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Universidade Paulista – UNIPVISTO
DO
PROFESSOR
Curso: Psicologia – Campus Pinheiros
Disciplina: Psicologia Comunitária
Professor: Prof. Dr. José Raimundo Evangelista da Costa
Aluno(a): Maria Luiza Blanco 
 RA: D66BEB-2
ATIVIDADE DOMICILIAR 
Resumo e Análise
“Psicologia e Argumento”
- Conscientização: em que interesse esse conceito à Psicologia?
	A conscientização como processo vital dentro da psicologia, deu início no momento em que os psicólogos comunitários se perguntaram como eles poderiam auxiliar as populações carentes para que dominassem suas próprias vidas e reivindicassem seus direitos. Neste caminho, a psicologia se encontra com os estudos de Martin Baró e Paulo Freire, com o intuito de levar um saber político dentro do psiquismo. Retomando alguns dizeres de Freire, Baró acentua que o trabalho do psicólogo é ser um auxiliador, permitindo que essas pessoas atinjam um saber crítico sobre si mesmas, sobre seu mundo e sobre sua inserção neste mundo. Baró também explicita que a conscientização que se fala supõe uma mudança das pessoas no processo de mudar suas relações com o meio ambiente e com os demais, revelando-se uma proposta sócio-histórica, pois, o sujeito altera o ambiente que vive e por ele é alterado historicamente também. Como inspiração para a criação da atividade comunitária, Góis puxa conceitos como “instrumento” e “significado” das teorias de Leontiev para criar o conceito de atividade comunitária, explicando que o processo interativo e coletivo pelo qual o indivíduo vivencia e interioriza sua realidade, é capaz de transformar e aprofundar uma consciência de si e do mundo. 
	Ao final do texto, ressalta-se que este processo não é apenas dialético, mas dialógico, implicando em mudanças não apenas nos moradores, mas também no psicólogo que sai de sua tradicional distância profissional, agora experimentando outras maneiras de interação mais humanas. Nessa mesma linha, a visão que se tem é ainda de um psicólogo que se define pelas técnicas que utiliza e não pelo conhecimento que ele tem do psiquismo humano, no movimento de sua consciência e na produção de sua identidade. Dentro da filosofia da psicologia comunitária, é no encontro com os outros semelhantes que descobrimos a realidade, que descobrimos o significado de individualidade e de a sociedade. Dessa forma, para o psicólogo que adentra a área, a “troca” de conscientização parece clara, dificilmente o profissional saindo do processo da mesma maneira que entrou. Parece, no entanto, necessária a discussão a respeito do prestígio que se dá à técnicas, abordagens, teorias, ao invés de considerarem a natureza do psiquismo humano e a natureza do indivíduo que interage com o outro. 
Análise Reflexiva 
- “De profundis”
	O documentário da psicanalista e cineasta Isabela Cribari propõe trazer à publico uma ideia micro da situação dos ex-moradores de Itacuruba. Deslocados de uma cidade para outra, devido a construção de uma hidrelétrica, os moradores do sertão de Recife são dados de uma estatística preocupante: apresentam um índice de suicídio dez vezes maior do que a média nacional. A hidrelétrica trouxe a inundação para a cidade, deixando casas, estabelecimentos, igrejas e muitas memórias debaixo d’água. Tão logo, a frustração de não serem indenizados acabou se transmutando em uma arrebatadora melancolia. Desolados pelo afogamento da antiga cidade, uma gama de moradores passou a sofrer com sintomas psíquicos de depressão seguido de uma série de suicídios – e muitas tentativas. Em um angustiante momento do curta metragem, uma ex-moradora relata um caso de suicídio e afirma não ter explicação para o acontecimento. Porém, as memórias da cidade submersa são mais do que pistas para a causa. 
	A obra não serve apenas para ser um instrumento de crítica aos processos de migração forçados, mas Cribari também procurou transmitir os sentimentos daquela comunidade, se utilizando da metáfora das memórias pairando sobre as águas. Câmeras fixas retratando o vazio que habita a nova cidade. Uma moradora adentrando as águas de um rio que reflete o céu predominantemente branco, buscando encontrar um caminho para a cidade nunca esquecida. 
	Em determinado momento do curta metragem, Cribari mostra um fragmento de entrevista que há de se refletir. Uma das moradoras de lá diz que não é apenas pessoas mais velhas à apresentar sintomas de depressão, mas também crianças e adolescentes da cidade. De fato, as crianças e os jovens não tiveram contato direto com a migração da cidade, mas sim com o impacto que aquilo causou no restante da família, adentrando numa aura negativa e de muita tristeza. A falta de lazer também é comentada neste fragmento. Mas como entreter se não há nem vontade de levantar para mais um dia? 
	Visando readquirir a autonomia e perceber seu estado no mundo, o psicólogo comunitário é uma peça essencial para o público dessa situação. Com dinâmicas em grupo e outras atividades, o psicólogo serviria como um dinamizador dentro de uma comunidade em que todos se conhecem, buscando diminuir esse índice alarmante que o documentário trás.

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