 = (12)2 + 2 ∙ a ∙ 24 a = –3 m/s2 Resposta: A mínima desaceleração é de 3 m/s2. b) O tempo total é 2,2 s, e o tempo de reação é 0,5 s. Assim, o tempo do carro em MRUV será: ttotal = treação + tMRUV 2,2 = 0,5 + tMRUV tMRUV = 1,7 s. Aplicando a função horária da posição em MRUV, desco- bre-se a aceleração do carro. S = S0 + v0 t + at2 ___ 2 24 = 0 + 12 ∙ (1,7) + a ∙ (1,7) 2 _____ 2 a = 2,4 m/s2. Resposta: A aceleração será de 2,4 m/s2. 4. (UEL) Um motorista está dirigindo um automóvel a uma velocidade de 54 km/h. Ao ver o sinal vermelho, pisa no freio. A aceleração máxima para que o automó- vel não derrape tem módulo igual 5 m/s2. Qual a menor 13 distância que o automóvel irá percorrer, sem derrapar e até parar, a partir do instante em que o motorista acio- na o freio? a) 3,0 m b) 10,8 m c) 291,6 m d) 22,5 m e) 5,4 m Resolução: Aplicando a análise dimensional na velocidade inicial, tem-se: v0 = 54 km/h ∙ 1000 m ______ 1 km . 1 h ______ 3600 s = 15 m/s Fazendo um desenho ilustrativo do problema: O vetor aceleração é contra a trajetória; dessa forma, tem- -se uma desaceleração. Aplicando a equação de Torricelli, obtém-se: v² = v0² + 2aDS 0² = (15)² + 2 ∙ (–5) ∙ DS 0 = 225 – 10 DS DS = 225 ___ 10 = 22,5 m Alternativa D 5.3. Identificando as variáveis Dada uma função horária de posição qualquer, é possível descobrir por análise as variáveis de interesse S0, v0 e a afim de construir a função horária da posição. Como é sabido, todo movimento uniformemente variado tem a função da posição do seguinte modo: S(t) = S0 + v0 ⋅ t + a ⋅ t2 ____ 2 A posição inicial sempre será o coeficiente independente, ou seja, aquele que não multiplica nenhuma potência da variável t. Caso não exista, resulta que S0 = 0. A velocidade inicial será o coeficiente que acompanha a potência de t que tem o expoente 1. Por fim, a aceleração será o dobro do coeficiente que acompanha a potência de t que está ao quadrado. Caso falte alguma potência de t, isso se deve ao fato de que o coeficiente é nulo. Se, por exemplo, for fornecida uma função S(t)=5 – 3 ∙t + 3 ∙ t2, é possível comparar com a função da posição genérica e identificar S0 = 5 m, v0 = –3 m/s e a = 6 m/s 2. Dessa forma, é possível escrever a função horária da velocidade, que de maneira genérica é dada por: v(t) = v0 + a · t E, assim, temos que: v(t) = –3 + 6 ∙ t Do mesmo modo, pode-se inferir a velocidade inicial e aceleração a partir da função da velocidade. Na fun- ção da velocidade, o coeficiente independente trata-se da velocidade inicial e o coeficiente que acompanha a variável t é a aceleração. Seja uma dada função da velocidade v(t) = 5 + 8 ∙ t, temos que v0 = 5 m/s e a = 8 m/s2. Porém não conseguimos escrever a função da posição, pois ainda falta a posição inicial, neste caso o enunciado irá fornecer a informação, por exemplo S0 = –3 m . Assim, poderemos substituir na função gené- rica da posição: S(t) = S0 + v0 ⋅ t + a ⋅ t2 ____ 2 Assim, teremos que: S(t) = –3 + 5 · t + 4 ∙ t2 14 Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica ou ambiental. ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM 19 Habilidades A habilidade 19 avalia a capacidade do estudante de avaliar métodos em solucionar problemas cotidianos, rela- cionados também ao movimento de corpos acelerados. O exemplo mais comum disto são os exercícios que en- volvem veículos de transporte (carros, motos, caminhões) que constantemente mudam sua velocidade ao trafegar pelas vias públicas. Avaliar qual é a distância que um móvel percorre até frear em um semáforo, por exemplo, é frequente nas avaliações do Enem, sendo esta uma situação-problema clássica. Modelo 1 (Enem) O trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM), que circula diariamente entre a cidade de Cariacica, na Grande Vitória, e a capital mineira Belo Horizonte, está utilizandouma nova tecnologia de frenagem eletrônica. Com a tecnologia anterior, era preciso iniciar a frenagem cerca de 400 metros antes da estação. Atual- mente, essa distância caiu para 250 metros, o que proporciona redução no tempo de viagem. Considerando uma velocidade de 72 km/h, qual o módulo da diferença entre as acelerações de frenagem depois e antes da adoção dessa tecnologia? a) 0,08 m/s2 b) 0,30 m/s2 c) 1,10 m/s2 d) 1,60 m/s2 e) 3,90 m/s2 Análise expositiva 1 - Habilidade 19: Neste exercício o aluno se depara na mesma situação com duas possibilida- des de sistema de frenagem e deve calcular o módulo da diferença entre elas, fazendo-se necessária a aplicação e ma- nipulação das fórmulas que regem o MRUV, o estudante deve repetir o mesmo procedimento em ambas as situações. Supondo essas acelerações constantes, aplicando a equação de Torricelli para o movimento uniformemente retardado, vem: v2 = vO 2 – 2 a DS ⇒ O2 = v0 2 – 2 a DS ⇒ a = 2 D S ⇒ ( a1 = 20 2 _______ 2 · 400 ⇒ a1 = 0,5 m ____________________________ a2 = 202 _______ 2 · 250 ⇒ a1 = 0,8 m/s 2 ) ⇒ |a1 – a2| = |0,5 - 0,8| ⇒ |a1 – a2| = 0,3 m/s2. Alternativa B B v 0 2 /s2 15 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.20 Habilidade A habilidade 20 mais uma vez aparece, já que mais um passo é acrescentado ao estudo do movimento dos corpos: agora os corpos podem possuir aceleração não nula. No cotidiano mundano das pessoas, os móveis estão em constante alter- ação do seu movimento, o exemplo mais clássico disto é um automóvel que após estar estacionado adquire movimento, sendo freado posteriormente em algum semáforo e acelerado novamente inúmeras vezes até chegar em seu destino. A mudança da velocidade é algo normal e se faz presente em inúmeras situações-problema que o estudante irá encontrar. Modelo 2 (Enem) Um motorista que atende a uma chamada de celular é levado à desatenção, aumentando a possibilidade de acidentes ocorrerem em razão do aumento de seu tempo de reação. Considere dois motoristas, o primeiro atento e o segundo utilizando o celular enquanto dirige. Eles aceleram seus carros inicialmente a 1,00 m/s2. Em resposta a uma emergência, freiam com uma desaceleração igual a 5,00 m/s2. O motorista atento aciona o freio à velocidade de 14,0 m/s enquanto o desatento, em situação análoga, leva 1,00 segundo a mais para iniciar a frenagem. Que distância o motorista desatento percorre a mais do que o motorista atento, até a parada total dos carros? a) 2,90 m b) 14,0 m c) 14,5 m d) 15,0 m e) 17,4 m Análise expositiva 2 - Habilidade 20: Excelente exercício, traz para a realidade do estudante a aplicação direta das funções horárias do movimento uniformemente acelerado em uma situação-problema comum nos dias atuais: moto- ristas imprudentes que utilizam celulares enquanto dirigem. Aplicando as funções e manipulando as equações o estu- dante será capaz de perceber qual a real diferença entre dirigir com atenção e dirigir enquanto se manipula um celular. Para o motorista atento, temos: Tempo e distância percorrida até atingir 14 m/s a partir do repouso: v = v0 + at 14 = 0 + 1 · t1 ⇒ t1 = 14 s v2 = v0 2 + 2aDS 142 = 02 + 2 · 1 · d1 ⇒ d1 = 98 m Distância percorrida até parar: 02 = 142 + 2 · (–5) · d1’ ⇒ d1’ = 19,6 m Distância total percorrida: DS1 = d1 + d1’ = 98 + 19,6 ⇒ DS1 = 117,6 m Para o motorista que utiliza o celular, temos: t2 = t1 + 1 ⇒ t2 = 15 s Velocidade atingida e distância percorrida em 15 s a partir do repouso: v2 = 0 + 1 · 15 ⇒ v2 = 15 m/s 152 = 02 + 2 · 1 · d2 ⇒ d2 = 112,5 m Distância percorrida até parar: 02 = 152 + 2 · (–5) . d2’ ⇒ d2’ = 22,5 m Distância total percorrida: DS2 = d2 + d2’ = 112,5 + 22,5 ⇒ DS2 = 135 m Portanto, a distância percorrida a mais pelo motorista desatento é de: DS = DS2 – DS1 = 135 – 117,6 ∴DS = 17,4 m Alternativa E E 16 ALTERAÇÃO DA VELOCIDADE ACELERAÇÃO REFERENCIAL MOVIMENTO VELOCIDADE INICIAL VELOCIDADE FINAL CONDIÇÕES INICIAIS FUNÇÕES HORÁRIAS DIAGRAMA DE IDEIAS 17 Gráficos do MrUV CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17 e 20 AULAS 11 e 12 1. Gráfico da aceleração escalar em função do tempo No Movimento Retilíneo Uniformemente Variado(M.R.U.V.), a aceleração escalar a é uma constante e não nula. Em consequência, o gráfico a x t, da aceleração (no eixo das ordenadas) em função do tempo (no eixo das abscissas), é uma reta paralela ao eixo dos tempos. Existem duas possibilidades para o gráfico da aceleração. Caso a aceleração seja favorável à orientação adotada, o gráfico será uma reta paralela ao eixo horizontal e acima dele. Entretanto, se a aceleração for contrária à orientação adotada, o gráfico será uma reta paralela ao eixo horizon- tal e abaixo do mesmo. Gráficos da velocidade escalar em função do tempo A função horária da velocidade escalar v é uma função do 1.° grau (v = v0 + at). Assim, o gráfico v × t, da velo- cidade escalar em função do tempo, é uma reta incli- nada. Quando a aceleração escalar for positiva (a > 0), a inclinação da reta será positiva, ou seja, o gráfico será crescente; quando a aceleração escalar for negativa (a < 0), a inclinação da reta será negativa, ou seja, o gráfico será decrescente. Observe as figuras a seguir. Nos gráficos acima foram assinalados dois triângulos retângulos em que o cateto vertical corresponde à variação da velocidade escalar (Dv), e o cateto horizontal representa a variação do tempo (Dt). A aceleração escalar pode ser obtida com base no gráfico. Calculando: a = tg α = Dv ___ Dt Observe que, se a função for crescente, o resultado será uma aceleração positiva; se a função for decrescente, o re- sultado será uma aceleração negativa. G1 - Saiba como interpretar gráficos de movimento Fonte: Youtube multimídia: vídeo 18 Aplicação do conteúdo 1. Na figura a, está representado o gráfico da velocida- de escalar em função do tempo de uma partícula. Como o gráfico é retilíneo, o movimento é uniformemente va- riado (MUV). A aceleração escalar do movimento, como foi visto acima, pode ser calculada a partir de um triân- gulo retângulo qualquer, cuja hipotenusa esteja sobre o gráfico, e os catetos horizontal e vertical, como o triân- gulo retângulo sombreado na figura b. Resolução: Dos valores dos catetos do triângulo, calcula-se: a = Dv ___ Dt = 20 m/s ______ 4 s = 5 m/s2 Observando ainda a figura, no instante t = 0 a velocidade é 10 m/s, ou seja, a velocidade inicial é v0 = 10 m/s. Assim, encontra-se a função horária da velocidade escalar: v = v0 + at ⇒ v = 10 + 5t O gráfico da aceleração escalar em função do tempo para esse movimento é representado na figura abaixo: 2. Na figura a, está representado um gráfico v × t. Nova- mente o gráfico é uma reta e, portanto, representa um MUV. Para calcular a aceleração, considere o triângulo retângulo sombreado na figura b. Resolução: Para o cateto vertical desse triângulo, tem-se: |Dv| = 27 – 9 = 18 Entretanto, é possível observar no gráfico que a velocidade escalar diminui ao longo do tempo. Desse modo, a variação da velocidade é negativa Dv < 0, então: Dv = –18 m/s Calculando a aceleração: a = Dv ___ Dt = –18 m/s ______ 6 s = –3 m/s2 Ou seja, a aceleração escalar é negativa. Do gráfico, obtém-se a velocidade inicial v0 = 27 m/s, e a função horária da velocidade escalar é: v = v0 + at ⇒ v = 27 – 3t Observe a seguir o gráfico a × t para esse movimento: 1.1. Propriedade do gráfico a × t No gráfico da aceleração pelo tempo a = a(t), tem-se uma propriedade de grande importância. A área compreendida entre a função e o eixo das abscissas é numericamente equivalente à variação da velocidade. Gráficos do MRUV Fonte: Youtube multimídia: vídeo 19 Por convenção, se a área estiver acima do eixo das ab- scissas, a variação da velocidade será positiva. Se a área estiver abaixo, a variação da velocidade será negativa.1.2. Propriedade do gráfico v × t Como foi visto anteriormente, a função da velocidade pelo tempo é uma função do primeiro grau v = v(t) = v0 + a . t; nesse sentido, existem dois pontos de extremo interesse. O primeiro é o ponto no qual a função corta o eixo vertical. Esse ponto é a velocidade inicial v0. O segundo é o ponto no qual a função corta o eixo horizontal. Esse ponto marca o instante em que a velocidade é nula e pode indicar o ins- tante em que ocorreu a inversão do sentido de movimento. A partir do gráfico v × t também é possível carac- terizar o movimento. Se a função v(t) for crescente (a aceleração é positiva), nos instantes em que a velocid- ade for negativa tem-se movimento retrógrado retardado, e nos instantes em que a velocidade for positiva tem-se movimento progressivo acelerado. v > 0 a > 0 movimento acelerado v < 0 a > 0 movimento retardado Caso a função v(t) seja decrescente (a aceleração é negativa), nos instantes em que a velocidade for negativa tem-se mov- imento retrógrado acelerado, e nos instantes que a veloci- dade for positiva tem-se movimento progressivo retardado. Em ambos os casos, t’ é o instante em que ocorre a in- versão do movimento, ou seja, quando o móvel para e passa a deslocar-se em sentido contrário ao anterior. No caso do movimento uniforme (MU), a área da figura entre o gráfico da velocidade escalar e o eixo do tempo é numericamente igual à variação de posição. Essa proprie- dade também é válida para o movimento uniformemente variável (MUV). Como é possível observar nos gráficos acima, as áreas dos trapézios sombreados são numericamente iguais aos mód- ulos das variações de posição (DS) entre os instantes t1 e t2. Vale lembrar que, se a área está acima do eixo das ab- scissas, o deslocamento é positivo; e se a área se encontra abaixo do eixo, o deslocamento é negativo. 20 Aplicação do conteúdo 1. Um automóvel se move com velocidade constante de 20 m/s. Então o motorista pisa no freio de modo que o automóvel adquire movimento uniformemente retar- dado e para 4 segundos depois. Calcule a distância per- corrida pelo automóvel durante a frenagem. Resolução: É possível resolver o problema calculando a aceleração do movimento usando a função horária da velocidade e subs- tituindo o valor da aceleração na função horária da posição (ou na equação de Torricelli). Entretanto, vamos calcular graficamente (trata-se um método mais rápido): esboce o gráfico v × t, embora o problema não o tenha pedido. Na figura a seguir está representado o esboço do gráfico v × t. A área do triângulo sombreado, como foi visto, é numericamente igual a variação de posição: DS = (4,0)(20) _______ 2 ⇒ Ds = 40 m Dessa forma, o automóvel percorreu 40 m durante a frenagem. 2. (UFLA) O diagrama abaixo, velocidade versus tempo, representa o movimento de um corpo ao longo de uma trajetória retilínea. Considerando que o corpo parte da posição S0 = 10 m no instante t0 = 0 s, é CORRETO afirmar que o diagrama que representa esse movimento é: a m/s2 a m/s2 a) b) c) d) Resolução: Em um gráfico de velocidade em função do tempo no MRUV, a aceleração constante é o coeficiente angular (tg x). VIVENCIANDO As funções parabólicas são aplicadas de diversas maneiras na engenharia, como no uso para construção de antenas parabólicas e faróis de carro. A construção dos gráficos possibilita a criação de modelos que ajudam a entender e a prever os desenvolvimentos dos movimentos a serem estudados. Apesar de o universo possuir muitas dimensões, é possível se deparar com movimentos unidimensionais ou que podem ser aproximados para esse modelo. A porta automática que abre quando você avança ou o correr de uma cortina são exemplos disso. O modelo matemático proporcionado pelos gráficos criados permite a compreensão de diversos movimentos acele- rados, como um carro de Fórmula 1 acelerando em direção à linha de chegada na reta final de um Grand Prix. 21 a = tg x = Dv ___ Dt = (vf – v0) ______ (tf – t0) = (–20 – (+ 20) ________ (2 – 0) = – 20 m/s². A velocidade inicial é 20 m/s, e a posição inicial é 10 m; assim, a função horária do espaço será: S(t)= S(0) + v(0) t + at 2 ___ 2 S(t) = 10 + 20t –10t2 Substituindo o tempo por 2 segundos, tem-se: S(2) = 10 + 20 ∙ (2) – 10(2)² = 10 + 40 – 40 = 10 m. A única resposta possível é a alternativa A. Alternativa A 2. (Unesp) No gráfico a seguir são apresentados os va- lores da velocidade v, em m/s, alcançada por um dos pilotos em uma corrida em um circuito horizontal e fe- chado, nos primeiros 14 segundos do seu movimento Sabe-se que de 8 a 10 segundos a trajetória era retilínea. Considere g = 10 m/s2 e que para completar uma volta o piloto deve percorrer uma distância igual a 400 m. A partir da análise do gráfico, são feitas as afirmações: I. O piloto completou uma volta nos primeiros 8 segundos de movimento. II. O piloto demorou 9 segundos para completar uma volta. III. A distância percorrida nos 14 segundos é menor que 600 metros. IV. Em todo tempo o movimento é acelerado. São verdadeiras apenas as afirmações: a) II e III. d) I, III e IV. b) II e IV. e) II, III e IV. c) III e IV. Resolução: Afirmativa I – Incorreta. A distância percorrida pelo piloto nos primeiros 8 segundos será: DS0-8 = A1 = (80) ∙ (8) ______ 2 = 320 m Afirmativa II – Correta. DS0-9 = (80) ∙ (8) ______ 2 + (80) ∙ (9 – 8) = = 320 + 80 = 400 m. Afirmativa III – Correta. A distância percorrida pelo piloto nos 14 segundos será: DS0-14 = A1 + A2 + A3 + A4 = (80) ∙ (8) ______ 2 + 80(10 – 8) + (80 + 20) ∙ (12 – 10) _____________ 2 + (20) ∙ (13 – 12) _________ 2 DS0-14 = 320 + 160 + 100 + 10 DS0,14 = 590 m. Afirmativa IV – Incorreta, pois, como é possível observar no gráfico, entre os instantes 8 e 10 s o movimento é uniforme, e nos instantes 10 e 13 s o movimento é retardado (a < 0). Alternativa A. 1.3. Propriedade da velocidade média O gráfico v × t pode ser utilizado para calcular a variação de posição e a velocidade escalar média entre os instantes t1 e t2: A área sombreada representa o deslocamento entre os in- stantes t1 e t2. Se a área estiver acima do eixo horizontal, a velocidade média é positiva; se a área estiver abaixo do eixo horizontal, a velocidade média é negativa. Para o cál- culo da velocidade média, é preciso calcular a razão entre a área e a diferença entre intervalos de tempo. 22 Aplicação do conteúdo 1. Determine a velocidade escalar média entre os ins- tantes t = 3 s e t = 6 s para o movimento representado no gráfico abaixo. Resolução: A partir da área sombreada na figura abaixo, é possível cal- cular a variação de posição DS. Por ser um trapézio, tem-se: DS = (20 + 30)(3) __________ 2 ⇒ DS = 75 m Dessa forma, a velocidade escalar média é: vm = Dv ___ Dt = 75 m ____ 3 s = 25 m/s 2. Gráfico da posição em função do tempo A função horária da posição do movimento retilíneo uniformemente variado (M.R.U.V.) é uma equação do segundo grau em t. S = S0 + v0 ⋅ t + a ⋅ t2 ____ 2 Assim, o gráfico da posição em função do tempo (s × t) deve ser um arco de parábola. Ele pode ocorrer de dois modos: a concavidade pode ser para cima ou para baixo. Como na função do segundo grau, a concavidade é deter- minada pelo sinal que acompanha o coeficiente da variável de grau dois; no caso da função da posição, a concavidade é determinada pela aceleração. É importante ressaltar que o gráfico da posição pelo tempo não informa necessaria- mente a trajetória descrita pelo móvel. a > 0 ⇒ concavidade para cima a < 0 ⇒ concavidade para baixo CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS Matemática e Física estão fundamentalmente relacionadas. O desenvolvimento das duas disciplinas tem diversas conexões, e o uso de gráficos em experimentos científicos é um passo importante da construção do conhecimento na Física, além de uma das formas de criar uma interpretação para os eventos e experimentoscientíficos. Gráficos são uma técnica gráfica para representar um conjunto de dados, geralmente relacionando duas ou três variáveis. A parábola, curva gráfica característica de funções polinomiais de equações do 2.º grau, aparece aqui como uma forma de modelar matematicamente a relação entre espaço × tempo de um móvel em MRUV. xx f(x)f(x) xx f(x)f(x) 23 Nem sempre o gráfico apresentará o aspecto dos gráficos descritos acima; como não foram considerados os tempos negativos, foi considerado apenas o trecho de linha con- tínua da parábola, à direita do eixo vertical. O ponto A assinalado em cada figura é o vértice da parábo- la e corresponde ao instante em que a velocidade se anula, isto é, v = 0 no instante t’. Será nesse instante que poderá ocorrer mudança no sentido do movimento. O gráfico da posição pelo tempo também é útil para caracteri- zar o movimento. No caso de a aceleração ser positiva, tem-se: S’ Observe que, à esquerda do ponto A, a posição diminui com o tempo, fator que indica uma velocidade negativa (v < 0); como a aceleração é positiva (a > 0), tem-se um movimento retrógrado retardado. No ponto A, o móvel tem velocidade nula e nele ocorre a inversão do sentido do movimento. Por fim, à direita do ponto A, a posição aumen- ta com o tempo, fator que indica uma velocidade positiva (v > 0); como a aceleração é positiva (a > 0), tem-se um movimento progressivo acelerado. No caso de a aceleração ser negativa, tem-se: S’ Observe que, à esquerda do ponto A, a posição aumenta com o tempo, fator que indica uma velocidade positiva (v > 0); como a aceleração é negativa (a < 0), tem-se um movimento progressivo retardado. No ponto A, o móvel tem velocidade nula e nele ocorre a inversão do sentido do movimento. Por fim, à direita do ponto A, a posição diminui com o tempo, fator que indica uma velocidade negativa (v < 0); como a aceleração é negativa (a < 0), tem-se um movimento retrógrado acelerado. Aplicação do conteúdo 1. (UFB) O espaço (posição) de um móvel varia com o tempo conforme o gráfico abaixo. Pede-se determinar: a) O espaço (posição) inicial S0, o instante ti em que o móvel inverte o sentido de seu movimento e o(s) instante(s) em que passa pela origem dos espaços (posições, marco zero). b) O intervalo de tempo em que o movimento é pro- gressivo e o intervalo de tempo em que o movimento é retrógrado. c) O intervalo de tempo em que o movimento é acele- rado e em que é retardado. d) A função horária do espaço. e) A função horária da velocidade e sua represen- tação gráfica. f) A função horária da aceleração e sua representação gráfica. Resolução: a) De acordo com o gráfico, a posição inicial é 8 metros, o instante que o móvel inverte o sentido do seu movi- mento é 3 segundos, e os instantes em que o móvel passa pela origem (S(t) = 0 m) são 2 e 4 segundos. b) O movimento é progressivo quando o móvel se des- loca no sentido dos marcos crescentes (v > 0), o que ocorre após t = 3 s, e retrógrado quando o móvel se desloca no sentido dos marcos decrescentes (v < 0), o que ocorre entre 0 e 3 s. c) O movimento é acelerado após 3 s, uma vez que a aceleração e a velocidade têm mesmo sinal (a é positiva, ou seja, “a concavidade da parábola é para cima”, e v é positiva, isto é, “se desloca no sentido dos marcos crescentes”). O movimento é retardado entre 0 e 3 s, pois a aceleração é positiva e a veloci- dade é negativa. d) Sendo a função do espaço S(t) = a + bt + ct², bas- ta substituir os pontos conhecidos para encontrar as incógnitas da função. 24 S(0) = 8 a + b(0) + c(0)² = 8 a = 8 S(2) = 0 a + b(2) +c(2)² = 0 8 + 2b + 4c = 0 b + 2c = –4 (equação 1) S(3) = –1 a + b(3) + c(3)² = –1 8 +3b + 9c = –1 –b – 3c = +3 (equação 2) Ao realizar a soma das equações 1 e 2, tem-se: (b + 2c) + (–b –3c) = –4 + 3 b + 2c – b – 3c = –1 c = 1 É preciso voltar à equação 1 para encontrar b. b + 2c = –4 b = –6 Dessa forma, a função horária do móvel será: S(t) = 8 + (–6)t + (1)t² S(t) = 8 – 6t + 1t² e) Comparando a função horária do móvel com a função horária da posição em MRUV, tem-se: S(t) = 8 – 6t + 1t² S(t) = S0 +v0t + at² ___ 2 Assim, segue: S0 = 8 m; v0 = –6 m/s; a = 2 m/s 2. Aplicando a velocidade inicial e a aceleração na função ho- rária da velocidade em MRUV, tem-se: v(t) = v0 + at v(t) = (–6) + (2) ∙ t = –6 +2t . v(t) = 0 –6 + 2t = 0 t = 3 s O gráfico da velocidade é uma reta crescente, pois a ace- leração é positiva. t v(t) 0 –6 3 0 f) A aceleração é uma constante durante todo o tempo. Assim a sua função e o seu gráfico serão: a(t) = 2 m/s² 3. (Unifesp) multimídia: sites brasilescola.uol.com.br/fisica/graficos- movimento-uniformemente-variado.htm efisica.if.usp.br/mecanica/basico/mruv/ intro/physics.tutorvista.com/motion/ motion-graphs.html 25 Telecurso 2000 - Aulas 04/50 - Física - MRUV Fonte: Youtube multimídia: vídeo Em um teste, um automóvel é colocado em movimento retilíneo uniformemente acelerado a partir do repouso até atingir a velocidade máxima. Um técnico constrói o gráfico em que se registra a posição x do veículo em função de sua velocidade v. Através desse gráfico, pode-se afirmar que a aceleração do veículo é: a) 1,5 m/s2. b) 2,0 m/s2. c) 2,5 m/s2. d) 3,0 m/s2. e) 3,5 m/s2. Resolução: É preciso encontrar dois pontos no gráfico e aplicar a Equa- ção de Torricelli para encontrar a aceleração. v S(t) 0 0 6 9 v² = v0 + 2 ∙ a ∙ (Sf – S0) (6)² = (0)² + 2 ∙ a ∙ (9 – 0) a = 2 m/s² Alternativa B 4. (UERJ) Um trem de brinquedo, com velocidade inicial de 2 cm/s, é acelerado durante 16 s. O comportamento da aceleração nesse intervalo de tempo é mostrado no gráfico a seguir: Calcule, em cm/s, a velocidade do corpo imediatamente após esses 16 s. Resolução: As acelerações são: a1 = 4 cm/s² ; a2 = –3 cm/s² ; a3 = 4 cm/s² ; Aplicando a função horária da velocidade acharemos a ve- locidade final no instante t = 6 s. v6 = v0 + a1t = 2 + 4(6 – 0) = 26 cm/s. Aplicando a função horária da velocidade acharemos a ve- locidade final no instante t = 10 s. v10 = v6 + a2t = 26 + (–3) ∙ (10 – 6) = 14 cm/s. Aplicando a função horária da velocidade acharemos a ve- locidade final no instante t = 10 s. v16 = v10 + a3t = 14 + (4) ∙ (16 – 10) = 38 cm/s. Resposta: A velocidade final será 38 cm/s. De maneira mais rápida poderíamos fazer: Dv = v – vi onde Dv é dado pelas áreas A1, A2 e A3: Dv = (6 · 4) + (–3 · 4) + (6 · 4) = 36 cm/s Logo: v = Dv + vi v = 36 + 2 = 38 cm/s 26 ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físi- cas, químicas ou biológicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.17 Habilidades A habilidade 17 é constantemente acionada nas ciências exatas, e o aluno deverá ser capaz de interpretar fórmulas, gráficos, tabelas e relações matemáticas traduzindo, interpretando ou colhendo informações conceituais de situações contextualizadas. Modelo 1 (Enem 2017) Em uma colisão frontal entre dois automóveis, a força que o cinto de segurança exerce sobre o tórax e abdômen do motorista pode causar lesões graves nos órgãos internos. Pensando na segurança do seu produto, um fabricante de automóveis realizou testes em cinco modelos diferentes de cinto. Os testes simularam uma colisão de 0,30 segundo de duração, e os bonecos que representavam os ocupantes foram equipados com acelerômetros. Esse equipamento registra o módulo da desaceleração do boneco em função do tempo. Os parâmetros como massa dos bonecos, dimensões dos cintos e velocidade imediatamente antes e após o impacto foram os mesmos para todos os testes. O resultado final obtido está no gráfico de aceleração por tempo. Qual modelo de cinto oferece menor risco de lesão interna ao motorista? a) 1 b) 2 c) 3 d) 4 e) 5 Análise expositiva 1: O aluno deve ser capaz de ler o gráfico e, a partir dele, retirar as informações necessárias. De acordo com o gráfico, o cintoque apresenta o menor valor de amplitude para a aceleração é o 2, sendo, portanto, o mais seguro. Alternativa B B Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.20 27 A habilidade 20 cobra do estudante que ele saiba compreender fenômenos mecânicos relacionados ao movimento dos corpos: posição, velocidade e aceleração são conceitos fundamentais para essa compreensão. Modelo 2 (Enem) Para melhorar a mobilidade urbana na rede metroviária é necessário minimizar o tempo entre estações. Para isso a administração do metrô de uma grande cidade adotou o seguinte procedimento entre duas estações: a locomo- tiva parte do repouso em aceleração constante por um terço do tempo de percurso, mantém a velocidade constante por outro terço e reduz sua velocidade com desaceleração constante no trecho final, até parar. Qual é o gráfico de posição (eixo vertical) em função do tempo (eixo horizontal) que representa o movimento desse trem? a) d) b) e) c) Análise expositiva: Em muitos casos, esse tipo de exercício é rápido e de fácil resolução. Apesar de cobrar concei- tos, a simplicidade do conteúdo facilita a interpretação da informação. 1.º trecho: movimento acelerado (a > 0)→o gráfico da posição em função do tempo é uma curva de concavidade para cima. 2.º trecho: movimento uniforme (a = 0)→o gráfico da posição em função do tempo é um segmento de reta crescente. 3.