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Direito Administrativo - Profª Cristina Alencar CAPÍTULO 01 – REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 1. Conceito de Direito Administrativo 2. Conceito de Administração Pública 3. Natureza da Administração 4. Regime Jurídico Administrativo 5. Princípios da Administração Pública 5.1.Princípio da Legalidade 5.2.Princípio da Impessoalidade 5.3.Princípio da Publicidade 5.4.Princípio da Moralidade 5.5.Princípio da Eficiência 5.6.Princípio da Finalidade 5.7.Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade 5.8.Princípio da Motivação 6. Poderes–Deveres do Administrador Público 6.1.Deveres do Administrador 6.2.O Uso e o Abuso de Poder 6.3.Poderes Administrativos 6.3.1.Poder Vinculado ou Regrado 6.3.2.Poder Discricionário 6.3.3.Poder Hierárquico 6.3.4.Poder Disciplinar 6.3.5.Poder Regulamentar ou Normativo 6.3.6.Poder de Polícia CAPÍTULO 02 – SUJEITOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 1. Entidades Políticas e Administrativas 2. Administração Direta 3. Classificação dos Órgãos Públicos 3.1. Quanto à estrutura 3.2. Quanto à atuação funcional 3.3. Quanto à posição estatal 4. Teorias que procuram explicar como a atuação da pessoa física (agente) é atribuída ao Estado 5. Agentes Públicos 5.1. Classificação dos agentes públicos para o prof. Hely Lopes Meirelles 5.2. Classificação dos agentes públicos para Celso Antônio Bandeira de Mello 6. Administração Indireta 6.1. Princípios da Descentralização Funcional 6.2. Autarquias 6.3. Fundações Públicas 6.4. Empresas Estatais 6.4.1. Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista – Traços Distintivos 6.4.2. Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista – Traços Comuns 6.5. Agências Reguladoras 6.6. Agências Executivas 7. Terceiro Setor – As Entidades Paraestatais 7.1. Serviços Sociais Autônomos 7.2. Organizações Sociais 7.3.Organizações da Sociedade Civil de Interesse Coletivo CAPÍTULO 03 – ATOS ADMINISTRATIVOS 1. Conceito 2. Requisitos ou Elementos do Ato Administrativo 2.1.Competência 2.2. Finalidade 2.3. Forma 2.4. Objeto (ou conteúdo) 2.5. Motivo 3. Mérito do Ato Administrativo 4. Atributos do Ato Administrativo 5. Classificação dos Atos Administrativos 5.1.Quanto aos Destinatários 5.2. Quanto ao Alcance 5.3. Quanto ao Objeto 5.4. Quanto à Função da Vontade 5.5. Quanto à Formação do Ato 6. Espécies de Atos Administrativos 6.1. Quanto ao Conteúdo 6.2. Quanto à Forma 7. Extinção dos Atos Administrativos 7.1. Revogação dos Atos Administrativos 7.2. Invalidação do Ato Administrativo 7.2.1. Invalidação no Direito Privado: 7.2.2. Inavalidação no Direito Administrativo 7.2.3. Convalidação CAPÍTULO 04 – CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 1. Legislação Aplicável 2. Conceito 3. Contratos Administrativos Típicos e Contratos da Administração 4. Espécies de Contratos Administrativos 5. Interpretação dos Contratos Administrativos 6. Características dos Contratos Administrativos 6.1. Formalismo 6.2. Intuitu Personae 6.3. Caractrística Fundamental dos Contratos Administrativos 7. Cláusulas Exorbitantes 7.1. Rescisão Unilateral do Contrato 7.2. Alteração Unilateral do Contrato 7.3. Inoponibilidade da Exceção do Contrato não Cumprido 7.4.Controle da Execução do Contrato 7.5.Aplicação de Penalidades Contratuais 8. Garantia do Contratado 9. Formalização do Contrato Administrativo 10. Garantias Para a Execução do Contrato 11. Extinção do Contrato Administrativo 12. Causas Justificadoras da Inexecução do Contrato 13. Prorrogação e Renovação do Contrato 14. Principais Contratos Administrativos 14.1.Contrato de Obra Pública 14.2. Contrato de Serviço 14.3.Contratos de Fornecimento 14.4. Contrato de Concessão CAPÍTULO 05 – LICITAÇÃO 1. Legislação Aplicável 2. Conceito 3. Finalidades 4. Princípios 5. Dever de Licitar 6. Exceções ao dever de Licitar 6.1. Dispensa de Licitação 6.2. Inexigibilidade de Licitação 7. Procedimento 8. Anulação da Licitação 9. Revogação da Licitação 10. Modalidades de Licitação 10.1. Concorrência 10.2. Tomada de Preços 10.3. Convite 10.4. Concurso 10.5. Leilão 10.6. Pregão CAPÍTULO 06 – SERVIÇOS PÚBLICOS 1. Introdução 2. Classificação 3. Atividades Administrativas e Serviços Públicos 4. Competência 4.1. União 4.2. Estados-membros 4.3. Municípios 4.4. Distrito-Federal 5. Princípios que Norteiam a Prestação de Serviços Públicos 5.1. Princípio da Permanência ou Continuidade 5.2. Princípio da Generalidade ou Igualdade 5.3. Princípio da Eficiência, Atualidade ou Mutabilidade do Serviço Público 5.4. Princípio da Modicidade Tarifária 5.5. Princípio da Cortesia 5.6. Princípio da Segurança 6. Formas de Prestação 6.1. Serviço Centralizado 6.2. Serviços Descentralizados 7. Modalidades de Delegação 8. Principais Caracteristicas das Concessões e Permissões de Serviços Públicos 9. Extinção do Contrato de Concessão e Permissão de Serviços Públicos 10. Autorização de Serviços Públicos 11. Convênios e Consórcios 11.1.Convênios 11.2.Consórcios Administrativos 12.Parcerias Público-Privadas 12.1. Concessão Administrativa CAPÍTULO 07 - CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1.Conceito 2. Classificação 2.1. Controle Interno, Controle Externo e Controle Popular 2.2.Controle Prévio, Concomitante ou Posterior 2.3. Controle de Legalidade e de Mérito 2.4. Controle Hierárquico e Finalístico 3. Controle Exercido Pela Administração Sobre seus Próprios Atos (Controle Administrativo) 4. Controle Legislativo 4.1.Controle Parlamentar Direto 4.1.1.Congresso Nacional 4.1.2. Controle Específico pelo Senado Federal 4.2. Controle pelo Tribunal de Contas 5. Controle Judicial 5.1. Mandado de Segurança 5.2 Ação Popular 5.3. Ação Civil Pública 5.4. Ação de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) CAPÍTULO 08 - BENS PÚBLICOS 1.Conceito 2. Classificação Regime jurídico 4. Aquisição 5. Aquisição 6. Utilização por Particulares 7. Alienação 8. Bens públicos em espécie CAPÍTULO 09 – RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL DO ESTADO POR ATOS ADMINISTRATIVOS 1. Introdução 2. Evolução Histórica da Responsabilidade Civil do Estado 2.1. A Teoria da Irresponsabilidade 2.2. A Teoria Civilista da Responsabilidade do Estado no Direito Brasileiro 2.3. A Responsabilidade Objetiva da Administração: as teorias do risco administrativo e do risco integral 3. A Responsabilidade Civil do Estado por Ato do Administrador 4. A Responsabilidade Objetiva da Administração no Direito Brasileiro 5. Excludentes da Responsabilidade Civil do Estado 5.1 A Questão da Responsabilidade do Estado por Atos Lícitos 5.2 O Abuso de Direito 5.3 Estado de Necessidade Administrativa 5.4. O Fato da Vítima: exclusivo e concorrente. 5.5 O Fato de Terceiro 5.6 Caso Fortuito e Força Maior CAPÍTULO 10 – SERVIDORES PÚBLICOS 1.Reforma Administrativa do Estado (Emenda nº 19/98) 2.Ingresso no Serviço Público 3.Estabilidade e Estágio Probatório 4.Nomeação 5.Posse 6.Exercício 7.Formas de Provimento Derivado 7.1. Formas de Provimento Derivado 8.Teto e Vinculação de Remuneração 9.Acumulação de Cargos Públicos 10.Perda de Cargos Públicos 11.Aposentadoria de Servidor Público 11.1.Tipos de Aposentadoria ROTEIRO DE AULA – CAPÌTULO 1 REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 1. Conceito de Direito Administrativo ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. Conceito de Administração Pública ( sentido amplo: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( sentido restrito: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________subjetivo: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (b) objetivo: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ - polícia administrativa: cujo desempenho provoca restrições ou condicionamentos ao exercício de direitos e atividades individuais em beneficíco da coletividade. - serviços públicos: compreendem toda atividade que a Administração Pública exerce para satisfazer à necessidade pública, sob regime predominantemente público. - intervenção econômica: regulamentação e fiscalização da atividade econômica de natureza privada (intervenção indireta), bem como a excepcional atuação direta do Estado na atividade econômica, nos moldes do art. 173 da Constituição Federal (intervenção direta). - fomento: corresponde à atividade de incentivo à iniciativa privada de utilidade pública. 3. Regime Jurídico Administrativo ( Maria Sylvia Zanella DI Pietro: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( Celso Antônio Bandeira de Mello: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4. Princípio Constitucionais Explícitos do Direito Administrativo 4.1. Legalidade ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4.2. Impessoalidade Dupla vertente: __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4.3.Moralidade ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.4. Publicidade ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4.5. Eficiência _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5. Poderes do Administrador Público 5.1. Vinculado: poder vinculado é aquele que a lei confere à Administração para a prática de atos de sua competência determinando os elementos e requisitos necessários à sua formalização. O poder vinculado estabele um único comportamento possível a ser adotado pelo administrador em cada caso concreto, sem nenhuma possibilidade de um juízo de valor. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5.2. Discricionário: poder discricionário é o que a lei confere à Administração Pública de forma explícita ou implícita, para que possa praticar atos com liberdade de escolha de seu conteúdo (objeto e motivo), conveniência e oportunidade. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5.3. Poder Hierárquico: poder hierárquico é o poder que tem o Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes, esclarescendo a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro pessoal. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5.4. Poder Disciplinar: poder disciplinar é o poder conferido Administração Pública para apurar infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos e às demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5.5. Poder Regulamentar ou Normativo: poder regulamentar é o poder que dispõem os chefes do Poder Executivo de editar normas gerais para explicar a lei, adequando-a à sua correta execução. O poder regulamentar é privativo dos chefes do Executivo e se exterioriza pormeio do decreto. Na verdade o poder regulamentar é apenas uma das diversas formas que a Administração Pública tem dentro de sua competência normativa, já que além de decretos regulamentares, pode ainda editar resoluções, portarias , intruções normativas, regimentos internos etc, daí melhor falar-se em poder normativo. Em verdade o poder normativo é gênero do qual o poder regulamentar é espécie. Enquanto o poder regulamentar é privativo dos chefes do Executivo, vamos encontrar poder normativo deferido a outras autoridades, como o Ministro de Estado, Secretário, Coordenador-Geral etc. __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5.6. Poder de Polícia: O Prof. Hely Lopes Meirelles leciona que o “Poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública, para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado”. (Fundamento: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( Objeto: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (Atos por meio dos quais se expressa: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (Atributos: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( Sanções: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (Delegação: _______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6. Deveres do Administrador Público _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________7. Abuso de Poder Duas espécies: (a) Excesso de Poder: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (b)Desvio de Finalidade: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ CAPÍTULO 01 – REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 1. Conceito de Direito Administrativo “Direito Administrativo é o conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”. (Hely Lopes Meirelles) ( Concreta: afasta a ingerência do Poder Legislativo, posto que a atividade deste é abstrata (confecção de atos normativos gerais e abstratos) enquanto a atividade administrativa é eminentemente concreta (executa a lei de ofício). ( Direta: a Administração Pública não precisa ser provocada para cumprir a lei , o que a difere do Poder Judiciário. Não há o caráter de substitutividade quando a Administração Pública age, já que havendo controvérsia em seu âmbito é a própria Administração que a dirime. ( Imediata: distinguindo a atividade administrativa, que é imediata, da atividade social do Estado que é mediata. Assim, a Administração Pública age concreta (com injunções e regulamentações, pondo em execução a vontade abstrata do Estado contida na lei), direta (sem intermediação ou substituição) e imediatamente perante os administrados, realizando os fins do Estado. O conceito do Ilustre administrativista Hely Lopes Meirelles leva em consideração dois importantes aspectos da Administração Pública, quais sejam: os sujeitos que a exercem e as atividades por eles desenvolvidas, daí falar-se em administração pública em sentido objetivo (atividades exercidas, portanto emprega-se as letras iniciais minúnculas) e Administração Pública em sentido subjetivo (sujeitos, daí a necessidade de empregar-se as iniciais maiúsculas). O importante a ressaltar é que o Direito Administrativo é o ramo da ciência jurídica que reune um conjunto sistematizado de normas jurídicas que regulam uma das atividades do Estado, qual seja, a Administração Pública. Assim, é necessáio definir com muita clareza essa atividade estatal, chamada administração pública, para que possamos bem individualizar o objeto do Direito Administrativo. 2. Conceito de Administração Pública Para Maria Sylvia Zanella DI Pietro, assim como outros ilustres administrativistas, podemos conceituar Administração Pública em sentido objetivo e subjetivo. sentido objetivo, material ou funcional: a administração pública seria a atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve, sob regime juridico de direito público, para a consecução dos interesses coletivos. Este conceito leva em consideração as atividades que são exercidas pela Administração Pública. sentido subjetivo, formal ou orgânico: a Administração Pública seria o conjunto de agentes, órgãos e de pessoas juridicas aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado. Outra distinção também é apontada por Maria Sylvia Zanella DI Pietro: em sentido amplo, a Administração Pública, subjetivamente considerada, compreende tanto os órgãos governamentais, supremos, constitucionais (Governo), aos quais incumbe traçar os planos de ação, dirigir, comandar, como também os órgãos administrativos, subordinados, dependentes (Administração Pública, em sentido estrito), aos quais incumbe executar os planos governamentais; ainda em sentido amplo, porém, objetivamente considerada, a Administração Pública compreende a função política, que traça as diretrizes governamentaise a função administrativa, que as executa. em sentido estrito, a Administração Pública compreende, sob o aspecto subjetivo, apenas os órgãos administrativos e, sob o aspecto objetivo, apenas a função administrativa, excluídos, no primeiro caso, os órgão governamentais e, no segundo, a função política. Assim, para podermos compreender melhor a complexidade do conceito de Administração Pública, vejamos o quadro abaixo: Administração Pública em sentido objetivo Administração Pública em sentido subjetivo Administração Pública em sentido amplo função política + função administrativa pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos que exercem a função administrativa e função política. Administração Pública em sentido estrito função administrativa pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos que exercem a função administrativa A função política compreende as atividades co-legislativas (atos de produção jurídica complementares) e de direção. A função administratica engloba a prestação de serviços públicos, o fomento, o exercício do poder de polícia e a intervenção no domínio econômico. - polícia administrativa: cujo desempenho provoca restrições ou condicionamentos ao exercício de direitos e atividades individuais em beneficíco da coletividade. - serviços públicos: compreendem toda atividade que a Administração Pública exerce para satisfazer à necessidade pública, sob regime predominantemente público. - intervenção econômica: regulamentação e fiscalização da atividade econômica de natureza privada (intervenção indireta), bem como a excepcional atuação direta do Estado na atividade econômica, nos moldes do art. 173 da Constituição Federal (intervenção direta). - fomento: corresponde à atividade de incentivo à iniciativa privada de utilidade pública. Sob o enfoque subjetivo restrito, predominantemente, a função administrativa é exercida pelos órgãos do Poder Executivo, mas não exclusivamente, pois o Legislativo e o Judiciário também, de forma atípica, administram. Desta forma, a Adminsitração Pública, em sentido subjetivo restrito, é integrada por todos os órgãos integrantes das pessoas jurídicas políticas (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), aos quais a lei confere o exercício de funções administrativas – é a chamada Administração Direta. Porém, com muita frequência, a lei prefere optar pela execução indireta da atividade administrativa, transferindo-a a pessoas jurídicas com personalidade de direito público ou de direito privado – é a chamada Administração Indireta, que é integrada pelas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e associações públicas. Quanto a Administração Pública em sentido subjetivo amplo, nos cabe perquerir quais as pessoas incumbidas do exercício da função política. É evidente que entre nós, em razão do regime presidencialista, a função política é predominante exercida pelo Poder Executivo, razão pela qual é comum associarmos a idéia de Governo com a de Poder Executivo. Contudo, é correto afirmar-se que no direito brasileiro as funções políticas repartem-se entre os três Poderes, com nítida predominância do Poder Executivo. 3. Natureza da Administração Consoante leciona o Prof. Hely Lopes Meirelles “a natureza da Administração Pública é a de um munus público para quem a exerce, isto é, a de um encargo de defesa, conservação e aprimoramento dos bens, serviços e interesse da coletividade.” 4. Regime Jurídico Administrativo Sendo o Direito Administrativo uma disciplina autonoma, esta ela sujeita a um conjunto sistematizado de normas e principios, compondo, desta forma, um sistema ou regime, ao qual denominamos, regime jurídico-administrativo. Para Maria Sylvia Zanella DI Pietro o regime administrativo resume-se nas prerrogativas e sujeições da Administração. ( Prerrogativas: auto-executoriedade, auto-tutela, poder de expropriar, poder de requisitar bens e serviços, de ocupar imóvel alheio, de instituir servidão, de aplicar sanções administrativas, de impor medidas de polícia etc. ( Sujeições: observância da finalidade pública, dos princípios da legalidade e da moralidade, da obrigatoriedade de dar publicidade aos atos administrativos, da realização de concursos públicos e concorrências públicas etc. Para Celso Antônio Bandeira de Mello, o regime administrativo, encontra suas pilastras básicas em dois princípios, qual sejam: (a) supremacia do interesse público sobre o interesse privado; e (b) indisponibilidade, pela Administração, dos interesses públicos. ( Supremacia do interesse público sobre o interesse privado: o Poder Público se encontra em situação de autoridade, de comando em relação aos particulares. O interesse público prevalece sobre o individual, respeitadas as garantias constitucionais asseguradas aos cidadãos. ( Indisponibilidade, pela Administração, dos interesses públicos: a indisponibilidade dos interesses públicos significa que sendo interesses qualificados como próprios da coletividade não se encontram à livre disposição de quem quer que seja, por inapropriáveis. O próprio órgão administrativo que os representa não tem disponibilidde sobre eles, no sentido que lhe incumbe apenas curá-lo. 5. Princípios da Administração Pública A Constituição Federal, no artº 37 elenca como princípios da Administração: Legalidade Impessoalidade Moralidade Publicidade Eficiência A par dos príncipios expressos na Carta Política, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, elenca no seu artº 2º os seguintes princípios: legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A doutrina pátria aponta vários princípios que informam a Administração. Todavia, neste primeiro momento, nos dedicaremos aos mais importantes. 5.1. Princípio da Legalidade Referido princípio expressa a subordinação da atividade da Administração à lei. Toda atividade administrativa deve ser exercida nos termos contidos e autorizados pela lei. Enquanto na administração particular é licito fazer tudo que a lei não proibe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. O princípio da legalidade tem sua origem na criação do Estado de Direito, visto como aquele que deve obediência as leis que edita. Sua principal consequência é a valorização e respeito aos direitos dos indivíduos. 5.2. Princípio da Impessoalidade A atuação da Administração Pública se destina a um fim público, não podendo beneficiar pessoas em particular. A administração deve permanecer numa posição de neutralidade em relação aos particulares. Assim, o princípio da impessoalidade reflete uma das vertentes do princípio da isonomia. Por outro lado, o princípio da impessoalidade, significa que os atos e provimentos administrativos são imputáveis, não ao funcionário que os pratica, mas ao órgão ou entidade administrativa em nome do qual age o funcionário. Por isso, o § 1º, do art. 37 da Constituição Federal veda que conste nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridade ou servidores públicos em publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos. Uma consequência importante de tal princípio é que são reconhecidos como válidos os atos praticados por funcionários irregularmente investidos em cargo ou função, com base no fato de que os atos são do órgão e não do agente público. 5.3. Princípio da Publicidade O princípio da publicidade exige ampla divulgação dos atos praticados pela Administração, com exceção das hipoteses de sigilo previstas em lei. Com a publicidade se dá divulgação oficial do ato para conhecimento público e início de seus efeitos externos, propicia, assim, seu conhecimento e controle pelos interessados e imprime transparência na atuação da Administração. É requisito de eficácia e moralidade. A publicidade, no entanto, só será admitida se tiver fim educativo, informativo ou de orientação social, proibindo-se, como já vimos, a promoção pessoalde autoridade ou de servidores públicos por meio de aparecimento de nomes, símbolos e imagens. O princípio da publicidade poderá ser invocado por meio: (a) do direito de petição – os indivíduos podem dirigir-se ao órgãos administrativos para formularem seus pleitos (CF, art. 5º, XXXIV ,“a”); e (b) das certidões – que, quando expedidas pelos órgãos administrativos, registram a verdade dos fatos (CF, art. 5º, XXXIV, “b”). Se a Administração Pública nega o direito à publicidade de seus atos, ou veicula informações incorretas, o lesado poderá utilizar-se do mandado de segurança (CF, art. 5º, LXIX) ou do habeas data (CF, art. 5º, LXXII). 5.4 . Princípio da Moralidade O ato e a atividade administrativa devem obedecer não só a lei, mas também à moral, o que implica em saber distinguir não só o bem e o mal, o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, mas também entre o honesto e o desonesto. A moralidade está ligada ao conceito de bom administrador, constituindo-se junto com a legalidade e a finalidade, em pressuposto de validade da atividade pública, tornando-a legítima. Por este princípio, a Administração deve se orientar pelos principios do Direito e da moral para ajustar o legal ao honesto. Contudo, devemos observar que nem todas as condutas tidas por morais em sociedade são consideradas morais para a Administração Pública. Vejamos: ajudar parentes é socialmente considerado conduta moral, contudo, não se pode ajudá-los com o dinheiro público, razão pela qual não se pode prestigiar os parentes com o exercício de atividade administrativa. Alguns doutrinadores entendem que a ofensa à moralidade constitui também ofensa à impessoalidade, de tal sorte que o nepotismo ofende não só a impessoalidade como o princípio da moralidade. A Lei nº 8.429/92, no seu art. 9º, apresentou, em rol exemplificativo as hipóteses de atos de improbidade administrativa e a Constituição Federal (art. 37, § 4º) comina-lhes as sanções de suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, indisponibilidade de bens e ressarcimento ao erário. Também são instrumentos para o combate dos atos de improbidade a ação popular (Lei nº 4.717/65) e a ação civil pública (Lei nº 7.347/85). 5.5. Princípio da Eficiência O princípio da eficiência impõe o dever da Administração de aperfeiçoar os serviços e atividades que presta, buscando a otimização de resultados, para que possa atender o interesse público com maior eficiência. A Emenda Constitucional nº 19, de 04 de junho de 98, introduziu tal princípio entre os princípios constitucionais da Administração Pública previstos no caput, do art. 37. Contudo, devemos apontar que o princípio da eficiência já constava em nossa legislação infraconstitucional, como no Decreto nº 200/67 (arts. 13 e 25, V), na Lei de Concessões e Permissões (Lei 8.987/95, arts 6º e 7º), no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90, arts. 4º, VII e 6º, X), etc. Para o Prof. Hely Lopes Meireles, eficiência é o que se impõe a todo agente público para realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional. É o dever de “boa administração”. Para Maria Sylvia Zanella DI Pietro o princípio da eficiência impõe ao agente público um modo de atuar que produza resultados favoravéis à consecução dos fins que cabem ao Estado alcançar. Podemos citar como aplicabilidade e instrumentos de fiscalização do princípio da eficiência: ( gestão participativa (CF, art. 37, § 3º). ( obrigatoriedade para os Estados, União e Distrito Federal da manutenção de escolas de governo para formação e aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira (CF. art. 39, § 2º). ( avaliação especial de desempenho para a aquisição da estabilidade (CF, art. 41). ( possibilidade de perda do cargo pelo servidor, mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma da lei complementar, assegurada a ampla defesa. 5.6. Princípio da Finalidade Referido princípio impõe ao administrador a obrigação de atuar com rigorosa obediência à finalidade específica de cada lei, bem como a finalidade própria de todas as leis (bem comum). O fim visado dá legitimidade ao ato administrativo, sendo que a busca de finalidade não querida pelo legislador conduz ao desvio de finalidade. Assim, para o Direito Administrativo o conceito de legalidade é mais amplo já que envolve não só a idéia de respeito à lei, como impõe o dever de obediência aos princípios da finalidade e da moralidade. 5.7. Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade ( Razoabilidade: a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional. Assim, no caso em que a lei confere ao administrador certa liberdade para decidir, ou seja, certa discricionariedade, não pode este agir desarrazoadamente, de maneira ilógica e destituída de bom senso. ( Proporcionalidade: as competências administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade proporcionais ao que se deseja alcançar (finalidade pública). O administrador deve adequar os meios empregados ao fim colimado. O principio da proporcionaidade é integrado por três sub-princípios, quis sejam: (a) adequação: o meio empregado deve ser compatível com o fim colimado; (b) exigibilidade: utilização do meio menos gravoso para a obtenção do fim desejado; e (c) proporcionalidade em sentido estrito: vantagens obtidas devem ser menores que as desvantagens indesejadamente, porém, inevitavelmente alcançadas. 5.8. Princípio da Motivação A Administração Pública tem o dever de justificar seus atos, especificando seus fundamentos de fato e de direito. Motivar significa: mencionar o dispositivo legal aplicável ao caso concreto; e relacionar os fatos que concretamente levaram à aplicação daquele dispositivo legal. Motivação é o texto escrito que acompanha certos atos administrativos nos quais se expõe as razões de fato e de direito que ensejaram a prática do ato. O fundamento constitucional da obrigação de motivar está explicito tanto no art. 1º, II, que indica a cidadania como um dos fundamentos da República, quanto no parágrafo único deste dispositivo, segundo o qual todo poder emana do povo. Nestes termos, a motivação é necessária para todo e qualquer ato administrativo, sendo exigida tanto nos atos vinculados quanto nos atos discricionários. Em certos atos vinculados a simples menção do fato e da regra de direito a ser aplicada pode ser suficiente, para estar implícita a motivação, uma vez que nos atos vinculadosos motivos já vêm expressados na lei, de modo que a aplicação desta é quase automática. Nos atos discricionários, entre os quais a Administração goza de relativa liberdade de escolha, inclusive quanto aos motivos, apesar desta ser mérito administrativo, haverá, com muito maior razão ainda, necessidade de motivação. Tem se entendido que satisfaz a exigência de motivação se, a esse título, o ato é praticado em razão do que consta em processo administrativo ou com apoio em determinado parecer. Nessas situações, o conteúdo do processo e as conclusões do parecer constituem a motivação dos respectivos atos (STJ, DJU de 06/03/95) No entanto, devemos observar que a própria Constituição Federal abre algumas exceções ao princípio da motivação obrigatória dos atos administrativos. Tal como nos cargos em comissão de livre nomeação e exoneração. E, veremos, também, que o art. 50 da Lei nº 9.784/99 somente exige motivação para os atos administrativos arrolados no referido dispositivo legal, embora a tendência seja considerar tal rol exemplificativo. 6. Poderes–Deveres do Administrador Público Poderes-Deveres: são encargos daqueles que gerem bens e interesses da comunidade. São poderes (instrumentos), expressos em lei, conferidos à Administração para que possa atingir o interesse público. O poder tem para o agente público o significado de dever para com a comunidade e para com os indíviduos no sentido de quemo tem esta sempre na obrigação de exercitá-lo. Pouca ou nenhuma liberdade sobra ao administrador público para deixar de praticar atos de sua competência legal, daí falar-se em poder-dever de agir. 6.1. Deveres do Administrador Os principais deveres do administrador público são: dever de eficiência; dever de probidade; dever de prestar contas e dever de agir. 6.2. O Uso e o Abuso de Poder O uso do poder é prerrogativa do administrador público, mas o poder há que ser usado sem abuso, normalmente. Usar normalmente do poder é empregá-lo segundo as normas legais, a moral da instituição, a finalidade do ato e as exigências do interesse público. Abusar do poder é empregá-lo fora da lei, sem utilidade pública. Há duas espécies de abuso de poder: excesso de poder e desvio de finalidade. excesso de poder Abuso de poder desvio de finalidade Excesso de poder: ocorre quando a autoridade, embora competente para a prática do ato vai além do permitido e exorbita no uso de suas faculdades administrativas. Excede, portanto, sua competência legal, e com isso invalida o ato, porque ninguém pode agir em nome da Administração fora do que a lei permite. Desvio de finalidade: verifica-se quando a autoridade, embora atuando nos limites de sua competência, pratica o ato por motivos ou com fins diversos dos objetivados pela lei ou exigidos pelo interesse público. O desvio de finalidade pode apresentar-se sob duas modalidades: visando a uma finalidade pública diferente da prevista explicita ou implicitamente em lei; ou visando a uma finalidade estranha ao interesse público. O desvio de finalidade pode ser classificado da seguinte forma: derivado do dolo; ou derivado de erro que pode ser de direito ou de fato. Em regra, o desvio de finalidade deriva de dolo, isto é, de uma intenção deliberada e defeituosa que objetiva propósitos mesquinhos. Contudo, pode o agente, agindo de boa-fé, sem qualquer intuito deliberado, incorrer em desvio de finalidade. Como no erro de fato, em que os agentes desconhece a finalidade da norma e serve-se de ato administrativo inadequado. A consciência do agente não é fator indispensável para a caracterização do desvio de poder, que pode derivar tanto por dolo, quanto por erro. 6.3. Poderes Administrativos vinculado/discricionário Hierárquico Poderes Disciplinar Regulamentar ou normativo de Polícia 6.3.1. Poder Vinculado ou Regrado O poder vinculado é aquele que a lei confere à Administração para a prática de atos de sua competência determinando os elementos e requisitos necessários à sua formalização. Na sua prática o agente fica inteiramente bitolado ao enunciado da lei, em todas as suas especificações. O poder vinculado estabele um único comportamento possível a ser adotado pelo administrador em cada caso concreto, sem nenhuma possibilidade de um juízo de valor. Por ter mínima liberdade de ação e por visualizar que nesta hipótese o administrador fica preso pela vontade da lei é que Maria Sylvia Zanella DI Pietro leciona que tal não é um poder, mas sim uma restrição. 6.3.2. Poder Discricionário Poder discricionário é o que a lei confere à Administração Pública de forma explícita ou implícita, para que possa praticar atos com liberdade de escolha de seu conteúdo (objeto e motivo), conveniência e oportunidade. Como se vê, o poder discricionário se diferencia do vinculado exatamente pela maior liberdade que possui a Administração Pública no exercício do primeiro, podendo optar quanto a oportunidade e conveniência de determinado ato administrativo. Entretanto, vale notar que nenhuma atividade é totalmente discricionária, sendo a discricionáriedade relativa e parcial. Existem elementos dos atos administrativos que são sempre vinculados, quais sejam: a competência, a finalidade e a forma. Discricionariedade é liberdade dentro dos limites da lei. Arbitrariedade é atuar fora dos limites legais (ilegalidade). ( Limitações ao Poder Discricionário A discricionariedade encontra-se sujeita a um duplo condicionamento: externo: pelo ordenamento jurídico (legalidade); e, interno: pelas exigências do bem comum e da moralidade administrativa (moralidade e finalidade). O poder discricionário encontra limites, além dos acima aludidos, nos motivos ensejadores da conduta, pois se o agente não permite o exame dos fundamentos de fato ou de direito que motivaram sua decisão em certas situações em que seja necessária a sua averiguação, haverá, no mínimo, a fundada suspeita de má utilização do poder discricionário e de desvio de finalidade. Também podemos indicar como limitador do exercício do poder discricionário os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ( Controle Judicial dos Atos Discricionários Ponto importantíssimo no nosso estudo é o concernente ao controle judicial da discricionariedade. Já indicamos que nos parece ser de todo equivocado o entendimento de que o poder discricionário é imune ao controle do Poder Judiciário. O que não se pode concordar é com a substituição da discricionariedade do administrador pela do juiz, o que violaria o princípio a tripartição dos Poderes. Porém, o Poder Judiciário pode observar se a Administração está agindo dentro da competência, da finalidade, da moralidade, da razoabilidade, enfim: dos princípios jurídicos que informam à Administração Pública. Todos os atos administrativos podem submeter-se ao controle judicial de sua legalidade. Quanto ao atos discricionários é necessário distinguir dois aspectos. Podem eles sofrer controle judicial em relação a todos os elementos vinculados (competência, forma e finalidade). O controle judicial, entretanto, não pode ir ao extremo de admitir que o juiz se substitua ao administrador. Modernamente os doutrinadores têm considerado os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, como valores que podem ensejar o controle da discricionariedade, enfrentando situações que, embora com aparência de legalidade, retratam, verdadeiro abuso de poder. Mas devemos advertir, que tal controle não é tarefa fácil, pois se exacerbado poderá caracterizar ofensa ao princípio republicano da sepração de Poderes. ( Discricionariedade e Conceitos Jurídicos Indeterminados Não podemos confundir a discricionariedade com os conceitos jurídicos indeterminados, tais como “bons costumes”, “segurança nacional, “interesse público etc. Conceitos indeterminados são aqueles cujo âmbito se apresenta em medida apreciável incerto, encerrando apenas uma definição ambígua dos pressupostos a que o legislador conecta certo efeito jurídico. Para José dos Santos Carvalho Filho, se têm confundido esses institutos pela razão de que ambos se enquadram na atividade não vinculada da Administração, uma vez que neles a norma não exibe padrões objetivos de atuação. Contudo, a discricionariedade não pressupõe imprecisão de sentido, pelo contrário, a norma mesmo quando veicula um poder discricionário é bem precisa. A diferença é bastante visível. Enquanto o conceito jurídico indeterminado situa-se no plano de previsão da norma (antecedente), porque a lei já estabelece os efeitos que devem emanar do fato correspondente ao pressuposto nela contido, a discricionariedade aloja-se na estatuição da norma (consequente), visto que o legislador deixa ao órgão administrativo o poder de ele mesmo configurar esses efeitos. Assim, na discricionariedade o processo de escolha tem maior amplitude do que o ocorrente nos conceitos jurídicos indeterminados. 6.3.3 Poder Hierárquico Poder hierárquico é o poder que tem o Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes, esclarescendo a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro pessoal. Hierarquia é a relação de subordinação existente entre os vários órgãos e agentes do Poder Executivo, com a distibuição de funções e graduação da autoridade de cada um. O Prof. Hely Lopes Meirelles esclarece que o poder hierárquico tem por escopo ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividadesadministrativas. Assim, de tal poder decorre para o subalterno o dever de obediência, sendo que para o superior hierárquico decorrem certas faculdades: (a) editar normas; (b) dar ordens; controlar a atividade dos subalternos; aplicar sanções; avocar atribuições; e delegar atribuições Devemos lembrar que não há hieraquia entre os órgãos do Poder Judiciário e do Poder Legislativo no que tange às suas funções constitucionais. Porém, na organização administrativa destes poderes existe relação hierárquica. ( Delegação Não se admite a recusa de funções delegadas (dever de obediência), salvo se não for permitida ou contrária à lei. Ao delegante não caberá qualquer responsabilização pelo ato praticado, visto que o delegado não age em nome do delegante, mas sim no exercício da competência que recebeu. O art. 13 da Lei nº 9.784/99 (processo administrativo no âmbito federal) dispõe sobre os atos que não podem ser delegados. Assim, pelo aludido dispositivo legal, não podem ser delegados: (a) atos normativos; (b) decisão de recurso administrativo; e (c) matérias de competência exclusiva de órgão ou autoridade. ( Avocação O art. 15 da referida lei dispõe que avocar é permitido, porém em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, temporariamente, competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior. 6.3.4 Poder Disciplinar Poder disciplinar é o poder conferido Administração Pública para apurar infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos e às demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa. Não se deve confundir a punição disciplinar com a criminal; o poder disciplinar visa punir as condutas internas da Administração, razão pela qual só abrange as infrações relacionadas com o serviço; a punição criminal é aplicada com finalidade social, visando repressão de crimes e contraverções definidas em lei penal. O Prof. Hely Lopes Meirelles leciona que “a punição disciplinar e a criminal tem fundamentos diversos e diversa é a natureza das penas. A diferença não é de grau; é de substância. Dessa substancial diversidade resulta a possobilidade da aplicação conjunta das duas penalidades sem que ocorra “leis in idem”. Outro aspecto de relevo é o atinente à discricionariedade do poder disciplinar. Tal não significa que a Administração tem liberdade de escolha entre punir e não punir já que tendo conhecimento da falta funcional do servidor tem o dever de ofício de aplicar a pena cabível, sob pena de praticar crime previsto no art. 320 do Código Penal. A aplicação da pena tem, pois, um caráter de poder-dever para o superior hierárquico. A discricionariedade se apresenta no sentido de que inexiste o princípio da pena específica no poder disciplinar, não estabelecendo os estatutos dos servidores regras rígidas sobre a definição dos “tipos” e respectivas sanções. O adiministrador tendo em vista os deveres do infrator diante do serviço e verificando a falta por este praticada, deverá aplicar a sanção que julgar cabível, oportuna e conveniente, dentre as que estiverem enumeradas em lei. Ao aplicar a sanção o administrador deve levar em conta os seguintes elementos: atenuantes e agravantes do caso concreto; natureza e gravidade da infração; prejuízos causados para o interesse público; e antecedentes do agente. O limite para o exercício do poder disciplinar é encontrado na cláusula do devido processo legal (CF art 5º, LIV) somado ao contraditório e ampla defesa (CF, art, 5º, LV). 6.3.5. Poder Regulamentar ou Normativo Poder regulamentar é o poder que dispõem os chefes do Poder Executivo de editar normas gerais para explicar a lei, adequando-a à sua correta execução. O poder regulamentar é privativo dos chefes do Executivo e se exterioriza por meio do decreto. Na verdade o poder regulamentar é apenas uma das diversas formas que a Administração Pública tem dentro de sua competência normativa, já que além de decretos regulamentares, pode ainda editar resoluções, portarias , intruções normativas, regimentos internos etc, daí melhor falar-se em poder normativo. Em verdade o poder normativo é gênero do qual o poder regulamentar é espécie. Enquanto o poder regulamentar é privativo dos chefes do Executivo, vamos encontrar poder normativo deferido a outras autoridades, como o Ministro de Estado, Secretário, Coordenador-Geral etc. PODER NORMATIVO decretos => poder regulamentar ptivativo do chefe do Executivo resoluções portarias instruções normativas regimentos internos etc A par dos decretos regulamentares, existem decretos que materializam outras competências do Chefe do Executivo, Já que além de poder regulamentar leis, o Chefe do Executivo tem diversas outras competências. (Controle dos atos de regulamentação Temos: controle legislativo ( art. 49,V da CF; controle judicial ( em regra é de legalidade e não de inconstitucionalidade. O STF, execepcionalmente, tem admitido ação direta de inconstitucionalidade quando o decreto, no todo ou em parte, manifestamente não regulamenta lei, apresentando-se, assim, como decreto autônomo, pois tal expediente fere o princípio da reserva legal. Assim, o decreto executivo que, editado para regulamentar a lei, venha a divergir de seu conteúdo ou sentido, extravasando a previsão do art. 84, IV da CF (é a chamada insubordinação administrativa), não poderá ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade, mesmo que essa violação, reflexa e indiretamente, atinja o texto da Constituição Federal, pois o regulamento contrário à lei é ilegal e não inconstitucional. (Regulamentos Autônomos Regulamentos autônomos criam e extinguem primariamente direitos e obrigações. Existe profunda divergência na doutrina quanto aos decretos autônomos. Vejamos: (a) para uma corrente, os decretos autônomos seriam decorrência dos princípios implícitos da Administração Pública; e (b) para outra parte da doutrina, os decretos autônomos não são admitidos no ordenamento pátrio, pois a Constituição Federal atribuiu à Chefia do Executivo o poder de editar atos para fiel execução das leis, razão porque só seria admitido os regulamentos de execução. Os atos de organização e funcionamento da Administração Federal, ainda que tenham conteúdo normativo, são meros atos ordinatórios, ou seja, atos que preordenam basicamente o setor interno da Administração para dispor sobre seus seviços e órgãos, de modo que, só reflexamente afetam a esfera jurídica de terceiros, e assim mesmo, mediante imposições derivadas e subsidiárias, mas nunca originárias. Razão pela qual entendemos que o art. 84, VI da Constituição Federal, não reintroduziu em nosso ordenamento jurídico o chamado decreto autônomo. ( Regulamentação Técnica Modernamente, em razão da crescente complexidade das atividades técnicas da administração, passou-se a aceitar nos sistemas nosrmativos o fenômeno da deslegalização, pelo qual a competência para regulamentar certas matérias se transfere por autorização do próprio legislador. Desta forma, a normatização sai do domínio da lei para a esfera do ato regulamentar. Tal delegação não pode ser completa, como se fosse uma carta assinada em branco. O legislador deverá reservar para si a competência par o regramento básico, transferindo apenas a regulamentação sobre matéria eminentemente técnica, mediante parâmetros previamente enunciados na lei. Tal fenômeno é conhecido no Direito americano como delegação com parâmetro. 