Prévia do material em texto
Crônica
Íleo paralítico?
Esquisto�omose
Malária
Chagas
Dengue...
Anemia?
1º percutível
2º palpávelHepatoesplenomegalia + febre dg sindrômico
infecção
parasitoses geralmente ñ causam
Hepatite!
Baço aumentado?
exce�o de eliminação de GV
Pq o fígado está aumentado??
responder no fechamento
icterícia
posteriormente
medicamentos s/ doses especificidades
p/ gestantes
p/ crianças
...
FECHAMENTO
CONHECER AS CAUSAS DA HEPATOESPLENOMEGALIA FEBRIL
Hepatoesplenomegalia aguda: quadro de febre,
aumento do volume abdominal e podem ter ainda
linfoadenopatia periférica.
Causas:
Epstein-Barr Vírus
Citomegalovírus
HIV agudo
Chagas Agudo
Hepatite B
Toxoplasmose
Malária
Sífilis
Febre Tifoide
Endocardite Bacteriana
Leucemias agudas
Alguns pacientes com endocardite infecciosa podem
manifestar-se com hepatoesplenomegalia. Nestes, há
febre e a presença de sopro cardíaco favorece o
estabelecimento de diagnóstico.
Hepatomegalia crônica: diagnóstico diferencial muito
extenso e envolve muitos meses de investigação.
Causas:
Neoplásicas
o Leucemia Mieloide crônica
o L’’ M’’ aguda
o Linfoma Hodgkin
o Macroglobulinemia de
Waldeström
o Histiocitose X
o Sarcomas
Infeciosas
o Tuberculose
o Histoplasmose
o Brucelose
o Abscesso hepático/esplênico
o Leishmaniose visceral
o Hepatite virais
o Endocardite
o Esquistossomose
Autoimunes
o LES
o Artrite Reumático
Depósitos
o Doença de Gaucher
o Hemocromatose
Tóxicas
o Drogas
o Cirrose alcoólica
A presença de febre pode sugerir quadro infeccioso,
mas também é frequentemente encontrada em quadros
autoimunes (LES) e neoplasias (linfomas e leucemias).
Perda de peso pode sugerir presença de neoplasia.
Quando se suspeita de cirrose, marcadores de função
e inflamação hepáticas avaliam as condições do fígado.
Marcadores de doenças autoimunes podem também
ser solicitados.
Em muitos casos, o diagnóstico definitivo será feito com
a retirada de algum material para análise histológica e
cultura. Biópsias de medula óssea com mielograma e
mielocultura e, às vezes, biópsias de fígado, de baço
ou linfonodos ajudarão na identificação do diagnóstico
etiológico.
Ref.: Biselli PJ, Atta JA. Diagnóstico sindrômico. Rev
Med (São Paulo). 2005 jul.-dez.;84(3-4):95-101.
Febre pode
estar ausente
Estado geral
prejudicado
CAUSAS DA HEPATOMEGALIA
Hepatite aguda – mecanismo de dano hepático →
hepatomegalia dolorosa
Fluxo venoso prejudicado – gera congestão
hepática/obstrução
Síndrome de Budd-Chiari (obstrução da via
de saída venosa hepática)
Insuficiência cardíaca direta: pacientes
geralmente apresentam dispneia, fadiga,
anorexia, desconforto torácico, icterícia,
distensão venosa jugular e ascite.
Síndrome de obstrução sinusoidal hepática
(SOS): dor no QSD, icterícia e ascite, ocorrendo
mais frequentemente em pacientes submetidos
a transplante de células hematopoiéticas.
Peliose hepática: peliose hepática é uma
condição vascular rara caracterizada pela
proliferação dos capilares hepáticos sinusoidais
que resulta em cavidades císticas cheias de
sangue distribuídas aleatoriamente por todo o
fígado.
Distúrbios de armazenamento
Metabolismo lipídico: acúmulo de lipídeos
tóxicos, incluindo triglicerídeos
Os distúrbios comuns que resultam em esteatose
hepática com hepatomegalia não dolorosa incluem
doença hepática gordurosa associada ao álcool,
doença hepática gordurosa não alcoólica e diabetes
mellitus. O acúmulo de triglicerídeos resulta do
excesso de liberação e diminuição da exportação de
ácidos graxos livres do fígado.
Metabolismo do glicogênio: acúmulo de
glicogênio nos hepatócitos
Deficiência de glicose-6-fosfatase (GSD I),
deficiência de desramificador de glicogênio (GSD III),
deficiência de fosforilase hepática (GSD IV) e
deficiência de fosforilase quinase hepática (GSD
IXa1).
