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Pressão arterial Letícia Santos de Souza Aferição do Pulso Radial ● Técnica de aferição do pulso radial 1. Paciente sentado com braço apoiado sobre mesa sobre o próprio colo ou estrutura auxiliar (não deve estar flexionando os músculos) OU paciente deitado com braço estendido sobre o solo ou leito. 2. Localizar a artéria radial entre a apófise do processo estilóide do rádio e o tendão do flexor radial do carpo. 3. Alinhar as pontas ou polpas dos dedos indicador e médio da mão dominante do examinador ao longo da artéria nesse espaço, próxima à prega do pulso. 4. Exercer pressão suficiente sobre a artéria para perceber o pulso, sem colapsar a artéria. 5. Contar a pulsações durante um período de tempo determinado (ideal: 1 minuto). 6. Dar preferência a relógio analógico com ponteiro de segundos ou cronômetro com alarme sonoro programado para um minuto (ou a fração de minuto desejada). ● Frequência ➯ Idealmente contar o número de pulsações durante um minuto. ⚠ (FC = Batimentos por minuto - bpm). ➯ Quanto mais irregular o pulso ou irregular a respiração, maior o erro da FC quando aferimos tempos menores (15’ x 4 ou 30’ x 2). ➯ Considera-se a frequência normal de repouso entre 60 e 100 bpm. >100bpm taquisfigmia/taquicardia <60bpm bradisfigmia/bradicardia ➯ O mesmo momento pode ser utilizado para medir a frequência respiratória (Incursões respiratórias por minuto - irpm) sem que o paciente se aperceba. ● Ritmo ➯ Quando o intervalo entre pulsações é percebido como igual, considera-se o pulso regular. ➯ As alterações de ritmo podem ser fisiológicas ou patológicas. - Arritmia sinusal consiste na alternância de pulsações, ora mais rápidas, ora mais lentas, variações estas quase sempre relacionadas com a respiração. ⚠ Mais intensa em crianças e relacionada com estimulação do controle vagal do nó sinoatrial. - Extrassístole ventricular é a arritmia patológica mais comum. Percebida no pulso como uma pausa entre pulsações regulares (a última a contração prematura, normalmente imperceptível ao tato, seguida de uma pausa compensadora). - Irregularidade completa do pulso pode ocorrer na fibrilação atrial, acompanhada de déficit de pulso. ● Déficit de pulso ➯ Significa que o número de batimentos cardíacos é maior que o número das pulsações da artéria radial. ➯ Idealmente aferido em paralelo com ausculta cardíaca ou com monitor cardíaco. ➯ Tem significado por evidenciar contrações cardíacas ineficazes que não geram onda de pulso (especialmente extrassistolia ventricular e fibrilação atrial). Aferição da Pressão Arterial ➯ Pressão arterial é a força exercida pelo sangue contra a parede das artérias, por sua força elástica sobre o sangue. ➯ Pressão Sistólica (PS/PAS): é a pressão mais elevada observada nas artérias durante a fase sistólica do ciclo cardíaco. ➯ Pressão Diastólica (PD/PAD): é a pressão mais baixa detectada na aorta e seus ramos na fase diastólica do ciclo cardíaco. ➯ É importante entender o caminho de saída da artéria aorta, porque a partir disso entenderemos o motivo da pressão arterial aferida pelo membro superior esquerdo ser mais precisa do que a aferição do membro superior direito. ● Membro superior esquerdo: arco da aorta ➙ artéria subclávia esquerda ➙ artéria axilar ➙ artéria braquial. ⚠ O caminho percorrido é menor, então, a pressão arterial aferida será mais próxima da pressão aórtica. ● Membro superior direito: arco da aorta ➙ tronco braquiocefálico ➙ artéria subclávia direita ➙ artéria axilar ➙ artéria braquial. ● Sons de Korotko� Fase I: surgimento dos primeiros sons (pequena intensidade e alta frequência). Fase II: sons suaves e prolongados. Podem ser inaudíveis (hiato auscultatório). Fase III: sons mais intensos e nítidos (hiato auscultatório). Fase IV: sons de baixa intensidade e abafados (níveis de pressão da bolsa discretamente > pressão diastólica). Fase V: desaparecimento dos sons. ● Esfigmomanômetro ➯ Manguito de tamanho adequado: 2/3 do comprimento do braço (80% do comprimento e 40% da circunferência). ➯ Pacientes obesos: medir com manguito apropriado, ou medir no antebraço (apenas a pressão sistólica pelo método palpatório), utilizando a palpação da artéria radial. ● Medida da Pressão Arterial ➯ A PA deve ser medida nos dois braços na primeira consulta e idealmente