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Indaial – 2021 Desenho De MoDa Profª. Lais Estefani Hornburg 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2021 Elaboração: Profª. Lais Estefani Hornburg Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: H814d Hornburg, Lais Estefani Desenho de moda. / Lais Estefani Hornburg. – Indaial: UNIASSELVI, 2021. 286 p.; il. ISBN 978-65-5663-522-4 ISBN Digital 978-65-5663-523-1 1. Croqui. – Brasil. 2. Desenho de moda. – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 746.92 apresentação Caro acadêmico, seja bem-vindo ao Livro Didático da disciplina de Desenho de Moda, ao final dos seus estudos espera-se que você domine as técnicas de representação de desenhos de ilustrações de moda feminina, masculina e infantil. Na Unidade 1, abordaremos a evolução da representação da figura humana ao longo da história, as diferenças nas medidas de um croqui real para um croqui de moda, os materiais utilizados para fazê-los e como fazer o desenho de rosto e de corpo de uma figura de moda feminina. Em seguida, na Unidade 2, estudaremos sobre o desenho de ilustração de moda masculina, infantil e adolescente, considerando o corpo, as feições e as poses indicadas em diferentes idades. Por fim, na Unidade 3, aprenderemos sobre os desenhos de trajes e roupas femininas, masculinas e infantis. Além do caimento de tecidos, as representações de estampas, texturas, padrões, técnicas de pintura e acabamento. Bons estudos! Profª. Lais Estefani Hornburg Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen- tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! LEMBRETE suMário UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA ..................... 1 TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA .................... 3 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3 2 A EVOLUÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DA FIGURA HUMANA ............................................ 3 2.1 O DESENHO NA PRÉ-HISTÓRIA ............................................................................................... 4 2.2 O DESENHO EGÍPCIO .................................................................................................................. 4 2.3 A REPRESENTAÇÃO NA IDADE ANTIGA E MORDERNA ................................................. 5 2.4 O HOMEM VITRUVIANO............................................................................................................ 7 3 A REPRESENTAÇÃO DA FIGURA HUMANA EM CÂNONES ............................................... 8 3.1 AS PROPORÇÕES DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA ....................................................... 11 3.2 A ESQUEMATIZAÇÃO DA FIGURA DE MODA ................................................................... 14 4 OS MATERIAIS UTILIZADOS NO DESENHO DE MODA ................................................... 17 4.1 TIPOS DE PAPEL .......................................................................................................................... 17 4.2 GRAFITES/LÁPIS ........................................................................................................................ 19 4.2.1 Borrachas .............................................................................................................................. 20 4.3 LÁPIS DE COR .............................................................................................................................. 20 4.4 TINTA AQUARELA, GUACHE E ACRÍLICA ......................................................................... 22 4.4.1 Pincéis .................................................................................................................................... 23 4.5 NANQUIM .................................................................................................................................... 24 4.6 MARCADORES ............................................................................................................................ 25 4.7 GIZ PASTEL SECO ....................................................................................................................... 26 4.8 GIZ PASTEL OLEOSO ................................................................................................................. 26 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 28 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 29 TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA .................................................................................................................... 31 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 31 2 DESENHANDO OS ELEMENTOS DO ROSTO FEMININO .................................................. 31 2.1 O DESENHO DOS OLHOS E SOBRANCELHAS ................................................................... 32 2.2 O DESENHO DE BOCAS ............................................................................................................ 35 2.3 O DESENHO DO NARIZ ............................................................................................................ 39 2.4 O DESENHO DE DIFERENTES TIPOS DE CABELOS ........................................................... 41 3 O DESENHO FRONTAL DA CABEÇA FEMININA .................................................................. 45 3.1 OS DIFERENTES TIPOS/FORMAS DOS ROSTOS .................................................................. 48 4 O DESENHO EM ¾ DA CABEÇA FEMININA ...........................................................................49 5 O DESENHO EM PERFIL DA CABEÇA FEMININA ................................................................ 52 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 55 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 56 TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA .......... 59 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 59 2 DESENHANDO AS FORMAS BÁSICAS DA FIGURA HUMANA ....................................... 59 2.1 DESENHANDO PÉS .................................................................................................................... 59 2.1.1 Desenhando os pés com calçado ....................................................................................... 63 2.2 DESENHANDO PERNAS .......................................................................................................... 64 2.3 DESENHANDO MÃOS .............................................................................................................. 66 2.4 DESENHANDO BRAÇOS ........................................................................................................... 69 2.5 DESENHANDO A DEFINIÇÃO DO TRONCO FEMININO ................................................ 71 3 DESENHANDO O CROQUI DE MODA FEMININA COMPLETO ...................................... 74 3.1 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO FRONTAL ........................................................ 74 3.2 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO EM “S” .............................................................. 77 3.3 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO DE COSTAS ..................................................... 78 3.4 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO ¾ ....................................................................... 80 3.5 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO PERFIL.............................................................. 83 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 86 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 92 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 93 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 95 UNIDADE 2 —DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL ......... 97 TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA ................................................................... 99 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 99 2 AS DIFERENÇAS DO CROQUI DE MODA MASCULINA .................................................... 99 2.1 AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS DO CROQUI FEMININO E MASCULINO ...................... 99 2.2 AS FORMAS BÁSICAS DO CORPO MASCULINO E SUA MUSCULATURA ................ 101 2.2.1 O desenho das mãos e braços masculinos ..................................................................... 103 2.2.2 O desenho de pernas e pés masculinos .......................................................................... 106 3 DESENHANDO O CROQUI MASCULINO .............................................................................. 108 3.1 O CROQUI MASCULINO EM DIFERENTES POSIÇÕES.................................................... 111 4 DESENHANDO A CABEÇA DO CROQUI MASCULINO .................................................. 115 4.1 O MAPA FACIAL E PROPORÇÕES DO ROSTO FRONTAL NO CROQUI MASCULINO .............................................................................................................................. 115 4.2 COMO DESENHAR A VISTA ¾ DO ROSTO MASCULINO .............................................. 117 4.3 COMO DESENHAR A VISTA PERFIL DO ROSTO MASCULINO .................................... 119 4.4 CONFERINDO ATITUDE AO ROSTO MASCULINO ......................................................... 120 RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 125 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 126 TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL ....................................................................... 129 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 129 2 COMO DESENHAR CRIANÇAS DE DIFERENTES IDADES .............................................. 129 2.1 DESENHANDO OS ELEMENTOS DO CORPO DE CRIANÇAS ....................................... 130 2.2 DESENHANDO BEBÊS ............................................................................................................. 135 2.3 DESENHANDO CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS DE IDADE .................................................. 137 2.4 DESENHANDO CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS DE IDADE .................................................. 139 2.5 DESENHANDO CRIANÇAS DE 7 A 10 ANOS DE IDADE ................................................ 141 3 DESENHANDO A CABEÇA DO CROQUI INFANTIL ........................................................ 142 3.1 O MAPA DO ROSTO INFANTIL E SUAS PROPORÇÕES .................................................. 143 3.2 DESENHANDO A CABEÇA INFANTIL NA POSIÇÃO FRONTAL, PERFIL E ¾ ......... 146 RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 149 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 150 TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE ............................................................. 153 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 153 2 DESENHANDO CROQUIS DE MODA PRÉ-ADOLESCENTES .......................................... 153 2.1 DESENHANDO O CROQUI DE MODA PRÉ-ADOLESCENTE FEMININO .................. 154 2.2 DESENHANDO O CROQUI DE MODA PRÉ-ADOLESCENTE MASCULINO .............. 155 2.3 COMPARANDO O PRÉ-ADOLESCENTE MASCULINO E FEMININO .......................... 158 3 DESENHANDO CROQUIS DE MODA ADOLESCENTES ................................................... 159 3.1 DESENHANDO O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE FEMININO ........................... 159 3.2 DESENHANDO O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE MASCULINO ....................... 161 4 POSES E EXEMPLOS DE CROQUIS DE MODA ADOLESCENTES .................................. 163 LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 166 RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 172 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 173 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 175 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS ............................................................................................................. 177 TÓPICO 1 —TRAJES E DETALHES DOS TRAJES ..................................................................... 179 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................179 2 PANEJAMENTO .............................................................................................................................. 179 3 DESENHANDO ROUPAS FEMININAS .................................................................................... 182 3.1 DESENHANDO SAIAS E SEUS CAIMENTOS...................................................................... 182 3.2 DESENHANDO SHORTS E CALÇAS .................................................................................... 188 3.3 DESENHANDO BLUSAS, DECOTES E GOLAS ................................................................... 191 3.4 DESENHANDO JAQUETAS, BLAZERS E SOBRETUDOS ................................................. 196 3.5 DESENHANDO VESTIDOS CURTOS .................................................................................... 200 3.6 DESENHANDO VESTIDOS LONGOS ................................................................................... 203 3.7 DESENHANDO ACESSÓRIOS FEMININOS ........................................................................ 206 3.7.1 Desenhando cintos............................................................................................................. 206 3.7.2 Desenhando bolsas ............................................................................................................ 208 3.7.3 Desenhando joias ............................................................................................................... 210 3.7.4 Desenhando chapéus ........................................................................................................ 212 4 DESENHANDO ROUPAS MASCULINAS ................................................................................ 214 4.1 DESENHANDO CALÇAS MASCULINAS ............................................................................ 214 4.2 DESENHANDO CAMISAS E JAQUETAS MASCULINAS ................................................. 216 4.3 DESENHANDO TERNOS E BLAZERS ................................................................................... 220 4.4 DESENHANDO ACESSÓRIOS MASCULINOS .................................................................... 223 4.4.1 Desenhando lenços e gravatas ......................................................................................... 223 4.4.2 Desenhando óculos de sol ................................................................................................ 224 4.4.3 Desenhando chapéus e bonés .......................................................................................... 226 5 DESENHAHANDO ROUPAS INFANTIS .................................................................................. 228 5.1 DESENHANDO DETALHES DOS TRAJES INFANTIS ....................................................... 229 RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 235 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 236 TÓPICO 2 —DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES ........................................................... 239 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 239 2 TIPOS DE DESENHO DE ESTAMPA ......................................................................................... 239 2.1 ESTAMPA LOCALIZADA ....................................................................................................... 239 2.2 ESTAMPA CORRIDA ................................................................................................................ 240 3 DESENHOS DE ESTAMPAS ......................................................................................................... 242 3.1 REPRESENTANDO LISTRAS E XADREZES ......................................................................... 243 3.2 REPRESENTANDO ESTAMPAS FLORAIS ............................................................................ 245 3.3 REPRESENTANDO ESTAMPA ANIMAL PRINT ................................................................. 246 3.4 REPRESENTANDO ESTAMPA CAMUFLADA E GEOMÉTRICA ..................................... 247 4 TÉCNICAS DE PINTURA ............................................................................................................. 249 4.1 PINTURA COM LÁPIS DE COR .............................................................................................. 249 4.2 PINTURA COM MARCADOR ................................................................................................. 254 4.3 PINTURA COM AQUARELA .................................................................................................. 255 4.4 PINTURA COM GUACHE ....................................................................................................... 258 4.5 PINTURA COM GIZ PASTEL .................................................................................................. 260 RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 263 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 264 TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA .......................... 267 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 267 2 DESENHANDO TRICÔS E LÃS .................................................................................................. 267 2.1 DESENHANDO TRICÔS .......................................................................................................... 267 2.2 DESENHANDO LÃS ................................................................................................................. 269 3 REPRESENTANDO TECIDOS TRANSPARENTES .............................................................. 271 3.1 DESENHANDO RENDAS ........................................................................................................ 272 3.2 DESENHANDO TULE .............................................................................................................. 273 4 REPRESENTANDO PELES E OUTROS TECIDOS TEXTURIZADOS .............................. 275 LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 278 RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 283 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 284 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 286 1 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender a evolução do desenho da figura humana a partir da história; • identificar as características dos materiais utilizados para a realização de desenhos de moda; • entender os procedimentos e proporções para desenhar o rosto de uma ilustração de moda; • aprender o passo a passo para desenhar o croqui de moda completo nas posições frontal, em “S”, de costas, ¾ e perfil. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA TÓPICO 2 – DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA TÓPICO 3 – DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilitea concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 3 TÓPICO 1 — UNIDADE 1 A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos uma breve visão da história do desenho do corpo humano e como ele foi evoluindo com o decorrer dos acontecimentos, iniciando na Pré-História, em que se desenhava apenas esboços estilizados. Você perceberá que, com a evolução da humanidade, os desenhos também foram evoluindo, como no Egito, cujas ilustrações representavam seus deuses, mas que ainda não traziam a proporção correta do corpo. Depois de vermos as ilustrações do Egito, estudaremos a Idade Antiga e a Moderna, começaremos vendo a preocupação em desenhar o mais próximo de realidade. Para finalizarmos esse tópico, estudaremos o Homem Vitruviano, por Leonardo da Vinci, em que se começou a desenhar o corpo humano a partir de medidas comparativas. Na sequência, apresentaremos as diferenças de medidas de um corpo real para uma ilustração de moda, em que geralmente é mais comprido e esguio para a representação com mais detalhes nas peças de roupas e o caimento dos tecidos. Você estudará sobre as diferentes maneiras de iniciar um croqui a partir do desenho de linhas e formas geométricas, que facilita o processo criativo de criar poses a partir das articulações do corpo humano. Por último, serão mostrados materiais que podem ser utilizados para desenhar e pintar as ilustrações de moda, bem como suas características e finalidades. 2 A EVOLUÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DA FIGURA HUMANA Antes do desenho se tornar como ele é hoje, houve uma série de aprendizados que foram sendo adquiridos ao longo dos anos, por isso, neste momento, estudaremos a história da ilustração do corpo humano. UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 4 2.1 O DESENHO NA PRÉ-HISTÓRIA Os desenhos da figura humana são mais antigos do que imaginamos, as primeiras aparições datam da Pré-História, o que significa que o homem teve uma longa trajetória de aprendizado com os desenhos. O homem primitivo desenhava o corpo humano como uma forma de registrar a sua presença no tempo e seus traços eram estilizados. No Período Paleolítico, a representação do corpo era parecida com o que chamamos hoje de desenho João palito (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). A Figura 1 mostra um exemplo de como o ser humano era retratado na Pré-História, observe que os traços não tinham muita definição e apenas conseguimos identificar que possui braços, pernas, cabeça e tronco. FIGURA 1 – O DESENHO NA PRÉ-HISTÓRIA FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/prehistoric-art-wall-painting-neolithic- -cave-1017191893>. Acesso em: 23 mar. 2021. Na Pré-História, o homem desenhou os animais de forma muito mais realística do que a figura humana, possivelmente, pelos animais estarem mais associados à sobrevivência. Já na Era Neolítica, a representação da figura humana estava associada a rituais e crenças, por isso possuíam mais detalhes, mas eram distorcidas da realidade (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). 2.2 O DESENHO EGÍPCIO Com a evolução da existência humana, começou-se a acreditar em religião, espiritualidade, deuses etc. Logo a figura humana começou a ser representada pela sociedade egípcia como deuses imortais que simbolizavam a eternidade (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 5 Essas representações da figura humana eram realizadas simetricamente, com riqueza de detalhes, como joias e adornos, as formas eram estáticas, rígidas e formais, aplicando-se a lei da frontalidade, basta observar que as pernas e pés nunca estão de frente nos desenhos como na Figura 2 a seguir (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). FIGURA 2 – O DESENHO DA FIGURA HUMANA NO EGITO FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/temple-kom-ombo-agricultural-town- -egypt-1650121924>. Acesso em: 23 mar. 2021. É importante observar que essa forma de representação não é realística, pois o corpo humano não consegue ficar nessa posição, veja você mesmo testando fazer essa mesma pose da Figura 2 na frente do espelho. INTERESSA NTE 2.3 A REPRESENTAÇÃO NA IDADE ANTIGA E MORDERNA Na Idade Antiga, nos povos gregos e romanos, que são tidos como os mais evoluídos comparados a outras culturas, o homem e a mulher foram representados como deuses, principalmente em esculturas e cerâmicas, as formas eram mais realísticas, de acordo com o corpo humano (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). A figura 3 mostra um jarro da Idade Antiga que mostra a representação de homens e mulheres interagindo, com a inserção de objetos e acessórios. UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 6 FIGURA 3 – A REPRESENTAÇÃO DA FIGURA HUMANA POR GREGOS E ROMANOS FONTE: Konell, Odorizz e Kreisch (2016, p. 8) Perceba que a forma humana passa a ser representada tridimensionalmente, ganha movimentos onde são inseridos músculos e detalhes minuciosos da realidade (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). Já na Idade Moderna, as ilustrações começaram a apresentar personalidade, com expressiva percepção do claro e escuro que é o oposto do que vimos na arte primitiva (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). A Figura 4 mostra uma das obras de Michelangelo para exemplificar essa técnica. FIGURA 4 – O DESENHO DA FIGURA HUMANA NA IDADE MODERNA FONTE: <https://bit.ly/3vTiZAp>. Acesso em: 24 mar. 2021. TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 7 Nota-se que a figura humana é um fator importante da história, ora ela é uma representação estilizada ou representa deuses, ora é o retrato da realidade humana, bem como os seus comportamentos, a partir das poses e gestos utilizados nas obras (KONELL; ODORIZZ; KREISCH, 2016). 2.4 O HOMEM VITRUVIANO Com o passar do tempo, o homem começou a observar mais as diferenças dos corpos humanos e, a partir do ano de 1480, começaram-se pesquisas sobre suas proporções, para compreender a forma, o volume, a estrutura e os movimentos que o corpo exerce. Leonardo da Vinci (1452-1519) foi um artista renascentista que iniciou um destes estudos sobre a anatomia e fisiologia do corpo humano, porém seu livro intitulado Da figura humana nunca foi concluído. Em suas pesquisas, o artista comparou seus dados sobre as medidas do corpo humano com a teoria da antiguidade chamada o Homem de Vitrúvio, que dizia que um homem com as pernas e os braços abertos caberia dentro de um quadrado e um círculo perfeito e o umbigo corresponderia ao centro do corpo humano, que você pode observar na Figura 5 a seguir. FIGURA 5 – O HOMEM VITRÚVIO DE LEONARDO DA VINCI FONTE: <https://santhatela.com.br/wp-content/uploads/2018/02/da-vinci-homem-vitruviano-d. jpg>. Acesso em: 24 mar. 2021. UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 8 Da Vinci é considerado até hoje o renascentista que mais se dedicou ao estudo das proporções do corpo humano e por isso é um clássico da literatura na área. A partir dos estudos de Da Vinci, os desenhos começaram a seguir cânones com medições e proporções mais assertivas do que anteriormente. 3 A REPRESENTAÇÃO DA FIGURA HUMANA EM CÂNONES De acordo com Bryant (2012), os gregos antigos tinham por beleza o desenho nas proporções corretas, devido a isso, a figura clássica usava a cabeça como unidade de medida para determinar os pontos de referências de determinadas partes do corpo, a figura clássica ideal apresenta oito cabeças, como no exemplo da Figura 6 a seguir. FIGURA 6 – EXEMPLO DE UNIDADE DE MEDIDA EM CABEÇAS FONTE: Machado e Flores (2013, p. 269) O cânone clássico vem do greco-romano, que se constrói a partir de oito módulos (cabeças) de altura por dois de largura. Esse sistema de módulos ajuda a entender a anatomia do corpo e facilita a representaçãoda figura humana (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). A Figura 7 apresenta o cânone masculino e feminino para exemplificar. TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 9 Cânone é o nome utilizado para descrever o desenho do corpo humano a partir de fórmulas matemáticas estabelecidas em módulos para desenhar corretamente as proporções do corpo (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). NOTA FIGURA 7 – O CÂNONE DIVIDIDO EM MÓDULOS FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 34) A figura construída com oito módulos é a estrutura real do corpo humano, ou seja, é considerado seu esqueleto e sua estrutura muscular, mas a figura de moda não segue a estrutura normal, é, na verdade, uma versão mais alongada, a Figura 8 apresenta as diferenças da proporção de uma figura real para uma figura de moda, observe que nesse exemplo a figura de moda possui 9,5 cabeças de comprimento (ABLING, 2011). UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 10 FIGURA 8 – AS DIFERENÇAS ENTRE A FIGURA REAL E A DE MODA FONTE: Abling (2011, p. 9) O fato da figura de moda ser mais alongada que a figura real, segundo Abling (2011), não significa uma alteração positiva ou negativa do corpo humano, essa alteração é justificada pela quantidade de detalhamentos que exigem os desenhos de roupas e acessórios de moda e a figura alongada facilita a representação dos elementos necessários. TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 11 Comparada ao desenho clássico, a figura de moda ou croqui, não exige uma aproximação com a realidade, a proporção estilizada pode ser decidida pelo designer, desde que seja utilizada as técnicas de desenho em módulos para desenhar o corpo de uma forma equilibrada (BRYANT, 2012). 3.1 AS PROPORÇÕES DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA Segundo Fernández e Roig (2010), utilizar o cânone de oito cabeças (oito módulos) é interessante para estudos em geral, mas para o desenho de moda não é adequado, nas escolas de design de moda, trabalha-se com uma média de nove a dez cabeças, distribuídas principalmente nas pernas, isso faz com que lembrem o corpo das modelos nas passarelas. A Figura 9 mostra o sistema de divisão em módulos aplicado a uma figura feminina de 8,5 cabeças, podemos observar as coincidências anatômicas que nos podem ser úteis para desenhar. O primeiro módulo corresponde ao tamanho da cabeça, o segundo indica a posição dos seios e das axilas, o terceiro coincide com o umbigo e os cotovelos e o quarto indica a altura da pelve (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). O termo pelve trata da posição da virilha no croqui, é a cavidade no extremo inferior do tronco. NOTA FIGURA 9 – AS MEDIDAS DO CORPO FEMININO A PARTIR DE MÓDULOS FONTE: Fernández e Roing (2010, p. 35) UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 12 Para quem está começando do zero, uma boa maneira de começar uma figura de moda é usar um guia da nove cabeças, observando as referências verticais e as larguras em cada parte do corpo, com o tempo e habilidade, você poderá criar seu próprio tamanho e estilo de desenho, medindo e replicando em nove espaços iguais (BRYANT, 2012). Observe a Figura 10 com um exemplo de croqui de 9,5 cabeças e as posições de cada parte do corpo feminino. FIGURA 10 – A FIGURA DE MODA FEMININA COM 9,5 CABEÇAS Ombros 11/2 cabeça de largura @ 11/2 cabeça Parte de baixo do tórax Cintura 3/4 de cabeça de largura @ 3 cabeças Parte de cima do quadril Parte de baixo do quadril 11/2 cabeça de largura @ 4 cabeças Joelho @ 61/2 cabeças Calcanhar @ 9 cabeças Linha de Equilíbrio O desenho de moda não precisa ser um bicho de sete cabeças, uma maneira simples de entender a construção do corpo feminino é transformando-o em formas geométricas, o tronco pode ser dividido em dois e o tórax e o quadril podem ser representados por dois trapézios, como na Figura 11 a seguir (BRYANT, 2012). TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 13 FIGURA 11 – DESENHANDO O TRONCO COM FORMAS GEOMÉTRICAS FONTE: Bryant (2012, p. 37) Segundo Abling (2011), além das formas geométricas, a anatomia humana também pode ser representada em forma de esqueleto, espirais, gestos, cilindros, cones e músculos, a Figura 12 apresenta um exemplo destas seis técnicas de desenho para interpretação de poses. FIGURA 12 – FORMAS DE DESENHAR A ANOTOMIA DO CORPO UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 14 FONTE: Abling (2011, p. 10) Muitas pessoas, ao desenhar o corpo humano, desistem na primeira forma desenhada no papel, isso se deve a termos um pré-julgamento do resultado antes mesmo de ele estar completo, é importante sempre considerar que bons desenhistas também começaram fazendo esboços até melhorar suas técnicas e se tornarem grandes nomes da arte. Assista ao vídeo Desenhando croqui de moda frente e costas: nove cabeças, disponível no canal do YouTube Universo da Vitoria para entender ainda melhor sobre como desenhar os croquis femininos. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=ciI6CsrdoDw>. Acesso em: 23 mar. 2021. DICAS 3.2 A ESQUEMATIZAÇÃO DA FIGURA DE MODA A esquematização de uma figura de moda nada mais é do que um esboço de linhas e formas que podem te ajudar a iniciar um desenho de poses de forma simples e resumida, fazer a esquematização ajuda a descomplicar a tarefa de desenhar um corpo humano (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 15 Montar essa esquematização faz com que você, como ilustrador, pare de se fixar em detalhes e ver a figura humana com um conjunto articulado, pensando no movimento dos membros e as relações de proporções (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). “A figura pode ser constituída como se fosse de arame. O tronco e os membros aparecem definidos com linhas curvas, que se modificam à medida que a postura do corpo se altera” (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010, p. 37). A Figura 13 exemplifica como são feitos os desenhos esquematizados. FIGURA 13 – ESQUEMATIZAÇÃO DA FIGURA HUMANA FONTE: Fernández e Roing (2010, p. 37) Segundo Abling (2011), o importante na esquematização é sempre começar pela cabeça, depois desenhar o tronco e, na sequência, o ilustrador pode decidir se prefere desenhar primeiro os braços ou as pernas. Vale lembrar de tirar o medo do papel e fazer vários desenhos até começar a atingir um resultado satisfatório. Os esboços também já podem trazer um certo volume, colocando algumas formas com traços rápidos. A Figura 14 apresenta um exemplo do desenvolvimento de um croqui com essa técnica. FIGURA 14 – O PASSO A PASSO PARA DESENHAR UMA ESQUEMATIZAÇÃO FONTE: Abling (2011, p. 72) UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 16 Outra estratégia é montar a esquematização da figura utilizando formas geométricas simples, como cilindros, esferas, trapézios, ovais e triângulos. Assim, você começará a ver formas e, se quiser, pode inserir luz e sombra e, então, também terás volume, como nos exemplos da Figura 15 (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). FIGURA 15 – A FIGURA HUMANA COM FORMAS GEOMÉTRICAS SIMPLES FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 37) Sabemos que desenhar a figura humana pela primeira vez pode ser difícil quando não se sabe por onde começar, pode parecer clichê, mas essa é uma habilidade que se conquista com a prática, seguindo o processo de desenho em módulos, com o tempo, você adquirirá experiência e poderá criar suas próprias poses de forma independente. Como citado anteriormente, a figura de moda pode ser desenhada com nove a dez cabeças. Para escolher o tamanho ideal para o seu projeto, segundo Bryant (2012), é preciso considerar como o ilustrador quer montar o seu portfólio, o interessante é sempre manter um formato de papel padrão, por exemplo, o A3 ou o A4, para que todas as ilustrações fiquem com o mesmo tamanho. TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 17 4 OS MATERIAIS UTILIZADOSNO DESENHO DE MODA De acordo com Fernández e Roig (2010), ter conhecimento sobre os materiais de desenho facilita a interpretação de uma criação, pois o ilustrador poderá reproduzir ainda melhor as texturas, tecidos etc., conferindo à ilustração uma energia complementar, além de transmitir melhor a ideia para os clientes. Acadêmico, neste tópico, você aprenderá sobre os tipos de material que podem ser utilizados para ilustrar uma figura de moda, pois, conforme Morris (2007), existe uma enorme gama de opções de materiais no mercado e entrar em uma papelaria é praticamente como entrar em uma loja de doces, tudo parece tentador e é difícil escolher, o mais sensato a fazer é, primeiramente, definir quais os materiais que se encaixam com o seu método de trabalho pessoal. De acordo com Stipelman (2015), uma folha e um lápis são tudo o que você precisa para começar um desenho e nenhum material justifica um trabalho ruim. Nem todos os artistas conseguem manusear todos os tipos de materiais, alguns têm um toque mais pesado e gostam de trabalhar com algo que possam pressionar, outros que possuem um toque mais leve, funcionam melhor com materiais delicados e lápis finos, você precisará descobrir quais são os seus materiais favoritos. Existem artistas que se dão melhor manipulando aquarelas e outros que preferem marcadores. A coisa mais importante é você estar se sentindo bem com o material que escolheu trabalhar. No entanto, às vezes, algum material já experimentado no passado, sem sucesso, pode funcionar bem em outro momento da vida, por isso, nunca descarte as possibilidades (STIPELMAN, 2015). 4.1 TIPOS DE PAPEL O papel é o primeiro material a ser levado em conta na hora fazer uma ilustração, conforme Calderón (2019), existem muitas variáveis dos tipos de papel, como peso, gramatura, textura, granulação, volume, cores, papel avulso, cartões ou em blocos. A escolha do tipo de papel ideal depende de qual técnica você vai utilizar na pintura, o orçamento disponível e a sua preferência pessoal. A quantidade de papéis é maravilhosa e ao mesmo tempo assustadora, por isso é importante ler as embalagens cuidadosamente antes de escolher o papel mais adequado ao seu projeto (ABLING, 2011). Segundo Stipelman (2015), o papel pode servir a muitas necessidades, desde as variedades mais baratas para esboçar ideias até as mais caras para fazer um trabalho mais elaborado, o papel para desenho vem em diversos tamanhos como A0, A1, A2, A,3 e A4, embora os mais utilizados na área de moda sejam o A3 e o A4. Os vários tipos de papel incluem: UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 18 • O papel sulfite é uma opção maravilhosa para desenhar esboços e gerar ideias, pois normalmente ele é mais barato que o papel manteiga. Em geral, é um papel branco e de qualidade aceitável, é possível comprar resmas com muitas folhas e aceita bem lápis e marcadores (STIPELMAN, 2015). • O papel manteiga é fino, semiopaco e translúcido, permitindo que seja utilizado para fazer cópias de desenhos para outras folhas (MORRIS, 2007). Segundo Stipelman (2015), também é continuamente utilizada para proteger uma arte finalizada. • O papel vegetal e o acetato são transparentes e mais grossos que o papel manteiga, é interessante utilizar esses materiais para imprimir e sobrepor, criando resultados interessantes (MORRIS, 2007). • O papel couchê é brilhante e mais pesado, com uma superfície bem macia, pode ser usado para montagens com papel vegetal e outros tipos de trabalhos artísticos (STIPELMAN, 2015). • O papel para aquarela, é oferecido em diferentes gramaturas e texturas, esse tipo de papel precisa absorver bem líquidos e materiais úmidos, caso o contrário a folha irá rasgar em quanto você estiver fazendo a pintura. Pode ser vendido tanto em folhas quanto em blocos e os preços variam bastante, os mais baratos funcionam bem para iniciantes e os mais caros podem ser usados dos dois lados por terem mais gramatura, inclusive alguns possuem texturas diferentes em cada um dos lados, para você escolher o que mais lhe agradar (STIPELMAN, 2015). • O papel jornal possui uma qualidade bem inferior, pois é bem fino e possui uma cor amarelada, mas pode ser utilizado para fazer esboços e colagens, por exemplo (STIPELMAN, 2015). Existem ainda mais opções de papel, como o papel de seda, cartão, papéis coloridos, papel de embrulho ou presente, papel canson, papel color plus, entre tantos outros, mas o mais importante é você sempre comprar algumas folhas e testar como se comportam com os materiais que pretende utilizar e ver se gosta do resultado que apresentam (MORRIS, 2007). Assista ao vídeo Papel para desenho profissional: primeiro rabisco, se ainda tiver dúvidas sobre os tipos de papéis que podem ser utilizados em ilustrações. Disponível no canal do YouTube Marina Viabone. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=0IYRZ7gcOOA>. Acesso em: 23 mar. 2021. DICAS TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 19 4.2 GRAFITES/LÁPIS Agora, vamos aos lápis grafites, que são o instrumento mais imediato e acessível para começar um desenho, são minas de grafite cobertos de madeira, é fácil de apagar, possui um traço nítido e não exige muita manutenção, apenas afiar a ponta (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Crescemos escrevendo com esse tipo de material e, muitas vezes, não aprendemos que existe uma gradação que varia do H até o 9H, que são os mais duros, normalmente utilizados para esboçar a figura de moda, e do B ao 6B, que são mais macios, utilizados principalmente para fazer sombreamentos (STIPELMAN, 2015). Os lápis macios são ideais para fazer esboços rápidos e sombreados, funcionam muito bem em papéis texturizados, mas manipule-os com cuidado, pois eles borram facilmente. Os lápis mais duros combinam com artistas que têm segurança no traço e gostam de um resultado mais limpo e preciso (MORRIS, 2007). Muitos artistas gostam de esfumar suas obras com o próprio dedo, mas como é comum a nossa mão soltar um óleo/gordura sobre o papel, hoje também já existe a opção de utilizar o esfuminho para isso, que é um papel enrolado em forma de bastão, podendo ser comprado em diferentes espessuras e tamanhos. Um cuidado que precisa ser tomado com os lápis grafite é não os deixar cair, pois a mina de grafite dentro deles se parte facilmente e você terá problemas ao apontá-lo, tendo um desperdício de material (ABLING, 2011). Conforme Abling (2011), além dos lápis, também existe a opção de usar lapiseiras, elas funcionam bem para quem gosta de desenhar com traços finos e também possui as minas de grafite que podem ser compradas pela classificação que vai do 6H (mais claro) ao 6B (mais escuro). Assista ao vídeo Lápis HB, 4B, 6B, 2H e suas variações: Sketch Crás, disponível no canal do YouTube Cras Conversa Oficial, para entender as diferenças das graduações dos lápis para desenhar. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=R_gsv0GBnHg>. Acesso em: 23 mar. 2021. DICAS UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 20 Também existe a opção de comprar o bastão de grafite, que é feito com grafite prensado, ele é utilizado para fazer desenhos fortes e expressivos, é possível mudar o traço alterando a posição ao riscar a folha, com a ponta, a lateral e a parte de baixo do bastão, por exemplo (MORRIS, 2007). 4.2.1 Borrachas Além de você saber qual o grafite que utilizará para desenhar, é importante saber qual o material adequado para apagá-lo, pois nem sempre seus traços e esboços vão ficar corretos no primeiro desenho. Para isso, as borrachas são muito úteis, elas podem refinar os traços e tirar a apreensão de que o desenho precisa ficar perfeito logo de primeira (STIPELMAN, 2015). Existem muitas borrachas rosas e brancas que são ótimas para usos em geral e existem,também, lapiseiras de borracha recarregáveis. A borracha maleável, conhecida como limpa-tipo, é ainda mais útil, pois remove as linhas de um desenho sem ferir o papel (STIPELMAN, 2015). A borracha limpa-tipo remove apenas a camada superior do grafite, deixando as linhas guias para orientá-lo na hora de fazer a pintura, esse tipo de borracha também pode ser utilizado para dar destaque e limpar o papel ao finalizar uma ilustração (STIPELMAN, 2015). Assista ao vídeo Borrachas para desenhos realistas, para saber para que cada borracha é utilizada. Disponível no canal do YouTube Carlos Santana arts. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=0cMXjJiJfXo>. Acesso em: 23 mar. 2021. DICAS 4.3 LÁPIS DE COR O lápis de cor é um dos materiais artísticos mais úteis para pintura, ele funciona bem sozinho e pode ser utilizado apenas para detalhes de ilustrações já pintadas com marcadores e aquarelas, como para fazer pespontos, sombras no rosto e pintar os cabelos (STIPELMAN, 2015). TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 21 Pesponto é um tipo de costura tracejada utilizada para dar acabamento a peças de roupas, é desenhada com traços finos e delicados. NOTA O lápis de cor é ideal para fazer ilustrações com detalhes minuciosos e representar o caimento dos tecidos com todas as suas dobras e sombreamentos, ele permite que você pinte enquanto desenha e é muito útil para desenhar estampas com detalhes pequenos (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Assim como o lápis grafite, sua única manutenção é afiar a ponta de vez em quando e cuidar para que o lápis não caia no chão, para não quebrar a mina de cor interna (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). O lápis de cor também possui variações de minas duras e macias, que podem ser compradas em caixas de 12 cores a 100 cores ou até por unidade (STIPELMAN, 2015). Existem dois tipos de lápis de cor, os convencionais e os gordos. Os convencionais são mais duros e, por isso, proporcionam um traço mais fraco, já os gordos soltam mais pigmento e isso resulta em um traço intenso, porém isso o torna mais quebradiço e ele acaba mais rapidamente (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Pode ser bem difícil escolher qual lápis de cor comprar, devido a tantas opções que encontramos nas papelarias, por isso, você pode assistir ao vídeo Qual vale a pena? Ecolápis X Supersoft X Goldfaber X Polychromos (Faber-Castell) no canal do YouTube Mayara Rodrigues para te ajudar, disponível no link: https://www.youtube.com/ watch?v=mzE_vXuQYzU. DICAS Também existe a opção de comprar lápis de cor aquareláveis, que são ótimos para os designers de moda, pois possuem uma substância aglutinante solúvel que permite sua dissolução em água, bastando passar um pincel úmido por cima, o que permite incorporar técnicas de aquarela ao desenho (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 22 4.4 TINTA AQUARELA, GUACHE E ACRÍLICA A aquarela é um material incrivelmente versátil e a característica principal é que todas podem ser ativadas com água, mesmo que já tenham secado por completo e por terem pouquíssimos ingredientes secam precisamente no pigmento de cada cor (CALDERÓN, 2019). Existem tipos de aquarelas diferentes, em pastilha, em tubo e líquida, você pode utilizar apenas um tipo ou pode brincar com a mistura entre elas e criar cores e efeitos únicos (CALDERÓN, 2019). As aquarelas em pastilha são pequenas e quadradas, é uma espécie de tinta seca e, em geral, são vendidas em estojos de plástico ou metal, mas também podem ser compradas separadamente por cor. Esse tipo de aquarela é acessível, pois tem muitas opções no mercado e é fácil de carregar, elas podem durar por anos se forem bem cuidadas (CALDERÓN, 2019). Tintas de aquarela em tubos também podem ser compradas em estojos ou individualmente, são ótimas para trabalhar como base e a maior diferença entre as pastilhas é que a tinta é mais cremosa e lisa, para usá-la, basta espremer um pouco, colocando sobre alguma superfície, e não se preocupe se derramá-la, pois mesmo depois de seca, você pode reativá-la com água (CALDERÓN, 2019). Já as aquarelas líquidas são intensas e vibrantes, elas possuem a base de corante ao invés de pigmento como as outras, por isso são concentradas e têm uma gama de cores nítidas, vibrantes e até fluorescentes. Normalmente são vendidas em formato de frascos com conta-gotas e mesmo sendo líquidas, elas sempre devem ser diluídas em água antes de usar para diminuir sua intensidade (CALDERÓN, 2019). Conforme Stipelman (2015), as paletas e os godês utilizados para misturar as tintas em aquarela podem ser muito caros, se você quiser economizar, pode optar por utilizar um prato de vidro ou até mesmo forminhas de gelo para colocar água e misturar as cores. Godê é um estilo de prato com divisórias utilizado por artistas para colocar as tintas e fazer as misturas de cores. NOTA TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 23 Além da aquarela, outras tintas solúveis em água são a guache e a acrílica. A guache é vendida em potes ou tubos e tem uma grande variedade de cores no mercado, seu aspecto é mais opaco, principalmente depois que seca (ABLING, 2011). Por sua vez, a tinta acrílica possui um brilho acetinado, já a guache tem uma cobertura muito maior e depois de seca não apresenta brilho, podendo ser dissolvido com uma simples passagem de um pincel molhado (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Para fazer aquarelas, são utilizados alguns materiais como: tinta, pincel, papel, água, godê etc. Para entender sobre quais materiais escolher para fazer aquarelas, assista ao vídeo Materiais aquarela: quais escolher? do canal do YouTube Luiza Normey disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=A2XxkzhdvXU. DICAS 4.4.1 Pincéis Existem pincéis de vários tamanhos e formas, suas numerações costumam ir de 0 a 12, além das pontas que podem ser chatas ou redondas, estão disponíveis em diferentes tipos de pelos, em fibras naturais ou sintéticas. Geralmente, os pincéis feitos com fibras de animais são melhores, pois não estragam com o tempo e, dificilmente, mancham ou perdem a forma (ABLING, 2011). O melhor pincel existente no mercado é o de pelo de marta, mas é muito caro e, no início, não é necessário, há muitos pincéis sintéticos que funcionam muito bem por um preço mais acessível. Um pincel de tamanho número 6, 7 ou 8 com ponta aguda é suficiente para suprir a necessidade de iniciantes, para trabalhos mais delicados utilize um pincel 00, 0 ou 1, esses pincéis mais finos não são tão caros, então, nesse caso, vale a pena comprar de fibra animal (STIPELMAN, 2015). Escolher pincéis é algo muito pessoal, pois o tipo de pincel que você usará interfere diretamente na aparência dos traços. Segundo Calderón (2019), um pincel grande, tamanho 10, é ótimo para pintar áreas maiores e ter um pincel a mão do tamanho 3, 0 ou 000 é bom para acrescentar detalhes e pintar áreas menores. UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 24 Os pincéis para aquarela têm a característica de serem arredondados e chanfrados, fazendo uma ponta que pode alcançar traços de tamanhos diferentes de acordo com a pressão e o ângulo sobre o pincel, essa versatilidade pode ser muito útil para desenhar letras, por exemplo. É sempre interessante ter alguns pincéis chatos também, eles são úteis para preencher áreas maiores e fazer afeitos de respingo (CALDERÓN, 2019). Com o tempo, você pode ir aumentando a sua coleção de pincéis, experimentando outras formas e fibras. Não esqueça de sempre lavá-los com sabão neutro, guardá-los com os pelos voltados para cima ou enfileirados lado a lado, para não estragar suas pontas (STIPELMAN, 2015). 4.5 NANQUIM A tinta nanquim é perfeita para complementar as artes em aquarela e fica ótimo utilizá-lapara fazer os detalhes finais ou quando você quer deixar uma área específica com uma cor mais opaca. A tinta nanquim pode ser encontrada em várias cores, mas as principais utilizadas são o preto e o branco (CALDERÓN, 2019). Tinta nanquim da cor preta à prova d’água é o preferido de muitos ilustradores, pode ser utilizada com um bico de pena, pincel ou até com uma vareta de bambu. O nanquim solúvel é absorvido pelo papel e causa um efeito fosco, você pode fazer algumas experiências pingando gotas em um papel umedecido, o nanquim se espalha na água criando lindos padrões e texturas, que pode ser utilizada para fazer estampas, por exemplo (MORRIS, 2007). As canetas em nanquim são uma evolução das canetas tinteiro em que se utilizava uma pena, hoje, elas podem ser encontradas em vários tamanhos e você pode optar pelas descartáveis que são mais baratas ou, se quiser investir mais, pode comprar uma recarregável. Recentemente, os marcadores têm substituído as canetas nanquins, porém elas são ótimas para fazer uma representação onde deseja-se detalhes finos, precisos e consistentes (STIPELMAN, 2015). Para entender sobre o universo da tinta nanquim, vale muito a pena conferir o vídeo [GUIA DE MATERIAIS] #6 – Nanquim aguada do canal do YouTube Mia GB, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=je3H5mJavoQ. DICAS TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 25 4.6 MARCADORES Os marcadores, ou caneta marcador, é outro material interessante para colorir ilustrações de moda, uma invenção de 1960 que possui uma variedade infinita de tamanhos de pontas, hoje é difícil imaginar fazer trabalhos artísticos sem eles (STIPELMAN, 2015). O processo de pintar com marcadores é semelhante ao lápis de cor, é uma técnica moderna e muito indicada para ilustração e publicidade, usar essa técnica de pintura combinando com outras pode trazer resultados esplêndidos (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Os marcadores possuem grande variedade de pontas, podendo ser cónica, cilíndrica, plana ou até ter a forma de um pincel. Os pinceis de ponta fina são perfeitos para desenhar o contorno de roupas e suas texturas, os de pontas largas ajudam a cobrir uma superfície ampla com rapidez. Os marcadores em pincel permitem desenhar de várias grossuras dependendo da inclinação sobre o papel (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Existem dois tipos de marcadores, os a base de álcool e os a base de água, sua principal diferença é que os marcadores a base de água podem ser esfumados utilizando um pincel úmido para fazer sombras e misturar cores e os a base de álcool são excelentes para fazer reprodução fotomecânica, normalmente utilizado pelos designers gráficos (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Também existem os marcadores blenders que são incolores e servem para misturar as cores dos marcadores com diferentes materiais como o lápis de cor, por exemplo, e garantem resultados bem diferentes. Hoje também já podemos comprar marcadores de cor cinza com a variedade de 9 tons diferentes, sendo o de número 1 o mais claro e o número 9 o mais escuro (STIPELMAN, 2015). Uma consideração importante é sempre testar o marcador no tipo de folha que irá realizar seu projeto, pois dependendo da cor da folha o marcador pode alterar um pouco do seu tom original (STIPELMAN, 2015). Para entender mais sobre os tipos de marcadores, assista ao vídeo Canetas marcadores (Markers): Sketch Crás” no canal do YouTube Cras Conversa Oficial. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=TIqXjDURDIE>. Acesso em: 23 mar. 2021. DICAS UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 26 4.7 GIZ PASTEL SECO O giz pastel é um material em forma de barras ou minas compostas por um pimento seco pulverizado, misturado com um meio aglutinante que o faz endurecer, os traços utilizando o giz pastel ficam grossos e intensos (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). O giz pastel é considerado tanto um material para desenhar quanto para pintar, e são feitos de um material finamente moído misturados com giz e cola, são vendidos em muitas cores diferentes, pois não podem ser misturados para criar novas cores, são apenas esfumados sobre o papel (MORRIS, 2007). Normalmente, os artistas que usam giz pastel criam uma superfície aveludada, esfumando os traços criados com o material, é uma questão de manipular o material com os dedos e/ou com uma bola de algodão (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Famosos por suas cores vibrantes, o giz pastel seco ou também conhecido como macio é fácil de manejar, principalmente no seu formato em lápis que é ótimo para fazer detalhes menores e minuciosos. Uma desvantagem desse material é que ele borra fácil, por isso use sempre um pano para corrigir as imperfeições que podem ocorrer (MORRIS, 2007). O giz pastel é muito quebradiço, então é importante sempre guardá-los em um local seguro onde não vão cair e quebrar ou pegar umidade. Indica-se também passar um spray fixador de cabelo ou verniz em spray sobre o papel quando a arte estiver finalizada, isso ajuda o desenho a permanecer por mais tempo na folha, pois o giz pode ir sumindo com o passar do tempo. IMPORTANT E 4.8 GIZ PASTEL OLEOSO O giz pastel a óleo é gorduroso e cria uma superfície a prova d’água no papel, suas cores são vibrantes e podem ser usados para criar ilustrações que chamam muito a atenção por sua característica única (MORRIS, 2007). TÓPICO 1 — A HISTÓRIA E OS MATERIAIS PARA O DESENHO DE MODA 27 Quando usado com força contra o papel, o giz pastel oleoso deixa um resíduo pastoso e cria texturas exclusivas na ilustração e é uma maneira eficaz de representar tecidos e estampas texturizadas (MORRIS, 2007). É importante considerar que antes de comprar um material para desenhar ou pintar uma ilustração de moda, sempre peça ao vendedor se pode fazer alguns testes, para “degustar” o material, pois você precisa gostar do resultado sobre a folha e assim saberá que terá um bom aproveitamento em seus projetos de desenho. Para entender sobre as diferenças dos tipos de giz, assista ao vídeo As diferenças entre os tipos de giz do canal do YouTube Marina Viabone, disponível no link: https://www. youtube.com/watch?v=X3jSMsX5bog. DICAS 28 Neste tópico, você aprendeu que: • Os primeiros desenhos da representação da figura humana vêm da Pré-História, cujos homens primatas faziam esboços em forma de palito. Com a evolução da humanidade, os desenhos foram ficando mais realísticos e a representação ganhou mais detalhes, vimos exemplos do Egito, Idade Antiga e Moderna até chegarmos no Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, quando começaram a utilizar medidas padrão para desenhar o corpo humano. • Na figura humana em cânone, vimos o desenho a partir da medida em cabeças e as diferenças entre o croqui realístico e o de moda, em que são utilizadas mais cabeças para representar a figura esbelta e alongada para a representação dos detalhes de roupas. • Relacionado aos croquis de moda, aprendemos como esboçar uma ilustração de moda do zero, utilizando linhas e formas geométricas, como se fossem um croqui de arame, cujo ilustrador pode criar poses e desenhar o movimento das articulações. • Os diferentes tipos de materiais e suas características peculiares podem ser usados para desenhar e pintar a figura de moda, entre eles estão: tipos de papel, grafites e lápis, borrachas, lápis de cor, tinta aquarela, guache e acrílica, pincéis, nanquim, marcadores, giz pastel seco e oleoso. RESUMO DO TÓPICO 1 29 1 O Homem Vitruviano, criado por Leonardo da Vinci (1452-1519), ainda influencia na forma como desenhamos hoje, isso porque ele segue uma metodologia de desenhar com medidas comparativas do próprio corpo. Quanto à teoria de Leonardo da Vinci, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Um homem com as pernas e os braços abertos caberia dentro de um quadrado e um círculo perfeito e o umbigo corresponderia ao centrodo corpo humano. b) ( ) Um homem deve ser desenhando a partir da medida da cabeça, estendendo-se por nove módulos iguais e o umbigo corresponderia ao quarto módulo. c) ( ) Um homem com as pernas e braços abertos caberia dentro de um triângulo invertido e o umbigo corresponderia ao centro do corpo humano. d) ( ) Um homem deve ser desenhado a partir da medida da cabeça, estendendo-se por oito módulos iguais e o umbigo corresponderia ao quinto módulo. 2 Considera-se que os primeiros desenhos realizados da figura humana tenham ocorrido durante a Pré-História, cujo registro do homem primitivo era uma forma de mostrar a sua presença no tempo. Com base na história do desenho da figura humana no período paleolítico, analise as sentenças a seguir: I- O homem primitivo representava o corpo humano com traços estilizados, lembrando muito aos desenhos de João palito de hoje. II- O desenho no Período Paleolítico era realizado para agraciar deuses, representar fé e, por isso, eram feitos com muitos detalhes. III- No Período Paleolítico, os desenhos dos animais eram mais realísticos que os desenhos do homem e acredita-se que o motivo esteja associado aos animais estarem ligados à sobrevivência. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I e II está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I e III estão corretas. 3 Muitos materiais podem ser utilizados e adquiridos para fazer ilustrações de moda, cada um tem sua característica e podem ser utilizados em diferentes contextos, levando isso em consideração, cada material é indicado para aplicações artísticas diferentes. Com base no exposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 30 ( ) A aquarela é um material que pode ser comprado em pastilha, em tubo e líquida. ( ) Os lápis de grafite H ao 9H são mais duros e do B ao 6B são mais macios. ( ) A tinta nanquim é encontrada somente na cor preta e é utilizada para fazer contornos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O desenho da representação da figura humana foi evoluindo com o decorrer dos tempos, iniciando na Pré-História com os desenhos estilizados até chegar ao sistema de medidas por cabeças, que se iniciou com estudo do Homem Vitruviano e se estabeleceu com os gregos antigos. Disserte sobre como o desenho da figura humana evoluiu ao longo da história até chegar à representação de oito cabeças. 5 As ilustrações de moda costumam ser esbeltas e alongadas, lembrando- nos as modelos com suas pernas enormes, essas ilustrações costumam ser desenhada em cânones de nove a dez cabeças e essas medidas decorrem devido às formas de representação dos gregos antigos. Neste contexto, disserte sobre o porquê de as ilustrações de moda serem desenhadas maiores que o tamanho realístico do corpo humano. 31 TÓPICO 2 — UNIDADE 1 DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos o desenho do rosto feminino, iniciando por seus elementos: olhos, sobrancelhas, boca, nariz e cabelo. A forma como desenhamos os elementos pode mudar de acordo com o sentimento que queremos que o croqui passe, e treiná-los antes de fazer o desenho completo do rosto é essencial para atingir um bom resultado. Depois de desenhar todos os elementos, iremos juntá-los no rosto frontal, que nada mais é que o rosto na posição de frente e, neste momento, você verá os diferentes tipos de formato de rosto que existem, como o oval, retangular, coração, quadrado etc. Em seguida, abordaremos a grade facial, também conhecido como mapa de elementos do rosto, que mostra onde cada elemento do rosto deve ser desenhado para não ficar estranho ou parecer um rosto desfigurado, é por isso que é tão importante entender as proporções corretas antes de começar um desenho. Além de aprender a como desenhar um rosto na posição frontal, você também acompanhará como fazê-lo na posição perfil e ¾ que são muito utilizados nas ilustrações de moda para mostrar melhor os penteados no cabelo, acessórios de cabeça etc. Em cada uma das posições de rosto apresentadas, frontal, perfil e 3/4 serão apresentados os passo a passos para você conseguir realizar os seus próprios esboços, assim já irá adquirindo a prática para, no futuro deste livro, abordarmos o croqui de moda completo. 2 DESENHANDO OS ELEMENTOS DO ROSTO FEMININO Caro acadêmico, para conseguir desenhar uma ilustração de moda completa, primeiro é preciso praticar as suas partes e depois juntá-las para chegar a um resultado satisfatório, pensando nisso o primeiro conteúdo desse tópico é o desenho dos olhos e sobrancelhas, já que este é um elemento do rosto que possui mais detalhes. 32 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 2.1 O DESENHO DOS OLHOS E SOBRANCELHAS Conforme Fernández e Roing (2010), o olhos são a parte mais expressiva do rosto e transmitem uma infinidade de emoções e sentimentos, por isso, os olhos e os lábios são os mais importantes no desenho da face. Para iniciar o desenho das feições, procure sempre começar por exercícios simples, assim evita a frustação de um mau resultado logo de primeira, a autora Bryant (2012) mostra um exercício bem fácil para desenhar os olhos iniciando por um pequeno círculo, disponível na Figura 16. FIGURA 16 – EXERCÍCIO BÁSICO PARA COMEÇAR A DESENHAR OLHOS FEMININOS FONTE: Bryant (2012, p. 141) O ideal é aprender a desenhar a partir da realidade, para depois estilizar e começar a fazer os olhos maiores e com cílios mais volumosos como as ilustrações de moda costumam ter, logo, praticar o desenho do rosto a partir da observação pode ser um bom início (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 33 Aprenda a desenhar olhos realistas assistindo ao vídeo Como desenhar um olho passo a passo: nível iniciante do canal do YouTube Charles Laveso, disponível no em: https://www.youtube.com/watch?v=WqXqxGpTuGI. DICAS A Figura 17 apresenta alguns eixos e linhas que podem servir de base para desenhar os olhos e, na sequência, a aplicação dos detalhes e da luz e sombra para o deixar mais parecido com a realidade. FIGURA 17 – DESENHO DE OLHOS REALÍSTICOS COM PASSO A PASSO FONTE: Drudi (2008, p. 28) A distância entre um olho e outro é a mesma medida de um olho, a Figura 18 mostra um esboço que explica essa situação, que é bem importante para os olhos não ficarem muito afastados ou muito pertos (DRUDI, 2008). FIGURA 18 – A DISTÂNCIA ENTRE UM OLHO E O OUTRO FONTE: Drudi (2008, p. 27) 34 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA A Figura 19 nos mostra as diferentes posições em que um olho pode ser desenhado, são elas: frontal, ¾ e perfil. Perceba que o tamanho e a forma do desenho mudam em cada uma das situações. FIGURA 19 – O DESENHO DO OLHO EM DIFERENTES POSIÇÕES FONTE: Abling (2011, p. 108) Conforme Fernández e Roig (2010), o olho encaixa-se dentro de uma forma esférica, que corresponde à órbita ocular. Dentro dessa forma desenvolvem-se as palpebras, das quais a superior é ligeiramente mais amendoada do que a inferior, e o globo ocular fica levemente oculto por ambas. O saco lacrimal situa-se no lado interno do olho, junto à parede nasal. Para terminar, desenha-se as pestanas, na mulher mariores curvas e mais densas do que nos homens. De forma resumida, é importante desenhar todas as partes do olho, pupila, íris, pálpebra, cílios, glândula lacrimal e sobrancelhas, idependentemente da posição em que estiver esse olho, a Figura 20 mostra um exemplo de como os olhos podemser desenhados em diferentes poses. FIGURA 20 – PASSO A PASSO DO DESENHO DO OLHO EM DIFERENES POSIÇÕES FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 60) TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 35 Um detalhe importante na hora de desenhar os olhos é que o círculo da íris nunca pode aparecer inteira no olho, pois caso contrário, temos a impressão de que o croqui está assustado, então sempre parte da pupila escondida embaixo da pálpebra. ATENCAO 2.2 O DESENHO DE BOCAS Diferente do que você possa imaginar, o desenho de bocas é mais fácil do que o dos olhos, pois basta traçar algumas formas geométricas, acrescentar curvas e assim formar o contorno. O exemplo da Figura 21, a seguir, mostra como desenhar uma boca a partir de um eixo em cruz, depois esquematiza-se o desenho dos lábios, na sequência, apaga-se os traços anteriores e esboça-se as curvas do contorno e finaliza-se adicionando volume com o sombreamento (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). FIGURA 21 – PASSO A PASSO DO DESENHO DE UMA BOCA FEMININA FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 62) Algo a considerar é a simetria de todos os elementos do rosto, por isso, para quase todas as formas é interessante sempre traçar uma linha reta na horizontal e na vertical para estabelecer o comprimento e a largura dos lábios (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). 36 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA No desenho de moda, o ideal é desenhar a boca sempre fechada, pois assim não se corre o risco de desenhar as feições em proporções erradas (BRYANT, 2012). A Figura 22 apresenta um outro passo a passo que pode ser utilizado por iniciantes em desenhos de bocas. FIGURA 22 – EXERCÍCIO BÁSICO PARA DESENHAR BOCAS FONTE: Bryant (2012, p.141) A boca humana é formada por duas partes móveis, o lábio superior, mais delgado e curvo, e o inferior, normalmente mais carnudo. Nas ilustrações, é possível fazer diferentes interpretações e diversificar a aparência dos lábios por meio na mudança das formas e/ou nas texturas, a Figura 23 mostra um exemplo dessa diversificação (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 37 FIGURA 23 – FORMAS DIFERENTES DE REPRESENTAR OS LÁBIOS FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 63) Assim como os olhos, a boca também muda sua forma dependendo da posição em que a cabeça se encontra, observe os desenhos na Figura 24 para entender essas variações. FIGURA 24 – O DESENHO DA BOCA EM DIFERENTES POSIÇÕES FONTE: Abling (2011, p. 108) Para iniciar o desenho do lábio em perfil, pode-se utilizar um triângulo dividido por uma linha horizontal, adiciona-se linhas retas que formam o desenho da boca, para depois apagá-las e transformá-las em curvas suaves, e como sempre, conclui-se com um sombreamento, nunca preenchido totalmente, para que tenha também luz e assim proporcione uma sensação de volume (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). 38 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 25 – DESENHANDO A BOCA NA VISTA PERFIL FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 62) Cada pessoa tem uma forma diferente de lábios, a variedade é imensa, a Figura 26 mostra vários modelos em que você pode se inspirar na hora de desenhar o rosto do seu croqui. FIGURA 26 – O DESENHO DE LÁBIOS EM DIFERENTES FORMATOS FONTE: Drudi (2008, p. 37) Observe que Drudi (2008) mostra, na Figura 26, a representação da mesma boca em uma versão de luz e sombra à esquerda e na direita uma versão apenas com texturas de linhas, ambos os resultados são interessantes e compõem volume aos lábios. Desenhar os lábios com bastante volume pode ser uma sacada quando se quer dar destaque à maquiagem do croqui ou a algum acessório que está na cabeça, aproveite e brinque com a cor do batom pensando nas harmonias cromáticas. TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 39 Aprenda a desenhar uma boca sombreada e mais realista assistindo ao vídeo Como desenhar uma boca realista no canal do YouTube Charles Laveso, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=Yo6t8FV2YJI. DICAS 2.3 O DESENHO DO NARIZ Agora que já estudamos sobre os olhos e as bocas, vamos ao desenho do nariz em todas as suas posições, para ter um bom resultado no desenho do nariz, na posição frontal, é indicado fazer um jogo de luzes e sombras, a seguir, pode-se observar, na Figura 27, um passo a passo como exemplo (BRYANT, 2012). FIGURA 27 – EXERCÍCIO BÁSICO PARA DESENHAR UM NARIZ FRONTAL FONTE: Bryant (2012, p.141) 40 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA De acordo com Fernández e Roig (2010), quanto mais simplificado for a estilização do desenho de moda, mais pequeno ou até inexistente será o nariz, porém, um ilustrador sempre deve aprender a desenhá-lo para depois decidir se irá diminuí-lo em seus desenhos. A forma clássica de desenhar o nariz é iniciar uma linha que liga do início da sobrancelha até chegar à parte inferior, em que a linha se interrompe para desenhar as “asas” do nariz, que podem ser representadas com duas curvas, quase como dois parênteses. A curva termina num apêndice de ambos os lados. Para representar o orifício nasal (os “buracos” por onde entra o ar ao respirarmos), um exemplo pode ser verificado na Figura 28 (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). FIGURA 28 – O DESENHO DO NARIZ FRONTAL E PERFIL FONTE: Drudi (2008, p.31) Já o desenho do nariz em perfil é mais simples, sua forma é parecida com um triângulo incompleto com a ponta em curva, um exemplo da diferença entre o nariz frontal e de perfil pode ser visualizado na Figura 29. FIGURA 29 – DIFERENÇAS DO DESENHO DE NARIZ FRONTAL E PERFIL FONTE: Fernández e Roig (2010, p.61) TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 41 Embora o desenho do nariz de um croqui de moda seja estilizado e sem tantos detalhes quanto de fato temos em pessoas reais, em cada uma das posições, frontal, perfil e ¾, também temos variações em suas formas, como pode ser observado na Figura 30. FIGURA 30 – O DESENHO DO NARIZ EM DIFERENTES POSIÇÕES FONTE: Abling (2011, p. 108) Como sugestão, desenhe apenas um dos lados do nariz levando a linha até a sobrancelha, pois normalmente a luz vem apenas de um lado do croqui e se você colocar a sombra dos dois lados, pode dar a impressão de que a modelo tem um nariz maior que o comum, não dando ênfase no que importa, que são suas roupas e acessórios. Para aprender a desenhar narizes, pratique os exercícios do vídeo Aula #12: Como desenhar Nariz (Lesson # 12: How to Draw Nose)” do canal do YouTube VCdesenhos, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=6RUWVg_oDE4. DICAS 2.4 O DESENHO DE DIFERENTES TIPOS DE CABELOS Desenhar cabelos envolve uma combinação de linhas, formas e ângulos. A Figura 31 apresenta como o ângulo do cabelo deve acompanhar o ângulo em que a cabeça se encontra, independente do seu comprimento, levando em consideração a lei da gravidade. Essa posição levemente em diagonal é interessante para mostrar o cabelo de lado e atrás ao mesmo tempo (ABLING, 2011). 42 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 31 – O DESENHO DE CABELOS DO CURTO AO LONGO FONTE: Abling (2011, p. 116) A seguir, vemos a Figura 32 com três variações de cabelos, o primeiro é o cabelo crespo que tem linhas onduladas, delicadas e com pequenos pontos, o segundo é o cabelo encaracolado ou cacheado, têm linhas onduladas que se enrolam umas sobre as outras e o último é o cabelo liso com um corte angular, cujas linhas são mais retas e definidas (ABLING, 2011). FIGURA 32 – VARIAÇÕES DE ESTILOS DE CABELOS FONTE: Abling (2011, p. 116) As linhas do cabelo devem sempre partir do couro cabeludo e cuidado para não se tentar a desenhar todos os fios, ao invés disso, desenhe mechas e apenas faça algumas marcações seguindo a forma do cabelo escolhido. Ao pintar os cabelos, não utilize apenas umacor, procure trabalhar bem a luz e sombra (MORRIS, 2007). Alguns exemplos de como podem ser desenhados cabelos lisos se encontram na Figura 33, observe que é sempre interessante que eles tenham leveza e, às vezes, flutuem sobre o rosto. TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 43 FIGURA 33 – EXEMPLO DE DESENHOS DE CABELOS LISOS FONTE: Drudi (2008, p. 44) Desenhar cabelos curtos com penteados de amarrações ou tranças também é uma opção interessante para os croquis de moda, são mais rápidos de desenhar e de colorir. A Figura 34 apresenta alguns exemplos para desenhar cabelos curtos. FIGURA 34 – DESENHANDO CABELOS CURTOS FONTE: Drudi (2008, p. 55) 44 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Para aprofundar seus conhecimentos em desenho de cabelos, assista ao vídeo Tutorial de cabelo: [O Básico] do canal do YouTube Mia GB, disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=4P5AVBhx4yg&t=234s. DICAS Tenha em mente que os desenhos dos cabelos mudam quando são desenhados em outras posições da cabeça, por isso, observe bem os exemplos antes de começar a desenhar as mechas, para que fique de acordo com o entorno da cabeça, fazendo volume nos lugares certos. A Figura 35 mostra exemplos de cabelos desenhados na posição perfil. FIGURA 35 – O DESENHO DOS CABELOS NA POSIÇÃO PERFIL FONTE: Drudi (2008, p. 50) Agora que já vimos sobre o desenho de cabelos, passaremos a estudar como desenhar a cabeça frontal feminina, para depois abordarmos os diferentes tipos de rosto e as outras posições da cabeça. TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 45 Aproveite todo o conteúdo estudado para treinar cada um dos elementos do rosto em todas as suas posições: frontal, perfil e ¾, pois se tornar um bom desenhista requer prática e isso acontece na tentativa e erro. UNI 3 O DESENHO FRONTAL DA CABEÇA FEMININA Cada ilustrador pode criar sua própria maneira de representar o rosto no croqui de moda, porém a certos parâmetros que precisam ser seguidos, por exemplo: a posição dos elementos. Não importa se o desenho é realista ou estilizado, a posição dos olhos, boca e nariz nunca mudam (ABLING, 2011). A Figura 36 traz um exemplo da posição dos elementos na cabeça, ao fazer a representação do rosto, siga os passos e, posteriormente, crie sua própria interpretação, pois a estrutura precede o estilo, e por isso, é muito importante fazê- la corretamente. Observe que a largura do olho pode ser descoberta dividindo a cabeça em cinco parte iguais e a altura fica exatamente na metade da cabeça (ABLING, 2011). FIGURA 36 – O DESENHO DOS ELEMENTO DO ROSTO NA POSIÇÃO FRONTAL FONTE: Abling (2011, p. 100) 46 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Comece o desenho do rosto dividindo a cabeça ao meio, a parte de cima é a testa e a marcação do cabelo, a parte de baixo deve ser dividida novamente para achar a posição do nariz e, na metade do último módulo restante, fica a posição da boca, que deverá ser desenhada mais próxima do nariz do que do queixo, como na Figura 37 (ABLING, 2011). FIGURA 37 – MAPA DOS ELEMENTOS DO ROSTO NA POSIÇÃO FRONTAL FONTE: Abling (2011, p. 101) Para iniciar o desenho de uma cabeça frontal, podemos partir de um formato oval, sobre ele, traça-se um eixo de simetria vertical que servirá para desenhar os dois lados iguais, sobre ela, marca-se os traços faciais com quatro linhas, que correspondem à linha do cabelo, dos olhos, do nariz e da boca, conforme o passo a passo da Figura 38. As orelhas ficam na mesma altura que os olhos e o nariz e podem ser desenhadas de forma mais simplificada (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). FIGURA 38 – ESBOÇO RÁPIDO DA POSIÇÃO DOS ELEMENTOS DO ROSTO FRONTAL FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 57) TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 47 Ao dividir o rosto em partes iguais, percebemos quantas medidas coincidem e podem ser usadas para desenhar dentro da proporção adequada ao ilustrarmos um rosto. Apesar disso, o rosto humano é complexo e é extremamente normal sentir dificuldade ao desenhá-lo, por isso, tenha sempre um bloco à mão para praticar todas as formas apresentadas (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). A seguir, veja a Figura 39 com um exemplo prático de como posicionar cada parte do rosto na posição frontal, observe que, no primeiro quadro, o rosto é representado por um círculo mais a mandíbula. FIGURA 39 – PASSO A PASSO DO DESENHO DE ROSTO FRONTAL FONTE: Drudi (2008, p. 41) Para compreender como fazer o rosto de uma forma mais prática, assista ao vídeo Como desenhar rostos? no canal no YouTube Mariana Cagnin, disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=P2g0LheCcpQ DICAS No caso apresentado por Drudi (Figura 39), o rosto possui a forma oval, mas existem diferentes tipos de formatos de rosto que você estudará no subtópico a seguir. 48 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 3.1 OS DIFERENTES TIPOS/FORMAS DOS ROSTOS Segundo Fernández e Roig (2010), existem diferentes formas de rostos e é possível estilizar o croqui escolhendo uma delas para trabalhar, a Figura 40 mostra uma maneira de fazer essa representação, que inicia com uma forma geométrica para depois desenhar o rosto dentro dela. FIGURA 40 – AS DIFERENTES FORMAS DOS ROSTOS FONTE: Fernández e Roing (2010, p.59) Os exemplos da figura correspondem às formas redonda (A), trapezoidal (B), quadrada (C), triangular (D), retangular (E) e amendoada (F) (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Outro exemplo pode ser observado na Figura 41, porém outras nomenclaturas são utilizadas: redondo, trapezoidal, retângulo, oval, triângulo, quadrado e coração. FIGURA 41 – EXEMPLO DAS DIFERENTES FORMAS DE ROSTO FONTE: <http://www.beauty-review.nl/bepaal-je-gezichtsvorm-en-waarom-het-nuttig-om-dit-te- -doen>. Acesso em: 25 mar. 2021. TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 49 Perceba que a principal diferença no desenho do rosto em cada uma das formas está na mandíbula e na testa, escolha o formato que você achar mais interessante para a proposta da sua ilustração ou coleção na hora de desenhar. 4 O DESENHO EM ¾ DA CABEÇA FEMININA Além de desenhar o rosto na posição frontal, você pode desenhá-lo em ¾. Segundo Bryant (2012), na posição ¾, o desenho dos olhos é semelhante ao da posição frontal, porém mais arredondado, o nariz ganha uma curva que esconde parcialmente o olho do lado virado da cabeça e a boca também é parecida com a da posição frontal, porém é menor no lado em perspectiva, observe esses detalhes na Figura 42. FIGURA 42 – O DESENHO DOS ELEMENTOS DO ROTO EM ¾ FONTE: Bryant (2012, p.149) A posição dos elementos no rosto em ¾ é semelhante ao rosto frontal, sua principal diferença está associada à mudança do eixo de simetria que é curvado e não fica mais no meio da cabeça, passando a ser localizada próximo ao lado direto ou esquerdo, conforme apresenta a Figura 43 (BRYANT, 2012). 50 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FUGURA 43 – A POSIÇÃO DOS ELEMENTOS NO ROSTO EM ¾ FONTE: Bryant (2012, p. 148) Segundo Abling (2011), para desenhar a cabeça em ¾, basta dividir a cabeça frontal em quatro partes e virar a cabeça um pouco para a direita ou para a esquerda, subtraindo cerca de ¼ do total, esse é o motivo dessa posição levar o nome de ¾. Observe, na Figura 44, como o contorno da bochecha fica mais saliente no lado oculto. FIGURA 44 – DESENHANDO A CABEÇA NA POSIÇÃO 3/4 FONTE: Abling (2011, p. 102) Assim como na posição frontal, a largura da boca é aproximadamente a metade do tamanho dos olhos, o nariz fica mais protuberante em sua ponta e o olho do lado direito está menor que do lado esquerdo, assim como na boca. Veja, na Figura 45, um exemplo dessa situação (DRUDI, 2008). TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODAFEMININA 51 FIGURA 45 – O ROSTO NA POSIÇÃO 3/4 FONTE: Drudi (2008, p. 40) A Figura 46 mostra um passo a passo para a realização da cabeça em ¾, nele podemos ver a sequência mais simples de desenhar os elementos do rosto nesta posição. FIGURA 46 – PASSO A PASSO DO DESENHO DO ROSTO NA POSIÇÃO ¾ FONTE: Abling (2011, p. 203) A cabeça na posição ¾ é a mais difícil de desenhar e demanda muita concentração e atenção para desenvolvê-la. Com a prática, o resultado ficará cada vez melhor, por isso, não desista se o desenho não ficar bom na primeira vez, isso é perfeitamente normal. 