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Odontopediatria – Cirurgia
Luana Fonseca – Anotações aula
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Cirurgia em odontopediatria
Cirurgia:
Modalidade terapêutica praticada por atividade manual, com auxílio de instrumentos apropriados que permitem a obtenção da solução de continuidade dos tecidos e, a atuação direta na causa determinante do seu uso.
1. Cirurgia oral menor (bucodentoalveolar)
2. Bucomaxilofacial
· Princípios básicos:
· Necessidade e oportunidade;
· Fundamentada em um diagnóstico completo do quadro clínico
· Grau de evolução
· Vantagens oferecidas para a recomposição da saúde do paciente
· Sequelas inerentes ao ato cirúrgico
Ex: Indicação de remoção de dente decíduo
· Avaliar se existe permanente sucessor;
· Se haverá espaço suficiente para que ele irrompa e se posicione corretamente
Oportunidade: 
· Condições favoráveis da saúde local e sistêmica do paciente
· Possibilidade de desdobramento de um ato operatório, sem agravar a condição feral da saúde do paciente.
· INOPORTUNIDADE MOMENTÂNEA: Ex: Diabetes melito, alteração na auto-hemostasia, controle a inflamação.
· INOPORTUNIDADE DEFINITIVA: Ex: Estágios terminais de doenças degenerativas hepáticas, cardíacas.
· Assepsia e antissepsia
· Assepsia: Reduzir os microorganismos eu possam vir a contaminar a ferida cirúrgica.
· Antissepsia: aplicados em tecidos vivos.
· Técnica círurgica atraumática
· Técnica operatória mais adequada à resolução do caso;
· Uso correto de instrumentais
· Amplo conhecimento da anatomia regional;
· Condições de manter e recompor as funções fisiológicas básicas. 
Considerações adicionais na cirurgia oral pediátrica:
1. Cuidado ao intervir próximo a centros de crescimento e estruturas em desenvolvimento;
2. Preparo dos pais;
3. Manejo do profissional com a criança; - É necessário ter paciência e controle de voz durante todo o procedimento.
4. Anestesia eficaz, fundamental em qualquer intervenção cirúrgica.
5. Prognóstico: anamnese e exame físico (intra e extra oral)
6. Exames complementares
7. Exames laboratoriais: Hemograma em contagem de plaquetas, coagulograma, teste de glicemia plasmática, uréia e creatinina.
Classificação das cirurgias bucais
· Tecidos duros:
1. Exodontia de dentes decíduos
2. Exodontia de dentes anquilosados
3. Exodontia de dentes supranumerários
· Tecidos moles:
1. Ulotomia
2. Ulectomia
3. Frenectomia (labial e lingual)
Exodontia de dentes decíduos:
É importante observar, quando fazemos a anamnese e os exames clínicos, observar o contexto do dente, levando em consideração os estágios de Nolla. Pois, ver o grau de formação do permanente e rizólise do dente decíduo, pois quando temos uma rizólise mais avançada, o sucessor já está mais formado. É diferente quando há uma perda precoce do dente decíduo, muitas vezes ainda não há essa formação da raiz do sucessor, não tendo assim a força eruptiva. Isso há necessidade de um mantendor de espaço. É preciso assim, avaliar tudo que está envolvendo ele.
Reabsorção do 84, rizólise avançada e o dente está cerca no estágio 7 de Nolla.
Assim, importante observar:
· Relação entre permanente x decíduo
· Rizólise do dente decíduo
· Rizogênese do dente permanente
· Doença óssea local
Indicações:
· Ortodônticas
· Raízes residuais
· Fraturas radiculares
· Dentes natais ou neonatais com mobilidade excessiva
· Retenção prolongada
· Rizólise avançada/irregular
· Reabsorções internas e externas
· Dentes com lesões periapicais extensas
· Fraturas radiculares 
· Destruição coronárias muito extensas
· Alveólise
· Dentes anquilosados
· Dentes com bifurcação comprometida
· Processo infeccioso avançada comprometendo o germe do dente permanente
· Insucesso de tratamento endodôntico
· Traumatismo dentário
Técnica cirúrgica
· Uso fórceps específicos:
· Movimentos pendulares e de rotação: unirradiculares
· Movimentos de lateralidade e/ou pendulares: multirradiculares
Não deve ser usado se, por análise de radiografia, concluir-se haver possibilidade de que pela movimentação do dente, venha-se lesar o dente permanente justaposto.
Mesa clínica deve estar fora do alcance visual da criança – Pois vai gerar medo, estresse.
· Uso de elevadores dentais:
· De Seldin reto e curvo, e os apicais;
· Luxar dentes, expandir cortical vestibular, remover raízes residucais
· Apoio em tecido ósseo
· Domínio da técnica para não causar dano
· Uso de instrumentos rotatórios:
· Odontosecção
· Reduzir resistência à avulsão
· Dente permanente encarcerado entre as raízes do decíduo
· Molares inferiores: vestibular para lingual (broca tronco cônica diamantada)
· Molares superiores: em forma de Y
· Deve haver irrigação e aspiração adequadas.
· Uso de osteotomia
· Não é uma manobra rotineira na Odontopediatria.
· Indicada para: dentes não irrompidos, dentes com anquilose radicular e para o acesso a raízes residuais;
· Instrumentos rotatórios;
· Osteótomos. 
Em relação a curetagem, não é indicado para odontopediatria. No caso de uma criança com patologia, aí deve curetar. 
Remoção de dentes anquilosados:
Anquilose dental:
Fusão anatômica entre o dente e o osso alveolar, com consequente desaparecimento do ligamento periodontal na área de anquilose.
Esses dentes podem estar soladados no osso adjacente. 
