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Brasília-DF. QualiDaDe no atenDimento ao PúBlico Elaboração Carolina Campos Afonso Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8 UNIDADE I RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO ............................................................................................ 11 CAPÍTULO 1 RELACIONAMENTO INTERPESSOAL .......................................................................................... 11 UNIDADE II ATENDIMENTO ..................................................................................................................................... 27 CAPÍTULO 1 COMO ATENDER AO PÚBLICO COM QUALIDADE E PROFISSIONALISMO .................................. 27 CAPÍTULO 2 O PROFISSIONAL DE ATENDIMENTO ....................................................................................... 32 CAPÍTULO 3 ATENDIMENTO AO CIDADÃO COM DEFICIÊNCIA .................................................................... 38 CAPÍTULO 4 TIPOS DE COMPORTAMENTO: ASSERTIVO, AGRESSIVO E PASSIVO ............................................ 44 CAPÍTULO 5 RESISTÊNCIA À FRUSTRAÇÃO .................................................................................................. 47 UNIDADE III A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO .................................... 51 CAPÍTULO 1 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.................................................. 51 CAPÍTULO 2 A FERRAMENTA ELETRÔNICA FACILITADORA DE SERVIÇOS (EGOV) .......................................... 56 CAPÍTULO 3 SERVIDOR PÚBLICO ................................................................................................................ 62 CAPÍTULO 4 O GESTOR PÚBLICO ............................................................................................................... 66 CAPÍTULO 5 CAPÍTULO 6 O CIDADÃO-CLIENTE E O GERENCIAMENTO DE RECLAMAÇÕES E INTERAÇÕES COM O PÚBLICO: O TRABALHO DAS OUVIDORIAS ............................................................................... 80 UNIDADE IV A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO ................................................................................ 84 CAPÍTULO 1 A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO E O PAPEL DO SERVIDOR ............................ 84 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 90 5 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 6 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Praticando Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer o processo de aprendizagem do aluno. 7 Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 8 Introdução Nas últimas décadas, o Brasil vem avançando na discussão sobre o aprimoramento de formas de atendimento ao cidadão. Em consulta ao site do Gespública, do Ministério do Planejamento, há disponível inúmeros documentos que comprovam essa preocupação. Segundo Ferrer (2012), já em 1982, um documento do então ministério da desburocratização, já começava a se desenhar a ideia de construção de “shoppings” de serviços públicos, ou seja, um local único para prestação de serviços diversos. Foi na metade da década de 1990 que surgiram as primeiras experiências que contaram com patrocínio político e orçamento suficiente para criar as primeiras centrais de atendimento ao cidadão. Nos últimos anos, apareceram novas discussões, tais como o governo eletrônico, que surgiram dentro do contexto da emergência de uma nova economia: a digital. O novo paradigma sobre o qual se avança na prestação de serviços públicos tem como pilares fundamentais: satisfação de necessidades e novas demandas para os cidadãos, a redução de custos e a busca em situar o cidadão no centro das ações que são desenvolvidas no governo. (FERRER, 2012) Partindo desses pilares, este Caderno de Estudos e Pesquisa iniciou a discussão com a temática “Relações Humanas e Comunicação” – Unidade I. Foram apresentados conceitos sobre relacionamento interpessoal, barreiras para um bom relacionamento interpessoal e o relacionamento interpessoal e o trabalho. Destaca-se que o processo de interação humana encontra-se presente nas organizações, e a forma como se dão essas interações influencia os resultados de toda a empresa. Após isso, focou-se a discussão na temática “Comunicação”. Seu conceito e componentes assim como a importância do cuidado com a comunicação verbal, principalmente no atendimento ao público. Além disso, discutiu-se a importância da escuta no processo de comunicação e o papel da inteligência emocional na qualidade do atendimento. A Unidade II, denominada Atendimento, foi iniciada com o tópico de como atender ao público com qualidade e profissionalismo. Após isso se focou no atendimentoao cidadão, destacando-se a postura adequada, a apresentação pessoal, o tom de voz, entre outros. Nessa Unidade também foi falado da diversidade e do atendimento ao cidadão com deficiência. Algumas orientações gerais foram dadas para o atendimento de pessoas com deficiência visual, física, com surdez e com deficiência mental. Fechando o 9 tema, foram apresentados os tipos de comportamentos – assertivo, agressivo e passivo, também as formas de lidar com a frustração e sua resistência. Já a Unidade III é denominada “A Administração Pública como prestadora de serviços ao cidadão”. Essa Unidade inicia com os princípios constitucionais da administração pública e da implantação da Cultura de Satisfação do Público. Traz informações sobre o eGOV – ferramenta eletrônica facilitadora de serviços e finaliza trazendo informações sobre o servidor público, seus novos desafios, o papel do gestor público e do servidor público como um profissional comprometido com servir ao público. Objetivos » Apresentar conceitos sobre relacionamento interpessoal, barreiras para um bom relacionamento interpessoal e o relacionamento interpessoal e o trabalho. » Expor sobre o atendimento ao público com qualidade e profissionalismo. » Tratar sobre o papel do servidor com a imagem do órgão e a Ética no Atendimento. 11 UNIDADE IRELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO CAPÍTULO 1 Relacionamento interpessoal Conceitos O termo relações humanas tem sido empregado com frequência, para referir-se a relações interpessoais, ou seja, relacionamento entre as pessoas. Como pessoa alguém pode relacionar-se consigo mesmo, entendida como comunicações interiores, ou relações intrapessoais. Conforme Minicucci (1985, p. 21), “as relações humanas têm sido estudadas como ciência - a do comportamento humano, no seu relacionamento intra e interpessoal. Valendo-se também de outras ciências que estudam o homem no seu relacionamento, como a psicologia, a sociologia, a moral, enfim, as chamadas ciências sociais.” Acrescenta Magalhães (apud CARDOSO, 2013), que as relações interpessoais são as trocas, as comunicações, os contatos entre as pessoas. “Uns interagindo com os outros nas mais diferentes situações que fazem parte da existência humana. Enfim, eu diria, sem considerar maiores implicações, que é um fenômeno corriqueiro, prosaico e simplório de gente lidando com gente.” De acordo com Weil (1995, p. 5), “as relações humanas se encontram nas relações do indivíduo com o grupo, dos indivíduos entre si, do grupo com outros grupos, do líder com o grupo, do indivíduo com o líder”. Dessa forma, onde há duas pessoas existe uma relação interpessoal. Essas relações bem dirigidas visam estabelecer o máximo de aproximação interindividual em função das necessidades comuns. Quanto mais positiva for a relação tanto maiores são as possibilidades de coesão e de progresso. Relações interpessoais ocorrem dentro de uma cultura e de uma sociedade. Conforme Garcia, Pereira e Oliveira (2013), as relações são afetadas pela posição na sociedade que cada pessoa ocupa e pelos diferentes tipos de papéis sociais e como estes são afetados pela 12 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO cultura. Ocupar diferentes posições na família, no trabalho, em organizações religiosas, em diferentes círculos sociais, permite diferentes interações e relacionamentos. Ainda segundo os autores, estas interações e relacionamento se estendem e se tornam mais complexos com os avanços tecnológicos e também pela ampla disseminação de interações e relacionamentos nos produtos culturais, como na literatura, cinema, teatro, entre outros. Barreiras a um bom relacionamento interpessoal Diversos fatores podem influenciar positivamente ou negativamente nos processos de relações interpessoais. A seguir, estão alguns comportamentos mais comuns que influenciam positivamente ou negativamente, identificados pela área da psicologia comportamental. Quadro 1. Comportamentos Favoráveis • Ser simpático • Saber trabalhar em grupo • Ser proativo • Saber ouvir • Autoestima elevada • Autoconfiança em seus atosComportamentos Prejudicais • Soberba • Passividade • Falta de autonomia • Timidez excessiva • Agressividade com os demais • Autoritarismo Reconhecendo quais comportamentos possui, a pessoa pode trabalhar seus aspectos negativos e reforçar os aspectos positivos. Relacionar-se bem com a sociedade é um comportamento que a pessoa escolhe, ou não, em ter. Porém, caso opte por não ter um bom relacionamento, esta poderá ter uma série de conflitos que passam a fazer parte de sua vida. Relacionamento interpessoal e o trabalho A interação humana encontra-se nas organizações, e a forma como se dão influencia os resultados de toda a empresa. Conviver com o outro não é fácil, e conviver com o outro no trabalho sem entender o comportamento de cada um é bem difícil. (GOMES, 2012). 13 RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I Cada um de nós possui algumas ideias sobre o comportamento e as reações de outras pessoas, e até já desenvolveu certa habilidade para lidar com as maneiras diferentes que cada um possui. Porém, não podemos apenas nos basear no que simplesmente “achamos” das pessoas. Segundo Moscovici (1994), a interação humana ocorre em dois níveis nas organizações. O nível da tarefa é o que pode ser observado, que é a execução das atividades, seja elas individuais ou em grupos. Já o socioemocional refere-se às sensações, aos sentimentos que são gerados pela convivência, e uma influencia a outra. Caso os sentimentos sejam positivos, o nível da tarefa é facilitado. Caso não sejam, o clima emocional não é satisfatório, a tarefa passa a sofrer os efeitos. A interação socioemocional pode favorecer o resultado do trabalho e as relações entre as pessoas. Caso os processos sejam construtivos, a colaboração e o afeto predominam, o que possibilita a coesão do grupo. Caso contrário, o grupo passa a ter conflitos. O que se observa é que para trabalhar bem, as pessoas precisam possuir não apenas competências técnicas, mas também competências emocionais. (GOMES, 2012) É importante destacar que a forma como cada um se vê, suas próprias motivações, ideologias, crenças, influenciam as interações entre as pessoas. Quando mais em harmonia a pessoa esteja consigo mesma, sua autoestima e valorização, seu bem-estar mental e físico, possibilitam um melhor equilíbrio na relação com o outro. Portanto, é fundamental que a pessoa esteja bem consigo. Em uma empresa, o líder é muito importante nesse processo. Sendo habilidoso, ele poderá lidar com as emoções da equipe e assim, fará a diferença de forma positiva no seu grupo de trabalho. Bom Sucesso (2002, pp. 29-30) destaca algumas dificuldades mais observadas na dimensão interpessoal: a. Falta de objetivos pessoais: trata-se de pessoas que possuem dificuldades em traçar rumos para o seu futuro. Desanimam diante de obstáculos, e não se mostram criativas para buscar soluções, sentem-se frustradas e, por isso, mudam continuamente seu rumo. Nos processos de mudanças, são levadas pelos outros, aguardando sempre as instruções. Muitas vezes, trabalham em profissão que não gostam, mas não apresentam atitudes para novos redirecionamentos. Um exemplo prático: uma professora de escola de primeiro grau participou de um programa de integração de equipes e se mostrou indignada com os baixos salários 14 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO da sua categoria. Tendo participado de outro projeto, 10 anos depois, voltou a queixar-se da mesma situação. Estimulada a refletir sobre isso, percebeu as consequências paralisadoras da sua postura acomodada e da falta de estabelecimento de objetivos pessoais. Compreendeu o tempo perdido, esperando que sua profissão fosse valorizada. Constatou que poderia ter feito “dois cursos superiores” nesse período, passando a atuar como professora (que é sua vocação ), mas vinculada a uma universidade ou a outra instituição. b. Dificuldade em priorizar:muitas pessoas se queixam da “falta de tempo”, para realizar suas tarefas. O que muitas vezes se percebe é a grande dificuldade em estabelecer prioridades. Muitas vezes, acumulam-se tarefas, sem avaliar as reais possibilidades de executá-las, ou a dificuldade para dizer “não”, propõem-se a fazer coisas que não é possível cumprir. Para realização das tarefas, saber administrar o tempo é fundamental. Para ilustrar esse fato, segue um exemplo: convivemos com uma executiva que representa um modelo desse perfil. Sua vida pessoal demandava um esforço excessivo: tinha quatro filhos e os levava pessoalmente à escola. Tinha frequentemente dificuldades em manter uma empregada doméstica, devido ao trabalho adicional. Além do emprego que lhe absorvia oito horas diárias, praticava tênis, fazia yoga, curso de atualização em língua inglesa. Estava constantemente atrasada para todos os compromissos. Sempre que lhe sugeriam repensar suas prioridades e abrir mão de algumas atividades, afirmava que tudo isso era essencial e não havia como desistir de qualquer uma delas. Sua qualidade de vida era baixa, especialmente pela permanente tensão resultante dos atrasos. Estimulada a refazer seu plano de vida e traçar prioridades, descobriu que sua busca de prazer em atividades alternativas tornou-se uma obsessão e, um lugar de lazer, acabava gerando tensão e estresse. Decidiu tornar essas atividades eventuais, sem o compromisso de ‘cursos com dia e hora marcados’, concentrando-se na sua atividade profissional e estabelecendo novos papéis e responsabilidades para os filhos, que vinham se tornando acomodados e sem iniciativa. Vemos aqui claramente, nesse exemplo, o quanto pessoas têm dificuldades para priorizar o que realmente é importante, acabam com muitas atividades, de que normalmente não conseguem dar conta. 15 RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I c. dificuldade em ouvir: a maioria dos conflitos acontece em virtude da dificuldade que temos em ouvir e compreender o outro. Temos o hábito de julgar o outro a partir dos nossos valores, esquecendo-se de respeitar as diferenças individuais. A dificuldade em ouvir o outro aumenta, principalmente se temos pontos de vista diferentes. Muitos gerentes avaliam sua equipe a partir dos seus próprios paradigmas, da sua maneira de ver o que é certo e errado, não acenando com a possibilidade de considerar o pensamento do outro, sem querer ouvir o que as pessoas pensam. É fundamental que um gestor queira saber o ponto de vista de sua equipe, perguntar antes de julgar, permitir que sejam dadas sugestões, criar espaços para que diferentes percepções possam vir à tona, solicitar sempre que possível a participação de todos. A maioria dos exemplos de grandes corporações aponta para resolução de inúmeros problemas, o saber ouvir, dar espaço para que as pessoas que contribuem com seu trabalho possam trazer soluções para o dia a dia. Comunicação: conceitos e componentes A comunicação, sem dúvida, é o centro de todo relacionamento, seja ele pessoal, profissional etc. Ela é a chave para o desenvolvimento de uma relação saudável com o outro, uma vez que pode ser considerada a arte do entender e do fazer-se entender. A comunicação possui inúmeros conceitos. Conforme Rêgo (1997), esses conceitos podem ser: etimológico, biológico, pedagógico, histórico, sociológico e antropológico. » No conceito etimológico: “comunicar significa participação, troca de informações. Preza o fato das pessoas poderem entender umas às outras, expressando pensamentos e até mesmo unindo o que está isolado.” » Para o conceito biológico: “é relacionada com a atividade sensorial e nervosa do ser humano. É através da linguagem que é exprimido o que se passa em seu sistema nervoso. Algumas espécies têm a necessidade de intercambiar informações apenas para multiplicar-se, enquanto a espécie humana procura comunicar-se intensamente com outros porque necessita participar ativamente da sua própria evolução biológica.” » No conceito pedagógico: “é uma atividade educativa que envolve troca de experiências entre pessoas de gerações diferentes, evitando-se assim que grupos sociais retornem ao primitivismo. Entre os que se comunicam, há 16 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO uma transmissão de ensinamentos, onde modifica-se a disposição mental das partes envolvidas.” » Baseada na cooperação, o conceito histórico: “traz que a comunicação funciona como instrumento de equilíbrio entre a humanidade, neutralizando forças contraditórias. Desse ponto de vista, o conceito propicia o resgate diacrônico imprescindível ao avanço do homem em direção ao futuro. Não fossem os meios de comunicação, ampliando as possibilidades de coexistência mais pacífica entre os homens, estes já estariam extintos em meio às disputas por poder. E não menos importante que os conceitos anteriores, a comunicação atua na forma de sobrevivência social e no fundamento da existência humana.” » Já no conceito sociológico: “o papel da comunicação é de transmissão de significados entre pessoas para a sua integração na organização social. Os homens têm necessidade de estar em constante relação com o mundo, e para isso usam a comunicação como mediadora na interação social, pois é compreensível enquanto código para todos que dela participam.” » Por fim, o conceito antropológico: “tem como tendência predominante o de analisar a comunicação como veículo de transmissão de cultura ou como formador da bagagem cultural de cada indivíduo. Esse é um assunto de grande importância, haja vista o surgimento da cultura de massa no século XX, transformando as formas de convivência do homem moderno.” São componentes do processo de comunicação: » emissor – alguém que emite a mensagem; » receptor – o que recebe a mensagem; » mensagem – é o objeto da comunicação, é o que se quer comunicar; » canal – o meio, seja físico ou virtual, pelo qual se transmite a mensagem; » ruídos – tudo aquilo que pode atrapalhar a comunicação. A de comunicação é o centro das atividades humanas. No entanto, além de usar palavras corretas e adequadas, o emissor precisa transmitir à outra pessoa, informações, ideias, sentimentos, ou seja, a mensagem. Ao mesmo tempo, para que a comunicação ocorra, 17 RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I não basta transmitir ou receber as mensagens. É necessário que ocorra troca de entendimentos. Para tanto, as palavras são importantes, mas também as informações não verbais. A comunicação verbal realiza-se oralmente ou por meio da escrita. Já a comunicação não verbal realiza-se por meio de gestos e expressões corporais e faciais que podem reforçar ou contradizer o que está sendo dito. É importante observar que algumas palavras assumem diferentes significados para cada pessoa. Daí a importância de checarmos a linguagem utilizada no processo de comunicação e adaptarmos nossa mensagem ao vocabulário, aos interesses e às necessidades da pessoa a quem transmitimos alguma informação. A importância do cuidado na comunicação verbal As pessoas se comunicam de diversas formas, mas a comunicação verbal oral é a mais utilizada e trata da emissão de palavras e sons que usamos para nos comunicar. Ela é responsável pela formação de extensas redes de troca social que mantém e alteram a cultura. Uma comunicação clara, na qual a outra pessoa entenda o que está sendo dito, acarreta em uma reposta adequada. Quando as pessoas não se expressam com clareza a tendência é que hajam distorções e incompreensões que prejudicam a perfeita comunicação. Dessa forma, o treinamento em comunicação é fundamental para uma melhorar as relações humanas. Segundo Beck (1995), em uma conversa com clareza, o diálogo flui positivamente, um sabe o que o outro está dizendo e sente o prazer por conseguir falar e ser entendido. Segundo Demarais e White (2005), uma boa relação requer que cada um fale aproximadamente metade do tempo. Por issoé fundamental que uma pessoa dê a portunidade para a outra falar e aceitar contribuições, assim como ouvir com atenção e também contribuir. Para Dattilio e Padesky (1995), a boa comunicação não significa necessariamente concordância. Envolve aprender a falar e a ouvir de modo que obtenham um mútuo entendimento e solução para os problemas, quando existem divergências. 