52 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Para te ajudar a desenhar o rosto em ¾, sugerimos que assista ao vídeo Como desenhar rosto ¾ (#dicarrapidaft) no canal do YouTube Fayci Tage, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=meuFctkjokI. DICAS 5 O DESENHO EM PERFIL DA CABEÇA FEMININA No desenho da cabeça feminina na posição perfil, de acordo com Bryant (2012), o olho corresponde à metade de um olho de frente, a íris se transforma em uma elipse, o nariz resume-se a uma linha refinada e a boca parece um coração virado de lado, como pode ser observado na Figura 47. FIGURA 47 – O DESENHO DOS ELEMENTOS DO ROSTO EM PERFIL FONTE: Bryant (2012, p. 151) Para posicionar corretamente os elementos do rosto em perfil, é interessante dividir o desenho com uma cruz centralizada, a inserção das duas linhas determinará a posição da orelha. O início da linha horizontal é a referência para posicionar o olho e os demais elementos podem ser inseridos abaixo. É importante observar que somente o nariz ultrapassa a forma oval do rosto, verifique na Figura 48 (BRYANT, 2012). TÓPICO 2 — DESENHANDO A CABEÇA DE UMA ILUSTRAÇÃO DE MODA FEMININA 53 FUGURA 48 – A POSIÇÃO DOS ELEMENTOS NO ROSTO DE PERFIL FONTE: Bryant (2012, p. 150) Na posição em perfil, a cabeça está completamente de lado, observe, na Figura 49, que o principal efeito é que todos os desenhos do rosto se tornam mais pronunciados, principalmente o contorno do nariz, que fica mais definido (ABLING, 2011). O rosto em perfil costuma ser mais fácil de desenhar dos que os ensinados anteriormente. FIGURA 49 – DESENHO DA CABEÇA EM PERFIL FONTE: Abling (2011, p. 203) Existem várias maneiras diferentes de desenhar o rosto em perfil, uma delas é usando círculos. Para aprender, assista ao vídeo Como desenhar rosto (perfil) no canal do YouTube Sonzin Arts, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=BnToLS9aH6Q DICAS 54 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Para iniciantes, indica-se desenhar seguindo um passo a passo. A Figura 50 apresenta como começar e o que considerar para fazer o desenho dos elementos do rosto em perfil. Perceba que, para encontrar o tamanho e localização do olho, é utilizada a distribuição da largura dele, a fim de compreendermos a medida. FIGURA 50 – O DESENHO DO ROSTO EM PERFIL COM PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 105) Vale a reflexão de que todas as posições do rosto possuem suas características, mas os elementos são distribuídos sempre na mesma altura e respeitando a regra das proporções da figura humana, já explicadas no primeiro tópico. Agora pratique o desenho de cada uma das posições da cabeça estudadas, inserindo todos os elementos: olhos, nariz, boca, orelhas e cabelo. UNI 55 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Para iniciar o desenho dos elementos de um rosto (olhos, boca e nariz), é possível utilizar linhas guias e formas geométricas. • Existe diferentes tipos de cabelos e todos devem ser representados com mechas e de acordo com a pose da cabeça. • A cabeça feminina pode ser representada em três posições diferentes: frontal, perfil e ¾ e em cada uma delas a forma do desenho dos elementos se altera. • Existe a possibilidade de desenhar a cabeça seguindo um passo a passo para encontrar a posição exata de cada elemento, seguindo medidas comparativas, independentemente da posição escolhida. 56 1 Os olhos são uma parte importantíssima no desenho de rostos femininos, eles expressam sentimentos e ajudam a trazer personalidade ao croqui, segundo Fernández e Roig (2010), o ideal é começar a aprender a desenhar os olhos a partir do desenho de observação, procurando a aproximação com a realidade. Levando em conta a proporção ideal para desenhar os olhos, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A distância entre um olho e o outro é a mesma medida do olho. b) ( ) A distância entre um olho e outro é a medida de 1 olho e meio. c) ( ) A distância entre um olho e outro é a medida de meio olho. d) ( ) A distância entre um olho e outro é a medida de 2 olhos. 2 Em uma ilustração de moda, a cabeça pode ser desenhada em vários ângulos e vistas diferentes, isso acontece para mostrar diferentes detalhes de acessórios como brincos, chapéus, arcos, entre outros. Com base nas diferentes posições que a cabeça pode ser desenhada, analise as sentenças a seguir: I- A pose da cabeça frontal é quando a cabeça está exatamente de frente e é possível desenhar o rosto simetricamente a partir de um eixo central localizado no meio da cabeça. II- A vista em perfil é quando o croqui está parcialmente virado, o eixo de simetria torna-se curvado e os desenhos de olhos, nariz e boca não podem ser desenhados simétricos, pois ficam com formas diferentes no lado em perspectiva. III- A vista em ¾ é quando o rosto é desenhado totalmente de lado, na qual visualizamos somente uma orelha, um olho, metade da boca e metade do nariz. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença III está correta. c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. 3 Existem algumas regras no desenho de rostos quanto à posição dos seus elementos, esse sistema de medidas é adotado para o ilustrador conseguir desenhar o rosto mais de acordo com a realidade e não cometer erros, como colocar os olhos na posição da testa, esquecer de deixar um espaço para o queixo e assim sucessivamente. Considerando a posição adequada dos elementos no rosto feminino, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 57 ( ) A linha do olho está no meio da cabeça. ( ) A linha do nariz está a meio do caminho entre os olhos e o queixo. ( ) A boca fica um pouco mais perto do queixo do que do nariz. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Entre as principais vistas utilizadas para representar o rosto feminino estão: a vista frontal, perfil e ¾. Segundo Abling (2011), na posição perfil, a cabeça está completamente de lado e todos os desenhos do rosto se tornam mais pronunciados. Neste contexto, disserte sobre as características do desenho dos elementos na posição perfil da cabeça feminina. 5 Entre os principais elementos de um rosto, temos os olhos, o nariz e a boca, e representá-los corretamente no desenho de um rosto é essencial para dar um bom resultado à ilustração de moda e representar os sentimentos certos ao cliente, representando bem a coleção em questão. Dito isso, disserte sobre qual é a forma de descobrir a posição de cada um desses elementos. 58 59 TÓPICO 3 — UNIDADE 1 DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos como desenhar um croqui de moda completo, iniciando pelos pés, neles, serão estudadas suas diferentes posições e também serão apresentados alguns desenhos de calçados como exemplo. Na sequência, você aprenderá sobre o desenho de pernas, mãos, braços e tronco sucessivamente, em todas as vistas: frontal, perfil, ¾ e, por vezes, as posteriores. Além disso, abordaremos como juntartodas essas partes do corpo para criar uma ilustração de moda completa, seguindo o passo a passo já apresentado no Tópico 1, e assim você perceberá como a ilustração é menos complicada quando desenhada dentro das proporções corretas. Os croquis serão estudados em todas as vistas: frontal, perfil, ¾, de costas e com o movimento em “S”, que possui movimento de quadril e ombros. Ao concluir esse tópico, seguindo os exercícios propostos, você estará pronto para começar a fazer as suas próprias ilustrações do croqui de moda feminina adulto. 2 DESENHANDO AS FORMAS BÁSICAS DA FIGURA HUMANA Antes de desenhar uma ilustração de moda completa, é importante entender como se desenham as partes dela, iniciando pelos pés. 2.1 DESENHANDO PÉS Os desenhos dos pés frontais mostram todos os dedos. O tornozelo não é pronunciado e não existe o calcanhar nessa pose, a Figura 51 mostra a diferença do pé realista para o pé de uma ilustração de moda, o realista apoia todo o pé sobre o chão, já o de uma ilustração de moda se apoia nos dedos e, por isso, é mais alongado (ABLING, 2011). 60 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 51 – AS DIFERENÇAS DE UM PÉ REALISTA PARA O PÉ DO CROQUI DE MODA FONTE: Abling (2011, p. 54) O pé frontal pode ser desenhado a partir de formas geométricas ou a partir de esboços com curvas e é importante observar que, para ilustração de moda, não é necessário inserir unhas ou muitos detalhes aos dedos, pois normalmente insere-se um calçado para finalizá-lo. FIGURA 52 – DESENHANDO O PÉ NA POSIÇÃO FRONTAL COM PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 54) O pé na visão perfil, ou seja, desenhado na posição lateral é iniciado pelas pontas dos dedos e vai até o calcanhar, os dedos ficam pouco visíveis e o calcanhar e os tornozelos são evidenciados como na Figura 53 (ABLING, 2011). TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 61 FIGURA 53 – EXEMPLO DO PÉ DE PERFIL E AS VISTAS POSTERIORES FONTE: Abling (2011, p. 52) Para desenhar o calcanhar, é útil desenhar um círculo primeiro e usá- lo como base, já as demais partes podem ser realizadas com outras figuras geométricas, como no exemplo da Figura 54. FIGURA 54 – PASSO A PASSO DE COMO DESENHAR UM PÉ DE PERFIL FONTE: Abling (2011, p. 52) O pé em perfil também pode ser ilustrado com o calcanhar erguido, ou seja, como se o croqui estivesse usando salto alto e, assim, apoiando-se nos dedos. A Figura 55 mostra um exemplo de como desenhar essa posição. FIGURA 55 – ESBOÇANDO O PÉ DE PERFIL COM O CALCANHAR ERGUIDO FONTE: Abling (2011, p. 52) 62 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA O pé em ¾ é a posição entre o pé frontal e o de perfil, observe, na Figura 56, que nesta vista há mais dedos visíveis que no de perfil e menos do que na frontal, o calcanhar também é menor do que na posição em perfil (ABLING, 2011). FIGURA 56 – DESENHANDO DO PÉ EM ¾ COM PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 53) Ao desenhar o pé em ¾ de salto alto, é importante verificar o ângulo do chão traçando algumas linhas guias em perspectiva, como na Figura 57 (ABLING, 2011). FIGURA 57 – DESENHANDO UM PÉ COM SALTO ALTO EM ¾ FONTE: Abling (2011, p. 53) Para ver o desenho de pés em todas as posições de forma prática, assista ao vídeo Como desenhar: pés – esboço do canal do YouTube William Soares, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=hYtcqXisDJ4. DICAS TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 63 Depois de praticar os pés descalços em todas as poses, pode-se começar a desenhá-los com calçados e experimentar suas infinitas possibilidades. 2.1.1 Desenhando os pés com calçado Segundo Abling (2011), os principais detalhes dos calçados estão em cima ou na frente, por isso, essa parte merece a atenção na hora de desenhar, é impressindível também verificar o local correto para inserir as costuras e a altura do salto. Veja alguns exemplos de desenho de calçados na Figura 58. FIGURA 58 – EXEMPLOS DE DESENHOS DE PÉS COM CALÇADO FONTE: Abling (2011, p. 55) Observe que, ao desenhar calçados, é interessante inserir texturas e as dobras que o tecido pode causar, isso deixa o desenho ainda mais realístico. 64 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Assista ao vídeo Como desenhar três tipos de salto diferentes do canal do YouTube Fayci Tage, para aumentar seu conhecimento sobre desenho de calçados femininos. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=Itsagw225dw>. Acesso em: 24 mar. 2021. DICAS Agora que já estudamos sobre pés e calçados, vamos à próxima etapa que é desenhar a perna completa, com o pé. Lembrando que, para você aprender a desenhar, não adianta apenas ler esse material, mas ter em mãos papel e lápis para praticar todos os exercícios disponíveis. 2.2 DESENHANDO PERNAS O desenho de uma perna de ilustração de moda é a abreviação da forma realística da perna humana, a largura da coxa deve ser maior que a largura da panturrilha e a curva do joelho deve ficar no meio da perna. A Figura 59 mostra o desenho dos ossos e dos músculos de uma perna para mostrar como chagou-se ao desenho adequado de sua forma (ABLING, 2011). FIGURA 59 – DESENHO DE PERNAS A PARTIR DA MUSCULATURA E ESQUELETO FONTE: Abling (2011, p. 46) TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 65 A Figura 60 mostra um exemplo de como desenhar uma perna a partir do desenho esboçado em curvas, que pode ser um bom exercício para realizar o desenho da perna na posição frontal. FIGURA 60 – ESBOÇANDO UMA PERNA COM PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 47) A Figura 61 mostra a diferença da perna de apoio para a perna estendida, a perna de apoio sempre fica levemente inclinada para dentro e termina antes do que a perna estendida. Nas últimas pernas da figura, podemos perceber que a linha do joelho e do tornozelo acompanham a inclunação do quadril (ABLING, 2011). FIGURA 61 – PERNA DE APOIO E INCLINAÇÃO DO QUADRIL FONTE: Abling (2011, p.48) 66 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Assim como os pés, as pernas também devem ser praticadas em todas as suas posiçãoes. A Figura 62 mostra a perna na vista posterior (de costas), frontal, ¾ e perfil. FIGURA 62 – AS DIFERENTES FORMAS DAS PERNAS EM CADA UMA DAS POSIÇÕES Para complementar seus estudos sobre pernas, assista ao vídeo Como desenhar as pernas do croqui de moda no canal do YouTube Universo da Vitoria, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=XseRjPlFu68. DICAS Agora que já aprendemos a desenhar os pés e pernas de uma ilustração de moda, passaremos aos desenhos de mãos e, na sequência, veremos o desenho dos braços. 2.3 DESENHANDO MÃOS Para desenhar mãos, é possível traçar algumas linhas guias, o primeiro passo é dividir ao meio, separando os dedos e a palma da mão, para terem o mesmo comprimento, depois dividir o comprimento dos dedos para inserir as articulações, como na Figura 63 (ABLING, 2011). FONTE: Abling (2011, p. 48) TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 67 FIGURA 63 – DESENHO DE MÃO COM PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 66) As mãos de uma ilustração de moda devem ser realizadas com formas simplificadas, a fim de proporcionar elegância, por isso, nem sempre o desenho das unhas é necessário (ABLING, 2011). A Figura 64 mostra outra forma de representar mãos femininas a partir de algumas formas geométricas, como retângulos e quadrados. Para concluir, basta inserir algumas curvas, tornando os dedos e as mãos cilíntricas. FIGURA 64 – DESENHANDO MÃOS A PARTIR DE FORMAS GEOMÉTRICAS FONTE: Abling (2011, p. 66) Dependendo da posição das mãos, elas podem ser incrívelmente difícies de desenhar, por isso, lembre-se de sempre praticar o desenho da mão esquerda e direita em todas as suas posições (ABLING, 2011). A Figura 65 mostra várias poses de mãos que podem ser utilizadas em seus croquis de moda,não é necessário ter o domínio de todas as poses e sim daquelas que mais lhe agradam e que lhe ajudarão a mostrar características da sua coleção. 68 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 65 – POSES DE MÃOS FECHADA E ABERTA FONTE: Abling (2011, p. 67) De acordo com Abling (2011), as articulações têm um papel-chave no desenho de mãos, já que a palma é praticamente estática e a forma da mão na ilustração de moda é mais fina e delicada, como nos desenhos dos pés. A Figura 66 mostra como desenhar a pose das mãos apoiadas na cintura, que é muito utilizada nos croquis de moda para evidenciar acessórios e detalhes de um produto de moda. FIGURA 66 – AS POSES DE MÃOS PARA APOIAR NA CINTURA FONTE: Abling (2011, p. 68) TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 69 As mãos podem posar de várias maneiras. A Figura 67 mostra o desenho de mãos em suas diferentes vistas (frontal, perfil, ¾, de costas, com o polegar pra frente etc.). FIGURA 67 – O DESENHO DE MÃOS NAS DIFERENTES POSIÇÕES FONTE: Abling (2011, p. 68) As mãos são parte significativa no desenho de uma ilustração de moda, pois ajudam a mostrar detalhes e expressar sentimentos, um exemplo são como as modelos utilizam muito as mãos em fotografias de moda, segurando o cabelo, com a mãos no bolso ou na cintura, segurando uma gola, entre outras poses. Um vídeo que pode te ajudar muito com o desenho de mãos é: Como eu desenho mãos do canal do YouTube Mateandro, disponível no link: https://www.youtube. com/watch?v=ehXmkrrOHMg. DICAS 2.4 DESENHANDO BRAÇOS Assim como o desenho dos pés, pernas e mãos, o braço feminino na ilustração de moda é feito mais alongado e com formas delicadas. A proporção é a metade das pernas, o braço é do mesmo comprimento que o antebraço (ABLING, 2011). A Figura 68 mostra os ossos e musculatura de um braço para chegar a forma adequada, perceba que o último desenho indica que o cotovelo fica na mesma altura da cintura e o pulso na mesma altura que o quadril. 70 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 68 – DESENHANDO O BRAÇO A PARTIR DA MUSCULATURA E O ESQUELETO FONTE: Abling (2011, p. 58) Já a Figura 69 apresenta o desenho das formas do braço em todas as vistas, frontal, ¾, perfil, posterior e com movimento, observe que as mãos também mudam em cada uma das posições. FIGURA 69 – O DESENHO DO BRAÇO EM DIFERENTE POSIÇÕES FONTE: Abling (2011, p. 59) Os braços são simples de desenhar, mas o principal erro ao desenhá-los é o comprimento e a posição exata de cada articulação, por isso, sempre observe o tronco, pois os braços devem acompanhar as suas medidas. TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 71 Se ainda estiver com dificuldade para desenhar os braçose a inserção da mão, assista ao vídeo Desenho: braços e mãos – Aula 6 – do canal do YouTube Márcia Böger, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=RlC3bEOdouY. DICAS 2.5 DESENHANDO A DEFINIÇÃO DO TRONCO FEMININO Para desenhar o tronco superior de uma figura de moda feminina, é imporante observar que os ombros são mais largos e se afunilam para chegar à cintura, a linha do ombro nunca é reta ela é uma linha diagonal, como pode ser observado na Figura 70 (ABLING, 2011). FIGURA 70 – DESENHANDO O TRONCO SUPERIOR FEMININO FONTE: Abling (2011, p. 16) O recorte princisa é o pontilhado que vem da metade do combro e passa por cima do busto, você pode ver, na Figura 71, ao virar ou torcer o tronco, o recorte princesa muda de forma ficando em linhas curvas e a cava pode começar a aparecer mais em um dos lados (ABLING, 2011). FIGURA 71 – O DESENHO DO TRONCO SUPERIOR COM TORÇÃO FONTE: Abling (2011, p. 16) 72 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA As curvas da lateral do tronco inferior devem acompanhar a largura das coxas, aumentando conforme chegam ao quadril e afunilando na parte da cintura, os recortes princesa refletem a curvatura da lateral, conforme a Figura 72 (ABLING, 2011). FIGURA 72 – O DESENHO DO TRONCO INFERIOR FEMININO FONTE: Abling (2011, p. 17) Ao juntar o tronco superior com o inferir na posição ¾, observe, na Figura 73, que o desenho inicia-se nos ombros para depois chegar aos quadris, que apenas acompanham a curvatura em direção as coxas. FIGURA 73 – O DESENHO PASSO A PASSO DO TRONCO NA POSIÇÃO ¾ FONTE: Abling (2011, p. 18) No desenho do tronco, todas as linhas devem seguir a pose, se o ombro está na diagonal,os seios também devem seguir esse sentido e o mesmo vale para a linha da cintura com a linha do quadril, esse fato fica evidente ao observar a Figura 74. TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 73 FIGURA 74 – O TRONCO COM MOVIMENTO DE QUADRIL E OMBROS FONTE: Abling (2011, p. 18) Na figura anterior, observamos o tronco na posição em ¾ e frontal, a seguir, na Figura 75, apresenta-se o tronco na posição perfil, desde o seu esqueleto até o forma ideal da representação de moda. FIGURA 75 – O TRONCO NA POSIÇÃO PERFIL A PARTIR DO ESQUELETO FONTE: Abling (2011, p. 28) Até o momento estudamos todas as partes do corpo feminino adulto. É imprescindível treinar cada uma das partes do corpo feminino em suas diversas posições e movimentos para, depois, conseguir desenhar o croqui completo, por isso, indica-se primeiro treinar esses desenhos para, depois, começar a juntar todas essas partes e gerar o croqui completo. 74 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 3 DESENHANDO O CROQUI DE MODA FEMININA COMPLETO No Tópico 1, aprendemos sobre a história do desenho da figura humana. No Tópico 2, estudamos sobre o desenho da cabeça feminina. Finalizaremos o Tópico 3 vendo como montar todas essas partes para gerar um croqui feminino completo em várias posições. Verifique algumas delas na Figura 76 e relembre o que já aprendemos sobre os elementos do corpo em suas diferentes vistas e posições. FIGURA 76 – O CROQUI DE MODA FEMININA COMPLETO QUADRIL ALTO POSE CAMINHANDO VISTA DE TRÊS QUARTOS FONTE: Bryant (2012, p. 219) Ao desenhar o croqui completo, é importante aplicar todas as técnicas já estudadas até o momento para ter um resultado ainda mais realístico e de acordo com as suas expectativas como ilustrador de moda. 3.1 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO FRONTAL Iniciaremos pela pose mais fácil de desenhar que é a frontal, é muito importante lembrar das medidas a partir da cabeça, o exemplo a seguir é um croqui de 9,5 cabeças, pois o pé fica depois da linha de número 9 e a largura dos ombros é de aproximadamente 1,5 cabeça. TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 75 A Figura 77 está em uma pose em que temos uma perna de apoio e uma perna alongada, o pé da perna de apoio fica em cima do eixo de simetria para dar equilíbrio à figura, essa perna sempre deve estar estendida/reta, pois é estranho sobrepor o peso do corpo em uma perna dobrada (BRYANT, 2012). FIGURA 77 – PASSO A PASSO CROQUI DE MODA NA POSIÇÃO FRONTAL Linha de Equilíbrio FONTE: Bryant (2012, p. 46) Conforme Bryant (2012), o passo a passo adequado para desenhar o croqui frontal é começar traçando uma linha de equilíbrio que inicia do pescoço e vai até o chão, na sequência, é necessário determinar-se a inclinação da cintura e dos quadris, em seguida, a dos ombro e a linha do busto, a conclusão do esboço está em inserir a marcação dos joelhos na linha 6. A partir dos esboços, inicia-se o contorno com formas geométricas e linhas, procurando sempre desenhar com simetria (os dois lados com as mesmas larguras), adicione ao desenho as clavículas, a marcação do busto, os braços e realize o desenho das pernas, como no exemplo da Figura 78 (BRYANT, 2012). 76 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 78 – CONTINUAÇÃO DESENHO DO CROQUI DE MODA FRONTAL FONTE: Bryant (2012, p. 47)Seguindo os passo a passos das figuras apresentadas, pode-se criar diferentes poses, basta sempre lembrar das medidas a partir das cabeças e experimentar, sem bloquear a criatividade, ao colocar a ponta do lápis no papel. Para desenhar seu primeiro croqui completo, vale a pena assistir ao vídeo Aula 1 – seu primeiro croqui de moda no canal do YouTube Maximus Tecidos, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=njh85eCfY64. DICAS Depois de desenhar seu primeiro croqui frontal, vamos começar a ser mais ousados e fazer diferentes poses para sua figura de moda ganhar mais atitude, por isso, a seguir, veremos a pose com movimento em “S”, muito utilizada pelos ilustradores. TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 77 3.2 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO EM “S” Os braços e as pernas de um croqui podem ser colocados em diferentes poses, mas tente não ser ambicioso demais para não errar na proporção ou equilíbrio da figura (BRYANT, 2012). Um bom teste é se olhar no espelho e ver se a pose que quer desenhar é possível de ser realizada sem que você perca o equilíbrio e caia no chão. A Figura 79 mostra uma posição chamada em “S”, trata-se de uma pose em que o quadril é jogado para o lado e a cabeça e os ombros se inclinam, é uma pose excelente para mostrar o caimento de vestidos e, segundo Bryant (2012), os cotovelos e punhos sempre devem acompanhar a inclinação dos ombros e os joelhos devem acompanhar a ação do quadril. FIGURA 79 – O DESENHO DO CROQUI NA POSIÇÃO EM “S” FONTE: Bryant (2012, p. 48) De acordo com Bryant (2012), a pose em “S” dá rítmo ao desenho e pode ser realizada em uma grande variedade de poses relaxadas, como no exemplo da Figura 80. 78 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 80 – O CROQUI DE MODA NA POSIÇÃO EM “S” FONTE: Bryant (2012, p. 49) Pratique o desenho da pose em “S” assistindo ao vídeo Aprenda a movimentar o croqui de moda: pose quadril alto do canal do YouTube Universo da Vitoria, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=YlhGq8bL7Aw. DICAS A pose em “S” pode ser aplicada em várias vistas diferentes do croqui, uma delas é a posterior em que desenhamos o croqui de costas, verifique o processo no subtópico a seguir. 3.3 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO DE COSTAS Já que o desenho do croqui de costas não possui tantos detalhes, é interessante se apropriar da posição em “S” para promover um resultado mais atrativo ao desenho. De acordo com Bryant (2012), para desenhar o croqui de costas, basta seguir os mesmos passos do croqui frontal. Primeiro trace uma linha de equilíbrio vermelha, então faça o desenho de um círculo que é a parte de trás da cabeça, depois marque o centro das costas, os ombros, o busto, a cintura, os quadris, os joelhos e os pés, como realizado na Figura 81. TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 79 FIGURA 81 – INICIANDO O DESENHO DO CROQUI NA POSIÇÃO DE COSTAS FONTE: Bryant (2011, p. 50) Após o esboço com as marcações, realize o contorno da figura iniciando de cima para baixo e adicione os braços de acordo com a posição dos ombros, no final, refine seus traços para um melhor resultado, verifique esse processo na Figura 82. FIGURA 82 – CONTINUAÇÃO DO PASSO A PASSO CROQUI NA POSIÇÃO DE COSTAS FONTE: Bryant (2011, p. 51) 80 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Perceba que, no movimento em “S”, a perna de apoio é sempre do mesmo lado que o quadril foi movimentado, essa é uma característica importante para a figura ter o equilíbrio necessário. Se estiver com dificuldade para desenhar o croqui de costas, assista ao vídeo Tutoria de desenho de moda: pose de costas do canal do YouTube Tathiane Vargas, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EM3ef9oV9BE. DICAS Agora, vamos a uma das poses mais difíceis do croqui feminino, a pose em ¾, mesmo sendo difícil, vale a pena aprendê-la, pois é uma das poses mais interessantes para mostrar os vários ângulos de uma roupa. 3.4 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO ¾ De acordo com Bryant (2012), utilizar uma foto de revista pode ser extremamente útil para saber como iniciar o esboço de uma pose, principalmente quando escolhemos a vista em ¾, cujo corpo não está nem de frente e nem de lado, veja um exemplo na Figura 83. FIGURA 83 – EXEMPLO DE MODELO NA POSIÇÃO ¾ FONTE: Bryant (2012, p. 56) TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 81 Inicie o desenho do croqui em ¾ trançando a linha de equilíbrio (como de costume), depois realize uma linha pontilhada que liga o pescoço, a cintura e a virilha, termine adicionando a inclinação da cintura, dos quadris, dos ombros e a linha do busto. Na sequência, marque o joelho e desenhe a posição dos pés e não se esqueça de tomar o cuidado com a perna de apoio (BRYANT, 2012). Depois de ter todas as linhas guias desenhadas, inicia-se o esboço da forma do corpo, sempre usando os pontos de referência estabelecidos anteriormente. Para parecer que o croqui está em ¾, reduza a largura dos ombros, da cintura e dos quadris, apenas do lado que está se afastando da vista (BRYANT, 2012). Observe que no passo a passo, na Figura 84, essa parte está representada com algumas tesouras. FIGURA 84 – PASSO A PASSO DO DESENHO NA POSIÇÃO ¾ FONTE: Bryant (2012, p. 57) Só depois que o tronco está finalizado que podemos desenhar as pernas e os braços e, assim, finalizamos o croqui em ¾ (BRYANT, 2012). Agora, sabemos que ao desenhar o croqui em ¾ é possível inserir também o cabelo e as feições da ilustração enquanto se realiza o desenho da pose, para isso, inicie criando a linha de equilíbrio que começa na cabeça e vai até o chão (ABLING, 2011). Acrescente os ângulos dos ombros, cintura e quadris e vá inserindo as formas necessárias para a realização da musculatura. Ao desenhar as pernas comece sempre pela perna de apoio para, depois, desenhar a perna estendida, como na Figura 85 (ABLING, 2011). 82 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA FIGURA 85 – PASSO A PASSO DE UM CROQUI NA POSE ¾ FONTE: Abling (2011, p. 22) Coloque o pé da perna estendida mais abaixo do que a perna de apoio, no lado do corpo mais próximo a você, desenhe o braço descançando sobre o tórax e o outro braço insira atrás do tórax, no lado mais distante de você (ABLING, 2011). Observe, na Figura 86, que o lado direito do tronco mostra a curva do seio em sua lateral e o quadril também aparece evidenciado. FIGURA 86 – CONTINUAÇÃO PASSO A PASSO DO CROQUI NA POSE ¾ FONTE: Abling (2011, p. 23) TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 83 Sugerimos que você assistia ao vídeo Como desenhar diferentes poses de croqui – Desenho de moda no canal do YouTube Tathiane Vargas, para ver um passo a passo de como desenhar a pose em ¾ do croqui feminino adulto. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=x87jkwXMAIs>. Acesso em: 24 mar. 2021. DICAS Desenhar a figura de moda virada é de fato a visão mais dificil de se desenhar, então, acredita-se que a última posição apresentada, que é a de perfil, será mais fácil de contruir. 3.5 DESENHANDO O CROQUI NA POSIÇÃO PERFIL Um método para desenhar um croqui de perfil, ou seja, totalmente de lado, é desenhar a pose frontal e dividi-la ao meio, o eixo frontal da figura vira a linha em que fica a coluna do croqui em perfil, como apresenta-se na Figura 87 (ABLING, 2011). FIGURA 87 – AS DIFERENÇAS DO CROQUI NA POSIÇÃO FRONTAL PARA O DE PERFIL FONTE: Abling (2011, p. 30) 84 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA Agora que você já sabe desenhar o croqui nas demais posições, basta completar a rotação da figura para chegar no perfil, use o mesmo guia das proporções e comece o desenho a partir de um esboço, como no exemplo da Figura 88 (BRYANT, 2012). FIGURA 88 – O PASSO A PASSO DO CROQUINA POSIÇÃO PERFIL FONTE: Bryant (2012, p. 61) Desenhar a pose em perfil é interessante para quando se deseja mostrar detalhes laterais dos produtos de moda, não é porque o croqui está de lado que precisa estar em uma pose estática, ele pode ter várias poses interessantes, conforme mostra a Figura 89. FIGURA 89 – POSES NA POSIÇÃO PERFIL FONTE: Abling (2011, p.31) TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 85 Para aprender novas poses do croqui em perfil, assista ao vídeo Pose de perfil três do canal do YouTube Fayci Tage, disponível no link: https://www.youtube.com/ watch?v=FcGFyntnPnQ. DICAS Assim, concluímos os estudos da ilustração de moda feminina, em todas as suas posições e ângulos. Para atingir bons resultados, é importante nunca parar de treinar o seu desenho, pois é como andar de bicicleta, se ficamos muito tempo sem andar, acabamos nos desequilibrando um pouco até voltar a pegar o jeito, com o desenho também é assim, mas agora você já possui os conhecimentos necessários, basta aplicá-los e divertir-se montando diferentes poses e rostos para seus croquis. Para aprender de fato a desenhar um croqui de moda feminina, você precisa praticar cada um dos conhecimentos explicados nesse livro, por isso indica-se que realize todas as poses apresentadas do croqui, inserindo as feições e cabelos, assim, cada vez o seu desenho ficará melhor e mais realístico possível. UNI 86 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA LEITURA COMPLEMENTAR A TRAJETÓRIA DO DESENHO NO MUNDO DA MODA Fabiana Castoldi Rech Leticia Fátima Pastorio Sawaris Fabio Redin do Nascimento Resumo: O presente artigo pretende, de forma resumida, demonstrar as formas de desenho e suas aplicações voltadas para o ramo da confecção têxtil, visando mostrar aos profissionais do design e da engenharia de produção as inúmeras possibilidades de atuação na área têxtil e quão rica esta experiência pode se tornar. 1 Um pouco de história "A história da ilustração de moda começa no século XVI, quando as explorações e os descobrimentos provocaram fascinações por vestidos e pelos trajes de todas as nações do mundo" (BLACKMAN, 2007, p. 6). A necessidade de ilustração surgiu devido ao detalhamento necessário ao qual a descrição falada era insuficiente. O desenho servia e ainda serve para passar informações e se ter a noção de como será a peça para quem irá desenvolvê-la, produzi-la ou até mesmo comprá-la. "O desenho exerce, na ilustração, a função de comunicação, expressão e conhecimento" (DERDYK, 2003, p. 29). É através do desenho de moda que os modelos, antes somente pensados e imaginados, tomam forma, complementando o trabalho do estilista, transformando sua criação em realidade e facilitando a sua confecção. Atualmente, desenho e moda se complementam. "Eu não desenho roupas, eu desenho sonhos!" (Ralph Lauren). Em suas várias formas, o desenho torna realizável grandes projetos: cada peça que brilha nos desfiles mundo afora, tiveram origem de um simples rabisco, um esboço que se tornou croqui; o croqui que passou a desenho técnico que, interpretado, virou molde, modelado transformou-se em sonho de consumo. O desenho de moda é uma forma de expressar uma cultura, criar conceitos e formar opiniões. A modelagem é a transformação do desenho em produto. Na modelagem, são transformadas as aspirações dos estilistas em realidade. Consiste em interpretar os desenhos de moda, transformando-os em moldes para tornar possível a confecção das peãs idealizadas pelos estilistas. TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 87 2 Desenhos 2.1 Esboço O esboço é a transferência das ideias para o papel, de forma rápida, simples, sem preocupação estética. No esboço, a principal preocupação é garantir o entendimento da ideia. Segundo Doris Treptow, o esboço não possui compromisso comercial, isso dá liberdade ao designer de dar vazão à criatividade sem preocupar-se com a viabilidade das peças. No desenvolvimento de coleção, o esboço tem papel fundamental, pois é através dele que são definidos os modelos que serão desenvolvidos e poderão vir a fazer parte da coleção de moda. O esboço é a principal ferramenta utilizada para aprimorar as ideias (SEIVEWRIGHT, 2009), a partir dos esboços, as ideias são selecionadas e são desenvolvidos desenhos mais detalhados visando à produção do protótipo. 2.2 Desenho de moda Desenho de moda ou croqui é uma forma de representar as peças a serem lançadas, facilitando a visualização das combinações entre as peças da coleção. É através do croqui que o designer transmite a relação entre as peças isoladas e o tema da coleção, principalmente para os responsáveis pelos departamentos de criação, vendas e marketing. Isso permite que seja apresentada a coleção como um todo, levando em conta desde a postura dos manequins, os acessórios sugeridos, as combinações entre as peças, as formar de uso de cada modelo, enfim a tendência que se quer lançar. No setor produtivo de uma confecção, o croqui nem sempre é utilizado, visto que este desenho não traz todas as informações necessárias para a produção da peça. Croqui é uma forma figurativa utilizada para obter ideias rapidamente e comunicar as ideias de modelos, embora também possa estar relacionado à captação do estilo da roupa, o croqui não serve apenas para interpretar uma roupa, mas também servem para diferenciar o designer, pois cada um tem um estilo próprio e o croqui acaba tornando-se a assinatura do estilista. “O croqui precisa ser um desenho rápido, pois as ideias surgem rapidamente e precisam ser colocadas no papel imediatamente antes que sejam esquecidas” (SORGER; UDALE, 2009, p. 49). Um croqui envolve comunicar as ideias dos modelos, não precisa ser sofisticado, precisa realmente ser bastante proporcional, tem que revelar uma semelhança convincente com uma forma humana real. Existem croquis básicos, somente do corpo do manequim, que são utilizados como base para o desenvolvimento de uma coleção, pois o corpo já está desenhado e basta ao profissional apenas "vesti-lo". Podem ser adquiridos livros, CDs e DVDs específicos com esses croquis que visam facilitar o desenho de uma coleção. 88 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA 2.3 Ilustração de moda Frequentemente, confunde-se desenho de moda com ilustração de moda, cabe ressaltar então suas diferenças básicas. Esboços e croquis abordam roupas, mostram a silhueta, os detalhes. A ilustração de moda é vista como uma arte, permite que o ilustrador seja ainda mais criativo. Na ilustração, não há regras, restrições ou maneiras de se trabalhar, pode-se utilizar diversos materiais de forma não estruturada. A ilustração de moda é tão estimulante e expressiva quanto a interpretação artística individual da ideia de um designer ilustrador. Seja o enfoque do ilustrador, o detalhe, a silhueta, uma narrativa ou o desdobramento de um esboço rápido do design que é desenhado, a ilustração pode captar o espírito de uma coleção com a assinatura do olhar e mão de outro artista. À medida que a tecnologia se desenvolve, o ilustrador de moda tem a escolha de trabalhar com a pureza da arte? lápis, caneta, pincel, crayon, caneta esferográfica, colagem, aerógrafo, tinta? ou ainda com o computador ou combinar os dois. A escolha do enfoque e da técnica é tão ilimitada quanto a imaginação de um ilustrador. O uso da ilustração de moda pode variar de uma livre ilustração pessoal em um trabalho editorial até orientações específicas sugeridas por um brief criativo. “Se a ilustração será utilizada comercialmente, por exemplo, no marketing de um designer demoda, na publicidade ou embalagem de produto, ela pode ser uma forma de desenvolver uma identidade corporativa com o dom da expressão artística” (GRAY, 2009, p. 50). A ilustração de moda é usada pelo departamento comercial e de marketing para a divulgação da coleção, nas campanhas publicitárias a fim de passar o conceito da marca e a temática da coleção. Para David Downton, "A ilustração de moda é uma forma de arte interpretada por outra". Ela pode ser realizada por qualquer pessoa, desde estilistas até publicitários, desde que o desenho passe a mensagem a que se destina. 2.4. Desenho Técnico Desenho técnico é o desenho que apresenta todos os detalhes e as proporções das roupas, é usado para dar suporte ao esboço do produto ou croqui de moda. Serve para orientar a modelista e a pilotista de moda para a confecção da peça a partir de suas informações. Modelista é o profissional que transforma os desenhos em moldes, possibilitando seu corte e sua confecção, já pilotista é o nome dado à costureira ou ao costureiro que prepara o protótipo, isto é, que costura a peça extraída do desenho. "O desenho técnico de moda é um ramo especializado do desenho, caracterizado pela sua normatização e apropriação que faz das regras da geometria descritiva e espacial para construção da representação gráfica da vista frontal, posterior e lateral. Além do conhecimento sobre a anatomia humana e tecnologia" (NEIVA, 2010, s.p.). TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 89 A grande preocupação do desenho técnico é na transmissão de todos os detalhes que compõem a peça. Segundo Doris Treptow, no desenho técnico devem estar especificados os tipos e quantidades de pespontos, tamanho de aberturas (como bolsos), a posição e a quantidade de botões, o traçado dos recortes, enfim, todo o tipo de informação que possa ser útil para modelistas e pilotistas. 2.5. Desenhos de estampas As estampas são imagens ou gravuras usadas para diferenciar modelos, expressar ideias, sinalizar tendências. O profissional que realiza este tipo de função é o designer gráfico. Tradicionalmente, os princípios do design gráfico estavam ligados a um formalismo e funcionalismo, no mundo da moda existe a liberdade de criação e contextualização que torna o designer gráfico peça fundamental no desenvolvimento de uma coleção de moda. As estampas podem ser localizadas, efetuadas peça por peça ou estamparia corrida, que é quando a estampa é feita ainda no tecido antes de ser cortado o modelo. Estampa localizada é a estampa feita com telas e tintas já com as peças previamente cortadas, consiste em vários desenhos, que resultam em várias telas dependendo da quantidade de cores na estampa. Já a estampa corrida divide-se em estampa cilíndrica e por termofixação (papel transfer). 2.6. Desenho de bordados Os desenhos de bordados são criados de forma parecida com as estampas, mas posteriormente passados para a linguagem da máquina de bordado, levando em consideração seu tamanho, número de pontos e cores de linhas. A máquina reconhece o desenho, o número de cores nele contidos e a área a ser bordada, para isto, basta apenas indicar no próprio desenvolvimento do programa de bordado computadorizado. O bordado pode ser manual ou automático, com aplicação, aviamentos ou simplesmente a linha específica de bordado. O detalhamento do desenho é fundamental para que se obtenha um programa de bordado com qualidade. Deve ser levado em conta também as especificações dos tecidos que irão receber o bordado, pois cada tecido requer uma densidade e/ou tamanho de pontos específicos para evitar que o bordado fique repuxado, franzido ou imperceptível. 2.7 Formas de desenho Desenho manual como próprio nome diz é o desenho efetuado manualmente, sem auxílio de programas automatizados, seja com a utilização de esquadros, régua e compasso ou simplesmente desenho a mão livre, como os esboços e as ilustrações mais simples. 