º trecho: movimento desacelerado (a < 0)→o gráfico da posição em função do tempo é uma curva de concavida- de para baixo. Alternativa C C 28 GRÁFICOS CONCAVIDADE PARA CIMA CONCAVIDADE PARA BAIXO RETA CRESCENTE RETA DECRESCENTE ACELERAÇÃO CONSTANTE a > 0 a < 0 a > 0 a < 0 GRÁFICOS MRUV POSIÇÃO VELOCIDADE DIAGRAMA DE IDEIAS 29 Queda livre e lançamento vertical CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17 e 20 AULAS 13 e 14 Experimento: queda livre Fonte: Youtube multimídia: vídeo 1. De Aristóteles A GAlileu Aristóteles, um dos grandes filósofos gregos, viveu por vol- ta de 300 a.C. Ele afirmou que, caso duas pedras, uma com massa menor e outra com massa maior, fossem abandona- das da mesma altura e ao mesmo tempo, a pedra de maior massa cairia mais rapidamente e atingiria o solo antes da pedra com menos massa. Durante muitos séculos, essa afirmação foi aceita como verdadeira, e, ao que parece, Aristóteles e seus seguidores não se preocuparam em veri- ficar, por meio de experiência, se isso realmente acontecia. Galileu Galilei, famoso físico italiano do século XVII, acredi- tava que deveriam ser realizadas experiências cuidadosas para comprovar as afirmativas acerca do comportamento da Natureza. Por esse motivo, ele é considerado um dos introdutores do método experimental na Física. Conta-se a seguinte lenda de um experimento realizado por Galileu para testar as ideias de Aristóteles: do alto de uma tor- re, Galileu teria abandonado simultaneamente algumas esferas de massas diferentes. Ele verificou que todas elas atingiam o solo ao mesmo tempo. Essa experiência contra- dizia as ideias de Aristóteles. Contudo, muitos seguidores do pensamento aristotélico não se deixaram convencer, e Galileu chegou a ser alvo de perseguições por defender ideias consideradas revolucionárias. Ainda hoje é comum as pessoas serem guiadas pelo senso comum e afirmarem que um corpo mais massivo atinge o solo mais rapidamente. A seguir, essa questão será estuda- da mais detalhadamente. 2. QueDA livre Ao serem soltas simultaneamente de uma mesma altura, uma pedra e uma folha não atingem o solo ao mesmo tempo: a pedra cairá com mais rapidez e atingirá o solo primeiro. Galileu elaborou a hipótese de que o ar talvez exercesse uma ação retardadora maior sobre a folha. Caso isso acontecesse, a folha gastaria mais tempo do que a pedra para cair. Tempos depois, foi possível comprovar experimentalmente que a hipótese de Galileu estava correta: retirando o ar de um tubo fechado, isto é, fazendo vácuo nesse tubo, e reali- zando a experiência de queda de uma folha e uma pedra, constatou-se que os dois objetos atingiam a extremidade inferior do tubo ao mesmo tempo, ou seja, o tempo gasto na queda era o mesmo para os dois objetos. Galileu es- tava certo ao afirmar que todos os objetos caem simulta- neamente quando a queda ocorre no vácuo ou quando a resistência do ar sobre os objetos pode ser desprezada por ser muito menor do que seus pesos (como a resistência do ar sobre as pedras lançadas do alto da torre). Nessas duas condições, os objetos estão em queda livre. Ar Vácuo 30 Galileu conseguiu observar que a queda livre é um movi- mento uniformemente acelerado, isto é, a velocidade de um objeto qualquer em queda livre aumenta sempre em quantidades iguais a cada intervalo de tempo de 1 s. Para chegar a essa conclusão, Galileu estudou o mo- vimento de pequenos corpos que partiam do repouso e desciam um plano inclinado. Assim, ele verificou que o tempo de movimento não se alterava, assim como as posições assumidas em instantes idênticos, desde que o ângulo do plano inclinado não fosse alterado. Com efeito, ele percebeu que o movimento de queda dos corpos não dependia da massa dos corpos envolvidos. Como todos os corpos partiam do repouso e ganhavam velocidade, Galileu supôs que se tratava de um movimento uniformemente acelerado, ou seja, que a velocidade aumentava sempre nas mesmas proporções. Ao alterar o ângulo do plano inclinado, Galileu observou que havia alteração no tempo de movimento e nas posições as- sumidas em instantes idênticos, quando comparados a outro plano inclinado com ângulo distinto. Quanto maior fosse o ângulo do plano inclinado, menos tempo o móvel levava no seu movimento. Assim, Galileu afirmou que, se o ângulo do plano inclinado fosse de 90°, em uma queda livre, a acelera- ção sofrida pelo mesmo seria igual a 9,8 m/s a cada 1 s. Essa aceleração é denominada aceleração da gravidade e repre- sentada por g. Neste curso, sera adotado para a aceleração da gravidade terrestre um valor aproximado: |g| = 10 m/s2. Sempre será possível adotar esse valor para a aceleração da gravidade, a não ser que o exercício forneça outro. Adotando a orientação dos espaços como sendo positiva “para baixo”, uma vez que durante a queda livre os objetos se movimentam em sentido ao solo, a aceleração é positiva (a = +|g|). Sendo a posição inicial S0 e a velocidade inicial é v0, são escritas as seguintes equações para a queda livre: v = v0 + |g| ⋅ t S = S0 + v0 ⋅ t + |g| ⋅ t² ____ 2 v² = v0² + 2 ⋅ |g| ⋅ DS Sendo o deslocamento DS do móvel do ponto inicial até o chão e lembrando que, como o móvel foi abandonado, v0 = 0, o tempo de queda pode ser calculado por: v = g · t DS = |g| ∙ t2 _____ 2 tqueda = √ _____ 2∙DS ____ g Nessa situação, é adotada a orientação com sentido para baixo, e é importante ressaltar que os valores da posição aumentam de cima para baixo. Aplicação do conteúdo 1. (PUC) Dois corpos de pesos diferentes são abandona- dos no mesmo instante de uma mesma altura. Desconsiderando-se a resistência do ar, é CORRETO afirmar: a) Os dois corpos terão a mesma velocidade a cada instante, mas com acelerações diferentes. b) Os corpos cairão com a mesma aceleração e suas velocidades serão iguais entre si a cada instante. c) O corpo de menor volume che- gará primeiro ao solo. d) O corpo de maior peso chegará primeiro ao solo. Resolução: Como a resistência do ar é desprezada, eles caem com a mesma aceleração, que é a da gravidade. Em consequên- cia, suas velocidades, em cada instante, serão sempre as mesmas, independentemente de seus pesos. Alternativa B 2. (FEI) Um atleta, na Vila Olímpica, deixa seu tênis cair pela janela. Ao passar pela janela do 3.º andar, verifica-se que a velocidade do tênis é de aproxima- damente v = 11 m/s. Sabendo-se que cada andar pos- sui, aproximadamente, altura h = 3 m, e consideran- do o movimentodo tênis uma queda livre, determine (considere g = 10 m/s²): a) a velocidade do tênis ao passar por uma janela do térreo; b) de que andar o tênis caiu. Resolução: a) Fazendo um desenho ilustrativo do problema, tem-se: S0 = 0 v3 = 11 m/s S = 9 m 10 m/s S0= 0 3.º ANDAR V3 = 11 m/s g = 10 m/s S = 9 m TÉRREO Vt = ? (+) 31 Aplicando a Equação de Torricelli do terceiro andar até o térreo, tem-se: v² = v3² + 2 ∙ g ∙ DS vt² = (11)² +2 ∙ 10 ∙ 9 Vt = √ _____ 301 = 17,3 m/s Resposta: A velocidade no térreo será aproximadamente de 17,3 m/s. b) Aplicando a Equação de Torricelli do andar inicial até o térreo, tem-se: vt² = vx² + 2 ∙ g ∙ DS (17,3)² = (0)² + 2 ∙ g ∙ (3x) x = 301 ___ 60 ≈ 5,0167 Resposta: O tênis caiu do 5.º andar da Vila Olímpica. 3. (PUC-RJ) Uma pedra, deixada cair de um edifício, leva 4 s para atingir o solo. Desprezando a resistência do ar e considerando g = 10 m/s², escolha a opção que indica a altura do edifício em metros. a) 20. b) 40. c) 80. d) 120. e) 160. Resolução: A velocidade inicial é 0 m/s, a aceleração é a da gravidade (g = 10 m/s²) e o tempo de queda é 4 segundos. Assim, a altura do prédio será: S= S0 + v0t + at² ___ 2 H = 5t² = 5 · (4)² = 80 m. Alternativa C 3. lAnçAmento verticAl O módulo da velocidade de um objeto com velocidade inicial v0, ao ser lançado para cima, diminui (movimento retardado) à medida que o objeto sobe. Ao atingir o ponto mais alto de sua trajetória, sua velocidade é nula. Em se- guida, o objeto começa a cair e o módulo de sua velocida- de aumenta (movimento acelerado). Entretanto, os sinais da velocidade e da aceleração dependem da orientação do sistema de coordenadas. Serão adotadas orientações diferentes para ambas as situações. 1.º caso – o objjeto é lançado para cima com velocidade inicial v0. redução do módulo da velocidade Nesse caso, será adotada orientação para cima, ou seja, os valores de posição aumentam de baixo para cima. Assim, a velocidade inicial será positiva (v0 > 0), e a aceleração será negativa (a = –|g|). Tem-se um movimento progressivo re- tardado. Adotando |g| = 10 m/s², tem-se: v = v0 – |g| ∙ t S = S0 + v0 ∙ t – 1 __ 2 ∙ |g| ∙ t2 v2 = v0 2 – 2 ∙ |g| ∙ DS VIVENCIANDO Bungee jumping e saltos com paraquedas não podem ser considerados movimentos de queda livre, nem mesmo antes de o elástico começar a puxar a pessoa ou o paraquedas se abrir. Isso porque existe a influência causada pelo ar, que não pode ser ignorada. Devido à tensão causada pelo tamanho da corda, a pessoa em busca de adrenalina cai, durante a primeira etapa do bungee jumping, com uma aceleração maior que g. Os eventos de queda livre só ocorrem se o movimento dos objetos acontece quando a resistência do ar pode ser desconsiderada, como nos experimentos realizados na Space Power Facility, a maior câmara de vácuo do mundo, construída em Ohio para testar espaçonaves e para resistir à pressão atmosférica. Ela possui 37 metros de altura e 30 metros de diâmetro. São necessárias 3 horas para bombear o ar todo para fora e formar o vácuo. 32 Quando o objeto atinge sua altura máxima, a sua velocida- de instantânea é nula Para encontrar o instante em que isso ocorre, é preciso substituir v = 0 na equação da velocidade. Assim, tem-se: tsubida = v0 __ |g| É importante notar que, devido ao fato de a aceleração ser constante, o tempo de subida e de descida são idênticos. tsubida = tdescida Conhecido o instante tsubida, é possível encontrar a altura má- xima alcançada pelo móvel Hmáxima substituindo o tempo na equação da posição. Uma maneira alternativa e mais simples é substituir o valor da velocidade na Equação de Torricelli: v2 = v0 2 – 2 ∙ |g| ∙ DS 0 = v0 2 – 2 ∙ |g| ∙ Hmáxima Hmáxima = v0 2 _____ 2 ∙ |g| 2.º caso – o objeto é lançado para baixo com velocidade inicial v0. aumento do módulo da velocidade Nesse caso, será adotada orientação para baixo, ou seja, os valores de posição aumentam de baixo para cima. Assim, a velocidade inicial será positiva (v0 > 0), e a aceleração será positiva (a = +|g|). Tem-se um movimento progressi- vo acelerado. Adotando |g| = 10 m/s², segue: v = v0 + |g| ∙ t S = S0 + v0 ∙ t + 1 __ 2 ∙ |g| ∙ t2 v2 = v0 2 + 2 ∙ |g| ∙ DS Tanto no primeiro caso quanto no segundo caso, a escolha da orientação é arbitrária; contudo, deve-se tomar cuida- do com o sinal das variáveis envolvidas, evitando possíveis confusões. Sempre teremos as equações do M.R.U.V. em sua forma genérica: v = v0 + a ∙ t S = S0 + v0 ∙ t + 1 __ 2 ∙ a ∙ t2 v2 = v0 2 + 2 ∙ a ∙ DS Se a orientação for para cima: a = – |g| Se a orientação for para baixo: a = +|g| multimídia: sites www.juliantrubin.com/bigten/galileofallingbodies. html Aplicação do conteúdo 1. Considere que uma bolinha seja lançada verticalmen- te para cima, a partir do solo (ver figuras abaixo), com velocidade inicial v0, cujo módulo é 30 m/s. Adote uma trajetória orientada para cima. Isso significa que, na su- bida, o movimento será progressivo e terá velocidade escalar positiva; na descida, porém, o movimento será retrógrado e terá velocidade escalar negativa. Como a velocidade varia entre t = 0 s até t = 6 s? s (m) Figura a 2 1 0 s (m) Figura b v > 0 1 0 s (m) Figura c v < 0 1 0 Figura a Figura b Figura c 33 Observe que, ao se analisar um problema de queda livre ou lançamento vertical para cima (livre da resistência do ar), são utilizadas as equações do MUV fazendo a = + g ou a = – g, dependendo da orientação adotada para trajetória. Se a trajetória for orientada para baixo, tem-se a = + g, e, se a trajetória for orientada para cima, tem-se a = – g. Resolução: Como o módulo da aceleração da gravidade é |g| = 10 m/s², conclui-se que, na subida, o módulo da velocidade diminui 10 m/s a cada segundo, e, na descida, o módulo da velocidade aumenta 10 m/s a cada segundo. Assim, é possível construir a seguinte tabela da velocidade escalar da bolinha em função do tempo. t (s) v (m/s) 0 30 1 20 2 10 3 0 4 –10 5 –20 6 –30 Note que, algebricamente, a velocidade diminui 10 m/s a cada segundo, ou seja, tanto na subida quanto na descida a aceleração é a = g = –10 m/s². CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS Queda livre no espaço Contrariando as ideias aristotélicas, Galileu Galilei foi o primeiro cientista a observar que o tempo de queda dos corpos não é influenciado pela massa, isto é, que corpos com massas diferentes, ao serem abandonados de uma mesma altura, atingem o solo ao mesmo tempo. Isso ocorre se a força de resistência do ar não for significativa em qualquer um dos corpos. Estudando a queda de corpos em um plano inclinado, Galileu concluiu que, quando os corpos caem na vertical, todos ficam sujeitos à mesma aceleração de 9,8 m/s2. Robert Boyle (1627-1691) realizou experimentos dentro de uma câmara de vácuo e comprovou as ideias de Galileu. Em 1971, o astronauta David Scott, pertencente à missão Apollo 15, realizou na superfície lunar o seguinte experimento: deixou cair no vácuo um martelo e uma pluma. Assim como Galileu afirmara séculos antes, os dois objetos (livres de qualquer força de resistência) tocaram o solo simultaneamente. Na internet, é possível encontrar vídeos do ocorrido. Fonte: <http://spaceFlight.nasa.gov/gallerY/images/apollo/apollo15/html/s71-43788.html> Hammer X Feather - Física na Lua Fonte: Youtube multimídia: vídeo 34 2. (PUC-MG) Um helicóptero está descendo vertical- mente e, quando está a 100 m de altura, um pequeno objeto se solta dele e cai em direção ao solo, levando 4 s para atingi-lo. Considerando-se g = 10 m/s², a velocidade de descida do helicóptero, no momento em que o objeto se soltou, vale em km/h: a) 25. b) 144. c) 108. d) 18. Resolução: A altura do objeto é 100 m, a sua aceleração é a gravidade (g = 10 m/s²) e o seu tempo é 4 s. Assim, a velocidade inicial será: S = S0 + v0t + at² ___ 2 H = v0t + gt² ___ 2 100 = v0 (4) + 10∙ (4)² ___ 2 100 = 4v0 +80 v0= 5 m/s = 18 km/h. Alternativa D 3. Um corpo é lançado para cima a partir do solo, com a velocidade de módulo 40 m/s. A resistência do ar pode ser desprezada e o módulo da aceleração da gravidade é |g| = 10 m/s². a) Qual o tempo gasto pelo corpo para atingir a altura máxima? b) Qual o valor da altura máxima? c) Quanto tempo é gasto na descida, até o corpo atingir o solo? d) Qual a velocidade do corpo ao atingir o solo? Resolução: a) Adotando uma trajetória orientada para cima com origem no solo, tem-se: S0 = 0 e a = –|g| = –10 m/s². A velocidade inicial tem o mesmo sentido da trajetó- ria e, portanto, é positiva: v0 = 40 m/s. A equação horária da velocidade escalar é: v = v0 + at v = 40 – 10 ⋅ t No ponto mais alto, a velocidade escalar é nula. Assim: v = 0 0 = 40 – 10t → t = 4,0 s b) A equação horária da posição é: S = s0 + v0t + a __ 2 t² S = 0 + 40t – 10 ___ 2 t² = 40t – (5,0)t² Como calculado no item (a), a altura máxima ocorre quan- do t = 4,0 s. Substituindo esse valor na equação acima: t = 4,0 s → S = 40(4,0) – (5,0)(4,0)² → S = 80 m Essa altura máxima também pode ser calculada pela Equa- ção de Torricelli: v² = v0² + 2a(S – S0) 0 = (40)² + 2(–10)(S – 0) Assim: S = 80 m c) No instante em que o corpo retorna ao solo, sua posição é nula, ou seja, S = 0: s = 40t – (5,0)t² 0 = 40t – (5,0)t² Resolvendo essa última equação, obtém-se dois valores para t: t = 0 ou t = 8,0 s. O valor t = 0 corresponde ao ins- tante inicial (quando S = 0), e o valor t = 8,0 s, ao segundo instante em que S = 0 novamente. Assim, o intervalo de tempo total de subida e descida é 8,0 segundos. Como o tempo de subida foi 4,0 segundos, conclui-se que o tempo de descida é de 4,0 segundos, isto é, o tempo de subida foi igual ao tempo de descida. É importante ressaltar que não se trata de uma coincidência. Em um lançamento vertical para cima, desprezada a resis- tência do ar, o tempo de subida é sempre igual ao tempo que o corpo gasta na descida até atingir o ponto de lançamento. d) Como foi visto acima, a equação horária da velo- cidade escalar é: v = 40 – 10t É sabido que o corpo retorna ao solo no instante t = 8,0 s. Dessa forma, substituindo esse valor na equação, obtém-se: v = 40 – 10(8,0) v = –40 m/s A velocidade é negativa em decorrência da orientação da trajetória escolhida. Contudo, ao retornar ao ponto de lan- çamento, a velocidade do corpo, em módulo, é a mesma que ele tinha ao ser lançado. 4. (CFT) Da janela de um apartamento, uma pedra é lan- çada verticalmente para cima, com velocidade de 20 m/s. Após a ascensão máxima, a pedra cai até a rua, sem resis- tência do ar. A relação entre o tempo de subida e o tempo de descida é 2 __ 3 . Qual a altura dessa janela, em metros, em relação à rua? (g = 10 m/s2) 35 Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físi- cas, químicas ou biológicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.17 Habilidade É comum nas ciências exatas a aplicação da matemática como ferramenta básica para a tradução dos fenômenos físicos. Por esse motivo ela está presente em inúmeras questões, sempre exigindo do aluno a compreensão de grá- ficos, tabelas, fórmulas, etc. Modelo 1 (Enem) Para medir o tempo de reação de uma pessoa, pode-se realizar a seguinte experiência: I. Mantenha uma régua (com cerca de 30 cm) suspensa verticalmente, segurando-a pela extremidade superior, de modo que o zero da régua esteja situado na extremidade inferior. II. A pessoa deve colocar os dedos de sua mão, em forma de pinça, próximos do zero da régua, sem tocá-la. III. Sem aviso prévio, a pessoa que estiver segurando a régua deve soltá-la. A outra pessoa deve procurar segurá-la o mais rapidamente possível e observar a posição onde conseguiu segurar a régua, isto é, a distância que ela percorre durante a queda. O quadro seguinte mostra a posição em que três pessoas conseguiram segurar a régua e os respectivos tempos de reação. Distância percorrida pela régua durante a queda (metro) Tempo de reação (segundo) 0,30 0,24 0,15 0,17 0,10 0,14 Disponível em: <http://br.geocities.com>. acesso em: 1 Fev. 2009. ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Resolução: Fazendo um desenho ilustrativo do problema, tem-se: Smáx = ? S0 = 0 m Ssolo = H(m) SOLO (+) Vsolo = ? Vmáx = 0 m/s V0 = 20 m/s V0 g = 10 m/s2 O vetor v0 é contrário à trajetória, assim o seu valor será –20 m/s. Aplicando a função horária da velocidade entre a janela do apartamento e a ascensão máxima, temos: vmáxima = v0 + gtsubida 0 = –20 + (10)tsubida tsubida = 2s. Utilizando a razão entre os tempos de subida e descida, temos: tsubida ____ tdescida = 2 __ 3 tdescida = 3 s. Assim o tempo total será: ttotal = tsubida + tdescida = 5 s. Aplicando o tempo total na função horária do espaço em M.R.U.V., temos: Ssolo = S0 + v0t + gt2 ___ 2 H = 0 + (–20) ∙ (5) + (10) ∙ (5)² ___ 2 = 25 m. Reposta: A altura do prédio é 25 metros. 36 A distância percorrida pela régua aumenta mais rapidamente que o tempo de reação porque a: a) energia mecânica da régua aumenta, o que a faz cair mais rápido; b) resistência do ar aumenta, o que faz a régua cair com menor velocidade; c) aceleração de queda da régua varia, o que provoca um movimento acelerado; d) força peso da régua tem valor constante, o que gera um movimento acelerado; e) velocidade da régua é constante, o que provoca uma passagem linear de tempo. Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.20 Habilidade A habilidade 20 compreende o estudo dos movimentos dos corpos e abrange da cinemática à astronomia. Modelo 2 (Enem) O Super-homem e as leis do movimento Uma das razões para pensar sobre física dos super-heróis é, acima de tudo, uma forma divertida de explorar muitos fenômenos físicos interessantes, desde fenômenos corriqueiros até eventos considerados fantásticos. A figura se- guinte mostra o Super-homem lançando-se no espaço para chegar ao topo de um prédio de altura H. Seria possível admitir que com seus superpoderes ele estaria voando com propulsão própria, mas considere que ele tenha dado um forte salto. Nesse caso, sua velocidade final no ponto mais alto do salto deve ser zero, caso contrário, ele continuaria subindo. Sendo g a aceleração da gravidade, a relação entre a velocidade inicial do Super-homem e a altura atingida é dada por: v2 = 2gH. A altura que o Super-homem alcança em seu salto depende do quadrado de sua velocidade inicial porque: a) a altura do seu pulo é proporcional à sua velocidade média multiplicada pelo tempo que ele permanece no ar ao quadrado; b) o tempo que ele permanece no ar é diretamente proporcional à aceleração da gravidade e essa é diretamente propor- cional à velocidade; c) o tempo que ele permanece no ar é inversamente proporcional à aceleração da gravidade e essa é inversamente pro- porcional à velocidade média; d) a aceleração do movimento deve ser elevada ao quadrado, pois existem duas acelerações envolvidas: a aceleração da gravidade e a aceleração do salto; e) a altura do seu pulo é proporcional à sua velocidade média multiplicada pelo tempo que ele permanece no ar, e esse tempo também depende da sua velocidade inicial. Análise expositiva 1 - Habilidades 17 e 20: Trata-se de um exercício de fácil compreensão para o aluno que estudou o conteúdo. Desprezando a resistência do ar, ocorre uma queda livre, que é um movimento uniformemente acelerado, com aceleração de módulo a = g. A distância percorrida na queda (h) varia com o tempo conforme a expressão h = 1/2gt2. Dessa expressão, conclui-se que a distância percorrida é diretamente proporcional ao quadrado do tempo de queda, por isso ela aumenta mais rapidamente que o tempo de reação. Alternativa D D 37 Análise expositiva 2 - Habilidades 17 e 20: Trata-se de um exercício que cobra do aluno conceitos mais fun-damentais em um nível de exigência maior. Desprezando os efeitos do ar e orientando a trajetória para cima, a aceleração do Super-homem é a = –g. O gráfico da velocidade em função do tempo até o ponto mais alto está dado a seguir. A área acinzentada é numericamente igual ao espaço percorrido pelo Super-homem, no caso, a altura H. Assim: H = área = v/2t Mas v/2 é a velocidade média vm. Então, H = vmt. A equação da velocidade na subida é: v’ = v – gt. Como no ponto mais alto a velocidade se anula, tem-se: 0 = v – gt ⇒ t = v/g Assim: H = vm t ⇒ H = vm (v/g) Ou seja, a altura atingida é proporcional à sua velocidade média multiplicada pelo tempo que ele permanece no ar, e esse tempo também depende da sua velocidade inicial. Finalizando: H = (v/2) (v/g) ⇒ v2 = 2gH Alternativa E E ACELERAÇÃO DA GRAVIDADE INDEPENDE DA MASSA VERTICAL PARA BAIXO MOVIMENTO VERTICAL V0 = 0 QUEDA LIVRE LANÇAMENTO VERTICAL QUEDA LIVRE E LANÇAMENTO VERTICAL V0 0 DIAGRAMA DE IDEIAS 38 Lançamento obLíquo CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17 e 20 AULAS 15 e 16 Até o momento foram estudados os movimentos de corpos que se deslocavam em apenas uma direção; agora serão estudados os movimentos de corpos que variam em duas direções ao mesmo tempo. 1. Lançamento horizontaL Velocidade horizontal Fonte: Youtube multimídia: vídeo Anteriormente foi estudado o lançamento vertical. Nele o objeto se desloca em apenas uma direção. Agora será ana- lisado o movimento de lançamento horizontal. A figura a seguir mostra ambas as situações. A bola vermelha é aban- donada e cai em queda livre, e a bola amarela é lançada horizontalmente, ou seja, sua velocidade inicial só possui componente horizontal. Observando a foto de exposição múltipla, é possível notar que a posição vertical das duas bolas é sempre a mesma: a cada instante de tempo as duas bolas estão sempre na mesma altura. Nota-se também que a bola amarela se move para a direita com velocidade cons- tante, como se esse movimento horizontal fosse indepen- dente do movimento vertical. Para simplificar a situação do lançamento horizontal, serão utilizados os conteúdos vistos até aqui: em primeiro lugar, é possível estudar separadamente o movimento em cada direção, como Galileu observou; em segundo lugar, o mov- imento na vertical se caracteriza como uma queda livre, movimento que foi estudado anteriormente. O corpo possui velocidade constante na direção hori- zontal, realizando um movimento uniforme (M.U.). Sx = S0x + vx ∙ t Na direção vertical, o corpo possui aceleração constante (igual a aceleração da gravidade), realizando, dessa forma, um movimento uniformemente variado (M.U.V.). 39 Nessa situação, adota-se a orientação com sentido para baixo. É importante ressaltar que os valores da posição au- mentam de cima para baixo. vy = |g| ∙ t Sy = S0y + 1 __ 2 ∙ |g| ∙ t2 vy 2 = 2|g| ∆Sy Também é importante lembrar que o tempo de queda é dado por: tqueda = √ ______ 2 ∙ DSy ______ |g| A combinação desses dois movimentos cria uma trajetória com o formato de um arco de parábola. À medida que o corpo cai, ele desloca-se na horizontal; sendo o tempo de queda tqueda = √ ______ 2 ∙ DSy ______ |g| , pode-se calcular a distância horizontal percorrida pelo móvel. Sx = S0x + vx ∙ t DSx = vx ∙ √ ______ 2 ∙ DSy ______ |g| A velocidade em cada instante é dada pela soma vetorial da componente horizontal e vertical. v2 = vx 2 + vy 2 Exemplo Na situação da figura a seguir, uma pedra é lançada hori- zontalmente do topo de um edifício com velocidade inicial ___ › v0 . Desprezando a resistência do ar, adotando g = 10 m/s 2 e supondo | ___ › v0 | = 8 m/s, é possível analisar o movimento da pedra. A distância A, do ponto P ao ponto Q, é denominada alcance horizontal. O sistema de coordenadas adotado, eixo Ox e eixo Oy, está ilustrado na figura a seguir. Como Oy está orientado para baixo, a aceleração escalar é positiva: a = + g = 10 m/s2. Como foi visto, o movimento é uniforme (M.U.) na direção horizontal. Dessa forma, tem-se: S = S0 + vt → x = v0t → x = 8t Na direção vertical, o movimento é uniformemente variado (M.U.V.). A velocidade vertical inicial é nula, uma vez que no instante inicial a velocidade não é nula somente na horizontal. S = S0 + v0t + a __ 2 t2 y = 0 + 0 ⋅ t + 10 ___ 2 t2 ⇒ y = 5t2 vy = v0y + at vy = 0 + 10t ⇒ vy = 10 t 40 Quando a pedra atinge o solo, sua posição é y = 45 m. Substituindo na equação horária da posição, tem-se: 45 = 5t² ⇒ t² = 9 ⇒ t = 3 s Assim, a pedra demora 3 segundos para atingir o solo. Usando esse intervalo de tempo na equação do movimen- to horizontal, obtém-se o alcance A: x = 8 t A = (8)(3) ⇒ A = 24 m A velocidade horizontal se mantém constante e igual a 8,0 m/s durante todo o trajeto, mas a velocidade vertical vy aumenta. Substituindo os valores de t nos instantes da- dos por t = 1 s, t = 2 s e t = 3 s, nas equações anteriores, determinam-se os valores de x, y e vy: t(s) x(m) y(m) vy(m/s) 1 8 5 10 2 16 20 20 3 24 45 30 Para calcular a velocidade (total) no instante t = 2 s, por exem- plo, considera-se a soma vetorial, como na figura abaixo: v² = (8)² + (20)² = 64 + 400 = 464 v = √ ____ 464 v ≅ 21,5 m/s É preciso encontrar uma equação que descreva a trajetória do movimento. Para isso, elimina-se o tempo na equação anterior da posição horizontal e se faz a substituição na equação da posição vertical: x = 8t ⇒ t = x __ 8 Substituindo: y = 5t² = 5 ( x __ 8 ) ² ⇒ y = 5 ___ 64 x² As aulas de Matemática ensinam que uma equação desse tipo corresponde a uma parábola. Dessa forma, entre os pon- tos O e Q, a trajetória da pedra é um arco de parábola. Aplicação do conteúdo 1. (FEI) Em uma competição de tiro, o atirador posiciona seu rifle na horizontal e faz mira exatamente no centro do alvo. Se a distância entre o alvo e a saída do cano é d = 30 m, a velocidade de disparo do rifle é 600 m/s, qual a distância do centro do alvo que o projétil atingirá? Considere g = 10 m/s² e despreze a resistência do ar. a) 0,25 cm. b) 0,5 cm. c) 0,75 cm. d) 1,00 cm. e) 1,25 cm. Resolução: Na horizontal, tem-se um MRU, e, na vertical, tem-se um MRUV acelerado. A distância horizontal é 30 m e sua ve- locidade v é 600 m/s. Assim, o tempo que o projétil atinge o alvo será: vx = ∆Sx ___ ∆t ⇒ 600 = 30 ___ ∆t ⇒ ∆t = 30 ___ 600 ⇒ ⇒ ∆t = 0,05 s Na vertical, a velocidade inicial é zero e a aceleração é a favor de sua trajetória. Assim, aplicando o tempo na função horária do MRUV vertical, tem-se: ∆Sy = Voy · t + gt² ___ 2 ⇒ ⇒ ∆Sy = (0) · (0,05) + (10)(0,05)² _________________ 2 ⇒ ⇒ ∆Sy = 0 + 0,0125 ⇒ ∆Sy = 0,0125 m. Aplicando análise dimensional na distância vertical, tem-se: ∆Sy = 0,0125 m · ( 100 cm ______ 1 m ) ⇒ ∆Sy = 1,25 cm. Alternativa E 41 2. (Unesp) Uma pequena esfera, lançada com velocida- de horizontal vo do parapeito de uma janela a 5,0 me- tros do solo, cai num ponto a 10 metros da parede. Con- siderando g = 10 m/s² e desprezando a resistência do ar, podemos afirmar que a velocidade vo, em m/s, é igual a: a) 5 ___ 10 . b) 10 ___ 5 . c) 5. d) 10. e) 15. Resolução: A altura vertical é 5 m, sua velocidade inicial é zero e a aceleração é a favor da trajetória. Aplicando a função horária do M.R.U.V. vertical, tem-se: ∆Sy = voy · t + gt² ___ 2 ⇒ 5 = (0)t + (10)t² _________ 2 ⇒ ⇒ 5 = 5t² ⇒ t² = 1 ⇒ t = √ __ 1 ⇒ t = 1 s. A distância horizontal é 10 e o tempo é 1 s. Assim, sua velocidade constante será: v0= ∆Sx ___ ∆t ⇒ v0= 10 ___ 1 ⇒ v0 = 10 m/s Alternativa D 3. (Fuvest) Um motociclista de MotoCross move-se com velocidade v = 10 m/s, sobre uma superfície plana, até atingir uma rampa (em A), inclinada de 45º com a hori- zontal, como indicado na figura. A trajetória do motociclista deverá atingir novamente a rampaa uma distância horizontal D (D = H), do ponto A, aproximadamente igual a: (g = 10 m/s²) a) 20 m. b) 15 m. c) 10 m. d) 7,5 m. e) 5 m. Resolução: Na vertical, tem-se um M.R.U.V., e, na horizontal, tem-se um M.R.U. A velocidade inicial vertical é zero e a aceleração é a favor da trajetória. Aplicando a função horária do MRUV na vertical, tem-se: ∆Sy = voy · t + gt² ___ 2 ⇒ H = (0) · t + (10)t² _________ 2 ⇒ ⇒ H = 