Doença de Gaucher: uma doença de
armazenamento lisossomal que afeta a
reciclagem de glicolipídios celulares,
resultando em seu acúmulo nos lisossomos de
macrófagos (por exemplo, fígado, baço).
Deficiência de alfa-1 antitripsina (AAT):
resultando no acúmulo intrahepatócito de
moléculas de AAT.
Doença de Wilson: acúmulo de cobre no
fígado.
Doenças infiltrativas
Doença granulomatosa: presença de
granulomas.
Infecção (por exemplo, tuberculose), condições
autoimunes (por exemplo, sarcoidose) e lesão
hepática induzida por drogas.
Tumores malignos (carcinoma hepatocelular e
colangiocarcinoma)
Lesões benignas (hemangiomas hepáticos,
adenomas hepatocelulares e hiperplasia
nodular focal)
Ref.: CURRY, Michael P.; BONDER, Alan.
Overwiew of the evaluation of hepatomegaly in
adults. 2020. (Visão geral da avaliação da
hepatomegalia em adultos)
EPIDEMIOLOGIA e ETIOLOGIA DA MALÁRIA
(resumido)
É uma doença endêmica na maior parte dos trópicos,
sendo registrados 241 milhões de casos e 627 mil
mortes em 2020. Maioria dos casos se concentra em
países africanos. (aumento se deve a interrupção de
serviços devido à pandemia do COVID-19).
É transmitido pela picada do mosquito fêmea
Anophelesspp. Outros mecanismos raros de
transmissão incluem doença adquirida congênita,
transfusão de sangue, compartilhamento de agulhas
contaminadas, transplante de órgãos e transmissão
nosocomia
▪ P. falciparum (África Subsaariana, Nova Guiné
e Hispaniola) causando a maior carga de
doença
▪ Plasmodium vivax (Américas e pacífico
ocidental).
▪ Plasmodium malariae é incomum e é
encontrado na maioria das áreas endêmicas,
especialmente na África Subsaariana.
▪ Plasmodium oval, menos comum, é
relativamente incomum fora da África e
compreende < 1% dos isolados.
▪ Plasmodium knowlesi, semelhante
morfologicamente a P. malariae, foi identificado
por métodos moleculares em pacientes na
Malásia, Filipinas, Tailândia e Mianmar
▪ Plasmodium simiumé uma espécie de malária
semelhante P. vivax que ocorre em primatas; foi
isolado de humanos no Brasil.
FISIOPATOLOGIA DA MALÁRIA
CICLO EVOLUTIVO
Ao picar um ser humano o inocula junto de sua saliva o
Plasmodium → esporozoítas (média de 20 por picada)
Cerca de 15 a 45h o plasmodium não se encontra mais
na circulação (daí os raros eventos de transmissão por
contato sanguíneo)
Parasitas invadem os hepatócitos, transformando-se em
estruturas arredondadas, chamadas de criptozoítas.
Elas crescem e se reproduzem de forma assexuada →
ciclo esquizogonia pré-eritrocítica (precede a fase de
parasitismo sanguíneo e tem duração variável: seis dias,
no caso de P. falciparum, oito dias no de P. vivax, nove
dias no de P. ovale e 12 a 16 dias na evolução de P.
malariae).
Há o aparecimento de elementos “filhos”: merozoítas
que são liberadas após o hepatócito parasitado
(esquizonte) se romper.
Muitos destes são fagocitados e destruídos pelas
células de Kupffer.
Outros sobrevivem, invadem as hemácias e dão início
ao segundo ciclo de reprodução assexuada dos
plasmódios: o ciclo hemático ou ciclo eritrocítico.
Recaídas na malária P. vivox
Costumam ocorrer meses após o primeiro ataque,
correspondem ao ciclo pré-eritrocitário e se devem ao fato
de alguns esporozoítas permanecem quiescentes no
fígado durante todo esse tempo, sendo característica
exclusiva da espécie.
No sangue, o ciclo esquizogônico se repete em prazos
regulares e característicos para cada espécie: 36 a 48
horas para P. falciparum, 48 horas para P. vivax e P.
ovale ou 72 horas para P. malariae, que se relacionam
com o ritmo das crises febris em cada forma de malária.
