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IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19 NA SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE REVISÃO SISTEMÁTICA

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PROGRAMA DE RESIDÊNCIA EM MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE
PREFEITURA DE SANTOS
IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19 NA SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE: REVISÃO SISTEMÁTICA
DOUGLAS ANDRE SCHAEFFER GREVE
SANTOS - SP
2021
DOUGLAS ANDRE SCHAEFFER GREVE
IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19 NA SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE: REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho de conclusão de residência apresentado ao Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da Prefeitura de Santos como requisito básico para o título.
Orientadora: Dra. Glaucia Tobaldini
SANTOS - SP
2021
IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19 NA SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE: REVISÃO SISTEMÁTICA
IMPACT OF THE COVID-19 PANDEMIC ON THE MENTAL HEALTH OF HEALTHCARE PROFESSIONALS: SYSTEMATIC REVIEW
Douglas Andre Schaeffer Greve
Médico Residente 
Medicina da Família e Comunidade 
Secretaria Municipal de Saúde de Santos- Programa de Residência: PRMMFC
R. Francisco de Barros Melo 184 – Sesfami Castelo, Santos-11087-450 - São Paulo 
douglasschaeffer@gmail.com
Glaucia Tobaldini
Doutora em Fisiologia
Fisioterapeuta do Núcleos de Apoio à Saúde da Família
Secretaria Municipal de Saúde de Santos - Seção de Atenção à Saúde da Comunidade 
R. Vasco da Gama, 32 – Jabaquara, Santos – 11013-590 – São Paulo, Brasil - glauciatobaldini@santos.sp.gov.br
Resumo: O objetivo deste estudo foi identificar quais foram os principais sintomas em saúde mental relatados por profissionais de saúde da linha de frente durante a pandemia de Covid-19. Métodos: Revisão sistemática, nas bases de dados Scielo e PubMed, utilizando as palavras chaves “profissionais de saúde”, “Covid-19/coronavírus”, “saúde mental”, “burnout”, “sintomas mentais, nos idiomas inglês, espanhol e português. Foram incluídos estudos com pessoas de ambos os sexos, artigos descritivos, observacionais, de corte transversal, conduzidos durante o período de dezembro de 2019 a dezembro de 2021. Apenas periódicos classificados como “A” pelo comitê de Saúde Coletiva do sistema Qualis/Capes foram incluídos. Resultados: Foram selecionados 12 artigos, nos quais os sintomas mais prevalentes foram: sintomas de depressão (100% dos estudos), ansiedade (80%) e burnout (33%). Conclusão: Os profissionais vivenciaram riscos físicos e psicológicos enquanto trabalhavam durante a pandemia Covid-19; e apresentaram níveis moderados e graves para sintomas de depressão e ansiedade. Espera-se que este trabalho possa contribuir com o enfrentamento desses sintomas de forma que sejam precocemente identificados e manejados. 
Palavras Chave: profissionais de saúde, Covid-19/coronavírus, saúde mental, burnout, sintomas mentais.
Abstract: The aim of this study was to identify what were the main mental health symptoms reported by frontline health professionals during the Covid-19 pandemic. Methods: Systematic review, in the Scielo and PubMed databases, using the keywords “health professionals”, “Covid-19/coronavirus”, “mental health”, “burnout”, “mental symptoms”, in English, Spanish and Portuguese. Studies descriptives, observational, cross-sectional articles, with people of both sexes, conducted during the period from December 2019 to December 2021, were included. Only journals classified as “A” by the “Saúde Coletiva” committee of the Qualis/Capes system were included. Results: Twelve articles were selected, in which the most prevalent symptoms were: symptoms of depression (100% of the studies), anxiety (80%) and burnout (33%). Conclusion: Professionals experienced physical and psychological risks while working during the Covid-19 pandemic; and had moderate and severe levels for symptoms of depression and anxiety. We hoped that this work can contribute to the confrontation of these symptoms so that they are early identified and managed. 
Keywords: health professionals, Covid-19/coronavirus, mental health, burnout, mental symptoms.
