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Principais Intercorrências Clínicas durante o ciclo gravídico-puerperal Facilitadora: Ana Paula de Souza Tenório Custódio Apresentação (NEME, 2006; AMORIM et al. 2006; AMORIM et al. 2008). Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher Promover a atenção obstétrica e neonatal, qualificada e humanizada, incluindo a assistência ao abortamento em condições inseguras, para mulheres e adolescentes – qualificar e humanizar a atenção em casos de abortamento Hemorragias obstétricas: 2ª causa de MM Classificação das Hemorragias Hemorragias do 1º trimestre: ABORTO Hemorragias do 3º trimestre: Descolamento prematuro da placenta Placenta prévia Rotura uterina Hemorragias do puerpério ABORTO: DEFINIÇÃO É um critério baseado na viabilidade fetal extra-uterina. EMBRIONÁRIO- até a 10ª semana de gravidez. FETAL- entre a 10ª e a 22ª semana. Abortamento é a expulsão de feto com menos de 500g, o que corresponderia a uma gestação entre 20 a 22 semanas de amenorréia (COSTA, 2006). ABORTO LEGAL Aborto Legal No Brasil – crime contra a vida Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário. I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Código Penal, 1940 Aborto Legal No Brasil – crime contra a vida Aborto no caso de gravidez resultante de estupro. (aborto sentimental) II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. Código Penal, 1940 Aborto Legal No Brasil – crime contra a vida Não é qualificado como crime quando praticado por médico capacitado III- se o feto for anencefálico (desde decisão do STF pela ADPF 54, votada em 2012, que descreve a prática como "parto antecipado" para fim terapêutico). Aborto Legal Instituições de Referência Devem assegurar à mulher os seus direitos garantido por Lei, disponibilizando uma equipe médica que realize o procedimento tão logo ela chegue ao serviço. Brasil, 2010 Aborto Legal Interrupção da Gestação Gestações > 20 semanas Não se recomenda a interrupção, devendo ser oferecido à mulher acompanhamento pré-natal e psicológico, procurando-se facilitar os mecanismos de adoção, se a mulher assim o desejar. Aborto Legal Em todo caso de abortamento, a atenção à saúde da mulher deve ser garantida prioritariamente, respeitando a mulher na sua liberdade, dignidade, autonomia e autoridade moral e ética para decidir, afastando-se preconceitos, estereótipos e discriminações de qualquer natureza, que possam negar e desumanizar esse atendimento. Brasil, 2010 Direitos do Enfermeiro na realização do Aborto SEÇÃO I - DAS RELAÇÕES COM A PESSOA, FAMÍLIA E COLETIVIDADE; DIREITOS. PROIBIÇÕES Art. 28 – Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação. Parágrafo único – Nos casos previstos em lei, o profissional deverá decidir, de acordo com a sua consciência, sobre a sua participação ou não no ato abortivo. Fonte: Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. ABORTO: EPIDEMIOLOGIA Problema de saúde publica importante causa de morte materna Gestações difíceis de serem quantificadas não planejadas culminam em abortamento Aborto Ilegal Interrupção da gravidez quando os motivos apresentados não se encontram enquadrados na legislação em vigor. Ou quando é feito em locais que não estão oficialmente reconhecidos para o efeito. ABORTO: CLASSIFICAÇÃO ESPONTÂNEO PROVOCADO TERAPÊUTICO HABITUAL Abortamentos espontâneos Os abortamentos espontâneos são aqueles que acontecem sem ação deliberada de qualquer espécie, sendo precoce quando ocorrem antes da 12ª semana de amenorreia, e tardios, quando ocorrem após essa data (COSTA, 2006). Gravidez interrompida sem que seja por vontade da mulher. Acontece por fatores biológicos, psicológicos e sociais que contribuem para que esta situação se verifique. Aborto