Há o aparecimento do trofozoíto imaturo, que possui
preferência por sangue dos capilares profundos
(vísceras), vistas raramente em sangue periférico
(exceto nas infecções graves)
Hemácias parasitadas possuem modificações da
superfície (protuberâncias e moléculas de
citoaderência→ aderência do GV às cels. endoteliais,
para favorecer a permanência em vasos profundos de
peq. calibre).
Após um período de evolução da infecção, aparecem
os gamontes ou gametócitos, que não se dividem, eles
crescem e logo aparecem na circulação geral.
Estes são retirados do sangue circulante por outros
mosquitos e continuam o esquema de transmissão.
Os gametócitos são encontrados nos exames de
sangue, possuem longevidade de cerca de 60 dias.
Difícil detecção
Esporozoítas
Criptozoítas
Merozoítas
Trofozoíto imaturo
(Anel)
Trofozoíto
maduro
Esquizonte
Gametócitos
MECANISMOS PATOGÊNICOS
Acontece basicamente pelo rompimento de hemácias e
sequestro de hemácias (P. falciparum → grave)
A gravidade da malária varia devido a mecanismos
ainda não bem esclarecidos, possuem evidência de
relação com genes localizados no locus dos sistema
principal de histocompatibilidade (MHC):
Na África Ocidental encontrou-se correlação
altamente significativa entre o alelo B53 (MHC
classe I) e proteção contra malária cerebral ou
anemia, o qual reduz de 40% o risco de
sucumbir por essas patologias.
O alelo DR1302 (MHC classe II) protege do
mesmo modo contra a anemia, mas não contra
a malária cerebral.
Por sua vez, o gene de TNF, que apresenta
polimorfismo, quando homozigoto para seu
alelo TNF-2 aumenta o risco de malária cerebral
e de sequelas neurológicas.
De modo geral, a principal ação patogênica dos
plasmódios é exercida pela anóxia (diminuição de
oxigenação) de tecidos → redução da capacidade de
transporte.
Anóxia é devido a destruição intra e extra vascular das
hemácias, rompimento dos merócitos ou rosáces
(esquizontes rompidos) e destruição por macrófagos.
A destruição por processo autoimune parece ser uma
hipótese para explicar a anemia na malária, essa
hipótese não teria relação com o grau de parasitismo, já
que há casos de anemia mesmo quando a parasitemia
já se tornou negativa.
Há também, perturbações locais de fluxo sanguíneo e
aumento da glicólise anaeróbica nos tecidos.
Sequestro de hemácias: Na terçã maligna (p.
falciparum), a aderência das hemácias parasitadas a
outros eritrócitos e ao endotélio microvascular e
vênulas pós-capilares do cérebro é facilitada pelas
protrusões digitiformes e pela presença de antígenos
(PfEMP-1, isto é, proteínas de membrana de eritrócitos
infectados por P. falciparum”)
Em conjunto com leucócitos e plaquetas, essas
hemácias podem valsar obstrução de pequenos vasos
→ anóxia tissular ou necrose isquêmica focal.
A ação das citocinas ainda não é bem esclarecida, mas
é evidenciado a relação positiva entre a concentração
de TFN-alfa e os acessos febris.
A produção de TNF-a pelos macrófagos ativados e de
outros mediadores (como o IFN-y pelos linfócitos
T/CD4+) é induzida, aparentemente, por substâncias
liberadas com a ruptura das rosáceas (possivelmente,
o glicosil-fosfatidil-inositol ou GPI), no fim de cada
esquizogonia.
A perda da consciência também está presente em
casos mais graves da malária devido a produção de
óxido nítrico (NO) a partir de arginina.
Pode ser produzido por: NO-sintetase dependente de
cálcio, operando nas sinapses e que dispõe de
mecanismo auto-regulador; ou outra, mais importante
em patologia, graças à NO-sintetase ativada por
citocinas, que pode elevar o teor de NO até mil vezese
prolongar sua ação → bloqueio de sinapses nervosas,
síntese de DNA nos linfócitos (imunossupressão).
Além disso, o parasita possui um elevado consumo de
glicose, o que reduz o glicogênio hepático, do seu
catabolismo resulta o lançamento na circulação do
organismo hospedeiro ácido lático, hemozoína e
detritos celulares residuais das merócitos e restos de
hemácias destruídas.
Há redução do CO2 devido a neutralização do ácido
lático. Nas infecções mais graves isso pode levar a
redução do pH sanguíneo.