18 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO Para melhorar o diálogo é necessário: 1. Sintonizar um ao outro; estabelecimento de contato. 2. Dar sinais de que está ouvindo (como “aham”, “estou entendendo” como também da comunicação não verbal – assentimento com a cabeça, contato visual direto, expressões faciais e gestos sutis). 3. Não interromper. 4. Perguntar com habilidade. Demarais e White (2005) trazem algumas contribuições sobre a maneira que uma pessoa vê a outra durante uma conversação, portanto é necessário estar atento a esses comportamentos. Quadro 2. Comportamentos negativos em uma conversa. Comportamentos Negativos Pode transmitir para o outro Ouve sem prestar atenção Desinteressado, antipático, preocupado. Fala de si mesmo sem fazer perguntas sobre a outra pessoa Autocentrado, rude, chato. Não demonstra atenção ou interesse Desinteressado, distante, frio. Escuta, mas não acrescenta temas à conversa Chato, autocentrado Mantém seu foco num único assunto Tedioso, autocentrado, sem curiosidade Profere uma palestra a respeito de um assunto que domina Pretensioso, chato, maçante Fala sobre banalidades com excesso de detalhes Chato, tedioso Queixa-se de seus problemas Chato, autocentrado, problemático. Interrompe os outros ou não consegue ceder a palavra Desinteressado, autocentrado, controlador Demonstra superioridade em relação aos outros Intimidante, inseguro Apresenta-se como muito inferior aos outros Desajeitado, sem confiança em si mesmo Só fala de coisas positivas Pouco inteligente, pouco sincero, alienado Adaptado de Demarais e White (2005). A escuta no processo de comunicação Saber ouvir é algo difícil. Não apenas escutar, mas realmente ouvir o que o outro tem a dizer é considerado uma das maiores habilidades humanas. Muitas razões estão abarcadas no ato de ouvir, são elas: 19 RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I » desejo de obter informação; » curiosidade em receber uma resposta; » interesse em saber da história de outra pessoa; » necessidade de estabelecer novos relacionamentos; » respeito e valorização. (MACKAY, 2002, p. 10) Para se comunicar bem é preciso saber ouvir o outro. Uma técnica muito utilizada para se ouvir bem e aprimorar a comunicação é a técnica da escuta ativa. Nessa técnica observam-se as reações emocionais presentes, pontuando-se o que está sendo expresso e resumindo para a outra pessoa aquilo que ela está comunicando e expressando. Desta forma, a pessoa se sente acolhida, respeitada em seus anseios e dificuldades. A escuta ativa se dá quando indicamos por meio de comportamentos que estamos prestando atenção à outra pessoa. Algumas dicas para escutar ativamente: 1. Não terminar as frases pelo interlocutor, 2. Acenar afirmativamente com a cabeça, 3. Refletir as emoções do seu interlocutor, 4. Ouvir com o corpo todo: sorrir, olhar para a pessoa, entre outro. A comunicação verbal é essencial para todas as pessoas. Ela estabelece as relações sociais e promove vínculos. As pessoas que não sabem se comunicar adequadamente apresentarão muitas dificuldades ao longo da vida. Dicas para um bom ouvinte Morris (2005) relata em seu livro A arte de conversar algumas dicas para se tornar um bom ouvinte. São elas: » Tirar da cabeça todas as distrações a fim de se concentrar na pessoa que fala. » Controlar os pensamentos – tirar suas próprias ideias e apenas concentrar-se nas palavras de quem fala. 20 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO » Olhar bem nos olhos de quem fala. Focalizar os ouvidos e os olhos no outro, melhora a conversa. » Controlar as emoções. Ouvir objetivamente. A pessoa só pode reagir de maneira inteligente depois que ela sabe exatamente o que o outro quer dizer. É importante que a pessoa espere e escute o que a outra tem a dizer ao invés de reagir automaticamente pela emoção. » Ser um ouvinte ativo – mostrar interesse no outro que fala através de expressões faciais e expressões vocais que mostram que estão prestando atenção, como “mm-hum”, “sei”, “ah tá”, “entendi”. Texto Complementar - Ouvir: Atitude Ética (Matos, 2008, pg. 105) De modo geral, não somos bons ouvintes. Desde a mais tenra idade, fomos educados para falar e continuamos sendo treinados para a oratória. E, porque ouvimos pouco, os problemas de comunicação são apontados como um dos mais graves nas organizações. Como artifício para a falta de diálogo interpessoal – a comunicação autêntica faz-se de pessoa a pessoa – usa-se e abusa-se de meios tecnológicos – em si, benéficos à agilidade nas informações. Antes, os intermináveis telefonemas, hoje os e-mails compulsivos – uma verdadeira legião de “e-mailpatas”. Em relação à comunicação eletrônica, existe um paradoxo: emite-se a mensagem – muitas vezes para passar o “macaquinho” adiante – sem a preocupação com a resposta. O ato encerra-se na emissão do e-mail. A falta de feedback é uma tragédia nas comunicações. Mas há um outro fenômeno grave: e-mails que não são abertos ou o são tardiamente, quando a informação já é obsoleta. Um executivo confessou, em reunião, que estava com 120 e-mails fechados (!?), por falta de tempo. Não ter tempo disponível, sentir-se sempre sobrecarregado, além de revelar deficiências de planejamento pessoal e organizacional, é fatal para as comunicações e para o relacionamento. É preciso “reaprender” – ou aprender – a ouvir. Há pessoas extremamente preocupadas em oferecer respostas, sem ouvirem as perguntas. Quando não há diálogo, não há comprometimento. Estão aí as guerras para confirmar, tanto no âmbito doméstico, como empresarial e entre nações. Todavia, ouvir não é calar-se – a mudez pode até ser ofensiva. Ouvir é mostrar interesse, acompanhar o raciocínio do outro e manifestar-se no momento oportuno. Simples, não é? Mas como isso se mostra difícil no relacionamento diário! Iniciemos, portanto, imediatamente, nossa reaprendizagem como ouvintes atentos, interativos e inteligentes. Na arte 21 RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I de ouvir e falar, com propriedade e oportunidade, está o segredo da convivência harmoniosa e produtiva. Ouvir é uma atitude ética, ao significar respeito pela opinião do outro. Comunicação e atendimento ao público “Os clientes julgam os serviços que recebem a partir da maneira pela qual são tratados por todos aqueles com quem tem contato.” Carl Sewell. Na atualidade, com o avanço tecnológico, a abertura dos mercados decorrente da globalização, aumenta-se a competição entre as organizações. Com isso, todas buscam melhorias na qualidade de seus serviços e produtos. Esse interesse não se restringe às empresas privadas mas também, ao setor público. Entre os desafios do setor público, destaca-se: aumentar a satisfação dos cidadãos, melhorar a qualidade de seus serviços e obter um atendimento de excelência ao cidadão. Anteriormente já foi definido Comunicação. Faz-se necessário definir Atendimento: » ato ou efeito de atender; » prestar assessoria, consultoria, sanar dúvidas; » acolher; » receber com atenção e cortesia; » dar ou prestar atenção a algo. O atendimento pressupõe uma ajuda de uma pessoa à outra. Sempre que você atende, você está relacionando-se com outra pessoa. O atendimento tem por objetivo assistir o cliente em suas necessidades. Mas atualmente o objetivo é ainda maior: é o de encantar o cliente, permitindo torná-lo um parceiro da organização, agregando aprimoramento e desenvolvimento. No atendimento ao público a todo instante, o atendente se comunica através de palavras, gestos ou sinais que representam a mensagem.22 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO Os gestos podem emitir expressões completamente diferentes ou exatamente contrárias ao que se quer expressar, como o exemplo na Figura 1: Neste exemplo há uma mensagem consciente (a fala) e inconsciente (os gestos/ expressões). As distorções podem impedir que a mensagem chegue ao receptor exatamente como foi transmitida. Isto significa que o emissor e o receptor entendem de formas diferentes. Estas distorções podem ser causadas por: 1. falta de interesse; 2. falta de atenção; 3. barulhos e distorções; 4. pressão do tempo; 5. palavras que significam coisas diferentes; 6. dificuldades emocionais do emissor e/ou receptor; 7. pouco conhecimento do emissor ou receptor sobre o tema. Alguns aspectos são necessários para o bom atendimento ao público: » Preparo: conhecimento do seu serviço e do funcionamento da organização e preparo para as relações sociais envolvidas no atendimento. » Dedicação: atualização constante das informações que a função exige. » Presença de espírito: necessidade de criatividade e assertividade em sua conduta, principalmente nas situações de conflito. » Intuição: para tanto faz-se necessária a observação atenta das necessidades do cliente, as verbalizadas e as não verbalizadas, mas que podem ser percebidas. 23 RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I No atendimento ao público é preciso cuidado para evitar ruídos. Muitas vezes uma pessoa fala algo e a outra pessoa não compreende o que foi dito, seja por não entender ou pela subjetividade presente na mensagem. Além dessas dificuldades, existem outras que interferem no processo de comunicação, entre elas, as barreiras tecnológicas, psicológicas e de linguagem. As barreiras tecnológicas são as mais simples de se compreender. Decorrem de alguma interferência ou até mesmo um defeito no canal de comunicação, como o telefone com baixo volume ou com ruídos. Já as barreiras de linguagem podem ocorrer por vários motivos. Pessoas que falam línguas diferentes, o uso de gírias, a dificuldade de escrever corretamente, gagueira etc. As barreiras psicológicas provêm das diferenças individuais, tais como: » seletividade; » egocentrismo; » timidez; » preconceito; » descaso. Dicas para o atendimento diante de reclamações: 1. aceite a objeção, escute a pessoa com interesse; 2. deixe a pessoa falar, não interrompa; 3. entenda a reclamação; 4. evite discutir (nada de imposições); 5. procure dominar suas emoções; 6. seja assertivo; 7. assuma e busque a solução do problema ou repasse a quem possa resolver a questão dando acompanhamento. 24 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO A inteligência emocional e a qualidade no atendimento “Quem não compreende um olhar, tampouco entenderá uma longa explicação.” Na década de 1980, pesquisadores americanos começaram a pesquisar sobre a importância da inteligência emocional (IE) na vida das pessoas. Porém foi Daniel Goleman, psicólogo e professor da universidade de Harvard, EUA, quem popularizou o tema quando escreveu o bestseller Inteligência Emocional, em 1995. Em meados dos anos 1990, Daniel Goleman, afirmou que a IE ou quociente emocional (QE) tem tanta ou maior importância que o quociente de inteligência (QI). Goleman (1996) redefiniu o conceito de inteligência, acabando com a ditadura da razão e observando questões de ordem emocional, como forma de garantia de sucesso em qualquer momento da vida. Segundo o autor, a inteligência emocional envolve desenvolver as seguintes áreas de habilidades: » Autoconhecimento – a busca constante para saber de si. É necessário definir o que e a intensidade do que se sente, só assim a pessoa é capaz de identificar o nível de influencia em suas relações e em si mesmo » Gerenciamento de emoções – para gerenciar é preciso conhecer. Conhecer os próprios sentimentos, controlando impulsos de forma a canalizar as emoções para as situações apropriadas. É preciso saber quando e como expressar as emoções, porque elas influenciam as outras pessoas. É preciso aprender a reconhecer e estimular os sentimentos positivos e expressar os sentimentos negativos de forma inofensiva e no momento oportuno. » Automotivação – conhecer seus motivos para a ação e comprometer- se com eles, motivando a si mesmo e persistindo face as frustrações , praticando a gratificação prorrogada. » Empatia – colocar-se no lugar do outro, reconhecendo sentimentos e necessidades deste. » Relacionamento interpessoal – habilidade em relacionar-se de forma eficaz, propiciando um contexto motivador para as pessoas, ajudando-as 25 RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I a liberarem seus próprios talentos e conseguindo seu engajamento aos objetivos de interesses comuns. Saber trabalhar em grupo. É preciso saber quando e como expressar as emoções, porque elas influenciam as outras pessoas. É preciso aprender a reconhecer e estimular os sentimentos positivos e expressar os sentimentos negativos de forma inofensiva e no momento oportuno. É preciso desenvolver o conhecimento de si mesmo e de suas qualidades e necessidades de desenvolvimento, olhar para si mesmo de forma realista, sem ser crítico em excesso nem condescendente em demasia. Dessa forma, é possível reforçar a autoestima e autoconfiança, pois a pessoa terá mais capacidade de controle e domínio sobre as suas decisões, ações e sentimentos. É preciso estar atento para esses aspectos, pois na medida em que não se domina suas emoções, o indivíduo pode deixar que elas interfiram de forma negativa nas relações e no trabalho que desenvolve. Utilizando as informações que as emoções fornecem, a pessoa pode alterar seu comportamento e seu raciocínio, de modo a reverter situações. Importante destacar que a inteligência emocional pode ser desenvolvida e ampliada. Para o servidor público que trabalha no atendimento ao cidadão, desenvolver a sua educação emocional por meio dessas competências será o diferencial na sua atuação, pois estará em constante contato com diferentes pessoas, expectativas e resultados. Dessa forma, toda pessoa que lida com público, precisa aprender a controlar suas emoções, a fim de imprimir tranquilidade e eficiência ao serviço. Algumas dicas são fundamentais: » identifique o que afeta o seu controle emocional; » tome cuidado para não se sentir emocionalmente abalado com o desequilíbrio de outra pessoa; » seja sempre objetivo e aja profissionalmente, com imparcialidade; » não force situações. Muito se tem dito sobre a importância de se desenvolver a inteligência emocional. A ideia não é a de suprimir sentimentos, mas sim de saber administrá-los de uma melhor forma, a fim de se manter com uma postura profissional, sem interferências das crenças e interesses pessoais. 26 UNIDADE I │ RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO Para desenvolver a inteligência emocional: » controlar a impulsividade (aprender a respirar); » pensar antes de falar e agir; » manter-se concentrado; » evitar excessos, rebeldia, indisciplina, manipulação; » aprender a usar os pontos fracos em benefício próprio; » procurar ter noites de sono adequadas para refazer o corpo e a mente; » encontrar estratégias para manter o controle em situações de conflito. 27 UNIDADE IIATENDIMENTO CAPÍTULO 1 Como atender ao público com qualidade e profissionalismo Uma interessante ideia sobre qualidade é originária do Japão e parte do entendimento de que qualidade é “fazer bem feito desde a primeira vez”. Em outras palavras, qualidade significa ter atenção e cuidado na realização de qualquer atividade desde o início, identificando-se, para tanto, sua validade, a quem se destina e quais os níveis de controle indispensáveis para obtenção do máximo de resultados. Dentre as várias responsabilidades, atribuições e tarefas do serviço público, uma das mais importantes é dar atendimento direto e pessoal ao cidadão, pois é nesse contato que se materializa a democraciae realizam-se os direitos humanos. A busca pela qualidade no atendimento público é um trabalho permanente. Nesse processo de constante aperfeiçoamento, é possível contar com alguns princípios orientadores. Princípios são pontos de partida, compreensões fundamentais que inspiram ideias e práticas. Conheça-os na Figura 2: Figura 2. Princípios orientadores do atendimento. 28 UNIDADE II │ ATENDIMENTO O primeiro princípio para o bom atendimento é o foco nos direitos humanos. Tal princípio qualifica, de imediato, qualquer pessoa como cidadão. O segundo estabelece que o serviço deve atender a uma real necessidade do cidadão. O serviço deve ser como o usuário espera e necessita que ele seja. Por fim, o terceiro princípio diz respeito à manutenção da qualidade dos serviços ao longo do tempo. A realização dos mencionados princípios nas práticas de trabalho abre espaço para a adoção de ações que imprimem qualidade ao atendimento, tais como: » identificar as necessidades dos cidadãos; » cuidar da comunicação (verbal e escrita); » evitar informações conflitantes; » atenuar a burocracia; » cumprir prazos e horários; » desenvolver produtos e/ou serviços de qualidade; » divulgar os diferenciais da organização; » imprimir qualidade à relação atendente/cidadão; » fazer uso da empatia; » analisar as reclamações; » considerar as boas sugestões. Atendimento ou tratamento: qual a diferença? Atendimento diz respeito a satisfazer as demandas apresentadas pelo cidadão. Já tratamento diz respeito à forma como o usuário é recebido e atendido. Veja um exemplo: “um cidadão vai até um serviço público em busca de um documento, uma consulta ou um simples carimbo. Ao entrar em uma unidade pública, é prontamente recebido com cortesia e atenção, mas não encontra o produto ou serviço que buscava. O cidadão foi bem tratado, mas não foi atendido.” (Controladoria-Geral da União; Ouvidoria-Geral da União, 2013) 29 ATENDIMENTO │ UNIDADE II “O bom atendimento é um atendimento de qualidade, o que inclui dar um bom tratamento ao cidadão e satisfazer, com tempestividade e suficiência, as demandas de informação, produtos ou serviços por ele apresentadas. Tempestividade significa atender no prazo. A suficiência quer dizer que o atendimento, para ser bom, deve ser completo. Não pode ficar faltando informação ou alguma etapa do serviço. Suficiência não significa ir além, mas sim fazer tudo o que é necessário para atender a demanda do cidadão.” (Controladoria-Geral da União; Ouvidoria-Geral da União, 2013) No trabalho de atendimento ao cidadão, é importante identificar qual atividade se refere a atendimento e qual se refere a tratamento. Alguns usuários valorizam mais um bom tratamento do que um bom atendimento. Outros, ao contrário, quando procuram um órgão público, priorizam ser plenamente atendidos em sua demanda. Há ainda usuários que dizem que foram “mal atendidos” quando, na realidade, suas solicitações não puderam ser atendidas por questões legais ou por outra impossibilidade. O fato é que o indeferimento de um pedido será sempre mal recebido. O que pode fazer o atendente nesses casos? O desconforto do usuário pode ser amenizado dependendo da forma como lhe é apresentada a negativa. Embora ele não tenha sido atendido, foi muito bem tratado. O que caracteriza um atendimento de qualidade? Um atendimento de qualidade não significa apenas assistir o cidadão em suas necessidades. Mais do que isso, é preciso estabelecer ações que possibilitem uma relação empática. A primeira delas está relacionada à identificação e ao estímulo de que os atendentes sirvam ao público com presteza. A segunda está atrelada ao estabelecimento de parâmetros que auxiliem a avaliar (1) a qualidade do serviço, (2) a qualidade do atendimento e (3) a qualidade do tratamento dispensado ao cidadão. 