de forma simultânea. ⚠ Caso ocorra uma diferença > 15 mmHg da PAS entre os braços, há o aumento do risco cardiovascular, o qual pode estar relacionado com a doença vascular ateromatosa (placas de ateroma) e a coarctação da aorta (estreitamento) pode ser a causa. ➯ Todas as medidas subsequentes devem ser realizadas no braço com valores mais elevados da PA, sistólica ou diastólica. ⚠ Em idosos, diabéticos, disautonômicos ou naqueles em uso de anti-hipertensivos, a PA também deve ser medida 1 minuto e 3 minutos após estar em pé (imóvel). ➯ A hipotensão ortostática (postural) é definida como uma redução na PAS ≥ 20 mmHg ou na PAD ≥ 10 mmHg dentro do 3º minuto em pé e está associada a um risco aumentado de mortalidade e eventos cardiovasculares. Isso ocorre porque em pé a pressão arterial tende a diminuir devido à dificuldade de ter retorno venoso nos membros inferiores, consequentemente, chega menos sangue ao coração e, assim, a pressão arterial diminui. ➯ Aferir a pressão arterial sentado é uma segunda opção para o caso do paciente não poder deitar-se (braço sempre na altura do coração). ⚠ É indicado aferir a pressão arterial em posição supina (decúbito dorsal) nos dois braços (membro superior direito/esquerdo) e em posição ortostática (em pé) no braço que constou a maior pressão arterial. ➯ São considerados hipertensos os indivíduos com PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg. ● O passo a passo 1. Lavar as mãos antes de iniciar 2. Explicar o procedimento ao paciente 3. Certificar-se de que o paciente: a. Não está com a bexiga cheia. b. Não praticou exercícios físicos há, pelo menos, 60 minutos. c. Não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos. d. Fumou até 30 minutos antes da medida. 4. Deixar o paciente descansar por 5-10 minutos em ambiente calmo com temperatura agradável e orientar sobre a não conversação durante o procedimento. 5. Determinar a circunferência do braço no ponto médio entre o acrômio e o olécrano. 6. Localizar a artéria braquial por palpação. ⚠ Artéria braquial: palpar com dedos indicador e médio e sentir pulsações da artéria braquial, medialmente ao ventre/tendão do bíceps, acima da fossa cubital. 7. Colocar o manguito adequado firmemente, cerca de 2 a 3 cm acima da fossa cubital, centralizando a bolsa de borracha (manguito) sobre a artéria braquial. 8. Manter o braço do paciente na altura do coração. 9. Palpar o pulso radial, inflar o manguito até o desaparecimento do pulso para estimação do nível da pressão sistólica, desinflar rapidamente e aguardar de 14 a 30 segundos antes de inflar novamente. ⚠ Pulso radial: localizar a artéria radial entre a apófise do processo estilóide do rádio e o tendão do flexor radial do carpo. 10. Colocar as olivas do estetoscópio nas orelhas, com a curvatura voltada para frente. 11. Identificar a artéria braquial na fossa cubital e posicionar a campânula ou o diafragma do estetoscópio suavemente sobre ela evitando compressão excessiva. 12. Inflar rapidamente até ultrapassar 20 a 30 mmHg o nível estimado da pressão sistólica obtido pela palpação. 13. Proceder à deflação lentamente (velocidade de 2 mmHg por segundo). 14. Determinar a pressão sistólica pela ausculta do primeiro som (fase I de Korotko�) e, depois, aumentar ligeiramente a velocidade de deflação. 15. Determinar a pressão diastólica no desaparecimento dos sons (fase V de Korotko�). 16. Auscultar cerca de 20 a 30 mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e, depois proceder, à deflação rápida e completa. ⚠ Se os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a PAD no abafamento dos sons (fase IV de Korotko�) e anotar valores da PAS/PAD/zero. 17. Registrar os valores das PAS e PAD, complementando com a posição do paciente, tamanho do manguito, e o braçoem que foi feita a mensuração. 18. Esperar 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas. Orientar para que o paciente faça movimentos de fechar e abrir as mãos para restabelecer adequadamente a circulação local. 19. Lave as mãos novamente ao término. Referências: https://semiologiamedica.ufop.br/pressao-arterial Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 https://semiologiamedica.ufop.br/pressao-arterial https://adad56f4-85f5-461a-ad4d-33669b541a69.usrfiles.com/ugd/adad56_951a57abb60a4205928d6da79f0d572d.pdf