Espontâneo Abortamentos provocado e/ou terapêutico Os abortamentos provocados ou induzidos são aqueles em que alguém decidiu pela interrupção da gravidez antes da viabilidade fetal. Existe o conceito de aborto terapêutico, que é uma das formas de abortamento provocado, praticado para preservar a vida materna (COSTA, 2006). Aborto Induzido legalmente Procedimento legal usado para interromper uma gravidez. Acontece quando existem malformações congênitas, gravidez resultada de crime sexual ou coloca em perigo a vida e saúde física e/ou psíquica da mulher. Abortamento habitual Denomina-se abortamento habitual ou de repetição, quando esse evento ocorre três vezes consecutivas sem qualquer feto viável intercalado, ocorrendo em cerca de 1% das mulheres em idade reprodutiva (COSTA, 2006; MONTENEGRO & REZENDE FILHO, 2008). ABORTO: FATORES DE RISCO Nulíparas 5% Idade materna (20% em mulheres com 35 anos, 40% em 40 anos e 85% em 45 anos) Paridade Tabagismo (especificamente mais de dez cigarros por dia) antecedente de um aborto = 20%, dois = 28%, três ou mais = 43%) Consumo de álcool (principalmente no primeiro trimestre) Trauma Exposição materna a agentes teratogênicos (drogas, agentes infecciosos, estresse físico). ABORTO: ETIOLOGIA Anomalias do produto da concepção Ovo anembrionado (não há embrião dentro do saco gestacional). Alterações cromossômicas ABORTO: ETIOLOGIA Causas maternas locais (uterinas) Malformações (o defeito mais importante é o útero septado, sendo a deficiente vascularização do septo o fator responsável pela interrupção da gravidez). ABORTO: ETIOLOGIA Causas maternas locais (uterinas) Incompetência istmo-cervical Miomatose (o risco de aborto depende do tamanho e localização do mioma). Circlagem ABORTO: ETIOLOGIA Causas maternas sistêmicas Doenças crônicas Infecções (rubéola, clamídia e infecções bacterianas graves). Causa imunológica (síndrome do anticorpo antifosfolípide). Insuficiência luteínica. Traumas ABORTO: FORMAS CLÍNICAS ABORTO INEVITÁVEL INCOMPLETO RETIDO INFECTADO EVITÁVEL COMPLETO Formas Clínicas - Quanto a evolução clínica: Ameaça de aborto ou abortamento evitável; Abortamento em curso; Abortamento inevitável - Quanto ao conteúdo eliminado: abortamento completo, abortamento incompleto Ameaça de aborto ou abortamento evitável Quando o curso normal da gestação é interrompido sem que ocorra modificação cervical Sintomas: sangramento discreto, dor tipo cólica, peso na região hipogástrica, ao toque vaginal: colo fechado Cuidados: repouso, diminuir a ansiedade, relaxamento, reduzir estímulos uterinos 30 Abortamento em curso e inevitável Ocorre hemorragia vaginal moderada, acompanhada de cólicas fortes, dores em baixo ventre, náuseas e vômitos Clinicamente: anemia, taquicardia, hipotensão, até sinais de choque hipovolêmico. Colo uterino dilatado. Tratamento: se a IG < 12 semanas – curetagem ou aspiração vácuo-aspiração; se a IG > 12 semanas – estimular a atividade uterina. Abortamento completo: eliminação ovular completa, o sangramento, as cólicas vão diminuindo progressivamente e o colo se fecha. Abortamento incompleto: eliminação incompleta das estruturas ovulares. 31 Abortamento retido: quando após a morte do embrião, não ocorre sua expulsão e reduzem-se os sintomas peculiares a gestação. Abortamento séptico: quando em processo de abortamento, a gestante apresenta sinais e sintomas de infecção. Apresenta calafrios, febre, secreção purulenta cervical, taquicardia. Quase sempre a interrupção é criminosa. Diagnóstico Anamnese; Exame ginecológico; Ultrassonografia; Pesquisa de infecção; 32 Forma Clínica Hemorragia Dores Febre Colo Evitável Pequena, sangue cor viva ou escura Cólicas pouco intensas Não Fechado Inevitável Média, sangue rutilante Cólicas médias e