1. A qualidade de um serviço deve ser avaliada antes mesmo de ele ser entregue ao cidadão. Itens como apresentação, clareza, aplicabilidade devem ser observados com rigor. 2. A qualidade do atendimento, de modo geral, é determinada por elementos percebidos pelo próprio cidadão. São eles: › competência: pessoas capacitadas e recursos tecnológicos adequados; 30 UNIDADE II │ ATENDIMENTO › confiabilidade: cumprimento de prazos e horários estabelecidos; › credibilidade: honestidade no serviço proposto; › segurança: sigilo das informações pessoais; › facilidade de acesso: aos serviços e ao atendimento; › comunicação: clareza na forma de utilização dos serviços. 3. A qualidade do tratamento refere-se à atuação do atendente quando interage com o cidadão. Está relacionada a características como: presteza, cortesia e flexibilidade. Atendimento ao cidadão A maioria das pessoas já passou por alguma experiência de ficar muito tempo em uma fila (presencial ou virtual - via telefone ou internet), pensando em tudo que poderiam estar fazendo de bom ao invés de ter que enfrentar aquela burocracia - seja ela de algum serviço público ou mesmo de algum serviço privado. Ou mesmo, já foram atendidos por algum funcionário mal humorado em local que não era possível prestar um bom atendimento, pois as condições de infraestrutura (mobiliário, equipamentos, estrutura da organização, comunicação visual etc.) não permitiam. Isso sem contar as inúmeras vezes que informações erradas são repassadas e as pessoas perdem seu tempo. Porém, a maior parte das pessoas também obtiveram experiências positivas com atendimentos de eficiência, agilidade, boa vontade, e com isso, tem o tempo otimizado, problemas resolvidos e a vida facilitada a partir disto. Situações de bom atendimento são facilitadores do dia a dia, já tão turbulento para a maioria dos cidadãos. Passar por um atendimento de excelência pode se definir como uma experiência de vida, por meio a disponibilidade de um servidor pode trazer ao cidadão o modelo de respeito e valorização do ser humano que há algum tempo começa a escassear nas relações pessoais de nossa sociedade contemporânea. Serviço e postura de atendimento Observando estas duas condições principais podemos separar a estrutura de uma organização que presta serviços às pessoas em dois itens: os serviços e a postura de atendimento. O serviço assume uma dimensão macro nas organizações e, como tal, está diretamente relacionado à instituição. Nesta visão mais global, estão incluídas a cultura da 31 ATENDIMENTO │ UNIDADE II instituição, as políticas de serviços, a sua própria definição e filosofia. Aqui também estão o ambiente físico, recursos materiais, equipamentos, etc. Este item, portanto, depende mais diretamente da instituição e está mais relacionado com as condições sistêmicas. Já a postura de atendimento, que é o tratamento dispensado às pessoas, está mais relacionado com o servidor em si, com as suas atitudes e o seu modo de agir com o cidadão. Portanto, está ligado às condições individuais. 32 CAPÍTULO 2 O profissional de atendimento Os quatro passos do verdadeiro profissional de atendimento são: 1. Entender o seu verdadeiro papel, que é o de compreender e atender as necessidades do cidadão, fazer com que ele seja bem recebido, ajudá- lo a se sentir importante e proporcioná-lo um ambiente agradável. Este profissional é voltado completamente para a interação com a pessoa e considera importante demonstrar interesse em relação às necessidades dos cidadãos e atendê-las. 2. Entender o lado humano, conhecendo as necessidades dos cidadãos, aguçando a capacidade de percebê-los. Para entender o lado humano, é necessário que este profissional tenha uma formação voltada para as pessoas e goste de lidar com gente. 3. Entender a necessidade de manter um estado de espírito positivo, cultivando pensamentos e sentimentos positivos, para ter atitudes adequadas no momento do atendimento. Ele sabe que é fundamental separar os problemas particulares do dia a dia do trabalho e, para isso, cultiva o estado de espírito antes da chegadado cliente. O primeiro passo de cada dia é iniciar o trabalho com a consciência de que o seu principal papel é o de ajudar os cidadãos a solucionarem suas necessidades. Para trabalhar com atendimento ao público, alguns requisitos são essenciais ao atendente. São eles: gostar de servir, gostar de lidar com gente, ter boa capacidade de comunicação, ter humildade, cultivar um estado de espírito positivo, estar atento e querer satisfazer as necessidades do outro e cuidar da aparência. 4. Postura. A postura pode ser entendida como a junção de todos os aspectos relacionados com a nossa expressão corporal na sua totalidade e nossa condição emocional. Pode-se destacar três pontos necessários da postura. São eles: › Postura de abertura: que se caracteriza por um posicionamento de abertura, mostrando-se sempre disponível para atender e interagir prontamente com o cidadão. › Sintonia entre fala e expressão corporal: que se caracteriza pela 33 ATENDIMENTO │ UNIDADE II existência de uma unidade entre o que dizemos e o que expressamos no nosso corpo. Quando fazemos isso, nos sentimos mais harmônicos e confortáveis. Não precisamos fingir, mentir ou encobrir os nossos sentimentos e eles fluem livremente. Dessa forma, nos sentimos mais livres do stress, das doenças, dos medos. › Expressões faciais: das quais podemos extrair dois aspectos: o expressivo, ligado aos estados emocionais que elas traduzem e a identificação destes estados pelas pessoas; e a sua função social que diz em que condições ocorreu a expressão, seus efeitos sobre o observador e quem a expressa. Podemos concluir, entendendo que, qualquer comportamento inclui posturas e é sempre fruto da interação complexa entre o organismo e o seu meio ambiente. O olhar (Costa, 2015) “Através do olhar, podemos passar para as pessoas os nossos sentimentos mais profundos, pois ele reflete o nosso estado de espírito. Ao analisar a expressão do olhar, não vamos nos prender somente a ele, mas a fisionomia como um todo para entendermos o real sentido dos olhos. Um olhar brilhante transmite a pessoa atendida a sensação de acolhimento, de interesse no atendimento das suas necessidades, de vontade de ajudar. Ao contrário, um olhar apático, traduz fraqueza e desinteresse, dando ao cliente, a impressão de desgosto e dissabor pelo atendimento. Mas, você deve estar se perguntando: o que causa este brilho nos nossos olhos ? A resposta é simples: gostar do que faz, gostar de prestar serviços ao outro, gostar de ajudar o próximo. Para atender ao público, é preciso que haja interesse e gosto, pois só assim conseguimos repassar uma sensação agradável para o cliente. Gostar de atender o público significa gostar de atender as necessidades do outro, de ajudar e resolver problemas. O olhar desbloqueia o atendimento, pois quebra o gelo. O olhar nos olhos dá credibilidade e não há como dissimular com o olhar.” O sorriso (Costa, 2015) “O sorriso abre portas e é considerado uma linguagem universal. O sorriso tem a capacidade de mudar o estado de espírito das pessoas e as pesquisas revelam que as pessoas sorridentes são avaliadas mais favoravelmente do que as não sorridentes. O sorriso é um tipo de linguagem corporal, um tipo de comunicação 34 UNIDADE II │ ATENDIMENTO não verbal . Como tal, expressa as emoções e geralmente informa mais do que a linguagem falada e a escrita.” Apresentação pessoal A primeira impressão que passamos é a visual, pela aparência exterior. Toda pessoa que trabalha em contato com o público, deve zelar pela sua aparência, bem cuidada, discreta, a fim de passar uma boa impressão. Que imagem você acha que transmitimos a uma pessoa quando a atendemos com as unhas descuidadas, os cabelos despenteados, as roupas desalinhadas? O atendente está na linha de frente e é responsável pelo contato, além de representar a instituição neste momento. Para transmitir confiabilidade, segurança, bons serviços e cuidado, se faz necessário, também, ter uma boa apresentação pessoal. Alguns cuidados são essenciais para tornar este item mais completo. São eles: » cuidar sempre da higiene pessoal: unhas, cabelos, cuidados, hálito, entre outros; » roupas limpas e conservadas; » sapatos limpos; » usar o crachá com o nome, em local visível pelo cidadão. Tom de voz A voz é carregada de magnetismo e como tal, traz uma onda de intensa vibração. O tom de voz e a maneira como dizemos as palavras são mais importantes do que as próprias palavras. De acordo com a maneira que dizemos e de acordo com o tom de voz que usamos, vamos perceber reações diferentes da pessoa que estamos atendendo. Caso seja cometida uma gafe, mas posteriormente com simpatia, nos desculpamos com naturalidade pela falha e assumimos uma postura de humildade, falando com calma e num tom amistoso e agradável, percebemos que a reação da pessoa será de compreensão. Por outro lado, se a mesma frase é dita de forma mecânica, estudada, artificial, ríspida, fria e com arrogância, poderemos ter a pessoa reagindo com raiva, impaciente. 35 ATENDIMENTO │ UNIDADE II Agilidade Atender com agilidade significa ter rapidez sem perder a qualidade do serviço prestado. A agilidade no atendimento transmite ao cidadão a ideia de respeito. Quando há agilidade, podemos destacar: » o atendimento personalizado; » a atenção ao assunto; » o saber escutar o cidadão; » cuidar das solicitações e acompanhar o cidadão durante todo o seu percurso na instituição. Os aspectos essenciais no atendimento – (COSTA, 2015) A compreensão das necessidades do cidadão atendido Compreender o cidadão significa entender suas necessidades, seu estilo de funcionamento, suas características buscando adequar a forma de atendê-lo ao seu perfil individual. A comunicação no atendimento. A comunicação é um processo inerente ao ser humano. É através dela que o indivíduo ou grupo interage com outros indivíduos ou grupos, recebendo suas impressões sobre o que foi comunicado. É importante sabermos que as formas influenciam no entendimento da mensagem. Não basta simplesmente a comunicação verbal ocorrer, pois outros meios podem fazer com que a mensagem seja compreendida de forma diferente daquela que se deseja transmitir. Dessa forma, para que o processo de comunicação ocorra de forma perfeita, é preciso completa integração entre as várias formas de comunicação, seja ela, verbal ou não verbal. Até a maneira como uma pessoa se apresenta, como a utilização de uniformes, crachás, asseio, cabelos penteados e barba aparada para os homens e maquiagem para mulheres, também influencia o processo de comunicação. A percepção e a empatia Outros dois aspectos muito importantes na questão do atendimento ao cidadão são a percepção e a empatia. De forma bastante simples podemos dizer que 36 UNIDADE II │ ATENDIMENTO a percepção é a maneira como enxergamos uma pessoa. A maneira adequada de tratar o outro é deixar de lado as impressões pessoais e os preconceitos. A empatia é a capacidade de colocar-se no lugar da outra pessoa e de ver o mundo sob seu ponto de vista e a capacidade de escutar. Escutar significa prestar atenção ao que o outro diz, e não simplesmente ouvir. Diversidade “Em diversas épocas da nossa vida somos tão diversos de nós mesmos como dos outros homens.” Marques de Maricá O conceito de diversidade, de uma forma geral, diz respeito à variedade e convivência de ideias, características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto, situação ou ambiente. O conceito de diversidade, em se tratando de pessoas, se torna complexo e pode ser aplicado em diferentes campos das relações humanas. Hoje em dia temos como conceito de diversidade não apenas a diferença entre as raças ou gêneros, e sim uma diferença entre estilo de vida, preferência sexual, origem geográfica, tempo de serviço na organização, status, idade e formação educacional. Ou seja, a diversidade é um mix de pessoascom diferentes identidades convivendo em uma mesma sociedade. Estas diferentes identidades se unem e formam diferentes grupos que unidos formam a sociedade atual. Na sociedade atual muitas vezes alguns grupos sofrem com o preconceito, que pode vir por diferentes motivos, alguns por seus membros terem obtido historicamente vantagens em termos de recursos econômicos e de poder em relação aos outros e outros por terem costumes diferentes da maioria da população. A diversidade diz respeito, portanto e principalmente, às diferenças. Partindo do princípio da visão humana, somos indivíduos únicos, com personalidades únicas, uma identidade única. Avançando em uma visão mais detalhada, podemos citar estas diferenças como sendo as diversas origens da população, sexo, faixa etária, credo religioso, cultura, orientação sexual, portar ou não uma deficiência. Pela inevitabilidade da convivência com pessoas diversas, as organizações e movimentos sociais buscam desenvolver ações para promover a igualdade de oportunidades, independentemente de todas estas diferenças. 37 ATENDIMENTO │ UNIDADE II Segundo Bulgarelli “é necessário considerar as diferenças para que haja tratamento igual, para que haja respeito à condição humana, àquilo que nos caracteriza em nossa identidade”. (2008, p. 63) Conseguir falar e entender sobre a inclusão e a diversidade é relativamente fácil, o difícil é colocar em prática no cotidiano de nossa atividade profissional. No Brasil a partir de 1991, algumas leis foram introduzidas no país para estimular a inclusão de algumas minorias, como a inclusão de deficientes físicos com a Lei no 7.853. Essas iniciativas foram criadas para aumentar as oportunidades oferecidas a alguns grupos em condições especiais. Portanto, a diversidade é um debate recente no Brasil e que tem levado as pessoas e organizações a se preocuparem, não só para cumprir a legislação, mas também para oferecer condições de igualdade de oportunidade e atendimento as pessoas. Não foi apenas a legislação que levou o pensar ações sobre a diversidade. Houve várias mudanças de caráter social e econômico, entre elas a mudança demográfica. Os países em geral estão passando por forte influência de imigração ou emigração da população, além disso, o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, as pessoas portadoras de deficiência, pessoas com diferentes orientações sexuais e o aumento da expectativa de vida são mudanças o que influencia nos produtos e serviços que serão desenvolvidos e ofertados, já que o público muda constantemente. Essas mudanças deixam para trás os padrões tradicionais de serviços e, consequentemente, de atendimento e faz com que as organizações e os profissionais tenham que se adaptar. O objetivo é promover à igualdade no acesso aos serviços e de oportunidades no trabalho, combatendo à discriminação, fundamentada na raça, cor, sexo, religião, opinião, ascendência nacional ou origem social, e outras discriminações, como idade, orientação sexual, estado de saúde, deficiências, enfim, clientes especiais. Quando o assunto é atendimento a clientes com deficiência a empatia ganha uma dimensão ainda mais delicada. O cuidado deve ser ampliado, da hora que a pessoa entra no setor até sua saída, proporcionando um acolhimento tal que a faça sentir-se respeitada. Sentir-se acolhido é o primeiro fator que nos faz sentir-se bem em qualquer ambiente. 38 CAPÍTULO 3 Atendimento ao cidadão com deficiência Para o conteúdo desse tópico assim como as orientações gerais de atendimento por tipo de deficiência, utilizou-se na íntegra, com pequenas adaptações, a excelente cartilha da FEBRABAN de Atendimento ao Público. Como devemos nos referir à deficiência? Pela denominação correta! Hoje em dia o termo utilizado é “pessoas com deficiência”. Esta denominação deve ser utilizada não pela preocupação em ser politicamente correta, mas porque, desta forma, a questão substantiva (“pessoas”) possui mais importância do que o aspecto adjetivo (“com deficiência”). A deficiência é apenas uma dentre várias características pertencentes a estas pessoas. Contudo, ao se relacionar com uma pessoa com deficiência o ideal é simplesmente chamá-la por seu nome. Assim, não há como errar. Como devemos nos portar diante de uma pessoa com deficiência? Naturalmente! Ao encontrar uma pessoa com deficiência, procure agir com naturalidade. Não a trate como se ela estivesse doente. As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas. Não devemos nos ofender se a ajuda oferecida for recusada, pois nem sempre as pessoas com deficiência precisam de auxílio. Por que devemos atender preferencialmente? Por respeito! Você sabe por que existe o atendimento preferencial? O atendimento preferencial foi regulamentado em lei, porque existem implicações na espera para as pessoas com deficiência. O alcance visual de uma pessoa em cadeira de rodas é diferente do alcance das pessoas que estão em pé na fila. Após algum tempo, essa situação causa uma sensação bastante incômoda. Para pessoas que utilizam muletas, bengalas ou andadores, pessoas idosas (com 60 anos ou mais), gestantes ou pessoas com crianças de colo, ficar muito tempo em pé representa um grande esforço. Por isso, elas devem ser atendidas o mais rápido possível! O atendimento deve ser especial? Deve ser atencioso! O tratamento deve ser o mesmo dado a uma pessoa sem deficiência. A diferença no atendimento a uma pessoa com deficiência é que ele deve ser personalizado, já que o atendente precisa levar em conta a deficiência, para melhor atendê-la. Mas é necessário tomar cuidado para que essa personalização não discrimine ou subestime a capacidade do indivíduo com deficiência. 