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Professor João Leandro – Redação 
(11) 96351-6560 
Segunda parte da aula sobre Invisibilidade social. 
O outro não existe! Ou você não o vê???? 
1 Introdução 
 Passar e não enxergar, olhar e não ver. O termo invisibilidade 
social vem sendo amplamente pesquisado a fim de tentar dar conta do 
entendimento do comportamento de indiferença entre os seres humanos. A 
curiosidade pela temática impulsiona a busca por compreender os fatores 
grupais envolvidos em tal. Embasado pelo conhecimento da física – 
invisibilidade significa objeto não visível, objeto com ausência de luz, que 
não reflete. Correlacionando esse termo ao comportamento do ser humano, 
a inquietude aparece com questionamentos. O que move o ser humano a 
não observar ao seu redor? O que leva o ser humano a ignorar? O que causa 
essa indiferença? Considera-se que inúmeros fatores intrínsecos ao ser 
humano podem estar implicados nesse comportamento onde por hora se 
exclui da percepção aquilo que não quer se ver. Da mesma forma, entender 
o impacto desse comportamento na vida do invisível auxilia na compreensão 
da permanência desse fenômeno e os rumos dessa realidade atual que 
caracteriza uma cegueira coletiva onde todos olham e ninguém vê. Esse 
movimento interfere no desenvolvimento das relações grupais e nas formas 
de relacionamentos. Assim, esse objeto de estudo visa identificar as variáveis 
implicadas na invisibilidade social como forma de compreender o fenômeno 
grupal a partir da análise do livro “O futuro da Humanidade”, do psiquiatra 
e escritor brasileiro Augusto Cury. O livro oferece uma oportunidade de 
adentrar na sociedade e compreender a vida dos marginalizados, ocultos da 
sociedade, através da visão de um jovem estudante de Medicina que se 
depara com a falta de sensibilidade com a história dos humanos e embarca 
 
 
 
 
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numa busca a conhecer o que não é visto. Assim, o objetivo geral desse 
trabalho é compreender os fatores grupais que permeiam a invisibilidade 
social através da análise de trechos pré-selecionados no livro que evidenciam 
a problemática. Para tanto, elencamos os seguintes objetivos específicos: 
analisar a forma como a cultura do individualismo está relacionada com a 
invisibilidade social; constatar que existem movimentos grupais mantendo a 
invisibilidade social. Este texto desenvolve-se orientado pelas seguintes 
questões: Como a cultura da individualidade está vinculada à invisibilidade 
social? Quais os rumos desse comportamento no futuro das relações grupais? 
Por que o ser humano olha sem ver e se torna indiferente ao outro? 
2 Globalização e individualismo 
Para falarmos de invisibilidade social, entendemos ser importante 
conceituarmos alguns termos que nos ajudem a compreender melhor o tema 
proposto neste trabalho, tais como a globalização e a individualização. 
Segundo Salaini (2012), o evento da globalização caracteriza-se pelo fato de 
trazer consigo um processo de construção e desconstrução das identidades 
de indivíduos e grupos. Os limites dos sistemas de crenças aos quais os 
sujeitos se vinculam são constantemente enfraquecidos e atravessados nesses 
contextos, conforme menciona o autor. Para Vieira (2002), as ligações entre 
o local e o global passaram por uma aceleração sem precedentes, acarretadas 
pelo rápido desenvolvimento da comunicação, das tecnologias das 
informações e dos transportes. A mudança de pessoas e bens pelo mundo, 
bem como a circulação de informações, alcançou níveis nunca vistos antes. 
Ainda segundo o mesmo autor (2002), destaca-se que a globalização é 
normalmente atrelada a processos econômicos, como a movimentação de 
capitais, a expansão dos mercados ou a ampliação produtiva em escala 
mundial. Reforça ainda que ela impacta em uma nova configuração da 
João Goncalves V Leandro
João Goncalves V Leandro
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economia mundial, como resultado geral de velhos e novos elementos de 
internacionalização e integração. Neste contexto, Vieira (2002) menciona 
que a globalização redimensionou as percepções de espaço e tempo. Em 
segundos, notícias dão volta ao mundo, capitais entram e saem de um país 
por transferências eletrônicas, novos produtos são produzidos ao mesmo 
tempo em muitos lugares e em nenhum deles isoladamente. Estes fenômenos 
globais influenciam fatos locais, e vice-versa, e ainda apresentam a 
globalização como um evento que se contrapõe aos laços de solidariedade 
existentes nos planos local e nacional. O século XX conduziu a economia 
global a uma encruzilhada: o processo de reestruturação econômica levou o 
mundo em desenvolvimento à fome, e grandes parcelas da população ao 
empobrecimento. O novo modelo financeiro internacional parece nutrir-se 
de exclusão social e degradação ambiental. Da mesma forma que a nossa 
época é a do desenvolvimento de uma nova economia de mercado, também 
somos testemunhas de uma nova era do individualismo. Uma interrupção 
frontal como o pensamento das antigas civilizações, organizadas de uma 
forma abrangente com fundamento intocável, o individualismo constitui um 
conjunto de valores que colocam o indivíduo livre e igual como eixo central 
da cultura, como fundamento da ordem social e política conforme destaca 
Lipovetsky (2011). Ainda nessa perspectiva, Lipovetsky (2011) explica que as 
características desse novo individualismo centrado na preferência da relação 
de si são incontáveis. Destaca ainda que em paralelo a esta autonomia surge 
uma nova relação com o corpo: obsessão com a saúde, culto do esporte, boa 
forma, magreza e cirurgia estética. A sociedade do consumismo é a do 
“sempre mais”, mas esta não está diretamente relacionada ao aumento da 
felicidade. Os indivíduos almejam ganhar mais dinheiro, pois a oferta não 
cessa de ampliar-se, mas, uma vez atingido um certo nível de renda, o 
sentimento de felicidade não cresce mais quando surgem rendas extras. Só 
 
