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SIMP.TCC/Sem.IC. 2018(13); 1988-1995 FACULDADE ICESP / ISSN: 2595-4210 1988 CURSO DE ENFERMAGEM O PAPEL DO ENFERMEIRO FRENTE AO PROTOCOLO CHECKLIST DE CIRURGIA SEGURA THE ROLE OF THE NURSE AGAINST THE CHECKLIST PROTOCOL OF SAFE SUR- GERY Patrícia de Sousa Campos Elias Rocha de Azevedo Filho Resumo Introdução: Receber uma assistência à saúde de qualidade é um direito do indivíduo, e os serviços de saúde devem oferecer uma atenção que seja efetiva, eficiente, segura, com a satisfação do paciente em todo o processo. Objetivo: Identificar e analisar estratégias para garantir a segurança do paciente na perspectiva de enfermeiros assistenciais, acreditando serem estes os profissionais que mantêm maior proximidade do paciente. Metodologia: Após o levantamento, prosseguiu-se com a dos dados caracterizados de acordo com a temática escolhida para a elaboração do trabalho. Além disso, foi utilizado como critério de seleção dos artigos, a leitura dos resumos que mais se adequassem ao tema em questão, sendo incluídos os estudos que falassem da segurança do paciente no período de admissão em sala cirúrgica. Resultado: O enfermeiro como líder da unidade pode aderir esta ferramenta que trará benefícios para os profissionais e pacientes que desfrutam da Unidade de Centro Cirúrgico, além de incentivar a participação de todos nessa nova iniciativa. Conclusão: O uso do checklist torna as cirurgias mais seguras, evitando eventos adversos e infecções no pós-operatório, diminuindo o tempo de internação e os custos hospitalares. O enfermeiro tem papel relevante na implementação e uso do checklist, desde a preparação do paciente para um procedimento, até a sua saída da sala de cirurgia, colaborando para tornar a comunicação entre os membros da equipe cirúrgica mais eficaz, facilitando a segurança para todas as pessoas envolvidas no procedimento. Palavra-chave: Cirurgia Segura; Check-list; Segurança do Paciente. Abstract Introduction: Receiving quality health care is an individual's right, and health services must offer care that is effective, efficient, and safe, with patient satisfaction throughout the process. Objective: To identify and analyze strategies to ensure patient safety from the perspective of nursing assistants, believing that they are the professionals who maintain the patient's closest proximity. Methodology: After the survey, we proceeded with the data characterized according to the thematic chosen for the elaboration of the work. In addition, it was used as a criterion for selection of articles, reading the summaries that best fit the theme in question, including studies that talked about patient safety in the admission period in a surgical room. Outcome: The nurse as leader of the unit can join this tool that will bring benefits to the professionals and patients who enjoy the Surgical Center Unit, besides encouraging the participation of all in this new initiative. Conclusion: The use of the checklist makes surgeries safer, avoiding adverse events and postoperative infections, decreasing hospitalization time and hospital costs. The nurse has a relevant role in the implementation and use of the checklist, from the preparation of the patient to a procedure, until leaving the operating room, collaborating to make communication between the members of the surgical team more efficient, facilitating safety for all patients. involved in the procedure. Keyword: Safe Surgery; Check-List; Patient Safety. EMAIL:eliaspresley2@gmail.com Como citar esse artigo: Campos OS, Filho ERZ. O PAPEL DO ENFERMEIRO FRENTE AO PROTOCOLO CHECKLIST DE CIRURGIA SEGURA. Anais do 13 Simpósio de TCC e 6 Seminário de IC da Faculdade ICESP. 2018(13); 1988-1995 SIMP.TCC/Sem.IC. 2018(13); 1988-1995 FACULDADE ICESP / ISSN: 2595-4210 1989 Introdução A Organização Mundial de Saúde criou em 2008 uma lista de verificação (Checklist) protocolo de “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”, que se configura um desafio global que tem como objetivo aumentar os padrões de qualidade da assistência cirúrgica em serviços de saúde de todo o mundo. Este programa foca a atenção nos fundamentos e práticas da segurança cirúrgica, observando a utilidade de investimento na melhoria da qualidade e garantia da segurança nas intervenções cirúrgicas que resultem progressivamente em mais vidas salvas com menos