Técnica cirúrgica:
1. Assepsia e antissepsia
2. Anestesia
3. Incisão e sindesmotomia
4. Luxação com alavancas
5. Uso de instrumentos rotatórios cirúrgicos
6. Osteotomia
7. Odontosecção
8. Clivagem
9. Remoção com fórceps
10. Toalete da cavidade cirúrgica
11. Sutura
12. Terapêutica medicamentosa
13. Proservação
· Em que caso devo suturar?
· Nos casos de exodontias múltiplas, pois contribui para imobilidade dos tecidos, dificultando a ocorrência de hemorragia no pós-operatório, favorece reparo mais rápido da ferida cirúrgica;
· Avaliar sempre se a passagem da agulha não vai causar esgarçamento do tecido gengival e não vai lesar as porções mais superficiais de germe sucessor;
· Acidentes hemorrágicos transoperatórios: hemostasia;
· Fio de seda 3-0 ou 4-0. Removido após 5 a 7 dias;
· Não é uma prática rotineira nas exodontias de dentes decíduos.
· Prevenção dos acidentes:
· Seguir princípios fundamentais da cirurgia: diminuir possibilidade de acidentes;
· Tecidos moles quando traumatizados: ser cuidadosamente trabalhados;
· Se o dente permanente sofrer avulsão com o decíduo:
· Recolocado no alvéolo
· Tecidos suturados
· Acompanhamento clinico e radiográfico
· Prescrição de antiinflamatórios e antibióticos.
Pós-operatório:
· Dentes decíduos; normalmente, envoluem sem complicações.
· Medicação: Via de Adm – V.O. Posologia, investigação de alergia.
· Tampões de faze (auto-hemostasia)
· Orientações aos pais: dieta.
Remoção de dentes supranumerários:
· Também conhecido como extranumerário;
· É considerado um distúrbio do desenvolvimento relacionado com o número de dentes
· MESIODENTE é o supranumerário – frequente da dentição permanente.
Escolha da técnica cirúrgica: conhecimento antecipado da posição real ocupada pelo dente;
· Radiografias oclusal, lateral de face e técnica de Clark para a maxila e a Miller-Winter para mandíbula;
· Tomografia linear ou computadorizada em 3D.
· Critérios que fundamentam a necessidade de avulsão:
Quando: 
· Impede rompimento do dente permanente;
· Sedia um cisto dentígero;
· Participa da formação de um diastema;
· Representa causa do desposicionamento de um dente permanente na arcada.
Cirurgias em tecidos moles 
· Ulotomia, ulectomia, frenectomia, frenotomia
Ulotomia:
· Incisão na gengiva com imediata exposição do bordo incisal ou da superfície oclusal.
· Técnica cirírgica:
· Anestesia
· Incisão linear latero-lateral sobre o bordo gengival fibroso
· Bisturi lâmina 11, eletrocautério ou laser.
· Sindesmótomo: expansão pericoronária
· Insucesso: desuso
Ulectomia:
· Éxerese dos tecidos fibrosos que revestem a face oclusal da coroa de um dente decíduo não irrompido para lhe permitir um caminho desimpedido.
· Indicações:
· Atraso na erupção de dentes sem causa aparente;
· Fibrose gengival;
· Dentes parcialmente irrompidos;
· Erupção lenta;;
· Presença de cisto de erupção* (hematoma – punçãoexploradora)
Frenectomia:
· Cirurgia dos freios dos lábios bem como da língua.
Frenectomia labial:
Indicação:
· Dificultar a sucção de alimentos e interferir na fonação;
· Favorecer o tratamento ortodôntico e o periodontal com o fechamento de diastema;
· Dificuldade na escovação e a tensão direta do freio sobre a mucosa gengival.
· Sinais clínicos freio tetolabial persistente:
· Inserção baixa
· Presença de diastema
· Isquemia da papila quando tracionado
Exérese do freio: consiste na remoção da porção anatômica do freio, visível macroscopicamente e responsável pela maioria das interferências que se pretende corrigir. Procedimento cirúrgico considerado de rotina para os freios labiais.
· Técnica cirúrgica:
Frenectomia Lingual:
O freio lingual quando curto, altera a fisiologia da mecânica da língua, podendo também acarretar alterações anatomorfofuncionais em outras estruturas da boca.
Diagnóstico Multiprofissional:
Frenotomia lingual:
· Pode ser indicada com uso de anestésico tópico ou anestesia local;
· É feito um “pique” (incisão) com tesoura reta. Cuidado para não lesionar a veia lingual;
· Pouca vascularização e inervação, sangramento mínimo, controlado com compressa de gaze;
· Não é necessária sutura;
· Amamentação deve ser oferecida imediatamente;
· Pode ser realizada com laser ou eletrocautério;
· Normalmente, nenhum analgésico é prescrito.
· A anestesia varia conforme a espessura do freio e idade do paciente.
Frenectomia lingual:
· Cortar tecido mucoso na submucosa, divulsionar e, se necessário, remover a parte do tecido mucoso.
Indicações:
1. Problemas na fala, mordida e deglultição;
2. Disfunção lingual;
3. Hábitos orais anormais.
Fonoterapia – Estimular mobilidade lingual.
A escolha pela técnica Frenotomia ou Frenectomia lingual recai:
· Diagnóstico do quadro
· Experiência do profissional na técnica preconizada
· Idade da criança
Obs: Normalmente a frenotomia é mais realizada em bebês recém-nascidos ou até 1 ano, a partir desta idade a orientação geral é pela técnica da frenectomia, devido à possibilidade de recidiva.
Recomendações Pós-operatórias:
· Controle do edema
· Prescrição de medicamentos
· Repouso
· Higienização
· Remoção da sutura (se houver)
· Proservação
· Recomendações sobre alimentação
· Recomendações sobre bochechos