O acúmulo de hemozoína nos tecidos, principalmente
nas formas crónicas da malária, leva a uma
pigmentação escura dos órgãos, especialmente
daqueles mais ricos em elementos do SFM (Sistema
Fagocitário Mononuclear) ou daqueles que, como o
encéfalo, revelam facilmente a pigmentação malárica,
devido à sua cor própria.
A hemoglobina das hemácias destruídas, que não foi
metabolizada pelos plasmódios, é transformada em
bilirrubina e excretada pelo fígado, voltando o Fe ao seu
pool de reserva.
Hipoglicemia pode estar presente (infecções por P.
falciparum) em formas graves ou em mulheres que
tiveram filhos recentemente.
Importante citar: os antígenos maláricos solúveis
encontram-se no sangue durante as infecções e nas
primeiras semanas depois da cura.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Deve-se suspeitar de malária em pacientes com
qualquer doença febril se eles tiveram exposição a uma
região onde a malária é endêmica
Cada plasmodium causará um tipo específico que se
assemelham em alguns aspectos dificultando o
diagnóstico clínico de qual é o parasito de
sintomatologia.
falciparum → terçã maligna (48h de intervalo)
vivax → terçã benigna (48h ou 3d de intervalo)
malarie → quartã (72h de intervalo)
Segundo o livro de parasitologia de Rey 4ª edição: o
acesso malárico possui três fases definidas
1º Calafrios, paciente relata sensação subjetiva
de frio (uso de cobertores).
Geralmente fica pálido, cianótico e
apresenta bater de dentes.
Pulsos se tornam rápidos e finos,
podendo aparecer náuseas e vômitos.
2º Após 15min, o frio passa e o paciente relata
sensação de calor e cefaleia intensa.
Temperatura alcança 39 a 40ºC.
Pulso cheio e amplo
Pele fica quente e seca
Delírio (incomum)
3º Após 2-4 horas (ou mais), quadro marcado
por sudorese, queda da temp., cessar da dor de
cabeça e sensação de alívio.
Como resíduo da crise, o doente pode manifestar certo
grau de fadiga ou, então, recuperar-se totalmente.
Então o ciclo eritrocitário inicia-se novamente.
LEMBRAR: intervalo sem febre depende do tipo de
plasmodium (dia sim, dia não, no caso de infecção por
P. vivax ou P. ovale, e a cada 72 horas nas infecções
por P. malariae)
Malária não complicada
Começa com sintomas inespecíficos:
Taquicardia Taquipneia
Calafrios Mal-estar
Fadiga Sudorese
Cefaleia Tosse
Anorexia Nauseas
Artralgia Mialgia
Vômito Diarreia
Os achados físicos podem incluir:
▪ Anemia
A anemia é comum entre crianças pequenas
em áreas endêmicas e muitas vezes é devido a
múltiplas causas além da malária (incluindo
ferro e outras deficiências nutricionais).
▪ Icterícia
▪ Esplenomegalia
O aumento esplênico é um achado frequente
entre indivíduos saudáveis em áreas
endêmicas, ocorrendo devido a:
• Excesso de eliminação de GV
• Infecções repetidas da malária
• Outras infecções
O baço muitas vezes encolhe devido a infartos
após múltiplas exposições à malária, de modo
que não é palpável.
A malária não complicada pode ocorrer com qualquer
espécie de Plasmodium. Embora a malária falciparum
seja a mais virulenta, muitas vezes não é possível
determinar a espécie de infecção por malária apenas
com base clínica
Característica por tipo de plasmódio
P. vivax e P. ovale – estágio hepático adormecido
chamado hipnozoíto.
P. vivax – náusea, vômito, febre alta, calafrios e mialgia.
Os sintomas geralmente desaparecem rapidamente
com o tratamento, mas podem persistir por vários dias.
Sem tratamento imediato, pode ocorrer
progressão para manifestações graves,
incluindo anemia, coagulação intravascular
disseminada, trombocitopenia e lesão
pulmonar aguda.
Instabilidade hemodinâmica, insuficiência
hepática, insuficiência renal e coma também
foram descritos. A ruptura ou infarto
esplênico é uma complicação incomum, mas
séria, da infecção por P. vivax. Altas taxas de
sepse em pacientes com P. vivax malária foram
relatadas.
P. ovale – embora têm sido associado a casos de
Ruptura esplênica, trombocitopenia e coagulação
intravascular disseminada na literatura, são eventos
incomuns devido às rarasinfecções por esse
plasmodium.