39 ATENDIMENTO │ UNIDADE II Como devemos nos posicionar com relação à deficiência da pessoa? Não devemos nunca fingir que a deficiência não existe! Devemos considerá-la, porém sem superestimar os limites, ou subestimar a capacidade de superação. As limitações existem, mas as potencialidades também. O melhor é enxergar as pessoas além de suas deficiências, de acordo com seus potenciais. Existem vantagens em conviver com a diversidade? O diferente traz aprendizado! Conviver com pessoas diferentes, com outras histórias de vida, experiências, visões do mundo, nos torna pessoas melhores, pois assim é possível criar novos valores e isto nos possibilita viver com muito mais intensidade. Todas as pessoas com deficiência possuem características semelhantes? A diversidade também está na deficiência, pessoas com deficiência possuem algumas características semelhantes, mas não são iguais. Não podemos nunca generalizar ou rotular, pois a deficiência está presente em todos os grupos sociais, raciais, religiosos, entre outros – ou seja, pessoas dos mais variados perfis, personalidades e culturas podem apresentar deficiência. Como devemos nos relacionar com as pessoas com deficiência? Igualdade não combina com piedade! O convívio com pessoas com deficiência não deve ser permeado de assistencialismo, pena ou compaixão. Devemos nos relacionar com naturalidade e bom senso, entendendo suas limitações, mas as encarando como pessoas como as demais. O que elas querem e precisam é de tratamento igual e igualdade de oportunidades. “Necessitamos ser tratados igual a todos e não de forma diferente só por estarmos sentados em uma cadeira de rodas.” Orientações gerais para as pessoas com deficiência visual Como devo atender a pessoa com deficiência? Compreensão é a chave de tudo! Auxiliar estas pessoas traz responsabilidades e deveres que devem ser cautelosamente executados. Para isso, é necessária uma boa compreensão das necessidades da pessoa. Procure se voltar, principalmente, à interatividade e à comunicação. Uma boa comunicação leva a um bom atendimento. Todas as deficiências são iguais? Não! Lembre-se de que cada tipo de deficiência traz em si diferentesnecessidades. Uma pessoa que não enxerga possui dificuldades e necessidades distintas de outra que utiliza muletas. Basicamente, as pessoas com deficiência visual atravessam dificuldades relacionadas à orientação. Quem tem mobilidade reduzida, 40 UNIDADE II │ ATENDIMENTO como um usuário de cadeira de rodas, enfrenta dificuldade de locomoção. Já as pessoas com deficiência auditiva encontram obstáculos na comunicação. Qual é a forma mais adequada para se comunicar com a pessoa com deficiência visual? CONVERSE NORMALMENTE! Evite se comunicar por meio de gestos ou expressões faciais, já que para as pessoas com deficiência visual essas manifestações não fazem sentido. Em uma conversa, procure fornecer o máximo possível de orientações verbais. Desta forma, sua comunicação será compreendida e a conversa fluirá normalmente. Lembre-se de se apresentar como servidor público e fale o seu nome, para que a pessoa possa reconhecê-lo. Evite falar alto com pessoas com deficiência visual; na maioria das vezes elas possuem audição mais desenvolvida. E não deixe de apertar a mão de uma pessoa com deficiência visual ao encontrá-la ou ao se despedir. “Quando vou a um restaurante, as pessoas viram para meu lado e dizem, umas para as outras: pergunta para ela o que quer. Isso é falta de comunicação com a deficiência. Eu sou cega, mas não sou surda.” Como atender a pessoa com deficiência visual? Passe confiança! Por meio de servidores treinados e disponíveis. É crescente a expectativa com relação à qualidade de atendimento. Paciência e disponibilidade – atendimento sem pressa ou interrupção – são indispensáveis. Desenvolver uma relação de confiança entre o cidadão e o servidor é imprescindível, principalmente para o deficiente visual. Como me portar diante de um cão guia? Não brinque! Nunca distraia o cão, pois ele não pode ser desviado de seu dever: guiar seu dono. É importante ressaltar que é obrigatório, por lei federal, o livre trânsito de cães guias em estabelecimentos como repartições públicas. Orientações gerais para as pessoas com deficiência física Como auxiliar uma pessoa com deficiência física? Pergunte sempre! Pergunte à pessoa se ela necessita de auxílio e qual seria. Nunca se apoie na cadeira de rodas, bengalas ou muletas, pois elas representam uma extensão do corpo da pessoa. Escorar-se em muletas pode fazer com que a pessoa se desequilibre. Ao guiar uma pessoa em cadeira de rodas, escolha um caminho com menos obstáculos. Para auxiliá-la a descer uma 41 ATENDIMENTO │ UNIDADE II rampa, vire a cadeira de rodas e desça de marcha à ré; caso contrário, a pessoa pode perder o equilíbrio e cair de frente. Qual é a forma mais adequada de se comunicar com a pessoa com deficiência física? Não tenha medo! Converse sem qualquer receio ou bloqueios. Mas vale ressaltar que caso a conversa se prolongue, procure se sentar para ficar na mesma altura da pessoa que estiver na cadeira de rodas, já que é incômodo ficar muito tempo olhando para cima. Como devo atender a pessoa com deficiência física ou motora? Facilite a locomoção! As maiores dificuldades para a pessoa com deficiência física ou motora são a locomoção. Orientações gerais para as pessoas com surdez Qual é a forma mais adequada para se comunicar com a pessoa com deficiência auditiva? Fale devagar! Não é preciso gritar. Para o surdo, a visão é o sentido primordial da comunicação e, portanto, é bastante desenvolvido. Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual. Se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou. O ideal é dispormos de um profissional que conheça a leitura de sinais. Caso não seja possível, o surdo se comunicará por meio de mímica e gestos, exigindo assim um alto nível de atenção. Ao se comunicar com uma pessoa com deficiência auditiva, o ouvinte deve posicionar-se de forma que sua boca e expressões faciais sejam visíveis. Alguns aspectos dificultam a leitura labial, como pouca movimentação dos lábios, uso de bigode, vidro entre os interlocutores, movimentos para atender o telefone ou olhar para a tela do computador. Quando não entender o que a pessoa com deficiência auditiva quer lhe dizer, peça para que repita ou que escreva. “É horrível quando as pessoas movimentam o rosto. Não dá para entender nada. São extremamente necessários o contato visual e olho no olho. Falar com calma também é essencial.” Como devo atender a pessoa com deficiência auditiva? Tenha paciência! O maior desafio da pessoa com deficiência auditiva é a comunicação. Compreender e se fazer entender são as causas mais comuns de falhas na comunicação com esses clientes. Respeite o ritmo e tenha disponibilidade para o atendimento. 42 UNIDADE II │ ATENDIMENTO Para a pessoa com deficiência auditiva, o contato humano é muito importante. Para atender adequadamente esses indivíduos, é importante ter servidores que conheçam minimamente a linguagem dos sinais. A surdez é uma forma de deficiência mental? Não! É comum haver associação entre a deficiência auditiva e a deficiência mental, por causa da grande movimentação corporal que os surdos desenvolvem para se comunicar. Muitas vezes essas pessoas balançam as mãos, usam gestos fortes e mexem o corpo. Mas essas ações são necessárias para se comunicar, e não comprometem, em hipótese alguma, sua capacidade intelectual. Como funciona a linguagem de sinais? Aprender é um grande passo! A linguagem de sinais tem estrutura e gramática próprias, o que a diferencia da língua portuguesa falada e escrita e dificulta o desempenho dos surdos em atividades em que se exige a utilização da palavra escrita como base da comunicação. “O português é diferente da linguagem de sinais. Português tem verbos. Na verdade a linguagem de sinais é uma língua, porque tem estrutura própria... As pessoas sem deficiência auditiva falam ‘eu comprei’, nós falamos ‘comprar ontem’. Tem uma grande diferença.” Orientações gerais para as pessoas com deficiência mental Qual é a forma mais adequada para se comunicar com a pessoa com deficiência mental? Não a subestime! Cumprimente-a normalmente. Em geral as pessoas com deficiência mental são comunicativas e carinhosas; portanto, mostre que você ficou satisfeito em encontrá-la. Dê atenção e converse com a pessoa na medida do possível. Não importa se a pessoa com deficiência mental é uma criança, um adulto ou um idoso: não a trate como se ela fosse totalmente incapaz. Como devo atender a pessoa com deficiência mental? Não a trate como totalmente incapaz! A pessoa com deficiência mental realiza suas tarefas lentamente, mas isso não significa que é incapaz, nem que seja dependente de outras pessoas. Ajude somente quando houver necessidade ou lhe for solicitado. Dê a ela instruções sobre a forma adequada de agir, sempre uma de cada vez, com calma e tranquilidade. Todas as pessoas têm características singulares que as tornam diferentes umas das outras. As pessoas com deficiência também são diferentes, mas não mais do que qualquer cidadão. A única diferença é a de ser mais 43 ATENDIMENTO │ UNIDADE II aparente. Todos os indivíduos têm direitos e deveres perante a sociedade, independentemente de sua origem, cor, crença, religião, idioma, sexo, deficiência e condição social. 44 CAPÍTULO 4 Tipos de comportamento: assertivo, agressivo e passivo Não deixe de assistir ao vídeo: Agressivo, passivo ou assertivo? <https://www.youtube.com/watch?v=rd1mCZVNnxE>. Vamos começar entendo o que são comportamentos não assertivos. O chefe que vai engolindo tudo o que não gosta até que consegue abrir a boca e acaba gritando com seus funcionários. O assistente que não consegue dizer a palavra mágica “não”, e faz até o serviço que não é dele. A pessoa que sente o estômago embrulhar quando precisa pedir algum favor a alguém. (ABREU, 2015) Você já viu uma pessoa que entra numa situação difícil, mas não conseguiu tomar uma posição clara e, depois, se sentiu decepcionadoconsigo mesmo? Ok, ele não foi assertivo. Eis outro exemplo do que não é assertividade. Imagine a seguinte cena: você chegou cansado em casa, toca o telefone. É um amigo te convidando para ir num bar. Sua vontade é dizer não, trabalhou o dia todo mas não quer magoar o amigo, então concorda, e sai sem vontade. Acaba de dizer “sim” ao amigo mas disse “não” para si mesmo. Acabou de perder a chance de ser assertivo. Muitas pessoas se autodeclaram assertivas, mas na realidade demonstram comportamentos agressivos. Os que confundem assertividade com agressividade são aquelas pessoas que dizem assim: “Eu sou muito franco, sou sincero, digo mesmo tudo o que penso na cara!”. Essas pessoas não estão percebendo o quanto são agressivas. Outras pessoas nem assumem suas posições, não são autênticas, acham que estão mantendo um bom clima, mas na realidade estão sendo engolidas pelo medo de se afirmar. De tanto medo de serem agressivas, acaba faltando assertividade. Ou seja, são passivas. (ABREU, 2015) O que é assertividade? Segundo a Wikipédia, é a qualidade de algo ou alguém de fazer uma afirmação enfática sobre algo, e por ser uma afirmação, não significa que esteja correta ou errada, apenas que é defendida fortemente por uma pessoa. 45 ATENDIMENTO │ UNIDADE II Passivo Passivo é aquele que engole desaforo. Ele não quer desagradar o outro então foge de conflitos. Se alguém entrar à frente dele na fila, fica torcendo para que a pessoa saia por si só, sem precisar pedir. Deixa que se aproveitem dele. Tem um colega no trabalho que tem o mesmo nível hierárquico, mas o tal colega teima em dar ordens e o cara que é passivo obedece. Ele costuma usar as frases: “Não quero incomodar. Não vou tomar seu tempo“. Tem a postura encolhida. Culpa a si próprio por tudo, precisa de aprovação, cede facilmente. Até é simpático, mas é uma simpatia que causa muita angústia interna. (ABREU, 2015) Agressivo O agressivo não pensa duas vezes para levantar o dedo na cara do outro, pois tem necessidade de dominar. Ele menospreza e deprecia o outro. Furou a fila na frente dele, ele dá um grito. Se o colega pede para ele fazer alguma coisa, ele responde malcriadamente. É autoritário, intolerante, dono da verdade. (ABREU, 2015) Assertivo Por fim, o comportamento mais adequado é o assertivo. É aquele que quando lhe furam a fila consegue se posicionar e falar com a pessoa com toda tranquilidade e elegância. Sabe negociar. É transparente para falar e sabe ouvir. Sabe ouvir criticas sem partir para o ataque pessoal. Tem a postura segura e comedida. Trata as pessoas com respeito. Aceita acordos. Vai direto ao ponto sem ser áspero. (ABREU, 2015) Geralmente, as pessoas têm só um tipo de comportamento. Muitas vezes você foi agressivo com o colega de trabalho, mas acabou sendo passivo em casa. Comunicação assertiva O termo “assertivo” deriva do verbo latino assertus, que significa “declarar”. A comunicação assertiva procura diferenciar os estilos de comunicação, visando aplicá-los de modo a melhorar e otimizar o diálogo. Em suas versões mais adequadas, permite à pessoa desenvolver suas habilidades; em outras, nem sempre é utilizada da maneira mais indicada. Em relação ao atendimento, a assertividade não garante a não ocorrência de conflitos entre duas pessoas; o que acontece é que, se duas pessoas em desacordo comunicam de forma assertiva, é mais provável que reconheçam que existe um desacordo e tentem 46 UNIDADE II │ ATENDIMENTO chegar a um compromisso ou, simplesmente, decidam manter a sua posição respeitando a do outro. Em todo o caso, você só é responsável pelo teu próprio comportamento – se a outra parte do conflito decidir comportar-se de forma não assertiva, o problema é dela. 47 CAPÍTULO 5 Resistência à frustração O que é frustração? Ao consultar o dicionário, tem-se que é um “estado de um indivíduo quando impedido por outrem ou por si mesmo de atingir a satisfação de uma exigência pulsional”. Já conforme a Wikipédia é uma emoção que ocorre nas situações onde algo obstrui o alcance de um almejo pessoal. Quanto mais importante for o objetivo, maior será a frustração. É comparável à raiva. Os estudos sobre frustração até a década de 1960 eram orientados quase que exclusivamente para a verificação da relação entre a frustração e a agressão. Pesquisas recentes têm ressaltado a frustração como uma característica individual geral que não se relaciona somente com a agressividade, mas também com questões pertinentes a área da saúde e do trabalho (BEGHI e colaboradores, 2002). Dado que a frustração é vista como fonte de dificuldades e problemas para o indivíduo, espera-se, igualmente, que esta seja a causa do desenvolvimento de mecanismos de defesa ou de superação da própria frustração. Nesta linha de raciocínio, pesquisadores, tais como Rosenzweig (1976), definem tais mecanismos como resistência à frustração. Na área do trabalho, assim como na área da saúde, a maneira de lidar ou enfrentar a frustração, o tem se evidenciado como um dos fatores envolvidos no desempenho e no bem-estar dos trabalhadores. O estudo da frustração e de outras características individuais tem sido o tema dominante na investigação, o do processo de adaptação e desempenho dos profissionais nas organizações. Segundo Blume e Naylor (citado por Krejëì e colaboradores, 1996), quando um trabalhador é impedido de realizar uma atividade, sente-se frustrado e pode vir a reagir de uma forma positiva ou não. Krejëì e colaboradores (1996) afirmam que uma das formas negativas da frustração é a agressão. Quando frustradas, as pessoas podem direcionar essa agressão a outras pessoas, ao próprio problema ou a si mesmo. Uma história frustrante – (ABREU, 2015) “Um exemplo de situação que pode ser frustrante: Mulher casada há 15 anos, marido machista não permite que trabalhe ou estude. Segundo o marido ela tem que cuidar da casa, pois jamais seria capaz de enfrentar o dia a dia de 48 UNIDADE II │ ATENDIMENTO uma empresa. Cada vez que esta esposa pensa em sair de casa para trabalhar o marido diz que a família precisa dela. Ela até tentou voltar para faculdade, tentou fazer um curso de inglês, começou um curso de informática, mas não concluiu nenhum porque o marido ameaçava de separação. Esta mulher se sente frustrada, cansada, sem libido, irritada. Não tem vontade de sair nem de conversar. Queixa-se de angústia e falta de vontade de cuidar da casa. Foi ao médico e recebeu o diagnóstico de gastrite e labirintite. Frustração pode gerar raiva, agressividade, revolta, decepção, depressão, falta de motivação e autoestima rebaixada. Frustração pode provocar stress.” Frustração pelo impedimento do alcance de uma meta Pode ser causada por vários tipos de obstáculos: » Obstáculos físicos, condições ambientais desfavoráveis. » Obstáculos sociais, normas, regras e leis. » Obstáculo emocional. » Obstáculos devido a doenças físicas. A forma de reagir à frustração pode trazer danos ou benefícios. As respostas comuns são: fuga, compensação e agressão. Podemos usar a situação para aprender com ela, e assim crescer. As consequências da frustração geram alguns comportamentos: fuga, evitação, compensação e desamparo. Consequências da frustração O principal motivo por estarmos falando de frustração, é que ela pode trazer consequências negativas. É possível que a frustração leve a agressão. A pessoa agredirá outras pessoas ou a si mesma. Por isso, saber lidar com a frustração é fundamental para o atendimento ao público. No noticiário vemos pessoas que frustradas com o fim de um relacionamento acabam agredindo e até matando o parceiro. A agressão costuma ocorrer se a pessoa não perceber a justificativa, pois quando a frustração é justificável o que ela pode sentir é apenas irritação, e não agressão. (ABREU, 2015) 49 ATENDIMENTO │ UNIDADE II Há vários níveis de frustração: (ABREU, 2015) » “Com aquilo que você pode mudar, como um trabalho, um curso ou um namorado(a).Caso você tenha um nível de frustração saudável, você já sabe que vai encontrar e esbarrar em situações que não gosta, mas nem por isso vai desistir. Muitas vezes, o trabalho não é exatamente o que se esperava, mas é preciso continuar nele até que apareça outro. » Com aquilo que você não pode mudar, mas precisa conviver. Esse é o nível mais profundo: o da impossibilidade. Por ex.: o pai ou mãe que se teve, abuso na infância, etc… Situações impossíveis de serem mudadas, porque fazem parte do passado da pessoa. Nesse caso, há perguntas que nunca ajudam. Por que eu tive um pai assim? Ou, se eu não tivesse tido uma família assim? Ou, como isso foi acontecer? Portanto: Por quê? Se? Como? São perguntas que não modificam seu passado e paralisam o indivíduo naquele passado. No entanto, perguntar: “O que eu faço com tudo isso agora?” Trocando o “Por que?” o “Como?” por “a partir de agora”. Isso possibilita uma mudança para o presente fazendo o resgate da pessoa de seu passado. Permanecer em algum ponto do passado, é adoecedor e angustiante. Outro ponto esclarecedor: é saber que o IDEAL nem sempre é o REAL. Talvez o real tivesse ter tido uma família equilibrada, saudável etc, mas o real é que, quem sabe, essa família foi muito desestruturada. Outra coisa que ajuda é perceber que dentro de determinada situação a pessoa deve conviver com aquilo da melhor maneira possível e começar a identificar onde estão as situações que a ajudarão a fazê-lo. Portanto, “conviver com isso da melhor maneira possível” é outro gancho que ajuda a caminhar para frente e não ficar preso ao passado, paralisado. Outra providência: trocar o “Por que?” pelo “para que?”. Situações mudam quando você troca a frase, como por ex.: Por que eu tive um pai alcoólatra que era tão agressivo com minha família? Para que eu tive um pai. Suas respostas serão inúmeras e sempre voltadas para um caminhar à frente. Talvez, para você perceber que o excesso de bebida poderá destruir uma família inteira ou que você precisará observar seu comportamento frente à bebida etc. » O nível limiar e tênue tão difícil de lidar como o acima, pois se trata da frustração vs. acomodação. A pessoa pode permanecer num trabalho 50 UNIDADE II │ ATENDIMENTO com todas as dificuldades, reconhecendo que decididamente não gosta e não aventura-se em mudar, pois “afinal, todos os trabalhos são assim mesmo”. Existe uma linha muito tênue entre acomodação e a alta resistência à frustração. Uma resistência à frustração pode ser muito boa, mas uma acomodação de nível muito alta, pode não ser muito saudável. Exemplo desse tipo são pessoas que abrem mão do que queriam, de fato, para ficarem com algo que “não era exatamente o que queriam, mas que serve de qualquer maneira”. Talvez, a roupa que gostou não é a do seu tamanho, mas como não tinha, você leva um número acima. Pensar no seu “alvo” poderá ajudar nessa situação. Caso seu alvo esteja muito distante daquilo que você está vivendo e você insiste em permanecer nesta condição atual, talvez você esteja na “acomodação”. Na acomodação o indivíduo pode movimentar-se, ainda que seja pouco, mas não se movimenta. A pergunta é: Se você fizer alguma coisa, você se aproxima do seu alvo? A resistência à frustração ajuda em situações onde a pessoa “por enquanto” não pode sair dela, enquanto caminha para o alvo. Onde você se encaixa?” 