6.3.6. Poder de Polícia O regime jurídico adiministrativo se fundamenta em dois pilares que são as prerrogativas e sujeições, havendo de um lado a autoridade da administração e do outro a liberdade individual. O poder de polícia é um poder instrumental que condiciona o direito individual ao bem estar coletivo. O Prof. Hely Lopes Meirelles leciona que o “Poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública, para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado”. O Código Tributário Nacional, no art 78, define o poderde polícia nos seguintes termos: “Considera-se poder de policia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concermente à seguramça,á higiene à ordem, aos costumes à disciplina da produção e do mercado ao exercício de atividades economicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos”. ( Fundamento: o poder de polícia tem como fundamento a supremacia do interesse público sobre o privado, condicionando a liberdade e a propriedade, ajustando-as aos interesses da coletividade. ( Objeto: é todo bem, direito ou atividade individual que possa afetar a coletividade ou por em risco a segurança nacional. ( Essência: costuma-se caracterizar o poder de polícia como um poder negativo, ao contrário da prestação de serviço público, em que é peculiar uma ação positiva. Caracterizar o poder de polícia como positivo ou negativo depende apenas do ângulo através do qual se encara a questão. Com efeito, tanto faz dizer que por meio dele a Administração evita um dano, quanto que por seu intermédio ela constrói utilidade coletiva. É que por meio do poder de polícia a utilidade pública é obtida de um modo indireto enquanto pelos meios serviços públicos tal utilidade é alcançada diretamente. (Atos por meio dos quais se expressa: o poder de polícia se expressa por meio de atos normativos de alcance geral, de atos concretos e específicos, bem como de operações materiais de fiscalização. (Atributos: são atributos do poder de polícia a discricionalidade, a auto-executoriedade e a coercibilidade. Discricionariedade: em regra o poder de polícia é discricionário, contudo esse poder também pode se apresentar de forma vinculada. O exemplo mais comum de ato de polícia vinculado é a da licença. Para o exercício de certas atividades ou pratica de atos sujeitos ao poder de polícia do Estado, a lei exige alvará de licença ou alvará de autorização. No primeiro caso o ato é vinculado, já que a lei prevê os requisitos diante dos quais a Administração é obrigada a concerder o alvará de licença. No segundo caso, o ato é discricionário, porque a lei consente que a Administração aprecie a situação concreta e decida se deve ou não conceder a autorização. Auto-executoriedade: é a possibilidade que tem a Administração Pública de executar suas decisões, sem precisar da intervenção do Poder Judiciário. Coercibilidade: é a imposição coativa das medidas adotadas pela Administração no exercício do poder de polícia. ( Sanções: multa, interdição de atividade, fechamento de estabelecimento, destruição de objetos, inutilização de gêneros etc. (Limites: o poder de polícia esbarra em limitações idênticas às dos demais atos administrativos. Outrossim quanto ao objeto deve haver proporcionabilidade dos meios em relação aos fins. (Delegação: não poder haver delegação de ato jurídico de polícia a particular e nem há possibilidade de que este o exerça a título contratual. Pode haver, entretanto, habilitação do particular à pratica de ato material preparatório ou sucessivo a ato jurídico desta espécie. Assim não se deve confundir o exercício do poder de polícia que é um ato jurídico – administrativo indelegável com os atos materiais previos ou sucessivos a ele, que podem ser delegados ou contratados a particulares. Desta forma o ato material de demolição de construção irregular poderá ser contrato a empresa particular, já que o exercício de poder de polícia o antecedeu, consistente no embargo da construção e a determinação da demolição da obra. Não podermos confundir a delegação com a outorga (delegação legal). Já que o Poder Público poderá outorgar poder de policia à entidade da Administração Indireta. Exercícios 1. (CESPE/UnB/ANAL.LEGISL/2002) Julgue os itens subseqüentes, relativos aos princípios da administração pública. a) O princípio da publicidade impõe a transparência na atividade administrativa e recomenda divulgar, em veículos de mídia, os dados pessoais do agente público para informar melhor ao administrado quem é o responsável pelo ato administrativo. b) O princípio da moralidade administrativa pode ser considerado, a um só tempo, dever do administrador e direito público subjetivo do cidadão, havendo inclusive ação judicial para sua defesa. c) O princípio do controle dos atos administrativos, pela via jurisdicional, permite a anulabilidade desses atos. d) A Constituição da República de 1988, ao vedar expressamente o início de programas ou projetos sem previsão orçamentária, tem em vista o cumprimento do princípio da eficiência. e) O princípio da supremacia do interesse público sobre o particular reforça as práticas autoritárias do Estado de Direito. 2 - (TJDF/2002) Não se inclui entre os princípios da Administração Pública a da: a) Publicidade. b) Necessidade. c) Eficiência. d) Impessoalidade. 3 - (OAB/DF/1998) Com referência aos princípios da Administração Pública, é INCORRETA a seguinte afirmativa: a) Os princípios que constam da Constituição Federal são aplicáveis aos três níveis de governo da Federação; b) O princípio da publicidade comporta exceções, tratando-se de procedimento licitatório; c) O princípio da motivação impõe que o agente público explicite o fundamento de todo ato praticado; d) O desvio de finalidade exprime, muito freqüentemente, desrespeito ao princípio da moralidade. 4 - (MP MG/1999) Em decorrência do princípio da supremacia do interesse público é vedado afirmar que: a) não é permitido à Administração Pública constituir terceiros em obrigações mediante atos unilaterais, devendo haver, nestes casos, a propositura da ação própria; b) o princípio em cotejo traz consigo a exigibilidade do ato, traduzida na previsão legal da Administração impor sanções ou providências indiretas que induzam o administrado a acatá-lo; c) enseja à Administração a chamada auto-executoriedade do ato administrativo; d) possibilita à Administração Pública revogar os próprios atos inconvenientes ou inoportunos; e) o princípio em apreço não se encontra expresso na Constituição Federal, mas apenas a sua alusão. 5 - (DEL. PC/SP/2000) A Súmula do Supremo Tribunal Federal “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.”, relaciona-se ao princípio da: a) legalidade. b) autotutela. c) razoabilidade. d) finalidade. 6 - (JUIZ/RS) Assinale a alternativa incorreta: a) O princípio da legalidade explica a subordinação da atividade administrativa à lei. b) A legalidade, como princípio da administração, significa que o administrador público está sujeito aos mandamentos da lei. c) O princípio da legalidade permite que o administrador possa tudo, menos o que a lei expressamente tipifica como proibido. d) A atividade administrativa só pode ser exercida nos termos de autorização contida no sistema legal. e) O administrador deve ater-se aos comandos legais. 7 - (JUIZ/RS) No âmbito do Direito Administrativo, a legalidade: a) é formada apenas de elementos externos, relacionados com a competência, objeto e forma. b) não indaga dos motivos nem do fim do ato administrativo. c) não é constituída apenas de elementos externos, mas penetra até os motivos e até o fim do ato. d) é composta apenas de elementos subjetivos, relacionados com a forma e a competência. e) é integrada por elementos apenas contidos na legislação específica sobre competência e formalidade. 8 - (MP/DF) É dever do agente administrativo atuar segundo a lei, proibida sua autuação contra legem e extra legem. Esse princípio do Direito Administrativo se chama: a) do condicionamento. b) da moralidade. c) da ultratividade. d) da impessoalidade. e) da restritividade ou legalidade estrita.9 - (JUIZ/DF) Administração tem como escopo a realização do bem comum, cabendo ao intérprete aplicador da lei delimitar o campo da discricionariedade administrativa, cingindo-o ao interesse público, razão pela qual devem ser observados sempre os seguintes pressupostos: a) presunção de ilegitimidade dos atos da Administração, igualdade jurídica entre esta e os administrados, e necessidade de poderes discricionários para atender ao interesse público. b) presunção de legitimidade dos atos da Administração, igualdade jurídica entre esta e os administrados, e necessidade de poderes discricionários para atender ao interesse público. c) presunção de legitimidade dos atos da Administração, igualdade jurídica entre esta e os administrados, e necessidade de poderes arbitrários para a administração atender ao interesse público. d) nenhuma das hipóteses. 10 - (JUIZ/DF) A administração Pública, numa visão global, pode ser definida como o instrumental básico necessário de que dispõe o Estado para a realização de seus serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas. Sobre a Administração Pública seria incorreto afirmar ainda que: a) não pratica atos de governo, mas atos de execução, com maior ou menor autonomia funcional, segundo a competência do órgão e de seus agentes. b) consiste numa atividade neutra, normalmente vinculada à lei ou à norma técnica, só podendo opinar sobre a decidir sobre assuntos jurídicos, técnicos, financeiros ou de conveniência e oportunidade administrativa. c) pratica atos de governo, constituindo atividade política e discricionária. d) acepção operacional é o desempenho perene e sistemático, legal e técnico, dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade. 11 - (JUIZ/DF) O abuso de poder pode ocorrer de forma: a) comissiva, omissiva, dolosa e culposa. b) comissiva e dolosa. c) comissiva, dolosa e culposa. d) omissiva e culposa. 12 - (JUIZ/RS) O desvio de poder: a) verifica-se quando a autoridade, mesmo atuando nos limites de sua competência, pratica o ato por motivos ou com fins diversos dos objetivados pela lei ou exigida pelo interesse público. b) ocorre quando a discrição administrativa não tem como limite o critério legal da competência. c) ocorre somente com afronta expressa de lei. d) ocorre somente quando existe deliberada vontade do agente. e) exige má-fé do administrador. 13 - (MPDFT/21º CONCURSO) A administração pública não está apenas proibida de agir contra-legem, mas só pode atuar secundum-legem. Eis a consagração do princípio do (a): a) Discricionariedade. b) Moralidade. c) Restritividade ou da legalidade restrita. d) Condicionamento da administração. 14 – (TRF 1ª REGIÃO) 44.A emenda Constitucional nº 19, de 4.6.98, inseriu, dentre os princípios constitucionais da administração pública, o da: a) moralidade b) eficiência c) razoabilidade d) impessoalidade 15. (TRF/1ª REG) A emenda Constitucional nº 19, de 4.6.98, inseriu, dentre os princípios constitucionais da administração pública, o da: a) moralidade b) eficiência c) razoabilidade d) impessoalidade Julgue os itens seguintes: 16. (PGRR) A administração pública direta dos estados obedecerá aos princípios de legalidade, de impessoalidade, de moralidade e de publicidade, mas o princípio de eficiência ainda não se encontra previsto expressamente na Constituição da República. 17. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) Segundo já se firmou na jurisprudência, a informação de atos públicos por meio de programas oficiais de larga divulgação, tais como o radiofônico A Voz do Brasil, atende ao princípio constitucional da publicidade. 18. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) Por força do que preceitua a Constituição da República, a doutrina e a jurisprudência consideram que a aplicabilidade do princípio da igualdade se restringe aos brasileiros residentes no país, ou seja, a pessoas naturais. 19. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) Considere a seguinte situação hipotética. Um estabelecimento comercial possuía alvará para funcionar como empresa revendedora de motocicletas, mas atuava também como prestadora de serviços mecânicos para esse tipo de veículo. O órgão administrativo competente, durante fiscalização, constatou a irregularidade e interditou a empresa, a fim de impedir o funcionamento da revendedora, além de multála pela atividade não-autorizada. Nessa situação, o poder público feriu específica e exclusivamente o princípio da finalidade, uma vez que foi além do necessário para a aplicação da lei e para a satisfação do interesse público. 20. (JUIZ SUBSTITUTO/TJBA) Nem toda ofensa cometida por agente público ao princípio da legalidade importa responsabilização criminal daquele que a praticar. 21. Na Constituição Federal, a inserção do princípio da eficiência como princípio administrativo geral fez acompanhar-se de alguns mecanismos destinados a facilitar a sua concretização, como a participação do usuário na administração pública indireta e a possibilidade de aumento da autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta. 22. Segundo já se firmou na jurisprudência, a informação de atos públicos por meio de programas oficiais de larga divulgação, tais como o radiofônico A Voz do Brasil, atende ao princípio constitucional da publicidade. 23. Por força do que preceitua a Constituição da República, a doutrina e a jurisprudência consideram que a aplicabilidade do princípio da igualdade se restringe aos brasileiros residentes no país, ou seja, a pessoas naturais. 24. (CESPE/TRF 5ª REG.) Considere a seguinte situação hipotética. Um estabelecimento comercial possuía alvará para funcionar como empresa revendedora de motocicletas, mas atuava também como prestadora de serviços mecânicos para esse tipo de veículo. O órgão administrativo competente, durante fiscalização, constatou a irregularidade e interditou a empresa, a fim de impedir o funcionamento da revendedora, além de multála pela atividade não-autorizada. Nessa situação, o poder público feriu específica e exclusivamente o princípio da finalidade, uma vez que foi além do necessário para a aplicação da lei e para a satisfação do interesse público. 25. (TJBA-2004) Nem toda ofensa cometida por agente público ao princípio da legalidade importa responsabilização criminal daquele que a praticar. 26 - (TJDF/2002) O Poder de Polícia tem as seguintes características, exceto. a) É discricionário. b) É vinculado. c) É coercitivo. d) É não-repressivo. 27- (MPDFT/2002) A atividade da administração pública desempenhada pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder, que vise limitar ou disciplinar direito, interesse ou liberdade, regular a prática de ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do poder público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos, constitui mais propriamente o exercício do poder: a) disciplinar. b) de polícia. c) hierárquico. d) regulamentar. 28 - (DEL. POL. MT/2000) - Analise os itens a seguir e assinale a alternativa correta: I - O abuso de poder por parte da autoridade administrativa somente pode revestir-se da forma comissiva, pois a Administração Pública, ao se omitir, não extrapola o poder a ela conferido, mas sim não o exerce como deveria. II - São espécies de abuso de poder o excesso de poder e o desvio de poder. Na primeira espécie, a autoridade pratica ato que não é da sua competência legal. Na segunda, apesar de ter competência para praticar o ato, a autoridade administrativa o faz por motivos ou com fins diversos dos objetivados pela lei ou exigidos pelo interesse público. III - Embora sejam ilícitos todos os atos administrativos praticados com excesso de poder,existem alguns que, por atingir direito subjetivo de particulares, não são nulos, de forma que a Administração Pública não os pode revogar ou anular. a) Somente os itens I e II estão corretos. b) Somente os itens II e III estão corretos. c) Somente os itens I e III estão corretos. d) Somente os itens I e II estão incorretos. e) Somente os itens I e III estão incorretos. 29 - (DEL. POL. MT/2000) -. Analise os itens a seguir, sobre os poderes da Administração Pública, e assinale a alternativa correta: I - Tem por objetivo o poder hierárquico ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas, no âmbito interno da Administração Pública. II - Do poder regulamentar decorrem faculdades para a autoridade administrativa superior de dar ordens e de avocar atribuições dos seus subordinados. III - O poder disciplinar está vinculado à prévia definição da lei sobre a infração funcional e a respectiva sanção. IV - Apesar de ser privativo dos Chefes do Poder Executivo, o poder regulamentar pode ser por eles delegados. a) Todos os itens estão corretos. b) Somente um item está correto. c) Somente dois itens estão corretos. d) Somente três itens estão corretos. e) Todos os itens estão incorretos. 30 - (DEL. POL. MT/2000) -. Assinale a alternativa correta: a) Incide o poder de polícia da Administração Pública sobre bens, direitos, atividades e pessoas. b) Tal como o poder de polícia judiciária, o poder de polícia administrativa é inerente a determinados órgãos da Administração Pública. c) Por ser o ato administrativo de aplicar multa decorrente do poder de polícia, não há falar em intervenção do Poder Judiciário para que seja aquele ato da Administração Pública executado, pois um dos atributos do poder de polícia é justamente o da auto-executoriedade. d) poder de polícia administrativa tem como atributo a vinculação, tendo em vista a sua grave interferência na esfera jurídica dos administrados, de modo a limitar-lhes o uso e gozo de direitos e bens, e o exercício de atividades. e) No poder de polícia delegado não se compreende o poder de impor taxas, mas lhe é implícita a faculdade de aplicar sanções aos infratores, na forma regulamentar. 31 - (TRF - TÉCNICO/2000 - ESAF) - O poder administrativo, pelo qual se disciplinam e restringem determinadas liberdades individuais, exercitadas até por particulares, que em razão disto podem ficar sujeitos à cobrança de tributo, na modalidade de taxa, é o: a) disciplinar b) hierárquico c) de polícia d) regulamentar e) discricionário 32 - (TC/RN 2000) A figura do “excesso de poder” classifica-se como vício em relação ao seguinte elemento do ato administrativo: a) forma; b) motivo; c) finalidade; d) competência; e) objeto. 33 - (DEL. PC/SP/2000) Resolução do Secretário da Segurança Pública proibindo a venda de bebidas alcoólicas no dia das eleições é ato administrativo pelo qual a Administração manifesta seu poder: a) hierárquico. b) regulamentar. c) de polícia. d) disciplinar. 34 - (PROC./GO) A respeito do poder de polícia, não se pode afirmar: a) O poder de polícia deve observar, como limite ao seu exercício, a finalidade legal que determinou a execução do ato, devendo haver proporcionalidade entre a medida adotada e o objetivo a ser atingido. b) A polícia administrativa pode se manifestar através de atos normativos, de alcance geral, ou de atos concretos, específicos. c) A polícia administrativa atua sempre de maneira repressiva. d) A polícia administrativa se expressa tanto através de atos praticados no exercício de competência discricionária, como através de atos vinculados. 35 - (MPDFT - 19ª CONCURSO) Coordenar, ordenar e corrigir as atividades administrativas, no Âmbito da administração pública, incluem-se entre os objetivos fundamentais do: a) Poder de polícia. b) Poder disciplinar. c) Poder vinculante. d) Poder hierárquico. e) Poder discricionário. 36 - (DPF/CESPE/2002) No que concerne ao exercício e aos limites dos poderes da administração pública, julgue os itens subseqüentes. a) O abuso de poder de um delegado federal pode ser controlado por meio de mandado de segurança individual, desde que não haja necessidade de dilação probatória. b) A função de polícia judiciária não exclui da Polícia Federal o poder de polícia administrativa. c) O poder disciplinar impõe ao superior hierárquico o dever de punir o subordinado faltoso d) O Congresso Nacional tem competência para controlar o poder regulamentar do Presidente da República. e) Se invalidada por sentença judicial a demissão de policial, decorrente de condenação administrativa por abuso de autoridade, terá ele direito à reintegração na vaga que antes ocupava. 37 - (MPDFT/22º CONCURSO) A intervenção administrativa da autoridade pública no exercício das atividades individuais suscetíveis de fazer perigar interesses gerais, tendo por objetivo evitar que se produzam, ampliem ou generalizem os danos sociais que as leis procuram prevenir, denomina-se polícia: a) Judiciária. b) Costumes. c) Especial, em sentido estrito. d) Administrativa. 38 - (MPDFT/22º CONCURSO) Julgue os itens abaixo: I - Poder de polícia é a faculdade de que dispõe a administração pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado. II - O poder de polícia é abrangente, e não se distingue polícia administrativa de polícia judiciária. III - A polícia administrativa é inerente e se difunde por toda a administração pública enquanto as demais são privativas de determinados órgãos ou corporações. IV - O poder de polícia é um poder político o Estado, exercido no desempenho de suas funções constitucionais. V - As condições de validade do ato de polícia são as mesmas do ato administrativo comum, ou seja, a competência, a finalidade e a forma, acrescida da proporcionalidade da sanção e da legalidade dos meios empregados pela administração. Estão certos apenas os itens: a) I e II b) II e V c) I, III e IV d) I, III, V 39 - (PROCURADOR DO BACEN – 2001) Em relação ao poder de polícia administrativa, assinale a opção correta. a) O âmbito de sua abrangência está limitado à área de segurança dos cidadãos. b) Somente ocorre em caráter preventivo. c) Submete-se ao princípio da proporcionalidade, de forma a inibir atos excessivos por parte da Administração. d) Denomina-se exigibilidade a coerção por meios diretos, para compelir o administrado a observar o ato de polícia. e) O ato de polícia é sempre um ato discricionário. 40. (DELEGADO/PCDF) A Administração Pública, no exercício do Poder de Polícia, pode executar seus atos independentemente da manifestação prévia de outro Poder, ressalvadas poucas exceções. A característica do Poder de Polícia que legitima a conduta acima descrita denomina-se: a) imperatividade; b) auto-executoriedade; c) presunção de veracidade; d) presunção de legitimidade; e) discricionariedade. 41. (DELEGADO/PCDF) A professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, ao tratar do Poder de Polícia, afirma: “ o poder de polícia não deve ir além do necessário para satisfação do interesse público que visa proteger; a sua finalidade não é destruir os direitos individuais, mas, ao contrário, assegurar o seu exercício, condicionando-o ao bem estar social; só poderá reduzi-los quando em conflito com interesses maiores da coletividade e na medida estritamente necessária à consecução dos fins estatais.” O texto acima se refere ao seguinte princípio, aplicável aos atos de poder de polícia: a) legalidade; b) moralidade; c) impessoalidade; d) proporcionalidade; e) segurança jurídica. Julgue os itens a seguir: 42. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) Os poderes conferidos ao sujeito no direito administrativo se colocam como situações subjetivas consideradas de um ângulo ativo, já que o Estado e, por conseguinte, seus órgãos e agentes usam suas competências para auto-satisfação. 43. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) O poder regulamentar possui, ao lado de seu fundamento jurídico, umfundamento político, consistente na conveniência e oportunidade que se reconhece ao Poder Executivo para orientar a administração pública em relação a pormenores inerentes à execução da lei. 44. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) O objeto do poder de polícia é, em princípio, a liberdade e a propriedade dos cidadãos, mas o exercício daquele poder não implica a supressão total desses direitos. 45. (PAPILOSCOPISTA/DPF) Do mandamento legal preconizando que qualquer do povo poderá e que as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem for encontrado em flagrante delito, decorre que o ato administrativo de polícia é facultativo para o particular. Essa espécie de ato administrativo admite coerção estatal para torná-lo efetivo independentemente de autorização judicial. Mas autorização para emprego de força física não legitima excesso de violência desnecessária ou desproporcional à resistência, razão por que, nesse caso, pode configurar-se excesso de poder e abuso de autoridade nulificadores do ato praticado e ensejadores de ações civis e criminais para reparação do dano e punição dos culpados. 46. (PAPILOSCOPISTA/DPF) Ato de agente público praticado com desvio de finalidade ou é consumado às escondidas ou se apresenta disfarçado sob a capa da legalidade e do interesse público. Por isso a doutrina e a jurisprudência, em uníssono, afirmam que o desvio de finalidade há de ser surpreendido e identificado por indícios e circunstâncias que revelem a distorção do fim legal, substituído habilidosamente por fins ilegais ou imorais não desejados pelo legislador. Trata-se da aplicação da consagrada expressão “indícios vários e concordantes são prova”, já que prova inequívoca, nessas condições, só seria possível mediante confissão, algo absolutamente improvável em um processo. 47. (DELEGADO/POLÍCIA FEDERAL) O abuso de poder, na modalidade de desvio de poder, caracteriza-se pela prática de ato fora dos limites da competência administrativa do agente. 48. (AGENTE/POLÍCIA FEDERAL) A aplicação da referida penalidade a Kleber caracteriza exercício de poder administrativo disciplinar. 49. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) Se uma lei estatuir que, para o gozo de determinado direito por ela criado, o cidadão precisa fazer prova documental de certos fatos à autoridade administrativa, poderá o chefe do Poder Executivo, no exercício válido do poder regulamentar, estipular que documentos serão aceitos como prova, desde que não crie obrigação nova para os cidadãos. 50. (JUIZ SUBSTITUTO/TJBA) De acordo com o entendimento da doutrina acerca do poder regulamentar, o direito brasileiro acolhe a figura do regulamento delegado, desde que nas hipóteses expressas ou implicitamente admitidas pela ordem constitucional. 51. (JUIZ SUBSTITUTO/TJBA) Como regra geral, é juridicamente correto afirmar que o poder de polícia pode ser exercido, dentro de certos limites, por todas as esferas da administração pública e que, quando couber esse exercício, ele será de competência dos estadosmembros se não for de competência da União ou dos municípios. (UnB/CESPE/AGU-2004) – Em razão de multa imposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ante o descumprimento por particular de normas aprovadas em tratado internacional firmado pelo Brasil, moveu ele ação contra a entidade que o autuara e contra seu diretor-presidente,pedindo que, além da declaração de nulidade da autuação, fosse ressarcido em perdas e danos. Sustentou que a autuação era indevida, porque o ato era composto e dependia, para sua validade, de visto de autoridade superior. Procedente a ação, pediu a penhora de bens da ANVISA. Em face dessa situação hipotética, julgue os itens que se seguem. 52. A ANVISA é uma autarquia sob regime especial, agência reguladora, que exerce poder de polícia. 53. Um tratado internacional firmado pelo Brasil, aprovado pelo Congresso Nacional e promulgado pelo presidente da República, constitui fonte do direito administrativo, posto que ingressa no ordenamento jurídico pátrio como lei complementar federal. 54. Nos atos compostos, o visto da autoridade superior constitui condição de exeqüibilidade. 55. Os bens da ANVISA não estão sujeitos a penhora. 56. É autorizado À Advocacia-Geral da União (AGU) defender o diretor-presidente da ANVISA. 57. O abuso de poder, na modalidade de desvio de poder, caracteriza-se pela prática de ato fora dos limites da competência administrativa do agente. 58. O poder regulamentar possui, ao lado de seu fundamento jurídico, um fundamento político, consistente na conveniência e oportunidade que se reconhece ao Poder Executivo para orientar a administração pública em relação a pormenores inerentes à execução da lei. 59. O objeto do poder de polícia é, em princípio, a liberdade e a propriedade dos cidadãos, mas o exercício daquele poder não implica a supressão total desses direitos. 60. (Cespe/Unb - Procuradoria –geral do Estado do Ceará - 2004) Com referência aos poderes da administração, assinale a opção correta. a) Os poderes administrativos são instrumentais, sendo utilizados pela administração pública para cumprir suas finalidades. b) A inexistência de vinculação absoluta permite à administração pública apreciar aspectos de conveniência, interesse público e de forma, quando no uso do seu poder vinculado. c) A discricionariedade da administração pública aplica-se apenas aos aspectos de conteúdo e de oportunidade do ato administrativo. d) Com o uso do poder hierárquico, é sempre possível a invalidação, pela autoridade superior, dos atos praticados por seus subordinados. e) Caso o Poder Executivo exorbite na utilização de seu poder regulamentar, o Poder Legislativo poderá anular o ato normativo editado. 61. (Cespe/Unb - Procuradoria –geral do Estado do Ceará - 2004) Assinale a opção correta com relação ao poder de polícia da administração. a) o poder de polícia administrativo incide sobre bens, direitos, atividades e pessoas. b) A vinculação é, na maioria dos casos, um dos atributos do poder de polícia administrativo, uma vez que, no uso desse poder, a administração pública atua nos estritos limites da lei e dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal. c) A previsão legal confere o atributo de auto-executoriedade às multas aplicadas com o uso do poder de polícia administrativo. d) A exigibilidade está presente em todos os atos praticados no exercício do poder de polícia. e) O alvará de licença, concedido no uso do poder de polícia administrativo, é precário, podendo ser revogado sumariamente a qualquer tempo. 62. (ESAF-Analista MPU – área judiciária- 2004) Quanto aos poderes administrativos, assinale a afirmativa falsa. a) A esfera discricionária nos regulamentos de organização é maior do que aquela nos regulamentos normativos. b) O poder disciplinar pode alcançar particulares, desde que vinculados ao Poder Público mediante contratos. c) No âmbito do poder hierárquico, insere-se a faculdade de revogar-se atos de órgãos inferiores, considerados inconvenientes, de ofício ou por provocação. d) A regra quanto à avocação de competências determina a sua possibilidade, desde que a competência a ser avocada não seja privativa do órgão subordinado. e) O poder de polícia administrativa pode se dar em diversas gradações, finalizando, em todas as situações, com a auto-executoriedade, pela qual o administrado é materialmente compelido a cumprir a determinação administrativa. 63. (ESAF-Analista MPU – área judiciária- 2004) Com referência à discricionariedade, assinale a afirmativa verdadeira. a) A discricionariedade manifesta-se, exclusivamente, quando a lei expressamente confere à administração competência para decidir em face de uma situação concreta. b) O poder discricionário pode ocorrer em qualquer elemento do ato administrativo. c) É possível o controle judicial da discricionariedade administrativa, respeitados os limites que são assegurados pela lei à atuação da administração. d) O princípio da razoabilidade é o único meiopara se verificar a extensão da discricionariedade no caso concreto. e) Pela moderna doutrina de direito administrativo, afirma- se que, no âmbito dos denominados conceitos jurídicos indeterminados, sempre ocorre a discricionariedade administrativa. 64. (Magistratura/TJTO-2004) – Assinale a alternativa correta. a) Poder de Polícia e ordem de polícia são expressões equivalentes. b) Ao editar lei que institui taxa, o poder Legislativo exerce uma forma atípica de poder de polícia. c) O poder de polícia incide sobre bens, direitos ou pessoas. d) O poder de polícia incide sobre bens, direitos ou atividades. GABARITO 1 - ECCCE 2 – B 3 – B 4 - A 5 - B 6 - C 7 – C 8 - E 9 – D 10 – C 11 – A 12 – A 13 – C 14 – B 15 – B 16 – E 17 – E 18 – E 19 – E 20 – C 21 – C 22 – E 23 – E 24 – E 25 – C 26 - D 27 – B 28- E 29 – B 30 - E 31 – C 32 - D 33 – C 34 - C 35 - D 36 - CCCCC 37 - D 38 – D 39 - C 40 - B 41 – D 42 – E 43 – C 44 – C 45 – E 46 – C 47 – E 48 – C 49 – C 50 – E 51 – C 52 – C 53 – E 54 – C 55 – C 56 – C 57 – E 58 – C 59 – C 60 – A 61 – D 62 – E 63 – C 64 – E ROTEIRO DE AULA – CAPÍTULO 02 SUJEITOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 1. Administração Direta: 2. Administração Indireta: 2.1. Princípios: ( princípio do controle ou da tutela: a criatura (pessoa jurídica criada) tem suas finalidades controladas pelo criador (entidade matriz), mas tal controle é apenas finalístico, daí dizer-se que não há subordinação entre a entidade criada e o ente criador, há apenas vinculação. ( princípio da reserva legal: para o surgimento da criatura há necessidade de lei, seja criando-a, seja autorizando sua criação. ( princípio da especificidade: a criatura é criada para desempenhar uma função específica e pré-determinada pela entidade criadora. 2.2. Autarquias Conceito: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Natureza jurídica: _______________________________________________________________________________ Criação, extinção e organização: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Objeto: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Patrimônio: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Responsabilidade: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Privilégios: ( prescrição qüinqüenal de suas dívidas ( imunidade tributária (CF, art. 150, § 2º). ( prazo decadencial de 5 anos incidente sobre o direito de a Administração anular os atos administrativos de que decorrem efeitos favoráveis para os destinatários, salvo comprovada má fé (art. 54 da Lei nº 9.784/99). ( créditos sujeitos à execução fiscal: os créditos autárquicos são inscritos como dívida e podem ser cobrados pelo processo especial das execuções fiscais (CPC, art. 578). ( impenhorabilidade de seus bens e rendas. A garantia se estabelece pelo sistema de precatórios judiciais (CF, art. 100). ( impossibilidade de usucapião de seus bens (Decreto-Lei nº 9.760/46). ( prazo em quadruplo para contestar e em dobro para recorrer (CPC, art. 188). ( juízo privativo da entidade matriz ( CF, art. 109, I). ( recurso de ofício diante das sentenças que lhe sejam desfavoráveis e as que julgarem procedentes embargos à execução de dívida ativa promovida pela Fazenda Pública (CPC, art. 475, I e II). Contudo, inexistirá tal prerogativa quando o valor discutido na ação ou a importância da dívida ativa na execução não excederem 60 salários mínimos (CPC, art. 475, § 2º), ou a decisão tiver por fundamento jurisprudência do plenário do STF ou súmula de qualquer tribunal superior competente (CPC, art. 475, § 3º). ( a defesa de autarquia na execução por quantia certa fundada em título judicial se formaliza em autos apensos ao processo principal e por meio de embargos do devedor, conforme arts. 741 a 743 do CPC. Pessoal: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Dirigentes: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.3. Fundações Públicas Natureza jurídica: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Devemos nos perquerir quais seriam as consequências se adotarmos uma ou outra das três correntes acima? Pois bem, vejamos: ( quanto à responsabilidade civil ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( quanto à imunidade tributária ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( quanto ao regime de pessoal ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( quanto ao patrimônio ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Conceito: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Criação: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Objeto: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.4. Empresas Estatais Segundo o magistério de Maria Sylvia Fanella DI Pietro as empresas estatais (empresas públicase sociedades de economia mista) podem exercer: (a) atividade econômica, sujeitando-se, assim, ao regime jurídico de direito privado nos moldes do art. 173 da Constituição Federal; ou (b) prestação de serviços públicos, estando sujeitas ao art. 175 da Carta Política (concessionários e permissionários de serviços públicos). 2.4.1. Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista – Traços Distintivos Forma de organização: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Composição do capital social: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Foro para litígios judiciais: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.4.2. Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista – Traços Comuns Criação: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Regime Jurídico: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Pessoal: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Patrimônio: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Licitação: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Falência: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Responsabilidade Civil: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Imunidade tributária: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.5. Agências Reguladoras Regime Especial: (a) mandato para seus dirigentes; (b) decisões com caráter final na esfera administrativa: (c) receitas próprias; e (d) ausência de subordinação hierárquica. 2.6. Agências Executivas 3. Terceiro Setor – As Entidades Paraestatais 3.1. Serviços Sociais Autônomos Conceito: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Principais Características: ( exercem atividades sem fins lucrativos. ( são mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições parafiscais. ( o regime de pessoal é o celetista. ( não gozam de privilégios próprios da Administração Direta, nem os administrativos, nem os processuais, salvo quando a lei instituidora expressamente lhes conceder. ( podem assumir diferentes formas jurídicas. ( pelo fato de administrarem verbas decorrentes de contribuições parafiscais, estão sujeitos a certas normas de caráter administrativo, tal como a prestação de contas aos Tribunais de Contas e a equiparação de seus empregados aos servidores públicos para fins criminais e para fins de improbidade administrativa. ( o Tribunal de Contas da União decidiu que os serviços sociais autônomos não se subordinam à Lei de Licitações. Segundo aquele Tribunal, essas entidades colaboram com o Estado e devem manter a prestação de contas, mas estão desobrigadas de seguir critérios da Lei de Licitações. Devem elas elaborar e publicar regulamentos próprios definidos em regras relativas aos contratos que venham a ser celebrados (TCU, Decisão Plenária nº 907/97). 3.2. Organizações Sociais 3.3.Organizações da Sociedade Civil de Interesse Coletivo CAPÍTULO 02 – SUJEITOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 1. Entidades Políticas e Administrativas Entidade é a pessoa Jurídica pública ou privada. As entidades classificam-se em: Entidades Estatais: são os entes da Federação, quais sejam, a União, os Estados, os Municípios e do Distrito Federal. O que os diferencia das demais entidades é que são dotados de capacidade política. Entidades Autárquicas: pessoas jurídicas de direito público de natureza meramente administrativa, criadas por lei específica, para a realização de atividades obras ou serviços descentralizados da entidade estatal que as criou. Entidades Fundacionais: pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado, devendo a lei definir suas respectivas áreas de atuação. Entidades Empresariais: pessoas jurídicas de direito privado, instituídas sob a forma de sociedade econômica mista ou empresa pública, com a finalidade de prestar serviço público que possa ser explorado no modo empresarial, ou de exercer atividade econômica de relevante interesse coletivo. Entidades Paraestais: pessoas jurídicas de direito privado que, por lei, são autorizadas a prestar serviços ou realizar atividade de interesse coletivo ou público, mas exclusivos do Estado. Nesta categoria incluem-se os serviços sociais autônomos e as organizações sociais, bem como as organizações da sociedade civil de interesse coletivo. 2. Administração Direta A Administração Pública pode optar por realizar suas atividades de forma concentrada ou desconcetrada ou, ainda, centralizada ou descentralizada. Centralização: ocorre quando o Estado executa suas tarefas diretamente, por meio dos órgãos e agentes integrantes das entidades estatais (é a chamada Administração Direta). Descentralização: ocorre quando o Estado desempenha algumas de suas funções por meio de outras pessoas jurídicas. Formas de descentralização: ( outorga (descentralização funcional): o Estado cria a entidade e a ela transfere, por lei (tanto a titularidade, quanto a execução), determinado serviço público (entidades autárquicas, fundacionais e empresariais). (delegação (descentralização por colaboração): o Estado transfere por contrato ou ato unilateral, apenas a execução do serviço, sob a fiscalização do Estado (concessão e permissão). Há uma terceira forma de descentralização administrativa, a chamada descentralização territorial. Na descentralização territorial há a criação de uma pessoa jurídica para desempenhar diversas funções administrativas dentro de uma área territorial determinada. Essa espécie de descentralização se difere da descentralização funcional, pois nesta uma entidade é criada para uma finalidade específica, enquanto naquela, a entidade criada desempenha diversas finalidades, assim não vige o princípio da especificidade. Exemplo de descentralização territorial são os territórios. A Administração direta pode ser definida como o conjunto de órgãos que integram as pessoas políticas do Estado (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), aosquais foram atribuídas competência para exercer, de forma centralizada, atividades administrativas. Já a Administração indireta é o conjunto de pessoas que vinculadas à Administração direta, têm competência para o exercício, de forma descentralizada (somente pela outorga), de atividades administrativas (autarquias, fundações, empresas públicas e socieadades de economia mista). Quanto as entidades paraestatais, são pessoas jurídicas privadas que, sem integrarem a estrutura da Aministração Pública, colaboram como Estado no desempenho de atividades as quais o Poder Público dispensa especial proteção (organizações sociais, organizações da sociedade civil de interesse coletivo e os serviços sociais autônomos). A Administração Direta atua centralizadamente, porém, quase sempre desconcentradamente, ou seja, cada pessoa jurídica integrante da Administração Indireta instiui órgão para melhor executar suas tarefas. É o fenômeno da desconcentração. Desconcentração: ocorre quando a entidade da Administração encarregada de executar determinado serviço distribui competências, no âmbito de sua própria estrutura, a fim de tornar mais eficiente a prestação do serviço. A desconcentração é realizada por meio dos chamados órgão públicos. Órgãos são centros de competências instituídos para o desempenho de funções estatais, por meio de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertence. Os órgãos possuem funções, cargos e agentes, sendo que sua atuação é imputada à pessoa jurídica que integram, porém não a representando, já que a representação compete aos agentes (pessoas físicas). É necessário observar que os órgãos não possuem personalidade jurídica própria. O art. 1º, § 1º, I, da Lei nº 9.784/99 define órgão como “a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração Direta e da estrutura da Administração Indireta”. Todo órgão possue cargos públicos. Os cargos são lugares que serão ocupados pelos agentes públicos. Devemos ressaltar que todo cargo tem função, mas nem toda função tem cargo. Isto é, podemos instituir funções sem atrelá-las a determinados cargos, como é o caso da função desempenhada pelos mesários por conta das eleições, da função desempenhada pelos cidadãos no conselho de sentença do Tribunl do Júri. Os cargos são agrupados segundo sua natureza formando o que chamamos de classe. E o conjunto de classes denomina-se carreira. Esta é a estrutura básica da Administração Direta que integrada por pessoas jurídicas com capacidade política, possuem centros de competênia denominados órgãos, tais órgão possuem cargos que são ocupados pelos agentes públicos para o desempenho de funções que estão diretamente atreladas ao referido cargo. Por fim há funções sem cargos, que, também, são desempenhadas por agentes públicos. Para melhor vizualização da estrutura organizacional, os cargos semelhantes, ou seja, de mesma natureza, são agrupados formando as classes. E o conjunto das classes chama-se carreira. Assim temos a carreira do magistérios, integrada pela classe dos professores do ensimo fundamental, professores do ensino médio, professores universitários, especialistas da educação etc. 3. Classificação dos Órgãos Públicos 3.1. Quanto à estrutura Órgãos simples ou unitários: são dotados de um só centro de competência. Órgãos compostos: são os que reúnem em sua estrutura outros órgãos menores, encarregados de exercer funções idênticas à sua ou outras funções, atividades-meio. 3.2. Quanto à atuação funcional Órgãos singulares ou unipessoais: são os que atuam e decidem por meio de um único agente. Órgãos colegiaods ou pluripessoais: são aqueles que atuam e decidem pela manifestação conjunta e majoritária da vontade de seus membros. 