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UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús Sindrome coronariana aguda INTRODUÇÃO E FISIOPATLOGIA A síndrome coronariana aguda consiste em uma das faces da doença aterosclerótica, a qual é oriunda da presença de placas ateromatosas na circulação arterial do coração. Ela se evidencia como um quadro instável, que se apresenta com sintomas anginosos que surgem aos mínimos esforços e até mesmo em repouso, estando associada a altos índices de morbidade e mortalidade. A síndrome coronariana aguda ocupa o segundo lugar no quesito de mortalidade global no Brasil, sendo a principal causa do óbito em doenças cardiovasculares, sendo estimados cerca de 300 a 400 mil casos a cada ano. Não é difícil inferir também que essa doença traz consigo um enorme ônus financeiro ao sistema de saúde, dada a necessidade de internação, bem como de procedimentos, medicamentos e cuidados emergenciais. Para compreender a Síndrome Coronariana Aguda (SCA), faz-se necessário compreender o processo desencadeante da doença aterosclerótica. Diante dos fatores de risco para essa doença, ao longo dos anos ocorre o depósito de colesterol do tipo LDL no subendotélio de vasos arteriais. Em associação com macrófagos, formam as chamadas células espumosas, quadro esse que configura a formação de um ateroma, o qual consiste em uma estrutura com core lipídico localizada na região subendotelial do vaso, recoberta por uma capa fibrosa. Os fatores de risco para a doença aterosclerótica se relacionam com a presença de um endotélio mais inflamado, o qual acaba por expressar moléculas de adesão, como VCAM- 1. Tais moléculas atraem elementos presentes no plasma, com ênfase nos monócitos, os quais, ao entrarem em contato com essas proteínas de adesão, se internalizam na camada subendotelial, local onde essas células se diferenciam em macrófagos. Uma vez instalados, os macrófagos subendoteliais fagocitam moléculas de gordura, principalmente colesterol do tipo LDL, de modo a gerar as chamadas de células espumosas, os quais se acumulam na camada subendotelial ao longo do tempo, comprimindo o endotélio contra a luz do vaso. Toda essa lesão gera uma capa fibrótica que recobre essas células, em decorrência da migração de células da camada muscular lisa do vaso, que pode se calcificar ao longo do tempo. É importante saber em linhas gerais as características das placas ateromatosas quanto à sua classificação. Basicamente, tem-se a placa estável, que possui capa fibrótica mais espessa e menor core lipídico, e a placa vulnerável ou instável, a qual possui maior core lipídico e uma capa fibrótica mais delgada. Essa última é mais suscetível à ocorrência de rotura e erosão de sua capa, o que pode levar a um processo inicial de agregação plaquetária pela exposição do core lipídico, processo esse que gera o chamado trombo branco, o qual pode evoluir para um acúmulo de trombina e por consequência, de eritrócitos, o chamado trombo vermelho, que leva à trombose. O quadro em questão é desencadeado pelo instabilização aguda de placa aterosclerótica localizada em campos coronarianos, propiciando a agregação plaquetária, de modo a formar um trombo na luz arterial, o que gera um agravamento agudo da obstrução vascular. O grau de obstrução determinará o aparecimento de diferentes sintomas clínicos, bem como o grau de isquemia ao qual o miocárdio for submetido. Nos casos em que o trombo promover uma obstrução parcial, com fluxo sanguíneo residual (seja pela porção ainda não ocluída ou por circulação colateral), ou com a ocorrência de uma oclusão transitória da luz vascular, temos dois quadros possíveis mais brandos da doença: o infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST) e a angina instável. Já quando ocorre a obstrução total da luz arterial, sem o suprimento por circulação colateral, ocorre uma privação completa da irrigação do miocárdio, levando ao infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMSST). Sendo assim, esses três quadros fazem parte da Síndrome Coronariana Aguda, sendo o grau de obstrução o determinante da gravidade e da intensidade do quadro clínico desencadeado. A síndrome coronariana aguda pode ser caracterizada também pelas regiões do miocárdio atingidas pela isquemia ou pelas modificações tardias que surgem ao ECG. Infartos sem supra de ST costuma provocar necrose do miocárdio restrita à região subendocárdica, daí serem denominados de infartos subendocárdicos. Esse tipo de acometimento não costuma gerar cicatrizes eletrocardiográficas, de modo a também serem chamados infartos sem onda Q ou não-Q. Nos casos de isquemia severa e persistente, a necrose é mais extensa, atingindo toda a espessura do miocárdio, classificando esse evento como infarto transmural. Nesse caso, temos o desenvolvimento de uma onda Q ao ECG, de modo que esse evento pode ser denominado também como infarto com onda Q, ou infarto Q. Se você ficou confuso quanto à progressão da isquemia no músculo cardíaco, devemos lembrar que o coração possui irrigação arterial de fora para dentro, de modo que as artérias coronárias nutrem