ritmadas Não Entreaberto Completo Não ou diminuída Não ou discretas Não Entreaberto após a expulsão, fechadoa seguir Incompleto Abundante, mesclada a fragmentos do ovo Cólicas médias ou intensas Não Entreaberto Retido Não ou escassa Não Não Fechado Infectado Pequena, mesclada a fragmentos do ovo e corrimento sanioso Intensas e contínuas Sim Entreaberto ABORTO: CONDUTAS A conduta depende da idade da gravidez: No tratamento das gestações com menos de 12 semanas, indica-se Aspiração Manual Intrauterina (AMIU), aspiração a vácuo ou curetagem. Após 12 semanas a expulsão é acelerada pela administração de ocitocina ou de misoprostol. Somente no útero, após eliminação da maior parte do ovo, faz-se a aspiração a vácuo ou a curetagem. ABORTO: CONDUTAS ABORTO INFECTADO Planejamento reprodutivo correto e efetivo. Administrar antibiótico Equilibrar o estado geral da paciente com a administração de solutos ou hemoderivados. Laparotomia, seguida de histerectomia total Assistência de Enfermagem Avaliar SSVV, sangramento vaginal em mulheres submetidas a procedimentos invasivos por 30min após o término; Proporcionar repouso, ambiente calmo Mulheres Rh negativo devem receber imunoglobulina; Drogas uterotônicas são efetivas para diminuir o sangramento pós-aborto; Encaminhar produto eliminado para avaliação Orientar: Abstinência sexual por 2 semanas; Não usar absorvente interno; Aguardar, em torno de 3 meses para uma nova gestação; Estimular a realização do planejamento reprodutivo. 36 Assistência de Enfermagem à mulher com Doença Trofoblástica Gestacional As doenças trofoblásticas gestacionais compreendem lesões caracterizadas pelo desenvolvimento anormal do trofoblasto e incluem mola hidatiforme (parcial e completa), mola invasora e coriocarcinoma, todas produtoras de gonadotrofina coriônica humana fração (β– hCG). DEFINIÇÃO CLASSIFICAÇÃO DA DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) Mola hidatiforme parcial Mola hidatiforme completa Mola invasora Coriocarcinoma Tumor trofoblástico do sítio placentário Lesões trofoblásticas não classificadas COMPLETA PARCIAL Mola hidatiforme Forma benigna e não-invasiva. Degeneração hidrópica das vilosidades coriônicas, ou seja, acúmulo de água no meio intracelular. COMPLETA PARCIAL DIAGNÓSTICO História clínica + Exame físico detalhado: vesículas. Níveis elevados de HCG (mola completa > mola parcial). Ausência de batimentos cardíacos fetais. Geralmente é diagnosticada no primeiro trimestre da gestação em raras vezes chegará ao segundo ou terceiro trimestres. QUADRO CLÍNICO Quando a DTG ocorre, o tecido gestacional existe, mas a gestação não é viável. Amenorreia, fadiga, sensibilidade nas mamas. Sangramento vaginal marrom. Eliminação de vesículas. Anemia. Hiperêmese gravídica. Edema Disparidade entre o tamanho uterino e a idade gestacional, “útero em sanfona”. Níveis elevados de hCG. Ausência de sons cardíacos fetais. Padrão molar característico na ultrassonografia. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM Avaliar o entendimento da cliente sobre a patologia e suas implicações e dessa forma fornecer informações à gestante sobre seu problema e tratamento; Observar capacidade de enfrentamento da gestante quanto ao tratamento; Promover conforto e segurança. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM Monitorar: volume sanguíneo perdido Avaliar a perda sanguínea Mensurar e registrar volume urinário Instalar acesso venoso em veia calibrosa S/N Nível de dor e contratilidade uterina Resultados de exames laboratoriais Verificar FC, FR E PA Observar alterações na coloração da pele Estimular dieta balanceada e nutritiva. PRENHEZ ECTÓPICA 46 PRENHEZ ECTÓPICA Quando o ovo se implanta fora do útero, sua incidência é de 1,5 a 2% das gestações (9% dos óbitos maternos): *tubária (+ 95% das ectópicas) - Abortamento ou rotura tubária *ovariana - É muito rara *abdominal - risco de morte materna **A sobrevida fetal na gravidez abdominal é exceção e não a regra e o feto que nasce vivo é frequentemente malformado 47 PRENHEZ ECTÓPICA **FATORES RESPONSÁVEIS **Doença inflamatória pélvica *Operações anteriores >plásticas, ligaduras tubárias e abortamentos provocados. *MALFORMAÇÕES TUBÁRIAS ENDOMETRIOSE (trompa, ovário e peritônio); 48 PRENHEZ ECTÓPICA QUADRO CLÍNICO **Tríade sintomática: Amenorréia; Sangramento; Dor abdominal. ATENÇÃO: A evolução depende principalmente de sua localização. 50 Hemorragias do 3º trimestre Placenta prévia Descolamento prematuro da placenta Rotura uterina Placenta Prévia A placenta prévia (PP) é quando a placenta está inserida totalmente ou parcialmente no segmento inferior do útero, localizando-se próxima ou sobre o orifício interno do colo, pode estar à frente da apresentação fetal ou não e ocorre durante o terceiro trimestre da gestação CONCEITO Incidência 0,5 a 1% das gestações e sua frequência está associada à paridade e à idade. (NEME, 2009; REZENDE, 2008) Placenta Prévia Lateral ou implantação baixa da placenta – borda inferior há 7 cm do orifício interno do colo. Marginal – borda inferior rente ao orifício interno do colo, porém não o ultrapassa. Parcial – obstrui parcialmente o orifício 53 Placenta Prévia FATORES DE RISCO (REZENDE, 2008) Placenta Prévia Paridade Idade avançada Cesarianas Curetagem Operações ginecológicas anteriores Gestação ectópica Placenta Prévia Inicia-se em torno da 34ª semana de gestação. Pode surgir no trabalho de parto. Hemorragia relacionado ao da Dilatação uterina Na placenta prévia marginal o sangramento detém-se até ocorrer a amniotomia. O ovo implantado na zona corporal original se evade em busca de elementos nutritivos, expandindo-se superficialmente e alcançando a região ístmica. (REZENDE, 2008) Placenta Prévia DIAGNÓSTICO USG Identifica as implantações baixas entre 18-20 semanas, incidência 10x> frequência clínica; Achados de placenta dentro de 2 cm do orifício interno é indicação de parto cesáreo; Transvaginal - melhor exame para diagnosticar. (COSTA, 2006; REZENDE, 2008) Placenta Prévia TRATAMENTO PROGNÓSTICO HTA (COSTA, 2006) Conduta PP Cesárea gestação a termo e desequilíbrio hemodinâmico Transvaginal sem sangramento vaginal Conservadora Pouco sangramento, s/ desequilíbrio hemodinâmico, prematuridade. Intervencionista Hemorragias do 3º trimestre Placenta prévia Descolamento prematuro da placenta Rotura uterina DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA CONCEITO Descolamento da placenta de forma repentina e de maneira inapropriada após a 22ª semana de gestação. DADOS EPIDEMIOLÓGICOS Incidência: 0,65 a 1% dos partos ocorridos. (COSTA, 2006) DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA ETIOLOGIA (COSTA, 2006) Traumáticas ou mecânicas Fatores internos - Cordão umbilical curto - Esvaziamento rápido de polidrâmnio - Retração uterina após expulsão de 1º gemelar Fatores externos - Hipersistolia e hipertonia (drogas ocitócicas) - Raras - Traumas diretos ao ABD gravídico Não-traumáticas Fatores predisponentes - HA e DM - Condição socioeconômica - Passado obstétrico (-) - Multiparidade - Idade materna avançada - DPP anterior - Corioamnionite - Gemelaridade - CRIU - Tempo prolongado das membranas rotas - Etilismo, tabagismo, cocaína Formação do hematoma retroplacentário Sangue coagulado - descola as membranas e elimina-se através da cérvice uterina, (hemorragia externa) 80% dos casos (COSTA, 2006) DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA CLASSIFICAÇÃO O DPP não regride, antes, se agrava à medida que as horas passam. 