Prévia do material em texto
1 TRATADO DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA Inclui Introdução à Detecção de Gases e a NR 33 Contatos com o autor: joao_munhoz@farbene.com.br Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2 “Tudo é veneno; nada é veneno. Depende da quantidade”. (Paracelso, séc. XVI). Ampliando o conceito: “Tudo é veneno; nada é veneno. Depende da dose e do tempo de exposição”. (Engº André Lopes Netto, 2002) “Ainda que os operários cubram seu rosto, absorvem pelo nariz e pela boca revoluteantes átomos de gesso que penetram nas vias respiratórias e, misturados à linfa, se aglutinam em nódulos ou se incrustam nos sinuosos condutos pulmonares, interceptando a respiração”. (Bernardo Ramazzini em As Doenças dos Trabalhadores, 1700)·. Realização, na vida, é poder ensinar tudo o que se aprendeu de bom. João Antonio Munhoz, 2005. Agradecimentos: O autor agradece ao Sistema Brasileiro de Proteção Respiratória – SBPR (Produtos Air Safety®) a colaboração prestada, a permissão para utilização de fotos de seus equipamentos neste trabalho, o acesso às muitas informações recolhidas, que resultaram neste material de alto nível técnico exclusivamente para auxiliar o profissional da segurança do trabalho no desempenho das suas funções. Todas as marcas e modelos de equipamentos mencionados neste trabalho pertencem ao SBPR. Nossos agradecimentos, também, aos muitos alunos dos Cursos de Proteção Respiratór ia que ministramos há tantos anos e que, de boa vontade, concordaram em colocar os respiradores e permit i ram serem fotografados usando os mesmos para i lustrar este trabalho, que não é vendido , mas distr ibuído gratuitamente aos prof iss ionais da Segurança do Trabalho. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3 ÍNDICE PÁGINA 1ª Parte Introdução à Detecção de Gases 05 Capítulo I – Definições 05 Capítulo II – Classificação dos Gases Tóxicos 06 Capítulo III – Unidades de Medidas 08 Capítulo IV – Toxicologia 09 Vias de absorção dos venenos 10 2ª Parte Proteção Respiratória 12 Capítulo V – A Respiração humana 12 O aparelho respiratório – Mecanismo da Respiração 13 Consumo de ar e Trabalho Realizado 14 Capítulo VI – Classificação dos Equipamentos de Proteção Respiratória 15 Peças Faciais 17 A – Peças Faciais de Ajuste Firme 17 B – Peças Faciais de Ajuste Solto 21 Fator de Proteção Atribuído 21 Capítulo VII – Ensaios de Vedação em Respiradores 22 Capítulo VIII – Treinamento dos Usuários 25 Capítulo IX – Equipamentos Dependentes 26 Respiradores Purificadores de Ar 26 Filtros Mecânicos 26 Mecanismos de filtragem de aerodispersóides 27 Peça Semifacial Filtrante (Respirador descartável) 30 Peça Semifacial Filtrante para Gases e Vapores 32 Filtros Mecânicos para Peças Faciais Não Descartáveis 34 Proteção Respiratória para área da saúde Considerações sobre Tuberculose 35 Filtros Químicos 35 Adsorção 37 Capítulo X – Carvões Ativos 39 Carvões Utilizados pelo SBPR 42 Códigos de Identificação de Filtros Químicos 42 Máxima Concentração de uso de Filtros Químicos 43 Definições de Ambientes I.P.V.S. 47 Nomenclatura de Filtros 48 Respiradores de Fuga 49 Vida de filtros respiratórios 54 Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 4 Capítulo XI – Equipamentos Independentes 55 Espaços Confinados 55 Equipamentos com Linha de Ar Comprimido 56 Filtros de Linha 57 Mangueiras 57 Arcosemi 58 Arcopan 59 Arconova e PAR 4000 59 PAR 8000 61 Equipamento com Linha de Ar Comprimido dotado de Cilindro Auxiliar – CARLA 62 Equipamentos Autônomos de Ar Comprimido 65 Equipamento Autônomo para Inspeções Rápidas Rapid 15 74 Ensaio da Qualidade do Ar Comprimido 75 Capítulo XII – Inspeções, Manutenções e Check List para Respiradores 76 Testes rápidos a pressões positiva e negativa 77 Lavagem e Higienização de Respiradores 80 Considerações Finais 81 Bibliografia 81 Anexo 1 – Tabela com concentrações I.P.V.S. e Limites de Tolerância 82 Anexo 2 – NR 33 88 Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5 1ª Parte INTRODUÇÃO À DETECÇÃO DE GASES CAPÍTULO I – DEFINIÇÕES Gases e vapores, sob o ponto de vista dos efeitos no organismo humano e na explosividade são a mesma coisa. Conceitualmente, no entanto, podemos defini-los assim: GASES – substâncias cujas moléculas se encontram dispersas pelo ar; têm mobilidade, pois se difundem e ocupam todo o espaço disponível. Em temperaturas e pressões ambientais usuais, encontram-se sempre no estado gasoso – somente poderão ser liquefeitas quando submetidas a altas pressões e baixas temperaturas. Os gases se armazenam em cilindros ou reservatórios especiais ou podem ser conduzidos através de tubulações apropriadas. São exemplos de gases: oxigênio, cloro, amônia, dióxido de enxofre, gás sulfídrico, nitrogênio, etc. Em qualquer situação, quando lidamos com gases, é grande a chance de termos vazamentos. VAPORES – São moléculas dispersas pelo ar ambiente no estado gasoso, provenientes da evaporação de produtos que se encontram no estado líquido. Quanto maior a temperatura ambiente, maior será o índice de evaporação, conseqüentemente maior a concentração desses vapores no ar. Podem representar efeitos tóxicos ou explosivos semelhantes aos dos gases. São exemplos de vapores: solventes, álcoois, éteres, hidrocarbonetos (inclusive clorados). Uma das conseqüências principais da exposição prolongada a vapores como estes é que eles causam dependência física por terem odores agradáveis. OUTRAS DEFINIÇÕES (AERODISPERSÓIDES) Os aerodispersóides são definidos como uma reunião de partículas, sólidas ou líquidas, suspensas em um meio gasoso pelo tempo suficiente para permitir a observação ou medição. O tamanho das partículas presentes em um aerodispersóide varia na faixa de 0,001 a 100 µm. Poeiras - Partículas sólidas geradas mecanicamente por abrasões mecânicas tais como: manuseio, esmagamento, moagem, impactos rápidos, e detonação, de materiais orgânicos ou inorgânicos tais como rochas, minérios, metais, carvão, madeira, grãos, etc... . As poeiras não tendem a flocular, exceto sob força eletrostática; elas não se difundem no ar, mas se deslocam sob a ação da gravidade. São encontradas em dimensões que variam de 0,5 a 10 µm e geralmente têm formas irregulares. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6 Fumos - Partículas sólidas geradas pela condensação a partir do estado gasoso, geralmente após volatilização de metais fundidos ou outros materiais e sempre acompanhadas por uma reação química como a oxidação. Os fumos floculam e algumas vezes coalescem.São encontrados em dimensões entre 0,01 e 0,3 µm Névoas - Gotículas de líquidos suspensas geradas pela condensação de substâncias do estado gasoso para o líquido, ou pela passagem do líquido para um estado disperso, como pela ação de spray, espumação e atomização. São de dimensões que variam entre 5 e 100 µm. Organismos vivos – Bactérias e vírus em suspensão no ar, com dimensões entre 0,001 e 15 µm. As partículas expressas em mícron (µm) são as mais importantes no estudo da proteção contra material particulado (aerodispersóides). As menores de 10 µm de diâmetro têm mais facilidade para penetrarem no sistema respiratório As menores de 5 µm são mais fáceis de alcançar os alvéolos pulmonares. Quando os pulmões são sadios, as partículas maiores de 5 µm de diâmetro são expelidas pelo sistema respiratório pela constante ação de limpeza do epitélio ciliado do sistema respiratório superior. A eficiência desta ação pode, no entanto, ser consideravelmente inferior no caso de uma exposição excessiva a poeiras dos indivíduos com o sistema respiratório enfermo. CAPÍTULO II - CLASIFICAÇÃO DOS GASES 1. IRRITANTES 1.1 Irritantes primários 1.1.1 De ação sobre as vias respiratórias superiores Gás Clorídrico HCl Ácido Sulfúrico (H2SO4) Amônia (NH3) Soda Cáustica (NaOH) Formaldeído (CH2O) 1.1.2 De ação sobre os brônquios Anidrido Sulfuroso (SO2) Cloro (Cl2) 1.1.3 De ação sobre os pulmões Ozônio (O3) Gases Nitrosos (NO + NO2), Hidrazina Fosgênio (COCl2) 1.2 Irritantes Atípicos Acroleína (Aldeído Acrílico) (CH2CHCHO) Gases Lacrimogêneos Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 7 1.3 Irritantes Secundários Gás Sulfídrico (H2S) 2. ANESTÉSICOS 2.1 Anestésicos Primários Hidrocarbonetos alifáticos: Butano (C4H10) Propano (C3H8) Eteno (Etileno) (C2H4) Éteres Aldeídos (Formol, Acetaldeído, etc.). Cetonas (Acetona, Metil Etil Cetona, etc.). 2.2 Anestésicos de efeitos sobre as vísceras Hidrocarbonetos clorados: Tetracloreto de Carbono (CCl4) Tricloretileno (CCl2=CHCl) Percloretileno (CCl2=CCl2), etc. 2.3 Anestésicos de ação sobre o sistema formador do sangue Hidrocarbonetos aromáticos: Benzeno (C6H6) Tolueno (C6H5CH3) Xileno ( C6H4(CH3)2 ) 2.4 Anestésicos de ação sobre o sistema nervoso Álcoois: Álcool Metílico (CH3OH) Álcool Etílico (C2H5OH) Ésteres de Ácidos Orgânicos (Acetatos de Etila e Metila, etc.). Dissulfeto de Carbono (CS2) 2.5 Anestésicos de ação sobre o sangue e sistema circulatório Nitrocompostos orgânicos: Nitrotolueno (CH3C6H4NO2) Nitrito de Etila (C2H5ONO) Nitrobenzeno (C6H5NO2) Anilina (C6H5NH2) Toluidina (CH3C6H4NH2) Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 8 3. ASFIXIANTES 3.1 Asfixiantes Simples Fisiologicamente inertes: Hidrogênio (H2) Nitrogênio (N2) Hélio (He) Anestésicos fracos: Metano (CH4) Etano (C2H6) Acetileno (C2H2) 3.2 Asfixiantes Químicos Monóxido de Carbono (CO) Anilina (C6H5NH2) Gás Cianídrico (HCN) CAPÍTULO III - UNIDADES DE MEDIDAS DOS GASES E PARTÍCULAS Os instrumentos empregados na detecção de gases, vapores e material particulado fornecem resultados principalmente nas seguintes unidades de medida: ppm – partes por milhão, ou seja, partes do poluente gasoso contidas em um milhão de partes do ar que se respira. É a unidade de medida utilizada quando se estuda a toxicidade dos contaminantes e a insalubridade dos locais. Os limites de tolerância dos gases são expressos em ppm, bem como o limiar de percepção de gases pelo olfato. % vol – porcentual em volume, utilizada para exprimir grandes concentrações de gases, notadamente componentes de uma mistura, como por exemplo, os do ar que respiramos. 1% vol representa 10.000 ppm. mg/m3 – miligramas de contaminante por metro cúbico de ar respirado. Utiliza-se esta unidade em casos de presença de contaminantes particulados por metro cúbico de ar considerado. Veja o exemplo adiante, que representa os componentes do ar respirável em % volume e em ppm, do qual apenas se retirou o teor de umidade: Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 9 CAPÍTULO IV - TOXICOLOGIA O QUE É UM TÓXICO? Este capítulo no Tratado chama a atenção para os perigos à saúde dos trabalhadores que entram em contato com produtos químicos tóxicos. Primeiro devemos decidir: o que é um tóxico? Os produtos químicos são tóxicos. Isto quer dizer que qualquer produto químico seja tóxico? Sob o risco de incentivarmos uma “fobia a produtos químicos” diríamos que sim; quase todo mundo concorda com essa afirmação. É comum perguntarmos aos participantes de nossos cursos nomes de produtos químicos que não sejam tóxicos. Sempre que a água está incluída nos exemplos, lembramos à classe que um jornal britânico noticiou o caso de uma pessoa na Inglaterra que, acreditando que uma grande quantidade de água fosse boa para sua saúde, tomou tanta água que acabou morrendo devido à diluição da concentração de sais nos fluidos líquidos do seu organismo. Se você parar de tomar água só por ter lido isto, você não entendeu muito bem a situação. A principais palavras nas frases acima foram: “tomou tanta água”. A água, normalmente, é um produto químico muito seguro porque as quantidades que tomamos estão muito abaixo dos níveis que poderiam ser prejudiciais. No entanto, alguns prazeres derivados de sentarmo-nos à mesa e degustarmos um bom prato num bom restaurante desapareceriam se pensássemos que todo alimento não passa de uma mistura de produtos químicos. Qualquer um destes produtos isoladamente ingeridos em excesso poderia ser perigoso, mas é pouco provável que algum deles pudesse causar algum dano com as quantidades ingeridas num simples jantar. Uma das maiores responsabilidades dos toxicologistas é determinar qual nível de exposição a um determinado produto químico pode causar algum dano e qual nível é seguro. Já compreendemos a importância da detecção de gases e partículas nos locais de trabalho. COMPONENTE FÓRMULA % EM VOLUME (ppm) Oxigênio O2 20,93 (209.300) Nitrogênio N2 78,10 (781.000) Argônio Ar 0,9325 (9.325) Dióxido de Carbono CO2 0,03 (300) Hidrogênio H2 0,01 (100) Neônio Ne 0,0018 (18) Hélio He 0,0005 (5) Criptônio Kr 0,0001 (1) Xenônio Xe 0,000009 (0,09) Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 10 VIAS DE ABSORÇÃO DE VENENOS No sentido fisiológico, um material é tido como absorvido somente quando ele tenha ganhado entrada na corrente sangüínea e conseqüentemente tenha sido carregado para todas as partes do corpo. Algo que foi engolido e que é posteriormente excretado, mais ou menos sem mudanças, nas fezes, não foi necessariamente absorvido, mesmo que possa ter permanecido no sistema gastrintestinal por horas ou mesmo dias. A Toxicologia Industrial refere-se primeiramente a três rotas de absorção ou portas de entrada que os materiais podem utilizar para atingir a corrente sangüínea: a pele, o trato gastrintestinal e os pulmões. Absorção através da Pele . Antes da introdução de métodos modernos de tratamento da sífilis, uma parte do padrão de terapia consistia no tratamento com mercúrio. A efetividade dependiado fato que certas formas de mercúrio podem ser absorvidas através da pele intacta. Agora é reconhecido que absorção pela pele pode ser um fator significante em envenenamento ocupacional por mercúrio, bem como, um número de outras doenças industriais. No caso de metais além do mercúrio, entretanto, a entrada através da pele é relativamente sem importância, exceto para alguns compostos organometálicos, como chumbo tetraetila. A Absorção pela Pele tem como sua maior importância a relação com solventes orgânicos. É geralmente fato reconhecido que quantidades significantes destes compostos podem entrar no sangue através da pele tanto como resultado de contaminação direta acidental ou quando o material tenha sido espirrado sobre as roupas. Uma fonte adicional de exposição é encontrada na prática muito comum de usar solventes industriais para remoção de graxas e sujeira das mãos e dos braços, em outras palavras, para propósitos de limpeza. Este procedimento, incidentalmente, é uma grande fonte de dermatites. Absorção Gastrintestinal . O simples fato de que algo tenha sido colocado na boca e engolido, não significa necessariamente que tenha sido absorvido. Naturalmente quanto menos solúvel o material for, menor é a possibilidade de absorção. Era comum no passado a prática de atribuir certos casos de envenenamento ocupacional a hábitos sem higiene por parte da vítima, particularmente falta de lavagem das mãos antes de alimentar-se. Não há dúvidas de que alguns materiais tóxicos, utilizados na indústria, podem ser absorvidos através do trato intestinal, mas é agora genericamente acreditado que com certas exceções esta rota de entrada é de menor importância. Um caso ocorrido no Brasil há alguns anos, em Franca (SP) teve como rota de penetração de um agente tóxico (chumbo) o trato gastrintestinal. Foi constatado que as vítimas, algumas fatais, colocavam pregos para sapatos nos lábios, estando desta maneira ingerindo quantidades muito elevadas de chumbo que se encontrava presente nos pregos. Ingestão acidental de quantidades perigosas de compostos venenosos em uma única dose tem também sido registrada nos últimos anos. De maneira geral, pode ser dito que a absorção intestinal de venenos industriais é de menor importância e que a teoria de envenenamento das “mãos sujas” tem sido desacreditada. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 11 Absorção através dos pulmões . A inalação de ar contaminado é, de longe, o mais importante meio pelo qual os venenos ocupacionais ganham entrada no corpo. E com isso fica evidenciada a importância da Proteção Respiratória. É seguro estimar que pelo menos 90% de todo envenenamento industrial (excluindo dermatites) pode ser atribuído à absorção através dos pulmões. Substâncias perigosas podem estar suspensas no ar na forma de pós, fumos, névoas ou vapores, e podem estar misturadas com o ar respirável no caso de verdadeiros gases. Desde que um indivíduo, sob condições de exercício moderado irá respirar cerca de 10 metros cúbicos de ar no curso normal de 8 horas de trabalho diário, é prontamente entendido que qualquer material venenoso presente no ar respirável oferece uma séria ameaça. Felizmente, todos os materiais estranhos que são inalados não são necessariamente absorvidos pelo sangue. Uma certa quantidade, particularmente a que está num estado muito bem dividido, será imediatamente exalada. Outra porção do material particulado respirado é captada pela mucosa que se localiza na passagem do ar (traquéia) e é subseqüentemente expelida junto com o muco. Ligado a isso, é necessário ser mencionado que algum muco pode ser, consciente ou inconscientemente, engolido, desta maneira aumentando a oportunidade para absorção intestinal. Outras partículas são captadas por algumas células que podem entrar na corrente sangüínea ou serem depositadas em vários tecidos ou órgãos. Gases verdadeiros irão passar diretamente pelos pulmões até o sangue, da mesma maneira como o oxigênio no ar inspirado. Por causa do fato de que a grande maioria dos venenos industriais conhecidos pode a um certo tempo estar presente como contaminantes atmosféricos e verdadeiramente constituir uma ameaça potencial à saúde, programas diretamente relacionados à prevenção de envenenamento ocupacional, geralmente dão mais ênfase à ventilação para redução do perigo. Em primeiro lugar, faça um reconhecimento perfeito do ambiente de trabalho, que contaminantes que existem no ar e em que quantidade. Depois, você poderá planejar e implementar a melhor proteção respiratória para seus trabalhadores. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 12 2ª Parte PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA CAPÍTULO V - A RESPIRAÇÃO HUMANA O corpo humano é comparável a uma indústria química completa, tantas são as transformações que nele se processam. A energia química armazenada nos alimentos é transformada, após uma longa cadeia de reações, em energia cinética e energia térmica. Esta cadeia de reações sempre termina com uma reação típica de combustão, ou seja, a combinação de algum hidrocarboneto com oxigênio, resultando daí dióxido de carbono, vapor de água e energia. Esta é a reação de combustão da glicose: C6H12 O6 +6O2 6CO2 + 6H2O + energia O meio de transporte que leva oxigênio a todas as células do nosso organismo é o sangue. A tarefa de transportá-lo através do corpo é uma das funções do aparelho circulatório, bem como recolher o produto da reação, o dióxido de carbono, e levá-lo até os pulmões para que seja expelido no ar expirado. O oxigênio é o único componente do ar respirável vital à nossa sobrevivência. Nosso organismo adaptou-se ao longo de milhões de anos à composição do ar que já vimos. A presença de qualquer gás ou aerodispersóide no ar que se respira vai causar uma perturbação no organismo humano que variará conforme parâmetros como: características do contaminante, concentração, tempo de exposição, esforço físico despendido no trabalho, etc. Respirar uma concentração reduzida de oxigênio também poderá causar distúrbios ao organismo. Podemos considerar, portanto, que o “ar respirável”: 1. Deve conter, no mínimo, 19,5 % vol. de oxigênio, 2. Deve estar livre de substâncias prejudiciais à saúde que, através da respiração, possam ser inaladas e causarem distúrbios no organismo ou envenenamentos, 3. Deve se encontrar no estado apropriado para a respiração, isto é, ter pressão e temperatura que, em hipótese alguma, possam levar a queimaduras ou congelamentos, 4. Não deve conter qualquer substância que o torne desagradável (cheiros, sabores, etc.). Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 13 O APARELHO RESPIRATÓRIO – MECANISMO DA RESPIRAÇÃO A respiração humana é um processo complexo, onde muitas variáveis apresentam características importantes. O caminho que as partículas de poeira percorrem no sistema respiratório é constituído pelo nariz, boca, faringe, laringe, árvore traqueobronquial e alvéolos pulmonares. Portanto, os principais elementos do aparelho respiratório são: • Vias aéreas superiores (nariz e boca) • Laringe • Faringe • Traquéia • Pulmões, onde se localizam brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares Os pulmões se localizam na caixa torácica e a preenchem quase que totalmente. Cada pulmão tem a forma de um cone irregular, com cerca de 25cm de altura. A - Cavidade Nasal B - Faringe C – Laringe D – Traquéia E - Alvéolos F – Árvore Bronquial G – Diafragma Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 14 Os brônquios penetram nos pulmões e ali se ramificam. Cada ramo penetra num lobo e em seu interior volta a se ramificar de modo a estabelecer ligações independentes com os diversos segmentos que compõem cada lobo. Dentro dos segmentos, os bronquíolos continuam a se ramificar, até formarem os diminutos bronquíolos respiratórios, dos quais provêm os condutos alveolares. Estes se abrem em dilatações chamadas sáculos alveolares que, por sua vez, se abrem em alvéolos pulmonares. Uma pessoa adulta pode ter aproximadamente 700 milhões destes alvéolos. É nos alvéolos pulmonares que se dá a troca gasosa. Nesse setor, o oxigênio do ar inalado se une à hemoglobina do sangue e por esta é transportado às células. Aqui também o gás carbônico produto da reação começa a ser transportado para ser eliminado depois. Quando uma partícula de aerodispersóide consegue chegar até o alvéolo, ela simplesmente lá se aloja para sempre, inutilizando sua capacidade de troca gasosa. Quantos mais alvéolos estiverem assim inutilizados, maiores as evidências de doenças pulmonares, de acordo com o tipo de contaminante. Durante o processo respiratório, os gases presentes no ar que se respira, por sua vez, também podem produzir efeitos mais ou menos severos, agudos ou crônicos, conforme sua natureza. CONSUMO DE AR E TRABALHO REALIZADO A demanda de ar respirável pelo homem não é uma constante: ela depende do tipo de trabalho realizado (esforço físico), idade, estado físico do indivíduo, estado emocional, etc. A referência-padrão para o consumo de ar pelo corpo é o Volume Respirado por Minuto. A tabela a seguir, foi baseada em publicação do “U.S. Navy Diving Manual”: Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 15 ATIVIDADE TRABALHO CONSUMO DE OXIGÊNIO (l/min) VOLUME RESPIRATÓRIO (l/min) RENDIMENTO (Watt) Descansando Deitado Sentado Em pé 0,25 0,30 0,40 6 7 9 - - - Trabalho Leve Andando a 3,2 km/h Nadando devagar a 0,9 km/h 0,70 0,80 16 18 30 40 Trabalho Médio Andando a 6,5 km/h Nadando a 1,6 km/h 1,20 1,40 27 30 80 95 Trabalho Pesado Nadando a 1,85 km/h Pedalando a 21 km/h Correndo a 12 km/h 1,80 1,85 2,00 40 45 50 130 140 145 Trabalho Pesadíssimo Nadando a 2,2 km/h Correndo a 15 km/h Subindo 100 degraus/min Correndo Morro acima 2,50 2,60 3,20 4,00 60 65 80 95 185 200 250 290 CAPÍTULO VI - CLASSIFICAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA A Instrução Normativa nº 1 do Ministério do Trabalho em Emprego, de 11 de abril de 1994 apresentou o “Programa de Proteção Respiratória” com recomendações de seleção e uso dos equipamentos de proteção respiratória. Lá se encontram as práticas aceitáveis para usuários de respiradores, com informações e orientações sobre o modo apropriado de selecionar, usar e cuidar dos equipamentos, além de conter os requisitos para o estabelecimento e melhoria de um Programa de Proteção Respiratória. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 16 CAPA DO PPR – PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO – INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 01 DE 11/04/1994 Esta publicação, que deve sempre estar ao lado do profissional de segurança do trabalho para consulta, esteve à venda na Fundacentro. Na época da presente revisão deste Tratado, foi divulgada a forma de obter este Programa sem custo. Pode ser baixado no site www.fundacentro.gov.br sob o título “tratadodeprotecaorespiratoria.pdf. . Também será útil ao profissional de segurança que queira executar o Programa de Proteção Respiratória em sua empresa, consultar e inteirar-se dos procedimentos de elaboração adotados em outros países para, então, adotar conduta mais completa e adequada. Os respiradores oferecem proteção de duas formas: ou removendo o contaminante do ar antes que ele seja inalado ou suprindo ar respirável de uma fonte independente de abastecimento. A classificação principal dos tipos de respiradores está baseada nessas categorias. Um respirador que remove os contaminantes do ar é chamado respirador purificador de ar. Um que forneça ar de uma fonte externa é chamado respirador supridor de ar ou respirador com linha de ar. Ambos os tipos podem ser subclassificados pelo tipo de cobertura das vias aéreas e pelo modo de operação. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 17 A finalidade básica de qualquer respirador é, simplesmente, proteger o sistema respiratório da inalação de contaminantes presentes na atmosfera em locais de trabalho. Sempre que as medidas de engenharia não puderem eliminar totalmente esses contaminantes, recorre-se à proteção respiratória. Os respiradores oferecem proteção tanto removendo os contaminantes do ar antes que este seja inalado quanto suprindo ar respirável de uma fonte independente. As principais classificações de tipos de respiradores estão baseadas nestas categorias. Um respirador que remova contaminantes do ar ambiente é chamado de respirador purificador de ar. Um respirador que forneça ar de uma fonte diferente daquela da atmosfera circundante é um respirador supridor de ar. Ambos os tipos de respiradores podem, depois, ser subclassificados pelo tipo de cobertura das vias respiratórias (Peças Faciais) e pelo modo de operação. Para facilidade de estudo, podemos classificar os equipamentos de proteção respiratória em: DEPENDENTES: sua utilização depende das condições do ambiente onde o usuário vai desempenhar suas tarefas tais como: concentração dos contaminantes e concentração do oxigênio no ar. São exemplos clássicos desta família os respiradores purificadores de ar (respiradores com filtros). INDEPENDENTES: a utilização destes respiradores independe das condições reinantes no ambiente onde eles serão utilizados, pois os usuários respiram um ar já purificado, através de mangueiras de ar ou dos equipamentos autônomos de ar comprimido. PEÇAS FACIAIS Antes do estudo da Proteção Respiratória propriamente dito, vejamos os tipos de peças faciais que podemos empregar, pois muitas delas são utilizadas na construção de vários tipos de equipamentos de proteção respiratória. Tomaremos como exemplos, na maioria dos casos, aqui e em outros capítulos deste Tratado, os equipamentos produzidos pela empresa SBPR - Sistema Brasileiro de Proteção Respiratória Ltda., que têm como marca registrada Air Safety. Poderemos dividir o estudo das peças faciais em: A - Peças Faciais de Ajuste Firme ao rosto do usuário Peças Bocais – em respiradores de fuga, tendo dispositivo envolvido pelos lábios onde se dá a vedação e seguro pelos dentes do usuário, dotados de uma pinça nasal para impedir respiração pelo nariz, com filtros, indicados para uso em situações de fuga quando houverescape de gases tóxicos. Não permitem comunicação entre quem usa e outras pessoas. Após o uso, o filtro é descartado, sendo o restante aproveitado após lavagem, higienização e reposição de filtro e Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 18 lacres. São de uso por tempo limitado, apenas nas situações de auto-salvamento. O ajuste firme neste caso não se refere à vedação ao rosto. Peça Bocal (usada em respiradores de fuga com filtro) Peças Quarto Faciais – peças faciais que cobrem a boca, o nariz e se apóiam sobre o queixo. Respirador com peça Quarto Facial Peças Semifaciais – peças faciais que cobrem a boca, o nariz e se apóiam sob o queixo. Servem como barreiras contra a atmosfera contaminada e como peça principal de construção dos respiradores purificadores de ar ou supridores de ar às quais elementos podem ser agregados. Podem e devem sofrer manutenção, limpeza e higienização, substituindo-se as peças gastas por outras novas. Também os respiradores descartáveis se enquadram nesta definição, sendo peças faciais filtrantes, onde o próprio meio filtrante é usado para fabricação do respirador. Por serem descartáveis, não são passíveis de manutenção. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 19 O SBPR, por exemplo, oferece ao mercado quatro modelos de respiradores semifaciais para escolha direta do usuário ou profissional de segurança. São eles: o Air Tox I, o Air Tox II, o Verna e o Air San. Lembremos que os descartáveis também são considerados respiradores semifaciais. Respiradores com Peças Semifaciais Os respiradores com peça semifacial são confeccionados com borracha flexível, silicone, neoprene ou ainda outros materiais. Incorporam tirantes de elásticos com ou sem cobertura de fios de tecido, com quatro pontos de fixação. Os modelos de respiradores semifaciais oferecem excelente vedação ao rosto do usuário, adaptando-se facilmente a praticamente todos os tipos de rostos. A tecnologia que se adota na fabricação de respiradores purificadores de ar (respiradores que utilizam filtros) determina seu visual: européia, com apenas 1 filtro posicionado frontalmente, o que se constitui numa solução que oferece conforto ao usuário, e americana, com respiradores de 2 filtros. O SBPR fabrica os seus respiradores semifaciais e faciais inteiros com as duas tecnologias, facilitando a escolha do profissional de segurança do trabalho. A escolha do respirador deve recair naquele modelo que ofereça o maior conforto ao usuário e vedação perfeita, reconhecido após execução dos Ensaios de Vedação de que tratam os diversos PPR existentes no mundo. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 20 A troca dos filtros é fácil e todos os componentes dos respiradores podem ser também facilmente substituídos. Peças faciais inteiras – peças faciais que cobrem boca, nariz e olhos. Por protegerem os olhos, essas peças faciais são dotadas de um visor, apresentando também outras características que as tornam as peças faciais que melhor vedação e conforto oferecem aos usuários, como: dupla vedação labial, cinco pontos de fixação, mascarilha interna, alça para transporte e membrana acústica, que permite comunicação entre os usuários. Essas peças faciais inteiras podem ser utilizadas com filtros, com respiradores com linha de ar e nas máscaras autônomas de ar comprimido. Neste caso pode ser necessária uma adaptação para correção da visão do usuário. Igualmente neste caso, os respiradores podem facilmente sofrer manutenção e substituição de peças de reposição. Modelos de peças faciais inteiras de 1 via (um filtro): a Full Face e a Star Air. Modelo Full Face corpo preto Modelo Star Air Modelo de Peça Facial Inteira de 1 via (um filtro) : Peça Facial Inteira modelo Full Face de 1 via (1 filtro) Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 21 Modelo de Peça Facial Inteira de 2 vias (dois filtros) que o SBPR produz para atender às preferências de mercado: Respirador com Peça Facial Inteira modelo Absolute B - Peças Faciais de Ajuste Solto no rosto do usuário Capuzes e Capacetes, não abordados neste Tratado. São projetados para oferecer uma vedação parcial ao rosto do usuário, não cobrem pescoço e ombros e podem ou não oferecer proteção à cabeça. Basicamente só oferecem proteção contra partículas. Aqui se incluem os respiradores motorizados FATOR DE PROTEÇÃO ATRIBUÍDO É a mínima proteção respiratória que se espera de uma certa classe de respiradores. Exemplo: Um respirador FPA 10 deve reduzir 10 vezes dentro dele a concentração externa do contaminante. Se o ambiente contiver 15 ppm de um gás, espera-se dentro do respirador uma concentração máxima de 1,5 ppm. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 22 Alguns exemplos: Tipo de respirador Peça Semifacial Peça Facial Inteira Purificador de ar (uso com filtros) 10 100 Uso com Linha de Ar - sem pressão positiva - com pressão positiva - de fluxo contínuo 10 50 50 100 1000 1000 Máscara Autônoma - com pressão positiva N/A 10.000 (nem todos os usuários alcançam este nível) De onde se tirou o conceito de Fatores de Proteção para os respiradores? O U. S. Bureau of Mine, dos Estados Unidos, refere-se ao termo “fator de descontaminação” nos seus primeiros estudos em 1965 e o definia como sendo “a relação entre a concentração de poeiras, fumos ou névoas presentes na atmosfera e a concentração deles dentro da peça facial que está sendo usada”. Em 1975, o OSHA e o NIOSH desenvolveram conjuntamente uma Decisão Lógica sobre Respiradores e que depois foi atualizada em 1987. Os Laboratórios Nacionais de Los Alamos desenvolveram um conjunto de fatores de proteção baseados em ensaios de laboratório com respiradores dentro de câmaras especiais assim como durante os ensaios de vedação. Em época mais recente ainda, os FPA envolveram estudos mais abrangentes. CAPÍTULO VII - ENSAIOS DE VEDAÇÃO DE RESPIRADORES É o uso de um agente de teste para determinar a habilidade individual de se obter no usuário uma vedação adequada quando utilizando um respirador especificado. Os Programas de Proteção Respiratória de diversos países exigem que cada trabalhador que utilize um respirador de ajuste firme seja submetido a ensaio de vedação para determinar se está utilizando um respirador adequado. Estes ensaios são também conhecidos como “Fit Testing”. É através da realização destes ensaios que podemos garantir a boa vedação dos respiradores no rosto dos usuários. A proteção respiratória eficiente depende, em grande parte, da vedação do respirador que o trabalhador está usando que por sua vez, depende das características faciais do mesmo. Nas últimas décadas, o sobrepeso e a obesidade das pessoas alcançaram proporções epidêmicas e constituem um caso marcante de saúde pública nos EstadosUnidos e em muitos outros países. O sobrepeso e a obesidade levam a mudanças na morfologia óssea e no tecido facial que podem estar associados com as dimensões da face. Ainda faltam mais dados sobre a influência do sobrepeso e da obesidade das pessoas no desenvolvimento de todos os equipamentos de proteção individual. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 23 Nem todos os respiradores têm vedação perfeita a todos os rostos dos usuários, daí a necessidade de se manter em estoque mais de um tipo de respirador para oferecer o melhor deles ao usuário, levando em conta inclusive sua preferência pessoal. O Sistema Brasileiro de Proteção Respiratória dispõe de respiradores semifaciais de 4 tamanhos diferentes para atender aos casos em que um determinado tipo ou tamanho não possa oferecer boa vedação. Fatores que podem prejudicar a boa vedação de um respirador: • Pelos faciais tais como barbas, bigodes, costeletas, etc. • Osso zigomático muito protuberante • Face muito delgada • Cicatrizes faciais • Óculos • Maquiagem • Próteses dentárias Com que freqüência se executa um ensaio de vedação? • Antes do uso inicial do respirador • Após isso, pelo menos uma vez ao ano • Sempre que o usuário reportar ou de alguma forma for observado que o usuário tenha sofrido mudanças físicas que poderiam afetar a vedação. Tais condições incluem, mas não se limitam a: alterações nas arcadas dentárias, cirurgias faciais ou alterações visíveis no peso corporal. Tipos de Ensaios de vedação Qualitativos: Aerossol de Sacarina (sabor doce) Aerossol de Bitrex (sabor amargo) Acetato de Isoamila (Óleo de Banana) Fumos irritantes Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 24 Etapa do Ensaio de Vedação Qualitativo com Spray de Sacarina Ensaio de Vedação Qualitativo em Câmara de Óleo de Banana (este ensaio não se aplica a respiradores descartáveis) Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 25 Quantitativos: Requerem instrumentação especial: • Geração de Aerossol • Aerossol Ambiental • Pressão Negativa Controlada Importante: também é indispensável uma avaliação médica do usuário para determinar se o mesmo está apto para utilizar qualquer tipo de respirador para desempenho de suas tarefas em ambientes contaminados. Há fatores que podem restringir a utilização dos respiradores, tais como: doenças pulmonares moderadas, hipertensão moderada, histórico de doenças cardíacas isquêmicas, portadores insulinodependentes de diabetes, certas doenças de pele como pseudo foliculite barbae. As condições que podem contra-indicar o uso de respiradores podem ser: doenças pulmonares graves, doenças cardíacas graves, hipertensão incontrolável, claustrofobia, anomalias faciais e problemas músculo-esqueléticos que interfiram no uso. Lembre-se que a avaliação do médico é importante para determinar se o funcionário está em condições de utilizar um respirador, qualquer que seja o modelo. CAPÍTULO VIII – TREINAMENTO DOS USUÁRIOS Sempre é conveniente lembrar que o TREINAMENTO dos usuários de qualquer EPI, principalmente os que usarão equipamento de proteção respiratória, é procedimento indispensável porque eles necessitam de todas as informações disponíveis para que possam utilizar seus equipamentos, reconhecendo e reportando ao seu supervisor qualquer anomalia encontrada. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 26 Todo fabricante de respiradores deve oferecer aos seus consumidores e usuários finais um completo treinamento para o bom uso dos equipamentos que fabrica. Dos profissionais de segurança do trabalho espera-se uma supervisão direta dos usuários dos equipamentos, devendo ter um mínimo de conhecimento dos mesmos. Um treinamento em proteção respiratória para os profissionais de segurança inclui: • Práticas básicas em Proteção Respiratória • Conhecimentos de seleção e uso de equipamentos para proteção dos empregados contra qualquer risco aos quais eles possam estar expostos. • Conhecimento da natureza e abrangência dos riscos aos quais os trabalhadores estão expostos. • Operação de toda a estrutura completa do Programa de Proteção Respiratória da sua empresa • Treinamento e reciclagem em técnicas de respiradores. Treinamento constante prepara os usuários para ação imediata quando necessário - CAPÍTULO IX - EQUIPAMENTOS DEPENDENTES RESPIRADORES PURIFICADORES DE AR FILTROS MECÂNICOS Os filtros mecânicos são destinados à proteção respiratória de usuários desempenhando suas funções em ambientes contendo material particulado no ar que respiram. Como material particulado, os aerodispersóides, entendem-se não somente as partículas sólidas mas também as partículas líquidas (gotículas). Entre estes aerodispersóides temos também névoas, fumos, vapores metálicos, radionuclídeos. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 27 Mecanismos de f i l tragem de aerodispersóides dos f i l tros mecânicos Os filtros mecânicos são de dois tipos: absolutos e não-absolutos. Os filtros absolutos utilizam uma espécie de seleção para remover as partículas do ar, isto é, eles excluem as partículas que têm diâmetro maior do que sua malha. No entanto, a maioria dos filtros mecânicos é do tipo não-absoluto, o que significa que eles podem conter malhas mais largas do que as partículas a serem removidas. Eles usam combinações de captura de interceptação, captura de sedimentação, captura de impacto inercial, captura por difusão e captura eletrostática para removerem as partículas. A exata combinação de mecanismos de filtragem adotada depende do fluxo de ar através do filtro e do tamanho das partículas. Captura de Interceptação À medida que as correntes de ar se aproximam de uma camada de fibra da manta filtrante perpendicular ao seu caminho, elas se espalham e se comprimem a fim de fluir ao redor da fibra e se juntam do outro lado (veja a figura abaixo). Se o centro da partícula nessas correntes de ar penetra a distância radial na fibra, ela encontra a superfície da fibra e é capturada. Quando o tamanho da partícula é maior, a probabilidade de captura de interceptação aumenta. Neste mecanismo, as partículas não se desviam do seu caminho original. Mecanismo de captura por interceptação Captura de sedimentação Somente partículas grandes (2µ ou maiores) são capturadas por sedimentação. Uma vez que este tipo de mecanismo de captura conta com a gravidade para trazer as partículas da corrente de ar, o fluxo através da manta filtrante deve ser baixo (veja a figura abaixo) Correntes de ar Interceptação FIBRA Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 28 Mecanismo de captura por sedimentação Captura de impacto inercial À medida que as correntes de ar se chocam e mudam de direção de repentepara passar em volta da fibra, as partículas com suficiente inércia não podem mudar de direção o suficiente para evitar a fibra. Assim elas se chocam na superfície da fibra (veja a figura abaixo). O tamanho, densidade, velocidade e forma da partícula determinam sua inércia. Mecanismo de captura por impacto inercial Captura por difusão O movimento de partículas menores é afetado pelas moléculas de ar que colidem com elas. As partículas, então, podem cruzar randomicamente a corrente de ar e encontrar a fibra enquanto passam. Veja a figura abaixo. Este movimento randômico é dependente do tamanho da partícula e da temperatura do ar. À medida que o tamanho das partículas diminui e a temperatura do ar aumenta, a atividade de difusão das partículas também aumenta. Isto aumenta a probabilidade da captura. Fluxos de ar menores através do filtro também aumentam a probabilidade da captura porque a partícula gasta mais tempo para passar pela área da fibra. Correntes de ar Sedimentação Gravidade Fibra Correntes de ar Impacto Fibra Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 29 Mecanismo de captura por difusão Captura eletrostática Na captura eletrostática, as partículas são carregadas e as fibras da manta filtrante têm cargas opostas. Portanto, as partículas são atraídas à fibra da manta filtrante. Veja a figura abaixo. O mecanismo de captura eletrostática das mantas filtrantes desta classe auxilia os outros mecanismos, especialmente os de interceptação e de difusão. Mecanismo de captura eletrostática Correntes de ar Difusão Fibra Partículas carregadas Fibra carregada Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 30 Peça Semifacial Filtrante – PFF (o mesmo que máscara ou respirador descartável) A Norma Brasileira NBR 13698 Peça Semifacial Filtrante para Partículas classifica os respiradores descartáveis em três classes de proteção, PFF1, PFF2 e PFF3, segundo ensaios de penetração de cloreto de sódio e/ou óleo de parafina, executados em equipamentos especiais em laboratório. Também mostramos os valores máximos segundo a Norma Européia EN 149:200: Tipo/Classe de Proteção Penetração de Solução de NaCl a 95 l/min NBR 13698 EN 149:2000 Penetração de névoa de óleo de parafina a 95 l/min NBR 13698 EN 149:2000 PFF1 Máx. 20% Máx. 20% - Máx. 20% PFF2 Máx. 6% Máx. 6% Máx. 2% Máx. 6% PFF3 Máx. 3% Máx. 1% Máx. 1% Máx. 1% Os respiradores descartáveis do SBPR constituem a linha Mask Face e são fornecidos nas 3 classes de proteção mencionadas. São embalados individualmente para melhor proteção contra poeiras durante o armazenamento e facilidade de colocação. Todas as Mask Faces são de formato flexível, de boa vedação ao rosto dos usuários, possuem pinça nasal moldável e duplos tirantes. Peças Faciais Filtrantes com e sem válvula de exalação – também compatíveis com uso simultâneo de óculos, capacetes, toucas etc. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 31 De forma geral, tendo sido projetadas como descartáveis e, portanto dispensando qualquer tipo de manutenção, as peças faciais filtrantes foram previstas para serem utilizadas durante no máximo uma jornada de trabalho, sendo descartadas depois e substituídas por outras novas. De qualquer forma, o momento em que deveremos substituir uma peça facial filtrante ou um cartucho filtrante contra aerodispersóides é determinado por um ou mais dos seguintes eventos: • o respirador apresenta visível sinal de impregnação do aerodispersóide ou se apresenta molhado, • o respirador apresenta sinais de danos, • o respirador oferece uma resistência à respiração maior do que quando era novo, • o usuário percebe sabor do contaminante. Os modelos Mask Face são produzidos com ou sem válvula de exalação. Os modelos com válvula de exalação são destinados ao uso em ambientes de temperaturas muito elevadas, que ocasionam suor abundante no usuário. As vantagens dos respiradores Mask Face são: flexibilidade, construídos em camadas que não fissuram quando o respirador é dobrado, perfeita vedação ao rosto do usuário. Como todos os respiradores, estes também têm limitações no uso, que são: • a concentração do oxigênio no local de uso deve ser de, no mínimo 19,5% em volume. Portanto exclui-se o uso de quaisquer respiradores purificadores de ar em espaços confinados; • o ambiente não pode conter qualquer concentração de gases tóxicos porque estes passariam direto pelo filtro; • a concentração dos aerodispersóides não pode ser maior do que 10 vezes seu limite de tolerância. Já podemos entender que um levantamento ambiental nos locais de trabalho, com manutenção de registros e repetição quando necessário, é fundamental para se estabelecer um Programa de Proteção Respiratória. Aplicação: em geral, podemos recomendar uma Peça Facial Filtrante PFF1 para proteção contra partículas sólidas de diâmetro grande tais como pó de metais, madeira, carvão, pedras, etc. Um respirador da classe PFF2 pode ser utilizado contra aerodispersóides de produtos químicos, névoas e fumos. Já um PFF3 deve ser empregado em ambientes contendo poeiras radiativas e poeiras finíssimas, sendo esses ambientes reconhecidos pela baixa velocidade de queda das partículas. Quando se adota o uso destes respiradores pela primeira vez, quando o usuário retirar o mesmo após sua jornada de trabalho, é importante observar o interior da peça, se não houve visível passagem do contaminante ou outro dano. Corrige-se o problema, se houver, adotando um respirador de classe superior ou mostrando ao usuário a forma correta de colocação. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 32 Aliás, nunca é demais repetir que o treinamento do usuário quanto ao uso e cuidados com seus respiradores, sejam eles de que tipos forem, é fator fundamental na sua proteção. O SBPR oferece cursos de proteção respiratória, manutenção e treinamentos no seu Centro de Treinamento ou na empresa usuária para complementar o trabalho do profissional de segurança do trabalho neste aspecto. Peça Semifacial Filtrante para gases e vapores Se, no ambiente de trabalho, encontrarem-se gases ou vapores, uma peça semifacial filtrante que proteja apenas contra aerodispersóides não oferecerá proteção. Nestes casos, o SBPR oferece um respirador que contém uma camada adicional de um material impregnado com carvão ativo. É essa camada extra a responsável pela adsorção dos gases e vapores presentes no ambiente, além da camada que retém os aerodispersóides, pois esses respiradores são do tipo combinado. Dessa forma, o programa Air Safety inclui os seguintes respiradores: Respirador Proteção contra aerodispersóides classe P2, mais: Mask Face FBC-1 VO PFF2 Vapores Orgânicos, solventes de uma forma geral Mask Face FBC-1 GA PFF2 Gases Ácidos Mask Face FBC-1 AB PFF2 Vapores Orgânicos + Gases Ácidos Sendo peças faciais filtrantes produzidas com filtros contra gases e vapores de baixa capacidade de adsorção, elas se enquadram, segundo a norma NBR 13696 na classe FBC-1 e a sua limitação de uso,além das já citadas para os respiradores contra aerodispersóides, é a concentração máxima de 50 ppm do contaminante ou o valor Limite de Tolerância; o que for menor. Atenção: não confunda o termo “baixa capacidade de adsorção” com equipamento de “baixa qualidade”. O usuário perceberá a saturação da camada de carvão ativo quando sentir o cheiro ou o sabor do contaminante através do respirador, indicando assim a necessidade imediata de substituição do respirador. Ou então perceberá um acréscimo na resistência respiratória, indicando que o filtro contra aerodispersóides já saturou, o que também determinará a substituição do respirador. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 33 Os gases e vapores sem ou com fracas propriedades de alerta como o cheiro, fazem com que não se recomende o uso de filtros, pois o usuário perde uma das suas principais armas para reconhecer o momento da troca. A ilusão da proteção de máscaras do tipo cirúrgico Estas máscaras apenas protegem os objetos com que o usuário está trabalhando, mas não são equipamentos de proteção individual. Nem oferecem vedação perfeita, nem seu material retém qualquer contaminante. Veja a figura abaixo e identifique o respirador não adequado, além da má colocação de um deles: E nesta figura , você pode identificar de que forma poderemos melhorar a vedação do respirador? Se você concluiu que o tirante superior deveria estar posicionado mais acima na cabeça do usuário, acertou ! Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 34 Outro exemplo de máscaras (?) que não oferecem proteção ao usuário FILTROS MECÂNICOS PARA PARTICULADOS EM PEÇAS FACIAIS NÃO DESCARTÁVEIS A classificação dos filtros para particulados a serem utilizados em respiradores não descartáveis segue a Norma Brasileira NBR 13697 e neste caso eles se classificam em P1, P2 e P3, segundo a penetração inicial máxima em ensaios com solução de cloreto de sódio e/ou óleo de parafina. Veja a tabela adiante: Classe do Filtro Penetração de Solução de NaCl a 95 l/min Penetração de névoa de óleo de parafina a 95 l/min P1 Máx. 20% - P2 Máx. 6% Máx. 2% P3 Máx. 0,05% Máx. 0,01% A série de filtros mecânicos do SBPR para os respiradores não descartáveis é a seguinte: a) – Filtros mecânicos das classes P2 e P3 para respiradores Air Tox I: b) – Filtros mecânicos das classes P2 e P3 para respiradores Air Tox II: c) – Filtros mecânicos das classes P2 e P3 para respiradores Verna d) – Filtros mecânicos das classes P2 e P3 para respiradores Air San Todos esses filtros, de fabricação nacional do SBPR, são produzidos com mantas que receberam tratamento eletrostático, aumentando assim sua eficiência de retenção de aerodispersóides. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 35 As limitações no uso dos filtros para estes respiradores são as mesmas já mencionadas para as peças faciais filtrantes. Considerações especiais sobre o uso de respiradores por pessoal da área de saúde na proteção contra o Bacilo de Koch (Tuberculose) A fim de prevenir a transmissão de TB, em 1996 o OSHA revisou antigos regulamentos do CDC americano (Centro de Controle de Doenças). Se sua área de atuação abrange tratamento com pessoas com TB, você deverá desenvolver na área, para o controle da exposição: 1) Listagem de classificação de cargos com exposição potencial 2) Listagem de tarefas profissionais e procedimentos adotados pelos empregados 3) Plano escrito de controle de exposição E para o seu Programa de Proteção Respiratória específico, distribuir respiradores com filtros mecânicos da classe P2 a empregados que: 1) Precisam entrar em salas de isolamento 2) Precisam desempenhar tarefas e procedimentos para indivíduos com infecção por TB, suspeita ou confirmada, e que não estejam usando máscara. 3) Precisam transportar indivíduos que não estejam usando máscara 4) Trabalhem em ambientes com ventilação controlada 5) Trabalhem em áreas onde estejam presentes indivíduos que não usem máscara e que tenham suspeita ou confirmação de infecção por TB 6) Trabalhem ou residam onde haja indivíduos que não estejam usando máscara e que tenham suspeita ou confirmação de infecção por TB Tanto o NIOSH como o OSHA admitem que “a reutilização de respiradores contra partículas é permitida para proteção contra tuberculose desde que esses respiradores não estejam danificados, sujos ou a resistência à respiração não seja grande o suficiente para causar desconforto ao usuário ou a integridade do respirador não esteja comprometida”. Acreditamos, no entanto, que neste caso tão especial, não se deva reutilizar um respirador, devendo o mesmo ser descartado após um único uso. FILTROS QUÍMICOS O filtro químico é aquele destinado a reter gases ou vapores específicos contidos no ar que o trabalhador respira durante a execução de suas tarefas. Geralmente, esses filtros apresentam-se na forma de um cartucho de alumínio internamente tratado ou de plástico, que contém o material sorbente que, por excelência, é o carvão de casca de coco. Então, um cartucho é um container contendo um adsorvente ou catalisador ou a combinação destes dois, que remove gases específicos quando estes passarem pelo cartucho. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 36 As propriedades adsorventes do carvão são conhecidas desde a Antigüidade. Utilizado durante muito tempo unicamente para filtrar água, ele foi introduzido no processo de purificação do açúcar a partir do Século XIII. No Século XVIII descobriu-se que o carvão possuía a capacidade de eliminar os odores dos gases e de descolorir líquidos. Também nessa época, implantou-se o processo de ativação do carvão, que multiplica por dez sua capacidade de adsorção. Desde então, o desenvolvimento desse produto não fez outra coisa senão avançar. Fizeram-se consideráveis progressos no campo dos processos de ativação e as aplicações do carvão ativo se ampliaram bastante, sendo que cada uma delas passou a exigir um produto específico. Da variedade das aplicações nasceu a variedade dos carvões ativos. E uma das aplicações mais importantes está na fabricação de filtros contra gases e vapores, que as pessoas vão utilizar com seus respiradores, evitando a exposição a esses produtos nocivos. Assim, conhecendo melhor os carvões ativos e suas propriedades, você poderá dialogar em melhores condições com seu fornecedor de filtros respiratórios e apreciar, como esperamos, as qualidades e aplicações dos filtros do SBPR. Peças Semi Faciais com Filtros Químicos Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 37 Peça Semi Facial modelo Air San com Filtro Mecânico Colocação da Peça Facial Inteira e modelo com Filtro Químico ADSORÇÃO A adsorção é um fenômeno físico ou químico no qual as moléculaspresentes num líquido ou num gás se fixam na superfície de um corpo sólido. Por superfície se entende não somente a superfície exterior, mas também e, acima de tudo, a superfície interior do corpo sólido, quando sua natureza é porosa. O fenômeno da adsorção provém da existência na superfície do sólido de forças não compensadas de natureza física. Em algumas ocasiões, pode tratar-se, também de forças químicas. As primeiras forças são eletrostáticas chamadas de Van der Waals. Estas são a origem da maior parte dos fenômenos de adsorção graças a uma ação rápida e pouco seletiva que não produz nenhuma modificação das moléculas adsorvidas. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 38 As segundas se produzem devido às interações químicas entre a molécula que vai ser adsorvida e a molécula adsorvente. Neste caso, a adsorção é um processo seletivo, que produz uma modificação das moléculas adsorvidas e geralmente irreversível. Assim, pois, a adsorção é um fenômeno de superfície, que não deve ser confundido com a absorção, a qual é produzida quando um líquido penetra num corpo poroso, enchendo-o, e sem que o líquido seja retido por outra força que não seja a da capilaridade. O exemplo típico de uma absorção é o da esponja que se enche de água. Em resumo, podemos definir o mecanismo da adsorção como sendo o fluxo das moléculas dos gases contaminantes difundindo-se dentro da estrutura porosa do adsorvente (carvão ativo), onde são removidas por: Adsorção física: forças de Van der Waals agindo entre o gás e o adsorvente. Esta é uma força física muito pequena e fraca. Adsorção química: acontece uma reação química entre o gás contaminante e os impregnantes do adsorvente, com a formação de um produto inerte. Catálise: ação catalítica transformando o gás contaminante em outro não- contaminante. Caso especial de filtros contra Monóxido de Carbono onde o catalisador é a Hopcalita, mistura de óxidos de cobre e manganês. Importante: apesar de que a adsorção se produz a qualquer concentração inicial do contaminante, ela é particularmente eficaz quando este se encontra presente em nível de traços. Isto torna a aplicação em filtros respiratórios altamente específica, porque aí nossa proteção é contra concentrações de até 5.000 ppm de gás, ou mesmo menores a espaços de tempos maiores. Concentrações acima deste valor vão exigir outros tipos de equipamentos de proteção respiratória. Veja mais adiante o Capítulo referente às máximas concentrações de uso de respiradores purificadores de ar. Todas as matérias que contêm carbono podem ser utilizadas na produção de carvão ativo, apesar de apenas 4 delas sejam utilizadas de forma industrial, devido ao custo, disponibilidade quantitativa e seu comportamento mecânico. São elas: casca de coco, madeira, turfa e hulha. Quanto à porosidade, os carvões ativos têm um diâmetro que pode variar segundo as necessidades, desde 5 até centenas de Ångstroms (1 Ångstrom = 10-10 m). Os poros são tantos que 1 grama de carvão ativo pode representar uma superfície interna que vai dos 700 aos 2.500 m2, segundo o grau de ativação, o que vale dizer, quase a metade da área de um campo de futebol, cuja área aproximada é de 7.700 m2. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 39 Por essa razão, os carvões ativos estão perfeitamente adaptados para que aconteça o fenômeno da adsorção na maioria dos processos industriais que o requeiram. O SBPR, na produção de toda a linha de filtros químicos, somente utiliza carvões ativos produzidos por fabricantes idôneos de várias partes do mundo, partindo da casca de coco e da madeira. CAPÍTULO X – CARVÕES ATIVOS Pontos-chave para compreensão dos carvões ativos Não existe apenas um tipo de carvão ativo, mas vários. Eles se diferenciam segundo parâmetros de qualidade que é importante conhecer. Isto porque um carvão, devido às suas características, pode ser eficaz e rentável, onde outros fracassam parcial ou totalmente. A Porosidade Os carvões apresentam poros de diâmetros diferentes. Falamos de microporos quando o diâmetro é inferior a 20Å, mesoporos quando o diâmetro oscila entre 20 e 500Å e macroporos quando ultrapassa os 500Å. A casca de coco permite fabricar carvões essencialmente micro porosos, enquanto a madeira destina-se fundamentalmente aos carvões meso e macro porosos. Escolhemos um ou outro destes carvões em função do tamanho das moléculas que queremos fixar e do grau de retenção desejado. A dureza e a resistência à abrasão Os carvões fabricados à base de casca de coco apresentam a peculiaridade de serem muito duros quando a tecnologia de fabricação está perfeitamente controlada. São matérias-primas que, ao resistirem muito bem ao desgaste por fricção, podem ser manipuladas sem que se pulverizem e, portanto não contaminam o processo e não perdem nada da matéria que devem captar. É com essa matéria-prima que são fabricados os carvões que o SBPR utiliza. A dureza da casca de coco é natural. Por isso não é necessário, como ocorre com os carvões ativos granulados feitos a partir de turfa ou minerais, adicionar um aglutinante para criar uma estrutura mecânica sólida. Um aglutinante que, negativamente, produz como resultado carvões não homogêneos e mais sensíveis aos oxidantes como o cloro e o ozônio. Deve ser ressaltado que, em contato com fase líquida, os carvões à base de madeira podem chegar a ser tão resistentes quanto o que são feitos à base de casca de coco. O fator-chave para isso é o meio líquido, o que induz o equilíbrio das forças internas no material, daí sua resistência à abrasão. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 40 A densidade Os carvões ativos fabricados à base de madeira têm menos densidade que aqueles fabricados à base de casca de coco. Por isso, são prioritariamente utilizados em aplicações que requerem uma leveza relativa, como os cartuchos que equipam os automóveis, onde a relação “atividade/preço” os tornam mais atrativos. O Grau de Ativação, a Superfície Específica, a Capacidade de Adsorção Estes três parâmetros estão intimamente ligados, pois quanto mais ativo é um carvão, mais desenvolve uma superfície específica e maior capacidade de adsorção alcança. A superfície específica varia principalmente em função do tempo decorrido no forno de ativação. Quanto maior este tempo, maior grau de ativação alcançará o carvão. Em outras palavras, seus poros são mais numerosos e mais profundos. A superfície específica se mede de acordo com o método BET (iniciais dos nomes dos seus autores: Brunauer, Emmet e Teller). Este método consiste em quantificar a superfície acessível às moléculas de um gás (nitrogênio ou argônio) nos poros do carvão ativo. Trata-se de um valor expresso em m2 por grama de carvão. Este método pode ser utilizado tanto para carvões ativos granulados como em pó. Existem várias formas de se expressar a capacidade de adsorção de um carvão. A mais utilizada hoje é o “índice butano”, que mede o número de gramas de butano adsorvido por 100g de carvão ativo. Seu valor pode oscilar entre 20 e 80%. Algumas normas fazem referência ao BWC (Butane Working Charge), um índice que mede o número de gramas de butano adsorvido por 100 ml de carvão, deduzida a quantidade restituída por desorção natural. É conveniente mencionar que o “índice butano” somente estima a capacidade deadsorção, já que todos os parâmetros estão relacionados. Deve-se destacar, porém, que numa dada matéria, quanto mais elevada é a superfície de um carvão ativo, menor será sua densidade. Um carvão fortemente ativo adsorverá, pois, muitas moléculas mais rapidamente. Este carvão é indicado no tratamento de baixas concentrações de um produto (inferiores a 1 ppm) e aumentará a vida útil do filtro graças à sua elevada capacidade de adsorção. Ainda é possível medir a capacidade de adsorção pelo ‘índice de iodo “, que indica a quantidade de iodo, expressa em miligramas, adsorvida por grama de carvão ativo em pó. Este índice é relativamente representativo no caso de um carvão novo, mas não no caso de um carvão usado. Neste caso, deve-se reduzir o carvão a pó e proceder a uma acidificação no momento de se tomar a medida. Os Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 41 poros inacessíveis podem voltar, então, a ser acessíveis já que os elementos minerais que os obstruem podem solubilizar-se devido ao ataque ácido, em cujo caso a medida da capacidade de adsorção deixará de ser representativa. A impregnação A impregnação dos carvões ativos, como já vimos, melhora a adsorção desses carvões perante determinadas famílias de contaminantes do ar, o que torna os cartuchos químicos mais eficientes. Essa seletividade se dá quando há impregnação com metais ou com sais minerais. Neste caso, além do fenômeno da adsorção, acontecerá uma reação química que modifica a estrutura da molécula do gás adsorvido. É o caso dos carvões que o SBPR utiliza na produção dos filtros contra gases ácidos, dióxido de enxofre, amônia e nos filtros químicos multiuso. Os carvões a serem utilizados em filtros contra gases ácidos têm uma camada de produto químico básico, que reage com o gás ácido, neutralizando-o. Já os carvões para retenção de amônia têm uma camada de produto químico ácido, neutralizando a amônia quando entra em contacto com ela, e assim por diante. Os carvões ativos utilizados pelo SBPR na produção de cartuchos químicos são extrudados ou granulados, mas ambos os tipos têm granulometria bastante reduzida, o que proporciona uma acomodação e compactação perfeitas dentro do cartucho, impedindo movimentação e conseqüentemente livre passagem de gases que deveriam ser retidos. Isto não ocorre nos cartuchos produzidos com carvões mais macios e facilmente fragmentáveis, sendo essa a razão de não utilizarmos estes tipos de carvões. Os carvões ativos podem conter mais ou menos teor de impurezas, cinzas, umidade ou matérias voláteis. A presença de excesso dessas impurezas implica em dois tipos de inconvenientes: quem compra um cartucho químico produzido com esses carvões paga pelas impurezas a preços de carvão ativo, e estas não são “ativas”, além de poderem perturbar a eficiência de uma aplicação. Por exemplo, a umidade no carvão diminui, freqüentemente e de forma considerável, a cinética da adsorção. Existem procedimentos que permitem eliminar as impurezas na preparação desejada. Os melhores produtores de carvão ativo, que são fornecedores do SBPR, utilizam tecnologias de produção que permitem obter carvões com uma taxa extremamente baixa de impurezas. Além disso, esses fornecedores idôneos podem reduzir ainda mais o conteúdo de cinzas de seus produtos através de lavagem com água, seguida de uma lavagem apropriada com ácido, água, base, etc. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 42 CARVÕES UTILIZADOS PELO SBPR NA PRODUÇÃO DA LINHA DE FILTROS QUÍMICOS Os fornecedores, rigorosamente escolhidos, se caracterizam por fornecerem carvões que têm: 1) Adequação às exigências e necessidades, de casca de coco, simples ou impregnados; 2) Grande resistência ao desgaste por fricção, devido à sua dureza; 3) Superfície específica que oscilam entre 700 e 2.500 m2 por grama; 4) Índices de CCl4 (tetracloreto de carbono) situados entre 40 e 150%, ou índices de butano compreendidos entre 20 e 80%. 5) Granulometria que emprega peneiras que oscilam entre 4 e 100, ou tamanhos efetivos que vão de 0,5 a 3 mm, até chegarem a 1/10 de mm; 6) Grãos rejeitados e não-rejeitados nos extremos reduzidos a menos de 2%; 7) Conteúdo de cinzas que podem chegar a 2% ou menos; 8) Umidade inferior a 1%. CÓDIGOS DE IDENTIFICAÇÃO DOS FILTROS QUÍMICOS DE CARVÃO ATIVO O SBPR utiliza, na identificação da sua linha de cartuchos de filtros químicos o mesmo código de cores e letras utilizado na Europa, que já se tornou consagrado pelo uso também no mercado brasileiro. Há outra codificação seguida por empresas de origem ou tecnologia norte-americana, menos conhecida e, portanto menos empregada. Se o profissional de segurança, ao decidir que um respirador com filtro químico pode ser utilizado no ambiente, ao adquirir esses filtros para os respiradores já levou em conta: • Quais os contaminantes gasosos existentes no ar que o trabalhador respira • Quais as concentrações desses contaminantes A umidade relativa do ar, a temperatura e o esforço físico empregado pelo trabalhador no uso do filtro também são fatores importantes que o profissional deve ter registrado, pois isso o ajudará depois a avaliar o tempo de duração de um filtro. A tabela adiante especifica os principais cartuchos e vai ajudar você a escolher seu filtro químico pela cor e letra de identificação: Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 43 CONTAMINANTE IDENTIFICAÇÃO DO FILTRO PELA COR IDENTIFICAÇÃO DO FILTRO PELA LETRA Vapores orgânicos (solventes, pesticidas, etc.) MARROM A Gases ácidos (também halogênios) CINZA B Vapores Orgânicos + Gases Ácidos MARROM E CINZA AB Amônia e Aminas VERDE K Dióxido de Enxofre AMARELO E Vapores Orgânicos + Gases Ácidos + Amônia + Dióxido de Enxofre (*) MARROM,CINZA, VERDE E AMARELO ABEK Filtros contra partículas classes P2 e P3 TARJA BRANCA (*) Cartuchos para proteção contra CO (Monóxido de Carbono) e NO (Monóxido de Nitrogênio) têm ainda tarjas preta e azul, respectivamente. MÁXIMA CONCENTRAÇÃO DE CONTAMINANTES NO AR PARA USO DE CARTUCHOS QUÍMICOS A Norma Brasileira NBR 13696 foi editada no ano de 1996, sofreu uma alteração no ano de 2005. Ela trata, entre outros temas, da questão da máxima concentração ambiental de contaminantes onde o trabalhador pode utilizar uma peça facial filtrante dotada de manta de carvão ativado ou uma peça facial com cartucho químico. A tabela da página 45 reproduz dessa norma as considerações a respeito desses filtros, entre os tipos de maior aplicação: Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 44 Linha de filtros químicos para respirador de 2 vias Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 45 MÁXIMA CONCENTRAÇÃO DE USO (MCU) DOS FILTROS QUÍMICOS 1 ) ABNT NBR 13696:2005 Tabela 1 – (Resumo) FILTRO TIPO Máxima Concentração de Uso (ppm) Tipo de peça facial compatível FBC-1 (Classe FBC) Vapor Orgânico 2) Cloro 50 3) 10 Peçasemifacial filtrante (descartável), quarto facial, semifacial Cartucho Pequeno Classe 1 Vapor Orgânico 2) Amônia Metilamina Gases Ácidos 2) Ácido Clorídrico Cloro 1000 300 100 1000 50 10 Quarto Facial, Semi Facial, Facial Inteira ou Conjunto Bocal Cartucho Médio Classe 2 Vapor Orgânico 2) Amônia Gases Ácidos 2) 5000 4) 5000 4) 5000 4) Facial Inteira OBSERVAÇÕES: 1) A máxima concentração de uso dos respiradores em situações rotineiras que incorporem filtro químico, para um dado gás ou vapor, deve ser: 1 – Menor que o valor IPVS. 2 – Menor que o valor indicado na tabela 1 para o referido gás ou vapor. 3 – Menor que o produto: fator de proteção atribuído do respirador purificador utilizado (FPA) pelo limite de exposição. Dos 3 valores obtidos, o que for menor. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 46 2) O uso contra vapores orgânicos ou gases ácidos com fracas propriedades de alerta, ou que gerem alto calor de reação com o conteúdo do cartucho, deve obedecer ao exigido no item Seleção de Respiradores para Uso Rotineiro do PPR, Recomendações, Seleção de Uso de Respiradores, da Fundacentro. 3) 50 ppm ou abaixo do Limite de Exposição Ocupacional, o valor que for menor. 4) Essas MCU referem-se a filtros Classe 2 ou 3 utilizados em respiradores de fuga em situações IPVS. A MCU dos filtros classes 2 ou 3 pode ser superior aos valores indicados, desde que satisfaça aos requisitos estabelecidos em norma adequada norte americana ou da Comunidade Européia. Exercício 1: Qual será a MCU para proteção contra vapores de tolueno em peça semifacial ? Veja a Observação 1 da página anterior Vapor Orgânico considerado: Tolueno Dados sobre o Tolueno: Limite de Exposição Ocupacional Brasil = 78 ppm (TLV Norte Americano = 50 ppm !) IPVS NIOSH 1998 = 500 ppm Na Tabela 1 = 1000 ppm FPA do respirador = 10 Cálculo: FPA x L.E.O. 10 x 78 = 780 ppm Dos 3 valores o que for menor, portanto a MCU será 500 ppm. E se o respirador for de peça facial inteira : O FPA é 100 e o filtro é Classe 2? Pela Tabela 1: 5000 ppm. 100 x 78 = 7800 ppm A MCU continuará a ser 500 ppm Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 47 Na página 80 e seguintes deste trabalho, você encontrará uma tabela com os valores IPVS atualizados de alguns dos gases mais comuns de se encontrar nas atividades industriais. Para alguns contaminantes, estão indicados também os Limites de Tolerância. Precisando da lista completa IPVS (em inglês), solicite- nos, mas lembre-se: você precisa saber inglês além do “the book is on the table” e vai precisar conhecer os nomes dos contaminantes em inglês. Definições de Ambientes I.P.V.S.: 1 – PPR Brasil Condição considerada imediatamente perigosa à vida ou à saúde. Refere-se à exposição respiratória aguda, que supõe uma ameaça direta de morte ou conseqüências adversas irreversíveis à saúde, imediatas ou retardadas, ou exposição aguda aos olhos que impeça a fuga da atmosfera perigosa. 2 – NIOSH Representa a máxima concentração de exposição de um trabalhador se e quando houver uma falha no funcionamento do respirador, que lhe possa permitir escapar dentro de 30 minutos sem o respirador e sem que isso também possa lhe causar impedimentos ao escape (exemplo: irritação nos olhos) ou efeitos adversos irreversíveis à sua saúde. 3 – OSHA Uma concentração atmosférica de qualquer substância tóxica, corrosiva ou asfixiante que represente um risco imediato à vida ou cause um efeito adverso irreversível ou retardado à saúde do trabalhador exposto ou que possa interferir com a sua habilidade de escapar de uma atmosfera perigosa. Nota: um respirador NUNCA deve ser utilizado em áreas onde a concentração do contaminante está acima da sua MCU. Fatores que podem encurtar a duração em uso de um filtro químico: Temperatura: quanto maior a temperatura, mais curta será a vida do filtro. Umidade do ar: uso em ambientes muito úmidos também encurta a vida do filtro Freqüência da respiração do usuário: se o usuário tem um ritmo rápido de respiração, que pode ocorrer durante um trabalho cansativo, a saturação do filtro químico ocorrerá mais cedo. Concentração do contaminante: quanto maior a concentração do contaminante, mais rápida se dará a saturação do filtro químico. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 48 Tipo de adsorvente utilizado no cartucho: varia de fabricante para fabricante. Armazenamento impróprio do filtro: umidade e alta temperatura durante o armazenamento podem alterar as qualidades de adsorção do carvão ativo dentro do cartucho. Embalagem não apropriada: com lacres danificados, também encurtam a vida do filtro. Quando mais de um contaminante estiver presente no ar. Ainda sobre a duração de um filtro químico, ou seja, seu tempo de saturação, podemos comentar o seguinte: No caso dos filtros de carvão ativo é fundamental definir com precisão o que é granulometria, que deve ser adaptada às características desses filtros químicos, à perda de carga máxima admissível e ao tempo de contato necessário para a perfeita adsorção. Note-se que o tempo de contato entre o gás contaminante e o carvão do filtro é igual à relação “altura do filtro/velocidade de passagem do ar com o gás a reter”. A velocidade de passagem varia consideravelmente segundo se trate de um produto na fase líquida (alguns m3 por hora) ou na fase gasosa (várias dezenas de m3 por hora). No caso dos filtros respiratórios, a quantidade de carvão ativo dentro do cartucho, que é dimensionada para o respirador onde vai ser utilizado, depende da concentração contra a qual queremos nos proteger. Por essa razão, a altura da camada de carvão maior poderá determinar um tempo de uso maior de um cartucho. NOMENCLATURA DE FILTROS SEGUNDO A NORMA EN-143, A ORDEM NA NOMENCLATURA DE FILTROS RESPIRATÓRIOS É A SEGUINTE: 1. Código atribuído pelo fabricante, segundo o tamanho do filtro e o respirador onde ele vai ser utilizado. 2. Letra ou letras de identificação, seguidas da classe de proteção contra produtos químicos gasosos, se for um filtro químico. 3. Classe de proteção contra partículas: letra P seguida da respectiva classe. 