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▪ ANATOMIA ▪ Órgão retroperitoneal localizado no epigástrio e hipocôndrio esquerdo ▪ Subdividido em cabeça, colo, corpo, cauda e processo uncinado ▪ Papilas duodenais: ▪ Maior: drenagem através do ducto pancreático principal (Wirsung), que se junta ao colédoco e a drenagem conjunta de secreções biliares e pancreáticas acontece na maioria dos casos através dessa papila ▪ Menor: drenagem do ducto pancreático acessório (Santorini) ▪ MÉTODOS DE IMAGEM ▪ Radiografia simples de abdome: ▪ Método muito limitado para a avaliação pancreática ▪ Potenciais utilidades: o Calcificações parenquimatosas - pancreatite crônica o Derrame pleural e alças sentinelas - pancreatite aguda ▪ Imagem 1: Formações arredondadas, múltiplas, discretas, localizadas em topografia do epigástrio ao nível da linha média e também em topografia paramediana esquerda ▪ Imagem 2: Extensas calcificações grosseiras que moldam todo parênquima pancreático, caso de pancreatite crônica ▪ Na pancreatite aguda podemos observar sinais de derrame pleural (radio simples AP) e as alças sentinelas (segmentos de alças intestinais e cólicas distendidos em virtude da presença de processo inflamatório adjacente) ▪ Alças sentinela: ▪ Distensão do colón transverso interrupção abrupta ao nível do ângulo esplênico- Sinal de Colon cut off sign ▪ Alças intestinais proximais que são anormalmente distendidas com conteúdo aéreo no andar superior do abdome ▪ Essas alças correspondem a áreas de redução do peristaltismo intestinal em virtude da presença de processos inflamatórios ou infecciosos adjacentes, chamado de alça sentinela ou de Ílio ▪ Ultrassonografia: ▪ Método limitado para a avaliação pancreática – sobreposição gasosa o Quando existe gás em grande quantidade no colón ou no estomago pode haver sobreposição em relação ao pâncreas que impede a visualização adequada parcial ou total o Ex: Não consegue ver a cauda pancreática ▪ Utilidades principais: ▪ - Colelitíase/coledocolitíase o Ducto colédoco, artéria hepática (cortada transversalmente), veia porta, parte da cabeça pancreática (em cinza junto a extremidade distal do ducto colédoco) o Imagem hiperecoica que condiciona sombra acústica corresponde a coledocolitíase ▪ OBS: US é limitada na avaliação da porção distal do ducto colédoco, mas ocasionalmente é possível identificar anormalidades ▪ A partir da identificação de lesões sólidas ou císticas deve- se prosseguir a propedêutica imaginológica (TC ou RM) ▪ - Dilatação de vias biliares e do ducto pancreático principal ▪ Imagem1- seta: cisto no colo pancreático ▪ Posteriormente ao pâncreas, tem a veia esplênica e a confluência dela com a mesentérica superior formando a veia port ▪ Aorta (redonda maior em preto) e mesentérica sup (redonda acima da aorta) em corte transversal ▪ Imagem 2- na topografia do corpo/cauda tem uma grande lesão solida hipoecoica bem delimitada ▪ Aspectos que segurem benignidade deve acompanhar e aspectos de malignidade potencialmente irá ocorrer cirurgia ▪ Tomografia computadorizada – quase sempre com contraste endovenoso: o TC e RM são métodos complementares na avaliação de lesões focais do pâncreas ▪ Exame de escolha para avaliação de complicações de pancreatite aguda ▪ Exame de escolha para avaliação de vasos sanguíneos adjacentes ao pâncreas em pacientes em pré-operatório de tumores pancreáticos o Paciente com tumor de pâncreas e precisa avaliar se é ressecável ou não na cirurgia (avalia o acometimento de vasos sanguíneos) ▪ Muito útil para avaliação de outros órgãos abdominal em contexto oncológico ▪ Limitado para avaliação de lesões císticas ▪ Paciente cursando com pancreatite aguda evolui com grande necrose do pâncreas e dentro da área de necrose apareceram pequenos focos de gás sugerindo a presença de infecção ▪ Lesão expansiva na cabeça pancreática que está acometendo o tronco celíaco, algo que faz com que nesse momento, ela se torne irressecável ▪ Pequena formação hipodensa homogênea e arredondada na cauda do pâncreas ▪ OBS: Limitação na avaliação