primeiramente o epicárdio, logo após, o miocárdio e, por último, o endocárdio. Logo, caso haja uma isquemia, faz sentido que o último a receber o suprimento sanguíneo seja o mais prejudicado. Sendo assim, podemos completar o raciocínio inferindo que a isquemia progrida no sentido contrário à irrigação. Dessa forma, primeiramente o endocárdio é acometido, depois o miocárdio e o epicárdio logo após ele. A instabilização de uma placa ateromatosa enraizada na luz de algum ramo coronariano ocorre por meio de rotura dessa placa, erosão superficial e hemorragia intraplaca. Em termos gerais, a rotura da placa consiste na forma mais grave de instabilização, sendo preponderante entre os casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) fatais. Isso ocorre porque a placa rota faz com que o sangue seja exposto às substâncias trombogênicas que se encontram no interior da placa, propiciando a formação de um coágulo no local da rotura. Enquanto isso, a erosão da placa está relacionada às formas mais brandas da síndrome coronariana aguda, na qual ocorre a remoção de placas endoteliais vasculares, ocorrendo a exposição de colágeno da membrana basal, que estimula plaquetas circulantes, ativando a cascata de coagulação. Essa ativação geralmente é mais tênue, de modo que produz um coágulo mais friável do que aquele da rotura, mas ainda assim, esse mecanismo corresponde a cerca de 20% dos óbitos fatais por IAM. A hemorragia da placa é mais rara e atua rompendo a placa, uma vez que provoca uma rápida expansão da lesão. Uma vez que a placa tenha sofrido uma erosão superficial com extensão pequena, a trombose costuma ser autolimitada, sem gerar repercussões sintomáticas para o paciente, sendo que na maioria das vezes, o coágulo pode ser UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús dissolvido pelo próprio sistema fibrinolítico endógeno ou pode também ser incorporado pela placa, de modo a contribuir para o aumento dessa. Caso ocorra uma trombose mais extensa, normalmente associada a rotura da placa com exposição de seu núcleo lipídico, pode ocorrer obstrução da luz mais severa ou até completa, gerando o aparecimento de sintomas. Nos casos de oclusão parcial, o fluxo residual impede a privação completa de oxigênio para as células miocárdicas, preservando a integridade dessas e evitando a necrose celular, consistindo no quadro característico da angina instável. Caso ocorra oclusão completa temporária, tem-se, a princípio um evento que não gera supradesnivelamento do segmento ST, característico do infarto subendocárdico, que também não gera cicatrizes eletrocardiográficas. Podemos dizer que tanto o infarto subendocárdico quanto a angina instável são bem semelhantesdo ponto de vista fisiopatológico, motivo esse pelo qual recebem tratamento muito semelhante. Quando ocorre a obstrução completa sustentada, a onda de isquemia se prolonga para além do endocárdio, de modo que a falta de suprimento sanguíneo atinge toda a espessura miocárdica, gerando o IAM transmural, o qual gera o aparecimento do supradesnivelamento do segmento ST, bem como o aparecimento de cicatrizes observáveis ao ECG por meio da presença de ondas Q. EPIDEMIOLOGIA Apesar da queda da taxa de hospitalização decorrente de síndrome coronariana aguda ter caído cerca de 4 a 5% a cada ano nos Estados Unidos, são contabilizados ainda cerca de 550 mil eventos cardiovasculares coronarianos primários e cerca de 200 mil reincidentes a cada ano. Logo, faz sentido o fato de que as doenças isquêmicas do miocárdio tenham se tornado as principais responsáveis por gastos no sistema de saúde, dado o seu impacto quanto aos anos de vida perdidos por incapacidade. O infarto agudo do miocárdio é responsável por cerca de 8,8% dos óbitos no Brasil, sendo a mortalidade mais alta no sistema público do que no privado, decorrente de dificuldade de acesso ao serviço de terapia intensiva precocemente. É importante ressaltarmos que a incidência da doença coronariana aumenta conforme a idade do paciente, sendo que a ocorrência do evento é responsável por limitações na qualidade de vida do indivíduo ao restringir suas atividades em decorrência de incapacidade adquirida após o evento, a sua maioria decorrente de quadros de angina instável e déficits do ventrículo esquerdo; sendo também uma das doenças com maior impacto socioeconômico. FATORES DE RISCO São fatores de risco relacionados a ocorrência da aterosclerose e alguns são modificáveis e outros não. Apesar do fato de mulheres possuírem uma carga aterosclerótica significativa, os homens são mais propensos a desenvolverem doenças coronarianas mais precocemente, sendo a prevalência dessa cada vez maior conforme a idade do paciente aumenta. Como em várias doenças, um potente fator de risco para o desenvolvimento de doenças coronarianas consiste em quadros familiares prévios dessa, o que sugere um mecanismo genético de predisposição, o qual, obviamente, não pode ser alterado. Os riscos são acumulativos, de modo que é de suma importância a avaliação dos fatores de risco modificáveis, como dislipidemia, hipertensão, diabetes mellitus, síndrome