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CIRURGIA Carolina Ferreira -A punção lombar (PL) é um procedimento diagnóstico e terapêutico comum, é realizada + comumente p/ obter uma amostra de líquido cerebrospinal (LCR) p/ ajudar a estabelecer diagnósticos neurológicos -O LCR é um ultrafiltrado do plasma que tem como função a proteção mecânica do SNC e biológica contra agentes infecciosos. Seu volume total é de 125 a 150 mL, sendo formado principalmente nos plexos coroides dos ventrículos laterais e reabsorvido nas vilosidades subaracnóideas por meio da circulação venosa. -Durante uma PL, a agulha espinal penetra a pele, o tecido subcutâneo, o ligamento espinal, a dura-máter e a aracnoide antes de entrar no espaço subaracnóideo. Geralmente são obtidas 4 amostras de LCR -Exames usuais incluem: cultura bacteriana e coloração de Gram do tubo 1, proteína e glicose do tubo 2, contagem das células sanguíneas e diferencial do tubo 3 e exames opcionais como culturas virais, culturas p/ fungos, imunoeletroforese, exames c/ tinta da Índia ou aglutinação do látex do tubo 4 -Achados sugestivos de meningite bacteriana: contagem absoluta de leucócitos no LC de >500 μL, glicose sanguínea ≤0,4, um nível de lactato de ≥31,5 e a presença de bactérias na coloração de Gram Contudo, a ausência de bactérias na coloração de Gram ñ exclui meningite bacteriana - A punção lombar frequentemente é reservada p/ bebês que demonstram hipotermia, hipertermia, má alimentação 24 horas após o nascimento, coma ou convulsões. O US de beira de leito tem substituído a PL no diagnóstico de hemorragia intracraniana. Apenas cerca de metade das PL em RN são completadas c/ sucesso, e as punções traumáticas (c/ sangue) são comuns. A complicação + comum é a cefaleia pós-PL (espinal), que ocorre em 10 a 25% dos pacientes. A cefaleia frequentemente persiste por dias. -Uma complicação potencial + grave é a herniação cerebral pela elevação da PIC que frequentemente é causada por uma massa supratentorial. Antes de realizar uma PL, sempre verificar o fundo de olho p/ a presença de papiledema. Se houver suspeita de de pressão por um tumor ou sangramento intracraniano, uma TC ñ contrastada de emergência deve ser obtida antes p/ reduzir o potencial de herniação. -A aspiração inadvertida das raízes nervosas ao se retirar a agulha pode ser evitada c/ a reposição do estilete antes de retirá-la. MATERIAIS • Bandeja de punção lombar • Agulha atraumática (Sprotte ou Pajunk), que tem uma abertura no lado ao final da agulha, ou agulha padrão (Quincke), que tem um bisel padrão, com introdutor, 22 a 26G • Anestesia local p/ injeção • Iodopovidona ou clorexidina (Chlorohex) p/ esterilização do campo • 4 tubos estéreis p/ coleta com etiquetas de 1 a 4 • Manômetro p/ medida da pressão do LCR, se necessário • Curativo para aplicação após o procedimento INDICAÇÕES • Processos infecciosos do sistema nervoso e seus envoltórios • Processos desmielinizantes • Processos granulomatosos com imagem inespecífica • Leucemias e linfomas (estadiamento e tratamento) • Imunodeficiências (particularmente a Aids) • Processos infecciosos com foco não definido • Hemorragia subaracnóidea • Aplicação, por via raquiana, de medicamentos ou de substâncias utilizadas para fins diagnósticos • Punção esvaziadora ou de “alívio” nos casos de hidrocefalia a pressão normal e hidrocefalia comunicante de qualquer etiologia CONTRAINDICAÇÕES • Instabilidade hemodinâmica • Vigência de síndrome de hipertensão intracraniana c/ efeito de massa • Sinais de herniação cerebral • Sinal neurológico focal • Distúrbios de coagulação • Infecções cutâneas na região lombar, nos pontos em que pode ser feita a punção • Bacteremia, quando ñ há ainda controle adequado das condições gerais do paciente, sobretudo antes da instalação da antibioticoterapia. O pertuito aberto pela agulha pode servir de ponta de entrada p/ o agente infeccioso atingir as meninges CIRURGIA Carolina Ferreira PROCEDIMENTO 1. Explicar todo o procedimento p/ o paciente. 2. Posicionar o paciente e marcar o local de punção (entre L3-l4 ou L4-L5). Posicionar o pct em decúbito lateral esquerdo, c/ as costas próximo à borda da cama ou mesa de exame e c/ a coluna fletida e os joelhos próximos ao tórax. Assegurar que os ombros e as costas estejam perpendiculares à mesa. Colocar um travesseiro sob a cabeça do pct p/ manter a coluna o + reta possível. Um método alternativo é colocar o paciente em posição sentada, apoiado sobre uma mesa ou c/ 2 travesseiros grandes no colo, c/ a coluna fletida anteriormente. Evitar uma flexão forçada do pescoço durante o procedimento porque isso pode provocar uma parada cardiorrespiratória em crianças. Se o pct estiver girado, então a inserção da agulha pode ser lateral e ñ penetrar o espaço subaracnóideo. 3. Antissepsia c/ material de preferência incolor 4. Fazer botão anestésico c/ lidocaína sem vasoconstritor (discutível na literatura) 5. Introduzir a agulha de forma perpendicular ao plano do corpo, no espaço intervertebral, com uma leve inclinação no sentido cefálico, mas sempre em linha média; bisel lateralizado 6. Usar os indicadores unidos como ponto de apoio na pele p/ empurrar a agulha até o espaço subaracnóideo. 