5t² ⇒ t = √ __ H __ 5 ⇒ t = √ __ D __ 5 . A velocidade constante na horizontal é 10m/s. Assim, a distância D será: vx= ∆Sx ___ ∆t ⇒ 10.t = D ⇒ t = D ___ 10 ⇒ ⇒ √ __ D __ 5 = D ___ 10 ⇒ D __ 5 = ( D 10 ) 2 ⇒ D __ 5 = D² ___ 100 ⇒ 100D = 5D2 ⇒ 20D = D² ⇒ ⇒ D² – 20D = 0 ⇒ (D – 0) · (D – 20) = 0 Assim, tem-se: D = 0 m ou D = 20 m Como D = 0 m não convém, a distância horizontal será 20 metros. Alternativa A 2. Lançamento obLíquo No lançamento oblíquo, o objeto lançado tem velocidade inicial ___ › v0 , inclinada em relação à horizontal e à vertical, formando ângulo θ com a horizontal, como mostra a figura a seguir. Lançamento oblíquo em um plano inclinado Fonte: Youtube multimídia: vídeo 42 P θ V0 Para estudar esse tipo de movimento, é preciso utilizar um procedimento denominado decomposição vetorial; o in- tuito é obter uma componente horizontal da velocidade, vetor horizontal ____ › v0x , e uma componente vertical da veloci- dade, vetor vertical ____ › v0y , de modo que ___ › v0 possa ser consider- ado como a resultante dos vetores ____ › v0x e ____ › v0y . A figura a seguir demonstra que a velocidade inicial é dada pela soma vetorial das componentes vertical e horizontal da velocidade. Diz-se, então, que ___ › v0 foi decomposto nas componentes per- pendiculares ____ › v0x e ____ › v0y . Considerando o triângulo retângulo sombreado na imagem anterior, tem-se da Trigonometria: sen θ = cateto oposto ___________ hipotenusa = v0y __ v0 ⇒ v0y = v0 ⋅ sen θ cos θ = cateto adjacente _____________ hipotenusa = v0x __ v0 ⇒ v0x = v0 ⋅ cos θ Assim, é possível fazer uma comparação: o movimento se- ria o mesmo se a bola fosse lançada para cima com veloci- dade ____ › v0y dentro de um vagão de trem que se desloca para a direita com velocidade ____ › v0x . A trajetória curva da bola é mostrada na figura a seguir. A componente horizontal ____ › v0x se mantém constante durante todo o movimento (até a bola atingir o solo). Entretanto, a componente vertical ___ › vy da velocidade varia sob a ação da aceleração da gravidade (como no lançamento vertical): durante a subida, o módulo de ___ › vy diminui até se anular no ponto mais alto M (denominado vértice). Nesse ponto, somente a componente horizontal da velocidade ____ › v0x não é nula. Em seguida, a bola começa a cair, de modo que o módulo de ___ › vy aumenta. Assim como no lançamento horizontal, o estudo do lan- çamento oblíquo parte da independência do movimento; observe como separar o movimento horizontal e o movi- mento vertical. Na direção horizontal, o corpo possui velocidade cons- tante e, assim, realiza um movimento uniforme (M.U.). Sx = S0x + v0x ∙ t onde v0x = v0 ∙ cos θ Na direção vertical, o corpo possui aceleração constan- te (igual a aceleração da gravidade), realizando um mo- vimento uniformemente variado (M.U.V.). Adotando orientação vertical para cima (durante todo o movimento), tem-se que a = –|g|: vy = v0y – |g| ∙ t Sy = S0y + v0y ∙ t – 1 __ 2 ∙ |g| ∙ t2 vy 2 = v20y – 2 ∙ |g| ∙ DSy onde v0y = v0 ∙ sen θ Normalmente será adotado |g| = 10 m/s². Assim como no lançamento vertical, tem-se que na altura máxima vy = 0 e: tsubida = tdescida = v0y __ |g| Sendo o tempo dado por: ttotal = tsubida + tdescida = 2 · voy ______ |g| = 2 · v0 · senθ _________ |g| 43 A velocidade em cada instante é dada pela soma vetorial da componente horizontal e vertical. v2 = vx 2 + vy 2 Para se calcular a altura máxima atingida pelo móvel, po- de-se substituir o tempo total na equação da posição. No entanto, substituindo vy = 0 na Equação de Torricelli, ob- tém-se a altura máxima Hmáxima de maneira mais simples. vy 2 = v0y 2 – 2 ∙ |g| ∙ DSy Hmáxima = v20y _____ 2 ∙ |g| Para o cálculo da distância horizontal A percorrida, basta substituir o tempo na equação do movimento horizontal: Sx = S0x + vx ∙ t Para o tempo total t = ttotal = 2 ∙ v0y _____ |g| , tem-se DSx = vx ∙ t A = (v0 ∙ cosθ)∙ ( 2 ∙ v0 ∙ senθ _________ |g| ) A = v0 2 ∙ sen(2θ) _________ |g| Analisando a expressão do alcance horizontal, segue que A será máximo quando θ = 45º. Nessa situação, tem-se a seguinte relação: A = 4 ∙ Hmáxima É importante ressaltar que, para a mesma velocidade ini- cial, o alcance A será o mesmo para ângulos complemen- tares, ou seja, tanto para 30° quanto para 60° o alcance será o mesmo. VIVENCIANDO O lançamento oblíquo é facilmente encontrado nos esportes. Nos saques de uma partida de tênis ou nos arremessos para a cesta num jogo de basquete, estão presentes as trajetórias parabólicas, em que a altura máxima atingida pela bola é o vértice da parábola, e a distância que separa o início e o final da jornada da bola é o alcance máximo. Quando o jogador de futebol cobra uma falta próxima da grande área, é possível observar claramente a trajetória parabólica da bola, caso a barreira ou o goleiro não atrapalhem o percurso até o gol. A trajetória parabólica também pode ser identificada no salto em distância, como mostra a figura a seguir. Fonte: <http://jornal.usp.br/ciencias/cientistas-desvendam-a-Fisica-por-tras-da-perFormance-dos-atletas> 44 Exemplo A figura ilustra uma bolinha lançada do ponto O, no solo, com velocidade inicial ___ › v0 , formando um ângulo θ com a horizontal. A bolinha atinge novamente o solo no ponto P. Desprezando a resistência do ar e adotando o sistema de coordenadas mostrado na figura, serão determinados o alcance horizontal A e a altura máxima atingida pela bo- linha, supondo g = 10 m/s2, v0 = 100 m/s, sen θ = 0,60 e cos θ = 0,80. Como o eixo está orientado para cima, na vertical, a acele- ração escalar é a = – |g| = –10 m/s2. Inicialmente, realiza-se a decomposição da velocidade ini- cial ___ › v0 , como mostrado na figura. Assim, obtém-se v0x = 80 m/s e v0y = 60 m/s. Escrevem-se, então, as principais equações do movimento horizontal e do movimento vertical: Horizontal Vertical S = S0 + vt S = S0 + v0t + a __ 2 t2, vy = v0y + at x = 0 + v0x ∙ t y = 0 + v0y t – g __ 2 t2, vy = v0y – gt x = 80t y = 60t – 5,0t2, vy = 60 – 10 t O ponto mais alto é atingindo no instante em que vy = 0: vy = 0 ⇒ 60 – 10t = 0 ⇒ t = 6,0 s Substituindo esse intervalo de tempo na equação da posi- ção vertical, obtém-se a altura máxima H: t = 6,0 s ⇒ y = 60(6,0) – (5,0) ∙ (6,0)2 y = 360 – 180 ⇒ y = 180 m Portanto, a altura máxima é H = 180 m. Neste caso, como a bolinha foi lançada a partir do solo, o tempo de subida é igual ao tempo de descida, e, assim, a bolinha atinge o ponto P no instante t = 12 s. Substituindo esse valor na equação da posição horizontal, obtém-se o alcance máximo: t = 12 s ⇒ x = 80 (12) ⇒ x = 960 m ⇒A = 960 m É importante destacar que a altura máxima também pode ser calculada das seguintes maneiras: § Usando a Equação de Torricelli, na direção vertical, fa- zendo vy = 0: v2 = v 2 0y + 2a(S – S0) v2y = v 2 0y – 2(10) ∙ (H – 0) 0 = 602 – 2(10) ∙ (H – 0) Resolvendo essa equação, obtém-se H = 180 m. § A partir do gráfico da velocidade em função do tem- po até o instante t = 6 s, que é o instante em que a bolinha atinge a altura máxima. A área sombreada na figura é numericamente igual à variação de posição vertical entre t = 0 e t= 6,0 s, ou seja, à altura máxima: H = (6, 0)(60) _______ 2 ⇒ H = 180 m Física Total - Aula 10 - Lançamento oblíquo no vácuo... Fonte: Youtube multimídia: vídeo 45 CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS As guerras moldaram o mundo atual e foram decididas pelo poderio bélico. As primeiras catapultas apareceram na Grécia, entre 400 e 300 a.C., e foram utilizadas por Alexandre, o Grande, em seus cercos e batalhas. Os romanos aperfeiçoaram as catapultas, inventando o trabuco, que, em vez de usar energia elástica, utilizava energia potencial gravitacional para lançar seus projéteis. A utilização de canhões foi comum em guerras e, em certos momentos, foi fator decisivo. Durante a Segunda Guerra Mundial, os obuseiros – canhões melhorados capazes de alcançar distâncias entre 11 km e 23 km – foram utilizados em larga escala por ambos os lados. O obuseiro M-10,1, criado para a Segunda Guerra Mundial, foi utilizado pelos norte-americanos contra os japoneses e por brasileiros contra os italianos. O conhecimento a respeito do movimento balístico foi fundamental para a correta utilização de tal peça de artilha- ria. Depois de ser fixado, é necessário ajustar a sua mira. Por meio de manivelas, o tubo pode ser movido tanto na horizontal quanto na vertical. A posição correta é calculada a partir da distância do alvo. Durante a Primeira Guerra Mundial, e principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, os aviões foram utilizados para o lançamento de projéteis. Os pilotos lançavam seus projéteis sem a utilização dos modernos computadores, que fazem todos os cálculos necessários para acertar o alvo. Nesse caso, tem-se um lançamento horizontal, e o piloto deveria saber que não deveria abandonar o projétil quando estivesse exatamente acima do alvo, pois, se o fizesse, o projétil não acertaria o alvo quando atingisse o solo. 46 04) Correto. O alcance (A) de um corpo será: ∆Sx = vx · ∆ttotal ⇒ A = v0 ∙ cosB ∙ t 08) Correto. Aplicam-se a função horária da velocidade entre os instantes iniciais e o ponto de máximo para en- contrar o tempo de subida. vy = v0 · senB – gtsubida ⇒ ⇒ 0 = V0 ∙ senB – gtsubida ⇒ ⇒ tsubida = v0 ∙ senB _____ g . Sendo o tempo de subida igual ao tempo de descida, o tempo total será: ttotal = tsubida + tdescida ⇒ ttotal = 2 ∙ (tsubida) ⇔ ttotal = (2v0 ∙ senB) _________ g . 16) Correto. 2. (PUC-RJ) Um superatleta de salto em distância realiza o seu salto procurando atingir o maior alcance possível. Se ele se lança ao ar com uma velocidade cujo módulo é 10 m/s, e fazendo um ângulo de 45º em relação a ho- rizontal, é correto afirmar que o alcance atingido pelo atleta no salto é de: (Considere g = 10 m/s²). a) 2 m. b) 4 m. c) 6 m. d) 8 m. e) 10 m. Resolução: Assim as componentes da velocidade inicial serão: vx= v0 ∙ cos(45º) ⇒ vx = 10 ∙ √ __ 2 ___ 2 ⇒ vx= 5 ∙ √ __ 2 m/s ; vo,y = v0 ∙ sen(45º) ⇒ voy = 5 ∙ √ __ 2 m/s; Aplicaremos a função horária da velocidade para encontrar o tempo de subida. vy = vo,y – gtsubida ⇒ 0 = 5 ∙ √ __ 2 – 10tsubida ⇒ ⇒ tsubida = 5 ∙ √ __ 2 ___ 10 ⇒ tsubida = √ __ 2 ___ 2 s. Aplicação do conteúdo 1. (UEPG-PR) Um projétil quando é lançado obliqua- mente, no vácuo, descreve uma trajetória parabólica. Essa trajetória é resultante de uma composição de dois movimentos independentes. Analisando a figura abai- xo, que representa o movimento de um projétil lançado obliquamente, assinale o que for correto. 01) As componentes da velocidade do projétil, em qualquer instante nas direções x e y, são respectiva- mente dadas por: vx = v0 ∙ cosB e vy = v0 ∙ senB – gt. 02) As componentes do vetor posição do projétil, em qualquer instante, são dadas por: x = v0 ∙ cosB ∙ t e y = v0 ∙ senB – gt² ___ 2 04) O alcance do projétil na direção horizontal de- pende da velocidade e do ângulo de lançamento. 08) O tempo que o projétil permanece no ar é t = (2v0 ∙ senB) _________ g 16) O projétil executa simultaneamente um movi- mento variado na direção vertical e um movimento uniforme na direção horizontal. Resolução: 01) Correto. Na horizontal, tem-se um MRU, e, na verti- cal, um MRUV com a aceleração gravitacional contrária à trajetória. Assim, as componentes da velocidade em função do tempo serão: vx = v0 ∙ cosB vy = vo,y + (–g)t ⇒ vy = v0 ∙ senB – gt . 02) Incorreto. Aplicam-se a função horária do MRU na horizontal e a função horária do MRUV na vertical. Sx = S0 + vx · t ⇒ x = 0 + v0 ∙ cosB ∙ t ⇒ x = v0 ∙ cosB ∙ t Sy = S0,y + v0,y · t + (–g)t² ____ 2 ⇒ ⇒ y = 0 + v0 ∙ senBt – gt² ___ 2 ⇒ ⇒ y = v0 ∙ senBt – gt² ___ 2 47 Sendo o tempo de subida igual ao tempo de descida, o tempo total será: ttotal = tsubida + tdescida ⇒ ttotal = 2 ∙ (tsubida) ⇒ ⇒ ttotal = ( 2 ∙ √ __ 2 ___ 2 ) ⇒ ttotal = √__ 2 s. Aplicando o tempo total na velocidade horizontal, temos: vx = ∆Sx ____ ∆ttotal ⇒ 5 ∙ √ __ 2 = ∆Sx ___ √ __ 2 ⇒ ∆Sx = 5 ∙ 2 ⇒ ⇒ ∆Sx = 10 m. Alternativa E multimídia: sites brasilescola.uol.com.br/fisica/lancamento- obliquo.htm physics.tutorvista.com/motion/projectile- motion.html www.efeitojoule.com/2011/04/lancamento- obliquo-lancamento-obliquo.html Habilidades A habilidade 20 concentra um tema fundamental no ramo das ciências exatas: saber descrever o movimento dos corpos. O aluno deve ser capaz de descrever qualitativamente o movimento do móvel: saber sua posição, sua velocidade e sua aceleração. Nesse quesito, o estudo de lançamento horizontal e oblíquo necessita da junção de conceitos estudados anterior- mente, pois se trata de um assunto mais complexo e que exige mais do estudante. Modelo 1 (Enem 2.ª aplicação) Para um salto no Grand Canyon usando motos, dois paraquedistas vão utilizar uma moto cada, sendo que uma delas possui massa três vezes maior. Foram construídas duas pistas idênticas até a beira do precipício, de forma que no momento do salto as motos deixem a pista horizontalmente e ao mesmo tempo. No instante em que saltam, os paraquedistas abandonam suas motos e elas caem praticamente sem resistência do ar. As motos atingem o solo simultaneamente porque: a) possuem a mesma inércia; b) estão sujeitas à mesma força resultante; c) têm a mesma quantidade de movimento inicial; d) adquirem a mesma aceleração durante a queda; e) são lançadas com a mesma velocidade horizontal. ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.20 Análise expositiva 1 - Habilidade 20: Sendo desprezível a resistência do ar, durante a queda as duas motos adquirem a mesma aceleração, que é a aceleração da gravidade. Alternativa D D 48 Análise expositiva 2 - Habilidade 20: No ponto mais alto da trajetória, a força resultante sobre o objeto é seu próprio peso, de direção vertical e sentido para baixo. Alternativa B B Modelo 2 (Enem PPL) Na Antiguidade, algumas pessoas acreditavam que, no lançamento oblíquo de um objeto, a resultante das forças que atuavam sobre ele tinha o mesmo sentido da velocidade em todos os instantes do movimento. Isso não está de acordo com as interpretações científicas atualmente utilizadas para explicar esse fenômeno. Desprezando a resistência do ar, qual é a direção e o sentido do vetor força resultante que atua sobre o objeto no ponto mais alto da trajetória? a) Indefinido, pois ele é nulo, assim como a velocidade vertical nesse ponto. b) Vertical para baixo, pois somente o peso está presente durante o movimento. c) Horizontal no sentido do movimento, pois devido à inércia o objeto mantém seu movimento. d) Inclinado na direção do lançamento, pois a força inicial que atua sobre o objeto é constante. e) Inclinado para baixo e no sentido do movimento, pois aponta para o ponto onde o objeto cairá. LANÇAMENTOS MOVIMENTOS SIMULTÂNEOS VERTICAL M.R.U.V. V0Y = 0 V0Y ≠ 0 LANÇAMENTO OBLÍQUO LANÇAMENTO OBLÍQUO HORIZONTAL M.R.U. LANÇAMENTOHORIZONTAL EM HMÁX ; VY = 0 DIAGRAMA DE IDEIAS 49 TERMODINÂMICA: Incidência do tema nas principais provas UFMG Os temas deste livro – lei geral dos gases e a 1.ª lei da termodinâmica – aparecem com fre- quência na prova da Unesp. São questões que exigem interpretações gráficas e manipulações em equações. Dentre os temas abordados neste caderno, o de maior incidência no vestibular da Unifesp é a termodinâmica. Os principais temas deste livro mais frequentes nas provas da Unicamp são o estudo da lei geral dos gases e as leis da termodinâmica. São questões que exigem interpretações de imagens e gráficos. Dentre os temas abordados neste caderno, o de maior incidência no vestibular Albert Einstein é a óptica, relacionada com espelhos planos. A prova da FMABC tem uma grande variação de temas. No entanto, podem aparecer os te- mas óptica (relacionando lentes ou espelhos) e lei geral dos gases. A prova da da Puc de Campinas tem uma grande variação de temas. Eventualmente podem aparecer o tema óptica (relacio- nando lentes ou espelhos) e o estudo da termodinâmica. A prova da Santa Casa tem uma grande variação de temas. No entanto, podem aparecer os temas óptica (relacionando lentes ou espelhos) e a termodinâmica, exigindo interpretação de gráficos. As questões de termodinâmica do Enem são contextualizadas a partir de ilustrações. Os temas deste livro – lei geral dos gases e as leis da termodinâmica – aparecem com fre- quência na prova da Fuvest. São questões que exigem interpretações gráficas e manipulações em equações. O tema dos gases sempre está presente na prova da UERJ, apresentando questões mais objetivas. A prova da UNIGRANRIO tem uma grande variação de temas. Eventualmente pode aparecer o tema óptica (relacionando lentes ou espelhos). A prova da FTESM tem uma grande varia- ção de temas. Eventualmente pode aparecer o tema lei dos gases, exigindo manipulações das equações e interpretação de gráficos. A prova da CMMG tem uma grande variação de temas. Eventualmente podem aparecer o tema óptica (relacionando lentes ou espelhos) e o estudo da 1.ª lei da termodinâmica. A prova da UFPR tem uma grande variação de temas. Eventualmente pode aparecer o tema lei dos gases, exigindo manipulações das equações. A prova da UEL tem uma grande variação de temas. Eventualmente podem aparecer o estudo dos gases e da termodinâmica com questões que exigem um alto nível de manipulações matemáticas. 50 Lei geraL dos gases CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17, 18 e 21 AULAS 9 e 10 1. Introdução Nas aulas anteriores, foi estudado o comportamento de expansão dos sólidos e dos líquidos; agora será abordado o comportamento dos gases. Estudos sobre esse tema re- montam aos séculos XVII, XVIII e XIX, com apresentações de balões para a nobreza e o surgimento da máquina a vapor. Em primeiro lugar, o estudo analisará a definição de gás ideal. Gás ideal ou perfeito é um gás hipotético composto por partículas com interações elétricas que devem ser de- sprezadas. As colisões entre as partículas são elásticas, e não ocorre perda de energia na forma de calor. Na prática, apenas gases que se encontram em baixa pressão e altas temperaturas se aproximam de tal comportamento. Algumas variáveis são importantes para o estudo do com- portamento dos gases: pressão p; volume V; massa m e temperatura T. Por certas razões, em vez do uso da massa, foi adotado o número de mols n, Sendo que o número de mols é dado pela razão entre a massa do gás e a massa molar da composição do gás. n = m _____ Mmolar Nota: O número de mols também pode ser calculado pela razão entre o número de partículas que compõe o gás N e o número de Avogadro NA = 6,023 ∙ 10 23 mol-1 n = N __ NA 2. LeI geraL dos gases – equação de CLapeyron A Lei Geral dos Gases estabelece a seguinte relação, válida para uma quantidade de gás que tem massa constante: pV ___ T = constante Em que p é a pressão exercida pelo gás, V é o volume ocu- pado pelo gás e T é a temperatura do gás em kelvin. Em 1834, o físico francês Émile Clapeyron (1799-1864), de- pois de estudar diversos gases com quantidades de massa diferentes, descobriu que a constante da equação acima não é proporcional à massa do gás, mas depende do número de moléculas do gás. Assim, a equação é escrita como: pV ___ T = R ⋅ n ou pV = nRT Em que o número de mols de moléculas do gás é dado por n, e a constante R é denominada constante universal dos gases ideais, por seu valor ser o mesmo para todos os ga- ses. Essa equação é chamada de Equação de Clapeyron. Isolando a constante R na equação, obtém-se: R = pV ___ nT Assim: unidade de R = (unidade de pressão) ⋅ (unidade de volume) ______________________________________ (unidade de molaridade) ⋅ (unidade de temperatura) O valor de R, determinado experimentalmente, vale: R = 0,082 atm ⋅ L ______ mol ⋅ K = 8,31 Pa ⋅ m³ ______ mol ⋅ K Adiante, será visto que o produto Pa ⋅ m3 é equivalente ao joule (J). Assim, pode-se reescrever o valor de R como: R = 8,31 J ______ mol ⋅ K ≅ 2,0 cal ______ mol ⋅ K Física - Lei dos Gases Ideais: a Equação de Clapeyron Fonte: Youtube multimídia: vídeo 51 2.1. Estado normal de um gás Quando um gás se encontra nas condições normais de temperatura e pressão (CNTP), afirma-se que ele está em estado normal: p = 1 atm = 760 mmHg e T = 273 K (0°C) Nota: VOLUME MOLAR é o volume ocupado por um mol de gás, independentemente da natureza do gás. “Nas CNTP o volume molar de qualquer gás perfeito é igual a 22,4 litros”. Aplicação do conteúdo 1. Determine o volume de um recipiente que contém 4,0 mols de moléculas de um gás ideal à pressão de 2,0 atm e à temperatura de 27 °C. Dados: 1 atm ≅ 105 Pa e R = 8,3 J/mol ⋅ K. Resolução: Como o valor de R foi dado em unidades do SI, deve-se transformar unidade de pressão para pascal e unidade de temperatura para kelvin: p = 2,0 atm ≅ 2,0 × 105 Pa T = 27 °C = 300 K n = 4,0 mols Pela Equação de Clapeyron, isola-se V e se calcula: pV = nRT ⇒ V = nRT ___ P V = (4,0 mols) ∙ (8,3 J/mol ∙ k) ∙ (300 k) ______________________ 2,0 · 105 Pa V = 4,98 · 10–2 m3 Na utilização da equação de Clapeyron, é importante observar que a temperatura sempre deve estar na unidade kelvin. 3. transformações partICuLares Considerando o número de mols de um gás constante, isto é, um sistema isolado, a transformação do gás de um esta- do A para um estado B é relacionada pela equação: pA ⋅ VA _____ TA = pB ⋅ VB _____ TB Se uma das variáveis da equação acima permanecer cons- tante, somente as outras duas podem variar, e, nesse caso, existem algumas transformações particulares que serão abordadas a seguir. 3.1. Transformação isotérmica Durante a transformação do gás de um estado para outro, caso a temperatura permaneça constante, a transformação será denominada isotérmica. Nesse caso, a Lei Geral dos Gases fica: pV = constante oup1V1 = p2V2 O gráfico de p em função de V, em uma transformação iso- térmica, é uma hipérbole equilátera chamada de isoterma. Quanto maior a temperatura do gás, maior será o produto do pV, e a isoterma ficará mais afastada dos eixos (lembre- -se de que a quantidade de gás é constante). T1 T2 > T1 A transformação isotérmica também é conhecida como Lei de Boyle-Mariotte e foi desenvolvida separadamente por ambos os cientistas. Robert Boyle (1627-1691) publicou sua descoberta em 1660. Edme Mariotte (1620-1684) publicou sua descoberta em 1676, mas cedeu todos os créditos a Boyle. 3.2. Transformação isobárica Durante a transformação do gás de um estado para outro, caso a pressão permaneça constante, a transformação será denominada isobárica. Nesse caso, a Lei Geral dos Gases fica: V __ T = constante ou V1 __ T1 = V2 __ T2 52 3.3. Transformaçãoisocórica Durante a transformação do gás de um estado para outro, caso o volume permaneça constante, a transformação será denominada isocórica, isométrica ou isovolumétrica. Nesse caso, a Lei Geral dos Gases fica: p __ T = constante ou p1 __ T1 = p2 __ T2 Tanto a transformação isobárica, que também recebe o nome de Lei de Charles e Gay-Lussac, quanto a transfor- mação isocórica, que também é conhecida como Lei de Charles, recebem os nomes de seus autores, que desen- volveram suas ideias separadamente: Jacques Alexandre César Charles (1746-1823) fez sua descoberta da relação para a transformação isobárica em 1787, e Louis Joseph Gay-Lussac (1778-1850) fez sua descoberta em 1802. 3.4. Transformação adiabática A transformação de um gás pode acontecer muito rapid- amente, e, nesse caso, a expansão ou compressão de um gás pode ocorrer sem trocas de calor com o meio externo (devido à rapidez da transformação). Essa transformação é denominada transformação adiabáti- ca. A relação que satisfaz essa transformação é dada por: p ⋅ Vg = constante ou p1v1 g = p2v2 g Em que g é a razão entre as capacidades caloríficas mo- lares à pressão constante (Cp) e o volume constante (Cv); trata-se do chamado coeficiente de Poisson. Para um gás ideal monoatômico g = 5 __ 3 e para um gás ideal diatômico g = 7 __ 5 . Em relação à temperatura, pode-se escrever: T1 · v1 g = T2 · v2 g Por que desodorante spray gela as coisas? Fonte: Youtube multimídia: vídeo 53 4. o moL Nas aulas de química é ensinado que a contagem do nú- mero de átomos e moléculas é realizada usando-se o mol: 1 mol = 6,023 · 1023 partículas Desse modo, tem-se: § 1 mol de átomos = 6,023 · 1023 átomos § 2 mols de átomos = 2(6,023 · 1023) átomos = 12,046 · 1023 átomos A quantidade 6,023 · 1023 é denominada número de Avogadro e comumente representada por NA: NA = 6,023 · 10 23 partículas/mol = 6,023 · 1023 mol–1 Note que o plural de mol é mols. A massa molar (M) de um elemento é definida como a massa de 1 mol de átomos desse elemento. De modo se- melhante, para uma substância, a massa molar é a massa de 1 mol de moléculas dessa substância. Assim, é possível calcular o número n de mols de átomos de um elemento de massa m, a partir da seguinte relação: n = m __ M Note que essa relação também é válida para determinar o número de mols de moléculas de uma substância de massa m. Lorenzo Romano Amedeo Carlo Avogadro (1776-1856) foi um químico italiano que elaborou pela primeira vez a ideia de que uma amostra de um elemento, com massa em gramas numericamente igual à sua massa atômica, apresenta sem- pre o mesmo número de átomos. Entretanto, ele não foi ca- paz de determinar o valor da constante que leva o seu nome. Aplicação do conteúdo 1. Uma amostra de CO2 tem massa m = 88 gramas. De- termine o número de mols de moléculas da amostra, sabendo que: Massa molar do carbono: MC = 12 gramas/mol Massa molar do oxigênio: MO = 16 gramas/mol Resolução: Como há dois átomos de oxigênio na molécula, a massa molar de CO2 é: M = MC + 2MO = (12 g/mol) + 2(16 g/mol) = 44 g/mol Assim, calcula-se o número de mols (n) da amostra: n = m __ M = 88 g _______ 44 g/mol = 2 mols Portanto, essa amostra é composta por 2 mols de moléculas de CO2, ou seja, existem 2(6,023 × 10 23) moléculas de CO2. 2. (G1) Um gás perfeito está sob pressão de 20 atm, na temperatura de 200 K e apresenta um volume de 40 litros. Se o referido gás tiver sua pressão alterada para 40 atm, na mesma tempera- tura, isto é, transformação isotérmica, qual será o novo volume? VIVENCIANDO Apesar de ser útil na caracterização do estado de um gás, a lei geral dos gases pressupõe o comportamento ideal de um gás, que é impossível de ser obtido na prática; contudo, pode ser considerada prática na maioria das situações. Os fundamentos da lei geral são utilizados na produção de diversos produtos que presentes no cotidiano, como o ar-condicionado, o spray aerossol e a geladeira. O aerossol é constituído por um reservatório de metal e por uma válvula que se conecta a uma mistura entre o pro- duto (desodorante, repelente, inseticida) e um gás propelente. O produto e o gás se encontram através de um tubo. Quando a válvula é acionada, a mistura que estava pressurizada dentro da embalagem acaba entrando em contato com a pressão atmosférica do ambiente, que é diferente da encontrada dentro da lata. A pressão interna do gás, inicialmente alta, sofre uma diminuição. A diminuição brusca da pressão causa o aumento do volume da mistura, que acaba sendo espalhada em forma gasosa pelo ambiente. 54 Resolução: Como a transformação é isotérmica, pode-se aplicar a fór- mula específica para esse tipo de transformação: p1 ⋅ V1 = p2 ⋅ V2 Substituindo os valores na fórmula, obtém-se: 20 ⋅ 40 = 40 ⋅ V2 Finalizando os cálculos: V2 = 20L Assim, 20 litros será o novo volume. 3. (Unesp) Um gás ideal, inicialmente à temperatura de 320 K e ocupando um volume de 22,4 L, sofre expansão em uma transformação isobárica. Considerando que a massa do gás permaneceu inalterada e a temperatura final foi de 480 K, calcule a variação do volume do gás. Resolução: Como a transformação é isobárica, segue que a pressão é constante; assim: V1 __ T1 = V2 __ T2 Substituindo os valores na fórmula, obtém-se: 22,4 ____ 320 = V2 ___ 480 Finalizando os cálculos: V2 = 33,6 L Assim, a variação de volume foi: V2 - V1 = 11,2 L Portanto, tem-se uma variação de volume de 11,2 litros. 