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Cistos não-odontogênicos -Oriundos de processos embrionários ou fusões ósseas CISTOS PALATINOS DO RECÉM-NASCIDO - Pequenos cistos do desenvolvimento são comuns no palato de crianças recém-nascidas. - Pesquisadores especulam que estes cistos de “inclusão” podem originar-se de duas maneiras. Na primeira, quando as cristas palatinas se encontram e se fusionam na linha média, durante a vida embrionária para formar o palato secundário, pequenas ilhas epiteliais podem ficar aprisionadas por baixo da superfície tecidual ao longo da rafe palatina e formar cistos. - Na segunda, esses cistos poderiam surgir a partir de remanescentes epiteliais oriundos do desenvolvimento de glândulas salivares menores do palato. Características Clínicas - Os cistos palatinos do recém-nascido são muito comuns e têm sido relatados em 55% a 85% dos neonatos. - Os cistos são pequenos, variando de 1 a 3 mm, apresentando-se na forma de pápulas brancas ou branco-amareladas que aparecem preferencialmente ao longo da linha média, na junção do palato duro com o mole - Em alguns casos, podem ocorrer em uma localização mais anterior ao longo da rafe ou posteriormente, lateral à linha média. Muitas vezes, tal lesão é observada em um grupo de dois a seis cistos, embora também possam ocorrer isoladamente. -O exame microscópico revela cistos preenchidos por queratina, revestidos por epitélio pavimentoso estratificado. Tratamento e Prognóstico - Os cistos palatinos do recém-nascido são lesões inócuas, e nenhum tratamento é necessário. -Eles sofrem regressão espontânea e raramente são observados em crianças com várias semanas de vida. CISTO NASOLABIAL - é um cisto do desenvolvimento raro que ocorre no lábio superior, lateral à linha média. Características Clínicas e Radiográficas - se apresenta como um aumento de volume do lábio superior lateralmente à linha média, resultando na elevação da asa do nariz. -Muitas vezes, o aumento eleva a mucosa do vestíbulo nasal e causa apagamento do fundo de vestíbulo -A dor é rara, exceto quando a lesão está secundariamente infectada. Características Histopatológicas - é caracteristicamente revestido por epitélio colunar pseudoestratificado, exibindo muitas vezes células caliciformes e ciliadas -A parede do cisto é composta de tecido conjuntivo fibroso com tecido muscular esquelético adjacente. A inflamação pode ser observada quando a lesão está secundariamente infectada. Tratamento e Prognóstico - O tratamento de eleição consiste na remoção cirúrgica total por acesso intraoral. -Como a lesão geralmente está próxima ao assoalho nasal, muitas vezes é necessário retirar uma parte da mucosa nasal para garantir a remoção completa da lesão. -A recidiva é rara. CISTO DO DUCTO NASOPALATINO (CISTO DO CANAL INCISIVO) - é o cisto não odontogênico mais comum da cavidade oral, ocorrendo em cerca de 1% da população. Acredita-se que ele se origine de remanescentes do ducto nasopalatino, uma estrutura embrionária que liga a cavidade nasal e oral na região do canal incisivo. Características Clínicas e Radiográficas - é mais comum entre a quarta e a sexta década de vida. - Os sintomas mais comuns incluem tumefação da região anterior do palato, drenagem e dor - muitas lesões são assintomáticas, sendo identificadas em radiografias de rotina. - Em raros casos, um cisto grande pode produzir uma expansão “completamente” flutuante, envolvendo a região anterior do palato e a mucosa alveolar. - As radiografias geralmente exibem uma lesão radiolúcida bem circunscrita próxima ou na linha média da região anterior de maxila, entre os ápices dos incisivos centrais - A lesão em geral é redonda ou oval, com uma borda esclerótica. - Alguns cistos podem ter um formato de pêra invertida, possivelmente devido à resistência das raízes dos dentes adjacentes. Outros casos podem exibir o formato clássico de coração Características Histopatológicas - Muitas vezes, mais de um tipo de epitélio é encontrado no mesmo cisto. O epitélio pavimentoso estratificado é o mais comum, estando presente em 75% de todos os cistos. O epitélio colunar pseudoestratificado tem sido observado com frequência que varia desde um terço até três quartos de todos os casos. -Os componentes da parede do cisto podem auxiliar no diagnóstico. Em virtude de o cisto do