metabólica, tabagismo, obesidade, sedentarismo e etilismo, os quais devem ser mitigados e, dentro do possível, eliminados. Existem causas não ateroscleróticas que desencadeiam síndrome coronariana aguda, mas elas são muito raras: vasoespasmo, embolia coronária, vasculites, causas não coronarianas como anemia e sepse. QUADRO CLÍNICO Os sintomas decorrentes da síndrome coronariana aguda decorrem do desbalanço entre oferta e demanda de oxigênio quanto ao miocárdio, gerando um cenário propício para a isquemia, uma vez que diante da doença aterosclerótica, ocorre disfunção endotelial, reduzindo a vasodilatação que ocorreria para compensar o aumento da demando por oxigênio, dada a obstrução ocorrida. Diante disso, o sintoma preponderante desse quadro consiste na dor precordial, também chamada de angina, geralmente descrita como sensação em aperto no tórax, restroesternal, de início súbito, aos mínimos esforços ou em repouso, sem relação com esfor- ço prévio, piorando em situações de exercício e estresse e melhorando um pouco ao repouso e com a administração de nitrato. Pode ser descrita a irradiação dessa para o epigástrio, cérvice, mandíbula, dorso e membro superior esquerdo, sendo que é comum a sensação de parestesia nesse último. O paciente geralmente não associará a dor aos movimentos respiratórios e não indicará um ponto específico doloroso. Isso porque a dor isquêmica consiste em uma dor visceral, a qual não envia sinais neurológicos de dor localizada, mas sim de dor difusa. Muitas vezes o paciente se apresentará com claro desconforto corporal, podendo estar levemente curvado devido à dor anginosa e com o punho na região do coração. Essa condição postural do paciente configura o chamado sinal de Levine. Pacientes mais velho e diabéticos podem não apresentar quadro típico da doença, sem a presença de desconforto torácico, uma vez que, principalmente nos diabéticos, ocorre um quadro de denervação, decorrente da neuropatia diabética. Tais pacientes apresentarão o chamado equivalente anginoso ou isquêmico, que consiste na apresentação de sintomas como sudorese, mal-estar súbito, dispneia, náusea, arritmias ventriculares e até mesmo hipotensão etc (sintomas que podem estar presentes com a angina em outros pacientes com síndrome coronariana aguda), sendo mais comum em mulheres, idosos e diabéticos. O paciente com esse quadro poderá se apresentar claramente ansioso e desconfortável, podendo também sofrer de taquicardia, dispneia, vômitos ou náuseas, bem como elevação da pressão arterial sistêmica. A ausculta cardíaca pode variar, podendo estar dentro dos índices de normalidade, ou ainda revelar a presença de B4, pela diminuição da complacência do ventrículo esquerdo, ou ainda B3, caso haja UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús disfunção ventricular. Sopros serão auscultados somente nos casos em que a isquemia acometer os músculos papilares, que será evidenciado pela presença de sopro característico de insuficiência mitral. Um exemplo disso, é a dissecção aguda de aorta, que consiste em um dos diagnósticos diferenciais de dor torácica, sendo que, se o paciente for tratado para SCA, aumenta-se a possibilidade de óbito, dado que o risco de sangramento desse aumentará exponencialmente. Justamente por isso, a dor e a história clínica do paciente devem ser claramente analisadas. Para auxiliar na hora do raciocínio, tenham em mente os possíveis diagnósticos diferenciais de dor torácica, bem como a correspondente etiologia. Os sinais vitais do paciente devem ser monitorados com atenção, observando o surgimento de hipo ou hipertensão, uma vez que em casos de acometimento extenso do miocárdio, pode ocorrer a manifestação de sinais e sintomas de insuficiência cardíaca, como dispneia, pressão venosa central elevada, bem como a evolução para choque cardiogênico aliado à hipotensão e vasoconstrição, que poderá ser suspeitada pelas extremidades frias ao toque. SEGUIMENTO Eletrocardiograma (ECG) deve ser feito de imediato, uma vez que a identificação do supradesnivelamento do segmento ST poderá ser utilizado para encaminhar o paciente para o atendimento prioritário. Chegando ao serviço, todo paciente que levante suspeita para SCA deve realizar um ECG em até dez minutos desde a sua chegada. A realização desse é fundamental, pois, além de ser um divisor de águas quanto à classificação, revela a situação da perfusão cardíaca, bem como identifica maior ou menor gravidade do quadro, podendo configurar situação de urgência. Ao realizar o exame, deverá ser observado se existe supra de ST em alguma derivação e, na ausência desse, procura-se achados diferenciais como o infra do mesmo segmento eletrocardiográfico. Relembrando, o supra de ST é tão grave porque ele consiste no sinal elétrico de um coração cujo ramo coronário esteja obstruído por completo (geralmente), configurando o chamado infarto com supra de ST. A ausência desse, mesmo que a presença de infra de ST, quando compatível com a SCA, configura dois possíveis quadros: o infarto sem supra de ST e a angina instável. As alterações eletrocardiográficas que podem estar presentes diante de um IAMSST