4. A somatória dos dois se for um filtro combinado. EXEMPLOS DE DENOMINAÇÕES DE ALGUNS FILTROS DO SBPR: 2740 A1 9000 K2 9000 B2 P3 2740 K1 9000 A2 620 A2B2E2K2COHg P3 2000 E1 9000 A2B2E2K2 9000 A2B2E2K2 P2 2000 B1 9000 A2B2 2900 P2 2000 A1B1E1K1 9000 A2 P2 2150 P2 Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 49 QUANDO DEVEMOS SUBSTITUIR O CARTUCHO FILTRANTE DE UM RESPIRADOR? É um das questões mais importantes no estabelecimento de um Programa de Proteção Respiratória. No caso dos filtros produzidos pelo SBPR, com os carvões mencionados neste trabalho, recomenda-se o seguinte: Ao retirar o lacre de um cartucho, anote nele o mês e o ano desse evento. Utilize seu filtro cartucho da forma recomendada. Você deverá substituir esse cartucho 6 meses após a data da retirada do lacre ou antes,se ele estiver começando a se saturar. A forma mais prática perceber quando o filtro começa a se saturar (perder gradualmente a capacidade de reter os gases) é quando o usuário começa a perceber o cheiro ou sabor do gás do ambiente. Mas se o gás tem limite de percepção pelo olfato acima do seu limite de tolerância, esta prática poderá representar riscos ao trabalhador portanto não será permitido o uso de cartuchos filtrantes nesses ambientes, determinado pela mesma norma NBR 13696. O profissional de segurança do trabalho deve exercer especial fiscalização nestes procedimentos, não deixando essa importante tarefa ao critério de julgamento exclusivo do trabalhador. RESPIRADORES DE FUGA Os respiradores de fuga, como o próprio nome indica, pertencem à classe de equipamentos de proteção respiratória utilizados unicamente para fugas, ou abandonos rápidos, de áreas industriais subitamente invadidas por gases tóxicos provenientes de vazamentos. Nessas situações, cada funcionário que está sujeito a ter de abandonar a área industrial onde ele se encontra, traz consigo um respirador de fuga sempre pronto para uso, levado normalmente preso ao cinto. Pode-se escolher entre Respiradores de Fuga dotados de filtros cartucho ou Respiradores de Fuga com capuz e cilindro de ar comprimido. Ao escolher seus respiradores de fuga, exija deles as seguintes características: • Serem de tamanho pequeno, leves e cômodos no transporte a fim de poderem ser sempre levados junto com o usuário. • Terem peça bocal de fácil e rápida colocação no caso dos respiradores com cartuchos filtrantes ou capuz de rápida colocação quando se tratar de respirador dotado de capuz e cilindro de ar comprimido. • Estarem sempre em perfeitas condições de uso. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 50 Assim como os demais respiradores filtrantes, também os de fuga são equipamentos dependentes das condições da atmosfera. Quando o trabalhador estiver numa área onde um alarme indique que ele deve abandoná-la por causa de um vazamento, ele imediatamente retira o respirador da embalagem hermética, coloca a peça bocal dentro da boca e procura a rota de fuga previamente determinada, até conseguir chegar a um local seguro, quando então poderá retirar seu respirador. Claro está que, todos os trabalhadores devem ser treinados no uso e colocação rápida do respirador de fuga, além de terem de conhecer formas de abandono de área, rotas de fuga, etc. No caso dos respiradores com capuz e cilindro de ar comprimido, o capuz é retirado da bolsa de transporte, o fecho do cilindro aberto para iniciar o fluxo de ar constante e o capuz colocado por sobre a cabeça, ficando o elástico ajustado no pescoço do usuário. O respirador de fuga do SBPR é produzido com corpo em borracha siliconada dotado de pinça nasal, filtro multiuso de carvão ativado especial, tudo embalado em caixa hermética com lacres e prazo de validade do filtro. Após o uso, pela aquisição do conjunto de reposição, é possível montar novamente esse conjunto hermético e colocá-lo em uso outra vez. Ensaios de laboratório indicam os seguintes tempos de proteção dos filtros do Respirador de Fuga II do SBPR: Gás Concentração do gás no teste em ppm Tempo de proteção até começar a passar o valor Limite de Tolerância pelo filtro em min Amônia 10.000 11 Cloro 9.500 6 Fosgênio 8.000 5 Dióxido de Enxofre 10.000 9 Gás Sulfídrico 9.500 12 Tetracloreto de Carbono 10.000 23 Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 51 Respirador de Fuga II Air Safety Pode ser dotado de filtro Multiuso ou Gases Ácidos Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 52 Modo de portar, preparar para uso e utilizar o respirador de fuga Portando um respirador de fuga na cintura Retirada da fita no momento de utilizar o respirador, colocação na boca utilizando a pinça nasal Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 53 Respirador de Fuga com capuz e cilindro de ar comprimido: O fluxo de ar é constante e tem duração aproximada de 5 minutos Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 54 VIDA DE FILTROS RESPIRATÓRIOS Filtros de retenção mecânica: Prazo de validade impresso na embalagem. Devem ser armazenados em locais secos, abrigados de poeiras e gases e a embalagem só deve ser aberta momento do uso. Filtros químicos: Na embalagem lacrada da fábrica, o período de armazenagem dos filtros cartuchos do SBPR é de 5 anos contados da data de fabricação. Devem ser armazenados de forma abrigada, protegidos de altas temperaturas e da umidade do ar. Uma vez abertos, (primeira retirada do lacre) se não forem saturados antes, devem ser substituídos 6 meses após essa retirada do lacre. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 55 CAPÍTULO XI - EQUIPAMENTOS INDEPENDENTES Espaços Confinados Como já vimos, jamais deveremos utilizar equipamentos purificadores de ar nos espaços confinados porque nesses ambientes: 1) A concentração do Oxigênio poderá estar abaixo dos 19,5% em volume. Isso representaria perigo de asfixia aos trabalhadores, uma vez que o respirador purificador de ar não produz oxigênio. 2) A concentração dos contaminantes no ambiente poderá estar acima dos valores Limites de Tolerância ou I.P.V.S., o filtro químico se saturaria muito rapidamente representando risco de contaminação. 3) A concentração de gases inflamáveis poderá estar acima dos limites inferiores de explosividade, o que representará risco de explosão. A norma brasileira NBR 14787 trata da prevenção de acidentes, procedimentos e medidas de proteção para trabalhos em espaços confinados. Ela define espaço confinado como sendo “qualquer área não projetada para ocupação contínua, a qual tem meios limitados de entrada e saída e na qual a ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes perigosos e/ou deficiência/enriquecimento de oxigênio que possam existir ou se desenvolver”. Em dezembro de 2006, o Ministério do Trabalho Emprego adicionou a NR 33 que trata dos trabalhos em espaços confinados, às outras NR’s já existentes. O Anexo 2 deste trabalho reproduz essa importante NR que deve ser do conhecimento de todos os profissionais de segurança e medicina do trabalho para cumprimento efetivo. Outros organismos internacionais também definem espaços confinados, porém, as definições não variam significativamente. Condutas especiais a serem adotadas em trabalhos em espaços confinados também podem ser encontradas em literaturas específicas.Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 56 Uma vez que o uso de respiradores purificadores de ar está proibido em espaços confinados, vamos utilizar nesses espaços, para proteção respiratória, os equipamentos independentes, que são: os de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar ou então os autônomos de ar comprimido. Antes, estudemos os ambientes não-confinados mas onde deveremos utilizar equipamentos com linha de ar. EQUIPAMENTOS COM LINHA DE AR COMPRIMIDO Este tipo de respiradores é basicamente composto dos seguintes módulos: 1) Equipamento Pessoal propriamente dito, dotado de: peça facial inteira com ou sem válvula de demanda, ou semi facial, traquéia, registro de ar com engates da traquéia e da mangueira e cinto. 2) Mangueira que conduz o ar comprimido ao usuário, proveniente do filtro de linha 3) Filtro de linha, para remoção de impurezas, tornando ar respirável. Nos respiradores que não utilizam válvula de demanda, o fluxo de ar respirável é contínuo, criando dentro do corpo da máscara uma pressão positiva. Naqueles que utilizam válvula de demanda, porque o ar já puro provém de cilindros de ar respirável, o fluxo de ar dependerá exclusivamente da demanda do usuário, mas as válvulas de demanda são de pressão positiva, portanto, garantindo dentro do corpo o respirador uma pressão positiva, aumentando a segurança do usuário. Vantagens dos respiradores com linha de ar: 1) Oferecem um Fator de Proteção Atribuído maior do que os respiradores purificadores de ar. 2) Protegem contra gases e aerodispersóides 3) O tempo de uso não está limitado por saturação de filtros. 4) Pode ser utilizado em ambientes I.P.V.S. se equipados com cilindro reserva de ar comprimido. Fluxo de ar requerido nos conjuntos respiradores e limitações: PEÇAS FACIAIS MÍNIMO RECOMENDADO PEÇAS FACIAIS DE AJUSTE FIRME 115 LITROS/MIN 170 LITROS/MIN PEÇAS FACIAIS DE AJUSTE SOLTO 170 LITROS/MIN 225 LITROS/MIN Máximo comprimento da mangueira: 90 metros Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 57 FILTROS DE LINHA Antes de estudarmos os respiradores de linha de ar comprimido, vamos abordar os filtros de linha de ar uma vez que estes se aplicam em diversos casos. O compressor que gera ar comprimido de uma empresa, de forma geral, manda algumas impurezas para a linha e que devem ser removidas antes que esse ar abasteça o respirador. Entre essas impurezas podemos citar: água, óleo, gases captados na entrada de ar do compressor, etc. O SBPR oferece os filtros de linha Arcofil 3, o Arcofil 3U e o Arcofil 3U CO. São unidades estacionárias, montadas em cavaletes com estrutura tubular, de uso no solo ou em parede, e dotadas de dreno de emulsão água/óleo, filtro de carvão ativo para gases contaminantes, e, opcionalmente, umidificador e detector de CO. As unidades dispõem de 3 saídas com engate rápido de segurança e podem abastecer até 3 usuários simultaneamente. Nessas saídas são conectadas as mangueiras. Filtro de Linha Arcofil modelo 3U com umidificador MANGUEIRAS As mangueiras que conectam a saída do Arcofil com o registro do cinto do usuário são de PVC atóxico e dotadas de engates rápidos de segurança nas duas extremidades. São fornecidas em comprimentos diversos que, quando interconectadas, permitem ao usuário boa movimentação. Essas mangueiras são resistentes a agentes agressivos que eventualmente estejam no solo. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 58 Lance de mangueira de conjuntos de linha de ar RESPIRADORES AIR SAFETY PARA USO COM LINHA DE AR COMPRIMIDO E FLUXO CONTÍNUO DE AR ARCOSEMI (Uso não permitido em espaços confinados se estes forem IPVS) Este respirador é dotado de peça semifacial, traquéia, cinto de nylon com fivela de rápida soltura e registro de ar. O usuário conecta a mangueira de ar comprimido no engate rápido do registro de ar, regula o fluxo de ar através do volante, coloca o respirador e trabalha normalmente. Este respirador foi concebido para utilização em locais onde os agentes agressivos não afetam os olhos. Respirador de Linha de Ar modelo Arcosemi Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 59 ARCOPAN (Uso não permitido em espaços confinados se estes forem IPVS) Quando o ar ambiente tiver concentrações de gases e material particulado que posso afetar os olhos, então se opta pelo Arcopan, que é um conjunto semelhante ao Arcosemi, porém, dotado de peça facial inteira, com visor de policarbonato. O Fator de Proteção Atribuído da peça facial inteira é maior do que da semifacial, obtendo-se aqui uma vedação de qualidade superior. Respirador com Linha de Ar modelo Arcopan RESPIRADOR DE PRESSÃO POSITIVA PARA USO COM LINHA DE AR COMPRIMIDO E VÁLVULA DE DEMANDA ARCONOVA E PAR 4000 Nos locais em que se necessita executar tarefas sob a proteção de Equipamento de Linha de ar, e não se disponha de fonte de abastecimento de ar comprimido, adotamos equipamentos como o conjunto Arco Nova, cujas características são as seguintes: • Peça Facial Inteira, com conexão de pressão positiva • Válvula de demanda de pressão positiva automática ou semi-automática • Cinto de nylon com conexão por engate rápido entre a válvula de demanda e a mangueira de ar • Mangueira de ar conforme já descrito acima Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 60 O uso deste tipo de respirador exige interligação com um carrinho contendo 2 cilindros de ar comprimido respirável para abastecer até 2 usuários simultaneamente. Este carrinho é o PAR 4000 e tem as seguintes características: • 2 cilindros de aço de volume interno 10 litros, cheios com ar comprimido a 200 bar de pressão com autonomia para aproximadamente 50 minutos (2 usuários) ou 100 minutos (1 usuário) • Conjunto regulador/redutor de pressão com 2 saídas de engate rápido de segurança, manômetros de alta e baixa pressão e alarme sonoro que é ativado quando a pressão de saída cai a 50 bar • Carrinho de transporte em estrutura tubular, com facilidade de movimentação. Respirador modelo Arco Nova Conjunto de Ar comprimido PAR 4000 Conjunto PAR 4000 com carretel de mangueira Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 61 Situações especiais requerem mais tempo de suprimento de ar. O SBPR, então, desenvolveu o conjunto PAR 8000 que armazena 8000 litros de ar, dobrando, assim, o tempo de autonomia de que os usuários dispõem. Este conjunto tem 2 cilindros de 20 litros de volume interno cada, carregados cada um à pressão de 200 bar. Possui 4 saídas para abastecerem até 4 pessoas simultaneamente. ConjuntoPAR 8000 O cálculo do volume de ar respirável inicial disponível para os usuários é o seguinte: Volume de ar Volume interno dos pressão lida no manômetro em litros = cilindros em litros X em bar Volume = 2 x 10 x 200 Volume = 4.000 litros ou: Volume = 2 x 20 x 200 Volume = 8.000 litros Nota: A unidade de medida da pressão do ar comprimido indicada no manômetro está em bar. Esta é a forma mais empregada no caso dos cilindros de ar comprimido respirável. Certos manômetros, no entanto, poderão estar com marcação em Mega Pascal (MPa). A conversão é: 10 bar = 1 MPa Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 62 EQUIPAMENTO COM LINHA DE AR COMPRIMIDO, DOTADO DE CILINDRO AUXILIAR – USO PERMITIDO EM ESPAÇOS CONFINADOS CARLA Este tipo de respirador é um modelo que combina linha de ar com cilindro de fuga. Em atmosferas I.P.V.S., um equipamento de linha de ar deve ser dotado de cilindro de ar comprimido respirável auxiliar para proteger o usuário contra falha potencial do suprimento de ar, caso em que ele deverá abandonar a área, geralmente um espaço confinado. Sua segurança na operação de abandono é garantida pelo ar contido no cilindro auxiliar, que tem autonomia de 7 a 15 minutos, dependendo do tipo e volume do cilindro. A peça facial é uma Full Face de pressão positiva, a válvula de demanda pode ser de pressão positiva automática ou semi-automática. O suporte pode ser usado em diversas posições no cinto do usuário e o cilindro pode ser de aço leve ou de composite. As mangueiras que conectam o equipamento à fonte abastecedora de ar são as comuns dos equipamentos de linha de ar. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 63 Equipamento Carla com cilindro auxiliar de ar comprimido Trata-se do único equipamento permitido por norma para utilização em ambientes IPVS. Consulte a NR 33 no anexo 2 deste trabalho para identificar essa necessidade. Este conjunto, denominado CARLA (Conjunto Autônomo de Respiração Com Linha de Ar) é composto de: Peça facial inteira de pressão positiva Válvula de demanda acoplada ao suporte Suporte com conexão para mangueira de linha de ar Mangueira ligando o suporte ao filtro de linha Arcofil O usuário respira, no seu trabalho regular, ar da linha devidamente filtrado. Em caso de emergência e necessidade de abandono do local, abre a válvula do cilindro de reserva, desconecta a mangueira de ar, e tem quase 10 minutos de autonomia até alcançar o local seguro. Se o cilindro for de 2 litros, 300 bar de pressão e composite, além de ser mais leve, proporcionará cerca de 20 minutos de ar. Cilindro de ar Comprimido Ar proveniente do compressor Filtro de linha Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 64 Opções de Conjunto CARLA com cilindros de composite 2 litros 300 bar Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 65 EQUIPAMENTOS AUTÔNOMOS DE AR COMPRIMIDO – TAMBÉM PERMITIDOS EM ESPAÇOS CONFINADOS IPVS PA 540 PP, MARINER E EVOLUTION A Norma Brasileira NBR 13716 denomina esses equipamentos “Máscara Autônoma de Ar Comprimido com Circuito Aberto”. Manteremos aqui o termo Equipamento Autônomo. A característica que distingue os equipamentos autônomos de ar comprimido é que o usuário não precisa estar conectado por mangueiras a uma fonte externa de abastecimento de ar comprimido respirável, como um compressor. Ao contrário, ar respirável suficiente para ele é fornecido pelo cilindro que ele leva nas costas. Os integrantes da Brigada de Emergência devem ser constante e muito bem treinados São utilizados quando não conhecemos as substâncias presentes no ar ou quando sua concentração for muito elevada e onde os equipamentos purificadores de ar (filtros) não são permitidos, ou ainda quando o ambiente tiver concentrações pobres de oxigênio. Esses equipamentos foram projetados, basicamente, para proteção respiratória em casos de atendimento a emergências tais como: Incêndios – onde a quantidade de oxigênio pode cair a níveis asfixiantes, e a presença de gases tóxicos provenientes da combustão pode atingir valores extremamente elevados. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 66 Vazamentos – gases tóxicos quando vazam também fazem com que as concentrações atinjam valores muito elevados. Ocorrendo isto em espaços confinados, a situação é ainda mais grave. Oxigênio – a falta de oxigênio ou sua concentração abaixo de níveis aceitáveis pode ocorrer em incêndios ou em espaços confinados. Essas emergências representam, em grande número, situações em que também não poderemos dar combate a elas utilizando um equipamento com linha de ar, porque será necessário percorrer grandes distâncias portando equipamentos de combate ou carregando vítimas. Há necessidade de autonomia de movimentos, razão pela qual utilizaremos Equipamentos Autônomos de Ar Comprimido. Esses equipamentos oferecem ar limpo ao seu usuário. Esse ar, que ele carrega em suas costas, é fornecido em equipamentos que têm autonomia variada até 60 minutos, mas, como já vimos no caso dos cilindros do conjunto PAR 400, a autonomia depende de fatores como: • Consumo de ar do usuário, ligado ao seu esforço físico. Podemos considerar um consumo médio de 40 litros por minuto para o cálculo da autonomia. • Tamanho do cilindro, onde seu volume interno (também chamado de volume d’água) quanto maior permite maior armazenamento de ar respirável. • Características do Equipamento Sendo a composição destes equipamentos modular, e cada módulo pode permitir algumas opções, o resultado final poderá ser um equipamento mais ou menos personalizado para cada uso. Respirador Autônomo de Ar Comprimido modelo PA-540 Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 67 O PA 540 pronto para uso e conferindo a pressão no manômetro Os módulos que compõem um equipamento autônomo de ar comprimido como o PA 540 PP, o Mariner ou o Evolution do SBPR são: Peça Facial É sempre uma peça facial inteira, pois necessitamos proteção aos olhos nessas situações de emergência. A peça facial inteira Full Face tem duplos lábios de vedação, alcançando com isso o máximo Fator de Proteção Atribuído possível. Há cinco pontos de fixação ao rosto do usuário. A peça de conexão tem uma membrana acústica, que permite comunicação entre os usuários e o encaixe é para válvula de demanda por pressão positiva. O corpo é de borracha siliconada macia e a mascarilha interna, dotada de membranas de inalação, permite não somente a redução do espaço- morto dentro da peça facial como também evita embaçamento do visorna parte interna pela umidade do ar exalado. A válvula de exalação tem um sistema de mola que impede perdas de ar pela pressão positiva dentro desta peça facial, somente permitindo saída do ar para o ambiente quando o usuário exala. A pressão positiva é uma segurança extra porque, pela manutenção de uma pressão no interior da peça facial ligeiramente superior à pressão atmosférica externa, em caso de alguma falha acidental na vedação durante uma operação de emergência, o ar fluirá para o ambiente, evitando que, na fase negativa da inspiração, o usuário possa inalar fração do contaminante gasoso externo. O visor é de policarbonato incolor resistente, mas pode ser oferecido também nas cores âmbar e verde, reduzindo assim o excesso de luminosidade nos olhos do usuário em casos de incêndio. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 68 Peça Facial modelo Full Face de um Conjunto Autônomo de Ar Comprimido de Pressão Positiva A peça facial inteira modelo Star Air é semelhante à Full Face mas tem visor mais amplo, permitindo maior campo visual ao usuário e lábio de vedação com margem maior, garantindo também excelente vedação ao rosto do usuário. Válvula de Demanda A válvula de demanda é um componente dos mais importantes no equipamento autônomo porque é ela quem vai trazer o ar respirável ao usuário sempre que ele estiver na fase negativa da respiração, a inspiração. Na expiração, o mecanismo interno da válvula interrompe um fluxo de ar, garantindo assim o máximo tempo de autonomia. O SBPR oferece agora a versão automática de válvulas de demanda, uma vez que a semi-automática já se tornou de tecnologia anterior, embora continue a prestar serviços de assistência técnica nestes modelos. A válvula de demanda semi-automática, cuja produção já está descontinuada, porém, existe grande quantidade ainda em funcionamento, tem uma conexão de encaixe no bocal da peça facial e um chicote para engate na saída de baixa pressão do regulador de pressão. O corpo é dotado de um volante que permite duas posições: pressão positiva e pressão de demanda. Ao colocar o equipamento, depois de aberto o fecho do cilindro, o usuário mantém este volante na posição pressão de demanda, para evitar perdas de ar comprimido.Após ajustar corretamente a peça facial, e constatar o perfeito funcionamento do equipamento, o volante é colocado na posição pressão positiva, ocasião em que o sistema pressão positiva passa a operar. A válvula de demanda de pressão positiva automática tem um design moderno e, depois de colocada na peça facial e com o cilindro aberto, ao primeiro ato inspiratório do usuário, a pressão positiva é automaticamente estabelecida no sistema. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 69 Em ambos os casos, qualquer falha na vedação da peça facial fará com que o ar flua de dentro do corpo da peça facial para o ambiente, impedindo que o usuário respire frações dos contaminantes do ar ambiente. Redutor de pressão O conjunto redutor/regulador de pressão também se constitui numa importante peça dos equipamentos autônomos. Ele está localizado no suporte costal do equipamento. Suas funções principais são: • Reduzir a pressão do cilindro de ar comprimido de 200/300 bar até uma pressão média de 6 bar que será enviada à válvula de demanda através da saída de baixa pressão. • Através da saída de alta pressão, o usuário lê no manômetro a pressão restante em seu cilindro. • Um alarme sonoro entra em ação assim que a pressão do ar comprimido cair a 50 bar alertando o usuário que ele ainda tem alguns minutos de ar para se retirar do local. • Uma válvula de segurança entra em ação eliminando eventual excesso de pressão superior a 8 bar, se isto acontecer. Em resumo: as 4 saídas que o conjunto redutor de pressão tem são: baixa pressão para a válvula de demanda, alta pressão para o manômetro, válvula de segurança e alarme sonoro. O suporte costal, de formato anatômico e construído em fibra de carbono extremamente leve, é dotado, ainda, do cinto e dos arreios para ajuste perfeito ao corpo do usuário. É o suporte o responsável por distribuir ergonômicamente o peso do sistema nas costas, tornando-o confortável e de fácil aceitação. Opcionalmente, o SBPR oferece ainda uma saída de baixa pressão adicional junto às mangueiras do regulador de pressão, popularmente chamada de “carona”, para que o usuário possa, em dispondo de uma segunda peça facial com válvula de demanda, conectá-la a essa saída e resgatar uma outra pessoa nas situações de emergência. Atenção: a unidade de medida de pressão poderá ser o MPa (megapascal), correspondendo 1 MPa a 10 bar. Como exemplo, as pressões 300 bar dos cilindros poderão ser indicadas por manômetros calibrados em MPa como 30 MPa. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 70 Cilindro O cilindro é a fonte de abastecimento de ar comprimido do sistema. No passado, ele era construído em aço com bordas e calotas espessas, o que resultava num peso muito elevado. Hoje, há diversos tipos de cilindros que podem ser utilizados, dependendo da preferência de quem vai utilizar o equipamento. Já destacamos anteriormente os tipos de cilindros utilizados na construção de um Equipamento Autônomo de Ar Comprimido Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 71 EQUIPAMENTOS AUTÔNOMOS DE AR COMPRIMIDO - OPÇÕES As diversas opções que este equipamento oferece incluem: peça facial amarela, azul ou preta com visor incolor, verde ou âmbar, e cilindros de aço, composite fibra de vidro e composite fibra de carbono. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 72 Material Volume interno Pressão de trabalho de ar comprimido Volume total de ar Tempo aproximado de autonomia (*) Intervalo entre testes de pressão hidrostática (**) Aço leve 7 litros 200 bar 1.400 litros 40 minutos 5 anos Composite fibra de vidro 5,8 litros 300 bar 1.740 litros 50 minutos 3 anos Composite fibra de carbono 6,8 litros 300 bar 2.040 litros 60 minutos 3 anos Composite fibra de carbono 8,0 litros 300 bar 2.400 68 minutos 3 anos (*) Estamos considerando um consumo médio de 35 litros por minuto do usuário, o que representa um esforço físico médio. Outros consumos podem reduzir ou aumentar este tempo de autonomia. O cálculo da autonomia, como vimos, é feito utilizando-se a fórmula: Volume Interno do Cilindro em litros x Pressão do ar em bar Tempo de = _________________________________________ autonomia Consumo do usuário em l/min (**) O intervalo de tempo de Teste de Pressão Hidrostática dos cilindros deve ser obedecido para que se obtenha o máximo de segurança no manuseio destes. Este ensaio deve ser executado de preferência pelo próprio fabricante do equipamento, como o SBPR ou por empresa credenciada. Quando um cilindro passa por este teste, ele é etiquetado ou marcado com a data da execução do teste para reconhecimentodo prazo em que um novo teste deva ser executado. Opcionalmente, o SBPR também oferece este equipamento em mala de madeira para guarda ou armazenamento em viaturas, ou ainda fornecendo caixas de fibra de vidro de colocação em parede, onde, dentro dela, o respirador autônomo estará sempre pronto para uso e colocação rápida. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 73 Equipamento autônomo de ar comprimido dotado de saída “carona” onde está acoplado o segundo conjunto peça facial/válvula de demanda, para resgate Segunda saída Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 74 Manômetro eletrônico digital opcional nos conjuntos autônomos Utilizando o Respirador Autônomo com Segunda saída (carona) EQUIPAMENTO AUTÔNOMO PARA INSPEÇÕES RÁPIDAS RAPID 15 O respirador Rapid 15 do SBPR também é um respirador autônomo de ar comprimido, desenvolvido para que o usuário possa penetrar em áreas contaminadas e executar trabalhos rápidos de inspeção. Jamais poderá ser utilizado em emergências principalmente combate a incêndio e resgate de vítimas devido à sua pequena autonomia. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 75 Sua peça facial também é uma Full Face, dotada de válvula de demanda pressão positiva automática ou semi-automática, cilindro de 3 litros de volume, pressão de 200 bar e suporte de tamanho reduzido. Também dispõe de regulador de pressão com todas as características do equipamento autônomo PA-540-PP e sua autonomia é de cerca de 15 minutos. Pode ser utilizado com cilindro lateralmente ou nas costas do usuário. Vem acondicionado em bolsa para armazenamento e transporte. Rapid 15 usado com cilindro lateralmente ENSAIO DA QUALIDADE DO AR COMPRIMIDO EM CILINDROS O ar comprimido em cilindros é carregado por compressores especiais, de alta pressão, e poderá conter algumas impurezas que não podem ser inaladas pelo usuário do respirador. Algumas impurezas que podem estar presentes no ar de cilindros são: • Monóxido de Carbono – se o compressor é acionado por motor de combustão interna, como os de gasolina, o CO está presente nos gases de exaustão e pode ser succionado para dentro do cilindro. • Dióxido de Carbono – pela mesma razão acima. • Umidade – o excesso de umidade no ar dentro do cilindro indicar que os filtros de remoção de umidade do compressor devem ser substituídos • Óleo – a presença de vapor de óleo no ar do compressor indica a necessidade de substituição dos filtros de óleo do compressor. • Outros gases contaminantes – se estiverem presentes no local onde o compressor opera, também serão levados ao cilindro. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 76 O NFPA dos Estados Unidos recomenda que a cada 3 meses se execute uma análise da qualidade do ar comprimido liberado pelos compressores enquanto que a norma ANSI também americana recomenda análises periódicas sem especificar intervalos de tempo. O SBPR coloca à disposição dos seus clientes um serviço técnico de análise da qualidade do ar comprimido em cilindros ou direto nos compressores, com fornecimento de laudo técnico. Um registro das análises deve ser mantido para referências e reconhecimento de novas datas de elaboração dos ensaios. CAPÍTULO XII - INSPEÇÕES, MANUTENÇÔES E CHECK LIST PARA RESPIRADORES PONTOS A OBSERVAR (CHECK LIST) NOS RESPIRADORES • Os respiradores são uma forma importante de se controlar a exposição a substâncias perigosas. Eles somente devem ser empregados quando as formas de engenharia de controle dos contaminantes não puderem ser totalmente eficientes, ou enquanto estiverem sendo implantadas, sob reparos ou durante emergências. • Os respiradores não protegem o usuário contra contaminantes que possam ser absorvidos pela pele. • Um controle médico para determinar se a pessoa pode utilizar respiradores deve ser executado conforme recomendações dos diversos tipos de Programas de Proteção Respiratória. • A maior concentração possível do contaminante no ar deve ser considerada como estando presente para calcular o Fator de Proteção para cada usuário. Siga sempre as instruções do fabricante dos seus equipamentos contidas nos manuais que acompanham os mesmos para executar as manutenções e reparos necessários. Conte com o Serviço de Assistência Técnica do fabricante para execução dos trabalhos que você não deve executar por exigirem maior conhecimento ou ferramentas e instrumentos especiais. As peças de reposição a serem utilizadas nas manutenções dos seus equipamentos deverão sempre originais, o que garantirá perfeito funcionamento durante toda a vida útil do mesmo. O SBPR, sendo fabricante brasileiro dos equipamentos de proteção respiratória que comercializa, oferece a melhor opção em assistência técnica, com utilização de mão-de-obra especializada e peças originais de reposição. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 77 Um check list que sugerimos pode ser o seguinte: 1. Peça Facial: • Sujeira excessiva • Fissuras, rasgos, furos ou distorções físicas • Sinais de distorção • Partes pegajosas • Montagem incorreta ou presilhas faltantes • Conexão de filtros quebradas e tirantes em mau estado • Válvulas de Inalação/exalação faltantes ou danificadas 2. Tirantes • Rasgos • Perda de Elasticidade • Presilhas ou fivelas quebradas ou com mau funcionamento 3. Válvulas de exalação (os itens mais importantes de um respirador) • Sujeiras ou corpos estranhos sob a base da válvula • Rasgos, fissuras ou distorções das válvulas • Quebras ou distorções na base da válvula • Cobertura da válvula faltando ou com defeito • Instalação incorreta da válvula em sua base • Inserção incorreta do corpo da válvula no corpo da peça facial 4. Filtros (elementos purificadores de ar) • Filtro incorreto para o tipo de contaminante • Instalação incorreta ou anéis de vedação faltantes • Rosca danificada ou amassada. • Vida útil ou data de validade dos filtros já ultrapassadas. • Perfurações na carcaça dos filtros • Evidências de outros danos Testes rápidos de verificação de vedação de respiradores Após colocar o respirador da forma correta, observando inclusive as instruções do fabricante, o próprio usuário de um respirador deve efetuar um teste rápido de verificação da vedação, o que, no entanto, não substitui o ensaio de vedação de que já tratamos anteriormente. Podem ser efetuados 2 tipos de testes: de pressão positiva e de pressão negativa. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 78 O teste de pressão positiva é feito obstruindo-se com as palmas das mãos as saídas de exalação do respirador, em seguida exalando o ar levemente.Fugas na vedação serão perceptíveis. Teste de pressão positiva num respirador semifacial Já o teste de pressão negativa é feito obstruindo-se a entrada de ar do respirador, efetuando em seguida uma aspiração (puxando-se o ar com a respiração para dentro do respirador). Neste exercício, também serão perceptíveis as eventuais fugas ou má vedação do respirador. Siga as instruções mais detalhadas contidas no Programa de Proteção Respiratória do Ministério do Trabalho e Emprego. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 79 Teste de pressão negativa num respirador semifacial Teste de pressão negativa num respirador com peça facial inteira Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 80 Lavagem e Desinfecção (Higienização) de Respiradores A Norma americana OSHA 1910.134 indica que “os respiradores de uso rotineiro devem ser recolhidos, limpos e desinfetados com a freqüência necessária para ter-se a certeza de que ofereçam a proteção adequada...” e que os respiradores para uso em emergências “devem ser lavados e desinfetados após cada uso”. LAVAGEM O respirador deve ser desmontado, removendo-se os filtros, utilizando-se sempre que possível apenas as mãos (caso dos respiradores semifaciais) ou também ferramentas adequadas (caso dos respiradores de peça facial inteira). Em água corrente limpa (ou em cuba com água limpa a temperaturas máximas de 60º C), utilizando uma escova macia e detergente neutro, lavam-se as peças - corpo, válvulas de inalação, válvulas de exalação, etc. para remoção mecânica de sujeiras. Nunca utilize solventes na limpeza. Filtros nunca devem ser lavados pois isso os destruiria. A seguir, enxáguam-se as peças em água limpa até remoção total do sabão/detergente utilizado. DESINFECÇÃO (HIGIENIZAÇÃO): Seguem-se 2 sugestões de soluções desinfetantes que podem ser utilizadas, conforme mencionadas adiante. 1) Dissolva 2 ml (uma colher de sopa) de água sanitária comum por litro de água, num recipiente adequado para conter as peças a desinfetar. Esta solução conterá aproximadamente 50 ppm de Cloro. 2) Dissolva 0,8 ml (uma colher de sobremesa) de solução iodo encontrado em farmácias, por litro de água, num recipiente adequado para conter as peças. Esta solução conterá aproximadamente 50 ppm de Iodo. Mergulhe as peças a serem desinfetadas numa das 2 soluções, deixe por aproximadamente 2 minutos. A seguir enxágüe muito bem para remoção de resíduos de cloro ou iodo. As partes desgastadas ou com sinais de dano, não devem ser aproveitadas, devendo ser substituídas. Deixe as peças secando sobre bancada e um pano limpo. Quando secas, monte novamente os respiradores. Guarde-os em saco plástico até seu próximo uso. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 81 Os equipamentos mais complexos devem sofrer manutenção pelo fabricante nos tempos e prazos determinados nos manuais de instrução ou sempre que houver suspeita de mau funcionamento. Isso garante utilização de peças originais de reposição e ajustes com instrumentação e ferramental apropriados. O Serviço de Assistência Técnica do SBPR oferece o apoio de que você necessita para manutenção preventiva e corretiva em seus equipamentos de Proteção Respiratória. CONSIDERAÇÕES FINAIS O autor deste trabalho espera ter levado até você conhecimentos básicos importantes no campo da Proteção Respiratória e estará sempre à sua disposição para aprimoramento e reciclagem desses conhecimentos, porque está sempre buscando novas tecnologias, onde elas estiverem, para que os equipamentos de proteção respiratória que você tiver escolhido com base nestas informações possam atender às suas expectativas. Visite o site da Farbene: www.farbene.com.br BIBLIOGRAFIA CONSULTADA NIOSH Guide to Industrial Respiratory Protection NIOSH Guide to the Selection and Use of Particulate Respirators Respiratory Protection and Fit Testing Workshop, Dr. Roy McKay, USA Normas NBR da Associação Brasileira de Normas Técnicas Journal of the International Society for Respiratory Protection PPR Programa de Proteção Respiratória – Fundacentro O Tamanho das Partículas de Poeira no Ar em Ambientes de Trabalho, Alcinéia M.A. Santos - Fundacentro Segurança e Medicina do Trabalho – Manuais de Legislação Atlas Complete Confined Spaces Handbook – John F. Rekus Air Monitoring for Toxic Exposures – Shirley A. Ness Basic Concepts of Industrial Hygiene – Ronald Scott Respiratory Protection Handbook – William Nevoir e Ching-Tsen Bien Safety and Health in Confined Spaces – Neil McManus Normas ABNT NR 33 Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 82 ANEXO 1 – TABELA DE VALORES IPVS E LIMITES DE TOLERÂNCIA DE ALGUNS CONTAMINANTES Fonte: Industrial Hygiene Services, Inc. Software: IDLH Viewer NR 15 Portaria 3214 Atenção: a ausência do dado não significa que o valor seja Zero ! SUBSTÂNCIA L. T. BRASIL 1978 IPVS NIOSH 1998 Acetaldeído 78 ppm 2.000 ppm Acetato de Etila 310 ppm 2.000 ppm Acetato de Isoamila 1.000 ppm Acetato de Metila 3.100 ppm Acetato de n-Butila 1.700 ppm Acetato de Propila 1.700 ppm Acetona 780 ppm 2.500 ppm Acetonitrila 30 ppm 500 ppm Ácido Acético 8 ppm 50 ppm Ácido Bromídrico (Veja Gás Bromídrico) Ácido Cianídrico (Veja Gás Cianídrico) Ácido Clorídrico (Veja Gás Clorídrico) Ácido Crômico 15 mg Cr IV/m3 Ácido Fluorídrico (Veja Gás Fluorídrico) Ácido Fórmico 4 ppm 30 ppm Ácido Fosfórico 1.000 mg/m3 Ácido Nítrico 25 ppm Ácido Oxálico 500 mg/m3 Ácido Pícrico 75 mg/m3 Ácido Sulfídrico (Veja Gás Sulfídrico) Ácido Sulfúrico 15 mg/m3 Acrilamida 60 mg/m3 Acrilato de Etila 300 ppm Acrilato de Metila 8 ppm 250 ppm Acrilonitrila 16 ppm 85 ppm Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 83 SUBSTÂNCIA L. T. BRASIL 1978 IPVS NIOSH 1998 Acroleína 5 ppm Álcool Etílico (Etanol) 780 ppm 3.300 ppm Álcool Isoamílico 78 ppm 500 ppm Álcool Isobutílico 40 ppm 1.600 ppm Álcool Isopropílico 310 ppm 2.000 ppm Álcool Metílico (Metanol) 156 6.000 ppm Álcool n-Butílico 40 ppm 1.400 ppm Álcool n-Propílico 156 ppm 800 ppm Álcool terc-Butílico 78 ppm 1.600 ppm Aldrin 25 mg/m3 Amônia 20 ppm 300 ppm Anidrido Acético 200 ppm Anidrido Sulfuroso - Veja Dióxido de Enxofre Anilina 4 ppm 100 ppm Arsênico e Compostos Solúveis 10 mg/m3 Arsina 0,04 ppm 3 ppm Benzeno 150 ppm Berilo 10 mg/m3 Betacloroprene 300 ppm Brometo de Etila 156 ppm 2.000 ppm Brometo de Metila 12 ppm 250 ppm Bromo 0,08 ppm 10 ppm Bromofórmio 0,4 ppm 850 ppm Butadieno 1,3 780 ppm 2.000 ppm Butanona 2 3.000 ppm Butilamina (n-Butilamina) 4 ppm 300 ppm Butoxietanol 2 700 ppm Cádmio, poeiras e sais 9 mg Cd/m3 Canfeno Clorado (Toxafeno) 20 mg/m3 Carbaryl 100 mg/m3 Carvão em pó (Negro-de-Fumo) 1.750 mg/m3 Chlordane 100 mg/m3 Chumbo em pó como Pb 100 mg Pb/m3 Chumbo Tetraetila como Pb 40 mg Pb/m3 Chumbo, fumos como Pb 700 mg/m3 Cianetos como CN 25 mg/m3 Ciclohexano 235 ppm 1.300 ppm Tratadode Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 84 SUBSTÂNCIA L. T. BRASIL 1978 IPVS NIOSH 1998 Ciclohexanol 40 ppm 400 ppm Ciclohexanona 1.300 ppm Cimento Portland - Poeiras Totais 5.000 mg/m3 Cloreto de Etila 780 ppm 3.800 ppm Cloreto de Metila 78 ppm 2.000 ppm Cloreto de Metileno 156 ppm 2.300 ppm Cloreto de Zinco, fumos 50 mg/m3 Cloro 0,8 ppm 10 ppm Clorobromometano 156 ppm 2.000 ppm Clorodifenila (42% de cloro) 10 mg/m3 Clorodifenila (54% de cloro) 5 mg/m3 Clorofórmio 20 ppm 500 ppm Cloropicrina 4 ppm Cobalto como Co 20 mg/m3 Cobre, Fumos 100 mg/m3 Cobre, Poeira e Névoa 100 mg/m3 Cresol 250 ppm Cromo metálico 200 mg Cr/m3 DDT 500 mg/m3 Destilados de Petróleo - Nafta 1.100 ppm Di Isobutil Cetona (DISK) 500 ppm Diacetona Álcool 1.800 ppm Dibrometo de Etileno 100 ppm Dibutil Ftalato 4.000 mg/m3 Dichlorvos 100 mg/m3 Dicloro Difluor Metano 780 ppm 15.000 ppm Dicloro Fluor Metano 5.000 ppm Dicloroetano 1,1 156 ppm 3.000 ppm Dieldrin 50 mg/m3 Dietanolamina 2.000 ppm Dietilamina 20 ppm 200 ppm Dimetil Acetamida 8 ppm 300 ppm Dimetil Formamida 500 ppm Dimetil Ftalato 2.000 mg/m3 Dimetil Hidrazina 1,1 0,4 ppm 15 ppm Dimetilamina 500 ppm Dimetilamina N, N 100 ppm Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 85 SUBSTÂNCIA L. T. BRASIL 1978 IPVS NIOSH 1998 Di-Nitrotolueno 50 mg/m3 Dioxano 2.000 ppm Dióxido de Cloro 0,08 ppm 5 ppm Dióxido de Enxofre (Anidrido Sulfuroso) 4 ppm 100 ppm Dióxido de Nitrogênio 4 ppm 20 ppm Dissulfeto de Carbono 16 ppm 500 ppm Epicloridrina 75 ppm Estireno 78 ppm 700 ppm Etanol (Veja Álcool Etílico) Etanolamina 10 ppm Éter Diglicidílico 10 ppm Éter Etílico 310 ppm 1.900 ppm Éter n-Butil Glicidílico 250 ppm Etil Benzeno 800 ppm Etil Butil Cetona 1.000 ppm Etoxietanol 2 500 ppm Fenol 4 ppm 250 ppm Flúor 25 ppm Formiato de Metila 4.500 ppm Formaldeído (Formol) 1,6 ppm 20 ppm Fosfina 0,23 ppm 50 ppm Fosgênio 0,08 ppm 2 ppm Furfural 100 ppm Gás Bromídrico (Ácido Bromídrico) 30 ppm Gás Cianídrico (Ácido Cianídrico) 8 ppm 50 ppm Gás Clorídrico (Ácido Clorídrico) 4 ppm 50 ppm Gás Fluorídrico (Ácido Fluorídrico) como F 2,5 ppm 30 ppm Gás Sulfídrico (Ácido Sulfídrico) 100 ppm Gasolina (como n-Octano) 1.000 ppm GLP (Propano + Butano) 2.000 ppm n-Hexano (normal Hexano) 1.100 ppm Hexanona 1.600 ppm Hidrazina 0,08 ppm 50 ppm Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 86 SUBSTÂNCIA L. T. BRASIL 1978 IPVS NIOSH 1998 Hidroquinona 50 mg/m3 Hidróxido de Sódio (Soda Cáustica) 10 mg/m3 Iodeto de Metila 100 ppm Iodo 2 ppm Isocianato de Metila - veja Metil Iso Cianato Lindano 50 mg/m3 Malathion (Fração Respirável) 250 mg/m3 Mercúrio (como Hg compostos inorgânicos) 10 mg/m3 Mercúrio (como Hg e compostos orgânicos) 2 mg/m3 Metacrilato de Metila 78 ppm 1.000 ppm Metanol - Veja Álcool Metílico Metil Acetileno 1.700 ppm Metil Ciclo Hexano 1.200 ppm Metil Ciclo Hexanol 39 ppm 500 ppm Metil Clorofórmio 275 ppm 700 ppm Metil Clorofórmio - Veja Tricloretano Metil Etil Cetona (MEK) 155 ppm 3.000 ppm Metil Hidrazina 20 ppm Metil Isobutil Cetona (MIBK) 3.000 ppm Metil Isocianato (Isocianato de Metila) 3 ppm Metil Mercaptana 0,4 ppm 150 ppm Metilamina 8 ppm 100 ppm Monóxido de Carbono 39 ppm 1.200 ppm Nafta 1.000 ppm Nitropropano 2 20 ppm 100 ppm Nitrotolueno 200 ppm Orto Diclorobenzeno 200 ppm Orto Toluidina 50 ppm Óxido de Cádmio, fumos como Cd 9 mg/m3 Óxido de Cálcio 25 mg/m3 Óxido de Etileno 39 ppm 800 ppm Óxido de Zinco, fumos 500 mg/m3 Óxido Nítrico 20 ppm 100 ppm Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 87 SUBSTÂNCIA L. T. BRASIL 1978 IPVS NIOSH 1998 Ozônio 0,08 ppm 5 ppm P-Diclorobenzeno 150 ppm P-Nitroclorobenzeno 100 mg/m3 Parathion 10 mg/m3 Pentacloreto de Fósforo 70 mg/m3 Pentaclorofenol 2,5 mg/m3 Pentanona 2 1.500 ppm Percloretileno (Tetracloroetileno) 78 ppm 150 ppm Percloro Metil Mercaptana 10 ppm Peróxido de Benzoíla 1.500 mg/m3 Peróxido de Hidrogênio 1 ppm Phosdrin 4 ppm Piridina 1.000 ppm Pixe volátil 80 mg/m3 Quinona 100 mg/m3 Soda Cáustica - Veja Hidróxido de Sódio Sulfato de Dimetila 0,08 ppm 7 ppm Terebentina 800 ppm Tetracloreto de Carbono 8 ppm 200 ppm Tetracloroetano 1,1,2,2 100 ppm Tetracloroetileno (Veja Percloretileno) Tetrahidrofurano 156 ppm 2.000 ppm Tetrametil Succinonitrila 5 ppm Tolueno 78 ppm 500 ppm Tolueno Di-Isocianato TDI 0,016 ppm 2,5 ppm Toxafeno - Veja Canfeno Clorado Tricloretano 1,1,1 (Metil Clorofórmio) 275 ppm 700 ppm Tricloretano 1,1,2 8 ppm 100 ppm Tricloretileno 78 ppm 1.000 ppm Tricloreto de Fósforo 25 ppm Tricloro 1,1,2 Trifluormetano 1,2,2 2.000 ppm Trietilamina 20 ppm 20 ppm Trimetilamina 100 ppm Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 88 SUBSTÂNCIA L. T. BRASIL 1978 IPVS NIOSH 1998 Urânio Natural, Compostos Insolúveis 10 mg/m3 Urânio Natural, Compostos Solúveis 10 mg/m3 Vinil Tolueno 400 ppm Xilol 78 ppm 1.000 ppm ANEXO 2 – TEXTO DA NR-33 – ESPAÇOS CONFINADOS PORTARIA MTE Nº 202, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2006 Aprova a Norma Regulamentadoras nº 33 (NR-33), que trata de Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. O MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, Inciso II, da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no art. 200 da Consolidação das Leis do Trabalho, Decreto Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, resolve: Art. 1º - Aprovar a Norma Regulamentadoras nº 33 (NR-33), que trata de Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados, na forma do disposto no Anexo a esta Portaria. Art. 2º - O disposto na Norma Regulamentadoras é de cumprimento obrigatório pelos empregadores, inclusive os constituídos sob a forma de microempresa ou empresa de pequeno porte. Art. 3º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. LUIZ MARINHO ANEXO NORMA REGULAMENTADORA Nº 33 - SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS 33.1 - Objetivo e Definição 33.1.1 - Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de espaços confinados e o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nestes espaços. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 89 33.1.2 - Espaço Confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meio limitado de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio. 33.2 - Das Responsabilidades 33.2.1 - Cabe ao Empregador: a) Indicar formalmente o responsável técnico pelo cumprimento desta norma; b)Identificar os espaços confinados existentes no estabelecimento; c) Identificar os riscos específicos de cada espaço confinado; d) Implementar a gestão em segurança e saúde no trabalho em espaços confinados, por medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergência e salvamento, de forma a garantir permanentemente ambientes com condições adequadas de trabalho; e) Garantir a capacitação continuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de emergência e salvamento em espaços confinados; f) Garantir que o acesso ao espaço confinado somente ocorra após a emissão, por escrito, da Permissão de Entrada e Trabalho, conforme modelo constante no anexo II desta NR; g) Fornecer às empresas contratadas informações sobre os riscos nas áreas onde desenvolverão suas atividades e exigir a capacitação de seus trabalhadores; h) Acompanhar a implementação das medidas de segurança e saúde dos trabalhadores das empresas contratadas provendo os meios e condições para que eles possam atuar em conformidade com esta NR; i) Interromper todo e qualquer tipo de trabalho em caso de suspeição de condição de risco grave e iminente, procedendo ao Imediato abandono do local; e; j) Garantir informações atualizadas sobre os riscos e medidas de controle antes de cada acesso aos espaços confinados. 33.2.2 - Cabe aos Trabalhadores: a) Colaborar com a empresa no cumprimento desta NR; b) Utilizar adequadamente os meios e equipamentos fornecidos pela empresa; c) Comunicar ao Vigia e ao Supervisor de Entrada as situações de risco para sua segurança e saúde ou de terceiros, que sejam do seu conhecimento; e Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 90 d) Cumprir os procedimentos e orientações recebidas nos treinamentos com relação aos espaços confinados. 33.3 - Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados 33.3.1 - A gestão de segurança e saúde deve ser planejada, programada, implementada e avaliada, incluindo medidas técnicas de prevenção, medidas administrativas e medidas pessoais e capacitação para trabalho em espaços confinados. 33.3.2 - Medidas técnicas de prevenção: a) Identificar, isolar e sinalizar os espaços confinados para evitar a entrada de pessoas não autorizadas; b) Antecipar e reconhecer os riscos nos espaços confinados; c) Proceder à avaliação e controle dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos; d) Prever a implantação de travas, bloqueios, alívio, lacre e etiquetagem; e) Implementar medidas necessárias para eliminação ou controle dos riscos atmosféricos em espaços confinados; f) Avaliar a atmosfera nos espaços confinados, antes da entrada de trabalhadores, para verificar se o seu interior é seguro; g) Manter condições atmosféricas aceitáveis na entrada e durante toda a realização dos trabalhos, monitorando, ventilando, purgando, lavando ou inertizando o espaço confinado; h) Monitorar continuamente a atmosfera nos espaços confinados nas áreas onde os trabalhadores autorizados estiverem desempenhando as suas tarefas, para verificar se as condições de acesso e permanência são seguras; i) Proibir a ventilação com oxigênio puro; j) Testar os equipamentos de medição antes de cada utilização; e k) Utilizar equipamento de leitura direta, intrinsecamente seguro, provido de alarme, calibrado e protegido contra emissões eletromagnéticas ou interferências de radiofreqüência. 33.3.2.1 - Os equipamentos fixos e portáteis, inclusive os de comunicação e de movimentação vertical e horizontal, devem ser adequados aos riscos dos espaços confinados; Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 91 33.3.2.2 - Em áreas classificadas os equipamentos devem estar certificados ou possuir documento contemplado no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade - INMETRO. 33.3.2.3 - As avaliações atmosféricas iniciais devem ser realizadas fora do espaço confinado. 33.3.2.4 - Adotar medidas para eliminar ou controlar os riscos de incêndio ou explosão em trabalhos a quente, tais como solda, aquecimento, esmerilhamento, corte ou outros que liberem chama aberta faíscas ou calor. 33.3.2.5 - Adotar medidas para eliminar ou controlar os riscos de inundação, soterramento, engolfamento, incêndio, choques elétricos, eletricidade estática, queimaduras, quedas, escorregamentos, Impactos, esmagamentos, amputações e outros que possam afetar a segurança e saúde dos trabalhadores. 33.3.3 - Medidas administrativas: a) Manter cadastro atualizado de todos os espaços confinados, inclusive dos desativados, e respectivos riscos; b) Definir medidas para isolar, sinalizar, controlar ou eliminar os riscos do espaço confinado; c) Manter sinalização permanente junto à entrada do espaço confinado, conforme o Anexo I da presente norma; d) Implementar procedimento para trabalho em espaço confinado; e) Adaptar o modelo de Permissão de Entrada e Trabalho, previsto no Anexo II desta NR, às peculiaridades da empresa e dos seus espaços confinados; f) Preencher, assinar e datar, em três vias, a Permissão de Entrada e Trabalho antes do ingresso de trabalhadores em espaços confinados; g) Possuir um sistema de controle que permita a rastreabilidade da Permissão de Entrada e Trabalho; h) Entregar para um dos trabalhadores autorizados e ao Vigia cópia da Permissão de Entrada e Trabalho; i) Encerrar a Permissão de Entrada e Trabalho quando as operações forem completadas, quando ocorrer uma condição não prevista ou quando houver pausa ou interrupção dos trabalhos; j) Manter arquivados os procedimentos e Permissões de Entrada e Trabalho por cinco anos; Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 92 k) Disponibilizar os procedimentos e Permissão de Entrada e Trabalho para o conhecimento dos trabalhadores autorizados, seus representantes e fiscalização do trabalho; l) Designar as pessoas que participarão das operações de entrada, identificando os deveres de cada trabalhador e providenciando a capacitação requerida; m) Estabelecer procedimentos de supervisão dos trabalhos no exterior e no interior dos espaços confinados; n) Assegurar que o acesso ao espaço confinado somente seja Iniciado com acompanhamento e autorização de supervisão capacitada; o) Garantir que todos os trabalhadores sejam informados dos riscos e medidas de controle existentes no local de trabalho; e p) Implementar um Programa de Proteção Respiratória de acordo com a análise de risco, considerando o local, a complexidade e o tipo de trabalho a ser desenvolvido. 33.3.3.1 - A Permissão de Entrada e Trabalho é válida somente para cada entrada. 33.3.3.2 - Nos estabelecimentos onde houver espaços confinados devem ser observadas, de forma complementar a presente NR, os seguintes atos normativos: NBR 14606 - Postos de Serviço - Entrada em Espaço Confinado; e NBR 14787 - Espaço Confinado - Prevenção de Acidentes, Procedimentos e Medidas de Proteção, bem como suas alterações posteriores. 33.3.3.3 - O procedimento para trabalho deve contemplar, no mínimo: objetivo, campo de aplicação, base técnica, responsabilidades, competências, preparação, emissão, uso e cancelamento da Permissão de Entrada e Trabalho, capacitação para os trabalhadores, análise de risco e medidas de controle. 33.3.3.4 - Os procedimentos para trabalho em espaços confinados e a Permissão de Entrada e Trabalhodevem ser avaliados no mínimo uma vez ao ano e revisados sempre que houver alteração dos riscos, com a participação do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA. 33.3.3.5 - Os procedimentos de entrada em espaços confinados devem ser revistos quando da ocorrência de qualquer uma das circunstâncias abaixo: a) Entrada não autorizada num espaço confinado; b) Identificação de riscos não descritos na Permissão de Entrada e Trabalho; c) Acidente, incidente ou condição não prevista durante a entrada; Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 93 d) Qualquer mudança na atividade desenvolvida ou na configuração do espaço confinado; e) Solicitação do SESMT ou da CIPA; e f) Identificação de condição de trabalho mais segura. 33.3.4 - Medidas Pessoais 33.3.4.1 - Todo trabalhador designado para trabalhos em espaços confinados deve ser submetido a exames médicos específicos para a função que irá desempenhar, conforme estabelecem as NRs 07 e 31, incluindo os fatores de riscos psicossociais com a emissão do respectivo Atestado de Saúde Ocupacional - ASO. 33.3.4.2 - Capacitar todos os trabalhadores envolvidos, direta ou indiretamente com os espaços confinados, sobre seus direitos, deveres, riscos e medidas de controle, conforme previsto no item 33.3.5. 33.3.4.3 - O número de trabalhadores envolvidos na execução dos trabalhos em espaços confinados deve ser determinado conforme a análise de risco. 33.3.4.4 - É vedada a realização de qualquer trabalho em espaços confinados de forma individual ou isolada. 33.3.4.5 - O Supervisor de Entrada deve desempenhar as seguintes funções: a) Emitir a Permissão de Entrada e Trabalho antes do início das atividades; b) Executar os testes, conferir os equipamentos e os procedimentos contidos na Permissão de Entrada e Trabalho; c) Assegurar que os serviços de emergência e salvamento estejam disponíveis e que os meios para acioná-los estejam operantes; d) Cancelar os procedimentos de entrada e trabalho quando necessário; e e) Encerrar a Permissão de Entrada e Trabalho após o término dos serviços. 33.3.4.6 - O Supervisor de Entrada pode desempenhar a função de Vigia. 