INTRODUÇÃO
O novo coronavírus, também denominado SARS-CoV-2, é o causador da doença Covid-19, a qual pode provocar Síndrome da Angústia Respiratória Aguda Grave (SARG), e foi associada à admissão na UTI e alta mortalidade (HUANG et al., 2020). Foi detectado pela primeira vez em dezembro de 2019 em Wuhan, na China, e em janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a circulação pandêmica do novo coronavírus, a nível mundial. No Brasil, o Ministério da Saúde instaurou o Grupo de Trabalho de Emergência em Saúde Pública para acompanhamento e vigilância do SARS-CoV-2 no país (LANA et al, 2020). Até janeiro de 2022 o Brasil ultrapassou os 627.138 óbitos segundo o painel de controle do ministério de saúde, pressionando o Sistema Único de saúde que chegou a gerar um total de 19.470 leitos de UTI SARG/Covid-19 até 09/2021 (BRASIL, 2022a).
Vedovato et al. (2021) analisaram condições de trabalho durante a pandemia de Covid-19 qualificadas como inadequadas por ausência e precariedade dos EPI (equipamentos de proteção individual). Os autores observaram profissionais de saúde trabalhando com comorbidades, adoecidos e em casos não raros de profissionais que vieram a óbito pela Covid-19 (VEDOVATO et al., 2021). Muitos desses trabalhadores lidaram com a tensão e medo de serem infectados, bem como tendo que lidar com o adoecimento e morte de colegas, dificuldades no acesso aos testes de Covid-19, afastamento do trabalho para tratamento, que culminaram em abandono da atividade laboral.
Os profissionais de saúde que estiveram envolvidos no atendimento de pacientes com Covid-19 ficaram expostos a maior risco de desenvolver sofrimento psíquico e ter a saúde mental prejudicada (KANG, LIJUN et al, 2020). Em uma análise mundial as queixas mais relatadas foram preocupações gerais com a saúde, medo, insônia, sofrimento psicológico, burnout, ansiedade e depressão (DE PABLO et al, 2020). Enquanto no Brasil sintomas depressivos, de má qualidade do sono e ansiedade predominaram entre os profissionais da saúde (BRITO-MARQUES et al, 2021). A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021) estima que no Brasil a taxa de suicídio entre profissionais de saúde é de três a cinco vezes maior do que na população em geral, não levando em conta o contexto da pandemia. 
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) estima que o país terá entre 122 mil e 365 mil trabalhadores afastados do trabalho por contágio, adoecimento e morte pela doença (BRASIL, 2020a). E, segundo dados da imprensa nacional, mais de 13 mil profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, funcionários administrativos e servidores públicos foram afastados entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022 devido a casos de Covid-19 e síndrome gripal em 14 capitais do país (CNN BRASIL, 2022).
Levando em consideração o impacto desses sinais e sintomas, esta revisão destina-se a identificar e informar quais são os principais sintomas em saúde mental desses profissionais da linha frente durante a pandemia de Covid-19. Espera-se que com esse panorama, este trabalho possa contribuir com o enfrentamento desses agravantes de forma que tais sinais e sintomas sejam precocemente identificados e manejados pela equipe de saúde.
MÉTODOS 
Foi realizado um estudo de revisão sistemática, utilizando as bases de dados Scielo e PubMed com artigos em língua inglesa, portuguesa e espanhola, que respondessem a pergunta: “quais os sintomas de saúde mental mais prevalentes em profissionais da saúde que realizaram atendimentos em pacientes diagnosticados com suspeita de SARS-CoV-2 durante a pandemia do Covid-19?”. Foram incluídos estudos com pessoas de ambos os sexos utilizando as seguintes palavras-chave em português: “profissionais de saúde”, “Covid-19/coronavírus”, “saúde mental”, “burnout”, “sintomas mentais” e seus homólogos em inglês e espanhol conforme Tabela 1. Foram incluídos artigos descritivos, observacionais, de corte transversal, conduzidos durante o período de dezembro de 2019 a dezembro de 2021. 
Tabela 1 - Estratégia de Pesquisa 
	Base de Dados
	Idiomas
	Palavras chave
	PubMed
	português
	profissionais de saúde, covid-19/coronavírus,

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