consistem na presença de onda T apiculada, em segundos ou minutos após o início do quadro. Em até trinta minutos, ocorre o supradesnivelamento do segmento ST, com a elevação do ponto J, evidenciandooclusão arterial total. A partir de 6 horas, o segmento ST começa a cair, junto com o aparecimento da onda Q patológica, revelando uma área eletricamente inativa, representativa de necrose. Para além de 24 horas, o segmento ST continua caindo, cursando com inversão de onda T. Cerca de após uma semana do evento, observa-se a permanência da onda Q, a qual não irá desaparecer, configurando uma “cicatriz eletrocardiográfica” da necrose, e da onda T invertida, a qual pode desaparecer após alguns meses. Ainda falando sobre o ECG no caso de IAMSST, o supradesnivelamento de ST pode ser caracterizado pela elevação do ponto J em ao menos 1 mm em derivações contíguas (derivações sequenciais). A exceção a essa regra são as derivações V2 e V3, cujo critério para a identificação de supra de ST é um pouco diferente. Nelas, o supradesnivelamento do segmento ST se dá por meio da elevação do segmento J acima de 1,5 mm para mulheres, e para homens esse valor aumenta para 2 mm, naqueles com mais de 40 anos, e para 2,5 mm para aqueles com menos de 40 anos. É importante frisar que a ocorrência de bloqueio de ramo esquerdo novo ou considerado novo deve ser caracterizado como supradesnivelamento do segmento ST. UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús Vale lembrar que o infarto sem supra de ST pode apresentar sinais eletrocardiográficos característicos do infarto subendocárdico, que são o infradesnivelamento do segmento ST e inversão de onda T, que sinalizam alterações elétricas decorrentes da isquemia subendocárdica. A angina instável pode ser definida como uma dor precordial prolongada de início súbito, durando mais de vinte minutos em repouso, bem como ser a evolução de um quadro de episódios recentes e recorrentes de dor torácica aos mínimos esforços, podendo também ser decorrente da piora de uma angina estável prévia. É importante que, além da identificação do supradesnivelamento de ST, saibamos também identificar a porção miocárdica acometida, de acordo com a derivação que apresenta o supra de ST. Identificada a derivação ou as derivações, passamos a observar os planos em que cada uma delas enxerga a atividade elétrica do coração, de modo que possamos inferir a região isquêmica. De um modo geral, a região inferior é registrada por DII, DIII e aVF; a região lateral, por DI, aVL, V5 e V6; e a anterior, pelas derivações de V1 a V4. Junto a isso, deve-se ter em mente a artéria responsável por irrigar cada um dos campos, a fim de traçar uma possível anatomia da lesão. Como guia, podem ser utilizadas a imagem e a tabela a seguir: É importante colocarmos aqui que a identificação de supra de ST em parede inferior requer derivações eletrocardiográficas auxiliares, uma vez que faz-se necessária a investigação dos campos relativos, principalmente, à coronária direita, responsável majoritária pela irrigação do ventrículo direito. Assim, adiciona-se ao exame as derivações V3R e V4R, cujas posições são as mesmas de V3 e V4, porém à direita. Também são inseridas as derivações posteriores, V7, V8 e V9, à esquerda, cuja indicação é a mesma, sendo que a inserção de cada uma dessas derivações auxiliares requer o registro na folha do exame, a fim de explicitar o que foi feito, evitando possíveis confusões. Além do eletrocardiograma, deve-se realizar um acesso venoso calibroso no paciente. Isso porque medicações necessitarão ser administradas e exames deverão ser colhidos. No momento de sua chegada, devem ser dosados os níveis séricos dos marcadores de necrose do miocárdio. O mais específico utilizado é a troponina, que consiste em um marcador biológico de lesão e de necrose miocárdica, tendo os seus níveis sanguíneos aumentados quando de um acometimento ao músculo cardíaco. Essa substância possui uma cinética quanto à sua elevação, sendo que o início do aumento é percebido no sangue após 3 horas do início da dor anginosa, com um pico atingido entre 18 e 24 horas, podendo persistir por até 10 dias em níveis elevados na corrente sanguínea do paciente. Diante disso, é importante que para refinar a busca, ao buscar pelos níveis de troponina no sangue, esses devem ser explicitamente quantitativos e não categóricos, de modo que o valor possa ser avaliado, sendo considerado indicativo de infarto quando esse estiver acima do percentil 99. Ou seja, quando comparado com uma população sem patologias relacionadas ao IAM, 99% dessa população apresentará níveis de troponina menores que o os que são evidenciados pelos pacientes com infarto. Justamente por isso, é importante que a mensuração da troponina seja realizada juntamente com uma clínica sugestiva ou característica de doença isquêmica miocárdica, dado que às vezes essa dosagem pode vir dentro de valores limítrofes, os quais podem ser confundidos com os diagnósticos diferenciais para a elevação da troponina. Insuficiência cardíaca, doença real crônica, taquiarritmias, miocardites, tromboembolismo pulmonar, sepse e