4. (Unirio) Com base no gráfico a seguir, que represen- ta uma transformação isovolumétrica de um gás ideal, podemos afirmar que, no estado B, a temperatura é de: a) 273 K b) 293 K c) 313 K d) 586 K e) 595 K Resolução: Como a transformação é isovolumétrica, ou seja, isocórica, segue que o volume é constante; assim: p1 __ T1 = p2 __ T2 Lembrando que, nessa fórmula, a temperatura deve ser mantida em kelvin. Substituindo os valores na fórmula, obtém-se: 2 ________ 20 + 273 = 4 __ T2 Finalizando os cálculos: T2 = 586 K Alternativa D 5. (UFRGS) Um gás monoatômico sofre uma transfor- mação adiabática durante a qual sua pressão absoluta passa de P para 4P. Sendo o volume inicial igual a 1 litro, podemos afirmar que o volume final será o valor de? Resolução: Como a transformação é adiabática, segue que não há tro- ca de calor com o meio externo; assim: p1 ⋅ V 1 g = p2 ⋅ V 2 g Para um gás monoatômico, segue que a constante de transformação vale 5 __ 3 : P ⋅ 15/3 = 4P ⋅ V2 5/3 Finalizando os cálculos, obtém-se: V2 5/3 = 0,25 Logo: V2 ≅ 0,43 L multimídia: sites www.efeitojoule.com/2009/09/equacao- de-clapeyron-equacao-clapeyron.html www.if.ufrgs.br/~dschulz/web/transf_ termodinamicas.htm quantumfreak.com/derivation-of-pvnrt- the-equation-of-ideal-gas/ mundoestranho.abril.com.br/saude/como- se-forma-o-pum/ 55 5. mIstura de gases perfeItos Sejam misturados n1 e n2 mols de gás ideal, a quantidade final de mols é dada pela soma das quantidades individuais. n = n1 + n2 Sejam p, V, n e T as variáveis termodinâmicas da mistura, pela equação de Clapeyron temos que: n = p ⋅ V ____ R ⋅ T Sendo p1, V1, n1 e T1 as variáveis termodinâmicas do primei- ro gás antes da mistura, e p2, V2, n2 e T2 as variáveis termo- dinâmicas do segundo gás antes da mistura, pela equação de Clapeyron, temos que: n1 = p1 ⋅ V1 ____ R ⋅ T1 e n2 = p2 ⋅ V2 ____ R ⋅ T2 Finalmente podemos dizer que: p ⋅ V ____ T = p1 ⋅ V1 ____ T1 + p2 ⋅ V2 ____ T2 Lei das Pressões Parciais - Lei de Dalton A pressão final P da mistura é dada pela soma das pressões parciais dos componentes da mistura se cada gás ocupasse sozinho todo o volume final V, na mesma temperatura T que a mistura final. Matematicamente, temos que, para a mistura, n = p ⋅ V ____ R ⋅ T para os gasesindividuais, teríamos: n’ = p’ ⋅ V ____ R ⋅ T e n” = p” ⋅ V ____ R ⋅ T Como o número de mols da mistura é a soma das quanti- dades individuais dos gases, temos: n = n’ + n” p ⋅ V ____ T = p’ ⋅ V ____ T + p” ⋅ V ____ T Finalmente, p = p' + p" CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS A lei geral dos gases é objeto de estudo de pesquisadores da Química e da meteorologia, uma vez que as modificações gasosas que ocorrem com o aumento de temperatura são im- portantes para determinar fatores que influenciam o clima e a dinâmica atmosférica. A compreensã dos fenômenos atmos- féricos e do funcionamento dos processos gasosos encontra- dos na atmosfera contribui para uma visão completa dos pro- cedimentos que envolvem diversas áreas, como saúde, política e ecologia. Outro exemplo de pesquisas interdisciplinares com os gases são os estudos sobre combustíveis alternativos, como o nitrogênio líquido e o ar comprimido, que são utilizados com base nos fenômenos de compressão e expansão dos gases para se criar motores utilizados em carros e outros tipos de transporte. 56 GÁS IDEAL TRANSFORMAÇÕES VARIÁVEIS DE ESTADO EQUAÇÃO DE ESTA- DO DE CLAPEYRON EXPANSIBILIDADE E COMPRESSIBILIDADE LEI GERAL DOS GASES • ISOTÉRMICA • ISOBÁRICA • ISOVOLUMÉTRICA • ADIABÁTICA • PRESSÃO • VOLUME • TEMPERATURA DIAGRAMA DE IDEIAS 57 Primeira lei da termodinâmica CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17, 18 e 21 AULAS 11 e 12 1. Máquinas térMicas Durante a chamada Revolução Industrial, entre o final do século XVIII e meados do século XIX, a economia europeia foi alterada devido a uma série de transforma- ções tecnológicas. Um elemento fundamental para essa revolução foi a má- quina a vapor. Utilizando a força do vapor resultante da ebulição da água para produzir movimento, a máquina a vapor era utilizada inicialmente para retirar água do fundo das minas; aos poucos, porém, passou a ser utilizada nas indústrias e nos transportes. As máquinas a vapor transformam calor em trabalho (ou energia mecânica), e por isso são denominadas máquinas térmicas. 1.1. O motor de combustão interna No fim do século XIX, outro tipo de máquina térmica foi cria- do: o motor de combustão interna. Nesse motor, uma mistura de ar e vapor de combustível, como gasolina, álcool ou óleo diesel, é usada em vez do vapor de água. Essa mis- tura é introduzida em um cilindro, e um dispositivo, chamado vela de ignição, emite uma faísca elétrica, provocando a combustão da mistura e uma rápida expansão (explosão) do gás, movimentando o pistão dentro do cilindro. Esse tipo de motor é usado, por exemplo, nos automóveis. Devido a essa característica da explosão da mistura den- tro do cilindro, o motor de combustão interna é conhecido também como motor a explosão. De forma resumida, nas máquinas térmicas, um gás recebe calor e realiza trabalho. 2. trabalho realizado por uM gás Na figura a seguir, um gás ideal está contido em um cilin- dro munido de um embolo (região mais escura). A seção reta do cilindro tem área A. A força exercida pelo gás sobre o êmbolo é representada por ____ › FG . Considere que o êmbolo se desloque de d depois de uma expansão isobárica (pres- são constante) do gás. A força exercida pelo gás sobre o êmbolo e o deslocamen- to têm o mesmo sentido; assim, o trabalho é dado por: τG = FG ⋅ d Chamando de pG a pressão exercida pelo gás sobre o êmbolo, temos: FG = pG ⋅ A Substituindo na equação do trabalho, obtém-se: τG = FG ⋅ d = pG ⋅ A ⋅ d ⇒ τG = pG ⋅ DV Se, em vez de uma expansão, o gás sofrer uma compressão isobárica, o trabalho será negativo, pois ____ › FG e ___ › d terão senti- dos opostos, do mesmo modo que DV será negativo, pois: DV = (volume final) – (volume inicial) No caso de uma compressão: volume final < volume inicial Assim, a equação acima do trabalho realizado pelo gás é válida tanto na expansão isobárica quanto na compressão isobárica do gás. Por se tratar de processos isobáricos, a pressão é constante, e o gráfico de pG em função do volu- me é uma reta paralela ao eixo das abcissas (eixo do volu- me). A área sob a curva, limitada pela variação de volume, como mostrado na figura a seguir, é numericamente igual ao trabalho realizado pelo gás. pG pG 58 É possível demonstrar que, mesmo quando a pressão não é constante, o trabalho ainda é numericamente igual à área sob o gráfico. A figura a seguir ilustra esse caso. pG Aplicação do conteúdo 1. O gráfico a seguir mostra a mudança de um gás ideal do estado A para o estado B. Sabendo que 1 atm @ 105 Pa, determine o trabalho realizado pelo gás na transformação. Resolução: O gráfico representa a variação de pressão em função do volume do gás. Como foi visto, o trabalho realizado pelo gás, em módulo, é numericamente igual à área da figura sombre- ada no gráfico. Calculando a área do trapézio, segue: |τG| = (2, 0 atm + 4, 0 atm) (8, 0 L) ______________________ 2 = 24 atm ⋅ L Como 1 atm = 105 Pa e 1L = 10–3 m3, tem-se: |τG| = 24 ⋅ (10 5 Pa) ⋅ (10–3 m3) = 2,4 ∙ 103 Pa ⋅ m3 As unidades Pa e m3 são as unidades padrões do SI e, por- tanto, o trabalho é expresso em joules: |τG| = 2,4 ∙ 10 3 J Pelo gráfico, verifica-se que o volume diminuiu (DV < 0); assim, o trabalho é negativo: τG = –2,4 ∙ 10 3 J Assim como o calor, o trabalho também está relacionado com a transferência de energia. Entretanto, distingue-se pelo fato de não causar a alteração de temperatura do corpo. Resumidamente, é possível afirmar que, quando o gás rea- liza trabalho (trabalho interno), seu valor é positivo; quan- do o trabalho é realizado sobre o gás (trabalho externo), seu valor é negativo. De modo geral, o módulo do trabalho é numericamente igual à área abaixo da curva p x V que caracteriza os estados termodinâmicos do gás. Na transfor- mação isobárica, a relação é dada por: τ = p ⋅ DV Energia interna, calor, trabalho e sua relação... Fonte: Youtube multimídia: vídeo 3. energia interna A soma das energias de todas as moléculas de um corpo determina sua energia interna (U). As energias cinéti- cas dos átomos e das moléculas, assim como as energias potenciais correspondentes às forças elétricas existentes entre os átomos ou moléculas, somam-se para compor a energia interna. No caso de um gás ideal, a energia interna é proporcional à temperatura absoluta (T) do gás. Assim: § Se T aumenta, U aumenta; § Se T é constante, U é constante; § Se T diminui, U diminui. No caso de um gás ideal constituído por apenas um átomo (gás monoatômico), a energia interna é dada por: U = 3 __ 2 nRT Em que n é o número de mols de moléculas, e R é a cons- tante universal dos gases. É importante salientar que essa equação é válida somente para gases monoatômicos e não é válida se as moléculas que formam o gás forem compostas por mais de um átomo. 59 Lembrando da equação de Clapeyron, pV = nRT, a energia in- terna de um gás ideal pode ser reescrita da seguinte maneira: U = 3 __ 2 pV 4. priMeira lei da terModinâMica No início do século XVIII, quando as primeiras máquinas a vapor foram construídas, ainda não se tinha certeza sobre a natureza do calor. Entretanto, em meados do século XIX, a observação do funcionamento dessas máquinas, juntam- ente com as tentativas de aperfeiçoá-las, e depois de diver- sos experimentos, os físicos chegaram a duas conclusões: § o calor é uma forma de energia; § a energia total do Universo se conserva (é constan- te), mas uma forma de energia pode se transformar em outra. A segunda sentença constitui o Princípio da Conser- vação da Energia, e foi enunciada, à época, como a Pri- meira Lei da Termodinâmica. Considere um sistema (conjunto de corpos) qualquer que receba uma quantidade de calor Q. Parte desse calor pode ser utilizada pelo sistema para realizar trabalho (τ). O restante do calor ficará armazenado no sistema, contribu- indo para o aumento de sua energia interna U.Sendo DU a variação da energia interna, o calor e o trabalho se rela- cionam da seguinte maneira: A equação acima traduz a Primeira Lei da Termodinâmica e foi convencionado que: § se Q > 0, o sistema recebe calor; § se Q < 0, o sistema perde calor; § se τ > 0, o sistema se expande, e o gás realiza trabalho; § se τ < 0, o sistema se contrai, e o trabalho é realizado sobre o gás. Sendo U0 a energia interna inicial do sistema, e Uf a energia interna final, tem-se: DU = Uf – U0 Assim: DU > 0 ⇔ Uf > U0 DU < 0 ⇔ Uf < U0 Aplicação do conteúdo 1. Um gás é comprimido por um agente externo e, ao mesmo tempo, recebe 400 J de calor de uma chama. Sabendo-se que o trabalho do agente externo foi 700 J, determine a variação de energia interna do gás. Resolução Como o gás recebeu calor, Q > 0: Q = + 400 J O agente externo realizou trabalho positivo. Contudo, como esse trabalho foi realizado sobre o gás (seu volume diminuiu), τ < 0: τ = –700 J Substituindo na equação da Primeira Lei da Termodinâmica: DU = Q – τ = 400 J – (–700 J) = 400 J + 700 J ⇒ ⇒ DU = 1.100 J A variação de energia interna DU é positiva. Isso significa que a energia interna aumentou uma quantidade igual a 1.100 J. 5. transforMações particulares A seguir, será aplicada a Primeira Lei da Termodinâmica nos casos de transformações isotérmica, isocórica, isobárica e adiabática de um gás ideal. 5.1. Transformação isotérmica Em uma transformação isotérmica, devido à temperatura ser constante, a energia interna também não se altera, ou seja, DU = 0. Assim: Q = τ + DU DU = 0 ⇒ Q = τ Primeira Lei da Termodinâmica - Energia Interna Fonte: Youtube multimídia: vídeo 60 5.1. Transformação isocórica Em uma transformação isocórica (ou isométrica ou isovolu- métrica), devido ao volume ser constante, o gás não realiza trabalho. Assim: Q = τ + DU τ = 0 ⇒ Q = DU Quando o gás passa por uma transformação isócorica, o calor Q pode ser calculado utilizando a capacidade o calor específico a um volume constante CV. Qv = m · CV · Δu Ou ainda a capacidade o calor molar à pressão constante CV. QV = n · CV · Δu 5.2. Transformação isobárica Em uma transformação isobárica, a pressão permanece constante e, pela Lei Geral dos Gases, o volume e a tem- peratura estão relacionados por: V __ T = constante Assim: § V aumenta ⇒ T aumenta ⇒ U aumenta ⇒ ⇒ DU > 0 § V diminui ⇒ T diminui ⇒ U diminui ⇒ ⇒ DU < 0 Por outro lado: Q = τ + DU ⇒ DU = Q – τ Com isso, o calor e o trabalho se relacionam da seguinte maneira: § No caso de expansão isobárica, DV > 0 e DU > 0, isto é: Q – τ > 0 ou Q > τ § No caso de compressão isobárica, DV < 0 e DU < 0, isto é: Q – τ < 0 ou Q < τ Quando o gás passa por uma transformação isobárica, o calor Q pode ser calculado utilizando o calor específico à pressão constante cp. QP = m · cP · Δu Ou ainda a capacidade molar à pressão constante CP. QP = n · CP · Δu Para um dado gás, a diferença entre a capacidade molar, a pressão constante e o volume constante. R = CP – CV 5.3. Transformação adiabática Foi visto que uma transformação adiabática ocorre quando, durante a transformação, o sistema não recebe e nem cede calor ao meio ambiente (não existe troca de calor com o meio). Processos desse tipo ocorrem se o gás está contido em um recipiente de paredes feitas de um material isolante térmi- co, ou em um processo em que o gás sofra uma compres- são ou expansão muito rápida de modo que não receba ou VIVENCIANDO As ciências que estudam as propriedades físicas e químicas de diversos elementos e materiais estão relacionadas com a termodinâmica. Os processos de fabricação de novos componentes exige um conhecimento extenso de como ocorre a transferência de calor nesses materiais e como eles são usados como matéria-prima para a elaboração de novas ferramentas, como roupas mais confortáveis e aparelhos eletrônicos mais eficientes. O desenho e a construção de habitações devem sempre considerar os aspectos de troca de energia, tema central da termodinâmica. Os projetos residenciais e urbanos levam em conta os limites de conforto do organismo humano, que acontecem numa pequena faixa de temperatura em torno dos 20 ºC. Assim, é necessário pensar como os materiais se comportam com as situações climáticas da região. Um exemplo disso é o uso da energia solar em regiões onde se encontra uma alta incidência de radiação solar para substituir aquecedores de água que funcionam com energia elétrica. 61 forneça calor ao meio no curto intervalo de tempo durante a variação de seu volume. Aplicando a Primeira Lei da Ter- modinâmica a esse caso, tem-se: Q = τ + DU Q = 0 ⇒ DU = –τ Assim: § Se o gás sofrer uma compressão adiabática: DU = –τ τ < 0 ⇒ DU > 0 Ou seja, a energia interna aumenta e, portanto, sua tempe- ratura também aumenta. § Se o gás sofrer uma expansão adiabática: DU = – τ τ > 0 ⇒ DU < 0 Ou seja, a energia interna do gás diminui e, em consequên- cia, sua temperatura também diminui. Em um gráfico de pressão pelo volume (p x V), uma trans- formação adiabática é uma curva denominada curva adiabática. A forma dessa curva é semelhante à de uma isoterma, mas com inclinação diferente, como mostrado na figura a seguir. Aplicação do conteúdo 1. Qual a energia interna de 3 m³ de gás ideal monoatômico sob pressão de 0,5 atm? Resolução: Para calcular a energia interna do gás, deve-se aplicar a fórmula: U = 3 __ 2 · p · V Substituindo os valores, obtém-se: U = 3 __ 2 · 0,5 · 105 · 3 Finalizando os cálculos: U = 2250 J 2. (Unirio) Qual é a variação de energia interna de um gás ideal sobre o qual é realizado um trabalho de 80J durante uma compressão isotérmica? a) 80 J b) 40 J c) Zero d) – 40 J e) – 80 J Resolução Durante uma compressão isotérmica, sabe-se que a varia- ção da energia interna é nula; assim: ∆U = 0 Alternativa C 3. (Uece) Uma garrafa hermeticamente fechada contém 1 litro de ar. Ao ser colocada na geladeira, onde a tem- peratura é de 3 °C, o ar interno cedeu 10 calorias até entrar em equilíbrio com o interior da geladeira. Des- prezando-se a variação de volume da garrafa, a varia- ção da energia interna desse gás foi: a) – 13 cal b) 13 cal c) – 10 cal d) 10 cal Resolução: É possível saber pelo enunciado que a transformação em questão é isocórica, pois o volume da garrafa não varia; assim: Q = τ + ∆U Nas transformações isocóricas, ocorre que o trabalho reali- zado pelo gás é nulo; assim: Q = ∆U Construa um motor movido a vela (motor stirling) Fonte: Youtube multimídia: vídeo 62 Sabe-se também que o calor foi fornecido para o ambiente; conclui-se que Q = – 10 cal, logo: ∆U = –10 cal Alternativa C 4. Um gás ideal, inicialmente no estado A, sofre uma transformação termodinâmica: A → B: expansão isobárica; O gráfico da pressão em função do volume mostra a trans- formação A → B desse gás: Sabendo que o gás em questão recebeu uma quantidade de calor Q do ambiente, calcule em função de p, V e Q a variação da energia interna do gás. Resolução: Para calcular a variação da energia interna, deve-se apli- car a fórmula da Primeira Lei da Termodinâmica: Q = τ + ∆U A priori, é necessário calcular o trabalho realizado pelo gás: τ = p ⋅ ∆V Substituindo os valores, obtém-se: τ = 3p ⋅ (3V – V) Finalizando os cálculos: τ = 6 ⋅ p ⋅ V Voltando à equação inicial, tem-se: Q = 6 ⋅ p ⋅ V + ∆U Assim: ∆U = Q – 6 ⋅ p ⋅ V multimídia: sites www.if.ufrgs.br/~dschulz/web/primeira_ lei.htm web.mit.edu/16.unified/www/FALL/ thermodynamics/notes/node11.html 63 CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS Revolução Industrial e a máquina a vapor A primeira máquina a vapor de que se tem notícia foi criada por Herão de Alexandria (10-80 d.C.); chamada de olípila ou máquina de Herão, consistia numa esfera com tubos curvos por onde o vapor de água era expelido, fazendo com que o aparelho girasse. A imagem a seguir representa a máquina criada por Herão. O britânico Thomas Newcomen (1663-1729) foi o inventor da primeiramáquina a vapor capaz de bombear água em profundidade. A princípio, a máquina era utilizada para a extração de água em minas de carvão. Newcomen recebeu permissão para melhorar a máquina de Thomas Savery (1650-1712), que, em 1698, patenteou uma máquina a vapor que usava a condensação de vapor para criação de vácuo e, assim, puxar a água. Entretanto, a máquina só era capaz de bombear água no máximo a 15 metros de profundidade. Newcomen, junto com John Cally, melhorou a máquina a vapor adicionando um êmbolo num cilindro para uma alavanca que descia até a mina, sendo capaz de bombear água a mais de 50 metros de profundidade. No ano de 1763, o britânico James Watt (1736-1819) foi convidado a mel- horar o modelo da máquina de Newcomen. Watt percebeu que, se a câmara de condensação fosse separada do cilindro, evitaria perdas de energia. Em 1765, Watt inventou uma máquina a vapor que, além de perder menos calor, era capaz de gerar movimento circular. Devido aos seus trabalhos, a unidade de potência no SI – a relação entre joule e segundo – recebeu o nome de watt. Em 1804, a locomotiva de Richard Trevithick fez seu primeiro percurso. No Brasil, em 1854, uma locomotiva inaugurou a Estrada de Ferro Petrópolis, graças ao empreendedorismo do brasileiro Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá; sua inauguração contou com a presença do imperador Dom Pedro II. O estudo das máquinas térmicas foi fundamental para o desenvolvi- mento tecnológico do homem durante a Primeira Revolução In- dustrial. Durante o final do século XVIII e início do século XIX, surgi- ram a máquina a vapor moderna e a locomotiva, ambas invenções que transformavam a energia térmica, proveniente da queima do carvão, em energia mecânica. A utilização da máquina a vapor dinamizou o setor industrial, como a industrial têxtil, que até aquele momento ain- da se desenvolvia de maneira artesanal. 64 ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Habilidades Modelo 1 (Enem) O ar atmosférico pode ser utilizado para armazenar o excedente de energia gerada no sistema elétrico, diminu- indo seu desperdício, por meio do seguinte processo: água e gás carbônico são inicialmente removidos do ar atmos- férico e a massa de ar restante é resfriada até –198 ºC. Presente na proporção de 78% dessa massa de ar, o nitrogênio gasoso é liquefeito, ocupando um volume 700 vezes menor. A energia excedente do sistema elétrico é utilizada nesse processo, sendo parcialmente recuperada quando o nitrogênio líquido, exposto à temperatura ambiente, entra em ebulição e se expande, fazendo girar turbinas que convertem energia mecânica em energia elétrica. MACHADo, R. Disponível eM: <www.CoRReiobRAziliense.CoM.bR>. ACesso eM: 09 set. 2013 (ADAptADo). No processo descrito, o excedente de energia elétrica é armazenado pela: a) expansão do nitrogênio durante a ebulição; b) absorção de calor pelo nitrogênio durante a ebulição; c) realização de trabalho sobre o nitrogênio durante a liquefação; d) retirada de água e gás carbônico da atmosfera antes do resfriamento; e) liberação de calor do nitrogênio para a vizinhança durante a liquefação. Utilizar leis físicas e/ou químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da ter- modinâmica e/ou do eletromagnetismo.21 A habilidade 21 avalia a capacidade do estudante de entender conceitos da Física, sua importância histórica e saber aplicá-los no cotidiano. Como diz o segundo eixo cognitivo: “Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhe- cimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas”. Análise expositiva 1: O aluno precisa entender as formas de possíveis transformações de energia, como calor e trabalho. É necessário Identificar quando o sistema se resfria por essas transformações e identificar as informações que são relevantes no enunciado. Alternativa C C Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físi- cas, químicas ou biológicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.17 A Matemática é uma ferramenta fundamental para a interpretação e/ou construção de fenômenos no contexto da Física. Assim, faz-se necessário conhecer o manuseio e a aplicabilidade, além da capacidade interpretativa, dessa linguagem simbólica. Como afirma o terceiro eixo cognitivo da matriz de referência do ensino médio: “Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema”. 65 Modelo 2 (Enem) Um sistema de pistão contendo um gás é mostrado na figura. Sobre a extremidade superior do êmbolo, que pode movimentar-se livremente sem atrito, encontra-se um objeto. Através de uma chapa de aquecimento é possível fornecer calor ao gás e, com auxílio de um manômetro, medir sua pressão. A partir de diferentes valores de calor for- necido, considerando o sistema como hermético, o objeto elevou-se em valores ∆h como mostrado no gráfico. Foram estudadas, separadamente, quantidades equimolares de dois diferentes gases, denominados M e V. A diferença no comportamento dos gases no experimento decorre do fato de o gás M, em relação ao V, apresentar: a) maior pressão de vapor; b) menor massa molecular; c) maior compressibilidade; d) menor energia de ativação; e) menor capacidade calorífica. Análise expositiva 2: Para resolver o problema, o aluno precisa saber interpretar gráficos e retirar informações do enunciado para aplicar os seus conhecimentos de termodinâmica. Alternativa E E 66 PRIMEIRA LEI DA TERMODINÂMICA TRANSFORMAÇÕES ISOTÉRMICA ISOVOLUMÉTRICA ISOBÁRICA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA ADIABÁTICA ΔU = 0 = 0 = P • ΔV Q = 0 TERMODINÂMICA DIAGRAMA DE IDEIAS 67 Segunda lei da termodinâmica CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17, 18 e 21 AULAS 13 e 14 1. Transformação cíclica O estado final e o estado inicial do sistema são iguais em uma transformação cíclica. Considere que um gás sofra as transformações representadas no diagrama p × V abaixo. Como é possível observar no gráfico, as transformações sofridas pelo gás formam um caminho fechado. Esse pro- cesso é denominado ciclo. (É importante estudar os ciclos, pois as máquinas térmicas funcionam executando ciclos consecutivos). Considerando o ponto A como estado inicial do gás, após sofrer as transformações AB, BC, CD e DA, o gás volta ao estado A e completa um ciclo. Devido ao estado final (A) coincidir com o estado inicial (A), a temperatura final é a mesma que a temperatura inicial; assim, não existe varia- ção da energia interna U no ciclo completo. O trabalho do ciclo será dado pela soma do trabalho de cada passagem individual: tciclo = tABCDA = tAB + tBC + tCD + tDA Assim como a quantidade de calor do ciclo será igual à soma de cada passagem individual: Qciclo = QABCDA = QAB + QBC + QCD + QDA Ou como a variação da energia interna: DUciclo = DUABCDA = DUAB + DUBC + DUCD + DUDA = 0 Lembrando que a Primeira Lei da Termodinâmica é válida tanto para cada passagem individual quanto para o ciclo completo: DUciclo = Qciclo – tciclo DUAB = QAB – tAB DUBC = QBC – tBC DUCD = QCD – tCD DUDA = QDA – tDA Em um ciclo: DUciclo = 0 Lembrando da Primeira Lei da Termodinâmica: Qciclo = tciclo + DUciclo ⇒ Qciclo = tciclo + 0 Conclui-se: Em um ciclo: Q = t No gráfico acima, o ciclo realizado pelo gás tem sentido horário. Entretanto, as transformações também podem ocorrer no sentido anti-horário. Nos dois casos, porém, a área da região interna do gráfico (em um diagrama p × V) é numericamente igual ao módulo do trabalho realizado pelo gás, valendo: Ciclo horário: tciclo > 0 Ciclo anti-horário: tciclo < 0 O p τ > 0 V O p τ < 0 V |τ||τ| Sentido horário O p τ > 0 V O p τ < 0 V |τ||τ| Sentido anti-horário Como em cada ciclo Qciclo = tciclo, resulta que: Em um ciclo realizadono senti- do horário: tciclo > 0 e Qciclo > 0 68 A quantidade de calor recebida pelos gás é totalmente transformada em trabalho realizado pelo gás, isto é, todo o calor é convertido em trabalho. Em ciclo realizado no sentido anti-horário: tciclo < 0 e Qciclo < 0 O gás fornece calor devido a um trabalho realizado pelo meio exterior sobre o gás, ou seja, o trabalho é convertido em calor cedido pelo gás. Aplicação do conteúdo 1. (Unirio) Um gás sofre a transformação cíclica ABCA, in- dicada no gráfico a seguir. A variação da energia interna e o trabalho realizado pelo gás, valem, respectivamente: a) DU = 0 J e t = 0 J b) DU = 0 J e t = 8,0 ∙ 102 J c) DU = 0,5 ∙ 102 J e t = 1,5 ∙ 103 J d) DU = 8,0 ∙ 102 J e t = 0 J e) DU = 8,5 ∙ 102 J e t = 8,0 ∙ 102 J Resolução: Para calculars os dados pedidos, deve-se lembrar que a área de um gráfico de P x V apresenta o trabalho exercido pelo gás; assim: t = b ∙ h ____ 2 Substituindo os valores: t = (5 – 1) ∙ (600 – 200) ________________ 2 Finalizando os cálculos, resulta: t = 800 ou 8 ∙ 102 J Além disso, numa transformação cíclica, a energia interna do gás não varia, ou seja, a variação da energia interna é nula; assim: DU = 0 Alternativa B 2. segunda lei da Termodinâmica A segunda Lei da Termodinâmica foi enunciada de maneiras diferentes, embora equivalentes. Uma delas é a seguinte: “O calor não pode fluir espontaneamente de um cor- po de temperatura menor para um outro corpo de temperatura mais alta”. A primeira formulação da Lei, realizada em 1850 pelo ale- mão Rudolf Emmanuel Clausius (1822-1888), foi: “O calor flui espontaneamente de um corpo quente para um corpo frio. O inverso só ocorre com a realiza- ção de trabalho”. Outra formulação, de Lorde Kelvin e do físico alemão Max Planck (1858-1947), é: “É impossível, para uma máquina térmica que opera em ciclos, converter integralmente calor em trabalho”. Considere as trocas de energia em uma máquina térmica representadas na figura a seguir. A fonte quente, à tempe- ratura T1, fornece uma quantidade de calor Q1 à máquina térmica (no caso de uma locomotiva a vapor, por exemplo, a fonte quente é a fornalha onde é queimado o combustí- vel). Do calor Q1, uma parte é convertida em trabalho (t), e o restante |Q2| é fornecido a uma segunda fonte à tempe- ratura T2, menor que T1 (T2 < T1) (no caso da locomotiva a vapor, a fonte fria é o ambiente externo). 2 FONTE QUENTE FONTE FRIA MÁQUINA T T1 2Q 1Q τ eSquema de uma máquina térmica Assim: Q1 = t + |Q2| Ou: t = Q1 – |Q2| 69 Essa relação demonstra que a diferença entre o calor da fonte quente e a fonte fria é igual ao trabalho realizado em cada ciclo. O rendimento de uma máquina térmica h (lê-se “eta”) define-se por: h = t __ Q1 Substituindo t = Q1 – |Q2|, obtém-se: h = t __ Q1 = Q1 – | Q2 | ________ Q1 ⇒ h = 1 – |Q2| __ Q1 Nessa expressão, nota-se que o rendimento seria de 100% caso todo o calor fosse convertido em traba- lho, nesse caso, Q2 = 0. Contudo, sempre há uma quantidade de calor Q2 transferido à fonte fria e, por- tanto, sempre t < Q1 e Q2 > 0. Por esse motivo, o rendimento de uma máquina térmica é sempre me- nor do que 100%. No caso das máquinas a vapor, o rendimento é aproximadamente 0,15 (ou 15%). O rendimento de uma máquina térmica também é de- nominado eficiência. A potência útil (Pu) de uma maquina térmica é a razão en- tre o trabalho t realizado por ela e o intervalo de tempo Dt gasto para realizá-lo. Pu = t __ Dt No SI sua unidade é o watt (W), que representa a razão entre joule e o segundo. Aplicação do conteúdo 1. Uma máquina térmica recebe, a cada ciclo, uma quan- tidade de calor Q1 = 500 J da fonte quente, e fornece uma quantidade de calor Q2 = 400 J para a fonte fria. Cada ciclo é executado em um intervalo de tempo Dt = 0,25 s. Determine: a) o trabalho realizado pela máquina em cada ciclo; b) o rendimento da máquina; c) a potência útil da máquina. Resolução: a) t = Q1 – Q2 = 500 J – 400 J ⇒ t = 100 J b) h = t __ Q1 = 100 J _____ 500 J ⇒ h = 0,20 = 20% c) Pu = t ___ Dt = 100 J _____ 0,25 s = 400 J/s ⇒ Pu = 400 W 3. o ciclo de carnoT Depois de as primeiras máquinas térmicas terem sido cons- truídas no início do século XVIII, a primeira análise teórica dessas máquinas surgiu em 1824, em uma obra do físico francês Nicolas Leonard Sadi Carnot (1796-1832). Carnot nasceu em Paris e, apesar de ter morrido com ape- nas 36 anos, foi de vital importância para o desenvolvimen- to da termodinâmica. Ele estudou as máquinas térmicas, além de ter enunciado a Segunda Lei da Termodinâmica da seguinte maneira: “Para haver conversão contínua de calor em trabalho, um sistema deve realizar ciclos entre fontes quentes e frias, continuamente. Em cada ciclo, é retirada uma certa quantidade de calor da fonte quente (energia útil), que é parcialmente convertida em trabalho, sendo o restante rejeitado para a fonte fria (energia dissipada)”. Em seu trabalho de 1824, Carnot mostrou que uma máqui- na térmica, operando com uma fonte quente à temperatu- ra T 1, e uma fonte fria à temperatura T2, tem rendimento máximo quando executa um ciclo especial, denominado ciclo de Carnot, representado na figura a seguir. Esse ci- clo é formado pelas seguintes transformações (duas isotér- micas e duas adiabáticas), na seguinte ordem: Mauá - O Imperador e o Rei O filme mostra o enriquecimento e a falência de Irineu Evangelista de Sousa, mais conhecido como barão de Mauá, considerado o primeiro grande empresário brasileiro. Fonte: Youtube multimídia: vídeo 70 1. O gás recebe calor Q1 da fonte quente e sofre uma expansão isotérmica AB à temperatura T1. 