de lesões císticas pequenas- Grande vantagem da ressonância !! (consegue identificar lesões císticas reduzidas) ▪ Ressonância magnética – quase sempre com contraste endovenoso: ▪ Maior contraste e resolução de partes moles ▪ Melhor exame para avaliação de lesões focais (lesões expansivas pancreáticas), especialmente císticas ▪ Melhor método para avaliação dos ductos pancreáticos ▪ Método de escolha para avaliação de coledocolitíase ▪ Exame demorado e necessita de grande cooperação do paciente ▪ Ex 1. Lesão cística na cauda do pâncreas, junto do hilo esplênico, com discretas formações alongadas hipoatenuantes e uma área hipoatenuante central mais bem definida que correspondem a septações e a uma cicatriz central (maior sensibilidade na RM) ▪ Ex 2. Série de lesões císticas confluentes que estão em delimitação com esse ducto pancreático principal. Típico do tumor de Neoplasia Mucinosa Intraductal ▪ Ex. 3- Avaliação de coledocolitíase. Observe cálculos no interior da via biliar como imagens hipointensas em T2, nesse caso ducto colédoco com múltiplas formações hipointensas arredondadas que correspondem a vários cálculos ▪ ALTERAÇÕES CONGÊNITAS ▪ Anatomia normal: ductos pancreáticos dorsais se fundem com os ductos pancreáticos ventrais e através do ducto de Wirsung ocorre a drenagem da maior parte das secreções na papila duodenal maior. A menor parte das secreções drena na papila duodenal menor através do ducto de Santorini ▪ Pâncreas divisum: não vai haver essa fusão entre os ductos dorsais e ventrais. De forma que a drenagem de secreções pancreáticas vai se fazer de forma separada ▪ Ausência de fusão das porções dorsal e ventral do ducto pancreático ▪ Região dorsal drena para a papila menor (ducto de Santorini) ▪ Região ventral drena para a papila maior (ducto de Wirsung) ▪ Ocorre em até 14% da população ▪ Pode estar associado a pancreatite aguda, inclusive de forma recorrente ▪ Pode utilizar a TC e os melhores métodos que são a RM e a CPRE (colangiopancreatografia retrógrada) ▪ Colangioressonância: ducto dorsal drenando através do ducto de Santorini na luz duodenal (acima), ducto da região ventral (abaixo desse) drenando para papila duodenal maior, ducto colédoco e d.hepatico comum ▪ Pâncreas anular: ▪ Parte do pâncreas circunda parcialmente a segunda porção duodenal (pode circundar externamente fora da parede comprimindo a luz do duodeno ou pode circundar por dentro da parede) o Extramural: sintomas de obstrução alta do trato gastrointestinal - dificuldade de passagem do alimento do estômago e da primeira porção duodenal para a segunda porção, causa vômitos recorrentes o Intramural: sintomas relacionados a ulceração duodenal - Dor, náuseas, vômitos ▪ Diagnóstico: Radiografia simples e radiografia contrastada ▪ Raio X simples, em crianças, Sinal da dupla bolha: distensão do estomago com conteúdo gasoso e distensão da primeira porção duodenal ou bulbo duodenal com conteúdo gasoso também, portanto 2 bolhas o Dificuldade do transito gastrointestinal de progredir pelo arco duodenal, situação que não é exclusiva do pâncreas anular e pode acontecer na atresia duodenal (sem luz duodenal-caso da imagem) ▪ Utilização de bário que vai opacificar estomago e bulbo duodenal, demonstrando a redução acentuada do calibre em situações que o pâncreas anular cause sintomas. ▪ Logo após, a área de redução do calibre tem a luz duodenal patente (usual) ▪ Diagnóstico em assintomáticos através de TC ou RM ▪ Tecido pancreático circundando a segunda porção duodenal, também avalia se existem outras anomalias associadas,se há sinais de obstrução do TI alta ▪ OBS: Em crianças se utiliza radiografia contrastada pela facilidade e agilidade do diagnóstico, sem o uso de tanta radiação. Em adultos prefere-se TC ou RM ▪ LESÕES CÍSTICAS PANCREÁTICAS ▪ Lesões com conteúdo predominantemente líquido com comportamento que varia desde lesões benignas até lesões com potencial de malignidade o Pseudocisto (relacionado com pancreatite aguda) o Neoplasia cística mucinosa o Neoplasia cística serosa o Neoplasia mucinosa