P. malarie – doença relativamente leve com
parasitemia relativamente baixa. No entanto, a infecção
assintomática de baixo nível pode persistir por meses
ou anos e a anemia associada pode ser grave e resultar
em mortalidade significativa.
A infecção crônica tem sido associada à
síndrome nefrótica devido a uma nefropatia
mista de imunoglobulina (Ig)M e IgG.
A febre costuma ocorrer em intervalos irregulares no
início das infecções (podendo ser superior a 40ºC) e
pode ocorrer em conjunto com taquicardia e/ou delírio.
Convulsões febris podem ocorrer entre crianças no
cenário de malária devido a qualquer espécie. No
entanto, convulsões generalizadas estão associadas ao
falciparum e podem anunciar o desenvolvimento de
malária cerebral.
Malária grave (P. falciparum)
Muitos dos achados clínicos são o resultado de
hemácias parasitadas (e não parasitadas) aderindo a
pequenos vasos sanguíneos ("citoaderência")
causando pequenos infartos, extravasamento capilar e
disfunção orgânica; estes incluem o seguinte:
Consciência alterada com ou sem convulsões
Desconforto respiratório ou SDRA
Colapso circulatório
Acidose metabólica
Insuficiência renal, hemoglobina (“febre da água
negra”)
Insuficiência hepática
Coagulopatia com ou sem coagulação intravascular
disseminada
Anemia grave ou hemólise intravascular maciça
Hipoglicemia
Os achados físicos podem incluir:
Palidez Petéquias
Icterícia Hepato e/ou
esplenomegalia
A ruptura esplênica foi descrita.
A avaliação diagnóstica pode demonstrar o seguinte:
▪ Parasitemia ≥ 4 a 10%
▪ Anemia
▪ Trombocitopenia
▪ Coagulopatia
▪ Transaminases elevadas
▪ BUN/creatinina elevados
▪ Acidose
▪ Hipoglicemia
A trombocitopenia tem sido associada ao aumento do
risco de morte por malária falciparum ou vivax,
particularmente no cenário de anemia grave
concomitante
As manifestações variam de acordo com a idade e
geografia:
Malária endêmica → crianças e gestantes mais
afetados, crianças mais velhas e adultos parecem ter
certa imunidade a malária febril, não a infecção.
As complicações mais graves são por P. falciparum,
mas pacientes graves de malária P. vivax podem
manifestar complicações pulmonares e SDRA.
Malária cerebral
A gravidade depende de diversos fatores (virulência do
parasita, resposta imune e tempo entre o início dos
sintomas e início do tratamento)
Apresenta comprometimento da consciência, delírio
e/ou convulsões. Além disso podem aparecer
hemorragias retinianas.
Os sinais de malária cerebral devem ser avaliados e
tratados prontamente, pois a malária cerebral pode
progredir rapidamente para coma e morte. Se não for
tratada, a malária cerebral é quase universalmente fatal;
com o tratamento, a mortalidade é de 15 a 20 por cento
COMPLICAÇÕES:
Hipoglicemia – comum, apresentam sudorese,
taquicardia, comprometimento neurológico. Sendo
associada a um mau prognóstico (crianças e gestantes).
Deve-se:
▪ Gliconeogênese hepática diminuída
▪ Depleção de estoques de glicogênio hepático
▪ Aumento do consumo de glicose pelo
hospedeiro
▪ Hiperinsulinemia induzida por quinina
Acidose – importante causa de morte na malária grave.
Tem prognóstico ruim. Deve-se:
▪ Glicólise anaeróbica em tecidos do hospedeiro
▪ Produção de lactato do parasita
▪ Hipovolemia
▪ Depuração de lactato hepática e insuficiência
renal
Insuficiência renal – comum em adultos com malária
falciparum. Ainda possui uma patogênese incerta, que
pode ser devido ao sequestro de eritrócitos → interfere
na microcirculação renal.
Edema pulmonar não cardiogênico – é observado em
adultos com malária falciparum grave. Pode estar
relacionada ao sequestro de eritrócitos parasitados nos
pulmões e/ou vazamento induzido por citocinas da
vasculatura pulmonar.
Anomalias hematológicas – anemia leve a moderada
(grave por P. falciparum). Deve-se:
▪ Hemólise das hemácias parasitadas
▪ Diminuição da sobrevivência de eritrócitos
▪ Infecções repetidas e tratamentos ineficazes
Disfunção hepática – icterícia leve a grave (por
hemólise). Ocorre lesão de hepatócitos e colestase
(dificuldade da bile em fluir pelo fígado) → queda na
eficácia de função → tentativa de compensação
fisiológica → hepatomegalia.