2. Expansão adiabática BC; o gás atinge a temperatura T2. 3. O gás fornece o calor Q2 à fonte fria e sofre uma com- pressão isotérmica CD à temperatura T2. 4. Compressão adiabática DA; o gás volta ao seu estado inicial à temperatura T1. A seguinte relação é válida para esse ciclo: |Q2| __ Q1 = T2 __ T1 Já foi visto que o rendimento (ou eficiência) de uma máqui- na térmica qualquer é dado por: h = t __ Q1 = Q1 – |Q2| ______ Q1 ⇒ h = 1 – |Q2| __ Q1 O rendimento de uma máquina realizando o ciclo de Car- not pode ser calculado a partir das temperaturas das fontes quente e fria. Substituindo as variáveis Q1 e |Q2| pelos valo- res de temperatura T1 e T2: h = 1 – T2 __ T1 = T1 – T2 _____ T1 O rendimento do ciclo de Carnot é independente do gás utilizado pela máquina e é um ciclo ideal. Na prática, entretanto, as máquinas que funcionam usando o ciclo de Carnot têm um rendimento inferior ao previsto. Isso acontece devido às transformações adiabáticas não ocor- rerem perfeitamente, e também devido às perdas de ca- lor por atrito e isolamento térmico imperfeito. Máquinas térmicas reais atingem de 60% a 80% do rendimento previsto por Carnot. Nota: Observe que nem mesmo o ciclo de Carnot pode alcançar um rendimento de 100%. Aplicação do conteúdo 1. Uma máquina térmica funciona entre duas fontes às temperaturas de 227 ºC e 27 ºC. Qual o rendimento máximo possível para essa máquina? Resolução: Tem-se: T1 = 227 °C = 500 K T2 = 27 °C = 300 K O maior rendimento possível é obtido usando um ciclo de Carnot: hmáx = 1 – T2 __ T1 = 1 – 300 K _____ 500 K = 1 – 0,60 ⇒ ⇒ hmáx = 0,40 = 40% 4. máquinas frigoríficas Diferentemente das máquinas térmicas, as máquinas frigo- ríficas retiram o calor de uma fonte fria e o fornecem para uma fonte quente. Obviamente, esse processo não ocorre espontaneamente, pois, de acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica, a tendência natural do calor é fluir de um corpo quente para um corpo frio. Assim, é necessário rea- lizar trabalho (por exemplo, por meio de um motor) que faça com que o calor siga um percurso não natural. Essa é a base de funcionamento de aparelhos como o ar-condi- cionado e o refrigerador doméstico. 1 FONTEQUENTE FONTE FRIA MÁQUINA T T2 1Q 2Q τ O esquema de funcionamento de uma máquina frigorífica está representado na figura anterior. O trabalho t executa- do por um motor faz com que o calor Q1, retirado da fonte fria, à temperatura T1, seja enviado para a fonte quente, à temperatura T2 (sendo T2 > T1), que recebe uma quantidade de calor |Q2|. Assim, a cada ciclo executado: Q1 + |t| = |Q2| Noções de entropia Fonte: Youtube multimídia: vídeo 71 Nas máquinas frigoríficas é usado um fluido que, durante parte do ciclo, é gás e, no restante do ciclo, permanece na forma líquida. Dessa forma, a máquina térmica transforma calor em tra- balho, fazendo com que o fluido (vapor) execute um ciclo no sentido horário: A máquina frigorífica transforma trabalho em calor, fazen- do com que o fluido (gás refrigerante) execute um ciclo no sentido anti-horário. Assim, o trabalho do gás refrigerante é negativo em uma máquina frigorífica. Isso significa que o gás é comprimido pela ação do motor, que, por esse motivo, é denominado motor compressor. 5. eficiência de uma máquina frigorífica A eficiência ou coeficiente de desempenho de uma máqui- na frigorífica é número e definido por: e = Q1 __ |t| Em que Q1 é o calor retirado da fonte fria, e t é o trabalho realizado pelo motor. Considerando o calor Q2 enviado à fonte quente, reescreve-se a equação do ciclo, isolando o trabalho: Q1 + |t| = |Q2| ou |t| = |Q2| – Q1 Substituindo na equação anterior, obtém-se a seguinte expressão: e = Q1 ______ |Q2| – Q1 Em geral, refrigeradores domésticos têm eficiência e = 5, isto é, a cada ciclo, a quantidade de calor retirada de den- tro do refrigerador é cinco vezes maior do que o trabalho executado pelo compressor. VIVENCIANDO Como foi visto ao longo das aulas sobre termodinâmica, o estudo dos gases foi fundamental na história da humani- dade, não só pela construção de dirigíveis, mas principalmente como ferramenta para as revoluções industriais. As máquinas térmicas, por sua vez, permitiram a construção de bombas de água, tornando possível a extração de carvão a grandes profundidades, a criação de máquinas que aumentaram a produtividade nas indústrias (por exemplo, na produção têxtil), o advento do motor a combustão, que está presente nos automóveis utilizados cotidianamente, e a criação da geladeira, onde são guardados e conservados os alimentos. Ciclos termodinâmicos e máquinas térmicas Fonte: Youtube multimídia: vídeo 72 Aplicação do conteúdo 1. Tem-se uma máquina térmica frigorífica que realiza, durante um ciclo completo, um trabalho de 4 ∙ 104 J e cede, à fonte fria, 12 ∙ 104 J. Com essas informações, calcule a eficiência da máquina frigorífica. Resolução: A eficiência de uma máquina frigorífica é dada pela seguinte equação: e = Q1 __ |t| Substituindo pelos valores, obtém-se: e = 12 ∙ 10 4 ______ 4 ∙ 104 Logo: e = 3 2. (PUC- Camp) A turbina de um avião tem rendimento de 80% do rendimento de uma máquina ideal de Car- not operando às mesmas temperaturas. Em voo de cruzeiro, a turbina retira calor da fonte quente a 127 °C e ejeta gases para a atmosfera que está a –33 °C. O rendimento dessa turbina é de a) 80 % b) 64 % c) 50 % d) 40 % e) 32 % Resolução: Aplicando a fórmula de rendimento, tem-se: h = T1 – T2 _____ T1 Substituindo os valores: h = (127 + 273) – (–33 + 273) ____________________ (127 + 273) Finalizando os cálculos, obtém-se: h = 0,4 Para calcular a eficiência da asa, deve-se achar 80% de 0,4, ou seja: easa = 0,4 ∙ 0,8 Assim: easa = 0,32 Alternativa E 6. refrigerador de carnoT Da mesma forma que a máquina térmica, um refrigerador pode executar o ciclo de Carnot, mas no sentido anti-ho- rário. Nesse caso ele é denominado refrigerador de Carnot. Para o refrigerador de Carnot também vale a equação: Q1 __ T1 = |Q2| __ T2 Assim, pode-se expressar o rendimento em função das temperaturas das fontes fria e quente: eCarnot = Q1 ______ |Q2| – Q1 = T1 _____ T2 – T1 Ciclos termodinâmicos e máquinas térmicas Fonte: Youtube multimídia: vídeo 7. Terceira lei da Termodinâmica A Terceira Lei da Termodinâmica resultou dos trabalhos de Walther Nernst (1864-1941) e Max Planck (1858-1947). As transformações naturais ocorrem em um certo sentido e nem sempre são reversíveis, isto é, apesar de ocorrer a con- servação da energia total, à medida que o tempo passa, me- nor é a possibilidade de se obter energia útil em um sistema. A evolução dos sistemas naturais tende para um estado de maior desordem. Essa medida de desordem de um sistema é denominada entropia. Assim, quando a desordem de um sistema aumenta, ocorre um aumento de entropia. Considere uma xícara de chá que cai e se parte ao atingir o chão. Se todos os cacos da xícara fossem recolhidos e a xícara caísse novamente, do mesmo modo que a xícara intacta, os cacos recolhidos da xícara não se reorganizam, e é mais provável que se partam em pedaços ainda meno- res. Esse exemplo ilustra o fato de que a desordem tende a aumentar conforme o tempo passa, sendo mais provável atingir um estado de maior desordem do que um estado bem ordenado. Assim, a Terceira Lei da Termodinâmica pode ser enunciada da seguinte maneira: As transformações naturais sempre resultam em um aumento da entropia do Universo. 73 Desse modo, pode-se definir processos irreversíveis como aqueles processos que, por meios naturais, ocorrem apenas em um sentido. Dessa forma, quando ocorre um processo irreversível, a entropia do sistema sempre aumenta. Já os processos reversíveis são aqueles em que, depois de ocorrer uma pequena mudança, é possível reverter essa mudança, de forma que o sistema volte às suas condições iniciais. Tecnicamente, processos reversíveis são uma idealização, uma vez que na natureza todos os processos envolvem turbulência ou atrito, ou ainda algum outro aspecto que os torna irreversíveis. A definição de entropia para um sistema em que ocorre uma transformação isotérmica é a razão entre a quantidade de calor que o sistema troca pela temperatura do sistema durante a transformação reversível: DS = Q __ T A unidade de entropia S no SI é o joule por kelvin J/K. Para o cálculo da entropia de uma transformação irreversí- vel, devido ao fato de a entropia ser uma variável de esta- do, basta escolher um processo reversível que interligue os mesmos dois estados do processo irreversível. A entropia calculada será equivalente à do processo irreversível. Agora, é possível reescrever a Terceira Lei da Termodinâmi- ca em termos da entropia: Quando ocorrem mudanças em um sistema fechado, sua en- tropia nunca diminui; ela pode crescer para processos irrever- síveis ou permanecer constante para processos reversíveis: DS ≥ 0 Nota: No ciclo de Carnot todas as transformações são reversíveis. 7.1. Motor a combustão De modo geral, o motor a combustão é uma máquina tér- mica que transforma a energia da queima de certos gases em trabalho. Um motor padrão é composto por quatro fases. Na primeira, o gás preenche um cilindro à medida que um pistão abre espaço, mantendo uma pressão constante. Na fase 2, o pistão comprime a mistura gasosa numa transfor- mação adiabática, de tal forma que, no final do processo, a temperatura e a pressão do gás estão com valores elevados. Na terceira fase, uma faísca faz com que o gás entre em combustão devido a reações químicas entre o gás e o ar. Novas substâncias são produzidas, causando uma rápida ex- pansão do gás e outra transformação adiabática. Por fim, na última fase, os gases decorrentes da queima são expulsos do cilindro por meio de uma transformação isobárica. 7.2. Ciclo de Otto Idealizado por Beau de Rochas (1815-1893), mas colocado em prática, em 1875, pelo engenheiro Nikolaus Otto (1832- 1891), é o motor que se encontra na maioria dos automó- veis atualmente. É composto dos seguintes processos: 1. Admissão isobárica (0-1). 2. Compressão adiabática(1-2). 3. Combustão isocórica (2-3). 4. Expansão adiabática (3-4). 5. Abertura de válvula (4-5). 6. Exaustão isobárica (5-0). multimídia: sites cienciaetecnologias.com/demonio-de- maxwell/ www.if.ufrgs.br/~dschulz/web/ciclo_ carnot.htm coral.ufsm.br/gef/Calor/calor28.pdf 74 7.3. Ciclo de Diesel Diferentemente do ciclo de Otto, o motor de Diesel faz a ig- nição do combustível pelo aumento da temperatura devido à compressão do ar. Foi inventado em 1893 pelo engenheiro Rudolf Diesel (1858-1913). Ainda hoje se destaca devido à economia de combustível. O ciclo de Diesel é composto por quatro processos: 1. Uma compressão isentrópica, ou seja, sem o aumento da entropia do sistema (1-2). 2. Fornecimento de calor à pressão constante (isobárico) (2-3). 3. Expansão isentrópica, sem o aumento da entropia do sistema (3-4). 4. Por fim, uma transformação isovolumétrica, enquan- to o calor é cedido. (4-1). O ciclo de Diesel é utilizado em automóveis, caminhões, barcos, compressores, navios e em geradores diesel-elétri- cos industriais. CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS A Revolução Industrial, que ocorreu na Europa entre os séculos XVIII e XIX, foi um conjunto de mudanças estruturais no modo de produção, quando o trabalho artesanal foi substituído pelo trabalho assalariado e pelo uso das máquinas. Até o final do século XVIII, a maioria da população europeia vivia no campo e produzia o que consumia. Nesse sentido, um artesão conhecia todo o processo produtivo de seu produto. Com o passar do tempo, começaram a surgir grandes oficinas, em que diversos artesãos, realizando manualmente todo o processo, fabricavam os produtos, mas eram subor- dinados ao proprietário da manufatura. Devido à sua localização, ao fato de possuir uma rica burguesia em expansão e ter sofrido um êxodo rural, a Inglaterra possuía as características que fizeram com que estivesse na vanguarda da Revolução Industrial entre 1760 e 1860. Com o desenvolvimento tecnológico, as oficinas se transformaram em pequenas fábricas; nas indústrias de tecidos de algodão surgiu o tear mecânico. Nessa época, o aprimoramento das máquinas a vapor contribuiu para a contin- uação da revolução, tanto para o transporte da mercadoria quanto para a produção. A Inglaterra possuía reservas de minas de carvão mineral, mas máquinas de bombear água eram necessárias para a exploração das minas – com a máquina a vapor foi possível explorar minas a grandes profundidades. O carvão era utilizado para movimentar a locomotiva a vapor, aquecer os fornos das indústrias ou alimentar algumas máquinas a vapor. No início da Revolução Industrial, as fábricas não eram um bom local de trabalho: condições de trabalho precárias, longas jornadas de trabalho, baixo salário, péssima iluminação, falta de ventilação, muita sujeira e até mesmo cas- tigos físicos por parte dos patrões forçaram revoltas e greves dos trabalhadores, que passaram a se organizar por meio de sindicatos, exigindo melhores condições de trabalho, melhores salários e direitos trabalhistas. Cultuado por muito tempo como o romance por excelência das relações humanas no universo da organização dos trabalhadores, ‘Germinal’ retrata os primórdios da Interna- cional Socialista, constituindo simultanea- mente um painel revelador da lógica patronal no início do capitalismo industrial. Germinal - Zola, Émile multimídia: livros 75 Aplicação do conteúdo 1. Quanto trabalho deve ser realizado por um refrigera- dor Carnot para transferir 1,0 J sob a forma de calor de um reservatório a 7,0 ºC para um a 27 ºC? Resolução: Para calcular o valor do trabalho necessário, deve-se, ini- cialmente, calcular a eficiência da máquina: ecarnot = T1 _____ T2 – T1 Substituindo os valores, tem-se: ecarnot = (7 + 273) _________________ (27 + 273)–(7 + 273) Finalizando os cálculos, tem-se: ecarnot = 14 Para achar o trabalho necessário, deve-se aplicar outra fórmula: |t| = Q1 ____ ecarnot Substituindo, tem-se: |t| = 1 ___ 14 Assim: |t| = 0,071 J 2. O que é entropia? Resolução: Quantidade termodinâmica de um sistema físico associada ao grau de desordem desse sistema. Quanto mais desorde- nado o sistema, maior sua entropia. ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Habilidade Utilizar leis físicas e/ou químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da ter- modinâmica e/ou do eletromagnetismo.21 A habilidade 21 avalia a capacidade do estudante de entender conceitos da Física, sua importância histórica e saber aplicá-los no cotidiano. Como diz o segundo eixo cognitivo: “Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhe- cimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas”. Modelo (Enem) Aumentar a eficiência na queima de combustível dos motores a combustão e reduzir suas emissões de poluen- tes são a meta de qualquer fabricante de motores. É também o foco de uma pesquisa brasileira que envolve expe- rimentos com plasma, o quarto estado da matéria e que está presente no processo de ignição. A interação da faísca emitida pela vela de ignição com as moléculas de combustível gera o plasma que provoca a explosão liberadora de energia que, por sua vez, faz o motor funcionar. diSponível em: <www.inovacaotecnologica.com.br>. aceSSo em: 22 jul. 2010 (adaptado). No entanto, a busca da eficiência referenciada no texto apresenta como fator limitante: a) O tipo de combustível, fóssil, que utilizam. Sendo um insumo não renovável, em algum momento estará esgotado. b) Um dos princípios da termodinâmica, segundo o qual o rendimento de uma máquina térmica nunca atinge o ideal. c) O funcionamento cíclico de todo os motores. A repetição contínua dos movimentos exige que parte da energia seja transferida ao próximo ciclo. d) As forças de atrito inevitável entre as peças. Tais forças provocam desgastes contínuos que com o tempo levam qualquer material à fadiga e ruptura. e) A temperatura em que eles trabalham. Para atingir o plasma, é necessária uma temperatura maior que a de fusão do aço com que se fazem os motores. 76 Análise expositiva - Habilidade 21: Nessa questão, o aluno precisa se lembrar do enunciado da Segunda Lei da Termodinâmica e relacioná-la com o rendimento para a máquina de Carnot. Alternativa B B CICLOS TERMODINÂMICOS MÁQUINA IDEAL DE CARNOT ANTI-HORÁRIO HORÁRIO 2ª LEI DA TERMODINÂMICA DEGRADAÇÃO DE ENERGIA ENTROPIA MÁQUINA FRIGORÍFICA MÁQUINA TÉRMICA RENDIMENTO MÁXIMO TERMODINÂMICA DIAGRAMA DE IDEIAS 77 Introdução à óptIca geométrIca CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17 e 22 AULAS 15 e 16 1. Óptica geométrica Será iniciado o estudo da Óptica (do grego optiké, que significa “visão”), que trata do estudo da luz. A propagação da luz será analisada nos tópicos de On- dulatória. Agora, porém, será estudada de modo relativa- mente simples a propagação da luz usando leis empíricas e construções geométricas que representam o percurso da luz por linhas denominadas raios de luz. Esse estudo re- cebe o nome de Óptica Geométrica. O que torna possível um objeto ser visualizado é o fato de ele conseguir enviar luz para os olhos do observador. Os corpos luminosos são capazes de produzir e emitir luz própria, como o Sol, a chama de uma vela ou o fil- amento de uma lâmpada incandescente acesa. Os cor- pos iluminados, por sua vez, não produzem luz própria, mas refletem a luz que incide sobre eles. Assim, apesar de emitirem luz, a origem da luz não é o corpo, ela apenas foi absorvida e reemitida pelo objeto. O exemplo da figura a seguir ilustra esses dois tipos de corpos. O Sol emite luz própria, e parte dessa luz atinge a árvore que, por sua vez, reflete uma parte dessa luz em direção aos olhos do observador, o que torna possível enxergar a árvore. Os corpos luminosos são denominados fontes primárias de luz, e os corpos iluminados são de- nominados fontes secundárias de luz. 2. classificaçãodos raios luminosos Os feixes de raios luminosos são classificados em três tipos: paralelos, divergentes e convergentes. Um feixe é denominado paralelo quando todos os raios luminosos que o constituem são paralelos. Feixe paralelo Um feixe é divergente quando todos os raios que o consti- tuem são oriundos de um mesmo ponto. Feixe divergente Por fim, um feixe é chamado de convergente quando todos os raios se cruzam num determinado ponto. Feixe convergente Faça um holograma para celular (muito fácil!) Fonte: Youtube multimídia: vídeo 78 3. classificação dos meios A luz não se propaga somente no vácuo, mas também em diferentes tipos de meios materiais. Quando é possível observar claramente os objetos através de um meio, como o vidro polido, o meio é denominado transparente. No entanto, alguns objetos são vistos sem nitidez através de alguns meios materiais. Isso acontece porque, apesar de o objeto permitir a passagem de parte da luz, a passagem não é regular e ocorre de modo difuso. Nesse caso, a ima- gem vista através do material não é perfeita. Esse tipo de meio é denominado translúcido. Alguns meios não permitem a propagação da luz. Nesse caso, não é possível observar os materiais através do meio, que é denominado opaco. A madeira e o tijolo são exem- plos de meios opacos. Quando as propriedades de um material, como composi- ção química, densidade, entre outras, são iguais, o meio é denominado homogêneo. O meio não homogêneo é chamado de heterogêneo. Quando as propriedades do meio são independentes da di- reção, o meio é denominado isotrópico. No entanto, se as propriedades dependerem da direção, o meio é anisotrópi- co. Por exemplo, a velocidade da luz atravessando um cristal pode depender da direção em que a luz incide no cristal; as- sim, esse meio é anisotrópico em relação à velocidade da luz. A figura a seguir apresenta o comportamento dos raios de luz em meios transparente, translúcido e opaco. 4. princípios da Óptica geométrica Princípios da óptica geométrica Fonte: Youtube multimídia: vídeo Conheça a seguir os princípios básicos da óptica geométrica: § Lei da Propagação Retilínea da Luz A luz se propaga em linha reta nos meios homogêneos e transparentes. § Reversibilidade dos Raios Luminosos A trajetória seguida pelo raio de luz em um sentido será igual se o sentido do raio de luz for invertido. 79 § Lei da Independência dos Raios Luminosos A trajetória de um raio luminoso não é afetada por outro que cruza essa trajetória. Os raios de luz seguem trajetórias independentes, ainda que se cruzem. Aplicação do conteúdo 1. Entre os princípios da Óptica Geométrica, talvez o mais importante, seja o princípio da Propagação Retilí- nea da Luz. Explique de forma sucinta esse princípio. Resolução: O princípio da Propagação Retilínea da Luz garante que a luz se propague em linha reta nos meios homogêneos e transparentes. 2. Explique o que ocorre quando dois raios de luz se encontram ortogonalmente. Resolução: O Princípio da Independência dos Raios Iluminosos garante que os raios que se cruzam ortogonalmente não alteram suas trajetórias, isto é, cada raio segue sua trajetória nor- malmente como se nada tivesse acontecido. 5. propagação retilínea da luz A luz se propaga em linha reta nos meios transparentes, homogêneos e isotrópicos. Considere o exemplo da figura abaixo. Uma lâmpada é acesa e emite luz em todas as direções. Os anteparos P1 e P2 são meios opacos com orifícios O1 e O2 alinhados. Um observador atrás do anteparo P2 somente poderá observar a lâmpada se olhar pelo orifício O2. Nesse caso, a luz per- corre um trajeto linear da lâmpada, passando pelos orifí- cios até os olhos do observador. 5.1. Sombra e penumbra A propagação retilínea da luz também é observada pela formação de sombras. Na figura a seguir, uma fonte de luz puntiforme F (ou seja, de tamanho desprezível) ilumina uma esfera opaca e uma placa opaca P. Devido ao fato de a luz não desenvolver uma trajetória curva, uma região atrás da esfera não recebe luz. Essa região é a sombra causada pela esfera e projetada no anteparo. Se a fonte de luz não for pontual (ou puntiforme), a fon- te será denominada extensa (por exemplo, o filamento de uma lâmpada fluorescente). Na figura a seguir, a fonte F foi trocada por uma lâmpada e, nesse caso, além da sombra, uma outra região recebe apenas parte da luz emitida pela fonte. Essa região é denominada penumbra. As ocorrências de eclipses são decorrentes desse princípio: Eclipse solar O Sol é totalmente bloqueado pela Lua, no cone de som- bra, e nessa região ocorre o eclipse total. Contudo, nas regiões do cone de penumbra ocorre o eclipse parcial, pois o Sol é parcialmente bloqueado. Eclipse lunar 80 O eclipse lunar ocorre quando a Lua não recebe ne- nhuma luz proveniente do Sol devido ao bloqueio da luz pela Terra, que é muito maior do que a Lua. Nesse eclipse, não é possível observar a Lua. Aplicação do conteúdo 1. Quando ocorre um eclipse solar parcial? Resolução: O eclipse solar parcial ocorre quando a Lua se encontra entre o Sol e a Terra, de modo que a Lua impeça total ou parcialmente que a luz solar atinja determinadas regiões da Terra. A Lua projeta na Terra uma região de sombra, na qual o eclipse solar é total, e uma região de penumbra, na qual o eclipse solar é parcial. 2. O que é o eclipse lunar? Resolução: O eclipse lunar ocorre quando a Terra se encontra entre o Sol e a Lua, de modo que a Lua não receba luz proveniente do Sol, pois ela fica na região de sombra provocada pela Terra. Uma vez que a Lua não recebe luz, não é possível vê-la. 6. câmara escura de orifício A câmara escura de orifício também evidencia a pro- pagação retilínea da luz. Como é possível observar na fi- gura a seguir, a câmara é uma caixa opaca com apenas um orifício que permite a entrada da luz. Quando um ob- jeto luminoso de dimensões AB é colocado em frente ao orifício, os raios de luz do objeto incidem sobre a câmara e penetram apenas pelo orifício. Na figura, o ponto A da vela segue a trajetória retilínea incidindo na parte inferior da câmara, e o ponto B incide de modo horizontal. Como pode ser visto, os pontos de incidência A’B’ formam uma imagem invertida do objeto. É possível visualizar a forma- ção da imagem se a luz incidir em um anteparo translúcido, como o papel vegetal. p’ p B 0 A’ i B’ A Através da semelhança de triângulos, é válida a seguinte relação: p' __ p = i __ o Em que: o é o tamanho do objeto. i é o tamanho da imagem. p é a distância do objeto ao orifício. p' é a distância da imagem ao orifício. Aplicação do conteúdo 1. (FEI) Um dos métodos para medir o diâmetro do Sol consiste em determinar o diâmetro de sua imagem nítida, produzida sobre um anteparo, por um orifício pequeno feito em um cartão paralelo a esse anteparo, conforme ilustra a figura. Em um experimento realizado por esse método, foram obtidos os seguintes dados: I. diâmetro da imagem = 9,0 mm II. distância do orifício até a imagem = 1,0 m III. distância do Sol à Terra = 1,5 · 1011 m Qual é, aproximadamente, o diâmetro do Sol medido por esse método? a) 1,5 ∙ 108 m b) 1,35 ∙ 108 m c) 2,7 ∙ 108 m d) 1,35 ∙ 109 m e) 1,5 ∙ 109 m Resolução: O exercício tem o intuito de descobrir o diâmetro do Sol; para isso, deve-se usar a fórmula já simplificada para exer- cícios de câmara de orifício. y _ x = y' __ x' Utilizando os dados pelo exercício, tem-se: x = 1,5 ⋅ 1011 x'= 1 y' = 9 ⋅10-3 Substituindo na fórmula, obtém-se: y ________ 1,5 ⋅ 1011 = 9 ⋅ 10 -3 ______ 1 Resolvendo a expressão, tem-se: y = 9 ⋅ 10-3 1,5 ⋅ 1011 81 Terminando os cálculos, resulta: y = 13,5 ⋅ 108 = 1,35 ⋅ 109 m Alternativa D 7. reflexão e refração da luz Considere o exemplo ilustrado na figura a seguir, em que um raio de luz propagando-se no meio A encontra o meio B. Nesse caso, três fenômenos podem ocorrer: § uma parte da luz é refletida e voltapara o meio A; § uma parte da luz é transmitida e propaga-se no meio B; § uma parte da luz é absorvida e transforma-se em ou- tras formas de energia (por exemplo, em calor). Dependendo da natureza dos meios e da cor da luz, es- ses três fenômenos podem ou não ocorrer. A madeira, por exemplo, por ser opaca, não transmite a luz. A reflexão regular ocorre quando raios incidentes pa- ralelos são refletidos mantendo-se paralelos. Um objeto metálico bem polido é capaz de produzir reflexão regular. Se a superfície S entre os meios é áspera, os raios refle- tidos se espalham em todas as direções e deixam de ser paralelos. Nesse caso, a reflexão é difusa, e essa proprie- dade é que torna possível os objetos serem observados. No caso da transmissão (ou refração) da luz, como na reflexão, duas situações são possíveis: a refração regular e a refração difusa. Se os meios são transparentes, isotrópicos e homogêneos, ocorre a refração regular; nos meios translúcidos, ocorre a refração difusa. Qual é a cor? What is the color - Colm Kelleher Fonte: Youtube multimídia: vídeo Em geral, o espectro do arco-íris é separado em 7 cores, que, quando unidas, produzem luz branca. São elas: verme- lho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Um feixe de luz é denominado monocromático quando é composto por apenas um tipo de cor. É claro que um feixe 82 monocromático não existe na realidade, uma vez que não é possível criar um feixe com uma única frequência, mas uma faixa de frequência. Um feixe é chamado de policro- mático quando é composto por diferentes cores. Para que o olho humano tenha a sensação de branco, não é necessário que todas as cores do arco-íris o atinjam. Um cruzamento de um feixe de luz vermelha, um feixe de luz azul e um feixe de luz verde atuando simultaneamente nos olhos do observador é o suficiente para causar a sensação visual de luz branca. Magenta Quando se trata de feixes de luz, tem-se as seguintes co- res primárias: azul, vermelho e verde. Suas combinações produzem as cores secundárias: ciano, magenta e amarelo. luz vermelha + luz verde = sensação visual de amarelo luz vermelha + luz azul = sensação visual de magenta luz verde + luz azul = sensação visual de ciano. Aplicação do conteúdo 1. O que é refração da luz? Resolução: Refração da luz é o nome dado ao fenômeno da passa- gem da luz para um meio diferente do meio proveniente. Existem dois tipos: a refração regular e a difusa. Nos meios transparentes, ocorre a refração regular; e nos meios trans- lúcidos, ocorre a refração difusa. CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS O triângulo foi inventado ou foi descoberto pela Matemática? Na verdade, esse objeto matemático, amplamente utili- zado no estudo dos fenômenos da propagação retilínea da luz, foi definido matematicamente. Definir é atribuir forma e nome a um determinado objeto que apresenta determinadas características. Assim, a definição é arbitrária. O nome triângulo foi atribuído à forma dos objetos que ocupam o espaço interno limitado por três segmentos de reta que con- correm, dois a dois, em três pontos diferentes, formando três lados e três ângulos internos que somam 180°. Na geometria plana, considera-se que dois triângulos são semelhantes quando guardam uma proporção entre eles, de forma que seus ângulos sejam iguais, e os lados do primeiro triângulo sejam proporcionais aos lados do segundo. Os triângulos semelhantes são usados em diversas áreas, como na arquitetura, para a estabilização de pontes, e na fotografia, para determinação de amplas distâncias. 