 
 
 
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os desprovidos se declaram mais felizes ao ver aumentar seu nível de vida, 
menciona Lipovetsky (2011). Nota-se, então, que o individualismo está 
associado ao prestígio, uma situação de certa estabilidade financeira. As 
regras e valores estão transparentes e situados dentro de um modelo com 
hierarquias. A ascensão está associada à mudança, transformação, tanto em 
termos de trajetória individual como no ambiente social. Considera ainda 
que a construção da identidade é problema universal da sociedade. Em todo 
grupo, tradicional ou moderno, definem-se e classificam-se categorias sociais. 
As noções de prestígio e ascensão social parecem estar vinculadas, 
exatamente, a diferentes formas de viver e lidar com a questão da 
individualidade na sociedade moderna. Fazem parte, por sua vez, de um 
processo mais amplo de construção social da identidade. Heller (2000) nos 
fala que a vida cotidiana é a vida de todo homem. Todos a vivem 
independentemente da sua função ou cargo de trabalho intelectual e físico. 
Ninguém consegue identificar-se com sua atividade humano – genérica a 
ponto de poder desligar-se inteiramente da cotidianidade. A vida cotidiana 
é a vida do homem pleno, ou seja, o homem participa na vida cotidiana com 
todos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade. 
3 Invisibilidade social 
O conceito de Invisibilidade Social tem sido aplicado, em geral, quando se 
refere a seres socialmente invisíveis, seja pela indiferença, seja pelo 
preconceito, o que nos leva a compreender que tal fenômeno atinge tão 
somente aqueles que estão à margem da sociedade. Existem diversos fatores 
que contribuem para que a invisibilidade social ocorra: histórico, cultural, 
social, religioso, econômico, estético etc. É o que acontece, por exemplo, 
quando um mendigo é ignorado de talforma que passa a ser apenas mais 
um objeto na paisagem urbana. Segundo Laing (1986), “não podemos fazer 
 
 
 
