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Atividade Prática Supervisionada – Processo Penal – Infrações e Procedimentos Criminais Especiais Giulia Suana de Almeida RA: 1554870 A obra A FILOSOFIA DE AGAMBEN, O TERRORISMO DE BIN LADEN E O DIREITO PENAL DO INIMIGO: UM ESTUDO DE FRONTEIRAS ENTRE A PROTEÇÃO E A PUNIÇÃO, é uma obra que traz o ponto de vista do professor italiano Giorgio Agamben sobre o terrorismo com sua obra Homo Sacer, contradizendo a obra de mesmo nome de Gunther Jakobs, fazendo uma contraposição entre dois autores. O texto aponta que o terrorismo não é apenas uma discussão jurídica e também filosófica e socióloga, pois se sabe que muitos, se não todos, atos terroristas tem motivações ideológicas e ou religiosas. As motivações por traz de tais atos abomináveis segue uma linha extrema de fanatismo e radicalização. Os autores abordam o tema expondo a dificuldade na comum crítica ao dualismo entre a teoria e a prática e como se deve superar essa questão através de um estudo aprofundado na sociologia jurídica. Ao analisarem a morte de Osama Bin Laden, os autores tocam na questão de que terroristas também são seres humanos e por isso não deveriam eles também estarem protegidos pelo Direitos Humanos? Após o exposto, há a visão de Agamben: Nem prisioneiros nem acusados, mas apenas detainees, são objeto de uma pura dominação de fato, de uma detenção indeterminada não só no sentido temporal, mas também quanto à sua própria natureza, porque totalmente fora da lei e do controle judiciário. A única comparação possível é com a situação jurídica dos judeus nos Lager nazistas: juntamente com a cidadania, havendo perdido toda identidade jurídica, mas conservavam pelo menos a identidade de judeus. Como Judith Butler mostrou claramente, no detainee de Guantánamo a vida nua atinge sua máxima indeterminação” O que nos leva a questão de um estado de exceção, que por sua vez acaba compondo a dualidade de que todos devem ter a proteção dos direitos fundamentais e o estado e exceção que combate o terrorismo em uma “guerra contra o terror”. Após o atentado de 11 de Setembro de 2001, comandado por Bin Laden, que imobilizou uma nação e chocou o mundo, foi o momento ápice para líderes mundiais de diversos países, principalmente George W Bush – presidente dos Estados Unidos na época do atentado – declararem publicamente guerra contra o terror. Em 2011 após 10 anos do atentado Osama Bin Laden foi executado pelos militares americanos com total aprovação de Obama, que alegou então uma legitima defesa do estado. Para os autores, o estado de exceção “cria um ser sem direitos, um ente no qual se opõem o máximo direito do Estado e a diminuição do indivíduo ao ponto zero”. Ao entrarem no tópico do que seria o direito penal do inimigo, os autores fazem uma relação com a cultura do medo que as nações enfrentam, após o fatídico 11 de Setembro. Gunther Jakobs acredita que o inimigo deve ser tratado como inimigo, ou seja, que este deve ser considerado uma “não pessoa” e ser tratado de acordo com as suas condutas, portanto: olho por olho, dente por dente. Pois uma pessoa que comete atrocidades gigantescas contra outras pessoas, não deve ser protegida por um direito que este não respeito ou aplicou para poupar suas vítimas. Toda essa narrativa nos leva a questão entre o direito fundamental de um ser humano e o direito de defesa do Estado, na qual por parte do direito penal do inimigo o favorecimento certamente vai para o direito de defesa do Estado. Quando se fala sobre direito penal do inimigo, ignora-se uma parte importante do aspecto jurídico, a Constituição Federal de 1988, por exemplo, garante diversos direitos fundamentais para condenados e que, portanto, o direito penal do inimigo no caso do Brasil estaria ignorando uma norma garantida por lei superior. Para Jakobs, ele apenas argumenta do âmbito do sistema científico e não dos sistemas jurídico e político. Seria em si uma tese com suas pontuações e justificativas, mas que não poderia ser posta em prática, uma coisa é estudar cientifica e teoricamente um tópico e outra é colocá-la em prática politicamente. Fernando Antônio e José Arlindo em certo ponto citam Claus Roxin, que argumenta que o direito penal do inimigo é assunto que deve ser tratado com cuidado, pois é uma ideia que remonta ao totalitarismo e que um estado que não apresenta o acusado a justiça, não poderá mais ser considerado um Estado de Direito: O âmbito da teoria e do sistema pode ter uma conexão consistente de axiomas e teorema, mas sua aplicação – como no caso discutido do terrorismo – torna o direito penal do inimigo um pensamento que no mínimo pode ser perigosamente mal interpretado como uma sustentação e planificação do totalitarismo. Os autores questionam se seria possível o direito penal do inimigo em um estado democrático, constitucionalmente, e claramente não é possível, pois essa ideia é barbara e um retrocesso significativo em matéria de Direito Penal, toda a evolução que tivemos desde as torturas da Idade Média, até mesmo o apelo de Cesare Beccaria em sua obra Dos Delitos e Das Penas seriam basicamente em vão. Guilherme Nucci expõe: O cultivo do prazer vingativo, muito embora possa constituir fator ligado à personalidade de vários indivíduos, não deve converter-se em objetivo do Estado, ente perfeito e abstrato, fomentador do Direito e da Justiça, sempre imparcialmente cultuados e aplicados. Se época houver em que