3.3. Quanto à posição estatal Órgãos independentes ou primários: são os originários da Constituição Federal, representando os Poderes do Estado, não possuindo qualquer subordinação hierárquica (exs: Casas Legislativas, Tribunais e Juízes, Chefias do Executivo, Ministério Público, Defensoria Pública). Órgãos Autônomos: são localizados na cúpula da Administração, imediatamente abaixo dos independentes (exs: Ministérios, Secretarias de Estados e dos Municípios). Órgãos Superiores: são os que detêm poder de direção, controle, decisão e comando, mas sempre sujeitos à subordinação e ao controle hierárquico de uma chefia mais alta (exs: Gabinetes, Secretarias-Gerais, Inspetorias). Órgãos subalternos: com reduzido poder decisório e predominância de atribuições de execução. 4. Teorias que procuram explicar como a atuação da pessoa física (agente) é atribuída ao Estado ( Teoria do mandato: o agente público seria um mandatário do Estado. Tal teoria é criticada, pois o Estado é pessoa jurícida, portanto, não possui vontade, assim como teria ele outorgado tal mandato? ( Teoria da representação: o agente público seria um representante do Estado. Aceitando-se referida teoria teriamos que concluir que o Estado é incapaz, pois somente os incapazes são representados ou assistidos por seus representantes legais. ( Teoria do órgão ou teoria da imputação: por essa teoria quando o agente público exara sua vontade essa é imputada aoórgão a que pertence e consequentemente à pessoa jurídica. 5. Agentes Públicos Agentes públicos são todas as pessoas físicas incumbidas definitivamente ou transitoriamente, do exercício de alguma função estatal. 5.1. Classificação dos agentes públicos para o prof. Hely Lopes Meirelles Agentes políticos: são os componentes do governo nos seus primeiros escalões. ( plena liberdade funcional; ( prerrogativas e responsabilidades próprias; e (há normas específicas para sua escolha, investidura e processo por crime funcional e de responsabilidade. Agentes administrativos: são todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas e fundacionais por relações profissionais. ( sujeitos à hierarquia funcional; e ( sujeitos ao regime jurídico determinado pela entidade a que pertencem. Agentes honoríticos: são cidadãos convocados, designados ou nomeados para prestar, transitoriamente, determinados serviços de Estado, em razão de sua condição cívica, honorabilidade ou notória capacidade profissional. Agentes delegados: são os concessionários, permissionários, leiloeiros, tradutores e intérpretes públicos. Agentes credenciados: são os que recebem a incumbência da Administração para representá-la em determinado ato ou participar de certa atividade específica, mediante remuneração do Poder Público credenciante. 5.2. Classificação dos agentes públicos para Celso Antônio Bandeira de Mello Agentes políticos: idem a classificação do prof. Hely. Agentes particulares colaboradores: particulares que exercem funções especiais que podem se qualificar como públicas, sempre como resultado do vínculo jurídico que os prende ao Estado. Alguns exercem verdadeiro múnus público, sujeitando-se a certos encargos a favor da coletividade. Fazem-no sob diversos títulos: delegação do poder público: são os que exercem função pública em seu próprio nome, sem vínculo empregatício como o Estado, porém sob sua fiscalização (exs: empregados de concessionárias de serviços públicos, os que exercem serviços notoriais e de registro). mediante requisição, nomeação ou designação: exercem funções públicas relevantes, como os jurados e mesários. gestores de negócios: são os que assumem espontaneamente determinada função pública em momento de emergência, como epidemias, incêndios, enchentes. Servidores públicos: pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às entidades da Administração Indireta, profissionalmente, com vínculo empregatício e mediante remuneração paga pelos cofres públicos. Possuem com o Estado uma relação de natureza profissional e caráter não eventual sob vínculo de dependência. Subdividem-se: servidor estatutário: submetidos a regime estabelecido em lei por cada um das unidades da federação e modificável unilateralmente, desde que respeitados os direitos já adquiridos pelo servidor. Quandonomeados, ingressam numa situação jurídica pré-definida, a qual se submetem com o ato de posse – seu posto de trabalho denomina-se cargo público. empregado público: contratado sob regime celetista fica, portanto, submetido à legislação federal, que proíbe alterações unilaterais do contrato de trabalho. Seu posto de trabalho denomina-se emprego público. servidores temporários: contratados para exercer funções temporárias, mediante regime jurídico especial a ser definido em lei de cada unidade da federação. Seu posto de trabalho denomina-se função pública. 6. Administração Indireta 6.1. Princípios da Descentralização Funcional São princípios norteadores da descentralização funcional: princípio do controle ou da tutela: a criatura (pessoa jurídica criada) tem suas finalidades controladas pelo criador (entidade matriz), mas tal controle é apenas finalístico, daí dizer-se que não há subordinação entre a entidade criada e o ente criador, há apenas vinculação. princípio da reserva legal: para o surgimento da criatura há necessidade de lei, seja criando-a, seja autorizando sua criação. princípio da especificidade: a criatura é criada para desempenhar uma função específica e pré-determinada pela entidade criadora. 6.2. Autarquias Conceito: são pessoas jurídicas de direito público, integrantes da Administração Indireta, criadas e extintas por lei (CF, art. 37, XIX), para desempenhar funções típicas do Estado. O que são atividades típicas do Estado? Serviços públicos e exercício de poder de polícia são atividades típicas do Estado. Já a exploração de atividade econômica pelo Estado é atividade excepcional, somente desenvolvida se presentes os pressupostos do art. 173 da CF. Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito público. Fundamentação legal: Decreto nº 200/67, arts. 4º, II, alínea “a” e 5º, I, bem como e principalmente na Constituição Federal, arts. 37, XIX; 109, I; e 144, § 1º, I. Criação, extinção e organização: as autarquias são criadas por lei específica (CF, art. 37, XIX) de iniciativa do Chefe do Executivo. Cada autarquia criada deverá ter uma lei própria (lei específica). A extinção das autarquias também se dará por lei (princípio da simetria das formas jurídicas – se elas nascem por lei devem ser extintas também por lei). Porém, tais pessoas jurídicas são organizadas mediante decreto do Chefe do Poder Executivo. Objeto: o Decreto nº 200/67 quando contornou os aspectos jurídicos das autarquias revelou que as mesmas estavam destinadas a executar atividades típicas da administração pública (serviços públicos e poder de polícia). Nivel Federativo: quanto ao nível federativo as autarquias podem ser federais, estaduais, distritais e municipais. Não são admitidas autarquias interestaduais ou intermunicipais. O STF julgou injurídica a criação de entidade considerada autarquia interestadual de desenvolvimento porque “não há a possibilidade de criação de autarquia interestadual mediante a convergência de diversas unidades federadas” – Informativo nº 247, de 10/2001. Patrimônio: para o prof. Hely Lopes Meirelles, o patrimônio das autarquias é integrado por bens públicos, mas com destinação especial e administração própria, razão pela qual não podem ser penhorados e são imprescritíveis. Para referido mestre, tais bens podem ser onerados e alienados para os fins da instituição, independentemente de autorização legislativa, contudo, predomina a corrente de que para serem alienados ou onerados é necessário que obedeça às prescrições legais norteadoras dessa atividade administrativa (desafetação; avaliação; licitação; e se imóveis, dependerão de autorização legislativa). A luz do art. 98 do Código Civil, os bens das autarquias são bens públicos, já que referido dispositivo legal leva em conta o titular do bem para classificá-lo em público ou privado. A posição do atual Código Civil é a adotada pela grande parte da doutrina. Controle: as autarquias estão sujeitas a tríplice controle: ( controle político: refere-se a forma de nomeação de seus dirigentes pelo Chefe do Executivo. ( controle financeiro-orçamentário: por meio dos Tribunais de Contas (CF, art. 71). ( controle administrativo: estão sujeitas a supervisão ministerial. As autarquias estão ligadas à Administração direta não por vínculo de subordinação, mas sim pela vinculação administrativa. A subordinação decorre do poder hierárquico; a vinculação resulta do poder de supervisão ministerial sobre a entidade vinculada e é exercida nos limites que a lei estabelecer, sem imprimir a autonomia conferida ao ente supervisionado. Responsabilidade: regida pelo art. 37, § 6º da Constituição Federal. Privilégios: ( prescrição qüinqüenal de suas dívidas – dívidas e direitos em favor de terceiros em face das autarquias prescrevem em cinco anos (Dec.-Lei nº 4.597/92). ( imunidade tributária – vedação de instituição de imposto sobre o patrimônio, a renda e os serviços das autarquias desde que vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes (CF, art. 150, § 2º). O STJ entendeu que a imunidade em caso de IPTU abrange, inclusive, imóveis alugados a terceiros – Informativo nº 128, de 04/2002. ( prazo decadencial de 5 anos incidente sobre o direito de a Administração anular os atos administrativos de que decorrem efeitos favoráveis para os destinatários, salvo comprovada má fé (art. 54 da Lei nº 9.784/99). ( créditos sujeitos à execução fiscal: os créditos autárquicos são inscritos como dívida e podem ser cobrados pelo processo especial das execuções fiscais (CPC, art. 578). ( impenhorabilidade de seus bens e rendas. A garantia se estabelece pelo sistema de precatórios judiciais (CF, art. 100). ( impossibilidade de usucapião de seus bens (Decreto-Lei nº 9.760/46). ( prazo em quadruplo para contestar e em dobro para recorrer (CPC, art. 188). ( juízo privativo da entidade matriz ( CF, art. 109, I). ( recurso de ofício diante das sentenças que lhe sejam desfavoráveis e as que julgarem procedentes embargos à execução de dívida ativa promovida pela Fazenda Pública (CPC, art. 475, I e II). Contudo, inexistirá tal prerogativa quando o valor discutido na ação ou a importância da dívida ativa na execução não excederem 60 salários mínimos (CPC, art. 475, § 2º), ou a decisão tiver por fundamento jurisprudência do plenário do STF ou súmula de qualquer tribunal superior competente (CPC, art. 475, § 3º). ( a defesa de autarquia na execução por quantia certa fundada em título judicial se formaliza em autos apensos ao processo principal e por meio de embargos do devedor, conforme arts. 741 a 743 do CPC. Pessoal: com a revogação do art. 39 da Constituição Federal pela Emenda Constituicional nº 19, e a conseqüente extinção do regime jurídico único as autarquias poderão instituir o regime estatutário ou celetista, isso conforme sua lei instituidora estabelecer. Mesmo no regime celetista estão sujeitos a concurso público e as regras de inacumulabilidade de cargos públicos. Para efeitos penais e de improbidade administrativa são sempre considerados funcionários públicos. Dirigentes: a forma de investidura dos dirigentes das autarquias deverá estar prevista na lei instituidora ou estabelecida nos seus estatutos. A competência para a nomeação é privativa do Chefe do Poder Executivo, de acordo com o art. 84, XXV da Constituição Federal. A nomeação poderá depender de prévia aprovação pelo Senado Federal (CF, art. 84, XIV), desde que exigida pela Constituição Federal ou por lei, como p. ex. os diretores do Banco Central. Autarquias em regime especial: dotadas de uma disciplina específica, com prerrogativas especiais e diferenciadas. Os elementos definidores das autarquias em regime especial, podendo aparecer conjunta ou separadamente são: (a) poder normativo – técnico; (b) autonomia decisória; (c) independência administrativa; (d) autonomia econômico-financeira. Com relação á autonomia econômico-financeira o STF já considerou constitucional a cobrança de taxa de fiscalização e controle de serviços públicos delegados,fato que permite que essa arrecadação seja alocada ao erário da autarquia – Informativo nº 137, de 02/99. Podemos citar como exemplos de autarquias em regime especial as universidades, o Banco Central e as Agências Reguladoras. 6.3. Fundações Públicas Natureza jurídica: em decorrência das alterações trazidas pela Emenda Constituional nº 19/98, a posição mais consagrada pela jurisprudência é a que admite a existência de duas espécies distintas de fundações públicas na Administração indireta: fundações públicas com personalidade jurídica de direito público e fundações públicas com personalidade jurídica de direito privado. Contudo, devemos ressalvar que quanto ao referido tema encontraremos na doutrina três correntes: Helly Lopes Meireles e José dos Santos Carvalho Filho entendem que as fundações instituídas pelo Poder Público possuem sempre a natureza jurídica de Direito Privado, caso contrário estar-se-ia igualando as fundações às autarquias. Maria Sylvia Zanela DI Pietro leciona que, em nosso regime jurídico, há possibilidade de fundações instituídas pelo Poder Público terem natureza jurídica de Direito Público ou de Direito Privado, tudo dependerá do ato constitutivo. Para Celso Antônio Bandeira de Mello as fundações instituídas pelo Poder Público possuem sempre natureza jurídica de Direito Público, já que pela análise do texto constitucional, foi deferido tratamento idêntico às fundações e às autarquias. Devemos nos perquerir quais seriam as consequências se adotarmos uma ou outra das três correntes acima? Pois bem, vejamos: ( quanto à responsabilidade civil não teria consequência alguma, pois possuindo natureza jurídica de direito privado ou de direito público a fundação sempre estaria acobertada pela regra do art. 37, § 6º da CF, já que prestadora de serviço público. ( quanto à imunidade tributária, tal diferença também é irrelevante, pois o art. 150 da CF não distingue as fundações cuja personalidade jurídica seja de direito público das fundações cuja personalidade jurídica seja de direito privado. ( quanto ao regime de pessoal, aí a diferenciação se torna relevante já que se de Direito Público poderá ter regime estatutário ou celetista, enquanto se tiver natureza jurídica de Direito Privado só poderá ter regime celetista. ( quanto ao patrimônio e a luz do art. 98 do CC, se de personalidade jurídica de Direito Privado, os bens da fundação seriam privados, portanto, em tese, penhoráveis e prescritíveis. Contudo se possuir personalidade jurídica de Direito Público, os bens da fundação seriam bens públicos (impenhoráveis e imprescritíveis). Contudo, mesmo aqules que entendem que a fundação instituída pelo Poder Público tem personalidade jurídica de Direito Privado conferem uma especial proteção a seus bens se afetos a prestação de serviços públicos, inadmitindo sua penhorabilidade como reflexo do princípio da continuidade dos serviços públicos. Já que acima falamos que a posição jurisprudencial é a que leciona a Professora Maria Sylvia, trataremos da matéria como se fosse possível a existência de duas espécies de fundações instituídas pelo Poder Público, quais sejam: fundação pública cuja natureza jurídica seja de Direito Privado e fundação pública cuja natureza jurídica seja de Direito Público. Fundações públicas com personalidade jurídica de direito público são espécies do gênero autarquia e estão submetidas ao mesmo regime jurídico desta. Fundações públicas com personalidade jurídica de direito privado são entidades de caráter híbrido, isto é, em parte reguladas por normas do direito privado e noutra parte, sofrerão a incidência de normas de direito público (sujeição à licitação, vedação à acumulação de cargos, extensão da imunidade tributária recíproca etc.) Para o STF os principais traços distintivos entre as fundações públicas de direito público e as fundações públicas de direito privado são: ( desempenho de função estatal; ( regime administrativo; (finalidade; e ( origem dos recursos. Aprecie, com atenção, as ementas abaixo: RE 101126/RJ Rel. Min. MOREIRA ALVES EMENTA: - ACUMULAÇÃO DE CARGO, FUNÇÃO OU EMPREGO. FUNDAÇÃO INSTITUÍDA PELO PODER PÚBLICO. – NEM TODA FUNDAÇÃO INSTITUÍDA PELO PODER PÚBLICO É FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. – AS FUNDAÇÕES, INSTITUÍDAS PELO PODER PÚBLICO, QUE ASSUMEM A GESTÃO DE SERVIÇO ESTATAL E SE SUBMETEM A REGIME ADMINISTRATIVO PREVISTO, NOS ESTADOS-MEMBROS, POR LEIS ESTADUAIS SÃO FUNDAÇÕES DE DIREITO PÚBLICO, E, PORTANTO, PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. – TAIS FUNDAÇÕES SÃO ESPÉCIE DO GÊNERO AUTARQUIA, APLICANDO-SE A ELAS A VEDAÇÃO A QUE ALUDE O PARÁGRAFO 2. DO ART. 99 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL (......). RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E PROVIDO. RE 215741/SE Rel. Min. MAURÍCIO CORREA EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE A JUSTIÇA FEDERAL E A JUSTIÇA COMUM. NATUREZA JURÍDICA DAS FUNDAÇÕES INSTITUÍDAS PELO PODER PÚBLICO. 1. A Fundação Nacional de saúde, que é mantida por recursos orçamentários oficiais da União e por ela instituída, é entidade de direito público. 2. Conflito de competência entre Justiça Comum e Federal. Artigo 109, I da Constituição Federal. Compete à Justiça Federal processar e julgar ação que figure como parte fundação pública, tendo em vista sua situação jurídica conceitual assemelhar-se, em sua origem, às autarquias. 3. Ainda que o artigo 109, I da Constituição Federal, não se refeira expressamente às fundações, o entendimento desta Corte é o de que a finalidade, a origem dos recursos e o regime administrativo de tutela absoluta a que, por lei, estão sujeitas, fazem delas espécie do gênero autarquia. 4. Recurso extraordinário conhecido e provido para declarar a competência da Justiça Federal. Conceito: pessoa jurídica cuja criação é autorizada por lei, com capacidade administrativa, composta pela organização de um patrimônio, destacado para a prestação de serviços públicos. Exemplos: IBGE e FUNAI. Fundamento legal: Decreto nº 200/67, art. 5º, IV e Constituição Federal, art. 37, XIX. Criação: a criação da fundação pública é autorizada por lei, contudo, o início de sua existência dar-se-á com a inscrição no registro próprio de seus atos constitutivos. A lei complementar deverá definir as áreas em que poderá atuar a fundação, não podendo essa figura jurídica servir a se prestar toda e qualquer atividade que a Administração pretenda efetuar com relativa autonomia. Objeto: serviços públicos de caráter social, tais como assistência social, assistência médica e hospitalar; educação e ensino, perquisa e atividades culturais. Prerrogativas: quanto às prerrogativas relacionadas aos prazos processuais (CPC, art. 188), recurso de ofício (CPC, art. 475) e foro privativo da entidade matriz (CF, art. 109, I) somente são outorgadas às fundações públicas cuja personalidade jurídica for de direito público. 6.4. Empresas Estatais Segundo o magistério de Maria Sylvia Fanella DI Pietro as empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) podem exercer: (a) atividade econômica, sujeitando-se, assim, ao regime jurídico de direito privado nos moldes do art. 173 da Constituição Federal; ou (b) prestação de serviços públicos, estando sujeitas ao art. 175 da Carta Política (concessionários e permissionários de serviços públicos). Obeserve que, quando o estado cria uma entidade empresarial para prestar um serviço público está no exercício de uma alternativa que lhe foi conferida, pois poderia ter instituído para esse fim uma autarquia, ou até mesmo uma fundação. Contudo, se o estado deseja explorar atividade econômica somente poderá descentralizar essa atividade criando uma empresa pública ou sociedade de economia mista, já que tal atividade não poderá ser deferida a qualquer outra figura da Administração Indireta. O Estado entrega a prestação de um seviço público a uma entidade empresarial quando entende que necessita de maior flexibilização na prestação desse serviço. 6.4.1. Empresas Públicas e Sociedades deEconomia Mista – Traços Distintivos Forma de organização: a sociedade de economia mista é sempres sociedade anônima (S/A), assim, possui natureza comercial. Já a empresa pública pode revestir-se de qualquer forma societária, podendo ser civil ou comercial. Composição do capital social: na sociedade de economia mista o capital social é misto, isto é, tem origem pública e privada, enquanto na empresa pública o capital é exclusivamente público. Foro para litígios judiciais: somente a empresa pública goza do foro outorgado à entidade matriz. Somente a empresa pública goza de foro privilegiado (CF, art. 109, I), a sociedade de economia mista não (Súmula 42, STJ). Vejamos alguns exemplos: EBCT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – empresa pública prestadora de serviço público. Caixa Econômica Federal – empresa pública que explora atividade econômica. Banco do Brasil – sociedade de economia mista que explora atividade econômica. CDHU e Metrô – sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos. 6.4.2. Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista – Traços Comuns Criação: sua criação é autorizada por lei, bem como a extinção. Regime Jurídico: possuem personalidade jurídica de direito privado, contudo, o regime jurídico nunca é totalmente privado já que há a incidência de normas de Direito Público, daí aluns autores lecionarem que o regime jurídico é híbrido. Pessoal: celetista, contudo, o acesso se dá por meio de concurso e não podem cumular cargos. São equiparados a servidores públicos para fins penais. Embora não possuam estabilidade nos moldes do art. 41 da CF, possuem certa proteção já que esta se infere dos princípios norteadores da Administração Pública, tais como a impessoalidade, a moralidade, a finalidade etc. Patrimônio: quando prestadoras de serviços públicos seus bens são equiparados aos bens públicos de uso especial, não podendo ser alienados, ou onerados sem autorização legislativa, bem como não podem ser penhorados. Contudo, se exercerem atividades econômicas possuem a natureza jurídica de bens particulares. Cuidado!!! Empresa Pública de Correios e Telegrafos. Essa empresa Pública foi criada pelo Dec-Lei nº 509/59 que em seu art. 12 diz que TODOS os seus bens são impenhoráveis. O STF pronunciou-se no sentido de que referido artigo fora recepcionado pela atual Constituição Federal, de tal sorte que, hoje TODOS os bens dessa empresa, e não somente os afetos aos serviços públicos que ela presta, são impenhoráveis. O STF pautou referida decisão em dois argumentos, quais sejam: (a) trata-se de empresa pública prestadora de serviços públicos; e (b) trata-se de serviço exclusivo do Estado. Controle: estão sujeitas à supervisão ministerial (controle finalístico) e ao controle financeiro-orçamentário realizado pelos Tribunais de Contas. Licitação: as entidades empresariais que prestam serviços públicos estão submetidas ao regime geral da Lei nº 8.666, contudo as exploradoras de atividade econômica poderão ter estatuto prórpio. Após a Emenda Constitucional nº 19/98, a Constituição Federal, em seu artigo 173, prevê a promulgação de uma lei contendo o Estatuto Jurídico de empresa pública, de sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo, entre outras coisas, sobre licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da Administração Pública. Essa lei seria lei nacional, que por sinal ainda não foi promulgada. Assim, hoje, tanto as entidades empresariais que prestam seviços públicos ou as que exploram atividades econômicas devem jugeitar-se a lei geral – Lei nº 8.666, já que a lei a que se refere o art. 173 da CF ainda não foi editada. Devemos, por fim observar que o § único, do art. 24 da Lei nº 8.666, faz uma distinção relevante já que admite que os valores para dispensa de licitação sejam dobrados quando se tratar de empresa pública, sociedade de economia mista, consórcios públicos e agências executivas. Falência: tarta-se de tema que só tem relevância acadêmica, pois se a entidade empresarial não está “bem das pernas” ou o Estado injeta dinheiro ou privatiza, assim a posssibildade de falência é muito pequena. Contudo, trataremos sobre o assunto. O art. 242 da Lei das S/As dizia que as sociedades de economia mista não se sujeitavam ao procedimento falimentar e isso aplicava-se também as empresas públicas. Já durante a vigência de referido dispositivo legal, que hoje se acha revogado, o professor Celso Antônio Bandeira de Mello o criticava veemente, argumentando que tal regra legal somente era aplicável as entidades empresariais que prestassem serviços públicos, pois aquelas que explorassem atividade econômica deveriam sujeitar-se ao regime falimentar. Atualmente, a Lei de Recuperação das Empresas (antiga Lei de Falências) preceitua que seu regime não se aplica às entidades estatais, contudo a lição do Professor Celso Antônio ainda continua válida, pois se a entidade explora atividade economica não há porque excluí-la de tal regime. Responsabilidade Civil: se a entidade empresarial prestar serviço público estará protegida pela regra constitucional do art. 37, § 6º, contudo, se explorar atividade econômica não. Quanto à responsabilidade subsidiária do Estado, o Professor Celso Antônio entende que esta só existe quando a empresa estatal prestar serviços públicos. Imunidade tributária: não gozam da imunidade tributária recíproca (CF, art. 150). Cuidado!!! Empresa Pública de Correios e Telegráfos. O STF entende que é beneficiada pela imunidade tributária, pois presta serviço público e serviço que é exclusivo do Estado. Prescrição quinquenal: não usufruem do privilégio de prescrição qüinqüenal de seus débitos (Súmula 39 do STJ). 6.5. Agências Reguladoras Hodiernomente predomina a tese de que o Estado é muito menos eficiente do que o setor privado quando desenvolve diretamente atividades econômicas em sentido amplo, incluindo a prestação de serviços públicos propriamente ditos, a prestação de serviços de natureza eminentemente econômica e a exploração de atividades industriais e comerciais. Destarte, pleiteia-se a redução do tamanho da máquina estatal, contudo, reconhece-se que existem algumas atividades que somente podem ser desenvolvidas pelo Estado, em especial a regulação das atividades econômicas (em sentido amplo) desenvolvidas pelo setor privado. Com a nova política governamental de transferir para o setor privado a execução de serviços públicos, reservando ao Estado a regulamentação, o controle e a fiscalização desses serviços, houve a necessidade de se criarem, na Administração, agências especiais destinadas a este fim. Assim, a necessidade de aumento de regulação é conseqüência da opção política do Estado de, em vez de assumir diretamente o exercício da atividade empresarial, prefere intervir nessas atividades por meio de instrumentos de autoridade. As agências reguladoras são, desta forma, entidades administrativas dotadas de alto grau de especialidade técnica, integrantes da forma de autarquias em regime especial, com a função de regular um setor específico da atividade econômica. As agências fazem parte de uma categoria especial de autarquias que surgiram como proposta para modernizar o Estado. O objetivo principal dessas novas autarquias consiste no controle das pessoas jurídicas de direito privado incumbidas da prestação de serviços públicos, que o fazem sob a forma de concessão ou permissão. O objetivo também se estende à intervenção estatal no domínio econômico com o fim de evitar eventuais abusos cometidos pelas referidas pessoas da iniciativa privada. A ANATEL e a ANP estão previstas nos arts. 21, XI; e 177, § 2º, III da Constituição Federal, contudo, a Carta Política não utiliza o termo “agência reguladora”, mas sim “órgão regulador”. As demais agências possuem apenas base legal. A forma de autarquia especial para as agências reguladoras foi feitaem razão do entendimento do STF exarado na ADin 1717-6/99, de que nem mesmo a lei poderia transferir para pessoa jurídica de direito privado atividade típica do Estado. O inconveniente do emprego desta forma jurídica é que as agências reguladoras devem possuir independência em relação ao Poder Executivo, e as autarquias estão sujeitas ao controle administrativo. Contudo, para atenuar essa distorção, o legislador atribuiu à atuais agências o “status” de autarquias em regime especial. Esse regime especial consiste, basicamente em: (a) mandato para seus dirigentes; (b) decisões com caráter final na esfera administrativa: (c) receitas próprias; e (d) ausência de subordinação hierárquica. Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, no que se refere as principais características das agências reguladoras, assim se pronunciaram: “Observadondo os pontos que têm sido apontados pela doutrina, e as disposições constantes das leis instituidoras das mais importantes agências reguladoras atuais, podemos apontar as seguintes características comuns à maior parte dessas entidade: 1) exercem função regulatória sobre determinado setor da atividade econômica, ou concernente a determinadas relações jurídicas decorrentes das atividades econômicas em geral; 2) contam com instrumentos, previstos em lei, que asseguram sua relativa independência perante o Poder Executivo; 3) possuem um poder normativo no que concerne às áreas de sua competência; e 4) submentem-se, como qualquer outra entidade integerante da Administração Pública, aos controles judicial e parlamentar.” Exercício de atividade regulatória: no exercício de atividade regulatória, as agências reguladoras devem: ( editar normas que viabilizem a implementação das políticas, idealizadas pelo Poder Público, para o setor de sua competência; ( aplicar o direito aos casos concretos não litigiosos; ( solucionar conflitos entre os interessados na atividade objeto de regulação, ressalvado o posterior controle judicial, o que se justifica por possuir corpo técnico altamente especializado; e ( fiscalizar a execução das atividades sob sua competência e aplicar sanções às eventuais infrações praticadas. Independência: no Brasil, como vimos, as agências reguladoras têm assumido a forma de autarquias, o que, evidentemente macula a independência destas pessoas jurídicas. Para minimizar esse incômodo, tem elas assumido regime especial (autrquias em regime especial). Esse regime especial, visando conferiri maior independências às agências reguladoras, tem conferido: ( estabilidade aos seus dirigentes: os dirigentes possuem mandatos de duração determinada, somente podendo ser exonerados ou destituídos nas hipóteses previstas em lei (art. 9º da Lei nº 9.986/2000). ( indicação dos dirigentes pautada por critérios tecnicos: existe previsão legal de que a nomeação de seus dirigentes não seja um ato administrativo simples do Chefe do Poder Executivo, mas sim um ato complexo, com a participação do Poder Legislativo. Assim, o Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente e os demais membros do Conselho Diretor ou da Diretoria serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária e elevado conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais serão nomeados, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea “f”, do inciso III, do art. 52 da Constituição Federal (art. 5 da Lei nº 9.986/2000). ( autonomia de gestão. ( fontes próprias de recursos, se possível geradas pelo próprio exercício da atividade regulatória. ( não subordinação hierárquica a qualquer instância de governo, já que estão apenas vinculadas ao Ministério correspondente e sujeitas, portanto, apenas ao controle finalístico. ( inexistência de instância revisora hierárquica de seus atos, ressalvada a revisão judicial. Em relação aos atos praticados por várias autarquias de regime geral (Decreto-Lei nº 200/1967), cabe recurso administrativo ao ministério supervisor (recurso hierárquico impróprio). Tais recursos, exatamente por serem impróprios, precisam estar expressamente previstos em lei, e devem restringir-se ao âmbito do Poder Executivo. Assim, as agências reguladoras não devem estar sujeitas ao recurso hierárquico impróprio, ou seja, os atos e as decisões proferidas pelos órgãos máximos da agência devem ser definitivos na esfera administrativa, não se sujeitando à revisão pelo ministério a que a agência se enontra vinculada. ( mecanismos que impedem a captura . Por captura devemos entender a situação em que o ente regulador, não sendo capaz de resistir ao imenso poder econômico dos agentes do setor regulado, passa a atuar tendenciosamente em favor desses agentes. Um dos mecanismos que visa obstruir a chamada captura é a “quarentena” dos ex-dirigentes que impede de serem contratados por empresas do setor por ele regulado, nos meses seguintes à sua exoneração, resguardando, desta forma, o sigilo de informações privilegiadas. Poder normativo: os limites do poder normativo das agências reguladoras não foram, ainda, devidamente delineados pela jurisprudência, mas a doutrina vem se manifestando no sentido de que, sob a égide do Estado de Direito, apenas pode o ente regulador estabelecer comandos com a anterior base legal, em respeito ao princípio da legalidade. Vejamos mais atentamente esta questão: Tradicionalmente afirma-se que só o Chefe do Executivo pode expedir decretos regulamentares e que essa seria uma competência indelegável (CF, art. 84, IV). Contudo, o art. 49, V da Carta Política expressa que cabe ao Poder Legislativo sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar, empregando neste dispositivo a expressão “Poder Executivo” de forma genérica e repetindo tal feita quando se refere à delegação legislativa no mesmo comando constitucional. Desta forma, Marcelo Alexandrino, Vicente Paulo acompanhados da maioria, entendem que o exercício do poder regulamentar não é competência constitucional exclusiva do Presidente da República. Assim, conclui os autores acima citados: “(1) é pacífico que as agências reguladoras não podem editar atos primários (regulamnetos autônomos); (2) A atuação normativa de uma agência reguladora depende de expressa delegação ou autorização legal (edição de regulamento delegado ou autorizado); (3) a lei deve estabelecer claramente os assuntos de competência da agência (devem sempre ser assuntos de natureza técnica) e as diretrizes e os limites da atuação normativa da agência reguladora (não se admite a denomiada delegação ou autorização legislativa “em branco”). (4) toda atuação normativa da agência reguladora está sujeita a permanente controle legislativo (CF, art. 49, V e X) e, sempre que provocado, ao controle judicial.” Controle: as agências regladoras estão submetidas a três espécies de controle, a saber: (a) controle de gestão (finaceiro-orçamentário): realizado pelo Poder Legislativo com o auxílio do TCU; (b) controle da atividade-fim (finalístico): realizado pelo poder Executivo, Poder Legislativo e instâncias da sociedade; e (c) controle judicial. 6.6. Agências Executivas O vocábulo agência executiva é empregado para qualificar autarquia ou fundação que celebre contrato de gestão (CF, art. 37, § 8º) com órgão da Administração Direta a que se acha vinculada, para melhoria da eficiência e redução de custos. Desta forma, estas agências não se apresentam como uma nova pessoa da Administração, a expressão corresponde apenas a um título conferido a algumas autarquias e fundações. Firmado o contrato de gestão, a qualificação como agência executiva é feita por Decreto e permite-se que a autarquia ou fundação ingresse em um regime especial, usufruindo de determinadas vantagens. Na prática, a maior autonomia conferida às agências executivas, de acordo com a Lei nº 8.666/93, art. 24, I, II, e § único, pode ser traduzida por limites mais amplos para dispensa de licitação. A Lei nº 9.649/98 trata das agênciasexecutivas em nível federal. 7. Terceiro Setor – As Entidades Paraestatais Entidades paraestatais são pessoas prividas que, agindo ao lado do Estado, colaboram com este, no desempenho de atividade não lucrativa, recebendo, por isso, especial proteção estatal. Considera-se como Primeiro Setor o Estado (ente público, que visa o interesse público); como Segundo Setor, o Mercado (composto por entes privados, que visam lucro); e o Terceiro Setor, como uma síntese dos anteriores (entes privados com fins públicos). A atividade das entidades paraestatais recebe incentivo estatal por meio do fomento, recebendo recursos, insenções tributárias e outros benefícios estatais. Integram o Terceiro Setor os serviços sociais autônomos, as organizações sociais e as organizações da socieadade civil de interesse coletivo. 7.1. Serviços Sociais Autônomos São instituídos por lei, com personalidade jurídica de Direito Privado, para ministrar assistência ou ensino a certas categorias sociais ou grupos profissionais. Podemos citar como exemplos de serviços sociais autônomos o SESI, o SESC e o SENAI. Principais Características: ( exercem atividades sem fins lucrativos. ( são mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições parafiscais. ( o regime de pessoal é o celetista. ( não gozam de privilégios próprios da Administração Direta, nem os administrativos, nem os processuais, salvo quando a lei instituidora expressamente lhes conceder. ( podem assumir diferentes formas jurídicas. ( pelo fato de administrarem verbas decorrentes de contribuições parafiscais, estão sujeitos a certas normas de caráter administrativo, tal como a prestação de contas aos Tribunais de Contas e a equiparação de seus empregados aos servidores públicos para fins criminais e para fins de improbidade administrativa. ( o Tribunal de Contas da União decidiu que os serviços sociais autônomos não se subordinam à Lei de Licitações. Segundo aquele Tribunal, essas entidades colaboram com o Estado e devem manter a prestação de contas, mas estão desobrigadas de seguir critérios da Lei de Licitações. Devem elas elaborar e publicar regulamentos próprios definidos em regras relativas aos contratos que venham a ser celebrados (TCU, Decisão Plenária nº 907/97). 7.2. Organizações Sociais São pessoas jurídicas de Direito Privado, sem fins lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, para desempenhar serviços sociais não exclusivos de Estado, com incentivo e fiscalização pelo Poder Público, mediante vínculo jurídico instituído por meio de contrato de gestão. A Lei nº 9.637/98 preceitua que o Poder Púbico poderá qualificar como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde. São três, portanto os pressupostos a serem atingidos pelas pessoas qualificadas como organizações sociais: (a) personalidade jurídica de Direito Privado; (b) não podem ter finalidade lucrativa; e (c) dedicarem-se as atividades acima mencionadas. As organizações sociais são um modelo de parceria entre o Estado e a sociedade. A organização social, contudo, não é delegatária de serviço público (não exerce atividade pública em nome do Estado, mas sim, atividade privada em seu próprio nome). Essa parceria se estabelce mediante contrato de gestão, que deverá ser subemetido, após aprovação pelo Conselho de Administração da entidade, ao Ministro de Estado ou autoridade supervisora da área correspondente à atividade fomentada. Na elaboração do contrato de gestão devem ser obesrevados os seguintes aspectos: (a) a organização social deverá especificar programa de trabalho e estipular metas a serem atingidas, bem como os respectivos prazos de execução; (b) deverá conter previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade e produtividade; (c) os limites e critérios para despesa com remuneração e vantengens de qualquer natureza a serem percebidos pelos dirigentes e empregados devem ser expressamente delineados; e (d) os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da área de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas. A fiscalização do contrato de gestão será realizada pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação correspondente à atividade fomentada. A entidade deverá apresentar, ao término de cada exercício ou a qualquer momento, conforme recomende o interesse público, relatórios referentes à execução do contrato de gestão. Assim, os resultado atingidos devem ser analisados periodicamente por comissão de avaliação, indicada pela autoridade supervisora da área correspondente, composta por especialistas de notória capacidade e adequada qualificação. Tal comissão deverá encaminhar relatório conclusivo sobre a avaliação procedida à autoridade supervisora. Qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou bens de origem pública deverá ser comunicada ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. O Poder Executivo poderá desqualificar a entidade como organização social quando verificar o descumprimento das cláusulas insertas no contrato de gestão. Evidentemente que tal ato é precedido de processo administrativo, respondendo os dirigentes da organização social, indivídual e solidariamente, pelos danos ou prejuízos decorrentes de sua ação ou omissão. A desqualificação implica na reversão de bens permitidos e dos valores entregues à utilização, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. A fiscalização do contrato de gestão fica a cargo da entidade supervisora da área de atuação correspondente à atividade fomentada. A entidade qualificada deverá enviar relatórios periódicos que serão avaliados por uma comissão de avaliação indicada pela autoridade supervisora, composta por especialistas de notória capacidade e adequada qualificação. 7.3.Organizações da Sociedade Civil de Interesse Coletivo São pessoas jurídicas de Direito Privado instituídas por iniciativa de particulares para o desempenho de serviços sociais não exclusivos do Estado, com incentivo e fiscalização do Poder Público, mediante vínculo jurídico instituído por meio de parceria. Assim, a Lei nº 9.790/99 institui um novo regime de parceria entre o Poder Público e a iniciativa privada. Essa parceria é estabelecida mediante a celebração de termo de parceria. A conceituação de entidade sem fins lucrativos para os fins de qualificação como organização da sociedade civil de interesse coletivo foi imprimida pela Lei nº 9.790/99, que assim definiu: “não distribuir, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais execedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social”. Pesoas que não podem ser qualificadas como organização da sociedade civil de interesse coletivo: (as sociedades comerciais, sindicatos, associações de classse ou de representação de categoria profissional; (as instituições religiosas ou voltadas´para a disseminação de credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais; (as entidades de benefício mútuo destinadas a proprocionar bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios; (as entidades e empresas que comercializam planos de saúde e assemelhados; (as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas mantenedoras; (as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e suas mantenedoras; (as organizações sociais; ( as cooperativas; ( as fundações públicas; (as fundações, sociedades civis ou associações de direito privado criadas por órgão público ou por fundações públicas; (as organizações creditícias que tenham quaisquer tipos de vinculação com o Sistema Financeiro Nacional a que serefere o art. 192 da CF. As áreas de atuação das organizações da socieade civil de interesse coletivo são: ( assistência social; (promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; (promoção gratuita da educação ou da saúde; (promoção da segurança alimentar ou nutriconal; (defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; (promoção do voluntariado; (promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; (experimentação, não lucrativa, de novos modelos socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; (promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar; (promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e dos outros valores universais; (estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, promoção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos. O requerimento de qualificação é feito no Ministério da Justiça e a formalização desta qualificação se dá por termo de parceria. Poderá ocorrer a desqualificação se a entidade deixar de preencher, posteriormente, os requsitos exigidos por lei. Esta desqualificação deverá ser precedida de processo administrativo. O controle das organizações da sociedade civil de interesse coletivo será realizado pelo órgão do Poder Público da área de atuação da atividade fomentada e pelos Conselhos de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, em cada nível de governo. Distinções entre organização social e organização da sociedade civil de interesse coletivo apontdas por Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo: (a) instrumento de formalização da parceria: nas organizações sociais o vínculo é formalizado mediante a celebração de contrato de gestão, enquanto na organização da sociedade civil de interesse coletivo, se dá mediante termo de parceria; (b) participação de agentes do Poder Público na estrutura da entidade: a participação é obrigatória somente nas organizações sociais; (c) exigências de natureza contábil/fiscal: para a entidade privada qualificar-se como organização da sociedade civil de interesse coletivo são exigidos, entre outros documentos, o balanço patrimonial e o demonstrativo de resultados do exercício, bem assim a declaração de isenção do imposto de renda; para a qualificação como organização social não há tais exigências. Além das distinções acima Maria Sylvia DI Pietro aponta que nas organizações sociais, o intuito evidente é o de que elas assumam determinadas atividades hoje desempenhadas, como serviços públicos, por entidades das adminsitração Pública, resultando na extinção destas últimas. Nas organizações da sociedade civil de interesse coletivo, essa intenção não resulta, implícita ou explicitamente, da lei, pois a qualificação de entidade como tal não afeta em nada a existência ou as atrivbuições de entidades ou órgãos integrantes da Administração Pública. EXERCÍCIOS 01 – (CESPE/Advogado da União – 2002) - Acerca da centralização e da descentralização da atividade administrativa do Estado, da concentração e da desconcentração de competência, da organização administrativa e do ato administrativo, julgue os itens a seguir. 