90 UNIDADE 1 — A FIGURA HUMANA NO DESENHO DE MODA FEMININA "O desenho à mão livre é a mais antiga forma de representação artística. Mesmo os desenhos pré-históricos encontrados nas cavernas podem ser classificados nesta categoria" (TREPTOW, 2003, p. 142). Feito de forma artesanal requer habilidade e o conhecimento da anatomia humana, pois a postura e proporção do desenho ajudam na demonstração do modelo a ser desenvolvido. Para agilizar o trabalho, existem vários programas de computador (softwares) que facilitam a execução dos desenhos pelos profissionais de design, serão descritos apenas alguns e seus recursos voltados para o desenho de moda. Para a ilustração de moda, duas são as técnicas de desenho por computador utilizadas: o desenho vetorial e os desenhos por bitmap. A maior vantagem que os desenhos assistidos por computador oferecem, é a rapidez com que são obtidas alterações. O designer pode verificar várias opções de cor, tecido e estampa para um mesmo modelo antes de escolher em quais ele será produzido (TREPTOW, 2003, p. 146-147). Os programas mais utilizados em empresas de moda são o Corel Draw, Adobe Illustrator, Adobe Photoshop, CAD/CAM (Audaces). O que diferencia esses programas são as técnicas utilizadas, enquanto o desenho vetorial produz formas geométricas que podem ser ampliadas ou reduzidas sem perda de foco ou alteração de formato, os desenhos por bitmaps exigem que seja definida a dimensão logo no começo da manipulação de imagens, pois qualquer alteração posterior acarreta em perda de qualidade de imagem (resolução). O Corel Draw, baseado em desenhos vetoriais é bastante utilizado para o desenvolvimento de estampas e bordados, visto que podem ser criados e, posteriormente, seu tamanho adequado com o molde das peças, permitindo também alterações rápidas. O Photoshop é ideal para o tratamento de imagens, na elaboração de catálogos de moda, para corrigir pequenos "defeitos" e visualizar o briefing da coleção. O Adobe Illustrator pode ser considerado uma mistura de corel com photoshop, visto que apresenta ferramentas similares dos dois programas. É bastante utilizado no desenvolvimento de estamparia corrida. O Audades é um programa de CAD/CAM (computer aided design e computer aided manufacturing), que permite desde a criação de estampas, croquis, desenhos técnicos, moldes e modelagem até o encaixe automático prevendo aproveitamento melhor do tecido. TÓPICO 3 — DESENHANDO O CORPO DE UM CROQUI DE MODA FEMININA 91 A maior vantagem que os desenhos assistidos por computador oferecem é a rapidez com que podem ser obtidas as alterações e a facilidade de fazer várias simulações com opções de cores, aviamentos e estampas antes mesmo de fazer a peça teste. 3 Conclusão Durante a pesquisa e elaboração deste artigo, percebeu-se que o desenho é de fundamental importância no mundo da moda. Além de facilitar o desenvolvimento de uma coleção, o desenho também é empregado na sua divulgação, trazendo resultados imediatos, pois permite uma infinidade de opções e praticidade na sua aplicabilidade. Fica a certeza de que, no fascinante mundo da moda, o desenho é imprescindível, pois é um mundo cujas ideias faladas não bastam, a criatividade está à flor da pele e a sensibilidade desses profissionais somente pode ser traduzida em forma de desenho. FONTE: Adaptado de <https://www.webartigos.com/artigos/a-trajetoria-do-desenho-no-mundo- -da-moda/56044/>. Acesso em: 25 mar. 2021. 92 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Para aprender a desenhar uma ilustração de moda completa, é importante entender como desenhar as suas partes, observando a musculatura, estrutura óssea e as suas formas. • Para desenhar pés, pernas, mãos, braços e o tronco feminino,é importante entender as proporções e utilizar o passo a passo com medidas comparativas. • Desenhar o corpo feminino é mais fácil quando utilizamos as medidas por cabeças e nos orientamos nas formas geométricas e/ou linhas guias. • Para desenhar o croqui na pose em “S”, de costas, ¾ e perfil, basta sempre seguir o passo a passo do croqui na pose frontal, respeitando a medida em cabeças e adaptando as formas do corpo. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 93 1 Desenhar mãos pode ser muito difícil quando não se treina essa habilidade ou não se utiliza as medidas padrões para chegar a um resultado satisfatório e de acordo com a realidade. Levando em consideração o processo para desenhar mãos femininas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O comprimento dos dedos é praticamente a mesma medida que o comprimento da palma, por isso, ao desenhar mãos, deve-se sempre fazer uma marcação no meio para indicar o início dos dedos. b) ( ) A largura da mãos sempre deve ser o equivalente à largura da cabeça. c) ( ) O comprimento da palma sempre deve ser menor que o comprimento dos dedos, por isso, ao desenhar mãos, é sempre importante dividir o comprimento em três partes para inserir as articulação. d) ( ) Para descobrir a largura das mãos, basta usar a mesma medida que a metade do antebraço. 2 As ilustrações de moda podem ser desenhadas seguindo as medidas de cabeças, em que cada parte do corpo possui uma medida exata dentro das proporções, esse estudo é importante para criar um desenho parecido com o corpo humano, porém, na moda, o corpo é sempre representado de forma mais alongada, é por isso que utilizamos o cânone de nove a dez cabeças. Com base na técnica de representação em cabeça, analise as sentenças a seguir: I- Em um croqui de nove cabeças a posição da cintura é na linha três. II- Em um croqui de nove cabeças a posição da virilha é na linha cinco. III- Em um croqui de nove cabeças a posição dos seios é na linha dois. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 Desenhar um croqui estático e sem movimento normalmente não gera tanto impacto quanto um croqui caminhando ou com uma pose com as pernas em movimentos diferentes, isso porque a perna do croqui é alongada e tem grande destaque no desenho. Com base no processo de desenhar pernas, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As pernas sempre são menores que o tronco no desenho do croqui feminino. ( ) A perna de apoio sempre fica voltada para o eixo central, ficando levemente inclinada. ( ) A coxa é sempre mais grossa e larga que a panturrilha. AUTOATIVIDADE 94 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) F – V – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Ao começar a desenhar um croqui de moda, a primeira coisa necessária a se fazer é decidir qual pose irá engrandecer o caimento das roupas, mostrar todos os detalhes necessários ao cliente, além disso, fazer o cliente se encantar pelo produto, por isso, é bem importante que o croqui esteja em uma pose relaxada e equilibrada. Disserte sobre qual é a função da linha de equilíbrio ou também conhecida como eixo central no desenho de uma ilustração de moda. 5 Existem as mais diversas maneiras de desenhar poses femininas, com movimento das pernas, dos braços e até do tronco, uma posição muito utilizada pelos ilustradores é a em “S”, que deixa o croqui ainda mais belo, ressaltando suas curvas. Nesse contexto, disserte sobre as características da pose em “S”. 95 REFERÊNCIAS ABLING, B. Desenho de moda. 5. ed. São Paulo: Blucher, 2011. 238 p. BRYANT, M. W. Desenho de moda: técnicas de ilustração para estilistas. São Paulo: Editora Senac, 2012. 415 p. CALDERÓN, A. V. Aquarela criativa: um passo a passo para iniciantes. São Paulo: Gustavo Gili, 2019. 136 p. GRANDES MESTRES. Michelangelo. São Paulo: Abril, 2011. (v. 4). DRUDI, E. La figure nella moda: corso di grafica professionale per stilisti fashion designer. 7. ed. Milano: Ikon Editrice srl, 2008. 301 p. FERNÁNDEZ, Á.; ROIG, G. M. Desenho para designers de moda. 2. ed. Lisboa: Editorial Estampa, 2010. 191 p. KONELL, V.; ODORIZZ, T. J.; KREISCH, C. (Org.). Desenho da figura humana. Indaial: Uniasselvi, 2016. 204 p. Disponível em: https://www.uniasselvi.com.br/ extranet/layout/request/trilha/materiais/livro/livro.php?codigo=22502.Acesso em: 14 out. 2020. MACHADO, R. B.; FLORES, C. R. O corpo despido pelas práticas de desenhar: dos usos à disciplinarização do desenho. Bolema, São Paulo, v. 27, n. 45, p. 255- 279, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/bolema/v27n45/v27n45a13. pdf. Acesso em: 15 out. 2020. MORRIS, B. Fashion illustrator: manual do ilustrador de moda. São Paulo: Cosac Naify, 2007. 208 p. STIPELMAN, S. Ilustração de moda: do conceito a criação. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. 470 p. ZOLLNER, F. Leonardo da Vinci: artista e cientista. Koln: Taschen, 2006. 96 97 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender as diferenças de um croqui feminino para um croqui masculino; • perceber como é desenhado uma ilustração de moda masculina; • identificar o passo a passo para desenhar croquis infantis de diversas idades; • reconhecer o procedimento para desenhar adolescentes e pré-adolescentes. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – O CROQUI DE MODA MASCULINA TÓPICO 2 – O CROQUI DE MODA INFANTIL TÓPICO 3 – O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 98 99 UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos as diferenças no desenho de uma ilustração de moda feminina para uma masculina, com o objetivo de perceber como são desenhados os croquis masculinos, suas formas e musculatura. Para isso, estudaremos o desenho de cada parte do corpo separadamente: mãos, braços, pernas e pés, pois os homens possuem as formas bem diferentes das mulheres, esse passo a passo ajudará a chegar a um resultado satisfatório ao desenhar o croqui completo, assim como fizemos com o feminino na Unidade 1. Veremos, neste tópico, também, como representar o rosto de um homem, as diferenças das formas masculinas e a posição correta de cada elemento do rosto, além de estudarmos as diferentes poses da cabeça masculina, na visão frontal, ¾ e perfil, que são as principais utilizadas no desenho de moda. Para concluir, veremos como garantir atitude ao croqui masculino a partir das expressões faciais e estilos de cabelos, que devem sempre combinar com a roupa e nacionalidade do croqui. TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 2 AS DIFERENÇAS DO CROQUI DE MODA MASCULINA O croqui de moda masculina tem muitas semelhanças com o de moda feminina, principalmente com relação à posição de cada elemento do corpo, a principal mudança que percebemos é na largura do corpo e nas formas, visto que o homem tem os músculos e a estrutura óssea mais desenvolvida. 2.1 AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS DO CROQUI FEMININO E MASCULINO É importante ressaltar que desenhamos o homem na moda com um corpo idealizado, assim como fizemos com o feminino na unidade anterior. De acordo com Abling (2011), na ilustração de moda, o croqui masculinoé representado alongado, mas com detalhes realísticos e com o tempo o ilustrador pode criar seu próprio método e a forma que melhor preencha suas necessidades. UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 100 O tórax da figura masculina lembra o formato de um “V”, seu pescoço é mais grosso e os ombros são mais largos do que o croqui feminino que é mais delicado, os quadris também são mais estreitos, sem a curva desenhada na figura feminina (ABLING, 2011). Segundo Abling (2011), o que difere um croqui masculino do feminino são os contornos do corpo, ou seja, as formas e o volume do corpo. Observe o exemplo na Figura 1, que mostra que o sistema de medidas por cabeça possui pequenas diferenças para encontrar a posição de cada parte do corpo, as principais mudanças estão na altura e na largura dos ombros e da cintura. FIGURA 1 – DIFERENÇAS DO CROQUI FEMININO E MASCULINO FONTE: Abling (2011, p. 123) No croqui masculino o maxilar é evidenciado, os braços são praticamente duas vezes mais grossos que os femininos. A cintura do croqui feminino é minúscula, enquanto no masculino é mais realístico e ela é desenhada um pouco mais abaixo no corpo, as pernas são mais grossas e curtas e o joelho pode ser mais pronunciado (ABLING, 2011). Outro bom exemplo comparativo entre o croqui feminino e masculino, podemos observar na Figura 2. Segundo Bryant (2012), a musculatura do homem é mais proeminente, os traços faciais são mais marcados e o maxilar é quadrado. Homens têm troncos largos, cinturas mais baixas e quadris mais estreitos, entretanto a masculinidade nos croquis de moda não é representada por um corpo “grandalhão”. TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 101 FIGURA 2 – COMPARAÇÕES DO CROQUI MASCULINO E FEMININO FONTE: Bryant (2012, p. 78) Conforme Stipelman (2015), a figura de moda feminina e masculina são desenhadas sem grandes diferenças, as mulheres são representadas com desenhos mais fluidos e os homens com formas mais angulares. Outro ponto importante entre as diferenças do croqui masculino e feminino está no tamanho das mãos e das pernas, que no homem são maiores (STIPELMAN, 2015). 2.2 AS FORMAS BÁSICAS DO CORPO MASCULINO E SUA MUSCULATURA Os ombros do croqui masculino são desenhados com duas cabeças de largura, e a linha da cintura pode ter de 1 a 1 ¼ de largura (ABLING, 2011). De acordo com Stipelman (2015), o tronco afunila ligeiramente para o quadril e não se vê curvas como no croqui feminino. UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 102 FIGURA 3 – O TRONCO DO CROQUI MASCULINO FONTE: Abling (2011, p. 122) Como já citado, os homens possuem mais musculatura que as mulheres e um bom exercício para você começar a desenhar croquis masculinos é praticar primeiro a musculatura, coloque um papel vegetal sobre uma imagem da musculatura do corpo masculino (Figura 4) e pratique o desenho, inclusive do esqueleto (BRYANT, 2012). TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 103 FIGURA 4 – A MUSCULATURA DO CORPO MASCULINO FONTE: Bryant (2012, p. 89) A musculatura e os ossos podem ser desenhados tanto com o corpo estático ou com movimento e o desenho pode ser esquematizado/estilizado, servindo apenas para aprender os locais de volume em cada membro do corpo masculino. 2.2.1 O desenho das mãos e braços masculinos Os braços masculinos são um pouco mais pesados e ligeiramente mais curtos que os femininos, deve-se sempre enfatizar o contorno da musculatura (ABLING, 2011). Comece o desenho dos braços sempre pelo ombro, depois desenhe o braço, pare no cotovelo e então continue até o pulso, por último, desenhe a mão, conforme a Figura 5 (ABLING, 2011). UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 104 FIGURA 5 – DESENHANDO BRAÇOS MASCULINOS FONTE: Abling (2011, p. 134) Na Figura 6, podemos comparar a forma dos braços masculinos quando estão retos e curvados, onde enfatiza-se as curvas do antebraço. Observe também que a posição do cotovelo fica exatamente na metade do braço. FIGURA 6 – BRAÇOS MASCULINOS COM MOVIMENTO FONTE: Abling (2011, p. 135) Segundo Stipelman (2015), os pulsos dos braços do croqui masculino são mais grossos e a mão é mais quadrada, com dedos mais retos do que cônicos, como os femininos. A mão masculina tem dedos mais angulares, a palma mais curta e mais funda, o punho mais largo e o dorso da mão cúbico (ABLING, 2011), veja alguns exemplos na Figura 7. TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 105 FIGURA 7 – DESENHO DA MÃO MASCULINA FONTE: Abling (2011, p. 134) Tome o cuidado para não deixar a mão masculina graciosa demais, mantendo sempre os dedos mais grossos (ABLING, 2011). Pratique vários gestos de mãos masculinas para pegar o jeito e, se quiser, pode utilizar os passo a passos já estudados sobre mãos femininas. Veja outros exemplos de poses de mãos masculinas na figura a seguir e escolha algumas para desenhar em seu caderno de esboços, leve o tempo que precisar e procure sempre desenhar a mão direita e a esquerda. UNI FIGURA 8 – DESENHO DE POSES DE MÃOS MASCULINAS FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/584834701602706210/>. Acesso em: 26 mar. 2021. UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 106 Além dos exemplos apresentados, você também pode pesquisar na internet desenhos de mãos e praticá-las e até utilizar um modelo vivo e fazer o desenho de observação das mãos masculinas. DICAS 2.2.2 O desenho de pernas e pés masculinos A figura de moda masculina segue a fórmula metade/metade, podemos observar isso nos braços, mãos e agora nas pernas. A parte superior da perna, onde fica a coxa, têm o mesmo tamanho que a parte inferior, onde fica a panturrilha, ou seja, o joelho fica exatamente no meio do comprimento da perna (ABLING, 2011). A perna deve acompanhar a largura do quadril, o joelho e os tornozelos devem ser desenhados enfatizados para ressaltar a aparência masculina, como na Figura 9 (ABLING, 2011). FIGURA 9 – DESENHO DE PERNAS MASCULINAS FONTE: Abling (2011, p.132) Na sequência, segue a Figura 10 que apresenta as pernas masculinas desenhadas nas três posições principais (frontal, ¾ e perfil), perceba que o desenho da virilha em cada uma das posições também se altera. TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 107 FIGURA 10 – DESENHO DAS PERNAS EM DIFERENTES POSIÇÕES FONTE: Abling (2011, p. 133) Segundo Stipelman (2015), as pernas e pés da figura de moda masculina são bem diferentes da feminina, as panturrilhas e os tornozelos são mais definidos e os pés são maiores e mais angulares. FIGURA 11 – DESENHO DE PÉS MASCULINOS FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/3e/6f/51/3e6f512ab4586c59f2677644b2fc7dd6.jpg>. Acesso em: 26 mar. 2021. De acordo com Bryant (2012), o pé masculino é menos delicado e mais quadrado que o feminino. A Figura 12 mostra o desenho dos pés masculinos em suas diferentes posições (frontal, ¾ e perfil). UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 108 FIGURA 12 – O DESENHO DOS PÉS NAS DIFERENTES POSIÇÕES FONTE: Abling (2011, p. 133) Assim como nos desenhos de mãos, vale a pena praticar o desenho de pés nas mais variadas posições e com os mais diversos calçados, isso irá ajudá-lo a criar a figura masculina completa. Para ver as principais diferenças no desenho da musculatura masculina nos croquis de moda, assista ao vídeo Como desenhar o corpo masculino no canal do YouTube Mariana Cagnin, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=zKyTpTrpwoA. DICAS 3 DESENHANDO O CROQUI MASCULINO Primeiramente, precisamos lembrar do passo a passo para a construção de um croqui, porém, agora, observando as formas características dos homens. Assim como no croqui feminino, o primeiro passo é traçar o eixo de simetria e esboçar a cabeça, para então dividir o corpo em nove cabeças iguais, como no exemplo da Figura 13 (BRYANT, 2012). TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 109 FIGURA 13 – INCIANDO O DESENHO DO CROQUI MASCULINO FONTE: Bryant (2012, p. 81) Segundo Bryant(2012), para continuar o desenho do croqui masculino pode-se utilizar formas geométricas simplificadas e depois delinear a musculatura, conforme a Figura 14. FIGURA 14 – UTILIZANDO FORMAS GEOMÉTRICAS PARA DESENHAR O CROQUI Linha de Equilíbrio FONTE: Bryant (2012, p. 82) UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 110 Quando as linhas geométricas estiverem esboçadas, delineia-se os ombros, o toráx e o abdômen, como na Figura 15, lembrando que o físico masculino do croqui de moda não é grandalhão (BRYANT, 2012). Pense nos modelos de passarela e não nos homens que praticam musculação. FIGURA 15 – DELINEANDO O DESENHO DO CROQUI MASCULINO FONTE: Bryant (2012, p. 83) Os croquis aprentados até o momento estão todos de frente, mas podemos pensar em poses diferentes também para o homem, apenas tomar o cuidado para transmitir uma atitude masculina para ele. Para aprender a desenhar o croqui masculino de frente com passo a passo, assista ao vídeo Como desenhar croqui Masculino – Desenho de Moda do canal do YouTube Tathiane Vargas, disponível no link: https://www.youtube.com/ watch?v=GWoQBBGu7Rk&t=174s DICAS TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 111 3.1 O CROQUI MASCULINO EM DIFERENTES POSIÇÕES A primeira pose que vamos observar é a em ¾, que é semivirada, observe que o passo a passo do desenho continua a mesmo, sempre iniciando de cima para baixo e finalizando com o delineamento dos braços e músculos, como na Figura 16. FIGURA 16 – PASSO A PASSO DO CROQUI MASCULINO NA POSIÃO ¾ FONTE: Abling (2011, p. 140) Observe, na figura 17, que o lado direito é maior que o esquerdo no desenho, pois é a parte que está mais próxima de nós e, por isso, está em perspectiva. A posição das pernas também ajuda mostrar que a pose é em ¾ (ABLING, 2011). UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 112 FIGURA 17 – CONTINUAÇÃO PASSO A PASSO CROQUI EM ¾ FONTE: Abling (2011, p. 141) Importante sempre lembrar que o ombro mais próximo de nós é desenhado maior, enquanto o lado mais longe é desenhado escondido atrás do corpo, detalhe característico desse tipo de pose, veja isso na Figura 18 (ABLING, 2011). FIGURA 18 – EXEMPLO DE POSES MASCULINAS EM ¾ FONTE: Abling (2011, p. 128) TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 113 O croqui em ¾ ou totalmente virado, em perfil, é utilizado quando queremos mostrar detalhes nas laterais das roupas, como se tivesse alguma listra na lateral da calça, entre outras coisas, observe a diferença da pose ¾ e perfil na Figura 19 (BRYANT, 2012). FIGURA 19 – COMPARAÇÕES DO CROQUI EM ¾ E PERFIL FONTE: Bryant (2012, p. 94) Como já estudado anteriormente, quando o croqui muda de pose, as formas dos membros também mudam ligeiramente, observe, na Figura 20, um exemplo de como a panturrilha e demais partes do corpo mudam com o giro da figura de moda masculina. FIGURA 20 – DIFERENÇAS DAS FORMAS DO CORPO NA POSE PERFIL FONTE: Abling (2011, p. 131) UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 114 Até o momento vimos a figura masculina na posição frontal, ¾ e perfil. Para finalizar as poses masculinas, verificaremos, na Figura 21, como ela pode ser desenhada na vista posterior, ou seja, de costas. FIGURA 21 – O CROQUI MASCULINO NA POSE DE COSTA VISTA DORSAL DA FIGURA DE QUADRIL ALTO FONTE: Bryant (2012, p. 88) A pose de curva em “S” também pode ser utilizada em croquis masculinos, porém fica melhor se não for tão insinuada quanto no croqui feminino, para não marcar tanto os quadris (BRYANT, 2012). Antes de desenhar diferentes poses para o croqui masculino certifique-se que entendeu a explicação da perna de apoio apresentado na Unidade 1, pois a regra para o croqui masculino permanece a mesma, porque ele também precisa ter equilíbrio. Para aprender a desenhar o croqui masculino na pose andando, assista ao vídeo Pose masculina 1 (andando) do canal do YouTube Fayci Tage, disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=Y016HN-2QCA DICAS TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 115 4 DESENHANDO A CABEÇA DO CROQUI MASCULINO Assim como no croqui feminino, no masculino, também estudaremos o desenho do rosto, iniciando em como desenhar os elementos na posição frontal, ¾ e, por último, de perfil, também veremos como representar os cabelos e conferir atitude ao croqui por meio do rosto. 4.1 O MAPA FACIAL E PROPORÇÕES DO ROSTO FRONTAL NO CROQUI MASCULINO De acordo com Bryant (2012), é muito mais simples desenhar o rosto de homens que de mulheres, pois não possui tantos detalhes de adição, a principal diferença é que a estrutura óssea é mais evidente e isso pode ser traduzido com algumas linhas e sombreamentos. O formato do rosto é mais angular e linhas retas serão utilizadas para representar as feições, diferente do rosto feminino em que são utilizadas mais linhas curvas. Para entender as diferenças do rosto masculino e feminino, assista ao vídeo Desenhando rosto feminino vs. masculino: diferenças do canal do YouTube Mariana Cagnin, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=ZivPDRERvKM. DICAS Comece o desenho da cabeça frontal em uma razão de 2:3, então, desenhe a forma oval marcando bem o maxilar do rosto. Faça uma linha vertical para ser usada como eixo de simetria, isso ajuda a desenhar tudo espelhado nos dois lados. Para finalizar, trace as linhas como é feito no feminino, adicionando a linha dos olhos, cabelos, nariz e boca, depois as desenhe mais retas e proeminentes, como no passo a passo a seguir (BRYANT, 2012). FIGURA 22 – O ROSTO MASCULINO NA POSIÇÃO FRONTAL FONTE: Bryant (2012, p. 153) UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 116 Segundo Abling (2011), o rosto masculino pode ser desenhado abreviado e estilizado, como no croqui feminino. Os rostos masculinos normalmente são desenhados com os maxilares mais largos e com mais ênfase na definição do queixo, as sobrancelhas são desenhadas mais próximas dos olhos, o nariz é mais proeminente e a boca pode ser mais cheia e sutil, conforme a Figura 23. FIGURA 23 – A POSIÇÃO DOS ELEMENTOS DO ROSTO MASCULINO FONTE: Abling (2011, p. 136) Observe, na Figura 24, que para saber onde ficam a posição de cada elemento do rosto masculino, inicia-se dividindo a cabeça ao meio para achar a linha dos olhos, depois divide-se o módulo inferior para encontrar a posição do nariz e, por último, define-se a altura da boca, lembrando que o homem precisa de mais espaço no queixo para deixá-lo mais proeminente. TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 117 FIGURA 24 – VISTA FRONTAL DA CABEÇA MASCULINA FONTE: Abling (2011, p. 137) As posições dos elementos no rosto masculino são iguais ao feminino, com exceção de que a forma da cabeça é mais angular, os olhos são mais estreitos, não possuindo muita pálpebra para colocar maquiagem como nos olhos femininos e as sobrancelhas são mais baixas, próxima aos olhos (STIPELMAN, 2015). Para aprender a desenhar o rosto masculino com passo a passo, assista ao vídeo Desenhando rosto masculino do canal do YouTube Prodígio, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=v8YfYhdWs4E. DICAS 4.2 COMO DESENHAR A VISTA ¾ DO ROSTO MASCULINO Nas posições em ¾ e perfil, o rosto masculino tem um ligeiro recuo na testa, as sobrancelhas ficam mais estendidas, o nariz é mais reto e não há tanta curva entre a boca e o nariz, comparado ao rosto feminino desenhado nestas posições (STIPELMAN, 2015). Para desenhar o rosto em ¾, a linha do centro da frente vai virar junto à cabeça e tornar-se curva, as duas metades do rosto não vão ter mais a mesma aparência e essa linha ajuda a posicionar corretamente as distâncias dos elementos do rosto, observe isso na Figura 25 (BRYANT, 2012). UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 118 FIGURA 25 – DESENHO DA CABEÇA MASCULINA EM ¾ FONTE: Bryant (2012, p. 154) Depois de desenhar o formato da cabeça, é preciso inserir a linha de centro curvada, marcando os pontos de referência verticais dos olhos,nariz, boca e, por último, a orelha apenas de um lado da cabeça (BRYANT, 2012). Na sequência, refine as formas do rosto, acrescente os elementos, tentando diminuir o lado dos elementos que estão se afastando da vista, no caso das figuras 25 e 26 o lado direito. Lembre-se de que o nariz está escondendo parte do olho direito (BRYANT, 2012). FIGURA 26 – PASSO A PASSO DESENHO DA CABEÇA EM ¾ MASCULINA FONTE: Abling (2011, p. 137) Para fazer um rosto em ¾ não necessariamente o corpo precisa estar nessa mesma posição, o croqui facilmente pode estar na posição frontal na pose do corpo e a cabeça em posição ¾. TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 119 Para aprender a desenhar o rosto masculino em ¾ de forma prática, assista ao vídeo Como desenhar cabeça de meio perfil: 1 de 2 (construção) – Aprenda a desenhar #10 do canal do YouTube Academia Brasileira de Arte (ABRA), disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=Wppm79gXuBI. DICAS 4.3 COMO DESENHAR A VISTA PERFIL DO ROSTO MASCULINO Assim como nas outras poses da cabeça, inicie seu desenho com um retângulo para desenhar a cabeça em perfil, depois adicione um oval dentro do retângulo com a ponta mais estreita posicionada no canto inferior esquerdo ou direito do retângulo, dependendo de qual lado você deseja que a figura esteja olhando (BRYANT, 2012). Divida a forma oval com duas linhas em cruz (uma vertical e outra horizontal), essa linha determina a posição da orelha e dos olhos, conforme o exemplo da figura 27, as outras medidas podem ser adicionadas, como na posição frontal da cabeça, para determinar a posição do nariz, lábios e queixo (BRYANT, 2012). FIGURA 27 – O DESENHO DO ROSTO MASCULINO NA POSIÇÃO PERFIL FONTE: Bryant (2012, p. 155) Para concluir, desenhe os elementos faciais, posicionando-os sobre os pontos de referência adicionados, indique a linha do cabelo e observe, na Figura 28, como a cabeça fica mais à frente que o pescoço e como ele é marcado com linhas expressivas (BRYANT, 2012). UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 120 FIGURA 28 – PASSO A PASSO DO DESENHO DA CABEÇA EM PERFIL MASCULINA FONTE: Bryant (2012, p. 137) Para complementar seus estudos sobre o desenho do rosto masculino em perfil, assista ao vídeo Como desenhar rosto masculino de perfil do canal do YouTube Sonzin Arts, que contém um passo a passo dele. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=GVUEA2hP2oE>. Acesso em: 24 mar. 2021. DICAS Algo importante para dar atitude ao desenho masculino é trazer sombreamento e cabelos com caimentos e texturas interessantes, leia o próximo subtópico para compreender como desenhá-los em seu croqui. 4.4 CONFERINDO ATITUDE AO ROSTO MASCULINO O rosto masculino não leva maquiagem, por isso, para conferir atitude aos desenhos, pode-se utilizar os diferentes tipos faciais, como na Figura 29, observe o tipo de barba, cabelo e acessórios utilizados em cada rosto (STIPELMAN, 2015). TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 121 FIGURA 29 – TIPOS FACIAIS DOS ROSTOS MASCULINOS FONTE: Adaptador de Stipelman (2015, p. 420) É importante tomar cuidado para desenhar a barba corretamente sobre o rosto masculino, por isso, assista ao vídeo Como desenhar barba do canal do YouTube VCdesenhos, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=qZ7UGPzU7Eo. DICAS Os cabelos das figuras de moda mudam ao longo da história, por isso é interessante observar a tendência e objetivo da coleção para escolher o tipo de cabeça ideal para sua ilustração, as costeletas sobem e descem abaixo das orelhas, a figura pode ser calva ou barbeada, há muitas possibilidades, veja algumas delas na Figura 30 (ABLING, 2011). UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 122 FIGURA 30 – DESENHO DE CABELOS MASCULINOS FONTE: Abling (2011, p. 138) Nas ilustrações de moda, o cabelo não é ponto focal, o que mais importa é a roupa e os acessórios do desenho, por isso, ele pode ser feito estilizado de modo mais conciso, como na Figura 31. O cabelo pode ser desenhado com formas mais minimalistas, usando poucas linhas, esboçadas, ou também pode ser desenhado de modo mais realista e o interessante é o cabelo corresponder ao estilo do desenho (ABLING, 2011). FIGURA 31 – TIPOS DE CABELO MASCULINO FONTE: Abling (2011, p. 139) TÓPICO 1 — O CROQUI DE MODA MASCULINA 123 O cabelo não é um desenho apenas de forma, é importante considerar também a direção, que é o movimento ou maneira de pentear o cabelo. Lembre- se de criar a atitude certa com o rosto, que irá complementar a atitude da roupa, teste uma gama de idades e nacionalidades em seus desenhos, com todos os tipos de cabelos (ABLING, 2011). Para aprender a desenhar cabelos masculinos com luz e sombra em grafite, assista ao vídeo Como desenhar cabelos masculinos do canal do YouTube Ranima Comp, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=rIdJHJldsW4. DICAS Para finalizar os rostos masculinos, indica-se sempre aplicar luz e sombra, independente do material de pintura que estiver utilizando. A Figura 32 mostra onde inserir as sombras em cada posição da cabeça. FIGURA 32 – AS SOMBRAS EM CADA POSIÇÃO DA CABEÇA MASCULINA Vista frontal Vista girada ¾ Vista de perfil FONTE: Stipelman (2015, p. 419) UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 124 Para praticar os conhecimentos passados nesse tópico, sugerimos que desenhe o croqui masculino completo em todas as posições: frontal, ¾, perfil e de costas. Lembre-se de aplicar as técnicas de simetria e experimente inserir a cabeça também nas posições apreendidas, com a feição e cabelos que demostrem seu estilo pessoal de desenho. UNI 125 Neste tópico, você aprendeu que: • O croqui masculino é desenhando de forma semelhante ao feminino, mudando apenas algumas formas e volumes. • Os músculos e estrutura óssea dos homens são mais desenvolvidos e, por isso, o croqui masculino é mais largo que o feminino. • O rosto masculino é mais angular que o feminino e seus elementos são desenhados com linhas mais geométricas e concisas. • Para garantir atitude ao rosto masculino, é importante inserir cabelos e traços da feição que representem o estilo da roupa. RESUMO DO TÓPICO 1 126 1 Sabemos que o corpo masculino e feminino possui diversas diferenças, e no croqui de moda não é diferente. É importante um ilustrador conseguir diferenciar adequadamente suas ilustrações femininas e masculinas para o cliente interpretar adequadamente sua coleção ou criação. Sobre essas diferenças dos croquis femininos e masculinos, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A musculatura dos homens é mais proeminente que da mulheres, os traços faciais são mais marcados e o maxilar é quadrado. Homens têm troncos largos, cinturas mais baixas e quadris mais estreitos. b) ( ) As mulheres são mais delicadas e mais baixas que os homens, por isso o croqui masculino é sempre representado com uma cabeça a mais que o croqui feminino. c) ( ) As posições dos elementos do corpo dos homens são iguais as das mulheres, a única diferença está na largura das pernas e dos braços, que possuem mais musculatura. d) ( ) A principal diferença entre os homens e mulheres está no maxilar, os homens possuem um maxilar mais quadrado e delineado, enquanto as mulheres possuem um rosto mais fino e gracioso, as demais parte do corpo não possuem grande diferença. 2 Além das diferenças de corpo e musculatura do croqui masculino e feminino, também existem diferenças significativas nos rostos, os elementos são desenhados diferentes e cada ilustrador pode criar suas próprias formas de desenhar o rosto ao longo do tempo, mas antes disso, é necessário entender as regras padrões de como desenhar rostos masculinos. Com base nas diferenças do desenho de rostos femininos e masculinos, analise as sentenças a seguir: I- As feições do rosto masculino são desenhadas mais curvilíneas e maiores, enquanto, no rosto feminino, os elementos são menores e mais delicados. II-Para representar as feições do rosto masculino são utilizadas formas mais angulares e retas, já no feminino, utilizam-se mais curvas. III- Os olhos masculinos são mais estreitos, não possuem muita pálpebra como os olhos femininos e as sobrancelhas são mais baixas, próximas aos olhos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças II e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 127 3 Segundo Abling (2011), o que difere um croqui masculino do feminino são os contornos do corpo, ou seja, as formas e o volume do corpo. Considerando as diferenças que encontramos entre o corpo masculino e o feminino, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Uma das diferenças entre o corpo do croqui feminino e masculino é a altura e a largura dos ombros e da cintura. ( ) Os pulsos do croqui masculino são mais grossos e as mãos mais quadradas do que as mãos femininas. ( ) Os braços masculinos são mais musculosos e mais compridos que os femininos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) V – V – V. 4 Uma das grandes dificuldades dos desenhistas amadores é desenhar o rosto de um croqui, isso porque, muitas vezes, não houve um estudo preliminar da posição correta de cada elemento no rosto, esse estudo é essencial para o rosto ficar de acordo com as proporções corretas da cabeça humana. Considerando isso, disserte sobre como encontrar as posições exatas de cada elemento do rosto masculino. 5 Muitos ilustradores costumam esconder as mãos dos croquis em suas ilustrações, isso porque existe uma extrema dificuldade em desenhá-las em certas posições, porém, é muito importante aprender a desenhar as mãos, pois elas ajudam a mostrar o caimento das peças nos croquis e também a transmitir atitude. Nesse contexto, disserte sobre as características do desenho de mãos masculinas. 128 129 UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, iniciaremos o Tópico 2 analisando como desenhar as partes separadas de um croqui infantil, primeiramente, desenhando as mãos, depois braços, pés, calçados, pernas, poses e analisaremos as vistas do corpo infantil frontal, ¾, perfil e de costas. Na sequência, veremos como desenhar bebês e crianças de 2 a 4 anos, de 4 a 6 anos e de 7 a 10 anos, que são as idades mais comuns utilizadas na moda para desenhar as roupas infantis. Para o desenho de crianças, o corpo feminino e masculino não possui grandes diferenças, então estudaremos os gêneros juntos, o que os distingue serão as características dos rostos, cabelos, poses, roupas e acessórios. Ao concluir e estudo dos corpos, vamos estudar sobre a cabeça infantil, a posição dos elementos no rosto, os tipos de cabelo e a vista da cabeça frontal, ¾ e perfil, tanto masculina quanto feminina. TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 2 COMO DESENHAR CRIANÇAS DE DIFERENTES IDADES Desenhar crianças pode ser difícil para os ilustradores acostumados a desenhar adultos, pois é preciso dar um ar de suavidade e inocência aos croquis. Para desenhar crianças, não basta apenas pensar na pose, mas qual idade e altura ela terá para transmitir o marketing necessário da coleção (ABLING, 2011). Os tamanhos das crianças variam muito dentro de uma mesma idade, porém, nos exemplos que estudaremos, o croqui irá ficando cada vez maior, iniciando pelo bebê, depois crianças de 2 a 4 anos, crianças de 4 a 7 anos e crianças de 7 a 10 anos, para diferenciar um grupo de idade do outro (ABLING, 2011). Na Figura 33 podemos perceber a diferença entre uma idade e outra, os croquis A, B e C foram alinhados no ombro, para observarmos como tudo muda de uma altura para a outra, desde a cabeça, braços, pernas e cintura do croqui (ABLING, 2011). 130 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL FIGURA 33 – AS DIFERENÇAS DE TAMANHO DOS CROQUIS INFANTIS FONTE: Abling (2011, p. 167) Quando os croquis são alinhados pelo chão, vemos a drástica diferença de altura, isso ocorre porque em cada idade a quantidade de cabeças na altura muda (ABLIGN, 2011). 2.1 DESENHANDO OS ELEMENTOS DO CORPO DE CRIANÇAS As formas dos elementos do corpo de crianças são fáceis de aprender, pois estudamos apenas um tamanho e apenas aumentamos ou diminuímos de acordo com a idade da criança a ser ilustrada, isso facilita muito no processo de aprendizagem do desenho infantil (ABLING, 2011). As mãos infantis são mais pequenas e gordinhas do que a mão adulta e lembram as características de desenho animado, os dedos são curtos, pequenos e arredondados, é o oposto dos dedos afunilados do croqui feminino, todos os detalhes como os nós dos dedos se perdem no desenho da mão de uma criança de qualquer idade e elas podem ser colocada em poses que lembrem a brincadeiras, como na Figura 34 a seguir (ABLING, 2011). TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 131 FIGURA 34 – DESENHANDO MÃOS DE CRIANÇAS FONTE: Abling (2011, p. 181) Ao contrário dos adultos as crianças possuem mais dinamismo nas poses, com um ar de brincadeira, uma aparência desajeitada. Elas quase nunca têm pescoço, os braços e pernas são gorduchos e possuem uma barriguinha redonda (ABLING, 2011). Em croquis infantis os braços seguem a mesma fórmula que os braços de adultos, o braço tem o mesmo tamanho que o antebraço, ou seja, o cotovelo fica no meio, como na Figura 35, cuidado para não inserir muita musculatura, já que as crianças não têm o corpo muito desenvolvido ainda (ABLING, 2011). FIGURA 35 – DESENHANDO BRAÇOS DE CRIANÇAS FONTE: Abling (2011, p. 180) 132 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Segundo Bryant (2012), os pés de bebês normalmente são desenhados grandes e rechonchudos, como os bebês ainda não caminham, frequentemente as solas dos pés dos bebês aparece, pois eles são desenhados sentados ou engatinhando. FIGURA 36 – DESENHANDO PÉS DE BEBÊS E CRIANÇAS FONTE: Bryant (2012, p. 172) Conforme a criança vai crescendo os pés começam a afinar e a sustentar o peso do corpo, logo o desenho muda, ficando menor com relação ao tamanho do corpo. Os estilos dos sapatos também mudam conforme a criança cresce, ficando mais sofisticados, observe alguns modelos de calçados infantis na Figura 37 (BRYANT, 2011). FIGURA 37 – DESENHO DE CALÇADOS INFANTIS FONTE: Bryant (2012, p. 175) TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 133 Para desenhar as pernas de crianças pode-se utilizar da mesma fórmula da figura adulta, em que metade da perna (coxa) é igual em comprimento que a parte de baixo (panturrilha), ou seja, o joelho fica no meio da perna, como no exemplo da Figura 38 (ABLING, 2011). FIGURA 38 – DESENHANDO PERNAS DE CRIANÇAS FONTE: Abling (2011, p. 182) Agora que você já aprendeu a desenhar a estrutura das pernas infantis, pode começar a desenhar pernas com poses mais elaboradas, mas lembre-se de que a atitude das pernas deve corresponder à idade que você está desenhando, os bebês, por exemplo, devem ser desenhados sentados, pois raramente ficam em pé sozinhos, veja exemplos de poses em pé e sentadas na Figura 39, observe atentamente as formas das penas em cada posição (ABLING, 2011). 134 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL FIGURA 39 – POSANDO PERNAR DE CRIANÇAS FONTE: Abling (2011, p. 183) Segundo Stipeman (2015), é importante considerar que desenhar crianças não é desenhar um adulto em escala, suas poses não são elegantes e graciosas, são mais animadas e, por vezes, estranhas e desajeitadas, seus rostos não transmitem atitude, eles são inocentes, desinibidos e expressivos, veja algumas poses com essas características na Figura 40. FIGURA 40 – GESTOS E PERNA DE APOIO PARA CRIANÇAS FONTE: Abling (2011, p. 184) Assim como nas figuras de moda adulta no croqui infantil, também podemos desenhar o corpo em diferentes vistas, a Figura 41 mostra um exemplode como desenhar o corpo de crianças na pose de costas, perfil, frontal e ¾. TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 135 FIGURA 41 – DESENHANDO O CORPO INFANTIL NAS DIFERENTES VISTAS FONTE: Abling (2011, p. 166) De acordo com Stipelman (2015), quanto mais jovem é uma criança, mais formas “redondas” devem aparecer no desenho. Primeiro, vamos estudar o desenho de bebês, a diferença de um bebê para as crianças é que o bebê é aquele que depende de colo, ou seja, ainda não começou a andar. 