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ANÁLISE FUNCIONAL DE PERSONAGEM Grupo: Gladston Norberto, Paula Lage Ribeiro, Raquel Leitão Lima, Renata Pessoa Personagem sob análise: Cebolinha da Turma da Mônica Vídeos analisados: Oi, eu sou o Cebolinha! | Turma da Mônica O final infalível de um plano infalível | Turma da Mônica Um plano levemente infalível | Turma da Mônica Plano hipnótico | Turma da Mônica O dia em que derrotei a Mônica | Turma da Mônica O dia em que o Cebolinha desistiu dos planos infalíveis | Turma da Mônica https://www.youtube.com/watch?v=A8PPa41WUZY&ab_channel=TurmadaM%C3%B4nica https://www.youtube.com/watch?v=wztirtZVvD0 https://www.youtube.com/watch?v=WFplpIiHEBI https://youtu.be/AgoCa-47Wxg https://www.youtube.com/watch?v=rSiH5iKVOdI&ab_channel=TurmadaM%C3%B4nica http://www.youtube.com/watch?v=wqeUgdps8lY&ab_channel=TurmadaM%C3%B4nica RELATÓRIO PSICOLÓGICO NOME: Cebolácio Júnior Menezes da Silva (Cebolinha) DATA DE NASCIMENTO: 24/10/2015 RESPONSÁVEIS LEGAIS: Cebolácio Cogumélio da Silva e Maria Cebola Menezes SOLICITANTE: Maria Cebola Menezes (mãe) FINALIDADE: Avaliação de comportamentos inadequados AUTORES: Gladston Norberto, Paula Lage Ribeiro, Raquel Leitão Lima, Renata Pessoa 1) Apresentação da personagem Cebolinha é um garoto de 7 anos, sexo masculino, solteiro, estudante. Possui cinco fios de cabelo espetados, usa sempre uma camisa verde, shorts preto e sapatos marrons. Mora no Bairro do Limoeiro, São Paulo - SP, descrito pelos pais como um bairro tranquilo, onde brinca com amigos na rua e também estuda. Sua fala é marcada por uma acentuada dislalia, transtorno de linguagem em que a criança troca os fonemas da letra R pela letra L. Cebolinha tem um bom relacionamento com os seus colegas, ainda que precise de constante validação para se sentir confortável socialmente. Os pais da criança o descrevem como um menino agitado, bastante astuto e às vezes teimoso. A mãe se preocupa com as travessuras da criança, embora acredite ser brincadeira de criança. Já a professora afirma que Cebolinha é bastante esperto e inteligente. Apresenta dificuldade na leitura e escrita, mas tem apresentado avanços promissores. A informante escolar também afirma que Cebolinha constantemente tenta se mostrar melhor que os colegas e requisita bastante a sua atenção, assim como a dos colegas. 2) Comportamentos problema: A avaliação foi solicitada pela mãe da criança, que se preocupa com as travessuras de seu filho e acredita que seus comportamentos por vezes colocam em risco a criança ou os seus colegas. Ela também busca compreender as motivações da criança para engajar-se em tais comportamentos e como substituí-los por outros mais adequados. Dentre os problemas descritos pela progenitora, destaca-se o relacionamento conturbado com uma das colegas, Mônica, a quem frequentemente faz xingamentos e ofensas públicas relativas à sua aparência. A criança também rouba o brinquedo preferido da amiga, um coelhinho de pelúcia, para irritá-la. Além disso, cria planos mirabolantes e perigosos para atrair sua atenção, incluindo outra(s) criança(s) em tais planos e colocando-a(s) em risco. A principal motivação da criança é tornar-se o dono da Rua do Limoeiro, título atualmente conferido a colega. Os planos inventados pela criança geralmente envolvem conquistar o título, derrotar a Mônica e se sobressair perante os colegas. Nesse sentido, um problema recorrente parece ser a dificuldade em relações interpessoais, já que ele não gosta quando é contrariado e fica nervoso quando os outros não aceitam as suas ideias pré estabelecidas. Para fins de avaliação funcional, portanto, considera-se os comportamentos em análise e descrição (1) ofender a colega, (2) planejar e executar planos perigosos, denominados pela criança de infalíveis e (3) envolver outras crianças (em especial seu melhor amigo Cascão) em situações de risco. 