danos ao paciente. (WHO, 2008) Sociedades médicas no mundo reconheceram e lideraram o movimento para identificar os erros médicos e o estabelecimento dos conceitos da cirurgia segura. A American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) iniciou seus esforços com a iniciativa conhecida como Wrong Site Surgery ainda nos anos 1980 e publicou seus resultados preliminares em 1984. (HERNDON, et.al. 2003). Considera-se inadmissível não utilizar todo o conhecimento adquirido com a evolução técnico- científica para alertar complicações iatrogênicas e eventos adversos. Isso levou a OMS e a Universidade de Harvard a dar início à campanha para realização de cirurgias seguras, preparando como modelo um checklist composto por três partes. (FERRAZ, 2009): Identificação ou Sign in (antes da indução anestésica): quando se confirma verbalmente a identidade do paciente, o procedimento e o local da cirurgia, e se o termo de consentimento para o procedimento foi assinado. O responsável pela lista observa se o lado correto da cirurgia foi sinalizado e confere se o oxímetro de pulso foi colocado corretamente no paciente e se está funcionando. Deve certificar-se verbalmente com a equipe de anestesia, se o paciente possui vias aéreas de difícil acesso, risco de perda sanguínea ou de reação alérgica, de modo a garantir a segurança do paciente durante o procedimento anestésico. O ideal seria que o cirurgião estivesse presente nesta fase, já que este pode ter uma ideia mais clara sobre os fatores complicadores; contudo, a presença do cirurgião não é essencial para completar essa primeira parte do checklist;. (OMS, 2009). Confirmação ou Timeout (antes da incisão na pele - pausa cirúrgica): todos os profissionais presentes na sala de cirurgia e que irão participar dinamicamente do procedimento se apresentam (nome e função); verifica-se em voz alta a identidade do paciente, do procedimento e da parte do corpo que será operada. Em seguida, o cirurgião, o anestesiologista e o membro da equipe de enfermagem verbalmente conferem os pontos críticos para a cirurgia, fazendo uso do checklist e confirmando o uso profilático de antibióticos nos últimos 60 minutos; certificando-se da disponibilidade dos exames de imagem. (OMS, 2009). Registro ou Sign out (antes do paciente sair da sala cirúrgica): em conjunto com a equipe, a pessoa que comanda o checklist analisa o procedimento, contam-se as compressas e os instrumentos, identificam-se as peças anatômicas ou outras amostras obtidas, checam-se informações sobre quaisquer danos nos equipamentos, assim como outros problemas a serem resolvidos; finalizam traçando os planos de cuidados em relação ao pós-operatório, antes do encaminhamento do paciente à sala de recuperação anestésica. (OMS, 2009). SIMP.TCC/Sem.IC. 2018(13); 1988-1995 FACULDADE ICESP / ISSN: 2595-4210 1990 Figura 1 - Checklist da Campanha de Cirurgia Segura - OMS Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2009) considera a infecção de sítio cirúrgico como uma contaminação que pode ocorrer em órgãos, tecidos e cavidades incisados durante o procedimento cirúrgico que pode transcorrer no pós-operatório, por um período de trinta dias ou até um ano em casos de colocação de próteses. Dentre suas principais formas de controle são destacáveis: controles de doenças de base do paciente (Diabetes Mellitus - DM, obesidade, alcoolismo), cuidados quanto ao pré, intrae pós-operatório relacionado à estrutura física do centro cirúrgico, aos materiais estéreis, aos adornos, ao uso de equipamentos de proteção individuais (EPI), dentre outros. Como o protocolo é voltado para a segurança do paciente em todos os níveis, ele vai visar, também, à diminuição dos efeitos adversos, ampliando a qualidade da assistência prestada, o conhecimento sobre os riscos e incidentes que ocorrem nas instituições brasileiras, direcionando o planejamento de ações dos gestores de saúde; melhorando a qualidade dos dados encaminhados e, por fim, reduzindo custos com falhas e tempo extra de internações (PEIXOTO et al., 2016). No entanto, os estudos de Peixoto et al., (2016); Pancieri et al., (2013) apontam a falta de comunicação interpessoal como uma causa que pode contribuir para as falhas e os eventos adversos que surgem no ambiente cirúrgico por não haver a transferência adequada de informações entre a equipe antes e durante a cirurgia. É considerado, também, o