2.2 DESENHANDO BEBÊS A cabeça do bebê é ¼ do corpo e tudo nele deve ser redondo, desde a cabeça, o tronco, os braços e as pernas. Como os bebês não andam, é melhor representá-los sempre sentados e, por isso, os joelhos ganham uma ondulação exagerada, observe esse efeito na Figura 42 (STIPELMAN, 2015). FIGURA 42 – DESENHANDO BEBÊS COM PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 185) 136 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Não estranhe se começar a desenhar um bebê e achar que a cabeça está muito grande, apesar de serem medidas contraditórias é assim que os representamos, a cintura aparece só como uma sugestão, pois eles devem parecer gordinhos (ABLING, 2011). A Figura 43 mostra como podemos usar a medida por cabeças para entender o tamanho do tronco, que é equivalente a de duas cabeças (ABLINF, 2011). FIGURA 43 – AS PROPORÇÕES DO BEBÊ NA ILUSTRAÇÃO DE MODA FONTE: Abling (2011, p. 168) Para aprender a desenhar o croqui de bebê sentado com passo a passo, assista ao vídeo Como desenhar bebê – Desenho de Moda no canal do YouTube Tathiane Vargas, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=hatFYbCfEE0. DICAS O fato de uma criança parecer com a cabeça muito grande está associada ao crescimento da criança estar mais associado ao tronco e aos membros do que na cabeça em si (BRYANT, 2012). TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 137 Como as crianças raramente ficam paradas por muito tempo, utilizar imagens é essencial para observar poses e desenhar, já que é muito dificil utilizar o modelo vivo, pois as crianças costumam ser inquiétas (BRYANT, 2012). Conforme Bryant (2012), os grupos de bebês são dividos entre bebês de colo, ou rescém-nascidos, e os que já andam, por isso, vale aprender também a desenhá-los em pé, em que pode ser inserido detalhes nas roupas que no croqui sentado não seria possível visualizar. A Figura 44 mostra o bebê de colo desenhado em pé em todas as vistas necessárias para desenhar suas ilustrações infantis, frontal, perfil e ¾. FIGURA 44 – BEBÊ DE COLO EM PÉ EM TODAS AS VISTAS FONTE: Bryant (2012, p. 103) A principal diferença entre os bebês e as crianças de 2 a 4 anos de idade é que as crianças ficam de pé sozinhas e os bebês não, outro detalhe é que as crianças já não utilizam mais fralda, logo, os locais de fechamento das roupas começam a mudar (ABLING, 2011). 2.3 DESENHANDO CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS DE IDADE Para desenhar crianças, você pode utilizar muita criatividade, desde as poses criadas, as expressões do rosto e aos materiais utilizados para colorir ou até fazer colagens (BRYANT, 2012). As crianças de 2 a 4 anos já conseguem ficar em pé e andar e assim como os bebês, ainda possuem a cabeça grande, o pescoço é ainda escondido e o tronco gorducho, com barrigas arredondadas, principalmente se observamos na vista perfil na Figura 45 (ABLING, 2011). 138 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL FIGURA 45 – O DESENHO DE CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS EM TODAS AS VISTAS FONTE: Abling (2011, p. 170) Desenhar o croqui de 2 a 4 anos pode ser particularmente complicado, eles não são mais bebês, mas não podem parecer muito crescidos, eles estão dando seus primeiros passos e ainda não têm muito equilíbrio, por isso não os coloque em poses muito elaboradas. Nessa idade representamos o croqui com 4,5 cabeças, acompanhe um passo a passo do desenho do croqui de 2 a 4 anos na Figura 46 (ABLIGN, 2011). FIGURA 46 – PASSO A PASSO DESENHO DE CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS FONTE: Abling (2011, p. 185) TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 139 Conforme você for pegando o jeito para desenhar as poses frontais do croqui infantil, vale a pena sempre tentar desenhá-lo nas outras vistas, assim você pega a prática de representação das formas de acordo com a idade. Para aprender de maneira prática a desenhar o croqui infantil com passo a passo, assista ao vídeo Como desenhar croqui infantil – Desenho de moda no canal do YouTube Tathiane Vargas, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vxjWx5WUIeo. DICAS 2.4 DESENHANDO CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS DE IDADE As crianças de 4 a 6 anos não possuem mais cara de bebê, o rosto já apresenta traços de criança, mesmo assim a figura ainda tem um ar desajeitado e brincalhão, agora o comprimento do corpo tem uma cabeça mais alta que do croqui de 2 a 4 anos (ABLING, 2011). Os braços e pernas são um pouco mais longos que do faixa etária anterior, a barriga se mantém arredondada. Para esses croquis se destacarem entre os seus desenhos, coloque-os em poses desajeitadas e com a linha de equilíbrio deslocada, como no passo a passo da Figura 47 (ABLING, 2011). FIGURA 47 – PASSO A PASSO DO CROQUI DE 4 A 6 ANOS FONTE: Abling (2011, p. 171) 140 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Segundo Abling (2011), são utilizadas 5,5 cabeças de comprimento para o croqui de 4 a 6 anos e, aproximadamente, uma cabeça de largura no tronco superior e inferior. Siga o guia de proporções da Figura 48 para entender a posição de cada parte do corpo, e lembre-se de que, nessa idade, as crianças já têm uma pisada mais firme e por isso as poses podem refletir um pouco mais de atividade (BRYANT, 2012). FIGURA 48 – PROPORÇÕES DO CROQUI DE 4 A 6 ANOS FONTE: Bryant (2012, p. 111) De acordo com Bryant (2012), para desenhar meninas e meninos pode-se utilizar o mesmo guia de medidas, para diferenciar um gênero do outro pode ser utilizado expressões faciais e os cabelos. Depois que se sentir mais seguro em desenhar essa faixa etária, já pode começar a desenhá-la em outras poses, como no exemplo da Figura 49 a seguir. FIGURA 49 – AS VISTAS DO CROQUI DE 4 A 6 ANOS FONTE: Bryant (2012, p. 113) TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 141 Conforme Stipelman (2015), nessa idade, as crianças já perderam um pouco da gordura de bebê, mas ainda não existe cintura e o estômago se projeta menos para frente, assim como na próxima idade a se estudar, que é a de 7 a 10 anos, cujo tecido muscular começa a surgir, porém a cintura ainda não está definida. 2.5 DESENHANDO CRIANÇAS DE 7 A 10 ANOS DE IDADE Na idade de 7 a 10 anos, a criança já começou a ser alfabetizada e frequenta a escola, a figura tem aproximadamente 6,5 cabeças de altura, os braços, pernas e tronco se tornam mais longos e magros e os joelhos e cotovelos ficam mais aparentes (STIPELMAN, 2015). As meninas ou meninos dessa idade são mais altos que os grupos etários anteriores e, finalmente, o pescoço começa a aparecer. Nessa faixa de idade, as poses começam a ser menos desajeitadas, mas ainda muito ativas (ABLING, 2011). Nessa idade, os meninos possuem um corpo cilíndrico e pouca ou nenhuma cintura, o tronco é um pouco mais largo que o da menina e a largura do ombro ainda é curta, mas começa a aumentar à medida que os músculos e a estrutura óssea for se desenvolvendo (BRYANT, 2012). A Figura 50 apresenta um passo a passo de representação do croqui infantil masculino de 7 a 10 anos. FIGURA 50 – PASSO A PASSO DESENHO DE CRIANÇAS DE 7 A 10 ANOS FONTE: Abling (2011, p. 172) 142 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL A menina pode ser desenhada com a cintura levemente mais fina e o quadril um pouco mais largo. Para começar o desenho, é importante, primeiro, encontrar a posição correta de cada parte do corpo, seguindo os guias apresentados neste livro, e para determinar a forma do corpo, podem ser utilizadas formas geométricas, como aprendemos no croqui adulto. Nessa idade,pode-se brincar com as poses e começar a mover o quadril para transmitir feminilidade, como no exemplo da Figura 51 (BRYANT, 2012). FIGURA 51 – O CROQUI DE 7 A 10 ANOS FEMININO COM MOVIMENTO DE QUADRIL FONTE: Bryant (2012, p. 116) Apesar das diferenças do croqui masculino e feminino de 7 a 10 anos, as proporções gerais são bastante semelhantes e pode ser utilizado o mesmo guia de medidas para desenhá-los, porém, as mudanças no comportamento são bastante significativas, por isso, escolha poses que transmitam feminilidade e masculinidade, além, é claro, de pensar nas expressões do rosto (BRYANT, 2012). 3 DESENHANDO A CABEÇA DO CROQUI INFANTIL Embora já tenhamos estudado sobre a cabeça feminina e masculina, agora é importante verificar as diferenças e características da cabeça infantil, um exemplo é que as crianças sempre possuem mais testa que os adultos (ABLIGN, 2011). TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 143 3.1 O MAPA DO ROSTO INFANTIL E SUAS PROPORÇÕES Além das crianças terem um maior espaço na testa, os elementos do rosto ficam mais próximos, esses elementos não são totalmente desenvolvidos, então não precisa desenhá-los com tantos detalhes (ABLIGN, 2011). Os elementos do rosto infantil são menores que de adultos, os olhos são mais redondos e o nariz quase nada definido. À medida que o bebê começa a virar criança, o maxilar se desenvolve e os elementos do rosto parecem se elevar (BRYANT, 2012). As faces das crianças devem ser gorduchas e não trazem aqueles traços glamorosos do croqui adulto. A escolha de como desenhar a face e seus elementos resultará no tipo de cabelo que a figura infantil receberá, tudo deve ornar e transmitir a inocência e a diversão da criança (ABLING, 2011). Observe, na Figura 52, três formas diferentes de representação do rosto infantil. FIGURA 52 – MAPA DO ROSTO INFANTIL FONTE: Abling (2011, p. 178) 144 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Assim como os corpos vão mudando de uma faixa etária para outra, a cabeça também deve sofrer aliterações, embora bem sutis. Os bebês são desenhados com a cabeça bem redonda e com os elementos do rosto pequenos, por exemplo, o nariz é quase imperceptível e, conforme a criança cresce, o rosto começa a ficar mais comprido e os elementos começam a ter mais detalhes (BRYANT, 2012). Os bebês parecem quase não possuir pescoço e também não devem ter muito cabelo, por isso, desenhe apenas uma indicação da linha do cabelo e das sobrancelhas. Tudo no bebê precisa parecer redondo e pequeno (BRYANT, 2012). As diferenças de gênero começam a ser mais perceptíveis a partir do desenvolvimento da criança, os meninos ganham linhas mais angulares, principalmente no maxilar, enquanto as meninas ganham uma forma mais oval. Veja, na Figura 53, as diferenças na representação do rosto em cada grupo de idade infantil (BRYANT, 2012). FIGURA 53 – AS DIFERENÇAS NOS ROSTOS INFANTIS Cabeça do Bebê Com pouco cabelo, bebês costumam usar chapéu para mantér a cabeça aquecida Cabeça da criança pequena Cabeça da criança grande FONTE: Bryant (2012, p. 158) TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 145 Para aprender a desenhar o rosto de um bebê feminino e masculino, assista ao vídeo Como desenhar e ilustrar rosto de bebê: 2 maneiras do canal do YouTube Fayci Tage, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=WFUfB1G60Go. DICAS Além de entendermos sobre a posição dos elementos da cabeça, também podemos trabalhar com diferentes formas do rosto infantil. Na Figura 54, o exemplo mostra o rosto redondo, quadrado e em forma de coração, respectivamente. Os penteados para crianças podem facilmente ser adaptados para meninas e meninos, assim como a feição. As meninas podem usar mais acessórios no cabelo para diferenciá-las, como tiaras e fitas. Os cabelos dos meninos podem ser um pouco mais bagunçados e rústicos (ABLING, 2011). FIGURA 54 – AS FORMAS DO ROSTO INFANTIL E SEUS CABELOS FONTE: Abling (2011, p. 179) 146 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Segundo Bryant (2012), as roupas infantis tendem a ser mais criativas e bem-humoradas, não pode ser diferente com a pose e a cabeça do croqui. Cuidado para não desenhar os rostos muito realístico, prefira desenhar rostos de crianças mais estilizados e com traços apenas sugestivos dos elementos, além disso, suas ilustrações devem transmitir personalidade. Aprenda mais sobre o desenho do rosto infantil assistindo ao vídeo Como desenhar o rosto e cabelo infantil no croqui de moda – Estilista Valmir Pazeto – do canal do YouTube Maximus Tecidos, disponível no link: https://www.youtube.com/ watch?v=YvylbOMsv1o. DICAS 3.2 DESENHANDO A CABEÇA INFANTIL NA POSIÇÃO FRONTAL, PERFIL E ¾ Agora que você já estudou a posição dos elementos do rosto na cabeça infantil, você verá como desenhar a cabeça nas diferentes vistas: frontal, perfil e ¾, para que possa ir melhorando cada vez mais o seu traço e a atitude de seus croquis infantis. Como exemplo, a Figura 55 apresenta o rosto infantil nestas três diferentes posições. FIGURA 55 – DESENHANDO A CABEÇA INFANTIL NAS POSES EM PERFIL, ¾ E FRONTAL FONTE: Abling (2011, p. 176) TÓPICO 2 — O CROQUI DE MODA INFANTIL 147 Para desenhar a cabeça em perfil, desenhe uma área generosa entre a orelha e a parte de trás do crânio. Para desenhar a cabeça em ¾, observe que a distância entre a orelha e a parte posterior da cabeça é menor, mas ainda aparece. Na vista frontal, a parte posterior do crânio não é vista, logo, a orelha é desenhada fora do contorno da cabeça, como no exemplo da Figura 56 (ABLING, 2011). FIGURA 56 – DESENHANDO A CABEÇA INFANTIL EM TODAS AS VISTAS FONTE: Abling (2011, p. 177) Verifique, na Figura 57, que assim como os adultos, os bebês também possuem um crânio saliente na parte de trás e isso precisa ser considerado ao desenhar a cabeça na posição perfil. 148 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL FIGURA 57 – A CABEÇA INFANTIL NA POSIÇÃO PERFIL FONTE: Bryant (2012, p. 156) Segundo Stipelman (2015), os rostos de crianças não transmitem personalidade à atitude, eles são inocentes, desinibidos e expressivos. Agora que você já viu sobre como desenhar os croquis infantis, desafie-se a desenhar um croqui completo de cada idade apresentada, inserindo rosto e cabelos e colocando cada um em diferentes posições, frontal, perfil, ¾ e até mesmo de costas. UNI 149 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Desenhar crianças não é como desenhar um adulto em escala reduzida e sim uma questão de proporções. • Os bebês são desenhados mais gordinhos e sempre com formas arredondadas, isso só muda quando a criança começa a andar e vai substituindo a gordura por massa muscular. • As poses das crianças precisam ser desengonçadas, divertidas e para aquelas que já possuem equilíbrio devem ter muita ação nos movimentos. • Entre uma idade e outra o que muda, principalmente, é a altura, o tronco e os membros, a cabeça permanece praticamente com a mesma medida, é por isso que os bebês aparentam ter uma cabeça grande. • Os rostos das crianças precisam ser simplificados e com traços infantis, sem muita sobrancelha e cabelo em bebês, por exemplo. 150 1 Para desenhar croquis de moda, utilizamos a medida comparativa de cabeças, isso significa que é utilizado um padrão de medidas de cabeça de altura e largura, a quantidade de cabeças muda de acordo a idade de gênero que se está ilustrando. Considerando as ilustrações infantis, com relação ao número de cabeças utilizado para representar crianças de 2 a 4 anos de idade, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As crianças de 2 a 4 anos são representadas com 4,5 cabeças de altura e uma de largura no tronco. b) ( ) As crianças de 2 a 4 anos são representadas com cinco cabeças de altura e uma de largura no tronco. c) ( ) As crianças de 2 a 4 anos são representadas com quatro cabeças de altura e uma de largura no tronco. d) ( ) As criançasde 1 a 4 anos são representadas com 4,5 cabeças de altura e 1,5 de largura no tronco. 2 Desenhar croquis infantis pode ser relativamente difícil para os ilustradores que estão acostumados a desenhar o corpo feminino e masculino adulto, pois a crianças possuem características muito singulares e específicas. Com base no desenho de crianças, analise as sentenças a seguir: I- Para diferenciar os meninos das meninas no desenho infantil, são utilizados as expressões faciais e os cabelos, pois, o corpo não possui muitas diferenças entre os sexos. II- Os bebês precisam ser desenhados com formas mais curvilíneas e arredondadas, pois eles são mais gordinhos. III- Os meninos são desenhados sempre mais altos que as meninas no desenho de crianças, pois possuem a musculatura mais definida que as meninas. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 As crianças são representadas em grupos de idades, cada um desses grupos possui diferentes medidas de altura de cabeças para diferenciá-las. Considerando isso, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As crianças de 7 a 10 anos são representadas com 6,5 cabeças de altura. ( ) As crianças de 4 a 6 anos são representadas com seis cabeças de altura. ( ) As crianças de 2 a 4 anos são representadas com 4,5 cabeças de altura. AUTOATIVIDADE 151 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O design de moda, através da realização de seus diferentes desenhos, tem o objetivo de inspirar a busca de novas formas de ver a moda ao possibilitar a comunicação de ideias com as possíveis soluções que ainda existem somente na mente do designer. Entende-se, portanto, a grande importância da representação por meio do desenho dentro do processo industrial e de criação num contexto geral. O desenho de moda infantil possui algumas diferenciações em relação à anatomia e características de um desenho de moda adulto, assim sendo, apresente três delas: 5 O desenho de moda serve como um meio de comunicação entre os envolvidos no processo de criação e desenvolvimento de um produto. Para essa comunicação acontecer de maneira mais assertiva, espera-se que o croqui contenha características do público, seja ele feminino, masculino e/ou infantil. No desenho do croqui infantil, a cabeça apresenta uma distribuição dos elementos (olhos, nariz, boca, orelhas etc.) diferenciada dos adultos, isso quando não estamos falando de estilização e sim de uma maneira mais realista do desenho. Neste contexto, disserte a posição dos elementos no rosto infantil. 152 153 UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos como desenhar o croqui pré- adolescente e adolescente, que são os últimos croquis que serão estudados nesse livro, considerando que já estudamos o croqui feminino adulto, masculino adulto, infantil (bebês e crianças de diversas idades). Os croquis adolescentes são muito parecidos com os croquis adultos e, devido a isso, nesse tópico, não estudaremos o rosto dos croquis adolescente, pois as proporções são iguais dos adultos que podem ser encontrados na Unidade 1. Diferente dos croquis infantis, cujo croqui feminino possui as mesmas proporções que o masculino, no croqui adolescente o corpo já está se desenvolvendo e possui algumas diferenças, logo, estudaremos os croquis feminino e masculino separados. Para concluir esse tópico, veremos algumas poses que podem ser utilizadas para croquis adolescentes de ambos os gêneros. TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 2 DESENHANDO CROQUIS DE MODA PRÉ-ADOLESCENTES Existe um conflito entre qual é a idade que realmente começa a pré- adolescência, alguns experts de marketing dizem que já começa aos 8 anos, podendo chegar até os 14 anos, mas idenpedentemente de qual é a idade correta, os pré-adolescentes são um segmento de moda importante no mercado de moda infantil (BRYANT, 2012). Para desenhar o croqui, você pode considerar o pré-adolescente na faixa dos 14 anos de idade que irá funcionar bem. Os pré-adolescentes não pensam em si como crianças, a rebeldia e o interesse por moda se intensifica nessa idade, surge o interesse e curiosidade pelo sexo oposto e, normalmente, uma obsessão por alguma celebridade (BRYANT, 2013). No tópico anterior, estudamos muitos sobre o croqui de moda infantil e agora a figura está começando a amadurecer, por isso, torna-se mais esguia, pois utilizam-se mais cabeças de comprimento, o tronco se torna alongado, assim como os braços e pernas (STIPELMAN, 2015). 154 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Tudo começa a se desenvolver no corpo de um pré-adolescente, a estrutura óssea e os músculos, apropriando-se de características de adultos e isso se reflete não apenas no corpo, mas também no rosto e nos cabelos (STIPELMAN, 2015). Segundo Abling (2011), são consideradas pré-adolescentes as crianças que atingem de 11 a 14 anos de idade, elas possuem a aparência mais madura que as crianças, mas não cresceram tanto como um adolescente, ou seja, para um adolescente, o pré-adolescente é baixinho. 2.1 DESENHANDO O CROQUI DE MODA PRÉ-ADOLESCENTE FEMININO A medida do pré-adolescente está entre o último croqui infantil, estudado no tópico anterior, de 7 a 10 anos e o adolescente. A maioria das diferenças do croqui pré-adolescente e adolescente está no tronco, nas meninas são as curvas do busto, cintura e quadril, por exemplo (ABLING, 2011). A Figura 58 apresenta um passo a passo simples do desenho de um croqui pré-adolescente feminino, na posição frontal, para que você possa compreender o sistema de medidas para essa idade. FIGURA 58 – PASSO A PASSO DO CROQUI PRÉ-ADOLESCENTE FEMININO FONTE: Bryant (2012, p. 120) Cintura 1 cabeça de largura @ 23/4 cabeças Ombros 11/2 cabeça de largura @11/2 cabeça Parte de baixo do quadril 11/8 cabeça de largura @ 31/2 cabeças Joelhos @ 51/4 cabeças Calcanhar @ 7 cabeças Linha de equilíbrio Guia de proporção para pré-adolescente: sete cabeças Desenho preliminar TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 155 Nas meninas, os primeiros traços do corpo que mudam são o quadril e os seios, a linha da cintura fica mais definida, o croqui, agora, possui de sete a oito cabeças de comprimento, como no exemplo da Figura 59 (STIPELMAN, 2015). FIGURA 59 – EXEMPLO DE CROQUI PRÉ-ADOLESCENTE FEMININO Vista frontal da menina Vista dorsal da menina FONTE: Bryant (2012, p. 122) Nas meninas pré-adolescentes, um pequeno busto começa a se formar, já os meninos têm mais massa corporal e o tronco um pouco mais longo (BRYANT, 2012). 2.2 DESENHANDO O CROQUI DE MODA PRÉ- ADOLESCENTE MASCULINO Nos meninos, as principais diferenças que o corpo recebe são os músculos nos ombros, nos braços e pernas. O quadril dos meninos é mais estreito que das meninas e a linha da cintura também não é tão definida, veja isso no passo a passo da Figura 60 que mostra o sistema de medidas para um croqui pré-adolescente masculino na posição frontal (STIPELMAN, 2015). 156 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL FIGURA 60 – PASSO A PASSO CROQUI PRÉ-ADOLESCENTE MASCULINO FONTE: Bryant (2012, p. 121) Segundo Bryant (2012), o corpo dos pré-adolescentes continua a se alongar, e a cabeça quase atingiu o seu tamanho final, a altura total é de sete cabeças, o rosto começa o mostrar sinais de maturidade, ficando mais fino e alongado, observe essas características na Figura 61. FIGURA 61 – EXEMPLO DE CROQUI PRÉ-ADOLESCENTE MASCULINO Vista frontal do menino Vista dorsal do menino FONTE: Bryant (2012, p. 123) Ombros 11/2 cabeça de largura @11/2 cabeça Cintura 1 cabeça de largura @ 23/4 cabeças Parte de baixo do quadril 11/8 cabeça de largura @ 32/3 cabeças Joelhos@ 51/4 cabeças Calcanhar @ 7 cabeças Linha de equilíbrio Guia de proporção para pré-adolescente: sete cabeças Desenho preliminar TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 157 Conforme Bryant (2012), a primeira etapa para desenhar pré-adolescentes é determinar as medidas de proporção, com pontos de referência diferentes que das meninas nessa idade, depois de determinar as medidas, você deve desenhar as formas do corpo. Observe, na Figura 62, que o croqui está na pose ¾ e a autora Abling (2011) define o pré-adolescente com oito cabeças de altura. FIGURA 62 – POSES PARA O CROQUI PRÉ-ADOLESCENTE MASCULINO FONTE: Abling (2011, p. 173) Uma coisa que precisa ser considerada ao desenhar o croqui pré- adolescente, é que ele precisa parecer mais jovem que o croqui adolescente e o croqui adolescente precisa parecer mais jovem que o croqui adulto, sendo assim, cuidado para não exagerar nos músculos e não inserir barba, por exemplo. 158 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL 2.3 COMPARANDO O PRÉ-ADOLESCENTE MASCULINO E FEMININO Como já explicado anteriormente, o croqui pré-adolescente masculino e feminino possuem diversas diferenças e elas não se encontram apenas nas formas do corpo, mas até na forma de se vestir e de se comportar. A forma como desenhamos os dois sexos é muito semelhante, as diferenças ainda não são tão evidentes quando no croqui adolescente, um exemplo das diferenças pode ser observado na Figura 63. FIGURA 63 – COMPARANDO O PRÉ-ADOLESCENTE MASCULINO E FEMININO FONTE: Stipelman (2015, p. 433) A opinião dos pré-adolescentes sobre as roupas se tornam mais fortes e seu estilo normalmente é guiado pela opinião dos amigos e isso deve refletir em uma ilustração de moda mais ousada que nas idades anteriores (BRYANT, 2012). A Figura 64 apresenta um exemplo do resultado do desenho de croquis adolescentes de ambos os sexos já coloridos e finalizados. TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 159 FIGURA 64 – EXEMPLO DE RESULTADO DO CROQUI PRÉ-ADOLESCENTE FONTE: Stipelman (2015, p. 433) Além de se preocupar com as proporções adequadas, é interessante estudar poses de pré-adolescentes em revistas para o público teen e verificar quais são os gestos e estilos que estão em tendência no momento da sua ilustração, pois esse público muda muito de uma geração para outra. 3 DESENHANDO CROQUIS DE MODA ADOLESCENTES Os adolescentes realmente já parecem adultos, podemos perceber isso na própria forma como se vestem, mas também nos traços do rosto e do corpo, no croqui feminino, já pode ser inserido mais maquiagem, por exemplo (STIPELMAN, 2015). A faixa etária dos adolescentes se encaixam em 16 a 18 anos, os croquis já devem ser desenhados alongados, ou seja, não seguem a proporção real do corpo humano. Os adolescentes tendem ainda a ter um vestuário rebelde, normalmente prescrito por seus colegas (BRYANT, 2012). 3.1 DESENHANDO O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE FEMININO Comparado a mulher adulta, a adolescente possui um busto mais alto e menor, o tronco mais curto e mais estreito no quadril. Na vida real, podemos confundir adolescentes com mulheres adultas, por suas semelhanças, mas no croqui, é importante diferenciá-las para que as pessoas entendam suas ilustrações adequadamente. A Figura 65 apresenta um comparativo entre a menina pré- adolescente e a menina adolescente (BRYANT, 2012). 160 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL FIGURA 65 – COMPARANDO O CROQUI ADOLESCENTE COM O PRÉ-ADOLESCENTE FONTE: Abling (2011, p. 174) Como de costume, desenhe primeiro o croqui na posição frontal, marque as medidas, delineie o corpo como na Figura 66 e, depois, aventure-se desenhando diferentes poses e vistas possíveis. FIGURA 66 – PASSO A PASSO DO CROQUI ADOLESCENTE FEMININO Desenho preliminar Vista frontal Vista dorsal FONTE: Bryant (2012, p. 127) TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 161 Os adolescentes têm o pescoço alongado e o corpo mais desenvolvido que os pré-adolescentes, mas ainda não são totalmente desenvolvidos como os adultos (ABLING, 2011). Aprenda mais sobre como desenhar o croqui adolescente feminino assistindo ao vídeo Como ilustrar figura humana adolescente do canal do YouTube Tathiane Vargas, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=-tzyTbbDB2g. DICAS 3.2 DESENHANDO O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE MASCULINO Mesmo que os adolescentes possam usar as mesmas roupas que os adultos, na indústria da moda é comum encontrar coleções e lojas exclusivas para esse público. Para manter os adolescentes jovens, procure desenhar o rosto mais redondo (ABLING, 2011). A Figura 67 é um comparativo do desenho da adolescente feminina para o masculino, para analisar as proporções adequadas para cada sexo. FIGURA 67 – COMPARANDO O CROQUI ADOLESCENTE MASCULINO E FEMININO FONTE: Abling (2011, p. 175) 162 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Os meninos adolescentes não são adultos e ainda ganharão muita massa muscular, no entanto, nessa idade, eles já possuem bastante diferença no corpo comparado às idades anteriores, o maxilar está maior e mais angular, o tronco é mais largo e o quadril é estreito (BRYANT, 2012). Os meninos adolescentes podem ser desenhados com a cabeça um pouco maior que as meninas, assim eles ficam levemente mais altos quando usar o sistema de medidas do corpo a partir da cabeça (BRYANT, 2012). A Figura 68 mostra um passo a passo de como desenhar o croqui adolescente masculino na posição frontal, seguindo um guia de proporções. FIGURA 68 – PASSO A PASSO CROQUI ADOLESCENTE MASCULINO FONTE: Bryant (2012, p. 131) Desenho preliminar Vista frontal Vista dorsal Sempre vale lembrar de começar seu desenho utilizando a medida da cabeça como sistema de medidas e usar os guias apresentados nesse subtópico para saber a posição exata de cada parte do corpo como ombros, cintura, quadril e joelhos, por exemplo. TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 163 4 POSES E EXEMPLOS DE CROQUIS DE MODA ADOLESCENTES Para finalizar esse tópico, veremos algumas imagens que mostram poses que podem ser utilizadas para desenhar o croqui adolescente, use essas imagens como inspiração e aumente seu repertório pesquisando novas poses em bancos de imagens, como no Pinterest. A Figura 69 mostra algumas inspirações de poses e vistas para desenhar croquis adolescentes. FIGURA 69 – POSES E VISTAS DO CROQUI ADOLESCENTE FONTE: Bryant (2012, p.133) Ao criar uma coleção, você pode representar homens e mulheres juntos e interagindo, nessa idade, é comum os adolescentes estarem namorando e levarem seus amigos como parte da família, logo, ilustrá-los juntos faz sentido, como no exemplo da Figura 70. 164 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Segue, na Figura 71, um comparativo de meninas e meninos adolescentes dentro da grade, podemos ver como eles já possuem várias diferenças físicas e também de atitude na pose. FIGURA 71 – COMPARANDO O ADOLESCENTE MASCULINO COM O FEMININO FONTE: Stipelman (2015, p. 434) Por fim, confira, na Figura 72, o croqui adolescente em ambos os sexos, finalizados e com acabamento, mostrando o quanto já parecem adultos, mas que ainda possuem alguns aspectos joviais. FIGURA 70 – O CROQUI ADOLESCENTE COM POSE EM MOVIMENTO FONTE: Bryant (2012, p. 132) TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 165 FIGURA 72 – EXEMPLO DE RESULTADO DO CROQUI ADOLESCENTE FONTE: Stipelman (2015, p. 434) Pratique o desenho do croqui pré-adolescente feminino e masculino em poses diferentes, interagindo entre eles, para que melhore suas técnicas de desenho. UNI 166 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL LEITURA COMPLEMENTAR OS DIVERSOS DESENHOS NO DESIGN DE MODA: A COMUNICAÇÃO NO PROCESSO CRIATIVO Fabíola Mastelini, Ricardo Brito Almeida 1. Introdução Os diversos processos e práticas do desenho na moda apresentam extrema importância para a indústria de confecção do vestuário. O desenhoage como instrumento de trabalho do designer, pois contribui com a linguagem da criação e definição de identidade de moda, acelera o tempo despendido ao processo criativo e produtivo de cada etapa do desenvolvimento de produto e norteia o caminho percorrido até sua materialização. Desde os primeiros períodos da história, o homem utilizou-se de desenhos para comunicar-se. É importante ressaltar que, a linguagem de expressão proporcionada pelos desenhos adequa-se ao seu tempo, acompanha a evolução do homem e chega atualmente à tecnologia, que está intrinsicamente incorporada à contemporaneidade humana. Henriques (2012, p. 16) afirma que “Desde o que chamamos de Pré-História, o homem utiliza-se das imagens. Através de desenhos, pinturas e esculturas, a raça humana registrou crenças, ritos, costumes, fatos ou simplesmente expressou pensamentos e sentimentos”. Desta forma, o desenho assume uma linguagem que permite a expressão e a comunicação de ideias. No desenho de moda, tais ideias a serem expressas são possíveis soluções que ainda existem somente na mente do designer. Assim, é através do desenho como ferramenta de comunicação entre as várias etapas de criação e produção, que o produto de moda nasce e é transmitido para diferentes mãos na indústria da confecção do vestuário e toma forma e tridimensionalidade (GRAGNATO, 2008). Neste contexto, ao demonstrar os diferentes tipos e processos do desenho dentro do design de moda empregados na indústria de confecção do vestuário, pode-se esclarecer como este desenho pode trazer benefícios ao desenvolvimento do produto, proporcionado pela sua utilização e aplicabilidades, como ferramenta que aprimora o processo criativo, porque pode simular em sua pré-visualização, combinações de cores, estampas e peças prontas, assim, contribui para diminuir o tempo de criação e proporcionar a rápida finalização do produto de moda a ser comercializado. A tecnologia digital é a grande responsável pela agilidade deste processo, pois é possível transformar rapidamente em desenho, com formas e cores, algum elemento encontrado ao nosso redor ou até mesmo escondido em nossa natureza humana. TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 167 Segundo Hopkins (2011, p. 11), “o desenho começa na imaginação, antes de se expressar como um meio prático para gerar ou comunicar uma ideia”. No cotidiano profissional, esta busca pela agilidade do processo de desenvolvimento do produto de moda permite que o desenho seja um recurso adequado a cada etapa do trabalho do designer, tanto no processo criativo que envolve primeiramente a idealização do produto, quanto nas especificações técnicas transmitidas para ser produzido e finalizar-se com o compromisso de sua venda. É a partir de registros em scketchbooks, desenhos de moda e/ou desenhos técnicos de moda que acontece a integração de todos esses recursos gráficos e, na cadeia de desenvolvimento, eles se completam. Desta forma, o desenho é etapa fundamental na comunicação do design de moda, pois esse desenho pode ser imaginado e analisado antecipadamente, para se transformar em produto final. Este processo promove um provável sucesso e aceitação comercial deste produto, antes de sua confecção. O desenho é, portanto, uma atividade voltada à resolução de problemas, criação, atividades coordenadas e sistêmicas, por isso, está tão próximo à gestão, que é orientada na mesma direção, estando presente desde o início do processo de concepção do produto. Ele passa por todas as etapas necessárias, desde a determinação de seu mercado, necessidades e expectativas de seus futuros consumidores até atingir a reciclagem. Hoje, muitas empresas de pequena dimensão, ainda não aproveitam as vantagens da gestão de design, pois o veem, como uma despesa adicional que não querem despender, ao contratar um profissional habilitado para esta atividade. Para isso, através da pesquisa bibliográfica, pretende-se comprovar que o design de moda é uma forma de investimento que possibilita a indústria de confecção do vestuário a adotar estratégias de inovação e qualidade, para manterem-se atuantes no mercado. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 68% das empresas de pequeno porte ampliaram suas vendas após introduzir técnicas de desenho no rol das ferramentas de gestão utilizadas (SOUZA, 2002). Morris (2010, p. 128) ainda reforça o conceito abordado por Souza (2002): “O processo de gerar ideias de produtos e desenvolver conceitos pode ser relativamente barato se comparado ao processo de desenvolver produtos finais manufaturados”. 2 Design e a comunicação na moda A palavra design deriva do latim designo, que significa idear, designar e que está associada ao conceito de produto, ao projeto e planejamento. Segundo Pires (2008, p. 69), “o design refere-se à concepção e desenvolvimento de um projeto que tem como finalidade a realização de produto”. Desenhar é parte do processo de criação e o design de moda assume os mesmos atributos e princípios do design. Mozota (2011, p. 15) ressalta ainda que o design: 168 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL Deriva do termo latino designare, traduzido como “designar” e “desenhar”. Em inglês, o substantivo “design” manteve os dois significados. Dependendo do contexto, a palavra significa: “plano, projeto, intenção, processo” ou “esboço, modelo, decoração, composição visual, estilo”. No sentido de intenção, “design” implica a realização de um plano por meio de um esboço, padrão ou composição visual. O uso da palavra design abrange várias qualidades, que vão desde a elaboração de projetos à busca de soluções bem-sucedidas para a idealização do produto desejado. Dessa forma, o desenho está incluído no processo do design, desde a criação e está extremamente ligado ao desenvolvimento do pensamento inicial e proporciona a possibilidade de afirmá-lo ou corrigi-lo, antecipadamente. A finalização da ideia por meio do desenho é o que interessa ao processo, e a expressão desse desenho será transformada em um produto que agrade ao consumidor. Para Moura (2008 apud PIRES, 2008, p. 69): O design é um campo de conhecimento constituído por um pensamento, pela concepção e por uma produção, sendo estes orientados ao cenário futuro a partir de uma intenção destinada a ser real. Fazer design significa trabalhar com o futuro, executando a concepção e o planejamento daquilo que virá a existir, anunciando novos caminhos e possibilidades. Na moda, as evoluções do desenho e da ilustração tem seu principal aspecto desenvolvido pela necessidade de comunicar ideias até chegar ao seu público-alvo, através da beleza proporcionada pela representação do desenho do produto idealizado. Portanto, o design incide nos traços estéticos ou físicos do produto, ao criar inovações, que são oferecidas ao cliente. Fernandes (2012, p. 103) afirma que, “Estilo e design são em si, diferenciais no desenvolvimento do produto. O design transforma o banal em desejável”. A ilustração (Figura 1) é uma das linguagens do design com maior poder de comunicação. O ilustrador dispõe de total controle de elementos visuais, como linha, forma, textura e volume. Cada um desses elementos contribui para criar a imagem mais apropriada ao público-alvo. (HENRIQUES, 2012). FIGURA 1 – ILUSTRAÇÃO DE MODA FONTE: <https://i.pinimg.com/originals/ea/0f/36/ea0f3648aa35b456cd577ac1de298aa5.jpg>. Acesso em: 26 mar. 2021. TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 169 Conhecer o público-alvo e o mercado de moda é compreender possibilidades de planejar novos cenários orientados pelo design. O mercado de moda é dividido em setores que visam facilitar não somente a confecção, mas também a criação. O segmento de moda feminina é o que mais exige do profissional criador, uma vez que, neste segmento específico, a moda se apresenta mais cíclica e competitiva. Para Jones (2005, p. 59), neste setor, o ciclo da moda pressiona mais, por processos de respostas rápidas. Morris(2010) complementa o pensamento de Jones (2005): O desafio para o designer de hoje, no entanto, é a absoluta complexidade de nosso mundo; o ritmo das mudanças que atingem nossas experiências em sociedade e o alcance e a profundidade das informações disponíveis e exigidas. Os designers precisam reunir, processar e incorporar essas informações de modo eficaz, mesmo quando a tarefa parecer confusa e complexa. Nosso mundo competitivo coloca ainda mais pressões sobre o designer com exigência de velocidade e precisão: os produtos precisam ser criados rapidamente com a expectativa de que estejam “certos de primeira” (MORRIS, 2010, p. 6). Definitivamente, o designer de moda não é simplesmente um profissional que faz desenhos bonitos e coloridos. O desenho é parte do resultado de uma série de pesquisas, de mercado, de público-alvo, de tendências tecnológicas e de materiais, como cores, tecidos e silhuetas. O criador de moda vê além do seu tempo. Enquanto, a visão geral está concentrada na estação vigente, o estilista já está imerso nas estações que virão e o desenho faz parte de seu processo criativo. 