1. As procuradorias da União e as procuradorias regionais da União, unidades da Advocacia- Geral da União (AGU) com finalidade de execução, são exemplos do mecanismo administrativo da descentralização de competências, que se destina à busca de maior eficiência da atuação estatal. 2. Segundo a doutrina, para maior eficiência na atuação das agências executivas, estas podem apresentar qualquer forma jurídica legalmente prevista, como atualmente ocorre com agências que têm a natureza jurídica de autarquias, fundações ou empresas públicas. 3. A doutrina administrativista brasileira considera que as fundações públicas têm natureza de autarquia; seus servidores, portanto, não são regidos pela legislação trabalhista, representada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 4. A despeito da denominação de empresas públicas, esses entes, que compõem a administração pública indireta, têm personalidade jurídica de direito privado; não obstante, por outro lado, os atos de seus gestores sujeitam- se a sanção aplicável em virtude da ação judicial por improbidade administrativa. 5. Pondo à parte a discussão acerca da distinção entre processo e procedimento administrativo e equiparando essas expressões, é juridicamente correto afirmar que o ato administrativo complexo, dadas as peculiaridades de seu modo de formação, é exemplo de processo administrativo. 02 - (CESPE/FISCAL INSS/98) Classifique cada item em certo ou errado. As autarquias caracterizam-se: 1) Pelo desempenho de atividades tipicamente estatais. 2) Por serem entidades dotadas de personalidade jurídica de direito público. 3) Por beneficiarem-se dos mesmos prazos processuais aplicáveis à administração pública centralizada. 4) Como órgão prestador de serviços públicos dotados de autonomia administrativa. 5) Por integrarem a administração pública centralizada. 03 - (CESPE/PROCURADOR/INSS/98) Classifique cada item em certo ou errado. Julgue os itens abaixo, relativos à organização e aos privilégios da administração pública brasileira. 1) As sociedades de economia mista somente podem ser criadas por meio de lei específica, apesar de tais entes serem sempre criados sob a forma de pessoa jurídica de direito privado. (*) 2) Fica sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório a sentença que julgar procedente o pedido deduzido em ação em que a fundação pública federal figure como ré. 3) Uma empresa pública é constituída de capital exclusivamente público, embora esse capital possa pertencer a mais de um ente. 4) São processadas e julgadas na justiça federal as ações propostas por servidores contra as empresas públicas federais com as quais mantenham relação jurídica laboral. 5) Os bens do INSS são impenhoráveis. Os débitos desse ente público, definidos em sentença judicial, são pagos exclusivamente por meio de precatórios. (*) Ver art. 37, XIX, da CF/88 com a redação dada pela EC n. 19/98 04 - (ESAF/AGU/98) As autarquias e as empresas públicas, como integrantes da Administração Federal Indireta, equiparam-se entre si pelo fato de que ambas são: a) pessoas administrativas, com personalidade jurídica própria; b) pessoas administrativas, sem personalidade jurídica própria; c) pessoas jurídicas de direito público interno; d) pessoas jurídicas de direito privado; e) pessoas ou entidades políticas estatais. 05 - (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) São órgãos da Administração Pública, sem personalidade jurídica, exceto: a) Departamento de Polícia Federal b) Estado Maior das Forças Armadas c) Imprensa Nacional d) Escola Nacional de Administração Pública e) Conselho Monetário Nacional 06 - (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) Quanto às fundações instituídas pelo Poder Público, com personalidade jurídica de direito público, pode-se afirmar, exceto: a) o regime jurídico de seu pessoal pode ser o estatutário; b) os atos de seus dirigentes não são suscetíveis de controle pelo Ministério Público; c) têm as mesmas características das entidades autárquicas; d) podem expressar poder de polícia administrativa; e) o seu patrimônio é impenhorável. 07 - (AGT POL. FED/1997) - Acerca dos mecanismos de organização administrativa, julgue os seguintes itens. 1) Sabendo que o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), que tem a natureza de empresa pública, foi criado porque a União concluiu que Ihe conviria criar uma pessoa jurídica especializada para atuar na área de informática, é correto afirmar que a União praticou, nesse caso, descentralização administrativa. 2) Tendo o Departamento de Polícia Federal (DPF) criado, nos estados da Federação, Superintendências Regionais (SRs/DPF), é correto afirmar que o DPF praticou a desconcentração administrativa. 3) O Ministério PúblicoFederal é órgão da União sem personalidade jurídica; possui, portanto, natureza autárquica. 4) As pessoas jurídicas integrantes da administração pública indireta constituem um produto do mecanismo da desconcentração administrativa. 5) Tanto na descentralização quanto na desconcentração, mantém-se relação de hierarquia entre o Estado e os órgãos e pessoas jurídicas dela surgida. 08 - (JUIZ SP/1998) Em relação às sociedades de economia mista, pode-se dizer: I) são pessoas jurídicas de direito privado, com participação do Poder Público e de particulares no seu capital e na sua administração; II) quando utilizadas para explorar atividades econômicas, devem operar sob as mesmas normas aplicáveis às empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias (*); III) O seu pessoal não está sujeito à proibição constitucional de acumulação de cargos, empregos ou funções. Quanto às afirmativas acima: a) apenas I e II são corretas. b) apenas I e III são corretas. c) apenas II e III são corretas. d) todas são corretas. (*) Ver art. 173, § 1º, II da CF/88 c/ a redação dada pela EC 19/98 09 - (JUIZ PR 1998) - Sobre autarquia, sociedade de economia mista e empresa pública, é correto dizer-se que: a) A empresa pública e a sociedade de economia mista que explorem atividade econômica sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, exceto quanto às obrigações trabalhistas e tributárias. b) A criação de sociedade de economia mista e de autarquia depende de lei específica, e a criação de uma empresa pública pode ser feita por ato discricionário do chefe do Poder Executivo. c) As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. d) E livremente permitida a exploração de atividade econômica pelo Estado. 10 - (PROC. BC/1997) - Na organização administrativa brasileira. 1) O Estatuto da Reforma Administrativa classificou a administração federal em direta e indireta, constituindo-se a primeira dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República, dos ministérios e das autarquias. A administração indireta é a constituída pelos serviços atribuídos a pessoas jurídicas diversas da União, com personalidade de direito privado (empresas públicas e sociedades de economia mista), vinculadas a um ministério, mas administrativa e financeiramente autônomas. 2) Os empregados da Caixa Econômica Federal admitidos antes de 4/10/83, sem concurso público, devem usufruir da estabilidade contida no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (CF/88), por contarem, em 5/10/88, com mais de cinco anos de serviço público. 3) Os municípios são entidades estatais, integrantes da Federação brasileira. Dessa posição singular é que resulta a sua autonomia político-administrativa, assegurada na Constituição da República, para todos os assuntos de seu interesse local. 4) O patrimônio, a renda e os serviços das autarquias estão sempre protegidos pela imunidade tributária, prevista no texto constitucional vigente. As sociedades de economia mista e as empresas públicas sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias. 5) As empresas públicas, podem adotar qualquer forma societária, entre as admitidas em direito, enquanto as sociedades de economia mista terão, obrigatoriamente, a forma de sociedade anônima. 11 - (DPF/1997) - Acerca dos órgãos públicos e da organização administrativa, julgue os seguintes itens. 1) Os ministérios, na órbita federal, são centros de competência constituídos por diversos órgãos subalternos; os juízos de primeiro grau, exceto os da Justiça Militar, são órgãos estatais titulados por uma só pessoa; o Conselho de Recursos da Previdência Social é órgão cujas decisões são tomadas pelo voto do conjunto de seus membros. Esses são exemplos, respectivamente, de órgãos colegiados, simples e composto. 2) A doutrina administrativista mais recente firmou o entendimento de que todas as fundações instituídas ou mantidas pelo poder público têm natureza de autarquia. 3) Assim como as sociedades de economia mista, as empresas públicas e as autarquias, as fundações públicas só podem ser criadas por lei específica.(*) 4) A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e a Fundação Nacional de Saúde (FNS) são exemplos de entes que desempenham serviço público; elas, assim como as demais fundações públicas, submetem-se ao principio da exigibilidade de licitação. 5) As empresas públicas e as sociedades de economia mista não se regem integralmente pelas normas do direito privado. (*) Ver art. 37, XIX, da CF/88 c/ a redação dada pela EC 19/98 12 - (MP SP/1998) - As autarquias: a) são pessoas jurídicas de direito público, criadas por lei, integrantes da Administração Indireta, estendendo-se a elas a imunidade à tributação por via de impostos, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às suas finalidades essenciais ou delas decorrentes; b) são pessoas jurídicas de direito público, criadas por lei, integrantes da Administração Indireta, porém não se beneficiam da imunidade tributária mencionada na alternativa anterior; c) são pessoas jurídicas de direito público, integram a Administração Indireta, desfrutam da imunidade mencionada na opção a, mas sua criação se faz por ato administrativo do Poder que as institui; d) integram a Administração Indireta, são criadas por lei, beneficiam-se da imunidade de impostos antes referida, mas são pessoas jurídicas de direito privado; e) integram a Administração Indireta e são criadas por lei, mas possuem personalidade jurídica de direito privado e não se beneficiam da imunidade tributária antes aludida. 13 - (TRF - TÉCNICO/2000 - ESAF) - Entre as entidades da Administração Pública Federal Indireta, são dotadas de personalidade jurídica de direito público as(os): a) autarquias; b) empresas públicas; c) sociedades de economia mista; d) serviços sociais autônomos; e) concessionárias de serviço público. 14 - (AGT/PCDF2000) - Com referência ao direito administrativo, assinale a opção correta. a) Em sentido subjetivo, a administração pública é concebida como a expressão do Estado agindo concretamente para a satisfação de seus fins de conservação, de bem-estar individual dos cidadãos e de progresso social. b) A desconcentração administrativa se dá quando a distribuição de competências e atribuições ocorre dentro do mesmo aparelhamento administrativo (pessoa jurídica), gerando relações de subordinação e coordenação. c) Os chamados agentes políticos, como o presidente da República, os deputados e os ministros do Poder Executivo federal, não pertencem à categoria de agentes públicos. d) A constituição da República garante ao servidor público civil o direito de livre associação sindical e o direito de greve, mas ambos dependem de regulamentação legal. e) A discricionariedade não é característica do poder disciplinar, pois o seu exercício está vinculado a prévia definição legal acerca da infração funcional e correspondente sanção. 15 - (PAPI. POL. CIVIL/2000) - Assinale a opção correta no que se refere ao direito administrativo. a) Na centralização administrativa, o Estado atua diretamente por meio de seus órgãos, ou seja, das unidades que são meras repartições interiores de sua pessoa e que, por isso, dele não se distinguem. b) De acordo com a Constituição da República, a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos estados, do DF e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, razoabilidade e publicidade. c) Não são considerados agentes públicos os que prestam serviços ás pessoas jurídicas de direito privado instituídas pelo poder público, como as fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista. d) A responsabilidade civil do servidor público consiste na obrigação que lhe é imposta de ressarcir o dano causado, no desempenho de suas funções, ao patrimônioou ao erário público, independentemente de dolo ou culpa. e) O que diferencia a polícia administrativa da polícia judiciária é o fato de que a primeira age exclusivamente em caráter repressivo, limitando atividades individuais em benefício do interesse público, ao passo que a segunda atua em caráter preventivo, visando à responsabilização dos violadores da ordem jurídica. 16 - (TC/RN 2000) - Quanto à organização administrativa, é correto afirmar, exceto: a) a empresa pública tem personalidade jurídica de direito privado b) a recente figura da organização social terá vínculo exclusivamente celetista com os seus funcionários c) a capacidade judiciária é atributo exclusivo da entidade que goza de personalidade jurídica própria d) a autarquia pode expressar parcela do poder estatal, mediante atos de polícia administrativa e) a sociedade de economia mista sujeita-se aos controles próprios das sociedades anônimas em geral, sem prejuízo da vinculação administrativa 17 - (DEL. PC/SP/99) -O CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica – pela sua natureza jurídica é: a) autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda. b) órgão colegiado subordinado diretamente ao Presidente da República. c) autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça. d) órgão vinculado ao Conselho Monetário Nacional. 18 - (JUIZ/SP.2000) - Os direitos e ações pessoais contra as Fazendas Públicas, contado o prazo da data do fato ou ato do qual se originaram, prescrevem em a) 5 (cinco) anos, podendo ser interrompido uma vez. b) 5 (cinco) anos, não podendo ser interrompido. c) 10 (dez) anos entre presentes e 15 (quinze) anos entre ausentes. d) 20 (vinte) anos. 19 - (PROC./GO) - Os serviços sociais autônomos caracterizam-se como: a) Órgãos que compõem a administração direta. b) Entidades que integram a administração indireta. c) Entes paraestatais, de cooperação com o Poder Público, mas que não integram a administração indireta. d) Entidades fundacionais que compõem a administração indireta. 20 - (Magistratura/ SP/ 2000) A autarquia, na organização administrativa, faz parte: a) da administração direta. b) do setor privado da administração. c) de um corpo à parte da administração. d) da administração indireta. 21 - (AGU/1998)A Administração Pública, tal como prevista na Constituição Federal (art. 37) e na legislação pertinente (Decreto-Lei nº 200/67, com alterações supervenientes), além dos órgãos estatais e de diversos tipos de entidades abrange, também: a) as concessionárias de serviço público em geral b) as universidades federais que são fundações públicas c) as organizações sindicais d) os chamados serviços sociais autônomos (Senai, Senac etc.) e) os partidos políticos 22 - (TJDFT/JUIZ SUBSTITUTO/JUNHO/2003) A propósito das agências reguladoras não é correto afirmar: a) Submetem-se ao princípio da especialidade. b) Seus objetivos são criados por decreto. c) Umas podem exercer o típico poder de polícia. d) Regulam e controlam as atividades que constituem objeto de concessão, permissão ou autorização de serviço público. 23 - (20º CONCURSO/PROCURADOR DA REPÚBLICA/2003) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: a) ao contrário das empresas públicas, que são dotadas de personalidade jurídica de direito público, as sociedades de economia mista têm personalidade jurídica de direito privado; b) as sociedades de economia mista podem ser organizadas sob a forma de sociedade civil ou comercial; c) é possível, na esfera federal, que empresa pública seja organizada sob a forma de sociedade civil; d) as autarquias, por serem dotadas de personalidade jurídica de direito público, compõem a administração direta. 24 - (STJ-2004/CESPE-UnB) Com relação à administração publica, à estrutura, à organização, às atividades administrativas e aos atos e poderes administrativos, julgue os itens que se seguem: 1- Os órgãos são simples partições internas de pessoas de direito publico e as relações interorgânicas devem ser exercidas pelos agentes titulares das competências atribuídas aos mesmos. 2- A atividade do órgão se estrutura de maneira simples ou colegiada, devendo funcionar de modo consultivo por meio de pareceres de legalidade ou de mérito facultativo. 3- Não é correto comparar as situações subjetivas decorrentes das competências publicas com direito subjetivos, uma vez que as mesmas encerram deveres de atuação no interesse alheio. 4- O pedido de reconsideração e o recurso hierárquico se conformam em vias judiciais, as quais intentam a supressão de ilegalidade de determinada decisão administrativa. 5- As fundações e as autarquias são pessoas de direito publico, diferindo-se das empresas publicas, que se configuram em pessoas de direito privado. 25 - (STJ-2004/CESPE-UnB) Acerca das figuras da organização administrativa, julgue os itens subseqüentes. 1 - As autarquias podem ser controladas por meio da legitimidade ou do mérito sendo que neste ultimo se verifica a conveniência ou a oportunidade. 2 - As empresas estatais não estão submetidas à responsabilização objetiva, pois adotam critérios próprios em virtude da condição de prestadoras de serviço publico. 3 - Com exceção dos dirigentes das empresas estatais, todos os empregados soa submetidos às normas da Consolidação das leis do trabalho. 4 - Tanto as empresas públicas quanto as sociedades de economia mista prestadoras de serviços estão submetidos ao processo falimentar, sendo que as ações relativas a elas são de competência da justiça federal. 5 - Diferentemente das empresas públicas, as sociedade de economia mista devem se inscrever obrigatoriamente na modalidade de sociedade anônima. 26 – (PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPDFT) - O ente criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada, é conceito que legalmente é deferido a a) empresa pública. b) sociedade de economia mista. c) autarquia. d) organização social (os). e) organização da sociedade civil (oscip). 27 – (PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPDFT) Assinale a opção correta: a) Considera-se serviço voluntário a atividade prestada com objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social por pessoa física a entidade pública ou instituição privada sem fins lucrativos, sem remuneração, mas passível de ressarcimento das despesas realizadas no desempenho dessas atividades; b) Os serviços sociais autônomos são aqueles instituídos por lei, com personalidade jurídica de direito público, para a prestação de serviços públicos delegados pelo Estado; c) É facultada às entidades qualificadas pela Lei n. 9790/1999 como organizações da sociedade civil de interesse público a participação em campanhas eleitorais, mediante prévia autorização do Tribunal Superior Eleitoral; d) As sociedades de economia mista e as empresas públicas integram a administração pública indireta, devendo ser constituídas sob a forma de sociedade anônima. 28 - (PROMOTOR DE JUSTIÇA MPDFT) - Assinale a opção correta: a) A exigência constitucional de lei específica para a criação de empresas públicas e sociedades de economia mista impõe igual especificidade legislativa para a privatização dessas entidades; b) Empresa pública federal é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito público, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criada por lei para a exploração da atividade econômica, com foro perante a Justiça Federal; c) O Ministério Público Federal pode, a requerimento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), promover a execução das decisões e dos julgados dessa autarquia federal; d) Consoante interpretação conferida pelo STF à Lei Complementar n. 75/1993, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios tem legitimidade para interpor recurso extraordinário contra acórdãos proferidos pelo STJ. 29 – (PROMOTOR DE JUSTIÇA MPDFT) - Assinale a opção correta: a) A pesquisa e lavra de recursosminerais e o aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa brasileira de capital nacional; b) A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização da atividade de pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento, industrialização e comércio de minérios e materiais nucleares e seus derivados; c) A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros; d) A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e das fundações que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços 30 – (CESPE-2002/ADVOGADO DA UNIÃO) Acerca da centralização e da descentralização da atividade administrativa do Estado, da concentração e da desconcentração de competência, da organização administrativa e do ato administrativo, julgue os itens a seguir. a) As procuradorias da União e as procuradorias regionais da União, unidades da Advocacia-Geral da União (AGU) com finalidade de execução, são exemplos do mecanismo administrativo da descentralização de competências, que se destina à busca de maior eficiência da atuação estatal; b) Segundo a doutrina, para maior eficiência na atuação das agências executivas, estas podem apresentar qualquer forma jurídica legalmente prevista, como atualmente ocorre com agências que têm a natureza jurídica de autarquias, fundações ou empresas públicas; c) A doutrina administrativista brasileira considera que as fundações públicas têm natureza de autarquia; seus servidores, portanto, não são regidos pela legislação trabalhista, representada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). d) A despeito da denominação de empresas públicas, esses entes, que compõem a administração pública indireta, têm personalidade jurídica de direito privado; não obstante, por outro lado, os atos de seus gestores sujeitam-se a sanção aplicável em virtude da ação judicial por improbidade administrativa. e) Pondo à parte a discussão acerca da distinção entre processo e procedimento administrativo e equiparando essas expressões, é juridicamente correto afirmar que o ato administrativo complexo, dadas as peculiaridades de seu modo de formação, é exemplo de processo administrativo. 31 – (TRF 1ª REGIÃO). Empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas constituem: a) administração autárquica. b) órgãos relativamente autônomos. c) administração indireta. d) administração delegada. 32 - TRF 1ª REGIÃO) As agências reguladoras são: a) agências executivas b) empresas estatais c) concessionárias de serviço público d) autarquias de regime especial. 33. (PGES) O ente criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para exercer atividades típicas da administração pública, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada, configura uma a) empresa pública. b) sociedade de economia mista. c) autarquia. d) fundação. e) empresa permissionária de serviço público. 34. (PGES) Julgue os itens a seguir. I - Tanto as empresas públicas quanto as sociedades de economia mista são criadas e extintas por lei e exercem atividades de natureza econômica. II - O desfazimento de processo licitatório exige que se assegure, aos licitantes, o direito ao contraditório e à ampla defesa. III - A motivação do ato administrativo pode se dar a posteriori de sua prática. IV - O ato discricionário é aquele cuja totalidade de elementos indispensáveis à conduta do agente está prevista na norma legal. V - Retrocessão é o direito que tem o expropriado de exigir de volta seu imóvel, caso o poder público não lhe dê a destinação para a qual foi desapropriado. Estão certos apenas os itens a) I, II e III. b) I, II e V. c) I, IV e V. d) II, III e IV. e) III, IV e V. Com relação à administração publica, à estrutura, à organização, às atividades administrativas e aos atos e poderes administrativos, julgue os itens que se seguem: 35. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) Os órgãos são simples partições internas de pessoas de direito publico e as relações interorgânicas devem ser exercidas pelos agentes titulares das competências atribuídas aos mesmos. 36. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) A atividade do órgão se estrutura de maneira simples ou colegiada, devendo funcionar de modo consultivo por meio de pareceres de legalidade ou de mérito facultativo. 37. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) Não é correto comparar as situações subjetivas decorrentes das competências publicas com direito subjetivos, uma vez que as mesmas encerram deveres de atuação no interesse alheio. 38. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) As fundações e as autarquias são pessoas de direito publico, diferindo-se das empresas publicas, que se configuram em pessoas de direito privado. Acerca das figuras da organização administrativa, julgue os itens subseqüentes. 39. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) As autarquias podem ser controladas por meio da legitimidade ou do mérito sendo que neste ultimo se verifica a conveniência ou a oportunidade. 40. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) As empresas estatais não estão submetidas à responsabilização objetiva, pois adotam critérios próprios em virtude da condição de prestadoras de serviço publico. 41. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) Com exceção dos dirigentes das empresas estatais, todos os empregados soa submetidos às normas da Consolidação das leis do trabalho. 42. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) Tanto as empresas públicas quanto as sociedades de economia mista prestadoras de serviços estão submetidos ao processo falimentar, sendo que as ações relativas a elas são de competência da justiça federal. 43. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) Diferentemente das empresas públicas, as sociedade de economia mista devem se inscrever obrigatoriamente na modalidade de sociedade anônima. 44. (TRF/1ª REG) Empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas constituem: a) administração autárquica. b) órgãos relativamente autônomos. c) administração indireta. d) administração delegada. 45. (TRF/1ª REG.) As agências reguladoras são: a) agências executivas b) empresas estatais c) concessionárias de serviço público d) autarquias de regime especial. 46. (MPDFT) Assinale a opção correta. a) A exigência constitucional de lei específica para a criação de empresas públicas e sociedades de economia mista impõe igual especificidade legislativa para a privatização dessas entidades. b) Empresa pública federal é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito público, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criada por lei para a exploração da atividade econômica, com foro perante a Justiça Federal. c) O Ministério Público Federal pode, a requerimento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), promover a execução das decisões e dos julgados dessa autarquia federal. d) Consoante interpretação conferida pelo STF à Lei Complementar n. o 75/ 1993, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios tem legitimidade para interpor recurso extraordinário contra os acórdãos proferidos pelo STJ. Julgue o item a seguir: 47. (AGENTE/DETRAN) Todas as entidades da administração pública, sejam diretas, sejam indiretas, detêm personalidade jurídica de direito público. 48. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) - Acerca da centralização e da descentralização da atividade administrativa do Estado, da concentração e da desconcentração de competência, da organização administrativa e do ato administrativo, julgue os itens a seguir. 1. As procuradorias da União e as procuradorias regionais da União, unidades da Advocacia- Geral da União (AGU) com finalidade de execução, são exemplos do mecanismo administrativo da descentralização de competências, que se destina à busca de maior eficiência da atuação estatal. 2. Segundo a doutrina, para maior eficiência na atuação das agências executivas,estas podem apresentar qualquer forma jurídica legalmente prevista, como atualmente ocorre com agências que têm a natureza jurídica de autarquias, fundações ou empresas públicas. 3. A doutrina administrativista brasileira considera que as fundações públicas têm natureza de autarquia; seus servidores, portanto, não são regidos pela legislação trabalhista, representada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 4. A despeito da denominação de empresas públicas, esses entes, que compõem a administração pública indireta, têm personalidade jurídica de direito privado; não obstante, por outro lado, os atos de seus gestores sujeitam- se a sanção aplicável em virtude da ação judicial por improbidade administrativa. 5. Pondo à parte a discussão acerca da distinção entre processo e procedimento administrativo e equiparando essas expressões, é juridicamente correto afirmar que o ato administrativo complexo, dadas as peculiaridades de seu modo de formação, é exemplo de processo administrativo. 49. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) Acerca da centralização e da descentralização da atividade administrativa do Estado, da concentração e da desconcentração de competência, da organização administrativa e do ato administrativo, julgue os itens a seguir. 1. As procuradorias da União e as procuradorias regionais da União, unidades da Advocacia-Geral da União (AGU) com finalidade de execução, são exemplos do mecanismo administrativo da descentralização de competências, que se destina à busca de maior eficiência da atuação estatal; 2. Segundo a doutrina, para maior eficiência na atuação das agências executivas, estas podem apresentar qualquer forma jurídica legalmente prevista, como atualmente ocorre com agências que têm a natureza jurídica de autarquias, fundações ou empresas públicas; 3. A doutrina administrativista brasileira considera que as fundações públicas têm natureza de autarquia; seus servidores, portanto, não são regidos pela legislação trabalhista, representada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 4. A despeito da denominação de empresas públicas, esses entes, que compõem a administração pública indireta, têm personalidade jurídica de direito privado; não obstante, por outro lado, os atos de seus gestores sujeitam-se a sanção aplicável em virtude da ação judicial por improbidade administrativa. 5. Pondo à parte a discussão acerca da distinção entre processo e procedimento administrativo e equiparando essas expressões, é juridicamente correto afirmar que o ato administrativo complexo, dadas as peculiaridades de seu modo de formação, é exemplo de processo administrativo. 50. (PROCURADOR/TCDF) Os conselhos profissionais, instituídos a partir da competência da União Federal para regulamentar as profissões (Constituição da República, art. 22, XVI), foram disciplinados pelo art. 58 da Lei n.º 9.649/ 1998, que foi alvo de liminar deferida na ADIMC- 1.847/ SP. Acerca dos conselhos profissionais, julgue os itens abaixo. 1. Tais entes pertecem à administração pública federal. 2. Sendo, ontologicamente, autarquias, esses conselhos podem exercer, na sua plenitude, o poder de polícia. 3. À vista de sua natureza jurídica, esses conselhos têm capacidade para cobrar preço ou tributo, observados os respectivos princípios constitucionais. 4. À vista de sua natureza jurídica, esses conselhos não gozam dos privilégios processuais da fazenda pública. 5. Os servidores dos conselhos profissionais são servidores estatutários. 51. (PROCURADOR/TCDF) Em um caso de execução fiscal promovida pelo Governo do Distrito Federal (GDF) contra a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), os bens desta empresa seriam considerados impenhoráveis 1. por força da sua natureza jurídica de empresa pública de fomento. 2. por força de norma legal, recepcionada pela Constituição da República de 1988, de acordo com a jurisprudência do STF. 3. uma vez que ela atua em área monopolizada. 4. por tratar- se de empresa pública, prestadora de serviços públicos, disciplinada pelo regime jurídico consagrado no art. 175 da Constituição da República. 5. porque, mesmo intervindo no domínio econômico, sua atuação não visa ao lucro. 52. (ANAL.LEGISLATIVO) Acerca das fundações, julgue os itens abaixo. 1. As fundações mantidas pelo poder público têm dotação patrimonial inteiramente pública. 2. Somente mediante autorização expressa de lei, poderá o poder público criar fundações públicas com personalidade jurídica de direito privado, em vista da aplicação de normas de direito público. 3. Faculta- se aos partidos políticos instituir fundações que poderão, inclusive, gozar de imunidade tributária. 4. Para fundações instituídas por partidos políticos, veda- se qualquer ação com fins eleitorais. 5. As fundações instituídas pelo poder público terão capacidade de auto- administração, mas estarão sujeitas ao controle administrativo por parte da administração direta. Julgue os itens a seguir: 53. (PGAM) O direito positivo brasileiro não contém normas acerca da categoria denominada de autarquias territoriais. 54. (PGAM) São características geralmente aceitas das entidades paraestatais: personalidade jurídica de direito privado, embora realizem atividades de natureza pública; regime jurídico misto e sujeição ao controle externo do tribunal de contas. 55. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) De acordo com a teoria do órgão da pessoa jurídica aplicada ao direito administrativo, as pessoas jurídicas estatais expressam suas vontades por meio dos seus órgãos, os quais, por sua vez, são representados por seus agentes, que atuam como mandatários da pessoa jurídica estatal. 56. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) A administração pública, em seu sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídos com a finalidade de realizar as opções políticas e os objetivos do governo e, em seu sentido material, é o conjunto de funções necessárias ao serviço público em geral. 57. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) Na desconcentração, o conteúdo das competências desconcentradas pode ser definido em razão da matéria, em razão do nível ou grau de responsabilidade decisória atribuída à competência desconcentrada ou por critério geográfico ou territorial, sendo a unidade da atuação da administração pública mantida em razão da coordenação ou vinculação existente entre os órgãos envolvidos. 58. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) Os órgãos se configuram em entidades concretas capazes de sintetizar diversas atribuições estatais, podendo ser estruturados singularmente ou de maneira colegiada, exercendo ora funções de controle, ora ações e consultas. 59. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) A competência pública é obrigatória, irrenunciável, intransferível, imodificável e imprescritível. Acerca das figuras da organização administrativa, julgue os itens subseqüentes. 60. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) Tanto as empresas públicas quanto as sociedades de economia mista prestadoras de serviço estão submetidas ao processo falimentar, sendo que as ações relativas às mesmas são de competência da justiça federal. 61. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) Diferentemente das empresas públicas, as sociedades de economia mista devem se inscrever obrigatoriamente na modalidade de sociedade anônima. 62. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) A descentralização administrativa pode resultar na atribuição de atividade pública a pessoa de direito privado, como as empresas públicas e as sociedades de economia mista. 63. (PAPILOSCOPISTA/DPF) Embora seja competência da União organizar e manter a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, o Distrito Federal pode legislar acerca de organização e de manutenção da Polícia Civil bem como sobre direitos e deveres dos policiais civis, em razão da autonomia organizacional que a própria Constituição Federal lhe defere. 64. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) Nos termos da Lei n.º 9.790/1999, que rege as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs), essas entidades devem possuir personalidade jurídica de direito privado e ser desprovidas de fins lucrativos,não obstante possam remunerar o trabalho de seus sócios ou associados, conselheiros, diretores e empregados. Todavia, nem todas as pessoas jurídicas de direito privado podem ser consideradas OSCIPs, a exemplo do que ocorre com as sociedades comerciais. 65. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) As agências executivas têm natureza essencialmente operacional, de maneira que não lhes compete exercer a fiscalização de pessoas, bens e atividades, porquanto, considerando o universo das agências, essa competência é exclusiva das agências reguladoras. De acordo com a doutrina, as agências executivas constituem importante inovação na organização do Estado, criadas que foram com a finalidade de realizar o princípio constitucional da eficiência. Quanto à administração pública e à reforma do Estado contemporâneo brasileiro, julgue os itens seguintes. 66. (PROC. CONSUL. DO TRIBUNAL DE CONTAS/PE) Apesar da sua abrangência, o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado não citava a necessidade de reforma da previdência. 67. (PROC. CONSUL. DO TRIBUNAL DE CONTAS/PE) O orçamento-produto é um modelo de instrumento orçamentário compatível com os princípios da administração pública gerencial. 68. (PROC. CONSUL. DO TRIBUNAL DE CONTAS/PE) Apesar de o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado ter como foco principal a reorganização institucional dos órgãos da administração pública federal, de o plano plurianual enfatizar a reformulação das práticas e dos instrumentos de planejamento e gestão, ambos estão alinhados aos princípios da administração pública gerencial. 69. (PROC. CONSUL. DO TRIBUNAL DE CONTAS/PE) Um adequado aparato normativo garante a transição de um modelo de gestão burocrático para um modelo de natureza gerencial na administração pública. 70. (PROC. CONSUL. DO TRIBUNAL DE CONTAS/PE) Os termos de parceria firmados entre o setor público e uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) consideram legítimas as despesas de pagamento de pessoal efetivamente envolvido na execução das atividades e projetos previstos no termo de parceria. 71. (PROC. CONSUL. DO TRIBUNAL DE CONTAS/PE) As OSCIPs devem ser pessoas jurídicas de direito público sem fins lucrativos. 72. (PROC. CONSUL. DO TRIBUNAL DE CONTAS/PE) Quanto à natureza jurídica, as agências reguladoras são pessoas jurídicas de direito público. 73. (JUIZ SUBSTITUTO/TJBA) Tecnicamente, as delegacias de polícia são unidades desconcentradas da secretaria de segurança pública (ou equivalente) de cada estado. (UnB / CESPE – AGE / ES –2004) Com relação ao direito administrativo brasileiro, julgue os itens a seguir. 74. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e a Advocacia-Geral da União são órgãos autônomos da administração pública federal. 75. O princípio da publicidade, basilar do estado de direito e fundamento da administração pública brasileira, determina que toda e qualquer ingerência estatal deverá ser publicada em órgão oficial, sob pena de malferimento ao referido preceito. 76. O fato de os procedimentos necessários à nomeação de determinado servidor público serem levados a efeito por servidor lotado no serviço de recursos humanos competente e, posteriormente, submetidos à chancela do dirigente da entidade pública caracteriza ato administrativo considerado ato composto. 77. Considere a seguinte situação hipotética. Determinada entidade da administração pública federal deflagrou certame administrativo licitatório, cujo objeto consistiu na aquisição de modernos equipamentos de informática. Ocorreu que as propostas apresentadas consignavam preços manifestamente superiores aos praticados no mercado nacional. Nessa situação, a referida entidade poderá contratar mediante dispensa de procedimento licitatório. (UnB / CESPE – AGE / ES –2004)Julgue os itens seguintes 78. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é uma autarquia sob regime especial, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, que tem como finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica. 79. Com o objetivo de promover a descentralização das atividades de regulação e fiscalização, os estados e o Distrito Federal, por meio de convênio com a União, poderão desempenhar atividades complementares de regulação, controle e fiscalização dos serviços e instalações de energia elétrica, de acordo com as normas legais e regulamentares federais, sendo que tal atividade será avaliada e fiscalizada pela ANEEL. 80. O Conselho Nacional de Política Energética, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, tem por função, entre outras, definir as políticas públicas relativas ao setor energético. 81. A jurisprudência é fonte do direito administrativo, mas não vincula as decisões administrativas, apesar de o direito administrativo se ressentir de codificação legal. 82. É possível a existência, no plano federal, de entidades da administração indireta vinculadas aos Poderes Legislativo e Judiciário. 83. A descentralização administrativa pode resultar na atribuição de atividade pública a pessoa de direito privado, como as empresas públicas e as sociedades de economia mista. 84. Considerando que a Fundação Espírito Santo (FES) é uma fundação que integra a administração do estado do Espírito Santo (ES), assinale a opção correta. a) A FES deve ser vinculada a um órgão da administração direta do ES. b) A FES pode ser extinta mediante decreto do governador do ES. c) Aos servidores da FES é aplicável a lei federal que estabelece os direitos e deveres dos servidores públicos civis. d) A FES é imune ao pagamento de impostos e taxas municipais, mas não ao pagamento de impostos e taxas federais. 85. (Cespe/Unb - Procuradoria –geral do Estado do Ceará - 2004) Com relação à organização administrativa, assinale a opção correta. a) No direito brasileiro, as agências reguladoras são autarquias sob regime especial, o qual se caracteriza pela independência administrativa, pela autonomia financeira e pelo poder norrnativo dessas agências. b) A instituição de autarquias ocorre por meio de decreto, o qual aprova o regulamento ou estatuto da entidade e transfere os bens que compõem seu patrimônio inicial. c) As fundações criadas pela administração pública com personalidade jurídica de direito privado são submetidas exclusivamente ao regime jurídico privado. d) As sociedades de economia mista e as empresas públicas têm em comum a sua criação por !ei. e) Nos termos da Constituição Federal, a extinção de uma empresa pública, matéria privativa do chefe do Poder Executivo, é feita por meio de ato do Poder Executivo. 86. (Cespe/Unb - Procuradoria –geral do Estado do Ceará - 2004) Julgue os itens abaixo, relativos à organização administrativa. I. Os bens e as rendas das autarquias são patrimônio público, porém com uma destinação especial e sob administração da entidade à qual foram incorporados. II. É constitucional a lei estadual que subordina a nomeação dos dirigentes de autarquias estaduais à prévia aprovação pela assembléia legislativa. III. O limite imposto à remuneração dos ocupantes de cargos da administração direta .estadual aplicar-se-á à remuneração dos empregados de uma empresa pública estadual, quando ela. receber recursos do estado para pagamento de despesas de pessoal. IV. A criação de subsidiárias de sociedades de economia mista depende de autorização legislativa. V. Cabe à lei complementar definir as áreas de atuação das fundações. A quantidade de itens certos é igual a a) 1 b) 2 c) 3 d) 4 e) 5 Julgue o item a seguir: 87. Por desestatização compreende-se a desvinculação do Estado das atividades reservadas constitucionalmente à iniciativa privada. Podem ser consideradas espécies desse fenômeno na atualidade, no cenário político-jurídico brasileiro, não só as já conhecidas formas, mas também a privatização, a concessão e a permissão de serviços públicos. (UnB / CESPE – ANATEL- Área Jurídica –2004) Em relação a regulação e agências reguladoras, julgueos itens seguintes. 