7. Remover o mandril para observação do fluxo pela agulha 8. Se ñ houver drenagem de liquor, repassar o mandril e continuar avançando em pequenas progressões (2 a 3 mm) 9. Quando a dura-máter é vencida, tem-se uma sensação abrupta de perda de resistência 10. Se a resistência é intensa, analisar a possibilidade de punção do corpo vertebral. Retirar a agulha até uma posição média e reordená-la, sempre em linha média 11. Caso o fluxo ñ apareça, deve-se tentar uma rotação suave da agulha. Estar atento à manutenção do bisel da agulha p/ cima após chegar ao espaço subaracnóideo 12. do liquor. 13. Reintroduzir o mandril após coleta e retirar a agulha num só movimento rápido. 14. Pressionar o local da punção após c/ uma gaze ou algodão. Realiza-se a medida da pressão de abertura do LCR com manômetro e procede-se à coleta mediante gotejamento espontâneo. 15. Retira-se aproximadamente de 8 a 10 mL de volume total, devendo-se coletar em + de um tubo quando houver sangramento, na tentativa de diferenciar um acidente de punção de uma hemorragia subaracnóidea (prova dos 3 tubos) Em virtude da ruptura vascular, existe, além de hemácias, do nº de leucócitos, na proporção de 1 leucócito p/ cada 500- 700 hemácias, e da proteinorraquia, 1 mg p/ cada 500 hemácias 16. Após a coleta, procede-se novamente a medida de pressão de fechamento do LCR e retira-se a agulha, realizando curativo no local da punção 17. O paciente deve permanecer em repouso, deitado por pelo menos 30 minutos imediatamente após a coleta. COMPLICAÇÕES ▪ Implantação de tumores epidermoides: ocorre quando tecido epidermoide é implantado dentro do canal espinal durante uma punção lombar, devido ao uso de agulhas sem estilete ou c/ agulhas que têm estiletes mal-ajustados. Esses tumores causam dor nas costas e nas extremidades inferiores anos após a punção espinal. ▪ Aspiração de uma raiz nervosa dentro do espaço espinal: ocorre quando a agulha é retirada sem um estilete em posição. ▪ Cefaleia pós-procedimento: ocorre em 5 a 40% de todas as punções lombares. Podem se iniciar até 48 horas após o procedimento e geralmente duram 1 a 2 dias (às vezes até 14 dias). Pode estar associada c/ a posição sentada e cede c/ a posição em decúbito. São causadas por vazamento de fluido pelo local de punção na dura-máter. Apresenta > incidência c/ o uso de “agulhas cortantes” e agulhas de > diâmetro.As injeções epidurais de sangue podem ser realizadas p/ aliviar uma cefaleia persistente, sendo feito por um anestesiologista ▪ Infecção do LCR: pode ocorrer se houver uma infecção tissular sobre o local da PL. Uma celulite subjacente é uma contraindicação à PL. ▪ Herniação pós-procedimento: ocorre em 2 a 3% dos pacientes após uma PL. O início dos sintomas é observado dentro de 12 horas após o procedimento e se manifesta por perda de consciência. Muitos desses pacientes têm uma pressão de abertura do LC normal. A maioria dos pacientes melhora dentro de 48 horas do início dos sintomas. O risco dessa complicação pode ser reduzido c/ o uso de agulhas espinais de < calibre e agentes redutores da PIC, quando necessário ▪ Dor lombar e sintomas radiculares: uma dor lombar de menor porte ocorre em até 90% dos pcts devido a trauma local pela agulha espinal. CONSIDERAÇÕES PEDIÁTRICAS CIRURGIA Carolina Ferreira -A lidocaína tópica (EMLA® creme) tem sido estudada em bebês e parece reduzir a resposta à dor durante o procedimento. O EMLA® creme foi aplicado em uma dose tópica de 1 g c/ um curativo oclusivo colocado sobre o local por 60 a 90 minutos antes do procedimento INSTRUÇÃO PÓS PROCEDIMENTO -Quando o procedimento tiver sido realizado c/ sucesso, assegurar que todos os tubos de coleta estejam fechados e identificados na ordem em que o LC foi coletado. O LC então pode ser enviado ao laboratório p/ os exames pertinentes. Sempre solicitar que o laboratório mantenha o LC disponível para o caso de outros exames serem necessários -Avaliação de suspeita de meningite: → Usar coloração de Gram, cultura, proteína e desidrogenase láctica (LDH) → Podem ser realizados outros exames como contraimunoeletroforese (CIE) do LC, aglutinação do látex (AL) do LC e imunoeletroforese de coagulação → Os kits comerciais estão disponíveis p/ detectar os muitos organismos comuns que causam meningite → Todos estes testes têm uma baixa sensibilidade p/ meningite bacteriana; contudo, eles têm uma especificidade muito + alta. Testes antigênicos falsos-negativos podem ser vistos c/ fator reumatoide e níveis de complemento elevados. → As reações em cadeia da polimerase são uma promessa p/ o diagnóstico rápido de infecção no futuro e podem estar disponíveis em alguns hospitais. -Hemorragia subaracnóidea: → O LC deve ser examinado p/ xantocromia, que é produzida pela lise das hemácias no LC. A lise das hemácias começa a ocorrer aproximadamente 2 horas após a exposição ao LC. O LC é centrifugado e depois examinado quanto à limpidez. A coleta do LC dentro de 12 horas do início dos sintomas de suspeita de hemorragia subaracnóidea pode revelar resultados falsos-negativos como consequência deste fenômeno.