dissecção de aorta são patologias que também que podem levar ao aumento dos níveis de troponina. No cenário de níveis de troponina duvidosos, bem como nos quais o paciente chega antes de três horas do início do quadro, pode-se realizar a dosagem seriada de troponina, ou simplesmente o que se chama de colher a troponina em tempo hábil. Diante disso, deve-se colher a dosagem de troponina do paciente a cada uma ou duas horas, observando a curva da concentração dessa proteína. A elevação da dosagem maior do que 20% do valor inicialmente colhido é altamente sugestiva de infarto, indicando o chamado valor em crescente, configurando quadro compatível com a síndrome coronariana aguda. Outra possibilidade consiste no padrão de elevação do tipo platô, o qual é caracterizado por um aumento menor do que 20% do inicial quando da segunda coleta de troponina, o qual está relacionado aos diagnósticos diferenciais que podem cursar com elevação dos níveis séricos de troponina. DIAGNÓSTICO O diagnóstico da Síndrome Coronariana Aguda é feito diante de um cenário clínico compatível. As suas subdivisões, incluem os infartos com e sem supra e a angina instável. Logo, para o diagnóstico é fundamental que esses três sejam diferenciados, dado que o prognóstico e a gravidade de cada um desses diferem. O IAM é definido pela presença de lesão miocárdica, a qual é evidenciada por níveis séricos de troponina acima do percentil 99, acompanhada de isquemia miocárdica aguda, e é caracterizada pela presença de ao menos um dos UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús seguintes fatores: sintomas característicos de isquemia (angina ou equivalente isquêmico), alterações eletrocardiográficas típicas (supra ou infra de ST, inversão de onda T ou onda Q patológica), alteração de imagem, como ecocardiograma ou ressonância magnética, revelando área hipocinética (diminuição da mobilidade segmentar) nova ou cateterismo cardíaco com evidência de trombose coronariana. Ainda pode ser utilizado como critério o achado de trombo coronário quando da realização da autópsia. O diagnóstico do IAMSST é, aliado à clínica compatível, eminentemente eletrocardiográfico, não necessitando que seja aguardada a dosagem sérica da troponina, uma vez que essa pode demorar a se elevar. Sendo assim, a presença do supradesnivelamento do segmento ST é suficiente para que o paciente seja elencado como de tratamento urgente. Diagnósticos diferenciais quanto ao supra de ST: Pericardite aguda (supra difuso + infra de PR + complexos de baixa voltagem); sobrecargas do venticulo esquerdo (sinal de Sokolov + padrão de Strain + desvio do eixo cardíaco para esquerda e p cima); bloqueio de ramo esquerdo (não considerado novo – QRS largo (>120 ms) + QRS negativo em V1); repolarização precoce (paiente com menos de 50 anos sem + st/t<0,25 + ausência de imagem elétrica espelhada + ausência de evolução temporal); dissecção aguda da aorta – com dissecção de óstio coronariano (assimetria de pulso e de PA + sopro diastólico aspirativo (insuficiência aórtica) + déficit neurológico agudo) Dada a heterogeneidade dos grupos que se enquadram em síndromes isquêmicas sem supra de ST (IAM sem supra e angina instável), faz-se necessária a estratificação de risco desses pacientes, a qual pode ser realizada principalmente pelos escores TIMI, que pontuará o paciente de acordo com os seus critérios, classificando-o como de risco baixo (0 a 2 pontos), intermediário (3 a 4 pontos) e alto (5 a 7 pontos). Pode também ser utilizado o score de GRACE, o qual é mais complexo, pontuando em mais quesitos e de forma mais refinada. Os pontos atribuídos ao paciente o classificação em faixas de risco que influenciarão quanto ao tratamento do paciente, sendo baixo risco (menor do que 108 pontos), médio risco (109 a 140 pontos) e alto risco (maior ou igual a 141 pontos). Uma vez realizada essas medidas gerais, deve-se ter em mente os principais passos a serem seguidos diante de um paciente com dor torácica com clínica sugestiva de Síndrome Coronariana TRATAMENTO DA SÍNDROME CORONARIANA AGUDA COM SUPRA DE ST A identificação de um IAMSST requer, como necessidade urgente, a terapia de reperfusão, caso os sintomas tenham começado a menos de 12 horas. É importante que a decisão seja tomada rapidamente, a fim de evitar a progressão da isquemia miocárdica. A reperfusão miocárdica pode ser feita por meio do procedimento percutâneo, via cateterismo, ou por via farmacológica, fazendo o uso de fibrinolíticos. E para decidir entre essas duas opções da melhor forma possível, deve-se ter em mente o conceito de tempo porta-balão. O tempo porta-balão consiste no tempo da entrada do paciente no serviço até o balonamento via cateter da artéria coronariana. Caso o paciente consiga ser encaminhado para a sala de hemodinâmica do hospital para realizar o cateterismo em até 90 minutos após a sua chegada no serviço de emergência, deve-se optar pela realização da angioplastia primária. Caso o hospital em questão não possua serviço de hemodinâmica, mas o paciente pode ser transferido para um outro centro de saúde que o tenha, deve-se optar pela angioplastia