51 UNIDADE III A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO CAPÍTULO 1 Princípios constitucionais da Administração Pública “(...) o setor público não está numa situação em que as velhas verdades possam ser reafirmadas. É uma situação que requer o desenvolvimento de novos princípios. A administração pública deve enfrentar o desafio da inovação mais do que confiar na imitação. A melhora da gerência pública não é só uma questão de pôr-se em dia com o que está ocorrendo na iniciativa privada: significa também abrir novos caminhos”. (LESMETCALFE E SUE RICHARDS) Toda Administração Pública precisa se ater a determinados princípios que regulam o funcionamento das esferas de governo. No Brasil, a Constituição Federal traz cinco desses princípios aos quais devemos todos ter toda a atenção, por serem eles fundamentais para o bom regramento das condutas. Em seu artigo 37, consta que a Administração Pública, seja ela direta ou indireta, e de qualquer das esferas de poder (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), deverá obedecer aos princípios de: » Legalidade: está no alicerce do estado de direito, no princípio da autonomia da vontade. Baseia-se no pressuposto de que tudo o que não é proibido, é permitido por lei. Mas o administrador público deve fazer as coisas sob a regência da lei imposta. Portanto, só pode fazer o que a lei lhe autoriza. » Impessoalidade: a imagem de administrador público não deve ser identificada quando a Administração Pública estiver atuando. Outro fator é que o administrador não pode fazer sua própria promoção, tendo 52 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO em vista seu cargo, pois esse atua em nome do interesse público. E mais, ao representante público é proibido o privilégio de pessoas específicas. E deve tratar todos igualmente. » Moralidade: esse princípio tem a junção de legalidade com finalidade, resultando em moralidade. [...] O fim sempre será o bem comum. A legalidade e finalidade devem andar juntas na conduta de qualquer servidor público, para o alcance da moralidade. » Publicidade: na publicidade, o gerenciamento deve ser feito de forma legal, não oculta. A publicação dos assuntos é importante para a fiscalização, o que contribui para ambos os lados, tanto para o administrador quanto para o público. Porém, a publicidade não pode ser usada de forma errada, para a propaganda pessoal, e, sim, para haver um verdadeiro controle social. » Eficiência: o administrador tem o dever de fazer uma boa gestão [...]. O representante deve trazer as melhores saídas, sob a legalidade da lei, bem como mais efetiva. Com esse princípio, o administrador obtém a resposta do interesse público e o Estado possui maior eficácia na elaboração de suas ações. Em todas as suas atividades, o servidor público e o funcionário que presta serviços nas repartições públicas devem ter em mente que precisam dar cumprimento dos princípios constitucionais. Após, devem eles se inteirar das especificidades de suas tarefas, bem como buscar oferecer ao cidadão e contribuinte um atendimento de qualidade. A implantação da cultura de satisfação do público na administração pública “O governo não pode ser uma empresa, mas pode se tornar mais empresarial”. Gerald Caiden A implantação do conceito de administração voltada para o usuário/ cidadão dos serviços públicos destaca-se entre as iniciativas do atual processo de reforma do aparelho do Estado no Brasil em direção à gestão empreendedora e voltada para resultados, que garanta uma prestação de serviços eficiente e com qualidade. Nesse contexto, a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao usuário/cidadão assume um papel muito importante: trata-se de colocar em prática novas ideias gerenciais, oferecendo à 53 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III sociedade um serviço público mais adequado às expectativas dos cidadãos, focando as ações naqueles que usufruem dos serviços públicos. A evolução da administração pública atual sinaliza que o momento é crucial para investir cada vez mais na excelência em gestão. Um dos grandes desafios é a proposição de iniciativas inovadoras que orientem a ação do Estado para resultados, tendo como foco as ações finalísticas direcionadas ao cidadão. Várias iniciativas que facilitam a vida em sociedade já foram colocadas em prática, ainda que de forma isolada, e outras estão em fase adiantada de formulação. Simplificar a vida do cidadão tem sido um tema de discussão forte nabusca da melhoria da máquina pública, porém, ainda requer a superação de alguns desafios. São eles: » elevar o padrão dos serviços prestados aos cidadãos - aumentar a capacidade das organizações públicas para fornecerem os serviços desejados pelos cidadãos. » estimular a participação dos cidadãos no processo de melhoria do atendimento prestado pelas organizações por meio da indução ao controle social - tornar os cidadãos mais exigentes em relação aos serviços públicos a que têm direito. (BRASIL, 2009) É imperativo mobilizar e sensibilizar as organizações públicas para a melhoria da qualidade do atendimento prestado. Verifica-se ainda, que a participação efetiva dos cidadãos na melhoria dos serviços oferecidos pelo setor público encontra-se diluída, tendo em vista alguns fatores, tais como: » a ausência de eficientes e eficazes instrumentos institucionais de controle direto por parte dos cidadãos sobre os administradores públicos. » a falta de informações adequadas que facilitem o acesso do cidadão aos serviços públicos. » o não reconhecimento do cidadão como o principal beneficiário das melhorias dos serviços públicos oferecidos. (BRASIL, 2009) No âmbito do Governo Federal, a Secretaria de Gestão – SEGES, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG, tem, além de outras, a competência de imprimir à gestão pública um cunho empreendedor, orientado para resultados e que atenda às demandas da sociedade quanto aos serviços prestados pelas organizações 54 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO públicas. Nesse contexto a SEGES orienta e desenvolve junto às organizações públicas ações direcionadas para atender as expectativas dos cidadãos, e segundo as diretrizes estratégicas do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização - GesPública. O GesPública foi criado em 23 de fevereiro de 2005, por meio da publicação do Decreto no 5.378, resultado da fusão do programa da qualidade no serviço público e do programa nacional de desburocratização. Sua finalidade é contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos e para o aumento da competitividade do país mediante a melhoria contínua da gestão. O programa dispõe de consolidado conhecimento sobre gestão pública, construído a partir de modelos nacionais e internacionais de avaliação da gestão e dos fundamentos constituintes da natureza pública de órgãos e entidades ao mesmo tempo em que orienta os cidadãos e os agentes públicos para o exercício prático de uma administração participativa, transparente, orientada para resultados e voltada para responder às demandas sociais. As organizações públicas que aderem ao GesPública têm como referência o Modelo de Excelência em Gestão Pública - MEGP que foi concebido a partir da premissa de que a Administração Pública tem que ser excelente sem deixar de considerar as particularidades inerentes à sua natureza pública. O MEGP é a representação gráfica de um sistema gerencial constituído de oito critérios – Figura 2 – e sustentado pelos princípios constitucionais e pelos fundamentos da excelência gerencial que orientam a adoção de práticas em gestão com a finalidade de levar as organizações públicas brasileiras a padrões elevados de desempenho e de excelência em gestão. Figura 2. Modelo de Excelência em Gestão Pública - MEGP. Fonte: <http://www.gespublica.gov.br/sites/default/files/documentos/caderno_01_documento_de_referencia_vs_2007.pdf>. 55 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III As ações do programa se desenvolvem, principalmente, no espaço em que a organização pública se relaciona diretamente com o cidadão, seja na condição de prestadora de serviços, seja na condição de executora da ação do Estado e estão desdobradas em três processos – avaliação da gestão; simplificação de processos e gestão do atendimento. Em relação ao atendimento, vale destacar que em junho de 2000, o Governo Federal preocupado com a qualidade dos serviços públicos oferecidos aos cidadãos, publicou o Decreto no 3.507, datado de 13 de junho de 2000, que tratava do estabelecimento de padrões de qualidade do atendimento prestado aos cidadãos pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal direta, indireta e fundacional que atendem diretamente aos cidadãos. Assim, as organizações públicas passaram a estabelecer os padrões de qualidade adequados à sua especificidade, assegurando a sua divulgação e avaliação periódica de acordo com as diretrizes normativas constantes do decreto. A partir desse decreto foi institucionalizado o projeto padrões de qualidade do atendimento ao cidadão para garantir a participação das organizações que atendem diretamente ao cidadão. Deu-se início a um processo permanente de melhoria da qualidade no atendimento prestado ao cidadão, pois, ao estabelecer e divulgar padrões de qualidade, as organizações se comprometeram com a excelência do atendimento, tornando-o cada vez mais acessível à população. No Concurso de Inovações na Gestão Pública Federal — Prêmio Hélio Beltrão, realizado desde 1996 pela ENAP, o foco no usuário tem sido utilizado como critério para a escolha das experiências vencedoras. A utilização desse critério resultou na apresentação, para as diversas edições do concurso, de diferentes experiências que apontem concretamente áreas, tipos de serviço, tecnologias utilizadas, padrões de atendimento e evolução dos produtos e serviços públicos oferecidos ao usuário-cidadão. 56 CAPÍTULO 2 A ferramenta eletrônica facilitadora de serviços (eGOV) As ações do programa de Governo Eletrônico (eGOV) priorizam o uso das tecnologias da informação e comunicação (TIC’s) para democratizar o acesso à informação, visando ampliar o debate e a participação popular na construção das políticas públicas, como também aprimorar a qualidade dos serviços e informações públicas prestadas. A política de Governo Eletrônico do Estado brasileiro segue um conjunto de diretrizes baseado em três ideias fundamentais: participação cidadã; melhoria do gerenciamento interno do Estado; e integração com parceiros e fornecedores. Transformar a relação do governo com a sociedade e promover interatividade com cidadãos, empresas e órgãos governamentais melhora o processo de democratização do país, dinamiza os serviços públicos e proporciona uma administração pública mais eficiente, já que, agora, a sociedade possui instrumentos para se manifestar junto às ações governamentais. O conceito de governo eletrônico surge a partir de aspectos oriundos da evolução da TIC, especialmente a internet, constituindo novas formas de relacionamento da Administração Pública com a sociedade e vice-versa, evidenciando a prestação de serviços sem a necessidade da presença física. Difundido no final dos anos 1990 como uma maneira de identificar as atividades suportadas ou realizadas pelo uso das TIC`s na Administração Pública, inicialmente pressupunha a aplicação de métodos, técnicas e ferramentas utilizadas no setor privado. O programa de governo eletrônico do Estado brasileiro surgiu no ano 2000, quando foi criado um grupo de trabalho interministerial com a finalidade de examinar e propor políticas, diretrizes e normas relacionadas às novas formas eletrônicas de interação, por meio do Decreto Presidencial de 3 de abril de 2000. Nos diagnósticos realizados identificou-se a existência de várias ações isoladas na área de serviços ao cidadão, oferecidos por meio da internet como a entrega de declarações do imposto de renda, divulgação de editais de compras governamentais, emissão de certidões de pagamentos e impostos, acompanhamentos de processos judiciais e prestação de informações sobre aposentadorias e benefícios da previdência social, entre outros. À mesma época, surgiu também a rede governo <http://www.redegoverno.gov. 57 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III br>,projeto que teve como objetivo se transformar em um portal único de serviços e informações à sociedade. Apesar das boas iniciativas identificadas, os diagnósticos realizados também deram conta da existência de uma infraestrutura deficitária, formada por uma malha de múltiplas e diversas redes administradas de forma isolada. Assim, os serviços não obedeciam a padrões de desempenho e interatividade, as interfaces com o usuário nem sempre eram amigáveis e se constatava um descompasso entre os diversos órgãos governamentais no ritmo de assimilação das TIC`s. Os sistemas corporativos da Administração Pública Federal (APF) eram pouco integrados entre si e estavam estruturados com foco na gestão de funções e não de processos. Além disso, os trabalhos de diagnóstico também focaram o tema da exclusão digital que continuam a representar um forte fator limitador para a expansão da internet, principalmente pela dificuldade de acesso às linhas telefônicas e às empresas provedoras de acesso aos usuários. Se ressalte que nos últimos anos avanços significativos ocorreram no acesso à rede como comprovado em pesquisas recentes do Comitê Gestor de Internet do Brasil (CGI) e de outras instituições de pesquisa. Outra importante barreira considerada dizia respeito ao custo dos equipamentos de informática, proibitivo para uma parcela considerável da população brasileira. As ações do Grupo de Trabalho em Tecnologia da Informação (GTTI) foram formalizadas pela Portaria da Casa Civil n 23 de 12 de maio de 2000, e incorporadas às metas do programa Sociedade da Informação, coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O trabalho do GTTI concentrou esforços em três linhas do programa: » universalização de serviços; » governo ao alcance de todos; » infraestrutura avançada. Em julho do mesmo ano, o GTTI propôs uma nova política de interação eletrônica do governo com a sociedade, apresentando um relatório de diagnóstico da situação da infraestrutura e serviços do governo federal, as aplicações existentes e desejadas e a situação da legislação sobre o assunto. No Brasil, a política de governo eletrônico segue um conjunto de diretrizes que atuam em três frentes fundamentais: » junto ao cidadão; 58 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO » na melhoria da gestão interna; e » na integração com parceiros e fornecedores. As diretrizes gerais de implantação e operação do Governo Eletrônico funcionam no âmbito dos Comitês Técnicos de Governo Eletrônico e servem de referência para estruturar as estratégias de intervenção, sendo adotadas como orientadoras para todas as ações de: Governo Eletrônico, Gestão do Conhecimento e Gestão da TI0. A prioridade do governo eletrônico é a promoção da cidadania A política de governo eletrônico do governo brasileiro abandona a visão que vinha sendo adotada, que apresentava o cidadão-usuário, antes de qualquer coisa, como “cliente” dos serviços públicos, em uma perspectiva de provisão de inspiração neoliberal. O deslocamento não é somente semântico. Significa que o governo eletrônico tem como referência os direitos coletivos e uma visão de cidadania que não se restringe à somatória dos direitos dos indivíduos. Assim, forçosamente incorpora a promoção da participação e do controle social e a indissociabilidade entre a prestação de serviços e sua afirmação como direito dos indivíduos e da sociedade. Essa visão, evidentemente, não abandona a preocupação em atender as necessidades e demandas dos cidadãos individualmente, mas a vincula aos princípios da universalidade, da igualdade perante a lei e da equidade na oferta de serviços e informações. A inclusão digital é indissociável do governo eletrônico A inclusão digital deve ser tratada como um elemento constituinte da política de governo eletrônico, para que esta possa configurar-se como política universal. Esta visão funda-se no entendimento da inclusão digital como direito de cidadania e, portanto, objeto de políticas públicas para sua promoção. Entretanto, a articulação à política de governo eletrônico não pode levar a uma visão instrumental da inclusão digital. Esta deve ser vista como estratégia para construção e afirmação de novos direitos e consolidação de outros pela facilitação de acesso a eles. Não se trata, portanto, de contar com iniciativas de inclusão digital somente como recurso para ampliar a base de usuários (e, portanto, justificar os investimentos em governo eletrônico), nem reduzida a elemento de aumento da empregabilidade de indivíduos ou de formação de consumidores para novos tipos ou canais de distribuição de bens e serviços. 59 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III Além disso, enquanto a inclusão digital concentra-se apenas em indivíduos, ela cria benefícios individuais, mas não transforma as práticas políticas. Não é possível falar de práticas políticas sem que se fale também da utilização da tecnologia da informação pelas organizações da sociedade civil em suas interações com os governos, o que evidencia o papel relevante da transformação dessas mesmas organizações pelo uso de recursos tecnológicos. O Software Livre é um recurso estratégico para a implementação do Governo Eletrônico O software livre deve ser entendido como opção tecnológica do governo federal. Quando possível, deve ser promovida sua utilização. Para tanto, deve-se priorizar soluções, programas e serviços baseados em software livre que promovam a otimização de recursos e investimentos em tecnologia da informação. Entretanto, a opção pelo software livre não pode ser entendida somente como motivada por aspectos econômicos, mas pelas possibilidades que abre no campo da produção e circulação de conhecimento, no acesso a novas tecnologias e no estímulo ao desenvolvimento de software em ambientes colaborativos e ao desenvolvimento de software nacional. A escolha do software livre como opção prioritária quando cabível, encontra suporte também na preocupação em garantir ao cidadão o direito de acesso aos serviços públicos sem obrigá-lo a usar plataformas específicas. A gestão do conhecimento é um instrumento estratégico de articulação e gestão das políticas públicas do Governo Eletrônico A Gestão do Conhecimento é compreendida, no âmbito das políticas de governo eletrônico, como um conjunto de processos sistematizados, articulados e intencionais, capazes de assegurar a habilidade de criar, coletar, organizar, transferir e compartilhar conhecimentos estratégicos que podem servir para a tomada de decisões, para a gestão de políticas públicas e para inclusão do cidadão como produtor de conhecimento coletivo. 