3 graus de evolução Leve (assintomático) Moderado (sinais clínicos da doença com feto vivo); Grave (sintomatologia clínica, óbito fetal e instalação ou não de coagulopatia) (COSTA, 2006) DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS (COSTA, 2006) Sangramento retroplacentário (20%) e externo (80%)Dor abdominal alta Hipertonia Ausculta fetal (-) Sofrimento fetal Equimose no local das punções (coagulopatia) Morte fetal elevada hemoâmnio DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA DIAGNÓSTICO Sintomatologia Clínico, obstétrico, exames complementares (USG) exames laboratoriais (COSTA, 2006) Placenta Prévia Descolamento de Placenta Anormalmente inserida Normalmente inserida Sangramento vaginal Sangramento pode ser oculto Indolor Doloroso Abdome depressivo, exceto em contrações Abdome em tábua e doloroso Possível a palpação dos contornos fetais Impossível palpação dos contornos Provas de coagulação normais Provas de coagulação alteradas - hipofibrinogenopatia Confronto dos sinais e sintomas da PP e do DPP Fonte: Ziegel, 1985. 66 DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA TRATAMENTO (COSTA, 2006) Monitorização materna e fetal; Parturição rápida; Se feto vivo – cesárea Se feto morto – executar amniotomia, aguardar entre 2 a 4 h, senão cesárea Transfusão sanguínea adequada; Histerectomia é indicada frente a atonia Avaliar no pré-natal: anamnese - condição sócio-econômica, idade, história obstétrica, multiparidade; Oferecer orientação higiênico-dietética; Ofertar exames labotaroriais; Avaliar nível de consciência; Reduzir a ansiedade; Avaliar e controlar contratilidade uterina; Não realizar toque vaginal; DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA Assistência de Enfermagem 68 Vigiar estados anêmicos; Alertar para os sinais de choque; Controlar sangramento, lóquios; Realizar curativo em incisão da cesareana, atenção aos sinais de inflamação; Controlar diurese; SSVV; Proporcionar repouso no leito confortável; DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA Assistência de Enfermagem 69 Hemorragias do 3º trimestre Placenta prévia Descolamento prematuro da placenta Rotura uterina RUPTURA UTERINA CONCEITO (COSTA, 2006) A ruptura do útero é um dos acidentes mais graves da obstetrícia que denuncia uma má assistência obstétrica, principalmente no trabalho de parto. RUPTURA UTERINA (COSTA, 2006) ETIOLOGIA (oblíqua, transversa e fronte) 72 Fatores predisponentes Cicatriz de cesárea anterior Fatores causais Ocitócicos Endometriose Multiparidade Desproporção céfalo-pélvica Apresentações anômalas Tumores prévios Gemelaridade Curetagem uterina pós-parto Fórceps Manobra de Kristeller RUPTURA UTERINA CLASSIFICAÇÃO Etiologia Espontânea ou provocadas Extensão Completa ou incompleta Localização corporal ou segmentar Complicações lesão da bexiga, do ureter, da vagina e/ou do reto Direção (COSTA, 2006) RUPTURA UTERINA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Dor intensa Hipersistolia Hipertonia Distensão segmentar com formação do anel de Bandl e do sinal de Frommel Parada do trabalho logo após a consumação da ruptura Ausculta fetal (-) Irregularidade abdominal à palpação Hemorragia interna e externa Sinais de choque hipovolêmico (COSTA, 2006) O diagnóstico é clínico! RUPTURA UTERINA (COSTA, 2006) TRATAMENTO Cirúrgico, com o uso de inibidores da contratilidade uterina nos casos de distensão segmentar Ruptura consumada: laparotomia, cateterizar as veias calibrosas Nulípara: CD conservadora histerorrafia Multípara: laqueadura tubária Rupturas complicadas: histerectomia subtotal RUPTURA UTERINA PROFILAXIA Paciente com desproporção céfalo-pélvica Cicatrizes prévias no útero - maior monitoramento no TP Evitar manobra de Manobra de Kristeller e uso de fórcipe (COSTA, 