88. No Brasil, as agências reguladoras foram constituídas como autarquia s de regime especial, integrantes da administração indireta, desvinculadas do ministério competente para tratar da respectiva atividade, pois são caracterizadas pela independência administrativa, não subordinação hierárquica e autonomia financeira. 89. As agências reguladoras possuem, entre outras, as seguintes atribuições: regular os serviços objeto da delegação, realizar licitação para a escolha do concessionário, permissionário ou autorizado, definir o valor da tarifa e sua revisão e reajuste, controlar a execução dos serviços, aplicar sanções, encampar, decretar caducidade, intervir, fazer reversão dos bens ao término da concessão, fazer o papel de ouvidor de denúncias e reclamações dos usuários. 90. A dimensão estrita da regulação se traduz no condicionamento normativo da atividade econômica privada. As agências reguladoras, dessa maneira, afinam-se com a noção estrita de regulação, pois um de seus traços marcantes é o poder normativo, que atua na atividade econômica e compreende a regulamentação de leis. 91. (Magistratura/TJTO-2004) – Segundo a doutrina administrativa, dentre outros critérios, os órgãos administrativos classificam-se conforme a constituição, quanto à esfera de atuação, quanto às atribuições e quanto à existência. Com vistas a esta classificação, aponte a proposição incorreta. a) Os órgãos podem ser coletivos ou singulares, quanto à sua constituição. b) Os órgãos podem ser gerais ou especiais, quanto à esfera de atuação. c) Os órgãos podem ser ordinários ou extraordinários, quanto à sua existência. d) Os órgãos podem ser primários ou secundários, segundo suas atribuições. Julgue o item a seguir: 92. (CESPE/TRF 5ª REG.) Nos termos da Lei n.º 9.790/1999, que rege as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs), essas entidades devem possuir personalidade jurídica de direito privado e ser desprovidas de fins lucrativos, não obstante possam remunerar o trabalho de seus sócios ou associados, conselheiros, diretores e empregados. Todavia, nem todas as pessoas jurídicas de direito privado podem ser consideradas OSCIPs, a exemplo do que ocorre com as sociedades comerciais. Acerca das autarquias e agências, julgue os itens a seguir. 93. (CESPE/TRF 5ª REG.) Em virtude da relação de supervisão exercida pelos ministérios sobre as autarquias que lhes são vinculadas, é juridicamente cabível a interposição de recurso administrativo próprio, destinado ao ministro de Estado respectivo, contra ato de prepostos daqueles entes públicos. 94. (CESPE/TRF 5ª REG.) As agências executivas têm natureza essencialmente operacional, de maneira que não lhes compete exercer a fiscalização de pessoas, bens e atividades, porquanto, considerando o universo das agências, essa competência é exclusiva das agências reguladoras. De acordo com a doutrina, as agências executivas constituem importante inovação na organização do Estado, criadas que foram com a finalidade de realizar o princípio constitucional da eficiência. 95. (TJBA-2004) Tecnicamente, as delegacias de polícia são unidades desconcentradas da secretaria de segurança pública (ou equivalente) de cada estado. 96. (TJBA-2004) Tutela ou controle é o vínculo que existe entre uma fundação pública e a pessoa jurídica que a instituiu; essa espécie de relação não existe entre o Poder Executivo do estado-membro e as secretarias de estado ou entre a União e os ministérios. 97. (CESPE/UnB/AGU/2002) Acerca da centralização e da descentralização da atividade administrativa do Estado, da concentração e da desconcentração de competência, da organização administrativa e do ato administrativo, julgue os itens a seguir. 1) As Procuradorias da União e as procuradorias regionais da União, unidades da Advocacia-Geral da União (AGU) com finalidade de execução, são exemplos do mecanismo administrativo da descentralização de competências, que se destina à busca de maior eficiência da atuação estatal. 2) Segundo a doutrina, para maior eficiência na atuação das agências executivas estas podem apresentar qualquer forma jurídica legalmente prevista, como atualmente ocorre com agências que têm a natureza jurídica de autarquias, fundações ou empresas públicas. 3) A doutrina administrativista brasileira considera que as fundações públicas têm natureza de autarquias; seus servidores, portanto, não são regidos pela legislação trabalhista, representada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 4) A despeito da denominação de empresas públicas, esses entes, que compõem a administração pública indireta, têm personalidade jurídica de direito privado; não obstante, por outro lado, os atos de seus gestores sujeitam-se a sanção aplicável em virtude da ação judicial por improbidade administrativa. 5) Pondo à parte a discussão acerca da distinção entre processo e procedimento administrativo e equiparando essas expressões, é juridicamente correto afirmar que o ato administrativo complexo, dads as peculiaridades de seu modo de formação, é exemplo de processo administrativo. 98. (CESPE/UnB/ANAL.LEGISL/2002) No início do corrente ano, determinada entidade, constituída sob a forma de uma autarquia federal que presta serviço não- essencial ou monopolizado pelo Estado, realizou concurso público e contratou servidores em regime celetista, ou seja, não mais no regime jurídico único. Em face dessa situação hipotética e do tema a ela pertinente, julgue os seguintes itens. 1) O concurso não poderá ser impugnado, pois há permissão para a administração pública contratar sob o regime da CLT. 2) O referido concurso é regular, pois recente alteração no texto constitucional não faz mais nenhuma remissão ao Regime Jurídico Único. 3) Desde a Constituição da República de 1988, a referida entidade, por ser uma autarquia, já poderia realizar concurso e contratar fora do regime jurídico único. 4) Configurando- se como cargo público, o servidor público não poderá ser exonerado mesmo por excesso de despesa com gastos de pessoal, depois de passado o período de estágio probatório. 5) O regime estatutário atende peculiaridades de um vínculo no qual estão em causa interesses públicos e não só interesses laborais, por isso aqueles que desenvolvem atividades exclusivas do Estado só podem ser recrutados nesse regime. 99. (CESPE/UnB/ANAL.LEGISL/2002)Acerca das fundações, julgue os itens abaixo. 1) As fundações mantidas pelo poder público têm dotação patrimonial inteiramente pública. 2) Somente mediante autorização expressa de lei, poderá o poder público criar fundações públicas com personalidade jurídica de direito privado, em vista da aplicação de normas de direito público. 3) Faculta- se aos partidos políticos instituir fundações que poderão, inclusive, gozar de imunidade tributária. 4) Para fundações instituídas por partidos políticos, veda- se qualquer ação com fins eleitorais. 5) As fundações instituídas pelo poder público terão capacidade de auto- administração, mas estarão sujeitas ao controle administrativo por parte da administração direta. 100. (CESPE/UnB/TCDF/PROCURADOR/2002) Os conselhos profissionais, instituídos a partir da competência da União Federal para regulamentar as profissões (Constituição da República, art. 22, XVI), foram disciplinados pelo art. 58 da Lei nº 9.649/1998, que foi alvo de liminar deferida na ADIMC – 1.847/SP. Acerca dos conselhos profissionais, julgue os itens abaixo. 1) Tais entes pertencem à administração pública federal. 2) Sendo, ontologicamente, autarquias, esses conselhos podem exercer, na sua plenitude, o poder de polícia. 3) À vista de sua natureza jurídica, esses conselhos têm capacidade para cobrar preço ou tributo, observados os respectivos princípios constitucionais. 4) À vista de sua natureza jurídica, esses conselhos não gozam dos privilégios processuais da fazenda pública. 5) Os servidores dos conselhos profissionais são servidores estatutários. 101. (CESPE/UnB/TCDF/PROCURADOR/2002) Em um caso de execução fiscal promovidapelo Governo do Distrito Federal (GDF) contra a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), os bens desta empresa seriam considerados impenhoráveis. 1) Por força da sua natureza jurídica de empresa pública de fomento. 2) Por força de norma legal, recepcionada pela Constituição da República de 1988, de acordo com a jurisprudência do STF. 3) Uma vez que ela atua em área monopolizada. 4) Por tratar-se de empresa pública, prestadora de serviços públicos, disciplinada pelo regime jurídico consagrado no art. 175 da Constituição da República. 5) Porque, mesmo intervindo no domínio econômico, sua atuação não visa ao lucro. 102. (CESPE/UnB/ANAL.LEGISL/2002)Julgue os itens a seguir, relativos à reforma administrativa. 1) A figura dos contratos de gestão como instrumento firmado entre o poder público e as entidades qualificadas de organizações sociais foi introduzida no direito brasileiro com a reforma administrativa. 2) Os contratos de gestão podem ter como objeto atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, cultura, saúde e segurança pública. 3) O poder público e as organizações sociais podem celebrar contratos de gestão sem processo licitatório. 4) As organizações sociais, tendo travado contrato de gestão, estão aptas a receber bens em permissão de uso. 5) As organizações sociais, assim como as OSCIPs, integram a denominada administração indireta, sendo reguladas pelas mesmas normas e princípios do direito administrativo. 103. Sobre a Organização Administrativa do Distrito Federal é correto afirmar, exceto: a) que as Regiões Administrativas são criadas com vistas à descentralização administrativa, à utilização racional de recursos para o desenvolvimento sócio-econômico e à melhoria da qualidade de vida da população. b) que a criação de Regiões Administrativas ocorrerá mediante lei aprovada por dois terços dos votos dos Deputados Distritais, enquanto que para a extinção exigir-se-á aprovação por maioria absoluta. c) que a remuneração dos Administradores Regional poderá ser superior à fixada para os Secretários de governo. d) Que cada Região Administrativa terá um Conselho de Representantes Comunitários, com funções consultivas e fiscalizadoras, na forma da lei. GABARITO 1 - EECCE 2-CCCEE 3 - ECCEE 4 - A 5 - D 6 – B 7 - CCEEE 8 - A 9 - C 10 – EECEC 11 - EEECC 12- A 13 - A 14 – B 15 - A 16 - C 17 - C 18 – A 19 - C 20 - D 21 - B 22 – B 23 – C 24 – CECEE 25 – CECEC 26 – C 27 – A 28 – C 29 – C 30 – EECCE 31 – C 32 - D 33 – C 34 - ANULADA 35 - C 36 - E 37 - C 38- E 39- C 40- E 41- C 42- E 43- C 44 – C 45 – D 46 – C 47 – E 48 – EECCE 49 – EECCE 50 - CCCEE 51 – ECECE 52 - ECCCC 53 – E 54 – C 55 – E 56 – C 57 – E 58 – E 59 – C 60 – E 61 – C 62 – C 63 – E 64 – C 65 – E 66 – E 67 – C 68 – C 69 – E 70 – C 71 – E 72 – C 73 – C 74 – C 75 – E 76 – C 77 – C 78 – C 79 – C 80 – E 81 – C 82 – C 83 – C 84 – A 85 – A 86 – E 87 – C 88 – E 89 – C 90 – E 91 – B 92 – C 93 – E 94 – E 95 – C 96 – C 97 – EECCE 98 – CCEEC 99 – ECCCC 100 – CCCEE 101 – ECECE 102 – CECCE 103 - B ROTEIRO DE AULA – CAPÍTULO 03 ATOS ADMINISTRATIVOS 1. Conceito de Ato Administrativo: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. Atos administrativos e atos da administração: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3. Procedimento administrativo: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4. Elementos do ato administrativo: 4.1. Competência: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( delegação: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( avocação: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.2. Finalidade ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.3. Forma _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4.4. Objeto (ou conteúdo) _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.5.Motivo ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( Teoria dos motivos determinantes: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5. Mérito do Ato Administrativo O merecimento é aspecto atinente apenas aos atos administrativos praticados no exercício de competência discricionária, já que permite ao administrador público valorar os motivos do ato e/ou escolher seu objeto. Assim, há atos administrativos que possuem elementos não vinculados (podendo ser o motivo e/ou o objeto), razão pela qual são chamados atos administrativos discricionários.Exatamente esse núcleo do ato administrativo, que poderá ser apreciado quanto a sua conveniência e oportunidade é que chamamos de mérito do ato administrativo. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6. Atributos do Ato Administrativo 6.1. Presunção de legitimidade: há uma presunção de que o ato administrativo seja legal e legítimo, já que a Administração Pública é informada pelo princípio da legalidade e da moralidade. Assim, militaem favor dos atos administrativos uma presunção “juris tantum” de legitimidade, acarretando, conseqüentemente, a transferência do ônus da prova de invalidade do ato para quem o invoca. 6.2. Imperatividade: é a qualidade pela qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. Decorre da prerrogativa que tem o Poder Público de, por meio de atos unilaterais, impor obrigações a terceiros. 6.3. Auto-executoriedade: é atributo pelo qual o ato administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração, sem necessidade de recorrer ao Poder Judiciário. Há autores que desdobram esse atributo em dois: exigibilidade (coerciva): a Administração utiliza-se de meios indiretos de coerção, como multas e outras penalidades. executoriedade (coação): a Administração usa meios diretos de coerção, compelindo materialmente o administrado, utilizando-se, inclusive a força se necessário. 7. Classificação dos Atos Administrativos 7.1. Quanto aos Destinatários Atos Gerais (ou regulamentares): são os endereçados a um número indeterminado de pessoas. Estes atos assemelham-se às leis, sendo abstratos e gerais, razão pela qual admitem controle concentrado de constitucionalidade. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Atos Individuais (ou especiais): são os dirigidos a destinatários certos, criando situações subjetivas particulares. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7.2. Quanto ao Alcance Atos Internos: produzem efeitos apenas no âmabito das repartições, atingindo os agentes e órgãos públicos. Em regra, não geram direitos subjetivos, podendo ser revogados a qualquer tempo. O controle jurisdicional destes atos é amplo. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Atos Externos: são os que atingem os administrados em geral. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7.3. Quanto ao Objeto Atos de Império: são aqueles que a Administração Pública pratica usando de sua supremacia estatal, no uso de suas prerrogativas. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Atos de Gestão: são os que a Administração pratica como se fosse um particular, num regime jurídico de direito privado, não usando de sua supremacia de poder. Ex: locação, compra e venda, doação. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Atos de Expediente: são os que se destinam meramente a dar andamento a processos e documentos que tramitam nas repartições públicas. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7.4. Quanto à Formação do Ato Ato Simple: resulta da manifestação de vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Ato Compelxo: é o que se forma pela vontade de mais de um órgão. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Ato Composto: resulta da vontade de um órgão, mas depende da verificação por parte de outro para se tornar exequível. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 8. Espécies de Atos Administrativos 8.1. Quanto ao Conteúdo Admissão: é o ato administrativo unilateral, vinculado, pelo qual o Poder Público faculta a alguém o ingresso em um estabelecimento governamental, para fins de recebimento de um serviço público. Ex: matrículas nas escolas públicas. Licença: é o ato administrativo unilateral, vinculado, pelo qual o Poder Público faculta a alguém o exercício de uma atividade privada material. Por ser ato vinculado, em regra, não pode ser revogado, contudo o STF vem entendendo que a licença para construir poderá ser revogada antes da obra ter sido iniciada, ressalvado, ao particular o direito a indenização em relação a eventuais danos. Autorização: é o ato administrativo unilateral, discricionário, pelo qual o Poder Público faculta a alguém o exercício de uma atividade privada material. Certas atividades, para que possam ser exercidas por particulares exigem autorização governamental. Também se trata de ato precário, portanto, revogável a qualquer momento, sem que isso gere direito à indenização para o particular. Ex: autorização para porte de arma. A diferença entre a licença e a autorização reside na discricionariedade e na vinculação. Enquanto a licença é ato vinculado, a autorização é discricionária. Permissão: a permissão assume diferentes características em nosso regime jurídico, podendo ser: ( simples: é o ato administrativo unilateral, discricionário, pelo qual o Poder Público, em caráter precário, faculta a alguém o uso de um bem público sem fixar prazo determinado, ou seja, tal permissão não está sujeita a termo “ad quem”. ( condicionada: que se subdivide em: (a) ato discricionário, contudo, não precário, pois caso a Administração entenda por bem revogá-la, deverá indenizar o particular: permissão de uso de bem público com prazo determinado, ou seja, tal permissão está sujeia a termo “ad quem”. (b) assume a natureza contratual: permissão de serviços públicos. Concessão: é o contrato administrativo pelo qual o Poder Público em caráter não precário faculta a alguém o uso de um bem público, a responsabilidade pela prestação de um serviço público ou a realização de uma obra pública. Aprovação: é o ato administrativo discricionário, pelo qual o Poder Público manifesta a sua concordência com o ato jurídico já praticado ou com ato jurídico que ainda deva ser praticado. Na realidade é um ato administrativo que controla outro ato administrativo. Homologação: é o ato administrativo vinculado pelo qual o Poder Público manifesta sua concordância com a legalidade ato jurídico já praticado. A homologação diz respeito à legalidade e é sempre posterior. 8.2. Quanto à Forma Decreto: é a forma pela qual se manifestam os atos de competência exclusiva do Chefe do Poder Executivo. Resolução: ato expedido por autoridade integrante do alto escalão, que se posiciona logo abaixo do Chefedo Poder Executivo, como os Ministros, Secretários de Estado e de Municípios. Deliberação: atos expedidos por órgãos colegiados. Portaria: é a forma pela qual autoridades de nível inferior ao Chefe do Poder Executivo estabelecem normas gerais para a disciplina das condutas. A portaria, em tese, seria uma maneira de regulamentar normas internas da Administração, contudo, na prática, isto não acontece, pois muitas vezes ela regulamenta normas externas. Instrução, circular, ordem de serviço, provimento e aviso: como as potarias, também são atos adminsitrativos ordinatórios, que visam organizar a tividade administrativa. Ofício: ato de comunicação entre as autoridades. Alvará: é a forma pela qual são expedidas as licenças e as autorizações. Certidão, atestado e declaração: são atos enunciativos, isto é, seu conteúdo expressa a ciência de certo fato jurídico. 9. Extinção dos Atos Administrativos A extinção dos atos administrativos pode se dar: (a) de forma normal: - pelo cumprimento de seus efeitos. Ex: gozo de férias concedidas. - pelo desaparecimento de seu objeto oude seu sujeito. Ex: casa tomabada que vem a ser incendiada; porte de arma concedido a pessoa que acaba de falecer. (b) de forma anormal: (b.1) pela renúncia: que é a extinção do ato administrativo eficaz em decorrência do seu beneficiário não mais desejar qa continuidade de seus efeitos. Ela só é cabivel nos atos ampliativos de direito. (b.2) pela recusa: que é a extinção do ato administrativo ineficaz em decorrência do seu futuro beneficiário não manifestar concordância indispensável para a eficácia do ato.Diferencia-se da renúncia pois nesta o indivíduo já gozou dos efeitos do ato. (b.3) pela retirada: retirada é a extinção do ato administrativo em decorrência da edição de um ato jurídico que o elimina. Existem diferentes formas de retirada: ( cassação: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( caducidade: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( contraposição: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( invalidação: é a retirada do ato administrativo em decorrência de sua ilegalidade. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( revogação: é a retirada do ato administrativo em decorrência de sua inconveniência ou de sua inoportunidade. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ CAPÍTULO 03 – ATOS ADMINISTRATIVOS 1. Conceito O artigo 81 do antigo Código Civil definia ato jurídico como “todo ato lícito que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direitos”. Utilizando esta definição legal de ato jurídico o Prof. Hely Lopes Meirelles conceitua o ato administrativo como sendo “toda manifestação da vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administradores ou a si própria”. Para referido autor, o conceito de ato administrativo é fundamentalmente o mesmo de ato jurídico, do qual se diferencia como uma categoria informada pela finalidade pública. Condições para o surgimento do ato administrativo: que a Administração aja usando de supremacia de poder; que contenha manifestação de vontade; que provenha de agente competente; que revista-se da forma legal; e que tenha finalidade pública. A Aministração Pública pode praticar atos e contratos em regime de Direito Privado, igualando-se aos particulares, isto é, não atuando com supremacia de poder. Nesta hipótese não se pode falar em ato administrativo, mas sim em atos privados praticados pela Administração. O conceito de ato administrativo, também, não deve ser confundido com o de fato administrativo. O fato administrativo tem como finalidade a realização material no exercício de função administrativa. Assim, o fato administrativo é mera realização material de ordem prática, como p. ex. a construção de uma estrada, a limpeza dos logradouros públicos etc. 2. Requisitos ou Elementos do Ato Administrativo São elementos do ato administrativo: a competência, a finalidade, a forma, o objeto e o motivo. 2.1.Competência A competência administrativa é o poder atribuído ao agente da administração para o desempenho de suas funções. Desta forma, o agente administrativo tem que ter competência (poder legal) para praticar o ato administrativo. A competência resulta da lei e por ela é delimitada. É requisito de ordem pública, assim, é instransferível e improrrogável pela vontade dos interessados. Pode, contudo, ser delegada ou avocada. O art. 12 do Dec-Lei nº 200/67 determina que o ato de delegação deverá indicar a autoridade delegante e a autoridade delegada, bem como o objeto da delegação. Não admitem delegação, por força do art. 13, da Lei 9.784/99: (a) a edição de atos normativos; (b) a decisão de recursos administrativos; e (c) as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. A avocação de competência de órgão hierarquicamente inferior será permitida, com observância das condições previstas no art. 15 da Lei nº 9.784/99, quais sejam: (a) em caráter excepcional; (b) existência de motivos relevantes; e (c) motivos devidamente justificados. 2.2. Finalidade Finalidade é o objetivo de interesse público que se quer alcançar com a prática do ato. Todo ato administrativo tem: uma finalidade ampla: que é a satisfação dos interesses públicos; e uma finalidade específica: que é o fim específico de cada ato. Quando o agente busca outro fim que não o colimado, explicita ou implicitamente, pela lei, o ato será invalidado por abuso de poder ou desvio de finalidade. 2.3. Forma Forma é o revestimento exterior do ato, o modo pelo qual o ato aparece e revela sua existência. No ato administrativo o respeito à forma é a regra, sendo elemento vinculado, necessário para a sua perfeição. A rigor o ato administrativo deve ser escrito e obedecer a forma prescrita em lei, contudo, podem existir atos administrativos exteriorizados por sinais (semáforos ou sirenes) ou símbolos (placas de trânsito). 2.4. Objeto (ou conteúdo) Objeto é o efeito jurídico imediato que o ato produz. É aquilo que o ato declara. Todo ato administrativo tem por objeto a criação, a modificação ou comprovação de situações jurídicas. O objeto deve ser lícito, possível e determinado. 2.5. Motivo Motivo é a situação de fato ou de direito que determina a realização do ato administrativo. A Profª. Maria Sylvia Zanella DI Pietro indicia a motivação (exposição dos motivos) como um dos princípios da Administração Pública, lecionando que a motivação é necessária tanto para os atos vinculados, quanto para os discricionários. O professor Hely L. Meirelles entende que nos atos vinculados a motivação é um dever inafastável. Contudo, se for ato discricionário a justificação é dispensável. Partindo dessa premissa, o autor esclarece que “A teoria dos motivos determinantes funda-se na consideração de que os atos administrativos quando tiverem sua prática motivada, ficam vinclados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos.” Em seguifa exemplifica:”Exemplificando, para maior compreensão, diremos que, se o superior, aos dispensar um funcionário exonerável ad nutum, declarar que o faz por improbidade de procedimento, essa “improbidade” passará a ser motivo determinante do ato esua validade e eficácia ficarão na dependência da efetiva existência do motivo declarado.” O art. 50 da Lei nº 9.784/99 enumera os atos administrativos que deverão ser necessariamente motivados, assim, admite a possibilidade de nos demais casos, isto é, nas hipóteses não arroladas pelo referido dispsoisitivo legal, os atos administrativos possar prescindir de motivação. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V - decidam recursos administrativos; VI - decorram de reexame de ofício; VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. 3. Mérito do Ato Administrativo O merecimento é aspecto atinente apenas aos atos administrativos praticados no exercício de competência discricionária, já que permite ao administrador público valorar os motivos do ato e/ou escolher seu objeto. Assim, há atos administrativos que possuem elementos não vinculados (podendo ser o motivo e/ou o objeto), razão pela qual são chamados atos administrativos discricionários. Exatamente esse núcleo do ato administrativo, que poderá ser apreciado quanto a sua conveniência e oportunidade é que chamamos de mérito do ato administrativo. 4. Atributos do Ato Administrativo O Prof. Hely L. Meirelles indica como atributos do ato administrativo a presunção de legitimidade, a imperatividade e a auto-executoriedade. Presunção de legitimidade: há uma presunção de que o ato administrativo seja legal e legítimo, já que a Administração Pública é informada pelo princípio da legalidade e da moralidade. Assim, milita em favor dos atos administrativos uma presunção “juris tantum” de legitimidade, acarretando, conseqüentemente, a transferência do ônus da prova de invalidade do ato para quem o invoca. A Profª Maria Sylvia Fanella DI Pietro faz distinção entre presunção de legitimidade e presunção de veracidade. A primeira diz respeito à conformidade com a lei, enquanto que a segunda dis respeito aos fatos. Para referida autora, o ato administrativo goza tanto da presunção de legitimidade quanto da presunção de veracidade. Da presunção de legalidade decorrem os seguintes efeitos: (a) enquanto não decretada a invalidade o ato produzirá efeitos; e (b) o Poder Judiciário não pode apreciar “ex offício” a validade do ato administrativo. Imperatividade: é a qualidade pela qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. Decorre da prerrogativa que tem o Poder Público de, por meio de atos unilaterais, impor obrigações a terceiros. A imperatividade não está presente em todos os atos administrativos, mas apenas naqueles que impõem obrigações. Já, quando se trata de ato que confere direitos (licença, autorização, permissão, etc) ou de atos enunciativos (certidão, atestado, parecer, etc) esse atributo inexiste. Para Celso Antônio Bandeira de Mello a imperatividade apenas constitui uma dada situação, apenas impõe uma obrigação. A exigibilidade é que é o atributo do ato em virtude do qual o Estado, no exercício da função administrativa, pode exigir de terceiros o cumprimento da obrigação que impôs. Auto-executoriedade: é atributo pelo qual o ato administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração, sem necessidade de recorrer ao Poder Judiciário. A auto-executoriedade só é possível: (a) quando a lei prevê expressamente; (b) quando for condição indispensável à eficaz garantia do interesse público (quando se tratar de medida urgente). Há autores que desdobram esse atributo em dois: exigibilidade (coerciva): a Administração utiliza-se de meios indiretos de coerção, como multas e outras penalidades. executoriedade (coação): a Administração usa meios diretos de coerção, compelindo materialmente o administrado, utilizando-se, inclusive a força se necessário. 5. Classificação dos Atos Administrativos 5.1. Quanto aos Destinatários Atos Gerais (ou regulamentares): são os endereçados a um número indeterminado de pessoas. Estes atos assemelham-se às leis, sendo abstratos e gerais, razão pela qual admitem controle concentrado de constitucionalidade. Exs: decretos, circulares e regulamentos. Atos Individuais (ou especiais): são os dirigidos a destinatários certos, criando situações subjetivas particulares. Exs: nomeações e exoneração, licenças, decreto de desapropriação. 5.2. Quanto ao Alcance Atos Internos: produzem efeitos apenas no âmabito das repartições, atingindo os agentes e órgãos públicos. Em regra, não geram direitos subjetivos, podendo ser revogados a qualquer tempo. O controle jurisdicional destes atos é amplo. Exs: portarias, circulares e ofícios. Atos Externos: são os que atingem os administrados em geral. Ex: atos complementares em matéria tributária. 5.3. Quanto ao Objeto Atos de Império: são aqueles que a Administração Pública pratica usando de sua supremacia estatal, no uso de suas prerrogativas. Atos de Gestão: são os que a Administração pratica como se fosse um particular, num regime jurídico de direito privado, não usando de sua supremacia de poder. Ex: locação, compra e venda, doação. Atos de Expediente: são os que se destinam meramente a dar andamento a processos e documentos que tramitam nas repartições públicas. 5.4. Quanto à Função da Vontade Atos Administrativos Propriamente Ditos ou Puros: há uma declaração de vontade da Administração, voltada para a obtenção de determinados efeitos jurídicos. Meros Atos Administrativos: há uma declaração de opinião (parecer), conhecimento (certidão) ou desejo (voto em um órgão colegiado) etc. São atos da Adminsitração, porém não são atos administrativos. 5.5. Quanto à Formação do Ato Ato Simple: resulta da manifestação de vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado. Ato Compelxo: é o que se forma pela vontade de mais de um órgão. Ato Composto: resulta da vontade de um órgão, mas depende da verificação por parte de outro para se tornar exequível. 6. Espécies de Atos Administrativos 6.1. Quanto ao Conteúdo Admissão: é o ato administrativo unilateral, vinculado, pelo qual o Poder Público faculta a alguém o ingresso em um estabelecimento governamental, para fins de recebimento de um serviço público. Ex: matrículas nas escolas públicas. Licença: é o ato administrativo unilateral, vinculado, pelo qual o Poder Público faculta a alguém o exercício de uma atividade privada material. Por ser ato vinculado, em regra, não pode ser revogado, contudo o STF vem entendendo que a licença para construir poderá ser revogada antes da obra ter sido iniciada, ressalvado, ao particular o direito a indenização em relação a eventuais danos. Autorização: é o ato administrativo unilateral, discricionário, pelo qual o Poder Público faculta a alguém o exercício de uma atividade privada material. Certas atividades, para que possam ser exercidas por particulares exigem autorização governamental. Também se trata de ato precário, portanto, revogável a qualquer momento, sem que isso gere direito à indenização para o particular. Ex: autorização para porte de arma. A diferença entre a licença e a autorização reside na discricionariedade e na vinculação. Enquanto a licença é ato vinculado, a autorização é discricionária. Permissão: a permissão assume diferentes características em nosso regime jurídico, podendo ser: ( simples: é o ato administrativo unilateral, discricionário, pelo qual o Poder Público, em caráter precário, faculta a alguém o uso de um bem público sem fixar prazo determinado, ou seja, tal permissão não está sujeita a termo “ad quem”.( condicionada: que se subdivide em: (a) ato discricionário, contudo, não precário, pois caso a Administração entenda por bem revogá-la, deverá indenizar o particular: permissão de uso de bem público com prazo determinado, ou seja, tal permissão está sujeia a termo “ad quem”. (b) assume a natureza contratual: permissão de serviços públicos. Concessão: é o contrato administrativo pelo qual o Poder Público em caráter não precário faculta a alguém o uso de um bem público, a responsabilidade pela prestação de um serviço público ou a realização de uma obra pública. Aprovação: é o ato administrativo discricionário, pelo qual o Poder Público manifesta a sua concordência com o ato jurídico já praticado ou com ato jurídico que ainda deva ser praticado. Na realidade é um ato administrativo que controla outro ato administrativo. Homologação: é o ato administrativo vinculado pelo qual o Poder Público manifesta sua concordância com a legalidade ato jurídico já praticado. A homologação diz respeito à legalidade e é sempre posterior. 6.2. Quanto à Forma Decreto: é a forma pela qual se manifestam os atos de competência exclusiva do Chefe do Poder Executivo. Resolução: ato expedido por autoridade integrante do alto escalão, que se posiciona logo abaixo do Chefedo Poder Executivo, como os Ministros, Secretários de Estado e de Municípios. Deliberação: atos expedidos por órgãos colegiados. Portaria: é a forma pela qual autoridades de nível inferior ao Chefe do Poder Executivo estabelecem normas gerais para a disciplina das condutas. A portaria, em tese, seria uma maneira de regulamentar normas internas da Administração, contudo, na prática, isto não acontece, pois muitas vezes ela regulamenta normas externas. Instrução, circular, ordem de serviço, provimento e aviso: como as potarias, também são atos adminsitrativos ordinatórios, que visam organizar a tividade administrativa. Ofício: ato de comunicação entre as autoridades. Alvará: é a forma pela qual são expedidas as licenças e as autorizações. Certidão, atestado e declaração: são atos enunciativos, isto é, seu conteúdo expressa a ciência de certo fato jurídico. 7. Extinção dos Atos Administrativos A extinção dos atos administrativos pode se dar: (a) de forma normal: - pelo cumprimento de seus efeitos. Ex: gozo de férias concedidas. - pelo desaparecimento de seu objeto ou de seu sujeito. Ex: casa tomabada que vem a ser incendiada; porte de arma concedido a pessoa que acaba de falecer. (b) de forma anormal: (b.1) pela renúncia: que é a extinção do ato administrativo eficaz em decorrência do seu beneficiário não mais desejar qa continuidade de seus efeitos. Ela só é cabivel nos atos ampliativos de direito. (b.2) pela recusa: que é a extinção do ato administrativo ineficaz em decorrência do seu futuro beneficiário não manifestar concordância indispensável para a eficácia do ato.Diferencia-se da renúncia pois nesta o indivíduo já gozou dos efeitos do ato. (b.3) pela retirada: retirada é a extinção do ato administrativo em decorrência da edição de um ato jurídico que o elimina. Existem diferentes formas de retirada: ( invalidação: é a retirada do ato administrativo em decorrência de sua ilegalidade. ( revogação: é a retirada do ato administrativo em decorrência de sua inconveniência ou de sua inoportunidade. ( cassação: é a retirada do ato administrativo em decorrência de seu beneficiário ter descumprido condição tida por indispensável para a manutenção do ato administrativo. ( caducidade: a retirada se dá porque sobreveio norma jurídica que tornou inadmissível a situação antes permitida pelo direito e outorgada pelo ato pendente. Ex: permissão para explorar parque de diversões em local que, em face do Palno Diretor Local, tornou-se incompatível com aquele tipo de uso. ( contraposição: a retirada se dá porque foi emitido ato com fundamento em competência diversa que gerou o ato anterior, mas cujos efeitos são contrapostos aos daquele. Ex: exoneração de funcionário que tem efeitos contrapostos aos ato de nomeação. 7.1. Revogação dos Atos Administrativos A revogação do ato administrativo ocorre por inconveniência e/ou inoportunidade do mesmo. Somente a Administração Pública pode revogar ato administrativo, pois nesta modalidade de retirada o ato é legal e perfeito, contudo, inconveniente ou inoportuno aos interesse público. Artigo 53 da Lei nº 9.784/99: “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direito adquiridos.” Efeitos: “ex nunc”. Inocorrência: (a) atos de efeitos exauridos; (b) atos vinculados; (c) atos que geram direitos adquiridos; e (d) meros atos administrativos. 7.2. Invalidação do Ato Administrativo É a retirada do ato administrativo em decorrência de sua ilegalidade. A anulação poderá se declarada tanto pela Administratção, quanto pelo Poder Judiciário quando incitado a se manifestar. 7.2.1. Invalidação no Direito Privado: No direito privado observamos duas formas de invalidação, quais sejam: a nulidade e a anulação. ( Nulidade: (a) não convalida-se nem mesmo pelo decurso do tempo (não decai); (b) deverá ser veiculada por ação declaratória, portanto a sentença terá efeito “ex tunc”; e (c) pode ser apreciado de ofício pelo juiz. ( Anulabilidade: (a) convalida-se pelo decurso do tempo (decadência, em regra, de 4 anos); (b) deverá ser veiculada por ação constitutiva negativa, portanto de efeito “ex nunc”; (c) o juiz não poderá apreciá-la de ofício. 7.2.2. Inavalidação no Direito Administrativo Aplica-se ao Direito Administrativo as modalidades de invalidação do Direito pivado? Há duas correntes que procuram responder a indagação acima, quais sejam: teoria monista: o Direito Aministrativo só admite nulidade. Teoria dualista: que entende que a invalidação dos atos administrativos pode se dar na modalidade nulidade ou anulabilidade. Ocorre que o dissenso entre as duas teorias reside somente quanto à possibilidade ou não de convalidar-se certos vícios ocorrentes nos atos administrativos, já que ambas admitem que no Direito Administrativo os vícios dos atos administrativos nunca podem ser apreciados de ofício pelo juiz (princípio da presunção de legalidade/legitimidade) e que todos eles decaem no prazo de 5 anos (Dec nº 25.910/32 e Dec-Lei nº 4.597/42). Portanto para os adeptos da teoria monista os v´cios dos atos administrativos não admitem convalidação, enquanto para a teoria dualisata é possível convalidar-se alguns vícios. 7.2.3. Convalidação O professor Hely L. Meirelles não admite a convalidação, já que entende que o ato administrativo viciado será sempre nulo ou inexistente, assim, não pode ser convalidado (teoria monista). Para outros auotres, tais como Maria Sylvia e Celso Antônio Bandeira de Mello, pode haver a convalidação ou saneamento quando o vício é suprível (teoria dualista). Essa convalidação ou saneamento teria efeitos “ex tunc”. Em relação à convalidação, assim dispões o artigo 55 da Lei nº 9.784/99: “ Em decisão na qual se evidencia não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração.” Os adeptos da teoria dualista entendem que o vício de forma poderá ser sanado sempre que esta não for essencial, bem como o vício de compet~encia poderá ser sanado desde que não se trate de competência exclusiva. EXERCÍCIOS 1 - (TJDF/2002) Assinale a alternativa incorreta. A competência, no campo administrativo. a) decorre de lei. b) é derrogável. c) poderá, em princípio, ser objeto de delegação. d) exerce-se exclusivamente pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria. 2 - (TJDF/2002) Não é correto afirmar, no tocante ao ato administrativo. a) Submete-se ao princípio da legalidade. b) Os atributos de imperatividade e da auto-executoriedade confundem-se. c) Sujeita-seao controle judicial. d) Nasce sob presunção de legalidade juris tantum. 3 - (MPDFT/2002) Quanto à invalidação dos atos administrativos, assinale a opção correta. a) O controle externo pelo Poder Judiciário poderá alcançar o exame de mérito, desde que esteja sendo questionada a prática de ato dentro dos limites traçados para a discricionariedade. b) O controle interno da administração está sempre restrito a considerações de ilegalidade, em face da teoria dos motivos determinantes. c) A administração detém o controle interno mais amplo, que lhe permite o desfazimento de seus atos por considerações de mérito e de ilegalidade. d) O controle externo pelo Poder Judiciário é mais amplo, pois se estende tanto aos aspectos de mérito quanto ao exame da legalidade. 4 - (CESPE/PROCURADOR AUTÁRQUICO/INSS/99) Classifique cada item em certo ou errado. A respeito da teoria dos atos administrativos, julgue os seguintes itens. 1) Os atos administrativos são dotados de presunção de legitimidade e veracidade, o que significa que há presunção relativa de que foram emitidos com observância da lei e de que os fatos alegados pela administração são verdadeiros. 2) Imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. 3) Os atos administrativos só são dotados de auto-executoriedade nas hipóteses previstas expressamente em lei. 4) A presunção de legitimidade dos atos administrativos não impede que o cidadão possa opor-se aos mesmos. 5) A motivação de um ato administrativo deve contemplar a exposição dos motivos de fato e de direito, ou seja, a regra de direito habilitante e os fatos em que o agente se estribou para decidir. 5 - (CESPE/PROCURADOR AUTÁRQUICO/INSS/99) Com base na teoria e na legislação que tratam da revogação e da invalidade dos atos administrativos, julgue os itens abaixo. 1) Os atos administrativos vinculados podem ser revogados a partir de critério de oportunidade e de conveniência. 2) A administração deve anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 3) O ato administrativo pode ser invalidado sempre que a matéria de fato ou de direito em que se fundamentar o ato for materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido. 4) O direito da administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. 5) Os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria administração em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiro. 6 - (CESPE/FISCAL INSS/98) Classifique cada item em certo ou errado. No âmbito da administração pública, a lei regula determinadas situações de forma tal que não resta para o administrador qualquer margem de liberdade na escolha do conteúdo do ato administrativo a ser praticado. Ao contrário, em outras situações, o administrador goza de certa liberdade na escolha do conteúdo, da conveniência e da oportunidade do ato que poderá ser praticado. Acerca desse importante tema para o direito administrativo – discricionariedade ou vinculação administrativa e possibilidade de invalidação ou revogação do ato administrativo - , julgue os seguintes itens. 1) O ato discricionário não escapa do controle efetuado pelo Poder Judiciário. 2) A discricionariedade administrativa decorre da ausência de legislação que discipline o ato. Assim, não existindo proibição legal, poderá o administrador praticar o ato discricionário. 3) Um ato discricionário deverá se anulado quando praticado por agente incompetente. 4) Ao Poder Judiciário somente é dado revogar o ato vinculado. 5) O ato revocatório desconstitui o ato revogado com eficácia ex nunc. 7 - (CESPE/PROCURADOR/INSS/98) Classifique cada item em certo ou errado: Julgue os itens a seguir, com relação ao abuso do poder administrativo e à invalidação dos atos administrativos. 1) O ordenamento jurídico investe o cidadão de meios para desencadear o controle externo da omissão abusiva de um administrador público. Não há, porém, previsão legal específica que autorize um cidadão a suscitar o controle da omissão pela própria administração. 2) Em consonância com as construções doutrinárias acerca do uso e do abuso do poder administrativo, a lei considera que o gestor público age com excesso de poder quando pratica o ato administrativo visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. 3) Para as partes envolvidas, os efeitos da anulação de um ato administrativo retroagem à data da prática do ato ilegal. Apesar da anulação, porém, admite-se a produção de efeitos em relação a terceiros de boa-fé, podendo o ato anulado ensejar, por exemplo, uma eventual reparação de danos. 4) A ação popular e o mandado de segurança são instrumentos processuais adequados à eventual invalidação de atos administrativos discricionários. 