83 7.1. A cor de um corpo Como foi visto, os fenômenos de reflexão, transmissão e absorção da luz dependem das características do meio e da cor da luz. Por exemplo, se a luz branca incidir sobre um material que reflete todas as cores, o objeto terá cor branca; caso o ma- terial não reflita nenhuma cor, sua cor será preta. Entre- tanto, pode acontecer de o meio refletir apenas uma cor. Observe o exemplo a seguir: O abacate absorve todas as cores da luz branca que inci- de sobre ele, com exceção da luz verde, que é refletida de modo difuso; dessa forma, a fruta é vista na cor verde. A maçã absorve todas as cores, com exceção da luz verme- lha, que é refletida de modo difuso; assim, a maçã é vista na cor vermelha. A cor de um corpo diante do olho humano depende da luz que ele reflete. Contudo, por convenção, considera-se a cor “principal” do corpo aquela que ele apresenta ao ser iluminado por luz branca. Aplicação do conteúdo 1. (Ufes) Um objeto amarelo, quando observado em uma sala iluminada com luz monocromática azul, será visto: a) amarelo; b) azul; c) preto; d) violeta; e) vermelho. Resolução: Tem-se, nesse caso, um objeto amarelo. Isso significa que, quando esse corpo é exposto à luz branca, constituída de várias cores, ele absorve todas as outras cores e reflete a cor amarela. Se esse corpo for levado para uma sala que projeta uma luz monocromática azul, o objeto absorverá a única cor proveniente da fonte sem refletir nenhuma; assim, o corpo apresentará a cor preta. Alternativa C multimídia: sites brasilescola.uol.com.br/fisica/conceitos- basicos-otica-geometrica.htm fep.if.usp.br/~profis/arquivos/GREF/ optica08-1.pdf spie.org/Documents/Publications/00%20 STEP%20Module%2003.pdf 84 VIVENCIANDO Os conceitos básicos de óptica geométrica são utilizados para iluminação em ambientes, em espetáculos de teatro ou shows de música, em que a combinação de feixes de luzes distintos produz efeitos espetaculares de luz, cor e sombra. A correta iluminação em estúdios de fotografia e cinema elimina sombras e penumbras que atrapalhariam a imagem fotografada. No cotidiano, a absorção da luz pode ser percebida nas vestimentas das pessoas. Em um dia claro e quente, não é aconselhável a utilização de roupas escuras, uma vez que esse tipo de cor absorve mais radiação e, em consequência, a roupa fica mais quente. Num dia quente e iluminado, é recomendável a utilização de roupas de cores claras. Em dias frios, por outro lado, o oposto se torna verdade, e é recomendável a utilização de cores escuras, pois absorvem mais calor. ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Habilidade Habilidade 22 – Compreender fenômenos decorrentes da interação entre radiação e a matéria em suas manifesta- ções em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.22 A habilidade 22 avalia a capacidade do estudante de entender conceitos de radiação, que são importantes para o entendimento de óptica geométrica. Modelo (Enem) É comum aos fotógrafos tirar fotos coloridas em ambientes iluminados por lâmpadas fluorescentes, que contêm uma forte composição de luz verde. A consequência desse fato na fotografia é que todos os objetos claros, principalmente os brancos, aparecerão esverdeados. Para equilibrar as cores, deve-se usar um filtro adequado para diminuir a intensidade da luz verde que chega aos sensores da câmera fotográfica. Na escolha desse filtro, utiliza-se o conhecimento da composição das cores-luz primárias: vermelho, verde e azul; e das cores-luz secundárias: amarelo = vermelho + verde, ciano = verde + azul e magenta = vermelho + azul. disponível em: <http://nautilus.Fis.uc.pt>. acesso em: 20 de maio 2014 (adaptado). Na situação descrita, qual deve ser o filtro utilizado para que a fotografia apresente as cores naturais dos objetos? a) Ciano. b) Verde. c) Amarelo. d) Magenta. e) Vermelho. 85 Análise expositiva - Habilidade 22: Para resolver a questão, o aluno precisa ter domínio sobre introdução geomé- trica, em especial a parte que envolve os conhecimentos sobre cor de um corpo. Alternativa D D INDEPENDÊNCIA PROPAGAÇÃO RETILÍNEA REVERSIBILIDADE LUZ ECLIPSE CÂMARA ESCURA FORMAÇÃO DE SOMBRA FENÔMENOS REFLEXÃO REFRAÇÃO ÓPTICA GEOMÉTRICA DIAGRAMA DE IDEIAS 87 ELETROESTÁTICA: Incidência do tema nas principais provas UFMG Um dos temas deste livro mais cobrado é o de corrente elétrica,com atenção aos conceitos fundamentais de cargas elétricas relacionados com outros temas da eletricidade. Dentre os temas abordados neste caderno, corrente elétrica é o assunto mais frequente, ligando-se com outros temas da eletricidade. Os temas deste livro mais cobrados são corrente elétrica (exigindo atenção em cargas elétricas relacionadas com outros temas da eletricidade) e potencial elétrico. Dentre os temas abordados neste caderno, corrente elétrica é o assunto mais frequente, ligando-se com outros temas da eletricidade, como potência elétrica e campo magnético. Dentre os temas abordados neste caderno, corrente elétrica é o assunto mais frequente, ligando-se com outros temas da eletricidade, como potência elétrica e circuitos elétricos. Dentre os temas abordados neste caderno, corrente elétrica é o assunto mais frequente na prova da Puc de Campinas, ligando-se com outros temas da eletricidade, como potência elétrica e potencial elétrico. Dentre os temas abordados neste caderno, corrente elétrica é o assunto mais frequente na prova da Santa Casa, ligando-se com outros temas da eletricidade, como potência elétrica e circuitos elétricos. Exige análise de gráficos e aplicação prática de conceitos teóricos. Os temas deste livro mais cobrados são corren- te elétrica (exigindo atenção em cargas elétricas relacionadas com outros temas da eletricidade) e potencial elétrico. O tema corrente elétrica está presente na pro- va da UERJ. Eventualmente aparece o assunto trabalho do campo elétrico, com questões mais objetivas. Dentre os temas abordados neste caderno, corrente elétrica é o assunto mais frequente na prova da UNIGRANRIO, ligando-se com outros temas da eletricidade, como potência elétrica e circuitos elétricos. Não há uma cobrança grande do tema eletrostática; eventualmente, porém, aparecem questões que exigem análise de figuras e manipulação matemática do tema corrente elétrica relacionado com circuitos elétricos. A prova da CMMG tem uma grande variação de temas. Eventualmente pode aparecer o tema corrente elétrica (com especial cuidado na definição de corrente elétrica), com ques- tões mais objetivas. A prova da UFPR tem uma grande variação de temas. Eventualmente podem aparecer os te- mas corrente elétrica e potencial elétrico, com questões que exigem interpretação gráfica. A prova da UEL tem uma grande variação de temas. Eventualmente pode aparecer o tema corrente elétrica relacionado com outros assuntos da eletricidade em questões mais objetivas e que exigem um alto nível de manipulações matemáticas. 88 Potencial elétrico CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17 e 20 AULAS 9 e 10 1. EnErgia potEncial Elétrica A seguir, serão estudadas duas grandezas associadas a um campo vetorial conservativo: energia potencial elétrica e potencial elétrico. Em um campo elétrico conservativo, o trabalho realizado ao se mover uma carga de prova in- depende da trajetória realizada pela carga; com efeito, ele depende apenas da posição inicial e final da carga. Considere um sistema formado por uma carga elétrica pontual Q (carga fonte) e uma carga de prova q, separadas pelas distancia d. A energia potencial elétrica para esse sistema formado pelo par de cargas é: § proporcional ao produto das duas cargas, Q e q; § inversamente proporcional à distância d entre as cargas. Considerando que a energia potencial é zero no infinito, no referencial adotado, a energia potencial vale: Epot = k0 ∙ Q __ d q Como ensina a Mecãnica, a unidade de energia no Sl é o joule (J). Nesse sistema composto por somente uma carga fonte (Q), a equação acima relaciona a energia potencial da carga de prova q em relação à carga Q. Aplicação do conteúdo 1. No vácuo, uma carga de prova q = +3,0 nC está a uma distância de 2,0 cm de uma carga fonte Q = +4,0 mC. Determine a energia potencial da carga de prova. (k0 = 9,0 ∙ 109 unidades SI). Resolução: Para aplicar a equação, é preciso ter todas as unidades no SI: q = +3,0 nC = 3,0 ∙ 10–9 C Q = +4,0 mC = +4,0 ∙ 10–6 C d = 2,0 cm = 2,0 ∙ 10–2 m Epot = k0 ⋅ Q ⋅ q _______ d = (9,0 ∙ 109) 4,0 ∙ 10 –6 ⋅ 3,0 ∙ 10–9 _________________ 2,0 ∙ 10–2 = 5,4 ∙ 10–3 J. A carga de prova possui energia potencial de 5,4 ∙ 10–3 J. É possível dizer também que a energia potencial elétrica associada ao par de cargas q e Q vale 5,4 ∙ 10–3 J. 2. potEncial Elétrico Uma carga elétrica isolada Q (chamada de carga fonte) gera à sua volta um campo elétrico. Considere um ponto P, fixo próximo à carga fonte, como na figura a seguir. Con- sidere também que uma carga de prova q seja trazida do infinito até o ponto P. Como foi visto, a energia potencial da carga de prova é Epot. O potencial elétrico V associado ao ponto P é a grandeza escalar dada por: V = Epot ___ q A unidade de potencial elétrico no SI é o volt, homenagem ao pesquisador italiano Alessandro Volta (1745-1827). Assim, as unidades volt, joule e coulomb estão relaciona- das por: 1 volt = 1 joule ________ 1 coulomb 89 Em geral, a grandeza física potencial é simbolizada pela letra V. Atente-se para não confundir com a respectiva uni- dade, o volt, também simbolizado por V. Energia potencial elétrica Fonte: Youtube multimídia: vídeo 2.1. Potencial elétrico gerado por uma carga elétrica pontual Considere novamente o sistema de cargas formado por uma carga fonte Q e uma carga de prova q, separadas por uma distância d, como na figura a seguir. A carga de prova q possui energia potencial elétrica dada pela equação: Epot = k0 Q ⋅ q ____ d O potencial elétrico no ponto P, pela definição, é dado por: V = Epot ___ q ⇒ Epot = q ⋅ V Igualando o termo da energia potencial das duas equa- ções, obtém-se: q ⋅ V = k0 q ⋅ Q ____ d ⇒ V = k0 Q __ d Essa equação representa o potencial elétrico gerado pela carga fonte no ponto P, distante d da carga fonte. Note que a carga de prova q foi cancelada e não aparece na equação. Dessa forma, o potencial elétrico no ponto P não depende da carga de prova. Se o ponto P estiver no infinito, a distância d é infinita e o potencial no infinito é nulo. É importante ressaltar que: § O potencial elétrico é definido para um ponto P próxi- mo a uma carga elétrica (carga fonte Q). § O potencial elétrico é uma grandeza escalar e pode ser positivo ou negativo, conforme o sinal da carga fonte Q. Q > 0 ⇔ V > 0 Q < 0 ⇔ V < 0 Aplicação do conteúdo 1. Considere uma carga elétrica Q = +8,0 mC no vácuo. Determine o potencial elétrico no ponto P distante 4,0 cm da carga fonte. Resolução: Inicialmente, é necessário deixar todas as unidades no SI: Q = +8,0 mC = +8,0 ∙ 10–6 C d = 4,0 cm = 4,0 ∙ 10–2 m Substituindo na equação do potencial elétrico, tem-se: Vp = k0 Q __ d = (9,0 ∙ 109) +8,0 · 10 -6 _________ 4,0 · 10-2 = +18 ∙ 105 V ⇒ Vp = +1,8 ∙ 10 6 V O potencial elétrico é uma grandeza escalar, e, portanto, basta dizer que no ponto P ele vale 1,8 ∙ 106 V. Não há di- reção e nem sentido para serem especificados. O potencial elétrico representa um nível de energia no ponto P. 2. (UEG) Uma carga Q está fixa no espaço; a uma distân- cia d dela existe um ponto P, no qual é colocada uma carga de prova q0. Considerando-se esses dados, verifi- ca-se que no ponto P: a) O potencial elétrico devido a Q diminui com in- verso de d. b) A força elétrica tem direção radial e aproximando de Q. c) O campo elétrico depende apenas do módulo da carga Q. d) A energia potencial elétrica das cargas depende com o inverso de d2. Resolução: Com as expressões de força elétrica, campo elétrico, poten- cial elétrico e energia potencial elétrica abaixo, é possível tecer algumas considerações sobre as alternativas expostas. O potencial elétrico de uma carga puntiforme é dado pelo produto do campo elétrico pela distância à carga geradora 90 V = E ∙ d = k0 Q __ d2 ∙ d ⇒ V = k0 Q __ d . A força elétrica,dada pela lei de Coulomb Fe = k0 Q ∙ q0 _____ d2 , tem a direção da reta que une os centros das duas cargas, podendo ter o sentido de afastamento, caso as cargas se- jam de mesmo sinal (repulsão), ou de aproximação (atra- ção), caso as cargas sejam de sinais contrários. Alternativa [B] incorreta. O campo elétrico é a razão entre a força e a carga de prova E = Fe __ q0 = k0 Q __ d2 . Assim, ele não depende apenas da carga Q, mas também da distância entre as cargas. Alternativa [C] incorreta. A energia potencial elétrica é dada pelo produto do po- tencial elétrico e a carga de prova, então Ep = q0 ∙ V = q0 ∙ k0 Q __ d ⇒ Ep = k0 ∙ Qq0 ______ d . A alternativa [D] está incorreta, pois a dependência é com o inverso de d. Alternativa A 2. 1. 1. Comparações entre o campo elétrico e o potencial elétrico § Ambos são gerados por uma carga fonte Q e aplicam- -se a um ponto P, distante d da carga fonte. § O potencial elétrico em P é uma grandeza escalar, en- quanto o campo elétrico é vetorial, isto é, tem módulo, direção e sentido. § O potencial elétrico depende do sinal da carga gera- dora (pode ser positivo ou negativo); o campo elétrico, porém, só depende do módulo dessa carga. § O potencial elétrico varia com o inverso da distância ( 1 __ d ) , e o módulo do campo elétrico varia com o inverso do quadrado da distância ( 1 __ d2 ) . § O campo elétrico está relacionado com a força elétrica, enquanto o potencial elétrico está relacionado com a energia potencial elétrica. Aplicação do conteúdo 1. Uma partícula eletrizada com carga elétrica Q = 8,0 pC está em um meio onde é criado vácuo. Ado- tando-se k0 = 9,0 ∙ 10 9 unidade SI, determine: a) O potencial elétrico no ponto P distante 2 mm da carga elétrica Q. b) A energia potencial adquirida por uma segunda partícula dotada de carga elétrica q = 5,0 ∙ 10–12 C colocada no ponto P. Resolução: a) É preciso ajustar as unidades: Q = 8,0 pC = 8,0 ∙ 10–12 C; d = 2,0 mm = 2,0 ∙ 10–3 m. Então, pela equação do potencial, calcula-se V: V = k0 Q __ d = 9,0 ∙ 109 ∙ 8,0 ∙ 10 –12 _________ 2,0 ∙ 10–3 ⇒ ⇒ V = 72 ∙ 10 –3 ________ 2,0 ∙ 10–3 ⇒ V = 36 V b) A energia potencial é dada por: Epot = q ⋅ V. Sendo q = 5,0 ∙ 10–12 C, tem-se: Epot = 5,0 ∙ 10 –12 ∙ 36 = 180 ∙ 10–12 ⇒ ⇒ Epot = 1,8 ∙ 10 –10 J 2.2. Potencial elétrico de diversas cargas elétricas Foi visto como calcular o potencial elétrico de uma carga. Agora, considere que, em uma certa região do espaço, esté um conjunto de n partículas eletrizadas com cargas elétricas Q1, Q2,..., Qn. Juntas, essas cargas geram um campo elétrico nessa região. Considere também um ponto P fixo próximo a essas partículas. Calcule o potencial elétrico resultante nesse ponto P. Para isso, siga o seguinte procedimento: 1. Calcule o potencial que cada uma das cargas elétricas gera em P isoladamente. Esse potencial é dado pela equa- ção do potencial vista anteriormente: V = k0 Q __ d A distância d é variável e corresponde à distância de cada uma das cargas até o ponto P. 2. Por ser uma grandeza escalar, o potencial resultante no ponto P é “cumulativo”, ou seja, é dado pela soma dos potenciais de cada uma das cargas que o geram. Dessa forma, somando todos os potenciais obtidos pelo cálculo anterior, obtém-se o potencial resultante Vres: 91 Vres = V1 + V2 + V3 + ... + Vn Aplicação do conteúdo 1. Duas partículas eletrizadas com cargas elétricas Q1 = 4,0 ∙ 10–7 C e Q2 = –2,0 ∙ 10 –7 C estão fixas nos extremos do segmento AB, cujo ponto médio é M. Usando k0 = 9,0 ∙ 10 +9 Vm/C, determine: a) o potencial elétrico no ponto M gerado por cada uma das cargas; b) o potencial elétrico resultante no ponto M. Resolução: a) O potencial de cada uma das cargas em M é cal- culado usando a equação V = k0 Q __ d , em que d = 2,0 cm = 2,0 ∙ 10–2 m. Para a carga Q1 = +4,0 ∙ 10 –7 C, tem-se: V1 = 9,0 ∙ 10 9 ∙ +4,0 ∙ 10 -7 __________ 2 ∙ 10–2 = +18 ∙ 104 ⇒ ⇒ V1 = +1,8 ∙ 105 V Para a carga Q2 = –2,0 ∙ 10 –7 C, tem-se: V2 = 9,0 ∙ 10 9 ∙ –2 ∙ 10 –7 _________ 2 ∙ 10–2 = –9 ∙ 104 ⇒ ⇒ V2 = –9,0 ∙ 10 4 V b) O potencial elétrico resultante no ponto M é dado pela soma dos dois valores anteriores: VM = V1 + V2 (levando-se em conta os sinais). Para facilitar a conta, são expressados os dois valores na mesma potência 104: VM = (+18 ∙ 10 4) + (–9,0 ∙ 104) ⇒ ⇒ VM = +9,0 ∙ 10 4 V 3. EquipotEnciais São denominadas de equipotenciais as linhas ou superfí- cies imaginárias cujos pontos possuem o mesmo potencial. Em geral, as representações de campo elétrico são feitas por um conjunto de superfícies equipotenciais. Conjunto de superFíCies equipotenCiaisMapeamento de equipotenciais de terminais lineares Fonte: Youtube multimídia: vídeo Geralmente, uma superfície equipotencial é uma superfície complicada. Para facilitar a visualização, será apresentada apenas a intersecção dessa superfície com o plano da fo- lha, obtendo as linhas equipotenciais. Para um carga puntiforme, as equipotenciais são superfícies esféricas concêntricas. Assim, a intersecção com o plano da folha resulta em círculos concêntricos. Na figura a seguir, es- tão representadas as equipotenciais em torno de uma carga elétrica pontual Q. Os pontos A, B e C estão na mesma equi- potencial, e, portanto, seus potenciais são iguais: VA = VB = VC = +10 V Linhas de equipotenCiais de uma Carga pontuaL q positiva Quando as linhas de força aparecem juntamente com as linhas equipotenciais, ambas devem formar um ângulo reto em cada cruzamento, uma vez que são sempre per- pendiculares. As linhas de força de um campo elétrico uniforme são retas paralelas. As linhas equipotenciais são, assim, perpendicu- lares a cada uma delas. Nesse caso, as equipotenciais são paralelas entre si. 92 Campo eLétriCo uniForme. as Linhas de Força estão representadas por Linhas Cheias, e as Linhas equipotenCiais por Linhas traCejadas Nas figuras abaixo, é possível identificar dois casos particu- lares. O campo elétrico é gerado por duas cargas elétricas do mesmo módulo. Em ambas as figuras, convenciona-se que: § linhas cheias são linhas de força; § linhas tracejadas são linhas equipotenciais. Campo eLétriCo de duas Cargas eLétriCas opostas Campo eLétriCo de duas Cargas eLétriCas positivas Aplicação do conteúdo 1. (UFSC) O ato de eletrizar um corpo consiste em gerar uma desigualdade entre o número de cargas positivas e negativas, ou seja, em gerar uma carga resultante dife- rente de zero. Em relação aos processos de eletrização e às características elétricas de um objeto eletrizado, é correto afirmar que: 01) em qualquer corpo eletrizado, as cargas se distri- buem uniformemente por toda a sua superfície; 02) no processo de eletrização por atrito, as cargas positivas são transferidas de um corpo para outro; 04) em dias úmidos, o fenômeno da eletrização é poten- cializado, ou seja, os objetos ficam facilmente eletrizados; 08) dois objetos eletrizados por contato são afasta- dos um do outro por uma distância D. Nesta situa- ção, podemos afirmar que existe um ponto entre eles onde o vetor campo elétrico resultante é zero; 16) o meio em que os corpos eletrizados estão imer- sos tem influência direta no valor do potencial elétri- co e do campo elétrico criado por eles. Resolução: 01) Falsa. As cargas somente se distribuem unifor- memente pela superfície de um corpo eletrizado se ele for de material condutor perfeitamente esférico e estiver em equilíbrio eletrostático. 02) Falsa. São as cargas negativas, isto é, os elétrons são transferidos de um corpo para outro por meio da eletrização por atrito. 04) Falsa. Pelo contrário, dias úmidos prejudicam a eletrização dos corpos devido ao excesso de umidade do ar, que funciona como se fosse um fio terra, des- carregando os corpos mais rapidamente através das moléculas polares da água na fase vapor. 08) Verdadeira. Quando se faz eletrização por conta- to, depoisde separadas as cargas assumem o mesmo sinal de carga elétrica; com isso, o vetor campo elétrico se anula em um ponto entre os dois corpos eletrizados. 16) Verdadeira. Tanto o potencial elétrico como o campo elétrico são influenciados pelo meio em que estão imersos, basta verificar a presença da constante eletrostática do meio (k) nas equações de ambas. V = k Q __ d e E = k Q __ d2 2. (Udesc) Ao longo de um processo de aproximação de duas partículas de mesma carga elétrica, a energia po- tencial elétrica do sistema: a) diminui; b) aumenta; c) aumenta inicialmente e, em seguida, diminui. d) permanece constante; e) diminui inicialmente e, em seguida, aumenta. Resolução: Sabendo que a energia potencial elétrica é dada por Ep = k ∙ Q ∙ q ______ d , se a distância entre as partículas diminui, a energia potencial Ep aumenta. Alternativa B 4. gráfico do potEncial Elétrico Dada a expressão para o potencial elétrico de carga pun- tiforme, sendo o potencial uma função da distância, V = V (d), tem-se: V(d) = k0 ∙ Q _____ d 93 Para uma carga positiva (Q > 0), o gráfico do potencial em função da distância à partícula é da seguinte forma: (q > 0) Analisando o gráfico, é possível perceber que, quanto mais próximo à carga positiva, maior é o potencial elétrico; e, quanto mais distante da carga, menor é o potencial elétrico. Para uma carga negativa (Q < 0), todos os valores do po- tencial elétrico serão negativos; Assim, o gráfico da função do potencial elétrico em função da distância à partícula é da seguinte forma: (q < 0) Analisando o gráfico, é possível observar que, quanto mais próximo à carga negativa, menor é o potencial elétrico; por outro lado, quanto mais distante à carga elétrica negativa, maior é o potencial elétrico. 4. 1. Linhas de força e potencial elétrico Considere uma carga elétrica Q positiva (Q > 0). Considere também que, quanto mais próximo a ela, maior é o valor do potencial elétrico; por outro lado, enquanto mais dis- tante da carga, menor é o potencial elétrico. Assim, VA > VB > VC. É sabido que, no campo elétrico, a carga positiva puntiforme é divergente, ou seja, o campo é de afastamen- to. Dessa forma, o sentido da linha de força também é de afastamento, coincidentemente na mesma direção em que o potencial diminui. + Carga q > 0 Sendo uma carga elétrica Q negativa (Q < 0), foi visto que, quanto mais próximo a ela, menor será o valor do poten- cial elétrico; e, quanto mais distante da carga, maior será o potencial elétrico. Assim, VA < VB < VC. É sabido que, no campo elétrico, a carga puntiforme negativa é convergente, ou seja, o campo é de aproximação. Dessa forma, o sentido da linha de força também é de aproximação, coincidente- mente na mesma direção em que o potencial diminui. - Carga q < 0 De maneira geral, podemos dizer que: O potencial elétrico diminui no mesmo sentido da li- nha de força. Por exemplo, analisando a figura a seguir: Percebemos que o potencial elétrico é maior no ponto C do que no ponto B. multimídia: sites pt.khanacademy.org/science/physics/electric- charge-electric-force-and-voltage www.estudopratico.com.br/potencial-eletrico- historia-definicao-e-superficie-equipotencial/ www.tecnogerageradores.com.br/blog/saiba- o-que-e-diferenca-de-potencial-eletrico-e- como-calcular/ 94 ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Habilidade Habilidade Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físi- cas, químicas ou biológicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica. Utilizar leis físicas e/ou químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da ter- modinâmica e/ou do eletromagnetismo. 17 21 A habilidade 17 é quase onipresente nos exercícios da prova de ciências da natureza, uma vez que ela cobra do aluno a capacidade de relacionar os fenômenos naturais com diferentes formas de linguagem, fórmulas matemáticas e a capaci- dade de interpretação gráfica. A habilidade 21 cobra do aluno a capacidade de interpretar os processos naturais ou tecnológicos relacionados ao eletro- magnetismo e termodinâmica. De forma abrangente esta habilidade cobra do aluno conhecimento em duas grandes áreas. Por isso, talvez questões relacionadas ao eletromagnetismo tenham aparecido um pouco menos em provas anteri- ores, salvo é claro a prova de 2017, na qual esteve muito mais presente. Modelo (Enem) As células possuem potencial de membrana, que pode ser classificado em repouso ou ação, e é uma estratégia eletrofisiológica interessante e simples do ponto de vista físico. Essa característica eletrofisiológica está presente na figura a seguir, que mostra um potencial de ação disparado por uma célula que compõe as fibras de Purkinje, responsáveis por conduzir os impulsos elétricos para o tecido cardíaco, possibilitando assim a contração cardíaca. Observa-se que existem quatro fases envolvidas nesse potencial de ação, sendo denominadas fases 0, 1, 2 e 3. O potencial de repouso dessa célula é –100 mV e quando ocorre influxo de íons Na+ e Ca2+ a polaridade celular pode atingir valores de até +10 mV o que se denomina despolarização celular. A modificação no potencial de repouso pode disparar um potencial de ação quando a voltagem da membrana atinge o limiar de disparo que está representado na figura pela linha pontilhada. Contudo, a célula não pode se manter despolarizada, pois isso acarretaria a morte 95 Análise expositiva - Habilidade 17 e 21: Essa é uma excelente questão, onde o estudante é cobrado tanto na parte interdisciplinar, quanto na interpretação gráfica do potencial de membrana em relação ao tempo. o estudante deve relacionar conceitos, fenômenos com as fases destacadas no gráfico. A despolarização ocorre na fase em que o potencial sobe, que é a fase 0. A repolarização ocorre quando o potencial está voltando ao potencial de repouso, como acontece na fase 3. Alternativa B B celular. Assim, ocorre a repolarização celular, mecanismo que reverte a despolarização e retorna a célula ao potencial de repouso. Para tanto, há o efluxo celular de íons K+ Qual das fases, presentes na figura, indica o processo de despolarização e repolarização celular, respectivamente? a) Fases 0 e 2. b) Fases 0 e 3. c) Fases 1 e 2. d) Fases 2 e 0. e) Fases 3 e 1. POTENCIAL ELÉTRICO CARGA ELÉTRICA GRANDEZA ESCALAR DEPENDE DO INVERSO DA DISTÂNCIA NA PRESENÇA DE OUTRA CARGA: ENERGIA POTENCIAL ELÉTRICA DIAGRAMA DE IDEIAS 96 Trabalho no campo eléTrico CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17 e 21 AULAS 11 e 12 1. Introdução O trabalho da energia elétrica será abordado a partir do potencial e da energia potencial elétrica. Antes, porém, é necessário definir alguns conceitos, como trabalho, energia cinética e energia mecânica. Tais conceitos vão ser revistos mais detalhadamente em outra oportunidade. 1.1. Trabalho de uma força Considere um corpo que se move em trajetória retilínea, efetuando um deslocamento _____ › d . Sendo _____ › F uma das forças que atuam sobre corpo, suponha que essa força seja constan- te (em módulo, direção e sentido) e forme um ângulo u com o deslocamento _____ › d . O trabalho da força _____ › F é definido por: t = F · d · cos u No SI, a unidade de trabalho é o joule, cujo símbolo é J. 1.2. O trabalho total Suponha que um corpo esteja sob a ação de várias forças. O trabalho total ao longo de um deslocamento é definido como a soma dos trabalhos de cada força: ttotal = tF1 + tF2 + tF3 + tF4 + ... Se a resultante das forças for ___ › Fr , é possível demonstrar que o trabalho de ___ › Fr é igual ao trabalho total: tFr = ttotal 2. teorema da energIa cInétIca Considere que uma partícula de massa m passe por um ponto A com velocidade A e, em seguida, passe por um ponto B com velocidade B, movendo-se ao longo de uma trajetóriaqualquer. VB Sendo tAB o trabalho total realizado pelas forças que atuam na partícula entre os pontos A e B, pode-se demonstrar que: τAB = mvB 2 ____ 2 - mvA 2 ____ 2 Note que, na equação acima, vB é o módulo da velocidade no fim do percurso, e vA é o módulo da velocidade no início do percurso. Como será visto, a equação acima tem bastante utilidade, e, por esse motivo, os físicos decidiram definir a energia cinética (Ec) de uma partícula de massa m e velocidade v do seguinte modo: Ec = mv2 ____ 2 3. PrIncíPIo da conservação da energIa Todo movimento ou atividade ocorre por meio da transfor- mação de um tipo de energia em outra forma de energia. “Energia não se cria, energia não se perde, en- ergia apenas se transforma de um tipo em outro, em quantidades iguais” A soma de energia cinética com todas as energias poten- ciais de um corpo é denominada energia mecânica (EM): EM = EC + EP Assim: Ec é a energia cinética do corpo; e Ep é a energia potencial desse corpo (incluindo-se todas as energias po- tenciais) É possível demonstrar que: A energia mecânica do corpo será constante se, dentre todas as forças que atuarem sobre ele, as únicas que realizarem trabalho não nulo forem conservativas. Esse enunciado é denominado Princípio da Conservação da Energia Mecânica. 