no caso de o tempo porta-balão para esse paciente, incluindo a sua transferência para o serviço especializado, for de até 120 minutos. Caso não haja a possibilidade de cumprir com esses intervalos temporais, é recomendada a terapia fibrinolítica para o paciente, devendo UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús ser seguida a consideração de transferência em um período de 3 a 24 horas para um centro com serviço de hemodinâmica. A angioplastia primária traz consigo menores índices de mortalidade, reinfarto e AVC. É a melhor opção para aqueles que cumprem os critérios quanto ao tempo porta-balão, bem como para aqueles que sofreram choque cardiogênico, independentemente de critérios temporais. O procedimento consiste na inserção de um cateter por meio de uma entrada arterial. Guia-se o dispositivo até o ponto coronariano acometido, infla-se um balão, a fim de desobstruir a artéria, e firma-se a abertura do vaso com um stent, que impede a retração elástica do vaso pós-balonamento. Stents são basicamente malhas metálicas que são inseridas na luz arterial e que permitem a patência do vaso. Primeiramente, o fio guia coronariano avança para além da placa aterosclerótica que obstrui o fluxo coronariano - > Passa-se um cateter de duplo lúmen sobre o fio guia. Esse balão é inflado, de modo a comprimir a placa e desobstruir a artéria -> Um cateter balão contendo o stent é colocado na região previamente dilatada -> Infla-se o balão, de modo a instalar o stent -> Uma vez instalado o stent, o cateter e o fio guia são removido. Para acessar a rede arterial do paciente, existem as opções de entrada pela artéria femoral ou pela artéria radial. Esse último é considerado prioritário, uma vez que está relacionado a menores índices de sangramento local e, por consequência, a menor tempo de procedimento. Ele é preconizado para ambos os tipos de IAM, sendo associado à redução dos índices de eventos adversos em até 30 dias, uma vez que há a diminuição do número de mortes e de sangramentos mais graves. Para a colocação do stent, existem opções quanto ao tipo farmacológico e não farmacológico. O stent farmacológico é recoberto por drogas anti-proliferativas, como paclitaxel, reduzindo a possibilidade de proliferação endotelial no interior do stent, de modo a reduzir as taxas de reestenose (nova aterosclerose no interior do stent) e, por consequência, diminui a necessidade de novas intervenções posteriores. Porém, essa classe está associada ao aumento do risco de trombose, principalmente quanto aos stents farmacológicos de primeira geração. Por outro lado, o stent convencional tem como benefício a diminuição do tempo requerido de anti-agregação plaquetária, dado que o risco de trombose é menor. Logo, deve- se avaliar a condição do paciente, seu prognóstico e sua história prévia para, dentro das possibilidades, escolher entre o melhor stent para ele. Apesar dessas características, ressalta- se que em termos de mortalidade, ambos os dispositivos são equivalentes. Stents farmacológicos de cromo e de cobalto possuem maior segurança e eficácia, apresentando redução quanto aos índices de mortes por causas cardiovasculares, IAM e trombose quando comparados com os puramente metálicos. Quando da realização do cateterismo, ao se localizar lesões arteriais além daquela relacionada à artéria culpada pelo evento, essas também podem ser reparadas, caso o paciente esteja estável hemodinamicamente, podendo também as lesões acessórias serem corrigidas futuramente. A aspiração do trombo não possui efeitos significantes quanto ao risco de morte por causas cardiovasculares, IAM ou insuficiência cardíaca severa dentro de 180 dias quando comparada à angioplastia convencional. Junto a isso, ensaios clínicos demonstraram que o uso dessa técnica aumentou o risco de AVC dentro de 30 dias nos pacientes que a ela são submetidos. Nos casos em que não seja possível cumprir os requisitos do tempo porta-balão, deve-se proceder com a terapia fibrinolítica. O ideal é que o tempo de chegada até a punção venosa para iniciar o tratamento (tempo porta-agulha) seja menor do que 30 minutos, sendo o ideal em até 10 minutos. Reiterando a necessidade de urgência do tratamento, o benefício é maior quando a terapia tem o seu início em até 2 horas a partir do início do quadro (quanto mais precoce, melhor), uma vez que com o passar do tempo, a organização do trombo, bem como a sua firmação, reduz a capacidade do agente fibrinolítico de dissolver esse trombo. A fibrinólise pode ser feita com o uso da streptoquinase (SK), administrando-se 1,5 milhões de UI entre 30 e 60 minutos. Ela possui efeitos colaterais alérgicos, como urticária e hipotensão e, além disso, ela já não é mais tão utilizada. O tratamento é feito majoritariamente com os novos fibrinolíticos, que apresentam melhores resultados, dado que são fibrinoespecíficos. Um deles é a alteplase (Tpa), de modo que o tratamento dura uma hora e meia. Pode-se utilizar também a tenecteplase (TNK), Uma vez que a TNK não precisa de uma dose de manutenção, tem - se que a sua administração é mais fácil. Isso é relevante na medida em que for