3) História de vida e contingências de reforçamento: Os problemas relatados tiveram início após a mudança da colega Mônica para a Rua do Limoeiro, quando tinham em torno de 5 anos. Antes disso, Cebolácio se sobressaia com facilidade, possuindo um perfil claro de liderança. Após a chegada da nova vizinha, a criança passou a dividir a atenção de todos com a Mônica, que rapidamente se tornou muito querida e admirada pela sua força e inteligência, recebendo o título de dona da rua e protetora do local. Geralmente, quando se engaja nesses comportamentos, Cebolinha recebe a atenção da Mônica, mesmo que em forma de coelhadas, deixando a amiga chateada, brava e visivelmente abalada. Além disso, a criança também recebe o apoio do clubinho de meninos do bairro, que se admiram pela sua coragem e bravura ao enfrentar a Mônica. 4) Aspectos positivos e negativos do ambiente: O Limoeiro foi descrito pelos entrevistados como um bairro tranquilo, arborizado e de vizinhança cordial, com muitas crianças de idade similar à do Cebolinha. As crianças se reúnem à tarde, após a escola, para brincarem juntas. Os pais assinalaram que Cebolinha interage mais com seu melhor amigo Cascão, a Mônica e a Magali, que também são seus colegas na escola. Também foi assinalado que Cebolinha possui um perfil de liderança e influencia muitos dos seus colegas, principalmente na escolha das atividades e brincadeiras. Um possível problema, de acordo com os pais, é quando a colega Mônica está presente. Assim como Cebolinha, ela também possui um perfil de liderança perante a turma e, quando chega no ambiente, recebe maior atenção dos colegas e se sobrepõe à influência do amigo, geralmente pelo uso da força. 5) Padrões comportamentais identificados e hipóteses: Considerando os padrões apresentados pela criança, podemos observar uma baixa frequência de comportamentos de cooperação e reciprocidade, habilidades sociais básicas que envolvem situações de brincadeira. Há, ainda, baixa frequência de comportamentos que envolvam o enfrentamento de situações estressantes de maneira funcional, buscando a solução pacífica de problemas e redução da tensão, como o uso de estratégias de autorregulação e o diálogo com os colegas, além de formas adequadas de solicitar por atenção. Em sentido oposto, Cebolinha apresenta alta frequência de comportamentos que envolvem disputa, competitividade e busca de controle, como ofender e menosprezar colegas, fazer planos para derrotar e prejudicar outros e persuadir/convencer colegas a fazerem o que ele deseja. Uma hipótese é de que essas atitudes podem ser derivadas de déficits de habilidades sociais, busca por atenção e necessidade de afirmação constante. Para além desses comportamentos indesejados, Cebolinha é um menino esperto, com raciocínio rápido e ideias muito criativas. Outros comportamentos no repertório da criança possíveis de serem reforçados diferencialmente envolvem a habilidade para desenhos, a argumentação e persuasão, jogar futebol bem e tocar violão. Além disso, tem um senso de responsabilidade notável ao cuidar do seu cão Floquinho, levando-o para passear e dando comida. Ele também gosta de colecionar figurinhas, ler gibis e brincar com os meninos. 1- OFENDER A MÔNICA COM XINGAMENTOS RELATIVOS À APARÊNCIA ANTECEDENTES RESPOSTAS CONSEQUÊNCIAS O comportamento ocorre quando Mônica chega em horas inconvenientes (Sd) O comportamento ocorre quando Cebolinha se sente seguro com os seus Ofender a Mônica - Chamá-la de baixinha, gorducha e dentuça Apanhar da Mônica (P+) Receber atenção da Mônica (R+) Mônica fica abalada/chateada (R+) planos (Operação Motivadora) Quando contrariado - comentário contrário ou indesejado pela Mônica (Sd) Admiração dos colegas (R+) 2- CRIAR PLANOS PERIGOSOS PARA CONQUISTAR O TÍTULO DE DONO DA RUA ANTECEDENTES RESPOSTAS CONSEQUÊNCIAS Desejo de derrotar a Mônica e conquistar o título de dono da rua (Operação Motivadora) Mônica não