97 4. trabalho da força elétrIca Para determinar o trabalho da força elétrica sobre uma car- ga de prova, considere a situação da figura a seguir. Uma carga de prova q é movida do ponto A para o ponto B, em uma região onde existe um campo elétrico. A carga elétrica fonte que dá origem ao campo elétrico foi omitida por sim- plificação. O movimento da carga de prova pode ocorrer espontaneamente por ação de um agente externo (oper- ador). Devido ao fato de estar em uma região de campo elétrico, uma força elétrica F atua sobre a partícula. Deslocamento Da carga De prova entre a e B Como será visto em Mecânica, o trabalho da força elétri- ca não é obtido pela aplicação da definição de trabalho, uma vez que a força elétrica pode não se manter constante durante o deslocamento. Entretanto, o trabalho pode ser obtido por meio da variação da energia potencial da carga. Quando a carga está no ponto A, sua energia potencial é proporcional ao potencial VA. Do mesmo modo, no ponto B, a carga tem energia potencial proporcional ao potencial VB. Assim: EpotA = q ⋅ VA e EpotB = q ⋅ VB O trabalho da força elétrica é dado pela diferença entre a energia potencial no ponto A (ponto inicial) e a energia potencial no ponto B (ponto final): τAB = EpotA – EpotB ⇒ τAB = q ⋅ VA – q ⋅ VB τAB = q(VA – VB) Essa maneira de calcular o trabalho pode ser aplicada apenas para campos ditos conservativos. Como o campo elétrico é um campo conservativo, é possível utilizar esse método para obter o trabalho. Aplicação do conteúdo 1. Em uma região onde há campo elétrico, uma carga elétrica negativa q = –4,0 nC é deslocada de um pon- to A, de potencial +5,0 V, até um ponto B, de potencial –5,0 V. Determine o trabalho da força elétrica. Resolução: Calcule o trabalho usando a equação: τAB = q(VA – VB). Substituindo os valores dados, tem-se: τAB = –4,0 · 10 –9 [(+5,0) – (–5,0)] = –4,0 · 10–9 · 10 ⇒ ⇒ τAB = –4,0 · 10 –8 J O sinal negativo do trabalho indica que ocorre uma re- sistência ao movimento, isto é, na situação considerada, a força elétrica opõe-se ao deslocamento da carga. 2. A figura a seguir representa um campo elétrico uni- forme e suas linhas de forças e equipotenciais. Uma partícula de carga q = 2,0 pC foi deslocada do ponto A para o ponto B. Determine o trabalho da força elétrica. Resolução: Da figura são obtidos os potenciais de A e B: VA = +20 V e VB = +5,0 V Como o trabalho da força elétrica não depende da traje- tória, apenas dos potenciais em A e B, calcule: τAB = q (VA – VB) ⇒ ⇒ τAB = 2,0 · 10 –12 · (20 – 5,0) = 2,0 · 10–12 · 15 = 30 · 10–12 TRABALHO FORÇA ELÉTRICA HD Fonte: YoutuBe multimídia: vídeo 98 Então: τAB = 3,0 · 10 –11 J É importante saber: o trabalho da força elétrica é es- pontâneo. Uma carga livre deixada em um local onde há campo elétrico vai se deslocar naturalmente e, por conse- quência, haverá trabalho da força elétrica. As cargas posi- tivas se deslocam naturalmente no sentido decrescente do potencial elétrico, enquanto as cargas negativas se deslo- cam no sentido crescente do potencial elétrico. Resumindo: Carga positiva procura menor potencial. Carga negativa procura maior potencial. 5. trabalho da força elétrIca em um camPo elétrIco unIforme O campo elétrico uniforme é um caso muito particular de campo elétrico. As linhas de forças desse campo são re- tas paralelas, e o módulo da força elétrica é constante em qualquer local do campo. Em consequência, o trabalho re- alizado pela força elétrica nesse campo pode ser calculado usando-se as simples equações da Mecânica. Em um campo elétrico uniforme, representado na figura a seguir, os pontos A e B possuem potenciais elétricos iguais a VA e VB, respectivamente. carga puntiForme DeslocaDa De a para B soB a ação De uma Força elétrica Uma carga puntiforme q > 0 abandonada livremente no ponto A sofrerá a ação exclusiva da força elétrica F e se deslocará ao longo da linha de força que liga o ponto A e o ponto B. Nesse deslocamento, o trabalho será: τAB = F ⋅ —— AB ⇒ τAB = F ⋅ d Considerando que F = q ⋅ E, obtém-se: τAB = q ⋅ E ⋅ d Caso fosse abandonada uma carga elétrica negativa em B, o sentido da força elétrica atuante seria inverso e o des- locamento da carga ocorreria do ponto B para o ponto A. Nesse deslocamento, o trabalho realizado seria: τBA = F ⋅ —— AB ⇒ τBA = F ⋅ d Considerando que F = |–q| ⋅ E, obtém-se: τBA = |–q| ⋅ E ⋅ d Ou seja, em ambos os casos o trabalho realizado pela força elétrica é o mesmo. É preciso cuidado quando o deslocamento de uma partícu- la em um campo elétrico uniforme não ocorre sobre uma mesma linha de força, como mostra a figura a seguir. Nes- ses casos, o deslocamento da partícula é sempre calculado paralelamente às linhas de forças. Campo elétrico | Carga elétrica, energia elétrica e voltagem Fonte: YoutuBe multimídia: vídeo Potencial elétrico, trabalho no campo elétrico - Fisica Fonte: YoutuBe multimídia: vídeo 99 6. dIferença de PotencIal (d.d.P.) É chamada de d.d.p. entre dois pontos de um campo elétrico a razão entre o trabalho realizado pela força elétrica para deslocar uma carga entre esses pontos e o valor da carga: VA – VB = UAB = U = τAB ___ |q| Notas: § no SI, a d.d.p. é expressa em J/C = V(volt); § se q é + ⇒ VA – VB > 0 ⇒ VA > VB; se q é – ⇒ VA – VB < 0 ⇒ VA < VB. Aplicação do conteúdo 1. Na figura a seguir, o campo elétrico tem intensidade E = 4,5 N/C. No ponto A, é abandonada uma partícula eletrizada de carga elétrica q = 4,0 pC. Despreze a ação da força gravitacional. A partícula desloca-se espontan- eamente no sentido da linha de força. Determine o tra- balho da força elétrica no deslocamento AB. Resolução: Tem-se: q = 4,0 pC = 4,0 · 10–12 C E = 4,5 N/C d = AB = 20 cm = 20 · 10–2 m O trabalho no deslocamento AB é dado por: τAB = q ⋅ E ⋅ d = 4,0 × 10 –12 · 4,5 · 20 · 10–2 = 360 · 10–4 ⇒ τAB = 3,6 · 10 –12 J 2. (Ita) Um feixe de elétrons é formado com a aplicação de uma diferença de potencial de 250 V entre duas placas metálicas, uma emissora e outra coletora, colo- cadas em uma ampola na qual se fez vácuo. A corrente medida em um amperímetro devidamente ligado é de 5,0 mA. Se os elétrons podem ser considerados como emitidos com velocidade nula, então: a) a velocidade dos elétrons ao atingirem a placa cole- tora é a mesma dos elétrons no fio externo à ampola; b) se quisermos saber a velocidade dos elétrons é necessário conhecermos a distância entre as placas; c) a energia fornecida pela fonte aos elétrons coletados é proporcional ao quadrado da diferença de potencial. d) a velocidade dos elétrons ao atingirem a placa co- letora é deaproximadamente 1,0 × 107 m/s; e) depois de algum tempo a corrente vai se tornando nula, pois a placa coletora vai ficando cada vez mais negativa pela absorção dos elétrons que nela chegam. Resolução: U = 250 V qe = – 1,6 ∙ 10 -19 C i = 5 mA me = 9,11 ∙ 10 -31C Pelo teorema da energia cinética: DEc = DFR m ∙ v 2 _____ 2 – mv0 2 ____ 2 = |q| U 9,11 · 10 -31 ∙ v2 ____________ 2 = 1,6 ∙ 10-19 ∙ 250 v2 ≈ 87,82 ∙ 10-2 v ≈ 9,3 ∙ 106 m/s v ≈ 1 ∙ 107 m/s Alternativa D multimídia: sites osfundamentosdafisica.blogspot.com. br/2013/04/cursos-do-blog-eletricidade_10. html hyperphysics.phy-astr.gsu.edu/hbase/electric/ elewor.html www.physicsclassroom.com/class/circuits/ Lesson-1/Electric-Field-and-the-Movement- of-Charge 100 ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Habilidade Utilizar leis físicas e/ou químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da ter- modinâmica e/ou do eletromagnetismo.21 Nesse caso, a habilidade 21 exige que o aluno domine conceitos eletromagnéticos, especificamente a definição de po- tencial elétrico, de polarização e despolarização. Como se trata de uma área mais abstrata, os exercícios são altamente contextualizados com o intuito de mostrar ao aluno que, apesar de abstrato, o tema está presente no cotidiano. Modelo (Enem) As células possuem potencial de membrana, que pode ser classificado em repouso ou ação, e é uma estratégia eletrofisiológica interessante e simples do ponto de vista físico. Essa característica eletrofisiológica está presente na figura a seguir, que mostra um potencial de ação disparado por uma célula que compõe as fibras de Purkinje, responsáveis por conduzir os impulsos elétricos para o tecido cardíaco, possibilitando assim a contração cardíaca. Observa-se que existem quatro fases envolvidas nesse potencial de ação, sendo denominadas fases 0, 1, 2 e 3. O potencial de repouso dessa célula é –100 mV, e quando ocorre influxo de íons Na+ e Ca2+, a polaridade celular pode atingir valores de até +10 mV, o que se denomina despolarização celular. A modificação no potencial de repouso pode disparar um potencial de ação quando a voltagem da membrana atinge o limiar de disparo que está representado na figura pela linha pontilhada. Contudo, a célula não pode se manter despolarizada, pois isso acarretaria a morte celular. Assim, ocorre a repolarização celular, mecanismo que reverte a despolarização e retorna a célula ao potencial de repouso. Para tanto, há o efluxo celular de íons K+. Qual das fases, presentes na figura, indica o processo de despolarização e repolarização celular, respectivamente? a) Fases 0 e 2 b) Fases 0 e 3 c) Fases 1 e 2 d) Fases 2 e 0 e) Fases 3 e 1 Análise expositiva - Habilidade 21: Mesmo apresentando um texto acompanhado de um gráfico, o exercício possui rápida resolução. Cabe ao aluno saber reconhecer aquilo que é pedido e extrair a resposta do gráfico fornecido. A despolarização ocorre na fase em que o potencial sobe, que é a fase 0. A repolarização ocorre quando o potencial está voltando ao potencial de repouso, o que ocorre na fase 3. Alternativa B B 101 CARGA POSITIVA CARGA NEGATIVA MAIOR PARA MENOR POTENCIAL MENOR PARA MAIOR POTENCIAL TRABALHO DE FORÇA ELÉTRICA VARIAÇÃO DE ENERGIA CINÉTICA ΔEC > 0 TRABALHO MOTOR ΔEC < 0 TRABALHO RESISTENTE TRABALHO NO CAMPO ELÉTRICO DIAGRAMA DE IDEIAS 102 Potencial elétrico no ceU e eqUilíbrio eletrostático CompetênCias: 5 e 6 Habilidades: 17 e 21 AULAS 13 e 14 1. Potencial elétrico no camPo elétrico uniforme Apesar de a intensidade de um campo elétrico uniforme ser constante em qualquer ponto do campo, o valor do potencial elétrico não é constante. O campo elétrico varia uniformemente ao longo de uma linha de força. Para uma carga positiva, percorrendo uma linha de força, no mesmo sentido do campo, o potencial decrescerá uniformemente, como é possível observar no gráfico a seguir. Variação da intensidade do campo elétrico e e Variação do potencial elétrico V em função da abcissa x tomando em uma linha de força, e no mesmo sentido desta, para uma carga geradora positiVa. 1.1. Relação entre o potencial e a intensidade do campo elétrico Considere os pontos A e B em uma mesma linha de força de um campo elétrico uniforme de intensidade E. Os po- tenciais elétricos nesses pontos são, respectivamente, VA e VB. Assim: § U = VA – VB (diferença de potencial (d.d.p.)) entre os pontos A e B; § d = distância entre os pontos A e B. A diferença de potencial U é dada por: E ⋅ d = U Essa equação será demonstrada a seguir. Para isso, suponha que uma partícula de prova com carga elétrica positiva q é abandonada no ponto A. Despreze a ação da aceleração gravitacional. Assim, a partícula se desloca e pontaneamente de A para B, e o trabalho do campo nesse deslocamento AB é calculado pela equação: τAB = E ⋅ d · q Entretanto, o trabalho também é dado pela diferença entre os potenciais em A e B: τAB = q(VA – VB) = q ⋅ U Juntando ambas as equações: q ⋅ E ⋅ d = q ⋅ U E ⋅ d = U A unidade oficial de campo elétrico vem da equação anterior: E = U __ d Então: unidade (E) = volt _____ metro = V/m No SI, a unidade oficial de campo elétrico é V/m. A unidade N/C é equivalente, ou seja: 1 V __ m = 1N ___ C 1.2. O elétron-volt A unidade de energia igual à energia adquirida por um elétron acelerado a partir do repouso, entre dois pontos de ddp 1,0 V, sob um campo elétrico uniforme, é o elétron- volt (eV). A energia cinética de 1 eV, atingida pelo elétron, é equiva- lente a 1,6 · 10–19 J. 103 Aplicação do conteúdo 1. Dois planos equipotenciais, p1 e p2, são represen- tados na figura abaixo. Os potenciais elétricos nesse planos são V1 = 40 V e V2 = 5,0 V, respectivamente. Sa- bendo que a intensidade do campo elétrico é constan- te e igual a 5 V/m , determine a distância (d) entre os dois planos equipotenciais. Resolução: Aplica-se a equação da diferença de potencial em um campo elétrico uniforme: E ⋅ d = U ⇒ d = U __ E Mas: U = V1 – V2 Substituindo os valores dos potenciais, obtém-se: d = V1 – V2 ______ E = 40 – 5,0 _______ 5,0 = 35 ___ 5,0 m ⇒ d = 7,0 m 2. (UFPR) Um físico realiza experimentos na atmosfera terrestre e conclui que há um campo elétrico vertical e orientado para a superfície da Terra, com módulo E = 100 N/C. Considerando que para uma pequena região da superfície terrestre o campo elétrico é uniforme, é correto afirmar: 01) A Terra é um corpo eletrizado, com carga elétrica negativa em excesso. 02) A diferença de potencial elétrico, na atmosfera, entre um ponto A e um ponto B, situando 2 m abaixo de A, é de 200 V. 04) Cátions existentes na atmosfera tendem a mov- er-se para cima, enquanto que ânions tendem a mov- er-se para a superfície terrestre. 08) O trabalho realizado pela força elétrica para des- locar uma carga elétrica de 1 μC entre dois pontos, A e C, distantes 2 m entre si e situados a uma mesma altitude, é 200 μJ. 16) Este campo elétrico induzirá cargas elétricas em uma nuvem, fazendo com que a parte inferior desta, voltada para a Terra, seja carregada positivamente. Resolução: 01) Verdadeira. A Terra é geralmente negativa. 02) Verdadeira. U = Ed ⇒ U = 100 ∙ 2 = 200 V 04) Falsa. O campo elétrico está orientado para baixo. As- sim, as cargas positivas tendem a se mover para baixo. 08) Falsa. Eles estão numa mesma superfície de equipotencial. 16) Verdadeira. Igual ao item 4. 01 + 02 + 16 = 19 3. (Unirio) Uma superfície plana e infinita, positivamente carregada, ori- gina um campo elétrico de módulo 6,0 · 107 N/C. Considere que os pontos B e C da figura são equidistantes da superfície carregada e, além disso, considere também que a distância entre os pontos A e B é de 3,0 m, e entre os pontos B e C é de 4,0 m. Com isso, os valores encontrados para a diferença de potencial elétrico entre os pontos A, B e C, ou seja: UAB, UBC e UAC são, respectivamente,iguais a: a) Zero; 3,0 · 108 V; 1,8 · 108 V. b) 1,8 · 108 V; zero; 3,0 · 108 V. c) 1,8 · 108 V; 1,8 · 108 V; 3,0 · 108 V. d) 1,8 · 108 V; 3,0 · 108 V; zero. e) 1,8 · 108 V; zero; 1,8 · 108 V. Resolução: UAB = E ∙ dAB = 6 ∙ 10 7 ∙ 3 = 1,8 · 108 V UBC = 0 V, pois estão numa mesma superfície de equipotencial UAC = UAB = 1,8 ∙ 10 8 V Alternativa E O elétron-volt fonte: Youtube multimídia: vídeo 104 2. o equilíbrio eletrostático As cargas elétricas em um condutor se movimentam à procura de uma posição de equilíbrio. Quando as cargas atingem essa posição, e não há mais movimento, afirma-se que o condutor atingiu o seu equilíbrio eletrostático. Depois de atingir o equilíbrio eletrostático, o condutor adquire certas propriedades físicas que serão abordadas a seguir. Em um condutor eletrizado em equilíbrio eletrostá- tico, as cargas elétricas em excesso se localizam na sua superfície. As cargas em excesso possuem o mesmo sinal, isto é, ou são positivas ou são negativas. Por se repelirem mutuamente e por não se movimentarem no condutor, ficam na superfície. No caso de um condutor esférico, a distribuição de cargas é simétrica e uniforme, como é possível observar na figura. esfera eletrizada com cargas positiVas esfera eletrizada com cargas negatiVas Se a forma do condutor não for esférica, as cargas não se espalham uniformemente, e a maior densidade de carga elétrica fica localizada nas extremidades. Fórmula da densidade condutor alongado com cargas elétricas aglomeradas nas suas extremidades Nos pontos internos de um condutor eletrizado em equilíbrio eletrostático, o campo elétrico é sempre nulo, independentemente de sua forma geométrica. Lembre-se de que, no interior do condutor, os elétrons não se movimentam, pois, por definição, essa é uma das prem- issas do equilíbrio eletrostático. Caso houvesse no interior do condutor um campo elétrico não nulo, o campo atuaria sobre os elétrons livres e os aceleraria, o que pertubaria o equilíbrio eletrostático do condutor. Assim, o campo elétri- co interno do condutor em equilíbrio eletrostático é nulo. No interior de um condutor eletrizado em equilíbrio eletrostático, o potencial não é nulo e tem o mesmo valor em todos os pontos. Caso houvesse dois pontos, A e B, no interior do condutor tal que VA > VB, existiria trabalho da força elétrica que mov- imentaria espontaneamente os elétrons livres de B para A, o que perturbaria o equilíbrio eletrostático do condutor. Dessa maneira, o potencial deve ser o mesmo em todos os pontos do interior do condutor. O pesquisador inglês Michael Faraday (1791-1867) elaborou um experimento interessante. Em um dia de tempestades elétricas, permaneceu dentro de uma grande gaiola construída de arame metálico. Apesar de a gaiola ter sido atingida por raios (descargas elétricas), conta-se que Faraday, ao sair dela, relatou não ter sentido nenhum choque elétrico. Essa gaiola foi denominada Gaiola de Faraday. O uso da Gaiola de Faraday se tornou consagrado, e, atu- almente, uma malha de ferro, que não aparece externa- mente, é construída em torno de grandes edifícios para proteger as pessoas que estejam em seu interior contra descargas elétricas provocadas por tempestades. Nos carros, aviões ou ônibus, o conceito da Gaiola de Fa- raday também é aplicado. Os veículos metálicos estão blin- dados eletricamente, o que torna seguro permanecer em seu interior. a gaiola de faradaY Adiante, será estudado o que ocorre com uma esfera eletri- zada isolada de outras cargas. A partir daqui, será admitido que a esfera sempre está em equilíbrio eletrostático. Con- forme foi visto anteriormente, em uma esfera, as cargas elétricas em excesso distribuem-se uniformemente pela sua superfície, como mostra a figura a seguir. superfície esférica uniformemente eletrizada 105 Convém recordar duas propriedades importantes: § Em todos os pontos internos o campo elétrico é nulo. § Em todos os pontos (internos ou da superfície da esfera) o potencial elétrico é constante, ou seja, todos os pontos têm o mesmo valor de potencial elétrico, não nulo. A seguir, será demonstrado como determinar o valor do po- tencial elétrico e a intensidade do campo elétrico e do po- tencial elétrico para os pontos externos e próximos da esfera. 3. cálculo do Potencial elétrico Inicialmente, será calculado o potencial elétrico em um pon- to P fora da esfera. Existe uma simetria na distribuição de cargas na esfera, além da uniformidade na distribuição em sua superfície. Assim, podemos admitir que toda a carga Q esteja concentrada no centro (ponto O) da esfera. Sendo d a distância do centro O ao ponto P, o potencial pode ser obtido pela seguinte equação, vista em aulas anteriores: Vext = k0 Q __ d Essa equação também é válida para a superfície da esfera, onde d = R: Vsup = k0 Q __ R Para qualquer ponto no interior da esfera, foi visto que o po- tencial é constante e igual ao potencial na superfície. Assim: Vint = Vsup = k0 Q __ R 4. cálculo do camPo elétrico Foi visto que, nos pontos internos da esfera, o campo elé- trico é nulo. Será determinado agora o campo elétrico nos pontos externos. Nas figuras a seguir, foi representado o campo elétrico em um ponto P, através do seu vetor E. Lembre-se de que as cargas positivas geram um campo de afastamento, e as negativas, um campo de aproximação. campo de uma esfera com carga positiVa campo de uma esfera com carga negatiVa A intensidade do campo elétrico no ponto P também é cal- culada com a mesma equação vista anteriormente, de uma carga puntiforme: Ep = k0 |Q| ___ d2 Note que essa equação não é válida para calcular o campo elétrico em pontos na superfície da esfera. Aplicação do conteúdo 1. Uma esfera metálica de raio R = 4,0 cm, no vácuo, tem a sua superfície uniformemente carregada com uma carga elétrica de 12 nC. Adotando k0 = 9,0 · 10 9 unidades do SI, determine: a) O potencial elétrico em um ponto da superfície da esfera. b) O potencial elétrico em um ponto P distante 12 cm do centro da esfera. c) A intensidade do campo elétrico no ponto P do item anterior. Resolução: a) Cálculo potencial elétrico é igual para qualquer ponto da superfície da esfera: Dessa forma, ajustando as unidades: R = 4,0 cm = 4,0 · 10–2 m Q = 12 nC = 12 · 10–9 C k0 = 9 · 10 9 Nm² ____ C² Calculando o potencial elétrico na superfície da esfera: Vsup = k0 Q __ R = 9 · 109 · 12 · 10 –9 ________ 4,0 · 10–2 = 27 · 102 ⇒ ⇒ Vsup = 2,7 · 10 3 V A terrível gaiola de celular (ex- periência de Física) fonte: Youtube multimídia: vídeo 106 b) Como a esfera tem raio de 4,0 cm, e o ponto P está a 12 cm do centro, o ponto P é externo à esfera. Assim: d = 12 cm = 12 · 10–2 m Então: Vext = k0 Q __ d ⇒ VP = 9 · 10 9 · 12 · 10 –9 _______ 12 · 10–2 = 9,0 · 102 ⇒ VP = 9,0 · 10 2 V c) Cálculo da intensidade do campo elétrico no ponto P: EP = k0 Q __ d² = 9 · 109 · 12 · 10 –9 _______ 12 · 10–2 = 0,75 · 104 ⇒ ⇒ EP = 7,5 · 10 3 N/C 2. (Ufrgs) A figura a seguir representa uma esfera metálica oca, de raio R e espessura desprezível. A es- fera é mantida eletricamente isolada e muito distante de quaisquer outros objetos, num ambiente onde se fez vácuo. Em certo instante, uma quantidade de carga elétrica nega- tiva, de módulo Q, é depositada no ponto P da superfície da esfera. Considerando nulo o potencial elétrico em pon- tos infinitamente afastados da esfera e designando por k a “constante eletrostática”, podemos afirmar que, após terem decorrido alguns segundos, o potencial elétrico no ponto S, situado à distância 2R da superfície da esfera, é dado por a) –kQ ___ 2R . b) –kQ ___ 3R . c) +kQ ____ 3R . d) –kQ ____ 9R2 . e) +kQ ____ 9R2 . Resolução: O cálculo do potencial num ponto externo é dado por: V = k ∙ q ____ d V = k(–Q) ____ 3R V = – kQ ___ 3R Alternativa B 4.1. Gráfico doPotencial Elétrico de um Condutor Carregado Considere o potencial elétrico uma função da distância, isto é, V = V (d). Seu gráfico é do tipo: para uma distribuição positiVa (Q > 0) para uma distribuição negatiVa (Q < 0) Analisando ambos os gráficos, é possível perceber que o potencial é constante enquanto d ≤ R, e a partir de d > R uma hipérbole equilátera (da mesma forma que uma partícula puntiforme centrada na origem). 4.2. Gráfico do Campo Elétrico de um Condutor Carregado Sendo o campo elétrico uma função da distância, ou seja, E = E (d), para um condutor carregado, o gráfico será da seguinte forma: Analisando o gráfico é possível perceber que, se d < R, tem-se E = 0, isto é, o campo interno do condutor carregado é nulo. Quando d = R, o campo elétrico é dado por E (R) = k0 |Q| _____ 2R2 . Já para pontos mais distantes d > R, tem-se que o gráfico é idêntico ao de uma carga puntifor- me centrada na origem. 107 5. equilíbrio eletrostático entre duas esferas interligadas Na figura a seguir, duas esferas condutoras, 1 e 2, inicial- mente isoladas uma da outra, foram carregadas com car- gas elétricas Q1 e Q2, respectivamente. As esferas foram interligadas por um fio condutor, mas foram mantidas afastadas a fim de evitar a indução eletrostática. Depois de serem conectadas, ocorreu uma troca de cargas elétricas devido à diferença de potencial elétrico entre ambas. Depois de um período de tempo, os potenciais das duas esfe- ras se equilibram e a troca de cargas termina. Após o equilíbrio: § As cargas das duas esferas passam a ser Q’1 e Q’2, res- pectivamente, e por conservação da carga elétrica: Q’1 + Q’2 = Q1 + Q2 Ou seja, a soma das cargas das duas esferas permanece constante, uma vez que nenhuma carga foi inserida ou retirada do sistema. § Devido ao equilíbrio, os potenciais se igualam, V1 = V2, assim: k0 Q’1 ___ R1 = k0 Q’2 ___ R2 ⇒ Q’1 ___ R1 = Q’2 ___ R2 Essa equação mostra que, após as esferas atingirem o equilíbrio eletrostático, as novas cargas elétricas de cada esfera são proporcionais ao raio de cada uma. Os para-raios De que maneira as indústrias fabricantes de para-raios costumam testar seus produtos antes de colocá-los à venda? Um dos testes consiste em submeter o produto a descargas elétricas semelhantes aos raios. Para simular um raio causado por uma nuvem eletrizada, uma esfera de cobre de aproximadamente 1 metro de diâmetro é suspensa, a mais ou menos 10 metros do chão, e ligada a um gerador de cargas elétricas para ser eletrizada. Abaixo da esfera é colocado o para-raios que será testado. A esfera, eletrizada, atinge potenciais de alguns milhões de volts e produz uma descarga elétrica que salta e atinge o para-raios. Um engenheiro elétrico de operações verifica pessoalmente, a poucos metros do local, o funcionamento correto do para-raios. Entretanto, o engenheiro se protege dentro de uma Gaiola de Faraday contra as descargas elétricas que circulam no ambiente. O efeito de blindagem eletrostática, conhecido como Gaiola de Faraday, é amplamente utilizado para proteger equi- pamentos que não podem ser submetidos a influências elétricas externas, ou na proteção de passageiros de aviões ou carros. Os veículos, ao serem atingidos por relâmpagos, protegem seus tripulantes, uma vez que as cargas elétricas serão distribuídas pelas estruturas metálicas. O forno de micro-ondas e a ressonância magnética são outras duas aplicações cotidianas da blindagem eletrostática. No micro-ondas, a blindagem eletrostática não permite que escapem as ondas eletromagnéticas que esquentam os alimentos, pois a casca metálica que reveste o interior do equipamento e a malha metálica que cobre o visor de vidro funcionam como uma Gaiola de Faraday. Para o exame de ressonância magnética, são necessárias salas de exames equipadas com uma cabine de radiofrequência. Essa cabine consiste numa caixa de alumínio ou outro material similar e serve para proteger o fun- cionamento do equipamento, que pode sofrer alteração de ondas de radiof- requência externas que causariam interferências nos resultados dos exames. VIVENCIANDO 108 Aplicação do conteúdo 1. Uma esfera de raio R1 = 2,0 cm e carregada com carga Q1 = 6,0 pC e uma esfera de raio R2 = 6,0 cm carrega- da com carga Q2 = –2,0 pC são conectadas por um fio e mantidas afastadas uma da outra. Depois de atingirem o equilíbrio eletrostático, qual é a carga de cada uma delas? Resolução: Devido à conservação da carga e à relação de proporciona- lidade da carga e do raio da esfera: Q’1 + Q’2 = Q1 + Q2 ⇒ Q’1 + Q’2 = 6,0 pC + (-2,0) pC ⇒ Q’1 + Q’2 = + 4,0 pC Q’1 ___ R1 = Q’2 ___ R2 ⇒ Q’1 ___ 2,0 = Q’2 ___ 6,0 ⇒ 3Q’1 = Q’2 Resolvendo o sistema para Q’1, obtém-se: Q’1 + 3Q’1 = 4,0 ⇒ 4Q’1 = 4,0 pC ⇒ ⇒ Q’1 = 1,0 pC Voltando à equação anterior, obtém-se Q’2: Q’2 = 3,0 pC multimídia: sites www.sabereletrica.com.br/gaiola-de-faraday www.differencebetween.net/science/difference- between-electric-field-and-electric-potential/ physics.bu.edu/~duffy/PY106/Potential.html 109 POTENCIAL ELÉTRICO NO CEU E EQUILÍBRIO ELETROSTÁTICO CAMPO UNIFORME Ed = U EQ. ELETROSTÁTICO CARGA NA SUPERFÍCIE POTENCIAIS IGUAIS GAIOLA DE FARADAY DENSIDADE SUPERFICIAL CAMPO INTERIOR NULO DIAGRAMA DE IDEIAS 110 Corrente elétriCa CompetênCias: 2, 5 e 6 Habilidades: 5, 17 e 21 AULAS 15 e 16 1. Introdução O fluxo de elétrons que atravessa um condutor é deno- minado corrente elétrica. Uma lâmpada, por exemplo, emite luz quando o fluxo de elétrons atravessa o filamento dentro de seu bulbo, e o chuveiro elétrico esquenta a água devido ao fluxo de elétrons que passa pelo seu resistor. Em geral, o fluxo de partículas eletrizadas em movimento é ordenado. A natureza da corrente elétrica depende do meio em que o fluxo de cargas ocorre. Nos metais, o fluxo é constituí- do exclusivamente por elétrons; contudo, os elétrons não compõem a corrente elétrica nos líquidos, onde o fluxo é formado por cátions (+) e ânions (–). Nos metais, os elétroNs coNstituem a correNte elétrica Na solução água + sal, a correNte elétrica é formada de cátioNs (Na+) e âNioNs (ci-) que camiNham em seNtidos opostos 2. Condutores e Isolantes Um meio material capaz de conduzir corrente elétrica é denominado condutor elétrico. Nesse tipo de material, as partículas eletrizadas conseguem se movimentar com fac- ilidade. Nos metais em geral, as partículas eletrizadas que constituem a corrente elétrica são os elétrons, dado que os metais possuem um grande número de elétrons livres, que são os elétrons mais fracamente ligados ao núcleo atômi- co. Assim, esses elétrons podem se mover de um átomo a outro e, durante o movimento, forma-se uma “nuvem eletrônica” no interior do metal. Os meios materiais denominados isolantes elétricos são, em geral, os não metais, como vidro, mica, ebonite, etc. A quanti- dade de elétrons livres nesses materiais é bastante pequena e, por isso, eles não conduzem bem a corrente elétrica. 