60 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO O Governo Eletrônico deve racionalizar o uso de recursos O governo eletrônico não deve significar aumento dos dispêndios do governo federal na prestação de serviços e em tecnologia da informação. Ainda que seus benefícios não possam ficar restritos a este aspecto, é inegável que deve produzir redução de custos unitários e racionalização do uso de recursos. Grande parte das iniciativas de governo eletrônico pode ser realizada através do compartilhamento de recursos entre órgãos públicos. Este compartilhamento pode se dar tanto no desenvolvimento quanto na operação de soluções, inclusive através do compartilhamento de equipamentos e recursos humanos. Deve merecer destaque especial o desenvolvimento compartilhado em ambiente colaborativo, envolvendo múltiplas organizações. O Governo Eletrônico deve contar com um arcabouço integrado de políticas, sistemas, padrões e normas O sucesso da política de governo eletrônico depende da definição e publicação de políticas, padrões, normas e métodos para sustentar as ações de implantação e operação do Governo Eletrônico que cubram uma série de fatores críticos para o sucesso das iniciativas. Integração das ações de Governo Eletrônicocom outros níveis de governo e outros poderes A implantação do governo eletrônico não pode ser vista como um conjunto de iniciativas de diferentes atores governamentais que podem manter-se isoladas entre si. Pela própria natureza do governo eletrônico, este não pode prescindir da integração de ações e de informações. A natureza Federativa do Estado Brasileiro e a divisão dos Poderes não podem significar obstáculo para a integração das ações de governo eletrônico. Cabe ao Governo Federal um papel de destaque nesse processo, garantindo um conjunto de políticas, padrões e iniciativas que garantam a integração das ações dos vários níveis de governo e dos três Poderes. O programa de Governo Eletrônico Brasileiro desde sua criação buscou transformar as relações do governo com os cidadãos, empresas e também entre os órgãos do próprio 61 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III governo, de forma a aprimorar a qualidade dos serviços prestados; promover a interação com empresas e indústrias; e fortalecer a participação cidadã por meio do acesso à informação e a uma administração mais eficiente. Todas as informações sobre o eGOV dessa apostila foram retiradas da Página da internet do Governo Eletrônico. Para acessar mais informações, vá em: <http://www.governoeletronico.gov.br/> 62 CAPÍTULO 3 Servidor Público Para Di Pietro (2003, p.433) servidor público “é o termo utilizado, lato sensu, para designar as pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às entidades da administração indireta, com vínculo empregatício e mediante remuneração paga pelos cofres públicos”. Dentro deste conceito, compreendem-se: 1– os servidores estatutários, ocupantes de cargos públicos providos por concurso público, nos moldes do art. 37, II, da Constituição Federal, e que são regidos por um estatuto, definidor de direitos e obrigações; 2– os empregados públicos, ocupantes de emprego público também provido por concurso público (art. 37, II, da CF), contratados sob o regime da CLT. São também chamados de funcionários públicos; 3 – e os servidores temporários, que exercem função pública (despida de vinculação a cargo ou emprego público), contratados por tempo determinado para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX, da CF), prescindindo de concurso público. Os servidores estatutários submetem-se a um estatuto, para cada uma das unidades da federação. Os novos servidores, portanto, ao serem investidos no cargo, já ingressam em uma situação jurídica previamente delineada, não podendo modificá-la, mesmo com a anuência da administração, uma vez que o estatuto é lei e, portanto, norma pública, cogente (é a regra que é absoluta), inderrogável (que não se pode anular ou alterar) pelas partes. Os empregados ou funcionários públicos também preenchem seus cargos por meio de concurso público e submetem-se a todos os demais preceitos constitucionais referentes à investidura (tomar posse de um cargo), acumulação de cargos, vencimentos e determinadas garantias e obrigações previstas no capítulo VII da CF. Entretanto, são contratados pelo regime da legislação trabalhista (em especial pela CLT), com algumas alterações lógicas decorrentes do direito administrativo. Sendo assim, os estados e os municípios não podem alterar suas garantias trabalhistas, pois somente a união detém a competência para legislar sobre direito do trabalho, conforme reza o artigo 22, I, da CF. Pode-se dizer, então, que o servidor público celetista subordina-se a dois sistemas, integrados e dependentes: 1o - ao sistema da Administração Pública; 2o - ao sistema funcional trabalhista. O primeiro impõe suas regras da impessoalidade do administrador, da publicidade, da legalidade, da moralidade administrativa, e a motivação do ato administrativo; o segundo traça simplesmente os contornos dos direitos e deveres mútuos na execução do contrato e dos efeitos da extinção do mesmo. 63 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III Já os servidores da terceira categoria (temporários) são contratados para exercer funções temporárias, pelo regime jurídico especial a ser disciplinado em lei de cada unidade da federação. Ressalte-se que é admitida apenas a contratação temporária, sendo intolerável a posterior admissão deste servidor para cargo efetivo - sem a realização de concurso público. Devido à prestação de serviços voltado ao interesse da sociedade e terem seus salários pego pelos contribuintes, os servidores públicos precisam satisfazer aos princípios constitucionais aplicados à Administração Pública, sendo que suas atividades não têm o interesse e a satisfação da Administração Pública e sim ao interesse da sociedade. No entendimento de Celso Antônio Bandeira de Mello (2001, p. 106): Então, para que tais atribuições se concretizem e ingressem no mundo natural é necessário o concurso de seres físicos, prepostos à condição de agentes. O querer e o agir destes sujeitos é que são, pelo direito, diretamente imputados ao estado (manifestando-se por seus órgãos), de tal sorte que, enquanto atuam nesta qualidade de agentes, seu querer e seu agir são recebidos como o querer e o agir dos órgãos componentes do estado; logo, do próprio estado. Em suma, à vontade e a ação do Estado (manifestada por seus órgãos, repita-se) são constituídas na e pela vontade e ação dos agentes; ou seja: Estado e órgãos que o compõem se exprimem através dos agentes, na medida em que ditas pessoas físicas atuam nesta posição de veículos de expressão do Estado. Assim, os servidores públicos são pessoas físicas incumbidas, definitiva ou transitoriamente, do exercício de alguma função estatal. Segundo Bonezi e Pedraça, (2008, p.31) através da estabilidade funcional, o servidor tem seu emprego garantido, podendo ser demitido somente por falta grave, apurada através do processo administrativo disciplinar. O mais importante, porém, é que o servidor público após sua posse como tal, conheça o estatuto com as determinações sobre seus direitos e deveres; suas obrigações e proibições, pois estas são sérias e devem ser seguidas e conhecidas por todos os que trabalham na Administração Pública, a fim de que não cometam arbitrariedades e nem acredite ser elas de procedimento normal, lembrando sempre, que o cargo público jamais deve ser utilizado para fins meramente políticos. A Administração Pública não funciona sem o servidor, desde aquele que ocupa funções braçais, até os de cargos mais elevados, portanto, é preciso imperar no seu meio a integração, e principalmente o respeito do servidor público à população e ao seu próprio meio. 64 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO O novo servidor público Com a reforma gerencial foram implantadas novas políticas de recursos humanos que instituem habilidades e competências necessárias para que o serviço público seja mais eficiente, viabilizado por meio de programas. Entre os programas da reforma administrativa destacam-se: Programa de Qualidade e Participação, Programa de Reestruturação e Qualidade dos Ministérios e a implantação de uma nova Política de Recursos Humanos. Nesses programas são valorizados os princípios dos programas de qualidade implementados no setor privado, que são: satisfação dos cidadãos, constância de propósitos, melhoria contínua, gestão participativa, envolvimento e valorização dos servidores públicos. O programa tem os seguintes objetivos: » integrar os cidadãos à ação pública; » definir indicadores de desempenho para avaliar resultados e níveis de satisfação de clientes; e » estimular a criatividade, o trabalho em equipe, a cooperação e a participação entre os servidores públicos. A participação é entendida como o envolvimento dos servidores na busca do aperfeiçoamento contínuo e o compromisso com a satisfação dos clientes internos e externos da organização(Pereira 1998 apud Paula, 2005). É preciso observar que a satisfação do usuário está relacionada com a qualidade e agilidade no serviço prestado e na resolução de seus processos, enquanto que para o servidor público a sua satisfação está diretamente vinculada com a qualidade do serviço prestado e a satisfação do usuário. A equação de Giannini (2003, apud Bonezi, Pedraça, 2008, p. 34) explicita isso: » cidadão satisfeito = reconhecimento público = motivação do servidor público = redução do atrito externo = redução das pressões e atritos internos = aumento da produtividade = servidor público satisfeito = cidadão satisfeito. 65 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III O autor também afirma que resolver a equação acima perpassa pelo investimento em gestão estratégica, em recursos humanos e recursos materiais. O investimento em gestão estratégica sugere a resolução de processos, autonomia operacional, objetivando a eficácia do serviço. O investimento em recursos humanos implica a qualificação, treinamento e capacitação dos funcionários, enquanto o investimento em recursos materiais se relaciona com a aquisição e manutenção de veículos, materiais e equipamentos utilizados e na modernização e atualização tecnológica de sistemas e métodos (GIANNINI, 2003, apud BONEZI, PEDRAÇA, 2008). 66 CAPÍTULO 4 O Gestor Público Para Ckagnazaroff (2002), o gestor público é responsável por diversas atividades, dentre elas, o planejamento, a organização, a liderança e o controle de uma organização pública. Reconhecendo-se que o gestor trabalha em organizações formais e hierarquizadas ele pode ser classificado pelo nível que ocupa na organização. A definição de empregado público é orientada pelas noções de responsabilidade e dever. O exercício da autoridade se dá de acordo com um conjunto de regras fixas. O foco é direcionado na ação administrativa, no processo decisório e na implantação de acordos com procedimentos já estabelecidos. No que se refere à inovação, os gestores são considerados lentos, devido à predominância dada aos métodos e modos burocráticos de funcionamento. (Lane, 1993, pp, 144- 146, apud Ckagnazaroff, 2002). De acordo com Souza (2002), a nova Administração Pública prega a transparência das ações e decisões de seus gestores, conferindo-lhe maior autonomia, vinculada a responsabilidade social, o que leva a novas formas de controle, de resultado e de efetividade, que podem ser medidos por indicadores, controle de qualidade de serviços e controle social, que trata da relação dos cidadãos com os atores das instituições. Estes pontos levam à reflexão sobre a competência do gestor contemporâneo, no caso brasileiro, o gestor responsável pela implantação de um novo modelo de gestão, conceituado a partir do ponto de vista da nova Administração Pública. Esta competência pode ser definida com os conhecimentos e experiências aplicáveis em uma organização e confirmados pelo nível de formação e pelo domínio das funções sucessivamente exercidas (SOUZA, 2002). As características do gestor para a nova Administração Pública poderão ser delineadas considerando, entre outras, as seguintes dimensões (SOUZA, 2002): » Iniciativa – a capacidade de imaginação e de invenção ação para modificar o existente, introduzir o novo, criar; é por colocar uma ideia em prática. » Responsabilidade – aceitar e assumir a responsabilidade e, portanto ser avaliado e julgado com base em seu desempenho, nos resultados de suas ações e nos impactos por elas causados; a responsabilidade é o 67 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III contraponto da autonomia e da centralização da tomada de decisão; é responder pelos seus atos. » Capacidade de aprender a situação, posicionar-se em relação a ela e determinar ações para enfrentá-la, visto que não pode preestabelecer esse comportamento, pois o gestor é intrinsecamente, parte da situação; qualidade que uma pessoa tem de satisfazer a certo fim. » Inteligência prática, ou seja, voltada para a ação, que possibilita a intervenção pertinente em situações reais de trabalho, apoiando-se em conhecimentos adquiridos, transformando-os na tentativa de suplantar a diversidade e a complexidade situacional; é um conhecimento profundo de suas tarefas. » Conhecimentos – desenvolvimento de conhecimentos e aquisição de novos, buscando uma formação permanente, aberta a novas aprendizagens, fazendo com que a competência não se transforme em simples rotina; esses conhecimentos devem privilegiar o domínio dos procedimentos administrativos, tornando-se o gestor um especialista generalista, ou seja, alguém que compreende o particular por meio do conhecimento geral; é uma familiaridade e renovação de seus atos, estar sempre informado dos acontecimentos. » Atitudes e comportamentos – atitudes que possibilitem o uso do poder e da autoridade para obter comportamentos administrativos desejáveis; nessa dimensão pode-se, além de muitos outros fatores, considerar o empreendedorismo que, visto como a capacidade de inovação, leva ao desenvolvimento de atributos pessoais, tais como a criatividade, a perseverança, a capacidade de assumir riscos, a motivação para a realização, a responsabilidade pelos resultados, habilidades no relacionamento pessoal, liderança e visão de futuro; um procedimento de determinada situação. » Liderança e habilidade interpessoais, permitindo mobilizar os esforços dos atores institucionais em torno de situações do cotidiano organizacional, assumindo o domínio da corresponsabilidade; posição para dirigir um grupo e assumir qualquer eventualidade que venha acontecer. 68 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO » Bom senso – para o qual é necessário ter visão do senso comum e experiência em sua área de trabalho; saber lidar com o acaso e ter capacidade de raciocínio. » Capacidade técnica, envolvendo as áreas do conhecimento como estratégia, racionalidade administrativa, “conhecimentos de planejamento, formulação, análise e avaliação de políticas públicas, bem como técnica de programação, de sistemas de informação, de organização e de apoio gerencial”. Ter conhecimento de todas as áreas da administração, um funcionário aperfeiçoado e especializado para atender os novos padrões da sociedade. Tais dimensões são necessárias na formação dos servidores de acordo com a realidade e as metas estabelecidas a serem alcançadas pela Administração Pública. Nenhum processo de reforma prospera sem o desenvolvimento de pessoas. A administração da coisa pública deve ser orientada por estratégias de gestão eficazes e transparentes, mas deve, também, nortear-se por finalidades coletivas, pelo interesse da sociedade como um todo. A Administração Pública tem perdido seu vigor formal derivado da fortaleza inerente ao conceito de Estado clássico e se transformado em um instrumento de captação de recursos para transformá-los em serviços diretos e indiretos aos cidadãos. A sociedade criou coragem e perdeu o medo da imensa máquina burocrática que seguia desígnios dificilmente compreensíveis e dispunha a seu bel-prazer de importantes facetas da vida pública e privada de seus administrados. Os cidadãos, na sua concepção atual, se tornaram conscientes dos seus direitos políticos e econômicos, e dos deveres da administração e lhe exigem resultados. Neste sentido, a nova gestão pública está orientada no sentido de incrementar a eficácia e eficiência da Administração Pública. Esta busca é lógica e transcendente devido ao fato de que a ausência de eficácia e eficiência no setor público põe em risco a sua estabilidade. Tal situação pode chegar a colocar em questão o próprio sistema político, uma vez que, na medida em que os governos não proporcionam com eficácia, as políticas e os serviços públicos demandados socialmente, diminutos apoio ao sistema político, (BAZAGAet al., 1998, apud MATAS, 2000). O mundo convive em um período histórico inédito para a humanidade, abrangendo a globalização, a intensa competitividade, as aceleradas modificações tecnológicas e os demais fatores que determinam dos administradores uma competência de percepção, adequação e, até mesmo, antecipação a essas transformações. 69 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III Ao passar o tempo, a coletividade fica mais exigente. É só notar o grande número de pessoas que procuram os órgãos de defesa, o ministério público; e as associações de moradores. Após a reforma administrativa dos anos 1990, houve um aumento das expectativas em relação às habilidades, competências do servidor público na oferta de serviços de qualidade para a população, buscando tecnologias de gestão adequadas. Deveres do Servidor Lei no 8.112/1990, art. 116: I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; II - ser leal às instituições a que servir; III - observar as normas legais e regulamentares; IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; V - atender com presteza: a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo; b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal; c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública. VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apuração; VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público; VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição; IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa; X - ser assíduo e pontual ao serviço; XI - tratar com urbanidade as pessoas; XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder. 70 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO O servidor público como um profissional comprometido com servir ao público “Somos cidadãos trabalhando para outros cidadãos” As últimas décadas testemunharam a crescente demanda da sociedade por eficiência, eficácia e efetividade por parte dos governos, no Brasil e no mundo. Por um lado, a sociedade civil se organiza e pressiona os governos por melhor qualidade de atendimento de suas demandas; por outro, em um contexto de escassez, os governos necessitam modernizar e aprimorar a gestão de modo a dar conta de suas responsabilidades. Nesse sentido, as organizações públicas se veem pressionadas a reverem suas estruturas e dinâmicas de funcionamento, a fim de aperfeiçoarem seus processos, assegurando melhor desempenho e resultados mais efetivos (PABLO et al., 2007, apud OLIVEIRA, SANT’ANNA, VAZ, 2010 p. 1455). Aos poucos foram introduzidos modos baseados em práticas gerenciais e buscou-se maior transparência para as práticas administrativas, o que favoreceu o controle social, contribuindo para a consolidação de uma sociedade democrática. Neste contexto, muda também a demanda da Administração Pública para seus servidores. Ou seja, a Administração Pública contemporânea requer domínio de novas competências, compromisso com resultados e eficiência em seu processo e relação de trabalho. De acordo com Pacheco (2002, p.1), a mudança de cultura no setor público – da cultura burocrática para outra mais transparente, responsabilizante e com controle de resultados - precisa ter um avanço maior. Seguindo nesta discussão em direção a uma administração societária, segundo Paula (2007), é preciso integrar aspectos políticos e técnicos na nova gestão. E os servidores necessitam estar inseridos nesta transformação. 