 
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o relato fiel de uma pessoa sem falar do seu relacionamento com os outros”. 
A identidade é definida pela relação do indivíduo com os que estão à sua 
volta, em seu convívio. É na relação entre o EU e o OUTRO que se constrói 
a identidade do EU. O filósofo francês Félix Guattari, por sua vez, defende 
que “a singularidade é um conceito existencial; já a identidade é um conceito 
de referenciação, de circunscrição da realidade a quadros de referência, 
quadros estes que podem ser imaginários” (GUATTARI; ROLNIK, 1986, 
p. 68). Enquanto a identidade diz respeito ao reconhecimento, a 
singularidade articula todos os elementos que costumeiramente constatamos 
quando definimos a identidade do indivíduo, isto é, como nos sentimos, 
nossos desejos, nossas atitudes em determinados contextos, em suma, tudo o 
que diz respeito ao nosso ego. Em análise geral, evidencia-se que é a 
singularidade que quando ocultada em sua percepção pelo outro, 
caracteriza-se “Invisibilidade Social”. Porto (2009) em seu artigo 
“Invisibilidade social e a cultura do consumo” ao se referir aos trabalhadores 
sem identidade diz que: 
Quando, a caminho do trabalho, passamos por 
um gari fazendo a varredura de nossa calçada, 
o identificamos por seu uniforme como 
executante de tal função, mas não o notamos 
por suas singularidades. Ao contrário, o vemos 
quase como se fosse parte do mobiliário urbano 
(Porto, 2009, p. 02). 
A partir do exposto, pode-se definir a invisibilidade social como sintoma de 
uma crise de identidade nas relações entre os indivíduos das sociedades 
contemporâneas, considerando-se os efeitos da estruturação socioeconômica 
advinda do Neoliberalismo, que tem como protagonista a “Cultura do 
Consumo”, na qual “você é o que você consome”. Tomando o aspecto 
socioeconômico como bússola para a defesa de uma teoria que justifique o 
João Goncalves V Leandro
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Paramos aqui!
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fenômeno da Invisibilidade Social nos tempos atuais. Costa (2008) em seu 
trabalho sobre invisibilidade social com garis retrata o sentimento dos 
invisíveis frente ao ato de ser ignorado: “a cegueira de gente que não vê gente 
é traumática, causa angústia. A cegueira de gente que não vê causa 
humilhação”. (p.15) A partir do relato de Costa (2008), entendesse que essa 
cegueira pode ser caracterizada como uma cegueira pública quando um 
homem desaparece para outro configurando assim um evento psicossocial 
característico da sociedade pós-moderna, referindo assim dois fenômenos 
intrinsecamente relacionados com a cegueira: humilhação social e reificação 
(humanos reduzidos ao inumano, à matéria enquanto coisa em si). Ainda 
segundo Costa (2008), pode-se dizer que a invisibilidade é o resultado de um 
processo histórico de longa duração. Rebaixa a percepção de outrem, 
especialmente a percepção de alguém vinculado à forma baixa do trabalho 
assalariado, o trabalho desqualificado, alienado e alienante (Costa, 2008, p. 
15). Filho (2005) afirma que a invisibilidade do povo teve sua evolução na 
história e foi marcada pelos golpes de espoliação e servidão com origem nos 
escravos africanos e nativos e posteriormente sobre os imigrantes baixo-
salariados (p. 22). Considera-se, então, que a invisibilidade social está 
constituída a partir de aspectos sociais e psíquicos, sendo mantida por 
padrões sociais. Esse fenômeno atinge também a comunicação dos seres 
humanos, trazendo prejuízo e reduzindo as trocas a aspectos econômicos 
onde isolam-se do racional os aspectos subjetivos e emocionais dos sujeitos, 
“os assuntos emagrecem e, anoréxicos, arrastam-se em direção ao que parece 
essencial: quanto custa, quando entrega, como se paga, que garantia é 
oferecida (p.17). Entende-se que a invisibilidade sobre uma perspectiva 
fenomenológica onde este é um sintoma de uma sociedade do espetáculo na 
qual vivemos, onde invisibilidade significa insignificância. Defende que os 
invisíveis são criados a partir de uma percepção coletiva. O criador do termo 
 
 
 