3. sentIdo da Corrente elétrICa Ao se estabelecer uma diferença de potencial nas extremi- dades de um condutor metálico, pode-se ordenar o movi- mento dos elétrons em seu interior. Um modo de fazer isso é ligando-o entre os polos de um gerador elétrico (pilha, bateria, etc.). Mais adiante será demonstrado que a pilha “empurra” os elétrons, ordenando o movimento. Na figura a seguir, um fio condutor metálico está ligado aos polos de uma bateria elétrica. Como é possível obser- var, o movimento dos elétrons livres no fio tem sentido an- ti-horário: do polo negativo para o polo positivo. ELETRÓNS 3.1. O sentido convencional da corrente elétrica O sentido real do movimentos dos elétrons não é o mes- mo que o sentido convencional da corrente elétrica. i SENTIDO CONVENCIONAL DA CORRENTE SENTIDO REAL DO MOVIMENTO DOS ELÉTRONS Por motivos históricos, o sentido convencional da corrente elétrica foi estabelecido considerando-seque as cargas em movimento fossem positivas. 111 Essa convenção não foi alterada, pois, sob o ponto de vista do eletromagnetismo, o movimento de cargas negativas em determinada direção é equivalente ao movimento de cargas positivas na direção oposta. O sentido da corrente elétrica é indicado, também por con- venção, por uma flecha com a letra i. 4. IntensIdade da Corrente elétrICa Como na figura a seguir, um fio metálico é ligado nos polos de um gerador. Nesse circuito, o movimento convencional da corrente elétrica é do polo positivo para o polo negati- vo. Entretanto, o movimento dos elétrons livres ocorre no sentido oposto. ii ELÉTRONS BATERIA Durante o intervalo de tempo ∆t, uma quantidade n de elétrons atravessa uma seção transversal S do fio. A carga elétrica do elétron foi denominada de carga elétri- ca elementar, e seu valor absoluto é representado pelo símbolo e: e = 1,6 · 10–19 C Assim, o valor absoluto da quantidade de carga elétrica Q que atravessou a seção S é: |Q| = n ⋅ |e| Nesse condutor, a intensidade média da corrente elétrica, no intervalo de tempo ∆t, é definida como sendo a grandeza: im = |Q| ___ ∆t Quando a corrente elétrica fornecida pelo gerador tem in- tensidade constante, resulta que im = i, e a equação anteri- or poderá ser escrita como: i = |Q| ___ ∆t ⇔ |Q| = i ⋅ ∆t No SI, a unidade da intensidade de corrente elétrica é o ampère, de símbolo A, em homenagem ao físico francês André-Marie Ampère (1775-1836). A unidade de carga elétrica, o Coulomb (C), é definida a partir da equação anterior: Q = i ⋅ ∆t. Em unidades: ampère · segundo = coulomb 4.1. Propriedade gráfica Quando é plotado o gráfico da corrente pelo tempo, decorre que a área que a função faz com a horizontal é equivalente à quantidade de carga elétrica que passou en- tre os intervalos de tempo. 5. efeItos da Corrente elétrICa § Efeito Fisiológico – quando uma corrente elétrica atravessa um organismo vivo, ela produz contrações musculares conhecidas como choque elétrico. O ser humano, ao ser atravessado por uma corrente de in- tensidade de 10 mA ou mais, pode sofrer efeitos fatais. § Efeito Químico – quando uma corrente elétrica at- ravessa uma solução iônica, ocorre a eletrólise, oca- sionando o movimento de íons negativos e positivos Física Total - Aula 61 - eletrod- inâmica - corrente elétrica foNte: Youtube multimídia: vídeo 112 para o ânodo e o cátodo, respectivamente. Esse efeito é aplicado na galvanização de metais (cromeação, prateação, niquelação, etc.). § Efeito Magnético – quando um condutor é percorri- do por uma corrente elétrica e produz nas suas proxim- idades um campo magnético. Esse efeito é facilmente comprovado pela deflexão da agulha imantada de uma bússola colocada próxima do condutor. § Efeito Luminoso – quando a corrente elétrica atravessa um gás, sob baixa pressão, ocorre emissão de luz. Esse efeito é aplicado nas lâmpadas fluorescentes, lâmpadas de vapor de sódio, etc. § Efeito Térmico ou Efeito Joule – quando os elétrons livres colidem com os átomos, ocorre o aquecimento do condutor. Esse efeito é aplicado em aparelhos que pro- duzem calor (aquecedores elétricos: chuveiros, tornei- ras, ferros elétricos, etc.). 6. o amperímetro A intensidade da corrente elétrica que passa por um fio é medida por um aparelho chamado amperímetro. A figura a seguir mostra um amperímetro ligado a um cir- cuito. No mostrador do aparelho é indicada a intensidade da corrente elétrica que o atravessa. circuito com um amperímetro. há amperímetros aNalógicos e digitais. Aplicação do conteúdo 1. Uma corrente elétrica de intensidade constante ig- ual a 4,0 A atravessa um condutor de eletricidade. De- termine a carga elétrica transportada pelos elétrons durante um intervalo de tempo de 2,0 minutos. Resolução: A unidade do intervalo de tempo deve ser transformada para segundos: ∆t = 2,0 min = 120 s. Utilizando a defini- ção de intensidade de corrente elétrica, tem-se: i = |Q| ___ ∆t ⇔ |Q| = i ⋅ ∆t = 4,0 A ⋅ 120 s ⇒ ⇒ |Q| = 480 C 2. Durante um intervalo de tempo ∆t = 16 s, uma quanti- dade de 2,0 · 1022 elétrons atravessou a seção transversal de um condutor. Sendo e = 1,6 · 10–19 C o valor de carga elétrica elementar, determine: a) a carga elétrica que atravessa o condutor; b) a intensidade média da corrente elétrica. Resolução: a) Sendo |Q| = n ∙ e, obtém-se a carga elétrica: |Q| = (2,0 · 1022) ⋅ (1,6 · 10–19 C) ∴ Q = 3,2 · 103 C b) A intensidade média (im) da corrente vale: im = |Q| ___ ∆t = 3,2 · 10³ C _________ 16 s = 32 · 10² C _________ 16 s = = 2,0 · 10² C __ s = 2,0 · 10² A 7. o gerador elétrICo Para se produzir uma corrente elétrica é necessário um gera- dor elétrico. Os geradores elétricos mais comuns e conheci- dos são: pilha comum, bateria de automóvel, bateria de celu- lar, os grandes e potentes geradores das hidroelétricas, etc. turbiNas do gerador elétrico de uma usiNa de eNergia hidroelétrica em itatiNga, são paulo. O gerador elétrico é um aparelho capaz de mover os elétrons. É o gerador que “empurra” os elétrons em um circuito, sendo, assim, o seu principal elemento. Neste curso, os geradores serão eletroquímicos, como as pil- has e baterias, que produzem uma corrente elétrica contínua e constante. Esses geradores são compostos por um polo positivo, de maior nível de energia, e um polo negativo, com energia menor, de modo que o potencial elétrico no polo positivo seja maior do que o potencial no polo negativo. 113 É através do polo positivo que o gerador fornece corrente elétrica ao circuito. Depois de atravessar o circuito, a cor- rente retorna ao gerador pelo polo negativo. Na figura aci- ma é possível observar um circuito composto por uma ba- teria e uma lâmpada. O sentido convencional da corrente elétrica está indicado pelas setas. Os polos de um gerador são, comumente, chamados de ativos passivos. Isso significa que, mesmo em um circuito desligado, existe potencial nos polos do gerador. Resumindo O gerador elétrico possui dois polos ativos, um positivo, de maior potencial elétrico, e um negativo, de menor potencial elétrico. O gerador produz corrente elétrica em um circuito e mantém uma diferença de potencial elétrico entre seus dois polos. 8. força eletromotrIz (f.e.m.) Diferentes geradores fornecem quantidades diferentes de energia. Em função disso, foi definida uma grandeza car- acterística de cada gerador, denominada força eletromotriz (f.e.m.), que se relaciona com essa quantidade de energia e com a carga elétrica. Os exemplos a seguir ilustram essa ideia de força eletromotriz. Exemplos Uma pilha forneceu uma quantidade de energia elétrica de 1,5 J a um grupo de partículas que transportou uma carga unitária de eletricidade de 1,0 C. Asssim, diz-se que essa pilha tem uma força eletromotriz de 1,5 J/C ou de 1,5 volt. Uma bateria de carro forneceu uma quantidade de energia elétrica Eelétr = 24 J a um grupo de partículas que trans- portou uma quantidade de eletricidade Q = 2,0 C. Assim, cada coulomb recebeu uma quantidade de energia elétrica de 12 joules, e a força eletromotriz dessa bateria é 12 J/C ou 12 volts. Sintetizando: A força eletromotriz é o quociente da quantidade de energia elétrica fornecida por um gerador a um grupo de partículas eletrizadas transportando uma carga elétrica Q. Por definição: f.e.m. = energia elétrica ____________ carga elétrica ⇒ f.e.m. = Eelétr ___ |Q| No SI, a unidade de f.e.m. é o volt (V), definida pela razão joule/coulomb. Embora o termo força eletromotriz (f.e.m.) se refira a uma força, não se trata de uma grandeza física de força. A f.e.m é uma relação entre energia elétrica e carga elétrica. Assim, a origem do termo, pensando-se que se tratava de uma força aplicada às cargas elétricas, é equivocada. As pilhas e baterias comuns indicam o valor de sua f.e.m. pilha de 1,5 V bateria de 12 V O italiano Alessandro Volta, nascido em 1745, foi o in-ventor da pilha elétrica (em 1800) que leva o seu nome, a chamada pilha de Volta. Volta percebeu que discos de zinco e cobre, separados por pedaços de tecido embe- bidos em ácido sulfúrico, eram capazes de produzir cor- rente elétrica se um fio fosse conectado às suas extremi- dades. Nesse caso, a produção de corrente elétrica se dá em função de reações químicas. 8.1. A f.e.m. e a tensão elétrica Ocorre perda de energia elétrica durante o funcionamen- to de um gerador no transporte de carga elétrica de um polo a outro. Inicialmente, porém, essa perda de energia elétrica será desconsiderada e os geradores serão consid- erados ideais. Nesse caso, a força eletromotriz do gerador corresponde à diferença de potencial entre o polo positivo e o polo negativo. Essa diferença também é denominada tensão elétrica (U). Assim, nos geradores ideais: f.e.m. = tensão entre os polos ⇒ U = f.e.m. 8.2. Símbolo do gerador ideal Nos circuitos elétricos, os geradores ideais de corrente con- tínua (pilhas, baterias, etc.) são representados pelo símbolo da figura a seguir. O polo positivo do gerador é indicado pelo traço maior, e o polo negativo pelo traço menor. O sentido convencional da corrente elétrica é indicado por uma seta ao lado do símbolo, com sentido do polo negativo para o positivo. 114 9. o Voltímetro O aparelho utilizado para medir a diferença de poten- cial (d.d.p.) entre os polos de um gerador é denomina- do voltímetro. O voltímetro é comumente chamado de medidor de voltagem. Voltímetro Para medir a d.d.p. de uma pilha, deve-se ligar o voltímetro em paralelo com a pilha, como ilustra a figura a seguir. 1,5V 1,5 volt Nos circuitos elétricos, o voltímetro é representado pelo símbolo da figura abaixo: Além de medir a d.d.p. dos geradores, o voltímetro pode ser usado para medir a diferença de potencial entre dois pontos quaisquer de um circuito elétrico. Aplicação do conteúdo 1. Um gerador elétrico fornece às partículas elétricas que o atravessam 6,0 J para cada 4,0 C de carga elétrica. Quanto vale sua f.e.m.? Resolução: f.e.m. = Eelétrica _____ Q = 6,0 J _____ 4,0 C = 1,5 J/C ⇒ ⇒ f.e.m. = 1,5 V 2. No circuito da figura a seguir, duas lâmpadas, L1 e L2, estão ligadas a um gerador por meio de fios ideais. O gerador é ideal e sua f.e.m. é de 6,0 V. a) Quais são os pontos de mesmo potencial elétrico? b) Qual é a d.d.p. em cada lâmpada? c) Quanto indicaria um voltímetro se fosse conectado às extremidades dos fios 1 e 2? Resolução: a) Os pontos de um mesmo fio têm o mesmo potencial. VA = VC = V1 e VB = VD = V2 No entanto: V1 > V2 b) A ddp (tensão elétrica U) em cada lâmpada é a mesma, pois: § em L1 ⇒ U1 = VA – VB= U ∴ U1 = 6,0 V § em L2 ⇒ U2 = VC – VD = U ∴ U2 = 6,0 V c) O voltímetro indicaria a d.d.p. entre fios, ou seja: d.d.p. = 6,0 V 10. efeIto Joule Um condutor elétrico sólido esquenta ao ser percorrido por uma corrente elétrica. Esse aumento de temperatura do condutor devido à passagem da corrente elétrica é denom- inado efeito Joule. Esse fenômeno ocorre pois as partícu- las eletrizadas da corrente elétrica colidem com átomos e moléculas do material condutor, transformando parte da corrente elétrica em energia térmica. Novo Telecurso - Ensino Médio - Física - Aula 41 (1 de 2) foNte: Youtube multimídia: vídeo 115 11. resIstor e resIstênCIa O resistor é um elemento cuja função exclusiva em um cir- cuito elétrico é transformar energia elétrica em energia tér- mica. Em geral, os resistores são condutores feitos de aço, tungstênio ou carvão. Diversos aparelhos eletrodomésticos que requerem um aquecimento elétrico possuem resis- tores, como o ferro elétrico de passar roupa, o chuveiro elétrico, a torneira de água quente, o secador de cabelos, os aquecedores elétricos de ambiente, as lâmpadas incan- descentes, etc. Embora conduza corrente elétrica, o resistor é feito de um material que dificulta a passagem dos elétrons. A medida dessa dificuldade é denominada resistência elétrica. Nos circuitos elétricos, o resistor será representado por uma linha em ziguezague, como na figura a seguir. Nota: O resistor variável que suporta a passagem de cor- rentes intensas é denominado reostato. 12. prImeIra leI de oHm O físico alemão George Simon Ohm (1787-1854) descobriu, em seus experimentos de eletricidade, que a intensidade da corrente elétrica em um condutor estava relacionada com a d.d.p. em seus extremos. Ele percebeu que, ao variar a d.d.p., a intensidade da corrente elétrica também variava. Usando um resistor metálico e mantendo-o a uma tem- peratura constante, verificou que a razão entre a d.d.p. e a corrente elétrica se mantinha constante: d.d.p. __________________ intensidade de corrente = constante ⇒ U __ i = constante Essa constante é a resistência do resistor, indicada por R. Assim, a relação entre corrente elétrica, d.d.p. e resistência em um condutor é: U __ i = R A propriedade acima é válida para diversos tipos de metais. Essa é a Primeira Lei de Ohm: Para determinados resistores, mantidos a uma tempe- ratura constante, a intensidade de corrente i e a d.d.p. são diretamente proporcionais: U = R ∙ i No SI, a unidade de resistência elétrica é ohm, simboliza- do por W (letra grega ômega), em homenagem ao físico George Simon Ohm. Assim, um resistor que, submetido à d.d.p. de 1 V, deixa-se atravessar por uma corrente elétrica de intensidade 1 A, tem resistência elétrica de 1 W. Unidade de resistência = unidade d.d.p. _____________ unidade corrente = volt ______ ampère = V __ A = W Aplicação do conteúdo 1. Um resistor de resistência elétrica R = 6,0 Ω foi sub- metido a uma d.d.p. 24,0 V. Determine a intensidade de corrente elétrica que atravessa o resistor. Resolução: Sendo U = 24,0 V e R = 6,0 W,tem-se: U = R ⋅ i 24,0 = 6,0 ⋅ i ⇒ i = 24,0 V _____ 6,0 W ⋅ i = 4,0 A 12.1. Resistor ôhmico e não ôhmico Os resistores que obedecem à Lei de Ohm são denomina- dos resistores ôhmicos. Entretanto, nem todos os resistores são ôhmicos, e os que escapam à Lei de Ohm são denomi- nados resistores não ôhmicos. Os resistores fabricados com metais ou carbono são exem- plos de resistores ôhmicos. O gráfico da d.d.p. pela corrente elétrica em um resistor ôhmico é uma reta. A tabela e o gráfi- co a seguir ilustram o comportamento de um resistor ôhmico. Comportamento de um resistor ôhmico Diferença de potencial d.d.p., U (em V) Intensidade de corrente i (em A) Resistência do resistor R (em Ω) 1,0 0,5 2,0 2,0 1,0 2,0 3,0 1,5 2,0 4,0 2,0 2,0 5,0 2,5 2,0 12.2. Curva característica de um resistor ôhmico Considerando um resistor ôhmico, ou seja, que obedeça a relação de Ohm R = U __ i , em que R é constante, pode-se escrever a d.d.p. em função da corrente. Plotando o gráfico, é possível notar que se trata de uma função linear com in- clinação crescente, afinal a resistência sempre é um núme- ro constante e positivo. 116 A corrente elétrica é um fenômeno que permite o uso da energia elétrica, a principal fonte de energia do mundo moderno. A utilização em larga escala da eletricidade se deve à multiplicidade de efeitos pro- duzidos pela corrente. Não é possível visualizar diretamente o fluxo de elétrons; no entanto, seus efeitos são percebidos facilmente, como ao ligar o interruptor de uma lâmpada, o computador ou o smartphone. No Brasil, a energia elétrica é gerada em sua maior parte por hidrelétricas, mas também é gerada por meio de termelétricas e usinas nucleares. Obtida a partir da conversão de outros tipos de energia, a eletricidade é transportada através de um sistema composto de quatro etapas: geração, transmissão, dis- tribuição e consumo. A eletricidade é fundamental para tornar funcional os aparelhos criados para serem utilizados no dia a dia. Celulares, televisores, computadores, máquinas de lavar roupa e muitos objetos comuns nos lares brasileiros são movidos à base de energia elétrica. VIVENCIANDO U(i) = R⋅ i Seja u o ângulo que o gráfico faz com a horizontal, tem-se: tan u = U __ i = R Aplicação do conteúdo 1. Uma lâmpada incandescente é um exemplo de resis- tor presente no nosso cotidiano. O filamento aquecido dessas lâmpadas atinge uma temperatura aproximada de 1.300ºC. Submetido à tensão elétrica de 110 V, a cor- rente elétrica no filamento tem intensidade de 1,1 A. Determine a resistência elétrica desse filamento. Resolução: Pela Lei de Ohm: U = R ⋅ i Substituindo U = 110 V e i = 1,1 A, obtém-se: 110 = R ⋅ 1,1 ⇒ R = 110 V _____ 1,1 A ⇒ R = 100 Ω A resistência elétrica do filamento da lâmpada é de 100 W. Esse valor é bastante elevado; no entanto, se a temperatu- ra do filamento aumentar ainda mais, o filamento pode se fundir e a lâmpada deixa de funcionar. Popularmente se diz que a lâmpada queimou. 2. Um resistor é submetido à tensão elétrica U = 60 V, e a intensidade de corrente que o atravessa é de 6,0 A. a) Qual é o valor de sua resistência elétrica? b) Se o mesmo resistor for submetido a uma nova tensão elétrica U’ = 30 V, qual será a intensidade da corrente que o atravessará? Considere que a tempera- tura se mantém constante. Resolução: a) R = U __ i = 60 V _____ 6,0 A = 10 ohms ⇒ R = 10 W b) Como a resistência elétrica se mantém constante: R = 10 W U’ = R ⋅ i’ = i = U’ __ R = 30 V ____ 10 V = 3,0 ampères ⇒ ⇒ i’ = 3,0 A 117 3. O gráfico a seguir foi obtido para um resistor subme- tido a diversas tensões elétricas. a) Calcule a resistência elétrica considerando os va- lores do ponto 1. b) Calcule novamente a resistência elétrica consid- erando agora os valores do ponto 2. c) O resistor é ôhmico? Resolução: a) Sendo U = R ⋅ i ⇒ R = U __ i No ponto 1, tem-se U1 = 10 V e i1 = 2,5 A. R1 = 10 V _____ 2,5 A = 4,0 ohms ⇒ R1 = 4,0 W b) No ponto 2, tem-se U2 = 20 V e i2 = 5,0 A R2 = 20 V ____ 5,0 A = 4,0 ohms ⇒ R2 = 4,0 W c) O resistor é ôhmico, pois R1 = R2. Esse resultado já era esperado, uma vez que a curva características dos resistores ôhmicos é sempre uma reta oblíqua passando pela origem. 13. segunda leI de oHm A segunda Lei de Ohm expressa a relação entre a resistên- cia elétrica do resistor e suas características. Observe essa relação a seguir: R = r ∙ ø ____ A Em que: R: é a resistência elétrica do resistor; r (lê-se “rô”): é a resistividade do material; A: é a área da secção transversal do material; ø: é o comprimento do material. Essa relação expressa o fato de que, quanto maior é o con- dutor, maior é a dificuldade que as cargas elétricas têm para atravessá-lo. A dificuldade de circulação das cargas é menor à medida que for maior a área da secção trans- versal do material. Cada tipo de material também oferece uma dificuldade diferente à circulação das cargas, que é chamada de resistividade. Dessa forma, a resistência do resistor é diretamente proporcional ao comprimento (ø) e inversamente proporcional à área (A). A característica de resistividade (r) de cada material no SI tem unidade V · m. Georg Simon Ohm candidatou-se a uma vaga para professor em uma universidade; contudo, para tal, era necessária a produção de um trabalho de pesquisa inédi- to. Realizando experiências com eletricidade, Ohm per- cebeu experimentalmente relações matemáticas entre as dimensões dos fios e as grandezas elétricas. Nascia então seu conceito sobre resistência elétrica. Em 1827, Ohm apresentou um trabalho defendendo que a intensidade da corrente elétrica era diretamente proporcio- nal à diferença de potencial e inversamente proporcional a essa nova grandeza física, a resistência elétrica. Somente em 1849, cinco anos antes de falecer, Ohm conseguiu al- cançar o seu tão sonhado cargo de professor universitário. resistor em forma de fio cilíNdrico, de comprimeNto l e área de secção traNsVersal A resistividade do material pode variar com a temperatura. Nessas condições, a resistividade do material é dada por: r = r0 ∙ [1 + a(u – u0)] Em que r0 é a resistividade do material à temperatura de u0, e o coeficiente a depende do material. Assim, pode-se reescrever a resistência em função da temperatura. R = R0 ∙ [1 + a (u – u0)] Em que R0 é a resistência a uma temperatura u0. Segunda Lei de Ohm foNte: Youtube multimídia: vídeo 118 Aplicação do conteúdo 1. (Ufrgs) Selecione a alternativa que preenche correta- mente as lacunas do texto a seguir, na ordem em que elas aparecem. As correntes elétricas em dois fios condutores variam em função do tempo de acordo com o gráfico mostrado a seguir, onde os fios estão identificados pelos algarismos 1 e 2. No intervalo de tempo entre zero e 0,6 s, a quantidade de carga elétrica que atravessa uma seção transversal do fio é maior para o fio ...... do que para o outro fio; no intervalo entre 0,6 s e 1,0 s, ela é maior para o fio ...... do que para o outro fio; e no intervalo entre zero e 1,0 s, ela é maior para o fio ...... do que para o outro fio. a) 1 – 1 – 2 b) 1 – 2 – 1 c) 2 – 1 – 1 d) 2 – 1 – 2 e) 2 – 2 – 1 Resolução: Entre 0 s e 0,6 s, é possível observar que a área do gráfico do fio 2 é maior; assim, a quantidade de carga no fio 2 foi maior nesse intervalo. Entre 0,6 s e 1,0 s, a área do fio 1 é maior; assim, a quanti- dade de carga foi maior no fio 1 nesse intervalo de tempo. Entre 0 s e 1,0 calcularemos as áreas: (A) Fio1 Fio2 0,8 0,3 0 t(s)0,6 1 Área do Fio 2 > Área do Fio 1 Q2 > Q1 Desse modo, nesse intervalo de tempo, passou mais carga pelo fio 2. Alternativa D 2. (Acafe) A insegurança das pessoas quanto a assaltos em suas residências faz com que invistam em acessóri- os de proteção mais eficientes. A cerca elétrica é um adicional de proteção residencial muito utilizado hoje em dia, pois tem como um de seus objetivos afugentar o invasor dando-lhe um choque de aproximadamente 10 mil volts de forma pulsante, com 60 pulsos por se- gundo. Dessa forma, um ladrão, com perfeita condição de saúde, recebe o choque e vai embora, pois não che- ga a ser um choque mortal. Térmico, químico, magnético e fisiológico são alguns efeitos da corrente elétrica. Em primeiro lugar, a passagem da cor- rente elétrica transforma energia elétrica em energia térmica por meio do chamado efeito Joule. Isso é perceptível quan- do aparelhos elétricos em funcionamento aumentam de temperatura. O efeito químico, por sua vez, pode ser notado quando uma corrente atravessa soluções eletrolíticas (hi- drólise, por exemplo), e é comum sua utilização para o reco- brimento de metais (galvanização). A passagem de corrente elétrica também é capaz de gerar um campo magnético. Por fim, a passagem de corrente elétrica pode produzir um choque elétrico. Quando uma corrente elétrica age no sistema nervoso, ela pode contrair os músculos. Correntes menores que 1 mA não são percebidas pelo corpo humano; entre 1 mA e 10 mA, pequenos choques podem ser observados; já correntes maiores que 10 mA podem ser fatais. CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS 119 Considere o exposto e seus conhecimentos de eletricidade e assinale a alternativa correta. a) A corrente elétrica recebida pelo ladrão na des- carga é alta, porém, como é pulsante, não causará perigo de morte. b) Para não causar morte, a corrente elétrica recebida pelo ladrão por meio do choque é muito baixa, provo- cando apenas queimaduras. c) Se o ladrão estiver calçando sapatos com solado de borracha, não receberá o choque, pois a borracha é um isolante elétrico. d) Mesmo que fosse possível o ladrão tocar em ape- nas um único condutor da cerca sem que seu corpo tocasse em qualquer outro lugar, não deixaria de gan- har o choque, pois a tensão é muito alta. Resolução: a) INCORRETA. O que é responsável pela morte de uma pessoa relacionado à energia elétrica é a corrente elétrica. Para que a descarga recebida pelo ladrão ao tocar na cerca elétrica não seja mortal (como mencio- nado no enunciado), ela deve ser de valor muito baixo. b) CORRETA. Como mencionado no item[A], a cor- rente elétrica muito baixa evita que o choque elétrico sofrido cause a morte. Vale salientar que, devido à alta tensão (10 mil volts), o ladrão vai sofrer queimaduras. c) INCORRETA. O termo isolante elétrico só está rela- cionado ao fato de ser mais difícil que esse elemento conduza corrente elétrica; no entanto, dependendo do estímulo (tensão elétrica aplicada ao mesmo), ele pode conduzir corrente elétrica. Se uma pessoa calçando um sapato de borracha encostar na cerca, e o calçado não suportar a tensão de 10 mil volts, a pessoa vai levar um choque. d) INCORRETA. Se fosse possível o ladrão tocar apenas um condutor da cerca sem que seu corpo tocasse em qualquer outro lugar, não haveria uma diferença de po- tencial aplicada a ele, tampouco um caminho fechado para a corrente elétrica circular. Assim, o ladrão não le- varia choque. Segue o mesmo princípio de manutenção de linhas de transmissão de extra-alta tensão. Alternativa B 3. (UEMA) Em um manual de instalação de uma máqui- na de lavar roupa de determinado fabricante, há as se- guintes informações: Os diâmetros dos fios da rede elétrica devem estar de acor- do com a tabela ao lado: Distância do quadro Bitola 127V 220V 2,5 mm2 até 29 m até 70 m 4,0 mm2 30 a 48 71 a 116m 6,0 mm2 49 a 70 m - 10, 0 mm2 71 a 116 m - Baseando-se nas informações da tabela, considere o fio de cobre de resistividade r = 1,70 ⋅ Vm de bitola 2,5 mm2 a distância da tomada até o quadro de distribuição geral L = 25 m e a rede elétrica de U = 127V para calcular o valor da resistência elétrica desse condutor para esse comprimento. Resolução: Pela Segunda Lei de Ohm, tem-se que um condutor depen- de da resistividade do material, do seu comprimento e da sua área. Então: R = r ⋅ L __ A Como o condutor possui secção circular, sua área é igual a área de um círculo: R = r ⋅ L __ A ⇒ R = = = 1,7 · 107 2,5 · 10-6 1,7 · 25 2,5 · 10-7 1,7 · 25 ⇒ R = 17 · 106 Ω → R = 17M Ω multimídia: sites educacao.uol.com.br/disciplinas/fisica/cor- rente-eletrica-o-movimento-ordenado-de- -eletrons-em-condutores.htm www.feiradeciencias.com.br/sala12/12_T06. asp www.audioacustica.com.br/exemplos/Lei_ de_Ohm/Lei_de_Ohm.html 120 ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Habilidade A habilidade 5, dentre todos os conteúdos abordados em Física 3, é a de maior frequência nas provas do Enem. Possui um caráter muito mais concreto, pois faz com que o aluno saiba dimensionar circuitos elétricos, que naturalmente são muito mais presentes no cotidiano da vida moderna. Saber calcular corrente, potência e resistência são os exemplos mais comuns dos assuntos mais abordados. A leitura de tabelas, de gráficos e dos esquemas é naturalmente presente nesse tipo de exercício. Modelo 1 (Enem) A resistência elétrica de um fio é determinada pela suas dimensões e pelas propriedades estruturais do material. A condutividade (σ) caracteriza a estrutura do material, de tal forma que a resistência de um fio pode ser determinada conhecendo-se L, o comprimento do fio e A, a área de seção reta. A tabela relaciona o material à sua respectiva resistividade em temperatura ambiente. Tabela de condutividade Material Condutividade (S·m/mm2) alumínio 34,2 cobre 61,7 ferro 10,2 prata 62,5 tungstênio 18,8 Mantendo-se as mesmas dimensões geométricas, o fio que apresenta menor resistência elétrica é aquele feito de: a) tungstênio; b) alumínio; c) ferro; d) cobre. e) prata. Análise expositiva - Habilidade 5: Além de saber diferenciar conceitualmente condutividade e resistividade elétrica, esse exercício cobra que aluno saiba ler os valores fornecidos na tabela e que ele faça uma escolha de qual dos materiais mais se encaixava na situação descrita. O fio que apresenta menor resistência é aquele que apresenta maior condutividade. Pela tabela, é possível notrar que é o fio feito de prata. Alternativa E E Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.5 Modelo 2 Enem 2017) Dispositivos eletrônicos que utilizam materiais de baixo custo, como polímeros semicondutores, têm sido desenvolvidos para monitorar a concentração de amônia (gás tóxico e incolor) em granjas avícolas. A polianilina é um polímero semicondutor que tem o valor de sua resistência elétrica nominal quadruplicado quando exposta a altas concentrações de amônia. Na ausência de amônia, a polianilina se comporta como um resistor ôhmico e a sua resposta elétrica é mostrada no gráfico. 121 O valor da resistência elétrica da polianilina na presença de altas concentrações de amônia, em ohm, é igual a: a) 0,5 × 100. b) 0,2 × 100. c) 2,5 × 105. d) 5,0 × 105. e) 2,0 × 106. Análise expositiva - Habilidade 5: Trata-se de um exercício que possui uma rápida resolução e exige que o aluno saiba ler e interpretar o gráfico fornecido, além, é claro, de domínio do assunto. Escolhendo o ponto (1, 2) do gráfico, tem-se: r = U __ i = 1 ______ 2·10-6 ⇒ r = 0,5 · 106 Ω Como a resistência quadruplica nas condições dadas, obtém-se: R = 4r = 4 · 0,5 · 106 ∴ R = 2 · 106 Ω Alternativa E E 122 CORRENTE ELÉTRICALEIS DE 0hm DDP CONDUTOR E ISOLANTE TENSÃO RESISTOR E RESISTÊNCIA MOVIMENTO DE CARGAS ELÉTRICAS CORRENTE ELÉTRICA DIAGRAMA DE IDEIAS FIS_1_9_10 FIS_1_11_12 FIS_1_13_14 FIS_1_15_16 FIS_2_9_10 FIS_2_11_12 FIS_2_13_14 FIS_2_15_16 FIS_3_9_10 FIS_3_11_12 FIS_3_13_14 FIS_3_15_16