5) A revogação do ato administrativo é ato privativo da administração pública, haja vista decorrer de motivos de conveniência ou oportunidade. Como corolário, é correto afirmar, então, que o Poder Judiciário jamais poderá revogar um ato administrativo. 8 - (CESPE/FISCAL INSS/97) Classifique cada item em certo ou errado. Julgue os itens abaixo quanto aos atos administrativos. 1) Caso exista norma jurídica válida, prevendo que o atraso no recolhimento de contribuição previdenciária enseja multa de 5% calculada sobre o valor devido, a aplicação desse dispositivo legal será definida como atividade discricionária. 2) Segundo a lei e a doutrina majoritária, motivo, forma, finalidade, competência e objeto integram o ato administrativo. 3) No direito brasileiro, atos administrativos válidos podem ser revogados. 4) Mesmo que ditada pelo interesse público, a revogação de um ato administrativo que afete a relação jurídica mantida entre o Estado e um particular pode gerar o dever de o primeiro indenizar o segundo. 5) Não cabe ao Judiciário indagar do objeto visado pelo agente público ao praticar determinado ato, se verificar que o administrador atuou nos limites de sua competência. 9 - (CESPE/FISCAL INSS/97) Classifique cada item em certo ou errado: Ainda acerca dos atos administrativos, julgue os seguintes itens. 1) Em linha de princípio, o agente público carente de competência para a pratica de um certo ato pode substituir o agente competente para tanto, desde que ambos pertençam ao mesmo órgão ao qual está afeto o conteúdo do ato a ser praticado. 2) Em razão do princípio constitucional da legalidade, a administração pública pode, unilateralmente – isto é, sem ouvir o particular -, editar o ato administrativo II para revogar o ato administrativo I, que reconheceu ao administrado o preenchimento das condições para exercer um direito subjetivo, caso constate a ilicitude do ato . 3) Ao Judiciário somente é dado anular atos administrativos, não podendo revogá-los. 4) Um ato administrativo será válido se preencher todos os requisitos jurídicos para a sua prática, nada importando considerações morais a respeito do seu conteúdo. 5) Sendo o ato administrativo legal, porém inconveniente ou inoportuno, à administração pública é dado anulá-lo. 10 - (ESAF/AGU/98) Quando a valoração da conveniência e oportunidade fica ao talante da Administração, para decidir sobre a prática de determinado ato, isto consubstancia na sua essência: a) a sua eficácia; b) a sua executoriedade; c) a sua motivação; d) o poder vinculado; e) o mérito administrativo. 11 - (ESAF/AGU/98) A nomeação de ministro do Superior Tribunal de Justiça, porque a escolha está sujeita a uma lista tríplice e aprovação pelo Senado Federal, contando assim com a participação de órgãos independentes entre si, configura a hipótese específica de um ato administrativo: a) complexo; b) composto; c)bilateral; d) discricionário; e) multilateral. 12 - (ESAF/AGU/98) O ato administrativo, a que falte um dos elementos essenciais de validade, a) é considerado inexistente, independente de qualquer decisão administrativa ou judicial b) goza da presunção de legalidade, até decisão em contrário c) deve por isso ser revogado pela própria Administração d) só pode ser anulado por decisão judicial e) não pode ser anulado pela própria Administração 13 - (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) Quanto à extinção do ato administrativo, é correto afirmar: a) é factível a convalidação de todo ato administrativo b) os efeitos da revogação retroagem à data inicial de validade do ato revogado c) a caducidade do ato ocorre por razões de ilegalidade d) a anulação pode-se dar por ato administrativo ou judicial e) oportunidade e conveniência justificam a cassação do ato administrativo 14 - (DEL. POL. MT/2000) - Julgue os itens a seguir e assinale a alternativa correta: I - O poder vinculado é aquele que a lei confere à Administração Pública para a prática de ato de sua competência, determinando os elementos e requisitos necessários à sua formalização. Não há falar, aqui, em conveniência ou oportunidade para a atuação administrativa. II - A autoridade administrativa, mesmo no exercício do poder discricionário, estará sempre subordinada à finalidade expressa em lei para a prática do ato. III - O ato discricionário é imune à apreciação judicial, pois a lei confere à autoridade administrativa que o pratica ampla liberdade na escolha de sua conveniência, oportunidade e conteúdo. a) Todos os itens estão corretos. b) Todos os itens estão incorretos. c) Apenas os itens I e II estão corretos. d) Apenas os itens I e III estão corretos. e) Apenas os itens II e III estão corretos. 15 - (DEL. POL. MT/2000) - Assinale a alternativa incorreta: a) Quanto à formação, o ato administrativo é simples quando resulta da manifestação de vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado. b) Quanto à formação, o ato administrativo é complexo quando resulta da vontade única de um órgão, mas depende da verificação por parte de outro, para se tornar exeqüível. c) Quanto ao conteúdo, o ato administrativo é modificativo quando tem por finalidade alterar situações preexistentes, sem suprimir direitos ou obrigações. d) Quanto ao conteúdo, o ato administrativo é desconstitutivo quando põe termo a situações jurídicas individuais. e) Quanto aos efeitos, diz-se ato administrativo de constatação aquele pelo qual a Administração verifica e proclama uma situação fática ou jurídica ocorrente. 16 - (DEL. POL. MT/2000) - Sobre os atributos do ato administrativo não é correto afirmar: a) A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que, ainda não anulados, sejam argüidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidade. b) Sendo seu atributo, todos os atos administrativos têm imperatividade. c) A presunção de legitimidade transfere o ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. d) A auto-executoriedade dos atos administrativos consiste na possibilidade de serem imediata e diretamente executados pela própria Administração, independentemente de ordem judicial. e) A presunção de legitimidade não impede a sustação dos efeitos do ato administrativo através de recursos internos ou mesmo de mandado de segurança. 17 - (DEL. POL. MT/2000) - Quanto ao conteúdo, a venda de um bem da administração é um ato: a) constitutivo. b) declaratório. c) modificativo. d) alienativo. e) desconstitutivo. 18 - (JUIZ SP/1997) - Atos vinculados ou regrados da Administração Pública significam: a) obrigação de distribuir e escalonar funções correlatas. b) obrigação estabelecer relação de subordinação entre as diversas categorias de servidores públicos. c) obrigação de avocar funções específicas originariamente atribuídas a um subordinado. d) obrigação do agente público de ficar inteiramente preso ao enunciado da lei. 19 - (JUIZ SP/1997) - Incompetência é um defeito ou vício do ato administrativo, que ocorre: a) na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. b) no ato que não se inclui nas atribuições legais do agente que o pratica. c) nos casos em que o resultado pretendido pelo ato importa violação da Constituição, da lei ou de outro preceito. d) nos casos em que a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido. 20 - (JUIZ SP/1998) Em relação à invalidação dos atos administrativos pode-se dizer que: I) no caso de ilegalidade do ato, a própria Administração pode anulá-lo; II) ocorrendo revogação de ato administrativo, são válidos os efeitos por ele produzidos até o momento de sua revogação; III) o Poder Judiciário pode revogar atos praticados pela Administração. São corretas a) apenas as afirmativas I e II. b) apenas as afirmativas I e III. c) apenas as afirmativas II e III. d) todas as afirmativas. 21 - (JUIZ SP/1998) - Pedido de anulação ou modificação do ato administrativo, dirigido à autoridade superior dentro do mesmo órgão em que foi praticado o ato, constitui: a) pedido de reconsideração. b) representação. c) recurso hierárquico impróprio. d) recurso hierárquico próprio. 22 - (MP SP 1997) - Admitindo-se o critério de classificação dos atos administrativos entre discricionários e vinculados, assinale a alternativa que contém somente atos vinculados: a) autorização para porte de arma e admissão b) licença para construir e autorização para porte de arma c) admissão e licença para construir d) admissão e aprovação e) autorização para porte de arma e aprovação 23 - (TRT) - A anulação do ato administrativo se dá em razão de: a) ilegalidade, produzindo efeito ex tunc; b) inconveniência, produzindo efeito ex nunc; c) ilegalidade, produzindo efeito ex nunc; d) inconveniência, produzindo efeito ex tunc; e) inoportunidade, produzindo efeito ex tunc. 24 - (ANAL. JUD. TJDF/1997) – A Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, realizou inspeção em abatedouro de bovinos para comércio interestadual, descobrindo graves irregularidades em suas condições de higiene. Ante o quadro do local e cumpridos os procedimentos legais, a autoridade administrativa decidiu interditar o estabelecimento, independentemente de ordem judicial, até a sanação das deficiências. Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, o atributo que caracteriza esse ato administrativo de interdição é: a) a executoriedade; b) a imperatividade; c) a exigibilidade; d) a presunção da verdade; e) o poder de polícia. 25 - (OF. DE JUST.- TJDF/99) – Em relação aos atos administrativos, julgue os itens a seguir: I. Todos os atos administrativos são passíveis de revogação. II. Em certos casos, atos juridicamente nulos podem provocar efeitos e estes serem preservados mesmo em caso de o ato vir a ser anulado. III. Certos requisitos dos atos administrativos independem da vontade da autoridade administrativa, mesmo em se tratando de atos praticados no exercício de poder discricionário. IV. Tanto a administração quanto o Poder Judiciário podem invalidar ato administrativo contrário á lei. V. O cidadão pode, em certos casos, provocar o Poder Judiciário com o objetivo de conseguir a invalidação de ato administrativo, mesmo que não tenha sido parte da relação jurídica que gerou o ato. A quantidade de itens certos é igual a: a) 1 b) 2 c) 3 d) 4 e) 5 26 - (PROC. BC/1997) - Em relação aos atos administrativos, julgue os itens abaixo: 1) A auto-executoriedade é o atributo pelo qual os atos administrativos impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. 2) A revogação do ato administrativo pode ser realizada, excepcionalmente, pelo Estado-Juiz, tendo em vista o acolhimento no ordenamento jurídico pátrio, da teoria dos motivos determinantes. 3) Considerando a classificação dosatos administrativos, quanto ao aspecto de sua formação, em simples, complexo ou compostos, segundo o Prof. Hely Lopes Meirelles, é correto afirmar que a nomeação do Presidente do BACEN caracteriza um exemplo de ato complexo. 4) A decretação de nulidade do ato administrativo produz efeitos ex tunc. 5) Os atos de gestão são os praticados pela administração com todas as prerrogativas e privilégios de autoridade e impostos unilateral e coercitivamente ao particular, independentemente de autorização judicial, sendo regidos por um direito especial, exorbitante do direito comum. 27 - (PROC. BC/1997) - Julgue os seguintes itens, a respeito do controle jurisdicional dos atos administrativos: 1) Além dos controles administrativo e legislativo, o administração público sujeita-se ao controle jurisdicional, que consiste no exame da legalidade dos atos e das atividades administrativas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário por órgão dotado do poder de solucionar, em caráter definitivo, os conflitos de direito que lhe são submetidos. Tal controle é, portanto, externo, provocado e indireto. 2) A doutrina costuma distinguir, em síntese, três sistemas de controle jurisdicional: o sistema de administração-juiz, o sistema de jurisdição única e o sistema de jurisdição dual. Todavia, nos tempos atuais, somente vigoram os dois últimos. O sistema de jurisdição única teve sua origem na Inglaterra e foi adotado pelo ordenamento jurídico pátrio. O sistema de jurisdição dual, também chamado de sistema do contencioso administrativo, nasceu na França e é hoje acolhido na Itália, na Alemanha e no Uruguai, entre outros países. 3) Considere-se que certo cidadão ajuizou a ação popular contra o BACEN, seus dirigentes e a instituição bancária Y, sob o argumento de que determinada medida administrativa praticada beneficiou a aludida pessoa jurídica de direito privado, de forma ilegal e lesiva ao patrimônio público, e que, após as devidas citações, o autor popular abandonou o feito: além disso, publicados os editais necessários, nenhum outro cidadão manifestou interesse no prosseguimento da ação. Diante de tais circunstâncias, o Ministério Público Federal não poderá promover o prosseguimento da demanda, pois a ação popular é instrumento de controle jurisdicional privado do cidadão. 4) O ajuizamento de ação civil pública pelo Ministério Público Federal pressupõe, necessariamente, a instauração e a conclusão do respectivo inquérito civil. 5) O mandado de injunção é ação civil constitucional de natureza mandamental, impetrável apenas por cidadãos que tiverem inviabilizado o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e a cidadania, por falta de norma reguladora de sua fruição. 28 - (MP MG/1998) - Enquanto não for decretada a invalidade, o ato administrativo nulo pode ser executado em razão: a) da necessidade de assegurar direitos de terceiros; b) da presunção de veracidade; c) da presunção de legitimidade; d) da autorização legislativa; e) do atributo da imperatividade. 29 - (MP MG/1998) - Assinale a alternativa incorreta: a) atos de império ou de autoridade são todos aqueles que a Administração pratica usando de sua supremacia sobre o administrado ou servidor e lhes impõe obrigatório atendimento; b) atos de gestão são os que a Administração pratica sem usar de sua supremacia sobre os destinatários; c) atos de expediente são atos de rotina interna, sem caráter vinculante e sem forma especial; d) atos administrativos gerais ou regulamentares são aqueles expedidos com destinatários determinados sem finalidade normativa; e) tratando-se de atos vinculados, impõe-se à Administração o dever de motivá-los. 30 - (MP SP/1998) - A revogação do ato administrativo, editado pelo Poder Executivo, pode ser feita: a) pelo Poder Executivo e pelo Poder Legislativo, por ilegalidade ou conveniência, respectivamente, no último caso obedecido o quorum regimental; b) pelo Poder Judiciário, em decorrência de ilegalidade comprovada; c) Pelo Poder Executivo e pelo Poder Judiciário, em decorrência de ilegalidade comprovada; d) Pelo Poder Legislativo, apenas por razões de oportunidade e sempre obedecido o quorum regimental; e) Pelo Poder Executivo, que editou o ato, por razões de conveniência e oportunidade. 31 - (TRF - TÉCNICO/200 - ESAF) - O mérito, como critério subjetivo, para a autoridade pública escolher um determinado comportamento previsto em lei e praticar o ato administrativo correspondente, diz respeito ao juízo de valor sobre: a) moralidade e legitimidade; b) legitimidade e legalidade; c) economicidade e eficiência; d) conveniência e oportunidade; e) eficiência e eficácia. 32 - (DEL. PC/SP 1998) - O ato administrativo que supre vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que foi praticado, denomina-se: a) invalidação. b) retificação. c) convalidação. d) conversão. 33 - (DEL. PC/SP 1998) - O ato revogador de um ato administrativo tem natureza: a) declaratória. b) constitutiva. c) negativa. d) extintiva. 34 - (DEL. PC/SP 1999) - A oportunidade e a conveniência em relação ao ato administrativo, subsumem-se: a) no mérito e ensejam anulação. b) no motivo e ensejam anulação. c) na forma e ensejam revogação. d) no mérito e ensejam revogação. 35 - (JUIZ/SP) - Em face de ato administrativo expedido no exercício de competência discricionária, o controle pelo Judiciário, quando provocado, a) é restrito aos aspectos de competência e formalidade. b) é restrito aos aspectos de legalidade do ato. c) é cabível sem quaisquer restrições. d) é incabível pela insindicabilidade do ato discricionário. 36 - (PROC./GO) - Acerca da extinção dos atos administrativos, é incorreto dizer: a) Atos administrativos ineficazes admitem revogação. b) Atos administrativos ineficazes não podem ser anulados. c) Atos administrativos ilegítimos podem ser anulados tanto pela Administração Pública, quanto pelo Poder Judiciário. d) Atos administrativos nulos jamais podem ser convalidados. 37 - (PROC./GO) - Tendo em vista a Teoria dos Motivos Determinantes, é possível afirmar: a) Todos os atos administrativos devem ser motivados. b) Os atos administrativos deverão apresentar motivação apenas quando expressamente exigida por lei. c) Exigindo a lei a motivação, nulo será o ato que apresentar motivos falsos. d) Mesmo quando não exigida por lei a motivação, uma vez motivado o ato, este só será válido se os motivos apontados forem verdadeiros e o justificarem. 38 - (JUIZ/DF) - Os órgãos públicos são, no dizer de Hely Lopes Meirelles, “centros de competência, instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja autuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem”. Considerando a assertiva feita, pode-se afirmar que: a) adota o autor uma teoria mista, unindo os conceitos alusivos às teorias da representação e do mandato. b) acolhe o autor a teoria do órgão, que considera o agente como representante da pessoa, à semelhança do tutor e do curador dos incapazes. c) faz o autor opção pela teoria do mandato, que considera o agente como mandatário da pessoa jurídica, investido que se acha do uso de poder de delegado. d) adota o autor, em linhas gerais, a teoria do órgão, formulada por Oto Gierke, afirmando que, embora despersonalizado, os órgãos podem manter relações funcionais entre si e com terceiros. 39 - (JUIZ/DF) - O governo e a Administração Pública, como criações abstratas do sistema legal, desempenham suas funções: a) apenas e exclusivamente através de seus agentes, que são pessoas físicas ou jurídicas, integrados à sua estrutura legal. b) por meio de delegação aos entes de direito público que compõem a estrutura de federação. c) através de suas entidades, de seus órgãos e de seus agentes. d) apenas através dos agentes políticos eleitos para os altos cargos de sua estrutura administrativa, já que a este incumbe formular os planos e as metas a alcançar. 40 - (JUIZ/DF) - A finalidade do atoadministrativo deve ser sempre o interesse público, constituindo o seu desvio abuso de poder. Dessa forma: a) é ilícito conjugar nos atos administrativos negociais e nos contrato públicos o interesse público com o de particulares, ainda que coincidentes. b) é lícito conjugar nos atos administrativos negociais e nos contratos públicos o interesse público com o de particulares, ainda que coincidentes. c) ambas as preposições estão erradas. d) está correta porque o lucro da administração deve ocorrer sempre. 41 - (JUIZ/DF) - Assinale a alternativa correta: a) os atos administrativo podem ser tidos como legítimos desde sua expedição, mas, em regra, apenas se tornam eficazes e vinculativos para a administração após a necessária e correspondente confirmação pela autoridade competente. b) a presunção de legitimidade que milita em favor dos atos administrativos autoriza, de logo, a sua imediata execução ou operatividade, mesmo que argüidos de vícios ou defeitos que os levam à invalidade. c) a invalidação dos atos administrativos apenas pode surtir plenos efeitos quando vier a ser determinada judicialmente. d) o atributo da imperatividade, embora decorrente diretamente da existência do ato administrativo, não autoriza, de imediato, o seu cumprimento. 42 - (MP/DF) - Ao ato administrativo que cria nova situação jurídica individual para seus destinatários em relação à administração pública, dá-se o nome de: a) ato administrativo declaratório. b) ato administrativo modificatório. c) ato administrativo alienatório. d) ato administrativo constitutivo. e) ato administrativo extensivo. 43 - (JUIZ/DF) - Assinale a alternativa correta: a) Há de se ter como arbitrário e abusivo o ato administrativo praticado com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e do modo de sua realização. b) São puramente discricionários os atos praticados pelo administrador usando de sua supremacia sobre os administrados ou servidores e lhes impondo obrigatório atendimento. c) Em relação a determinada espécie de ato administrativo recaem determinadas imposições legais que absorvem, quase por completo, a liberdade do administrador, restringindo a sua ação ao atendimento dos pressupostos estabelecidos pela norma para a validade da atividade administrativa. d) Compreende-se como ato complexo o que resulta da vontade única de um órgão, mas depende de verificação por parte de outro para se tornar exquivel. 44 - (MP/DF) - Um ato administrativo para cuja prática se exige a conjugação de vontades de mais de um órgão da administração denomina-se: a) ato administrativo conjunto. b) ato administrativo misto. c) ato administrativo vinculado. d) ato administrativo múltiplo. e) ato administrativo complexo. 45 - (MP/DF) - Quando o agente administrativo, no uso de competência de natureza discricionária, declara a motivação que justifica o ato administrativo que houver baixado: a) esse ato continua discricionário. b) a validade desse ato passa depender da existência do motivo declarado. c) tal declaração constitui mero arbítrio do agente administrativo. d) o eventual prejudicado não poderá argüir, em juízo, a invalidade deste ato, ainda que demonstre a inexistência do motivo declarado. e) o prejudicado não pode argüir, perante a administração, a invalidade deste ato, ainda que demonstre a inexistência do motivo declarado. 46 - (MPDFT/19º CONCURSO) A investidura de Desembargador, provindo do Ministério Público, resulta de ato administrativo: a) Declaratório. b) Composto. c) Complexo. d) Simples. e) Restritivo. 47 - (MPDFT/20º CONCURSO) Ao ato administrativo, cuja prática dependa da vontade de um órgão da administração, mas cuja exequibilidade dependa da verificação de outro órgão, dá-se o nome de: a) Ato administrativo complexo. b) Ato administrativo múltiplo. c) Ato administrativo vinculado. d) Ato administrativo composto. 48 - (MPDFT/21º CONCURSO) O ato administrativo que cria nova situação jurídica individual para seus destinatários em relação à administração, chama-se: a) Alienativo. b) Modificativo. c) Constitutivo. d) Declaratório. 49 - (MPDFT/20º CONCURSO) A Sanção administrativa: a) Só pode ser cumulada com a pena privativa de liberdade. b) Só pode ser cumulada com a imposição de perdas e danos, de natureza civil. c) Não pode ser cumulada com qualquer outra sanção. d) Pode ser cumulada com sanção penal e com sanção civil. 50 - (JUIZ SUBSTITUTO TJDF/2001) A exigência imposta por lei municipal, determinadora de recuo de certo número de metros na construção a ser levantada em terreno urbano, constitui: a) servidão predial. b) limitação administrativa. c) desapropriação parcial do terreno. d) servidão administrativa. 51 - (JUIZ SUBSTITUTO TJDF/2001)Assinale a afirmativa incorreta: a) a invalidação deve ocorrer sempre que haja vício no ato administrativo. b) a revogação e a cassação do ato administrativo são termos sinônimos. c) o ato administrativo pode extinguir-se por decurso de prazo. d) o ato administrativo pode ser dotado de auto-executoriedade. 52 - (UnB/CESPE – DPU-2001) Julgue os itens abaixo, relativos ao ato administrativo. I - O ato administrativo que decide o processo administrativo, de qualquer natureza ou tipo, deve ser, obrigatoriamente, motivado. II - É factível, por ato judicial, a convalidação de ato administrativo que apresente vício sanável, desde que não ocorra lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. III - Decreto e regulamento são expressões sinônimas: nomeiam duas espécies de ato administrativo que têm a mesma natureza e o mesmo significado. IV - O atributo de auto-executoriedade do ato administrativo decorre do princípio da supremacia do interesse público, típico do regime jurídico administrativo. V - A discricionariedade decorre, muitas vezes, da adoção pelo legislador de conceitos jurídicos indeterminados, que permitem ao administrador, no caso concreto, construir a solução adequada ao interesse público. 53 - (AGU/1998) O ato administrativo, a que falte um dos elementos essenciais de validade, a) é considerado inexistente, independente de qualquer decisão administrativa ou judicial b) goza da presunção de legalidade, até decisão em contrário c) deve por isso ser revogado pela própria Administração d) só pode ser anulado por decisão judicial e) não pode ser anulado pela própria Administração 54 - (PROCURADOR AUTÁRQUICO/INSS/99) A respeito da teoria dos atos administrativos, julgue os seguintes itens. a) Os atos administrativos são dotados de presunção de legitimidade e veracidade, o que significa que há presunção relativa de que emitidos com observância da lei e que de que os fatos alegados pela administração são verdadeiros. b) Imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. c) Os atos administrativos só são dotados de auto-executoriedade nas hipóteses previstas expressamente em lei. d) A presunção de legitimidade dos atos legislativos não impede que o cidadão possa opor-se aos mesmos. e) A motivação de um ato administrativo deve completar a exposição dos motivos de fato e de direito, ou seja, a regra de direito habilitante e os fatos em que o agente se estribou para decidir. 55 - (PROCURADOR AUTÁRQUICO/INSS/99) Com base na teoria e na legislação que tratam da revogação e da invalidade dos atos administrativos, julgue os itens abaixo. a) Os atos administrativos vinculados podem ser revogados a partir de critério de oportunidade e de conveniência. b) A administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. c) O ato administrativo pode ser invalidade sempre que a matéria de fato ou de direito em que se fundamentar o ato for materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido. d) O direito da administração de anular os atos administrativos de que decorramefeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que forma praticados, salvo comprovada má-fé. e) Os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria administração em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. 56 - (TJDFT/JUIZ SUBSTITUTO/JUNHO/2003) Assinale a alternativa incorreta. Ocorrerá vício em relação ao objeto quando o ato administrativo for: a) Proibido por lei. b) Incerto em relação aos destinatários, à coisa, ao tempo, ao lugar. c) Impossível, porque os efeitos pretendidos são irrealizáveis, de fato ou de direito. d) Se for inocorrente o motivo em que se apoiou o ato. 57 - (TJDFT/JUIZ SUBSTITUTO/JUNHO/2003) Entre os atributos do ato administrativo não se inclui: a) Privilège du préalable. b) Presunção de legitimidade. c) Presunção de imperatividade. d) Tipicidade, como decorrência do princípio da legalidade. 58 - (20º CONCURSO/PROCURADOR DA REPÚBLICA/2003) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA a) ato administrativo discricionário é aquele em que o poder de agir da Administração é completamente livre, inclusive no que diz respeito à competência para a prática do ato; b) o mérito do ato administrativo, assim entendido como aspecto deste referente à sua oportunidade e conveniência, está sempre presente, tanto nos atos vinculados, quanto nos discricionários; c) o mérito do ato administrativo, tal como conceituado no item “b” acima, pode, em qualquer caso, ser amplamente revisto pelo Poder Judiciário; d) o deferimento da licença para tratar de interesses particulares, prevista no Estatuto do Ministério Público Federal, não é ato vinculado. 59 – (Procurador do DF/2004) - O ato administrativo: a) pode ser anulado pela Administração, por motivo de conveniência, a qualquer tempo. b) só pode ser anulado por meio de ação popular. c) pode ser anulado, no prazo de cinco anos, quando viciado por ilegalidade. d) pode ser revogado, em cinco anos, sem que as partes possam invocar direito adquirido. e) uma vez praticado, não pode ser revogado. 60 – (CESPE-2002/ADVOGADO DA UNIÃO) O ato administrativo é um ato jurídico, pois se trata de uma declaração que produz efeitos jurídicos. Sendo ato jurídico, aloca-se dentro do gênero fato jurídico. Este se define como qualquer acontecimento a que o direito imputa e enquanto imputa efeitos jurídicos. O fato jurídico, portanto, pode ser um evento material ou uma conduta humana, voluntária ou involuntária, preordenada ou não a interferir na ordem jurídica. Basta que o sistema normativo lhe atribua efeitos de direito para qualificar-se como um fato jurídico. Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de direito administrativo. 14.a ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 333 (com adaptações). Em relação ao ato e ao contrato administrativo, julgue os itens seguintes. a) Considere a seguinte situação hipotética. Um indivíduo inscreveu-se em concurso público utilizando documentos falsificados, pois não preenchia os requisitos legais para a inscrição. Como a falsificação não foi descoberta, o criminoso logrou aprovação, nomeação e posse no cargo público. Entrou em exercício e praticou diversos atos, que produziram os efeitos a que se destinavam, até o funcionário ser descoberto, meses depois, quando, após o devido processo legal, tais atos foram anulados. Nessa situação, os atos administrativos derivados da inscrição do candidato, até a descoberta da falsidade, foram inválidos, mas eficazes. b) O ato de nomeação de duzentos candidatos aprovados em concurso público é juridicamente classificado como ato administrativo individual, embora plural (ou plúrimo). c) Se determinado indivíduo se inscreve em concurso vestibular para ingresso em instituição federal de ensino superior e vem a ser aprovado, o ato que o admite no corpo discente da instituição é de natureza vinculada; por outro lado, mesmo os atos administrativos discricionários podem ser avaliados, em certos aspectos, pelo Poder Judiciário. d) A revogação dos atos administrativos aplica-se àqueles que sejam válidos, mas que a administração considere não mais cumprirem o interesse público; não cabe, portanto, revogação de ato administrativo inválido; de outra parte, é perfeitamente admissível a revogação parcial de ato administrativo, se a parte não revogada for subsistente por si mesma. e) São contratos administrativos todos os contratos do poder público com particular, seja pessoa física ou jurídica, para o atingimento de interesse público e sujeitos à legislação em vigor. 61 – (TRF 1ª REGIÃO) Discricionariedade, coercitividade e auto- executoriedade podem ser apontadas como: a) elementos do ato administrativo em geral b) pré- requisito dos atos vinculados c) atributos do poder de polícia d) pré condições dos atos discricionários. 62 – (TRF 1ª REGIÃO) Ao pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento ao ato administrativo denomina-se: a) finalidade b) motivo c) forma d) condição 63 (TRF 1ª REGIÃO) Ao poder Judiciário é dado: a) controlar o ato discricionário quanto aos aspectos de competência, forma e finalidade. b) revogar o ato administrativo c) apreciar, em face de prioridade, a conveniência e a oportunidade do ato administrativo d) apreciar apenas os atos vinculados 64. (DELEGADO/PCDF) Em relação aos elementos constitutivos do ato administrativo, é correto afirmar que: a) a competência é o elemento do ato administrativo em que pode ser encontrado maior discricionariedade para a Administração Pública; b) o elemento motivo também é chamado de motivação; c) os atos administrativos, como regra, podem ser praticados de uma forma livre, desde que a lei não exija determinada solenidade como sendo essencial; d) o elemento motivo corresponde às razões de fato e de direito que servem de fundamento para o ato administrativo; e) o vício de competência não admite qualquer tipo de sanatória. 65. (DELEGADO/PCDF) O ato administrativo motivado poderá ser controlado através da verificação da compatibilidade das razões de fato apresentadas pela Administração Pública com a realidade e das razões de direito com a lei. O fundamento para o controle do ato administrativo na hipótese acima retratada é: a) teoria dos motivos determinantes; b) principio da razoabilidade; c) principio da discricionariedade; d) conceitos legais indeterminados; e) desvio de poder. 66. (DELEGADO/PCDF) Sobre as diversas formas de extinção e controle de um ato administrativo, analise as afirmativas: I - Denomina-se contraposição a extinção de um ato administrativo em razão da prática de um novo ato com efeitos opostos ao ato anterior. II - Como regra, todos os tipos de atos administrativos, vinculados ou discricionários, admitem revogação por critérios de conveniência e oportunidade. III - O Tribunal de Contas, no âmbito de sua atuação, pode controlar atos administrativos praticados por outro Poder. É/são afirmativa(s) verdadeira(s) somente: a) I e II; b) I e III; c) II e III; d) I, II e III; e) nenhuma. 67. (DELEGADO/PCDF) Em relação ao controle judicial do ato administrativo, analise as afirmativas a seguir: I - O Poder Judiciário não pode controlar o uso correto da discricionariedade administrativa. II - O controle judicial dos atos administrativos praticados pelo Poder Executivo pode ser exercido de ofício ou mediante provocação do interessado. III - Quando houver na lei a previsão de recurso administrativo, a parte interessada somente poderá acionar o Poder Judiciário após o prévio esgotamento da esfera administrativa. É/são afirmativa(s) verdadeira(s) somente: a) I; b) II; c) III; d) I e II; e) nenhuma. Quantos a atos administrativos, licitação e contratos administrativos. Julgue os itens a seguir: 68. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) Enquanto os atos administrativos são passiveis de anulação e revogação de acordo com a ordem jurídica, os fatos da administração gozam de presunção de legitimidade e se enquadram nos ditames da discricionariedade. 69. (ANAL. JUD./ÁREAJUD./STJ) O motivo e a motivação do ato administrativo são o móvel ou a intenção do agente que praticou o ato subjetivo e internamente . 70. (PROCURADOR DO DF) O ato administrativo: a) pode ser anulado pela Administração, por motivo de conveniência, a qualquer tempo. b) só pode ser anulado por meio de ação popular. c) pode ser anulado, no prazo de cinco anos, quando viciado por ilegalidade. d) pode ser revogado, em cinco anos, sem que as partes possam invocar direito adquirido. e) uma vez praticado, não pode ser revogado. 71. (TRF/1ª REG) Discricionariedade, coercitividade e auto- executoriedade podem ser apontadas como: a) elementos do ato administrativo em geral b) pré-requisito dos atos vinculados c) atributos do poder de polícia d) pré condições dos atos discricionários. 72. (TRF/1ª REG.) Ao pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento ao ato administrativo denomina-se: a) finalidade b) motivo c) forma d) condição 73. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) O ato administrativo é um ato jurídico, pois se trata de uma declaração que produz efeitos jurídicos. Sendo ato jurídico, aloca-se dentro do gênero fato jurídico. Este se define como qualquer acontecimento a que o direito imputa e enquanto imputa efeitos jurídicos. O fato jurídico, portanto, pode ser um evento material ou uma conduta humana, voluntária ou involuntária, preordenada ou não a interferir na ordem jurídica. Basta que o sistema normativo lhe atribua efeitos de direito para qualificar-se como um fato jurídico. Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de direito administrativo. 14.a ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 333 (com adaptações). Em relação ao ato e ao contrato administrativo, julgue os itens seguintes. 1. Considere a seguinte situação hipotética. Um indivíduo inscreveu-se em concurso público utilizando documentos falsificados, pois não preenchia os requisitos legais para a inscrição. Como a falsificação não foi descoberta, o criminoso logrou aprovação, nomeação e posse no cargo público. Entrou em exercício e praticou diversos atos, que produziram os efeitos a que se destinavam, até o funcionário ser descoberto, meses depois, quando, após o devido processo legal, tais atos foram anulados. Nessa situação, os atos administrativos derivados da inscrição do candidato, até a descoberta da falsidade, foram inválidos, mas eficazes. 2. O ato de nomeação de duzentos candidatos aprovados em concurso público é juridicamente classificado como ato administrativo individual, embora plural (ou plúrimo). 3. Se determinado indivíduo se inscreve em concurso vestibular para ingresso em instituição federal de ensino superior e vem a ser aprovado, o ato que o admite no corpo discente da instituição é de natureza vinculada; por outro lado, mesmo os atos administrativos discricionários podem ser avaliados, em certos aspectos, pelo Poder Judiciário. 4. A revogação dos atos administrativos aplica-se àqueles que sejam válidos, mas que a administração considere não mais cumprirem o interesse público; não cabe, portanto, revogação de ato administrativo inválido; de outra parte, é perfeitamente admissível a revogação parcial de ato administrativo, se a parte não revogada for subsistente por si mesma. 5. São contratos administrativos todos os contratos do poder público com particular, seja pessoa física ou jurídica, para o atingimento de interesse público e sujeitos à legislação em vigor. Julgue os itens seguintes: 74. (PGAM) A doutrina diferencia atos da administração de atos administrativos, que se distinguem, entre outras razões, pelo fato de os primeiros poderem ser praticados por qualquer órgão do Estado, ao passo que os últimos ocorrem unicamente no âmbito do Poder Executivo. 75. (PGAM) É majoritário na doutrina o entendimento de ser legítimo o controle, pelo Poder Judiciário, em certa extensão, do ato administrativo praticado no exercício do poder discricionário; algumas das teorias que possibilitam esse controle são a do desvio de poder e a dos motivos determinantes; além disso, pode o juiz examinar até se o próprio exercício da discricionariedade administrativa se manteve nos limites juridicamente admissíveis. 76. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) Os fatos administrativos voluntários se materializam ou por meio de atos administrativos que exprimam a manifestação da vontade do administrador ou por meio de condutas administrativas, as quais não são obrigatoriamente precedidas de um ato administrativo formal; por sua vez, os fatos administrativos naturais originam-se de fenômenos da natureza com reflexos na órbita administrativa. Com relação aos atos administrativos, julgue os itens seguintes. 77. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) Os atos administrativos da administração pública federal dotados de auto-executoriedade e praticados por ministro de Estado, após o devido processo administrativo em que tenham sido assegurados ao administrado o contraditório e a ampla defesa, ainda que possam causar sérios gravames aos indivíduos, não poderão ser objeto de concessão de liminar em medida cautelar inominada proposta perante juiz de primeiro grau federal. 78. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) Nos atos discricionários, cabe à administração pública a valoração dos motivos e do objeto quanto à sua oportunidade, conveniência, eficiência e justiça. 79. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) Os atos emanados de órgãos colegiados são atos complexos, porque, para a sua formação, concorrem vontades autônomas dos membros do colegiado. 80. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) Segundo os defensores da teoria monista das nulidades dos atos administrativos, todo ato administrativo ilegal é nulo, não existindo a hipótese, no âmbito do direito administrativo, de o ato administrativo ser anulável, uma vez que isso implicaria, no caso de sua não-anulação, a manutenção da validade de atos ilegais. 81. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) No plano federal, a lei admite a convalidação de atos inexistentes, desde que se evidencie que não acarretam lesão a interesse público nem prejuízo a terceiros. 82. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) Enquanto os atos administrativos são passíveis de anulação e revogação, de acordo com a ordem jurídica, os fatos da administração gozam de presunção de legitimidade e se enquadram nos ditames da discricionariedade. 83. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) O motivo e a motivação do ato administrativo são o móvel ou a intenção do agente que praticou o ato subjetivo e internamente. Julgue os itens a seguir, com referência ao ato administrativo. 84. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) Há na doutrina quem aponte como atributos do ato administrativo, entre outros, a exigibilidade e a executoriedade (também chamada de auto-executoriedade). Contudo, segundo a própria doutrina, ambas significam o mesmo, isto é, a capacidade de a administração pública, por si mesma, compelir materialmente o administrado à execução do ato. 85. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) A anulação e a revogação do ato administrativo não são as únicas causas possíveis para a extinção dele. A realização total dos efeitos do ato, o implemento de condição resolutiva e o desaparecimento do sujeito ou do objeto do ato também o são. 86. (PAPILOSCOPISTA/DPF) Autorização é uma espécie de ato administrativo que se baseia no poder de polícia do Estado. É ato unilateral, discricionário e precário pelo qual a administração faculta ao particular o uso privativo de bem público, ou o desempenho de atividade material, ou a prática de ato que, sem esse consentimento, seria legalmente proibido, e cujo exemplo clássico é o porte de arma. 87. (DELEGADO/POLÍCIA FEDERAL) Ocorre a extinção do ato administrativo por caducidade quando o ato perde seus efeitos jurídicos em razão de norma jurídica superveniente que impede a permanência da situação anteriormente consentida. 88. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) Os pareceres são atos administrativos de administração consultiva por meio dos quais são expressas opiniões acerca de questões técnicas. Conforme amplamente entende a doutrina, quando a lei conferir caráter obrigatório ao parecer e a decisão a ser tomadaprecisar basear-se em elementos técnicos, a autoridade estará compelida a decidir segundo a orientação do parecer, sob pena de ser responsabilizada. 89. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) O vício meramente de forma do ato administrativo pode causar-lhe a nulidade absoluta (ou nulidade, para alguns) e não apenas a nulidade relativa (ou anulabilidade, para alguns). 90. (PROC. MINISTÉRIO PÚBLICO/TCPE) A autorização do Senado Federal em operações externas de natureza financeira de interesse da União é exemplo de ato composto. Nesse caso, ocorre o controle político do ato, sendo necessária sua motivação, na forma da lei. 91. ROC. MINISTÉRIO PÚBLICO/TCPE) A finalidade dos atos administrativos é o interesse público, requisito sem o qual o ato é nulo. Entre as espécies de atos existentes, o ato negocial é considerado específico, pois só opera efeitos jurídicos entre as partes. Nesse caso, havendo a invalidação do ato por anulação, cassação ou revogação, ela deve ser precedida de processo regular, com oportunidade de defesa, sob pena de nulidade da extinção do ato. 92 (JUIZ SUBSTITUTO/TJBA) Atos ajurídicos, como os denomina Diogenes Gasparini, ou fatos administrativos são aqueles atos materiais da administração pública que não correspondem a uma manifestação de sua vontade diante de certa situação, mas são mero trabalho dos agentes públicos, tais como a aula ministrada por um professor, a preparação de um ofício ou a condução de uma viatura pública. Embora esses atos não sejam preordenados à produção de efeitos jurídicos específicos, isso não significa que não possam gerar direito. Julgue os itens: 93. Suponha que o presidente do BASA pretenda rever ato administrativo praticado por seu antecessor, considerado ilegal pela consultoria jurídica do banco. Nessa situação, como se trata de ilegalidade, somente o Poder Judiciário poderá anular ou invalidar o referido ato, caso haja interesse do presidente do banco. 94. A veiculação do ato praticado pela administração pública na Voz do Brasil, programa de âmbito nacional, dedicado a divulgar fatos e ações ocorridos ou praticados no âmbito dos três poderes da União, é suficiente para ter-se como atendido o princípio da publicidade. 95. Os atos administrativos praticados pela administração pública sob regime de direito privado não gozam de presunção de legitimidade. 96. Ocorre a extinção do ato administrativo por caducidade quando o ato perde seus efeitos jurídicos em razão de norma jurídica superveniente que impede a permanência da situação anteriormente consentida. (UnB / CESPE/ 2004 – Defensor Público da União de 2.ª Categoria) Julgue os itens a seguir, com referência ao ato administrativo. 