obstáculo mais crítico para um bom desempenho, pois uma equipe que não trabalha com o intuito de usar seus conhecimentos e habilidades para o bem do SIMP.TCC/Sem.IC. 2018(13); 1988-1995 FACULDADE ICESP / ISSN: 2595-4210 1991 paciente pode proporcionar consideráveis complicações a ele. SIMP.TCC/Sem.IC. 2018(13); 1988-1995 FACULDADE ICESP / ISSN: 2595-4210 1992 Materiais e Métodos Este é um estudo de revisão literária desenvolvido por intermédio de artigos científicos. A busca eletrônica foi conduzida nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde (LILACS), Bibliográficos Especializada na Área de Enfermagem do Brasil (BDENF) e na SciELO – Scientific Electronic Library Online, livros relacionados, leis e estatutos. Após o levantamento, prosseguiu-se com o estudo dos dados caracterizados de acordo com a temática escolhida para a elaboração do trabalho. Além disso, foi utilizado como critério de seleção dos artigos, a leitura dos resumos que mais se adequassem ao tema em questão, sendo incluídos os estudos que falassem da segurança do paciente no protocolo de Cirurgia Segura Salvam Vidas. Objetivos Pesquisar a produção científica nacional e internacional sobre a anuência ao checklist cirúrgico, com vistas à implementação da cirurgia segura nos serviços hospitalares de saúde. Assim, o objetivo deste estudo é analisar os parâmetros pelos quais se deve direcionar o enfermeiro no Protocolo de Cirurgia Segura Salva Vidas, como é indicado pela OMS. Os objetivos específicos são determinar de modo preciso as condições nas quais uma cirurgia se torna segura para o paciente, de acordo com os protocolos estabelecidos pela OMS; apontar os resultados do uso do cheklist para a segurança das cirurgias. Resultados A maior frequência de publicações selecio- nadas deu-se na base de dados SciELO com 50%, pôde-se constatar que 50% das pesquisas, foram publicados em periódicos nacionais, em língua portuguesa. Isto nos leva ao pressuposto de que diversos hospitais do mundo (25, em 2007) começaram a usar o checklist antes mesmo que o estudo de validação estivesse concluído e em junho de 2010 já eram 3.790 hospitais a fazerem uso do instrumento. Constatou-se um maior núme- ro de publicações predominantemente em 2007 e 2011 com 10%.. Os anos de 2009 ,2011, 2014 e 2017 correspondem a 20%. Em 2008 com 20%, seguidos de 10% em 2010. No que se refere ao periódico de publicação, 10% são de revistas que pertencem à área da enfer- magem, o que demonstra um alto interesse desta área para o estudo desta temática. Ao analisar os objetivos, cerca de 90% dos artigos apontam para a análise e descrição sobre o chec- klist da Cirurgia Segura, e foi elaborado por um grupo de peritos internacionais reunidos pela OMS. Sendo assim, foi criado com a intenção de auxiliar as equipes operatórias na diminuição dos casos de morte e danos ao paciente (GRIGOLETO et al., 2011; OMS, 2009). Discussão Na Assembleia Mundial de Saúde ocorrida em 2002, os países membros da Organização Mundial de Saúde (OMS), após identificar a necessidade de diminuir o dano e o sofrimento de pacientes e parentes ocasionado de erros médicos, acordaram uma resolução para tornar maior a segurança do paciente, dentro das políticas públicas mundiais. Em outubro de 2004, a OMS criou a aliança mundial para a segurança do paciente (world alliance for patient safety), que, a partir de 2005, passou a estabelecer temas prioritários a serem abordados a cada dois anos, conhecidos como desafios globais (OMS, 2008). O objetivo principal estabelecido pela OMS é diminuir a morbi-mortalidade em pacientes cirúrgicos, oferecendo às equipes cirúrgicas e administradores hospitalares direções sobre a SIMP.TCC/Sem.IC. 2018(13); 1988-1995 FACULDADE ICESP / ISSN: 2595-4210 1993 função de cada indivíduo e do padrão de uma cirurgia segura. Também tem como objetivo oferecer um instrumento de avaliação uniforme do serviço para a vigilância nacional e internacional. (OMS, 2009). A ação de colocar em prática o checklist é de baixo custo, resumindo-se na reprodução e distribuição do instrumento, já o obstáculo maior na aplicação está localizado na equipe cirúrgica. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008). Considera-se que é necessário o tempo total de três minutos para aplicação das três fases do processo de verificação e indica-se que uma única pessoa seja responsável por essa aplicação, sendo o enfermeiro o profissional apontado para orientar a checagem, mas qualquer profissional que participa do procedimento cirúrgico pode ser o dirigente da verificação. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008). Esse profissional deve ter absoluta autoridade sobre o seguimento cirúrgico, estando apto a interromper o procedimento ou impedir o desenvolvimento, se supor insatisfatório algum dos itens, mesmo considerando que essa interrupção pode incorrer em desgaste diante a equipe dependendo da maturidade da mesma. Ao ocorrer descumprimento na checagem, todo o processo terá acontecido em vão, visto que são os mínimos detalhes, os que passam despercebidos, os causadores de riscos. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008). O uso do checklist visa reduzir o desacordo provocado por situações inesperadas, e a presença dos membros da equipe, antes do procedimento, aumenta a segurança para o paciente (HAYNES et al., 2017). Assim sendo, não basta que as instituições estabeleçam os protocolos, é preciso que os profissionais executem a ferramenta apresentada, o que se dá quando as equipes entendem a importância, a necessidade, aceitam o processo e introduzem o novo à prática diária. Executar a checagem por meio do coordenador, com a cooperação do paciente e da equipe é primordial para o sucesso do procedimento (SCHALACK et al., 2010) A falha na comunicação é um dos grandes fatores que colaboram para os erros médicos e eventos adversos, pois não há a transferência de dados. (HELMIÖ et al., 2011) Enquanto 86% dos sujeitos deste estudo não captaram mudanças na comunicação interpessoal, 84% dos sujeitos de sete países onde o checklist foi realizado informaram que a comunicação na sala cirúrgica melhorou (HAYNES et al., 2017). Conclusão Conclui-se importante a implementação do checklist com participação de todos da equipe em razão da possibilidade de uma estruturação com uma linguagem simples e fácil para o grupo todo. O estudo permitiu uma compreensão em relação à expansão da segurança em procedimentos cirúrgicos, prevendo investimentos no conhecimento em relação ao ato cirúrgico, tanto para o paciente como para a equipe. O enfermeiro, como líder da unidade, pode aderir esta ferramenta que trará benefícios para os profissionais e pacientes que usufruemda Unidade de Centro Cirúrgico, além de incentivar a participação de todos nessa nova iniciativa. Agradecimentos Dedico este trabalho primeiramente a Deus, por ser essencial na minha vida, autor do meu destino, meu guia e socorro bem presente na hora da angústia. Sem Ele, não seria possível se manter firme durante toda essa caminhada. Ao meu querido esposo Anderson Campos e filhos SIMP.TCC/Sem.IC. 2018(13); 1988-1995 FACULDADE ICESP / ISSN: 2595-4210 1994 Igor, Ian e Sara Campos, meus amores incondicionais, que foram sem dúvida as pessoas motivadoras para que eu chegasse ao final dessa batalha. Ao professor orientador Elias Rocha de Azevedo Filho, grande professor e grande pessoa. Muito obrigado por suas análises minuciosas e sugestões de grande valia para a conclusão do trabalho. A esta Faculdade, seu corpo docente, direção, administração e companheiros de urma,que oportunizaram a janela de onde hoje vislumbro um horizonte superior, eivado pela acendrada confiança no mérito e ética aqui presentes. Enfim, as maravilhas de Deus estão a nosso dispor por toda a vida, basta que lutemos para conquistar o espaço que é nosso no mundo. Obrigado a todos que fizeram parte dessa minha longa e feliz trajetória acadêmica. Referências FERRAZ, E.M. A cirurgia segura: Uma exigência do século XXI. Rev Col Bras Cir. 2009;36(4):281- 282. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v36n4/a01v36n4.pd f>. Acesso em: 21 out. 2017. GRIGOLETO, A.R.L.; GIMENES, F.R.E.; AVELAR, M.C.Q. Segurança do cliente e as ações frente ao procedimento cirúrgico. Rev. Eletr. Enf., 2011; 13 (2): 347-354. Disponível em: <http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen/article/vi ew/10326/9642>. Acesso em: 22 mai. 2018. HAYNES, A.B.; WEISER, T.G; BERRY, W.R.; LIPSITZ, S.R.; BREIZAT, A.H.S.; DELLINGER, E.P. et al. Changes in safety attitude and relationship to decreased postoperative morbidity and mortality following implementation of a checklist-based surgical safety intervention. BMJ Qual Saf. 2017;11:102-7. 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