3 O processo criativo O desenho de moda assume papel indispensável no processo criativo e é uma das ferramentas mais importantes na criação de uma coleção por ser a linguagem que concretiza a ideia, o meio de comunicação, entre quem cria e quem fabrica. Vale lembrar que, muitas vezes, a confecção do produto passa por diferentes mãos e empresas e, por isso, há a necessidade de que o desenho seja preciso e acompanhado de informações que garantam sua produção (CAMARENA, 2011). O processo criativo na moda tende a ser rápido e competitivo, uma vez que ela está sempre em constante mudança. Para atender aos objetivos de seu público-alvo, é necessário que o criador de moda esteja extremamente informado a respeito dos aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos que configuram o momento presente. Tais processos que levam um designer à criação são bem particulares e individualizados. Não há padrões a serem seguidos, contudo, os passos que levam ao desenvolvimento de uma coleção de moda como resultado, costumam ser seguidos, ainda que instintiva ou aleatoriamente, e a pesquisa e o desenho de moda fazem parte deste processo. Segundo Sorger e Udale (2009, p. 16-20), 170 UNIDADE 2 — DESENHANDO O CROQUI DE MODA MASCULINA E INFANTIL “este é o resumo exato de todo o processo criativo de moda: a primeira tarefa na criação de uma coleção é a pesquisa. Tendo assimilado a pesquisa, os modelos são esboçados para desenvolvimento da coleção”. A pesquisa na área de moda fornece dados para a compreensão e execução da diversidade de cenários no projeto, ao englobar aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. A maioria das empresas de moda trabalha com pesquisas e os profissionais de desenvolvimento de produto são pressionados a apresentarem, constantemente, novidades para tornar o seu público motivado para o consumo. Como as empresas de moda possuem diferentes perfis, cada um destes profissionais analisa e filtra as tendências e as adéqua ao seu segmento de mercado e produto. Matharu (2011, p. 80) afirma que: Até os anos de 1960, quem ditava as tendências de barras, cores, tecidos e silhuetas eram os designers da alta costura de Paris. Este processo dava às Maisons e à Chambre Syndicale controle total, confidencialidade e exclusividade, conferindo-lhes grande poder e influência sobre a comunidade da moda em geral. No entanto, nos anos de 1960 e 1970, a alta-costura perdeu sua supremacia e, consequentemente, o sistema de “cópias” ou “modelos” desapareceu. Desta forma, como alternativa, deu-se o início do sistema de análise de tendências, que fornece informações para as empresas através dos chamados “bureaux de estilo” que se trata de escritórios, que oferecem um serviço de informação sobre as últimas tendências em cores, tecidos e silhuetas. Os bureaux de estilo são empresas especializadas em pesquisar, nas mais diversas áreas e que observam os novos comportamentos das pessoas e analisam os prováveis rumos de seus hábitos de consumo. Essa pesquisa inicial está muito mais focada nos comportamentos do que nos produtos. Só depois é que as aspirações das pessoas serão traduzidas em tecidos, cores, texturas e elementos, em formatos de “tendências de moda”. Se, conforme Feghali e Dwyer (2010, p. 17), “as tendências de moda são apontadas pelos bureaux de estilo e as revistas de tendências confirmam através das fotos de desfiles de lançamento das coleções”; para Matharu (2011, p. 81), “a análise de tendências de moda é um grande negócio, pois são compostas por agências on-line e consultorias altamente competitivas”. O papel deste sistema é prever o futuro da moda em todos os seus aspectos, do varejo e aos fatores socioeconômicos, até as tendências de cores, tecidos, estampas, silhuetas, detalhes e acabamentos. Portanto, o sistema de moda procura por uma criação assertiva de produtos e as tendências têm a finalidade de apontar determinadas propostas estéticas a cada temporada. Não há nada realmente novo, mas sim novas possibilidades sobre estéticas já existentes. Essas propostas são baseadas nos desejos e necessidades dos consumidores e nas necessidades da indústria têxtil. TÓPICO 3 — O CROQUI DE MODA ADOLESCENTE 171 Toda a indústria de confecção visa sucesso de vendas para suas coleções de moda e a geração de lucros para sobreviver e, portanto, trabalham com pesquisas de tendências mundiais, para que não haja insucesso na sua comercialização. Com o intuito de fornecer parâmetros para as pesquisas, os designers buscam as chamadas macrotendências que são muito impactantes e que determinam o que realmente vai influenciar o desejo das pessoas. Tais macrotendências originam as microtendências de comportamento, que são trabalhadas de acordo com o público-alvo da empresa a ser atingido e estruturas das tendências de moda sazonais e, portanto, de curta duração. A pesquisa de tendências é uma atividade que tem que lidar com as capacidades de percepção e de leitura de sinais da sociedade, quase sempre incipientes, tendo como limites os interesses e as possibilidades dos parceiros da indústria. O resultado será ou não a aprovação do cliente (PIRES, 2008, p. 231). Desta forma, cada tendência se materializará através de cartelas, silhuetas e elementos de estilo, detalhes e padrões repetitivos que identificarão a unidade da coleção. Designers renomados têm autonomia suficiente para ousar na escolha do que poderá vir a ser tendência, de acordo com a personalidade de sua marca. “Meu processo criativo começa com uma cena, uma história, um estilo, um conceito que crio a partir de algo que eu desejei ou vivi” (TREPTOW, 2013, p. 107). Por outro lado, a grande indústria de confecção é formada por marcas pequenas, que não possuem o “status” de formadores de opinião e que, na maioria das vezes, não possuem capital de giro suficiente para arcar com prejuízos de coleções mal-recebidas pelo público. Essas pequenas empresas dependem da aceitação comercial de seus produtos e são conhecidas como seguidoras de tendências. Para essas, a escolha do tema de coleção deve aproveitar a informação coletada na pesquisa de tendências e criar uma receita própria (TREPTOW, 2013). Somam-se a estas informações a experiência e o conhecimento do designer, que enriquece sua coleção com informações advindas de livros, viagens, fotos, além de anotações pessoais de seu caderno de esboços. Consequentemente, em uma visão ideal, a pesquisa de moda busca a criação de um produto inovador na abordagem feita a partir da investigação, para definir a utilização da matéria-prima, da forma/modelagem e da aplicação das cores corretas e é neste trabalho diário do profissional de moda que o desenho se torna indispensável, pois proporciona rapidez de resultados e visão a frente do produto a ser comercializado. FONTE: Adaptado de <http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistaiara/wp-content/uplo-ads/2016/03/89_Iara_artigo_revisado.pdf>.Acesso em: 26 mar. 2021. 172 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Os croquis pré-adolescentes precisam parecer mais velhos que as crianças de 10 anos, mas ainda precisam ter características infantis. • Os adolescentes masculinos e femininos não são desenhados com as mesmas proporções, pois o corpo Se desenvolve de maneiras diferentes, por isso utilizamos outras medidas. • Os rostos dos croquis adolescentes são muito semelhantes ao dos adultos e o que muda é apenas o formato da cabeça. • As poses para desenhar o croqui adolescente precisam ter atitude, pois eles são cheios de personalidade, mas não devem ser representados muito formais como os adultos. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 173 1 Segundo Bryant (2012), os adolescentes poderiam se vestir com os mesmos tamanhos de adultos, mas existem muitas lojas próprias para esse público, é uma estratégia de marketing, pois eles possuem muita personalidade e preferem se vestir nos seus próprios termos. Considerando as proporções do corpo adolescente, assinale a alternativa CORRETA quanto à altura do croqui a partir da medida por cabeças: a) ( ) O croqui adolescente possui de 7,5 a 8,5 cabeças de altura. b) ( ) O croqui adolescente possui de oito a nove cabeças de altura. c) ( ) O croqui adolescente possui de 9,5 a 10,5 cabeças de altura. d) ( ) O croqui adolescente possui de dez a 11 cabeças de altura. 2 Existem muitos estudos para definir a idade exata em que começa a pré- adolescência e a adolescência em si, os autores concordam e discordam quanto a essa idade. No desenho de ilustração de moda, é importante ter isso definido para conseguir representar adequadamente cada uma das idades sem gerar confusão no cliente que está vendo sua ilustração. Com base nas idades utilizadas para representar os croquis pré-adolescentes e adolescentes, analise as sentenças a seguir: I- Para desenhar um croqui pré-adolescente, o ideal é se inspirar nas medidas de uma criança de 14 anos de idade. II- No desenho de moda consideramos as medidas de crianças de 10 a 15 anos de idade para desenhar adolescentes. III- Crianças de 16 a 18 anos são consideradas adolescentes no desenho de moda. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 Conseguir desenhar croquis adolescentes sem que pareçam adultos pode ser complicado para um ilustrador de moda, até mesmo para os experientes, por isso, vale sempre lembrar das diferenças entre uma ilustração de moda adolescente e adulta. De acordo com o desenho de moda adolescente feminino, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A principal característica do corpo feminino adolescente para o adulto está na mudança da musculatura, os braços e as pernas são mais largas no croqui adulto. AUTOATIVIDADE 174 ( ) A menina adolescente possui o quadril estreito e a cintura ainda não está definida. ( ) Comparado a mulher adulta, a adolescente possui um busto mais alto e menor, o tronco mais curto e mais estreito no quadril. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Na fase adolescente, o corpo masculino e feminino já começa a se desenvolver e trazer algumas diferenças entre o corpo da mulher e o corpo do homem, embora eles ainda não sejam adultos, o seu corpo já possui características que distinguem um sexo do outro. Disserte sobre as principais diferenças que encontramos no corpo feminino e masculino durante a adolescência. 5 Os meninos adolescentes ainda não se transformaram em homens com o corpo totalmente desenvolvidos, é por isso que várias características precisam ser consideradas ao desenhar esse público como uma ilustração de moda. Nesse contexto, disserte sobre as principais características do desenho de adolescentes masculinos. 175 REFERÊNCIAS ABLING, B. Desenho de moda. 5. ed. São Paulo: Blucher, 2011. 238 p. BRYANT, M. W. Desenho de moda: técnicas de ilustração para estilistas. São Paulo: Editora Senac, 2012. 415 p. STIPELMAN, S. Ilustração de moda: do conceito a criação. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. 470 p. 176 177 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • desenhar o vestuário feminino, masculino e infantil; • aplicar o caimento de diferentes tecidos em croquis de moda; • inserir texturas e padrões como estampas nas roupas criadas nas ilustrações moda; • utilizar materiais de desenho e pintura para desenvolver seus desenhos. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – TRAJES E DETALHES DOS TRAJES TÓPICO 2 – DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES TÓPICO 3 – REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 178 179 UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos o caimento dos tecidos sobre o corpo, para isso, estudaremos brevemente o planejamento, ou seja, como o tecido se comporta em diferentes situações, para então desenhar a vestidura, que são as roupas e suas características. Primeiramente, estudaremos sobre as roupas femininas, iniciando pelos diversos tipos de saias, com pregas, sem pregas, com franzidos, rodadas, justas, curtas, longas etc. Depois, veremos o desenho de shorts, calças, blusas, casacos, jaquetas, sobretudos, vestidos curtos e longos. Além disso, também veremos como desenhar os acessórios femininos como cintos, bolsas, brincos, colares, braceletes e chapéus. Na sequência, estudaremos sobre o vestuário masculino, veremos o desenho de calças, shorts, regatas, jaquetas, camisas de botão, blazers e paletós, observando as várias opções de golas e colarinhos, além dos acessórios masculinos, como gravatas, lenços, cachecóis, óculos de sol, bonés e chapéus. Por fim, veremos algumas peças do vestuário infantil, já que pode ser utilizada a inspiração das peças de adultos, com uma atualização das proporções do corpo infantil, veremos apenas algumas peças como saias, jardineiras e algumas opções diferenciadas de fechamento das peças. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 2 PANEJAMENTO Antes de desenhar uma roupa, a primeira coisa é entender como os tecidos se comportam em diferentes situações, por isso analisaremos a seguir algumas figuras que apresentam isso. Segundo Bryant (2012), um dos princípios básicos do drapeado é partir de um ponto central, um ponto de sustentação, o número de pontos de sustentação é o que vai definir o formato do drapeado e depois é uma questão de luz e sombra. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 180 A Figura 1 apresenta quatro tecidos suspensos de diferentes maneiras, todos eles estão presos à parede por um ou mais pregos, você pode fazer esse exercício com qualquer pedaço de tecido em casa, pendurando-o de diferentes formas e desenhando seu caimento e luz e sombra. FIGURA 1 – CAIMENTO DE TECIDOS FONTE: Bryant (2012, p. 245) Segundo Bryant (2012), quando os tecidos são dispostos, criam diversas rugas, é interessante experimentar dispor o tecido de diferentes maneiras para criar um banco de experiências de desenho. Para Fernández e Roig (2010), é importante estudarmos o caimento dos tecidos, pois eles se modificam com a articulação do corpo, gerando torções e dobrasnas roupas. A Figura 2 apresenta dois tecidos. Para o desenho do primeiro tecido foram utilizadas linhas curvas e para o segundo tecido aplicou-se um ziguezague para representar as rugas na diagonal do franzido do tecido. FIGURA 2 – DESENHANDO DOBRAS E RUGAS DE TECIDOS FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 70) TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 181 Conforme Fernández e Roig (2010), um ilustrador precisa dominar a arte de desenhar tecidos para transmitir em seu croqui qual é a qualidade do tecido representado. Para desenhar tecidos duros e engomados, por exemplo, são utilizados vincos geométricos, rígidos e com arestas marcadas, entretanto para desenhar o veludo, são utilizadas dobras em curva mais densas. A Figura 3 mostra o desenho de dois caimentos de tecidos, o primeiro é um esquema em forma de arabesco e o segundo é um esquema tubular, que lembra muito a forma de uma saia godê, em ambos os casos, a luz e sombra têm uma extrema importância para dar volume ao resultado (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). FIGURA 3 – DESENHANDO O CAIMENTO DE TECIDOS FONTE: Fernández e Roig (2010, p. 71) De acordo com Fernández e Roig (2010), outra forma de dispor o tecido é criar drapeados e pregas, muitos estilistas utilizam essa técnica para gerar volume nos tecidos e enfatizar silhuetas. A figura 4 mostra um exemplo dessa técnica sobre o manequim e como fica sua representação no desenho. FIGURA 4 – DESENHANDO CAIMENTOS E PREGAS DE TECIDOS FONTE: Adaptada de Fernández e Roig (2010, p. 72) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 182 Cada tecido se comporta de um jeito diferente, é preciso desenhar vários deles para dominar a técnica, pois dependendo do fio utilizado para fabricá- los, todo o caimento muda, ou seja, os traços dos desenhos mudam de direção, são muitas as variantes, pois até o ângulo em que o tecido é disposto sobre o manequim altera a forma do caimento (FERNÁNDEZ; ROIG, 2010). Após praticar o desenho de caimentos de tecidos, passamos a começar a desenhar roupas, mas não deixe de utilizar as técnicas de representações das dobras dos tecidos agora que vamos aplicá-las nas roupas. Para entender como o tecido se comporta nas roupas, assista ao vídeo o Como desenhar dobras nas roupas do canal do YouTube VCdesenhos, e pratique os desenhos das imagens apresentadas nesse subtópico. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=bfYMI0gF26Q>. Acesso em: 25 mar. 2021. DICAS 3 DESENHANDO ROUPAS FEMININAS Já vimos como representar o caimento de tecidos, agora aplicaremos esses conhecimentos no desenho de roupas, começando pelas saias, que por vezes possuem caimentos semelhantes ao já vistos nesse tópico. 3.1 DESENHANDO SAIAS E SEUS CAIMENTOS Diferente das pregas, que vimos no subtópico anterior, as saias godês e evasês são criadas a partir da modelagem e da forma como o tecido é cortado (BRYANT, 2012). A Figura 5 mostra primeiramente a modelagem e o caimento evasê, que em geral é cortado em 45º para aumentar a elasticidade do tecido, assim é mais fácil de modelar no corpo, sem necessitar de muitas costuras (BRYANT, 2012). Na sequência da Figura 5, pode-se observar um círculo grande com um círculo menor dentro, esse é o caimento godê, é como se tivesse sido cortado um quadrado com as pontas arredondadas e, por último, tem a nesga que é a sessão de um círculo que é inserida em uma saia para garanti-lhe mais volume (BRYANT, 2012). TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 183 FIGURA 5 – O CAIMENTO DAS SAIAS CONFORME A MODELAGEM FONTE: Adaptada de Bryant (2012, p. 261) Segundo Abling (2011), existem várias formas de saias, justas, franzidas, rodadas etc. O que as define é a linha da bainha que mostra o drapejamento e o comprimento da saia, por isso é importante observar o caimento do tecido e representá-lo no croqui para transmitir adequadamente o tecido e a modelagem da criação. A Figura 6 apresenta os desenhos de uma saia justa e sua graduação até a saia godê, passando pela saia evasê, ou também chamada de forma em “A”, e pela saia rodada. Perceba que todas possuem o mesmo volume na cintura e apenas a barra compõe mais volume, conforme as modelagens (ABLING, 2011). Você pode utilizar as bases de croquis realizados na Unidade 1 para desenhar as roupas e acessórios nessa unidade, assim não perde muito tempo desenhando novamente, para isso, contorne seus croquis com uma caneta e para utilizá-los coloque uma folha sulfite por cima, desenhe a roupa e depois adicione as partes do corpo que precisam ser inseridas ao desenho. ATENCAO UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 184 FIGURA 6 – DESENHOS DA SAIA JUSTA A SAIA GODÊ FONTE: Abling (2011, p. 199) As saias godês com aplicações decorativas são um dos maiores símbolos da indumentária dos anos 1950. Comece o desenho dessas saias fazendo duas linhas paralelas até o cós (cintura), faça duas guias para o desenho da barra, como na Figura 7, depois, acrescente linhas onduladas e de comprimento variado para o caimento godê e, por último, desenhe o movimento da barra, observe que onde o tecido está mais longe de você ele fica mais curto em relação ao que está mais próximo de você (BRYANT, 2012). FIGURA 7 – PASSO A PASSO DE UMA SAIA GODÊ FONTE: Bryant (2012, p. 265) A Figura 8 foi inserida para lhe mostrar que uma saia franzida possui ainda mais volume que uma saia rodada, a principal diferença está no cós, onde são inseridas várias linhas irregulares do caimento franzido do tecido. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 185 FIGURA 8 – DIFERENÇAS DA SAIA JUSTA, RODADA E FRANZIDA FONTE: Abling (2011, p. 198) Assim como no passo a passo da saia godê, a saia longa também se inicia fazendo primeiro a indicação da cintura, depois, desenha-se as laterais e acresenta-se os vincos do caimento, considerando a pose do croqui, que no caso da Figura 9 está com o quadril em movimento, a última coisa a se desenhar é a barra (BRYANT, 2012). FIGURA 9 – DESENHO DE SAIA LONGA JUSTA SEM FENDA FONTE: Bryant (2012, p. 266) As saias com pregas específicas como pregas macho ou plissado, sempre parecem mais precisas e medidas (ABLING, 2011). Existem muitas variações de pregas e pences que podem ser realizadas, a Figura 10 mostra algumas delas para você se inspirar. Diferente das pregas, as pences normalmente são utilizadas para ajustar a modelagem ao corpo da modelo. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 186 FIGURA 10 – TIPOS DE SAIAS COM PREGAS E PENCES FONTE: Abling (2011, p. 466) De acordo com Abling (2011), cada linha das saias com pregas precisa ser coordenada com as demais, os painéis se estabelecem como um sistema. O mais fácil é começar pelo centro e, cuidadosamente, ir marcando as demais pregas. Observe no passo a passo da Figura 11 que as linhas sempre ficarão mais juntas na cintura e vão se abrindo até a bainha, onde ficam com a largura maior. Outro detalhe é que a barra nunca deve ter um corte reto e sim acompanhar o caimento das pregas. FIGURA 11 – DESENHO DE SAIA PLISSADA DE PREGAS E SANFONADA FONTE: Abling (2011, p. 203) Existem diversas opções de saias para desenhar, a Figura 12 mostra algumas que você pode se inpirar, pratique-as para melhorar o seu desenho de caimento de tecidos. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 187 FIGURA 12 – OPÇÕES DE SAIAS PARA DESENHAR FONTE: Abling (2011, p. 467) Para ver como desenhar as saias de uma maneira mais prática, assista ao vídeo Como desenhar saias: passo a passo” do canal do YouTube Tathiane Vargas. Além disso, pratique os desenhos dos modelos de saias apresentados nesse subtópico. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=Arv-ommJAkQ>. Acesso em: 25 mar. 2021. DICAS UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 188 3.2 DESENHANDO SHORTS E CALÇAS Agora que já aprendemos a desenhar saias justas e fluídas, passemos ao desenho de calças e shorts femininos, as calças tradicionais vestem as pernas como formaslongas cilíndricas, para não deixar a perna extremamente reta é preciso suavizar indicando algumas dobras e vincos do tecido, principalmente na pelve e nos joelhos. A Figura 13 mostra um passo a passo do desenho de uma calça tradicional, iniciando-se pela perna de apoio até chegar ao sombreamento (ABLING, 2011). FIGURA 13 – DESENHANDO CALÇA PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 204) Assim como as saias, as calças e os shorts também possuem diversas variedades de modelagens e caimentos, a Figura 14 mostra o desenho de uma bermuda, uma calça capri (hoje em dia a chamamos de midi) e uma calça boca de sino, todas elas são largas e a única parte ajustada ao corpo é a cintura. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 189 FIGURA 14 – O DESENHO DA BERMUDA ATÉ A CALÇA FONTE: Abling (2011, p. 205) A Figura 15 indica o quanto é impactante a pose do croqui no desenho das roupas, nesse caso, de uma calça, além do ângulo do quadril, as pernas também estão com movimento, observe que a barra da calça não fica reta e os joelhos ganham informação de dobras e vincos (ABLING, 2011). FIGURA 15 – DESENHO DE CALÇAS CONFORME A POSE FONTE: Abling (2011, p. 206) Assim como as dobras e vincos, o sombreamento é importantíssimo no desenho de roupas, para isso você deve escolher onde está o seu ponto de luz e a partir disso inserir as sombras no desenho, a Figura 16 mostra alguns exemplos dessa técnica no desenho de uma calça midi (ABLING, 2011). UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 190 FIGURA 16 – ONDE COLOCAR LUZ E SOMBRA NA CALÇA FONTE: Abling (2011, p. 291) A Figura 17 mostra alguns modelos de shorts e calças que você pode se inspirar para fazer seus desenhos, também possui um guia das nomenclaturas dos shorts conforme o comprimento. FIGURA 17 – ALGUNS MODELOS DE SHORTS E CALÇAS FONTE: Abling (2011, p. 462) TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 191 Se você quiser, pode aprender a desenhar uma calça jeans rasgada assistindo ao vídeo “Como desenhar calça rasgada do canal do YouTube Mateandro, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=tTSE3lrkvlY. DICAS 3.3 DESENHANDO BLUSAS, DECOTES E GOLAS Já desenhamos saias e calças, agora vamos às blusas. A Figura 18 mostra a diferença de desenhar uma roupa fora do corpo e vestida, além de como uma mesma peça é diferente em cada uma de suas vistas, isso precisa ser considerado para escolher qual pose você quer utilizar para mostrar os detalhes principais do produto. FIGURA 18 – DESENHO DE BLUSAS CONFORME A VISTA FONTE: Abling (2011, p. 394) Existe uma infinidade de modelagens de blusas e camisetas e a cada ano vemos novos modelos sendo introduzidos no mercado, a Figura 19 apresenta alguns modelos que podem ser representados para praticar o desenho de blusas. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 192 FIGURA 19 – TIPOS DE BLUSAS E CAMISAS FEMININAS FONTE: Abling (2011, p. 457) Com as opções de decotes não é diferente, suas modelagens tendem a mudar de uma estação para outra dentro de um ano, no inverno, por exemplo, cobrem mais o corpo e, no verão, são mais abertos, mas isso não é via de regra, podendo haver muitas formas inusitadas, algumas delas se encontram na Figura 20. Segundo Abling (2011, p. 208) “os decotes se movem abaixo ou acima da base do pescoço. Geralmente seguem linhas de costura básica do tronco”. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 193 FIGURA 20 – OPÇÕES DE DESENHO DE DECOTES FONTE: Abling (2011, p. 450) Além dos decotes, é importante aprender a desenhar as golas, elas estão principalmente nos casacos, mas também podem estar em camisas, coletes, jaquetas etc. Algumas pessoas acham extremamente difícil de desenhá-las, principalmente quando a pose não é totalmente de frente e porque um lado é sempre mais difícil que o outro ao desenhar. De acordo com Abling (2011, p. 108) “As golas são conectadas ao decote, drapejadas sobre ou abaixo do pescoço, caem sobre os ombros ou sobre o peito. Para vestir o pescoço, desenhar as linhas do pescoço e golas, utilize as linhas de costura do tronco como guia”. As golas altas devem ser desenhadas de forma cilíndrica, acompanhando a forma do pescoço, já as golas baixas, normalmente, seguem a linha dos ombros (ABLING, 2011). Existem diversas larguras e abotoamento de golas, que pode ser simples ou duplo e ainda pode haver diferentes recortes e tipos de fechamento (ABLING, 2011). UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 194 A Figura 21 mostra várias golas para você começar a desenhar, praticá-las vai te ajudar a desenhar a peça completa, conforme a Figura 22. FIGURA 21 – OPÇÕES DE DESENHO DE GOLAS FONTE: Abling (2011, p. 451) As Figuras 22 e 23 apresentam o passo a passo de uma camisa feminina de botões em uma pose ¾, em que se inicia o desenho pela gola, depois, realiza- se o decote em direção ao eixo central e desenha-se as laterais da camiseta, a qual encontra-se vestida dentro de uma saia justa (ABLING, 2011). TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 195 FIGURA 22 – DESENHO DE CAMISA FEMININA PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 212) A Figura 23 é a continuação do desenho da camisa feminina, que consiste em inserir as mangas, sem esquecer dos detalhes de amassados e vincos, principalmente próximos a região do cotovelo, o desenho se conclui com o desenho do punho e dos detalhes da vista que é onde se localizam os botões da camisa. FIGURA 23 – CONTINUAÇÃO DESENHO DE CAMISA FEMININA FONTE: Abling (2011, p. 213) Para praticar o desenho das mangas de blusas, que deve ser um ponto de atenção, já que é onde temos a articulação do braço, assista ao vídeo Como desenhar manga de blusa: desenho de moda no canal do YouTube Tathiane Vargas, aproveite e pratique os exercícios do vídeo e os indicados nas imagens desse subtópico. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=R0ZLOQzs-rE&t=22s>. Acesso em: 25 mar. 2021. DICAS UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 196 Agora que você já praticou o desenho de camisas, vamos aos desenhos de jaquetas, blazers e sobretudos, acreditamos que se você estiver realizando as atividades propostas, essa parte não seja muito difícil, visto que você já sabe desenhar blusas e camisetas. 3.4 DESENHANDO JAQUETAS, BLAZERS E SOBRETUDOS Iniciaremos o desenho de casacos a partir dos blazers, que, no geral, são mais ajustados que jaquetas, devido esse ajuste ao corpo, é sempre importante considerar a pose que vai ser utilizada e respeitar os ângulos do tronco para inserir os detalhes de alfaiataria (ABLING, 2011). A Figura 24 apresenta um passo a passo do desenho de um blazer tradicional, observe que, na terceira etapa, é inserida a costura princesa, que é a linha em curva que vem do meio da cava, passa pelo bolso e finaliza só na barra do blazer, essa costura é muito utilizada para ajustar casacos, vestidos, blusas etc. sobre o corpo de uma pessoa. FIGURA 24 – PASSO A PASSO DESENHAR UM BLAZER FONTE: Abling (2011, p. 215) A principal diferença entre a jaqueta e o blazer é que o blazer é ajustado ao corpo, já a jaqueta pode ser mais solta, mesmo assim, deve acompanhar os ângulos do corpo. A Figura 25 mostra o início de um passo a passo, em que, novamente, inicia-se pela gola, depois, desenha-se apenas um lado da jaqueta, o lado maior na vista de ¾, tome o cuidado para desenhar o ângulo da barra igual ao ângulo dos ombros, finalize desenhando o outro lado e, por último, insira as mangas (ABLING, 2011). TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 197 FIGURA 25 – PASSO A PASSO DESENHO DE UMA JAQUETA FONTE: Abling (2011, p. 216) A Figura 26 mostra diferentes formas de vestir uma jaqueta no croqui de moda, aqui, você pode observar como a manga se comporta em diferentes poses do braço e também como o desenho da jaqueta pode mudar a atitude do croqui em si. FIGURA 26 – FORMAS DE REPRESENTAR A JAQUETA NO CROQUI FONTE: Abling (2011, p. 217) Existem variadostipos de jaquetas que você pode escolher para inserir no seu croqui, algumas se encontram a seguir, na Figura 27, escolha algumas para praticar seu desenho. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 198 FIGURA 27 – OPÇÕES DE JAQUETAS PARA DESENHAR FONTE: Abling (2011, p. 47) Para desenhar sobretudos, comece considerando a pose do croqui, uma dica é sempre olhar uma foto de revista para desenhá-los, a Figura 28 apresenta um passo a passo para lhe auxiliar. Para Bryant (2012), a primeira coisa é desenhar a gola e a borda do fechamento frontal que fica um pouco além do eixo central, depois estabeleça as linhas dos ombros, inicie o desenho do cinto para marcar a cintura e, na sequência, já pode inserir as mangas e bolsos, finalizando com os detalhes de botões e demais detalhes da peça. Observe também que os croquis da Figura 28 estão com linhas de mapeamento sobre o corpo, essas linhas ajudam a indentificar onde inserir cada traço do sobretudo e também facilitam a deixar os dois lados simétricos, quando necessário. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 199 FIGURA 28 – DESENHANDO SOBRETUDOS FEMININOS FONTE: Bryant (2012, p. 278) A Figura 29 mostra uma série de opções de sobretudo que você pode utilizar para desenhar em seus próprios croquis, observe que as modelagens são relativamente parecidas, mas os detalhes e aviamentos mudam bastante de um para o outro. FIGURA 29 – OPÇÕES DE SOBRETUDO PARA DESENHAR FONTE: Adaptada de Abling (2011, p. 473) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 200 Nesse subtópico, vemos apenas alguns modelos de casaco, existem muitos outros e você, como ilustrador, precisa ter repertório, ou seja, precisa sempre estar pesquisando sobre as novas modelagens, texturas etc. Para se tornar um bom desenhista, é importante praticar muito o desenho e, por isso, indica-se praticar todos os desenhos apresentados nos subtópicos. Se quiser aprender a desenhar um casaco com textura de pelos, assista ao vídeo Desenha e fala (casaco de pelo) no canal do YouTube Mateandro, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=VpQkbmLs6Es. DICAS 3.5 DESENHANDO VESTIDOS CURTOS Para concluir o estudo de roupas femininas, veremos o desenho de vestidos curtos e longos nos próximos subtópicos, desenhar vestidos nada mais é do que juntar as saias com as blusas de forma harmônica. A Figura 30 mostra o desenho de um vestido curto, nele, mostra-se que a bainha do vestido deve seguir a inclinação da cintura do vestido, isso está representado com uma seta azul na figura, no segundo passo, mostra-se que o volume do tecido na saia é jogado para o lado em que o quadril está inclinado, para finalizar, insira as pences no busco e os vincos do tecido na cintura (BRYANT, 2012). FIGURA 30 – DESENHANDO UM VESITIDO CURTO FONTE: Bryant (2012, p. 222) TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 201 A Figura 31 mostra um vestido curto completamente diferente do anterior, ele se chama vestido de cintura império, que é bem acima da cintura natural. Segundo Bryant (2012), comece o desenho desse vestido pelo decote redondo, a cava e a cintura, ou seja, pela parte de cima, depois trace a silhueta do vestido, é como uma forma de sino suave, indique as pregas e, então, insira as linhas do drapeado, aplicando a técnica de caimento godê, já estudado no subtópico das saias. Nesse passo a passo, foi desenhado primeiro um lado para depois desenhar o outro simetricamente, esse é um método do desenho de vestidos, mas você pode desenhar como se sentir mais à vontade. Depois de desenhar os dois lados do vestido, é hora de inserir os detalhes, ou seja, o peitilho onde vai os botões, a gola e as amarrações (BRYANT, 2012). FIGURA 31– PASSO A PASSO DESENHO VESTIDO CINTURA IMPÉRIO FONTE: Bryant (2012, p. 254) Existem muitas pences que podem ser utilizadas para fazer a parte superior dos vestidos, elas são utilizadas para ajustar mais a peça ao corpo, mesmo sendo um tecido que não estica. A Figura 32 apresenta algumas pences que podem ser utilizadas nos seus croquis. FIGURA 32 – PENCES PARTE SUPERIOR DE VESTIDOS FONTE: Abling (2011, p. 468) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 202 Além das pences, também existe o recote princesa utilizado para ajustar a peça ao corpo, esse recorte já foi abordado no desenho de blazer (Figura 24). A Figura 33 mostra as três variações de recorte princesa que podem ser utilizados em vestidos, o primeiro é curvado e vem desde a cava, o segundo é mais reto e vem do meio do ombro até a barra e o último é como uma pence que vai do busto até o quadril. FIGURA 33 – RECORTE PRINCESA FONTE: Abling (2011, p. 468) Se existe uma infinidade de tipos de blusas e saias, imagina de vestidos, as composições podem ser inúmeras. A Figura 34 apresenta alguns modelos que você pode se inspirar para seus primeiros desenhos de vestidos. FIGURA 34 – OPÇÕES DE DESENHOS DE VESTIDOS FONTE: Adaptada de Abling (2011, p. 469) TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 203 Um dos vestidos que não estão na figura anterior é o vestido ciganinha, para aprender a desenhá-lo, assista ao vídeo Como desenhar movimento em tecido: desenho de moda do canal do YouTube Tathiane Vargas, disponível no link: https://www.youtube. com/watch?v=Dx9SFH148nc. DICAS Agora que você já sabe desenhar vestidos curtos, pois, espera-se que os tenha praticado durante a leitura, passemos ao estudo dos vestidos longos, focando principalmente nos vestidos de festas e de noivas, que são os mais elaborados. 3.6 DESENHANDO VESTIDOS LONGOS O primeiro vestido longo que iremos desenhar é um vestido com tecido plissado, esse tipo de tecido é utilizado para fazer vestidos que delineiam o corpo, comece o desenho traçando a silhueta da saia e alguns sombreados que surgem devido à posição das pernas e do quadril, depois comece a traçar a textura com pregas irregulares, desenhe a barra com forma irregular e finalize desenhando a parte superior do vestido, os braços, a feição e o cabelo, como na Figura 35 (BRYANT, 2012). FIGURA 35 – VESTIDO LONGO JUSTO PLISSADO PASSO A PASSO FONTE: Abling (2011, p. 290) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 204 Seja qual for o modelo de vestido que estiver desenhando, é importante relembrar da importância de desenhar corretamente o caimento dos tecidos, pois é um aspecto-chave dos vestidos longos. A Figura 36 apresenta alguns modelos de vestidos, observe o caimento do segundo em cascata e a parte superior do último vestido, todas as dobras e vincos que o tecido faz. FIGURA 36 – DESENHOS DE VESTIDOS LONGOS FONTE: Abling (2011, p. 399) Conforme Abling (2011), quanto mais formal e especial for a ocasição, mais informação haverá nos trajes, logo, a figura de moda precisa ser mais alongada para a representação. A Figura 37 mostra como a extenção das pernas aumenta para desenhar vestidos de noiva, que muitas vezes possuem calda e podem formar um “lago” no chão. FIGURA 37 – PROPORÇÃO DO CORPO PARA O DESENHO DE NOIVAS FONTE: Abling (2011, p. 228) TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 205 É comum os vestidos de noiva terem babados, camadas, drapejados etc., eles podem ser delicados ou acentuados. A Figura 38 mostra um drapejado aumentado e exagerado, verifique no passo a passo como o caimento do tecido pode ser desenhado e observe a importância de colocar um certo exagero no sombreamento (ABLING, 2011). FIGURA 38 – DETALHES E DRAPEJADOS PARA VESTIDOS DE FESTA FONTE: Abling (2011, p. 233) Os desenhos das caldas dos vestidos de noivas podem ser projetados para frente ou para trás, mas é importante considerar o nível do chão e cuidar para são parecer que o vestido está amarrotado. Ao colocar as sombras em vestidos brancos, é preciso tomar cuidado para que não pareça descolorido ou cinza (ABLING, 2011). FIGURA 39 – DESENHO DE CALDAS DE VESTIDO DE NOIVAS FONTE: Abling (2011, p. 234) UNIDADE 3 — TÉCNICASDE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 206 Existem vestidos de noivas com tecidos maravilhosos e complexos de desenhar, um deles é a renda, se quiser aprender a desenhar um vestido com esse tecido, assista ao vídeo Vestido de noiva: croqui em renda, tule ilusione e musseline de seda no canal do YouTube Claudia Maria, disponível no link: https://www.youtube.com/ watch?v=BeytWYkP-Z8. DICAS E assim terminamos o estudo do vestuário feminino. Embora existam muitos outros modelos e peças a se estudar, vimos o básico para começar as suas ilustrações. Agora, estudaremos os acessórios femininos, cintos, bolsas, brincos, colares, chapéus etc. 3.7 DESENHANDO ACESSÓRIOS FEMININOS Caro acadêmico, nesse subtópico, estudaremos o desenho de acessórios femininos, começando pelos cintos que são muito utilizados para marcar a cintura nas composições. 3.7.1 Desenhando cintos A primeira coisa que você precisa aprender a desenhar são os elementos que compõem um cinto, ou seja, as fivelas, ganchos, fechos, ilhós etc. A Figura 40 mostra uma série deles para você começar a praticar. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 207 FIGURA 40 – DESENHO DE FIVELAS E GANCHOS DOS CINTOS FONTE: Abling (2011, p. 253) Os cintos costumam ser simétricos, então, ao desenhá-los, tome o cuidado com as proporções, se precisar utilize uma régua para ser mais assertivo em seu desenho (ABLING, 2011). O cinto pode ser usado de vários jeitos, não necessariamente precisa estar na cintura e de forma reta, ele pode estar mais solto, na altura do quadril e pode ser vestido de forma assimétrica também (ABLING, 2011). A Figura 41 mostra algumas formas distintas de posar o cinto e também diferentes modelos de cinto para você se inspirar, escolha, pelo menos, cinco deles e pratique em uma folha de papel para que depois possa utilizar em suas ilustrações. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 208 FIGURA 41 – TIPOS DE CINTOS FEMININOS PARA DESENHAR FONTE: Abling (2011, p. 464) Agora que já praticou os cintos, passaremos para as bolsas, que possuem muitos aviamentos semelhantes com esses já desenhados. 3.7.2 Desenhando bolsas O primeiro passo para começar os desenhos de bolsas é desenhar os aviamentos que a compõem, existem os reguladores, colchetes, alças, prendedores etc. Muitos deles semelhantes ao já vistos no desenho de cintos, mas nem todos são iguais. A Figura 42 apresenta o desenho desses aviamentos para você praticar. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 209 FIGURA 42 – DESENHANDO AVIAMENTOS E DETALHES DE BOLSAS FONTE: Adaptada de Abling (2011, p. 254) Abling (2011, p. 254) relata que: As bolsas precisam ter tamanho, forma e detalhes para comunicar sua mensagem de moda. O tamanho de uma bolsa determina quanto de sua forma e detalhes serão visíveis em seu desenho. Por vezes, é necessária uma pose específica ou posição na página para ilustrar características da bolsa. Os detalhes podem ser funcionais ou decorativos. Para capturar a definição e as variações de uma bolsa, é necessário ter mão firme e usar uma caneta de ponta fina. A Figura 43 apresenta uma série de modelos de bolsas femininas, algumas para looks de dia outras para looks de festa, os quais você pode observar os detalhes e acabamentos utilizados. Na figura, as bolsas estão desenhadas de frente, mas nas suas ilustrações elas podem ser representadas também em ¾ e de perfil, dependo da pose escolhida. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 210 FIGURA 43 – TIPOS DE BOLSAS E CARTEIRAS PARA DESENHAR FONTE: Abling (2011, p. 476) Vale a pena inserir acessórios nos croquis, isso ajuda a mostrar as composições para o look desenvolvido e as bolsas são um dos aviamentos principais femininos, assim como as joias que veremos no subtópico a seguir. 3.7.3 Desenhando joias A joalheria possui um papel muito importante no vestuário feminino, não é por menos que passamos joias de família de geração para geração e nos casamentos temos a aliança como símbolo de relacionamento. A Figura 44 apresenta algumas proporções ao desenhar brincos, as linhas tracejadas indicam eixos que podem ser seguidos para representar corretamente a posição dos brincos no rosto feminino. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 211 FIGURA 44 – DESENHANDO BRINCOS FONTE: Abling (2011, p. 240) Observe, na Figura 45, como fica bom o desenho de brincos quando o rosto está na vista em perfil, pois é possível ver todos os detalhes da joia em questão. Outros acessórios indicados na figura são os que se localizam no braço, ou seja, os braceletes e pulseiras. FIGURA 45 – DESENHO DE BRINCOS E BRACELETES FONTE: Abling (2011, p. 241) Nas ilustrações de moda, normalmente não se insere o desenho de anéis ou acessórios muito pequenos, pois é difícil de percebê-los quando a arte está finalizada, porém, se você quiser inseri-los, fica a seu critério. A Figura 46 mostra alguns colares que podem ser representados em croquis de moda, segundo Abling (2011), alguns colares, correntes e gargantilhas são desenhados para começarem na base do pescoço, na altura da área do decote e podem ser ajustados para que fiquem mais curtos ou mais longos sobre o peito. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 212 FIGURA 46 – TIPOS DE COLARES PARA DESENHAR FONTE: Abling (2011, p. 241) Muitos consultores de estilo indicam inserir acessórios para complementar um look, isso porque eles ajudam a passar a identidade do seu estilo, trazendo personalidade para a composição, por isso, recomenda-se fortemente sempre utilizá-los em seus croquis. Existem vários acessórios diferentes para desenhar, assista ao vídeo Como desenhar acessórios no canal do YouTube Tathiane Vargas, para aprender alguns deles de maneira prática, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JXEQrrhli5U. DICAS 3.7.4 Desenhando chapéus Para finalizar os estudos de acessórios femininos, estudaremos o desenho de chapéus, que ficam lindíssimos, principalmente em looks de praia. Existem chapéus maleáveis e rígidos, coloridos e opacos, com aba larga e sem aba etc., são muitas variações e você pode verificar como desenhar alguns deles no passo a passo da Figura 47, perceba que na figura o rosto está em várias posições diferentes para você ver como o chapéu se comporta em cada uma das situações. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 213 FIGURA 47 – DESENHANDO CHAPÉUS FEMININOS FONTE: Abling (2011, p. 251) Segundo Abling (2011), os chapéus podem estar vestidos no croqui ou também podem estar sendo carregados na mão, dependendo de como são segurados, eles podem estar em vistas diferentes, como de frente, perfil, ¾ e até aparecendo o lado avesso, use sua criatividade. Outro exemplo é a boina que pode ser dobrada de muitas formas, pois seu tecido é maleável, o contorno das linhas deve ser suave e dependendo do ângulo da cabeça, sua forma pode alterar, use os olhos como base para representar a boina paralelamente, como no exemplo da Figura 48. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 214 FIGURA 48 – DESENHANDO BOINAS FEMININAS FONTE: Abling (2011, p. 250) Para ver como desenhar outros modelos de chapéus já vestidos no croqui, assista ao vídeo Desenho de moda, como desenhar chapéu – veda #21 – do canal do YouTube Mateandro, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=BVhugZGNg6E. • Importante também praticar os acessórios indicados nesse subtópico. DICAS Umas das coisas interessantes sobre a boina é que ela pode ser usada por todos os gêneros e não tem distinção de idade, embora, na figura anterior, o rosto representado tenha sido feminino, homens e crianças também as utilizam (ABLING, 2011). 4 DESENHANDO ROUPAS MASCULINAS Agora que aprendemos todo o desenho do vestuário feminino passaremos ao masculino, muitas coisas já estudadas podem ser adaptadas ao vestuário masculino, então veremos a seguir apenas algumas situações. 4.1 DESENHANDOCALÇAS MASCULINAS Desenhar roupas masculinas significa conhecer o novo conjunto de proporções, pois muitas roupas masculinas e femininas são parecidas, o que precisa ser feito é redirecionar as roupas para a largura e peso do corpo masculino (BRYANT, 2012). Os quadris dos homens são estreitos e os ombros são largos, a silhueta não é tão curva como a feminina e isso precisa ser considerado ao desenhar as roupas desse gênero, essas diferenças são muito importantes, principalmente no desenho de calças. Há diferença nos ajustes, modelagem e corte (BRYANT, 2012). TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 215 A Figura 49 mostra como é o desenho da calça masculina, a cintura é quadrada e não afunilada como a feminina, os bolsos e o zíper são maiores, há também uma mudança na largura das pernas, nas costuras e nas barras. FIGURA 49 – DESENHO DE CALÇA MASCULINA FONTE: Abling (2011, p. 409) A Figura 50 apresenta o desenho de uma calça masculina com bolsos aparentes, o primeiro desenho é a vista frontal e o segundo é a vista em perfil, é importante sempre treinar os desenhos das peças em várias vistas para aprender as proporções e diferenças. FIGURA 50 – DESENHO DE CALÇAS MASCULINAS COM BOLSOS FONTE: Abling (2011, p. 409) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 216 Existem muitos modelos de calças e bermudas que podem ser ilustrados em seus croquis masculinos. A Figura 51 apresenta um modelo com função removível, quando for representar uma peça como essa, é importante que seu desenho mostre a funcionidade da roupa. FIGURA 51 – DESENHO DE BERMUDAS MASCULINAS FONTE: Abling (2011, p. 407) Assim como no croqui feminino, é importante que as roupas façam dobras e vincos para parecer mais realístico e mostrar as características do tecido e de como a roupa se comporta vestida no corpo, tridimencionalmente. Para ver como desenhar dobras e vincos em roupas masculinas, assista ao vídeo Como desenhar roupas fácil! dica de desenho do canal do YouTube Jayson Santos ArtWork, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=Tjy8-LISJcU. DICAS 4.2 DESENHANDO CAMISAS E JAQUETAS MASCULINAS Assim como no desenho de calças, no desenho de camisetas masculinas as modelagens se alteram devido à largura dos ombros. A Figura 52 mostra várias maneiras de representar camisas masculinas, elas podem ser ajustadas, soltas ou até largas no corpo, tudo depende do olhar do ilustrador. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 217 FIGURA 52 – DESENHO DE CAMISETAS MASCULINAS FONTE: Abling (2011, p. 407) Para desenhar blusas masculinas de gola alta em tricô é possível usar algumas estratégias para representar a textura, a Figura 53 apresenta alguns exemplos onde são utilizadas algumas linhas sutis que lembram o canelado do tricô. FIGURA 53 – DESENHANDO BLUSA DE TRICÔ MASCULINA FONTE: Abling (2011, p. 411) Apesar do vestuário feminino possuir mais opções de modelagens e texturas, as roupas masculinas também possuem suas próprias características, a Figura 54 apresenta o desenho de uma jaqueta masculina tradicional, no lado esquerdo da imagem tem alguns exemplos de canetas que podem ser usadas para representar cada parte. Segundo Abling (2011), as canetas de pontas extrafinas são utilizadas para pequenos detalhes como costuras, as de pontas finas para desenhar as formas e as linhas principais e as de ponta média podem ser usadas no contorno do desenho. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 218 FIGURA 54 – DESENHO DE JAQUETA TRADICIONAL FONTE: Abling (2011, p. 410) Agora vamos às camisas de botões, as masculinas normalmente possuem bolsos frontais e um corte reto. Aa Figura 55 apresenta os detalhes desse tipo de camisa tanto frontal quanto posterior, além de alguns detalhes ampliados para melhor visualização das costuras. FIGURA 55 – DESENHANDO CAMISA DE BOTÕES MASCULINA FONTE: Abling (2011, p.411) TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 219 As camisas de botões podem ser desenhadas de vários jeitos nos croquis, abertas, fechadas, dentro da calça, fora da calça etc. Para ver todas essas variantes com passo a passo de desenho, assista ao vídeo Como desenvolver como coleção masculina: croqui de moda do canal do YouTube Tathiane Vargas, disponível no link: https://www. youtube.com/watch?v=a5EhCGAIfzo DICAS Existem muitos colarinhos diferentes que podem ser desenhados em uma camisa de botões, como na Figura 56 que apresenta alguns deles, observe que algumas são com as pontas retas, outras arredondadas, com botão, sem botão, com alça, sem alça etc. FIGURA 56 – DESENHO DE COLARINHOS FONTE: Abling (2011, p. 452) Agora que já estudamos as calças, camisetas, camisas, blusas e jaquetas masculinas, passaremos a entender o desenho de ternos e blazers para finalizar o estudo do vestuário masculino. Escolha um look completo masculino das imagens apresentadas nos últimos subtópicos e pratique o desenho para que crie a habilidade de desenhar roupas masculinas. DICAS UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 220 4.3 DESENHANDO TERNOS E BLAZERS Assim como existem diversos colarinhos para as camisas, nos blazers existem vários modelos de golas, a figura 57 apresenta uma série delas, algumas mais tradicionais e outras com formas diferentes, para você conhecer as opções existentes. FIGURA 57 – GOLAS DE BLAZERS MASCULINOS FONTE: Abling (2011, p. 452) Os brazers masculinos normalmente são mais ajustados e mais curtos que os paletós, possuem alguns elementos diferenciados como no caso das golas, aviamentos e bolsos. A Figura 58 mostra o desenho de um brazer frontal e posterior para você ver algumas características que podem ser utilizadas, como o recorte nas costas e nas mangas, as pences na frente, duas colunas de botões etc. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 221 FIGURA 58 – DESENHANDO UM BLAZER MASCULINO FONTE: Abling (2011, p. 410) Antes de começar o desenho do paletó preciamos entender algumas nomeclaturas das partes dele, a Figura 59 mostra onde fica a lapela, a gola, a cava, o bolso embutido etc. FIGURA 59 – NOMECLATURAS DAS PARTES DE UM PALETÓ FONTE: Adaptada de Bryant (2011, p. 273) Agora, vamos ao desenho completo de um paletó com abotoamento simples, para começar, desenhe o eixo central no meio do corpo, depois, desenhe a linha da abertura da frente e o decote levemente curvado, adicione os botões e comece o desenho da lapela e gola respectivamente, adicione o desenho das cavas, lembrando de deixar o ombro mais reto pois essa peça possui ombreiras e finalize com os desenhos das mangas, não esqueça de fazer uma leve marcação de dobra na região dos cotovelos, como no passo a passo da Figura 60 (BRYANT, 2012). UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 222 FIGURA 60 – DESENHANDO UM PALETÓ COM ABOTOAMENTO SIMPLES FONTE: Bryant (2011, p. 273) A Figura 61 apresenta um passo a passo de como desenhar o paletó com o croqui caminhando, nesse caso, o eixo de simetria está em curva, logo, o blazer deve acompanhar essa curvatura no transpasse e nas laterais, desenhe todas as linhas acompanhando o movimento do corpo, faça o decote, o desenho da lapela e da gola, insira as mangas marcando os vincos do tecido e finalize inserindo bolsos com abas, adicione também as outras peças que compõe o croqui. FIGURA 61 – DESENHO DE PALETÓ COM O CROQUI CAMINHANDO FONTE: Bryant (2011, p. 276) E assim concluímos o desenho do vestuário masculino e passamos ao seus acessórios, lembrando que, para se tornar um bom ilustador, você precisa buscar inspiração em bancos de imagem como o Pinterest para praticar outras peças e silhuetas. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 223 4.4 DESENHANDO ACESSÓRIOS MASCULINOS Assim como no croqui feminino, após estudar a indumentária, vamos aprender sobre o desenho de alguns acessórios, sempre lembrando que os acessórios femininos podem ser atualizados para o masculino e vice-versa. 4.4.1Desenhando lenços e gravatas Você já sabe desenhar paletós e camisaria masculina, agora pode começar a adicionar mais elementos aos seus croquis, como gravatas e lenços, que ficam muito elegantes e demostram personalidade. A Figura 62 apresenta algumas gravatas que podem ser utilizadas na sua ilustração, como o lenço de pescoço, gravata borboleta, amarração ascot etc. FIGURA 62 – DESENHO DE GRAVATAS FONTE: Abling (2011, p. 453) Já a Figura 63 apresenta outros modelos de lenços e cachecóis que também podem ser utilizados nas suas ilustrações, como o xale, bandana, echarpe, jabô etc. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 224 FIGURA 63 – DESENHO DE LENÇOS FONTE: Abling (2011, p. 453) Esses lenços podem ser utilizados tanto nos croquis masculinos como nos femininos, visto a versatilidade transitar entre os estilos da moda atual. Para seguir, estudaremos os óculos de sol. 4.4.2 Desenhando óculos de sol Desenhar óculos de sol pode ser difícil dependo a vista em que se está desenhando, por isso, a Figura 64 apresenta um passo a passo que consiste em mostrar a diferença do desenho dos óculos na vista frontal, perfil e ¾. Observe, na figura a seguir, que o passo a passo inicia em encontrar a posição dos olhos, posicionar as lentes e definir as formas e estilo dos óculos em questão. FIGURA 64 – DESENHANDO ÓCULOS E TODAS AS VISTAS TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 225 FONTE: Abling (2011, p. 247) Além das vistas, ao desenhar óculos é preciso considerar a posição da cabeça, se está olhando para baixo ou para cima e assim seguir esse movimento, como na figura 65. Segundo Abling (2011) existem três áreas mais importantes no desenho de óculos, que é a ponte, os braços e a moldura das lentes, sendo desenhado no rosto ou não, essas áreas precisam de atenção. FIGURA 65 – DESENHANDO O ÓCULOS CONFORME O MOVIMENTO DA CABEÇA FONTE: Abling (2011, p. 246) Existe uma variedade enorme de armações e lentes no mercado dos óculos, antes de escolher os óculos adequado para sua ilustração, faça uma pesquisa em sites de marcas de óculos como a Ray Ban®, Dior®, Chilli Beans® etc. para verificar qual é a tendência do momento. UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 226 Para aprender a como colorir óculos de sol, assista ao vídeo Como desenhar óculos do canal do YouTube Mateandro, aproveite e pratique o desenho de acessórios masculinos. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=arnLyC5rHuE>. Acesso em: 25 mar. 2021. DICAS 4.4.3 Desenhando chapéus e bonés Segundo Abling (2011), desenhar chapéus requer o equilíbrio entre o tipo de chapéu e o estilo em que é usado, ou seja, a pose do chapéu na cabeça, que podem ser de inúmeras formas. A copa do chapéu deve estar sobre a metade da cabeça e a aba normalmente corta o rosto na linha dos olhos. A Figura 66 apresenta como deve ser desenhada a copa e a aba do chapéu sobre a cabeça. FIGURA 66 – O DESENHO DA COPA E DA ABA DO CHAPÉU FONTE: Abling (2011, p. 249) A Figura 67 mostra como desenhar chapéus e bonés em diferentes vistas da cabeça, em perfil, ¾ e frontal, observe como os traços mudam de direção em cada uma das situações. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 227 FIGURA 67 – DESENHANDO CHAPÉUS E BONÉS NAS DIFERENTES VISTAS FONTE: Abling (2011, p. 248) A Figura 68 apresenta uma série de tipos de chapéus masculinos que podem ser utilizados em suas ilustrações, entre eles o panamá, coco, cowboy, palha etc. FIGURA 68 – OPÇÕES DE DESENHOS DE CHAPÉUS MASCULINOS FONTE: Abling (2011, p. 475) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 228 É muito comum na indumentária masculina existirem algumas roupas, aviamentos e acessórios referentes às profissões, principalmente as militares, para identificar a posição de determinado homem. A Figura 69 apresenta alguns chapéus de acordo com profissões, entre elas a de marinheiro, capitão, observador de animais etc. FIGURA 69 – OPÇÕES DE DESENHO DE CHAPÉUS CONFORME PROFISSIÕES FONTE: Abling (2011, p. 474) Existem muitos outros acessórios masculinos, como pastas, relógios, pulseiras, colares etc. Nesse subtópico, foram apresentados somente alguns deles, por isso, indica-se sempre fazer pesquisas para decidir quais acessórios inserir na sua ilustração, querendo ou não, eles sempre complementam a composição visual de um look. 5 DESENHAHANDO ROUPAS INFANTIS As roupas infantis podem ser iguais aos dos adultos, porém em uma proporção diferente, por isso, esse subtópico será menor do que o feminino e o masculino adulto, pois veremos apenas algumas variações das roupas para crianças. TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 229 5.1 DESENHANDO DETALHES DOS TRAJES INFANTIS É comum as roupas infantis femininas terem laços, franzidos, pregas e muitos detalhes fofos. A Figura 70 apresenta um passo a passo de uma saia com pregas e laço, observe que o quadril está com movimento para o lado direito e, por isso, a primeira coisa a fazer é o eixo central da saia que está na figura em vermelho, depois, desenha-se o cós, a lateral, a marcação da barra, então, desenha- se o caimento do tecido, como já visto no desenho adulto, faz-se o laço e finaliza colocando as linhas do franzido, em curvas, abaixo do cós (BRYANT, 2011). FIGURA 70 – DESENHO DE SAIA COM PREGAS E LAÇO FONTE: Bryant (2012, p. 256) Para desenhar uma saia balonê com pregas duplas, acompanhe o passo a passo da Figura 71, aqui também existe o movimento do quadril e como você já sabe, primeiramente se desenha o eixo de simetria para depois inserir o cós, as laterais, caimento, pregas e, nesse caso, também o desenho da estampa de poá (bolinhas) (BRYANT, 2012). FIGURA 71 – DESENHO DE SAIA BALONÊ FONTE: Bryant (2012, p. 257) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 230 A Figura 72 mostra um passo a passo do desenho de uma jaqueta infantil com zíper, no qual o croqui está na posição ¾, observe que a primeira coisa a ser desenhada é a linha do zíper, a gola, depois as laterais, cava, bolsos, recortes, mangas e, nesse caso, também é inserido rosto, cabelo, saia e calçado. Perceba como é importante o caimento do tecido com dobras e vincos para ter o aspecto de desenho tridimensional. FIGURA 72 – DESENHANDO UMA JAQUETA INFANTIL FONTE: Bryant (2012, p. 280) De acordo com Abling (2011), é comum vermos em crianças peças únicas como vestidos, macacões, jardineiras, salopetes etc. A Figura 73 mostra um passo a passo de como representar as alças de uma jardineira considerando que o fechamento fica na frente e as alças possuem o caseado. Caseado é um furo no tecido utilizado para passar o botão e fechar uma peça, normalmente existem costuras ao redor para o tecido não desfiar e no desenho ele é representado apenas com um pequeno risco diagonal ou horizontal. NOTA TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 231 FIGURA 73 – DESENHANDO ALÇAS DE UMA JARDINEIRA INFATIL FONTE: Abling (2011, p. 412) De acordo com Abling (2011), nas roupas infantis é comum existirem vários pontos para fechar a peça, isso ocorre devido ao fato de que a criança não se vestem sozinhas e os botões, velcros e zíperes ajudam no processo de um adulto vesti-las. A Figura 74 apresenta os locais de fechamento de uma jardinheira, observe que possuem botões nas alças e também no entre pernas. FIGURA 74 – ROUPAS INFANTIS E OS FECHAMENTOS FONTE: Abling (2011, p. 413) As roupas infantis costumam ser mais enfeitadas que outros tispos de trajes, também é comum haver costuras mais resistentes devido às crianças rasgarem muito facilmente suas roupas enquanto brincam. A Figura 75 mostra algumas linhas de costuras que podem ser utilizadas nos acabamentos de roupas e você pode escolher o tipo que mais te agradar para inserir na suas ilustrações, entre elas temos: linha sólida, linha quebrada, traços e dupla fileira de pontos (ABLING, 2011). UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 232FIGURA 75 – DESENHOS DE COSTURAS PARA ROUPAS INFANTIS FONTE: Abling (2011, p. 413) Ainda falando sobre costuras e tipos de fechamentos, a Figura 76 mostra uma série de punhos e tipos de costuras, acabamentos e fechamentos para você se inspirar na hora de criar roupas infantis para as suas ilustrações, lembrando também que, para bebês, não se deve inserir aviamentos muitos pequenos que podem ser arrancados e engolidos. FIGURA 76 – DESENHOS DE ACABAMENTOS, COSTURAS E FECHAMENTOS FONTE: Abling (2011, p. 417) TÓPICO 1 — TRAJES E DETALHES DOS TRAJES 233 Para lhe inspirar ainda mais, segue, na Figura 77, algumas peças de roupas infantis para praticar seus desenhos de roupas, lembrando que as peças são pequenas e devem trazer um ar lúdico. FIGURA 77 – EXEMPLOS DE ROUPAS INFANTIS FONTE: Abling (2011, p.425) A figura 78 apresenta as ilustrações insfantis de Jodie Lau, observe que as crianças possuem um ar mais relaxado, as poses lembram as artes marciais, existe a mistura de referências culturais e aspectos comtemporâneos. A figura foi inserida para que você perceba que as crianças, assim como os adultos, também podem ser estilizadas e trazer características pessoais do ilustrador. FIGURA 78 – ILUSTRAÇÕES INFANTIS DE JODIE LAU FONTE: Abling (2011, p. 424) UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 234 Segundo Abling (2011), a ilustradora Jodie Lau pinta suas artes com tinta guache, pincel ponta redonda nº 4 e nº 8, marcadores e lápis prismacolor. Não se preocupe, nos próximos tópicos veremos mais sobre texturas, estampas e pintura. Lembre-se de praticar o desenho de, pelo menos, três looks infantis para refinar o seu traço também para a indumentária infantil. DICAS Percebeu que nesse tópico não estudamos sobre a indumentária adolescente? Isso ocorre devido ao fato que, para desenhar roupas de adolescentes, basta observar as roupas dos adultos e adaptá-las ao tamanho do croqui adolescente. Também não vimos a diferença das roupas infantis femininas e masculinas, para isso, basta observar as roupas dos adultos de cada gênero e representá-las de forma menor e mais delicada (fofa). Com os acessórios é a mesma situação, porém, recomenda- se sempre fazer pesquisas em sites de marcas de roupas e acessórios infantis antes de começar sua ilustração. Uma ideia interessante é colocar com seu croqui objetos como: brinquedos, mordedores, chupetas, mantas etc. IMPORTANT E 235 Neste tópico, você aprendeu que: • É preciso estudar o caimento dos tecidos para conseguir desenhar roupas no croqui de moda. • Deve-se sempre desenhar vincos e dobras no desenho de roupas para trazer mais aspectos realísticos. • As roupas e acessórios de adultos podem ser reproduzidos nos croquis infantis e vice-versa, basta fazer o ajuste das proporções. • Desenhar acessórios ajuda a mostrar a ocasião de uso da roupa desenvolvida e a personalidade do público-alvo. RESUMO DO TÓPICO 1 236 1 O que não falta no vestuário feminino são diferentes opções de saias, cada uma possui suas características individuais, seja na modelagem, textura, caimento etc. Com base no que corresponde à saia godê, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As saias godês são um dos maiores símbolos da indumentária dos anos 1950. b) ( ) As saias godês possuem a barra em formato ziguezague. c) ( ) As saias godês são um dos maiores símbolos da década de 1980. d) ( ) As saias godês possuem um franzido na cintura, logo abaixo do cós. 2 Para conseguir desenhar uma roupa com aspecto realístico em um croqui, a primeira coisa a fazer é aprender como desenhar o caimento dos tecidos, observando as dobras, vincos, amassados etc. Com base nos estudos sobre planejamento (desenho de tecidos), analise as sentenças a seguir: I- Um dos princípios básicos do drapeado é partir de um ponto de sustentação. II- Depois de definir o contorno de um drapeado, aplica-se luz e sombra para trazer tridimensionalidade ao desenho. III- Uma das estratégias para aprender sobre o caimento de um tecido é deixá- lo liso sobre uma mesa e fazer o desenho de observação. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 O desenho de roupas e acessórios infantis são sempre pequenos e delicados, com detalhes fofos e cheios de informação, muita coisa do vestuário adulto pode ser aproveitada para desenhar as roupas de crianças. De acordo com o estudo sobre as roupas infantis, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As roupas adultas podem ser desenhadas em crianças, bastando diminuir as proporções para que fiquem corretas. ( ) É mais comum as crianças usarem peças separadas como: calça e blusa, saia e regata, short e camiseta. ( ) As roupas infantis possuem mais tipos de fechamento pois não se vestem sozinhas e isso ajuda ao processo de um adulto vesti-las. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: AUTOATIVIDADE 237 a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 No desenho de roupas, muitos materiais podem ser utilizados para representar cada parte, saber como representar e qual material utilizar ajuda muito o ilustrador a transmitir corretamente a sua criação ao cliente, sendo assim, disserte sobre qual as canetas que podem ser utilizadas para fazer o desenho de uma jaqueta e em qual parte do desenho são aplicadas. 5 As saias femininas são fáceis de desenhar se entendermos primeiramente o caimento dos tecidos e como eles se comportam em diferentes situações, bem como o processo correto para representá-las na ilustração, uma das saias consideradas mais difícil de desenhar é a plissada, pois todas as pregas precisam ser coordenadas. Considerando isso, disserte sobre o passo a passo para desenhar uma saia plissada de pregas sanfonada. 238 239 UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos alguns tipos de estampas que podem ser inseridas nas suas ilustrações, iniciando pela diferença entre estampa corrida e estampa localizada. Na sequência, veremos como desenhar listras e xadrez considerando o caimento dos tecidos e as modelagens das roupas, também veremos sobre a estampa floral, animal print, camuflada e geométrica, com passo a passo para você aprender a representá-las nos croquis. Para concluir esse tópico, estudaremos como colorir seus croquis com diferentes materiais de pintura como: lápis de cor, marcador, aquarela, tinta guache e giz pastel, com passo a passo e exemplos de como utilizar cada um dos materiais. TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 2 TIPOS DE DESENHO DE ESTAMPA Existem várias técnicas para estampar tecido, mas, no desenho, podemos distingui-las de duas formas, a estampa localizada, que normalmente se localiza no centro da frente das camisetas, e a corrida, que é aquela estampa que aparece na peça inteira, também conhecida como rapport. 2.1 ESTAMPA LOCALIZADA Para começar, vejamos as características da estampa localizada. A Figura 79 apresenta um exemplo de estampa localizada, que é um animal sobre um galho, nesse caso, partiu-se de uma fotografia, em que, digitalmente, foi realizado o desenho frontal da camiseta em escala, impresso e colado na ilustração (BRYANT, 2012). 240 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS FIGURA 79 – ESTAMPA LOCALIZADA FONTE: Bryant (2012, p. 371) A estampa localizada, colada sobre a ilustração, é uma das técnicas que pode ser utilizada, apenas um desenho já é suficiente para representar a sua estampa localizada. Normalmente, essas estampas ficam no centro da frente da camiseta, mas isso não é regra, ela também pode ser inserida em outros locais como nas mangas, costas, bolsos etc. 2.2 ESTAMPA CORRIDA A estampa corrida é diferente da local, nesse caso, o rolo de tecido todo é estampado ea peça é cortada já com a estampa, isso significa que normalmente a peça toda possui a estampa, ou pelo menos nas partes que for usado o tecido estampado. A estampa corrida também é conhecida como rapport que é a repetição de elementos. De acordo com Bryant (2012), esse elemento vai ser replicado várias e várias vezes no tecido, para obter uma repetição contínua, os designers de superfície criam uma direção de repetição, alguns exemplos estão na Figura 80. TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 241 A primeira repetição da Figura 80 é de uma direção, também chamamos isso de estampa com pé, é bom para decorações, mas para a indústria da moda uma estampa com esse padrão gera muita perda do tecido na hora do encaixe, já que a estampa não pode ficar de ponta cabeça ao ser vestida no cliente (BRYANT, 2012). Os outros padrões da figura são exemplos das possibilidades que existem para criar estampas, aqui tem apenas um elemento que é o rosto de um gato, mas vários elementos poderiam ser compostos na estampa, criando ainda mais possibilidades de padrões. FIGURA 80 – TIPOS DE REPETIÇÕES DE ESTAMPAS CORRIDAS Uma direção Duas direções IrregularDeslocamento horizontal intercaladoDeslocamento vertical intercalado FONTE: Bryant (2011, p. 367) Agora que você sabe que pode utilizar tanto estampas corridas quanto estampas localizadas em seu croqui, vamos estudar alguns padrões de estampa muito repercutidos na moda para você começar a entender a como desenhá-los. 242 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 3 DESENHOS DE ESTAMPAS Independentemente de qual croqui estiver ilustrando (adulto, infantil, adolescente, masculino ou feminino), você pode aplicar diversas estampas e texturas na sua criação. A Figura 81 apresenta algumas possibilidades de tipos de estampas que podem ser abordadas. FIGURA 81 – GLOSSÁRIO DE ESTAMPAS FONTE: Adaptada de Bryant (2012, p. 383) Apesar de ter vários modelos de estampas na Figura 81, vale lembrar que sempre surgem novas estampas no mercado, por isso, é interessante sempre fazer buscas em lojas de tecido ou pesquisar na internet alguns padrões antes de desenhar na sua ilustração. TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 243 3.1 REPRESENTANDO LISTRAS E XADREZES Desenhar estampa de listras não é tão simples quanto parece, pois as linhas nunca vão ficar totalmente retas sobre a roupa, já que a roupa tem caimento e dobras. Segundo Abling (2011), o corte da peça e a forma como foi construída altera a direção das listras, as listras verticais em uma saia godê, por exemplo, podem cair para os lados gradualmente, como na terceira saia da Figura 82, se as listras forem verticais, isso também ocorre. FIGURA 82 – REPRESENTANDO LISTRAS EM SAIAS FONTE: Abling (2011, p. 273) A Figura 83 apresenta como as pences de uma blusa alteram a posição das listras, elas se intersectam onde existe a costura, mudando a inclinação e direção das listas (ABLING, 2011). FIGURA 83 – REPRESENTANDO LISTRAS EM BLUSAS COM PENCES FONTE: Abling (2011, p. 272) 244 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS Listras e xadrezes possuem características semelhantes no desenho, em ambos os casos, os padrões são baseados em linhas retas que se curvam quando estão vestidos no corpo. Uma técnica muito boa para representar um xadrez é traçar um eixo vertical e horizontal na peça, como no primeiro desenho da Figura 84, essas linhas servirão de base para planejar o espaçamento igual entre as linhas. A estampa vichy, que está no passo a passo da Figura 84, é um padrão de linhas verticais e horizontais que fica com um quadrado escuro onde as linhas se cruzam, essa estampa foi muito utilizada na década de 1950 e seu nome está associado a uma cidade francesa onde o tecido foi muito produzido. FIGURA 84 – DESENHANDO XADREZ VICHY FONTE: Abling (2011, p. 275) O xadrez possui muitas variações, a Figura 85 mostra o exemplo do desenho de um xadrez gralha que é apenas algumas listras horizontais e verticais e depois o xadrez quadrado que é o prenchimento positivo e negativo. FIGURA 85 – DESENHANDO XADREZ GRELHA E QUADRADO FONTE: Abling (2011, p. 275) A figura 86 apresenta o passo a passo do desenho de um xadrez tartan, que é um padrão escocês que fica um pouco mais escuro nas áreas onde as linhas se cruzam. TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 245 FIGURA 86 – DESENHANDO XADREZ TARTAN FONTE: Abling (2011, p. 275) O xadrez também pode ser criado direto na pintura, como na Figura 87, o passo a passo consiste em primeiro pintar toda peça com um marcador verde, esperar secar e fazer as linhas verticais com marcador preto e por último traçar as linhas horizontais, considerando, é claro, o movimento do corpo e o caimento da peça em questão (BRYANT, 2012). FIGURA 87 – PASSO A PASSO DESENHO DE XADREZ EM ROUPAS FONTE: Bryant (2012, p. 350) Vale lembrar que, nesse subtópico, foram apresentadas apenas algumas opções de xadrezes e listrados, existem muitos outros, então vale a pena fazer uma pesquisa antes de escolher a estampa ideal para sua ilustração e praticar várias delas para adquirir a prática. 3.2 REPRESENTANDO ESTAMPAS FLORAIS Uma das estampas mais vendidas no Brasil é a floral, existem vários tipos de florais, as opções são inúmeras, as flores podem ser pequenas e delicadas ou grandes e robustas, pode haver outros elementos na estampa ou apenas flores e assim sucessivamente. 246 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS A Figura 88 apresenta um passo a passo para fazer uma estampa floral no croqui, a primeira coisa é começar a estampa de dentro para fora, por isso, a primeira flor foi colocada bem no centro da roupa, nessa etapa, você já pode usar o marcador cinza para inserir as sombras, depois termina-se o desenho da estampa, lembrando sempre que algumas partes do desenho não vão aparecer inteiras devido ao movimento do corpo, por último, pinta-se o desenho com os marcadores, começando do claro para o escuro (BRYANT, 2012). FIGURA 88 – PASSO A PASSO ESTAMPA FLORAL FONTE: Bryant (2012, p. 374) Lembre-se de que você sempre pode brincar com mix de estampas, não precisa se limitar a apenas um tipo de estampa em um look, procure fazer composições diferentes, apenas se preocupe com as harmonias das cores. Para aprender a desenhar mais tipos de estampas florais, assista ao vídeo Tutorial: estampas de verão do canal do YouTube Fayci Tage, disponível no link: https:// www.youtube.com/watch?v=fMvK2pBKkmI. DICAS 3.3 REPRESENTANDO ESTAMPA ANIMAL PRINT Animal print é um tipo de estampa-chave nas coleçães, elas sempre saem e entram na tendência novamente, com algumas atualizações. A Figura 89 apresenta o passo a passo para representar a estampa de tigre, começando pela barra alaranjada e as sombras em cinza, depois se insere com um pincel, de ponta fina, e aquarela as listras de tigre e, para finalizar, acrescenta-se a pintura da pele, cabelo e, se necessário, o reforço dos contornos (BRYANT, 2012). TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 247 FIGURA 89 – DESENHANDO ESTAMPA DE TIGRE FONTE: Bryant (2011, p. 378) Existem muitas opções de estampas animal print, como zebra, onça, tigre, girrafa, jacaré, vaquinha etc. Sempre é interessante observar a tendência do momento e aplicar a estampa que estiver aparecendo nas passarelas e/ou nas ruas. Para aprender a desenhar estampa de oncinha, assista ao vídeo Como desenhar estampa de onça em croqui de moda: sapatos do canal do YouTube Guigo na Sapateira, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=F2qi5Tiimtg. DICAS 3.4 REPRESENTANDO ESTAMPA CAMUFLADA E GEOMÉTRICA As estampas de camuflagem foram originalmente criadas para o uso militar e os esportes de caça. Esses padrões passaram das roupas funcionais para o estilo urbano casual e até para a alta moda (BRYANT, 2011). A Figura 90 explica o passo a passo para fazer o desenho da estampa camuflada, primeiro é pintada toda a bermuda coma cor do fundo, indicando as sombras com um cinza claro, depois, represente algumas manchas do camuflado com a cor mais clara e, em seguida, com a cor escura pinte as outras manchas, deixando que cada camada de tinta seque antes de começar a próxima (BRYANT, 2012). 248 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS FIGURA 90 – DESENHANDO ESTAMPA CAMUFLADA EM UMA BERMUDA FONTE: Bryant (2011, p. 376) A Figura 91 apresenta o passo a passo do desenho de uma estampa geométrica, nesse caso, de triângulos, como você deve lembrar, sempre partimos do centro para depois desenhar as laterais da estampa, aqui, também foi considerado o ângulo da modelagem das mangas, que faz uma leve curva em todo padrão. FIGURA 91 – DESENHANDO ESTAMPA GEOMÉTRICA FONTE: Abling (2011, p. 278) Existem muitas estampas e muitas modelagens, por isso, para não desenhar errado, procure primeiro desenhar observando peças prontas já estampadas em revistas e imagens, depois que tiver a técnica dominada, crie suas próprias estampas e aplique nas peças de acordo com o caimento do produto desenvolvido. Cada estampa tem seu tamanho único, seu dever como ilustrador é conseguir transmitir a estampa em proporções bem menores, uma das técnicas para fazer isso é observar uma estampa no tecido, se afastar certa de 1,5 metros e desenhar somente os detalhes que você conseguir enxergar a distância, caso contrário, haverá muita informação na sua estampa em escala (BRYANT, 2012). TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 249 Desafie-se no desenho de estampas e crie uma estampa floral, uma de animal print e duas geométricas. DICAS 4 TÉCNICAS DE PINTURA Para concluir, estudaremos algumas técnicas de pintura para que você possa finalizar as ilustrações desenvolvidas até aqui, começaremos pela pintura com lápis de cor, depois, marcador, aquarela, guache e giz pastel. 4.1 PINTURA COM LÁPIS DE COR A primeira coisa a se considerar antes de pintar é a incidência à luz, a melhor iluminação para trabalhar é aquela que se incide lateralmente, um lado será mais iluminado e o outro terá mais sombras, isso ajudará a mostrar as dobras do tecido, a textura e o caimento da peça (FERNÁNDEZ; ROIG, 2007). Para pintar com lápis de cor, podemos sempre utilizar, pelo menos, três tons diferentes em uma mesma peça. A Figura 92 mostra um passo a passo para a pintura com lápis, primeiro, marca-se o contorno com um lápis vermelho, importante ter apagado bem as linhas do lápis de escrever para ele não aparecer na pintura, depois, com um lápis cor de rosa, pinta-se toda a superfície, sem apertar o lápis, com a cor magenta, pinta-se sobre cada dobra do caimento do tecido, sempre esfumando e misturando com a pintura de fundo e, para finalizar, se o lápis de a cor utilizado para a pintura for aquarelável, pode-se utilizar um pincel úmido, passando por todo o desenho, para unificar os traços e suavizar as sombras (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). 250 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS FIGURA 92 – PINTANDO COM LÁPIS DE COR FONTE: Fenández e Roig (2007, p. 85) Se você não tem um estojo enorme de lápis de cor, assista ao vídeo Pintando com a caixa de 12 cores do canal do YouTube Mateandro, para aprender a pintar usando poucas opções de cores. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=PyDIZe0BoPg>. Acesso em: 26 mar. 2021. DICAS A Figura 93 apresenta outra técnica de pintura com o lápis de cor, cujo resultado é uma pintura bem suave, clara e delicada, porém com textura. A primeira etapa é contornar todo o desenho com a cor de sua preferência para cada parte, nesse caso, utilizou-se um marrom para a roupa e o rosa claro para a pele, também já pintou-se a primeira camada do cabelo com um amarelo claro, e algumas partes das sombras da pele (FERNÁNDEZ ; ROIG, 2015). TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 251 Em seguida, colore-se a blusa com um lápis verde amarelado de uma maneira bem suave, sem pressionar, para ficar transparente, já o cabelo é intensificado com traços laranjas e castanhos, deixando as áreas iluminadas na cor do papel. A estampa da saia é realizada esboçando uma série de aspirais sobrepostas desordenadas com um lápis marrom claro e utiliza-se o marrom escuro para inserir as sombras dando a sensação de volume, para finalizar, é colocado os últimos detalhes da blusa, calçado etc. (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). FIGURA 93 – CRIANDO TEXTURAS COM O LÁPIS DE COR FONTE: Fenández e Roig (2007, p. 171) As Figuras 94 e 95 apresentam um passo a passo para representar o tecido chiffon com lápis de cor, nesse caso, a pele foi pintada com marcador e o vestido com lápis, a primeira etapa trata-se de pintar bem suavemente todo o vestido com um lápis de cor roxo claro, depois, indica-se as dobras do tecido com um lápis de cor de um tom mais escuro (STIPELMAN, 2015). 252 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS Quando for utilizado o termo “cor de pele” não significa que é apenas um único tom e sim a cor que você escolheu para pintar a pele do seu croqui. NOTA FIGURA 94 – REPRESENTANDO VESTIDO DE CHIFFON COM LÁPIS DE COR FONTE: Adaptada de Stipelman (2015, p. 386) Depois, pinta-se a pele do colo e braços com um lápis de cor de pele, já que em cima o vestido é transparente e com o lápis de cor roxo mais escuro é inserido os detalhes da roupa, por último, com um lápis de cor cinza escuro, indica-se as sombras mais escuras e enfatiza-se os detalhes mais importante do design, como na Figura 95 (STIPELMAN, 2015). TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 253 FIGURA 95 – CONTINUAÇÃO REPRESENTAÇÃO VESTIDO DE CHIFFON ROXO FONTE: Adaptada de Stipelman (2015, p. 387) Cada tecido tem um tipo de brilho, uma textura e uma forma de ilustrar diferente, por isso, sempre procure imagens de inspiração e vídeos com passo a passo de como pintar determinado tecido, assim sua ilustração também apresentará características específicas dos tecidos e essa é uma habilidade construída ao longo do tempo e que requer prática. Para aprender a pintar a pele utilizando a mistura de vários lápis de cor, assista ao vídeo Colorindo as pernas do croqui com lápis de cor do canal do YouTube Universo da Vitoria, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=aQ9ii_jzoNs. DICAS 254 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 4.2 PINTURA COM MARCADOR A pintura em marcador é bem diferente do lápis de cor, isso porque o material é parecido com as canetinhas que usávamos na escola, porém os marcadores possuem linhas profissionais que podem ser utilizadas. A Figura 96 apresenta um passo a passo de como colorir um look com marcador, lápis e canetas. Primeiro é preenchida toda a roupa com uma cor sólida, nesse caso, vermelho na regada e amarelo na bermuda, depois, é utilizado um lápis cinza e uma caneta preta para fazer o amarrotado horizontal da bermuda e, com um marcador vermelho de ponta fina, são feitas as linhas diagonais, por último, é utilizado um marcador cinza para fazer o sombreamento da regata (ABLING, 2011). FIGURA 96 – MISTURA DE MARCADOR COM LÁPIS E CANETAS FONTE: Abling (2011, p. 305) O marcador pode ser utilizado de várias formas e a Figura 97 mostra como usar o marcador para fazer uma estampa xadrez, nesse caso, primeiro foi colocado o sombreamento com linhas de contorno pretas, depois, foi riscado as linhas horizontais do xadrez e, na sequência, as verticais, com um marcador rosa de ponta fina, foram inseridas linhas horizontais e verticais entre os espaços do xadrez e, para finalizar, foi utilizado um marcador marrom para inserir as sombras e gerar volume (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 255 FIGURA 97 – PINTANDO COM MARCADOR FONTE: Fenández e Roig (2007, p.173) Existem várias técnicas de como usar o marcador para pintar suas ilustrações, a primeira coisa a fazer é experimentar, ter o material em mão, rabiscar em um rascunho e ver o que funciona melhorpara você. Para aprender técnica de pintura realista utilizando marcador, assista ao vídeo Efeito realista com marcadores no Croqui de Moda (+ dica de algumas marcas) do canal do YouTube Desenhando e Cantando, disponível no link: https://www.youtube.com/ watch?v=q1VA6nDssBU DICAS 4.3 PINTURA COM AQUARELA A aquarela é uma técnica muito apreciada pelos ilustradores, mas nem todos gostam de trabalhar com ela, depende muito do estilo pessoal de cada um. A aquarela é encontrada em vários formatos, como pastilhas, tubos, líquidas e em lápis, que você sempre utilizará água para ativá-las, por isso que é importante usar um papel específico para aquarela, já que ele precisa ter mais gramatura para não rasgar ou ondular. 