97. Há na doutrina quem aponte como atributos do ato administrativo, entre outros, a exigibilidade e a executoriedade (também chamada de auto-executoriedade). Contudo, segundo a própria doutrina, ambas significam o mesmo, isto é, a capacidade de a administração pública, por si mesma, compelir materialmente o administrado à execução do ato. 98. A anulação e a revogação do ato administrativo não são as únicas causas possíveis para a extinção dele. A realização total dos efeitos do ato, o implemento de condição resolutiva e o desaparecimento do sujeito ou do objeto do ato também o são. 99. (Cespe/Unb - Procuradoria –geral do Estado do Ceará - 2004) Com relação aos atos administrativos, assinale a opção correta. a) A administração pública, ao praticar atos regulados pelo direito civil, embora se iguale ao particular, preserva, em razão da supremacia do interesse público, a possibilidade de anular unilateralmente esses atos. b) É sempre possível à administração pública revogar atos administrativos contrários ao interesse público, desde que não tenha ocorrido a preclusão ou a prescrição. c) Em todos os atos administrativos discricionários, o requisito objeto relaciona-se com o mérito administrativo. d) Embora intransferível, a competência para a prática de um ato administrativo sempre poderá ser objeto de delegação ou avocação. e) A auto-executoriedade é atributo de todos os atos administrativos, uma vez que eles têm por formalidade a realização do bem comum. 100. (ESAF-Analista MPU – área judiciária- 2004) O estudo dos atos funcionais do Estado foi desenvolvido, entre nós, por Miguel Seabra Fagundes. Pela sua doutrina, os atos funcionais podem classificar-se sob o critério formal e material. Assinale, entre os atos legislativos abaixo, aquele que se classifica, materialmente, como ato administrativo, decorrente de função administrativa do Estado. a) Medida provisória sobre política salarial. b) Código Civil. c) Lei municipal sobre zoneamento urbano. d) Lei orçamentária estadual. e) Emenda à Constituição Federal, alterando a ordem tributária. 101. (Magistratura/TJTO-2004) – Aponte a proposição incorreta. (Segundo o professor José Cretella, os atos administrativos podem ser classificados sob os aspectos material e formal). Os atos Administrativos, do ponto de vista formal, podem ser: a) Arbitrários, vinculados ou discricionários, quando encarados sob o prisma da vinculação. b) Criadores, modificadores, conservadores ou extintivos, quando ao abjeto. c) Preparatórios, complementares ou de execução, quanto ao raio de ação. d) Unilaterais ou bilaterais, quanto ao aspecto numérico da vontade na formação. 102. (Magistratura/TJTO-2004) – No que toca à invalidação dos atos administrativos, é incorreta a assertiva. a) Revogação é a supressão do ato administrativo legítimo e eficaz, perpetrada pela Administração ou pelo Poder Judiciário. b) Revogação é a supressão do ato administrativo legítimo e eficaz, perpetrada pela Administração e somente por ela, por não mais lhe convir a sua manutenção. c) A anulação é a declaração de invalidade do ato administrativo ilegítimo e ilegal, pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. d) O Judiciário somente anula atos ilegais, não podendo faze-lo quanto aos atos inconvenientes ou inoportunos, mas legítimos do ponto de vista formal e substancial. Julgue os itens seguintes: 103. (CESPE/TRF 5ª REG.) Os pareceres são atos administrativos de administração consultiva por meio dos quais são expressas opiniões acerca de questões técnicas. Conforme amplamente entende a doutrina, quando a lei conferir caráter obrigatório ao parecer e a decisão a ser tomada precisar basear-se em elementos técnicos, a autoridade estará compelida a decidir segundo a orientação do parecer, sob pena de ser responsabilizada. 104. (CESPE/TRF 5ª REG.) O vício meramente de forma do ato administrativo pode causar-lhe a nulidade absoluta (ou nulidade, para alguns) e não apenas a nulidade relativa (ou anulabilidade, para alguns). 105. (JUIZ/TRT) Quando ocorre o desfazimento de um ato administrativo, por desvio de finalidade? a) Quando a própria Administração declara a nulidade do ato, por ter sido praticado com frontal violação da lei; b) Quando a própria Administração declara a nulidade do ato, por ter sido praticado com excesso de poder; c) Quando a própria Administração declara a nulidade do ato, por não atendida a finalidade para a qual se destinava; d) Quando o Poder Judiciário revoga o ato praticado, por não atendida a finalidade para a qual se destinava; e) Quando o Poder Judiciário declara a nulidade do ato, por ter sido praticado com frontal violação da lei. Julgue o item: 106. (TJBA-2004) Atos ajurídicos, como os denomina Diogenes Gasparini, ou fatos administrativos são aqueles atos materiais da administração pública que não correspondem a uma manifestação de sua vontade diante de certa situação, mas são mero trabalho dos agentes públicos, tais como a aula ministrada por um professor, a preparação de um ofício ou a condução de uma viatura pública. Embora esses atos não sejam preordenados à produção de efeitos jurídicos específicos, isso não significa que não possam gerar direito. 107. (CESPE/UnB/AGU/2002) O ato administrativo é um ato jurídico, pois se trata de uma declaração que produzefeitos jurídicos. Sendo ato jurídico, aloca-se dentro do gênero fato jurídico. Este se define como qualquer acontecimento a que o direito imputa e enquanto imputa efeitos jurídicos. O fato jurídico, portanto, pode ser um evento material ou uma conduta humana, voluntária ou involuntária, preordenada ou não a interferir na ordem jurídica. Basta que o sistema normativo lhe atribua efeitos de direito para qualificar-se com um fato jurídico. Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de direito administrativo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 333 (com adaptações). Em relação ao ato e ao contrato administrativo, julgue os itens seguintes. 1) Considere a seguinte situação hipotética. Um indivíduo inscreveu-se em concurso público utilizando documentos falsificados, pois não preenchia os requisitos legais para a inscrição. Como a falsificação não foi descoberta, o criminoso logrou aprovação, nomeação e posso no cargo público. Entrou em exercício e praticou diversos atos, que produziram os efeitos a que se destinavam, até o funcionário ser descoberto, meses depois, quando, após o devido processo legal, tais atos foram anulados. Nessa situação, os atos administrativos derivados da inscrição do candidato, até a descoberta da falsidade, foram inválidos, mas eficazes. 2) O ato de nomeação de duzentos candidatos aprovados em concurso público é juridicamente classificado como ato administrativo individual, embora plural (ou plúrimo). 3) Se determinado indivíduo se inscreve em concurso vestibular para ingresso em instituição federal de ensino superior e vem a ser aprovado, o ato que o admite no corpo discente da instituição é de natureza vinculada por outro lado, mesmo os atos administrativos discricionários podem ser avaliados, com certos aspectos, pelo Poder Judiciário. 4) A revogação dos atos administrativos aplica-se àqueles que sejam válidos, mas que a administração considere não mais cumprirem o interesse público; não cabe, portanto, revogação de ato administrativo inválido; de outra parte, é perfeitamente admissível a revogação parcial de ato administrativo, se a parte não revogada for subsistente por si mesma. 5) São contratos administrativos todos os contratos do poder público com particular, seja pessoa física ou jurídica, para o atingimento de interesse público e sujeitos à legislação em vigor. GABARITO 1 - B 2 – B 3 - C 4 – CCECC 5 - ECCCC 6 – CECEC 7 - EECCC 8 - ECCCE 9 - EECEE 10 - E 11 - A 12 – B 13 - D 14 - C 15 - B 16 - B 17 - D 18 – D 19 - B 20 - A 21 - D 22 - C 23 - A 24 – A 25 - D 26- EECCE 27 - CCEEE 28 - C 29 - D 30 – E 31 – D 32 – C 33 - B 34 - D 35 - B 36 - B 37 - D 38 - D 39 - C 40 - B 41 - B 42 – D 43 - C 44 - E 45 – B 46 - C 47 - D 48 - C 49 - D 50 - B 51 - B 52 - EEECC 53 - B 54 – CCECC 55 - ECCCC 56 - D 57 – C 58 – D 59 – C 60 – CCCCE 61 – C 62 – B 63 - A 64 – D 65 – A 66 – B 67 – A 68- E 69- E 70 – C 71 – C 72 – B 73 – CCCCE 74 – E 75 – C 76 – C 77 – C 78 – C 79 – E 80 – C 81 – E 82 – E 83 – E 84 – E 85 – C 86 – C 87 – C 88 – E 89 – C 90 – E 91 – C 92 – C 93 – E 94 – E 95 – C 96 – C 97 – E 98 – C 99 – C 100 – D 101 – C 102 – A 103 – E 104 – C 105 – B 106 – C 107 - CCCCE ROTEIRO DE AULA – CAPÍTULO 4 CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 1.Conceito: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.Contratos Administrativos e Contratos da Administração: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3. Características: 3.1. Formalismo: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3.2. Intuitu Personae: __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3.3. Caractrística Fundamental dos Contratos Administrativos: mas o que realmente o tipifica e o distingue do contrato privado é a participação da Administração na relação jurídica com supremacia de poder para fixar as condições iniciais do ajuste (cláusulas exorbitantes). 4. Conceito de Cláusulas Exorbitantes: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.1. Rescisão Unilateral do Contrato (a) por culpa do contratado, como p. ex, não cumprimento das claúsulas contratuais, cumprimento irregular destas claúsulas, morosidade indevida, atraso imotivado da obra, falência, insolvência etc. Nesta hipótese quem terá direito à indenização é a Administração Pública que poderá, para tanto, executar garantia contratual, assumir imediatamente o objeto do contrato e ocupar locais necessários à execução do mesmo (art. 80, I à IV). (b) sem culpa do contratado, como p. ex., razões de interesse público, força maior, caso fortuito etc. O contratado deverá ser ressarcido dos prejuízos, garantindo-lhe a devolução da garantia prestada, mais pagamentos devidos até a data da rescisão, ainda terá direito ao pagamento do custo da desmobilização (art. 79, § 2º). 4.2. Alteração Unilateral do Contrato As alteraçãos unilaterais do contrato administrativo podem ocorrer: ( quando há modificação no projeto ou das especificações (alteração qualitativa); ( quando há alterações do valor em razão de aumento ou diminuição quantitativa do objeto contratual (alteração quantitativa). As alterações quantitativas estão previstas nos §§ 1º e 2º do art. 65. 4.3. Inoponibilidade da Exceção do Contrato não Cumprido A “exceptio non adimplet contractus” é o direito que tem um dos contratantes de se recusar a cumprir a sua obrigação sempre que a outra parte não cumprir com o convencionado. Esse princípio, não se aplica, aos contratos administrativos, quando a falta é da Administração. Esta, todavia, pode sempre argüir a exceção em seu favor, diante da inadimplência ao particular contratado. Contudo para atenuar esta proibição o art. 78, XV da Lei nº 8.666/94 admite a exceção do contrato não cumprido na seguinte hipótese: “ o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigaçõesaté que seja normalizada a situação”. Controle da Execução do Contrato O contratado é responsável pelos: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ A Administração responde solidariamente com o contratado: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ INTERDIÇÃO: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ INTERVENÇÃO: ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.5. Aplicação de Penalidades Contratuais As penalidades são: (a) multa de mora, por atraso na execução: pode ser cumulada com as demais penalidades, salvo a do item (c). (b) advertência. (c) multa por inexecução: pode ser cumulada com as demais , salvo a do item (a). (d) suspensão temporária da possibilidade de participar de licitação e impedimento de contratar com a Administração. (e) declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública. 5. Garantia do Contratado ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Reajuste é diferente de revisão. O reajuste de um preço é garanti-lo contra a inflação; a revisão é a recomposição dos preços ajustados, além do reajuste prefixado. O reajuste não é decorrência de imprevisão das partes; ao contrário, é previsão de uma realidade existente (arts. 55, III e 65, § 8º). Hoje se tem usado tarifas indexadas. 6. Formalização do Contrato Administrativo ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7. Garantias Para a Execução do Contrato Fica a critério do contratado, dentre as modalidades enumeradas na lei; quando pretendida pela Administração uma modalidade específica, deverá constar no edital ou no convite. A garantia deve ater-se a 5% do valor do contrato ou 10% quando for de alta complexidade técnica e riscos significativos (art. 56). Reduzida ou perdida a garantia inicial, é lícito à Administração exigir sua recomposição, sob pena de rescisão unilateral por inadimplência do contrato. ( Caução: garantia em dinheiro ou títulos da dívida pública (caução real). ( Fiança Bancária: é a garantia fidejussória fornecida por um banco que se responsabiliza perante a Administração pelo cumprimento das obrigações do contratado. ( Seguro Garantia: “performance bond”, é a garantia oferecida por uma companhia seguradora para assegurar a plena execução do contrato. 8. Extinção do Contrato Administrativo (Formas Normais (a) recebimento do objeto (contrato de colaboração) ou do pagamento do preço devido (contrato de atribuição). (b) vencimento do prazo convencionado. ( Formas Anormais (a) anulação: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (b) Rescisão, que pode assumir as seguintes modalidades: (Rescisão Administrativa: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ( Rescisão Amigavél: que se opera por cordo de vontades. ( Rescisão Judicial: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 9. Causas Justificadoras da Inexecução do Contrato Fato do princípe: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Fato da administração: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Interferências imprevistas: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ CAPÍTULO 04 – CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 1. Legislação Aplicável ( art. 22, XXVII, CF: competência privativa da União para legislar sobre normas gerais. ( Lei 8.666/93. 2. Conceito Contrato administrativo é o ajuste que a Administração Pública, agindo nesta qualidade, firma com o particular ou outra entidade administrativa para a consecução de objetivos de interesse público, nas condições estabelecidas pela própria Administração. 3. Contratos Administrativos Típicos e Contratos da Administração Contratos semipúblicos (contratos administrativos atípicos) ( a Administração se coloca em posição de igualdade com o particular. São realizados sob normas predominantemente de Direito Privado. No Direito Privado a liberdade de contratar é ampla e informal, salvo as restrições da lei e as exigências especiais de forma para certos ajustes, ao passo que no Direito Público a Administração está sujeita a limitações de conteúdo e a requisitos formais rígidos, mas, em contrapartida, dispões sempre dos privilégios administrativos para a fixação e alteração das cláusulas de interesse público e até mesmo para por fim ao contrato em meio de sua execução. Assim, o contrato administrativo típico é caracterizado pela presença das cláusulas exorbitantes, pois a relação que se estabelece entre a Administração e o contratado não é vertical, mas sim horizontal, por consequência do princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado. 4. Espécies de Contratos Administrativos Os contratos da Administração podem ser: ( De colaboração: o particular se obriga a prestar ou realizar algo para a Administração. Ex.: obras, serviços, fornecimento. ( De atribuição: é o que a Administração confere determinadas vantagens ou certos direitos ao particular. Ex.: uso especial de bem público. O contrato de colaboração é realizado no interesse precípuo da Administração; o contrato de atribuição é realizado no interesse do particular, desde que não contrarie o interesse público. 5. Interpretação dos Contratos Administrativos É preciso ter sempre em vista que são regidos por normas deDireito Público, suplementadas pelos princípios da teoria geral dos contratos e do Direito Privado. Princípios: ( as cláusulas devem ser interpretadas em favor da coletividade. ( vinculação da Administração ao interesse público. Assim, qualquer cláusula que contrarie o interesse público ou consubstancie renúncia a direitos e poderes da Administração deve ser considerada como não escrita. (presunção de legitimidade das cláusulas contratuais. (alterabilidade das cláusulas regulamentares (só não pode alterar unilateralmente as cláusulas econômicas). (excepcionalidade dos contratos de atribuição: a regra é o contrato de colaboração, destarte a interpretação das cláusulas do contrato de atribuição devem ser sempre restritivas das vantagens outorgadas ao particular, para que não se erijam numa injusta discriminação entre cidadãos nem atentem contra o interesse geral da coletividade. 6. Características dos Contratos Administrativos O contrato administrativo é sempre consensual e, em regra, formal, oneroso, comutativo e realizado “intuito personae”. Além dessas características substanciais o contrato administrativo possui uma outra que lhe é própria, embora externa, qual seja, a existência de prévia licitação. 6.1. Formalismo O contrato administrativo é, em regra, formal e escrito, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim entedidas aquelas de valor não superior a R$ 4.000,00 (art. 60, § ú). Art. 60, § ú. “ É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido no art. 23, inciso II, alínea "a" desta Lei, feitas em regime de adiantamento.” O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e tomada de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas modalidades. Nas demias hipóteses admite-se carta contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço (art.60). 6.2. Intuitu Personae Os contratos administrativos são perssonalíssimos, razão pela qual não se admite, em regra, a subcontratação. Esta somente é admitida quando prevista no edital e desde que autorizada, em cada caso, pela Administração, que deve estabelecer os limites das partes do objeto do contrato cuja execução poderá ser subcontratada (art. 72). A subscontratação não será admitida em hipótese alguma quando se tratar de serviços técnicos especializados (art. 13, § 3º). Também revela a natureza perssonalíssima do contarto administrativo a rescisão unilateral fundamentadas na extinção da pessoa jurídica contratada, morte do contratado, mudança do controle acionário, fusão etc (art. 78). 6.3. Caractrística Fundamental dos Contratos Administrativos Mas o que realmente o tipifica e o distingue do contrato privado é a participação da Administração na relação jurídica com supremacia de poder para fixar as condições iniciais do ajuste (cláusulas exorbitantes). Não é, portanto, o objeto, nem a finalidade pública, nem o interesse público que caracterizam o contrato administrativo. É a participação da Administração, derrogando normas de direito privado ( Esta é a posição Hely Lopes Meireles e Celso A. B. de Mello. Maria Sylvia entende que a distinção reside nos três elementos: objeto, finalidade e cláusulas exorbitantes. Característica básica: presença da Administração numa condição de superioridade em relação ao outro contratante. Tal posição tem fundamento nos interesses que a Administração representa. 7. Cláusulas Exorbitantes Cláusulas exorbitantes são as que excedem do direito comum para consignar uma vantagem ou uma restrição a Administração ou ao contratado. Tais cláusulas são inadmissíveis num contrato privado pois desigualaria as partes ( manifestação da supremacia da Administração sobre o outro contratante. Cláusulas exorbitantes são aquelas que exorbitam, excedem o padrão comum das cláusulas contratuais de forma a conferir prerrogativas para a Administração que não são estendidas aos particulares. 7.1. Rescisão Unilateral do Contrato O poder de rescisão unilateral do contrato administrativo é inerente a Administração, pelo que pode ser feita ainda que não prevista em cláusula contratual. O art. 58,II autoriza a rescisão unilateral do contrato nas hipóteses do art. 79,I. A rescisão unilateral do contrato administrativo pode dar-se por duas razões: (a) por culpa do contratado, como p. ex, não cumprimento das claúsulas contratuais, cumprimento irregular destas claúsulas, morosidade indevida, atraso imotivado da obra, falência, insolvência etc. Nesta hipótese quem terá direito à indenização é a Administração Pública que poderá, para tanto, executar garantia contratual, assumir imediatamente o objeto do contrato e ocupar locais necessários à execução do mesmo (art. 80, I à IV). (b) sem culpa do contratado, como p. ex., razões de interesse público, força maior, caso fortuito etc. O contratado deverá ser ressarcido dos prejuízos, garantindo-lhe a devolução da garantia prestada, mais pagamentos devidos até a data da rescisão, ainda terá direito ao pagamento do custo da desmobilização (art. 79, § 2º). 7.2. Alteração Unilateral do Contrato Nenhum particular ao contatar com a Administração adquire direito à imutabilidade do contrato ou à sua execução integral ou, ainda, às suas vantagens “in espécie”, porque isso equivaleria a subordinar o interesse público ao privado. As alterações só podem atingir as cláusulas regulamentares ou de serviço (aquelas que dispõem sobre o objeto do contrato e o modo de sua execução), já as cláusulas econômicas são imutáveis. As alteraçãos unilaterais do contrato administrativo podem ocorrer: ( quando há modificação no projeto ou das especificações (alteração qualitativa); ( quando há alterações do valor em razão de aumento ou diminuição quantitativa do objeto contratual (alteração quantitativa). As alterações quantitativas estão previstas nos §§ 1º e 2º do art. 65. Resumindo: é a variação do interesse público que autoriza a alteração do contrato e até mesmo a sua extinção. 7.3. Inoponibilidade da Exceção do Contrato não Cumprido A “exceptio non adimplet contractus” é o direito que tem um dos contratantes de se recusar a cumprir a sua obrigação sempre que a outra parte não cumprir com o convencionado. Esse princípio, não se aplica, aos contratos administrativos, quando a falta é da Administração. Esta, todavia, pode sempre argüir a exceção em seu favor, diante da inadimplência ao particular contratado. Contudo para atenuar esta proibição o art. 78, XV da Lei nº 8.666/94 admite a exceção do contrato não cumprido na seguinte hipótese: “ o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação”. Controle da Execução do Contrato A Administração controla os contratos, supervisionando, acompanhando e fiscalizando a sua execução ou nela intervindo (art.67) . O resultado da fiscalização é consignado em livro próprio, anotadas as faltas, que inclusive poderão ensejar rescisão. A fiscalização não atenua nem retira as responsabilidades técnicas e os encargos próprios do contratado, salvo se expressamente ressalvados pela Administração, quando emite ordem diversa ao contrato ou determina a execução de trabalho em oposição a norma técnica ou a preceito ético-profissional, em circunstâncias excepcionais criadas por interesse público. O contratado é responsável pelos: Danos causados à Administração, previdenciários, fiscais e comerciais (art. 71). Cuidado!!! A Administração responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato (§2º, art. 71). A orientação da execução limita-se à imposição das normas administrativas que condicionam a execução de seu objeto. Se essa orientação for ilegal ou tecnicamente inaceitável, pode o executor opor-se a ela e até mesmo pleitear rescisão. INTERDIÇÃO: é o ato escrito pelo qual a Administração determina a paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento que venha sendo feito em desconformidade com o avençado. INTERVENÇÃO: é providência extrema. A Administração se substitui ao contratado para dar continuidade à execução, quando o contratado se releva incapaz (incúria, retardamento, perecimento do objeto, ...). Não se confunde com a ocupação provisória, porque se dá durante a execução do contrato e esta última (a ocupação) no momento da rescisão. (arts. 58, V e 80, II). A lei chama as duas de ocupação, e só admite nos serviços essenciais, para acautelar apuração administrativa de faltas contratuais (intervenção do Hely), bem como na hitótese de rescisão do contrato (ocupação do Hely). Aplicação de Penalidades Contratuais Prerrogativa correlata à do controle do contrato. As penalidades são auto-executáveis, salvo quando o punido resiste e há necessidade de cobrança em dinheiro ou apreensão de seus bens. Essas penalidades, que compreendem desde as advertências e multas até a rescisão unilateral, a suspensão provisória e a declaração de inidoneidade (arts. 86 a 88). Deve ser garantida a prévia defesa do contratado. As penalidades são: (a) multa de mora, por atraso na execução: pode ser cumulada com as demais penalidades, salvo a do item (c). (b) advertência. (c) multa por inexecução: pode ser cumulada com as demais , salvo a do item (a). (d) suspensão temporária da possibilidade de participar de licitação e impedimento de contratar com a Administração. (e) declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública. 8. Garantia do Contratado Em contrapartida, a lei assegura certas garantias aos contratados, pois se assim não fosse, ninguém iria contratar com a Administração. Imutabilidade do Equilíbrio Econômico Financeiro: esta relação encargo-remuneração deve ser mantida durante toda a execução do contrato, a fim de que o contratado não venha a sofrer indevida redução nos lucros normais do empreendimento. Assim, ao usar do seu direito de alterar unilateralmente as cláusulas contratuais, a Administração não pode violar o direito do contratado de ver mantido o equilíbrio econômico e financeiro, cabendo-lhe operar os necessários reajustes econômicos para o restabelecimento do equilíbrio financeiro (arts. 57, § 1º, 58, I, §§ 1º e 2º, e 65, II, “d”, e § 6º). Reajuste é diferente de revisão. O reajuste de um preço é garanti-lo contra a inflação; a revisão é a recomposição dos preços ajustados, além do reajuste prefixado. O reajuste não é decorrência de imprevisão das partes; ao contrário, é previsão de uma realidade existente (arts. 55, III e 65, § 8º). Hoje se tem usado tarifas indexadas. 9. Formalização do Contrato Administrativo Normas Regedoras dos Contratos: os contratos administrativos regem-se por suas cláusulas e pelos preceitos de Direito Público, aplicando-se-lhes, supletivamente, os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de Direito Privado (art. 54). Instrumento do Contrato: em regra, termo em livro próprio da repartição contratante, ou escritura pública, nos casos exigidos em lei (p. ex. relativos a direitos reais sobre imóveis). O contrato verbal é exceção. Além do termo de contrato, obrigatório nos casos que podem ser formalizados mediante outros documentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra e ordem de serviço (art. 60/64). O contrato deve ser publicado (resumo dele). A publicação é condição para sua eficácia. O contrato administrativo regularmente publicado dispensa testemunhas e registro em cartório e vale contra terceiros desde a sua publicação. Cláusulas Essenciais: art. 55, I a XIII e art. 32, § 6º da Lei 8.666/93. Outras cláusulas poderão erigir-se em essenciais em face da peculiaridade de cada ajuste. Essencial, portanto, será toda cláusula cuja omissão impeça ou dificulte a execução do contrato, quer pela identificação de seu objeto, quer pela incerteza de seu preço, quer pela falta de outras condições do contrato, quer pela identificação de seu objeto, quer pela falta de outras condições necessárias e não esclarecidas. Há também as cláusulas implícitas, que por serem da própria natureza dos ajustes públicos, consideram-se existentes mesmo que não escritas: rescisão unilateral por interesse público, alteração unilateral por conveniência do serviço, redução ou ampliação do objeto nos termos da lei, assunção dos trabalhos paralisados, etc. 10. Garantias Para a Execução do Contrato Fica a critério do contratado, dentre as modalidades enumeradas na lei; quando pretendida pela Administração uma modalidade específica, deverá constar no edital ou no convite. A garantia deve ater-se a 5% do valor do contrato ou 10% quando for de alta complexidade técnica e riscos significativos (art. 56). Reduzida ou perdida a garantia inicial, é lícito à Administração exigir sua recomposição, sob pena de rescisão unilateral por inadimplência do contrato. Modalidades: em regra a fiança bancária ou caução (alternativamente), e poderão ser cumuladas seguro de pessoas e bens e compromisso de entrega de material ou equipamento. ( Caução: garantia em dinheiro ou títulos da dívida pública (caução real). ( Fiança Bancária: é a garantia fidejussória fornecida por um banco que se responsabiliza perante a Administração pelo cumprimento das obrigações do contratado. ( Seguro Garantia: “performance bond”, é a garantia oferecida por uma companhia seguradora para assegurar a plena execução do contrato. 11. Extinção do Contrato Administrativo (Formas Normais (a) recebimento do objeto (contrato de colaboração) ou do pagamento do preço devido (contrato de atribuição). (b) vencimento do prazo convencionado. ( Formas Anormais (a) anulação: é a extinção do contrato administrativo. Somente o contrato tipicamente administrativo pode ser anulado unilateralmente. A anulação quando feita pela Administração deve formalizar-se por decreto, despacho ou termo circunstanciado, em que se apontem os motivos da invalidade e o dispositivo legal ou regulamentar infringido. Inexiste revogação de contrato administrativo, pois o instituto é privativo dos atos unilaterais. Todavia os mesmos motivos que ensejam a revogação dos atos administrativos podem autorizar a extinção do contrato, o que se faz através de rescisão unilateral ou administrativa, com a composição dos prejuízos suportados pelo contratado. A Administração também pode utilizar desse meio rescisório? A questão é controvertida. Alguns entendem que não, pois a Administração não teria interesse de agir, pois poderia rescindir sem a intervenção do Judiciário. Outros entendem que a Administração pode usar desse meio, pois lhe daria maior segurança (essa é a opinião de Hely). (b) Rescisão, que pode assumir as seguintes modalidades: (Rescisão Administrativa: é a que se dá por ato unilateral da Administração em face da inadimplência do contratado ou de razões de interesse público. Na rescisão administrativa por interesse público a Administração sempre deverá indenizar o contratado. Contudo, na rescisão administrativa por inadimplência do contratado, quanto à indenização deveremos perquerir se a inapinplência foi culposa ou não. Se foi culposa o contratado terá que indenizar e a Administração, e esta deverá aplicar as sanções cabíveis. Se não foi culposa, o contratado não indenizará a Administração e esta não poderá aplicar as sanções (ex: caso fortuito, força maior, fato do príncipe, teoria da imprevisão, interferências imprevistas). ( Rescisão Amigavél: que se opera por cordo de vontades. ( Rescisão Judicial: promovida pelo contratado em face da Administração Pública, sempre que houver desequilíbrio econômico-financeiro. 12. Causas Justificadorasda Inexecução do Contrato Quando sobrevêm eventos EXTRAORDINÁRIOS, IMPREVISTOS E IMPREVISÍVEIS, onerosos, retardadores ou impeditivos da execução do contrato, a parte atingida fica liberada dos encargos originários e o ajuste há que ser revisto ou rescindido, pela aplicação da teoria da imprevisão, provinda da cláusula “rebris sic stantibris”, nos seus desdobramentos de forma maior, caso fortuito, todo do príncipe, fato da administração e interferências imprevistas. Teoria da Imprevisão: consiste no reconhecimento de que eventos novos, imprevistos e imprevisíveis pelas partes e a elas não imputáveis, refletindo sobre a economia ou a execução do contrato, autorizam sua revisão, para ajusta-lo às circunstâncias supervenientes. Assim, somente a área econômica extraordinária e extracontratual autoriza a aplicação da cláusula “rebres sic stantibus”. O que caracteriza um evento como força maior ou caso fortuito são a imprevisibilidade, inevitabilidade de sua ocorrência e o impedimento absoluto que veda a execução regular do contrato. O fato do princípe é um ato geral da Administração que reflexamente atinge a execução do contrato. Ex: contratado tem a obrigação de construir um edifício de mármore italiano, mas, repentinamente, o governo federal proíbe a sua importação. Já o fato da administração é caracterizado por ter incidência direta e imediata no contrato provocando o desequilíbrio econômico-financeiro. As interferências imprevistas não se confundem com outras eventuais superveniências (caso fortuito, força maior...), porque estas sobrevêm ao contrato, ao passo que aquelas o antecedem. Ex: construção de obra em terreno rochoso, e não arenoso como indicado pela Administração. ( art. 78, XIV a XVI ( em todos esses casos o contratado poderá pleitear rescisão amigável ou judicial por culpa da Administração, mas não pode paralisar a execução do contrato pela invocação da execução do contrato não cumprido, salvo no Inciso XV. 13. Prorrogação e Renovação do Contrato É feita mediante termo de aditamento e impede nova licitação. A prorrogação do contrato é diferente de prorrogação dos prazos para a execução do objeto; na primeira, o contrato é prorrogado, enquanto que na segunda, há somente prorrogação dos prazos (requisitos: art. 57). Renovação: a sua finalidade é a manutenção da continuidade dos serviços públicos. Normalmente é feita através de nova licitação, mas pode ocorrer a recontratação direta do atual contratado, desde que as circunstâncias justifiquem e permitam seu enquadramento numa das hipóteses legais de dispensa ou inexigibilidade. Ex: durante a execução surge a necessidade de uma ampliação não prevista, mas facilmente executável com o pessoal e equipamento já em atividade. 14. Principais Contratos Administrativos Contrato de Obra Pública Contrato de obra pública é todo ajuste administrativo que tem por objeto uma construção, uma reforma ou uma ampliação de imóvel destinado ao público ou ao serviço público. Obra pública pode ser classificada em quatro modalidades de empreendimentos: (equipamento urbano: praças, ruas, estádios, calçamento, redes de energia elétrica etc. (equipamento administrativo: instalações e aparelhamentos para o serviço administrativo em geral. (empreendimentos de utilidade pública: ferrovias, rodovias, pontes, portos etc. (edifícios públicos: sede de governo, repartições públicas. Regime de Execução: modo que se estabelecem as relações negociais entre as partes. O contrato de obra pública admite duas modalidades: empreitada e tarefa. 14.2. Contrato de Serviço Contarto de serviço é todo ajuste administrativo que tem por objeto uma atividade prestada à Administração. O que distingue o serviço da obra é a predominância da atividade sobre o material empregado. Para fins de contratação é necessário distinguir: (serviços comuns: não exigem habilitação especial. Exigem prévia licitação. Ex: pintura de edifício, limpeza e conservação de prédios. Admite duas modalidades de execução: a empreitada e a tarefa. (serviços técnicos profissionais: são os que exigem habilitação legal para sua execução. Os serviços técnicos profissionais podem ser: ( generalizados: de regra exige licitação. ( especializados: estudos, planejamentos, perícias, pareceres, gerenciamento etc. Autorizam a inexigibilidade da licitação sempre que contratados como pessoas físicas ou jurídicas de notória especialização (reconhecimento público de alta capacidade do profissional) ( art. 13 c/c art. 25, II, e § 1º. ( trabalhos artísticos: visam à realização de obras de arte (belas-artes ou artes-utilitárias). O trabalho artístico é serviço profissional, assim deverá seguir as regras expostas acima. Deverá ser precedido de licitação (geralmente o concurso), quando não lhe interessarem os atributos pessoais do contratado, e sua inexigibilidade, quando for um artista renomado (art. 25, III). Contratos de Fornecimento Contarto de fornecimento é o ajuste administrativo pelo qual a administração adquire coisas móveis necessárias à realização de suas obras ou manutenção de seus serviços. Admitem três modalidades: (fornecimento integral: a entrega deve ser feita de uma só vez e na sua totalidade ( se aproxima da compra e venda do Direito Privado. (fornecimento parcelado: a prestação exaure-se com a entrega final da quantidade contratada. (fornecimento contínuo: a entrega é sucessiva e perene, devendo ser realizada nas datas avençadas e pelo tempo que durar o contrato. 14.4. Contrato de Concessão Tais contratos serão estudados no capítulo de serviços públicos. EXERCÍCIOS 1 - (MPDFT/19º CONCURSO) Depois de formalmente celebrados, os contratos administrativos devem ser publicados, em resumo, no órgão oficial, como condição de sua validade. Esta publicação deve ser feita: a) No prazo de 5 (cinco) dias. b) No prazo de 8 (oito) dias. c) Até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura. d) No prazo de 30 (trinta) dias. e) No prazo de 60 (sessenta) dias. 2 - (MPDFT/21º CONCURSO) Ao efetivar a rescisão administrativa por interesse público, a administração poderá fixar o valor da indenização cabível, verificado por meio de operações contábeis. Nessa situação, o contratado: a) Não poderá opor-se à medida, mas, não concordando com o valor da indenização, deverá recorrer às vias judiciais adequadas, pleiteando unicamente a justa reparação dos danos sofridos com a antecipada extinção do contrato. b) Poderá opor-se à medida quanto ao seu mérito, desde que recorra às vias judiciais adequadas. c) Não poderá opor-se à medida, mas, não concordando com o valor da indenização, deverá antes de recorrer às vias judiciais adequadas, pleiteando a justa reparação dos danos sofridos com a antecipada extinção do contrato, esgotar as vias administrativas. d) Não poderá opor-se à medida, mas, não concordando com o valor da indenização, deverá recorrer às vias judiciais adequadas, pleiteando a reparação dos danos sofridos com a antecipada extinção do contrato, acrescida de lucros cessantes, após esgotada a discussão no âmbito do recurso administrativo. 3 - (MPDFT/21º CONCURSO) A extinção do contrato declarada quando se verifica ilegalidade na sua formalização ou em cláusula essencial, é chamada de: a) Extinção. b) Rescisão. c) Anulação. d) Derrogação. 4 - (AGU/1998) O que, essencial e fundamentalmente, mais caracteriza um contrato administrativo, diferenciando-o dos demais e subordinando-o às regras específicas de direito público, é: a) ter como parte contratante uma entidade da Administração Pública b) ter como parte contratante uma pessoas jurídica de direito público interno e presente o interesse público no seu objeto c) ter o interesse público presente no seu objeto, ainda que uma das partes não seja órgão ou entidade da Administração Pública d) o fato de acarretar despesa à conta de recursos públicos e) o fato de versar seu objeto uma determinada prestação de serviço público 5 - (DEL. PC/SP/1999) - Quando a administração deixa de entregar o local da obra ou do serviço, ou nãoprovidencia as desapropriações necessárias, fala-se em: a) fato da Administração. b) fato do Príncipe. c) caso fortuito. d) negligência. 6 - (ESAF/ASSISTENTE JURÍDICO/AGU/99) Não é característica do contrato administrativo: a) natureza de contrato de adesão; b) finalidade pública; c) liberdade de forma; d) presença de cláusulas exorbitantes; e) mutabilidade. 7 - (JUIZ SP/1997) - Contrato de Gerenciamento significa: a) atividade técnica de mediação entre o Poder Público e os executores de um contrato. b) atividade referente à privatização de empresas estatais. c) atividade própria de supervisão de órgão dirigente de autarquias e empresas públicas. d) atividade consistente na fiscalização exercida pelos Tribunais de Contas. 8 - (JUIZ SP/1997) - Fato do Príncipe significa: a) determinação estatal geral, imprevista e imprevisível, que onera substancialmente a execução do contrato administrativo. b) ordem do Soberano no regime monárquico. c) evento da natureza imprevisível e inevitável. d) interferência imprevista que antecede o contrato administrativo. 9 - (JUIZ SP/1997) - No contrato administrativo, o equilíbrio econômico financeiro, também denominado equação econômica financeira significa: a) a relação que as partes estabelecem, inicialmente, no contrato, entre os encargos do contratante e a retribuição da Administração, para a justa remuneração do seu objetivo. b) a inalterabilidade dos condições, vantagens e ônus recíprocos, nos contratos referentes a empréstimos externos para a realização de obras públicas. c) a observância das regras estabelecidas pelo Organização Mundial do Comércio (OMC) para os contratos de financiamento firmados em moeda estrangeira. d) a legislação estabelecida pela União e executada pelo Banco Central, para ressarcir os prejuízos das pessoas físicas nos contratos de depósito, em caso de quebra de Bancos e outras instituições financeiras. 10 - (JUIZ SP/1998) -Contrato administrativo pelo qual a Administração confere ao particular a execução remunerada de serviço público é a) convênio. b) autorização. c) permissão. d) concessão. 11 - (JUIZ SP/1998) - Em relação aos contratos administrativos, é correto afirmar que a) não admitem a inclusão de cláusulas exorbitantes. b) deles, a Administração participa com supremacia de poder. c) em regra não se submetem à exigência de prévia licitação. d) não admitem alteração ou modificação unilateral. 12 - (TRT) - São modalidades de garantia dos contratos administrativos: a) fiança bancária, aval do Tribunal de Contas, caução em dinheiro; b) títulos da dívida pública, aval do Tribunal de Contas, caução em dinheiro; c) seguro-garantia, títulos da dívida pública, fiança bancária; d) fiança bancária, depósito judicial, títulos da dívida pública; e) seguro-garantia, caução em dinheiro, depósito judicial. 13 - (TEC. JUD. STJ) - Assinale a alternativa correta: a) O ato discricionário não contém elementos vinculantes. b) A concorrência é a modalidade licitatória utilizada para os contratos de valor médio. c) A administração pode rescindir, unilateralmente, o contrato administrativo típico. d) A idade mínima de 21 anos é um requisito básico para a investidura em cargo público. e) A posse, nos casos de provimento de cargo público, só ocorrerá por nomeação, por promoção ou por recondução. 14 - (MP SP/1998) - Assinale, nas alternativas a seguir, prerrogativa que o regime jurídico dos contratos administrativos, instituído pela legislação própria, não confere à Administração Pública: a) modificação unilateral do contrato para melhor adequação às finalidades de interesse público, respeitados os direitos do contratado; b) rescisão unilateral nos casos previstos em lei; c) fiscalização da execução do objeto; d) aplicação motivada de sanções pela inexecução total ou parcial do ajuste; e) imposição, independentemente da aceitação do contratante, de acréscimos ou supressões, nas obras, serviços ou compras, superiores a 25% ( vinte e cinco por cento ) do valor inicial atualizado do contrato. 15 - (TRF - TÉCNICO/2000 - ESAF) - Nos contratos administrativos em geral, de acordo com a legislação que rege essa matéria (Lei no 8666/93 com suas modificações), não se faz necessária a inclusão de cláusula específica, estabelecendo: a) o preço, as condições de pagamento e o crédito pelo qual correrá a despesa b) as garantias oferecidas para assegurar sua plena execução, quando exigidas c) os casos de sua alteração unilateral ou por acordo das partes d) a legislação aplicável à sua execução e) os casos de sua rescisão 16 - (DEL. PC/SP/2000) - Nos contratos administrativos diz-se que há empreitada por preço global quando se: a) ajusta mão-de-obra para pequenos trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais. b) contrata a execução da obra com pagamento integral antecipado. c) contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades determinadas. d) contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo e total. 17 - (CESPE/PROCURADOR AUTÁRQUICO/INSS/99) Classifique cada item em certo ou errado: Na vigência da Lei nº 8.666/93, um prefeito municipal contratou diretamente, sem licitação, empresa de consultoria de propriedade de correligionário político para a prestação de serviços técnicos de assessoramento econômico-financeiro. Entendeu o prefeito que o caso se enquadrava na hipótese de inexigibilidade de licitação, uma vez que, a seu ver, os técnicos da empresa eram profissionais de notória especialização. Quinze dias antes do término de seu mandato, sabedor da eleição do novo chefe do Poder Executivo municipal, firmou termo aditivo entre a prefeitura e a empresa, prorrogando por mais um ano o contrato. No último dia de seu mandato, porém, alegando que o novo prefeito, por ser seu inimigo político e desafeto do proprietário da empresa contratada, não iria dar seqüência ao contrato, rescindiu unilateralmente a avença e indenizou integralmente o contratado pelo valor correspondente a todas as remunerações que ainda seriam pagas pelo município. Com base na situação hipotética descrita acima e na teoria dos contratos administrativos, julgue os itens a seguir. 1) A rescisão unilateral do contrato e o conseqüente pagamento da indenização constituíram hipótese de desvio de poder, porque a rescisão do vínculo contratual e a indenização plena do contratado não se coadunam com a prorrogação do ajuste acordada quinze dias antes, sem que nenhum fato novo tivesse ocorrido. Dessa forma, o prefeito usou sua competência animado pelo favoritismo e alheio ao interesse público. 2) O desvio de poder ou desvio de finalidade ocorre quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. 