71 CAPÍTULO 5 Gerenciamento de conflitos “O conflito pode ser definido como um processo ou estado em que duas ou mais pessoas divergem em razão de metas, interesses ou objetivos individuais percebidos como mutuamente incompatíveis.”. Douglas H.Yarn Lembre-se de seu último conflito. Como foi sua reação? E qual foi sua postura adotada no momento do conflito? Após refletir sobre seu último conflito, verifique se você teve alguma (s) das reações e posturas relatadas na tabela a seguir. Tabela 3. Reações e Posturas comuns durante o conflito. Fonte: Próprio Autor. Conforme Berg (2012), a palavra conflito vem do latim conflictus, que significa choque entre duas coisas, embate de pessoas, ou grupos opostos que lutam entre si, ou seja, é um embate entre duas forças contrárias. Aplicando à realidade, conflito é um estado antagônico de ideias, pessoas ou interesses e não passa, basicamente, da existência de opiniões e de situações divergentes ou incompatíveis. (BERG, 2012). 72 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO Berg (2012, p.18), afirma ainda que: “O conflito nos tempos atuais é inevitável e sempre evidente. Entretanto, compreendê-lo, e saber lidar com ele, é fundamental para o sucesso pessoal e profissional”. Burbridge e Burbridge (2012) defendem que conflitos são naturais e em muitos casos necessários. Eles são o motor que impulsiona as mudanças. No entanto, muitos conflitos são desnecessários e destroem valores, causando prejuízo para as empresas e pessoas que nela trabalham. O principal desafio dos gestores é identificar os conflitos produtivos e contra produtivos e gerenciá-los. Follett1 afirma que as divergências são extremamente importantes porque revelam uma diferença de opinião que cedo ou tarde se manifestará, de forma danosa ou não. A autora afirma ainda que existem três soluções possíveis para o conflito: 1. A primeira seria a dominação em que um dos lados, o mais forte, provavelmente, predominará e terá suas exigências atendidas, enquanto o outro lado não terá nenhuma de suas exigências atendidas, e assim, o conflito será na verdade sufocado. 2. A segunda alternativa diz que os dois lados cederão cada qual um pouco, e um meio-termo será adotado como solução. A esse método denominou conciliação, uma alternativa apontada por ela como nociva a ambos os lados já que nenhum tem suas reivindicações plenamente atendidas. 3. A solução ideal proposta por ela é a integração, na qual a resposta ao dilema não está concretizada e deve, portanto, ser pensada, inovada, criada. A integração parte do pressuposto que o conflito existe porque demandas não são atendidas, e essas demandas não devem ser suprimidas, e sim supridas. Mas conflito é algo sempre negativo? Tabela 4. Resultados positivos do conflito. Fonte: Próprio Autor. 1 Mary Parker Follet (1868 - 1933) Autora norte-americana, Formada em Filosofia, Direito, Economia e Administração Pública. 73 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III A possibilidade de se perceber o conflito de forma positiva consiste em uma das principais alterações da chamada moderna teoria do conflito. Isso porque a partir do momento em que se percebe o conflito como um fenômeno natural na relação de quaisquer seres vivos é que é possível se perceber o conflito de forma positiva. Além disso, o simples fato de se perceber o conflito de forma negativa desencadeia uma reação denominada “retorno de luta ou fuga” ou “resposta de estresse agudo”. Tal teoria afirma que animais reagem a ameaças com uma descarga de adrenalina no sistema nervoso simpático, impulsionando-os a lutar ou fugir. Ao se perceber o conflito como algo positivo, ou ao menos potencialmente positivo, tem-se que o mecanismo de luta ou fuga tende a não ser desencadeado ante a ausência de percepção de ameaça, o que, por sua vez, facilita que as reações fisiológicas sejam outras: Tabela 5. Reações fisiológicas negativas e positivos do conflito. Fonte: Próprio Autor. O conflito pode servir para eliminar as causas de dissociação e restabelecer a unidade - mecanismo estabilizante.Pode indicar a rejeição de uma acomodação entre as partes e a necessidade de estabelecimento de um novo equilíbrio, no qual o relacionamento pode prosseguir sobre novas bases. Chiavenato (2004) defende que, existem nas organizações certas condições inerentes que tendem a criar percepções entre pessoas e grupos, predispondo ambientes de conflito. Esse cenário constitui as condições antecedentes dos conflitos, que conforme o autor, dividem-se em quatro tipos: » ambiguidade de papel: quando as expectativas são pouco claras e confusas, além de outras incertezas, aumentando a probabilidade de fazer com que as pessoas sintam que estão trabalhando para propósitos incompatíveis; » objetivos concorrentes: com o crescimento da organização os grupos e setores se especializam cada vez mais na busca por seus objetivos. 74 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO Desta forma cada grupo realiza tarefas diferentes, focando objetivos diferentes, relaciona-se com partes distintas do ambiente, ou seja, surge a diferenciação, objetivos e interesses desiguais dos demais grupos da organização; » recursos compartilhados: os recursos organizacionais são limitados e escassos, e a quantidade disponível precisa ser distribuída e alocada entre os grupos da empresa, de forma que, se um grupo aumentar sua quantidade de recursos, outro grupo perderá ou terá de abrir mão de uma parcela dos seus. Isso provoca a percepção de objetivos e interesses diferentes e incongruentes; » interdependência de atividades: as pessoas e grupos de uma organização precisam uns dos outros para desenvolver suas atividades e alcançar os objetivos. Isso ocorre quando um grupo não pode realizar a sua tarefa e alcançar seu objetivo a não ser que outro grupo realize a sua ou alcance o seu. Quando os grupos são altamente interdependentes existem oportunidades de que um grupo auxilie ou prejudique o trabalho dos demais, o que é um potencial conflito. De acordo com Burbridge e Burbridge (2012), a natureza de um conflito pode ser vista em três categorias: » origem do comportamento humano é a parte mais complexa e integral de todo o tipo de conflito, pois cada um te seu universo particular composto de uma matriz de sentimentos, reações e pensamentos; » origem estrutural se refere a normas, politicas e procedimentos, e particularmente fluxos de informações da própria empresa, podem ser em parte responsáveis por boa parte dos conflitos desnecessários; » origem externa onde muitos conflitos que vem do mundo externo são necessários e fazem parte do negócio, como tensões de mercado, e aspectos de entidades públicas e governo. Uma vez que conhecidos e identificados os conflitos precisam ser administrados ou geridos, para que se resolvam da forma mais eficiente e eficaz. Quando se estiver administrando um conflito, de acordo com Neto (2005), é de suma importância que antes de tomar qualquer decisão investiguem-se os fatos ocorridos, assim como as pessoas envolvidas, suas condutas, desempenho, entre outros. Tudo para que injustiças não sejam cometidas e o conflito tenha um final satisfatório para todos. 75 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III A respeito da administração de conflitos, Chiavenato (2004, p. 418) afirma que: “uma qualidade importante no administrador é sua qualidade de administrar conflitos”. Para isso, o gestor tem à sua disposição três abordagens para administrar conflitos, sendo elas, conforme Chiavenato (2004): a. Abordagem estrutural: o conflito se forma das percepções criadas pelas condições de diferenciação, recursos limitados e escassos e de interdependência. Se o gestor agir sobre algum desses elementos geradores, a situação conflitante poderá ser controlada mais facilmente. b. Abordagem de processo: essa abordagem procura reduzir conflitos através da modificação de processos, podendo ser realizada por uma parte do conflito, por pessoas de fora ou uma terceira parte, e pode ser conduzida de três formas: a desativação do conflito, onde uma das partes opta pela cooperação promovendo o acordo; reunião de confrontação entre as partes, em que são abertos os motivos do conflito de maneira mais direta entre os envolvidos; ou colaboração, que ocorre após passadas as etapas anteriores, com as duas partes buscando uma resolução vantajosa para todos. c. Abordagem mista: envolve tanto os aspectos estruturais como os de processo, e pode ser feita através da adoção de regras para resolução de conflitos, ou criação de papéis integradores. A adoção de regras se utiliza de meios estruturais para influenciar no processo de conflito, criando regras e regulamentos que delimitem a ação das pessoas. Já a criação de papéis integradores consiste em criar terceiras partes dentro da organização, de forma que elas estejam sempre disponíveis para auxiliar na busca de soluções favoráveis dos conflitos que possam surgir. Para Berg (2012) existem várias maneiras de abordar e administrar conflitos, porém uma das mais eficazes é denominada de “Estilos de administração de Conflitos”, método criado por Kenneth Thomas e Ralph Kilmann, que propõem cinco formas de administrar conflitos, conforme a seguir: a. Competição: é uma atitude assertiva e não cooperativa, onde prevalece o uso do poder. Ao competir o indivíduo procura atingir seus próprios interesses em detrimento dos da outra pessoa, é um estilo agressivo onde o individuo faz uso do poder para vencer. b. Acomodação: é uma atitude inassertiva, cooperativa e autossacrificante, o posto da competição, onde ao acomodar-se a pessoa renuncia aos 76 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO seus próprios interesses para satisfazer os interesses de outra parte. É identificada como um comportamento generoso, altruísta, e dócil. c. Afastamento: é uma atitude inassertiva e não cooperativa, pois ao afastar-se a pessoa não se empenha em satisfazer os seus interesses e nem tampouco coopera com a outra pessoa. O indivíduo se coloca à margem do conflito, adiando-o ou recuando perante situações de ameaça. d. Acordo: é uma posição intermediária entre a assertividade e cooperação, onde o individuo procura soluções mutuamente aceitáveis, que satisfaçam parcialmente os dois lados. O acordo significa trocar concessões, ou então procurar por uma rápida solução de meio termo. e. Colaboração: é uma atitude tanto assertiva quanto cooperativa, onde ao colaborar o indivíduo procura trabalhar com a outra pessoa tendo em vista encontrar uma solução que satisfaça plenamente os interesses das duas partes. Berg (2012) afirma ainda que não existe estilo certo ou errado para gerir conflitos, e que cada um pode ser apropriado e efetivo dependendo da situação, do assunto a ser resolvido e dos personagens envolvidos. O importante é conhecer e servir-se das várias opções a nossa disposição para manejar conflitos e aprender a utilizar suas técnicas. Nem todo conflito é igual e nem todo conflito deve ser abordado da mesma forma, por esta razão o gestor precisa saber como e quando usar cada ferramenta a sua disposição, como: negociação, poder, litígio, arbitragem, ouvidoria, conciliação, e diversas ouras ferramentas disponíveis. Portanto, o desafio está em saber o que aplicar em cada ocasião, procurando escolher e aplicar as técnicas de forma inteligente. Embora os estudos sobre conflitos convirjam para ideia de que estes são diferentes e devem ser analisados caso a caso, é importante que seja do conhecimento do gestor as diferentes formas de abordagem dos desentendimentos, para que ao identificar sua tipicidade, possa aplicar a ferramenta mais adequada para conclusão da situação conflitante. Efeitos dos conflitos Os conflitos podem ter resultados positivos ou negativos, esse resultado depende de diversos fatores, desde o motivo do conflito até mesmo a forma como foi tratado. 77 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORADE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III Chiavenato (2004) destaca alguns efeitos positivos e negativos dos conflitos, conforme a seguir: » Efeitos positivos: o conflito desperta sentimentos e energia no grupo, fazendo com que muitas vezes busquem meios mais eficazes de realizar tarefas e soluções criativas e inovadoras. Também é estimulada a coesão intragrupal, e por vezes é chamada atenção para problemas existentes, que sendo tratados de forma eficaz evitam problemas maiores no futuro. » Efeitos negativos: o conflito pode provocar consequências indesejáveis para o bom funcionamento da organização, como sentimentos de frustação, hostilidade e tensão nas pessoas, que prejudica tanto o desempenho das tarefas como o bem-estar das pessoas. Geralmente é desperdiçada muita energia na resolução de conflitos, o que poderia ser direcionado para o trabalho, e podem surgir comportamentos que prejudiquem a cooperação e relacionamentos entre as pessoas do grupo. De acordo com Burbridge e Burbridge (2012), os conflitos auxiliam no processo de mudanças necessárias e crescimento das organizações, mas em contrapartida, geram custos que passam despercebidos, mas que influenciam no funcionamento da empresa, como a alta taxa de rotatividade, absenteísmo, motivação reduzida, baixa produtividade etc. “O que vai determinar se o conflito é construtivo ou negativo será a motivação das pessoas envolvidas, sendo que, em qualquer organização, é de responsabilidade do gestor ou gerente facilitar a gestão desse conflito.” (MCINTYRE, 2007, p. 303). Evidencia-se que os conflitos interferem sim no funcionamento das organizações, resta então identificar se essa interferência é favorável ou não às atividades, estimulando as situações onde as discordâncias geram novas ideias e soluções diferenciadas, e mitigando aquelas onde as consequências serão restritas aos custos e perdas, tanto na produtividade quanto na qualidade de relacionamento entre as pessoas. Como evitar que o conflito seja destrutivo? Estimular as partes a compreenderem as condições que determinam se seus conflitos irão ser resolvidos com consequências construtivas ou destrutivas. O interesse se dá sobre os conflitos em que haja uma mistura de interesses cooperativos e competitivos, em que uma variedade de resultados é possível: 78 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO » perda mútua; » ganho para um e perda para o outro; e » ganho mútuo. Alguns aspectos dos processos destrutivos e construtivos: 1. Comunicação a. construtivo - comunicação aberta e honesta de informações relevantes entre os participantes. b. destrutivo - escassez e desencaminhamento da comunicação. 2. Percepção a. construtivo - tendência a aumentar a sensibilidade a similaridades e interesses comuns enquanto minimiza a saliência das diferenças. b. destrutivo - tendência a aumentar a sensibilidade a diferenças e ameaças enquanto minimiza a percepção das similaridades. Efeito “você é mau; eu sou bom”. 3. Atitudes para com o outro a. construtivo - atitude amigável e confiante com aumento da inclinação a responder beneficamente às necessidades e aos pedidos do outro. b. destrutivo - atitude suspeitosa e hostil com aumento da prontidão para tirar partido das necessidades do outro e responder negativamente aos seus pedidos. 4. Orientação de tarefas a. construtivo - problema mutuamente reconhecido, esforço conjunto para a resolução; legitimidade dos interesses do outro e necessidade de se procurar uma solução que satisfaça a todos. b. destrutivo - solução de um conflito como a imposição de um lado sobre o outro; minimização da legitimidade dos interesses do outro; emprego de processos coercitivos para influenciar o outro. 79 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III Mediação e conciliação Ao entrar no site da internet do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é possível localizar muitas informações sobre Mediação e Conciliação. De acordo com o CNJ: » A mediação é uma forma de solução de conflitos na qual uma terceira pessoa, neutra e imparcial, facilita o diálogo entre as partes, para que elas construam, com autonomia e solidariedade, a melhor solução para o problema. Em regra, é utilizada em conflitos multidimensionais, ou complexos. A mediação é um procedimento estruturado, não tem um prazo definido, e pode terminar ou não em acordo, pois as partes têm autonomia para buscar soluções que compatibilizem seus interesses e necessidades. » A conciliação é um método utilizado em conflitos mais simples, ou restritos, no qual o terceiro facilitador pode adotar uma posição mais ativa, porém neutra com relação ao conflito e imparcial. É um processo consensual breve, que busca uma efetiva harmonização social e a restauração, dentro dos limites possíveis, da relação social das partes. As duas técnicas são norteadas por princípios como informalidade, simplicidade, economia processual, celeridade, oralidade e flexibilidade processual. Para conhecer mais sobre essas duas técnicas de gerenciamento de conflitos, acesse: <http://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/conciliacao-e-mediacao-portal-da- conciliacao/movimento-conciliacao-mediacao>. Figura 3 e 4. Capa do Guia de Conciliação e Mediação CNJ e capa do Manual de Mediação Judicial do CNJ. Fontes: <http://www.cnj.jus.br/files/conteudo/arquivo/2016/07/f247f5ce60df2774c59d6e2dddbfec54.pdf>., <http://mediacao.fgv.br/wp-content/uploads/2015/11/Guia-de-Conciliacao-e-Mediacao.pdf>. 