papilar intraductal ▪ A ressonância magnética é o método de escolha para caracterização de tais lesões o Melhor caracterização do componente cístico o Melhor caracterização das relações da lesão com os ductos pancreáticos ▪ Tomografia computadorizada pode ser útil para a identificação de calcificações ▪ PSEUDOCISTO: ▪ Coleção contendo enzimas pancreáticas, sangue e material necrótico ▪ Paciente acometidos têm história de pancreatite aguda ou trauma ▪ Podem ocorrer em qualquer parte do pâncreas ▪ Aspecto típico: coleções liquidas (anecoicas) unilocular sem componentes sólidos ou calcificações ▪ A densidade é variável, como nessa TC conteúdo está hiperdenso ▪ Pseudocistos ao longo de sua evolução podem permanecer no mesmo tamanho, aumentar ou reduzir de tamanho ▪ Possíveis complicações: seria a ruptura e a infecção ▪ Anecoica a US, hipodensa a TC e na RM esses líquidos, especialmente em baixa densidade são tipicamente hipointensos em T1 e hiperintensos em T2 ▪ Pseudocisto infectados ▪ Infecções: presença de gás e aumento de volume ▪ Os métodos de imagem isoladamente são limitados para o diagnóstico o Correlacionar com laboratorial, ocasionalmente pode pedir a punção do pseudocisto para coleta de liquido (avaliação da presença ou não de infecção) ▪ Aumento do volume da lesão em determinado intervalo de tempo ▪ Ex. 1- presença de gás no interior do pseudocisto, formação de nível liquido aéreo ▪ Ex. 2- Múltiplos focos de gás no interior do pseudocisto ▪ NEOPLASIA CÍSTICA MUCINOSA ▪ Potencialmente maligna (pode se transformar em adenocarcinoma do tipo mucinoso) ▪ Ocorre quase exclusivamente em mulheres de meia idade (40 a 50 anos), raríssimo em homens ▪ Maioria dos pacientes é sintomática: dor abdominal inespecífica no andar superior do abdome ▪ Aspecto típico: macrocística - hipoatenuante na TC - hipointensa em T1 ou hiperintensa em T2 na RM - Uma grande loja liquida ou poucas ▪ Septações grosseiras; calcificações periféricas (25%) ▪ Maioria (95%) localiza-se no corpo e na cauda ▪ Ex. 1- (ponta de seta branca) Formação cística hipodensa, arredondada com calcificações periféricas, localizada na cauda do pâncreas (prox medial esplênico) ▪ Ex. 2- RM formação arredondada hipointensa em T1, no interior tem estrias hiperintensas que correspondem a septações ▪ Ex. 3- Grande lesão hipodensa na TC, com conteúdo predominantemente cístico apresentando varias septações grosseiras que promove a formação de lojas de grandes dimensões + pequenas calcificações periféricas ▪ NEOPLASIA CÍSTICA SEROSA ▪ Benigna. Grandes tumores podem provocar sintomas, como dor abdominal inespecífica ou sintomas recorrentes de compressão de estruturas adjacentes ▪ Mais comum em mulheres (75%) com idade acima de 60 anos ▪ Têm aparência variada: o Microcísticos (45%) o Macrocísticos (32%) o Mistos (18%) o Sólidos (5%) ▪ Ex. 1- lesão arredondada de contorno lobulado, topografia na cabeça do pâncreas, hipodensa com múltiplas pequenas formações arredondadas (sugestivo de liquido), então com ASPECTO MICROCÍSTICO ▪ Ex. 2- Lesão hipodensa, arredondada com várias septações grosseiras, ASPECTO MACROCÍSTICO, topografia em corpo e cauda do pâncreas (observe que a lesão se estende ate junto ao hilo esplênico) ▪ OBS: apresentação macrocística é um problema diagnostico, porque é muito parecida com a neoplasia cística mucinosa ▪ Para se estabelecer diagnóstico de neoplasia cística serosa: - Não apresentam comunicação com os ductos pancreáticos (mais bem observado na RM) - Podem apresentar cicatriz central com ou sem calcificação ▪ Na TC anterior, formação hipodensa arredondada com septações talvez calcificadas, topografia cabeça e corpo do pâncreas, não tem detalhamento preciso do interior da lesão e não vê cicatriz central ▪ Já na RM (abaixo), lesão mais bem delimitada (um pouco lobulada), levemente hiperintensa, com varias formações arredondadas hiperintensas (aspecto microcistico). Na região central, área arredondada hiperintesa corresponde a cicatriz central (NEOPLASIA CÍSTICA SEROSA) ▪ NEOPLASIA MUCINOSA PAPILAR INTRADUCTAL ▪ Potencialmente maligna ▪ Tumores produtores de mucina no ducto pancreático principal ou em ductos menores ▪ Necessária comunicação dos tumores com os ductos – achado melhor avaliado à RM (CPRE pode ser muito útil também) ▪ Malignidade é maior nos tumores relacionados ao ducto principal ▪ Podem ser uni ou multifocais ▪ Incidência em homens e mulheres é semelhante (também acontece com pseudocistos) ▪ Acometem principalmente indivíduos entre 60 e 80 anos de idade ▪ Neoplasia mucinosa papilar intraductal- Ducto principal ▪ Dilatação segmentar ou difusa do ducto de Wirsung ▪ Preenchimento do ducto com material com características semelhantes às da água (mucina) ▪ Presença de nódulos sólidos deve levantar a suspeita de malignidade ▪ TC: hipodenso, homogêneo, baixa densidade. Ducto pancreático principal difusamente dilatado completo de material hipodenso ▪ RM: liquido de baixa densidade, hipointenso em T1 e em T2 hiperintensidade (como na imagem). Consegue ver melhor o caráter lobulado desse ducto pancreático principal ▪ OBS: Presença de nódulos sólidos, a suspeita de malignidade deve ser levantada. Ducto pancreático principal difusamente dilatado, na região da cauda área mais densa captando contraste e realçado que corresponde a área solida ▪ Neoplasia mucinosa papilar intraductal Ductos secundários ▪ Aspecto microcístico, sem cicatriz central ▪ Há comunicação com os ductos pancreáticos – RM Imagem de colangio-RM ▪ Múltiplas neoplasias císticas relacionadas aos ductos secundários, na maior tem septações, com aspecto microcistico ▪ LESÕES SÓLIDAS ➔ ADENOCARCINOMA DE PÂNCREAS ▪ Neoplasia maligna relativamente comum (5% dos cânceres) ▪ Corresponder a cerca de 85% dos cânceres pancreáticos ▪ Mais comum em homens entre 60 e 70 anos de idade ▪ No momento do diagnóstico a maioria (80%) dos tumores não é curável: - Invasão local - Lesões metastáticas ▪ Taxa de cura: 6% a 7% ▪ Maioria dos casos (75%) ocorre na cabeça pancreática o Tumores de corpo e cauda tendem a serem identificados mais tardiamente, pois sintomas demoram aparecer o Na cabeça sintomas acontecem mais rápido, pois obstruem a drenagem biliar e com isso, o paciente apresenta precocemente icterícia ▪ Ultrassonografia ▪ Método inicial para avaliação de icterícia não dolorosa (sem outros sinais ou sintomas associados) ▪ Aspecto típico: lesões hipoecoicas bem delimitadas ▪ Sinal do duplo ducto: obstrução do ducto colédoco e pancreático principal, lesão expansiva acaba obstruindo e causando dilatação do hepatocolédoco e do Wirsung ▪ Sensibilidade para detecção do câncer e estadiamento: 75% e 63% ▪ Ressecabilidade, que é a capacidade desse tumor ser retirado cirurgicamente de forma correta, somente em 63% das vezes ▪ Tomografia computadorizada e Ressonância magnética - Habitualmente a TC é o método de escolha para o estadiamento (extensão, presença ou não de metástase, invasões vasculares e de estruturas adjacentes provocadas pela expansão tumoral) - Lesão hipodensa e hipovascular mal definida - Cerca de 10% a 15% dos tumores podem serisodensos (menos de 2cm diagnóstico dificultado) - Outros métodos de imagem úteis: CPRE, US endoscópica ▪ Ex. 1- cabeça pancreática lesão hipodensa ▪ Sinais indiretos de lesões neoplásicas sólidas: o Sinal do ducto duplo o Atrofia da cauda pancreática ▪ Redução do volume do pâncreas com ou sem dilatação ductal associada (parte hipodensa central que seria o ducto pancreático principal dilatado) o Perda da aparência lobulada do parênquima pancreático ▪ Sinais de irressecabilidade: impossibilidade de retirada cirúrgica da lesão tumoral o Extensão tumoral para estômago, cólon, VCI ou aorta o Metástases hepáticas/peritoneais/linfonodos o Acometimento do tronco celíaco, artéria hepática ou artéria mesentérica superior ▪ Ex. 3- Lesões hipodensas em parênquima hepático, contornos levemente lobulados (metástase), essa lesão está encarcerando o tronco celíaco tornando-se irressecável ▪ Ex. 2- Lesão hipodensa em corpo e cauda do pâncreas, envolvendo a artéria mesentérica superior, o que torna iressecável