Infeções concomitantes – depende dos locais
Infecção bacteriana: septicemia pode
complicar a malária grave, particularmente em
crianças; em áreas endêmicas, Salmonela tem
sido associada a infecções por P. falciparum.
HIV: Ambas as condições induzem
imunodepressão medicamentosa por células.
A infecção pelo HIV está associada ao aumento
da suscetibilidade à malária, maior parasitemia
e aumento do risco de infecção recorrente da
malária.
Comparação: Criança x Adultos
Convulsões e anemia grave são mais comuns em
crianças, enquanto hiperparasitemia, insuficiência renal
aguda e icterícia são mais comuns em adultos
Malária cerebral (com coma), choque, acidose e parada
respiratória podem ocorrer em qualquer idade
Malária grave em gestantes
Pode levar a morte materna, aborto ou morte fetal.
Aumento da imunodepressão natural durante a
gestação facilita casos mais graves de infecção.
A placenta é o local preferencial para sequestro de
hemácia e desenvolvimento do parasita, levando a
falência e sofrimento fetal.
Pode aparecer, hipoglicemia, comportamento anormal,
sudorese ou perda repentina da consciência. (Nestes
casos, as pacientes respondem logo à dextrose
hipertônica endovenosa (20 a 50 ml da solução de
dextrose a 50%) ou ao glucagon parenteral (0,5 a 1,0
mg).
Outro risco importante, sobretudo depois do parto, é o
edema pulmonar agudo, cuja etiologia não está
esclarecida.
Febre hemoglobinúrica
Complicação rara da terçã benigna (P. vivox)
especialmente em casos tratados com quinina. A
primaquina também pode ajudar a desencadear o
processo em pacientes com deficiência de glicose-6-
fosfato-desidrogenase (G6PD) nas hemácias.
Caracteriza-se pelo aparecimento de crises hemolíticas
de intensidade e frequência variáveis. Os sintomas são
os de uma hemólise intravascular aguda, com
hemoglobinúria, febre, prostração e, mesmo, choque. A
anemia instala-se rapidamente, com icterícia ligeira.
Nefropatias maláricas e Síndrome da esplenomegalia
hiper-reativa à malária
DIAGNÓSTICO
Ref:. Ações de Controle da Malária – Manual para
Profissionais de Saúde na Atenção Básica 2005
Diagnóstico epidemiológico
Investigar:
área de procedência do caso;
existência de casos na região;
tempo de permanência na área endêmica.
Diagnóstico clínico
Em situações de EPIDEMIA e em áreas de difícil
acesso da população aos serviços de saúde, indivíduos
com febre são considerados portadores de malária.
São sintomas inespecíficos, portanto, o elemento
fundamental no diagnóstico clínico da malária, tanto nas
áreas endêmicas como nas não-endêmicas, é sempre
pensar na possibilidade da doença.
Investigar:
Transfusões de sangue
Uso compartilhado de agulhas/seringas
O diagnóstico clínico é baseado nas manifestações
clínicas da doença associado aos achados
epidemiológicos. Contudo, o diagnóstico de certeza da
malária é laboratorial.
Diagnóstico laboratorial
Exames específicos:
Gota espessa (padrão ouro)
o Por meio da punção digital é feita a coleta
de sangue e depois é distribuído em lâmina
de vidro, sendo realizada coloração e
leitura por microscópio
o Visualização do parasito → identificar a
espécie e o estágio de desenvolvimento.
▪ LEMBRAR: nos P. falciparum não é
encontrado os trofozoítos
(sequestro de hemácias)
o O exame da gota espessa deve ser de 100
campos microscópicos examinados com
aumento de 600 a 700 vezes, o que
equivale a 0,25ml de sangue.
o A avaliação da parasitemia pode ser
expressa semiqualitativamente em
“cruzes” ou quantitativamente em mm3,
conforme quadro a seguir.
Esplenomegalia persistente e pronunciada
Linfocitose sinusoidal hepática
Elevação exageradados níveis de IgM.
Esfregaço sanguíneo
o O diagnóstico parasitológico da malária
pelo esfregaço sanguíneo tem a vantagem
de facilitar a identificação da espécie por
permitir maior detalhe da morfologia dos
plasmódios, mas, por outro lado, em
baixas parasitemias, há uma redução da
sua sensibilidade cerca de dez vezes, se
comparado à gota espessa.
