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Colelitíase, Colecistite, Coledocolitíase e Colangite

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1 Clara Rêgo – 8° Semestre 
Doenças da vesícula biliar 
FISIOLOGIA: 
A vesícula biliar é um saco que fica encostada na parte visceral do fígado e tem função apenas de armazenamento da 
bile. É dividida em fundo, corpo, infundíbulo e ducto colédoco – leva a bile até o duodeno. O fígado produz a bile que manda para 
a vesícula biliar pelos canalículos de lusscar. 
Quanto mais gordura na alimentação, maior produção de colestocinina – produzida pelo duodeno, a qual estimula 
abertura do esfíncter de oddi – abrindo o colédoco para expulsão da bile da vesícula biliar no duodeno. Relembrando que a bile 
emulsifica gordura. O que é a bile: água, eletrólitos e solutos (bilirrubina, bilirrubinato de Ca, proteínas, ácidos e sais biliares...). 
Composição dos cálculos: colesterol (85% dos cálculos), bilirrubinato de cálcio, bilirrubinato + ácido graxos. Os de 
colesterol são amarelados e is de bilirrubina escuros. 
 Por que os cálculos se formam? Alteração de solubilidade → exemplo de uma hipercolesterolemia: há uma 
hipersecreção de colesterol, havendo um acúmulo que por isso começam a se agrupar até que precipitam. Contribuindo a isso, as 
enzimas responsáveis pela lise de cálculos estão defeituosas por inflamação da vesícula. Assim com a precipitação + defeitos 
enzimáticos = aumento da cristalização/nucleação = cálculos. Além disso, por hipomobilidade da vesícula biliar, há estase biliar e 
assim se torna um meio predisposto a uma infecção bacteriana. 
Cálculo é uma doença? Depende... não é normal ter cálculos, no entanto nem todos serão sintomáticos e por isso nem 
sempre serão retirados. 
O microrganismo mais comum das vias biliares é E. coli (“cole – ecoli”) 
COLELITÍASE 
Nomenclatura: cole = bile; litíase = cálculo. Então colelitíase é cálculo biliar independente da sua localização. Se presente 
dentro da vesícula, é chamado de colecistolitíase. 
EPIDEMIOLOGIA: 
 Comum em 15% da população mundial. A grande maioria são assintomáticos – apenas aproximadamente 10% 
apresentarão sintomas. 
 Causas que podem precipitar a formação de cálculos são colesterol alto, hemólise importante – aumenta bilirrubinato. 
 Obs: os mais comuns são por colesterol. 
FATORES DE RISCO: 
• 4F’s: female (progesterone diminui a motilidade da vesícula), forty, fertile (multipara), fat (obesidade). 
• História familiar. 
• Cirrose hepatica. 
• Medicamentos; 
• Dieta; 
CLÍNICA 
• Grande maioria assintomática, quando há desenvolvimento de sintomas é por oclusão intermitente do ducto cístico. 
Essa oclusão causa inflamação e contração rigorosa da vesícula tentando vencer a obstrução, causando a dor biliar. 
• Dor abdominal em hipocôndrio direito recidivante. Característica da dor piorar após alimentação gordurosa. 
 