ducto nasopalatino se originar do canal incisivo, nervos de tamanho moderado, arteríolas e veias são frequentemente encontrados na parede do cisto -Pequenas glândulas mucosas têm sido observadas em um terço dos casos. Em alguns casos, podem ser encontradas pequenas ilhas de cartilagem hialina. Tratamento e Prognóstico - Os cistos do ducto nasopalatino são tratados por enucleação cirúrgica. -A biopsia é recomendada porque não é possível diagnosticar a lesão pela radiografia, e existem outras lesões benignas e malignas semelhantes ao cisto do ducto nasopalatino. - A recidiva é rara. Foi relatada transformação maligna em alguns casos escassos, mas esta é uma complicação extremamente rara. CISTO DERMOIDE (CISTO DISONTOGÊNICO) - consiste em uma malformação cística do desenvolvimento incomum. Tal cisto é revestido por epitélio semelhante à epiderme, e na parede, contém estruturas anexas da derme. -Geralmente é considerado uma forma cística benigna do teratoma (Por definição, um teratoma verdadeiro é um tumor do desenvolvimento composto por tecidos derivados de um ou mais folhetos germinativos) Características Clínicas e Radiográficas - ocorrem com mais frequência na linha média do assoalho da boca - Os cistos dermóides da cavidade oral podem variar de alguns poucos milímetros até 12 cm de diâmetro. São mais frequentes em crianças e adultos jovens; 15% dos casos relatados são de origem congênita. Características Histopatológicas - são revestidos por epitélio pavimentoso estratificado ortoqueratinizado, com uma camada granulosa proeminente. -É comum encontrar abundante queratina no interior da luz do cisto. Em raras ocasiões, pode-se ver áreas de epitélio respiratório. -A parede cística é composta por tecido conjuntivo fibroso que contém um ou mais anexos cutâneos, tais como glândulas sebáceas, folículos pilosos ou glândulas sudoríparas Tratamento e Prognóstico - Os cistos dermoides são tratados por remoção cirúrgica. - A recidiva é incomum. São raros os relatos de transformação maligna em carcinoma epidermoide. CISTO LINFOEPITELIAL ORAL - lesão rara da cavidade oral, que se desenvolve dentro do tecido linfoide oral. - O tecido linfoide é normalmente encontrado na cavidade oral e faringe, consistindo principalmente no anel de Waldeyer, o qual inclui as tonsilas linguais e palatinas e as adenoides faringianas. - tonsilas orais acessórias e agregados linfoides podem ocorrer no assoalho de boca, superfície ventral de língua e palato mole. Características Clínicas - O cisto linfoepitelial oral se apresenta como uma massa submucosa pequena, em geral menor que 1 cm de diâmetro; em raros casos, a lesão será maior que 1,5 cm -Caracteristicamente, a lesão é branca ou amarela e muitas vezes contém em sua luz queratina com aspecto caseoso ou cremoso. Características Histopatológicas - O exame microscópico do cisto linfoepitelial oral demonstra uma cavidade cística revestida por epitélio pavimentoso estratificado sem projeções para o conjuntivo -Esse epitélio é classicamente paraqueratinizado com células epiteliais descamadas preenchendo a luz do cisto. Em raras ocasiões, o revestimento epitelial pode, também, conter células mucosas. Tratamento e Prognóstico -O cisto linfoepitelial oral é tratado por excisão cirúrgica - recidiva geralmente não ocorre. Cisto epidermoide - desenvolvem-se após uma inflamação localizada dofolículo piloso e é provável que representem uma proliferação não neoplásica do epitélio infundibular resultante do processo de cicatrização. Características Clínicas - representam aproximadamente 80% dos cistos foliculares cutâneos e são mais comuns em áreas propensas ao desenvolvimento de acne na cabeça, pescoço e costas. - Os cistos epidermoides se apresentam como lesões nodulares subcutâneas, flutuantes, que podem estar associados ou não à inflamação - são cistos preenchidos por queratina que lembram miniaturas de cistos epidermoides Características Histopatológicas - cisto epidermoide revela uma cavidade revestida por epitélio pavimentoso estratificado lembrando a epiderme -Observa-se uma camada granulosa bem desenvolvida, e a luz é preenchida por ortoqueratina degenerada. Tratamento e Prognóstico -geralmente são tratados pela excisão cirúrgica conservadora - a recidiva é incomum. -Já foi relatada transformação maligna, porém é extremamente rara.