 
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“percepção coletiva”, Émile Durkhein (1893), considera que o fenômeno é 
um regulador dos conhecimentos e convicções comuns aos membros de uma 
sociedade, ou seja, os homens partilham de visões de mundo sem questioná-
las e passam a vê-las como verdade. A mesma autora confirma em seu 
trabalho que, a percepção nos dá o ser, então a não percepção do outro 
traduz-se pela inexistência do ser. O que conduz a pensar que a alteridade 
de invisível é inexistente. Por outras palavras, a percepção como a memória, 
é seletiva” (De Sá Pinto Tomás, 2008, p. 07). Assim sendo, o homem pode 
escolher aquilo que quer ver. 
4 Caracterização de grupos 
Passamos a maior parte de nossas vidas convivendo em grupos, seja na 
família, no trabalho, com colegas. Estamos sempre compartilhando nosso dia 
a dia com outras pessoas. O homem vive, inevitavelmente em grupos, que 
podem ser permanentes ou temporários, criados acidentalmente ou 
deliberadamente. Os grupos podem exercer diversas influências sobre os 
indivíduos, como felicidade, tristeza, raiva, ansiedade, preocupações. Estas 
influências podem ter efeitos ligeiros e momentâneos ou duradouros e 
radicais e que podem proporcionar ao homem sentimentos de “status” ou de 
frustração, bem como, de aceitação ou rejeição. De acordo com Zimerman 
(1997), “o ser humano é gregário por natureza e somente existe, ou subsiste, 
em função de seus inter-relacionamentos grupais” (p. 132). Sempre, desde o 
nascimento, o indivíduo participa de diferentes grupos, numa constante 
dialética, entre a busca de sua identidade individual e a necessidade de uma 
identidade grupal e social. A estrutura dos grupos é importante para a 
compreensão dos acontecimentos que neles ocorrem. O tipo de grupo, a 
descrição de suas propriedades, as formas de comportamento de grupos são 
elementos que permitem a interpretação dos fenômenos em estudos 
 
 
 
 
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(Moscovici, 1965). Pichon (1998) define o grupo como um conjunto de 
pessoas, que ligadas no tempo e espaço, articuladas por sua mútua 
representação interna, se propõem explícita ou implicitamente a uma tarefa, 
interatuando para isto em uma rede de papéis, com o estabelecimento de 
vínculos entre si. O sujeito social se constitui na relação do outro. Conforme 
Amaral (2007), os grupos podem ser classificados como primários ou 
secundários. Os grupos primários são aqueles constituídos para a satisfação 
das necessidades básicas das pessoas e a formação de sua identidade. 
Caracterizando-se por fortes vínculos afetivos e interpessoais, como por 
exemplo a família. Os grupos secundários são aqueles constituídos para a 
satisfação das necessidades sistêmicas ou de interesses de grandes grupos ou 
classes. Sua identidade é construída pelo papel social que o individuo 
desempenha e o poder está centrado na capacidade e na ocupação social de 
seus membros. O relacionamento é marcado pela formalidade e 
impessoalidade. Dessa forma, podemos entender que um grupo é um todo 
dinâmico. Apesar de ser um conjunto de pessoas, não é simplesmente a soma 
dos participantes, o que significa que qualquer mudança que ocorra em um 
dos participantes vai interferir no estado do grupo como um todo. Quando 
um grupo se estabelece, uma série de fenômenos passa a atuar sobre as 
pessoas individualmente e, consequentemente sobre o grupo, é o chamado 
processo grupal. O processo grupal segue uma “espiral dialética”, isto é, a 
cada nova situação, surgem formas de se lidar com ela. O que está 
estruturadoprecisa ser revisto para que o grupo se reestruture em nova 
situação. Assim cada ciclo abrange e supera o anterior (Pichon, 1998). Dessa 
forma, vários fenômenos passam a atuar sobre as pessoas individualmente e, 
consequentemente, sobre o grupo. Para Amaral (2007), em quase todos os 
grupos sociais é possível se estabelecer o status de cada integrante bem como 
o papel que lhe cabe desempenhar. Papel Social é um modelo de 
 
 
 
 
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comportamento definido pelo grupo. Nenhum grupo social pode ter bom 
funcionamento sem estabelecer papéis para seus integrantes. É certo que a 
diversidade de papéis a serem desempenhados pelos participantes de um 
grupo frequentemente causam tensão e conflitos entre seus membros. Para 
Pichon (1980), um grupo opera melhor quando há em seu conjunto de 
pessoas pertinência, aflição, centramento na tarefa, empatia, comunicação, 
cooperação e aprendizagem. A pertinência pode ser vista como a qualidade 
da intervenção de cada um no grupo; a afiliação é a intensidade do 
envolvimento do indivíduo no grupo; o centramento na tarefa é o eixo 
principal da cooperação, refere-se ao grau de interação com que um 
participante mantém o vínculo com o trabalho a ser efetuado, e avalia a 
dispersão e a realização de esforço útil do indivíduo; a empatia é o modo 
como o grupo pode ganhar força para operar cada vez mais 
significativamente; a comunicação é essencial para que haja entrosamento; 
a cooperação é o modo pelo qual o trabalho ganha qualidade e 
operatividade; a aprendizagem é o resultado do trabalho e deve ser 
essencialmente colaborativa. Portanto, consideramos que dentro de um 
grupo é de suma importância que os papéis circulem pelos membros para 
que oportunize o crescimento grupal, podendo assim fazer com que o grupo 
realize a sua tarefa de amadurecimento. 
5 Sociedade líquida 
“Corremos sobre gelo fino. Se pararmos ou diminuirmos a velocidade, o gelo 
se rompe e nós morreremos. Então corremos. Não importa para onde, o 
importante é correr. E rápido” (Zygmunt Bauman, 2004). Esta analogia feita 
pelo sociólogo Bauman retrata os tempos atuais, que chamamos de pós-
modernidade ou da modernidade líquida. Todos corremos sem saber para 
onde e, por isso, muitas vezes atropelamos aqueles que fazem parte de nossas 
 