possível realizar a fibrinólise no meio extra-hospitalar, como ocorre em alguns países da Europa, em que, diante da presença de um supra de ST, no próprio transporte de emergência é administrado o fibrinolítico durante o caminho até o hospital. Diante dos melhores resultados, é recomendado que sejamutilizados os fibrinolíticos fibrinoespecíficos. Ou seja: preconiza-se o uso de tPA e de TNK. Devemos nos atentar para as contraindicações quanto à terapia fibrinolítica, as quais possuem enfoque principalmente no tocante a AVCs hemorrágicos. As contraindicações absolutas e relativas são listadas na tabela a seguir: Uma vez realizada uma das terapias fibrinolíticas, deve-se ficar atento para o aparecimento dos Critérios de Reperfusão entre 60 a 90 minutos após o tratamento. O primeiro critério é eletrocardiográfico, consistindo na redução de, pelo menos, 30 a 50% do supra de ST, devendo ter como referência a derivação que apresentava a maior elevação do segmento ST. O segundo critério é sintomático e consiste na melhora da dor referida pelo paciente. Em caso positivo, adota- se a estratégia farmacoinvasiva, na qual, após a fibrinólise, o paciente deve ser encaminhado para o cateterismo dentre 2 a 24 horas, uma vez que se sabe que o fibrinolítico pode não ser capaz de desobstruir completamente a artéria do paciente, de modo que esse necessitará de uma angioplastia. Nos casos em que não forem satisfeitos os critérios de reperfusão, o paciente UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús é classificado como urgente, devendo ser submetido a uma angioplastia de resgate. É importante lembrar que, nos casos em que o paciente não responder à terapia fibrinolítica, essa NÃO deve ser repetida em hipótese alguma, dado o alto risco de sangramento. Ou seja: o tratamento fibrinolítico não funcionou? O paciente DEVE ir para o serviço de hemodinâmica o quanto antes. Um possível achado eletrocardiográfico quando da reperfusão miocárdica pós-fibrinólise é o ritmo idioventricular acelerado (RIVA), que consiste na observação de um complexo QRS largo, com frequência mais alta do que a observada nos escapes ventriculares e menor do que a que ocorre nos casos de taquicardia ventricular. A sua identificação é um indicativo de possível sucesso da terapia fibrinolítica, sendo transitório. Assim, não fazem-se necessárias intervenções para reverter a situação do achado (nem cardioversão e nem amiodarona), uma vez que esse sinal desaparecerá em alguns minutos, sem repercussões hemodinâmicas para o paciente. Junto a todo esse tratamento de reperfusão, como medida inicial, a dor anginosa deve ser tratada, a fim de diminuir o tônus simpático, o qual é capaz de gerar mais estresse ao coração que já está acometido. Para isso, administra-se dinitrato de isossorbida sublingual (Isordil) para alívio do desconforto isquêmico, uma vez que esse fármaco atuará proporcionando a dilatação dos vasos coronarianos, de modo a dar certo alívio à dor causada pela isquemia. Pode-se utilizar também a nitroglicerina, por via endovenosa em bomba de infusão contínua. Junto a isso, deve ser administrada morfina como analgésico para controle adicional da dor, via endovenosa, podendo ser junto a todo esse tratamento de reperfusão, como medida inicial, a dor anginosa deve ser tratada, a fim de diminuir o tônus simpático, o qual é capaz de gerar mais estresse ao coração que já está acometido. Os nitratos são contraindicados nos casos em que o paciente apresentar hipotensão, infarto de ventrículo direito e quando esse faz uso de inibidores de fosfodiesterase, como sildenafila e tadafila, nas últimas 48 horas. Cuidado para não se confundir com os nomes! Não se deve utilizar o nitroprussiato de sódio, uma vez que ele causa uma vasodilatação difusa, que pode causar o fenômeno chamado de “roubo de fluxo” por meio da dilatação de vasos arteriais que não precisariam ser dilatados, não priorizando as regiões acometidas. A morfina NÃO deve ser utilizada nos casos de IAMSST relacionados ao ventrículo direito, uma vez que a hipotensão que esse fármaco pode gerar acabaria por colapsar a ação do coração direito, o qual depende de volume (retorno venoso) para o seu funcionamento, podendo levar o paciente ao choque cardiogênico, dada a hipotensão profunda. Além disso, deve-se atentar para o uso de inibidores de P2Y12, uma vez que ela pode reduzir os efeitos desses fármacos em alguns pacientes. Além da terapia de reperfusão, os pacientes com IAMSST requerem também terapias adicionais que auxiliam na abertura das artérias. Para isso, são prescritos antiagregantes plaquetários, cujo objetivo consiste na diminuição da formação do trombo branco, bem como na diminuição do risco de trombose no stent. Administra-se, portanto, ácido acetilsalicílico (AAS) pelo resto da vida do paciente. É importante que todos os pacientes com IAMSST façam o uso da aspirina, uma vez que ele possui significativo efeito quanto ao desfecho de morte. A única exceção ao uso de AAS consiste na presença de úlcera gástrica ativa e histórico de reação anafilática prévia quando do uso desse fármaco. Casos de alergia leve, como