está no ambiente (Mônica - Sdelta) Criar planos perigosos, chamados por ele de infalíveis Extravasar sua criatividade (R+) Aproximar-se do objetivo de derrotar a Mônica(R+) Adrenalina e interação social (R+) Estar na liderança (R+) 3- ENVOLVER SEU MELHOR AMIGO EM PLANOS PERIGOSOS ANTECEDENTES RESPOSTAS CONSEQUÊNCIAS Finalizar um plano que precisa de ajuda (Operação Motivadora) Cascão (Sd) Cascão sempre é convencido por ele (História de reforçamento) Pedir que o Cascão o ajude a completar o plano Cascão aceita participar dos planos e segue cegamente as instruções do amigo. (R+) 6) Proposta de intervenção: Uma proposta para o caso de Cebolácio consiste no treino de Habilidades Sociais. As habilidades sociais compreendem as reações comportamentais e cognitivas dos indivíduos diante de situações que envolvam duas ou mais pessoas. Dessa forma, uma pessoa pode apresentar habilidades sociais assertivas ou déficits em suas habilidades sociais, como no caso do Cebolinha, que sempre utiliza de planos perigosos, que podem colocar em risco a vida de outros personagens, para adquirir um título de dono da rua. Os programas de treinamento em habilidades sociais possuem diversas afiliações teóricas, como por exemplo, nas teorias humanistas, sistêmicas, cognitivistas e comportamentais (Arón, 1994), e parece predominar o uso de técnicas cognitivo-comportamentais nas intervenções da área (Caballo, 2003; Del Prette & Del Prette, 1999). Todas as técnicas que são comumente empregadas podem compreender o fornecimento de instruções, ensaio comportamental, modelação, modelagem, feedback verbal ou audiovisual, tarefas de casa, reestruturação cognitiva, solução de problemas, relaxamento (Caballo, 2003; Del Prette & Del Prette, 1999) e, em caso de intervenções grupais, vivências (Del Prette & Del Prette, 2001c, 2001d). De forma prática, temos que estas técnicas visam a modificar componentes comportamentais (como o ensaio comportamental), cognitivos (como a reestruturação cognitiva) e fisiológicos (como o relaxamento) típicos dos déficits em habilidades sociais. Considerando o padrão comportamental do personagem, sugerimos intervenções feitas em grupo com, no mínimo, outras duas crianças, juntamente com um profissional da Psicologia, ou de um acompanhante terapêutico devidamente supervisionado, que funcionará como facilitador. Os encontros inicialmente acontecerão uma vez por semana e terão duração de duas horas. A frequência e a intensidade deverão ser avaliadas tão logo comecem as intervenções, a fim de se adequar ao melhor proveito da criança. Visando a melhora dos comportamentos-problema de Cebolinha, o trabalho em grupo consistiria em brincadeiras em que as crianças fossem estimuladas a fazerem perguntas sobre as demais, dizerem pontos positivos e negativos que percebem uns nos outros, se elogiarem, pedirem desculpas, dentre outras coisas. A título de exemplo, podemos indicar a vivência de “perguntar e descobrir”, em que o facilitador elabora previamente perguntas em tirinhas de papel, coloca em uma caixinha, para que as crianças peguem e usem umas com as outras. No presente caso, é importante que o facilitador busque questionamentos que tenham como respostas características positivas do colega, estimulem o respeito, aproximem afetivamente as crianças. Outra atividade que pode ser proveitosa para o desenvolvimento de habilidades sociais, seria uma vivência sobre o sentido de gostar dos colegas. Após ler um livro ou um texto sobre como as pessoas gostam uma das outras e que isso nem sempre é algo fácil de ser percebido, por ser invisível, o Psicólogo incentiva as crianças a dizerem “o que posso fazer para mostrar que gosto de um amigo?”