80 CAPÍTULO 6 O cidadão-cliente e o gerenciamento de reclamações e interações com o público: o trabalho das ouvidorias “A cidadania não é atitude passiva, mas ação permanente, em favor da comunidade”. Tancredo Neves No Brasil, o tema da criação e implantação das ouvidorias públicas começou a ser discutido de forma mais vigorosa por volta dos anos 1960 e 1970. Mas, nesse período, o cenário político não dava margem a inovações dessa natureza, orientadas à participação e ao controle social (CARDOSO, 2013). Durante a década de 1980, com o início da democratização, surgiram movimentos sociais reivindicando participação social no poder público, a exemplo das organizações de bairro e do movimento sindical. Após um longo processo de reivindicações e lutas sociais foi promulgada a Constituição Federal (CF) de 1988, que instituiu um Estado democrático de direito, fundamentado na realização da cidadania e na dignidade da pessoa humana, e comprometido com a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Sob esse novo modelo, o texto constitucional ampliou sensivelmente as formas de controle e participação social, concebendo-as como essenciais para garantir a visibilidade e a expressão das demandas sociais, a promoção e garantia dos direitos de cidadania, e também a democratização dos processos deliberativos e de gestão. A CF de 1988 estabeleceu os princípios da impessoalidade e publicidade dos atos da Administração Pública, prevendo a criação de lei específica para tratar das reclamações relativas à prestação de serviços públicos. Consta no art. 37 da carta magna: § 3o a lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente: I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; 81 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III Além disso, a Constituição consagrou no inciso XXXIII do art. 5o que: [...] todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do estado. A partir da década de 1990, as ouvidoriaspúblicas se multiplicaram no Brasil, buscando assegurar a participação e o controle da sociedade sobre as instituições públicas, por meio das manifestações dos cidadãos. A ouvidoria pública atua, fundamentalmente, no processo de interlocução entre o cidadão e a administração pública, de modo que as manifestações decorrentes do exercício da cidadania provoquem a melhoria dos serviços públicos prestado. Para tanto, disponibiliza um atendimento que se constitui não apenas em um canal de participação, mas, sobretudo, numa forma de participação social. Mas o que é atender? É acolher e prestar atenção, é tomar em consideração, servir, escutar e responder, enfim, é reconhecer o outro como pessoa, como sujeito pleno de direitos. Qualificar o atendimento ao cidadão prestado pelos órgãos e entidades do serviço público federal é um horizonte a ser buscado de forma permanente. Trata-se de um compromisso público assumido entre a organização e o cidadão, tendo por objetivo o fortalecimento do estado democrático de direito. As ouvidorias têm como condição de existência o próprio contexto democrático e fundamentam-se na construção de espaços plurais abertos à afirmação e à negociação das demandas dos cidadãos, os quais são reconhecidos como interlocutores legítimos e necessários no cenário público nacional. As estruturas surgem como um mecanismo de diálogo permanente, de participação e controle social e, portanto, de exercício democrático. Ao mediar o acesso a bens e serviços públicos, constituem-se como um importante instrumento de gestão para a Administração Pública, que tem a oportunidade de elaborar e aperfeiçoar suas perspectivas e ações, bem como subsidiar a criação de políticas públicas. As Ouvidorias buscam produzir soluções para os cidadãos e para o Estado ancoradas no valor fundamental da Democracia. 82 UNIDADE III │ A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO As Ouvidorias Públicas têm a potencialidade de promover a efetividade das políticas e dos serviços públicos e, em consequência, os direitos fundamentais consagrados pela Constituição Federal de 1988, sejam eles individuais, sociais, econômicos, culturais ou coletivos. Além disso, esses institutos desempenham um importante processo educativo, uma vez que atuam numa perspectiva informativa, esclarecendo os cidadãos sobre seus direitos e responsabilidades, potencializando, assim, a capacidade crítica e a autonomia dos demandantes. Expressar desejos e necessidades, construir argumentos, formular propostas, ouvir outros pontos de vista, reagir, debater e chegar ao consenso são atitudes que transformam aqueles que integram processos participativos. Nesse sentido, quanto mais o cidadão participa, mais ele se torna capacitado para fazê-lo (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO; UNIÃO EUROPEIA, 2012). O que as Ouvidorias Públicas devem fazer para cumprir, efetivamente, sua missão? Na prática, para realizar o seu papel, as Ouvidorias devem desempenhar as seguintes FUNÇÕES (ROMÃO, s/d): » ouvir e compreender as diferentes formas de manifestação dos cidadãos (solicitação de informação, reclamação, denúncia, elogio e sugestão) como demandas legítimas; » reconhecer os cidadãos, sem qualquer distinção, como sujeitos de direitos; » qualificar suas expectativas de forma adequada, caracterizando situações e identificando os seus contextos, para que o Estado possa decodificá-las como oportunidades de melhoria; » responder aos cidadãos; e » demonstrar os resultados produzidos, avaliando a efetividade das respostas oferecidas e elaborando relatórios gerenciais capazes de subsidiar a gestão pública. Na tensão que caracteriza a relação entre o Estado e a sociedade, o serviço da ouvidoria busca um ponto de equilíbrio. Age de forma imparcial, para favorecer o exercício do diálogo, e deve estar atento para que cada vez mais pessoas possam ser inseridas no debate como cidadãs (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária; Ministério da Saúde, 2007). 83 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO PRESTADORA DE SERVIÇOS AO CIDADÃO │ UNIDADE III Retorno às reclamações (feedbacks) É voz comum e crença popular a convicção expressa no dito popular “falar é fácil, difícil é ouvir”. A experiência com o trabalho das ouvidorias nos mostra que tal provérbio precisa ser desenvolvido em uma etapa subsequente: “mais difícil ainda é responder, levando-se em conta o que foi ouvido”. Não basta que uma ouvidoria saiba ouvir, se não souber responder, levando em conta o que ouviu. Este último aspecto pode soar óbvio, mas não o é. Em grande parte das vezes, principalmente quando nos dispomos a atender aos interesses daqueles que nos patrocinam ou que nos pagam salários, tendemos a resistir a críticas e a fornecer repostas pré-formuladas e pré-formatas para questões “similares”. No contexto de uma ouvidoria, a distinção precisa prevalecer sobre a tendência à pasteurização das diferenças. Cada cliente, consumidor ou cidadão que a procura é único em suas preocupações, possui peculiaridades que deseja ver reconhecidas, consideradas e respeitadas. Por isso, a atitude de uma ouvidoria precisa primar sempre pela valorização dessas diferenças, ainda que a inteligência organizacional a leve a padronizar respostas como medida de economia de tempo e aumento da produtividade. Mesmo que as respostas sejam padronizadas, é necessário que a comunicação dessas respostas atente para as peculiaridades de quem a demandou. Sempre haverá uma forma de individualizar um procedimento padrão, de explicitar o reconhecimento e o respeito que o outro espera e merece. Não se trata apenas de desenvolver competência de customizar respostas mas, antes de tudo, desenvolver sensibilidade para perceber as tais diferenças. Harry Pross, comunicador alemão, autor de várias obras sobre a natureza “oculta” dos processos comunicativos em ambientes de poder, nos lembra que para sermos bons comunicadores, duas virtudes são essenciais: a “humildade”, para reconhecer que necessitamos uns dos outros e a “tolerância”, para compreendermos que os outros não são exatamente aquilo que gostaríamos que fossem. Comunicar é interagir com o outro; é trocar informações na busca do entendimento e da compreensão, condições essenciais para que possamos obter qualidade de vida em grupo, em proveito de toda a sociedade. A ouvidoria, aqui entendida como lugar privilegiado de comunicação organizacional, tem tudo para promover tais atitudes, ressignificando as relações públicas no trabalho e viabilizando a dignidade das relações humanas, de modo ampliado, integrado e abrangente. 84 UNIDADE IV A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO CAPÍTULO 1 A importância da imagem da organização e o papel do servidor A imagem de uma organização é uma das partes mais valiosas e que mais contribui para geração de valor, promovendo estabilidade e adquirindo significados perante os clientes. Traduzindo isto ao sistema público, podemos concluir que a imagem da Administração Pública é a principal fonte de valor na constatação do desenvolvimento de um País, pois é a partir desta que podemos verificar o grau de satisfação da população frente aos serviços ofertados. Isso acontece da seguinte forma, os cidadãos analisam os serviços ofertados, e como estes foram executados, e descarregam suas atribuições, experiências e associações na Administração como um todo, disseminando para as pessoas ao seu redor, e colaborando para uma subtração de valor, nos casos de insatisfações, ou para adição de valor, nos casos de satisfação, no ativo da Organização. Assim, a forma como os serviços são executados serão os propulsores da satisfação e geração de valor da imagem no Serviço Público. Atualmente, podemos reparar por noticiários e reportagens uma baixa credibilidade do nosso sistema público na visão dos nossos cidadãos. A probidade administrativa nasce da ideia de honestidade na Administração Pública, a qual exige dos servidores públicosobservância de princípios éticos, de lealdade, de boa-fé, de regras que assegurem a boa administração e a disciplina interna na Administração Pública (Di Pietro, 2010, p. 816). Sendo assim, quando falamos em improbidade administrativa é para designar os atos ilícitos que afetam essa ideia de honestidade e perturbam a ordem legal da execução das atividades. Enquadrando os atos como crime de responsabilidade, uma vez que a legislação preocupada em combater a corrupção passou a repulsar o enriquecimento ilícito no 85 A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO │ UNIDADE IV exercício do cargo ou função, os prejuízos ao erário e os atos que atentam contra os princípios da Administração Pública (Di Pietro, 2010). Onde constatamos o avanço a partir da proposição da Lei de improbidade administrativa. Todavia, são nos noticiários regionais que se atestam os descasos pela falta de providências na prestação do serviço público básico, como saúde e educação. E são estas prestações, o grande impacto na queda de credibilidade, confiança e valor da imagem no Serviço Público, produzindo grande insatisfação e descrença no desenvolvimento do País por parte dos cidadãos brasileiros, por algumas vezes chegando até ser constatadas por estrangeiros visitantes ou imigrantes que necessitam de nossos serviços públicos, nos deixando em “maus lençóis” pela repercussão internacional que os fatos podem gerar. A imagem de um País no contexto internacional está muito ligada ao seu desenvolvimento, crescimento do PIB e avanço dos programas que promove melhorias à população, o qual este último está diretamente relacionado à prestação de serviços públicos. Sendo assim, é muito importante que a Administração atente para como ela é percebida pelos cidadãos, qual o conceito que estes têm da mesma, e assim trabalhar para fortalecer o nível de qualidade da imagem que o Serviço Público transmite ao Povo. Uma vez tratando o Serviço Público como Marca, podemos analisá-lo considerando os seguintes aspectos: Posicionamento de Marca e Valor da Marca. De modo que os interesses da organização serão conduzidos a partir do posicionamento da marca, em que fixará nos clientes-alvo seu significado, valores e personificando na marca o que são ou gostariam de ser, possibilitando que estas ocupem um lugar privilegiado (valorizado) na mente dos usuários. (DIONÍSIO, 2010). Transportando o valor da marca para o cenário público percebe-se que os investimentos em valor da marca é uma forma de buscar a valorização do patrimônio, alavancando a credibilidade e confiabilidade do Serviço, no momento «arranhadas». E possibilitando, também, melhores negociações frente aos fornecedores e parceiros do Governo, reduzindo a vulnerabilidade a crises e desempenhando melhor suas obrigações com o interesse público. Assim, consequentemente, o envolvimento da população com o Serviço Público será valorizado devido à percepção de geração de benefícios mútuos. Fortalecendo a imagem dos serviços públicos no País e assegurando este fortalecimento à visão internacional dos outros governos, garantindo a estes seu desenvolvimento. De maneira a demonstrar inovação no sistema de Gestão, impulsionando uma transformação que proporcionará a otimização dos programas como um todo, uma vez que se trata do Sistema Público, e vantagens à Administração. 86 UNIDADE IV │ A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO Papel do servidor com a imagem do órgão público de que faz parte Conforme Di Pietro (2010), Servidores públicos são pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às entidades da Administração Indireta, com vínculo empregatício e mediante remuneração paga pelos cofres públicos. Portanto, são eles os responsáveis pelo desenvolvimento do serviço público, consequentemente do País. Para isso, são estabelecidas normas para admissão, a começar pelo Concurso Público, o primeiro passo para a contratação dos profissionais necessários à Administração, consagrando estes como servidores estatutários, empregados públicos e servidores temporários. Os servidores públicos podem ser regidos pelo regime estatutário, que se refere a um regime jurídico de natureza específica da Administração Pública, e pelo regime celetista, o mesmo aplicado à Administração Privada, que se refere às normas aplicadas pela CLT, lei específica de competência do Direito do Trabalho. Sob esses balizadores os servidores públicos obtêm direitos. Porém, com esses direitos acompanham os deveres, o fato mais importante a ser referenciado. Esses deveres, também denominados como responsabilidades dos servidores, constituirão os exercícios fundamentais para desenvolvimento das atividades de utilidade pública que atenderão às necessidades dos cidadãos, mais especificamente dos brasileiros. As responsabilidades as quais o servidor público se sujeita, conforme Di Pietro (2010) são: » responsabilidade civil: decorre da ordem patrimonial e estima-se que aquele que causa dano a outrem é obrigado a repará-lo; » responsabilidade penal, o servidor responde penalmente quando pratica crime ou contravenção; » r e s p o n s a b i l i d a d e a d m i n i s t r a t i v a , o s e r v i d o r r e s p o n d e r á administrativamente quando praticar ilícitos administrativos definidos na legislação estatutária. Sendo as infrações apuradas pela própria Administração Pública. Estas, por sua vez, decorrem do exercício do cargo ou função pública. Mas, são os deveres estabelecidos no art. 116 da Lei no 8.112/1990 que exercem efeito e força maior sob as responsabilidades dos servidores. Apesar de já listadas anteriormente, vale repetir: I - Exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; 87 A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO │ UNIDADE IV II - Ser leal às instituições a que servir; III- Observar as normas legais e regulamentares; IV - Cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; V - Atender com presteza: a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo; b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal; c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública. VI- Levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo; VII- Zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público; VIII- Guardar sigilo sobre assunto da repartição; IX- Manter conduta compatível com a moralidade administrativa; X- Ser assíduo e pontual ao serviço; XI- Tratar com urbanidade as pessoas; XII - Representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder. Esta representação será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela conta a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa. A partir dos deveres citados anteriormente, podemos concluir a capacidade de probidade do indivíduo, como também é possível avaliar de que maneira eles afetam a execução dos serviços públicos. Os Servidores Públicos como representantes e realizadores dos serviços públicos no País são os principais responsáveis pelo desenvolvimento do País. Que está bastante atrelado à transformação social, a qual designará uma mudança relacionada ao poder de influência da população a partir de aportes como melhor acesso ao conhecimento e criação de subsídios, por parte do governo, que incentive o crescimento econômico dos menos favorecidos a fim de erradicar a pobreza. 88 UNIDADE IV │ A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO No entanto, constatamos na realidade que os fatos são bem diferentes, o que consta no papel é visto como uma utopia devido ao alto grau de descrédito do Povo em relação à Administração. Visto esta situação, podemos concluir que a imagem da Organização é algo de enorme relevância na observância de sua eficiência e qualidade e que o servidor tem papel principal nessa imagem. Sendo assim, consideremos o próximo estudo a cerca da importânciada imagem na Organização. Ética no atendimento ao cidadão A maior parte dos códigos que conhecemos é “de moral”. A moral é exatamente o conjunto de normas, regras, leis que orienta a vida dos indivíduos e grupos na sociedade, configurando a marca da sociedade, o jeito de viver e se relacionar, baseado em determinados valores. A moral tem um caráter particular, varia de uma sociedade para outra, de uma época para outra. Em filosofia, ética significa o que é bom para o indivíduo e para a sociedade, e seu estudo contribui para estabelecer a natureza de deveres no relacionamento indivíduo - sociedade. A ética é um olhar crítico, uma reflexão que pergunta pelo fundamento e pela coerência dos valores. A ética guarda um caráter universal – seus princípios têm como referência última a dignidade humana, o bem comum. Quando se filtra, elimina-se o que não é bom. Portanto, uma pessoa com ética tem valores morais bem filtrados. Moral e ética não devem ser confundidos: enquanto a moral é normativa, a ética é teórica e busca explicar e justificar os costumes de uma determinada sociedade, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Porém, etimologicamente «ética» e «moral» são expressões sinônimas, sendo a primeira de origem grega, enquanto a segunda é sua tradução para o latim, com o mesmo significado: conduta ou costumes. Os princípios éticos possuem um caráter universal como, por exemplo: o respeito, a justiça, a solidariedade, o diálogo, a responsabilidade, a busca da excelência, o compromisso, a humildade e a coragem, a integridade, a clareza e a precisão ética e convivência humana. Falar de ética é falar de convivência humana. São os problemas da convivência humana que geram o problema da ética. Há necessidade de ética porque os seres humanos não vivem isolados; e os seres humanos convivem não por escolha, mas por sua constituição vital. 89 A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM DA ORGANIZAÇÃO │ UNIDADE IV Ética no atendimento A ética no relacionamento é algo pessoal, no qual a aproximação com o cidadão tem o objetivo de tentar entendê-lo e encantá-lo com um atendimento preciso, de qualidade, agradável, respeitável, ético. Ética no atendimento ao cidadão é definida como o que é correto ou bom na conduta do atendimento. A preocupação do que deve ser feito não se limitando ao que dizem as leis que regem o serviço realizado. Assim, o bom senso é o principal instrumento de avaliação para definição do que pode ou deve ser realizado. Aquele que oferece a prestação de um serviço deve ter consciência que servindo bem, cria-se, de forma natural, a necessidade do outro em retribuir. Desta feita, a conduta ética na relação de atendimento permite definir a qualidade e satisfação do cliente. 90 Referências ABREU, Marisa de. Assertividade. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www. marisapsicologa.com.br/assertividade.html>. ___________________. Frustração. São Paulo, 2015. Disponível em: <http:// www.marisapsicologa.com.br/frustracao.html>. ABREU, Niedja. A influência do comportamento dos servidores públicos na imagem do serviço público. Disponível em: <http://www.administradores.com. br/producao-academica/a-influencia-do-comportamento-dos-servidores-publicos- na-imagem-do-servico-publico/5121/> AMBONI, N.F. Qualidade em serviços e suas dimensões. Florianópolis: CTSC, 2002. ARAÚJO Pereira, Rodrigo. Importância da qualidade no atendimento ao público. Exacta [online] 2012, 10 (Sinmes): [Date ofreference: 16 / agosto / 2015] Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=81024949005> ISSN 1678- 5428 BADIN, L. A. 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