2006) Não entrar em TP Evitar o uso de ocitocina Prognóstico materno é reservado e o fetal é péssimo quando há a ruptura uterina consumada. HEMORRAGIAS DO PUERPÉRIO DEFINIÇÃO A hemorragia pós-parto (HPP) é a perda sanguínea acima de 500ml após o nascimento. É considerada severa, quando a perda é maior que 1000ml. HEMORRAGIAS DO PUERPÉRIO precoces Incidem nas primeiras 24 horas Atonia uterina: anestesia geral, parto prolongado, útero sobredistendido, infecção uterina anteparto e choque hipovolêmico. Lacerações do trajeto: vulva, vagina, colo, incisão de episiotomia ou rotura perineal subsecutiva ao parto. HEMORRAGIAS DO PUERPÉRIO tardias Incidem após as primeiras 24 horas do parto, ou decorridos alguns dias, podem-se observar perdas sanguíneas que, por vezes, se tornam graves. Restos ovulares Infecção puerperal Sobredistensão uterina Subinvolução uterina Hemorragias disfuncionais Hematoma puerperal Sinais e sintomas típicos Sinais e sintomas ocasionais Provável diagnóstico etiológico HPP imediata Útero não contraído Choque Atonia uterina HPP imediata Placenta completa Útero contraído Lacerações cervical, vaginal, perineal Placenta não delivrada 30 minutos após o parto HPP imediata Útero não contraído Retenção placentária Perda parcial da parte materna da placenta HPP imediata Útero contraído Retenção de fragmentos placentários Útero não palpável em fundo uterino Leve ou intensa dor Útero invertido aparecendo na vulva HPP imediata Inversão uterina Sangramento ocorrendo 24h após o parto Útero amolecido e maior que o esperado para o tempo após delivramento Sangramento, variável HPP tardia (Retenção de restos placentários ou hematoma puerperal) HPP imediata (sangramento intra-abdominal e/ou vaginal) Dor abdominal severa (que diminui após ruptura) Choque, abdome tenso, taquisfigmia, palpação uterina irregular Ruptura uterina HEMORRAGIAS DO PUERPÉRIO precoces TRATAMENTO Atonia uterina Esvaziamento da bexiga Infusão de ocitocina (40UI em 500ml de SF 0,9%) Metilergonovina, 0,2mg em bolus IV PERSISTINDO 10UI de ocitocina em bolus IV Compressão bimanual do útero (método de Hamilton) Misoprostol 800 a 1.000 μg por via retal Compressão bimanual do útero HEMORRAGIAS DO PUERPÉRIO precoces TRATAMENTO Atonia uterina PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS INDICADOS: Ligadura da artéria uterina, útero-ovárica, ilíaca interna (hipogástrica) Histerectomia HEMORRAGIAS DO PUERPÉRIO precoces TRATAMENTO Lacerações do trajeto Tamponamento vaginal com gaze. Ambiente e material cirúrgico adequado, suturadas com categute. INFECÇÃO PUERPERAL Grande problema pela sua prevalência, morbidade e letalidade. Índice do Brasil: 1 a 7,2%. Conceito: febre maior ou igual a 38ºC que ocorre após as primeiras 24h do parto, em pelo menos dois dos primeiros dias após o parto. Fatores de risco: DESNUTRUIÇÃO – CESARIANAS – CONDIÇÕES RUINS DE ASSEPSIA (BRASIL, 2001; GUIMARÃES et al, 2007) Manifestações clínicas: elevação da temperatura, presença de taquicardia consistente e súbita, drenagem uterina purulenta e dor abdominal acompanhada de hipersensibilidade do útero. Tratamento: identificação da infecção + abertura da ferida conduta asséptica da ferida + com luvas estéreis e trocas frequentes de curativo + boa lavagem das mãos + hidratação + deambulação. Importante: antibióticos por via parenteral e analgésicos. (GUIMARÃES et al, 2007; SILVA et al, 2007) INFECÇÃO PUERPERAL INFECÇÃO PUERPERAL Cicatrização Fechamento primário retardado Fechamento por terceira intenção Ferida suturada e a cicatrização ocorre por meio de reepitelização. (GUIMARÃES et al, 2007; SILVA et al, 2007) FIBRINA ASSISTÊNCIA INTEGRADA À GESTANTE COM HIV E A PROFILAXIA DA TRANSMISSÃO TRANSMISSÃO VERTICAL (BRASIL, 2010) CONCEITO: sabe-se