os agentes do Estado passarem a agir desgovernadamente, com ânimo de vingança e prazer sádico de ferir e lesar aquele que, porventura, fez o mesmo a seu semelhante, não mais se poderá falar em Estado Democrático de Direito e muito menos em respeito à dignidade da pessoa humana. A legislação brasileira, possui algumas leis extremamente punitivas, como abordam os autores exemplificando a Lei de Crimes Organizado 9034/95 e a Lei de Crimes Hediondos 8072/90 e criticam a forma que esses assuntos são lidados na sociedade. Ao invés de educar e informar a sociedade corretamente, para o Estado é mais fácil modificar dispositivos legais. O Direito Penal apresentado pelos Estados atualmente, vem carregado de valores morais, como forma de imposição para a sociedade, para que as pessoas acabem repreendidas e tendo uma visão moldada de certo e errado, como por exemplo, furtar algum alimento em um mercado porque o indivíduo estava passando fome e foi repreendido de maneira desproporcional. Segundo os autores isso é chamado de Direito Penal simbólico. O Estado-juiz é, idealmente, imparcial, justo, honesto, ético e adequado às necessidades sociais. Hoje, aquele que erra e lesiona interesse alheio merece punição proporcional e firme, sem qualquer invasão corporal, implicando castigos físicos ou mentais. Isto porque, amanhã, pode ele tornar-se vítima da ação criminosa de outrem e não poderá exigir tratamento desumano a quem lhe fez mal. Alternam-se, no seio social, agentes agressores e vítimas. (Guilherme Nucci) Assim sendo, ao comparar as ideias de Agamben e Jakobs, podemos ver duas perspectivas sobre como devem ser lidadas a questão do terrorismo, se para um o terrorista, por mais assombrosos que sejam seus atos criminosos, ainda sim deve ter todos seus direitos respeitados e sofrer as consequências perante a justiça diante de um tribunal, pois é exatamente essa a conduta que um Estado Democrático de Direito tomaria. Hoje o Homo Sacer de Agamben são nada mais que os refugiados, imigrantes, pessoas que não possuem documentos que fogem para países imperialistas em busca de segurança e um lugar para recomeços e são totalmente invisíveis aos olhos da sociedade. Já para o outro o terrorista é um ser tão maligno que deve ser desconsiderado de todos os direitos que possam dá-lo algum tipo se proteção, mesmo que essa proteção seja simplesmente o fato de não ser executado sem passar por qualquer tipo de julgamento, ignorandoos direitos fundamentais e justificando a ação como legitima defesa. A grande crítica a obra de Jakobs, é que mesmo após os horrores da Segunda Guerra Mundial, alguém ainda tenha pensamentos como este, se já vimos o que ideias que ignorem totalmente os direitos básicos de um ser humano podem fazer, é até irresponsável incentivar atitudes como essa. Se o próprio, Jakobs revela em sua obra que seu discurso é feito a partir da ótica cientifica e não política, porque então, líderes mundiais tomam o discurso como incentivo? Para os Estados Unidos a resposta contra o atentado, foi iniciar uma guerra, invadir países nos quais cidadãos pagaram o preço de organização terroristas pelo simples fato de serem conterrâneos e terem a mesma religião dos agressores. Todo o ódio disseminado no Ocidente contra o povo do Oriente Médio, todo o preconceito que pessoas inocentes têm que aguentar até os dias de hoje, 20 anos depois. Se foi essa a atitude que um país que se orgulha de ter liberdade e serem livres como um dos direitos fundamentais e certamente um dos países que mais viola os direitos fundamentais a vida nos dias de hoje. Os autores expõe: No momento em que o terrorista dobra o Estado e o faz abandonar seu papel de guardião da ordem jurídica ele prova ao indivíduo que faz parte do Estado que a guerra está perdida. Afinal, o que exatamente o Estado está defendendo se a ordem jurídica que é um de seus órgão vitais já foi perdida? O Estado de Exceção, tem como objetivo a defesa, mas na verdade é uma artimanha para a retaliação, para vingar. É explicitamente uma agressão a democracia, o expansionismo dos poderes governamentais e a volta de tempos bárbaros. Osama Bin Laden, não era inocente e por isso, como todo acusado sendo uma pessoa, deveria ter passado pelo processo legal, com seus direitos devidamente protegidos e seus atos devidamente condenados, de forma justa feito por um tribunal. Assim como foi feito o Tribunal de Nuremberg após o fim da Segunda Guerra, que condenaram justamente os nazistas contra os crimes cometidos por eles, que o próprio Estados Unidos participou e apoiou tal medida. Os Estados Democráticos de Direito, devem sempre ter uma postura de acordo, pois por mais terrível seja o ato que os leva a esquecer que seres humanos devem ter protegido o mais básico direito: a vida. Ao se depararem com uma situação como o 11 de Setembro, devem por mais abominável que seja, tomarem as providências de acordo com a lei, seja um tribunal internacional ou até mesmo o seu próprio. Bibliografia: A FILOSOFIA DE AGAMBEN, O TERRORISMO DE BIN LADEN E O DIREITO PENAL DO INIMIGO: UM ESTUDO DE FRONTEIRAS ENTRE A PROTEÇÃO E A PUNIÇÃO de Fernando Antônio C. Alves de Souza e José Arlindo de Aguiar Filho in: https://revistajusticaesistemacriminal.fae.edu/direito/article/download/17/15 . NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de direito processual penal / Guilherme de Souza Nucci. – 18. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2021.