3) A contratação de empresa de consultoria com base nas hipóteses de inexigibilidade de licitação não precisa ser necessariamente justificada, sendo suficiente que o prefeito tenha providenciado a indispensável publicação na imprensa oficial do ato que declarou inexigível o certame licitatório. 4) A prorrogação do contrato entre a prefeitura e a empresa de consultoria não necessita de justificativa por escrito, uma vez que, na hipótese, por tratar-se de contrato para prestação de serviços a serem executados de forma contínua, o prazo de vigência contratual é indeterminado. 5) Se não for comprovada a participação da contratada no cometimento do ilícito de desvio de poder, estará o prefeito sucessor obrigado a anular o contrato e a ratificar a indenização paga à empresa de consultoria, tendo em vista que, segundo expressão literal contida na Lei nº 8.666/93, a responsabilidade contratual do Estado abrangerá tanto os danos emergentes quanto os lucros cessantes. 18 - (AGU/1998) O regime jurídico dos contratos administrativos, inclusive no que confere à Administração as prerrogativas de modificá-los, rescindi-los e outras compreendidas nas chamadas cláusulas derrogativas ou excepcionais do direitoprivado. a) não se aplica aos de seguro, em que a União for parte b) não se aplica aos de locação, em que a União for locatária c) não se aplica àqueles em que a União for parte como usuária de serviço público d) aplica-se àqueles em que a União for parte como usuária de serviço público, no que couber e) aplica-se aos de locação, mas somente quando a União for locadora 19 - (PROCURADOR DO BACEN – 2001) O contrato de gestão, previsto no art. 37, § 8º, da Constituição Federal, não poderá ser firmado coma seguinte entidade: a) autarquia b) organização social c) sociedade de economia mista d) fundação pública e) organização da sociedade civil de interesse público 20 - (TJDFT/JUIZ SUBSTITUTO/JUNHO/2003) Os contratos de gestão encontram fundamento no art. 37, §8º, da Constituição Federal, segundo a qual cabe à lei dispor, a esse propósito, sobre, exceto: a) Prazo de duração do contrato. b) Controles a serem exercidos sobre o contrato. c) Definição do objeto do contrato. d) Critérios de avaliação de desempenho e responsabilidade dos dirigentes. 21 - (TJDFT/JUIZ SUBSTITUTO/JUNHO/2003) No que tange ao regime jurídico dos contratos administrativos instituídos pela Lei nº 8.666/93, a Administração não pode: a) Modifica-los, unilateralmente, para atender o interesse público. b) Rescindi-los, unilateralmente, no caso de falecimento do contratado. c) Rescindi-los, amigavelmente, havendo conveniência da Administração. d) Aumentar o objeto contratado, nos limites dos interesses da Administração. 22 - (TJDFT/JUIZ SUBSTITUTO/JUNHO/2003) Observe os tópicos abaixo e, assinale o conjunto correto, tendo presente que a modalidade de licitação para a concessão de serviços públicos, com execução de obras, pode ser: I – Concorrência pública e tomada de preços. II – Concorrência pública. III – Concorrência pública, tomada de preços e convite. IV – Tomada de preços, dependendo do valor do contrato. a) II está certo, mas IV está errado. b) II e III estão errados. c) II e III estão certos. d) I e II estão certos. 23 - (TJDFT/JUIZ SUBSTITUTO/JUNHO/2003) A retomada unilateral do serviço pelo poder concedente, antes do término do prazo estabelecido no contrato, por motivo de interesse público, denomina-se: a) Retrocessão. b) Encampação. c) Tredestinação. d) Recuperação. 24 - (20º CONCURSO/PROCURADOR DA REPÚBLICA/2003) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: a) as chamadas “cláusulas exorbitantes”, por conferirem privilégios à Administração, desequilibram o contrato administrativo em seu favor e, por isso, são consideras ilegais; b) a rescisão do contrato administrativo por razões de interesse público não gera direito a ressarcimento de prejuízos em favo do particular, pois o interesse da coletividade deve prevalecer sobre o individual; c) é possível a alteração do contrato administrativo para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da avenca na hipótese de superveniência de fatos previsíveis, mas de conseqüências incalculáveis, que retardem ou impeçam a execução do que foi contratado; d) a autorização de uso de bem público se faz mediante contrato administrativo e, por isso mesmo, tem entre suas características a comutatividade. 25 – (Procurador do DF-2004) O Secretário da Defesa Civil contrata, após licitação, a compra de uma frota de veículos especializados em retirar neve das estradas. Esse contrato é: a) irrevogável, porque obedeceu ao princípio da licitação. b) revogável, porque o estado não está obrigado a cumprir os contratos que celebra com particulares. c) só pode ser desfeito por determinação legislativa. d) só pode ser desconstituído, por ordem judicial. e) é nulo por inexistência de motivos. 26 - (Procurador do DF –2004) - A declaração de nulidade do contrato administrativo: a) só pode ser declarada até o início das obras. b) opera a partir do ato declaratório, ressalvando-se o que já foi executado. c) produz efeito retroativo, desconstituindo os efeitos já produzidos, mas obrigando a Administração a indenizar os prejuízos que o contratante sofreu, desde que a causa da nulidade não lhe seja imputável. d) só pode ser declarada por decisão judicial. e) só pode ser declarada em ação civil pública. 27 – (Promotor de Justiça/MPDFT) - São regulados por lei específica a celebração, o conteúdo, a execução e a extinção dos contratos administrativos. Tendo em vista o que a respeito estatui a legislação, julgue aos itens abaixo. I O atraso superior a 60 dias dos pagamentos permite sua rescisão. II Apenas a inexecução total do contrato possibilita a sua rescisão. III Em nenhuma hipótese a administração pode rescindir unilateralmente os contratos. IV A rescisão administrativa, por decorrência das características da consensualidade e comutatividade, deve ser requerida e autorizada judicialmente. a) Todos os itens estão corretos. b) Apenas o item IV está correto. c) Apenas os itens I e II estão corretos. d) Todos os itens estão incorretos. e) Apenas os itens II e IV estão correto 28. (DELEGADO/PCDF) A execução dos contratos administrativos pode sofrer interferência decorrente de situações posteriores a sua celebração. Uma das causas de mutabilidade resulta das ações e omissões da Administração Pública, como parte do contrato, que atingem diretamente a sua execução, dificultando ou impedindo a sua realização. Essa causa de mutabilidade denomina-se: a) fato da administração; b) fato do príncipe; c) interferência imprevista; d) teoria da imprevisão; e) cláusula exorbitante. Julgue o item a seguir: 29. (ANAL. JUD./ÁREA JUD./STJ) Nos contratos administrativos, o reajuste ocorre nos casos de existências de situações novas que coloquem ou xeque o equilíbrio econômico-financeiro do ajuste, enquanto a recomposição de preço significa a alteração de valor a ser pago da variabilidade do valor determinante da composição do preço. 30. (PROCURADOR DO DF) O Secretário da Defesa Civil contrata, após licitação, a compra de uma frota de veículos especializados em retirar neve das estradas. Esse contrato é: a) irrevogável, porque obedeceu ao princípio da licitação. b) revogável, porque o estado não está obrigado a cumprir os contratos que celebra com particulares. c) só pode ser desfeito por determinação legislativa. d) só pode ser desconstituído, por ordem judicial. e) é nulo por inexistência de motivos. 31. (PROCURADOR DO DF) A declaração de nulidade do contrato administrativo: a) só pode ser declarada até o início das obras. b) opera a partir do ato declaratório, ressalvando-se o que já foi executado. c) produz efeito retroativo, desconstituindo os efeitos já produzidos, mas obrigando a Administração a indenizar os prejuízos que o contratante sofreu, desde que a causa da nulidade não lhe seja imputável. d) só pode ser declarada por decisão judicial. e) só pode ser declarada em ação civil pública. Julgue os itens seguintes: 32. (PGRR) O regime jurídico dos contratos administrativos instituído pela Lei de Licitações e Contratos confere à administração, em relação a eles, a prerrogativa de, nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato. 33. (PGRR) A declaração de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente, impedindo os efeitos jurídicos que ele, ordinariamente, deveria produzir, além de desconstituir os já produzidos, mas a administração não se exonera do dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até a data em que ela for declarada e por outros prejuízos regularmente comprovados, contanto que não lhe seja imputável. 34. (PGAM) Se uma sociedade empresária mantiver contrato administrativo com o poder público, firmado após regular licitação, e vier a ter decretada sua falência, a administração poderá manter a vigência do contrato até o término deste, se constatar que há condições para o cumprimento do respectivo objeto; sem embargo, a administração poderá assumir o controle de algumas atividades, no caso de serviços essenciais. 35. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU)O fundamento da teoria da imprevisão é a álea econômica, decorrendo da aplicação dessa teoria um de dois efeitos: a rescisão contratual sem atribuição de culpa ou a revisão do preço para a restauração do equilíbrio do contrato administrativo. 36. (ADVOGADO DA UNIÃO/AGU) A publicação resumida do instrumento do contrato ou de seus aditamentos é condição indispensável para sua eficácia, dispensada a publicação apenas dos instrumentos dos contratos sem ônus para a administração. 37. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) O contrato administrativo tem vigência condicionada a sua publicação resumida e geralmente deve coincidir com o decurso de tempo do orçamento, salvo em caso de exceção legalmente prevista. 38. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) As chamadas cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos administrativos podem ser alteradas sem prévia concordância do contratado, com fundamento no interesse público e na manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. 39. (ANAL. JUD./ÁREA ADM./STJ) Nos contratos administrativos, o reajuste ocorre nos casos de existência de situações novas que coloquem em xeque o equilíbrio econômico-financeiro do ajuste, enquanto a recomposição de preço significa a alteração do valor a ser pago em função da variabilidade do valor determinante da composição do preço. 40. (DEFENSOR PÚBLICO DA UNIÃO) Nos termos da legislação aplicável aos contratos administrativos, é dever da administração pública acompanhar e fiscalizar, por meio de representante, a execução de todo contrato. O Estado não pode deixar de exercer tal fiscalização, durante todos os atos da execução do objeto do contrato, até a entrega deste, em face do princípio da indisponibilidade do interesse público. 41. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) Devido à natureza distinta que têm em relação aos contratos administrativos, os convênios não podem ter objeto com conteúdo economicamente valorável. 42. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/TRF 5ª REG.) Para atender ao interesse público, se a administração precisar suprimir parte do objeto de um contrato administrativo e o contratado já houver adquirido os bens correspondentes à porção suprimida, aquela não estará necessariamente obrigada a ressarci-lo. 43. (JUIZ SUBSTITUTO/TJBA) Na execução do contrato administrativo, pode o contratado pleitear indenização pelo chamado fato do príncipe; contudo, para fazer jus àquela, precisará provar que o ato estatal foi antijurídico. 44. Considere a seguinte situação hipotética. O governador do estado do Espírito Santo encaminhou projeto de lei para a Auditoria do estado, visando colher informações para eventual sanção ou veto do referido projeto, que dispensava do pagamento das contas de luz as pessoas desempregadas. Nessa situação, considerando a jurisprudência do STF aplicável à espécie, a Auditoria deverá emitir parecer favorável ao veto, por inconstitucionalidade, sob o fundamento de que o estado do Espírito Santo não tem competência para intervir no contrato administrativo em apreço, de forma a afetar o seu equilíbrio econômico financeiro, bem como as relações estabelecidas entre o poder concedente e a concessionária de serviço público. 45. Os contratos administrativos diferenciam-se dos privados, entre outros aspectos, pela existência das denominadas cláusulas exorbitantes, entre elas a que possibilita a sua modificação unilateral pela administração, com o propósito de melhor adequá-lo ao interesse público, situação em que será assegurada a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro nele previsto inicialmente. 46. Nos termos da legislação aplicável aos contratos administrativos, é dever da administração pública acompanhar e fiscalizar, por meio de representante, a execução de todo contrato. O Estado não pode deixar de exercer tal fiscalização, durante todos os atos da execução do objeto do contrato, até a entrega deste, em face do princípio da indisponibilidade do interesse público. 47. (Magistratura/TJTO-2004) – Das chamadas cláusulas exorbitantes do contrato administrativo decorre um de seus traços característicos, qual seja, a mutabilidade. Acerca do tema, a doutrina administrativa fala em áleas ou riscos que o particular enfrenta quando contrata com a administração. A respeito do tema, aponte a alternativa incorreta. a) Álea ordinária ou empresarial, equivalente ao risco que corre todo empresário. b) Álea administrativa que abrange o poder que tem a Administração de alterar unilateralmente o contrato para atender o interesse público, pela qual responde a administração incumbindo-lhe o restabelecimento do equilíbrio rompido, o fato do príncipe ato de autoridade não relacionado diretamente com o contrato, mas que nele repercute, pelo qual a administração também responde, devendo restabelecer o equilíbrio rompido e fato da administração entendido como toda ação ou omissão do Poder Público que, incidindo direta e especificamente sobre o contrato, retarda, agrava ou impede sua execução. c) Álea econômica que corresponde às circunstâncias externas ao contrato, estranhas à vontade das partes, imprevisíveis, excepcionais e inevitáveis que causando desequilíbrio na equação contratual dão lugar à aplicação da teoria da imprevisão. d) A chamada álea econômica se confunde com a álea ordinária ou empresarial. 48. (Magistratura/TJTO-2004) – Um matéria de contrato administrativo, pode-se afirmar, corretamente, que: a) o equilíbrio contratual é fixado no contrato e sempre permanece inalterado para toda a sua duração, excetuada, contudo, a correção monetária; b) é totalmente inaplicável a exceção do contrato não cumprido, ressalvada indenização ulterior, de modo que não é autorizada, em nenhuma hipótese, a paralisação da obra pelo contratado, no caso de atraso de pagamento; c) o princípio da continuidade do serviço público afasta inteiramente a invocação da exceção do contrato não cumprido, ressalvada a indenização pelos prejuízos causados pelos atrasos de pagamento do Poder Público; d) só é possível a paralisação total da obra no caso de a inadimplência da administração criar encargo extraordinário e insuportável, obrigando a verdadeiro financiamento da obra pela contratada. Julgue os itens seguintes: 49. (CESPE/TRF 5ª REG.) Devido à natureza distinta que têm em relação aos contratos administrativos, os convênios não podem ter objeto com conteúdo economicamente valorável. 50. (CESPE/TRF 5ª REG.) Para atender ao interesse público, se a administração precisar suprimir parte do objeto de um contrato administrativo e o contratado já houver adquirido os bens correspondentes à porção suprimida, aquela não estará necessariamente obrigada a ressarci-lo. 51. (TJBA-2004) Na execução do contrato administrativo, pode o contratado pleitear indenização pelo chamado fato do príncipe; contudo, para fazer jus àquela, precisará provar que o ato estatal foi antijurídico. 52. (TJ 2005) São tipos de contratos administrativos, exceto: a) contrato de gestão. b) contrato de gerenciamento. c) contrato de trabalhos artísticos. d) contrato de agenciamento. GABARITO 1 - C 2 - A 3 - C 4 - B 5 - A 6 - C 7 – A 8 – A 9 – A 10 – D 11 – B 12 – C 13 – C 14 – E 15 – C 16 – D 17 – CCEEE 18 – D 19 - E 20 - C 21 - D 22 - A 23 - B 24 – C 25 – E 26 – C 27 - D 28 – A 29- E 30 – E 31 – C 32 – C 33 – C 34 – E 35 – C 36 – E 37 – C 38 – E 39 - E 40 – E 41 – E 42 – C 43 – E 44 – C 45 – C 46 – E 47 – D 48 – D 49 – E 50 – C 51 – E 52 – D ROTEIRO DE AULA – CAPÍTULO 5 LICITAÇÃO 1. Conceito: _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. Finalidades: ( propicia igual oportunidade a todos os interessados; ( atua como fator de eficiênciae moralidade nos negócios administrativos; e ( propicia as entidades governamentais a escolha do negócio mais vantajoso. 3. Princípios Procedimento formal: _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Publicidade de seus atos: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Igualdade entre os licitantes: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Sigilo na apresentação das propostas: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Vinculação ao edital: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Julgamento objetivo: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Probidade administrativa: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Adjudicação compulsória: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4. Dever de Licitar A análise do dever de licitar deve se dar sobre dois aspectos, ou seja, em dois sentidos: a) sentido subjetivo do dever de licitar: implica em saber quais as pessoas sujeitas ao dever de licitar (art. 1º): ( União, Estados, Distrito Federal e Municípios ( Autarquias e Fundações ( Empresas públicas e Sociedades de economia mista ( Quaisquer entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público. b) sentido objetivo do dever de licitar implica em se saber o que deve ser licitado (art. 2º): ( contratos ( permissões 5. Exceções ao dever de Licitar 5.1. Dispensa de Licitação ( Licitação dispensada: é aquela que a própria lei declarou-a como tal (art. 17, I e II). ( Licitação dispensável: é toda aquela que a Administração pode dispensar se lhe convier (art. 24). ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5.2. Inexigibilidade de licitação Há impossibilidade jurídica de competição entre contratantes, quer pela natureza específica do negócio, quer pelos objetivos sociais visados pela Administração ( inviabilidade de competição produtor ou vendedor exclusivo: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ serviços técnicos de profissionais especializados: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ contratação de artistas: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6. Procedimento ( fase interna: abertura do processo de licitação, com a definição do seu objeto e dos recursos hábeis para a despesa. ( fase externa: audiência pública; edital ou convite; recebimento da documentação e propostas; habilitação dos licitantes; julgamento; adjudicação e homologação. (a) Audiência Pública ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (b) Edital ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (c) Recebimento da documentação e propostas ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (d) Habilitação do licitante ( HABILITAÇÃO JURÍDICA: é a aptidão efetiva para exercer direitos e contrair obrigações. Essa aptidão deve levar em conta os aspectos civis e administrativos. Ex: a pessoa declarada inidônea por punição administrativa é incapacitada para contratar com a Administração. Prova-se pela cédula de identidade ou carteira profissional, pelo registro na repartição competente ou pela lei que a institui. A Administração poderá requisitar outros comprovantes, tais como estatutos, autorizações especiais quando for o caso etc. ( REGULARIDADE FISCAL: é o atendimento das exigências do fisco. Prefere-se a inscrição no cadastro de contribuintes (CPF e CNPJ), como, também, nos cadastros estadual ou municipal, se houver. A lei exige, ainda, prova de regularidade com o Sistema de Seguridade Social e o FGTS. ( QUALIFICAÇÃO TÉCNICA: é o conjunto de requisitos profissionais que o licitante apresenta para executar o objeto da licitação. ( QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA: é a capacidade para satisfazer os encargos econômicos decorrentes do contrato. É demonstrada pelo balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício, por certidão negativa de falência ou concordata e por prestação de garantia real ou fidejussória. A Administração pode, também, fixar o capital mínimo para os interessados participarem da licitação, desde que não exceda a 10% do valor estimado para a contração, assim como exigir outros comprovantes. _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (e) Julgamento das propostas ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Desclassificação da proposta é sua eliminação pela desconformidade com o pedido no edital ou no convite, ou por sua manifesta inexequibilidade (preços baixos, prazos exíguos, inviabilidade técnica da proposta). Classificação da proposta é a ordenação das ofertas pela conveniência que apresentam para a Administração, colocando-se em primeiro lugar a mais vantajosa. (f) Homologação e Adjudicação Homologação é o ato de controle pelo qual a autoridade competente a quem incumbir a deliberação final sobre o julgamento confirma a classificação das propostas e adjudica o objeto da licitação ao proponente vencedor (art. 43, VI).Adjudicação é o ato pelo qual se atribui ao vencedor o objetivo da licitação para a subseqüente efetivação do contrato. São efeitos jurídicos da adjudicação: aquisição do direito de contratar com a Administração. vinculação do adjudicatório a todos os encargos estabelecidos no edital e aos prometidos na proposta. a sujeição do adjudicatário às penalidades previstas no edital e nas normas legais pertinentes se não assinar o contrato no prazo e condiçõesestabelecidas. o impedimento da administração contratar o objeto licitado com outrem. a liberação dos licitantes vencidos de todos os encargos da licitação e o direito de retiraram os documentos e levantarem as garantias oferecidas, salvo se obrigados a aguardar a efetivação do contrato por disposição do edital ou forma legal. 7. Modalidades de Licitação 7.1. Concorrência Concorrência é a modalidade de licitação aberta entre quaisquer interessados que atendam aos requisitos estabelecidos no edital, e que se destina a contratos de elevado valor econômico ou a hipóteses expressamente estabelecidas em lei. É obrigatória independente do valor (§ 3º, art. 23): _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Características da concorrência: Universalidade: qualquer interessado pode participar independente de registro cadastral. Ampla publicidade: a Administração poderá usar de todos os meios de informação ao seu alcance para a divulgação. Habilitação preliminar: a habilitação constitui fase inicial de procedimento, enquanto na tomada de preços e no convite é anterior. Julgamento por comissão: formada por no mínimo três membros. Pode ser permanente ou especial. É o órgão julgador da concorrência e, por isso mesmo, nenhuma autoridade pode substituí-la na sua função decisória estabelecida por lei. Se ocorrer irregularidade ou erro no julgamento, a autoridade competente poderá apenas anular a decisão, determinando que a Comissão corrija o erro ou proceda a novo julgamento. A Comissão é incumbida de apreciar a qualificação dos concorrentes, na fase de habilitação preliminar, e de julgar as propostas, na fase de julgamento. A lei não impede, contudo, que a fase de habilitação seja apreciada pela Comissão de Registro Cadastral, se a entidade possui tal registro. O membro da Comissão responde solidariamente por todos os atos praticados pela mesma, salvo se fez constar em ata sua posição divergente, devidamente fundamentada (art. 51, § 3º). Pré-qualificação: é a prévia verificação da idoneidade jurídica, técnica e financeira de firmas ou consórcios para participarem de determinadas e futuras concorrências de um mesmo empreendimento. Não se confunde com a habilitação preliminar, porque esta se faz em cada concorrência e aquela se realiza para todas as concorrências de uma repartição ou de um empreendimento (art. 114). Os pré-qualificados consideram-se habilitados a participar das concorrências previstas na pré-qualificação, para os quais serão convidados pessoalmente, dispensada a publicidade. Poderá também ter habilitação preliminar, se alguém se interessar, ou para verificar se os pré-qualificados permanecem nas condições já comprovadas e de que possuem, no momento, real capacidade financeira e operativa. 7.2. Tomada de Preços Tomada de preços é a modalidade de licitação aberta entre pessoas previamente cadastradas ou entre pessoas que demonstrem atender aos requisitos exigidos para o cadastramento até três dias antes da data do recebimento das propostas, e que se destina a contratos de valor médio. O procedimento é o mesmo da concorrência, inclusive quanto ao julgamento por comissão. O que caracteriza e distingue a concorrência da tomada de preços ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7.3. Convite Convite é a modalidade de licitação aberta entre no mínimo três interessados cadastrados ou não, ou entre cadastrados no ramo do objeto solicitado, e que se destina a contratos de pequeno valor econômico. O convite visa a apresentação de proposta e só participam as pessoas convidadas, mas se algum interessado cadastrado não for convidado, poderá, dentro de 24 horas da data da apresentação das propostas, manifestar o seu interesse. A cada novo convite, realizado para objeto idêntico ou assemelhado, deverá ser convidado pelo menos outro fornecedor que não participou da licitação anterior, enquanto existirem cadastrados não convidados. O convite deve ser julgado pela Comissão, mas é admissível a sua substituição por servidor formalmente designado para esse fim. 7.4. Concurso Concurso é a modalidade de licitação aberta entre quaisquer interessados objetivando a escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, predominantemente de criação intelectual. 7.5. Leilão Leilão é modalidade de licitação aberta entre quaisquer interessados com o objetivo de alienar bens móveis semoventes (art. 22, § 5º e 53) e, em casos especiais, também imóveis (art. 19, III). Pregão ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ CAPÍTULO 05 - LICITAÇÃO 1. Legislação Aplicável ( art 22, XXVII, CF ( União legisla com normas gerais. Estados e Municípios normas especiais. ( art. 173, CF ( empresas públicas e sociedades de economia mista e suas subsidiárias que explorem atividade econômica ficam sujeitas à legislação especial. ( Lei 8.666/93. 2. Conceito Licitação é o procedimento administrativo preparatório de um futuro ajuste através do qual a Administração procura selecionar a proposta mais vantajosa. 3. Finalidades ( propicia igual oportunidade a todos os interessados; ( atua como fator de eficiência e moralidade nos negócios administrativos; e ( propicia as entidades governamentais a escolha do negócio mais vantajoso. 4. Princípios Procedimento formal: é o que impõe a vinculação da licitação às prescrições legais que a regem em todos os seus atos e fases. Essas prescrições decorrem não só da lei mas, também, do regulamento, do caderno de obrigações e até do edital (§ único, do art. 4º). Procedimento formal não se confunde com formalismo, que se caracteriza por exigências inúteis e desnecessárias. Por isso mesmo, não se anula o procedimento diante de omissões ou irregularidades (nulidade relativa) que não causem prejuízo à Administração e aos licitantes. Esse princípio é um desdobramento do princípio da legalidade. Publicidade de seus atos: abrange desde os avisos de abertura da licitação até o conhecimento do edital e seus anexos, o exame da documentação e das propostas pelos interessados e o fornecimento de certidões e quaisquer peças, pareceres ou decisões. Igualdade entre os licitantes: princípio impeditivo da discriminação entre os participantes do certame, quer através de cláusulas que, no edital ou convite, favoreçam uns em detrimento de outros, quer mediante julgamento faccioso, quer desiguale os iguais ou iguale os desiguais (art. 3º, § 1º). ( se violado, acarreta desvio de poder. Sigilo na apresentação das propostas: é consectário da igualdade entre os licitantes, pois ficaria em posição vantajosa o proponente que viesse a conhecer a proposta de seu concorrente antes da apresentação da sua (arts. 3º, § 3º e 43, § 1º) ( a quebra desse princípio constitui crime (art. 94). Vinculação ao edital: o edital é a lei interna da licitação, e, como tal, vincula aos seus termos tanto os licitantes como a Administração que o expediu (art. 41). Assim, estabelecidas as regras do certame, tornam-se inalteráveis para aquela licitação, durante todo o procedimento. Se no decorrer da licitação a Administração verificar sua inviabilidade, deverá invalidá-la e reabri-la em novos moldes, mas, enquanto vigente o edital ou convite, não poderá desviar-se de suas prescrições. Por outro lado, revelando-se falho, o edital poderá ser aditado. Julgamento objetivo: é o que se baseia no critério indicado no edital e nos termos específicos da proposta. É princípio de toda licitação que se julgamento se apóie em fatores concretos expedidos pela Administração,em confronto com o ofertado pelos proponentes dentro do permitido no edital ou convite (arts. 44 e 45). Probidade administrativa: a Administração deverá atuar de acordo com os princípios éticos. Adjudicação compulsória: o princípio da adjudicação compulsória ao vencedor impede que a Administração, concluído o procedimento licitatório, atribua seu objeto a outrem que não o legítimo vencedor (arts. 50 e 64). A adjudicação ao vencedor é obrigatória, salvo se este desistir expressamente do contrato ou não o firmar no prazo fixado, a menos que comprove justo motivo. A compulsoriedade veda também que se abra nova licitação enquanto validada a adjudicação anterior. Advirta-se, porém, que o direito do vencedor limita-se à adjudicação, ou seja, à atribuição a ele do objeto da licitação, e não ao contrato imediato. 5. Dever de Licitar A análise do dever de licitar deve se dar sobre dois aspectos, ou seja, em dois sentidos: a) sentido subjetivo do dever de licitar: implica em saber quais as pessoas sujeitas ao dever de licitar (art. 1º): ( União, Estados, Distrito Federal e Municípios ( Autarquias e Fundações ( Empresas públicas e Sociedades de economia mista ( Quaisquer entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público. b) sentido objetivo do dever de licitar implica em se saber o que deve ser licitado (art. 2º): ( contratos ( permissões 6. Exceções ao dever de Licitar 6.1. Dispensa de Licitação ( Licitação dispensada: é aquela que a própria lei declarou-a como tal (art. 17, I e II). ( Licitação dispensável: é toda aquela que a Administração pode dispensar se lhe convier (art. 24). 6.2. Inexigibilidade de licitação Há impossibilidade jurídica de competição entre contratantes, quer pela natureza específica do negócio, quer pelos objetivos sociais visados pela Administração ( inviabilidade de competição ( produtor ou vendedor exclusivo: há que se distinguir a exclusividade comercial da industrial. Esta é a do produtor exclusivo no país; aquela é a dos vendedores e representantes na praça. Quando se tratar de produtor não há dúvida possível: só ele produz, a Administração só dele pode adquirir. Quando se trata de vendedor ou representante comercial já ocorre a possibilidade de existirem vários no país, e, nesse caso, considera-se a exclusividade na praça de comércio que abranja a localidade da licitação. O conceito de exclusividade comercial está, pois, relacionado com a área privativa do vendedor ou do representante comercial. Ao cuidar da exclusividade do produtor ou vendedor, a lei veda a preferência de marca. A lei não permite a dispensa de licitação para a aquisição de produtos padronizados, salvo quando destinados ao apoio logístico das Forças Armadas. ( serviços técnicos de profissionais especializados: são os prestados por quem, além da habilitação técnica e profissional, aprofundou-se nos estudos, no exercício da profissão, na pesquisa científica, ou através de cursos de pós-graduação ou estágio de aperfeiçoamento. Art. 25, § 1º exige a notória especialização e a natureza singular de serviço (art. 13 e 25, II). ( contratação de artistas: são serviços técnicos profissionais especializados. A dispensa e a inexigibilidade de licitação devem ser motivadas, e o respectivo processo deve ser instruído com elementos que as demonstrem ( se comprovado superfaturamento, respondem solidariamente pelo dano causado à Fazenda o fornecedor ou o prestador de serviço e o agente público responsável, sem prejuízo de outras sanções (art. 25, § 2º). 7. Procedimento ( fase interna: abertura do processo de licitação, com a definição do seu objeto e dos recursos hábeis para a despesa. ( fase externa: audiência pública; edital ou convite; recebimento da documentação e propostas; habilitação dos licitantes; julgamento; adjudicação e homologação. Audiência Pública: só ocorrerá se o valor for superior a 100 vezes o previsto para concorrência de obras e serviços de engenharia (art. 23, I, “c”). Destina-se a divulgar a licitação. Edital: instrumento pelo qual a Administração leva ao conhecimento público a abertura de concorrência, tomada de preço, concurso e de leilão; fixa as condições de sua realização e convoca os interessados para a apresentação das propostas. Nulo é o edital omisso em pontos essenciais, ou que contenha disposições preferenciais. Deve ser divulgado pela imprensa oficial e particular (edital resumido); nada impede que em face da importância da licitação a Administração divulgue o texto completo do edital. Prazo máximo para convocação. Em regra ( 30 dias para concorrência ( 45 dias para concurso ( 15 dias para tomada de preços e leilão O edital discriminatório ou omissão em pontos essenciais pode ser impugnado por qualquer cidadão e, com maior razão, porque qualquer interessado em particular do certame. A impugnação dever ser apresentada até cinco dias úteis antes da data fixada para a abertura dos envelopes de habilitação, quando efetuada por qualquer cidadão, e até dois dias úteis, quando apresentada por licitante (art. 41). A impugnação administrativa deve ser feita em petição autônoma ao subscritor do edital, admitindo-se, entretanto, o protesto na ata de recebimento dos envelopes. Recebimento da documentação e propostas: esse ato é sempre público, caracteriza-se pela abertura dos envelopes que contêm a documentação e pelo exame da regularidade formal desses documentos. Documentação é conjunto dos comprovantes da personalidade jurídica, da capacidade técnica, da idoneidade financeira e da regularidade fiscal, que se exigem dos interessados ( só estes documentos serão exigidos, pois a licitação dispensa rigorismos inúteis. Propostas são as ofertas feitas pelos licitantes, para a execução do objeto da licitação, indicando cada qual seu modo de realização e preço. O proponente não poderá modificar sua proposta desde que entregue à Administração, mas pode retira-la, ainda que antes da abertura do respectivo envelope (art. 43, § 6º). Se depois da abertura o vencedor retirar sua proposta será responsabilizado por eventuais perdas e danos. Habilitação do licitante: é o ato pelo qual o órgão competente, examinada a documentação, manifesta-se sobre os requisitos pessoais dos licitantes, habilitando-os ou não. Habilitado ou qualificado é o proponente que demonstrou possuir os requisitos de capacidade jurídica, capacidade técnica, idoneidade econômico-financeira e regularidade fiscal. Os licitantes inabilitados terão seus envelopes de propostas devolvidos, daí porque a impugnação dessa decisão tem efeito suspensivo (art. 109, § 2º). Ele será excluído do certame (art. 41, § 4º). Muito se discute na doutrina sobre a possibilidade de reexame da habilitação pelo conhecimento de fatos supervenientes ao julgamento dessa fase ( Hely aceita a viabilidade desse reexame. A lei consagrou essa possibilidade, pondo fim à discussão (art. 43, § 5º). O que se admite é a reapreciação da documentação, para qualquer fim, no julgamento das propostas. A habilitação é realizada em oportunidades diversas e por sistemas diferentes para cada modalidade de licitação: na concorrência faz-se após a abertura da licitação, em fase preliminar à do julgamento; na tomada de preço é anterior a instauração do procedimento licitatório e genérica, porque depende da inscrição do interessado no registro cadastral; no convite é feita “a priori” pelo próprio órgão licitante, que escolhe e convoca aqueles que julga capacitados e idôneos para executar o objeto da licitação; no concurso é facultativa; no leilão é desnecessária. ( HABILITAÇÃO JURÍDICA: é a aptidão efetiva para exercer direitos e contrair obrigações. Essa aptidão deve levar em conta os aspectos civis e administrativos. Ex: a pessoa declarada inidônea por punição administrativa é incapacitada para contratar com a Administração. Prova-se pela cédula de identidade ou carteira profissional, pelo registro na repartição competente ou pela lei que a institui. A Administração poderá requisitar outros comprovantes, tais como estatutos, autorizaçõesespeciais quando for o caso etc. ( REGULARIDADE FISCAL: é o atendimento das exigências do fisco. Prefere-se a inscrição no cadastro de contribuintes (CPF e CNPJ), como, também, nos cadastros estadual ou municipal, se houver. A lei exige, ainda, prova de regularidade com o Sistema de Seguridade Social e o FGTS. ( QUALIFICAÇÃO TÉCNICA: é o conjunto de requisitos profissionais que o licitante apresenta para executar o objeto da licitação. ( QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA: é a capacidade para satisfazer os encargos econômicos decorrentes do contrato. É demonstrada pelo balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício, por certidão negativa de falência ou concordata e por prestação de garantia real ou fidejussória. A Administração pode, também, fixar o capital mínimo para os interessados participarem da licitação, desde que não exceda a 10% do valor estimado para a contração, assim como exigir outros comprovantes. (5) Julgamento das propostas: é ato pelo qual se confrontam as ofertas, classificam-se as propostas e escolhe-se o vencedor a que se deverá ser adjudicado o objeto da licitação. Desclassificação da proposta é sua eliminação pela desconformidade com o pedido no edital ou no convite, ou por sua manifesta inexequibilidade (preços baixos, prazos exíguos, inviabilidade técnica da proposta). Classificação da proposta é a ordenação das ofertas pela conveniência que apresentam para a Administração, colocando-se em primeiro lugar a mais vantajosa. Temos quatro tipos básicos de licitação: de menor preço, de melhor técnica, de técnica e preço e de maior lance ou oferta (alienação de bens ou concessão de direito real de uso) – art. 45, § 1º. O julgamento, nas concorrências e tomadas de preços, é privativo de uma Comissão de Julgamento de pelo menos três membros (art. 51). Já nos convites, o julgamento compete ao responsável pelo convite. No primeiro caso a Administração somente poderá anular a decisão; já no segundo a autoridade superior pode conhecer do mérito da decisão e, se for o caso, reformá-la. O empate será decidido por sorteio, vedado qualquer outro processo, salvo a preferência dada a bens ou serviços produzidos no País. Homologação e Adjudicação A homologação é do julgamento e de todo o procedimento licitatório. Uma vez homologado, a autoridade superior determinará a adjudicação, mas se verificar alguma irregularidade, não homologará, anulando a licitação. Homologação é o ato de controle pelo qual a autoridade competente a quem incumbir a deliberação final sobre o julgamento confirma a classificação das propostas e adjudica o objeto da licitação ao proponente vencedor (art. 43, VI). A autoridade poderá: homologar, anular, ou mandar que se proceda a retificação da classificação. Adjudicação é o ato pelo qual se atribui ao vencedor o objetivo da licitação para a subseqüente efetivação do contrato. São efeitos jurídicos da adjudicação: aquisição do direito de contratar com a Administração. vinculação do adjudicatório a todos os encargos estabelecidos no edital e aos prometidos na proposta. a sujeição do adjudicatário às penalidades previstas no edital e nas normas legais pertinentes se não assinar o contrato no prazo e condições estabelecidas. o impedimento da administração contratar o objeto licitado com outrem. a liberação dos licitantes vencidos de todos os encargos da licitação e o direito de retiraram os documentos e levantarem as garantias oferecidas, salvo se obrigados a aguardar a efetivação do contrato por disposição do edital ou forma legal. 8. Anulação da Licitação A competência pra anular ou revogar é, em princípio, da autoridade superior que autorizou ou determinou a licitação, mas, tratando-se de ilegalidade no julgamento, a Comissão que a proferiu poderá anulá-lo no recurso próprio, ao reexaminar sua decisão. A anulação pode ocorrer em qualquer fase e a qualquer tempo, antes da assinatura do contrato. Gera efeitos “ex tunc”, por isso mesmo, não sujeita a Administração, a qualquer indenização, salvo os direitos de terceiros de boa-fé. Se o despacho anulatório é nulo por falta de justa causa, o prejudicado poderá impetrar mandado de segurança ou propor ação de indenização. A anulação da licitação acarreta a nulidade do contrato (art. 49, § 2º). 9. Revogação da Licitação A revogação opera efeitos “ex nunc” ( o Poder Público deverá indenizar. Diferente da anulação que pode ser total ou parcial, a revogação é sempre total. O licitante não pode impedir a revogação, mas poderá exigir os motivos e ir ao Judiciário pleitear a anulação da revogação. A nova lei exige o contraditório e a ampla defesa (art. 49, § 3º). A revogação de fundar-se em fatos supervenientes (art. 49). 10. Modalidades de Licitação 10.1. Concorrência Concorrência é a modalidade de licitação aberta entre quaisquer interessados que atendam aos requisitos estabelecidos no edital, e que se destina a contratos de elevado valor econômico ou a hipóteses expressamente estabelecidas em lei. É obrigatória independente do valor (§ 3º, art. 23): ( compra ou alienação de bens imóveis ( concessão de direito real de uso ( licitações internacionais Características da concorrência: universalidade: qualquer interessado pode participar independente de registro cadastral. Ampla publicidade: a Administração poderá usar de todos os meios de informação ao seu alcance para a divulgação. Habilitação preliminar: a habilitação constitui fase inicial de procedimento, enquanto na tomada de preços e no convite é anterior. Julgamento por comissão: formada por no mínimo três membros. Pode ser permanente ou especial. É o órgão julgador da concorrência e, por isso mesmo, nenhuma autoridade pode substituí-la na sua função decisória estabelecida por lei. Se ocorrer irregularidade ou erro no julgamento, a autoridade competente poderá apenas anular a decisão, determinando que a Comissão corrija o erro ou proceda a novo julgamento. A Comissão é incumbida de apreciar a qualificação dos concorrentes, na fase de habilitação preliminar, e de julgar as propostas, na fase de julgamento. A lei não impede, contudo, que a fase de habilitação seja apreciada pela Comissão de Registro Cadastral, se a entidade possui tal registro. O membro da Comissão responde solidariamente por todos os atos praticados pela mesma, salvo se fez constar em ata sua posição divergente, devidamente fundamentada (art. 51, § 3º). Pré-qualificação: é a prévia verificação da idoneidade jurídica, técnica e financeira de firmas ou consórcios para participarem de determinadas e futuras concorrências de um mesmo empreendimento. Não se confunde com a habilitação preliminar, porque esta se faz em cada concorrência e aquela se realiza para todas as concorrências de uma repartição ou de um empreendimento (art. 114). Os pré-qualificados consideram-se habilitados a participar das concorrências previstas na pré-qualificação, para os quais serão convidados pessoalmente, dispensada a publicidade. Poderá também ter habilitação preliminar, se alguém se interessar, ou para verificar se os pré-qualificados permanecem nas condições já comprovadas e de que possuem, no momento, real capacidade financeira e operativa. ( CONCORRÊNCIA INTERNACIONAL: é aquela em que se permite a participação de firmas nacionais e estrangeiras, isoladamente ou em consórcio com empresas nacionais. O seu procedimento é o mesmo de qualquer concorrência, apenas com sujeição às diretrizes estabelecidas pelos órgãos federais responsáveis pela política monetária e de comércio exterior, ou seja, às normas expedidas pelo Banco Central do Brasil e pelo Ministério da Fazenda. ( CONSÓRCIO DE EMPRESAS: é a associação de dois ou mais interessados na concorrência, de modo que, somando técnica, capital, trabalho e “know-how”, possam executar um empreendimento que, isoladamente, não teriam condições de realizar. Há uma firma-líder que representa o consórcio no trato com o Poder Público, responsabilizando-se pelas demais sob os aspectos técnico, econômico e administrativo, inclusive quanto às