256 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS Você pode utilizar pincéis largos para preencher áreas grandes e para as áreas menores utilize um pincel de ponta nº 3, pois, por ser pequeno, ele não absorverá muita tinta e não encharcará a área com muita cor (ABLING, 2011). Use o tempo que precisar para misturar cores no papel e experimentar a aquarela, ganhe segurança obtendo diferentes cores e tonalidades para usar na sua ilustração, utilize o preto e o branco para escurecer ou clarear as cores e adicione mais água quando quiser deixar o tom mais translúcido (ABLING, 2011). Uma das coisas que você precisa saber antes de começar a pintar com aquarela, é sobre a mistura das cores para chegar aos tons desejados, para isso, assista ao vídeo Como fazer um círculo cromático: mistura de cores – Ep.13 #aquarela – do canal do YouTube Arquitêta – Arquitetura & Arte, disponível no link: https://www.youtube.com/ watch?v=i9zletV6zTI DICAS Na aquarela, você pode trabalhar com camadas e ir mudando o resultado de acordo com a quantidade de tinta e de água que insere no papel. A Figura 98 mostra um passo a passo começando com o azul bem translúcido, ou seja, com bastante água, para depois acionar os detalhes dos botões, as franjas e o cós, por último, após a pintura já estar um pouco seca, é utilizado o mesmo azul, mas agora com menos água para sugerir o sombreamento. FIGURA 98 – PASSO A PASSO PINTURA EM AQUARELA FONTE: Abling (2011, p. 314) TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 257 Uma dica para pintar com aquarela nos croquis de moda é começar pela pele, esperar ela secar e depois pintar as roupas, sempre começando do meio e de cima para baixo, para utilizar a lei da gravidade a seu favor, você irá empurrar o pincel com água para as demais áreas do desenho, como no primeiro desenho do passo a passo da Figura 99, depois de pintar, aguarde três minutos para secar e utilize um lápis de aquarela para desenhar as costuras e, por último, faça a camada de sombreamento (ABLING, 2011). FIGURA 99 – PINTANDO COM AQUARELA FONTE: Abling (2011, p. 314) Existem várias técnicas para pintar com aquarela, como respingado, manchado, com mistura de cores, em camadas, sólida etc. Você precisar praticar para se familiarizar com todas as opções. Para aprender a fazer uma aquarela realística com direito a desenho de pele e cabelo, assista ao vídeo Aula 3 – Aquarela realista no croqui de Moda – Técnica 1 do canal do YouTube Desenhando e Cantando, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=TJCS- T1LVBs. DICAS 258 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 4.4 PINTURA COM GUACHE A tinta guache é completamente diferente da aquarela, pois ela é seca e opaca. Para começar a pintura com essa tinta, utilize um pincel redondo para preencher todas as áreas do desenho, com uma camada de cor uniforme, sem pensar no sombreamento e nas texturas, como no primeiro desenho da Figura 100 (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). Depois de fazer a primeira camada, utilize um castanho sobre a saia vermelha para sugerir um pouco de sombreamento na barra e um pouco de ocre no braço direito da blusa, cuidado para não exagerar na quantidade de tinta, ela deve ser mínima, apenas para sugerir um leve sombreado (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). Com a cor bege misturada com a ocre, escurecemos algumas partes da blusa, com alguns traços do pincel de ponta fina, desenhamos o cachecol em vermelho e, com a cor ocre, realiza-se a textura da saia com um pontilhado regular, produzindo uma estampa de poá (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). Com o pincel fino carregado de cor castanha, realiza-se um contorno sombreado no desenho, os elementos da feição, os detalhes das mãos e o sombreado da boina sob a cabeça, observe no passo a passo da Figura 100 (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). FIGURA 100 – PASSO A PASSO PINTURA COM TINTA GUACHE FONTE: Fernández e Roig (2007, p. 176) TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 259 De acordo com Fernández e Roig (2015), para desenhar a textura de tricô da blusa, utilize um lápis de cor ocre, não precisa desenhar o entrelaçado em toda blusa, apenas em algumas partes para sugerir a textura. O resultado pode ser visualizado na Figura 101. FIGURA 101 – CONCLUSÃO PINTURA COM TINTA GUACHE FONTE: Fernández e Roig (2007, p. 177) Nas ilustrações de moda, a guache é muito utilizada para desenhar peças de inverno mais pesadas, pois a pintura nunca será fluida e com estampas muito elaboradas. Para ver a técnica de pintura com tinta guache no croqui, de forma prática, assista ao vídeo “Tutorial como usar guache TGA do canal do YouTube Ana Blue Artwork, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=FNlBF-oM5F4. DICAS 260 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 4.5 PINTURA COM GIZ PASTEL Para concluir o escudo sobre pintura, veremos a técnica com o giz pastel, começando pelo seco, que é um material que se esfarela bastante e possui características muito específicas. As Figuras 102, 103 e 104 apresentarão um passo a passo utilizando como base uma cartolina colorida. O desenho do croqui é realizado com o lápis pastel branco, em que é ressaltado o contorno, o caimento do cabelo, o desenho das plumas que estão no pescoço, a intenção de luz com toques de branco em algumas partes do vestido e a pintura da pele com um lápis pastel rosa e marrom, como na Figura 102 (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). FIGURA 102 – PASSO A PASSO PINTURA COM GIZ PASTEL FONTE: Fenández e Roig (2007, p. 178) Com o giz pastel amarelo em barra, pintamos o cabelo e, por cima, adiciona-se algumas áreas com a cor siena, para aplicar algumas sombras, sempre esfumando com o dedo. Com uma barra de cor magenta, pinta-se o vestido (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). Diferente de outros materiais, no giz pastel, você sempre consegue aplicar cores claras sobre as escuras, sem ter prejuízo na tonalidade, por isso, o próximo passo é aplicar o giz branco sobre o magenta do vestido e depois esfumar com o dedo para criar as áreas de luz, como na Figura 103 (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). TÓPICO 2 — DESENHANDO ESTAMPAS E PADRÕES 261 FIGURA 103 – CONTINUAÇÃO PASSO A PASSO PINTURA COM GIZ PASTEL FONTE: Fernández e Roig (2007, p. 179) Agora, realiza-se os detalhes do rosto com um lápis pastel na cor preta e adiciona-se tinta guache branca para acrescentar destaques como nos cabelos, na fivela, em algumas partes do tecido e no fundo de um dos lados do croqui (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). A Figura 104 mostra o resultado dessa mistura de técnicas, perceba que as cores do giz pastel são vívidas e é importante lembrar que, para o desenho não sumir do papel, é necessário passar um produto fixador (FERNÁNDEZ; ROIG, 2015). FIGURA 104 – CONCLUSÃO PASSO A PASSO PINTURA COM GIZ PASTEL FONTE: Fernández e Roig (2007, p. 181) 262 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS Para complementar seus estudos sobre giz pastel seco, assista ao vídeo Croqui de moda com giz pastel seco e nanquim do canal do YouTube Desenhando e Cantando, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=IQr7RXDn1xs DICAS Além do giz pastel seco, existe o giz pastel oleoso, os dois não possuem muita semelhança, pois o giz oleoso deixa uma camadapegajosa sobre o papel, quase como a prova d’água, em ambos materiais pode ser utilizado algodão, cotonete ou até o dedo para fazer os esfumados, sempre tomando cuidado para não sujar a folha. Para aprender a manipular o giz pastel oleoso, assista ao vídeo Como pintar croqui de moda com giz pastel oleoso do canal do YouTube Desenhando e Cantando, aproveite e pratique todas as técnicas de pintura ilustradas nesse subtópico. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=YnnRsXb2b0E>. Acesso em: 26 mar. 2021. DICAS 263 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • As estampas localizadas ficam normalmente no centro da frente de camisetas e podem ser representadas de diferentes maneiras. • As estampas corridas devem sempre ser representadas de acordo com a pose do croqui e a modelagem da peça. • As estampas devem ser desenhadas de dentro para fora e não de forma linear, pois elas precisam acompanhar as dobras e caimentos das roupas. • Para pintar, existem diversas técnicas e é preciso explorá-las e experimentá-las em seus croquis, para aprender o que funciona para você. 264 1 A aquarela é uma das técnicas mais difundidas no design de estampas, é comum vermos estampas florais aquareladas nas roupas e nas ilustrações de moda. As tintas de aquarela possuem algumas características específicas do material. Sobre os formatos em que podemos encontrar as aquarelas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A aquarela pode ser encontrada em pastilhas, tubos, líquidas e em lápis. b) ( ) A aquarela pode ser encontrada em lápis, minas e tubos. c) ( ) A aquarela pode ser encontrada em giz, líquidas e em pastilhas. d) ( ) A aquarela pode ser encontrada em pastilhas, lápis e em spray. 2 As estampas corridas são muito utilizadas em produtos de moda, principalmente nos femininos, entre as estampas temos: as florais, animal print, xadrez, listrado, geométricas, camufladas etc. Para um ilustrador é essencial entender como elas devem ser desenhadas em produtos de moda. Com base nas características das estampas corridas, analise as sentenças a seguir: I- A estampa corrida normalmente é estampada em todo o tecido e a peça é cortada já com a estampa. II- A estampa corrida fica localizada normalmente no centro da frente de camisetas. III- A estampa corrida é também conhecida como rapport, que é a repetição de elementos para formar um padrão. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 O listrado é umas das estampas que nunca saem de moda, elas apenas sofrem algumas alterações de cores, larguras, espaçamentos e direções em cada coleção e é por isso que um ilustrador precisa entender como ilustrá- las adequadamente. De acordo com as técnicas para desenhar uma estampa listrada, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Em uma saia godê a estampa de listra pode cair para os lados gradualmente, independentemente das linhas serem verticais ou horizontais. ( ) A listras nunca devem ser desenhadas retas sobre uma roupa, pois elas precisam acompanhar o caimento e as dobras do tecido. ( ) Se uma blusa listrada tiver pences, as linhas irão se intersectar onde existe a costura, mudando a inclinação e a direção das listras. AUTOATIVIDADE 265 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – V – V. c) ( ) F – V – V. d) ( ) V – F – F. 4 É comum estudantes de moda em algum momento da sua graduação aprenderem sobre a técnica de pintura em aquarela, pois ela é excelente para pintar texturas translúcidas devido à incidência da água, sendo assim, disserte sobre o passo a passo de como pintar uma saia com aquarela, seguindo o princípio de camadas. 5 Existem vários tipos de tecidos diferentes para representar as ilustrações de moda e, ainda, mais técnicas e tipos de materiais para pintar as ilustrações realizadas. Para representar o tecido chiffon, por exemplo, é comum utilizarmos o lápis de cor. Nesse contexto, disserte sobre o passo a passo para pintar um vestido de chiffon com lápis de cor. 266 267 UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos o desenho de vários tipos de tecidos, para que você possa representar ainda melhor as ideias de suas criações em seus croquis, assim, o público-alvo entenderá mais facilmente o produto ilustrado. Primeiro, estudaremos o desenho de tricôs e lãs, que são característicos por terem diferentes tipos de tramas e fios, em que serão abordadas algumas formas de representação para que você consiga praticar os exercícios indicados e aprender a desenhar o tricô canelado, trançado, lãs lisas e texturizadas. Depois, veremos o desenho de tecidos transparentes, focando no tecido de renda e tule. Na renda, veremos algumas técnicas para conseguir indicar a transparência e ainda utilizar diferentes cores. No desenho do tule, veremos a variação do liso e do texturizado. Para concluir esse tópico, estudaremos sobre os tecidos de peles e outros tecidos texturizados, começando pelo tecido de pelo que possui variações interessantes de representação, depois, veremos o couro liso, couro texturizado e, por fim, o tecido de paetê, que é com brilho. TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 2 DESENHANDO TRICÔS E LÃS Para começar os desenhos de tecidos, iniciaremos pelos tricôs e lãs, que possuem um padrão bem característico do desenho, que nada tem a ver com estampa, mas com a padrão das linhas e fios que se entrelaçam para criar o tecido. 2.1 DESENHANDO TRICÔS Existem muitas variáveis do tricô, ele pode ser feito à mão ou à máquina, e o tipo de fibra e fio pode mudar bastante, alguns fios podem ser mais grossos e texturizados e outros podem ser bem lisos e finos, além disso existe também variações de tecelagem, em que você pode ter um tricô canelado, trançado etc. (ABLING, 2011). 268 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS A Figura 105 apresenta o desenho de tricôs de vários modos diferentes, observe que não é um passo a passo e sim vários tipos de tricôs diferentes, que conforme se adiciona informação, vai transmitindo um tipo de fibra e tecelagem diferente. FIGURA 105 – DESENHANDO TRICÔS FONTE: Abling (2011, p. 329) A Figura 106 apresenta uma forma diferente da anterior para representar tricôs, esse é um tricô trançado e isso mostra as diversas possibilidades de tecelagens, o interessante é sempre observar o tecido bem de perto para entender sua trama e começar alguns eixos de simetria, como no passo a passo da figura, em que, primeiro se faz as linhas, depois se insere as torções (ABLIGN, 2011). TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 269 FIGURA 106 – DESENHANDO O TRICÔ TRANÇADO FONTE: Abling (2011, p. 337) Os tricôs podem ser utilizados no vestuário adulto, adolescente, infantil, feminino e masculino, além de também ser utilizado em acessórios, é uma técnica que leva bastante tempo para representar, mas têm um resultado fantástico. 2.2 DESENHANDO LÃS No desenho de lãs, podem ser usadas várias técnicas. Dependendo do tipo de lã que se está ilustrando, ela pode ser lisa ou texturizada, se for lisa, é mais uma questão de pintura, já a texturizada necessita de cuidado no desenho. A Figura 107 apresenta um passo a passo do desenho de um blazer infantil de lã tweed, observe que a primeira coisa importante é a questão da luz e sombra, em que se escolhe de onde vem a luz e, então, insere-se as sombras, inicia-se a pintura com caneta marcador de maneira uniforme e finaliza-se com alguns pontos com caneta gel branca (BRYANT, 2012). FIGURA 107 – DESENHANDO LÃ LISA TWEED FONTE: Bryant (2011, p. 340) 270 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS A Figura 108 mostra o desenho de dois blazers de lãs texturizadas, a buclê e a angorá, no blazerde buclê (o primeiro na figura) o desenho precisa indicar fios retorcidos, já no blazer de lã angorá, as fibras são peludas com traços para baixo. Em ambos os casos os fios ultrapassam a linha do contorno da peça (BRYANT, 2012). FIGURA 108 – REPRESENTANDO LÃ TEXTURIZADA FONTE: Adaptada de Bryant (2012, p. 339) Como você já deve ter notado, existe várias lãs diferentes, se você pesquisar, encontrará muitas opções disponíveis no mercado. A Figura 109 apresenta alguns deles como Princípe de gales, pied de poule, espinha de peixe, xadrez etc. FIGURA 109 – GLOSSÁRIO TECIDOS DE LÃ FONTE: Adaptada de Bryant (2012, p. 361) TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 271 Ao decidir qual lã quer desenhar na sua ilustração, vale a pena primeiro praticar o desenho da trama em uma folha de rascunho, em uma escala maior, para pegar o jeito, assim, quando desenhar em escala reduzida dentro de uma peça, será mais fácil. 3 REPRESENTANDO TECIDOS TRANSPARENTES Agora, vamos ao desenho de tecidos transparentes. A Figura 110 apresenta uma série dos tecidos transparentes disponíveis no mercado, como: tela arrastão, gaze bordada, galão, guipura e diversas rendas. FIGURA 110 – GLOSSÁRIO DE TECIDOS COM TRANSPARÊNCIA FONTE: Adaptada de Bryant (2012, p. 403) Um dos tecidos mais complexos de desenhar é a renda, pois existem muitos padrões diferentes de desenho de flores, folhas, galhos etc., por isso, a seguir, veremos como desenhar roupas com esse tecido. 272 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 3.1 DESENHANDO RENDAS A renda é um tecido de malha aberta que provavelmente evoluiu do bordado. Muitas variedades, como chantili, valenciana e battenberg são batizadas de acordo com sua origem geográfica. A renda é um padrão decorativo sobre um estofo de malha aberta, como o filó (BRYANT, 2012, p. 394). A renda se encontra em rolo, ou seja, você pode cortar toda a peça nesse tecido ou também pode ser aplicada, cuja renda é recortada ou comprada em rolo para que seja inserida em uma parte específica da peça (BRYANT, 2012). Roupas feitas de renda costumam ter bordas onduladas na barra, mangas, saias e barrados, assim como na Figura 111, que apresenta um passo a passo de um vestido de renda, nele, primeiro é desenhado e pintado a pele com caneta marcador, depois, pinta-se o forro também com caneta marcador e, por último, com uma caneta nanquim, é feito o desenho da renda, o resultado é um tecido transparente com um forro mais curto em baixo (BRYANT, 2012). FIGURA 111 – DESENHANDO TECIDO DE RENDA FONTE: Bryant (2012, p. 395) Existem muitas técnicas para representar rendas, as rendas são em relevo e, por isso, sugere-se usar múltiplas espessuras de traço. Antes de começar seu desenho, leve o tempo que precisar para analisar o padrão escolhido e definir um plano de aplicação das linhas e desenhos da renda (BRYANT, 2011). Ilustrar uma renda colorida em cima de um forro colorido pode ser um desafio. A Figura 112 apresenta um passo a passo em que, primeiro é desenhado o vestido e adicionado o sombreamento com um marcador cinza, depois, com um marcador vermelho de ponta fina, é feito o desenho da renda e as franjas da barra, na sequência, é inserida a textura de fundo com um lápis vermelho, que é a marcação do tule, uma maneira de fazer isso, é colocar sua folha sobre uma superfície texturizada e pintar, por último, utiliza-se uma caneta marcador azul turquesa para pintar o forro e o cinto do vestido. TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 273 FIGURA 112 – DESENHANDO RENDA COM SOBREPOSIÇÃO FONTE: Bryant (2012, p. 397) Para aprender a desenhar rendas de maneira simples, assista ao vídeo Como desenhar renda branca e preta no croqui de moda do canal do YouTube Universo da Vitoria, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=hot1ZlZ-Km0. DICAS 3.2 DESENHANDO TULE Agora, veremos como desenhar o tecido totalmente transparente, que é o tule, é como se fosse uma renda sem seu bordado. De acordo com Bryant (2012), o desenho de tecidos transparentes é determinado pela ordem e número de camadas na pintura. As roupas de tecido transparente necessitam de um cuidado especial com as costuras, elas normalmente não contam com acabamento na barra e é inserido o mínimo de costuras possível, pois elas aparecem mesmo quando são internas (BRYANT, 2012). Ao desenhar uma peça transparente, as áreas do tecido que possuem dobras, pregas e vincos sofrerão uma diferença na cor, pois essas áreas precisarão ser mais escuras do que as partes que o tecido está liso sobre o corpo, como no exemplo da Figura 113 (BRYANT, 2012). 274 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS FIGURA 113 – REPRESENTANDO TECIDO TRANSPARENTE FONTE: Bryant (2012, p. 387) A Figura 114 mostra outro tecido transparente, esse com uma textura de bolinhas que foi inserido no final da ilustração, observe também a questão do sombreamento e como os bolsos são mais escuros devido haver uma sobreposição de duas camadas de tecido transparente (BRYANT, 2012). FIGURA 114 – DESENHANDO TULE COM TEXTURA FONTE: Bryant (2012, p. 391) TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 275 Independente de qual tecido transparente estiver ilustrando, lembre-se que existem várias técnicas e matérias para atingir o resultado esperado, uma delas é colocar a textura do tecido no final do desenho, por exemplo, o tule que pode ser feito colocando um pedaço do tecido em si embaixo do papel para conseguir representar a textura com a pintura do lápis. Para ver como desenhar um vestido transparente com a pele já pintada, assista ao vídeo Como desenhar roupa transparente no croqui de moda no canal do YouTube Universo da Vitoria, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=Qis_ZMevOKA. DICAS 4 REPRESENTANDO PELES E OUTROS TECIDOS TEXTURIZADOS Já estudamos o desenho de tecidos de tricô, lãs, rendas, tecidos transparentes e, agora, vamos aprender sobre mais alguns tecidos alternativos para desenvolver suas coleções, iniciando com o desenho de tecido de pelos. O tecido de pelo pode ser representado de várias formas, a Figura 115 mostra algumas delas para você praticar, o primeiro possui as linhas do pelo apenas nas bordas, perceba que essas linhas não são alinhadas e do mesmo tamanho, são curvadas e vão para várias direções. O segundo desenho da figura possui um sombreamento interessante para essa textura, feita com caneta marcador, o terceiro é um emaranhado de pelos feitos com lápis e caneta em gel, o quarto é realizado apenas com lápis mais esfumado e o último é o tecido buclê onde o pelo é desenhado em aspirais. FIGURA 115 – DESENHANDO TECIDO DE PELOS FONTE: Abling (2011, p. 284) 276 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS Agora, passamos a outro tipo de pele, o couro envernizado, que é uma das superfícies mais brilhantes e refletoras, as áreas claras e escuras são bem definidas e contrastantes, aqui não é utilizado sombreamento em degradê, as sombras são totalmente pretas, o brilho é totalmente branco e o tom médio é a cor da superfície (BRYANT, 2012). A Figura 116 mostra um passo a passo para desenhar uma bota de couro envernizado, primeiro é desenhado a bota com lápis HB, depois, é utilizado uma caneta marcador cinza para inserir o tom médio e, em seguida, é utilizado o marcador preto para inserir as sombras, as áreas brancas não precisam ser pintadas, elas ficam na cor do papel (BRYANT, 2012). FIGURA 116 – DESENHANDO COURO ENVERNIZADO FONTE: Bryant (2012, p. 324) O tecido de couro pode vir com texturas que lembram a um animal, independentemente de ser falso ou verdadeiro, a mesma abordagem anterior de pintura com marcador pode ser aplicada no couro com textura, porém, depois dessa etapa é utilizado um lápis de cor cinza para indicar o padrão nas áreas claras, depois, um lápis de cor branca para indicar o padrão nas áreas escuras e, por último, é utilizado umacaneta em gel branca para fazer pontos claros aleatórios que sugerem relevo, como no passo a passo da Figura 117. FIGURA 117 – DESENHANDO COURO E VINIL TEXTURIZADO FONTE: Bryant (2012, p. 328) TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 277 Para concluir o desenho de tecidos, vejamos o passo a passo do desenho de um vestido de paetê na Figura 118. Primeiro é utilizado a caneta marcador para pintar as áreas claras e as sombras, depois, é utilizado um marcador de ponta fina para indicar algumas lantejoulas, na sequência, use uma caneta semiopaca para indicar lantejoulas adicionais em áreas sombreadas, para conclui,r use a caneta de gel branca para colocar um pontinho branco no meio de cada lantejoula e, em algumas, acrescente um “X” para criar os brilhos aleatórios do paetê (BRYANT, 2012). FIGURA 118 – DESENHANDO VESTIDO DE PAETÊ FONTE: Bryant (2011, p. 325) Para lhe auxiliar no desenho de tecidos de paetê, assista ao vídeo Tutorial – como desenhar roupa com brilho no canal do YouTube Mateandro, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=emP7eAOkQEU. DICAS Agora, pratique o desenho de, pelo menos, cinco tecidos indicados nesse subtópico para que melhore cada vez mais o resultado das suas ilustrações, trazendo novas técnicas de texturas e detalhes para suas criações. Por fim, lembre-se de que você só aprenderá as técnicas desse livro se praticar muito, explorar materiais e técnicas, ser curioso e pesquisar bastante, observar mais as roupas que as pessoas usam a sua volta e como cada tecido e textura se comporta, pois, muitas vezes, um bom ilustrador também é um bom observador. 278 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS LEITURA COMPLEMENTAR PERCEPÇÃO E EXPRESSÃO NO UNIVERSO DAS ILUSTRAÇÕES DE MODA Gabriela Kuhnen Célio Teodorico dos Santos 1 INTRODUÇÃO Ao olhar para uma imagem ou ilustração, logo o observador percebe se lhe agrada ou não. Toda a análise gráfico-visual e estético-formal passa por um processo cognitivo subjetivo, cuja compreensão e valoração do que é visto está intimamente ligada à capacidade de expressão e à mensagem que o criador busca passar para o observador. Essa linguagem possui a mesma base da comunicação verbal, com um emissor e um receptor, em um contexto que possui um código comum, em que a imagem vem carregada de significados, os quais, em geral, valorizam o ser, mostrando-o elegante, sofisticado, descontraído, dependendo de como a ilustração é representada. Neste artigo, vamos fazer uma breve análise a partir da leitura de uma ilustração de moda, criada por Laura Laine, comparando-a com a obra original de Botticelli, considerando os aspectos mais importantes que se encontram em nível pré-figurativo, expressivos e simbólicos. Tais elementos, que são pontos, linhas, manchas e planos, dão origem a elementos adjetivos, como cores, tonalidades e texturas. Através da percepção deles, é possível fazer associações a situações vivenciadas e, dessa forma, gerar outros sentidos próprios para a imagem, através de seus elementos compositivos, buscando criar um contato com o observador, para encantar, seduzir e divulgar ideias e conceitos. 2 NOVAS CONCEPÇÕES DE DESIGN No universo da moda, a representação gráfica é um dos pontos mais relevantes. Seja pelo desenho de moda, cujos croquis são elaborados com o intuito da execução, tornando-se primordial uma representação bastante precisa com o mundo material, pois todos os detalhes e proporções serão usados na construção da peça, seja na forma de estampas gráficas que serão colocadas no vestuário ou mesmo nas ilustrações de moda, onde pouco se representam as peças como realmente são, mas se estabelece uma mensagem através de seus elementos compositivos cuja função é estabelecer contato com o observador, para divulgar, encantar e seduzir. As ilustrações de moda podem ser usadas para vários propósitos: fazer parte da apresentação da coleção de moda para os compradores; dar aos jornalistas uma prévia da coleção que está por vir; ilustrar desfiles ou tendências de moda TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 279 ou, mesmo, divulgar uma coleção através de impressos (ARMSTRONG, 2007). Em sua maioria, tem o intuito de ser o alvo da atenção dos consumidores, criar desejo pela peça e fazer com que o consumidor reconheça o produto e o compre. O desafio é fazer com que a ilustração se sobressaia diante dos numerosos editoriais fotográficos, justamente por ser diferente e trabalhar com outras formas de expressão. Algumas vezes, a ilustração de moda traduz o humor da época em que foi ilustrada, pois, além do estilo do artista, forças sociais e econômicas também determinam a forma e o conteúdo da ilustração. Inicialmente, a ilustração de moda surgiu a partir da técnica de xilogravura que consiste no entalhe do desenho em um pedaço de madeira, seguida da colocação de tinta sobre ela que é pressionada sobre um papel, e o resultado é a impressão da ilustração. Esse método foi muito utilizado durante as grandes navegações e descobertas de novos continentes nos séculos XVI e XVII, como forma de retratar uma nova realidade e documentar as vestimentas de diferentes povos. Com o advento dos tipos móveis de impressão, na metade do século XVI, as impressões ficaram muito mais facilitadas e barateadas, possibilitando a comercialização. Foi quando surgiram os primeiros livros chamados de Costumes, em que eram retratadas as vestimentas em sua localização, descrição das peças e como deveriam ser usadas. Já no século XVII, surge o jornalismo e os almanaques de moda: as impressões ainda eram em preto e branco e, inicialmente, tinham foco no público masculino. Foi no século XVIII que apareceram as revistas com ilustrações de moda coloridas. Eram revistas bastante informativas e tinham o interesse de esclarecer, divulgar trajes masculinos, femininos e infantis, assim como acessórios e até mesmo decoração (DUARTE, 2009). Com o advento da fotografia, no século XIX, nos editoriais e propagandas de revistas, a ilustração de moda seguiu carreira solo por várias décadas, tirando-a de cena da área da divulgação e publicações de estilo, porém nunca desapareceu e retorna no século XX. Com o avanço das técnicas de desenho, as ilustrações e pinturas sofreram resultados direto da tecnologia disponível de cada época. A pintura foi submetida a um significativo avanço, quando pigmentos a óleo foram colocados em tubos de alumínios, permitindo que os artistas pintassem em áreas externas, foi quando nasceu o impressionismo. O hiper-realismo foi um movimento artístico em resposta ao advento da fotografia, enquanto técnicas como o aerógrafo vieram através da cultura dos acrílicos e corantes usados nas finas artes (ARMSTRONG, 2007). Ilustrações de moda não estão imunes à cultura do seu tempo, seja no passado, presente ou percepções para o futuro. Experimentações em diferentes superfícies abrem muitas possibilidades visuais. Cada movimento artístico, experiências pessoais influenciam não somente a forma de execução das ilustrações, como a sua forma de leitura. 280 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS 3 ELEMENTOS DA EXPRESSÃO E REPRESENTAÇÃO VISUAL 3.1 Analfabetismo visual Conhecer alguns princípios sobre a compreensão e leitura de ilustrações de moda pode proporcionar uma nova relação do observador como objeto observado. O conhecimento de códigos específicos, juntamente às relações sociais, culturais e da estética, permitem atribuir um sentido à leitura deste universo. Os sistemas estruturais não seguem regras absolutas, esses dependem da sua composição e ordenação. Os elementos básicos do alfabetismo visual são: o ponto, a linha, o plano e a mancha. Ainda fazem parte da sintaxe visual: o equilíbrio, a cor, textura, direção, tom, escala, forma, dimensão, estrutura e ritmo. O ponto é a menor unidade da comunicaçãovisual, está em abundância na natureza e pode ter grande poder de atração visual sobre o olho. A linha se constitui de pontos muito próximos, onde já não se distingue mais sua forma individual. Pode-se dizer também que a linha define a trajetória de um ponto. [...] é o elemento visual inquieto e inquiridor do esboço. Onde quer que seja utilizada é o instrumento fundamental da pré-visualização, o meio de apresentar de forma palpável, aquilo que ainda não existe, a não ser na imaginação (DONDIS, 1991, p. 56). Na linha, toda informação extra é eliminada, permanece apenas o que é essencial, traduz a intenção do artista ou desenhista, reflete sentimentos e emoções. A mancha é o que possibilita a variação entre o claro e o escuro. Através dessa nuance é que percebemos de maneira mais completa a forma e suas variações. A representação bidimensional é o que nos possibilita traduzir o tridimensional ou dar a ilusão de profundidade. A representação bidimensional gráfica pode, então, ser feita através do fechamento de linha (forma) ou contraste de área (mancha). Quando analisados esses conceitos da estrutura visual de uma imagem ou ilustração, podemos traçar semelhanças com o conceito constituído por Aristóteles do belo formal. De acordo com Bayer (1995), em tudo que é belo existe uma ordem racionalista e racional. Destaca-se a simetria que é símbolo do perfeito, a determinação que é uma modalidade de ordem em que tudo que é belo é essencialmente acabado, é saúde, força, grandeza. Ou seja, existe uma atração visual e preferência estética dessas características. Dessa forma, o ilustrador pode usar desses artefatos para conseguir gerar certas respostas do observador. Lobach (2001) determina alguns elementos configurativos, enfatizando que, separadamente, têm pouca importância e que o arranjo deles é que trará aspectos singulares a cada obra ou imagem: • Forma espacial, caracterizada pela tridimensionalidade e volume. Forma plana: obtida por um plano bidimensional. TÓPICO 3 — REPRESENTANDO TECIDOS EM DESENHOS DE MODA 281 • Superfície: pode ser imbuída de características como brilhante, rugoso, fosco, polido, reluzente, e podem remeter a diferentes associações, como perfeição, limpeza ou ordem. • Cores: podem se destacar no contexto ao qual se referem através de intensidade ou contrastes, sendo usadas para destacar certas áreas ou compor áreas análogas através de neutralidade. Pode-se utilizar a estrutura visual usando as cores para evitar a monotonia ou criar tensão ou peso ou, ao contrário, criar leveza ou flutuação. • Ordem: elementos organizados com certa regularidade, pode ser associada à monotonia ou à segurança. Alguns exemplos são a simetria e a uniformidade. • Complexidade: já elementos complexos são caracterizados por muitos elementos de configuração e com grande conteúdo de informação. Podem servir para manter certo interesse, mas são irregulares e causam tensão psíquica. Para Dondis (1991), ainda existem três níveis de representação visual: o representacional, o abstrato e o simbólico. No nível representacional, prevalecem os detalhes visuais do ambiente, sejam eles naturais ou artificiais, exibindo uma representação detalhada do objeto, assim como se conhece e se expressa no mundo. É uma comunicação forte e direta. No nível abstrato pode ocorrer a redução, ao máximo, dos elementos visuais. Tal redução pode também estar desvinculada de qualquer relação com os dados visuais conhecidos. “Em termos visuais, a abstração é uma simplificação que busca um significado mais intenso e condensado” (DONDIS, 1991, p. 95). O nível do simbólico também requer uma simplificação, mas ao contrário da abstração, esta forma deve ser vista e reconhecida, também lembrada e reproduzida. É carregada de significado e sua simplicidade na forma faz com que seja facilmente identificável e altamente penetrável na mente do observador. Uma imagem, assim como a ilustração, sempre constitui uma mensagem para o outro. Pode ser definida como representação de algo no pensamento, uma ideia e permite possibilidades de interpretação. É, então, uma ferramenta para expressão e comunicação. Como linguagem, Joly (2007) esclarece que a imagem se estabelece nos mesmos pilares da comunicação verbal: possui um emissor e um receptor. Através de um canal que podemos chamar de mídia, expressa a mensagem que está inserida em um contexto e exige um código que seja comum ao emissor e ao receptor. Na ilustração de moda, a imagem vem sempre carregada de significados pertinentes a esse universo. Em geral, conceitos que valorizam o ser, qualidades como fortes, descontraído, sofisticado, elegante, alternativo estão presentes na forma como a ilustração está representada. No entanto, uma comunicação visual pode também ser interpretada livremente, na qual cada indivíduo poderá associar e estabelecer suas próprias conexões, de acordo com seu repertório, ou poderá ser uma comunicação direcionada e intencional, em que o receptor deve captar a mensagem estabelecida pelo emissor (SILVA, 1985). 282 UNIDADE 3 — TÉCNICAS DE REPRESENTAÇÃO DE TRAJES, TECIDOS E ESTAMPAS Dentro da análise das imagens e ilustrações, devemos considerar também sua função. De acordo com Joly (2007), podemos classificá-la em: • Função denotativa ou cognitiva ou referencial: possui uma mensagem clara do que se está falando. • Função expressiva ou emotiva: concentra-se mais na forma ou como se está falando. Então será mais subjetiva e poderá ter diferentes interpretações. • Função conativa: manifesta diretamente a implicação do destinatário na mensagem. Pode ser uma ordem, uma pergunta. • Função fática: serve apenas para testar o canal, verificar se ele está funcionando. Como um “alô” ao telefone, “e aí”, “tudo bem”. • Função metalinguística: fala sobre si mesma. Ressaltamos que nenhuma mensagem contempla somente uma função. Elas coexistem com o predomínio mais de uma ou de outra, sem eliminar o papel da função secundária. No entanto, algumas vezes, pode ser difícil distinguir a função explícita da função implícita e “a observação do uso da mensagem visual analisada, assim como seu papel sociocultural, pode mostrar-se muito preciosa a esse respeito” (JOLY, 2007 p. 59). E é determinante para sua significação. FONTE: Adaptado de <https://www.periodicos.udesc.br/index.php/modapalavra/article/ view/13217/9333>. Acesso em: 30 mar. 2021. 283 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Para desenhar tricôs, é necessário entender sobre o tipo de fio e a trama do tecido, para então criar uma sequência de representação da textura. • Existem vários tipos de lãs e que cada um possui uma forma de representação diferente, podendo ser com linhas mais onduladas, tracejadas etc. • Os tecidos com transparência devem ter áreas mais escuras em que há sobreposição ou dobra de tecidos e deve haver o mínimo de costura e acabamentos na peça. • Para representar brilhos e sombras, pode ser utilizado caneta marcador e caneta a gel branca, para vários tipos de texturas e padrões. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 284 1 Para desenhar tecidos de lã, primeiro precisamos perceber algumas diferenças nas suas variações, temos, no mercado, tanto lãs lisas como texturizadas. Considerando as diferenças na representação da lã buclê e angorá, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A lã buclê é representada com fios retorcidos e a lã angorá é representada com traços para baixo. b) ( ) A lã buclê é representada com fios lisos e a lã angorá é representada com linhas onduladas. c) ( ) A lã buclê é representada com fios retorcidos e a lã angorá é representada com linhas onduladas. d) ( ) A lã buclê é representada com fios lisos e a lã angorá é representada com traços para baixo.2 Existem muitas variedades de rendas no mercado, muitas são batizadas de acordo com sua origem geográfica, a renda é um padrão decorativo sobre uma malha aberta, como o tule. Com base nas características do tecido de renda, analise as sentenças a seguir: I- A renda é um tecido de malha aberta que provavelmente evoluiu do bordado. II- Roupas feitas de renda costumam ter bordas onduladas na barra, mangas, saias e barrados. III- A renda é sempre comprada recortada para que seja inserida em uma parte específica da peça. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 Na representação de tecidos, é essencial que o ilustrador verifique pessoalmente como se comportam os materiais que irá representar nos seus croquis, entender as características dos materiais é imprescindível para que se obtenha um melhor resultado na ilustração. De acordo com as características do tecido couro envernizado, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O couro envernizado é uma das superfícies mais brilhantes e refletoras. ( ) No desenho de couro envernizado, as áreas claras e escuras são bem definidas e contrastantes. ( ) As roupas feitas de couro envernizado costumam ter bordas onduladas na barra, mangas, saias e barrados. AUTOATIVIDADE 285 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O tecido de couro envernizado é uma das superfícies mais brilhantes nos tecidos, por isso, para representá-lo nos croquis de moda, é comum utilizarmos a caneta marcador, pois é mais fácil de inserir os tons de sombra, brilho e meio tom, considerando isso, disserte sobre como deve ser realizado a representação de uma bota de couro envernizado. 5 Existem muitas estratégias para desenhar o paetê, que é um tecido com lantejoulas brilhantes, utilizado principalmente para vestidos de festas como o carnaval, uma das estratégias é utilizar a caneta marcador, nesse contexto, disserte sobre como desenhar um vestido de paetê utilizado caneta marcador. 286 REFERÊNCIAS ABLING, B. Desenho de moda. 5. ed. São Paulo: Blucher, 2011. 238 p. BRYANT, M. W. Desenho de moda: técnicas de ilustração para estilistas. São Paulo: Editora Senac, 2012. 415 p. FERNÁNDEZ, Á.; ROIG, G. M. Desenho para designers de moda. 2. ed. Lisboa: Editorial Estampa, 2010. 191 p. STIPELMAN, S. Ilustração de moda: do conceito à criação. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. 470 p.