 
 
 
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vidas. É assustador imaginar o que fazemos com aqueles que 
desconhecemos. Aqueles que por muitas razões se tornam invisíveis à 
sociedade, mas que são pessoas como nós, pois por dentro somos todos 
exatamente iguais. Ainda bem que para justificar toda essa pressa e falta de 
atenção para com o outro, temos o “santo” celular com acesso a internet que 
nos deixa conectado 24 horas por dia, e assim estamos conectados com todos 
ao mesmo tempo. Antigamente, o ditado dizia: em terra de cego quem tem 
um olho é rei! Neste novo momento, podemos adaptá-lo mais ou menos 
assim: em terra de WhatsApp, quem recebe um telefonema é rei, retratando 
assim a falta de aproximação entre os relacionamentos humanos. Em amor 
líquido, o autor, Zygmunt Bauman (2004) procura investigar por que as 
relações humanas estão cada vez mais flexíveis, gerando níveis de 
insegurança que aumentam a cada dia. Os seres humanos estão dando mais 
importância a relacionamentos em “rede” (via internet e aplicativos de bate 
papo) do que a relacionamentos onde deixamos o celular de lado e 
conversamos com quem está a nossa volta. Existe uma necessidade muito 
grande de estarmos conectados e não nos damos conta de que com isso, 
podemos até aproximar quem está longe, mas afastamos quem está perto. 
Talvez seja por isso que, em vez de relatar suas experiências e expectativas 
utilizando termos como “relacionar-se” e “relacionamentos”, as pessoas 
falem cada vez mais (auxiliadas e conduzidas pelos doutos especialistas) em 
“conexões”, ou “conectar-se” e “ser conectado”. Em vez de parceiros, 
preferem falar em “redes” (BAUMAN, 2005, p. 12). Desta forma, a internet 
assumiu a função de conectar pessoas, formar redes de relacionamentos, 
cada vez mais flexíveis. Bauman (2005) busca investigar as fragilidades desses 
novos laços humanos, bem como a insegurança que esses desejos conflitantes 
geram nos relacionamentos, tanto de estreitá-los como de mantê-los frouxos. 
Sobre isso, ele afirma que, a misteriosa fragilidade dos vínculos humanos, o 
 
 
 
 
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sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes 
(estimulados por tal sentimento) de apertar os laços e ao mesmo tempo 
mantê-los frouxos, é o que este livro busca esclarecer, registrar e aprender. 
(BAUMAN, 2005, p. 8). Segundo o sociólogo polonês, a modernidade 
líquida criou uma era nos relacionamentos, que estão cada vez mais 
fragilizados e desumanizados, reflexo disso pode ser o fenômeno mantenedor 
da invisibilidade social. 
A recusa do olhar do outro como negação da sua própria humanidade 
motivou Ralph Ellison a relatar, em seu romance Homem invisível, de 1952, a 
experiência da discriminação racial nos Estados Unidos. No livro se lê: "Sou 
um homem invisível. Não, não sou um fantasma como os que assombravam 
Edgar Allan Poe... Sou um homem de substância, de carne e osso, fibras e 
líquidos – talvez se possa até dizer que possuo uma mente. Sou invisível, 
compreendam, simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver". 
 
Com base em seus conhecimentos, escreva uma dissertação na norma 
padrão da escrita em língua portuguesa, com no mínimo 25 linhas e no 
máximo 30, sobre o tema: 
 
A invisibilidade social como um fenômeno contemporâneo.

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