urticária, não contraindicam o seu uso, devendo ser prescrita medicação anti- histamínica para o controle de sintomas adversos. A dupla anti-agregação plaquetária é completada pelo uso de inibidores do receptor de P2Y12, cujo uso deve ser feito por um ano. Uma das opções de escolha é o clopidogrel. Caso o paciente tenha passado pela fibrinólise, a dose diminui pelo risco de sangramento. Porém, caso o paciente tenha mais de 75 anos, não se deve realizar a dose de ataque, pelo risco elevado de sangramento. Uma outra opção é o ticagrelor, que possui uma melhor estabilidade quanto fármaco em comparação com o clopidogrel, no tocante à anti-agregação plena. Porém, esse fármaco só deve ser utilizado nos casos em que o paciente foi submetido à angioplastia primária, não devendo ser utilizado nos casos após a terapia fibrinolítica. Tem-se ainda a opção do prasugrel (possui maior risco de sangramento intracraniano, sendo o seu uso contraindicado nos casos de AVC prévio), que, assim como o ticagrelor, só deve ser utilizado nos casos de angioplastia primária. Como opção de anti-agregantes plaquetários, pode-se fazer o uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa, cujo uso é mais restrito e infrequente. São administradas por via endovenosa, em bomba de infusão contínua. A prescrição dessas drogas é geralmente feita pelo próprio hemodinamicista, que irá indicar o uso nos casos de identificação de grande quantidade de trombos no cateterismo, ou ainda quando não há fluxo arterial coronariano, mesmo quando o balão é insuflado na coronária obliterada. Os fármacos geralmente utilizados nesses casos são o tirofibana e o abciximab. Vamos deixar bem claro que a terapia de anti- agregação plaquetária é geralmente dupla, sendo feita de preferência com AAS junto a um inibidor de P2Y12. Os inibidores da glicoproteína IIb/IIIa não devem ser a primeira escolha de uso. Junto a isso, deve ser feita a terapia anticoagulante, cujo objetivo é prevenir a formação do trombo vermelho, dissolvendo a trombina. O fármaco mais utilizado é a enoxaparina, que tem usos distintos a depender da terapia de reperfusão realizada, mas em ambos os casos a administração de ataque é feita por via endovenosa e a de manutenção, por via subcutânea. A terapia anticoagulante deve ser realizada por um período de até oito dias, até a alta do paciente, ou até a realização da angioplastia, o que ocorrer primeiro. A segunda opção de anticoagulante é a heparina não fracionada (HNF), que é mais complicada quanto à sua utilização, pois é administrada em bomba de infusão contínua. A HNF deve ser utilizada até a angioplastia ou por até 48 horas, o que ocorrer primeiro. Se o paciente passou por fibrinólise com SK, deve-se utilizar o fondaparinux como anticoagulante. O uso de oxigenoterapia só se mostra benéfico para pacientes cuja saturação se encontra abaixo de 90%, ou para aqueles cuja gasometria arterial acusou pressão parcial de oxigênio menor do que 60 mmHg.Betabloqueadores podem ser utilizados, possuindo benefício de médio a longo prazo, devendo ser iniciados em até 24 horas. Caso o paciente possua fração de ejeção do ventrículo direito reduzida (menor do que 40%), preconizam-se betabloqueadores com benefícios quanto à mortalidade, que são: carvedilol, bisoprolol e succinato de metoprolol. Esses fármacos são contraindicados nos casos de choque UC VIII - Cardiologia | Giovanna Caires da Crús cardiogênico, insuficiência cardíaca descompensada e bradiarritmias. É bem intuitivo pensar que no caso de um paciente com SCA chegar no pronto atendimento com taquicardia sinusal, que o ideal nessa situação seja o uso de betabloqueadores para abaixar a frequência cardíaca. Porém, deve-se lembrar que a taquicardia pode consistir em uma resposta fisiológica a alguma situação, dentre elas, o choque cardiogênico. Sendo assim, caso seja administrado um betabloqueador, pode ser que o paciente fique demasiadamente hipotenso, agravando mais ainda o seu quadro hemodinâmico. Por isso, é importante ter em mente que não há necessidade de uso imediato de betabloqueadores, podendo aguardar a estabilização do quadro para o início de sua administração, em até 24 horas. IECA (inibidores da enzima conversora da angiotensina) e de BRA (bloqueadores de receptores de angiotensina) também podem ser utilizados, sendo que, caso seja adequado, a terapia com esses fármacos deve ser iniciada em até 24 horas. Os pacientes que se beneficiam do uso dessa classe de drogas não aqueles com fração de ejeção do ventrículo esquerdo menor do que 40%, diabéticos ou hipertensos. Os antagonistas de aldosterona, como a espironolactona, devem ser utilizados quando já se faz o uso de IECA ou BRA junto com um betabloqueador, diante do cenário de fração de ejeção do ventrículo esquerdo me nor do que 40%, com apresentação de insuficiência cardíaca ou diabetes mellitus. Porém, esses fármacos não são utilizados no tratamento inicial, sendo avaliada a necessidade do seu uso em momentos oportunos. É importante o uso de estatinas de alta potência, dado o seu benefício de reduzir infartos, por meio da estabilização das placas ateromatosas.