. É importante que o facilitador ouça atentamente as respostas, confirme as aceitáveis, corrija as equivocadas, ignore as propositalmente sem sentido ou que visem somente descredibilizar a dinâmica. Neste ponto é importante que sejam destacadas respostas funcionais e rebatidas, de maneira gentil, respostas disfuncionais. Após fazer esta triagem, o facilitador deverá escrevê-las, por tópicos, em um quadro, pedindo que cada um dê exemplos de como podem executá-las. Deverá trabalhar também qual é mais fácil e qual é mais difícil para cada uma das crianças ali presente, criando um ambiente de compartilhamento e afeto positivo. No caso do Cebolinha, é importante chamar sua atenção e destacar que provocar e desafiar as pessoas não é uma boa forma de demonstrar afetos. Também é interessante que se forneça feedback verbal para as ações do Cebolinha, além de que se faça uma modelagem de comportamentos adequados para que ele possa aprender e praticar. Também seria necessário, em sessão, explicar e abordar temas como assertividade, mostrando cognições e comportamentos assertivos, solução de problemas de forma eficaz e socialmente adequada, além de abordar e explicar sobre empatia. Para isso, é essencial, considerando a idade do garoto, utilizar maneiras lúdicas e prazerosas para a criança. Também sugerimos atendimentos individuais, na mesma frequência e intensidade dos atendimentos com pares, também por meio da brincadeira lúdica, os comportamentos a serem reforçados envolvem resolver seus problemas e impasses dialogando e usar a argumentação para a negociação, aprendendo a manter suas prioridades mais fundamentais e a ceder em pontos de baixa prioridade. Além disso, a psicóloga deve, por meio da modelação e instrução verbal, ensinar Cebolinha a solicitar atenção adequadamente, seja chamando o adulto ou par de idade pelo nome e/ou compartilhando algo através do “Olha!” Quanto às orientações para pais e professores, é indicado fornecer atenção para a criança em seus comportamentos adequados, parabenizando a criança pelo seu bom comportamento (se for o caso) e habilidades individuais, não prejudiciais aos outros. Os comportamentos possíveis de serem reforçados incluem jogar futebol colaborativamente, desenhar, ler livros e gibis, cuidar do seu cachorro, entre outros. Em relação aos pais, é importante ressaltar que separem alguns momentos de qualidade e atenção plena com a criança. 7) Resultados esperados (objetivo da intervenção): Espera-se que o Cebolinha apresente, ao longo da intervenção, comportamentos mais adequados, como por exemplo, conversar, expor suas vontades e desejos através do diálogo, que não se tenha a necessidade de ser considerado superior à outra pessoa, e assim não precise sempre querer derrotar a Mônica. De forma geral, todas as intervenções deverão buscar sensibilizar Cebolinha para formas funcionais de relacionamento, para a importância de boas relações interpessoais e o seguimento de regras. Especificamente, a vivência de perguntar e responder tem o objetivo de fazer com que haja o fortalecimento do vínculo de amizade, a aproximação afetiva uns dos outros, a identificação de características positivas individuais e, por conseguinte, estimular o respeito entre os colegas. Na vivência em que se trabalha o ato de gostar das pessoas, é esperado que Cebolinha consiga refletir sobre este sentimento, experiencie as emoções decorrentes dele e saiba identificá-las. É também esperado que se trabalhe a relação entre sentimentos, emoções e ações, destacando os padrões de comportamentos apresentados por ele e pelos colegas. Referências: Arón, A. M. & Milicic, N. (1994). Viver com os outros: Programa de desenvolvimento de habilidades sociais (J. P. Santos, Trad.). Campinas, SP: Psy Caballo, V. E. (2003). Manual de avaliação e treinamento das habilidades sociais. São Paulo: Santos. Del Prette, Z. A. P., & Del Prette, A. (1999). Psicologia das habilidades sociais: Terapia e educação. Petrópolis, RJ: Vozes Del Prette, A., & Del Prette Z. A. P. (2001). Psicologia das relações interpessoais: Vivências para o trabalho em grupo. Petrópolis, RJ: Vozes.