2 Clara Rêgo – 8° Semestre 
Obs: se a dor persistir > 3 horas, desconfiar que evolui para uma colecistite aguda. 
• Sintomas atípicos: plenitude/saciedade precoce; epigastralgia; indigestão. 
• Geralmente é uma dor recidivante, que pode evoluir para complicações: uma colecistite aguda, empiema e perfuração 
da vesícula – consequências disso são fistula biliar e peritonite. 
• Sinal de Murphy: dor à inspiração profunda durante a palpação do hipocôndrio direito → sugere processo inflamatório 
na vesícula. 
DIAGNÓSTICO 
• Laboratório: não dá diagnóstico de colelitíase, mas ajuda a ver se tem uma colangite, coledocolitíase associada ou outra 
complicação. 
o Hemograma + leucograma (procurar se há processo infeccioso); 
o Fosfatase Alcalina e GGT (enzimas canaliculares que se aumentam em quadros de colestase); 
o TGO e TGP; 
o Bilirrubinas total, direta e indireta. 
• USG: padrão ouro. Tem ótima visualização das vias biliares. É fácil, disponível, barato e não invasivo. 
• Cálculos na USG: hiperecogênicos – imagem ovalada, formação de sombra acústica posterior. 
• Possível identificar complicações associadas, como colecistite aguda 
• TC pode ser feita, mas geralmente não é feita. Vemos cálculos na vesícula. 
• RX não vê bem, só 15% dos cálculos conseguem ser vistos pela radiografia. 
• CPRE (colangiopancreatografia endoscópica retrógrada) tem ação diagnóstica e 
terapêutica do canal da árvore biliar e/ou do canal pancreático → drenagem biliar 
em pacientes com obstrução vista na imagem, ducto biliar comum dilatado ou 
colangite. Usamos a USG endoscópica ou a CPRM para determinar se há 
necessidade de CPRE. 
Obs: a CPRE não pode ser feita se há distúrbios de coagulação, perfuração intestinal, anomalias de esôfago/estômago ou 
intestino delgado, e pancreatite aguda – com exceção se a etiologia for litiásica. 
TRATAMENTO 
 Não tem tratamento medicamentoso eficaz – até existem os quelantes, mas adianta de nada porque os cálculos se 
formam depois de novo. 
• Tratamento cirúrgico: COLECISTECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA PARA TODO PACIENTE COM COLELITÍASE 
SINTOMÁTICA. 
• Se assintomático, achou de rotina uma pedra na vesícula, não é para submeter à colecistectomia, com exceção de 
(“VACA”): 
o Vesícula em porcelana (vesícula fica coberta com depósito de cálcio após longos períodos de inflamação). 
o Associação com pólipos de risco (> 1cm, > 60 anos, cálculos sintomáticos); 
o Cálculos grandes (>2,5 cm); 
o Anemias hemoílitas + cálculos. 
• Orientações após cirurgia: dipirona, vonau para vômitos e náuseas; 30 dias sem gordura e fritura. 
Complicações de não operar? Pode inflamar (empiema, gangrena e perfuração), coledocolitíase, fístula biliar – com 
duodeno, delgado ou cólon, íleo biliar (AAO causado por inflamatório)... 
OBS: buscopan (antiespasmódico) para pacientes com dor. Se melhora a dor e está sem leucocitose + usg sem 
espessamento de vesícula, manda pra casa. Se sem melhora com medicação ou se tem leucocitose e/ou espessamento da vesícula 
→ interna e cirurgia – ideal operar na colecistite AGUDA ainda. Se com leucocitose e Murphy = atb. 
COMPLICAÇÕES 
• Colecistite aguda; 
• Coledocolitíase; 
• Pancreatite aguda; 
• Colangite aguda; 
• Fístula biliar: pode evoluir para uma aerobilia. Se 
vermos uma aerobilia, perguntar se fez eda ou cpre 
→ podem fazer a fístula. 
• Sd de mirizzi; 
A CPRE é usada preferencialmente 
para a terapêutica, dando prioridade 
para as técnicas diagnosticas menos 
invasivas como TC e CPRM. 
 
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• Íleo biliar. 
COLEDOCOLITÍASE 
 É a presença de um cálculo biliar dentro do ducto colédoco. É a segunda complicação mais frequente da coleCISTOlitíase 
(primeira é colecistite aguda). 
 Temos que pensar se esse cálculo foi formado no próprio colédoco (COLEDOCOLITÍASE PRIMÁRIA) ou se o cálculo se 
formou na vesícula e migrou para o colédoco (COLEDOCOLITÍASE SECUNDÁRIA a colecistolitíase) → o mais comum. 
FISIOPATOLOGIA 
 A coledocolitíase primária, formação de cálculos no próprio colédoco, ocorrem por estase biliar ou infecção. As causas 
de estase biliar são estenose biliar, estenose papilar, tumores e até outros cálculos secundários. Já a coledocolitíase secundária é 
causada pela migração de cálculos da vesícula → ducto cístico → ducto colédoco. 
Então por um fragmento de cálculo ou pelo próprio cálculo preso no ducto colédoco, há obstrução da passagem da bile, 
causando colestase. A estase predispõe infecção, o que é preocupante pois a evolução da coledocolitíase é a colangite – infecção 
grave da vesícula biliar. 
 Pela obstrução, não há passagem de bile e não chega bilirrubina nas fezes = acolia fecal. 
CLÍNICA 
 Alguns serão assintomáticos, mas quando sintomáticos: 
• Dor abdominal em HD e epigástrio, podendo ser irradiada para escápula direita ou dorso → dor desencadeada pela 
impactação do cálculo. 
• Náuseas e vômitos. 
• Síndrome colestática: icterícia, colúria, acolia fecal. Acontece quando obstrução completa do colédoco. 
• Se colangite associada, sinais de infecção estão presentes: febre, infecção... 
DIAGNÓSTICO 
 Qualquer indivíduo com síndrome colestática deve ser investigado coledocolitíase – principalmente se for de caráter 
flutuante.

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