Imunotestes
o Também chamado de testes rápidos, os
imunotestes para diagnóstico de malária
vêm sendo amplamente avaliados.
o Teste com vantagem para capturar
antígenos de P. falciparum e não P.
falciparum.
o É um teste baseado em fitas de detecção
por imunocromatografia, o qual utiliza
anticorpos monoclonais e policlonais,
marcados com ouro e dirigidos contra a
enzima desidrogenase do lactato
específica do parasito (pDHL) presente no
sangue total do paciente.
o É um método bastante rápido, de fácil
manuseio e que, dependendo de seus
resultados, poderá ser aplicado no campo
quando indicado, levando-se em
consideração o seu custo benefício.
Exames inespecíficos
Hemograma
o Anemia é comum (geralmente
normocítica e normocrômica)
o Leucopenia pode estar presente, mas
os leucócitos podem também se
apresentar sem alterações.
o Leucocitose pode ocorrer
eventualmente, pela depressão
imunitária → infecção concormitante
o Plaquetas em geral estão diminuídas
(na malária falciparum é possível
encontrar trombocitopenias inferiores
a 20.000 plaquetas/mm3 de sangue)
PCR
Alterações biológicas
o Elevação da uréia, da creatinina, das
bilirrubinas e das enzimas, por
exemplo, aminotransferases
(transaminases), 5’-nucleotidase e
gama-transpeptidase (GAMA-GT).
o Os pacientes mais graves estão
acidóticos, com baixa concentração
de bicarbonato e baixo pH
plasmático nos capilares.
o As alterações hidroeletrolíticas (sódio,
potássio, cloro, cálcio e fósforo) variam.
o As concentrações de ácido láctico no
sangue e no líquido cefalorraquidiano
são altas tanto nos adultos como nas
crianças.
Diagnósticos diferenciais
Dengue: pode causar mal-estar, dor de cabeça, fadiga,
desconforto abdominal e dores musculares associadas
à febre. A mialgia devido à dengue é geralmente
mais grave. O diagnóstico é estabelecido com
sorologia
Chikungunya: assemelha à dengue, mas é mais leve
e autolimitada, muitas vezes com erupções cutâneas.
O diagnóstico é estabelecido por sorologia
Meningite: a dor de cabeça com rigidez de nuca ou
fotofobia (meningite bacteriana ou viral). A malária não
está associada a erupção cutânea (ao contrário da
septicemia meningocócica). O diagnóstico de
meningite bacteriana é estabelecido por punção
lombar e cultura.
Pneumonia: manifestações incluem febre, tosse,
dispneia e produção de escarro. Pacientes com
pneumonia podem ter retrações intercostais e outros
sinais de respiração difícil. O diagnóstico é de
pneumonia estabelecido por radiografia de tórax e
cultura de escarro.
Sepse por bacteremia: pode apresentar febre,
taquicardia e alteração do estado mental; diagnóstico
requer hemocultura
Febre tifoide: eventos incluem febre, bradicardia, dor
abdominal e erupção cutânea. O diagnóstico é
estabelecido por fezes e/ou hemocultura.
Leptospirose: aparece febre, calafrios, mialgia e dor
de cabeça. A mialgia da leptospirose é geralmente mais
grave; A leptospirose também pode estar associada a
hemorragias petequiais na pele ou nas mucosas. O
diagnóstico é estabelecido por testes sorológicos.
Febre hemorrágica viral: associada a febre, mal-
estar e sintomas sistêmicos. Pode estar associada a
hemorragias petequiais na pele ou nas mucosas;
isso ocorre na malária grave apenas RARAMENTE. O
diagnóstico é estabelecido por imunoensaio ou teste
de ácido nucleico.
TRATAMENTO para P. vivax e P. ovale
Cloroquina VO por 3 dias + Primaquina VO por 7 dias.
A droga de escolha é a CLOROQUINA por via oral.
Tanto crianças quanto adultos devem receber uma
dose total de 25mg/kg, administrada no transcorrer de
três dias.
Importante
Um regime farmacocineticamente adequado
consiste em administrar uma dose inicial de 10
mg/kg, seguida de 5 mg/kg seis a oito horas após e 5
mg/kg em cada um dos dois dias seguintes.
Outro regime mais prático, utilizado em muitas áreas,
consiste em 10 mg/kg no primeiro dia, seguida de 7,5
mg/kg no segundo e terceiro dias.