33.3.4.7 - O Vigia deve desempenhar as seguintes funções: a) Manter continuamente a contagem precisa do número de trabalhadores autorizados no espaço confinado e assegurar que todos saiam ao término da atividade; b) Permanecer fora do espaço confinado, junto à entrada, em contato permanente com os trabalhadores autorizados; Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 94 c) Adotar os procedimentos de emergência, acionando a equipe de salvamento, pública ou privada, quando necessário; d) Operar os movimentadores de pessoas; e e) Ordenar o abandono do espaço confinado sempre que reconhecer algum sinal de alarme, perigo, sintoma, queixa, condição proibida, acidente, situação não prevista ou quando não puder desempenhar efetivamente suas tarefas, nem ser substituído por outro Vigia. 33.3.4.8 - O Vigia não poderá realizar outras tarefas que possam comprometer o dever principal que é o de monitorar e proteger os trabalhadores autorizados. 33.3.4.9 - Cabe ao empregador fornecer e garantir que todos os trabalhadores que adentrarem em espaços confinados disponham de todos os equipamentos para controle de riscos, previstos na Permissão de Entrada e Trabalho. 33.3.4.10 - Em caso de existência de Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde - Atmosfera IPVS -, o espaço confinado somente pode ser adentrado com a utilização de máscara autônoma de demanda com pressão positiva ou com respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para escape. 33.3.5 - Capacitação para trabalhos em espaços confinados 33.3.5.1 - É vedada a designação para trabalhos em espaços confinados sem a prévia capacitação do trabalhador. 33.3.5.2 - O empregador deve desenvolver e implantar programas de capacitação sempre que ocorrer qualquer das seguintes situações: a) Mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho; b) Algum evento que indique a necessidade de novo treinamento; e c) Quando houver uma razão para acreditar que existam desvios na utilização ou nos procedimentos de entrada nos espaços confinados ou que os conhecimentos não sejam adequados. 33.3.5.3 - Todos os trabalhadores autorizados e Vigias devem receber capacitação periodicamente, a cada doze meses. 33.3.5.4 - A capacitação deve ter carga horária mínima de dezesseis horas, ser realizada dentro do horário de trabalho, com conteúdo programático de: a) Definições; b) Reconhecimento, avaliação e controle de riscos; Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 95 c) Funcionamento de equipamentos utilizados; d) Procedimentos e utilização da Permissão de Entrada e Trabalho; e e) Noções de resgate e primeiros socorros. 33.3.5.5 - A capacitação dos Supervisores de Entrada deve ser realizada dentro do horário de trabalho, com conteúdo programático estabelecido no subitem 33.3.5.4, acrescido de: a) Identificação dos espaços confinados; b) Critérios de indicação e uso de equipamentos para controle de riscos; c) Conhecimentos sobre práticas seguras em espaços confinados; d) Legislação de segurança e saúde no trabalho; e) Programa de proteção respiratória; f) Área classificada; e g) Operações de salvamento. 33.3.5.6 - Todos os Supervisores de Entrada devem receber capacitação específica, com carga horária mínima de quarenta horas. 33.3.5.7 - Os instrutores designados pelo responsável técnico, devem possuir comprovada proficiência no assunto. 33.3.5.8 - Ao término do treinamento deve-se emitir um certificado contendo o nome do trabalhador, conteúdo programático, carga horária, a especificação do tipo de trabalho e espaço confinado, data e local de realização do treinamento, com as assinaturas dos instrutores e do responsável técnico. 33.3.5.8.1 - Uma cópia do certificado deve ser entregue ao trabalhador e a outra cópia deve ser arquivada na empresa. 33.4 - Emergência e Salvamento 33.4.1 - O empregador deve elaborar e implementar procedimentos de emergência e resgate adequados aos espaços confinados Incluindo, no mínimo: a) Descrição dos possíveis cenários de acidentes, obtidos a partir da Análise de Riscos; b) Descrição das medidas de salvamento e primeiros socorros a serem executadas em caso de emergência; Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 96 c) Seleção e técnicas de utilização dos equipamentos de comunicação, iluminação de emergência, busca, resgate, primeiros socorros e transporte de vítimas; d) Acionamento de equipe responsável, pública ou privada, pela execução das medidas de resgate e primeiros socorros para cada serviço a ser realizado; e e) Exercício simulado anual de salvamento nos possíveis cenários de acidentes em espaços confinados. 33.4.2 - O pessoal responsável pela execução das medidas de salvamento deve possuir aptidão física e mental compatível com a atividade a desempenhar. 33.4.3 - A capacitação da equipe de salvamento deve contemplar todos os possíveis cenários de acidentes identificados na análise derisco. 33.5 - Disposições Gerais 33.5.1 - O empregador deve garantir que os trabalhadores possam interromper suas atividades e abandonar o local de trabalho, sempre que suspeitarem da existência de risco grave e iminente para sua segurança e saúde ou a de terceiros. 33.5.2 - São solidariamente responsáveis pelo cumprimento desta NR os contratantes e contratados. 33.5.3 - É vedada a entrada e a realização de qualquer trabalho em espaços confinados sem a emissão da Permissão de Entrada e Trabalho. ANEXO I SINALIZAÇÃO Sinalização para identificação de espaço confinado Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 97 ANEXO II Permissão de Entrada e Trabalho - PET Modelo de caráter informativo para elaboração da Permissão de Entrada e Trabalho em Espaço Confinado Nome da empresa: __________________________________________________________________ Local do espaço confinado: __________________________________________________________________ Espaço confinado nº : __________________________________________________________________ Data e horário da emissão: __________________________________________________________________ Data e horário do término: __________________________________________________________________ Trabalho a ser realizado: __________________________________________________________________ Trabalhadores autorizados: __________________________________________________________________ Vigia: __________________________________________________________________ Equipe de resgate: __________________________________________________________________ Supervisor de Entrada: __________________________________________________________________ Procedimentos que devem ser completados antes da entrada 1. Isolamento _____________________________ S ( ) N ( ) 2. Teste inicial da atmosfera horário ____________________________________ Oxigênio _______________ % O2 Inflamáveis _____________ %LIE Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 98 Gás(es)/vapor(es) tóxico(s) ____________________________________ppm Poeiras / fumos / névoas tóxicas: ____________________________ mg/m3 Nome legível / assinatura do Supervisor dos testes: ________________________________ 3. Bloqueios, travamento e etiquetagem _______________ N/A ( ) S ( ) N ( ) 4. Purga e/ou lavagem ____________ ________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) 5. Ventilação/exaustão - tipo, equipamento e tempo _____ N/A ( ) S ( ) N ( ) 6. Teste após ventilação e isolamento: horário Oxigênio _________ % O2 > 19,5% ou < 23,0% Inflamáveis ____________ %LIE < 10% Gases/vapores tóxicos ___________________________ ppm Poeiras/fumos/névoas tóxicas ___________________________________________ mg/m3 Nome legível / assinatura do Supervisor dos testes: ________________________________ 7. Iluminação geral _____________________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) 8. Procedimentos de comunicação: ________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) 9. Procedimentos de resgate: _____________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) 10. Procedimentos e proteção de movimentação vertical: _____ N/A ( ) S ( ) N ( ) 11. Treinamento de todos os trabalhadores? É atual? ________ S ( ) N ( ) Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 99 12. Equipamentos: 13. Equipamento de monitoramento contínuo de gases aprovados e certificados por um Organismo de Certificação Credenciado (OCC) pelo INMETRO para trabalho em áreas potencialmente explosivas de leitura direta com alarmes em condições: _____________________________________________________ S ( ) N ( ) Lanternas _____________________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Roupa de proteção ______________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Extintores de incêndio ___________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Capacetes, botas, luvas __________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Equipamentos de proteção respiratória/autônomo ou sistema de ar mandado com cilindro de escape __________________________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Cinturão de segurança e linhas de vida p/ os trabalhadores autorizado _ S ( ) N ( ) Cinturão de segurança e linhas de vida p/equipe de resgate __ N/A ( ) S ( ) N ( ) Escada ___________________________________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Equipamentos de movimentação vertical/suportes externos __N/A ( ) S ( ) N ( ) Equipamentos de comunicação eletrônica aprovados e certificados por um Organismo de Certificação Credenciado (OCC) pelo INMETRO para trabalho em áreas potencialmente explosivas ______________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Equipamento de proteção respiratória autônomo ou sistema de ar mandado com cilindro de escape para a equipe de resgate ____________ S ( ) N ( ) Equipamentos elétricos e eletrônicos aprovados e certificados por um Organismo de Certificação Credenciado (OCC) pelo INMETRO para trabalho em áreas potencialmente explosivas __________________________________________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Procedimentos que devem ser completados durante o desenvolvimento dos trabalhos 14. Permissão de trabalhos a quente ____________________ N/A ( ) S ( ) N ( ) Procedimentos de Emergência e Resgate: Telefones e contatos: Ambulância: _______________ Bombeiros:____________ Segurança: ________________________ Legenda: N/A - “não se aplica”; N - “não”; S - “sim”. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 100 A entrada não pode ser permitida se algum campo não for preenchido ou contiver a marca na coluna “não”. A falta de monitoramento contínuo da atmosfera no interior do espaço confinado, alarme, ordem do Vigia ou qualquer situação de risco à segurança dos trabalhadores, implica no abandono imediato da área Qualquer saída de toda equipe por qualquer motivo implica a emissão de nova permissão de entrada. Esta permissão de entrada deverá ficar exposta no local de trabalho até o seu término. Após o trabalho, esta permissão deverá ser arquivada. ANEXO III Glossário Abertura de linha: abertura intencional de um duto, tubo, linha, tubulação que está sendo utilizada ou foi utilizada para transportar materiais tóxicos, inflamáveis, corrosivos, gás, ou qualquer fluido em pressões ou temperaturas capazes de causar danos materiais ou pessoais visando a eliminar energias perigosas para o trabalho seguro em espaços confinados. Alívio: o mesmo que abertura de linha. Análise Preliminar de Risco (APR): avaliação inicial dos riscos potenciais, suas causas, conseqüências e medidas de controle. Área Classificada: área potencialmente explosiva ou com risco de explosão. Atmosfera IPVS - Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde: qualquer atmosfera que apresente risco imediato à vida ou produza imediato efeito debilitante à saúde. Avaliações iniciais da atmosfera: conjunto de medições preliminares realizadas na atmosfera do espaço confinado. Base técnica: conjunto de normas, artigos, livros, procedimentos de segurança de trabalho, e demais documentos técnicos utilizados para implementar o Sistema de Permissão de Entrada e Trabalho em espaços confinados. Bloqueio: dispositivo que impede a liberação de energias perigosas tais como: pressão, vapor, fluidos,combustíveis, água e outros visando à contenção de energias perigosas para trabalho seguro em espaços confinados. Chama aberta: mistura de gases incandescentes emitindo energia, que é também denominada chama ou fogo. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 101 Condição IPVS: Qualquer condição que coloque um risco imediato de morte ou que possa resultar em efeitos à saúde irreversíveis ou imediatamente severos ou que possa resultar em dano ocular, irritação ou outras condições que possam impedir a saída de um espaço confinado. Contaminantes: gases, vapores, névoas, fumos e poeiras presentes na atmosfera do espaço confinado. Deficiência de Oxigênio: atmosfera contendo menos de 20,9% de oxigênio em volume na pressão atmosférica normal, a não ser que a redução do percentual seja devidamente monitorada e controlada. Engolfamento: é o envolvimento e a captura de uma pessoa por líquidos ou sólidos finamente divididos. Enriquecimento de Oxigênio: atmosfera contendo mais de 23% de oxigênio em volume. Etiquetagem: colocação de rótulo num dispositivo isolador de energia para indicar que o dispositivo e o equipamento a ser controlado não podem ser utilizados até a sua remoção. Faísca: partícula candente gerada no processo de esmerilhamento, polimento, corte ou solda. Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados: conjunto de medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e coletivas necessárias para garantir o trabalho seguro em espaços confinados. Inertização: deslocamento da atmosfera existente em um espaço confinado por um gás inerte, resultando numa atmosfera não combustível e com deficiência de oxigênio. Intrinsecamente Seguro: situação em que o equipamento não pode liberar energia elétrica ou térmica suficientes para, em condições normais ou anormais, causar a ignição de uma dada atmosfera explosiva, conforme expresso no certificado de conformidade do equipamento. Lacre: braçadeira ou outro dispositivo que precise ser rompido para abrir um equipamento. Leitura direta: dispositivo ou equipamento que permite realizar leituras de contaminantes em tempo real. Medidas especiais de controle: medidas adicionais de controle necessárias para permitir a entrada e o trabalho em espaços confinados em situações peculiares, tais como trabalhos a quente, atmosferas IPVS ou outras. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 102 Ordem de Bloqueio: ordem de suspensão de operação normal do espaço confinado. Ordem de Liberação: ordem de reativação de operação normal do espaço confinado. Oxigênio puro: atmosfera contendo somente oxigênio (100%). Permissão de Entrada e Trabalho (PET): documento escrito contendo o conjunto de medidas de controle visando à entrada e desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de emergência e resgate em espaços confinados. Proficiência: competência, aptidão, capacitação e habilidade aliadas à experiência. Programa de Proteção Respiratória: conjunto de medidas práticas e administrativas necessárias para proteger a saúde do trabalhador pela seleção adequada e uso correto dos respiradores. Purga: método de limpeza que torna a atmosfera interior do espaço confinado isenta de gases, vapores e outras impurezas indesejáveis através de ventilação ou lavagem com água ou vapor. Quase-acidente: qualquer evento não programado que possa indicar a possibilidade de ocorrência de acidente. Responsável Técnico: profissional habilitado para identificar os espaços confinados existentes na empresa e elaborar as medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergência e resgate. Risco Grave e Iminente: Qualquer condição que possa causar acidente de trabalho ou doença profissional com lesão grave à integridade física do trabalhador. Riscos psicossociais: influência na saúde mental dos trabalhadores, provocada pelas tensões da vida diária, pressão do trabalho e outros fatores adversos. Salvamento: procedimento operacional padronizado, realizado por equipe com conhecimento técnico especializado, para resgatar e prestar os primeiros socorros a trabalhadores em caso de emergência. Sistema de Permissão de Entrada em Espaços Confinados: procedimento escrito para preparar uma Permissão de Entrada e Trabalho (PET). Supervisor de Entrada: pessoa capacitada para operar a permissão de entrada com responsabilidade para preencher e assinar a Permissão de Entrada e Trabalho (PET) para o desenvolvimento de entrada e trabalho seguro no interior de espaços confinados. Tratado de Proteção Respiratória Autor: João Antonio Munhoz Farbene Comércio e Serviços Ltda. _________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 103 Trabalhador autorizado: trabalhador capacitado para entrar no espaço confinado, ciente dos seus direitos e deveres e com conhecimento dos riscos e das medidas de controle existentes. Trava: dispositivo (como chave ou cadeado) utilizado para garantir isolamento de dispositivos que possam liberar energia elétrica ou mecânica de forma acidental. Vigia: trabalhador designado para permanecer fora do espaço confinado e que é responsável pelo acompanhamento, comunicação e ordem de abandono para os trabalhadores. (D.O. 27/12/2006) Sobre o Autor: João Antonio Munhoz, Químico Industrial, atuou como Gerente de Produto na Dräger do Brasil por mais de 20 anos, atual Gerente Técnico da Farbene Comércio e Serviços Ltda., prestando serviços de consultoria a Empresas em Detecção de Gases e Proteção Respiratória. Freqüentou e ministrou Cursos, apresentou trabalhos em Eventos ligados às áreas de sua especialidade, no Brasil e em diversos outros países. Membro das Comissões de Estudos de Proteção Respiratória e de Espaços Confinados da A.B.N.T. e da International Society for Respiratory Protection. Ministra diversos cursos de Programa de Proteção Respiratória em entidades de destaque. O primeiro trabalho do autor data de 1976 e começou com a Detecção de Gases. Posteriormente foi ampliado incluindo Proteção Respiratória em diversas edições até chegar a esta. Para escrever este Tratado, que é constantemente atualizado com inclusões e novidades neste campo, o autor baseou-se em sua experiência pessoal de mais de 30 anos nos assuntos de sua especialidade, nos exemplos práticos encontrados no dia-a-dia, na literatura disponível no mercado mundial neste momento, em trabalhos apresentados em congressos e em cursos freqüentados e ministrados no Brasil e no Exterior. And if you’re at least totaly fluent in English ask for some other literature that could be helpful in your studies of Respiratory Protection and Gas Detection. We’re here to help. Críticas e sugestões serão bem vindas. Lembre-se: este Tratado estará sempre passando por atualizações. Esta é a atualização de abril de 2007.