que esta ocorre através da passagem do vírus da mãe para o bebê durante a gestação, o trabalho de parto, o parto propriamente dito (contato com as secreções cérvico-vaginais e sangue materno) ou a amamentação. TRANSMISSÃO VERTICAL (FERNANDES et al, 2005) Fatores de Risco A carga viral materna. O estado clínico das gestantes. A presença de outras doenças sexualmente transmissíveis e co-infecções. O uso de drogas injetáveis. A ruptura prematura de membranas e a via de parto. Amamentação. Trabalho de parto e parto (BRASIL, 2007) Transmissão verticaldo HIV 65 % trabalho de parto ou no parto propriamente dito; 35% ocorrem intra-útero, especialmente nas últimas semanas de gestação. A paciente e seus familiares devem ser informados sobre os riscos e benefícios da via de parto escolhida. Trabalho de parto e parto (BRASIL, 2007) Via de parto Avaliação do obstetra e do clínico/infectologista Situações obstétricas Carga viral Esquema posológico da zidovudina na parturiente (AZT injetável – frasco ampola de 200mg com 20ml – 10mg/ml): • Dose de ataque de 2 mg/kg na 1ª hora, diluído em soro glicosado a 5%, infundido em acesso venoso exclusivo; • Dose de manutenção de 1 mg/kg/hora, em infusão contínua até o clampeamento do cordão umbilical. A quimioprofilaxia anti-retroviral, com zidovudina (AZT) por via intravenosa (IV), está indicada para todas as parturientes com diagnóstico anterior de HIV ou cujo teste rápido tenha sido reagente no momento do parto. Trabalho de parto e parto (BRASIL, 2007) Parto vaginal: carga viral < 1.000 cópias/ml ou indetectável; Cirurgia cesária eletiva: carga viral for ≥ 1.000 cópias/ml, desconhecida ou aferida antes da 34ª semana de gestação; em trabalho de parto, com dilatação cervical menor que 4cm, membranas aminióticas íntegras. Trabalho de parto e parto (BRASIL, 2007) AZT IV desde o início do TP e mantido até o clampeamento do cordão umbilical. AZT IV mínimo 3h antes do procedimento e mantido até a ligadura do cordão umbilical . Recomendações: Evitar toques repetidos (usar o partograma); Conduzir o parto com ocitócitos, respeitando-se, as contra-indicações para seu uso e o correto manuseio, evitando que a parturiente permaneça por mais de 4h com bolsa rota ou em trabalho de parto prolongado; Contra-indicados procedimentos invasivos durante o trabalho de parto e parto: amniotomia, uso de fórceps, vácuo-extrator e manobras desnecessárias na retirada do concepto; Parto vaginal (BRASIL, 2007) Recomendações: Evitar a episiotomia sempre que possível; Manter as membranas amnióticas íntegras até o período expulsivo, sempre que possível; Proceder à ligadura do cordão umbilical, sem ordenha, imediatamente após a expulsão do recém-nascido. Parto vaginal (BRASIL, 2007) Recomendações: Realizar a cirurgia com o menor sangramento possível; Manter as membranas amnióticas íntegras, sempre que possível, até a retirada da criança (parto empelicado); Proceder à ligadura do cordão umbilical, sem ordenha, imediatamente após a retirada do recém-nascido. Parto Cesária (BRASIL, 2007) CONSIDERAÇÕES FINAIS (AMARAL, 2007; AMORIM, 2008; CECATTI et al., 2008). Existe uma cadeia de eventos, a qual pode ser quebrada em vários pontos por meio da adoção de medidas preventivas em diversos níveis, como oferta de um bom pré-natal, realização de exames, rápido diagnóstico e o manejo correto, restituindo a saúde e garantindo a vida da mulher. A obtenção de informações acerca desse grupo é importante para a ampliação dos conhecimentos sobre fatores de risco na gestação, como é também é fundamental para o monitoramento da rede, do processo de atenção no atendimento obstétrico e para melhorar a qualidade da atenção obstétrica, reduzir a mortalidade e prestar uma assistência visando à saúde materna.