Cloroquina geralmente é bem tolerada e pode ser
usada na gestação → sua toxicidade ocular não é
problema na terapia antimalárica, pois o tempo de
tratamento é extremamente curto.
MA (resumido): A cloroquina ataca os esquizontes
eritrocitários, revertendo a parasitemia. Entretanto, não
é eficaz contra os hipnozoítas hepáticos.
Pode haver (extremamente raro no BRASIL)
P. vivax resistente a 4-aminoquinoleínas (cloroquina
e amodiaquina).
Para os pacientes que não toleram a terapia via oral,
indica-se a cloroquina venosa, feita cuidadosamente na
dose de 5 mg/kg diluídos em 500 ml de soro glicosado
ou fisiológico, administrados em 4-6h.
Para combater hipnozoítas: associar a primaquina
(por via oral, na dose de 0,50 mg/kg de peso,
diariamente, durante sete dias)
TRATAMENTO para P. falciparum
Cloroquina passou a ser ineficaz contra a maioria das
cepas de P. falciparum.
Forma não grave
Primeira escolha
Artemeter + lumefantrina VO por 3 dias
OU
Artesunato + metfloquina VO por 3 dias
Segunda escolha
Sulfato de quinino VO por 3 dias
+
Doxiciclina VO por 5 dias
+
Primaquina VO dose única no sexto dia
MA: derivados da artemisinina são capazes de inibir a
enzima adenosina-trifosfatase de cálcio, que é essencial
para o metabolismo do parasito.
Curiosidade
O Atovaquone-Proguanil (Malarone) é uma droga
nova liberada nos EUA, Europa e alguns países da
Ásia para o tratamento da malária não complicada
por P. falciparum em adultos (e também para
quimioprofilaxia). Diversos estudos têm mostrado
uma eficácia > 95% sem efeitos adversos
significativos. Porém, esta droga ainda não se
encontra disponível no Brasil.
Não deve ser usada em crianças com menos de 15 kg,
pacientes com distúrbios de condução cardíaca,
distúrbios psiquiátricos ou epilepsia.
Forma grave
O objetivo é a negativação da parasitemia o mais rápido
possível.
Com este intuito, as drogas de primeira escolha são os
derivados da artemisinina para uso parenteral
Primeira escolha:
- Artemeter IM: Se o paciente estiver em condições de
deglutir, a dose diária pode ser administrada em
comprimidos, por via oral.
Segunda escolha:
- Quinina EV (dose de ataque e dose de manutenção
após 8h e repetir 8-8h → até paciente conseguir deglutir
→ utiliza-se comp. 8-8h por 7 dias) + Clindamicina EV
(infundida em gotas por 7 dias, se puder deglutir →
comp)
Obs.: esquema para adultos e gestantes no primeiro
trimestre. Em crianças com idade inferior a um mês é
administrado APERNAS o quinino (clindamicina não
pode ser usada nesta faixa etária)
Suporte:
Reposição de glicose, já que a hipoglicemia é bastante
frequente tanto pela forma grave da malária quanto pelo
uso de quinino.
A anemia grave sintomática, geralmente com Ht < 20%
ou Hb < 5,0 g/dl, deve ser tratada com reposição de
concentrados de hemácia.
Hidratação venosa com reposição eletrolítica é
importante, mas deve-se ter o cuidado de evitar a hiper-
hidratação, para não agravar uma possível malária
pulmonar ou renal intrínseca.
Insuficiência renal oligúrica pode ser inicialmente
abordada com uma prova de volume, seguida pela
administração de diuréticos de alça (diálise em casos
graves).
A ventilação mecânica está geralmente indicada nos
pacientes com malária pulmonar.
Para a malária cerebral, as medidas convencionais de
“proteção cerebral” são fundamentais:
anticonvulsivantes, tratamento agressivo da
hipertermia e da hipoglicemia, correção de
distúrbios eletrolíticos, sedação adequada, decúbito
a 30º etc.
TRATAMENTO para P. malariae
Utiliza-se cloroquina VO por três dias, já que nãohá
hipnozoítas hepáticas
QUIMIOPROFILAXIA
Extra
DIPIRONA - JC
ICTERÍCIA - AC
VALORES DE HEMOGRAMA - LD
Ref. EXTRAS:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia prático
de tratamento da malária no Brasil / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância
Epidemiológica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
Lopes, AC et al. Tratado de Clínica Médica. 3ª ed. São Paulo: Roca, 2016.
Lopez, FA.; Campos Jr, D. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria. 3a ed. São Paulo: Manole, 2014.